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sábado, 11 de outubro de 2014

Preparativos do CBERS-4

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INPE e CAST preparam satélite sino-brasileiro CBERS-4 para lançamento em dezembro

Sexta-feira, 10 de Outubro de 2014

A revisão final do CBERS-4 nas instalações da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST), em Beijing, no mês passado, comprovou que o satélite sino-brasileiro cumpriu com sucesso todas as fases de sua montagem, integração e testes, realizadas em conjunto por equipes de ambos os países. O CBERS-4 tem lançamento previsto para o dia 7 de dezembro, a partir da base de Taiyuan, na China.

No Brasil, o desenvolvimento do Programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite) cabe ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O lançamento do CBERS-4, inicialmente programado para dezembro de 2015, foi antecipado em um ano devido à falha ocorrida com o foguete chinês, no final de 2013, que causou a perda do CBERS-3.

A antecipação significou um desafio a mais para as equipes do Brasil e da China, que demonstraram ampla competência na preparação do CBERS-4 em conformidade com as rígidas especificações técnicas de um projeto espacial desse porte.

As atividades iniciaram em janeiro com o envio para a China da estrutura de carga útil do satélite, que antes estava no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, em São José dos Campos (SP).

Além dos processos de montagem e integração, a impossibilidade de conserto em órbita tornam imprescindíveis os rigorosos testes para simular em Terra todas as condições que o satélite irá enfrentar desde o seu lançamento até o fim de sua vida útil no espaço.

"Está programada para o dia 17 de outubro a saída do CBERS-4 do Centro Espacial de Beijing em direção ao TSLC (Base de Lançamento de Satélites de Taiyuan). Todas as atividades para o lançamento do satélite em dezembro vêm sendo cumpridas com êxito”, informa Antonio Carlos de Oliveira Pereira Jr., engenheiro do INPE que coordena o Segmento Espacial do Programa CBERS.

Fonte: INPE
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terça-feira, 7 de outubro de 2014

"Os interesses chineses em defesa e espaço no Brasil", coluna "Defesa & Negócios"

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Os interesses chineses em defesa e espaço no Brasil

Em meio a dezenas de atos assinados durante a visita de Estado do Presidente Xi Jinping ao Brasil, em 17 de julho, que incluiu uma significativa venda de E-Jets da Embraer, chamou pouca ou nenhuma atenção um acordo firmado entre uma empresa brasileira e entidades chinesas visando os setores de defesa e segurança pública: o Acordo-Quadro de Cooperação Tripartite entre a Engevix Sistemas de Defesa Ltda., o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) e a China Electronics Import and Export Corporation (CEIEC). Não foram divulgados maiores detalhes sobre o escopo do instrumento, muito embora algo possa ser deduzido a partir do expertise da CEIEC e de declarações de autoridades.

A empresa chinesa tem um amplo espectro de atuação, que se estende de sistemas de comando e controle, radares, equipamentos de comunicação e guerra eletrônica, a sistemas eletro-óticos e veículos aéreos não tripulados. Na região, por exemplo, a CEIEC já forneceu alguns centros de comando e controle para segurança pública ao Equador.

O interesse chinês no mercado brasileiro de defesa foi evidenciado em reuniões com autoridades e na celebração de acordos. O ministro Celso Amorim recebeu Xu Dazhe, ministro da Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa da China, e destacou a possibilidade de abertura de outras áreas de cooperação além das já existentes, como "proteção marítima e de vigilância da fronteira terrestre". Em nota divulgada logo após o encontro, o Ministério da Defesa citou o interesse chinês em "expandir a cooperação em programas brasileiros de proteção aos recursos naturais, como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAz), além de dar continuidade à parceria espacial". Ainda, na visita de Estado, foi firmado um acordo para fortalecer o Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), por meio de iniciativas de sensoriamento remoto, telecomunicações e tecnologia da informação para a defesa e proteção da Amazônia.

Novidades também no campo espacial, área em que os dois países cooperam há mais de 25 anos, com o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS). O lançamento do CBERS 4, previsto para o início de dezembro, foi confirmado, assim como a construção do CBERS 4A (um terceiro artefato da família de segunda geração). Ainda, foi assinado um memorando envolvendo dados e aplicações em sensoriamento remoto, além de manifestado interesse na formação de recursos humanos e no desenvolvimento de uma terceira geração da família (5 e 6). Em agosto, um laboratório conjunto para clima espacial foi inaugurado em São José dos Campos (SP), além de ter sido firmado acordo entre a brasileira Orbital Engenharia e as asiáticas China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) e Shanghai Institute of Space Power Sources para que a empresa nacional atue como suas representantes. Segundo divulgado na ocasião, o acordo também preveria o desenvolvimento de projetos e produtos. Os chineses também estão de olho na futura missão meteorológica geoestacionária (ver reportagem em T&D n.º 137).

No setor espacial, aliás, não seria exagero afirmar que a China é hoje a principal parceira da América do Sul, considerando o programa CBERS e o fornecimento de satélites de comunicações para a Venezuela e Bolívia, e de observação para a Venezuela, havendo outros negócios em prospecção.

Fonte: coluna "Defesa & Negócios", Tecnologia & Defesa n.º 138, setembro de 2014.
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Notícias dos CBERS 4 e 4A

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CBERS 4: conclusão da revisão final

Nesta quinta-feira (18), foi concluída na China Academy of Space Technology (Cast), em Pequim, o Final Design Review (FDR, sigla em inglês) do CBERS 4, previsto para ser lançado no início de dezembro.

Conforme detalhado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), o objetivo do FDR "é relatar e revisar as atividades de montagem, integração e testes do satélite, com o propósito de demonstrar que o sistema está apto para ser embarcado para a base de lançamento para o processamento final que antecede ao lançamento e início das operações." 

A campanha de lançamento deve começar em meados de outubro, com o deslocamento do satélite para o sítio de lançamentos de Taiyuan, a cerca de 760 km a sudoeste de Pequim. O passo seguinte será a preparação do artefato, finalizada com uma revisão quanto à prontidão para voo, e sua integração ao lançador Longa Marcha 4B.

Para mais informações sobre a revisão final, leia a nota divulgada pela AEB.

Discussões sobre o CBERS 4A

Paralelamente aos preparativos para o voo do CBERS 4, autoridades brasileiras e chinesas avançam com as discussões para a construção de uma terceira unidade da segunda geração do programa CBERS, designado 4A. O tema foi pauta da reunião do Grupo de Trabalho para a implementação do Plano Decenal Sino-Brasileiro de Cooperação Espacial, realizada na última terça-feira (16), em Pequim, que contou com a participação de representantes e técnicos da AEB e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), além das contrapartes chinesas.

Segundo informações divulgadas pela AEB, a agenda "contemplou ainda vários itens do Plano Decenal, dentre eles a estrutura de governança do Plano; o programa de cooperação educacional entre as agências para a área espacial; a proposta da distribuição internacional das imagens do satélite Cbers-4, e da cooperação em componentes eletrônicos e equipamentos." Leia mais em "Brasil e China discutem o desenvolvimento do satélite CBERS 4A".
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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Programa Espacial: orçamentos de 2014 e 2015

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Apresentamos a seguir algumas informações resumidas sobre a execução orçamentária da Agência Espacial Brasileira (AEB) ao longo deste ano, e também as expectativas para 2015.

Execução orçamentária em 2014

A lei orçamentária de 2014 fixou um limite para a AEB de R$ 295,8 milhões, montante que foi posteriormente reduzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em R$ 40 milhões, o que teve consequências (negativas) nas ações planejadas. Foi descentralizado aos órgãos executores (INPE) um total de R$ 126,5 milhões, cabendo à AEB a execução interna de R$ 169,3 milhões. Até o momento, a Agência executou R$ 102,9 milhões, cifra que representa aproximadamente 40% do limite orçamentário autorizado.

Previsão para 2015

Embora ainda sujeitos à alterações, especialmente se considerarmos o cenário eleitoral, os números preliminares para o ano que vem não são muito animadores. A AEB deverá contar com R$ 255 milhões, o que representa uma redução de cerca de R$ 40 milhões em relação ao último ano.

Existe, porém, uma possibilidade concreta de expansão do valor em R$ 40,7 milhões, com a destinação específica para o Programa de Absorção e Transferência de Tecnologia, no âmbito do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Vale mencionar que o pacote de transferência tecnológica associado ao SGDC, previsto em memorando de entendimentos assinado entre a AEB e a Thales Alenia Space em dezembro de 2013 é avaliado em cerca de US$ 80 milhões.

- Infraestrutura Espacial: a destinação prevista é de R$ 33,16 milhões, montante mínimo necessário para evitar a degradação da infraestrutura atual.

