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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Análise: do SGB ao SGDC

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Após meses de expectativa desde a seleção dos fornecedores em agosto, ontem (28) foi finalmente assinado o contrato entre a Telebras e a Visiona Tecnologia Espacial que, de fato, concretiza o desejo de mais de uma década do governo brasileiro em dispor de um sistema próprio para comunicações estratégicas e militares.

Idealizado inicialmente com o nome Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), o projeto sofreu significativas alterações, perdendo algumas funções (CNS/ATM, meteorologia) e adquirindo outras (atendimento ao Plano Nacional de Banda Larga), passando então a adotar o "pomposo" nome de Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Seu resultado, é inegável, foi significativamente influenciado pelo "fator Snowden".

Aspecto pouco (ou nem sequer) analisado na imprensa, mesmo especializada, é o significado do SGDC para o Programa Espacial Brasileiro, não necessariamente em transferência tecnológica, elemento que, pelo que apuramos, tem uma natureza de "soft" e é relativamente incerto (Nota do blog: abordaremos este assunto com mais detalhes em breve).

O SGDC "patrocinou" a criação da Visiona, que ambiciona ser a prime contractor de projetos do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Ministério da Defesa. Ainda, é exemplo claro de que o Programa Espacial não necessariamente terá o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação como ator principal e impulsor de iniciativas. Obviamente, este participa e participará, mas os impulsos e decisões parecem vir de motivações e decisões de outros setores do governo.

O extrato de dispensa de licitação publicado no Diário Oficial traz mais detalhes sobre a contratação, tais como o valor exato (pouco menos de $1,311 bilhão), e o prazo de execução (222 meses), que se estende até o término da vida útil do satélite quando em órbita.

Agora, conforme noticiado na imprensa francesa, a expectativa é que os contratos para a construção do satélite e seu lançamento, respectivamente, a cargo da franco-italiana Thales Alenia Space e da europeia Arianespace, sejam assinados nas próximas semanas e oficialmente anunciados na visita do presidente francês, François Hollande, ao Brasil, entre 12 e 13 de dezembro.

A missão de Hollande, aliás, lembra a visita de outro presidente francês, Nicolas Sarkozy, em dezembro de 2008, ocasião em que foi firmado um instrumento de parceria estratégica entre os dois países, que incluía tópicos na área espacial, inclusive o próprio satélite geoestacionário, além de negócios bilionários envolvendo submarinos e helicópteros.

Transferência de tecnologia

Em reportagem da Space News, consta a informação, possivelmente oriunda de fontes francesas, de que como parte do processo de transferência (ou absorção?) de tecnologia, cerca de 30 engenheiros da Embraer (Nota do blog: acreditamos que, na verdade, sejam da Visiona) passarão a ter residência próximas as instalações da Thales Alenia Space em Cannes e Toulouse, durante o período de execução do contrato. O mesmo texto também cita o início de 2017 como época prevista para o lançamento.

Na entrevista com José Raimundo Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), publicada ontem (veja aqui), apresentamos detalhes sobre como será o processo de definição de transferência tecnológica associada ao SGDC.
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Telebras: "Satélite próprio é estratégico para o Brasil"

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Satélite próprio é estratégico para o Brasil

Brasília, 10/9/2013 - A construção do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) é um projeto de Estado e fundamental para a autonomia do país na área das comunicações. Foi o que defendeu o presidente da Telebras, Caio Bonilha, em palestra no Congresso Latino-Americano de Satélites 2013, realizado na última semana, no Rio de Janeiro. Ele explicou que o satélite, que deverá estar em órbita em 2016, será operado pela Telebras na banda Ka (civil) e pelo Ministério da Defesa na banda X (militar).

Bonilha informou que neste mês de setembro a Telebras deve assinar contrato com a Visiona, empresa constituída pela Telebras e pela Embraer para ser a integradora do processo de compra do satélite, a prime contract. A partir daí a Visiona assinará o contrato de aquisição do satélite com a Thales Alenia, empresa selecionada para ser a fornecedora do artefato, e também com a Arianespace, que será a lançadora do satélite.

O custo do satélite está estimado em US$ 660 milhões, englobando a aquisição do artefato, o seu lançamento e o seguro. Caio explicou que as duas empresas foram selecionadas por oferecerem o melhor pacote: menor preço, garantia de qualidade e transferência de tecnologia. "Foi a melhor oferta oferecida entre as três empresas finalistas", explicou o presidente da Telebras, acrescentando que a transferência de tecnologia será coordenada pela Agência Espacial Brasileira (AEB).

O presidente da Telebras destacou que o SGDC irá garantir soberania ao país em suas comunicações satelitais militares, além de garantir uma rede segura e de controle brasileiro para as comunicações civis. "O satélite SGDC, que será operado pela Telebras, evitará que as comunicações governamentais saiam da esfera do governo. Hoje o governo brasileiro não tem satélite próprio, os atuais satélites são controlados por empresas privadas, internacionais. Se por acaso houver qualquer conflito internacional, as comunicações brasileiras, tanto civil quanto militar, ficarão prejudicadas", alertou.

Além de carregar a banda X, que será operada pelos militares, o SGDC terá a banda Ka coordenada pela Telebras, que utilizará o artefato para fornecer comunicação segura entre os órgãos e entidades da administração pública federal, nas chamadas redes de governo, além de massificar o acesso à internet no âmbito do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). "O satélite irá complementar a rede terrestre da Telebras e permitirá o atendimento a aproximadamente 2.300 municípios onde não conseguiremos chegar por via terrestre", informou Caio Bonilha, durante o painel "Os modelos de exploração da Banda Larga via satélite e da Banda X: as políticas para o setor".

Também participaram do painel André Moura, gerente de projeto do Ministério das Comunicações; o coronel Edwin Pinheiro da Costa, do Ministério da Defesa; e Leandro Gaunszer, da Media Networks, do grupo Telefônica.

