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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Contratos industriais do CBERS

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Há no relatório de gestão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) referente ao ano de 2008 uma interessante tabela (página 22) detalhando a execução financeira no ano passado relacionada ao projeto da segunda geração do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, sigla em inglês).

Dezenas de indústrias nacionais, sozinhas ou em consórcio contratadas pelo INPE receberam cerca de R$ 42,8 milhões no ano passado. Destaques para a Optoeletrônica, de São Carlos (SP), e Consórcio WFI (formado pela própria Optoeletrônica e pela Equatorial Sistemas), contratadas para a produção de câmeras dos CBERS 3 e 4, que receberam R$ 7,3 milhões e R$ 10,6 mihões, respectivamente.

Nomes como Omnisys Engenharia, Consórcio CFF (Cenic e Fibraforte), Orbital Engenharia, Aeroeletrônica e Mectron, entre outros, figuram na tabela.

Nas compras internacionais, um dos destaques foi um contrato de aproximadamente de R$ 5,5 milhões com a europeia EADS SODERN para o fornecimento de módulos de detecção das câmeras MUX e WFI, que equiparão os satélites CBERS 3 e 4.

Apesar dos problemas enfrentados pelo programa CBERS por causa da regulação ITAR, dos EUA, o INPE ainda assim consegue adquirir alguns componentes junto à companhias norte-americanas, como da Agilent Technologies e da californiana Trident Space & Defense. O maior volume executado no exterior no ano passado foi, no entanto, com a Tecnológica, Ingeniería, Calidad y Ensayos S.A., empresa espanhola que fornece componentes eletrônicos para os CBERS. O valor total executado em 2008 pelo INPE em contratos internacionais relacionados ao projeto espacial sino-brasileiro foi de pouco mais de R$ 20,7 milhões.

Para ler postagens anteriores com informações sobre o relatório de gestão de 2008 do INPE, clique aqui, aqui e aqui.
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domingo, 10 de maio de 2009

INPE vai de CBERS-SAR?

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O relatório de gestão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) sobre o ano de 2008 (clique aqui para ler a postagem anterior sobre o documento) coloca como uma das principais metas do Instituto para os próximos anos, dentro do Planejamento 2009-2012, a definição da missão dos satélites CBERS 5 e 6, e também do chamado CBERS-SAR.

O CBERS-SAR será uma versão do satélite sino-brasileiro de sensoriamento remoto com um sensor radar (SAR, sigla de Synthetic Aperture Radar). Em entrevista concedida ao blog no mês de fevereiro (veja aqui), Gilberto Câmara, diretor do INPE contou que uma das alternativas caso o MAPSAR não se concretizasse por falta de interesse da Alemanha seria o desenvolvimento de um satélite-radar com a China. O interessante é que esta seria uma alternativa, a depender da definição alemã. Porém, o INPE já avança ao ponto de definir uma possível missão, e inclusive listá-la em suas prioridades.

As restrições impostas pela legislação norte-americana ITAR (International Traffic Arms Regulations) ao Programa CBERS, mas que acabam prejudicando também outros projetos do Programa Espacial, inclusive de satélites, parecem não preocupar. Esta seria uma das razões pela qual muitos apostam que o CBERS não terá continuidade. Algo a se conferir no futuro.

A propósito da cooperação espacial entre o Brasil e a China, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem embarca para Pequim essa semana.
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domingo, 29 de março de 2009

A face comercial da ITAR

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As últimas semanas foram de polêmica no setor espacial francês, polarizada entre a principal provedora mundial de lançamentos espaciais, a europeia Arianespace, e a gigante de telecomunicações via satélite Eutelsat. A polêmica começou com uma carta de Jean-Yves Le Gall, presidente da Arianespace, enviada ao presidente francês Nicolas Sarkozy, criticando a contratação da China para a execução da colocação em órbita de um satélite de telecomunicações da Eutelsat.