- Veículos Lançadores e Tecnologias Críticas: em matéria de lançadores, o projeto do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1) terá prioridade, buscando-se assegurar o seu voo de qualificação em 2016. A destinação prevista será de pouco menos de R$40 milhões. Os recursos necessários para a execução da missão do VLS-1 (VSISNAV) estão assegurados, no âmbito de um convênio firmado em 2012 entre a AEB e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP) (recursos originários da FINEP). O projeto de desenvolvimento do L75, um motor a propulsão líquida, também mereceu prioridade, e junto com outras tecnologias críticas, deve receber R$ 51,27 milhões.

- Satélites: a previsão é de R$ 95,78 milhões para o início o desenvolvimento do CBERS 4A, dando continuidade à segunda geração do projeto sino-brasileiro, conclusão do Amazônia-1, de observação terrestre, e também para o SABIA-Mar, missão conjunta com a Argentina.

- Infraestrutura do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA): haverá redução nos investimentos em 2015 para algo em torno de R$ 15 milhões, em razão principalmente das indefinições que rondam a binacional Alcântara Cyclone Space. A estimativa atual é de que hoje sejam necessários ao menos US$ 180 milhões para a finalização da infraestruturada associada ao sítio de lançamento do Cyclone 4.
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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Cooperação Brasil - China: CBERS 4 e CBERS 4A

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Brasil e China lançam satélite em dezembro e apostam na continuidade do Programa CBERS

Membros do JPC, sigla em inglês para Comitê Conjunto do Programa CBERS, discutiram o lançamento do CBERS-4, em dezembro, e a proposta de mais um satélite, o CBERS-4A, a ser lançado daqui a três anos.

O Programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite) fornece dados para observação da Terra – as imagens dos satélites são usadas para monitorar desmatamentos e a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações.

A reunião do JPC aconteceu no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), nesta segunda-feira (1°/9) e foi coordenada pelo diretor Leonel Perondi e pelo presidente da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST), Yang Baohua.

“Especialistas do INPE e da CAST têm trabalhado intensamente para lançar o CBERS-4 em 7 de dezembro. O transporte do satélite para a base está previsto para 15 de outubro”, informa Antonio Carlos de Oliveira Pereira Jr., coordenador do Segmento Espacial do Programa CBERS.

O CBERS-4 já foi submetido com sucesso aos testes elétricos e ambientais e, nos próximos dias, será realizado o teste elétrico sistêmico de longa duração (100 horas contínuas) em modo de simulação de voo. Ao final de todo este processo de testes será realizada a Revisão Final de Projeto (FDR, na sigla em inglês), prevista para a segunda quinzena de setembro.

CBERS-4A

O CBERS-4 foi projetado para uma vida útil estimada em três anos e um novo satélite irá garantir a continuidade do fornecimento de imagens. O CBERS-4A será equipado com cargas úteis fornecidas pelo Brasil e pela China - a divisão de responsabilidade no desenvolvimento do satélite será de 50% para cada país.

O Brasil deve fornecer as câmeras MUX e WFI – as mesmas dos CBERS-3 e 4 - e o Sistema de Coleta de Dados. O lado chinês propõe, em substituição às câmeras PAN e IRS, incluir uma nova câmera de alta resolução (HRC) e o instrumento óptico Aerosol Polarized Detector (APD).

“Algumas questões ainda devem ser discutidas, mas concluímos o estudo de viabilidade da missão CBERS-4A e geramos um documento que será encaminhado para as agências espaciais dos dois países para avaliação”, diz Antonio Carlos de Oliveira Pereira Jr.

Além do documento sobre o CBERS-4A, durante a reunião do JPC os representantes do INPE e da CAST decidiram criar um  grupo de trabalho conjunto para avaliar as alternativas para uma nova família de satélites de observação da Terra, visando a continuidade do Programa CBERS.

“Discutimos propostas preliminares para os satélites CBERS-5 e 6 e, também, uma possível cooperação para monitoramento ambiental com o uso de satélite SAR (Synthetic-Aperture Radar). Estas propostas serão apresentadas ao Grupo de Trabalho da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN) no final deste ano”, conclui Antonio Carlos.

Fonte: INPE
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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

CBERS 4: testes térmicos na China

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Satélite CBERS-4 é submetido a testes térmicos

Segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

O satélite sino-brasileiro CBERS-4 cumpriu mais uma fase das atividades de montagem, integração e testes (AIT), que o preparam para o lançamento previsto para o final deste ano. Os ensaios térmicos foram concluídos no dia 22 de agosto pelos especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST) que trabalham em conjunto no centro chinês, em Pequim.

Nesta fase, o satélite foi submetido aos testes de balanço térmico (TBT) para checar se o projeto térmico está funcionando de acordo com o especificado e também ajustar os modelos matemáticos térmicos que serão utilizados mais tarde para prever as temperaturas em várias condições orbitais.

Também foi realizado o teste termovácuo (TVT), que simula as temperaturas altas e baixas que o satélite irá enfrentar no espaço para averiguar o funcionamento de seus vários subsistemas e uma possível degradação dos materiais.

“Nestes testes todos os equipamentos e subsistemas do satélite são testados exaustivamente por aproximadamente 20 dias seguidos com alternância de calor e frio. Se durante os testes é identificado alguma anomalia, é possível resolver antes do lançamento”, explica Antonio Carlos de O. Pereira Jr., engenheiro do INPE que coordena o Segmento Espacial do Programa CBERS.

A impossibilidade de conserto em órbita torna imprescindível a simulação em Terra de todas as condições que o satélite irá enfrentar desde o seu lançamento até o fim de sua vida útil no espaço.

Fonte: INPE
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quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Orbital Engenharia se associa a chineses

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Empresa brasileira firma acordo com chineses no setor aeroespacial

Brasília, 20 de agosto de 2014 – A empresa Orbital Engenharia Ltda, de São José dos Campos (SP), firmou Acordo de Cooperação no setor aeroespacial com a China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) e com o Shanghai Institute of Space Power Sources (Sisp).

A empresa nacional é a primeira do país a assinar parceria com instituições chinesas. O acordo é fruto da rodada de negociações realizada na China entre empresas brasileiras e do país promovida com o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB), em dezembro de 2013, quando do lançamento do quarto satélite do programa Satélite Sino-Brasileiro de Sensoriamento Remoto (Cbers, na sigla em inglês), em Taiyuan.

Segundo Célio Costa Vaz, diretor da Orbital, a empresa representará comercialmente as duas instituições chinesas no Brasil, mas o acordo prevê também o desenvolvimento de projetos e produtos. “Inicialmente, vamos atuar no país, mas, futuramente, pretendemos prospectar o mercado latino-americano”, destaca Vaz.

Para o empresário, o acordo é uma demonstração de que a indústria aeroespacial do país goza de prestígio e é avaliada com respeito e seriedade pelos chineses. Em sua opinião, a parceria também contribui para uma aproximação mais estreita entre empresas do setor dos dois países.

De acordo com o presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho, esse acordo mostra o bom potencial de negociações que podem ser firmadas entre entidades dos dois países. Para ele, a parceria também deve contribuir para que outras empresas do setor busquem ampliar negociações no exterior.

Fonte: AEB

Comentários do blog: a (arrojada, para muitos) estratégia da Orbital Engenharia de se associar aos chineses pode ser analisada por diferentes óticas. Embora represente uma boa oportunidade em razão dos laços já criados pela China em projetos no Brasil (CBERS) e outros países sul-americanos (Venezuela, Bolívia), oferece também certo riscos. Há o risco de conflito entre as atividades industriais propriamente ditas (o expertise da Orbital reside, principalmente, em painéis solares e propulsão) e aquela de representação comercial. Vale citar que a empresa é uma das potenciais beneficiárias dos offsets relacionados ao Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), em construção pela Thales Alenia Space, caso estes vinguem. Tem também envolvimento e interesse no SCD-Hidro. Ainda, não podem ser ignorados eventuais efeitos adversos decorrentes do International Traffic in Arms Regulations (ITAR), dos EUA.

A CGWIC é o principal conglomerado espacial da China. Na América do Sul, além do envolvimento com o programa CBERS, a CGWIC tem tido significativo sucesso na venda de soluções turn-key em satélites de comunicações e sensoriamento remoto para a Venezuela e Bolívia. No Brasil, com base em tratativas bilaterais, o conglomerado tem também grande interesse na futura missão meteorológica geoestacionária nacional (veja o artigo "Satélite meteorológico: um próximo passo").
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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Brasil e China construirão CBERS 4A

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Nota do blog (18/07, 11h40, hora de Brasília): a AEB corrigiu a nota anteriormente divulgada, informando que a denominação do próximo CBERS será 4A e não 4B como havia sido anteriormente divulgado.