Fonte: Assessoria de Imprensa da Telebras, via Ministério das Comunicações.
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Novos contratos da Arianespace: Brasil é destaque

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No início desta semana, por ocasião do World Satellite Business Week 2013, tradicional evento do setor comercial espacial organizado pela Euroconsult a cada em Paris, França, a europeia Arianespace anunciou a assinatura de cinco novos contratos de lançamento, além de sua seleção pela Visiona Tecnologia Espacial para a colocação em órbita do SGDC-1, já noticiada pelo blog em meados de agosto.

O Brasil ocupou posição de destaque nos anúncios. Além da assinatura do contrato para o Star One D1, da operadora Star One, subsidiária da Embratel, outro satélite destinado ao mercado nacional, da norte-americana DIRECTV, voará a bordo de um Ariane 5. O nome, aliás, é sugestivo: SKY Brasil-1 (IS-32). Em construção pela Astrium (Airbus Defence & Space), o satélite terá mais de 6 toneladas e contará com 81 transpônderes operando nas bandas Ku e Ka. Seu lançamento está previsto para o terceiro trimestre de 2016.

"O IS-32 será um dos dois satélites que apoiarão nosso negócio SKY Brasil, provendo capacidade para a entrega de produtos e serviços para nossa crescente base de clientes no Brasil", declarou em nota Bruce Churchill, presidente da DIRECT Latin America.

Desde o início do ano, a Arianespace assinou um total de treze contratos de lançamento, num valor total estimado em mais de um bilhão de euros, equivalente a 62% do mercado.

Ainda este ano, previsto para dezembro, deve acontecer o lançamento do Amazonas 4A, da Hispasat, que atenderá o mercado latino-americano e o Brasil (banda Ku). O satélite está sendo construído pela Orbital, dos EUA, e também voará a bordo de um Ariane 5.

Nos últimos meses, aliás, foram várias as notícias sobre o mercado de comunicações por satélite na região e no Brasil em especial, o que dá uma ideia sobre o grau de "aquecimento" em que se encontra. A seguir, reproduzimos algumas das mais recentes:

- "Space Systems/Loral fabricará Star One D1", agosto.

- "SGDC: Thales Alenia Space e Arianespace são escolhidas", agosto.

- "Novo satélite da Eutelsat para o Brasil", julho.

- "SES-6, Oi e o mercado de comunicações por satélite", junho.

- "Amazonas 3 em órbita", fevereiro.

- "Star One C3, Amazonas 3, Telespazio e Anik G1...", janeiro.
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sábado, 31 de agosto de 2013

Ariane 5: 57ª sucesso consecutivo

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Na última quinta-feira (29), a Arianespace realizou com sucesso, a partir de Kourou, na Guiana Francesa, o  57º lançamento consecutivo ao espaço do foguete Ariane 5, colocando em órbita de transferência geoestacionária dois satélites de comunicações, o EUTELSAT 25B / Es'hail 1, e o GSAT-7, este último da agência espacial indiana (ISRO).

Este foi o quarto lançamento do Ariane 5 este ano, e comprova a confiabilidade e disponibilidade do veículo lançador, largamente reconhecida no mercado. Ao longo deste ano, a companhia europeia lançou ao espaço 20 cargas úteis em sete missões compreendendo toda a sua família de foguetes - além do Ariane 5, o Soyuz e o Vega.

Em meados de agosto, a Arianespace foi selecionada pelo governo brasileiro para a colocação em órbita do Satélite de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), esperada para o final de 2015 ou início de 2016..
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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Resultados do SGDC: uma análise

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A seguir, apresentamos algumas notas com uma análise sobre o resultado da concorrência da primeira unidade do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), coordenada pela Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture da Embraer (51%) e Telebras (49%), e anunciada no início da semana passada.

O preço

Não houve uma divulgação oficial pelas partes envolvidas sobre o valor total do negócio. Mas, o website brasileiro Teletime, especializado em telecomunicações, publicou notícia em 13 de agosto dando o valor de R$1,1 bilhão (acima dos R$716 milhões inicialmente estimados), citando Caio Bonilha, presidente da Telebras. O blog Panorama Espacial já havia publicado no passado informações sobre a revisão do orçamento, uma vez que o montante de R$716 milhões havia sido estimado em 2011, época em que um dólar custava em torno de R$1,70 (o equivalente a cerca de 420 milhões de dólares). O SGDC-1, turn-key, custará em torno de 450 milhões de dólares. O contrato definitivo deve ser assinado até setembro.

Três satélites ao todo

Nesta primeira etapa, um único satélite está sendo contratado (alguns componentes críticos serão redundantes), mas a intenção do governo é em dado momento dispor de uma constelação de três satélites. O processo para a contratação de uma segunda unidade poderá ser iniciado mesmo antes da colocação em órbita do SGDC-1, prevista para o primeiro trimestre de 2016. E é neste cenário de surgimento de um novo contratante de satélites na América do Sul, que nasce com a obrigação de atender a demanda de banda larga popular e das forças armadas, que outros fabricantes além da TAS continuarão a trabalhar. Isto é, o mercado governamental brasileiro não está fechado.

O desafio

O projeto do SGDC não envolve apenas o satélite propriamente dito, isto é, o segmento espacial. Parte importante, talvez até a mais relevante, é o segmento terrestre, especialmente em se tratando de um projeto que envolve banda Ka para atender o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Este é um ponto que deve ser observado com muita atenção.

A importância para a TAS

O SGDC-1 foi o primeiro negócio para a venda de um satélite geoestacionário de comunicações fechado este ano pela Thales Alenia Space (TAS) - a TAS conquistou um contrato no início do ano para o fornecimento de cargas úteis do satélite BADR-7, da ARABSAT, mas a líder industrial e fornecedora da plataforma neste caso é a Astrium. Representa a continuidade da família de plataformas Spacebus e também dezenas de meses de atividades para engenheiros e técnicos em Cannes, no sul da França, e em outras unidades da TAS na Europa.

