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Workshop internacional discute campanha científica que avaliará impactos da poluição na chuva da Amazônia
Sexta-feira, 16 de Maio de 2014
Entre os dias 19 e 22, será realizado o workshop ACRIDICON-CHUVA, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), reunindo pesquisadores brasileiros e estrangeiros, principalmente da Alemanha, para discutir o planejamento de uma campanha científica que será realizada em setembro e outubro deste ano na região amazônica. A campanha abrange medidas em solo e aéreas com sobrevoos diários, durante um mês, de aeronaves no entorno de Manaus, arco do Desflorestamento (Porto Velho, Alta Floresta, etc.) e regiões de queimadas. A campanha fará medidas para avaliar impactos da poluição urbana e de queimadas (aerossóis) no ciclo de vida de nuvens e na formação de nuvens de tempestades na região amazônica.
A campanha ACRIDICON (Aerosol, Cloud, Precipitation, and Radiation Interactions and Dynamics of Convective Cloud Systems) faz parte de um programa mais amplo, o GoAmazon, cujos experimentos estão em operação desde o início deste ano. O objetivo do programa é compreender melhor os impactos da poluição atmosférica de Manaus e de queimadas no sistema tropical amazônico e suas possíveis influências no clima regional e global.
O GoAmazon está programado para durar dois anos, devendo encerrar suas atividades no final de 2015. O programa é composto por duas campanhas científicas intensivas, que fazem uso de aeronaves para medidas de parâmetros atmosféricos e de poluição urbana e de queimadas. Participam e apoiam este grande esforço de pesquisa diversas instituições científicas brasileiras e estrangeiras (INPE, INPA, DCTA, USP, UEA, Instituto Max Planck, Universidade de Leipzig) e agências de fomento e apoio à pesquisa (FAPESP, FAPEAM, DLR, da Alemanha, e Departamento de Energia –DOE – dos Estados Unidos), reunindo mais de 100 pesquisadores.
A primeira campanha de medidas intensivas na região foi realizada entre os meses de fevereiro março, durante a estação chuvosa. Foram coletados dados de química da atmosfera e parâmetros meteorológicos no entorno da região metropolitana de Manaus, com equipamentos em solo, instalados em diferentes locais, e a partir de sobrevoos diários da aeronave científica Gulfstream-1, do Departamento de Energia (DOE), dos Estados Unidos.
Durante o workshop ACRIDICON-CHUVA, a ser realizado semana que vem no INPE, será finalizada a programação da segunda campanha intensiva na região, que terá a participação de duas aeronaves científicas: Gulfstrem-1, do DOE, e HALO (High Altitude and Long Range Research Aircraft), da Alemanha. O experimento será realizado durante a estação seca da região amazônica, quando também ocorrem chuvas intensas, mas em menor quantidade.
Segundo Luiz Augusto Machado, pesquisador do CPTEC/INPE, coordenador do Projeto CHUVA e da parte brasileira do ACRIDICON, voos simultâneos estão programados para medidas de plumas de fumaça e nuvens convectivas, com o intuito de avaliar os efeitos de partículas e aerossóis originados das queimadas e da poluição urbana sobre as propriedades microfísicas, químicas e radiativas das nuvens de tempo bom e de tempestades.
Em solo, estão montados e em operação, desde o início do ano, um radar de alta resolução para medidas de diversos parâmetros do interior das nuvens e diversos equipamentos que integram o Projeto CHUVA.O objetivo específico deste projeto, que conta com o apoio da FAPESP e a coordenação do CPTEC/INPE, é compreender os regimes de chuva do país, já tendo passado por seis regiões brasileiras diferentes. O SOS Chuva Manaus, componente deste projeto, desenvolvido para prever e monitorar chuvas, vem sendo utilizado na logística das campanhas intensivas do GoAmazon, mantendo-se aberto a qualquer usuário.
No primeiro dia do workshop, dia 19/05, coordenadores e lideranças da campanha científica irão definir os detalhes da logística da ACRIDICON CHUVA que terá a cidade de Manaus como base operacional do experimento. Além dos pesquisadores brasileiros, do CPTEC/INPE e USP, estarão presentes representantes e cientistas da agência espacial alemã (DLR), Leipzig University, Departamento de Energia (DOE), dos Estados Unidos, e do Instituto Max Planck, como Andi Andrea, também editor da Science. Entre os dias 20 e 22, estão programadas apresentações de projetos associados à campanha científica (confira o programa) e sessões irão promover a integração de pesquisadores brasileiros e alemães para dar início a parcerias e trabalhos conjuntos.
