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domingo, 17 de abril de 2011

LAAD 2011: notícias sobre espaço

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A seguir, apresentamos algumas notas sobre os principais destaques e notícias na área espacial durante a LAAD 2011, que aconteceu no Rio de Janeiro entre os dias 12 e 15 de abril.

Balanço da feira

A LAAD 2011, maior evento de defesa e segurança da América do Sul, foi encerrada na última sexta-feira, 15 de abril, com um número recorde de expositores e visitantes. Foram ao todo 663 expositores de 40 países, e 25 mil visitantes.

A edição de 2011 da LAAD certamente ficará conhecida pelos anúncios de aquisições e parcerias, em linha com o movimento de consolidação dos setores aeroespacial e de defesa ora em curso no País. Tecnologia & Defesa foi a responsável pela produção do Show News, inédito, durante os quatro dias da feira. Para acessá-los e saber mais sobre as principais notícias e acontecimentos na feira, clique aqui.

Raupp: "prime-contractor" e VLS

O novo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, abordou em sua palestra no III Seminário de Defesa o processo de avaliação crítica pelo qual o Programa Espacial Brasileiro será submetido. Raupp também destacou a necessidade do programa nacional contar com um "prime-contractor" que exerça a função de integradora dos projetos de satélites e lançadores. O dirigente fez questão de frisar que esta é sua opinião pessoal e que qualquer definição neste sentido terá que ser discutida e aprovada como uma política espacial.

Marco Antonio Raupp também falou sobre a evolução do programa VLS, com possibilidades de cooperação com a Rússia e Alemanha (DLR). A cooperação espacial com a Alemanha, aliás, completará 40 anos em 2011.

José Monserrat Filho na AEB

Durante a LAAD 2011, o blog Panorama Espacial recebeu a notícia de que José Monserrat Filho substituirá o Embaixador Carlos Campelo na chefia da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB. Monserrat, renomado especialista em Direito Espacial, ocupou a chefia de cooperação internacional do Ministério da Ciência e Tecnologia durante a gestão do ministro Sérgio Resende.

Problemas com polibutadieno

Em sua apresentação no seminário, o Brig. Kasemodel informou que de dois anos para cá o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA) tem encontrado dificuldades para adquirir a resina polibutadieno, um dos componentes do combustível sólido usado pelos foguetes brasileiros (os outros dois são o perclorato de amônio e alumínio em pó). A Petroflex fabricava a resina, mas depois de ter sido adquirida por um grupo alemão (Lanxess), a fabricação foi descontinuada. O IAE está em busca de recursos financeiros para viabilizar a fabricação por uma indústria nacional, e a Avibras é uma das candidatas.

Sensor ótico da Equatorial Sistemas

Discretamente, no estande do grupo EADS na feira, estava em exposição o sensor HIRIS (Hyperspectral Imager for Remote Intelligence & Surveillance), desenvolvido pela brasileira Equatorial Sistemas, da Astrium, com recursos da FINEP. Além de satélites, o sensor, adaptado, pode ser usado numa variedade de plataformas, tais como aviões, helicópteros e veículos aéreos não tripulados. A Equatorial, aliás, venceu a licitação para a fabricação do gravador digital de dados do satélite Amazônia-1, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Presença italiana

Além da AEB, outra entidade espacial governamental esteve presente na LAAD, a Agência Espacial Italiana (ASI). O foco da presença europeia foi observação terrestre, particularmente por meio de radares, campo em que a Itália é líder na Europa com a constelação COSMO-SkyMed. Os italianos, a propósito, não escondem o grande interesse em cooperar com o Brasil nesse campo, colocando-se, inclusive, como alternativa para o desenvolvimento conjunto da missão radar pretendida pelo INPE.

14-X: veículo hipersônico do IEAv

Um dos destaques na LAAD 2011 da área de ciência e tecnologia do Comando da Aeronáutica foi a apresentação de um mock-up do veículo hipersônico 14-X, em desenvolvimento pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv/DCTA). Dois jornalistas estrangeiros presentes no evento procuraram o blog para ter mais informações sobre o projeto, que foi, aliás, notícia no portal da revista especializada Flight International (veja aqui). O voo do primeiro protótipo, previsto para 2012 ou 2013, será realizado acoplado no foguete VSB-30. A iniciativa do IEAv conta com a participação de indústrias nacionais, como a Britanite e a Flight Technologies.

