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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Cooperação Brasil - China: mestrado na área espacial

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Brasileiros são selecionados para mestrado na área espacial na China

Brasília, 9 de setembro de 2015 – Três engenheiros brasileiros formados pela Universidade de Brasília (UnB) embarcam hoje (9) para a China. Eles foram selecionados, pelo Master Program on Space Technology Applications Global Navigation Satéllite Systems (GNSS), para fazer mestrado na área espacial na Beijing University of Aeronautics and Astronautics (BUAA).

Felipe Iglesias, formado em engenharia eletrônica, foi selecionado para o mestrado em Sensoriamento Remoto e Sistema de Geo-Informação (RS&GIS) e Pedro Henrique Nogueira e Renan Felipe Nogueira, graduados em engenharia de energia, estudarão Tecnologia de Micro-Satélites. O mestrado tem duração de um ano e nove meses e as aulas começam no próximo dia 17.

Para Iglesias, o mestrado é uma ótima oportunidade de crescimento pessoal e profissional. “Além de aprender outra língua e vivenciar nova cultura, pretendo ampliar meus horizontes com essa experiência, pois quando voltar pretendo trabalhar e contribuir com o desenvolvimento do setor espacial no Brasil”, afirma.

Além do estudo na universidade chinesa, os engenheiros têm direito ao custeio da estadia, auxílio saúde e financeiro durante toda a temporada de estudos.

O processo de seleção dos 14 candidatos inscritos ocorreu em duas etapas. O primeiro passo foi a inscrição, feita no site no programa, disponível até o último mês de março. A segunda etapa constou de uma entrevista, via internet, realizada por professores da Beijing University.

Fonte: AEB
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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Testes do CBERS 4A

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Concluído com sucesso o primeiro teste de interface entre subsistemas do satélite sino-brasileiro

Quinta-feira, 03 de Setembro de 2015

O primeiro teste de interface entre subsistemas da carga útil do satélite sino-brasileiro CBERS-4A, que levará a bordo três câmeras, foi realizado na China pelos especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST).

Nos laboratórios da CAST, de 24 a 27 de agosto, foram bem-sucedidos os testes de interface entre os simuladores das câmeras WPM (Câmera Multiespectral e Pancromática de Ampla Varredura), MUX (câmera multiespectral) e WFI (Câmera Imageadora de Campo Largo) e o Subsistema Transmissor de Dados (DTS) do satélite sino-brasileiro CBERS-4A.

O Subsistema Transmissor de Dados (DTS) tem a função de receber, gerenciar e transmitir em tempo real os dados de imagens das três câmeras. Estes dados também podem ser gravados pelo Subsistema DDR (Gravador de Dados Digitais) e transmitidos para a estação terrena.

“É muito importante a validação das interfaces entre os subsistemas, pois os dados de imagem são transmitidos para as estações terrenas em alta taxa (900 Mbps), com tecnologia de compressão e codificação, sendo necessário verificar a compatibilidade entre as câmeras e o transmissor de dados”, informa o engenheiro Carlos Alberto Bento Gonçalves, arquiteto de comunicações do Programa CBERS no INPE.

Câmeras

A câmera chinesa WPM é a nova carga útil desenvolvida para o CBERS-4A e pode obter imagens com resolução espacial de 2m na banda pancromática e de 8m nas bandas multiespectrais, com largura de faixa imageadora de 90 km.

A câmera MUX, fabricada no Brasil pela Optoeletrônica, opera em quatro bandas multiespectrais e tem capacidade de prover imagens com resolução espacial de 16m, com largura de faixa imageadora de 95 km.

A câmera WFI, fabricada pela indústria brasileira Equatorial, tem resolução espacial de 55m, com largura de faixa imageadora de 684 km.

Fonte: INPE
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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Reunião técnica do CBERS 4A

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INPE e CAST realizam reunião técnica do CBERS-4A

Quarta-feira, 26 de Agosto de 2015

Na China, de 17 a 25 de agosto, aconteceu a segunda reunião de coordenação técnica (TCM2) do satélite sino-brasileiro CBERS-4A. Trinta especialistas – 12 do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e 18 da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST, na sigla em inglês), divididos em grupos de trabalhos específicos, discutiram diferentes tópicos relacionados ao projeto do satélite, o sexto do Programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres). A primeira reunião (TCM1) foi realizada em abril, no INPE.

“O CBERS-4A contará com três cargas úteis ópticas, sendo uma delas de alta resolução (2 metros)”, informa Antonio Carlos de Oliveira Pereira Junior, coordenador do segmento espacial do Programa CBERS no INPE. “As reuniões técnicas visam concluir a fase de projeto detalhado, para realizarmos a Revisão Crítica de Projeto (CDR), nível de sistema, ainda em novembro de 2015”.

Concluídas todas as fases de desenvolvimento, as atividades de montagem, integração e testes (AIT) do CBERS-4A serão realizadas nos laboratórios do INPE, em São José dos Campos (SP), a partir do início de 2017. O lançamento do satélite está previsto para setembro de 2018.

Programa CBERS

O Programa CBERS fornece imagens de satélites para monitorar o meio ambiente, verificar desmatamentos, desastres naturais, a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações. O CBERS também é importante indutor da inovação no parque industrial brasileiro, que se qualifica e moderniza para atender aos desafios do programa espacial. A política industrial adotada pelo INPE permite a qualificação de fornecedores e contratação de serviços, partes, equipamentos e subsistemas junto a empresas nacionais. Assim, além de exemplo de cooperação binacional em alta tecnologia, o CBERS se traduz na criação de empregos especializados e crescimento econômico.

Em dezembro de 2014 foi lançado o CBERS-4. Um ano antes, o CBERS-3 não atingiu a órbita de destino por uma falha no foguete chinês. O programa também lançou com sucesso o CBERS-1, em 1999, o CBERS-2, em 2003, e o CBERS-2B, em 2007. O próximo satélite será o CBERS-4A.

Mais informações: http://www.cbers.inpe.br/

Fonte: INPE
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quinta-feira, 16 de julho de 2015

CBERS 4 declarado operacional

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O satélite sino-brasileiro CBERS 4, lançado ao espaço em dezembro do ano passado, tornou-se oficialmente operacional em 14 de julho, segundo divulgou o governo chinês, após ser submetido a diversos testes em órbita.

Ao longo deste período, foram geradas por seus quatro sensores óticos mais de 200 mil imagens, muitas delas distribuídas não apenas para o Brasil e a China, mas também para outros países em desenvolvimento. "Nós demos acesso às imagens obtidas pelo CBERS 4 para mais de 10 países em dezenvolvimento, especialmente da África, apoiando suas atividades de exploração de recursos terrestres, proteção de florestas, projetos de hidrelétricas e prevenção de desastres", disse Tian Yulong, engenheiro chefe da Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria para Defesa Nacional.

"Cientistas dos dois países trabalharam juntos para desenvolver o satélite, e nós compartilhamos as tecnologias e os dados. Nós também planejamos trabalhar com o Brasil para desenvolver novas missões de meteorologia, comunicações e radar em nosso acordo de colaboração espacial", afirmou.
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domingo, 12 de julho de 2015

"BRICS quer paz e cooperação no espaço", artigo de José Monserrat Filho

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BRICS quer paz e cooperação no espaço

José Monserrat Filho *

"A coexistência pacífica entre as nações é impossível sem a aplicação universal, escrupulosa e coerente dos princípios e normas amplamente reconhecidos do Direito Internacional.”  Declaração de Ufá, Ponto 6, 7ª Cúpula do BRICS, 09/07/2015

A ameaça de guerra no espaço e a oportunidade e a necessidade da cooperação espacial entre os países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) mereceram atenção especial na Declaração de Ufá1 (Ponto 32), principal produto da 7ª Cúpula do foro, reunida em 9 de julho, na cidade russa de Ufá – fundada em 1574 e distante 1567 km de Moscou.

A Declaração, com cerca de 50 páginas, apresenta os resultados da parceria em suas inúmeras áreas de colaboração (no período de 2014-2015) e, sobretudo, as posições assumidas pelo BRICS com relação às cruciais questões globais da atualidade.