Os experimentos do GoAmazon irão compor um grande banco de dados, a partir do qual pesquisas deverão ser realizadas para compreender com maior profundidade como os aerossóis orgânicos e aqueles gerados a partir da poluição urbana, associados aos fluxos de superfície, influenciam os ciclos de vida de nuvens e as chuvas convectivas (intensas e localizadas) e estratiformes (menos intensas e de maior extensão), características da região amazônica. Sabe-se que os aerossóis têm papel central nos processos de nucleação de nuvens e na precipitação, mas pretende-se compreender com maior profundidade os processos e implicações destas partículas na atmosfera amazônica.
A expectativa é de que a melhor representação destes processos químicos e físicos na atmosfera possam trazer avanços à modelagem do clima regional e de cenários globais de mudanças climáticas, tendo em vista os possíveis impactos produzidos no regime de chuvas da Amazônia pelos processos de urbanização e de desmatamento.
Fonte: INPE, com edição do blog Panorama Espacial.
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terça-feira, 20 de maio de 2014
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
"FINEP - Apoiando a inovação em setores estratégicos"
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FINEP - Apoiando a inovação em setores estratégicos
André M. Mileski
Não é incomum encontrar em projetos nacionais de tecnologia militar o nome FINEP, ou então seu logotipo em protótipos ou cartazes de apresentação. De fato, esta sigla, de alguma forma, direta ou indiretamente, está presente em praticamente todos os setores considerados estratégicos pelo Brasil, como a agricultura, petróleo e gás, energia, telecomunicações, biotecnologia e, é claro, defesa e aeroespacial. Mas, afinal, o que vem a ser a FINEP, e qual é o seu papel?
Criada em 24 de julho de 1967, a FINEP - Agência Brasileira da Inovação é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a missão de”promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil por meio do fomento público à Ciência, Tecnologia e Inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas.”
A partir de 1969, com a instituição pelo Governo Federal do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), criado com o propósito de financiar a expansão do sistema de Ciência &Tecnologia, o papel da FINEP como indutora de atividades inovadoras ganhou enorme impulso. Tal função, associada ainda ao seu caráter de financiadora do desenvolvimento científico e tecnológico, ficou ainda mais evidenciada com a edição da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia & Inovação (ENCTI), análoga da Estratégia Nacional de Defesa em relação à Ciência & Tecnologia que, aliás, elenca dentre as áreas prioritárias o Complexo Industrial da Defesa, o Aeroespacial e o Nuclear.
Atualmente, a FINEP apoia todas as etapas e dimensões do ciclo que se estende da pesquisa básica à aplicada, além da melhoria e desenvolvimento de processos, produtos e serviços associados à inovação. Na esfera privada, sua atuação se dá por meio de programas de liberação de recurso reembolsáveis, na forma de empréstimos, não reembolsáveis (subvenções), e também investimentos indiretos, por meio de fundos de investimento, em empresas classificadas como inovadoras.
Junto ao apoio direto a essas iniciativas pela iniciativa privada, a FINEP ainda atua na destinação de recursos não reembolsáveis, oriundos de fundos setoriais, para o apoio a projetos de C,T&I apresentados por instituições científicas e tecnológicas (ICTs) nacionais. É nesse âmbito que a empresa administra o PROINFRA, para apoio a projetos de manutenção, atualização e modernização da infraestrutura de pesquisa de ICTs. Dezenas de universidades e centros de pesquisa brasileiros recebem recursos para a criação, ampliação e/ou modernização de laboratórios e infraestrutura para Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (P,D&I).
As linhas de financiamento da FINEP são abastecidas com recursos orçamentários, do MCTI, e também pelos Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia, criados a partir de 1999. Hoje, existem 17 desses fundos, sendo 14 para setores específicos, dentre eles o aeronáutico e o espacial. Os fundos setoriais são capitalizados por variadas fontes, como contribuições incidentes sobre o resultado da exploração de recursos naturais pertencentes à União, e parcelas de tributos incidentes em setores e atividades específicas.
Aeroespacial e de defesa
Com base em indicadores de intensidade de P,D&I, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, sigla em francês) classifica os setores produtivos em quatro grupos principais de intensidade tecnológica, sendo que o aeroespacial, ao lado dos farmacêutico, informática, eletrônica e comunicações figuram no topo dessa classificação, considerados de alta intensidade tecnológica.