A importância conferida pelo grupo ao negócio no Brasil foi a base para que uma proposta extremamente competitiva, especialmente em termos de preço (sempre uma dificuldade para países europeus em relação a seus concorrentes norte-americanos por conta do câmbio), fosse apresentada, com o respaldo de Jean-Loïc Galle (presidente da TAS) e Pascale Sourisse (vice-presidente desenvolvimento internacional do grupo Thales).

A importância para a TAS - 2

Levando o SGDC, a TAS se colocou numa posição privilegiada para os próximos satélites do SGDC e também outros projetos espaciais brasileiros, em particular, no âmbito do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), elaborado pelo Comando da Aeronáutica, e do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE). Especialmente em razão do espectro de transferência tecnológica esperada com o SGDC, não apenas em comunicações, mas em subsistemas de satélites, observação terrestre, meteorologia, entre outros.  

Outra consequência relevante: o SGDC pode ser a "porta" da Thales para outros projetos com a Embraer, não necessariamente na área espacial. Do lado francês, desejo há. Algo a se conferir nos próximos meses.

A semana da Arianespace no Brasil

Pouco ou nada se comentou a respeito, mas a escolha da Arianespace para colocar o SGDC-1 em órbita confirma a tradição (e o retorno) da companhia europeia no atendimento das necessidades em termos de lançamento dos programas de satélites de comunicações do governo brasileiro. Relacionamento que começou em 1985, quando o Brasilsat A1, operado e contratado pela então estatal Embratel, subiu ao espaço a bordo de um Ariane 3. Até o ano de 2000, foram mais cinco lançamentos. Mesmo com a privatização da Embratel e criação da Star One, os veículos da família Ariane continuaram sendo a primeira opção, executando com sucesso todas as missões. É um grande indicativo de confiabilidade.

Aliás, a última semana foi marcante para a Arianespace no País. Pois, além de ter sido escolhida para o SGDC-1, houve o anúncio do Star One D1, a ser fabricado pela Space Systems/Loral (SSL), dos EUA, e que, segundo a imprensa, voará ao espaço a bordo de um foguete Ariane 5. Em novembro de 2012, um Ariane 5 colocou em órbita o Star One C3 (construído pela Orbital Sciences Corporation, dos EUA). Para o terceiro trimestre de 2014, outro Ariane 5 deve lançar o Star One C4 (SSL).
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

SGDC: Thales Alenia Space e Arianespace são escolhidas

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Visiona seleciona empresas fornecedoras do sistema do satélite geoestacionário brasileiro (SGDC)

Thales Alenia Space e Arianespace foram escolhidas para fornecer, respectivamente, o satélite e o lançamento do sistema SGDC

A Visiona informa que a Thales Alenia Space e a Arianespace foram escolhidas para fornecer o satélite e para prover o lançamento do SGDC, respectivamente. O processo de seleção conduzido pela Visiona durou cerca de 12 meses, seguiu rigorosos padrões aplicados internacionalmente e baseou-se estritamente no atendimento dos parâmetros técnicos, operacionais e econômicos do projeto, além do requerimento de absorção e transferência de tecnologia definidos pelo governo brasileiro.

A escolha das empresas foi aprovada pelo Comitê Diretor do projeto SGCD, composto por representantes dos Ministérios das Comunicações (MC), Defesa (MD) e Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O SGDC atenderá as necessidades do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), da Telebras, e também um amplo espectro de comunicações estratégicas brasileiras nos âmbitos civil e militar.

“Com o satélite geoestacionário, o País ampliará o acesso à banda larga de Internet para todo o território e terá assegurada a soberania em suas comunicações estratégicas, tanto na área civil quanto na militar”, afirma Caio Bonilha, presidente da Telebras.

Para Nelson Salgado, presidente da Visiona, “a seleção destes fornecedores encerra uma etapa importante do processo de definição do sistema SGDC, criando condições para que o contrato entre Visiona e Telebras seja assinado e o trabalho de desenvolvimento do sistema possa ser efetivamente iniciado”. Os termos e condições do contrato entre Visiona e Telebras serão divulgados oportunamente, quando da sua assinatura.

Sobre a Visiona

A Visiona Tecnologia Espacial S.A. é uma empresa dos grupos Embraer e Telebras, controlada pela Embraer e constituída com o objetivo inicial de atuar na integração do sistema do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) do governo brasileiro, que visa atender às necessidades de comunicação satelital do Governo Federal, incluindo o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) e um amplo espectro de comunicações estratégicas de defesa.

A Visiona tem também como objetivo atuar como empresa integradora de satélites, com foco nas demandas do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE/AEB) e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE/FAB).

Fonte: Visiona.
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sexta-feira, 28 de junho de 2013

Rastreio do Soyuz pela Barreira do Inferno

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MAIS UMA PARTICIPAÇÃO DO CLBI NO CENÁRIO INTERNACIONAL: RASTREAMENTO DO GIGANTE RUSSO

Brasília, 27 de junho de 2013 - Às 6 horas da manhã da última terça-feira (25), o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) estava guarnecido e apontava suas antenas em direção ao gigante russo estacionado em Sinnamary, na Guiana Francesa, após um dia inteiro de testes entre as seis estações da cadeia operacional equatorial, preparadas para o rastreamento do veículo Soyuz, lançado a partir do Centro Espacial Guianês (CSG). Às 16h25, o veículo foi lançado e rastreado pela Barreira do Inferno.

Além de Galliot (Guiana Francesa), Ascension (Atlântico Sul), Libreville (Gabão) e Malindi (Quênia), mais uma estação compôs a cadeia de rastreamento: Perth (Hawaí). Esse conjunto de estações trabalhando em sincronia permitiu ao nosso cliente compreender a viagem do veículo em torno da terra, com dupla visibilidade para alguns meios e a ejeção dos satélites passageiros.

Para executar este primeiro rastreamento do Soyuz equatorial, a estação de Natal foi a que mais sofreu modificações e também recebeu franceses e russos para complementar os trabalhos. Novos equipamentos foram instalados no sítio do CLBI e todos os procedimentos operacionais existentes tiveram que ser reeditados para incluir o modo de recepção das Telemedidas Soyuz – Fregat.