Realizada sob o tema “Parceria BRICS – Um Fator Pujante de Desenvolvimento Global”, a 7ª Cúpula do BRICS decidiu “aprimorar ainda mais nossa parceria estratégica com base nos princípios de abertura, solidariedade, igualdade, entendimento mútuo, inclusão e cooperação mutuamente benéfica”. O evento acordou em “intensificar os esforços coordenados para responder a desafios emergentes, garantir a paz e a segurança, promover o desenvolvimento de maneira sustentável, enfrentando os desafios da erradicação da pobreza, da desigualdade e do desemprego, em benefício de nossos povos e da comunidade internacional”.

Quanto às atividades espaciais, a Declaração vai direto ao âmago da crise atual no setor: a possibilidade de guerra no espaço, que vem sendo reiterada por altas patentes de grandes potências.

Diz ela: “Reafirmando que a exploração e o uso do espaço exterior devem ter finalidades pacíficas, enfatizamos que as negociações para a conclusão de um acordo ou acordos internacionais para evitar uma corrida armamentista no espaço exterior são uma tarefa prioritária da Conferência do Desarmamento e apoiamos os esforços para iniciar um trabalho substantivo, entre outros, baseado no projeto atualizado de tratado para a prevenção da instalação de armas no espaço exterior e da ameaça ou do uso da força contra objetos no espaço exterior, apresentado pela China e pela Federação da Rússia.”

Neste sentido, reitera-se “que o espaço exterior deve ser livre para exploração pacífica e para o uso de todos os Estados com base na igualdade, em conformidade com o Direito Internacional, e que a exploração e uso do espaço exterior devem ser realizados para o benefício e no interesse de todos os países, independentemente de seu grau de desenvolvimento científico ou econômico”, reafirmando as palavras do Art. 1º do Tratado do Espaço de 1967, que costuma ser definido pela comunidade internacional como “o código maior das atividades espaciais”.

Para o BRICS, “todos os Estados devem contribuir para promover a cooperação internacional sobre a exploração pacífica e o uso do espaço exterior levando em particular consideração as necessidades de países em desenvolvimento”, conforme consta da “Declaração sobre a Cooperação Internacional na Exploração e Uso do Espaço Exterior em Benefício e no Interesse de Todos os Estados, Levando em Espacial Consideração as Necessidades dos Países em Desenvolvimento”, aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 13 dezembro de 1996 (Resolução 51/122).

Na mesma linha, o BRICS “opõe-se “a medidas unilaterais que podem impedir a cooperação internacional, bem como atividades espaciais nacionais de países em desenvolvimento”. E esclarece: “Estamos firmemente convencidos de que a comunidade internacional deve empreender esforços consistentes para elevar os patamares básicos de segurança de atividades e operações espaciais e evitar conflitos.”

“Nossos países” – reconhece a declaração – “podem se beneficiar de oportunidades para cooperação espacial de modo a promover a aplicação de tecnologias relevantes para propósitos pacíficos”. E propõe intensificar “nossa cooperação em áreas de aplicação conjunta de tecnologias espaciais, navegação por satélite, incluindo GLONASS e Beidou (Compass), e ciências espaciais”.2

O documento conclui no tópico espacial: “Dessa forma, nossos países podem cooperar na elaboração de abordagens comuns para essa área. Deve ser atribuída prioridade a questões relacionadas à segurança de operações espaciais, no contexto mais amplo de garantir sustentabilidade em longo prazo de atividades no espaço exterior, bem como a meios e formas de conservar o espaço exterior para fins pacíficos, que estão na agenda do Comitê da ONU para os Usos Pacíficos do Espaço Exterior (UNCOPUOS)”.

Cabe destacar a importância atribuída pelo BRICS às Nações Unidas e ao Direito Internacional. O encontro enalteceu os 70 anos das Nações Unidas, que se comemoram este ano: “Reafirmamos nosso forte compromisso com as Nações Unidas, organização universal multilateral incumbida do mandato de ajudar a comunidade internacional a preservar a paz e a segurança internacionais, impulsionar o desenvolvimento global e promover e proteger os direitos humanos.”

É intenção do BRICS “contribuir para salvaguardar uma ordem internacional justa e equitativa, baseada nos objetivos e princípios da Carta das Nações Unidas, e de valer-nos plenamente do potencial da Organização como fórum para um debate aberto e honesto, bem como para coordenação da política global a fim de prevenir guerras e conflitos e promover o progresso e o desenvolvimento da humanidade”.

Recordando o documento final da Cúpula Mundial de 2005, a Declaração reafirma ”a necessidade de reforma abrangente das Nações Unidas, inclusive de seu Conselho de Segurança, com vistas a torná-lo mais representativo e eficiente, de modo que possa responder melhor aos desafios globais”. E frisa: “China e Rússia reiteram a importância que atribuem ao status e papel de Brasil, Índia e África do Sul em assuntos internacionais e apoiam sua aspiração de desempenhar um papel maior nas Nações Unidas.”

A Declaração considera que “a coexistência pacífica entre as nações é impossível sem a aplicação universal, escrupulosa e coerente dos princípios e normas amplamente reconhecidos do Direito Internacional”, pois “a violação de seus princípios fundamentais resulta na criação de situações que ameaçam a paz e a segurança internacionais”.

O BRICS insiste que, “o Direito Internacional provê ferramentas para a realização da justiça internacional, com base nos princípios da boa fé e da igualdade soberana. E enfatiza “a necessidade da adesão universal aos princípios e normas de Direito Internacional em sua inter-relação e integridade, descartando o recurso a 'critérios duplos' e evitando que os interesses de alguns países sejam colocados acima dos de outros”.

“Reafirmamos” – diz a Declaração – “nosso compromisso com o cumprimento rigoroso dos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas e na Declaração de 1970 sobre Princípios de Direito Internacional relativos às Relações de Amizade e Cooperação entre os Estados em conformidade com a Carta das Nações Unidas.” Essa Declaração desempenhou importante papel nos anos da Guerra Fria (1947-1988).

O BRICS nota “o caráter global das ameaças e desafios atuais de segurança” e expressa “apoio aos esforços internacionais para enfrentar esses desafios de  maneira que proporcione segurança equitativa e indivisível para todos os Estados, por meio do respeito ao Direito Internacional e dos princípios da Carta das Nações Unidas”.

Os países do foro se comprometem a continuar os “esforços conjuntos na coordenação de posições sobre interesses compartilhados a respeito de questões de paz e de segurança globais para o bem-estar comum da humanidade”. E ressaltam o “compromisso com a solução pacífica e sustentável de controvérsias, de acordo com os princípios e objetivos da Carta das Nações Unidas”.

Eles condenam as “intervenções militares unilaterais e sanções econômicas em violação ao Direito Internacional e a normas universalmente reconhecidas das relações internacionais”. E enfatizam que “nenhum Estado deve fortalecer a sua segurança às custas da segurança de outros”.

“Desenvolvimento e segurança” – recorda o BRICS – “estão estreitamente interligados, reforçam-se mutuamente e são fundamentais à consecução da paz sustentável”.

Para o foro, “o estabelecimento de uma paz sustentável requer abordagem abrangente, concertada e determinada, baseada na confiança e no benefício mútuos, na equidade e na cooperação”.

A notória preocupação do BRICS com as Nações Unidas, as organizações multilaterais e o Direito Internacional intensifica-se em vista das iniciativas políticas e militares típicas da Guerra Fria e da corrida armamentista, cada vez mais frequentes e perigosas à estabilidade global e ao esforço conjunto indispensável à superação das múltiplas crises nas quais o mundo está imerso.

* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Esse artigo expressa exclusivamente a opinião do autor.

Referências

1) Nota 280 do Ministério das Relações Exteriores; veja no site www.itamaraty.gov.br.
2) GLONASS e Beidou são, respectivamente, os sistemas de navegação por satélite, semelhantes ao GPS norte-americano e ao Galileo europeu. Os sistemas russo e chinês concluíram recentemente um acordo para coopeeração e funcionamento conjunto.
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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Cooperação Brasil - China

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Em 26 de junho, aconteceu em Brasília (DF) a Quarta Reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), com a participação do Vice-Presidente da República, Michel Temer, e, do lado chinês, do Vice-Primeiro-Ministro do Conselho de Estado, Wang Yang.

A cooperação espacial entre os dois países foi um dos vários temas discutidos. Abaixo, reproduzimos um trecho da ata da reunião divulgada pelo Itamaraty:

"xi. Sobre Cooperação Espacial

Brasil e China consideraram que o Plano Decenal de Cooperação Espacial entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Administração Nacional Espacial da China (CNSA) tem importância estratégica para ambos os países e exerce a função de guia fundamental para a colaboração espacial entre eles.