Não é sem motivo, portanto, que a FINEP tem apoiado ao longo de sua história iniciativas nas áreas aeroespacial, de defesa e segurança, tanto por meio de apoio direto à iniciativa privada, com financiamentos e subvenções econômicas, como investimentos e aportes de recursos em programas de centros de pesquisa e tecnologia das três Forças Armadas, universidades e entidades ligadas ao Programa Espacial Brasileiro.
Em matéria aeronáutica, por exemplo, um dos projetos mais bem sucedidos e que contou com o apoio da agência foi a aeronave de treinamento EMB-312 Tucano, da Embraer, que obteve grande sucesso em exportações e também contribuiu de forma significativa para determinadas capacitações pela Embraer, hoje terceira maior fabricante de aeronaves no mundo.
No campo espacial, é também largamente reconhecida a atuação, tanto na cadeia industrial ou diretamente no projeto propriamente dito, da FINEP no programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), iniciado no final da década de 1980 e com cinco satélites de observação já contratados. Com a retomada nos últimos anos da indústria brasileira de defesa, o papel da FINEP como indutora do desenvolvimento de novas tecnologias foi fortalecido. No período de 2004 ao início de 2011, a agência destinou mais de R$1 bilhão apenas para a área de defesa, montante significativamente ampliado nos últimos anos.
Uma das empresas mais beneficiadas com o apoio da FINEP é a Mectron, de São José dos Campos (SP), hoje parte da Odebrecht Defesa e Tecnologia. Ao longo de sua história, recebeu contratos com a agência que, somados, superam mais de R$382 milhões, principalmente para projetos de mísseis. Apenas o míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, uma parceria binacional do Brasil e da África do Sul, registrou aportes de linhas do MCTI próximos de R$250 milhões.
No campo naval, projetos tecnológicos não tão conhecidos, mas significativos, também foram beneficiados pela FINEP. É o caso do Sistema de Detecção, Acompanhamento e Classificação de Contatos (SDAC), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) em conjunto com a Atech, cujo objetivo futuro é obter um sistema sonar passivo nacional; do Sistema de Aquisição de Dados Acústicos, Magnéticos, Pressão e Campo Elétrico (SAAMPE), para emprego em guerra de minas navais; e do Sistema Integrado de Navegação Inercial para Veículos Submarinos Autônomos (SINVSA).
Em segurança pública, nos últimos anos, a FINEP investiu mais de R$80 milhões em financiamentos, muito em vista da realização dos grandes eventos esportivos no Brasil, como a Copa do Mundo da FIFA, em 2014, e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016. Foram beneficiadas iniciativas como o sistema de comunicações do “Disque-Denúncia” no Rio de Janeiro (RJ), e pequenos robôs para a neutralização de explosivos. O robô, chamado DIANE, da Ares Aeroespacial, recebeu R$2,6 milhões. Outro campo apoiado foi o das análises forenses que, a cada dia, se tornam mais importantes para a rápida resolução de crimes. A FINEP financiou o Programa de Ciência e Tecnologia Aplicado à Segurança Pública, do Instituto Nacional de Criminalística (INC), de Brasília (DF), para apoio e fomento a projetos de P&D de novas tecnologias, inovação e capacitação em análises químicas, mineralogia, genética, geofísica, geoprocessamento e análise papiloscópica.
Inova Aerodefesa
Em maio de 2013, o Governo Federal, com efetiva participação da FINEP, deu um importante passo para estimular as atividades de P,D&I por meio do lançamento do edital de seleção pública do plano Inova Aerodefesa, que destinará R$ 2,9 bilhões para a inovação tecnológica nos setores aeroespacial, de aeronáutica, de defesa e de segurança pública. O plano é voltado para as indústrias e centros de pesquisas, e visa fortalecer setores estratégicos por meio de ações para estimular a parceria entre iniciativa privada e instituições, com descentralização de crédito e subvenção econômica para o investimento em programas de inovação tecnológica. Dos valores disponíveis, R$2,4 bilhões são de linhas da FINEP e, outros R$500 milhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O edital faz parte do Plano Inova Empresa, lançado em março último, e que prevê a articulação de diferentes ministérios e apoio por meio de crédito e financiamento, num total de R$ 32,9 bilhões a aplicar até 2014, destinados a empresas brasileiras de todos os portes que tenham projetos inovadores. O objetivo são os setores considerados prioritários como saúde, aeroespacial e defesa, energia, petróleo e gás, sustentabilidade socioambiental e tecnologia da informação.
