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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Falha de VS-30 em missão na Noruega

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NOTA DO IAE: Lançamento do Veículo VS-30/IO V09

Campo Montenegro, 23/09/2013

O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) informa que durante o lançamento do veículo VS-30/IO V09, ocorrido no dia 18 de setembro, transportando a carga-útil SCRAMSPACE 1, a partir de Andoya Rocket Range (ARR), na Noruega, ocorreu uma falha que levou ao não cumprimento da missão. As causas da falha ainda estão sendo investigadas por uma comissão formada por membros do IAE, DLR (Alemanha), ARR (Noruega), Norsk Romsenter (Noruega) e DSTO (Australia). O veículo VS-30/IO tem como primeiro estágio o propulsor S30, desenvolvido pelo IAE, e como segundo estágio o propulsor Improved Orion, de origem norte-americana.

Fonte: IAE/DCTA, com edição do blog Panorama Espacial.

Nota do blog: a missão de pesquisa SCRAMSPACE, de voo hipersônico (até 8 vezes a velocidade do som), era liderada pela University of Queensland, da Austrália. De acordo com informações divulgadas em nota pela universidade, aparentemente houve a separação dos dois estágios, que caíram no mar.
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sábado, 13 de abril de 2013

VSB-30 lançado com sucesso


Foguete brasileiro é lançado com sucesso na Suécia

O veículo lançado ontem (12) levou ao espaço o experimento Texus 50, que faz parte do Programa Europeu de Microgravidade

O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) lançou na manhã desta sexta-feira (12), a partir do Centro Espacial de Esrange (Suécia), mais um foguete brasileiro VSB-30: o VSB-30 V17. O veículo, lançado à 6h25, horário local, levou ao espaço o experimento Texus 50, que faz parte do Programa Europeu de Microgravidade. O desempenho foi perfeito, com os seguintes dados de voo: tempo de microvidade de 380 segundos; apogeu de 261 quilômetros; e dispersão do ponto de impacto de 1,5 sigma.

Desde 2005, o VSB-30 tem sido usado no programa Texus, em virtude da capacidade de transporte do foguete: aproximadamente 370 quilogramas carga-útil, a cerca de 270 quilômetros de altitude.

O programa

O Programa Texus começou em 1977, com o objetivo principal de investigar as propriedades e o comportamento de materiais, produtos químicos e substâncias biológicas em ambiente de microgravidade, utilizando foguetes de sondagem.

No último dia 5, tiveram início duas operações do programa: a Texus 50 e a Texus 51, para o lançamento do VSB-30 17 e do VSB-30 V 18, respectivamente. Este último deve ser lançado no dia 19 de abril.

O Texus é conduzido pelo Instituto de Pesquisa Alemão (DLR), pela Agência Espacial Europeia (ESA), pela EADS Astrium e pela Swedish Space Corporation (SSC), que é responsável pelas operações de lançamento. O programa é financiado pela ESA e pelo DLR.

Fonte: Ascom do MCTI, com informações do IAE.
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segunda-feira, 8 de abril de 2013

VSB-30: Operações TEXUS 50 e TEXUS 51


Campo Montenegro, 08/04/2013

No dia 5 de abril de 2013 tiveram início as Operações TEXUS 50 e TEXUS 51 na Suécia  com o objetivo de lançar dois foguetes brasileiros VSB-30, a partir do Centro Espacial de Esrange. Tratam-se dos lançamentos dos veículos VSB-30 V17 e V18 que levarão os experimentos de microgravidade TEXUS 50 e 51, respectivamente.

O Programa TEXUS iniciou-se em 1977 com objetivo principal de investigar as propriedades e o comportamento de materiais, produtos químicos e substâncias biológicas em ambiente de microgravidade, utilizando-se de foguetes de sondagem. Esse Programa é conduzido pelo Instituto de Pesquisa Alemão (DLR), Agência Espacial Européia (ESA), EADS Astrium e SSC (Swedish Space Corporation), com financiamento da ESA e do DLR. A empresa SSC é a responsável pelas operações de lançamento.

Desde 2005, o foguete brasileiro VSB-30 tem sido usado no Programa TEXUS, em virtude da capacidade desse veículo de transportar aproximadamente 370 kg de carga-útil, a cerca de 270 km de altitude.

Local de Lançamento: Centro Espacial de Esrange
Datas previstas de lançamentos: 12 de abril de 2013 – TEXUS 50 e 19 de abril de 2013 – TEXUS 51
Informações técnicas:
Tipo de foguete: VSB 30 – DCTA-IAE
Diâmetro nominal: 557 milímetros
Peso total: 2640 kg
Apogeu: ~ 268 km

Fonte: IAE/DCTA
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quarta-feira, 6 de março de 2013

Workshop do VLM-1


IAE e DLR realizam Workshop do VLM-1

Campo Montenegro, 06/03/2013

Na semana de 18 a 22 de fevereiro foi realizado na Divisão de Sistemas Espaciais (ASE) e na Divisão de Eletrônica (AEL) do IAE o Workshop relativo ao desenvolvimento do lançador de satélites VLM-1, para o lançamento do veículo de reentrada Shefex 3.

A primeira parte do Workshop teve como ponto focal o projeto do motor S50. Os representantes do IAE e do DLR discutiram inicialmente detalhes do projeto mecânico do motor com o intuito de congelar a configuração a ser calculada. Em seguida, foram discutidas as cargas em voo e em solo a que o motor será submetido durante sua vida em serviço, bem como os fatores de segurança a serem considerados.

As discussões prosseguiram englobando as estratégias de fabricação e de cálculo estrutural do envelope motor em material compósito e do propelente sólido. A segunda parte do Worshop envolveu o estudo comparativo entre os regulamentos de segurança da AEB e dos centros de lançamento europeus e americanos, a preparação conjunta para o projeto preliminar da eletrônica embarcada no veículo e um estudo de desenvolvimento integrado de produto do interestágio e das empenas e porta-empenas.

O Workshop contou com a participação do Eng. Timo Wekerle,atualmente participando de programa de doutorado da Universidade de Berlim. A tese de doutorado do Eng. Wekerle está baseada no desenvolvimento de novas configurações para o VLM-1. O Eng. Wekerle já tinha feito o seu trabalho de graduação relacionado ao VLM-1 em 2011, financiado pelo DLR, quando freqüentava a Universidade de Brauschweig. A tese de doutorado do Eng. Wekerle está sendo orientada pelo Prof. Briess, uma das maiores autoridades européias em micro-satélites. O Prof. Briess é o catedrático da cadeira de Tecnologia Espacial da Universidade de Berlim. Este trabalho está baseado no acordo de cooperação entre o Brasil e Alemanha referente ao intercâmbio de pesquisadores entre os dois países.

Fonte: IAE/DCTA
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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"Acesso autônomo ao espaço - onde o Brasil quer chegar"



Acesso autônomo ao espaço - Onde o Brasil quer chegar

André M. Mileski

Das chamadas potências emergentes, conhecidas pela sigla BRIC, criada em 2003 pelo economista Jim O’Neill, do banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs, o Brasil é, atualmente, o único país a não contar com acesso autônomo ao espaço. A Rússia, pioneira, então União Soviética, alcançou este feito em 1957. A China, em 1970, e a Índia, em 1980. Hoje, estes países não só atendem suas demandas internas, como comercializam serviços de lançamento no mercado internacional e mesmo detêm capacidade madura ou em processo de desenvolvimento para missões espaciais tripuladas.