Os dois países acordaram em:

1) promover ativamente a execução do Plano Decenal de Cooperação Espacial, com o fito de melhorar e acelerar ainda mais a cooperação entre o Brasil e a China;

2) promover com vigor a distribuição internacional de dados do satélite CBERS-4, em especial os instrumentos de apoio à distribuição gratuita na África, dentro de uma estrutura adequada de organização, com o fim de expandir a presença mundial desses dados;

3) desenvolver em conjunto o Satélite CBERS-4A, que será lançado em 2018;

4) apoiar fortemente a avaliação dos futuros Satélites CBERS, para dar continuidade ao legado do CBERS;

5) obter vantagens do Centro Regional da Ásia e do Pacífico para Educação em Ciência e Tecnologia Espaciais (filiado às Nações Unidas), sediado na China, e do programa federal brasileiro "Ciência sem Fronteiras", para promover cada vez mais a cooperação entre ambos os países na educação e preparação de especialistas no setor espacial; e

6) apoiar fortemente as atividades que envolvam o Laboratório Conjunto Brasil-China para o Clima Espacial e o Centro Brasil-China de Satélites Meteorológicos."
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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Alcântara:cooperação com EUA ou Rússia?

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Rússia e EUA competem por parceria espacial com Brasil

Da REUTERS

Brasília/São Paulo - Os Estados Unidos e a Rússia estão disputando um papel estratégico no plano brasileiro de lançar satélites comerciais de sua base de Alcântara, no Maranhão, abrindo uma nova frente de rivalidade entre os dois países na busca de aliados e influência.

O governo espera escolher nos próximos meses um parceiro para ajudar a fornecer tecnologia, disseram à Reuters três fontes com conhecimento das negociações.

Ao longo da última década, o Brasil estabeleceu uma parceria com a Ucrânia para desenvolver um veículo de lançamento em Alcântara, mas encerrou o programa em fevereiro, dizendo que os problemas financeiros da Ucrânia a impossibilitam de fornecer foguetes, tal como prometido.

A presidente Dilma Rousseff irá selecionar um novo parceiro baseada em uma variedade de fatores, incluindo as relações diplomáticas do Brasil e a qualidade da tecnologia em oferta, disseram fontes a par do tema.

Uma parceria para satélites não estará na agenda quando Dilma visitar a Casa Branca em 30 de junho, informaram autoridades dos dois países.

Mas o teor da visita, que marca a reaproximação entre Brasil e EUA dois anos após uma crise nas relações decorrente dos programas de espionagem da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) norte-americana, pode influenciar a decisão brasileira, disse uma fonte.

“Se tudo correr bem, os norte-americanos estarão bem posicionados para conquistá-lo”, declarou a fonte, uma ex-autoridade brasileira que participou de reuniões sobre a questão dos satélites.

A localização de Alcântara é especialmente atraente para parceiros em potencial. Satélites que orbitam o Equador não têm que viajar muito para se posicionarem, o que reduz o gasto com combustível em até um quinto em comparação com outras localidades.

A empresa europeia de transporte espacial Arianespace, que detém metade do mercado mundial de lançamento de satélites em órbita geoestacionária, usa uma plataforma de lançamento em Kourou, na vizinha Guiana Francesa.

Não está claro exatamente que forma a próxima parceria do Brasil irá tomar. Pelo acordo anterior, a Ucrânia entrava com a tecnologia para construir os foguetes Cyclone-4 conjuntamente com o Brasil, que era responsável por fornecer as instalações de lançamento.

Frustradas com décadas de atrasos e contratempos, as autoridades brasileiras disseram que podem repensar totalmente os termos de sua próxima parceria.

“Nós tínhamos feito a opção da Ucrânia. Esse programa se mostrou inconsistente”, declarou o ministro da Defesa, Jaques Wagner, à Reuters. Ele disse que o Brasil conversaria “com qualquer país”, incluindo os Estados Unidos, para levar um satélite brasileiro ao espaço.

SALVAGUARDAS

O histórico traumático de Alcântara inclui um acidente em 2003, quando uma explosão e um incêndio destruíram um foguete de fabricação nacional e mataram 21 pessoas. O desastre pôs fim aos planos do Brasil de construir seus próprios foguetes e o levou a procurar a Ucrânia.

Uma série de países trabalhou com o Brasil em questões espaciais. Nas duas últimas décadas, a China empregou seus foguetes e sua plataforma de lançamento para conduzir aos céus cinco pequenos satélites que o Brasil usa para monitorar a agricultura, o meio ambiente e a Floresta Amazônica.

Em 2014, na esteira do escândalo de espionagem da NSA, desencadeado pelos documentos vazados pelo ex-prestador de serviços Edward Snowden, o Brasil escolheu a empresa aeroespacial francesa Thales ao invés de uma rival norte-americana para construir um satélite geoestacionário que será lançado pela Arianespace da Guiana Francesa em 2016.

O Brasil ainda precisa de um parceiro de peso para alcançar seu objetivo de lançar um satélite de Alcântara. A tecnologia para o satélite e o foguete que espera obter nessa parceria daria ímpeto à sua indústria aeroespacial.

Se o Brasil escolher os EUA, a Boeing será beneficiada, já que, além de aeronaves, fabrica foguetes e satélites e tem laços com a principal empresa aeroespacial brasileira, a Embraer, terceira maior fabricante mundial de aviões comerciais.

O diretor da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, declarou à Reuters que a Rússia está interessada em cooperar com o Brasil e que está “na vanguarda” da tecnologia espacial.

Ele afirmou que os EUA, maior fonte mundial de peças de satélite, também são uma possibilidade, embora tenha reconhecido haver “dificuldades especiais que precisamos superar”.

Uma delas é fato recente. Em 2000, Washington assinou um contrato com o Brasil que teria permitido o lançamento de satélites norte-americanos com foguetes norte-americanos de Alcântara.

Mas o acordo era polêmico por causa da exigência dos EUA de controlar o acesso a partes da base. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o descartou pouco depois de assumir seu primeiro mandato em 2003.

Washington já não faz tal exigência, embora ainda queira que o Brasil assine um assim chamado acordo de salvaguarda tecnológica para garantir que qualquer tecnologia espacial compartilhada com os brasileiros não vá parar em outros países.

Muitos membros do Congresso estão receosos de aprovar o acordo, e militares temem que a colaboração do Brasil com a China o impeça de algum dia obter acesso à tecnologia de satélite norte-americana de ponta, dada a desconfiança que Washington tem de Pequim.

Em novembro passado, o governo dos EUA aliviou suas regras de exportação para equipamentos de defesa, transferindo muitos componentes espaciais classificados automaticamente como munições pelo Departamento de Estado para a esfera do Departamento de Comércio, mais flexível com as exportações.

Autoridades norte-americanas dizem que 70 por cento do que se precisa para construir um satélite agora pode ser comprado dos Estados Unidos.

“Eles têm intenção de flexibilizar. Agora que mudou toda a conjuntura, a gente percebe que eles estão mais abertos, buscando a aproximação, e querendo voltar a ocupar o espaço que perderam para outros países”, acrescentou o coronel reformado Armando Lemos, atual diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), grupo de lobby da indústria de defesa.

O administrador da agência espacial dos EUA (Nasa, na sigla em inglês), Charles Bolden, visitou o Brasil no início deste ano. Quando o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, esteve em Washington no mês passado, almoçou com o chefe interino da Nasa no Museu Espacial do Instituto Smithsonian.

Rebelo disse à Reuters que as negociações com os EUA sobre os satélites estão “em andamento”, mas não quis dar maiores detalhes.

Fonte: Reuters, via portal Exame.