O lançador Soyuz, composto de três estágios, já foi lançado quase duas mil vezes pela Agência Espacial Russa, desde a  sua  versão original. Para os lançamentos equatoriais, o terceiro estágio foi modificado para receber o motor Fregat, com quatro câmaras de combustão a querosene reagindo com oxigênio líquido, o que aumentou significativamente o desempenho geral do veículo. Com este novo arranjo, o lançador ficou com um comprimento de 46,2 m, um diâmetro de 10,3m e massa ao solo de 308 toneladas.

Os quatro satélites passageiros destinados às órbitas de 8 mil Km de altura são os primeiros a integrar a constelação O3B, cujas características permitirão:

- uma maior cobertura de internet em regiões da América Latina, Oriente Médio, Ásia, Austrália e África (quase 180 países);

- aumentar a velocidades de download para até 1.2Gbps, ou seja, conexões com qualidade similar ao serviço do Google Fiber; e

- uma redução dos custos de banda larga em até 95% nos locais onde hoje seu uso é extremamente caro.

Fonte: AEB

Comentário: desde 1977, todas as missões espaciais lançadas de Kourou, inicialmente da família Ariane e mais recentemente com a inclusão dos lançadores Soyuz e Vega, têm determinadas etapas de seus vôos rastreadas pelo CLBI, com base em acordo firmado com a agência espacial francesa.
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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Notas de Le Bourget

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Esta semana, está acontecendo em Le Bourget, nos arredores de Paris, França, a 50ª edição do tradicional Salão Internacional de Aeronáutica e Espaço. A revista Tecnologia & Defesa e o blog Panorama Espacial estiveram presentes nos primeiros dias e apresenta a seguir algumas notas com as principais notícias no setor espacial, em especial relacionadas ao Programa Espacial Brasileiro.

Embraer: interesse em lançadores? Não!

Na noite de segunda-feira (17), a Embraer promoveu um encontro com a imprensa com a presença de seus principais executivos, entre eles Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa & Segurança. O dia, aliás, foi histórico para a companhia brasileira, anunciando contratos para a venda de até 365 de novas aeronaves regionais a serem desenvolvidas.

Questionado pela reportagem de T&D sobre um eventual interesse da Embraer no segmento de lançadores, Aguiar foi taxativo ao afirmar que não vê a companhia entrando neste mercado. No passado, algumas empresas estrangeiras e a própria Alcântara Cyclone Space chegaram a falar com a Embraer. O caminho hoje parece livre para grupos como a Odebrecht e a Camargo Corrêa, além da Avibras, que têm olhado nessa direção.

Embraer, Visiona e o PNAE

Aguiar também falou sobre o interesse da Embraer, por meio da Visiona, em participar de outras missões do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), nomeadamente, de observação terrestre e meteorologia. A Visiona deve funcionar como plataforma de contratação e integração, e outras empresas o grupo poderão também participar (a Orbisat, por exemplo, tem expertise em tecnologia de imageamento por radar). Questionado pelo blog sobre a participação da Telebras, estatal de comunicações, numa empresa que buscará atuar em outros projetos espaciais, o executivo da Embraer respondeu afirmando que a Telebras pode em algum momento vir a deixar o capital da sociedade.

SGDC: a proposta da Thales Alenia Space

Durante o Paris Air Show, T&D teve a oportunidade de conversar com Sérgio Bertolino, vice-presidente para o segmento de comunicações para a América Latina da Thales Alenia Space (TAS), uma das três finalistas da concorrência do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Em bom português, Bertolino destacou o enorme interesse do grupo em conquistar o negócio, enfatizando a proposta de transferência de tecnologia em campos não apenas de comunicações, mas observação terrestre (sensores óticos e radares) e meteorologia, dentre outros. O executivo relevou que, em fevereiro, quando da solicitação de propostas pelo governo brasileiro, a TAS decidiu contratar a fabricação dos tubos de banda Ka (TWT) a serem usados na construção do satélite caso venha a ser selecionada. A decisão, que envolve certo risco, teria por objetivo garantir a entrega do SGDC no prazo de 31 meses contados de sua contratação.

SGDC: especulações sobre a proposta da Loral

Nos bastidores, muito se comentou sobre a proposta da norte-americana Space Systems / Loral. A fabricante teria oferecido um satélite com capacidade em banda Ka próxima de 80 gigabytes por segundo (o requisito inicial feito no RFP era de 40 gigabytes). Sua proposta de transferência tecnológica também seria satisfatória e iria além do que foi solicitado pelo governo. Ainda, bastante conhecida no mercado por seus preços competitivos, acredita-se que a sua oferta seria mais barata, aspecto que deve ter significativa influência na decisão (note-se que a valorização do dólar frente ao real. Adicionalmente, já se discute uma ampliação orçamentária para o SGDC, tendo em vista a insuficiência dos recursos inicialmente destinados: R$716 milhões). Não se trata de um consenso, mas a Loral é considerada como favorita.

SGDC: o processo de escolha

A decisão de quem fornecerá o SGDC, prevista para o final de julho, funcionará da seguinte forma: a Visiona analisará as propostas e apresentará um relatório bastante detalhado para o Comitê Diretor do Projeto (três membros, um indicado pelo Ministério das Comunicações, outro pela pasta da Defesa, e o terceiro pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação), instância decisória máxima do SGDC. As contrapartidas tecnológicas e de transferência tecnológica, conhecidos como offsets, estão a cargo da Agência Espacial Brasileira (AEB), que também deverá opinar. Neste momento, a Visiona não está envolvida em tais discussões, estando responsável pelas avaliações técnicas e financeiras.