Muito embora o Brasil ainda não possa fazer isso, o interesse em contar com acesso autônomo, no entanto, não é uma novidade. Desde 1979, com a criação da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), com iniciativas nas áreas de satélites, infraestrutura terrestre e lançadores, o País vem buscando este acesso, por meio do programa do Veículo Lançador de Satélites, o VLS-1. A partir de 1994, com a criação da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), atualizado de tempos em tempos, o segmento de lançadores sempre constou dos planos espaciais nacionais.

Em 2005, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), vinculado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), do Comando da Aeronáutica, lançou o Programa Cruzeiro do Sul que, num horizonte de 17 anos, visava desenvolver uma família de lançadores de satélites apta a atender as necessidades do seu programa espacial e algumas missões internacionais. Assim, previa-se o desenvolvimento de cinco lançadores de classes distintas (ver box).

Dentro do programa espacial, o Cruzeiro do Sul é visto como conceitual e serve como diretrizes para iniciativas em desenvolvimento ou discussão. Propostas para o desenvolvimento dos VLS-Alfa e Beta, possivelmente em regime de cooperação internacional, foram apresentadas à AEB e estão em análise, estando os conceitos do VLS-Gama, VLS-Delta e VLS-Epsilon em rediscussão, uma vez que apresentam baixa demanda (caso do Gama e Epsilon) ou concorrem com outras iniciativas nacionais (Delta).

Programa Cruzeiro do Sul:

- VLS-Alfa, concebido para atender o segmento de cargas úteis na faixa de 200-400 kg destinados a órbitas equatoriais baixas

- VLS-Beta, capaz de atender missões de até 800 kg para órbita equatorial a 800 km de altitude

- VLS-Gama, destinado a missões de cargas úteis de cerca de 1.000 kg em órbitas heliossíncronas e polares

- VLS-Delta, focado em missões geoestacionárias, com capacidade de colocação de cargas de cerca de 2.000 kg em órbitas de transferência geoestacionária; e

- VLS-Epsilon, para cargas úteis geoestacionárias de maior porte, de cerca de 4.000 kg

Novos impulsos

A edição da Estratégia Nacional de Defesa, em dezembro de 2008, apontou o setor espacial, ao lado do nuclear e cibernético, como um dos seus pilares decisivos. O documento, que serve como diretriz para todo o processo de transformação e atualização das Forças Armadas, indica a necessidade “do desenvolvimento de veículos lançadores de satélites e sistemas de solo para garantir acesso ao espaço em órbitas baixa e geoestacionária”, em processo coordenado pela AEB, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Desde então, iniciativas já em andamento, como o programa VLS, a parceria com a Ucrânia na Alcântara Cyclone Space, e outras novas, como o Veículo Lançador de Microssatélites (VLM) e propostas de cooperação em lançadores de maior porte passaram a ter um maior destaque nos planos do governo.

O VLS

Ao longo de mais de 40 anos, em meio a severas restrições orçamentárias e embargos internacionais, foram três tentativas de lançamento do VLS; em 1997, 1999 e 2003, todas mal sucedidas. Com a tragédia de 2003, que vitimou 21 especialistas do IAE, o programa sofreu um duro golpe, resultando em atraso de vários anos. Apesar do golpe, o projeto continuou e passou por uma revisão crítica que contou, inclusive, com a participação de técnicos da Rússia.

Recentemente, com uma retomada mais clara do Programa Espacial Brasileiro, caracterizada principalmente pela destinação de mais recursos orçamentários, passou a haver mais destaque, com cronogramas claros de retomada. Ensaios de diversos subsistemas do lançador, contratados junto à indústria nacional, são frequentemente realizados nas instalações do IAE em São José dos Campos (SP). Hoje, planeja-se a realização de duas missões tecnológicas, denominadas XVT-1 (VSISNAV) e XVT-2, e uma do lançador completo, com todos os seus estágios, a VO4. O primeiro voo, previsto para ocorrer em 2013, seria constituído de um foguete com o primeiro e segundo estágios ativos, ocasião em que também se pretende testar o sistema de navegação SISNAV. Espera-se que um segundo voo, mais completo, ocorra no ano seguinte, o que depende do repasse de recursos financeiros pela AEB, segundo revelou à T&D o brigadeiro Carlos Kasemodel, diretor do IAE, em entrevista concedida no final de julho.

Em junho e julho de 2012, foi realizada no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, a Operação Salina, período de 26 dias em que foram ensaiados e simulados diversos sistemas da Torre Móvel de Integração (TMI), concluída no final de 2011, visando a verificação da integração física, elétrica e lógica do VLS-1 com a nova torre.

Pouco conhecida para o público em geral, a cooperação entre a agência espacial da Alemanha (DLR) e o IAE completou quatro décadas. Marcada por muitos sucessos e missões conjuntas envolvendo foguetes de sondagem, a atuação dos dois países deve alcançar um novo marco com o Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1), que entrou em fase de projeto em 2012, após um período de estudos de concepção.

Apesar de ser um veículo orbital, a primeira missão prevista para o VLM-1 não será de satelitização, mas sim a realização do experimento SHEFEX 3 (Sharp Edge Flight Experiment), que objetiva testar o comportamento de novos materiais e proteção térmica necessários para se dominar a tecnologia de voos hipersônicos e de veículos lançadores reutilizáveis, previsto para 2015 ou 2016. Além da participação de 25% nos custos de desenvolvimento, estimados em R$100 milhões, os alemães estão envolvidos em áreas como engenharia de sistemas, sistemas de controle e atuadores.

Em sua configuração inicial, o VLM-1 será um foguete de três estágios de propelentes sólidos, sendo os dois primeiros com o motor S50, o maior já desenvolvido e a ser construído no Brasil até hoje; e, o último, o propulsor S44, já qualificado em voo pelo foguete de sondagem VS-40. O S50, que tem 1,45 metro de diâmetro, 5 metros de comprimento e cerca de 12 toneladas de propelente, está sendo desenvolvido pelo IAE, em parceria com os alemães.

O VLM-1 terá capacidade de lançar cargas úteis de até 200 kg em órbita equatorial a 300 km de altitude, ou 180 kg para órbitas inclinadas, em missões científica, tecnológicas ou de observação terrestre. Em sua concepção, baseada no equilíbrio entre confiabilidade e custo, trabalha-se com o objetivo de se criar diferentes versões, mantendo-se os dois primeiros estágios e modificando o terceiro. Dessa forma, com um motor mais potente no terceiro estágio, sua performance poderia ser aprimorada, tornando-o apto a lançar satélites de até 350 kg a 300 km de altitude, em órbita equatorial, ou 150 kg com inclinação de 98 graus a uma altitude de 600 km. Nos planos do IAE, também é considerada a criação de uma versão com um último estágio de propulsão líquida, o que possibilitaria uma maior precisão para a inserção de satélites em órbita, em razão da possibilidade de reignições durante o voo. Esta versão, aliás, é vista como crucial para atender um dos objetivos do projeto, que seria o de atender a um nicho pouco explorado no mercado de lançamentos.

Outro aspecto que deve ser atendido é o de política industrial. Nos últimos anos, o IAE tem dedicado especial atenção à transferência de projetos para o setor industrial espacial, e com o VLM-1 não deve ser diferente. A participação ocorre desde a concepção, passando pelo desenvolvimento e culminando na produção. De fato, a CENIC, de São José dos Campos, já atua no projeto do envelope-motor S50, feito em fibra de carbono, e há expectativa de que o Instituto contrate no futuro outras empresas para atuar no carregamento de propelente e redes elétricas, dentre outros subsistemas.