Chineses aceitam proposta brasileira de construção do CBERS-4A

Brasília, 17 de julho de 2014 – O ministro da Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa da República Popular da China, Xu Dazhe, afirmou nesta quarta-feira (16) que seu país concorda com a proposta brasileira de construção do exemplar 4A do Satélite Sino-Brasileiro de Sensoriamento Remoto (Cbers, na sigla em inglês).

O assunto foi tratado com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clelio Campolina, e com o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, nas visitas que o dirigente chinês fez a AEB e ao MCTI. Dazhe também disse que a continuidade do programa Cbers, com a produção dos satélites 5 e 6, deve ser incluída no Plano Decenal firmado entre Brasil e China e que será discutido em reunião até o final do ano.

Quanto ao Cbers-4, o ministro chinês disse seu processo de integração, compartilhado por técnicos dos dois países, está dentro do cronograma e o lançamento programado para 7 de dezembro próximo. Na oportunidade, Dazhe convidou o ministro Campolina a ir à China acompanhar o lançamento.

Na parte da manhã, quando visitou a AEB, o ministro chinês ainda manifestou interesse no programa Ciência sem Fronteiras Espacial (CsF-Espacial) afirmando que seu país tem interesse em aumentar as oportunidades para bolsistas brasileiros em suas instituições de ensino. Disse também que há o manifestou interesse de cientistas da China em desenvolver estudos junto com grupos de pesquisas em unidades brasileiras.

Dazhe destacou que a China também tem interesse na presença brasileira no plano de desenvolvimento de infraestrutura espacial para alta tecnologia em formatação pelo país. Manifestou ainda a satisfação para os chineses em ter uma presença mais ampla de brasileiros na sexta unidade do Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (Unoosa), que será instalada na China em novembro deste ano. Hoje, existem duas representações na África, uma na América Latina, da qual o Brasil já faz parte, uma na Ásia e uma no Pacífico.

Além do presidente da AEB também participaram do encontro na sede da instituição os diretores Petrônio Noronha de Souza, de Política Espacial e Investimentos Estratégicos, Marco Antônio de Rezende, de Transporte Espacial e Licenciamento, e o chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, José Monserrat Filho.

Nesta quinta-feira (17) o presidente da Agência Espacial participou de solenidade no Palácio do Planalto, quando assinou Memorando de entendimento entre a AEB e a Administração Nacional Espacial da China (CNSA) sobre cooperação em dados e aplicações de sensoriamento remoto por satélite.

Cooperação – O Unoosa é o órgão das Nações Unidas (ONU) responsável pela promoção da cooperação internacional nos usos pacíficos do espaço exterior estando ligado as atividades do Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (Copuos).

Por meio do Programa das Nações Unidas sobre Aplicações Espaciais, o Unoosa promove workshops internacionais, cursos de formação e projetos-piloto sobre temas que incluem sensoriamento remoto, navegação por satélite, meteorologia por satélite, tele-educação e ciências espaciais básicas para o benefício dos países em desenvolvimento.

Ele também mantém uma linha direta 24 horas como o ponto focal das Nações Unidas para os pedidos de imagens de satélite durante desastres e gerencia a Plataforma das Nações Unidas para a informação baseada em Espaço de Gestão de Desastres e Resposta de Emergência (ONU-Spider).

Fonte: INPE

Comentário do blog: a construção de um terceiro satélite de segunda geração do programa CBERS era considerada quase certa dentro da AEB e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e ganhou ainda mais força após a falha com o CBERS 3, em dezembro do ano passado. O CBERS 4A deverá aproveitar certos subsistemas produzidos em duplicidade, a exemplo do CBERS 2B.
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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Cooperação Brasil - China

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Brasil e China projetam novas parcerias para a indústria de defesa

Brasília, 16/07/2014 – Brasil e China trabalham para ampliar as cooperações no desenvolvimento de produtos industriais de defesa. Nesta quarta-feira (16), o ministro da Defesa, Celso Amorim, se encontrou com o ministro da Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa da República Popular da China, Xu Dazhe, em reunião preparatória visando à celebração de parcerias nas áreas de sensoriamento remoto, telecomunicações e tecnologia. O acordo deverá ser assinado nesta quinta-feira (17) entre a presidenta Dilma Rousseff e o presidente chinês, Xi Jinping, no âmbito da VI Cúpula dos Brics, em Brasília.

No encontro, Amorim destacou que o acordo abre novas oportunidades de cooperação e de projetos conjuntos na área de defesa. O ministro destacou que Brasil e China são parceiros de longa data na produção de satélites de observação da Terra. “Outras áreas podem se abrir, como proteção marítima e de vigilância da fronteira terrestre”, afirmou.

O ministro disse ainda que o Brasil tem interesse em conhecer aspectos relativos à segurança nuclear e na área de defesa cibernética. Amorim afirmou que, em uma próxima reunião do comitê bilateral, pode ser debatido uma aproximação entre os centros de pesquisas e empresas dos dois países.

Já o ministro chinês fez questão de lembrar que a parceria entre os dois países remonta 40 anos de cooperação. Xu Dazhe também recordou o projeto do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers). “Temos características diferentes em nossos países, mas temos pontos fortes, num diálogo de alto nível”, mencionou o ministro chinês.

Segundo o ministro Xu Dazhe, seu país tem interesse em expandir a cooperação em programas brasileiros de proteção aos recursos naturais, como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAz), além de dar continuidade à parceria espacial.

Fonte: Ministério da Defesa
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segunda-feira, 30 de junho de 2014

CBERS 4: e os testes continuam

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CBERS-4 passa por testes na China

Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Os testes de vibração acústica e senoidal do satélite CBERS-4 foram concluídos pelos especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST, na sigla em inglês). No dia 20 de junho, numa câmara acústica reverberante do centro chinês, em Pequim, o satélite sino-brasileiro foi exposto a ruídos acústicos semelhantes ao que enfrentará durante o lançamento, previsto para a primeira quinzena de dezembro.

Em seguida, entre os dias 21 e 23 de junho, com o CBERS-4 na configuração de lançamento, foram realizados testes de vibração nos três eixos para checar a robustez mecânica do satélite e seus subsistemas e a compatibilidade dinâmica com o foguete.

O CBERS-4 já havia passado por outra importante etapa quando, pela primeira vez, o Gerador Solar (SAG) e o satélite foram integrados e testados conjuntamente, durante ensaio realizado no dia 17 de junho.

O SAG, responsável por captar a luz do Sol e convertê-la em energia elétrica, essencial para o funcionamento de todos os sistemas e subsistemas que compõem o satélite, foi enviado à China no início de maio. Com mais de 16 metros quadrados, o gerador que pesa apenas 55 quilogramas foi fabricado pelas empresas brasileiras Cenic e Orbital.

Antes de ser integrado ao corpo principal do satélite, o SAG foi submetido a diversos testes elétricos, de abertura e inspeções visuais, para garantir que não sofreu danos durante o transporte. Para realizar os testes dos painéis do SAG é necessário mantê-lo suspenso a um trilho através de pontos de fixação para também simular a sua abertura quando em órbita. Em seguida, o SAG foi conectado mecânica e eletricamente ao satélite para ambos serem submetidos aos testes de vibração acústica e senoidal.

As próximas atividades serão a retirada dos painéis solares e realização de uma nova checagem dos alinhamentos e a preparação do satélite para o teste em câmara termovácuo.

Uma equipe do INPE está na China e, junto aos técnicos daquele país, trabalha para o lançamento deste que é o quinto satélite desenvolvido pelo Programa CBERS (sigla em inglês para Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres).

Montagem, integração e testes

No dia 11 de junho, foram concluídos os ensaios que verificam a autocompatibilidade do satélite e a sua compatibilidade eletromagnética com o veículo lançador. Esses testes são necessários para comprovar que um equipamento do satélite não provoca perturbações eletromagnéticas em outro. Além disso, são avaliadas possíveis interferências entre o satélite e o foguete. A impossibilidade de reparo em órbita torna imprescindível a simulação em Terra de todas as condições que o satélite irá enfrentar desde o seu lançamento até o final de sua vida útil no espaço.

As atividades de balanceamento e medidas de propriedades de massa do CBERS-4 aconteceram no dia 12 de junho. O balanceamento é realizado para atender aos requisitos de posição de centro de gravidade estabelecidos pelo veículo lançador e pelo subsistema de controle de atitude e órbita. O conhecimento preciso das propriedades de massa do satélite é fundamental para o correto desempenho desse subsistema. Antes disso, no dia 7 de junho, foram realizados os testes elétricos do satélite sino-brasileiro.

As atividades de montagem, integração e testes (AIT) do satélite ocorrem no Centro Espacial da CAST, na China. O período de AIT serve para montar o modelo de voo do satélite, demonstrar seu bom funcionamento em condições ambientais semelhantes ao lançamento e órbita e identificar e corrigir eventuais problemas.