O primeiro edital do Inova Aerodefesa elencou quatro linhas temáticas: (i) Aeroespacial – propulsão espacial (motores e veículos); a plataformas e satélites (de pequeno porte) e à indústria aeronáutica visando aeronaves mais eficientes; (ii) Defesa – sensores e/ou sensoriamento remoto (equipamentos e/ou componentes),sistemas e subsistemas de comando e controle; (iii) Segurança Pública – sistemas de identificação biométrica e a sistemas de informações (tais como o SIG-Sistemas de Informações Geográficas), e ainda diversos tipos de armas não letais; e (iv) Materiais Especiais – para aplicações diversas e na indústria de defesa (fibras e carbono e compósitos) incluindo ligas metálicas à base de aços.
Em julho, a FINEP divulgou o resultado preliminar das selecionadas para o programa, tendo sido habilitadas 69 empresas líderes, que incluem gigantes como a Embraer, General Electric, Helibras, e grandes construtoras como a Odebrecht e Andrade Gutierrez, e outras, de médio e pequeno portes. Somados todos os projetos apresentados, a demanda qualificada de recursos é de R$ 12,6 bilhões, valor bem acima dos R$2,9 bilhões disponibilizados. No final de agosto, foi realizado um workshop em São Paulo (SP) para reunir as empresas qualificadas, assim como parceiros e ICTs. Como é natural nessas iniciativas, nem todos os projetos pré-selecionados serão beneficiados neste primeiro edital, mas, a partir da criação do Inova Aerodefesa, espera-se o lançamento frequente de novos processos de seleção no futuro.
No início de setembro, outro meio de financiamento, conceitualmente mais capitalista, foi lançado pela FINEP, juntamente com o BNDES, a Agência de Fomento do Estado de São Paulo S/A, e a Embraer, por meio da aprovação de uma chamada pública para a seleção de uma gestora de um fundo de investimento em participações focado nos setores aeronáutico, aeroespacial, de defesa e de segurança. O fundo, que ainda será constituído, terá um capital comprometido inicial de R$130 milhões, sendo que a FINEP investirá R$40 milhões. Fará investimentos em empresas desses setores, na expectativa de que os investimentos se valorizem e sejam realizados por meio da venda das participações ou aberturas de capital, dentre outras formas de saída.
Com o Inova Aerodefesa e o fundo de investimento, o desenvolvimento tecnológico e a inovação de setores estratégicos como o aeroespacial e defesa, altamente demandantes de recursos, passarão a contar com mais opções de financiamento.
Alguns projetos apoiados pela FINEP
- Projeto VANT: desenvolvido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Centro Tecnológico do Exército (CTEx), Instituto de Pesquisas da Marinha (IpqM) e Avibras Aeroespacial.
- Projeto Guarani: mais de R$10 milhões para o desenvolvimento da Viatura Blindada de Transporte Pessoal Média de Rotas (VBTP-MR) Guarani, do Exército Brasileiro.
- Radares da família SABER: aporte de mais de R$40 milhões, oriundos de fundos setoriais, para o desenvolvimento dos radares de vigilância SABER M60 e M200, projeto do CTEx e da empresa Orbisat [Nota do blog: agora chamada Bradar], hoje parte do grupo Embraer Defesa e Segurança.
- Míssil A-Darter: recursos para o projeto do míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, iniciativa conjunta entre os governos do Brasil e África do Sul, que conta com a participação das empresas nacionais Mectron (Odebrecht), Avibrás Aeroespacial e Opto Eletrônica.
- Sistemas Inerciais: mais de R$ 40 milhões para o projeto Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial (SIA), iniciativa conjunta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do DCTA e de várias indústrias da região do Vale do Paraíba (SP) visando o domínio nacional em sistemas inerciais de navegação para foguetes e satélites. No âmbito do SIA, foi também construído o LABSIA - Laboratório de Sistemas Inerciais, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), inaugurado em julho deste ano. Ainda em matéria de sistemas inerciais, a empresa vinculada ao MCTI destinou cerca de R$3,3 milhões para o desenvolvimento e fabricação no País de uma mesa inercial, um equipamento composto por múltiplos eixos, utilizado para a realização de testes e calibração. O projeto está a cargo da Infax Tecnologia e Sistemas, pequena empresa com sede no Rio de Janeiro (RJ).