Propulsão líquida

Paralelamente ao VLS e VLM-1, o IAE também promove iniciativas num domínio considerado essencial para a autonomia brasileira em veículos lançadores: propulsão líquida, bastante apreciada por possibilitar colocações mais precisas de cargas úteis em órbita. Alguns projetos de motores-foguetes líquidos estão em desenvolvimento pelo IAE, como o L5, L15 e L75, de diferentes portes.

O L75, o maior deles, busca o modelo de engenharia de um motor foguete a propelente líquido, usando o par propelente oxigênio líquido e querosene, pressurizados por turbo bomba, capaz de gerar 75 KN de empuxo no vácuo. É destinado a veículos lançadores de satélites, uma vez que seu controle do empuxo e do tempo de queima possibilita a colocação em órbita de satélites com precisão. Ao longo de 2012, vários projetos relacionados ao L75 avançaram, como o seu plano mecânico detalhado, fabricação, plano mecânico dos modelos de engenharia e elaboração dos procedimentos de montagem, inspeção e teste. Para os próximos anos, as etapas serão o desenvolvimento da câmara de combustão, do turbo bomba e das válvulas reguladoras, e a construção de novo banco de testes para ensaios das bombas.

Além dos motores propriamente ditos, o IAE também desenvolve, em conjunto com a Orbital Engenharia, o Sistema de Alimentação Motor-Foguete (SAMF), que teve alguns protótipos construídos e encontram-se em ensaios de qualificação nas instalações do IAE. A finalização do SAMF é tida como essencial para a realização de testes em voo de propulsores líquidos, pois controla a alimentação do motor foguete a propelente líquido, alimentando-o com propelente nas pressões e vazões necessárias para o seu correto funcionamento.

ACS

As iniciativas brasileiras em matéria de acesso ao espaço não se restringem apenas a projetos de desenvolvimento tecnológico. A Alcântara Cyclone Space (ACS), uma binacional constituída pelos governos do Brasil e da Ucrânia, tem planos de operar o lançador ucraniano Cyclone 4 a partir do CLA, com objetivos inicialmente comerciais, mas que hoje também apontam para um caráter mais estratégico, buscando atender algumas necessidades do Programa Espacial Brasileiro.

A cooperação espacial entre o Brasil e a Ucrânia em serviços de lançamento tem origens no final da década de 1990. Mas, apenas em 2003, com a assinatura do Tratado sobre Cooperação de Longo Prazo na Utilização do Veículo de Lançamento Cyclone 4 no CLA, se tornou mais concreta. Três anos depois, foi criada a ACS com a finalidade de viabilizar o projeto, administrar o complexo de lançamento e explorá-lo comercialmente. Desde então, centenas de milhões de reais oriundos dos países sócios foram investidos, com obras de toda a infraestrutura terrestre no CLA, assim como o desenvolvimento do lançador na Ucrânia, em andamento.

Num primeiro momento, o acordo que deu origem à ACS não tem caráter de transferência de tecnologia, mesmo que, ao menos do lado ucraniano, pareça haver disposição para a ampliação do escopo da cooperação para isso. Apesar de não haver envolvimento brasileiro no Cyclone 4, capaz de colocar cargas úteis de até 5.500 kg em órbita baixa a 700 km de altitude e 1.700 kg em órbita de transferência geoestacionária, este engenho teve algum impacto nos planos nacionais de lançadores. Hoje, não se considera o desenvolvimento do VLS-Delta, dentro do programa conceitual Cruzeiro do Sul, por se enquadrar na mesma classe que o foguete ucraniano.

Mais parcerias?

Entendido o caráter estratégico de ter acesso autônomo ao espaço, o governo brasileiro tem analisado com mais atenção iniciativas nesse campo, provavelmente em regime de cooperação internacional, de forma similar ao VLM-1, com a Alemanha, para atender as outras lacunas consideradas dentro do Cruzeiro do Sul, em particular os VLS Alfa e VLS Beta. Várias propostas já chegaram às mesas de muitos gabinetes, de São José dos Campos a Brasília (DF).

Na visita oficial da comitiva brasileira liderada pela presidente Dilma Rousseff à França, em 11 de dezembro de 2012, um dos tópicos em Ciência, Tecnologia e Inovação citados na declaração conjunta com o seu contraparte francês foi a possibilidade de se estender a cooperação espacial entre os dois países para “lançadores de satélites”, tema que deve ser discutido entre a AEB e a Agência Espacial Francesa (CNES), no início de 2013. Nos bastidores, são conhecidos os esforços franceses em ampliar a parceria estratégica no campo de defesa, particularmente em submarinos e helicópteros, com ampla transferência tecnológica, para a área espacial, especialmente satélites de comunicações, sensoriamento remoto e lançadores.

Outro interessado é a Itália, que desde 2011 tem feito propostas por meio da Agência Espacial Italiana (ASI) e da empresa Avio, principal desenvolvedora do Vega, o mais importante passo dado por este país europeu na área de lançadores. Trata-se de um foguete de quatro estágios (os três primeiros de combustível sólido e o último líquido), com capacidade de inserir cargas úteis de até 1.500 kg em órbitas circulares a 700 km de altitude. Seu desenvolvimento tem como prime contractor a ELV (European Launch Vehicle), joint-venture da ASI com a Avio. O primeiro voo foi realizado com sucesso no início de 2012.

Os italianos propuseram um lançador com todos os estágios de combustível sólido, com capacidade de satelitização de 1.500 kg a uma altitude de 1.500 km, baseado na tecnologia do Vega. De acordo com o divulgado, o custo seria inferior a R$1 bilhão, e seria realizado por meio da formação de uma joint-venture com empresas nacionais, num modelo similar ao apresentado pelos franceses.

Há alguns anos, a Rússia era vista como parceira preferencial do Brasil em matéria de lançadores, especialmente por sua disposição em colaborar e fornecer itens críticos, como os sistemas inerciais dos primeiros protótipos do VLS-1. Grande parte do conhecimento adquirido pelo IAE na área de propulsão líquida o foi através de parcerias com institutos e centros de pesquisa russos, que treinaram e capacitaram dezenas de especialistas brasileiros. Em posição hoje mais enfraquecida, em razão da ampliação do leque de possibilidades em cooperação no campo de foguetes e por uma difícil negociação para a transferência tecnologia, a madura indústria espacial russa continua interessada em ampliar os acordos com o Brasil e é vista como opção.

Fonte: revista Tecnologia & Defesa nº 131, dezembro de 2012.
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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

INPE: parcerias com Alemanha e Indonésia


INPE discute novas parcerias

Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2012

Uma delegação do DLR, o centro aeroespacial alemão, está no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), para discutir a possibilidade de cooperação na área de monitoramento orbital de queimadas. Durante toda a segunda-feira (10/12), especialistas de ambos os países apresentam tecnologias para verificar focos de incêndio com o uso de satélites.

O INPE, que possui um reconhecido sistema de monitoramento de focos de calor, estuda a possibilidade de utilizar dados do programa FireBIRD, em desenvolvimento pelo DLR. Em julho, o centro aeroespacial alemão lançou um satélite experimental, chamado TET-1, que leva a bordo um sensor similar ao do satélite BIRD (Bi-spectral IR Detection), posto em órbita pela Alemanha em 2001 para detectar incêndios.

O DLR pretende formar uma pequena constelação de satélites para o monitoramento de queimadas – a FireBIRD. Para isso, em 2014 deve lançar o BIROS (Berlin Infrared Optical System), outro satélite com tecnologia BIRD. O principal objetivo do encontro entre brasileiros e alemães foi apresentar detalhes técnicos dos dados FireBIRD e discutir seu possível uso pelo Brasil.

