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Europeus adquirem 21 foguetes brasileiros
Por Virgínia Silveira
Para o Valor, de Estocolmo e São José dos Campos
O presidente e CEO da SSC, Lars Persson, diz que há interesse em comprar também o foguete VLM, ainda em desenvolvimento, para lançar microssatélites.
O Brasil se transformou em um dos principais provedores internacionais de foguetes de sondagem, veículos suborbitais que podem transportar experimentos científicos para altitudes superiores à atmosfera terrestre, por períodos de até 20 minutos. O Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e a estatal sueca Swedish Space Corporation (SSC) compraram 21 motores-foguete do veículo de sondagem VSB-30, utilizado com sucesso em mais de 11 lançamentos no Brasil e na Suécia.
O negócio, segundo o diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), responsável pelo desenvolvimento desses foguetes, brigadeiro Francisco Carlos Melo Pantoja, está avaliado em € 3 milhões. Dos 21 motores comprados, segundo ele, oito são conjuntos completos - o foguete e mais dois motores - e outros cinco são do motor S-30, que será integrado em outro foguete usado pelos europeus, o americano Orion.
Segundo o presidente da SSC, os foguetes de sondagem brasileiros e especialmente o VSB-30, que já recebeu uma certificação internacional, são considerados os melhores do mundo em sua categoria. O VSB-30 substituiu o foguete inglês Black-Arrow, que deixou de ser produzido em 1979, depois de 266 lançamentos, sendo o último em 2005.
O lançador brasileiro vem sendo usado pelo Programa Europeu de Microgravidade desde 2005 e, no próximo dia 24 de novembro, fará seu 12º voo a partir do Centro de Lançamento de Esrange, em Kiruna, na Suécia. O interesse dos europeus pelos foguetes de sondagem brasileiros, desenvolvidos com a participação do DLR, no entanto, envolve outros modelos além do VSB-30.
Segundo o presidente e CEO da SSC, Lars Persson, a missão espacial Shefex II que levará, entre outros experimentos, um veículo hipersônico europeu, avaliado em 8 milhões de euros, será feita pelo foguete brasileiro VS40 M, um veículo de sondagem mais potente e veloz que o VSB-30. O VS40 M também foi adquirido pelo DLR alemão a um custo de 900 mil euros, segundo o IAE.
O lançamento do experimento Shefex II (Sharp Edge Flight Experiment) à bordo do VS40 M está previsto para fevereiro de 2012, mas uma equipe do IAE já está Base de Andoya, na Noruega, desde o mês passado, trabalhando na pré-montagem do foguete. O VS-40 M também lançará um experimento brasileiro, que consiste em uma placa de carbeto de silício. O material será utilizado na estrutura do Satélite de Reentrada Atmosférica (SARA), outro projeto do IAE.
O presidente da SSC disse que a empresa também está interessada em comprar o foguete brasileiro VLM, que está em fase de desenvolvimento e poderá lançar microssatélites de 100 a 150 quilos. Persson disse que a empresa estima um mercado anual de 10 lançamentos com o VLM.
"No futuro nós pretendemos utilizar o VLM, porque ele é uma ótima opção para lançar satélites pequenos e com um custo de lançamento bem mais barato que o dos grandes foguetes", explicou. O motor do VLM está sendo desenvolvido pela empresa brasileira Cenic, que utiliza a tecnologia de fibra de carbono, responsável por uma redução de 60% no peso do motor do foguete.
Já o mercado global de foguetes de sondagem sub-orbitais, considerando apenas as aplicações civis, é de mais de 100 lançamentos anuais, para cargas úteis (experimentos científicos e tecnológicos) na faixa de 50 a 200 kg de massa e em altitudes de 100 km. Em média, segundo estimativa feita pelo diretor do IAE, cada lançamento custa da ordem de US$ 1 milhão, mas existe uma expectativa de um crescimento para 1500 voos anuais se o preço do kg de carga útil for reduzido para US$ 250.
A parceria com a SSC no programa de foguetes de sondagem, segundo Pantoja, é vista com bons olhos, pois a empresa já está envolvida com a comercialização de foguetes no mercado europeu e desta forma oferece mais possibilidades de venda do produto brasileiro fora do país.
O VSB-30, por exemplo, tem a aprovação da Agência Espacial Europeia (ESA) para realizar voos na Europa transportando cargas científicas do Programa Europeu de Microgravidade. O foguete foi o primeiro produto espacial brasileiro a ser comercializado no mercado externo e também o primeiro a receber uma certificação de nível internacional.
O desenvolvimento do VSB-30 foi feito com investimentos da ordem de 700 mil euros e o Centro Aeroespacial DLR arcou com 100% desse valor. O foguete custa cerca de 320 mil euros. "Os ganhos dessa parceria não podem ser vistos somente sob o ponto de vista financeiro. Essa sinergia tem gerado conhecimento e transferência de tecnologia para os dois lados", comentou Pantoja.
Com faturamento de 180 milhões de euros por ano e 660 colaboradores em 11 países, a SSC é especializada no desenvolvimento de câmeras imageadoras para satélites de observação da Terra, prestação de serviços de recepção de dados de satélites, pesquisas em ambiente de microgravidade e vigilância marítima através de radares, câmeras e sensores.
Fonte: Valor Econômico, 06/10/2011, via NOTIMP.
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Mostrando postagens com marcador Cenic. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Cenic fará estrutura mecânica do Lattes-1
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A exemplo do satélite Amazônia-1 (ver aqui), a empresa Cenic Engenharia, de São José dos Campos (SP), fará também uma estrutura mecânica para o Lattes-1, no caso, do módulo de serviço. Novamente, a empresa "bateu" a proposta da Fibraforte, por ter sido considerada a mais vantajosa.
A Cenic Engenharia, aliás, tem conseguido bons contratos nos últimos dias. Além dos contratos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a empresa foi selecionada pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA) para várias atividades relacionadas a lançadores e foguetes de sondagem, em negócios que superam R$ 4 milhões.