Na semana passada, durante o evento Satellite 2009, realizado em Washington, nos Estados Unidos, a polêmica atingiu seu ápice, com Le Gall acentuando suas críticas. "Vários governos - mais notavelmente o dos Estados Unidos - têm boas razões para desejar que não haja transferência de tecnologia para a China". Sob o seu ponto de vista, a decisão da Eutelsat de contratar um lançador chinês poderia ser interpretada como um ato "hostil aos EUA." "Nós estamos chocados com isto (a política) ter sido colocado em prática", concluiu.

Jean-Paul Brillaud, executivo da Eutelsat, não deixou por menos. Alegou que a escolha do lançador chinês Longa Marcha foi baseada em preço e cronograma. "A garantia da data do lançamento foi fator principal na escolha que fizemos". Houve também uma "questão de preço", afirmou, acrescentando que a Arianespace "aumentou significativamente os seus preços".

O satélite geoestacionário W3C, a ser lançado por um foguete Longa Marcha chinês, foi construído pela europeia Thales Alenia Space e é considerado “ITAR-free”, isto é, não possui componentes de origem norte-americana. Isso não evitou, porém, a crítica de Le Gall, que alegou que o W3C possui componentes europeus igualmente sensíveis, desrespeitando o “espírito da regulação ITAR”.

O discurso de Le Gall conquistou apoiadores nos EUA, particularmente políticos. Dana Rohrabacher, congressista, disse em audiência no congresso americano que Washington deveria exercer pressão econômica sobre a Eutelsat para fazê-la reverter a decisão de contratar um lançador chinês. "A Eutelsat vende dezenas de milhões de dólares em serviços de satélites para o governo dos EUA," afirmou.

Le Gall usou argumentos de natureza política (ITAR) para uma briga eminentemente comercial. É pouco provável que o lançamento de um satélite estrangeiro por um lançador chinês possibilite algum tipo de acesso a tecnologias ou conhecimentos sensíveis que a China já não detenha. A situação é, portanto, diferente do escândalo de transferência “involuntária” à China de tecnologia de lançadores por companhias americanas como a Loral Space & Communications, Hugues Electronics e Lockheed Martin, em meados da década de noventa, o que levou, inclusive, a uma maior restrição pelo governo das regras da ITAR (International Traffic in Arms Regulations).

Ao falar em “espírito da regulação ITAR”, o presidente da Arianespace inovou. Estaria a França pensando em aplicar uma legislação estrangeira aos seus negócios? Imagina-se que não. O argumento de Le Gall é, aliás, contraditório com as práticas comerciais francesas nos setores Aeroespacial e de Defesa, inclusive de empresas que integram a própria estrutura societária da Arianespace, que largamente oferecem ao mercado global soluções “ITAR-free”.

Essa polêmica mostra que a ITAR também está sendo usada para disputas comerciais. Se por um lado a indústria norte-americana lamenta a considerável perda de mercado em decorrência da legislação, a Arianespace a utiliza conforme os seus interesses.

Como o Brasil deseja se tornar um player em lançamentos espaciais (Alcântara Cyclone Space - ACS), essas disputas, nas suas mais variadas vertentes, farão parte do negócio. Resta saber como a ACS e o governo brasileiro irão atuar nesse ambiente.
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Entrevista com Gilberto Câmara – Parte I

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A entrevista concedida por Gilberto Câmara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) ao blog foi dividida em sete tópicos principais, a saber: cortes orçamentários; Programa CBERS; ITAR; compra de ACDH argentino; política industrial; observação da Amazônia; e comentários finais.

Gilberto Câmara é graduado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), estando no INPE desde 1980, onde fez o seu mestrado e doutorado em Computação. Antes de assumir a direção do Instituto, em dezembro de 2005, Câmara respondia pela coordenação de Observação de Terra.

Os três primeiros tópicos da entrevista seguem abaixo. A parte final entra no ar no início da próxima semana.

