Mostrando postagens com marcador DETER. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador DETER. Mostrar todas as postagens

sábado, 25 de julho de 2009

Programa Espacial e a Amazônia

.
Programa espacial brasileiro em benefício da Amazônia

Por Ana Paula Morales
24/07/2009

Em 2008, foram detectados aproximadamente doze mil kilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia e, de acordo com o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, o Brasil deverá reduzir em 30% as taxas de emissão de carbono por desmatamento nos próximos seis anos. Tanto as coletas desses dados quanto as estratégias de redução de desmatamento dependem do monitoramento da Amazônia via satélites. “Por mais que o Brasil tenha um sistema de monitoramento eficiente, ele não é bom para a necessidade que temos”, afirmou Gilberto Câmara Neto, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na conferência “Os benefícios do Programa Espacial Brasileiro para a Amazônia”, realizada na sexta-feira (17) na 61ª Reunião Anual da SBPC.

O sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal), utilizado no monitoramento, oferece imagens anuais e detecta somente o corte raso, ou seja, quando houve a retirada total da cobertura florestal de uma área. “O desafio agora é detectar aquilo que antecede a remoção total da floresta, que é o necessário para que se evite a destruição”, diz Câmara. Um segundo sistema de monitoramento desenvolvido pelo Inpe, chamado Deter (Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real), oferece imagens em tempo real, mas com menor resolução. “Está sendo muito útil observar como é que a coisa está evoluindo, sem ter que contar o que já aconteceu”, alega o pesquisador.“O desafio que a gente tem é ver o que está acontecendo na Amazônia com cada vez mais qualidade”, diz Câmara. O satélite usado até a pouco pelo Brasil tinha uma resolução de solo de 20m – ou seja, o ‘pixel’ do satélite corresponde a 20m2. Já o satélite lançado em 2007 em parceria com a China, o CEBRS-2B (China Brazil Earth Research Satellite), apresenta uma resolução bem superior, de 2,5m2. Segundo o pesquisador, o uso combinado dos dois tipos de imagens pode dar muito mais informações.

Planos

“Em 2012 o Brasil espera ter capacidade de obter imagens do planeta com 40 metros de resolução a cada dois dias”, afirma Câmara. Essas condições, que são bem superiores ao que se tem hoje com o sistema Deter, segundo o pesquisador, serão alcançadas com o lançamento do satélite Amazônia 1, previsto para 2011, que servirá para a observação da região. Estão também nos planos brasileiros os lançamentos de outros satélites já em construção: o Amazônia-2, e os CBERS-3 e 4, previstos para 2010 e 2013, respectivamente. Além destes, os CBERS-5 e 6 já estão em fase de negociação com os chineses. O satélite Lattes-1, que terá fins científicos, deverá ficar pronto até 2013.

Com o problema da resolução de imagem resolvido até 2012, faltará somente resolver o problema das nuvens, que impossibilitam a captura de imagens. Segundo Câmara, discute-se, para isso, a construção de um satélite SAR (Sintetic Adventure Radar), por meio do Fundo Amazônia, até 2015. Essa tecnologia, baseada nos radares de avião, oferece a vantagem de obter imagens em quaisquer condições climáticas, inclusive com tempo encoberto. O satélite manda pulsos e, através da respostas recebidas por uma antena, compõem a imagem.

Desmatamento

Os estados onde ocorre mais desmatamento, segundo Câmara, são Mato Grosso, Pará e Rondônia, enquanto o estado do Amazonas tem tido uma contribuição pequena. O Mato Grosso liderou por muito tempo os índices de desmatamento, mas foi superado pelo Pará, que em 2008 apresentou as maiores taxas. “Isso tem a ver com a expansão da consolidação agrícola no Mato Grosso, enquanto que no Pará, a maior parte do desmatamento está associada ao binômio madeira e pecuária”, comenta.