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A exemplo do satélite Amazônia-1 (ver aqui), a empresa Cenic Engenharia, de São José dos Campos (SP), fará também uma estrutura mecânica para o Lattes-1, no caso, do módulo de serviço. Novamente, a empresa "bateu" a proposta da Fibraforte, por ter sido considerada a mais vantajosa.
A Cenic Engenharia, aliás, tem conseguido bons contratos nos últimos dias. Além dos contratos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a empresa foi selecionada pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA) para várias atividades relacionadas a lançadores e foguetes de sondagem, em negócios que superam R$ 4 milhões.
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Modelo de qualificação do SARA é entregue
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CENIC entrega modelo de qualificação do SARA
16/12/2010
A Cenic Engenharia entregou, no mês de dezembro, o Modelo de Qualificação Mecânica do Sara Suborbital. A entrega ocorreu na sede da empresa no bairro Chácaras Reunidas em cumprimento do contrato com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA).
Após uma apresentação da empresa, as comissões receberam os volumes de documentação correspondentes à etapa cumprida e puderam vistoriar o Modelo de Qualificação.
A principal estrela da apresentação foi o Modelo do Subsistema de Recuperação (para ver fotos, clique aqui). Composto de um conjunto de paraquedas divididos em aba piloto, paraquedas de arrasto e dois paraquedas principais, o Modelo ainda conteve o container para abrigar os paraquedas durante o voo e um Bloco de Separação que comanda a abertura. Este subsistema envolve uma inovação tecnológica do projeto, pois não é acionado por sistemas pirotécnicos.
Os ensaios de qualificação do Subsistema de Recuperação ocorrerão no Prédio de Integração de Lançadores (PIL) do IAE após o término dos ensaios de separação do VLS-1. O Modelo de Qualificação entregue nesta etapa será utilizado durante estes ensaios, sendo que a sequencia de abertura dos paraquedas será repetida várias vezes para se chegar à qualificação do subsistema. Todo o processo será filmado com câmeras de alta velocidade.
Fonte: IAE/DCTA
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CENIC entrega modelo de qualificação do SARA
16/12/2010
A Cenic Engenharia entregou, no mês de dezembro, o Modelo de Qualificação Mecânica do Sara Suborbital. A entrega ocorreu na sede da empresa no bairro Chácaras Reunidas em cumprimento do contrato com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA).
Após uma apresentação da empresa, as comissões receberam os volumes de documentação correspondentes à etapa cumprida e puderam vistoriar o Modelo de Qualificação.
A principal estrela da apresentação foi o Modelo do Subsistema de Recuperação (para ver fotos, clique aqui). Composto de um conjunto de paraquedas divididos em aba piloto, paraquedas de arrasto e dois paraquedas principais, o Modelo ainda conteve o container para abrigar os paraquedas durante o voo e um Bloco de Separação que comanda a abertura. Este subsistema envolve uma inovação tecnológica do projeto, pois não é acionado por sistemas pirotécnicos.
Os ensaios de qualificação do Subsistema de Recuperação ocorrerão no Prédio de Integração de Lançadores (PIL) do IAE após o término dos ensaios de separação do VLS-1. O Modelo de Qualificação entregue nesta etapa será utilizado durante estes ensaios, sendo que a sequencia de abertura dos paraquedas será repetida várias vezes para se chegar à qualificação do subsistema. Todo o processo será filmado com câmeras de alta velocidade.
Fonte: IAE/DCTA
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Mais resultados de concorrências do Amazônia-1
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Dando seguimento aos anúncios de resultados de concorrências relacionadas ao satélite Amazônia-1, promovidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) (ver a postagem de ontem "Interfaces OBDH do Amazônia-1"), a edição de hoje (16) do Diário Oficial da União traz mais alguns resultados.
A Cenic, de São José dos Campos (SP), bateu a proposta da Fibraforte para fornecer a estrutura mecânica do módulo de carga útil (câmeras) do Amazônia-1. A antena de banda X do subsistema AWDT (transmissor de dados da câmera AWFI) do Amazônia-1 será fabricada pela Omnisys Engenharia, do grupo francês Thales, de São Bernardo do Campo (SP).
Quanto ao sensor de estrelas, objeto de concorrência internacional, a francesa EADS SODERN apresentou a melhor proposta, derrotando a italiana Selex Galileo, do grupo Finmeccanica.
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Dando seguimento aos anúncios de resultados de concorrências relacionadas ao satélite Amazônia-1, promovidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) (ver a postagem de ontem "Interfaces OBDH do Amazônia-1"), a edição de hoje (16) do Diário Oficial da União traz mais alguns resultados.
A Cenic, de São José dos Campos (SP), bateu a proposta da Fibraforte para fornecer a estrutura mecânica do módulo de carga útil (câmeras) do Amazônia-1. A antena de banda X do subsistema AWDT (transmissor de dados da câmera AWFI) do Amazônia-1 será fabricada pela Omnisys Engenharia, do grupo francês Thales, de São Bernardo do Campo (SP).
Quanto ao sensor de estrelas, objeto de concorrência internacional, a francesa EADS SODERN apresentou a melhor proposta, derrotando a italiana Selex Galileo, do grupo Finmeccanica.
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quarta-feira, 5 de maio de 2010
SARA suborbital: CENIC é contratada
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IAE contrata SARA Suborbital na Indústria Nacional
05/05/2010
O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e a empresa CENIC Engenharia firmaram contrato para a produção dos modelos de qualificação e de voo do Sara Suborbital. O Sara é o primeiro sistema completo a ser contratado na indústria nacional pelo setor de espaço do IAE.
Os trabalhos, programados para o início de maio, preveem a produção destes protótipos da plataforma a serem utilizados, respectivamente, para a qualificação em solo e em voo do Sara Suborbital.