Recebida pelo diretor do INPE, Leonel Perondi, a delegação do DLR teve a oportunidade de conhecer o programa de satélites do instituto, bem como os avanços do programa para monitoramento de queimadas e incêndios por satélite em tempo quase real. Também as atividades para o monitoramento por satélites do desmatamento na Amazônia, assim como o desenvolvimento pelos engenheiros do INPE de sensores para satélites, foram apresentadas aos visitantes pelos especialistas do instituto.

Indonésia

Nesta terça-feira (11/12), o INPE recebe a visita de parlamentares da Comissão de Energia, Tecnologia e Meio Ambiente da Indonésia e técnicos do Instituto Nacional de Aeronáutica e Espaço (LAPAN) daquele país. O grupo vem obter informações sobre o desenvolvimento de tecnologias espaciais e a regulamentação do setor no Brasil. A Indonésia está em processo de deliberação de sua legislação sobre o espaço.

Fonte: INPE
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domingo, 9 de dezembro de 2012

Operação Iguaiba: VS-30/Orion lançado com sucesso


LANÇADO COM SUCESSO O FOGUETE DE SONDAGEM VS-30/ORION V10

Campo Montenegro, 08/12/2012

Hoje, dia 08 de dezembro de 2012, às 19h local, foi lançado com sucesso, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara – CLA ), o foguete VS-30/V10, atingindo um apogeu de 428 km.

A Operação Iguaiba, cujos trabalhos técnicos iniciaram-se no dia 18 de novembro de 2012, teve como objetivo realizar o lançamento e o rastreio do foguete de de treinamento intermediário FTI e do foguete de sondagem VS-30/ORION V10, portando uma carga útil tecnológica e científica com experimentos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

O VS-30/ORION V10 é composto de dois estágios e o módulo de carga útil. O motor do segundo estágio (Improved Orion) foi fornecido pelo DLR da Alemanha, que está como parceiro na campanha. O restante do veículo, incluindo as partes mecânicas, pirotécnicas, eletrônicas e a plataforma da carga útil são nacionais e desenvolvidas pelo IAE.

Fonte: IAE/DCTA, com edição do blog Panorama Espacial.
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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Avanços no projeto do VLM-1


Projeto Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1) cumpre mais uma etapa de desenvolvimento

Campo Montenegro, 29/10/2012

O Instituto de Aeronáutica e Espaço e a Agência Espacial Alemã (DLR) realizaram entre 15 e 19 de outubro a Revisão de Requisitos de Sistema (SRR) do Projeto Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1). Este evento constituiu a terceira revisão de projeto realizada pelas duas organizações, antecedida pela Revisão de Definição da Missão (MDR) e pela Revisão Preliminar de Requisitos (PRR).

A documentação do IAE e do DLR foi analisada por uma Comissão de Revisão presidida pelo Dr. Rogério Pirk (IAE), conforme a norma do IAE, e constituída pelo Dr. Petrônio Noronha (AEB), Dr. Paulo Milani (INPE) e Dr. Félix Palmério (consultor ad hoc). O Grupo de Projeto foi constituído por 21 engenheiros do IAE, com o apoio de 7 bolsistas do CNPq, e por 9 engenheiros do DLR. O Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) foi representado pelo Dr. Niwa, que esteve presente ao evento como observador. O objetivo da revisão era o de avaliar os requisitos de sistema do VLM-1, analisar o projeto de concepção adotado para o lançador e aprovar o plano de verificação dos requisitos. Devido ao caráter binacional do projeto, toda a documentação, as apresentações e as discussões foram realizadas em língua inglesa.

Um dos momentos significativos da revisão foi a visita dos participantes ao Modelo de Engenharia (ME) do Motor S50 nas dependências do Laboratório de Ensaios Dinâmicos (LED). O ME procurou reproduzir as técnicas de fabricação que serão utilizadas nos Modelos de Qualificação (MQ) do S50 e tem como objetivo avaliar possíveis dificuldades e permitir um ajuste ou melhoria do projeto, se necessário. Com cerca de 12t, o S50 será o maior motor a propelente sólido desenvolvido pelo Brasil. Outro evento digno de menção foi o ensaio da ação de elementos pirotécnicos sobre amostras de materiais trazidos pelo DLR. Este ensaio ocorreu na Subdivisão de Pirotecnia da Divisão de Propulsão Espacial (APE) com excelentes resultados.

Com o término desta fase de concepção, o VLM-1 entra na fase de projeto propriamente dito, muito embora alguns subsistemas, como o S50, por exemplo, já estejam em fase mais avançada. Nesta próxima fase, deverão ocorrer as contratações de sistemas e subsistemas completos na indústria nacional. O VLM-1 tem como primeira missão o lançamento da carga útil Shefex 3 em 2016.

Fonte: IAE/DCTA
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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Cooperação Brasil - Alemanha


Agência espacial alemã comemora 40 anos de cooperação teuto-brasileira no transporte aéreo e espacial com publicação

A DLR relembra o histórico da parceria na edição, que conta com texto do ministro de C,T&I, Marco Antonio Raupp.

Quarenta anos em 30 páginas ilustradas. Assim o Centro Aeroespacial Alemão (Deutsches Zentrum für Luft-und Raumfahrt /DLR, no original), a agência espacial da Alemanha, resume as décadas de parceria com o Brasil na área espacial. O documento '40 Anos de Cooperação teuto-brasileira no Transporte Aéreo e Espacial' foi divulgado recentemente e conta um importante trecho da história do País nesse campo.

"A cooperação espacial definitivamente se tornou um fator essencial para o desenvolvimento dos países nesta área estratégica. O Brasil e a Alemanha, que vêm mantendo quatro décadas da colaboração benéfica mútua, dão um exemplo inspirador para a comunidade internacional contemporânea", afirma o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, no texto de abertura.

Raupp lembra que a parceria cobre "assuntos relevantes e de enorme interesse" de ambos os países e que, atualmente, a DLR e a Agência Espacial Brasileira (AEB) - juntamente com o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) - trabalham em cerca de doze projetos científicos.

Histórico - A publicação faz um passeio pela história das iniciativas teuto-brasileiras desde 1969, quando a Alemanha usou pela primeira vez o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) para a execução de experimentos científicos do Instituto Max-Planck para Física Extraterrestre. E aponta que, desde o início, os pontos centrais da cooperação bilateral foram projetos de tecnologia espacial, acompanhados por investigações comuns em aeronáutica, tecnologia de materiais, tráfego aéreo e energia.

As iniciativas envolviam os antecessores do DLR, indústria, universidades, o Centro Técnico Aeroespacial (CTA) do Brasil e o Inpe. Entre as dezenas de exemplos, um deles remete à primeira crise energética mundial, em 1974, que levou os parceiros a transferirem conhecimentos nas áreas de aerodinâmica, tecnologia de fibras e sistemas de energias renováveis, por meio do desenvolvimento de conversores modernos de energia eólica.

A cooperação com o Inpe, por exemplo, se concentrou no desenvolvimento de métodos e software para a operação de satélites, na utilização de dados óticos e do mapeamento com base em radares, especialmente em florestas tropicais, bem como em estudos de possíveis projetos comuns de satélites e sensores. A observação da região tropical e subtropical com um sistema ótico foi o principal objetivo da proposta do projeto SSR-1, por meio da sua órbita equatorial. Além das aplicações clássicas de sensoriamento remoto como cartografia e agricultura, seriam também disponibilizadas para o usuário informações sobre a utilização sustentável de recursos biológicos, biodiversidade e monitoração ambiental.

No âmbito do Acordo Brasil-Alemanha sobre cooperação técnico-científica (WTZ), foi iniciado um intercâmbio entre membros do DLR e do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). O objetivo deste intercâmbio é a promoção de jovens universitários de ambos os países, com a oportunidade de escrever projetos e trabalhos de conclusão de curso no país anfitrião respectivo.