ACS e as obras em Alcântara

A binacional Alcântara Cyclone Space (ACS) é uma das empresas de capital brasileiro que estão presentes no evento, no pavilhão ucraniano. Questionado sobre a situação das obras do complexo de lançamento do Cyclone-4 em Alcântara, Olexander Serdyuk, diretor da ACS, informou que as mesmas estão paralisadas aguardando a liberação de recursos adicionais provenientes do aumento de capital recentemente aprovado. Caso os recursos sejam liberados até julho, a expectativa é que o primeiro voo do foguete Cyclone 4 ocorra até o final de 2014. Segundo o diretor, o desenvolvimento do lançador segue de acordo com o planejado e deve ser concluído até o final do ano.

Satélite italiano a bordo do Cyclone 4

Serdyuk também revelou que a ACS assinará hoje (20), com uma universidade italiana, um contrato para o lançamento de um pequeno satélite científico, somando-se ao satélite japonês Nano-JASMINE. Também foi revelado que um satélite científico ucraniano e outro da Estônia, ambos de pequeno porte, devem compor a primeira missão.

Arianespace, Vega e Göktürk-1

Na terça-feira (18), a Arianespace anunciou sua seleção para o lançamento do satélite de observação Göktürk-1, do governo da Turquia, a bordo do foguete italiano Vega, a partir de 2015. Trata-se do nono contrato assinado apenas este ano e o segundo contrato comercial para o lançador Vega num mercado aberto. No mesmo dia, em conferência para a imprensa, Stéphane Israël, CEO da companhia, destacou o excelente momento e boas perspectivas, assuntos que serão abordados pelo blog em nota específica dentro dos próximos dias.
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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Novo recorde do Ariane 5


Foi realizado com sucesso ontem (05) a noite, a partir de Kourou, na Guiana Francesa, mais um lançamento bem sucedido - o 55º seguido - do lançador europeu Ariane 5, operado pela Arianespace. O foguete levou ao espaço a quarta unidade do ATV (Automated Transfer Vehicle), veículo de transporte de cargas para a Estação Espacial Internacional.

A missão de ontem tem um significado especial: tratou-se da carga útil mais pesada 20.252 kg (incluindo os 19.887 kg do ATV) já orbitada por um lançador Ariane.

"Eu estou muito satisfeito com este sucesso, o 69º lançamento de um Ariane 5 e, tão importante como, o 55ª sucesso consecutivo deste lançador, que continua a alcançar recordes não apenas por sua confiabilidade, mas também por sua disponibilidade, conforme demonstrada mais uma vez com a perfeita contagem regressiva desta noite", afirmou o diretor-presidente da Arianespace, Stéphane Israël.

Albert Einstein no espaço

O quarto ATV foi batizado de Albert Einstein, seguindo a tradição de homenagear eminentes figuras europeias: os modelos anteriores homenagearam Jules Verne (setembro de 2008), Johannes Kepler (fevereiro de 2011) e Edoardo Amaldi (março de 2012). Para junho do próximo ano, está prevista a missão do quinto ATV, o Georges Lemaítre.
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terça-feira, 7 de maio de 2013

Vega: segunda missão bem-sucedida


Ontem (06) a noite, ocorreu com sucesso a partir do Centro Espacial da Guiana, em Kourou, na Guiana Francesa, a segunda missão de lançamento do foguete europeu Vega, executada pela Arianespace. O lançador colocou em órbita três satélites de pequeno porte, incluindo dois de observação terrestre: o VNREDSat-1, desenvolvido e fabricado pela Astrium para o governo do Vietnã, e o ESTCube-1, primeiro satélite da Estônia, construído por estudantes da Universidade Nacional de Tartu.

A Astrium recebeu a encomenda do programa VNREDSat-1, da Academia de Ciência e Tecnologia do Vietnã (VAST), em julho de 2010, sob um acordo assinado em 2009 entre os governos francês e vietnamita. Nos termos deste contrato, a Astrium é responsável pelo desenvolvimento, construção e lançamento do satélite óptico VNREDSat-1, capaz de capturar imagens da Terra  com uma resolução de 2,5 metros. No Vietnã, a Astrium também foi a contratante principal do projeto e da construção do segmento de controle em terra do satélite e das estações de processamento e recepção de imagens de satélite. A empresa também foi responsável por treinar os 15 engenheiros vietnamitas que vão operar o satélite.

"O VNREDSat-1 é um dos sucessos de exportação da Astrium Satellites", disse Eric Béranger, CEO da Astrium Satellites. "Este novo satélite é mais uma prova de que as nossas equipes estão entre as melhores do mundo. Além de sua expertise tecnológica e gestão de custos exemplar, eles também fornecem excelente suporte ao cliente abrangendo desde o projeto do sistema até o treinamento de operadores no local. Nós pretendemos continuar trabalhando nesse sentido, estimulando ainda mais nossa competitividade e consolidando nossa posição como principal exportadora mundial de satélites de observação da Terra”.

Com mais este sucesso, a Arianespace confirma a sua posição como a única operadora de serviços de lançamento no mundo com capacidade de lançar ao espaço cargas úteis em todos os tipos de órbitas, dos maiores aos menores satélites geoestacionários, a constelações de satélites e missões para a Estação Espacial Internacional.
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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Entrevista com o novo presidente da Arianespace


Abaixo, reproduzimos uma entrevista com o novo diretor-presidente (CEO) e chairman da Arianespace, Stéphane Israël, publicada no final de abril no website da companhia europeia. A entrevista foi livremente traduzida e adaptada pelo Blog Panorama Espacial (para acessar o original em inglês, clique aqui).

Stéphane Israël, que antes ocupava o cargo de chefe de gabinete do Ministério de Renovação Industrial da França e teve passagens na EADS e Astrium, fala sobre suas perspectivas iniciais na companhia, e discute a posição competitiva da companhia num mercado de serviços de lançamento em mudanças.

Como o senhor vê sua função como sucessor de Jean-Yves Le Gall?

Eu estou seguindo os passos de um verdadeiro visionário do setor espacial! Jean-Yves colocou a Arianespace no caminho de sucesso de longo prazo com sua ênfase em qualidade e confiabilidade - algo que crescentemente nos coloca hoje a frente de nossos competidores - além da chegada do Soyuz e do Vega em Kourou, que se somam ao Ariane criando uma família única de veículos lançadores. Eu desejo todo o melhor à Jean-Yves em sua nova posição como chefe da Agência Espacial Francesa (CNES). Em conjunto com a indústria e a Agência Espacial Europeia, trabalharemos juntos e próximos a ele.