O AIT do CBERS-4 teve início em janeiro deste ano com o envio para a China da estrutura de carga útil do satélite, que antes estava no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, em São José dos Campos (SP). A estrutura do CBERS-4 foi projetada e fabricada pelas empresas brasileiras Cenic e Fibraforte.

Ainda em janeiro, os primeiros equipamentos de voo desenvolvidos, fabricados e testados pela indústria brasileira, juntamente com os equipamentos chineses, foram integrados à estrutura do satélite para que fossem iniciados os testes elétricos.

Devido à complexidade do satélite, os testes elétricos foram realizados por ‘Estados’, chamados de A, B, C e D. O satélite foi progressivamente integrado e testado em cada um de seus Estados.

Após submetido a todos os testes ambientais em infraestruturas especiais (câmaras anecóica, acústica e termovácuo), o satélite estará pronto para a campanha de lançamento, que deve iniciar na segunda quinzena de outubro.

Fonte: INPE


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terça-feira, 24 de junho de 2014

CBERS 4 avança

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No início desta semana, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram mais notícias sobre os preparativos para o lançamento do CBERS 4 na segunda semana de dezembro, reforçando os indicativos de que sua colocação em órbita é a prioridade número um, dois e três do Programa Espacial Brasileiro para este ano.

De acordo com a AEB, na última segunda (23), foram concluídos na China os testes de vibração, que reproduzem as condições pelas quais o satélite será submetido durante a fase de lançamento. Ainda segundo a Agência, até agosto devem prosseguir os testes ambientais térmicos, realizados na câmara de termo-vácuo. A última etapa, antes do envio para o sítio de lançamento, está prevista para setembro, com a Revisão Final do Projeto.

Testes de compatibilidade com estação de Cuiabá

Já entre os dias 19 e 21 de maio, com a participação de técnicos chineses, foram realizados na estação do INPE localizada em Cuiabá (MT), testes de compatibilidade eletromagnética entre o CBERS 4 e a estação terrena, finalizados com sucesso. Estes abrangeram a verificação da compatibilidade entre o subsistema TTCS (Telemetry, Tracking, and Command Subsystem) do artefato e a estação de TT&C (Tracking, Telemetry and Command) de Cuiabá, e também a checagem do "perfeito entendimento entre o satélite e a estação de recepção e gravação, incluído o software do sistema de ingestão e gravação desenvolvido pela empresa brasileira AMS Kepler".

"Os testes são importantes para garantir a recepção de imagens e, também, para verificar a correta decodificação e recuperação dos dados auxiliares transmitidos junto com a imagem, como as informações de telemetria das câmeras e os dados de órbita e atitude do satélite", informou o INPE em nota.
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domingo, 15 de junho de 2014

Cooperação Brasil - China: resultados da reunião em São José dos Campos

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Reproduzimos abaixo artigo enviado ao blog Panorama Espacial pelo Prof. José Monserrat Filho sobre os resultados da 2ª Reunião do Grupo de Trabalho da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), que se reuniu em São José dos Campos nos dias 9 e 10 deste mês para discussões sobre a continuidade da cooperação dos dois países no campo espacial. Há várias informações interessantes.

Plano Decenal Brasil-China de Cooperação Espacial: Resultados da 2ª Reunião do Grupo de Trabalho

José Monserrat Filho *

Brasil e China vão firmar Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Dados de Observação da Terra e suas Aplicações. O CBERS-04, a ser lançado em dezembro, vai muito bem, obrigado. Criados dois Grupos de Trabalho: um para estudar o projeto CBERS-04A e outro para examinar o projeto de satélite geoestacionário de meteorologia.

O Grupo de Trabalho encarregado de desenvolver e detalhar o Plano Decenal de Cooperação Espacial entre Brasil e China reuniu-se nos dias 9 e 10 de junho, sob a condução do Diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da Agência Espacial Brasileira (AEB), Petrônio de Souza, e do Vice-Diretor Geral do Departamento de Sistema de Engenharia da Agência Espacial chinesa (CNSA), Li Guoping. Participaram ativamente o Presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho, e o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi. O encontro teve lugar no auditório central no INPE, em São José dos Campos, SP.

A delegação da China tinha 18 membros: três da CNSA, um da Academia Chinesa de Ciência (CAS), um da Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (CASC), quatro da  Academia de Ciência e Tecnologia da China (CAST), três da Academia de Tecnologia de Voos Espaciais de Xangai (SAST), três da Corporação Industrial Chinesa A Grande Muralha (CGWIC), três do Centro Chinês de Recursos Satelitais: Dados e Aplicações (CRESDA).

A delegação do Brasil era composta por 26 membros. A AEB contou, além do Presidente e do Diretor de Política Espacial, com a participação do Diretor de Planejamento, Orçamento e Administração (DPOA), José Iram M. Barbosa, do Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, José Monserrat Filho, e da Chefe de Gabinete da Presidência, Maria do Socorro de Medeiros. O INPE, por sua vez, participou, além do diretor já citado, com os tecnólogos e engenheiros Antônio Carlos de Oliveira Pereira Júnior (Coordenador do Segmento Espacial do Programa CBERS), Geilson Loureiro (Chefe do Laboratório de Integração e Testes), Leila Maria Garcia Fonseca (Coordenadora Geral de Observação da Terra), Pawel Rozenfeld (Chefe do Centro de Rastreio e Controle de Satélites), João Vianei Soares (especialista em Monitoramento Global da Agricultura e ex-Membro Executivo do Sistema de Sistemas de Observação Global da Terra), Amauri Silva Montes (Coordenador Geral de Engenharia e Tecnologia Espacial), Marco Antonio Bertolino (Tecnologista Sênior III e responsável pelo Subsistema WFI do Programa CBERS), Renato Henrique Ferreira Branco, Milton de Freitas Chagas Junior, Hilceia Santos Ferreira, Jun Tominaga, Clezio Marcos de Nardin (pesquisador da Geofísica Espacial-Aeronomia Equatorial), Antonio Carlos Teixeira de Souza, Heyder Hey, Douglas Francisco Marcolino Gheardi (Chefe da Divisão de Sensoriamento Remoto), Joaquim Eduardo Resende Costa (Chefe da Divisão de Astrofísica), Marcelo Banik de Pádua (especialista em Sistemas de Navegação Espacial – GNSS, José Antônio Aravéquia (Coordenador-Geral do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos) e Rozani Fonseca Silva (Assessora de Cooperação Internacional).

Principais resultados da reunião do GT:

# O Brasil e a China assinarão um Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Dados de Observação da Terra e suas Aplicações. O acordo é visto como de tão alta relevância para a implementação do Plano Decenal, que os dois países solicitarão às respectivas chancelarias a inclusão da cerimônia de assinatura do Memorando na agenda de atividades do Presidente da China, Xi Jinping, em Brasília, no dia 14 de julho.

# A China vai sugerir mudanças na proposta brasileira de Governança do Plano Decenal, baseada na longa experiência do Programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres). Os chineses preferem substituir o sugerido PGCC (Program General Coordination Comission – Comissão Coordenadora Geral do Programa) mais específico, por Sub Comissão de Cooperação Espacial da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN). O assunto será discutido na próxima reunião, marcada para setembro vindouro.

# Os preparativos para o lançamento do CBERS-04 em dezembro deste ano foram examinados em detalhes. Todas as suas etapas de montagem, integração e testes têm sido cumpridas normalmente. O satélite passará pela Revisão Final de Projeto (FDR, na sigla em inglês) no início de setembro, para depois ser enviado ao centro de lançamento de Tayuan, na China. O lançamento do CBERS-4 foi antecipado de dezembro de 2015 para dezembro de 2014, após a falha no lançamento do foguete chinês Longa Marcha 4B, em dezembro de 2013, que causou a perda do CBERS-3. Três satélites CBERS já foram lançados com êxito: o 01, em 1999, o 02, em 2003, e o 2B, em 2007. O Programa CBERS, desde o início, desempenha papel essencial no desenvolvimento da indústria espacial brasileira. A política industrial brasileira no setor qualifica fornecedores e encomenda serviços, componentes, equipamentos e subsistemas junto a empresas nacionais.

# A China estudará as propostas da AEB e do INPE de cooperação na formação de recursos humanos para a área espacial. A meta da AEB é enviar estudantes brasileiros pós-graduados, engenheiros, tecnólogos e pesquisadores a instituições chinesas científicas, tecnológicas e industriais com base em acordos. O programa inclui a possibilidade de trazer pesquisadores e especialistas chineses para trabalhar em universidades e indústrias brasileiras durante certo tempo. A iniciativa da AEB é financiada por bolsas do Programa "Ciência sem Fronteiras", do Governo do Brasil. O INPE também propõe intercâmbio de estudantes e pesquisadores em diferentes áreas espaciais na base de iniciativas bilaterais estabelecidas em parceria com instituições espaciais chinesas.