Os modelos são constituídos por quatro módulos principais, sendo um módulo estrutural, um módulo de eletrônica embarcada, um módulo destinado à recuperação do veículo por meio de pára-quedas e um módulo para abrigar os experimentos tecnológicos e de microgravidade.
“Já havíamos fornecido a coifa e a estrutura do módulo de experimentação”, comenta o presidente da CENIC, Francisco Manoel Corrêa Dias. “Agora, o que está se contratando, é um sistema quase completo, que envolve os Subsistemas de Redes Elétricas e de Recuperação.”
“O desafio está em fabricar e integrar o sistema completo, que é de alta complexidade. Isso pressupõe uma nova competência e maior credibilidade para o desenvolvimento desses produtos com alto conteúdo tecnológico”, completa Francisco Manoel. O contrato resultou de um desenvolvimento conjunto financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), prevendo, para o prazo de um ano, a fabricação completa desses modelos.
A CENIC Engenharia, além de ser responsável direta pela fabricação de todo módulo estrutural do Sara Suborbital e pelas estruturas dos Módulos de Experimentação e de Recuperação, desempenha o papel de arquiteto industrial do produto.
A empresa, fundada em 1993, possui pessoal com experiência de trinta anos no desenvolvimento de equipamentos de aplicação que abrangem desde as profundezas do oceano, atendendo à indústria petrolífera, até o espaço.
Outras empresas envolvidas na fabricação dos modelos do Sara Suborbital são a Orbital Engenharia, que participa do módulo de recuperação, a EQE Tecnologia, responsável pela eletrônica do Módulo de Experimentação e, por fim, a MECTRON Engenharia, empresa que desenvolveu a eletrônica embarcada do veículo.
Fonte: IAE/DCTA
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IAE contrata SARA Suborbital na Indústria Nacional
05/05/2010
O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e a empresa CENIC Engenharia firmaram contrato para a produção dos modelos de qualificação e de voo do Sara Suborbital. O Sara é o primeiro sistema completo a ser contratado na indústria nacional pelo setor de espaço do IAE.
Os trabalhos, programados para o início de maio, preveem a produção destes protótipos da plataforma a serem utilizados, respectivamente, para a qualificação em solo e em voo do Sara Suborbital.
Os modelos são constituídos por quatro módulos principais, sendo um módulo estrutural, um módulo de eletrônica embarcada, um módulo destinado à recuperação do veículo por meio de pára-quedas e um módulo para abrigar os experimentos tecnológicos e de microgravidade.
“Já havíamos fornecido a coifa e a estrutura do módulo de experimentação”, comenta o presidente da CENIC, Francisco Manoel Corrêa Dias. “Agora, o que está se contratando, é um sistema quase completo, que envolve os Subsistemas de Redes Elétricas e de Recuperação.”
“O desafio está em fabricar e integrar o sistema completo, que é de alta complexidade. Isso pressupõe uma nova competência e maior credibilidade para o desenvolvimento desses produtos com alto conteúdo tecnológico”, completa Francisco Manoel. O contrato resultou de um desenvolvimento conjunto financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), prevendo, para o prazo de um ano, a fabricação completa desses modelos.
A CENIC Engenharia, além de ser responsável direta pela fabricação de todo módulo estrutural do Sara Suborbital e pelas estruturas dos Módulos de Experimentação e de Recuperação, desempenha o papel de arquiteto industrial do produto.
A empresa, fundada em 1993, possui pessoal com experiência de trinta anos no desenvolvimento de equipamentos de aplicação que abrangem desde as profundezas do oceano, atendendo à indústria petrolífera, até o espaço.
Outras empresas envolvidas na fabricação dos modelos do Sara Suborbital são a Orbital Engenharia, que participa do módulo de recuperação, a EQE Tecnologia, responsável pela eletrônica do Módulo de Experimentação e, por fim, a MECTRON Engenharia, empresa que desenvolveu a eletrônica embarcada do veículo.
Fonte: IAE/DCTA
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terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Reportagem sobre o projeto SARA
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Brasil finaliza projeto para pesquisa em baixa gravidade
Virgínia Silveira
Os cientistas, técnicos e empresários brasileiros poderão, em breve, utilizar uma plataforma de fácil acesso e baixo custo para a realização de experimentos científicos e desenvolvimento de tecnologias e produtos que demandem um ambiente de microgravidade, onde a influência gravitacional é próxima de zero. O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), centro de pesquisa do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), já iniciou a fase de testes do Satélite de Reentrada Atmosférica (Sara), uma cápsula espacial projetada para operar em órbita baixa, a 300 km de altitude, por um período de 10 dias.
A influência mínima da ação gravitacional favorece a observação e a exploração de fenômenos e processos físicos, químicos e biológicos que seriam mascarados sob a influência da gravidade terrestre. Tais conhecimentos podem ser úteis no desenvolvimento de novos produtos em áreas como biologia, biotecnologia, medicina, materiais e fármacos. O Sara, segundo o gerente do projeto, Luís Loures, surge como uma alternativa barata e eficiente em relação aos meios já disponíveis, como as torres de queda-livre, voo parabólico, foguetes de sondagem, ônibus espacial e estações espaciais, como a MIR e a ISS.
A primeira versão do Sara, com lançamento previsto para o fim do ano, está sendo configurada para executar uma missão suborbital, ou seja, sem inserção em órbita e com um sistema de recuperação da carga útil ou dos experimentos. "Nesse primeiro projeto os maiores desafios tecnológicos estão relacionados ao desenvolvimento da eletrônica de bordo, sistema de recuperação da carga útil e o módulo de experimentação", explica o pesquisador.
Para garantir a eficiência da missão suborbital, serão realizados dois voos de qualificação, uma oportunidade para corrigir eventuais problemas detectados no primeiro veículo e também para fazer a incorporação de novos experimentos.