Quais são seus primeiros pensamentos sobre a Arianespace?

Eu estou impressionado com o profissionalismo e entusiasmo de todos que eu encontrei. Claramente, esta companhia é orientada aos clientes ("customer-oriented") - prontas para entregar seus compromissos por meio de seu conhecimento operacional. Há uma razão para que a Arianespace seja a líder: sua dedicação à excelência, das nossas equipes de lançamento no centro espacial aos representantes comerciais ao redor do globo; daqueles que estão na sede em Evry, às nossas equipes nos escritórios internacionais localizados em Cingapura, Tóquio, Washington e na Guiana Francesa.

Quais são as suas próximas prioridades?

Primeiramente, eu buscarei me reunir com nossos clientes ao redor do mundo, dando continuidade a ação de Jean-Yves em fortalecer nosso posição privilegiada. Também coloco uma ênfase particular em relacionamentos pessoais, que eu buscarei ativamente com os atores-chave de nossa indústria. Outra prioridade principal é passar algum tempo no centro de lançamento e ver a família completa de lançadores da Arianespace em ação, e ouvir o "feedback" de toda a comunidade da Arianespace em Evry e Kourou, e, mais genericamente, de toda a comunidade espacial que tem tornado a Arianespace um sucesso!

Como você vê a posição competitiva da Arianespace hoje?

Eu concordo integralmente com o mote não oficial da Arianespace: "lançamentos falam mais alto que palavras." Nossos clientes - sejam eles operadores de satélites de comunicações, construtores de espaçonaves, agências espaciais e instituições internacionais - confiam na Arianespace para entregar suas cargas em órbita com segurança e com a precisão demonstrada por nossa família de lançadores, missão após missão. A consideração do mercado do valor de nossos serviços é confirmada, ano após ano, pelos sucessos comerciais que alcançamos. Sob minha liderança, a Arianespace continuará a falar com a mesma voz na entrega da mensagem, que é alta e clara - baseado no tempo de sucessos e desejo de excelência que têm norteado nossa companhia pelas últimas três décadas.
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sábado, 20 de abril de 2013

Lançadores: custos versus confiabilidade - Parte II


O blog Panorama Espacial eventualmente aborda o mercado de lançamentos de satélites. Em março, postamos a análise "Lançadores: custos versus confiabilidade". Voltamos novamente ao tema, numa segunda parte daquela análise, agora mais específica, acerca da atual realidade de mercado de lançamentos comerciais geoestacionários, com dois players principais: a Arianespace, com o seu foguete Ariane 5, e a International Launch Services (ILS), operadora do russo Proton.

Desde o início de 2013, a Arianespace assinou sete novos contratos para lançamento, sendo vários deles envolvendo mais de um satélite. As recentes falhas em lançadores russos, como as do Proton (duas em 2012, e três num período de 16 meses) e do Zenit 3SL, da Sea Launch (fevereiro de 2013) têm beneficiado fortemente a companhia europeia. No período de janeiro de 2012 a abril de 2013, a Arianespace assinou 17 contratos, contra apenas duas da ILS, operadora do Proton.

Nota-se, portanto, que a a segurança tem um sido um critério primordial no processo de escolha pelos operadores. Observe-se ainda que a segurança no lançamento tem dois componentes principais: o primeiro é a segurança física, da integridade do próprio satélite, suscetível de ser destruído numa falha de lançamento; o outro componente é a segurança em termos de cronograma, algo que também precisa ser apreciado num processo de definição de lançador, uma vez que falhas costumam gerar a suspensão dos manifestos de lançamento até que as razões sejam identificadas e corrigidas.

Em fevereiro, durante o evento Satellite 2013, em Washington (DC), nos EUA, foi anunciada uma violenta redução dos preços de frete do Proton, consequência de sua nova realidade em termos de confiabilidade. Tais diferenças, aliás, são refletidas nos valores dos seguros pagos em cada lançamento, que atualmente alcançam o dobro num comparativo entre o Ariane 5 e o Proton (o seguro de um lançamento a bordo de um Ariane 5 varia de 6% a 7% do preço do satélite, frente a 13% ou mais em um Proton). Mesmo com a redução do preço, é de se notar o perfil de clientes que hoje contratam o Proton: empresas de comunicações em situação financeira mais crítica (caso da Satmex, por exemplo), em que cada dólar economizado faz diferença, ainda que em detrimento da segurança, e grandes operadoras de satélites, que contam com extensa frotas de satélites e que muitas vezes não contratam seguros nos lançamentos em razão de terem meios próprios de gestão de riscos. Tais operadoras, aliás, costumam contratar lançamentos com todos os players ativos no mercado.

Dentro deste contexto, será interessante acompanhar as decisões relacionadas aos programas de satélites atualmente em fase de finalização no Brasil, tanto no âmbito privado, com operadores inserindo novas capacidades (banda Ka) para atender a forte demanda a ser gerada com os grandes eventos (Copa do Mundo e Jogos Olímpicos), como no governamental, com o programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).
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domingo, 10 de março de 2013

Lançadores: custos versus confiabilidade


No início deste mês, a companhia australiana NBN (National Broadband Network) assinou um contrato com a europeia Arianespace para o lançamento de seus dois primeiros satélites geoestacionários de comunicações, negócio que, segundo a imprensa australiana, alcança o montante de 300 milhões de dólares.

A notícia é interessante por revelar, ainda que sem confirmação oficial, os custos de lançamentos, informação geralmente guardada a "sete chaves" por seu caráter comercial estratégico.

Reconhecidamente mais cara que seus concorrentes, fato é que mesmo operadoras novas têm optado por se apoiar na confiabilidade do Ariane 5, que já somou quase 60 lançamentos consecutivos bem sucedidos. Falhas em lançamentos e os consequentes atrasos em missões nos manifestos trazem enormes prejuízos às empresas de comunicações, daí a importância e necessidade de se buscar a máxima segurança possível no transporte de um satélite até sua órbita.