# A China consultará seus usuários internos e os órgãos de governo pertinentes sobre a viabilidade do satélite CBERS-04A, proposto pela AEB. Um Grupo de Trabalho especial foi criado para estudar o projeto e apresentar relatório até meados de julho próximo.

# No campo das aplicações do sensoriamento remoto, Brasil e China promoverão campanha de calibração conjunta e cooperação na definição de produtos, suas especificações e formatação. Seguirão também discutindo a distribuição de dados do CBERS-4 com base no Memorando de Entendimento a ser assinado. E ainda promoverão pesquisa conjunta com outros parceiros do Brasil e da China em diferentes campos de aplicação.

# Quanto à cooperação em clima espacial, o Plano Decenal terá duas fases:

I – Conclusão de um acordo até 2016, criando um laboratório bilateral, dotado de central para os dados coletados nas pesquisas conjuntas; um escritório e um local para a instalação de receptores GPS, um Lidar (tecnologia de sensoriamento remoto que mede distâncias iluminando o alvo com laser e analisando a luz refletida), uma sonda digital e um magnetômetro (instrumento que mede a intensidade, direção e sentido de campos magnéticos em sua proximidade); e

II – Elaboração de um Programa Avançado de Pesquisa; um Estudo de Longo Prazo sobre a Anomalia Magnética do Atlântico Sul; a criação de um banco de dados baseado nas informações do Monitor do Ambiente Espacial a bordo do CBERS e de outras fontes de aplicação satelital; e promoção de campanhas de coleta de dados de satélite no Brasil e na China, entre outros itens de cooperação.

# O Brasil e a China também resolveram formar um GT para discutir a cooperação em satélites de meteorologia, que deverão ser desenvolvidos e construídos em conjunto por ambos os países. E, ainda, seguir examinando a fundo, em futuro próximo, a cooperação em satélites de comunicação, buscando encontrar meios, formas e canais para efetivar essa cooperação.

* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica e atual Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB.
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sábado, 14 de junho de 2014

Cooperação Brasil - China: reunião da COSBAN

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Comissão sino-brasileira de alto nível se reúne no INPE

Quinta-feira, 12 de Junho de 2014

A Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN) reuniu-se no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), nos dias 9 e 10 de junho, para discutir a viabilidade da missão do CBERS-4A e a continuidade do programa sino-brasileiro de satélites com o desenvolvimento dos CBERS-5 e CBERS-6.

O andamento dos preparativos para o lançamento do CBERS-4, que deve ocorrer na primeira quinzena de dezembro, foi, também, tema da reunião. A perda do satélite CBERS-3, causada por falha do foguete chinês, em 9 de dezembro de 2013, levou ambos os países a decidirem adiantar o CBERS-4.

De acordo com os especialistas brasileiros e chineses, todas as etapas da montagem, integração e testes do CBERS-4 estão sendo cumpridas normalmente. No início de setembro, o satélite deverá passar pela Revisão Final de Projeto (FDR, na sigla em inglês), que antecede o envio do satélite para o lançamento, a partir da base de Tayuan, na China.

Participaram da reunião do Grupo de Trabalho da COSBAN especialistas e dirigentes do INPE, da Agência Espacial Brasileira (AEB) e de órgãos chineses ligados ao desenvolvimento de atividades espaciais, como a Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST, na sigla em inglês), contraparte chinesa do INPE na execução do Programa CBERS.

Intercâmbio

O Brasil aproveitou a reunião da COSBAN para apresentar proposta de plano de cooperação na área de educação e formação de recursos humanos. O objetivo é facilitar o intercâmbio de estudantes entre os dois países. Para o diretor do INPE, Leonel Perondi, é importante que os jovens tenham a oportunidade de participar de atividades não apenas em universidades estrangeiras, mas também em empresas de alta tecnologia no exterior. “Além de instituições de ensino, esse intercâmbio poderia incluir as indústrias”.

Programa CBERS

O Programa CBERS (sigla em inglês para China-Brazil Earth Resources Satellite) foi instituído por Brasil e China para o desenvolvimento conjunto de satélites de observação da Terra. O lançamento do CBERS-4 foi antecipado para dezembro de 2014 após a falha ocorrida com o foguete chinês, no final de 2013, que causou a perda do CBERS-3. Antes, foram lançados com sucesso o CBERS-1 (1999), CBERS-2 (2003) e CBERS-2B (2007).

As imagens obtidas a partir dos satélites da série CBERS permitem uma vasta gama de aplicações – desde mapas de queimadas e monitoramento do desflorestamento da Amazônia, da expansão agrícola, até estudos na área de desenvolvimento urbano.

O Programa CBERS é um exemplo bem-sucedido de cooperação em matéria de alta tecnologia e é um dos pilares da parceria estratégica entre o Brasil e a China.

Graças à política de acesso livre às imagens, uma iniciativa pioneira do INPE, as imagens do CBERS são distribuídas gratuitamente a qualquer usuário pela internet, o que contribuiu para a popularização do sensoriamento remoto e para o crescimento do mercado de geoinformação brasileiro.

O CBERS também é importante indutor da inovação no parque industrial brasileiro, que se qualifica e moderniza para atender aos desafios do programa espacial. A política industrial adotada pelo INPE permite a qualificação de fornecedores e contratação de serviços, partes, equipamentos e subsistemas junto a empresas nacionais. Assim, além de exemplo de cooperação binacional em alta tecnologia, o CBERS se traduz na criação de empregos especializados e crescimento econômico.

Mais informações: http://www.cbers.inpe.br/

Fonte: INPE
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quarta-feira, 11 de junho de 2014

Entrega do gravador de dados do CBERS 4

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Odebrecht Defesa e Tecnologia e Mectron entregam equipamento para o CBERS 4

Gravador digital de dados auxilia no monitoramento e controle de desmatamento

A Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT) e sua controlada Mectron concluíram o terceiro modelo de voo do equipamento DDR - Gravador Digital de Dados para o Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres CBERS 4, encomendado pela AEB - Agência Espacial Brasileira e pelo INPE - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O desenvolvimento do DDR é uma grande conquista para a indústria espacial brasileira, sendo o primeiro equipamento deste tipo a ser completamente desenvolvido e fabricado no Brasil.

O DDR concebido e entregue ao Cliente é responsável pelo armazenamento das imagens terrestres captadas pelas câmeras do satélite.

O equipamento já foi embarcado para a China, onde será integrado ao novo satélite previsto para ser lançado na segunda semana de dezembro deste ano. O DDR é composto por duas unidades: o SRR, um gravador de estado sólido, com cinco canais para dados de imagem e com capacidade de armazenamento de imagens digitais de 40 Gbytes, e o DSS, uma unidade de chaveamento de sinais.

Após serem captadas pelas câmeras, as imagens permanecem temporariamente armazenadas no DDR até que o satélite entre em “visada” com a estação de controle em solo, quando então são disponibilizadas aos transmissores do satélite que as enviam à estação de controle. Posteriormente, tais imagens serão utilizadas em importantes atividades como o controle do desmatamento e queimadas na Amazônia Legal, monitoramento de recursos hídricos, áreas agrícolas, crescimento urbano, ocupação do solo e inúmeras outras aplicações.

Importância do CBERS e sua utilização dual

No Brasil, praticamente todas as instituições ligadas ao meio ambiente e recursos naturais são usuárias das imagens do CBERS. Esta família de satélites é considerada fundamental para grandes projetos nacionais estratégicos, como o PRODES, de avaliação do desflorestamento na Amazônia, o DETER, de avaliação do desflorestamento em tempo real, e o CANASAT, monitoramento das áreas canavieiras, entre outros.

Fonte: Odebrecht Defesa e Tecnologia
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sexta-feira, 30 de maio de 2014

CBERS 4: integração avança

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Gerador solar do CBERS-4 é integrado ao modelo de voo na China

Brasília, 30 de maio de 2014 – As atividades com o Gerador Solar (SAG, na sigla em inglês) integrado ao Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers-4) começam, na China, na primeira semana de junho, com a supervisão de técnicos brasileiros e chineses.

A partir da segunda semana se inicia a fase de testes ambientais com o modelo de voo do satélite, que inclui medidas de massa, teste acústico, de vibração e termo-vácuo.

Em abril último o gerador foi submetido à outra série de testes no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP). No último dia 8 o equipamento foi embarcado para a China.