A segunda versão do SARA, que será lançada ao espaço, terá capacidade para transportar até 55 quilos de experimentos, que poderão desfrutar de um tempo total de microgravidade de 10 dias, o mesmo período oferecido para a realização de pesquisas e testes em missões com os ônibus espaciais.
A desvantagem do ônibus espacial para o Brasil é o custo alto para a realização de pesquisas e a baixa qualidade do ambiente de microgravidade, que fica alterado pelo movimento das pessoas no espaço. Outro problema é que esse tipo de plataforma de acesso ao espaço, da mesma forma que a Estação Espacial Internacional (ISS), possui órbitas entre 200 quilômetros e 450 quilômetros de altitude. A essas distâncias, a aceleração da gravidade é apenas 10% menor que a da superfície da Terra, o que mostra que o espaço não é uma região totalmente livre de gravidade.
A realização de pesquisas em ambientes de microgravidade começou nos primeiros anos dos programas espaciais, nas décadas de 60 e 70, com experimentos à bordo da Apolo, Skylab e Apolo-Soyus. Atualmente, os foguetes de sondagem, como o VSB-30 (produzido pelo IAE e utilizado principalmente pelos europeus) e a ISS são os meios mais utilizados pelos cientistas para as pesquisas em ambiente de microgravidade.
O programa de desenvolvimento do Sara, informa Loures, consumiu até o momento cerca de R$ 3 milhões, que foram repassados pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB). A construção do modelo de qualificação do Sara tem custo estimado de R$ 2,4 milhões e a do modelo de voo está avaliada em R$ 2,6 milhões.
Várias companhias brasileiras participam do projeto do satélite. A Cenic Engenharia, de São José dos Campos, é a responsável pelo processo de industrialização da plataforma. A Mectron Engenharia desenvolve a eletrônica da plataforma e a Orbital Engenharia se responsabiliza pelo sistema de recuperação da carga útil. A EQE está fazendo o sistema eletrônico do módulo onde serão acoplados os experimentos científicos.
O cronograma do Sara suborbital, diz Loures, prevê para o fim de 2010 o lançamento do primeiro satélite pelo foguete de sondagem VS-40, produzido também pelo IAE. O veículo será lançado a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e terá oito minutos de voo suborbital. A aterrissagem está prevista para acontecer na água, a 100 quilômetros da cidade de Parnaíba (PI), de onde será feita a operação de resgate da carga útil.
O sistema de recuperação dos experimentos é composto de um conjunto de três para-quedas: uma aba piloto, para a extração dos demais para-quedas; um para-quedas de arrasto, para a redução da velocidade; e um conjunto de para-quedas principais, para levar a plataforma até a velocidade de descida especificada para o impacto com a água.
O satélite Sara, segundo o pesquisador do IAE, Paulo Moraes Junior, que gerenciou o projeto até 2005, é inovador pelo fato de ser o único hoje no mundo que se destina a experimentação científica e tecnológica de baixo custo e também para um tempo médio de exposição ao ambiente de microgravidade. "Trata-se de um satélite pequeno. O russo Express pesa cerca de uma tonelada, o que exige que seja lançado por um foguete de maior porte", explica. O mesmo acontece com os satélites americanos e chineses, que pesam entre 800 e 1,2 mil quilos. Os europeus, segundo Moraes, estão desenvolvendo o satélite Expert.
Com o Sara, segundo Moraes, o Brasil poderá fazer pesquisa estratégica a um custo médio de US$ 1.000 por quilo, por hora de experimento. No caso de aeronave em voo parabólico, o tempo de gravidade chega a 20 segundos e o custo é de US$ 50 mil. As torres de queda livre conseguem produzir de 4 a 8 segundos de microgravidade a um custo de aproximadamente US$ 5 mil.
Fonte: Jornal Valor Econômico, 05/01/2010, via NOTIMP
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sábado, 12 de setembro de 2009
SARA: Satélite de Reentrada Atmosférica
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Brasil desenvolve satélite para pesquisa de microgravidade
11/09/2009
Imagine uma plataforma espacial para realizar experiências em um ambiente de gravidade reduzida (microgravidade). Trata-se de uma carga especial lançada por um foguete e que permanece no espaço por um certo tempo, decisiva para a realização de pesquisas estratégicas para o país. Agora, saiba que o projeto é de um satélite brasileiro, feito pela indústria nacional e com mão-de-obra própria, treinada e qualificada no Brasil, exatamente em uma área do conhecimento em que o país que domina a técnica não ensina ninguém, mas vende a tecnologia. É um tesouro a ser conquistado.
O nome do projeto é SARA, sigla para Satélite de Reentrada Atmosférica, em desenvolvimento pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), um dos centros de pesquisa do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), do Comando da Aeronáutica, em São José dos Campos (SP).
O SARA propõe o desenvolvimento de uma plataforma orbital para a realização de experimentos em ambiente de microgravidade, destinada a operar em órbita baixa, a 300 km de altitude, por um período máximo de dez dias. No futuro, o equipamento abrirá novas possibilidades na realização de projetos de pesquisa e desenvolvimento nas mais diversas áreas e especialidades, tais como biologia, biotecnologia, medicina, materiais, combustão e fármacos, entre outros.
Outro objetivo do projeto SARA é o desenvolvimento de estruturas que possam suportar o severo ambiente de reentrada na atmosfera terrestre. Para este fim, os quatro veículos que compõem o programa, dois suborbitais e dois orbitais, deverão alcançar gradativamente o conhecimento necessário. A sequência é semelhante ao do programa alemão Shefex (Sharp Edge Experiment), destinado à pesquisa de formas aerodinâmicas para a reentrada de veículos espaciais em regime hipersônico. Tanto o Sara como o Shefex visam o desenvolvimento de tecnologias para a criação de aeronaves e veículos hipersônicos através da análise da reentrada de veículos espaciais na atmosfera terrestre.