Cortes orçamentários

O INPE teve o seu orçamento para esse ano severamente atingido por cortes feitos pelo governo, prejudicando principalmente os projetos dos satélites CBERS e Amazônia-1, em particular contratos celebrados com indústrias da cadeia espacial. Segundo o diretor do INPE, o Instituto tem trabalhado junto ao Ministério do Planejamento para repor o volume de recursos perdidos – cerca de 50 milhões de reais, e conta, no entender de Câmara, com um argumento bastante forte a seu favor: a importância de se manter empregos na indústria espacial contratada para esses projetos, ainda mais num momento de crise em São José dos Campos em decorrência das demissões anunciadas pela Embraer.

Programa CBERS

Questionado sobre a ocorrência de atrasos no projeto sino-brasileiro, Câmara reconheceu que houve alguns, especialmente há cerca de dois anos, por causa das restrições impostas pelo governo dos EUA em decorrência do ITAR. O cronograma como um todo do projeto dos CBERS 3 e 4 foi atrasado em um ano, sendo que o primeiro satélite da segunda geração deve ficar pronto até o final de 2010, sendo, então, disponibilizado para o lançamento.

Em relação a uma possível continuidade do Programa, Câmara afirmou que durante a visita do ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende à China, por ocasião do lançamento do CBERS 2B, em setembro 2007, foi assinado um memorando de entendimento para se estudar a continuidade do Programa, prevendo-se a construção de outros dois satélites (CBERS 5 e 6). Um comitê técnico conjunto integrado por brasileiros e chineses deve se reunir em março para preparar uma recomendação técnica, que será então encaminhada à Agência Espacial Brasileira (AEB) e a sua contraparte chinesa, órgãos competentes para a aprovação da continuidade.

Caso aprovado, os dois satélites da nova geração seriam lançados a partir de 2014 ou 2015, e contariam com diversas modificações, especialmente nas cargas úteis. Várias alternativas têm sido discutidas e analisadas, como a melhoria nas resoluções dos sensores óticos.

ITAR

De acordo com o diretor do INPE, existe forte proibição imposta pelo governo dos EUA para a cooperação espacial com a China, em razão das regras do ITAR (International Traffic in Arms Regulations). Essas restrições têm obviamente afetado o Programa CBERS. Projetos nacionais como o do satélite Amazônia-1 são menos prejudicados, embora existam limites ainda não testados que podem levar a restrições tecnológicas, como a melhoria da resolução das câmeras espaciais, segundo exemplificou Câmara.

Por utilizar componentes de origem norte-americana, o Amazônia-1 não pode ser colocado em órbita por um lançador chinês.

O blog perguntou ao diretor do INPE sobre o posicionamento do Instituto em relação a uma possível flexibilização de Washington nas regras do ITAR, tema já abordado aqui há algumas semanas (veja a postagem “Reforma do ITAR e consequências para o Brasil”). Gilberto Câmara disse que não existe sinalização de qualquer flexibilização das regras do ITAR. Afirmou que é possível que os EUA adotem uma postura mais aberta e menos agressiva quanto ao assunto, mas que há também a ideia de combate ao terrorismo internacional (nota do blog: um dos objetivos do ITAR é justamente evitar que tecnologias sensíveis caiam em mãos de organismos terroristas ou “rogue states”, que de alguma forma contribuem com práticas terroristas). Não existiria, portanto, garantia de flexibilidade política.

Câmara lembrou ainda a possibilidade de que qualquer atitude do governo Obama de flexibilizar o ITAR tenha que enfrentar a oposição republicana no congresso americano.
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Reforma do ITAR e consequências para o Brasil

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Na edição de 9 de fevereiro da revista norte-americana Newsweek foi publicada uma interessante reportagem sobre os Regulamentos de Tráfico Internacional de Armas (International Traffic in Arms Regulations - ITAR), que vigoram nos EUA. As regras do ITAR já foram objeto de algumas postagens no blog, particularmente relacionadas ao programa dos Satélites Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres (CBERS).