- Treinador T-Xc: subvenção econômica de aproximadamente R$10 milhões para o desenvolvimento do treinador primário T-Xc, da Novaer Craft, que pode vir a substituir os T-25 Universal operados pela Academia da Força Aérea em Pirassununga (SP).
- Ampliação do LIT/INPE: destinação de R$45 milhões para a ampliação da capacidade do Laboratório de Integração e Testes (LIT), do INPE, em São José dos Campos (SP), para integração, testes e ensaios de satélites de até 6 toneladas.
- PROANTAR: investimento não reembolsável de R$69 milhões para a aquisição do navio polar de pesquisa oceanográfica Almirante Maximiano, operado pela Marinha do Brasil.
- Supercomputador do CPTEC/INPE: o supercomputador Cray, batizado de Tupã, instalado no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), em Cachoeira Paulista (SP), em operação desde o final de 2010, recebeu R$35 milhões em recursos da FINEP. Nos últimos 20 anos, a FINEP destinou cerca de R$ 100 milhões em infraestrutura e projetos na área de meteorologia, especialmente nos dois centros de meteorologia e pesquisas climáticas do País, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o CPTEC/INPE.
Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 134, outubro de 2013.
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FINEP - Apoiando a inovação em setores estratégicos
André M. Mileski
Não é incomum encontrar em projetos nacionais de tecnologia militar o nome FINEP, ou então seu logotipo em protótipos ou cartazes de apresentação. De fato, esta sigla, de alguma forma, direta ou indiretamente, está presente em praticamente todos os setores considerados estratégicos pelo Brasil, como a agricultura, petróleo e gás, energia, telecomunicações, biotecnologia e, é claro, defesa e aeroespacial. Mas, afinal, o que vem a ser a FINEP, e qual é o seu papel?
Criada em 24 de julho de 1967, a FINEP - Agência Brasileira da Inovação é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a missão de”promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil por meio do fomento público à Ciência, Tecnologia e Inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas.”
A partir de 1969, com a instituição pelo Governo Federal do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), criado com o propósito de financiar a expansão do sistema de Ciência &Tecnologia, o papel da FINEP como indutora de atividades inovadoras ganhou enorme impulso. Tal função, associada ainda ao seu caráter de financiadora do desenvolvimento científico e tecnológico, ficou ainda mais evidenciada com a edição da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia & Inovação (ENCTI), análoga da Estratégia Nacional de Defesa em relação à Ciência & Tecnologia que, aliás, elenca dentre as áreas prioritárias o Complexo Industrial da Defesa, o Aeroespacial e o Nuclear.
Atualmente, a FINEP apoia todas as etapas e dimensões do ciclo que se estende da pesquisa básica à aplicada, além da melhoria e desenvolvimento de processos, produtos e serviços associados à inovação. Na esfera privada, sua atuação se dá por meio de programas de liberação de recurso reembolsáveis, na forma de empréstimos, não reembolsáveis (subvenções), e também investimentos indiretos, por meio de fundos de investimento, em empresas classificadas como inovadoras.
Junto ao apoio direto a essas iniciativas pela iniciativa privada, a FINEP ainda atua na destinação de recursos não reembolsáveis, oriundos de fundos setoriais, para o apoio a projetos de C,T&I apresentados por instituições científicas e tecnológicas (ICTs) nacionais. É nesse âmbito que a empresa administra o PROINFRA, para apoio a projetos de manutenção, atualização e modernização da infraestrutura de pesquisa de ICTs. Dezenas de universidades e centros de pesquisa brasileiros recebem recursos para a criação, ampliação e/ou modernização de laboratórios e infraestrutura para Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (P,D&I).
As linhas de financiamento da FINEP são abastecidas com recursos orçamentários, do MCTI, e também pelos Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia, criados a partir de 1999. Hoje, existem 17 desses fundos, sendo 14 para setores específicos, dentre eles o aeronáutico e o espacial. Os fundos setoriais são capitalizados por variadas fontes, como contribuições incidentes sobre o resultado da exploração de recursos naturais pertencentes à União, e parcelas de tributos incidentes em setores e atividades específicas.