Comentário do blog: embora apresente informações interessantes, a reportagem da Reuters faz uma confusão dos esforços para a exploração comercial de Alcântara (que não necessariamente envolvem desenvolvimento ou transferência tecnológica) e ações do governo brasileiro para o desenvolvimento de tecnologia de lançadores. Interessante também notar a omissão no texto sobre a possibilidade de colaboração com a Europa - a Alemanha já coopera com o Brasil no desenvolvimento do Veiculo Lançador de Microssatélites (VLM-1), e empresas europeias como a Airbus Defence and Space já demonstraram interesse em ampliar a cooperação em lançadores.
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terça-feira, 9 de junho de 2015

Workshop do CNPq sobre Cooperação Brasil - China

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Workshop debate cooperação científica entre Brasil e China

Brasília, 09 de junho de 2015 – Pesquisadores chineses e brasileiros se reúnem hoje (9) e amanhã (10), no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para estabelecer estratégias e linhas de ação, propostas e recomendações nas áreas aeroespacial, de energia, meio ambiente e saúde para a ampliação e fortalecimento da cooperação científica e tecnológica dos projetos entre Brasil e China.

O encontro é um workshop de prospecção visando à definição de linhas temáticas de futuros projetos conjuntos a serem atendidos pelo acordo de cooperação assinado em maio de 2014 entre a National Natural Science Foundation da China (NFSC) e o CNPq.

Os debates serão realizados em sessões temáticas coordenadas por um pesquisador brasileiro e um chinês, representando instituições de pesquisa de ambos os países.

A sessão Aeroespacial será coordenada pelos professores Sergio Frascino Muller de Andrade, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), e Cao Dengqing, do Instituto de Tecnologia de Harbin.

Na sessão Energia, estarão os professores João Pinho, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Energias Renováveis e Eficiência Energética da Amazônia (INCT-Ereea) e Li Jiangang, da Academia Chinesa de Ciências (CAS, na sigla em inglês).

Coordenam a mesa de Meio Ambiente os professores Cláudio Oller do INCT de Estudos do Meio Ambiente e Ma Keping, da CAS.

A quarta sessão, sobre Saúde, será coordenada por Edgar Carvalho, do INCT em Doenças Tropicais, e pelo professor Shen Adong, da Universidade de Ciências Médicas da China (Capital Medical University).

O CNPq em cooperação com a China desde 1984, quando firmou acordo com a CAS. Mantém ainda convênio com a Comissão Estatal de Ciência e Tecnologia da China (SSTC). No âmbito do programa Ciência sem Fronteiras (CsF), o parceiro do governo federal no país asiático é o China Scholarship Council (CSC).

Fonte: CNPq, via AEB.
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sexta-feira, 22 de maio de 2015

Cooperação Brasil - China: Programa de Integração da Amazônia Legal

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Odebrecht Defesa e Tecnologia assina memorando de entendimento para desenvolvimento do Programa de Integração da Amazônia Legal

A Odebrecht Defesa e Tecnologia assinou memorando de entendimento para cooperação privada com as empresas chinesas CEC – China Electronics Corporation e ICBC – Industrial and Commercial Bank of China Ltd para desenvolvimento do Programa de Integração da Amazônia Legal (PIAL).

Com investimento esperado de US$ 3 bilhões, o programa prevê a elaboração de projetos de proteção da Amazônia Legal. O objetivo do PIAL é contribuir com a integração da Amazônia Legal ao Estado Brasileiro com o emprego de novos sensores e novas tecnologias, além de modernizar e complementar o atual SIPAM, implantado em 1990 e que atende demandas militares e civis, com foco prioritário no controle do trafego aéreo.

A contribuição para a integração regional resultará na geração de melhores instrumentos para a condução de políticas públicas. Entre os destaques estão o incremento do monitoramento ambiental, que fortalecerá a vigilância exercida pelo IBAMA do Ministério do Meio Ambiente. O PIAL também apoiará no sensoriamento climático, que contribuirá para melhoria das previsões meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia – INMET e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE. Trará benefícios ao setor da saúde, pois aplicará tecnologias interativas eletrônicas para melhoria da estratégia e logística do sistema de saúde à população. Permitirá ainda medidas de apoio à educação, com implantação de sistemas de educação à distância do Ministério da Educação.

Por meio da parceria entre empresas privadas brasileiras e instituições chinesas, esse Programa, financiado e operado sob modelo privado, não gerará impactos na Balança Comercial Brasileira e não contemplará investimentos do Tesouro Nacional.

Entre as tecnologias que planeja-se oferecer estão Sistemas de Comando e Controle; Sistemas de Comunicações Regionais (rádio, satélite e fibra ótica); Sistemas de Observação da Terra (ótico e radar), com sensores embarcados em satélites e em UAVs; Sistemas de controle do espectro eletromagnético; Sistemas de Monitoramento Atmosférico; Sistemas de Monitoramento Ecológico (fauna e flora), Sistemas de Monitoramento de Poluição Ambiental; Sistemas de Monitoramento Hidrológico; Sistemas de Monitoramento de Água Fluvial; Sistemas de Monitoramento de Queimadas; Sistemas de educação à distância; Sistemas de Suporte para Telemedicina; dentre inúmeras outras tecnologias na fronteira do conhecimento.

A Amazônia Legal ocupa 59% do território brasileiro, no qual vivem cerca de 24 milhões de pessoas, segundo o Censo 2010, distribuídas em 775 municípios, nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão. Além de conter 20% do bioma cerrado, a região abriga todo o bioma Amazônia, o mais extenso dos biomas nacionais, que corresponde a 1/3 das florestas tropicais úmidas do planeta, detém a mais elevada biodiversidade, o maior banco genético e 1/5 da disponibilidade mundial de água potável.

Fonte: Odebrecht Defesa e Tecnologia.
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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Cooperação Brasil - China: CBERS 4A

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Brasil e China acertam desenvolver o satélite CBERS-4A

Brasília, 20 de maio de 2015 – O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, e o diretor da Administração Nacional Espacial da China (CNSA), Xu Dazhe, firmaram ontem (19) um protocolo de intenções para desenvolver e lançar o sexto Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers-4A).

A assinatura ocorreu quando da visita oficial do primeiro-ministro da China, Lĭ Kèqiáng, à presidenta Dilma Rousseff.

“Com o lançamento, em dezembro último, do satélite Cbers-4, a China e o Brasil consolidaram uma iniciativa emblemática no mundo em desenvolvimento, que contribui na fiscalização do desmatamento da Amazônia. Além disso, os serviços de imagens territoriais geradas pelo satélite contribuem muito para os países africanos”, disse a presidente, ao destacar os avanços da parceria bilateral nos campos da educação, da tecnologia e da inovação.

Preparado em conjunto pela Agência Espacial Brasileira AEB e CNSA o protocolo complementar estabelece as bases jurídicas para a construção conjunta do satélite Cbers-4A, a fim de garantir o fornecimento contínuo de imagens aos dois lados da cooperação e a outras nações. O sexto exemplar do programa Cbers deve ser lançado em 2018, na China.

A divisão das tarefas de desenvolvimento e do montante de investimentos repetem a proporção dos satélites Cbers-3 e 4, com 50% para cada lado. O novo acordo define que os trabalhos de montagem, integração e testes do Cbers-4A sejam realizados nos laboratórios do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).

O sistema de rastreamento, telemetria e controle do Cbers-4A será semelhante aos dos dois satélites anteriores. Lançado em dezembro de 2013, o Cbers-3 não atingiu a órbita de destino por uma falha no foguete. Já o Cbers-4 está no espaço desde dezembro de 2014. Estabelecido em 1988, o programa obteve sucesso com os exemplares Cbers-1, de 1999, Cbers-2, de 2003, e Cbers-2B, de 2007.

Para o Cbers-4A, o protocolo designou AEB e a CNSA como entidades responsáveis por sua implementação. Já o Inpe e a Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (Cast) seguem como executores do projeto.

O presidente da AEB, José Raimundo Coelho, lembrou que o programa Cbers é “considerado o primeiro acordo de cooperação em alta tecnologia firmado entre dois países em desenvolvimento”. O Inpe e a Cast haviam apresentado a proposta técnica do sexto satélite para AEB e CNSA em fevereiro último.

As imagens fornecidas pelos satélites contribuem para monitorar e verificar desmatamentos, desastres naturais e a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações. O Acordo-Quadro permite a distribuição global dos dados gerados, com objetivo de beneficiar outros países em desenvolvimento.

Em viagem pela América Latina, o primeiro-ministro destacou China e Brasil como os maiores países em desenvolvimento dos hemisférios Leste e Oeste do planeta. “A nossa amizade tem uma base sólida e a nossa cooperação tem uma perspectiva muito ampliada”, declarou Kèqiáng. “Essa colaboração tem potencial de trazer benefícios para os nossos povos e para todo o mundo.”