Star One e "hosted payloads"

Lincoln Oliveira, vice-presidente da Star One, da Embratel, fez interessante apresentação no seminário sobre "hosted payloads" para o mercado de defesa. O Ministério da Defesa já é usuário deste conceito com a própria Star One, dispondo de transponders de banda X (para comunicações militares - SISCOMIS) a bordo de satélites da operadora brasileira. Existe a expectativa de que o satélite geoestacionário Star One C5, que poderá ser contratado pela operadora em 2012, disponha de um novo transponder banda X para o SISCOMIS, uma vez que substituirá o Brasilsat B4, colocado em órbita em 2000 e que conta com um transponder de mesma banda.

Star One C4

E por falar em Star One, está em andamento uma concorrência promovida pela empresa para a contratação do Star One C4, de grande porte. De acordo com o apurado pelo blog, a concorrência deve ser concluída até meados deste ano, e estão participando dois fabricantes dos EUA (Boeing e Loral) e dois do continente europeu (Thales Alenia Space e Astrium). Seguindo o exemplo do que ocorreu na contratação do Star One C3, o valor do dólar frente ao euro deve ser determinante na escolha.
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sábado, 12 de fevereiro de 2011

ANÁLISE: Programa F-X2, Boeing, EUA e satélites

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No último dia 8, a Reuters divulgou uma reportagem, intitulada "Brasil quer melhores condições para caças da Boeing, diz fonte", afirmando que para a presidente Dilma Rousseff, o caça F-18 E/F Super Hornet, da Boeing, seria a melhor opção para o Programa F-X2, da Força Aérea Brasileira (FAB). O texto tem um parágrafo curioso, pois cita o campo de satélites como uma das áreas de possível cooperação caso os americanos ganhem a concorrência: "Ela [Marcia Costley, porta-voz da Boeing] acrescentou que, como parte de eventual negócio, a empresa norte-americana estaria disposta a fornecer ao Brasil também tecnologia e outros tipos de assistência em áreas como transportes, satélites e sistemas bélicos."

A esta reportagem, seguiram-se outras. Em 10 de fevereiro, no jornal "O Globo", o colunista Merval Pereira publicou um artigo ("Desconfianças") destacando a preocupação de Brasília quanto à transferência de tecnologia caso os americanos ganhassem. Num trecho, Pereira faz afirmações empíricas: "Houve problemas com os militares brasileiros nos últimos 30 anos, especialmente com a Aeronáutica, que teve projetos seus dificultados por embargos dos americanos a desenvolvimentos tecnológicos ligados a mísseis e satélites."

Merval Pereira não detalha as restrições americanas, fundamentadas numa legislação interna dos EUA, a International Traffic in Arms Regulations (ITAR), tema que eventualmente abordamos no blog.

Hoje (12), a "Folha de S. Paulo" publicou uma reportagem ("EUA acreditam ter assumido dianteira na venda dos caças") destacando o otimismo do governo norte-americano com a possível venda do Super Hornet para a FAB.

Em fevereiro de 2009, publicamos uma postagem com uma análise das consequências para o Brasil na hipótese da reforma da ITAR, assunto já há alguns anos em discussão em Washington. Além dessa mudança normativa, e talvez até mais importante do que ela, o possível comprometimento norte-americano com uma inédita transferência tecnológica, motivado pelo interesse na venda dos caças, tem o condão de trazer significativos benefícios para a indústria de defesa e o setor espacial brasileiro. A menção a satélites (comunicações?) é um claro indicativo disto.

Recentemente, o governo americano, numa linha pragmaticamente comercial (no setor de defesa, apenas para a Boeing, a perspectiva é de mais de 30 bilhões de dólares em negócios com a Índia nos próximos dez anos), levantou restrições de exportação de avançadas tecnologias a instituições de pesquisas indianas das áreas de defesa e espacial (dentre elas, a ISRO), num exemplo que demonstra até onde os EUA estão dispostos a chegar.

A oferta da Boeing também evidencia como um programa de aquisição de defesa pode ter reflexos significativos em outros setores não diretamente relacionados, como o espacial. Uma vitória americana poderia ter um efeito devastador nos esforços de governos e empresas, especialmente europeus, em parcerias com o Brasil no campo de satélites.
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Restrições do ITAR ao Programa Espacial Brasileiro

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O blog tem abordado com frequência as consequências da legislação ITAR (International Traffic in Arms Regulations), dos EUA, ao Programa Espacial Brasileiro. O assunto, aliás, é costumeiramente objeto de conversas em encontros do blog com autoridades do Programa brasileiro e indústrias nacionais e estrangeiras.