Aeroespacial e de defesa
Com base em indicadores de intensidade de P,D&I, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, sigla em francês) classifica os setores produtivos em quatro grupos principais de intensidade tecnológica, sendo que o aeroespacial, ao lado dos farmacêutico, informática, eletrônica e comunicações figuram no topo dessa classificação, considerados de alta intensidade tecnológica.
Não é sem motivo, portanto, que a FINEP tem apoiado ao longo de sua história iniciativas nas áreas aeroespacial, de defesa e segurança, tanto por meio de apoio direto à iniciativa privada, com financiamentos e subvenções econômicas, como investimentos e aportes de recursos em programas de centros de pesquisa e tecnologia das três Forças Armadas, universidades e entidades ligadas ao Programa Espacial Brasileiro.
Em matéria aeronáutica, por exemplo, um dos projetos mais bem sucedidos e que contou com o apoio da agência foi a aeronave de treinamento EMB-312 Tucano, da Embraer, que obteve grande sucesso em exportações e também contribuiu de forma significativa para determinadas capacitações pela Embraer, hoje terceira maior fabricante de aeronaves no mundo.
No campo espacial, é também largamente reconhecida a atuação, tanto na cadeia industrial ou diretamente no projeto propriamente dito, da FINEP no programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), iniciado no final da década de 1980 e com cinco satélites de observação já contratados. Com a retomada nos últimos anos da indústria brasileira de defesa, o papel da FINEP como indutora do desenvolvimento de novas tecnologias foi fortalecido. No período de 2004 ao início de 2011, a agência destinou mais de R$1 bilhão apenas para a área de defesa, montante significativamente ampliado nos últimos anos.
Uma das empresas mais beneficiadas com o apoio da FINEP é a Mectron, de São José dos Campos (SP), hoje parte da Odebrecht Defesa e Tecnologia. Ao longo de sua história, recebeu contratos com a agência que, somados, superam mais de R$382 milhões, principalmente para projetos de mísseis. Apenas o míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, uma parceria binacional do Brasil e da África do Sul, registrou aportes de linhas do MCTI próximos de R$250 milhões.
No campo naval, projetos tecnológicos não tão conhecidos, mas significativos, também foram beneficiados pela FINEP. É o caso do Sistema de Detecção, Acompanhamento e Classificação de Contatos (SDAC), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) em conjunto com a Atech, cujo objetivo futuro é obter um sistema sonar passivo nacional; do Sistema de Aquisição de Dados Acústicos, Magnéticos, Pressão e Campo Elétrico (SAAMPE), para emprego em guerra de minas navais; e do Sistema Integrado de Navegação Inercial para Veículos Submarinos Autônomos (SINVSA).
Em segurança pública, nos últimos anos, a FINEP investiu mais de R$80 milhões em financiamentos, muito em vista da realização dos grandes eventos esportivos no Brasil, como a Copa do Mundo da FIFA, em 2014, e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016. Foram beneficiadas iniciativas como o sistema de comunicações do “Disque-Denúncia” no Rio de Janeiro (RJ), e pequenos robôs para a neutralização de explosivos. O robô, chamado DIANE, da Ares Aeroespacial, recebeu R$2,6 milhões. Outro campo apoiado foi o das análises forenses que, a cada dia, se tornam mais importantes para a rápida resolução de crimes. A FINEP financiou o Programa de Ciência e Tecnologia Aplicado à Segurança Pública, do Instituto Nacional de Criminalística (INC), de Brasília (DF), para apoio e fomento a projetos de P&D de novas tecnologias, inovação e capacitação em análises químicas, mineralogia, genética, geofísica, geoprocessamento e análise papiloscópica.
Inova Aerodefesa
Em maio de 2013, o Governo Federal, com efetiva participação da FINEP, deu um importante passo para estimular as atividades de P,D&I por meio do lançamento do edital de seleção pública do plano Inova Aerodefesa, que destinará R$ 2,9 bilhões para a inovação tecnológica nos setores aeroespacial, de aeronáutica, de defesa e de segurança pública. O plano é voltado para as indústrias e centros de pesquisas, e visa fortalecer setores estratégicos por meio de ações para estimular a parceria entre iniciativa privada e instituições, com descentralização de crédito e subvenção econômica para o investimento em programas de inovação tecnológica. Dos valores disponíveis, R$2,4 bilhões são de linhas da FINEP e, outros R$500 milhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O edital faz parte do Plano Inova Empresa, lançado em março último, e que prevê a articulação de diferentes ministérios e apoio por meio de crédito e financiamento, num total de R$ 32,9 bilhões a aplicar até 2014, destinados a empresas brasileiras de todos os portes que tenham projetos inovadores. O objetivo são os setores considerados prioritários como saúde, aeroespacial e defesa, energia, petróleo e gás, sustentabilidade socioambiental e tecnologia da informação.