Com o sugestivo nome "Why America is Lost in Space", a reportagem apresenta um panorama bastante objetivo sobre as consequencias do ITAR para a indústria espacial norte-americana. O trecho abaixo (tradução livre do blog) sintetiza com um exemplo essas consequências:

"O impacto é mais intensamente sentido no negócio de satélites comerciais, que movimenta US$ 123 bilhões anuais e que tem crescido a taxas superiores a 10% ao ano por mais de uma década. Em 1998, antes do ITAR, empresas norte-americanas respondiam por 73% do mercado mundial. Dois anos mais tarde a participação de mercado dos EUA tinha caído para 27%. Durante o mesmo período, a participação de empresas europeias cresceu de cerca de 25% para mais do que a metade, de acordo com a Associação de Indústrias de Satélites, de Washigton, D.C."

Seria muita presunção creditar toda essa redução da fatia de indústrias do EUA ao ITAR, mas certamente parte considerável desse percentual se deve a esse conjunto de normas.

Existe grande expectativa nos EUA de que o presidente eleito, Barack Obama promova algum tipo de reforma nessa legislação. A própria crise financeira global reforça essa necessidade. Jeff Foust, um dos mais capazes analistas norte-americanos sobre espaço escreveu no início de dezembro um artigo ("The uphill battle for export control reform") sobre o assunto. Para os que se interessam pelo assunto, recomendamos fortemente a leitura.

Uma eventual reforma com certa flexibilização das regras do ITAR evidentemente teria reflexos no Programa Espacial Brasileiro. Os programas de lançadores e foguetes de sondagem do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), e a parceria com a China no Programa CBERS são alguns dos projetos nacionais que sofrem em decorrência da regulamentação norte-americana.

De fato, mesmo com a vigência do ITAR, existem alguns indicativos de tendência de flexibilização da postura do governo dos EUA com o Brasil. Um exemplo é o Programa F-X2, de compra de novos aviões de combate para a Força Aérea Brasileira (FAB), que, em tese e diretamente, nada tem a ver com o Programa Espacial. A norte-americana Boeing oferece o caça F/A 18 E/F Super Hornet. Nos bastidores, já teve representante de concorrentes da Boeing no F-X2 afirmando ao pé do ouvido ser "a proposta americana imbatível". É uma mudança de postura que, se confirmada, atingirá de alguma forma e com alguma intensidade as atividades espaciais desenvolvidas no Brasil. Algo a se conferir.
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sábado, 10 de janeiro de 2009

Embargos dos EUA ao Programa Espacial Brasileiro

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Há quase um mês, em 17 de dezembro de 2008, foi realizado em São José dos Campos (SP) o 62° Fórum de Debates Projeto Brasil sobre Tecnologia Militar, organizado pela Agência Dinheiro Vivo, do jornalista Luis Nassif. Um dos palestrantes foi o Brig. Eng. Venâncio Alvarenga Gomes, Subdiretor de Empreendimentos do Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), que apresentou palestra intitulada "CTA: Ciência e Tecnologia para a Defesa Nacional" (clique sobre o nome da palestra para acessá-la).

A apresentação tem alguns slides interessantes sobre embargos dos EUA a projetos nacionais nos setores Aeroespacial e de Defesa. Quanto aos embargos sobre o Programa Espacial, recomendamos a leitura dos slides 10 a 14. Descrevem com alguns detalhes alguns embargos que projetos do CTA sofreram, e também as dificuldades para se conseguir licenças para exportação, exigidas por causa de uma legislação interna norte-americana, a International Traffic in Arms Regulation (ITAR).

Reproduzimos abaixo alguns dos casos de embargos ou dificuldades impostas pelo ITAR:

- Foguetes de sondagem: trecho de carta do Departamento de Estado dos EUA: "Current U.S. Nonproliferation Policy prohibits support to the Brazilian Sounding Rocket Programs". Tradução livre para o português: "a atual Política de Não-Proliferação dos EUA proíbe apoio aos Programas Brasileiros de Foguetes de Sondagens".