Com mais de 16 metros quadrados (6,3 x 2,6 m) o SAG é responsável por captar a luz do Sol e convertê-la em energia para alimentar as baterias do satélite. Apesar da dimensão avantajada a peça pesa só 55 quilos, pois a avançada tecnologia empregada na sua fabricação pelas empresas Orbital Engenharia Ltda e Cenic Indústria e Comércio Ltda, ambas de São José dos Campos, utiliza materiais leves, mas de alta resistência e durabilidade.

Energia – Abrir o gerador solar é a primeira atividade do satélite ao se posicionar na órbita programada. Durante o tempo em que o satélite recebe a luz solar em órbita, o SAG, além de abastecer os diversos instrumentos a bordo, também completa a carga das baterias para energizar os equipamentos na fase de eclipse, ou seja, período em que a luz solar não atinge o equipamento.

Desenvolvido com tecnologia moderna de células de tripla junção de alta eficiência energética o SAG do Cbers-4 gera até três mil watts de potência elétrica em condições normais de iluminação.

O Cbers-4 está programado para ser lançado em 7 de dezembro próximo da China, país parceiro do Brasil no desenvolvimento da série de satélites para sensoriamento remoto desde os anos 1980.

Fonte: AEB
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quinta-feira, 8 de maio de 2014

CBERS 4: gerador solar rumo à China

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Gerador solar do Cbers-4 foi enviado para a China

Brasília, 8 de maio de 2014 – O Gerado Solar (SAG, na sigla em inglês) do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers-4) foi embarcado nesta quinta-feira (8) para a China onde será integrado ao corpo do satélite, que está em fase de montagem.

Desde o mês de abril o gerador passou por uma série de testes no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), sendo plenamente aprovado.

Com mais de 16 metros quadrados (6,3 x 2,6 m) o SAG é responsável por captar a luz do Sol e convertê-la em energia para alimentar as baterias do satélite. Apesar da dimensão avantajada a peça pesa só 55 quilos, pois a avançada tecnologia empregada na sua fabricação pelas empresas Orbital Engenharia Ltda e Cenic Indústria e Comércio Ltda, ambas de São José dos Campos, utiliza materiais leves, mas de alta resistência e durabilidade.

Tecnologia – Abrir o gerador solar é o primeiro comando do satélite ao alcançar a órbita programada. Durante o tempo em que o satélite recebe a luz solar em órbita, o SAG além de abastecer os diversos instrumentos a bordo também completa a carga das baterias para energizar os equipamentos na fase de eclipse, ou seja, período em que a luz solar não atinge o equipamento.

Desenvolvido com tecnologia moderna de células de tripla junção de alta eficiência energética o SAG do Cbers-4 gera até três mil watts de potência elétrica em condições normais de iluminação.

O Cbers-4 está programado para ser lançado da China, país parceiro do Brasil no desenvolvimento da série de satélites para sensoriamento remoto desde os anos 1980, na segunda semana de dezembro próximo.

Fonte: AEB

Comentário do blog: outros subsistemas e cargas úteis de responsabilidade brasileira também estão próximos de embarcar para integração na China visando ao lançamento do CBERS 4 no próximo mês de dezembro. O modelo de voo da câmera MUX, por exemplo, deve ser enviada à China dentro das próximas semanas.
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terça-feira, 29 de abril de 2014

CBERS 4: testes do gerador solar

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Gerador solar do Cbers-4 passa por ciclo de testes no Inpe

Brasília, 29 de abril de 2014 – O Gerador Solar (SAG, na sigla em inglês) do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers-4) passa na próxima semana pelos últimos testes no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).

Seu envio para a China, país parceiro do Brasil no desenvolvimento do projeto Cbers, onde será integrado ao corpo do satélite, em fase de montagem, está programado para o próximo dia 8 de maio. Com mais de 16 metros quadrados (6,3 x 2,6 m) o SAG é responsável por captar a luz do Sol e convertê-la em energia para alimentar os equipamentos do satélite.

Apesar da dimensão avantajada, o SAG pesa só 55 quilos, pois a avançada tecnologia empregada na sua fabricação pelas empresas Orbital Engenharia Ltda e Cenic Indústria e Comércio Ltda, ambas de São José dos Campos, utiliza materiais leves, mas de alta resistência e durabilidade.

Eficiência – Durante o tempo em que o satélite fica iluminado no espaço, o SAG além de abastecer os diversos equipamentos de bordo também completa a carga das baterias para energizar os equipamentos na fase de eclipse, ou seja, período em que a luz solar não atinge o equipamento. Desenvolvido com tecnologia moderna de células de tripla junção de alta eficiência energética o SAG do Cbers-4 gera até três mil watts de potência elétrica em condições normais de iluminação.

Até o momento, o gerador já passou pelos testes de desempenho elétrico de capacidade de geração de potência, ensaio de vácuo térmico, isolamento elétrico, aterramento, continuidade elétrica, tempo de abertura do painel e vibração acústica. Até a próxima semana serão realizados ainda os testes acústicos, inspeções visuais e elétricas e de abertura do painel.

O Cbers-4 está programado para ser lançado da China na segunda semana de dezembro próximo.

Fonte: INPE

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quarta-feira, 16 de abril de 2014

Contratos industriais do CBERS 4

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AEB firma contratos industriais para montagem do Cbers-4

Brasília, 16 de abril de 2014 – A Agência Espacial Brasileira (AEB) firmou oito contratos com empresas nacionais do setor aeroespacial visando à integração e montagens de diversos equipamentos do Cbers-4, quinto exemplar da série do programa de satélites Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres.

Os contratos com as empresas Equatorial Sistemas, AEL Sistemas Mectron Engenharia, Orbital Engenharia, Omnisys Engenharia e Opto Eletrônica, englobam em sua maioria equipamentos das áreas de eletrônica, conversores de energia e câmeras para imageamento.

Todas estas empresas já foram fornecedoras de peças e equipamentos para a família de satélites Cbers, desenvolvida em parceria entre Brasil e China. Os contratos também estão em concordância com o preceituado no Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) de “recorrer à indústria para reproduzir equipamentos já desenvolvidos e qualificados, capazes de atender a parte da demanda corrente a um custo menor, com prazos menores, além de manter a base industrial ativa”.

O lançamento do Cbers-4, inicialmente programado para 2015, foi antecipado para a segunda semana de dezembro próximo da China, conforme entendimento entre os dois países após a falha ocorrida com o veículo chinês lançador do Cbers-3, no final de 2013.

Fonte: AEB

Nota do blog: os contratos, somados, superam poucos milhões de reais.
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quinta-feira, 3 de abril de 2014

CBERS 4 na pauta do Conselho Superior da AEB

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AEB confirma lançamento do Cbers-4 em reunião do Conselho Superior

Brasília, 3 de abril de 2014 – O lançamento do Cbers-4 (Satélite Sino-Brasileiro de Sensoriamento Remoto) programado para a segunda semana de dezembro deste ano na China foi um dos diversos itens da pauta da 67ª Reunião Ordinária do Conselho Superior da Agência Espacial Brasileira (AEB), realizada nesta quarta-feira (2), em Brasília (DF).

A previsão inicial para lançamento do Cbers-4, satélite desenvolvido em parceria entre Brasil e China, era final de 2015. Mas em decorrência da perda do Cbers-3, em dezembro de 2013, devido a uma falha em um dos motores do veículo lançador chineses após partir da base de Taiyuan, os dois países concordaram em reunir esforços e antecipar o lançamento.

O presidente da AEB, José Raimundo Coelho, que dirigiu a reunião, também falou sobre a revisão técnica realizada no mês passado nos projetos de satélites de pequeno porte, apoiados financeiramente pela Agência, pelo professor Jordi Puig-Suari, da Universidade Politécnica da Califórnia (Cal Poly), dos Estados Unidos.

A exemplo do professor Felipo Graziani, da Universidade La Sapienza, convidado para a revisão em 2013, Puig-Suari também parabenizou o país pelo avançado estágio tecnológico alcançado no desenvolvimento de pequenos satélites. Ele também ressaltou a importância do apoio dado pela AEB a formação de recursos humanos com a concessão de bolsas para que grupos de universitários participem dos projetos.

Os projetos avaliados por Puig-Suari foram o Serpens, o ITASat, o NanosatC-Br1, o AESP-14, o Ubatubasat e o transponder Conasat. A exceção deste, os demais estão programados para serem lançados no segundo semestre do ano.

Composição – O presidente também informou sobre a alteração no quadro de membros do Conselho. Raimundo Coelho agradeceu o empenho e a dedicação dos integrantes que saíram e deu as boas vindas aos dez novos conselheiros.