No primeiro veículo do programa, o SARA Suborbital, serão desenvolvidas as tecnologias de eletrônica embarcada, do módulo para a realização de experimentos e do sistema de recuperação através de pára-quedas. Segundo o gerente do projeto, Luís Loures, pesquisador da Divisão de Sistemas Espaciais do IAE, as maiores dificuldades até agora envolvem exatamente o desenvolvimento do sistema de recuperação.
Dados revelados pelos europeus dão conta de que as taxas de falha neste sistema podem chegar a 20%. A maneira que o projeto encontrou de reverter esta expectativa foi a de investir em ensaios funcionais. Todos os eventos, componentes e equipamentos deste sistema estão sendo sistematicamente investigados e seus desempenhos avaliados. “Nós não temos receio em repetir ensaios caso achemos que valha a pena”, afirma o pesquisador.
O cronograma do SARA Suborbital prevê o término do projeto detalhado para o final deste ano e a qualificação em 2010, quando a plataforma deverá estar pronta para lançamento.
Os demais veículos do programa são o SARA Suborbital 2, destinado a implementar o controle de atitude em voo e o motor de indução de reentrada, o SARA Orbital, para verificar a capacidade de controle e o ambiente tanto em órbita como na reentrada e, por fim, o SARA Orbital 2, que qualificará o sistema de proteção térmica reutilizável. Essas etapas são necessárias para desenvolver e aprimorar cada tecnologia desse importante projeto, que cresce nas mãos dos cientistas brasileiros como um filho, que primeiro aprende a engatinhar, depois a andar e por fim a correr.
Nacionalização - A entrada na sala do projeto SARA não envolve grandes surpresas: nas paredes, os usuais gráficos de cronograma, desenhos técnicos e um quadro repleto de croquis e cálculos em vermelho. Ao fundo, Artur Cristiano Arantes, estudante da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP), verifica as últimas alterações de projeto do Módulo de Experimentação. Resultados da análise estrutural mostraram uma frequência baixa no prato que abriga os experimentos. Uma consulta aos projetistas da empresa CENIC e logo surge uma solução: o aumento da espessura da colméia que o bolsista já implementou e que agora observa os resultados. O diálogo próximo entre fabricante e projetista é uma das características do Sara: só se propõe algo que possa ser produzido pela indústria nacional.
A CENIC é a empresa responsável pela industrialização da plataforma, situação definida em contrato com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e o IAE. Para tanto, a empresa mantém um profissional constantemente à disposição do projeto. No fundo da sala, Tiago Gonçalves Faria, outro estudante da Univap, observa a versão do artigo a ser apresentado na conferência sobre veículos espaciais na Alemanha. Ambos os estudantes embarcaram no mês de junho para a Europa para representar o grupo.
Loures ressalta a política de desenvolver a capacitação da mão de obra por meio da atribuição gradativa de responsabilidades. Os trabalhos correm com supervisão de engenheiros experientes do IAE: os cálculos de Artur, por exemplo, são avaliados pelo pesquisador Guido Damilano, do Grupo de Estruturas.
A ocorrência de revisões de projeto, como nos EUA e na Europa, é comum e realizada por uma banca composta de especialistas do IAE, do INPE e da Embraer, que avalia o estágio de desenvolvimento do projeto. O engenheiro Tertuliano, bolsista AEB/CNPq, coordenador dos trabalhos entre o IAE e a Mectron, responsável pelas Redes Elétricas do Sara, organizava no momento a documentação para uma revisão de projeto a ser realizada nesta semana na sede da empresa.
Parte da tecnologia a ser empregada nos próximos veículos SARA já está em desenvolvimento: a plataforma para controle de atitude será a desenvolvida pelo projeto SIA (Sensores Inerciais Aeroespaciais), os materiais para alta temperatura estão sendo testados pela Divisão de Materiais do IAE e deverão voar como experimentos na plataforma Shefex 2, enquanto a capacidade de modelar o ambiente aerotermodinâmico e sua averiguação em túnel (Mach 7 a 25) correm em conjunto com o projeto do veículo hipersônico 14-X do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), outro núcleo de pesquisa do DCTA. Criar as sinergias necessárias para o desenvolvimento é uma estratégia clara do projeto, afinal, “nossos recursos financeiros e humanos são limitados”, explica Loures.
No futuro, o SARA pretende ser uma plataforma industrial orbital para a qualificação de componentes e equipamentos espaciais a um baixo custo, o que abre interessantes chances de negócios no Brasil e no exterior, além de realizar pesquisas científicas em microgravidade. Ao mesmo tempo, os desenvolvimentos em curso de materiais especiais, como o carbono/carbeto de silício, e da capacidade de modelar os fenômenos físicos, permitirão que o país se mantenha conectado com uma nova geração de veículos de reentrada.
Outras aplicações estão relacionadas com as pesquisas para a 2ª geração de veículos lançadores reutilizáveis (a 1ª foi o Space Shuttle, da NASA, e o russo Buran) e com a tecnologia a ser empregada em aeronaves hipersônicas, capazes de realizar um voo de Los Angeles a Sidney em poucas horas.
Na prática, o SARA vem aperfeiçoando a forma do IAE conduzir projetos, com novas técnicas de gestão e uma nova aproximação da industrial nacional. “É um projeto pequeno, porém muito complexo. Nós não temos todas as respostas, mas não temos receio de procurá-las, pois contamos com fatores que superam obstáculos: o entusiasmo e a determinação da nossa equipe”, afirma o gerente do projeto.
Fonte: IAE
Comentários: uma das mais importantes tecnologias que precisam ser desenvolvidas para um artefato de reentrada atmosférica é o escudo de proteção térmica, normalmente fabricado com materiais cerâmicos. Esse tipo de material tem sua comercialização restrita no mundo, uma vez que também pode ser utilizado em ogivas de mísseis intercontinentais. A DLR, agência espacial da Alemanha coopera com o IAE/TA nesta área. Para mais informações sobre o Projeto SARA, clique aqui.