Desde o início do ano, o blog conversou com duas indústrias sobre as restrições impostas pelo ITAR, e alguns pontos mencionados merecem comentários. A regulação norte-americana não tem afetado apenas o programa CBERS, desenvolvido em parceria com a China, mas também outros projetos brasileiros de satélites, como o de observação terrestre Amazônia-1. Essa constatação, prática, diga-se de passagem, é no mínimo curiosa, já que as restrições dos EUA ao Brasil em matéria de satélites sempre foram muito direcionadas ao projeto com a China, por causa de problemas passados (vejam a postagem "A face comercial da ITAR", de março de 2009), e não aos projetos nacionais. O mesmo não ocorre, como já foi tratado aqui, com o programa de lançadores e foguetes brasileiros (vejam "Embargos dos EUA ao Programa Espacial Brasileiro"), em que restrições e vetos são de praxe.

O efeito prático do ITAR, contrariando a sua razão de existir, é que, além de prejudicar a indústria americana (a própria participação da Boeing na concorrência F-X2, da Força Aérea Brasileira, prejudicada pelas alegações do governo de que Washington não transfere tecnologia é exemplo), indústrias estrangeiras, em particular a europeia, se beneficiem (muitas vezes, com preços bem superiores) com novos clientes. Há exemplos também, inclusive no Brasil, de empresas que tiveram veto na compra de componentes dos EUA, e que por esta razão desenvolveram soluções locais.

Numa das conversas com o blog, um caso interessante, não associado ao ITAR, mas sim à paranoia americana foi relatado. Trata-se de empresa brasileira que tem seu IP bloqueado no acesso virtual ao web-site da biblioteca da National Aeronautics and Space Administration (NASA). Evidentemente, o bloqueio de nada adiantou, pois a empresa encontrou outro meio para acessar o banco de dados da agência espacial americana.
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terça-feira, 28 de julho de 2009

Sea Launch: uma análise

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Uma das mais importantes notícias do mundo dos negócios no setor espacial nas últimas semanas foi o pedido de proteção contra falência (Chapter 11 do Código sobre Falências dos EUA) da Sea Launch, provedora de lançamentos espaciais com sede nos EUA, apresentado em junho perante a justiça daquele país. De fato, a medida adotada pela Sea Launch não era inesperada pelo mercado. Desde o seu início, o projeto de lançar cargas úteis ao espaço a partir de uma plataforma de petróleo convertida para aproveitar os benefícios que a proximidade com a linha do equador oferecem se mostrou complexo, tanto do ponto de vista técnico como logístico, com implicações nos custos de operação. Uma falha do lançador de grande porte usado pela companhia, o Zenit 3SL, ocorrida em 2007, agravou a situação, resultando em atrasos nos cronogramas de lançamento de vários satélites, e cancelamentos de várias missões.

A Sea Launch é controlada pela companhia norte-americana Boeing (40%), e tem ainda como sócios a russa Korolev Energia RSC (25%), o estaleiro noruguês Aker (20%), e as indústrias espaciais ucranianas Yuzhnye e Yuzhnoye (15%), estas duas últimas, aliás, sócias da companhia ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space (ACS). Desde o início de sua operação, em março de 1999, foram 30 lançamentos, 27 bem-sucedidos (índice de sucesso de 90%).

Da difícil situação desta companhia multinacional, podem se tirar algumas conclusões, de certo modo, aplicáveis ao Brasil, que, em parceria com a Ucrânia, almeja se tornar um player no mercado de lançamentos espaciais com a ACS.

Sendo um lançador ucraniano com o último estágio ("upper stage") russo, o poderoso Zenit 3SL teve vários problemas relacionados à entrega de componentes do foguete e consequente disponibilização de lançadores para a realização de missões, algo não raro em se tratando de sistemas espaciais fabricados em países da ex-URSS. Vários componentes do Zenit 3SL e de outros lançadores ucranianos são importados da Rússia, cuja comercialização está sujeita ao temperamento das relações comerciais e políticas entre os dois países. Estes problemas resultaram em diversos cancelamentos de clientes, que não viram na Sea Launch condições de terem seus cronogramas de lançamento atendidos, acelerando o processo de insolvência da companhia.