Foguetes - Raupp cita como exemplos a utilização do foguete brasileiro VSB-30 (em 2004) e também o motor de foguete S30 no programa europeu de foguetes de sondagem, iniciativas "relevantes e representativas de novas perspectivas oferecidas pela cooperação relativa a experimentos em microgravidade".

O ministro também pontua uma missão que está sendo desenvolvida pela agência alemã e que busca uma tecnologia de reentrada atmosférica para alcançar a plataforma recuperável chamada SHEFEX (Sharp Edge Flight Experiment), o que beneficiaria o Programa Espacial Brasileiro.

Por sua vez, Johann-Dietrich Wörner, diretor geral do Centro Aeroespacial Alemão, destaca que se trata de uma comemoração "muito especial" pela "excelente cooperação bilateral e a excelência cientifica de ambas as nações pesquisadoras". Ele lembra que a área aeroespacial desempenha "um papel especial como tecnologia-chave e interdisciplinar" na sociedade científica de hoje. "O uso de tecnologias inovadoras para resolução de problemas sociais globais é cada vez mais requisitado. Nesse sentido, a cooperação teuto-brasileira oferece uma excelente base", destaca.

Desafios sociais, ambientais e de segurança - Wörner cita, entre as investigações conjuntas, sistemas autônomos para gerar energias por meio de centrais eólicas (projeto DEBRA 25 1974); um sistema de bobinagem de fibras para se entrar em órbita com materiais sintéticos reforçados, resistentes e mais leves; o controle do meio ambiente desde o espaço; além da análise, desde 1972, de motores de foguetes usados não só pela Alemanha, mas por outros países europeus.

"O abrangente potencial científico de ambos os países une-se, em nível global e regional, pela solução de desafios sociais, ambientais e de segurança atuais e futuros. É de nosso interesse manter e intensificar futuramente a harmoniosa cooperação teuto-brasileira na investigação e exploração aeroespacial para fins pacíficos, bem como em outros campos científicos, como por exemplo o da aeronáutica e o de energias renováveis e transportes", resume Wörner.

Confira a íntegra da publicação, em alemão e português, disponível no link: http://www.jornaldaciencia.org.br/links/40AnosCooperacao.pdf

Fonte: Clarissa Vasconcellos - Jornal da Ciência
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

SHEFEX II: missão é declarada bem-sucedida



Após o voo do SHEFEX II, em 22 de junho, que contou com contribuição brasileira, os pesquisadores do centro aeroespacial alemão (DLR) realizaram uma análise inicial dos resultados da missão, tendo declarado o sucesso da missão. "O voo do SHEFEX II seguiu a trajetória previamente calculada e nós recebemos dados extensivos e de grande valor em tempo real de todos os experimentos", afirmou Hendrik Weihs, gerente de projeto da DLR.

Esperava-se que a plataforma da SHEFEX II caísse no mar, para ser posteriormente resgatada por um barco. No entanto, não foram capturados dados nos últimos segundos de voo, o que aliado a complicadas condições climáticas, impossibilitou o resgate da carga útil. "Nós estamos agora tentando determinar onde, exatamente, a plataforma afundou, e se ela pode ser salva", declarou Weihs.

Os dados colhidos via telemetria indicam que a missão funcionou bem, tendo os pesquisadores sido capazes de controlar a plataforma, diferentemente do que ocorreu com o SHEFEX I, em outubro de 2005. A plataforma foi impulsionada por um foguete VS-40M, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA), de São José dos Campos (SP), como parte da cooperação entre os dois países na área espacial, iniciada há mais de quarenta anos.

A experiência adquirida com o SHEFEX II será incorporada ao projeto seguinte, o SHEFEX III - uma plataforma cuja reentrada atmosférica é prevista para durar 15 minutos. Este voo deve ocorrer em 2015 ou 2016.

A DLR disponibilizou em seu website seis fotos do voo do SHEFEX II, uma delas, a imagem acima, que ilustra esta nota. Para vê-las, clique aqui.
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domingo, 24 de junho de 2012

Operação SHEFEX-2: VS-40M lançado com sucesso


Lançado com sucesso o foguete VS-40M com o experimento Shefex 2

Campo Montenegro, 22/06/2012

Hoje, dia 22 de junho de 2012, às 21h18m local, foi lançado com sucesso, a partir do Centro de Lançamento de Andoya (Noruega), o veículo suborbital brasileiro VS-40M, transportando como carga-útil o experimento alemão Shefex 2.

A operação desse veículo, o qual foi integralmente financiado pelo Centro Espacial Alemão (DLR), veio ratificar a excelente reputação conquistada pela tecnologia brasileira de veículos suborbitais junto à Agência Espacial Européia. Adicionalmente, o VS-40M significou um importante avanço para o alcance da autonomia brasileira de acesso ao Espaço, pois consiste da parte superior do VLS-1, com os motores S40 e S44.

O perfeito funcionamento dos motores S40 e S44M, bem como de todos os eventos do voo, garantiram a trajetória nominal do experimento.

O experimento Shefex 2 (Sharp Edge Flight Experiment) é parte de um importante Programa alemão de desenvolvimento de tecnologia de vôos hipersônicos e de reentrada atmosférica, e teve como objetivos testar novos materiais e tipos de proteção térmica necessários para operação nessas condições, incluindo placas de carbeto de silício, desenvolvida no IAE, a ser utilizada na estrutura do Satélite de Reentrada Atmosférica (SARA).

Somente o custo dos experimentos da missão espacial Shefex 2 somou 10 milhões de euros, estimando-se que outros 6 milhões tenham sido investidos durante o desenvolvimento desse experimento. Importante ressaltar que o Shefex 1, ocorrido em 2005, foi lançado com o foguete brasileiro VS-30 Orion, e que o Shefex 3 está previsto para voar, em 2016, a bordo do Veículo Lançador Microssatélites (VLM-1), em desenvolvimento conjunto pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) e DLR, com participação de indústrias brasileiras e alemãs.

Esse foi mais um resultado positivo alcançado dentro da Cooperação Brasil-Alemanha.

Fonte: IAE/DCTA

Comentários: interessante à referência ao VLM-1, a ser desenvolvido em conjunto pelo IAE e DLR, segundo a nota do IAE. Há, no entanto, informações de que o desenvolvimento conjunto não está totalmente confirmado. Para mais informações sobre a iniciativa entre os dois países, vejam a postagem "O VLS alemão". Em breve, o blog abordará o tema de forma mais aprofundada.
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terça-feira, 19 de junho de 2012

Notícias do IAE: SARA e Plataforma Suborbital


Apresentada a carga útil brasileira para o Programa de Microgravidade

Representantes do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) estiveram nas instalações da Orbital Engenharia para conhecer o primeiro protótipo da PLataforma Suborbital de Microgravidade (PSM). A PSM substituirá a plataforma da agência espacial alemã (DLR), que tem sido usada pelo Brasil em seus experimentos em ambiente de gravidade reduzida utilizando-se do foguete de sondagem VSB-30.

Modelo de voo mecânico do SARA Suborbital é entregue ao IAE

Em 14 de junh, foi entregue ao IAE pela indústria CENIC, de São José dos Campos (SP), o modelo de voo mecânico do SARA Suborbital. O modelo de Voo mecânico do SARA Suborbital compreende três dos quatro subsistemas do veículo: subsistema estrutural, módulo de experimentação e subsistema de recuperação. O desenvolvimento deste modelo foi resultado de uma parceria coordenada pelo IAE, contando com a empresa CENIC no papel de “main contractor”, e outras indústrias nacionais como, a EQE e a Orbital Engenharia.