Segundo declarado na reunião da SBPC pelo ministro do meio ambiente, Sérgio Minc, o Brasil terá a menor taxa de desmatamento neste ano em relação aos anos anteriores. No entanto, Câmara revela que o Inpe ainda não pode confirmar essa estimativa, já que “o sistema Deter só conseguiu ver o Mato Grosso, que apresenta uma tendência de queda no desmatamento”. No entanto, ainda não existe informação sobre o Pará, que para Câmara é o estado mais crítico.

Planeta em foco

Os quarenta anos do pouso do homem na Lua, comemorados esta semana, significaram um grande marco para a ciência. No entanto, Câmara afirma que “vôos tripulados não são os aspectos mais importantes do trabalho científico no espaço”. O pesquisador alega que o trabalho relevante feito no espaço pode ser feito com satélites, de forma que o enorme esforço gasto para levar o homem até lá não compensa. “Por mais interessante que possa parecer, o vôo de astronauta não traz ciência. Nós temos um programa espacial cujo objetivo é observar o planeta”, afirma.

O Comitê de Satélites de Observação da Terra (CEOS), formado pelos Estados Unidos, China, Europa e países do Pacífico, do qual o Brasil faz parte, representado pelo Inpe, definiu alguns problemas científicos que precisam de satélites e que não podem ser atendidos por um único país. Dessa forma, dados obtidos por satélites independentes podem ser comparados com uma finalidade em comum. “Um satélite só não resolve o problema, mas vários satélites operando em conjunto, com a política de dados abertos, são mais úteis que esforços separados”, diz Câmara.

Nesse sentido, Câmara afirma que existem tentativas de fazer do CBERS um satélite realmente global. Para cobrir toda a área tropical, seriam utilizadas três estações na África e outras que ainda estão sendo negociadas no Japão, Quênia e Ásia. “A idéia é fazer do CBRES o satélite do sul para o sul”, conclui.

Fonte: revista eletrônica Com Ciência
.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Brasil terá estação de recepção de dados do Envisat

.

Em breve, o Brasil contará com uma estação de recepção de dados gerados pelos sensores ASAR (Advanced Synthetic Aperture Radar) e MERIS (Medium Resolution Imaging Spectrometer) do satélite Envisat, da Agência Espacial Europeia (ESA). A antena será instalada na unidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) localizada na cidade de Cachoeira Paulista, interior de São Paulo.

Esta será a primeira estação do INPE para recepção de imagens geradas por um sensor radar (ASAR), hoje uma das maiores carências do País em termos de sensoriamento remoto, particularmente nos programas DETER e PRODES de monitoramento de desmatamento na Amazônia.

No momento, estão sendo instalados os processadores da estação de recepção, e a previsão é que ainda no primeiro semestre a mesma já esteja operacional. A instalação da antena foi viabilizada por meio de convênio firmado entre o INPE, a Petrobras e a Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Já há alguns anos, imagens geradas pelo ASAR têm sido utilizadas no monitoramento ambiental da Bacia de Campos, na costa do Rio de Janeiro, para a identificação de derrames de óleo no mar, daí o interesse e a razão da Petrobras ter financiado a aquisição da antena. A foto que ilustra essa nota foi gerada pelo sensor ASAR e revela a dimensão do derramamento de petróleo ocorrida em 2002 na costa da Espanha.

De acordo com informações do INPE, as imagens geradas pelo Envisat possivelmente serão utilizadas para outras aplicações além do monitoramento ambiental da Bacia de Campos, embora ainda não tenha sido definida uma política de distribuição desses dados.

Envisat

Colocado em órbita por um lançador Ariane 5 em 2002, o satélite Envisat foi construído por um consórcio de empresas lideradas pela EADS Astrium, e é equipado com dez sensores (ASAR, MERIS, AATSR, RA-2, MWR, DORIS, LRR, MIPAS, GOMOS, SCIAMACHY). Sua concepção levou em consideração quatro grandes áreas para estudos em meio-ambiente: mudanças climáticas, monitoramento de desastres naturais, aquecimento global e estudos de poluição do planeta.
.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Amazônia, R-99B e satélites radares

.
Semana passada, foi colocado no web-site de T&D uma pequena reportagem que escrevi sobre o Projeto Cartografia da Amazônia (para lê-la, clique aqui), iniciativa coordenada pelo SIPAM com o objetivo de eliminar os chamados "vazios cartográficos" da região amazônica.