Os últimos contratos assinados pela Arianespace indicam o excelente momento pelo qual passa a operadora. A empresa se consolidou na posição de líder no mercado, num momento em que seus concorrentes diretos também passam por sérios problemas de confiabilidade (falhas em missões dos lançadores russos Proton e Zenit 3SL).
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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Amazonas 3 em órbita

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Foi lançado com sucesso ontem (08), a partir de Kourou, na Guiana Francesa, o satélite geoestacionário de comunicações Amazonas-3, que operará na posição orbital 61º oeste, de direito do Brasil. O Amazonas 3 foi lançado em conjunto com o Azerspace/Africasat-1a, do governo do Azerbaijão, na primeira missão de 2013 do lançador europeu Ariane 5, da Arianespace.

O Amazonas 3 é o novo satélite da Hispamar e do Grupo Hispasat. Sua construção, realizada pela norte-americana Space Systems Loral, envolveu um investimento superior a 200 milhões de euros. Trata-se do primeiro satélite a prestar serviços em banda Ka para a América Latina, contando com 52 transponders simultâneos, sendo 33 em banda Ku, 19 em banda C e 9 spot beans em banda Ka, frequência que possui uma grande capacidade de transporte de dados.
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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Notícias de lançadores: a falha do Zenit 3SL


Dando continuidade à série de notícias da semana sobre lançadores (ver a postagem "Coréia do Sul e Europa: notícias de lançadores"), na última sexta-feira (01), um lançador Zenit 3SL, operado pela companhia Sea Launch a partir de uma plataforma marítima no Pacífico, falhou na tentativa de colocar em órbita o satélite Intelsat 27, de comunicações.

De acordo com as informações divulgadas, a falha teria ocorrido no primeiro estágio do foguete, 50 segundos após o seu lançamento. Especula-se que o primeiro estágio teria sido interrompido emergencialmente devido a um erro na trajetória do lançador.

Além de mais um golpe para a indústria espacial russa (esta falha segue outras recentes, em particular do foguete Proton), o insucesso também representa um duro golpe para a Sea Launch, que saiu de uma grave crise financeira em 2010 (ver "Sea Launch: uma análise", de junho de 2009) e tentava se restabelecer no mercado.

Na prática, com os problemas enfrentados pelo Proton e Zenit 3SL, atualmente o único lançador disponível comercialmente para a colocação de grandes satélites em órbita de transferência geoestacionária é o europeu Ariane 5, da Arianespace. Um importante aspecto que deve ser observado é uma provável demanda maior que a oferta para os serviços do Ariane 5, o que pode acabar resultando em atrasos em missões cujos lançamentos ainda não foram contratados.
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

SpaceX de olho no Brasil


DIRETORA DA SPACE X VISITA AEB

Brasília, 28 de janeiro de 2013 – O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, recebeu a diretora de negócios da empresa americana Space X, Stella Guillen, na manhã desta segunda-feira (28).

Stella veio ao Brasil apresentar a Space X, conhecer os programas desenvolvidos pelo país e avaliar possíveis parcerias. “É interessante conhecer mais sobre o que as empresas privadas estão fazendo no setor. Podemos aprender com elas e também vislumbrar futuras parcerias”, destaca o presidente da AEB.

Depois da visita à AEB, Stella ministrou palestra para alunos e professores da Universidade de Brasília. Ainda esta semana, ela visita o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Visiona, ambos localizados em São José dos Campos (SP).

Space X – A empresa foi criada em 2002, por Elon Musk, com o objetivo de fornecer transporte espacial, para cargas e pessoas, a um custo baixo. Sediada em Los Angeles, Califórnia (EUA), a empresa conta, atualmente, com 2.500 funcionários, dois centros de lançamento – um em Cabo Canaveral, na Flórida, e outro em Vandenberg, na Califórnia -, e um centro de testes localizado no Texas (EUA).

Em seus dez anos de existência, a empresa conseguiu mais de US$ 4 bilhões em contratos. Aproximadamente 40% de seus voos são realizados para a Agência Espacial Americana (Nasa). O restante é de contratos comerciais.

Em 2012, a Space X fez história como a primeira empresa de capital privado do mundo a enviar carga para a Estação Espacial Internacional. Segundo Stella, a Space X deve crescer 20% só em 2013.

Fonte: AEB

Comentários: a visita de representantes da SpaceX ao Brasil é bastante interessante e, em certa medida, mostra a agressividade comercial da companhia norte-americana para acessar o mercado de lançamentos comerciais. A agenda de visitas de Stella Guillen revela os principais projetos de interesse: o lançamento do satélite de observação Amazônia-1 (há expectativa de que a AEB em breve inicie um processo de escolha de lançador) e, principalmente, do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), projeto sob responsabilidade da Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture entre a Telebras e a Embraer. 

Quanto ao SGDC, merece também destaque o interesse da europeia Arianespace, até hoje a responsável pela colocação em órbita de todos os satélites da Embratel / Star One, inclusive daqueles que servem o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), do Ministério da Defesa. No lançamento do Star One C3, em novembro do ano passado, esteve presente uma comitiva do governo brasileiro, incluindo os ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, das Comunicações, Paulo Bernardo, e o presidente da AEB, além de oficiais do Ministério da Defesa.

Da América do Sul, a SpaceX já tem em sua carteira de clientes a Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), da Argentina, que em abril de 2009 firmou contrato para o lançamento dos satélites radares SAOCOM 1A e 1B a bordo de lançadores do modelo Falcon 9.
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domingo, 20 de janeiro de 2013

"Star One C3, Amazonas 3, Telespazio e Anik G1..."


Reproduzimos abaixo uma nota publicada na coluna "Defesa & Negócios" da edição n.º 131 da revista Tecnologia & Defesa, que se encontra nas bancas:

Star One C3, Amazonas 3, Telespazio e Anik G1...