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Brasil desenvolve satélite para pesquisa de microgravidade
11/09/2009
Imagine uma plataforma espacial para realizar experiências em um ambiente de gravidade reduzida (microgravidade). Trata-se de uma carga especial lançada por um foguete e que permanece no espaço por um certo tempo, decisiva para a realização de pesquisas estratégicas para o país. Agora, saiba que o projeto é de um satélite brasileiro, feito pela indústria nacional e com mão-de-obra própria, treinada e qualificada no Brasil, exatamente em uma área do conhecimento em que o país que domina a técnica não ensina ninguém, mas vende a tecnologia. É um tesouro a ser conquistado.
O nome do projeto é SARA, sigla para Satélite de Reentrada Atmosférica, em desenvolvimento pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), um dos centros de pesquisa do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), do Comando da Aeronáutica, em São José dos Campos (SP).
O SARA propõe o desenvolvimento de uma plataforma orbital para a realização de experimentos em ambiente de microgravidade, destinada a operar em órbita baixa, a 300 km de altitude, por um período máximo de dez dias. No futuro, o equipamento abrirá novas possibilidades na realização de projetos de pesquisa e desenvolvimento nas mais diversas áreas e especialidades, tais como biologia, biotecnologia, medicina, materiais, combustão e fármacos, entre outros.
Outro objetivo do projeto SARA é o desenvolvimento de estruturas que possam suportar o severo ambiente de reentrada na atmosfera terrestre. Para este fim, os quatro veículos que compõem o programa, dois suborbitais e dois orbitais, deverão alcançar gradativamente o conhecimento necessário. A sequência é semelhante ao do programa alemão Shefex (Sharp Edge Experiment), destinado à pesquisa de formas aerodinâmicas para a reentrada de veículos espaciais em regime hipersônico. Tanto o Sara como o Shefex visam o desenvolvimento de tecnologias para a criação de aeronaves e veículos hipersônicos através da análise da reentrada de veículos espaciais na atmosfera terrestre.
No primeiro veículo do programa, o SARA Suborbital, serão desenvolvidas as tecnologias de eletrônica embarcada, do módulo para a realização de experimentos e do sistema de recuperação através de pára-quedas. Segundo o gerente do projeto, Luís Loures, pesquisador da Divisão de Sistemas Espaciais do IAE, as maiores dificuldades até agora envolvem exatamente o desenvolvimento do sistema de recuperação.
Dados revelados pelos europeus dão conta de que as taxas de falha neste sistema podem chegar a 20%. A maneira que o projeto encontrou de reverter esta expectativa foi a de investir em ensaios funcionais. Todos os eventos, componentes e equipamentos deste sistema estão sendo sistematicamente investigados e seus desempenhos avaliados. “Nós não temos receio em repetir ensaios caso achemos que valha a pena”, afirma o pesquisador.
O cronograma do SARA Suborbital prevê o término do projeto detalhado para o final deste ano e a qualificação em 2010, quando a plataforma deverá estar pronta para lançamento.
Os demais veículos do programa são o SARA Suborbital 2, destinado a implementar o controle de atitude em voo e o motor de indução de reentrada, o SARA Orbital, para verificar a capacidade de controle e o ambiente tanto em órbita como na reentrada e, por fim, o SARA Orbital 2, que qualificará o sistema de proteção térmica reutilizável. Essas etapas são necessárias para desenvolver e aprimorar cada tecnologia desse importante projeto, que cresce nas mãos dos cientistas brasileiros como um filho, que primeiro aprende a engatinhar, depois a andar e por fim a correr.
Nacionalização - A entrada na sala do projeto SARA não envolve grandes surpresas: nas paredes, os usuais gráficos de cronograma, desenhos técnicos e um quadro repleto de croquis e cálculos em vermelho. Ao fundo, Artur Cristiano Arantes, estudante da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP), verifica as últimas alterações de projeto do Módulo de Experimentação. Resultados da análise estrutural mostraram uma frequência baixa no prato que abriga os experimentos. Uma consulta aos projetistas da empresa CENIC e logo surge uma solução: o aumento da espessura da colméia que o bolsista já implementou e que agora observa os resultados. O diálogo próximo entre fabricante e projetista é uma das características do Sara: só se propõe algo que possa ser produzido pela indústria nacional.
A CENIC é a empresa responsável pela industrialização da plataforma, situação definida em contrato com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e o IAE. Para tanto, a empresa mantém um profissional constantemente à disposição do projeto. No fundo da sala, Tiago Gonçalves Faria, outro estudante da Univap, observa a versão do artigo a ser apresentado na conferência sobre veículos espaciais na Alemanha. Ambos os estudantes embarcaram no mês de junho para a Europa para representar o grupo.
Loures ressalta a política de desenvolver a capacitação da mão de obra por meio da atribuição gradativa de responsabilidades. Os trabalhos correm com supervisão de engenheiros experientes do IAE: os cálculos de Artur, por exemplo, são avaliados pelo pesquisador Guido Damilano, do Grupo de Estruturas.
A ocorrência de revisões de projeto, como nos EUA e na Europa, é comum e realizada por uma banca composta de especialistas do IAE, do INPE e da Embraer, que avalia o estágio de desenvolvimento do projeto. O engenheiro Tertuliano, bolsista AEB/CNPq, coordenador dos trabalhos entre o IAE e a Mectron, responsável pelas Redes Elétricas do Sara, organizava no momento a documentação para uma revisão de projeto a ser realizada nesta semana na sede da empresa.
Parte da tecnologia a ser empregada nos próximos veículos SARA já está em desenvolvimento: a plataforma para controle de atitude será a desenvolvida pelo projeto SIA (Sensores Inerciais Aeroespaciais), os materiais para alta temperatura estão sendo testados pela Divisão de Materiais do IAE e deverão voar como experimentos na plataforma Shefex 2, enquanto a capacidade de modelar o ambiente aerotermodinâmico e sua averiguação em túnel (Mach 7 a 25) correm em conjunto com o projeto do veículo hipersônico 14-X do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), outro núcleo de pesquisa do DCTA. Criar as sinergias necessárias para o desenvolvimento é uma estratégia clara do projeto, afinal, “nossos recursos financeiros e humanos são limitados”, explica Loures.