O primeiro edital do Inova Aerodefesa elencou quatro linhas temáticas: (i) Aeroespacial – propulsão espacial (motores e veículos); a plataformas e satélites (de pequeno porte) e à indústria aeronáutica visando aeronaves mais eficientes; (ii) Defesa – sensores e/ou sensoriamento remoto (equipamentos e/ou componentes),sistemas e subsistemas de comando e controle; (iii) Segurança Pública – sistemas de identificação biométrica e a sistemas de informações (tais como o SIG-Sistemas de Informações Geográficas), e ainda diversos tipos de armas não letais; e (iv) Materiais Especiais – para aplicações diversas e na indústria de defesa (fibras e carbono e compósitos) incluindo ligas metálicas à base de aços.
Em julho, a FINEP divulgou o resultado preliminar das selecionadas para o programa, tendo sido habilitadas 69 empresas líderes, que incluem gigantes como a Embraer, General Electric, Helibras, e grandes construtoras como a Odebrecht e Andrade Gutierrez, e outras, de médio e pequeno portes. Somados todos os projetos apresentados, a demanda qualificada de recursos é de R$ 12,6 bilhões, valor bem acima dos R$2,9 bilhões disponibilizados. No final de agosto, foi realizado um workshop em São Paulo (SP) para reunir as empresas qualificadas, assim como parceiros e ICTs. Como é natural nessas iniciativas, nem todos os projetos pré-selecionados serão beneficiados neste primeiro edital, mas, a partir da criação do Inova Aerodefesa, espera-se o lançamento frequente de novos processos de seleção no futuro.
No início de setembro, outro meio de financiamento, conceitualmente mais capitalista, foi lançado pela FINEP, juntamente com o BNDES, a Agência de Fomento do Estado de São Paulo S/A, e a Embraer, por meio da aprovação de uma chamada pública para a seleção de uma gestora de um fundo de investimento em participações focado nos setores aeronáutico, aeroespacial, de defesa e de segurança. O fundo, que ainda será constituído, terá um capital comprometido inicial de R$130 milhões, sendo que a FINEP investirá R$40 milhões. Fará investimentos em empresas desses setores, na expectativa de que os investimentos se valorizem e sejam realizados por meio da venda das participações ou aberturas de capital, dentre outras formas de saída.
Com o Inova Aerodefesa e o fundo de investimento, o desenvolvimento tecnológico e a inovação de setores estratégicos como o aeroespacial e defesa, altamente demandantes de recursos, passarão a contar com mais opções de financiamento.
Alguns projetos apoiados pela FINEP
- Projeto VANT: desenvolvido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Centro Tecnológico do Exército (CTEx), Instituto de Pesquisas da Marinha (IpqM) e Avibras Aeroespacial.
- Projeto Guarani: mais de R$10 milhões para o desenvolvimento da Viatura Blindada de Transporte Pessoal Média de Rotas (VBTP-MR) Guarani, do Exército Brasileiro.
- Radares da família SABER: aporte de mais de R$40 milhões, oriundos de fundos setoriais, para o desenvolvimento dos radares de vigilância SABER M60 e M200, projeto do CTEx e da empresa Orbisat [Nota do blog: agora chamada Bradar], hoje parte do grupo Embraer Defesa e Segurança.
- Míssil A-Darter: recursos para o projeto do míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, iniciativa conjunta entre os governos do Brasil e África do Sul, que conta com a participação das empresas nacionais Mectron (Odebrecht), Avibrás Aeroespacial e Opto Eletrônica.
- Sistemas Inerciais: mais de R$ 40 milhões para o projeto Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial (SIA), iniciativa conjunta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do DCTA e de várias indústrias da região do Vale do Paraíba (SP) visando o domínio nacional em sistemas inerciais de navegação para foguetes e satélites. No âmbito do SIA, foi também construído o LABSIA - Laboratório de Sistemas Inerciais, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), inaugurado em julho deste ano. Ainda em matéria de sistemas inerciais, a empresa vinculada ao MCTI destinou cerca de R$3,3 milhões para o desenvolvimento e fabricação no País de uma mesa inercial, um equipamento composto por múltiplos eixos, utilizado para a realização de testes e calibração. O projeto está a cargo da Infax Tecnologia e Sistemas, pequena empresa com sede no Rio de Janeiro (RJ).