Segundo Dilma, o encontro reafirmou a característica estratégica e a intensidade das relações bilaterais. 

“Tivemos nesta manhã uma reunião muito produtiva, marcada pelo diálogo franco e pela disposição de avançar, fortalecer e efetivar cada vez mais a nossa parceria”, disse a presidente. “O Plano de Ação Conjunta 2015-2021, que assinei com o primeiro-ministro, inaugura uma etapa superior em nosso relacionamento e está expressa nos vários acordos.”

Parceria – Ao todo, brasileiros e chineses celebraram 39 acordos no Palácio do Planalto, em áreas como agricultura, comércio, defesa, energia, infraestrutura, inovação, mineração, planejamento estratégico e transporte. O acerto em torno do Cbers-4A é um protocolo complementar ao Acordo Quadro sobre Cooperação em Aplicações Pacíficas de Ciência e Tecnologia no Espaço Exterior.

O diretor do Observatório Nacional (ON), João dos Anjos, assinou um acordo de cooperação científica com o diretor do Observatório Astronômico de Xangai, Hong Xiaoyu. Dilma ainda ressaltou o memorando de entendimento firmado entre Xu Dazhe e o ministro da Defesa, Jacques Wagner, sobre sensoriamento remoto, telecomunicações e tecnologia da informação.

Ela agradeceu ao primeiro-ministro pela participação chinesa no programa Ciência sem Fronteiras (CsF), “que hoje acolhe centenas de estudantes e pesquisadores”. No ato, os presidentes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Carlos Nobre, e da Huawei do Brasil, Zhao Yuning, assinaram um memorando de entendimento a fim de oferecer treinamento em tecnologia da informação a bolsistas brasileiros.

A presidente realçou a frequência dos contatos de alto nível entre os dois governos, ao recordar a visita oficial do presidente da China, Xi Jinping, em julho de 2014. Na ocasião, Xu Dazhe e o presidente da AEB formalizaram parceria em sensoriamento remoto. Dilma informou que viajará ao país asiático em 2016.

Fonte: MCTI
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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Cooperação Brasil – China

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Por ocasião da visita oficial do presidente da República Popular da China, Xi Jinping, ao Brasil no início desta semana, os governos dos dois países discutiram e firmaram diversos acordos sobre 35 itens, inclusive nos setores aeroespacial e de defesa.



A declaração conjunta firmada pelos mandatários dos dois países cita o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), além de ações em meteorologia e clima espacial. Abaixo, reproduzimos alguns excertos da declaração:

“- Os dois Chefes de Governo assinalaram o êxito do Programa Sino-Brasileiro de Satélites de Recursos Terrestres (CBERS), estabelecido em 1988. Renovaram o compromisso de reforçar a cooperação espacial bilateral, com ênfase no desenvolvimento conjunto de novas tecnologias e reafirmaram o compromisso de lançar o sexto satélite da família CBERS - CBERS-4A, com previsão para 2018. Assinalaram seu apoio à implementação do Plano Decenal de Cooperação Espacial (2013-2022), às atividades do Centro Brasil-China para Aplicação de Dados de Satélites Meteorológicos e do Laboratório Sino-Brasileiro de Clima Espacial, bem como à continuidade do compartilhamento gratuito de imagens de satélites com países africanos, por meio do programa CBERS for Africa.

- As duas partes coincidiram sobre o papel estratégico da defesa em suas relações bilaterais. Destacaram a importância do fortalecimento do Diálogo sobre Defesa e Assuntos Militares, voltado para o intercâmbio de informações sobre questões estratégicas e a possível promoção de iniciativas conjuntas. Notaram com satisfação o interesse contínuo de ambos os lados de incrementar a cooperação nas áreas de tecnologia da informação, telecomunicações e sensoriamento remoto. Nesse contexto, congratularam-se, ainda, pela assinatura de Memorando de Entendimento entre o Ministério da Defesa do Brasil e a Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa da China.”

SIPAM

Um dos instrumentos assinados trata da cooperação envolvendo o Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), prevendo a constituição de um Grupo de Trabalho Gestor (GTG), co-presidido pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) e pela Administração Estatal de Ciência, Tecnologia e Indústria Nacional de Defesa (SASTIND).

De acordo com o governo, o acordo tem por objetivos básicos cooperar e compartilhar dados de satélites ambientais, meteorológicos e de observação da terra, além da troca de conhecimento e experiência nas áreas de tecnologia da informação, telecomunicação e sensoriamento remoto.

Ainda, segundo informações do Ministério da Defesa, o acordo inclui o "intercâmbio de dados e conhecimentos em meteorologia, climatologia, hidrometeorologia e mudanças climáticas; cooperação nas aplicações envolvendo o uso de telecomunicações ponto a ponto e via satélite; promoção da capacitação de recursos humanos nas áreas tecnológicas relacionadas; e a cooperação no mapeamento cartográfico e temático.”

Interesses no setor de defesa

Além da cooperação espacial e da formação do grupo de trabalho para o SIPAM, a China também tem outros interesses no mercado brasileiro de defesa. 

Em reunião em Brasília na última segunda-feira (18), o ministro chinês da Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa, Xu Dazhe, destacou ao ministro Jaques Wagner o interesse em expandir a cooperação para programas como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAz), da Marinha do Brasil. Para o SisGAAz, aliás, que está em fase de concorrência, empresas chinesas integram o consórcio liderado pela Orbital Engenharia, de São José dos Campos (SP). 

Na relação de instrumentos assinados por conta da visita oficial, consta também um memorando de entendimentos entre a Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), a China Electronics Corporation (CEC) e o Industrial and Commercial Bank of China (ICBC). O escopo do documento não foi divulgado. [Atualização em 21/05/2015: o memorando prevê uma iniciativa para o Programa de Integração da Amazônia Legal]

Espera-se uma visita de Jaques Wagner à China no próximo mês de setembro.
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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Cooperação Brasil - China: clima espacial

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Visita do Presidente da Academia Chinesa de Ciências ao Brasil reforça parceria na área de Clima Espacial

09.05.2015 12h35

SÃO PAULO, 9 de maio (Diário do Povo Online) - O presidente da Academia Chinesa de Ciências (CAS, na sigla em Inglês), Bai Chunli, visitou dia 06 de maio o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, no Estado de São Paulo. Acompanhado do diretor-geral do escritório de cooperação internacional da CAS, Tan Tieniu, ambos foram recebidos pelo diretor do INPE, Leonel Perondi, e por especialistas chineses e brasileiros nas dependências do programa de Estudo e Monitoramento Brasileiro do Clima Espacial (EMBRACE), que abriga, desde agosto de 2014, o Laboratório Sino-Brasileiro para Clima Espacial.

Na ocasião, os visitantes conheceram as instalações do referido laboratório e do centro de monitoramento do EMBRACE/INPE. Durante a visita, os dirigentes do INPE e da CAS conversaram também sobre o estado atual da cooperação em Clima Espacial entre as duas nações e delinearam propostas para aprofundar a parceria.

O Laboratório Sino-Brasileiro para Clima Espacial é responsável por coordenar conjuntamente atividades entre dois países na área de monitoramento, capacitação acadêmica e intercâmbio de especialistas. É também de sua competência a promoção, em todo hemisfério ocidental, do Programa Internacional do Círculo Meridiano para monitoramento do Clima Espacial, que busca criar uma estrutura integrada de observação ao longo dos meridianos 120º Leste e 60º Oeste.

Além de uma enorme extensão do território brasileiro ser atravessada pelo meridiano 60º Oeste, importantes fenômenos para a compreensão dos efeitos do clima espacial, como é o caso da anomalia magnética do Atlântico Sul e da formação de irregularidades ionosféricas, ocorrem de maneira peculiar nessa faixa territorial.

Atualmente, chineses e brasileiros estão trabalhando para estabelecer no Sul do Brasil uma infraestrutura necessária para operar diversos instrumentos científicos que farão parte dessa rede de monitoramento.

No encerramento da visita, Bai Chunli plantou no campus do INPE um Manacá da Serra (Tibouchina mutabilis), uma árvore nativa da mata atlântica brasileira.

(Editor: Renato Lu)

Fonte: Fonte: Diário do Povo Online.
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quinta-feira, 7 de maio de 2015

"Patrulha para policiar o espaço?", artigo de José Monserrat Filho

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Patrulha para policiar o espaço?

“Cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém.” Ditado popular português

José Monserrat Filho *

O Chefe do Comando Espacial da Força Aérea dos Estados Unidos (EUA), General John Hyten, declarou em programa de televisão que “a China, em breve, poderá aperfeiçoar tecnologias para atacar ou desmontar sistemas de satélites”, noticiou a agência UPI, em 27 de abril.

O militar acrescentou que “um ataque a satélites que garantem vantagens estratégicas às Forças Armadas americanas nos campos de batalha e no mar minaria a segurança dos EUA”.

Segundo a notícia, especialistas em segurança espacial – cuja origem não é dita – creem que a Rússia desenvolve tecnologias de armas satelitais similares às da China. Um dos motivos dessa crença seria o lançamento de satélites anônimos pela China e a Rússia nos últimos meses. Tais saté-lites poderiam se conectar com outros satélites para repará-los ou para destruí-los.

A informação da UPI diz ainda que a China e a Rússia expressam os mesmos temores com relação à capacidade espacial americana: “A maioria dos especialistas concordam que os EUA estão propensos a desenvolver satélites fortemente armados.”

Se essa notícia for verdadeira, estamos claramente numa corrida armamentista espacial, o que pode significar o surgimento de nova “Guerra Fria”. Ou seja, o clima não parece nada propício para se alcançar um consenso sobre segurança espacial, por exemplo.

Dois dias depois, em 29 de abril, a Rússia anunciou a criação de uma “patrulha espacial” com a missão de garantir a segurança nas órbitas utilizadas pelos países, inclusive a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), e assegurar a ordem legal no espaço – conforme nota de Alexander Mokletsov da agência russa Sputnik.

A patrulha espacial russa, segundo a nota, usará um foguete Soyuz ajustado para realizar vo-os de observação, para perseguir transgressores do Direito Espacial Internacional e até mesmo para coletar lixo espacial – afirmaram especialistas do Centro de Segurança e Desenvolvimento Espacial e Galáctico, da Rússia.

Ainda segundo a nota, “as unidades da patrulha espacial exercerão funções comuns aos ser-viços semelhantes que em breve aparecerão nos EUA, Canadá, China e outros países”. Adiciona-se que esse sistema “usará extensa rede de satélites e estações terrestres para rastrear quem viola as normas de Direito Internacional e, em particular, o código de tráfego espacial”.

Esse código, frise-se, ainda não existe e seu projeto acaba de ser aprovado como novo tema de debate na próxima reunião do Subcomitê Jurídico do Comitê das Nações Unidas para o Uso Pa-cífico do Espaço (COPUOS), em 2016. E certamente muitas Luas passarão antes que os países da Terra cheguem a um acordo para pôr em vigor um código de tráfego espacial1.

E também, ao contrário do que diz a nota, não há indicação alguma de que “as Nações Uni-das estejam considerando (o exame de) um acordo internacional sobre segurança e a ordem jurídica nas órbitas em torno da Terra”.

 A primeira pergunta a fazer é: Pode um país em particular – seja Rússia, EUA, Canadá, China ou qualquer outro – criar uma patrulha para policiar o espaço e perseguir os violadores das normas espaciais?

Não, não pode, pois o Tratado do Espaço2, de 1967 – a lei maior das atividades espaciais – determina em seu Artigo 3º que tais atividades “deverão efetuar-se em conformidade com o Direito Internacional, inclusive a Carta das Nações Unidas, com a finalidade de manter a paz e a segurança internacional e de favorecer a cooperação e a compreensão internacionais”. E a Carta das Nações Unidas atribui ao Conselho de Segurança da organização o dever de garantir essa finalidade, e não concede a nenhum país em particular o direito de zelar pela segurança dos demais países., nem de vigiar o cumprimento das leis espaciais.

A Carta adota o princípio e o sistema ampliado de segurança coletiva. O todo é que garante a segurança das partes, não é esta ou aquela parte que garante a segurança do todo. Ou seja, as Nações Unidas, atuando em nome de seus países membros, garantem a paz e a segurança global. O sistema nem sempre é respeitado e nem sempre funciona como deveria, mas é o que o mundo dispõe hoje legalmente estabelecido. Cedo ou tarde, a segurança coletiva poderá ser devidamente reconhecida e aplicada. Nada é mais lógico, compatível e apropriado à globalização em que hoje vivemos do que a ideia da segurança de todos assegurada por todos.

A iniciativa de um país criar uma patrulha espacial é, sem dúvida, controversa e polêmica, ainda que a Rússia não tenha se arrogado direitos exclusivos no caso e tenha reconhecido desde logo a possibilidade e, portanto, o direito de outros países seguirem o mesmo caminho.

Mesmo assim, o projeto gera muitos perigos. Ignora a necessidade urgente de segurança co-letiva e é insustentável, tanto política, como legalmente. O espaço exterior usado cada vez mais por países, organizações e empresas da Terra não ficará, necessariamente, mais seguro apenas por ser policiado por patrulhas espaciais de vários países, ao mesmo tempo. Quem garante que entre elas sempre reinarão relações de paz, confiança e lealdade? E se elas não se entenderem e entrarem em conflito para ampliar o espaço de atuação de cada uma?

Na melhor das hipóteses, a Rússia, ao criar a tal patrulha espacial, estaria querendo incentivar as demais potências a criarem uma patrulha global, sob a égide e o comando  das Nações Unidas. Esta, sim, seria uma ação construtiva e consequente, tanto quanto o projeto de “Tratado sobre a Prevenção de Instalar Armas no Espaço Exterior e a Ameaça ou Uso da Força Contra Objetos Espa-ciais”3, apresentado pela própria Rússia e pela China na Conferência de Desarmamento, em 2008.

Há uma nova guerra fria aquecendo-se em horizonte próximo. O mais conveniente e racional, nesta hora, é evitar pôr mais lenha nessa fogueira em potencial.

* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Esse artigo reflete apenas a opinião do autor.

Referências

1) Ver proposta no site
2) Ver texto completo no site da SBDA: www.sbda.org.br.
3) Ver texto completo em inglês no site: www.peaceinspace.com/the-treaty.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Cooperação Peru - China

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Os governos do Peru e da China firmaram em 21 de abril um acordo preliminar de cooperação espacial para fins pacíficos, "em beneficio do progresso social de seus povos e do desenvolvimento econômico dos dois países", segundo informações divulgadas pela agencia espacial peruana (CONIDA).

O acordo, que devera ser firmado de forma definitiva quando da visita do primeiro-ministro da China ao país andino, programada para este mês, foi assinado pela CONIDA e pela China National Space Administration (CNSA). Não foram divulgados mais detalhes sobre o escopo da cooperação.

Em abril do ano passado, o governo peruano selecionou uma proposta do grupo europeu Airbus Defence and Space para o seu primeiro satélite de observação terrestre. O projeto, estimado em cerca de 200 milhões de dólares, inclui um satélite ótico dotado de um sensor de alta resolução, assim como um segmento terreno de controle, recepção e processamento de imagens. Seu lançamento está previsto para meados de 2016.

A China, por sua vez, tem destacada presença no mercado espacial latino-americano, já tendo sido contratada para fornecer satélites de comunicações para a Venezuela, a Bolívia e a Nicarágua, e de observação terrestre para a Venezuela. É parceira do Brasil no programa CBERS desde a década de oitenta, e ainda desenvolve outras iniciativas de cooperação com países da região.
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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Brasil e China concluem proposta do CBERS-4A

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Brasil e China concluem proposta do CBERS-4A

Quarta-feira, 22 de Abril de 2015 

A proposta técnica do satélite CBERS-4A, para lançamento em 2018, foi apresentada a dirigentes da Administração Nacional do Espaço da China (CNSA) e da Agência Espacial Brasileira (AEB) nesta segunda-feira (20/4) durante reunião no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP).

No Brasil, o desenvolvimento do programa CBERS cabe ao INPE. “Finalizamos os estudos do satélite em conjunto com a CAST (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, responsável pelo programa na China) e iniciaremos as discussões do projeto detalhado. Após a análise dos governos de ambos os países, será apresentado um protocolo complementar para incluir a missão CBERS-4A no acordo bilateral entre Brasil e China”, informa Leonel Perondi, diretor do INPE.

O programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite) fornece imagens de satélites para monitorar o meio ambiente, verificar desmatamentos, desastres naturais, a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações.