Passaram a integrar o Conselho da AEB o Tenente Coronel Aviador Mauro Henrique Monsanto da Fonseca e Souza (titular), do Gabinete de Segurança Institucional; Contra Almirante Sérgio Ricardo Segovia (titular), do Comando da Marinha; Capitão de Fragata Rodrigo Reis Bittencourt (suplente), do Comando da Marinha; General de Brigada Pedro Soares da Silva Neto (titular), do Comando do Exército; Coronel Eduardo Wolski (suplente), do Comando do Exército; Ministro José Raphael Lopes Mendes de Azeredo (titular), do Ministério das Relações Exteriores (MRE); Conselheira Maria Rita Fontes Faria (suplente), do MRE; Robson Quintilio (titular), do Ministério da Educação; Jorge Luiz Maroni Dias (suplente) do Ministério do Planejamento, e Igor Ferreira Bueno (suplente), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

A próxima reunião do Conselho está prevista para agosto próximo em data e local a serem definidos.

Fonte: AEB
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

"Prontos para o próximo CBERS?", reportagem do Jornal do SindCT

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Reproduzimos abaixo uma interessante reportagem sobre a perda do CBERS 3 numa falha de lançamento em dezembro do ano passado e os planos para a antecipação do voo do CBERS 4. A reportagem, de autoria da jornalista Tânia Caliari, foi publicada na edição n.º 28 do "Jornal do SindCT", que acaba de ser publicada. Uma reportagem mais extensa, com 12 páginas, da mesma autora, foi publicada na edição n.º 79 (fevereiro de 2014), da revista "Retrato do Brasil".

Prontos para o próximo CBERS?

O fracasso do lançamento do CBERS-3 na China demonstrou que a área espacial é difícil até para os mais preparados. Agora o governo brasileiro antecipa a montagem de um novo satélite, sacrificando as chances de qualificação de técnicos no Brasil

Tânia Caliari*

Foi impossível chegar à China para o lançamento do Cbers-3 no início de dezembro do ano passado sem sentir um pouco de orgulho pelo que estava prestes a acontecer: o lançamento de um satélite concebido e construído parcialmente no Brasil, por engenheiros, técnicos e industriais brasileiros. Antes de partir, ouvi explanações detalhadas de como fora o desenvolvimento de partes do satélite pelos engenheiros e técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), seus desafios, seus progressos. Havia visto in loco a superação na indústria para a construção dos subsistemas, tendo de se qualificar, adequar suas estruturas e força de trabalho, e enfrentar as restrições de importação de componentes, com destaque para a história da câmara Mux, sobre a qual já em 2012 eu havia feito uma reportagem.

Foi impossível também chegar à China sem carregar uma certa frustração: o programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite, ou Satélite Sino--Brasileiro de Recursos Terrestres) vem sendo levado a trancos e barrancos pelo Brasil, e a parte que nos cabia no CBERS-3 havia sido construída com muitos problemas e atrasos, adiando seu lançamento muitas vezes. Adicionalmente, analisando-se de uma forma mais ampla o Programa Espacial Brasileiro (PEB), o CBERS-3 seria levado para o espaço por um foguete chinês, visto que ainda não temos um veículo lançador de satélite.

Estava claro que, desde o início do programa de cooperação com a China, em 1988, havíamos avançado muito pouco na área espacial, em comparação às conquistas do programa espacial chinês. A pouca frequência com que o Brasil constrói e lança satélites (seis satélites em 20 anos!) ressaltava, de forma melancólica, a importância de se testemunhar aquele evento.

De qualquer forma, a calorosa e organizadíssima recepção dos chineses faria qualquer um se sentir bem na chegada, com cuidados como o oferecimento de chá quentinho e até a distribuição de casacos para a delegação brasileira aguentar os rigores do inverno na base de lançamento de satélite em Taiyuan.

De Beijing até Taiyuan, cidade do interior de 4,5 milhões de habitantes, cujas luzes de neon à noite lembravam uma Las Vegas, a viagem foi feita por trem-bala. Antes do embarque, políticos, técnicos e empresários brasileiros se adiantaram em tirar fotos diante da composição que chegaria a 300 quilômetros por hora. Durante o trajeto pude ouvir de alguns empresários suas impressões sobre o programa espacial chinês: “Os investimentos que os chineses fizeram na área são verdadeiramente de um país que quer ser uma potência espacial”, disse Edgar Menezes da Onmysis, que, juntamente com outros empresários que participaram da fabricação do CBERS-3, esteve visitando empresas estatais executoras do programa espacial chinês em Xangai e em Beijing, em agenda organizada pela Agência Espacial Brasileira (AEB).

China, ontem e hoje

Os empresários também puderam ver o enorme e sofisticado laboratório de integração da China Academy of Space Technology (CAST), a parceira chinesa do INPE no desenvolvimento dos CBERS, onde havia pelo menos dez satélites, de diferentes finalidades e tamanhos, sendo montados ao mesmo tempo. Aquela sim parecia a demanda dos sonhos de qualquer industrial...

A participação de indústrias brasileiras no programa CBERS deu-se sobretudo a partir do CBERS-3, quando o INPE praticamente organizou um arranjo industrial para o setor espacial, determinando as características dos equipamentos e subsistemas necessários para suprir a cota brasileira de 50% do satélite, e repassando sua execução para cerca de dez empresas, que foram se qualificando para dar conta do recado. “Um programa como este tem três objetivos: geopolítico, de relação Sul-Sul; de desenvolvimento tecnológico, com a participação dos técnicos do INPE; e industrial, para formar indústrias com capacidade de fabricar sistemas espaciais no Brasil”, explicou Leonel Perondi, diretor do INPE, durante a viagem de trem.

Da cidade de Taiyuan, as delegações seguiram no outro dia para o distrito de Kelan, onde fica efetivamente a base de lançamento. Chineses e brasileiros foram conduzidos em seis microônibus numa confortável viagem de três horas. No caminho, com paisagem dominada por montanhas de rochas de cor ocre, peladas de vegetação e cobertas por neve nos pontos mais altos, o empresário Célio Vaz conta que a primeira vez que fez aquele trajeto, para acompanhar o lançamento do primeiro satélite CBERS, em 1999, ainda como engenheiro do INPE, aquela viagem havia durado dez horas, com a estrada ainda sem asfalto, muito precária e esburacada. Este seria mais um depoimento comparando a China do início do programa CBERS com a China de agora. “Em 1988, quase não havia carros em Pequim. Eram apenas 1.200 carros de estrangeiros, de embaixadas e do governo”, diria um técnico do INPE; “O próprio presidente da CAST chegava ao trabalho de bicicleta!”, diria outro.

A cada comentário, o cenário do passado contrastava mais com a aparente opulência da China hoje: “O laboratório de integração deles funcionava, mas era muito tosco... Hoje é uma potência”. “Ficávamos loucos para comer batata frita, e não tinha”. “Os técnicos chineses eram todos maduros, e nós do INPE éramos jovens. Hoje a situação se inverteu completamente...”. Muitos desses técnicos podem ser vistos jovenzinhos em sua primeira visita à China na reportagem feita pelo jornalista Sérgio Brandão para o programa Globo Ciência da Rede Globo, em 1988 (confira no You Tube, http://goo.gl/Tjk0Mw).

Antes de entrar na base, nossos jovens guias chineses, todos com graduação em alguma engenharia ligada à área espacial e pós-graduação em marketing ou administração, disseram que não poderíamos filmar ou fotografar nada. Felizmente os anfitriões ofereceram depois para o Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação imagens daquele dia de céu muito azul, com o registro das atividades das delegações na base, que flagram o otimismo e a desconcentração dos visitantes.

Desolação (e pressão)

Às 11h26 (1h25 no horário de Brasília) do dia 9 de dezembro, testemunhamos então a impressionante subida do foguete Longa Marcha 4B, de 250 toneladas e 48 metros de altura, que carregava em sua ponta o CBERS-3, com a missão de colocá-lo em órbita a uma distância de 778 quilômetros do planeta. Aquela seria a 35ª viagem desse consagrado modelo de foguete chinês que até então colecionava 100% de sucesso em seus lançamentos.

Diante da imponente imagem, fica difícil acreditar que o lançamento fracassou. O motivo, confirmado pelos chineses, foi uma falha ocorrida no terceiro estágio do foguete. Os dados enviados à base pelo lançador registraram que os dois estágios anteriores haviam queimado seu combustível e sido descartados no tempo e na velocidade programados. O terceiro estágio, porém, teria tido um tempo de propulsão, de queima de combustível, 11 segundos menor do que o previsto, não atingindo assim a velocidade necessária, de cerca de 7 quilômetros por segundo, para colocar o satélite em órbita.