- Tratamento térmico dos motores do VLS-1: em 1982, foi dado início nos EUA ao tratamento térmico dos tubo-motores do VLS (aço 300M). Em 1990, o Departamento de Estado dos EUA embargou definitivamente a atividade. A siderúrgica Vilares passou a fazer o tratamento em 1995, mas em 2006 desistiu da atividade, tendo desmontado as instalações de tratamento térmico do aço 300M e devolvido o forno ao CTA.

- Sistemas Inerciais para Aplicações Espaciais: não foi possível adquirir nos EUA (i) sistema de navegação inercial para lançadores de satélites; e (ii) bloco girométrico para controle de atitude para satélites em órbita.

- Compra de circuitos integrados: após a realização do lançamento de um foguete de sondagem VSB-30 em julho de 2007 (Operação Cumã-II), não se conseguiu mais adquirir o referido circuito nos EUA.

- Metalização do VLS-1: metalizar um veículo é tornar sua estrutura eletricamente condutora (deslocamento ou descargas atmosféricas induzem eletricidade estática). Em 14 de novembro de 2008, a empresa americana Lightning Technologies, que detém a tecnologia de metalização que estava em fase final de contratação cancelou o contrato. A razão: ”I discussed the program with out [sic] ITAR consultant and she says we need to apply for a license before we can continue with any work. Unfortunately, the costs in services and labor for the license application means there is not sufficient funding on the contract to support your project. Therefore, we must regrettably decline the work at this time. Please proceed with cancelling our contract." Isto é, depois de uma conversa com a consultora de ITAR da empresa, chegou-se a conclusão de que seria necessário obter uma licença para a prestação de serviços. Os custos em termos de serviços e trabalho para obter a licença seriam muito altos, pedindo então que se cancelasse o contrato.
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terça-feira, 29 de julho de 2008

Embargo dos EUA

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Não é segredo que o projeto do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS) tem sofrido com os embargos impostos pelo governo dos Estados Unidos. Estes embargos são respaldados pela ITAR — International Traffic in Arms Regulations, legislação interna norte-americana que restringe e em alguns casos impede a exportação de componentes para determinados países, um deles, a China. Este problema foi, aliás, muito bem abordado em excelente reportagem assinada por Janaína Simões, divulgada no boletim eletrônico Inovação Unicamp desta semana (para ler a reportagem, clique aqui).

Em teoria, o embargo americano deveria afetar apenas o CBERS, mas alguns outros projetos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) também têm sofrido conseqüências, ainda que indiretas. Este é o caso, por exemplo, da Plataforma Multimissão (PMM), vítima de atrasos em decorrência do aumento da burocracia para a importação de componentes dos EUA.

O drama brasileiro, ora do INPE, ora das indústrias envolvidas com a PMM, em grande parte se deve aos "end user declarations", documentos que respondem questões feitas pelo governo dos EUA, como se o satélite que usará os componentes importados será lançado por foguete chinês, ou se se trata de projeto em parceria com a China.

Um exemplo que ilustra bem o peso dos trâmites burocráticos no cronograma da Plataforma Multimissão, já bem atrasado, foi o processo de importação dos tanques da propulsão, (componentes duais, que podem ser usados em foguetes ou mísseis) para o primeiro modelo da PMM, comprados da empresa norte-americana PSI, e que chegaram ao Brasil quase cinco meses após o despacho pela fabricante.

Apesar da burocracia, segundo afirmou ao blog Mário Quintino, futuro coordenador geral de Engenharia e Tecnologia Espacial do INPE, nunca se deixou de comprar componentes americanos para a PMM por causa de embargos. Este é, de fato, um problema muito mais crítico para o CBERS. "Com o CBERS nós temos problemas, e isto pode induzir fortes atrasos", diz Quintino.

Algumas estratégias para lidar com o embargo de Washington já são discutidas internamente no INPE, como o chamado "up-screening", que, grosso modo, consiste em utilizar técnicas de seleção de componentes eletrônicos para aproveitar componentes de uma categoria inferior, disponíveis comercialmente, por exemplo, em uma aplicação que demandaria outras de categoria superior. Uma das idéias é justamente montar no INPE uma pequena equipe focada neste tipo de atividade.
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