O acordo entre Brasil e China permite a distribuição global dos dados CBERS, com o objetivo de proporcionar a países em desenvolvimento os benefícios do uso de imagens de satélites. “Queremos o CBERS para o mundo. Este é o sentido desta parceria”, disse José Raimundo Braga Coelho, presidente da AEB.

Wu Yanhua, vice-administrador da CNSA, destacou o CBERS como um exemplo bem-sucedido de cooperação Sul-Sul em matéria de alta tecnologia. “O programa é muito importante para a parceria estratégica entre o Brasil e a China”, afirmou o dirigente chinês.

O CBERS-4, lançado com sucesso em dezembro de 2014, tem vida útil estimada em três anos. O novo satélite deve garantir a continuidade do fornecimento de imagens aos usuários dos dados CBERS, cada vez mais numerosos.

Segundo Perondi, o INPE e a CAST também devem apresentar no final do ano o projeto técnico para uma nova família de satélites de observação da Terra (CBERS-5 e 6, mais avançados do que os anteriores), visando a continuidade do programa.

CBERS-4A

O CBERS-4A será equipado com cargas úteis fornecidas pelo Brasil e pela China - a divisão de responsabilidade no desenvolvimento do satélite será de 50% para cada país. De acordo com a proposta, o Brasil deve fornecer as câmeras MUX e WFI – que já equiparam os CBERS-3 e 4 - e o Sistema de Coleta de Dados. A China deve incluir uma câmera de alta resolução (HRC).

O INPE realiza o programa CBERS em parceria com empresas brasileiras, conforme sua política voltada à capacitação da indústria nacional. Construída pela Opto Eletrônica, a MUX é a primeira câmera para satélite inteiramente desenvolvida e produzida no Brasil. Trata-se de uma câmera multiespectral com quatro bandas para cobrir a faixa de comprimento de onda do azul para o infravermelho próximo (a partir de 450 nm a 890 nm) com uma resolução de 20 m no solo e uma largura de faixa terreno de 120 km.

A WFI é uma versão avançada do instrumento desenvolvido para os CBERS-1 e 2, com quatro bandas espectrais e resolução no solo de 64 m no nadir e uma faixa de 866 km. A câmera fornece uma resolução espacial melhorada em comparação com os sensores a bordo do CBERS-1 e CBERS-2 (260 m em missões anteriores), mantendo, no entanto, sua alta resolução temporal de 5 dias. A WFI foi construída através de um consórcio formado pela Opto Eletrônica e Equatorial Sistemas.

Mais informações: www.cbers.inpe.br

Fonte: INPE
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LAAD 2015: ACS, Programa Espacial, EUA

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A edição desta semana da publicação especializada Space News traz duas interessantes reportagens sobre o Programa Espacial Brasileiro. De autoria do experiente Peter Selding, os textos foram preparados com base em entrevistas e informações coletadas durante a LAAD Defence & Security, feira realizada no Rio de Janeiro (RJ) durante a semana passada.

Um dos textos (“Brazil Pulling Out of Ukrainian Launcher Project”) trata da atual situação da binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), aproveitando-se de informações que já haviam sido divulgadas em reportagens da imprensa brasileira nas últimas semanas. A novidade foi a citação de declarações dadas por Petrônio Noronha de Souza, diretor da Agência Espacial Brasileira (AEB) - a primeira vez que uma autoridade se pronuncia oficialmente a respeito (curiosamente, para um veículo estrangeiro e não brasileiro, apesar de diversas tentativas por parte da imprensa brasileira). “É um acúmulo de coisas” (uma tradução rápida de “It is an accumulation of issues”), afirmou Noronha, destacando problemas com orçamento, aspectos tecnológicos, relacionamento entre o Brasil e a Ucrânia e o mercado disponível para exportação.

Nos bastidores, comenta-se sobre a disposição do lado ucraniano em pleitear uma indenização em razão do cancelamento do projeto nacional; a cifra ouvida pelo blog gira em torno de R$800 milhões.

A outra reportagem, intitulada “Brazil Bypassing the U.S. as It Builds out a Space Sector”, aborda o suposto direcionamento dado pelo governo brasileiro a parcerias com determinados países, como China (CBERS), Alemanha (VSB-30, VLM), Argentina (SABIA-MAR) e Franca (SGDC), ignorando os EUA. Apesar de interessante, a análise do autor é um pouco superficial, ignorando alguns itens importantes.

Muito embora não haja um grande projeto espacial conjunto entre o Brasil e os EUA, não se pode ignorar a dependência brasileira de meios norte-americanos para atividades críticas, como o monitoramento do desmatamento da Amazônia (Landsat) e previsões meteorológicas (satélites GOES). Os EUA ainda exercem papel importante na formação de recursos humanos para o Programa Espacial Brasileiro, e em pesquisas envolvendo aplicações de dados espaciais. Ainda, cite-se o fato de que o SGDC não e um satélite ITAR-free (isto é, contém componentes, inclusive críticos, de origem norte-americana), tanto no segmento espacial como terrestre, e algumas iniciativas de menor porte - mas com importante significado, no campo de cubesats (inclusive envolvendo as forças armadas).

O último parágrafo da reportagem tem uma citação interessante e parcialmente verdadeira, creditada a um executivo (não identificado) de uma companhia europeia fabricante de satélites. “O modelo para o espaço [buscado pelo Brasil] é o modelo da Embraer”. Disto deveria surgir o seguinte questionamento: a Embraer chegou ao que é hoje “ignorando” os Estados Unidos?
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terça-feira, 24 de março de 2015

Venezuela e Bolívia: avanços em projetos locais

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Apesar da grave crise financeira e social que assola a vizinha Venezuela, seu programa espacial parece continuar avançando. No início deste mês, segundo informou seu Ministério da Ciência e Tecnologia, uma equipe do governo venezuelano viajou à China para participar da fase de revisão preliminar do projeto do segundo satélite de sensoriamento remoto do país, o VRSS-2, também conhecido como Sucre. Outra reunião entre as equipes dos dois países está programada para setembro.

O VRSS-2 contará com uma câmera de observação com resolução de 1 metro e faixa de 30 km, um imageador infravermelho, e capacidade de transmissão de dados de 16.000 bytes por segundo, quatro vezes superior a de seu antecessor, de acordo com o divulgado à época da assinatura do contrato, em outubro de 2014. Será baseado na plataforma CAST-2000, da China Great Wall Industry Corporation (CGWIC), com massa em torno de 1.000 kg, e vida útil estimada em 5 anos.

E na Bolívia...

Também este mês, a Agência Boliviana Espacial (ABE) divulgou ter finalizado o desenho de seu futuro satélite de observação, o Bartolini Sisa, que deverá ser contratado junto a fornecedor estrangeiro. A expectativa agora é da obtenção dos recursos financeiros necessários para a viabilização de sua contratação, possivelmente via um financiamento internacional, modelo similar ao adotado para o projeto do satélite de comunicações Tupac Katari, construído pela China e lançado ao espaço em dezembro de 2013.

Dentre os potenciais interessados no projeto boliviano, figuram empresas da China, Rússia, França, Espanha e Inglaterra.

terça-feira, 17 de março de 2015

Cooperação Brasil - China

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Instituto chinês apresenta câmera para satélite

Terça-feira, 17 de Março de 2015

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi, recebeu nesta segunda-feira (16/3) especialistas do BISME (Beijing Institute of Space Mechanical and Eletricity), instituto chinês que atua no desenvolvimento de equipamentos espaciais.

O BISME apresentou a câmera de alta resolução WPM, que pode ser embarcada na próxima missão conjunta Brasil-China, o satélite CBERS-4A. Foi também discutida a possibilidade de cooperação entre o INPE e o BISME.

Participaram de reuniões com o grupo do BISME, durante os dias 16 e 17, engenheiros e especialistas da Coordenação do Segmento Espacial do Programa CBERS e da equipe de Arquitetura do Programa CBERS.

Brasil e China realizam em parceria o Programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), que fornece dados para observação da Terra – as imagens dos satélites são usadas para monitorar desmatamentos e a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações.

Em dezembro de 2014 foi lançado o CBERS-4 e atualmente está sendo discutida uma nova missão, o CBERS-4A, equipado com cargas úteis (câmeras) fornecidas pelo Brasil e pela China - a divisão de responsabilidade no desenvolvimento do satélite é de 50% para cada país.