IAE certifica subsistema de recuperação do SARA Suborbital

Em 5 de junho, o IAE completou a qualificação em solo do subsistema de recuperação do SARA Suborbital, com a realização bem sucedida de ensaio de abertura dinâmica dos para-quedas.
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sexta-feira, 25 de maio de 2012

Cooperação Brasil - Suécia


AEB recebe visita de delegação sueca

25-05-2012

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, recebeu na última quarta-feira (23), a visita de uma delegação Sueca, composta pelo Presidente da Agência Nacional Espacial Sueca (SNSB), Sr. Olle Norberg, e pelo diretor da Corporação Espacial Sueca (SSC), Sr. Stefan Gardefjord. O tema do encontro foi a possibilidade de aprofundamento das relações entre Brasil e Suécia na área espacial.

Como os tópicos da reunião incluíam a participação sueca no Veículo Lançador de Microsatélites (VLM-1), foi necessária a presença da parte alemã, representada pelo Prof. Félix Hueber do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), parceira do Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica (DCTA) no referido projeto.

As discussões, no entanto, não se limitaram ao projeto do VLM-1. Ainda foi tema do encontro a possibilidade de participação dos dois países na elaboração de experimentos científicos em ambiente de microgravidade, por meio de foguetes de sondagem, de experimentos em balões estratosféricos, de pesquisas da anomalia do campo magnético da Terra; em pesquisas científicas sob o uso pacífico do espaço e sobre experimentos tecnológicos em satélites. Também foi abordada a possibilidade de intercâmbio de pesquisadores e estudantes dos dois países por meio do programa Ciência Sem Fronteiras.

Participaram  do encontro  pela AEB do encontro o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento, Thyrso Villela, o diretor de Transportes Espaciais e Licenciamento, Nilo Andrade, o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos, Himilcon Carvalho e o  chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, José Monserrat Filho. Pelo DCTA estiveram presentes o chefe das Relações internacionais, Cel. Medeiros, o Sub-Diretor de Espaço do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA), Cel. Santana Jr e o Dr. Luís Loures, Gerente do VLM-1.

Fonte: AEB
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

MASER 12: VSB-30 lançado com sucesso

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IAE lança com sucesso mais um foguete VSB-30

13-02-2012

Foi realizado com sucesso o 13º vôo do foguete de sondagem brasileiro VSB-30, sendo o 10º lançado a partir do Centro de Lançamento de Esrange, acrônimo de European Spaceresearch RANGE, localizado a 200 km do Círculo Polar Ártico, próximo à cidade de cidade Kiruna na Suécia. O lançamento ocorreu hoje (13/02/2012) às 10h15min horário local, 7h15min pelo horário de Brasília.

O veículo VSB-30 V16 atingiu o apogeu nominal previsto de 259 km, transportando a carga útil MASER 12, com cinco experimentos da Agência Espacial Européia (ESA), durante mais de 6 minutos em ambiente de microgravidade.

A Campanha MASER 12, mesmo nome da carga útil, envolveu equipes do Swedish Space Corporation - SSC (Suécia), German Aerospace Center - DLR (Alemanha) e Instituto de Aeronáutica e Espaço - IAE (Brasil), dentro do Programa de Cooperação Brasil (IAE) e Alemanha (DLR).

A carga útil foi recuperada a 99 km de distância do sítio de lançamento e dentro da área de resgate prevista.

Além de Esrange, outros três lançamentos já ocorreram a partir no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), em 2004, 2006 e 2010, respectivamente.

Fonte: IAE/DCTA
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ainda sobre a missão TEXUS 48

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Normalmente bem discreta em relação às missões com foguetes de sondagem realizadas com o modelo brasileiro VSB-30, a agência espacial alemã (DLR) divulgou ontem (30) uma nota sobre a missão TEXUS 48, realizada no último dia 27 a partir do centro espacial de Esrange, no norte da Suécia.

A operação TEXUS 48 foi realizada dentro do escopo do projeto Cryogenic Upper Stage Technologies (CUST), da Agência Espacial Europeia (ESA), algo que pode ser traduzido para o português como tecnologias de estágio superior criogênico. O projeto é parte do Programa Preparatório para Futuros Lançadores (FLPP, sigla em inglês), que deve dar origem ao sucessor do Ariane 5.

Assim, pode-se dizer que o VSB-30, certamente o mais bem sucedido engenho de tecnologia espacial brasileira, contribuiu de alguma forma para o futuro dos lançadores europeus.

Atualização, 16h10: recebemos um e-mail de Otavio Durão com comentários e um "puxão de orelha" à afirmação de que o VSB-30 é "certamente o mais bem sucedido engenho de tecnologia espacial brasileira". Com razão, Durão fez questão de lembrar dos casos dos satélites SCD-1 e SCD-2. O blog opina que do ponto de vista tecnológico, de fato os SCDs foram uma grande conquista ao Programa Espacial, tanto é que operam até hoje. O VSB-30, sem dúvidas, é um grande sucesso do ponto de vista comercial (é exportado), mas do ponto de vista tecnológico, devemos reconhecer os méritos do INPE e família SCD. O e-mail de Otavio Durão é reproduzido abaixo:

"André:

Creio que você deve se inteirar mais sobre os SCD-1 e 2, antes de afirmar que o VSB-30 é "....certamente o mais bem sucedido engenho de tecnologia espacial brasileira" (sic). Leve em conta as respectivas complexidades de um pequeno satélite (na época, para nós, nem tão pequeno assim) desenvolvido no país (projeto, fabricação de muitas partes e equipamentos, integração, testes, qualificação e operação) e as de um motor de combustível sólido (one shot - sem controle de queima). E leve em conta que os SCD foram projetados e desenvolvidos nas décadas de 70 e 80! Com tecnologia e eletrônica da época. E, o mais importante, o motor só precisa funcionar por alguns poucos minutos. Os SCD´s funcionam, por incrível que pareça, e pela pouca valorização e compreensão do que significa isto, respectivamente há 18 e 13 anos!!! É incrível!!

Creio que isto merece um reparo no blog. Como um tributo àqueles veteranos, muitos ainda na ativa e outros já aposentados, que fizeram História no meu entender com, este sim um dos maiores feitos da tecnologia no país.


Se tivéssemos dado continuidade não estaríamos hoje fazendo VSB-30´s!!!

Abraços
Otavio"

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terça-feira, 29 de novembro de 2011

TEXUS 48: VSB-30 lançado com sucesso

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No último domingo, 27 de novembro, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA) pode comemorar um dos melhores vôos realizado pelo foguete de sondagem VSB-30, no centro de lançamento de Esrange, no norte da Suécia.

Ás 10h10, horário local, 7h30 no horário de São José dos Campos (SP), foi lançado o VSB-30 V14 com a carga útil TEXUS 48.

Foi o 12º vôo do VSB-30, sendo três lançamentos realizados a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, e nove lançamentos de Esrange.

Dados do vôo:

- Apogeu: 258,4 km (estimado); 263 km (real);- Alcance da carga útil: 74,16 km (estimado); 72 km (real);- Dispersão do ponto de impacto = 1 - Tempo de microgravidade: 6 min 11 seg.

Fonte: IAE/DCTA, com edição do blog.
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Reportagem do Valor sobre o VSB-30 na Europa

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Europeus adquirem 21 foguetes brasileiros

Por Virgínia Silveira
Para o Valor, de Estocolmo e São José dos Campos

O presidente e CEO da SSC, Lars Persson, diz que há interesse em comprar também o foguete VLM, ainda em desenvolvimento, para lançar microssatélites.