No futuro, o SARA pretende ser uma plataforma industrial orbital para a qualificação de componentes e equipamentos espaciais a um baixo custo, o que abre interessantes chances de negócios no Brasil e no exterior, além de realizar pesquisas científicas em microgravidade. Ao mesmo tempo, os desenvolvimentos em curso de materiais especiais, como o carbono/carbeto de silício, e da capacidade de modelar os fenômenos físicos, permitirão que o país se mantenha conectado com uma nova geração de veículos de reentrada.
Outras aplicações estão relacionadas com as pesquisas para a 2ª geração de veículos lançadores reutilizáveis (a 1ª foi o Space Shuttle, da NASA, e o russo Buran) e com a tecnologia a ser empregada em aeronaves hipersônicas, capazes de realizar um voo de Los Angeles a Sidney em poucas horas.
Na prática, o SARA vem aperfeiçoando a forma do IAE conduzir projetos, com novas técnicas de gestão e uma nova aproximação da industrial nacional. “É um projeto pequeno, porém muito complexo. Nós não temos todas as respostas, mas não temos receio de procurá-las, pois contamos com fatores que superam obstáculos: o entusiasmo e a determinação da nossa equipe”, afirma o gerente do projeto.
Fonte: IAE
Comentários: uma das mais importantes tecnologias que precisam ser desenvolvidas para um artefato de reentrada atmosférica é o escudo de proteção térmica, normalmente fabricado com materiais cerâmicos. Esse tipo de material tem sua comercialização restrita no mundo, uma vez que também pode ser utilizado em ogivas de mísseis intercontinentais. A DLR, agência espacial da Alemanha coopera com o IAE/TA nesta área. Para mais informações sobre o Projeto SARA, clique aqui.
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
Contratos industriais do CBERS
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Há no relatório de gestão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) referente ao ano de 2008 uma interessante tabela (página 22) detalhando a execução financeira no ano passado relacionada ao projeto da segunda geração do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, sigla em inglês).
Dezenas de indústrias nacionais, sozinhas ou em consórcio contratadas pelo INPE receberam cerca de R$ 42,8 milhões no ano passado. Destaques para a Optoeletrônica, de São Carlos (SP), e Consórcio WFI (formado pela própria Optoeletrônica e pela Equatorial Sistemas), contratadas para a produção de câmeras dos CBERS 3 e 4, que receberam R$ 7,3 milhões e R$ 10,6 mihões, respectivamente.
Nomes como Omnisys Engenharia, Consórcio CFF (Cenic e Fibraforte), Orbital Engenharia, Aeroeletrônica e Mectron, entre outros, figuram na tabela.
Nas compras internacionais, um dos destaques foi um contrato de aproximadamente de R$ 5,5 milhões com a europeia EADS SODERN para o fornecimento de módulos de detecção das câmeras MUX e WFI, que equiparão os satélites CBERS 3 e 4.
Apesar dos problemas enfrentados pelo programa CBERS por causa da regulação ITAR, dos EUA, o INPE ainda assim consegue adquirir alguns componentes junto à companhias norte-americanas, como da Agilent Technologies e da californiana Trident Space & Defense. O maior volume executado no exterior no ano passado foi, no entanto, com a Tecnológica, Ingeniería, Calidad y Ensayos S.A., empresa espanhola que fornece componentes eletrônicos para os CBERS. O valor total executado em 2008 pelo INPE em contratos internacionais relacionados ao projeto espacial sino-brasileiro foi de pouco mais de R$ 20,7 milhões.
Para ler postagens anteriores com informações sobre o relatório de gestão de 2008 do INPE, clique aqui, aqui e aqui.
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Há no relatório de gestão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) referente ao ano de 2008 uma interessante tabela (página 22) detalhando a execução financeira no ano passado relacionada ao projeto da segunda geração do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, sigla em inglês).
Dezenas de indústrias nacionais, sozinhas ou em consórcio contratadas pelo INPE receberam cerca de R$ 42,8 milhões no ano passado. Destaques para a Optoeletrônica, de São Carlos (SP), e Consórcio WFI (formado pela própria Optoeletrônica e pela Equatorial Sistemas), contratadas para a produção de câmeras dos CBERS 3 e 4, que receberam R$ 7,3 milhões e R$ 10,6 mihões, respectivamente.
Nomes como Omnisys Engenharia, Consórcio CFF (Cenic e Fibraforte), Orbital Engenharia, Aeroeletrônica e Mectron, entre outros, figuram na tabela.
Nas compras internacionais, um dos destaques foi um contrato de aproximadamente de R$ 5,5 milhões com a europeia EADS SODERN para o fornecimento de módulos de detecção das câmeras MUX e WFI, que equiparão os satélites CBERS 3 e 4.
Apesar dos problemas enfrentados pelo programa CBERS por causa da regulação ITAR, dos EUA, o INPE ainda assim consegue adquirir alguns componentes junto à companhias norte-americanas, como da Agilent Technologies e da californiana Trident Space & Defense. O maior volume executado no exterior no ano passado foi, no entanto, com a Tecnológica, Ingeniería, Calidad y Ensayos S.A., empresa espanhola que fornece componentes eletrônicos para os CBERS. O valor total executado em 2008 pelo INPE em contratos internacionais relacionados ao projeto espacial sino-brasileiro foi de pouco mais de R$ 20,7 milhões.
Para ler postagens anteriores com informações sobre o relatório de gestão de 2008 do INPE, clique aqui, aqui e aqui.