No hotel da base de Taiyuan, onde todos se reuniram depois do lançamento, cerca de uma hora depois da notícia da falha do foguete que levou à destruição total do CBERS- 3, o ministro de Ciência Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, já pensava na antecipação do lançamento do CBERS-4, novo satélite a ser lançado em 2015. Sentou-se à mesa que reunia os funcionários do INPE para um almoço que deveria ter sido comemorativo. “Eu não entendo nada, mas compreendo isso: vocês estão de parabéns pelo trabalho que fizeram no CBERS-3”, disse, depois de perguntar ao engenheiro Antonio Carlos de Oliveira Pereira, o Pinda, gerente do programa pelo lado brasileiro, em que pé estavam os equipamentos do CBERS-4. Ficou satisfeito em ouvir que a maioria dos subsistemas já estavam prontos, e que os equipamentos reserva do CBERS-3 já estavam na China. Ao comentário de Genésio Hubscher, veterano do INPE e do programa CBERS, de que a pressão para se antecipar o novo satélite ira ser grande, o ministro respondeu, bonachão: “Eu vim aqui me sentar com vocês. Já estou fazendo isso”.

No voo de volta ao Brasil, o ministro destacou a importância de se ter logo um novo satélite em órbita. “O objetivo do programa é ter um satélite operacional captando imagens do nosso território, coisa que há muito a gente não tem. Esse satélite deveria ter sido lançado em 2009, quando parou de funcionar o CBERS-2B. Desde então, temos recebido imagens de satélites lançados por outros países”. Segundo o ministro, o governo federal tem uma boa noção da importância de se usar satélites para monitorar nosso enorme território nacional e seus recursos a partir do espaço. “Mas o importante é entender qual é a visão da sociedade brasileira. Esses satélites de aplicação têm grande impacto e aceitação”, diz, destacando que este tipo de programa requer muitos recursos. A construção e os lançamentos dos CBERS-3 e 4 custaram cerca de US$ 150 milhões, segundo o INPE. Isto leva a um custo estimado de R$ 180 milhões somente para o CBERS-4.

Refletindo sobre a importância de o Brasil possuir um satélite imageador, e ainda, de conseguir conceber e produzir esse satélite, outro veterano do programa CBERS, o engenheiro Luiz Bueno, do INPE, considera que o valor de se construir um satélite vai além de sua aplicação. “Se for para ter as imagens você compra por aí, é um produto. Mas quando você faz um satélite você ganha autonomia, independência tecnológica, e além disso começa a criar um parque industrial capaz de fazer equipamentos mais sofisticados. As dificuldades superadas podem servir como uma alavanca de desenvolvimento para o país”, avalia.

Perda de oportunidade

Pinda concorda com o colega, mas entende que no momento é preciso providenciar um novo CBERS o mais rapidamente possível para atender à demanda dos usuários de imagens. Respondendo à pressão do ministro, o engenheiro apresentou uma estratégia para antecipar a integração do CBERS-4 e deixá-lo apto para o lançamento, que seria também antecipado de dezembro de 2015 para o final de 2014. O principal ponto da estratégia é fazer a integração do satélite na China.

As réplicas de cada equipamento do CBERS-3, fabricadas para substituir os originais em caso de alguma falha, já se encontram no país asiático e, segundo o engenheiro, ao se evitar repatriar os susbsistemas brasileiros e seus equipamentos de testes, além de trazer as partes chinesas e também seus aparelhos de testes, e depois enviar o satélite já integrado no Brasil para a China, pode-se ganhar seis meses de tempo. Outro ponto importante da estratégia é enviar mais técnicos do INPE para coordenar os testes e a integração, e delegar grande parte do trabalho de montagem dos subsistemas na estrutura, atividade considerada de pouco ganho tecnológico, aos chineses, que têm abundância de recursos humanos qualificados para isso.

Em reunião entre os funcionários envolvidos com o programa CBERS realizada no final de dezembro no INPE, porém, ficou claro que nem todos concordam com a necessidade dessa antecipação. Para muitos, abrir mão da montagem do satélite no Brasil significará a perda de oportunidade de se qualificar novos profissionais nas atividades de integração.

Para os que ponderam que o Brasil já passou por essa experiência, tendo integrado os satélites CBERS-2 e 2B no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, vale lembrar que isso foi há mais de seis anos, e que, com o envelhecimento dos seus quadros, o instituto necessita desesperadamente de chances para novas qualificações. É no que acredita Adalberto Pacífico Comiran, físico e engenheiro do INPE de 70 anos, que já está com sua viagem para a China marcada para o final de fevereiro para começar a integração do novo satélite. Ele estava à mesa do almoço que se sucedeu ao lançamento fracassado do CBERS-3 na base de Taiyuan quando o ministro Raupp sentou-se para falar do CBERS-4. Especializado em testes nos equipamentos que usam rádio-frequência, Pacífico participou da montagem do CBERS-2B e é sincero ao dizer que, por ele, não iria mais à China. “A gente vai porque não tem mais ninguém... eu queria é passar meu trabalho para gente nova”, diz. Segundo Pacífico, depois da integração do CBERS-2B não foi possível realizar todos os testes necessários no Brasil, pois na época a câmara de termo vácuo do LIT, fundamental para testar a resistência do satélite, não estava pronta. “Agora sim, ao integrar o CBERS-4, teríamos a chance de fazer o trabalho completo aqui e a oportunidade de qualificar muita gente”, lamenta.

*Repórter da revista Retrato do Brasil enviada à China pelo SindCT

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Antecipar lançamento do CBERS-4 é um erro, porque torna inevitável a integração na China

Assim que se confirmou a falha no lançamento do satélite CBERS-3 devido a um mau funcionamento do último estágio do foguete chinês Longa Marcha 4B em dezembro de 2013, começaram a surgir propostas no sentido de se antecipar a integração (montagem) e lançamento do satélite CBERS-4, como forma de se amenizar o prejuízo causado pela perda do CBERS-3. Originalmente o CBERS-4 estava previsto para ser lançado no final de 2015, decisão esta que já havia sido ratificada pela Comissão Sino-Brasileira de Alto-Nível (Cosban), que coordena as atividades no âmbito da cooperação espacial entre Brasil e China, na sua última reunião ocorrida em novembro de 2013, portanto, poucos dias antes da tentativa frustrada de lançamento do CBERS-3 (vide matéria publicada no Jornal do SindCT 27, http://goo.gl/BpmvBt).

Aparentemente, a ideia de se antecipar o lançamento do CBERS-4 partiu do próprio ministro Raupp (MCTI), que divulgou declarações à imprensa neste sentido enquanto ainda se encontrava na China, acompanhando o lançamento do CBERS-3. O argumento central desta proposta baseia-se no fato de que o Brasil já se encontra há vários anos sem a cobertura de imagens de seu território, desde que o satélite CBERS-2B deixou de operar em 2009. Assim, de acordo com o ministro, caso o cronograma do CBERS-4 fosse mantido, o país ainda teria de esperar mais dois anos até que a geração das imagens fosse retomada.

Uma vez tomada a decisão de se antecipar em um ano o lançamento do CBERS-4, a consequência natural seria dar início imediatamente à sua integração na China, por várias razões, dentre as quais o fato de boa parte da estrutura do satélite já se encontrar naquele país, e o fato de a China possuir uma quantidade muito maior de técnicos bem treinados que poderiam ser alocados nestas atividades de integração.

Se a integração fosse feita no Brasil, estima-se que seriam gastos cerca de três meses só com atividades de importação destas partes para o Brasil (e posterior exportação para a China na época do lançamento). Além disso, é sabido que o INPE enfrenta sérios problemas relacionados à escassez de recursos humanos, fato que se verifica também no Laboratório de Integração e Testes (LIT-INPE), onde os satélites são montados e testados.

Alto preço

Portanto, o questionamento que se deve fazer em relação ao CBERS-4 é se a antecipação de seu lançamento é ou não pertinente. Neste aspecto, a decisão de vir a integrá-lo na China ou no Brasil é uma mera decorrência desta decisão preliminar.

Rigorosamente, não há argumentos convincentes que justifiquem a antecipação do lançamento do CBERS-4. Do ponto de vista do acesso a imagens do seu território, o Brasil já vem adquirindo imagens feitas por satélites estrangeiros desde 2009. Continuar importando estas imagens por mais um ou dois anos não irá fazer grande diferença. Além disso, o preço a ser pago com a antecipação do lançamento deste novo satélite será muito alto para o Brasil, por duas razões.

Em primeiro lugar, porque não haverá tempo hábil para se aprofundar na solução de todos os problemas técnicos enfrentados quando da integração do CBERS-3, em particular relacionados à falha de componentes eletrônicos importados dos EUA. Em segundo lugar, porque teremos de abrir mão de integrar o satélite no Brasil, perdendo uma oportunidade fundamental para se qualificar novos profissionais nas atividades de integração, e principalmente para justificar os investimentos de centenas de milhões de dólares feitos pelo governo no LIT, onde foram integrados apenas dois satélites para colocação em órbita nos últimos 12 anos.
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