O Brasil se transformou em um dos principais provedores internacionais de foguetes de sondagem, veículos suborbitais que podem transportar experimentos científicos para altitudes superiores à atmosfera terrestre, por períodos de até 20 minutos. O Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e a estatal sueca Swedish Space Corporation (SSC) compraram 21 motores-foguete do veículo de sondagem VSB-30, utilizado com sucesso em mais de 11 lançamentos no Brasil e na Suécia.

O negócio, segundo o diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), responsável pelo desenvolvimento desses foguetes, brigadeiro Francisco Carlos Melo Pantoja, está avaliado em € 3 milhões. Dos 21 motores comprados, segundo ele, oito são conjuntos completos - o foguete e mais dois motores - e outros cinco são do motor S-30, que será integrado em outro foguete usado pelos europeus, o americano Orion.

Segundo o presidente da SSC, os foguetes de sondagem brasileiros e especialmente o VSB-30, que já recebeu uma certificação internacional, são considerados os melhores do mundo em sua categoria. O VSB-30 substituiu o foguete inglês Black-Arrow, que deixou de ser produzido em 1979, depois de 266 lançamentos, sendo o último em 2005.

O lançador brasileiro vem sendo usado pelo Programa Europeu de Microgravidade desde 2005 e, no próximo dia 24 de novembro, fará seu 12º voo a partir do Centro de Lançamento de Esrange, em Kiruna, na Suécia. O interesse dos europeus pelos foguetes de sondagem brasileiros, desenvolvidos com a participação do DLR, no entanto, envolve outros modelos além do VSB-30.

Segundo o presidente e CEO da SSC, Lars Persson, a missão espacial Shefex II que levará, entre outros experimentos, um veículo hipersônico europeu, avaliado em 8 milhões de euros, será feita pelo foguete brasileiro VS40 M, um veículo de sondagem mais potente e veloz que o VSB-30. O VS40 M também foi adquirido pelo DLR alemão a um custo de 900 mil euros, segundo o IAE.

O lançamento do experimento Shefex II (Sharp Edge Flight Experiment) à bordo do VS40 M está previsto para fevereiro de 2012, mas uma equipe do IAE já está Base de Andoya, na Noruega, desde o mês passado, trabalhando na pré-montagem do foguete. O VS-40 M também lançará um experimento brasileiro, que consiste em uma placa de carbeto de silício. O material será utilizado na estrutura do Satélite de Reentrada Atmosférica (SARA), outro projeto do IAE.

O presidente da SSC disse que a empresa também está interessada em comprar o foguete brasileiro VLM, que está em fase de desenvolvimento e poderá lançar microssatélites de 100 a 150 quilos. Persson disse que a empresa estima um mercado anual de 10 lançamentos com o VLM.

"No futuro nós pretendemos utilizar o VLM, porque ele é uma ótima opção para lançar satélites pequenos e com um custo de lançamento bem mais barato que o dos grandes foguetes", explicou. O motor do VLM está sendo desenvolvido pela empresa brasileira Cenic, que utiliza a tecnologia de fibra de carbono, responsável por uma redução de 60% no peso do motor do foguete.

Já o mercado global de foguetes de sondagem sub-orbitais, considerando apenas as aplicações civis, é de mais de 100 lançamentos anuais, para cargas úteis (experimentos científicos e tecnológicos) na faixa de 50 a 200 kg de massa e em altitudes de 100 km. Em média, segundo estimativa feita pelo diretor do IAE, cada lançamento custa da ordem de US$ 1 milhão, mas existe uma expectativa de um crescimento para 1500 voos anuais se o preço do kg de carga útil for reduzido para US$ 250.

A parceria com a SSC no programa de foguetes de sondagem, segundo Pantoja, é vista com bons olhos, pois a empresa já está envolvida com a comercialização de foguetes no mercado europeu e desta forma oferece mais possibilidades de venda do produto brasileiro fora do país.

O VSB-30, por exemplo, tem a aprovação da Agência Espacial Europeia (ESA) para realizar voos na Europa transportando cargas científicas do Programa Europeu de Microgravidade. O foguete foi o primeiro produto espacial brasileiro a ser comercializado no mercado externo e também o primeiro a receber uma certificação de nível internacional.

O desenvolvimento do VSB-30 foi feito com investimentos da ordem de 700 mil euros e o Centro Aeroespacial DLR arcou com 100% desse valor. O foguete custa cerca de 320 mil euros. "Os ganhos dessa parceria não podem ser vistos somente sob o ponto de vista financeiro. Essa sinergia tem gerado conhecimento e transferência de tecnologia para os dois lados", comentou Pantoja.

Com faturamento de 180 milhões de euros por ano e 660 colaboradores em 11 países, a SSC é especializada no desenvolvimento de câmeras imageadoras para satélites de observação da Terra, prestação de serviços de recepção de dados de satélites, pesquisas em ambiente de microgravidade e vigilância marítima através de radares, câmeras e sensores.

Fonte: Valor Econômico, 06/10/2011, via NOTIMP.
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Preparativos para a missão SHEFEX 2

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Pré-Montagem do VS-40M SHEFEX2 e Revisão de Aceitação

Campo Montenegro, 14/09/2011

Desde o dia 06 de setembro uma equipe do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) encontra-se na Noruega - Andenes (Andoya Rocket Range - ARR) para a realização do VS-40M SHEFEX2 Pre-Trial, que consiste na pré-montagem do VS-40M naquele centro a fim de verificar as interfaces e antecipar possíveis ajustes de montagem do foguete, da carga útil e do lançador. Embora os motores de voo já estejam no ARR, nesta pré-montagem são utilizados motores inertes (mock-up), cujas interfaces mecânicas são idênticas às de voo.

Paralelamente, o DLR realiza a Revisão de Aceitação (Acceptance Review) do foguete VS-40M, que consiste na verificação de toda a documentação do foguete gerada durante a fabricação e compilada pelo IAE.

Além disso, as equipes do DLR aproveitam a presença dos especialistas do IAE para sanar dúvidas com relação as modificações incorporadas ao projeto e à engenharia de sistemas.

Todas estas atividades estão previstas no cronograma que antecede o lançamento do VS-40M, que está previsto para ser realizado em meados de fevereiro de 2012.

Fonte: IAE/DCTA

Comentário: para saber mais sobre o envolvimento brasileiro na missão SHEFEX, desenvolvido pela Deutschen Zentrums für Luft- und Raumfahrt (DLR), a agência espacial da Alemanha, acesse a postagem "O VLS "alemão"". Em 2011, aliás, comemoram-se 40 anos de cooperação espacial entre o Brasil e a Alemanha. Em breve, o blog Panorama Espacial postará um artigo sobre essa cooperação.
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quarta-feira, 11 de maio de 2011

CLBI: Operação Camurupim

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CLBI realiza cronologia simulada da Operação Camurupim

10-05-2011

Foi realizada, hoje (10), no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte, o treinamento operacional para o lançamento do foguete Orion V4, que faz parte da Operação Camurupim. O objetivo da simulação é treinar a equipe e fazer verificação do cumprimento do tempo previsto para cada etapa da cronologia de lançamento.

Segundo o Coordenador Geral da Operação, coronel Avandelino Santana Junior, o ensaio é necessário para que todas as interfaces que interagem na operação de lançamento (pessoal, equipamento, condições climáticas) sejam avaliadas para evitar imprevistos em um lançamento real. “A diferença entre a operação em si e a simulação cronológica é somente que o foguete não será lançado. Mas todos os outros testes serão feitos visando o sucesso da operação”, relatou.