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quarta-feira, 6 de maio de 2009
Spin-offs brasileiros
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A mais recente edição da revista institucional "Espaço Brasileiro" (n° 5), editada pela Agência Espacial Brasileira (AEB), conta com um interessante artigo, de autoria de Andréia Araújo (AEB), com colaboração de Marjorie Xavier (INPE), sobre alguns produtos e serviços usados no dia-a-dia das pessoas que vieram da pesquisa espacial, os chamados "spin-offs".
O que de fato torna a reportagem interessante são as menções a spin-offs originados no Programa Espacial Brasileiro, afinal, spin-offs estrangeiros, em particular aqueles oriundos da exploração espacial levada a cabo pelos EUA são muito mais conhecidos e numerosos. Ao longo dos mais de 50 anos da agência espacial norte-americana (NASA), diversas tecnologias, nas mais variadas áreas, passaram a ser usadas no dia-a-dia da população em geral. São vários os exemplos: exames médicos por imagem, TV via satélite, diveros novos materiais, equipamentos de combate a incêndio, detectores de fumaça, aspirador de pó portátil, óculos contra raios UV, e muitos outros.
Abaixo, relacionamos e sucintamente descrevemos alguns dos spin-offs nacionais mencionados na reportagem:
Combustível de foguete para calçados: o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/CTA) desenvolveu uma nova resina para combustível de foguetes, a PBHL (Polibutadieno Líquido Hidroxilado), material esse incorporado por outros setores da indústria nacional, como o de calçados. Nesse setor específico, a resina, fabricada pela Petroflex, é usada para garantir maior resistência às espumas e maior suporte de peso às palmilhas.
Aço de ultra-alta resistência: ao longo do programa de desenvolvimento de foguetes e lançadores brasileiros, o IAE, em parceria com as siderúrgicas Eletrometal, Usiminas e Acesita desenvolveram um novo aço leve de ultra-alta resistência, chamado 300M. O aço especial é hoje usado por várias indústrias aeronáuticas, inclusive a norte-americana Boeing, que o utiliza na fabricação de trens de pouso de aeronaves comerciais.
Fibras de carbono: aproveitando sobras de fibras de carbono usadas para a construção de componentes de satélites, a CENIC, indústria com sede em São José dos Campos (SP), desenvolveu um equipamento (anel ilizarov) usado na cura de fraturas expostas.
Detectores plásticos: o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), adaptou um detector plástico, usados para, entre outras coisas, verificar níveis de radiação, para o telescópio espacial Masco, de estudos de astrofísica. Mais tarde, o IPEN descobriu que o mesmo equipamento, com algumas adaptações, era útil para a identificação de níveis de desnutrição em seres humanos.
Minitubos de calor: talvez o pãozinho de seu café-da-manhã tenha alguma relação com o Programa Espacial Brasileiro. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) adaptaram um equipamento (uma espécie de mini "cooler") usado para a refrigeração de circuitos de satélites, para uso em fornos de padaria, possibilitando que os pães sejam assados de forma homogênea e com menor custo.
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A mais recente edição da revista institucional "Espaço Brasileiro" (n° 5), editada pela Agência Espacial Brasileira (AEB), conta com um interessante artigo, de autoria de Andréia Araújo (AEB), com colaboração de Marjorie Xavier (INPE), sobre alguns produtos e serviços usados no dia-a-dia das pessoas que vieram da pesquisa espacial, os chamados "spin-offs".
O que de fato torna a reportagem interessante são as menções a spin-offs originados no Programa Espacial Brasileiro, afinal, spin-offs estrangeiros, em particular aqueles oriundos da exploração espacial levada a cabo pelos EUA são muito mais conhecidos e numerosos. Ao longo dos mais de 50 anos da agência espacial norte-americana (NASA), diversas tecnologias, nas mais variadas áreas, passaram a ser usadas no dia-a-dia da população em geral. São vários os exemplos: exames médicos por imagem, TV via satélite, diveros novos materiais, equipamentos de combate a incêndio, detectores de fumaça, aspirador de pó portátil, óculos contra raios UV, e muitos outros.
Abaixo, relacionamos e sucintamente descrevemos alguns dos spin-offs nacionais mencionados na reportagem:
Combustível de foguete para calçados: o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/CTA) desenvolveu uma nova resina para combustível de foguetes, a PBHL (Polibutadieno Líquido Hidroxilado), material esse incorporado por outros setores da indústria nacional, como o de calçados. Nesse setor específico, a resina, fabricada pela Petroflex, é usada para garantir maior resistência às espumas e maior suporte de peso às palmilhas.
Aço de ultra-alta resistência: ao longo do programa de desenvolvimento de foguetes e lançadores brasileiros, o IAE, em parceria com as siderúrgicas Eletrometal, Usiminas e Acesita desenvolveram um novo aço leve de ultra-alta resistência, chamado 300M. O aço especial é hoje usado por várias indústrias aeronáuticas, inclusive a norte-americana Boeing, que o utiliza na fabricação de trens de pouso de aeronaves comerciais.
Fibras de carbono: aproveitando sobras de fibras de carbono usadas para a construção de componentes de satélites, a CENIC, indústria com sede em São José dos Campos (SP), desenvolveu um equipamento (anel ilizarov) usado na cura de fraturas expostas.
Detectores plásticos: o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), adaptou um detector plástico, usados para, entre outras coisas, verificar níveis de radiação, para o telescópio espacial Masco, de estudos de astrofísica. Mais tarde, o IPEN descobriu que o mesmo equipamento, com algumas adaptações, era útil para a identificação de níveis de desnutrição em seres humanos.
Minitubos de calor: talvez o pãozinho de seu café-da-manhã tenha alguma relação com o Programa Espacial Brasileiro. Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) adaptaram um equipamento (uma espécie de mini "cooler") usado para a refrigeração de circuitos de satélites, para uso em fornos de padaria, possibilitando que os pães sejam assados de forma homogênea e com menor custo.
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