A matéria não trata diretamente de projetos espaciais, mas enquanto eu a preparava, num telefonema para a coleta de informações, um funcionário do SIPAM comentou comigo o bem-sucedido trabalho da Força Aérea Brasileira (FAB) na checagem de dados sobre o desmatamento em 36 municípios amazônicos. Estes municípios foram, segundo os dados gerados pelo sistema PRODES, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsáveis por mais de 50% do desmatamento da região em um dado período, o que causou no meio deste ano uma polêmica entre o INPE e o governo do Mato Grosso, que contestava tais dados.

Diante da polêmica, a FAB foi chamada a ajudar. Usou para tanto os aviões R-99B, fabricados pela Embraer e dotados de vários sensores, inclusive um radar de abertura sintética (SAR), que "penetra" as nuvens, produzido pela canadense MDA (fabricante dos satélites Radarsat). Os sobrevôos para a checagem das áreas exigiram vários dias e custaram ao todo mais de US$ 1 milhão. Um satélite radar faria este trabalho em menor tempo e por uma fração deste valor.

No melhor cenário, sem problemas técnicos, orçamentários (e de licitações!), o primeiro satélite brasileiro com sensor SAR, o MAPSAR, só estará em órbita em 2014. Até lá, o INPE e os outros órgãos responsáveis por observar o desmatamento amazônico deverão confiar em satélites estrangeiros (o PRODES e o DETER ainda não contam com imagens produzidas por radares orbitais) e, em escala mais limitada, nos aviões da FAB.
.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Desmatamento na Amazônia

.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apresentou hoje (19) um novo sistema de mapeamento de áreas degradadas na Amazônia, em complemento aos já conhecidos PRODES (Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite) e DETER (Detecção de Desmatamento em Tempo Real). O sistema é chamado de DEGRAD e foi desenvolvido para mapear anualmente, e em detalhe, as áreas em processo de desmatamento não computadas pelo PRODES. O DEGRAD identifica áreas de degradação na floresta amazônica com base em imagens produzidas pelos satélites Landsat (EUA) e CBERS (China/Brasil). Para mais informações, leiam a notícia "Novo sistema do INPE mapeia áreas degradadas na Amazônia", disponível no web-site do INPE.

Possível corte no orçamento

No mesmo dia em que é anunciado um novo sistema para o monitoramento da Amazônia, foi publicada no jornal O Globo uma reportagem preocupante, intitulada "Cortes no Orçamento de 2009 afetam combate ao desmatamento, dizem ministros". Segundo a matéria do jornal carioca, citando os ministros da Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente, cerca de R$ 1 bilhão e R$ 400 milhões das verbas de suas respectivas pastas foram cortadas do relatório-geral do Orçamento de 2009, em análise pelo Congresso Nacional.

"O ministro de Ciência e Tecnologia afirmou que os cortes vão prejudicar o desmatamento porque atingem a verba dos satélites que monitoram as áreas degradadas", informa a reportagem.
.

domingo, 3 de agosto de 2008

DETER, PRODES e o Desmatamento na Amazônia

Na semana passada, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou um relatório indicando uma redução de 20% no índice de desmatamento da Amazônia em junho, se comparado ao mês anterior. Uma ótima notícia.

Este mesmo relatório, no entanto, também apresenta algumas informações que, numa análise mais cuidadosa, merecem no mínimo certa reflexão.

Os dados sobre o desmatamento foram gerados, como é de praxe, pelo DETER, acrônimo de Detecção do Desmatamento em Tempo Real, sistema que se baseia em imagens geradas por satélites com sensores óticos, incapazes de “enxergar” por debaixo das nuvens. A conseqüência disso é que grande parte do território amazônico, a depender das nuvens, não é verificada (na imagem acima, as áreas destacadas em rosa correspondem ao território coberto por nuvens). Em junho, por exemplo, os Estados do Amapá e Roraima tiveram 99% e 89%, respectivamente, de seus territórios cobertos por nuvens.