A cronologia estava marcada para ontem (9), mas foi adiada por razões climáticas. A forte chuva que caiu na região impossibilitou a execução da simulação. A primeira tentativa de lançamento do foguete ocorrerá amanhã (11).

O tempo da cronologia simulada da operação até o instante que seria o de lançamento foi de cinco horas. O tempo estimado para duração de voo é de 320 segundos com apogeu de 105 quilômetros (os dados podem variar dependendo da elevação utilizada no lançador móvel definida de acordo com as condições climáticas).

Operação Camurupim – Durante a Operação Camurupim, que será realizada amanhã (11), será lançado foguete alemão Orion 4, equipado com carga útil tecnológica desenvolvida pela Agência Espacial Alemã (DLR, sigla em alemão) com finalidade de receber operacionalmente o Lançador Móvel de Foguetes de Sondagem, fabricado na Alemanha, que o CLBI recebeu recentemente.

Fonte: CLBI, via AEB

Atualização, 11/05/2011:

IAE realiza com sucesso a Operação Camurupim no CLBI

O foguete Orion V4 foi lançado com sucesso no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte, após a primeira tentativa de lançamento, nesta quarta-feira (11). O lançamento ocorreu às às H0 14h48min55s (horário local), tendo como apogeu 99,7 km, alcance de 88,4 km e tempo de voo 5min 22s.

Na Operação Camurupim, o foguete foi equipado com carga útil tecnológica desenvolvida pela Agência Espacial Alemã (DLR), com o objetivo de receber operacionalmente o Lançador Móvel de Foguetes de Sondagem fabricado na Alemanha que o CLBI recebeu recentemente.

Os ensaios para o lançamento do veículo Orion V04 foram realizados nos dois dias anteriores, segunda (9) e terça-feira (10), com a finalidade treinar as equipes na execução das tarefas referentes à operação.

No dia 9 a Cronologia Simulada da Operação Camurupim foi interrompida no início da tarde devido a condições climáticas desfavoráveis (chuvas). No dia 10 todas as etapas foram executadas com sucesso possibilitando, assim, a verificação precisa da realização das tarefas associadas ao evento. O treinamento Operacional foi iniciado às 9 horas e encerrado às 15 horas (horário local).

Fonte: IAE/DCTA
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domingo, 17 de abril de 2011

LAAD 2011: notícias sobre espaço

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A seguir, apresentamos algumas notas sobre os principais destaques e notícias na área espacial durante a LAAD 2011, que aconteceu no Rio de Janeiro entre os dias 12 e 15 de abril.

Balanço da feira

A LAAD 2011, maior evento de defesa e segurança da América do Sul, foi encerrada na última sexta-feira, 15 de abril, com um número recorde de expositores e visitantes. Foram ao todo 663 expositores de 40 países, e 25 mil visitantes.

A edição de 2011 da LAAD certamente ficará conhecida pelos anúncios de aquisições e parcerias, em linha com o movimento de consolidação dos setores aeroespacial e de defesa ora em curso no País. Tecnologia & Defesa foi a responsável pela produção do Show News, inédito, durante os quatro dias da feira. Para acessá-los e saber mais sobre as principais notícias e acontecimentos na feira, clique aqui.

Raupp: "prime-contractor" e VLS

O novo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, abordou em sua palestra no III Seminário de Defesa o processo de avaliação crítica pelo qual o Programa Espacial Brasileiro será submetido. Raupp também destacou a necessidade do programa nacional contar com um "prime-contractor" que exerça a função de integradora dos projetos de satélites e lançadores. O dirigente fez questão de frisar que esta é sua opinião pessoal e que qualquer definição neste sentido terá que ser discutida e aprovada como uma política espacial.

Marco Antonio Raupp também falou sobre a evolução do programa VLS, com possibilidades de cooperação com a Rússia e Alemanha (DLR). A cooperação espacial com a Alemanha, aliás, completará 40 anos em 2011.

José Monserrat Filho na AEB

Durante a LAAD 2011, o blog Panorama Espacial recebeu a notícia de que José Monserrat Filho substituirá o Embaixador Carlos Campelo na chefia da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB. Monserrat, renomado especialista em Direito Espacial, ocupou a chefia de cooperação internacional do Ministério da Ciência e Tecnologia durante a gestão do ministro Sérgio Resende.

Problemas com polibutadieno

Em sua apresentação no seminário, o Brig. Kasemodel informou que de dois anos para cá o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA) tem encontrado dificuldades para adquirir a resina polibutadieno, um dos componentes do combustível sólido usado pelos foguetes brasileiros (os outros dois são o perclorato de amônio e alumínio em pó). A Petroflex fabricava a resina, mas depois de ter sido adquirida por um grupo alemão (Lanxess), a fabricação foi descontinuada. O IAE está em busca de recursos financeiros para viabilizar a fabricação por uma indústria nacional, e a Avibras é uma das candidatas.

Sensor ótico da Equatorial Sistemas

Discretamente, no estande do grupo EADS na feira, estava em exposição o sensor HIRIS (Hyperspectral Imager for Remote Intelligence & Surveillance), desenvolvido pela brasileira Equatorial Sistemas, da Astrium, com recursos da FINEP. Além de satélites, o sensor, adaptado, pode ser usado numa variedade de plataformas, tais como aviões, helicópteros e veículos aéreos não tripulados. A Equatorial, aliás, venceu a licitação para a fabricação do gravador digital de dados do satélite Amazônia-1, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Presença italiana

Além da AEB, outra entidade espacial governamental esteve presente na LAAD, a Agência Espacial Italiana (ASI). O foco da presença europeia foi observação terrestre, particularmente por meio de radares, campo em que a Itália é líder na Europa com a constelação COSMO-SkyMed. Os italianos, a propósito, não escondem o grande interesse em cooperar com o Brasil nesse campo, colocando-se, inclusive, como alternativa para o desenvolvimento conjunto da missão radar pretendida pelo INPE.

14-X: veículo hipersônico do IEAv

Um dos destaques na LAAD 2011 da área de ciência e tecnologia do Comando da Aeronáutica foi a apresentação de um mock-up do veículo hipersônico 14-X, em desenvolvimento pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv/DCTA). Dois jornalistas estrangeiros presentes no evento procuraram o blog para ter mais informações sobre o projeto, que foi, aliás, notícia no portal da revista especializada Flight International (veja aqui). O voo do primeiro protótipo, previsto para 2012 ou 2013, será realizado acoplado no foguete VSB-30. A iniciativa do IEAv conta com a participação de indústrias nacionais, como a Britanite e a Flight Technologies.

Star One e "hosted payloads"

Lincoln Oliveira, vice-presidente da Star One, da Embratel, fez interessante apresentação no seminário sobre "hosted payloads" para o mercado de defesa. O Ministério da Defesa já é usuário deste conceito com a própria Star One, dispondo de transponders de banda X (para comunicações militares - SISCOMIS) a bordo de satélites da operadora brasileira. Existe a expectativa de que o satélite geoestacionário Star One C5, que poderá ser contratado pela operadora em 2012, disponha de um novo transponder banda X para o SISCOMIS, uma vez que substituirá o Brasilsat B4, colocado em órbita em 2000 e que conta com um transponder de mesma banda.

Star One C4

E por falar em Star One, está em andamento uma concorrência promovida pela empresa para a contratação do Star One C4, de grande porte. De acordo com o apurado pelo blog, a concorrência deve ser concluída até meados deste ano, e estão participando dois fabricantes dos EUA (Boeing e Loral) e dois do continente europeu (Thales Alenia Space e Astrium). Seguindo o exemplo do que ocorreu na contratação do Star One C3, o valor do dólar frente ao euro deve ser determinante na escolha.
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