No início de novembro, foi lançado com sucesso a partir de Kourou, na Guiana Francesa, por um foguete Ariane 5, o Star One C3, o novo satélite de comunicações da Star One, subsidiária da brasileira Embratel. Construído pela estadunidense Orbital Sciences Corporation, o satélite dispõe de capacidade nas bandas C e Ku, com cobertura de toda a região sul-americana. Este foi o nono lançamento de um satélite da Embratel realizado pela Arianespace, todos com sucesso. O Star One C4, em construção pela Space Systems Loral, dos EUA, também será lançado por um Ariane 5, em 2014. Com significativa presença na América do Sul, a Arianespace cuidará em fevereiro de 2013 do lançamento de outro satélite que ocupará uma posição orbital brasileira: o Amazonas 3, da Hispasat.

O mercado sul-americano está bem aquecido, com vários projetos de desenvolvimento e aquisição de sistemas próprios por governos e empresas da região. A subsidiária brasileira do grupo italiano Telespazio espera concluir no primeiro trimestre de 2013 seus estudos sobre um satélite, que deve contar com capacidade em banda Ka, para atender o Brasil. O satélite poderá ser exclusivamente da Telespazio, ou adquirido em parceria com outra empresa. "As várias opções estão sendo analisadas e estamos progredindo", afirmou Marzio Laurenti, presidente da Telespazio Brasil, à T&D.

Também no início de 2013, o satélite Anik G1, da canadense Telesat, com cobertura das Américas e oceano Pacífico, deve ser levado ao espaço. Um aspecto interessante deste satélite é que ele contará com capacidade em banda X, para fins militares, a ser comercializada pela Astrium Services por um período de quinze anos desde a sua colocação em órbita. Esta capacidade pode vir a ser uma alternativa para cobrir uma eventual necessidade adicional para o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), do Ministério da Defesa, hoje atendo pela Star One, tendo em vista que o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), a ser contratado pela Visiona, joint-venture da Embraer com a Telebras, dificilmente estará em órbita antes de 2015. Outro potencial interessado seriam as forças armadas do Chile, que demonstram há algum tempo em dispor de comunicações em banda X.

Fonte: Tecnologia & Defesa n.º 131.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Ariane 5: sétima missão do ano

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Ontem (19), foi realizado com sucesso mais um voo do lançador Ariane 5 - o sétimo e último deste ano, colocando em órbita de transferência geoestacionária os satélites Skynet 5D e o MEXSAT Bicentenario, do governo mexicano. São dez anos consecutivos de sucesso, em 53 missões e lançamento de 97 cargas úteis entre satélites, sondas e ATVs (transporte de cargas para a Estação Espacial Internacional).

O Skynet 5D, que fornecerá capacidade em comunicações para as Forças Armadas britânicas, numa espécie de parceria público privada operada pela divisão de serviços da europeia Astrium, foi construído pela divisão de sistemas espaciais da mesma empresa, pertencente ao grupo EADS.

A Astrium, aliás, comemorou a missão com um sucesso triplo: pelo lançamento de um satélite por ela fabricado, a ser por ela operado, por um foguete em que é também a contratante principal.

México: alegria e tristeza

A outra carga útil levada pelo Ariane 5 foi o MEXSAT Bicentenario, com massa em torno de 3.000 kg, construído pela Orbital Sciences Corporation, dos EUA, e que será operado pelo governo do México para fornecer comunicações as suas necessidades. O sistema MEXSAT, contratado com a Boeing no final de 2010, será formado por três satélites.

Mas, se por um lado o governo mexicano comemora, uma empresa privada mexicana, a Satmex, já numa frágil situação financeira, encontra-se num momento bastante delicado. No último dia 9, ocorreu uma nova falha do lançador russo Proton com o estágio superior Breeze-M (a segunda este ano e a terceira num período de dezesseis meses), resultando na colocação em órbita errada do satélite de comunicações russo Yamal 402. A falha provocou o adiamento da missão de lançamento do Satmex 8, que seria realizada por um Proton operado pela International Launch Services (ILS) até o final deste ano.
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domingo, 11 de novembro de 2012

Star One C3 em órbita


No último sábado (10), ocorreu com sucesso a partir de Kourou, na Guiana Francesa, a sexta missão deste ano do lançador europeu Ariane 5, colocando em órbita dois satélites geoestacionários de comunicações, entre eles o brasileiro Star One C3, da companhia Star One, subsidiária da Embratel.

"Esta [missão] dá continuidade a nossa série de recordes com o 52º sucesso consecutivo de nosso lançador Ariane 5, o que representa um nível de confiabilidade inigualável em nossa indústria e garante o acesso europeu ao espaço em benefício de nossos clientes institucionais e comerciais", afirmou em nota Jean-Yves Le Gall, presidente da Arianespace.

Este foi o nono satélite da Star One / Embratel inserido em órbita por lançadores operados pela Arianespace.

Construído pela Orbital Sciences Corporation, dos EUA, o Star One C3 possui 28 transpônderes de banda C e 16 de banda Ku, e substituirá o Brasilsat B3, na posição orbital 75º Oeste. Sua cobertura abrange o sul dos EUA (Flórida) e toda a região sul-americana, incluindo a Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela, permitindo a expansão da capacidade e cobertura para serviços de transmissão de sinais de TV, voz e dados.
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Star One C3 em Kourou


No último dia 17, o satélite de comunicações Star One C3, da Star One, subsidiária da brasileira Embratel, chegou ao centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa, como parte dos preparativos para o seu lançamento por um foguete Ariane 5, da Arianespace, em 9 de novembro.

Encomendado no final de 2009, o Star One C3 foi construído pela norte-americana Orbital Sciences Corporation e é baseado na plataforma GEOStar, contando com transpônderes em banda C e Ku com cobertura do continente sul-americano.

A missão do início de novembro será a sexta do Ariane 5 em 2012, que lançará ainda o satélite europeu EUTELSAT 21B, construído pela Thales Alenia Space.
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