A solicitação de proteção judicial da Sea Launch não significa necessariamente que a companhia será encerrada, embora respeitados analistas entendam que este seja o caminho lógico, uma vez que o seu plano de negócios não se mostrou economicamente viável. Caso a Sea Launch deixe de fato de operar, o mercado comercial de lançamentos de cargas úteis de grande porte para órbita geoestacionária terá apenas dois players, a Arianespace e a International Launch Services (ILS), o que deve preocupar em muito as companhias de comunicações, operadoras e proprietárias dos satélites lançados. A preocupação não é apenas baseada em preço (sendo menor a concorrência, a tendência é que os fretes sejam mais altos), mas também na falta de opções de lançadores alternativos em caso de falhas ou problemas de adequação dos cronogramas de cada lançamento. Haverá, portanto, espaço para um novo player no mercado de lançamentos geoestacionários de grande porte.

Iniciativas no mercado comercial de lançamentos espaciais exigem forte apoio político dos países-sede e parceiros das empresas lançadoras. São entendimentos e acordos de salvaguardas tecnológicas, esforços comerciais, uma gama de ações nas quais as participações de governos são de fato essenciais. Sem entrar em detalhes, há quem afirme que a Sea Launch, por ter vários países envolvidos (EUA, Rússia, Ucrânia e Noruega), acabou ficando sem o devido suporte governamental (algo, com alguma imaginação em mente, equivalente ao ditado popular "cachorro que tem dois donos morre de fome"). O próprio diretor-financeiro (chief financial officer) da Sea Launch, Brett Carman, mencionou o apoio governamental recebido pelos competidores Arianespace (Europa) e ILS (Rússia) como um dos fatores que levaram a companhia ao seu estado atual.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Reforma do ITAR e consequências para o Brasil

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Na edição de 9 de fevereiro da revista norte-americana Newsweek foi publicada uma interessante reportagem sobre os Regulamentos de Tráfico Internacional de Armas (International Traffic in Arms Regulations - ITAR), que vigoram nos EUA. As regras do ITAR já foram objeto de algumas postagens no blog, particularmente relacionadas ao programa dos Satélites Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres (CBERS).

Com o sugestivo nome "Why America is Lost in Space", a reportagem apresenta um panorama bastante objetivo sobre as consequencias do ITAR para a indústria espacial norte-americana. O trecho abaixo (tradução livre do blog) sintetiza com um exemplo essas consequências:

"O impacto é mais intensamente sentido no negócio de satélites comerciais, que movimenta US$ 123 bilhões anuais e que tem crescido a taxas superiores a 10% ao ano por mais de uma década. Em 1998, antes do ITAR, empresas norte-americanas respondiam por 73% do mercado mundial. Dois anos mais tarde a participação de mercado dos EUA tinha caído para 27%. Durante o mesmo período, a participação de empresas europeias cresceu de cerca de 25% para mais do que a metade, de acordo com a Associação de Indústrias de Satélites, de Washigton, D.C."

Seria muita presunção creditar toda essa redução da fatia de indústrias do EUA ao ITAR, mas certamente parte considerável desse percentual se deve a esse conjunto de normas.

Existe grande expectativa nos EUA de que o presidente eleito, Barack Obama promova algum tipo de reforma nessa legislação. A própria crise financeira global reforça essa necessidade. Jeff Foust, um dos mais capazes analistas norte-americanos sobre espaço escreveu no início de dezembro um artigo ("The uphill battle for export control reform") sobre o assunto. Para os que se interessam pelo assunto, recomendamos fortemente a leitura.

Uma eventual reforma com certa flexibilização das regras do ITAR evidentemente teria reflexos no Programa Espacial Brasileiro. Os programas de lançadores e foguetes de sondagem do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), e a parceria com a China no Programa CBERS são alguns dos projetos nacionais que sofrem em decorrência da regulamentação norte-americana.

De fato, mesmo com a vigência do ITAR, existem alguns indicativos de tendência de flexibilização da postura do governo dos EUA com o Brasil. Um exemplo é o Programa F-X2, de compra de novos aviões de combate para a Força Aérea Brasileira (FAB), que, em tese e diretamente, nada tem a ver com o Programa Espacial. A norte-americana Boeing oferece o caça F/A 18 E/F Super Hornet. Nos bastidores, já teve representante de concorrentes da Boeing no F-X2 afirmando ao pé do ouvido ser "a proposta americana imbatível". É uma mudança de postura que, se confirmada, atingirá de alguma forma e com alguma intensidade as atividades espaciais desenvolvidas no Brasil. Algo a se conferir.
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