O DETER tem ainda outra limitação, relacionada à resolução das imagens geradas pelos satélites, capazes de detectar apenas polígonos de desmatamento com área maior que 25 hectares.

Estas duas limitações são em tese mitigadas pelo PRODES, que mede as taxas anuais de desmatamento para incrementos superiores a 6,25 hectares, com base em imagens geradas pelo satélite norte-americano Landsat 5. Suas medições são realizadas em meses de boas condições de observação na Amazônia, geralmente de julho a setembro, período em que é possível observar cerca de 90% da região sem cobertura de nuvens. O PRODES também tem um problema: o Landsat 5, lançado há mais de vinte anos, a qualquer momento pode deixar de operar, e seu substituto, o Landsat 8, não entrará em operação antes de 2011. Além do mais, seus dados são anuais, não tendo o mesmo propósito do DETER, de alerta para suporte à fiscalização e controle de desmatamento.

Fato é que o DETER e o PRODES têm demonstrado a sua relevância, o que não significa dizer que não possam ser melhorados. Se a Amazônia é estratégica para o Brasil, é razoável pensarmos que o País precisa ter os melhores sistemas para o seu monitoramento, como satélites equipados com sensores radares (capazes de penetrar pelas nuvens), e câmeras óticas com melhor resolução.
.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Desmatamento da Amazônia e o Programa Espacial

.
O desmatamento da Amazônia tem sido assunto freqüente nos noticiários das últimas semanas. O tema, que já era freqüentemente abordado pelos principais jornais e revistas em passou a ser ainda mais destacado pela imprensa após a saída de Marina Silva do Ministério do Meio-Ambiente. Mas, afinal, o que isto tem a ver com espaço?

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) é a principal entidade brasileira responsável pelo monitoramento do desmatamento na região amazônica, e exerce esta atividade através de dois projetos, o PRODES, que elabora estimativas anuais com imagens tiradas pelos satélites norte-americanos da série LANDSAT, e o DETER, acrônimo de Detecção de Desmatamento em Tempo Real, que faz uso de imagens geradas por sensores com alta freqüência de observação a bordo dos satélites americanos TERRA e AQUA, da NASA, e do satélite sino-brasileiro CBERS-2B. O DETER, justamente por produzir informações mais rápidas é menos preciso quanto as suas conclusões se comparado aos dados gerados pelo PRODES.

A polêmica que contrapõe o Ministério do Meio-Ambiente e o INPE em relação ao governo do Mato Grosso (MT) está justamente nos dados fornecidos pelo DETER, que mostrariam um aumento no desmatamento da Amazônia, especialmente no MT. A polêmica atingiu tal ponto que o governador do estado, Blairo Maggi chegou a afirmar que “O INPE está mentindo a serviço de alguém. Queremos saber a serviço de quem”.

Sem entrar no mérito da qualidade das informações produzidas pelo INPE (eu particularmente conheço o trabalho feito pelo Instituto, que conta com profissionais altamente qualificados e competentes), diante dos acontecimentos, não se pode deixar de formular algumas questões, na esperança de que mais dia ou menos dia sejam respondidas pelos fatos: os sistemas de monitoramento terrestre e tecnologia que o Brasil tem atualmente são adequados para as necessidades do País? E em termos de futuro, os satélites da série CBERS, Amazônia e MAPSAR atenderão as necessidades nacionais para observação terrestre?

No último dia 26, num evento realizado na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, o Presidente Luis Inácio Lula da Silva afirmou que "o mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono", algo óbvio para nós brasileiros. E justamente por sermos donos da Amazônia brasileira é que devemos explorá-la e monitorá-la de forma racional e com qualidade, e nisto o Programa Espacial Brasileiro, em especial o seu segmento de satélites tende a ter funções e responsabilidades cada vez maiores.
.