Mais informações sobre o Programa CBERS: www.cbers.inpe.br

Fonte: INPE
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Satélites de observação: Chile, Bolívia e Venezuela

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Nos últimos dias, saíram na imprensa regional algumas notícias dando conta de avanços em projetos de satélites de observação terrestre de países da América do Sul, no caso, do Chile, da Bolívia e da Venezuela.

No Chile...

No Chile, de acordo com reportagem do periódico “El Mercurio”, a forca aérea entregou recentemente ao Ministério da Defesa um informe técnico para a definição da aquisição de um novo satélite, que virá substituir o SSOT, colocado em órbita em dezembro de 2011 e com vida útil estimada em cinco anos.

A expectativa e que o processo de análise seja concluído ainda no primeiro semestre deste ano e depois seja iniciada uma concorrência internacional para a seleção de um novo modelo. O SSOT, também conhecido como FaSat Charlie [ilustração acima], foi construído pela europeia Astrium, hoje parte da Airbus Defence and Space.

Na Bolívia...

Por sua vez, na Bolívia, segundo informações reproduzidas por meios locais, o diretor da Agência Boliviana Espacial (ABE) afirmou na ultima semana que o projeto de construção e lançamento de seu primeiro satélite de observação conta com o apoio de especialistas da França. As especificações do satélite, que se chamara Bartolina Sisa, foram concluídas no ano passado.

"Tivemos também a sorte de receber a visita de alguns especialistas franceses, estamos trabalhando com eles para fazer uma revisão final de nosso projeto (...) que esta praticamente concluído", afirmou Iván Zambrana, presidente da ABE.

No rol de potenciais interessados em fornecer o sistema, estão empresas francesas, como a Airbus Defence and Space e a Thales Alenia Space.

... e na Venezuela

Apesar da grave crise financeira, agravada com a queda do preço do petróleo - praticamente o seu único produto de exportação, o governo venezuelano reafirmou recentemente a criação de uma fábrica de satélites científicos e de observação, com massa de ate 500 kg, em parceria com a China. A intenção de construir uma fábrica local não é nova e existe ao menos desde 2010.

A fábrica devera ser baseada inicialmente no Centro de Investigación y Desarrollo Espacial (CIDE), situado na cidade de Puerto Cabello, no estado de Carabobo, que deve ser inaugurado ate o final deste ano.

A Venezuela figura hoje como a principal cliente na América Latina da indústria espacial chinesa, que já forneceu um satélite de comunicações e outro de observação. Um terceiro artefato, também de observação, foi encomendado em julho de 2014.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

"Novo capítulo na parceria científica sino-brasileira", artigo de José Medeiros da Silva

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Novo capítulo na parceria científica sino-brasileira

Artigo de José Medeiros da Silva, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e Investigador convidado do Instituto Internacional de Macau, na China, destaca a importância do recém inaugurado Laboratório Sino-Brasileiro para Clima Espacial.

Por José Medeiros da Silva*, com a colaboração de Shi Ke

2014 foi um ano marcante para a amizade sino-brasileira não somente por se comemorar o 40º aniversário do estabelecimento oficial das relações diplomáticas entre os dois países, mas também por muitos acontecimentos significativos como a visita oficial ao Brasil do presidente Xi Jinping e a decisão histórica do Ministério da Justiça brasileiro de revogar a expulsão de nove cidadãos chineses que viajaram ao Brasil legalmente no início da década de 1960 e que foram condenados por subversão depois de 1964. Na área científica, merece destaque a inauguração do Laboratório Sino-Brasileiro para Clima Espacial, que ocorreu no dia 06 de agosto na sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em São José dos Campos, no Estado de São Paulo, que contou com a presença de pesquisadores brasileiros, além de representantes da Academia Chinesa de Ciências (CAS) e do Centro Nacional de Ciência Espacial (NSSC, respectivamente nas siglas em inglês).

A criação desse laboratório abre novos espaços para colaborações acadêmicas duradouras e para a formação de grupos de trabalho capazes de desenvolver ações que contribuam efetivamente para os interesses científicos dos dois países. Pelas instituições envolvidas, pela natureza dessa plataforma, por suas perspectivas de longo prazo e devido as potencialidades de intercâmbios criadas, o laboratório abre um novo capítulo nas relações entre Brasil e China.

O Laboratório Sino-Brasileiro para Clima Espacial será responsável também pela promoção, em todo hemisfério ocidental, do Programa Internacional do Círculo Meridiano para monitoramento do Clima Espacial (IMCP, na sigla em inglês). Equipada com avançados instrumentos de tecnologia de observação do geoespaço, a atual rede chinesa de monitoramento terrestre do clima espacial estende-se no entorno do meridiano 120°Leste e do paralelo 30°Norte. Para ampliar a capacidade de monitoramento do clima espacial a uma escala global, o NSSC vem estabelecendo acordos de cooperação com instituições de pesquisa espacial dos Estados Unidos, Austrália, Canadá, Rússia, Coreia do Sul, Japão e Brasil, buscando criar uma estrutura de observação integrada internacionalmente ao longo dos meridianos 120º Leste e 60º Oeste.

Para além da razão do meridiano 60º atravessar uma enorme extensão do território brasileiro, o INPE tem uma atuação destacada na pesquisa de fenômenos do ambiente solar-terrestre que remonta aos anos 1960 e também opera, desde 2007, um Programa de Estudo e Monitoramento Brasileiro do Clima Espacial (EMBRACE), dotado de uma rede própria de sensores em diversos pontos da América do Sul.

O interesse por essa parceria com o Brasil se deve também a fatores como a sua localização no globo terrestre, em posição oposta à da China, o que é particularmente conveniente para o estabelecimento de um ponto nodal à atual rede de monitoramento chinesa, além da presença da porção continental da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS) sobre a região meridional brasileira.

As instituições cooperantes também iniciaram ações para assegurar a infraestrutura necessária para a instalação de instrumentos científicos da rede internacional do IMCP em São Martinho da Serra, no Rio Grande do Sul, numa área cedida ao INPE dentro do campus da Universidade Federal de Santa Maria.

Com o advento dos voos orbitais tripulados e a expansão do papel dos satélites artificiais na presente sociedade tecnológica, a influência de eventos solares extremos no ambiente espacial pode ter um sério impacto sobre essas atividades, assim como sobre as vulnerabilidades de sistemas terrestres de telecomunicação e transmissão de energia. Essa parceria tende a abrir novas portas no desenvolvimento de aplicações e no avanço do conhecimento nesse campo.

Apesar de ainda tímidos, o Brasil e a China já deram importantes passos no estabelecimento de parcerias em áreas científicas estratégicas. O exemplo mais conhecido é o do CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), projeto pioneiro na cooperação entre países em desenvolvimento na área de tecnologia espacial, assinado em 1988, e que já lançou com êxito quatro satélites, sendo o mais recente em dezembro de 2014.

A proposta para criação do Laboratório Sino-Brasileiro para Clima Espacial é mais um exemplo de que determinadas iniciativas, seguidas pela soma de esforços, tendem a abrir novas perspectivas para o aperfeiçoamento das relações entre os dois países. Por exemplo, a concretização do referido laboratório, partiu inicialmente de uma proposição do NSSC visando o aprofundamento da cooperação com o INPE, motivada pelos termos expressos no memorando de entendimento assinado em 2010 pelas duas instituições. Com a assistência diligente do então chefe do setor de Ciência e Tecnologia da Embaixada do Brasil em Pequim, Marco Tulio Cabral, a proposta alcançou consenso entre os participantes da primeira reunião do grupo de trabalho para o Plano Decenal de Cooperação Espacial, sendo formalizada em novembro de 2013, por ocasião da III Reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), realizada em Cantão, China, e presidida conjuntamente pelo Vice-Presidente do Brasil, Michel Temer, e pelo Vice-Primeiro-Ministro do Conselho de Estado da China, Wang Yang.

Em 2015 as subcomissões espacial e de ciência, tecnologia e inovação da COSBAN devem se reunir mais uma vez para tratar dessas e outras cooperações. Esse será um importante momento para reforçar as parcerias existentes e se avançar em novos projetos.

*José Medeiros da Silva, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, investigador convidado do Instituto Internacional de Macau e há sete anos vive na China
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