- Treinador T-Xc: subvenção econômica de aproximadamente R$10 milhões para o desenvolvimento do treinador primário T-Xc, da Novaer Craft, que pode vir a substituir os T-25 Universal operados pela Academia da Força Aérea em Pirassununga (SP).
- Ampliação do LIT/INPE: destinação de R$45 milhões para a ampliação da capacidade do Laboratório de Integração e Testes (LIT), do INPE, em São José dos Campos (SP), para integração, testes e ensaios de satélites de até 6 toneladas.
- PROANTAR: investimento não reembolsável de R$69 milhões para a aquisição do navio polar de pesquisa oceanográfica Almirante Maximiano, operado pela Marinha do Brasil.
- Supercomputador do CPTEC/INPE: o supercomputador Cray, batizado de Tupã, instalado no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), em Cachoeira Paulista (SP), em operação desde o final de 2010, recebeu R$35 milhões em recursos da FINEP. Nos últimos 20 anos, a FINEP destinou cerca de R$ 100 milhões em infraestrutura e projetos na área de meteorologia, especialmente nos dois centros de meteorologia e pesquisas climáticas do País, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o CPTEC/INPE.
Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 134, outubro de 2013.
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quarta-feira, 6 de novembro de 2013
COSBAN: resultados no campo espacial
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Aconteceu hoje (6) em Cantão, na China, a Terceira Sessão Plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), que dentre vários temas, tratou da cooperação entre o Brasil e a China no campo espacial, iniciada há mais de quinze anos com o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS).
Abaixo, reproduzimos o trecho da ata da reunião referente às atividades espaciais conjuntas:
"xi. Sobre Cooperação Espacial
73. Ambos os lados concordaram em lançar o CBERS-3 no início de dezembro de 2013, e o CBERS-4 em 2015.
74. Ambos os lados concordaram em realizar o processo de montagem, integração e teste (AIT) do CBERS-4 no Brasil.
Ambos os lados concordaram em lançar o CBERS-4 a bordo de um veículo Longa Marcha 4B e assinar o contrato de serviços de lançamento do CBERS-4 até o final de 2013.
75. Ambos os lados concordaram em assinar o Plano Decenal Sino-Brasileiro de Cooperação Espacial 2013-2022 entre a Agência Espacial Brasileira e a China National Space Administration, e decididamente implementar as ações para desenvolver os programas do Plano.
76. Ambos os lados concordaram em promover a recepção de dados dos satélites CBERS em outros países, em conjunto melhorar suas aplicações, e aprofundar os estudos quanto às políticas de cooperação em dados de satélites."
É interessante observar o acerto entre os dois países para o lançamento do CBERS 4 em 2015. Há anos que se mencionava a possibilidade do CBERS 4 voar a bordo do lançador ucraniano Cyclone 4, a ser operado pela binacional Alcântara Cyclone Space (ACS) a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, informação esta, aliás, que chegou a constar em atas públicas e também em declarações de dirigentes do Programa Espacial Brasileiro. Aparentemente, ainda que não haja publicidade deste posicionamento, há dentro do governo certa descrença quanto à ACS e sua capacidade de realizar sua primeira missão até o final de 2015.
Continuidade do CBERS e projetos em meteorologia
No final da tarde de hoje (6), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) divulgou uma nota com mais detalhes sobre os avanços na cooperação em ciência e tecnologia. “Estamos indo muito bem com os chineses”, afirmou o ministro Marco Antonio Raupp.
No campo espacial, o texto do MCTI faz referências ao plano decenal de trabalho conjunto, que prevê a continuidade do programa CBERS e também a abertura de novas frentes, como o desenvolvimento de um satélite geoestacionário meteorológico, a criação de um laboratório conjunto de meteorologia, além do intercâmbio de pessoal e a abertura de um centro de tecnologia no Brasil.
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Aconteceu hoje (6) em Cantão, na China, a Terceira Sessão Plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), que dentre vários temas, tratou da cooperação entre o Brasil e a China no campo espacial, iniciada há mais de quinze anos com o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS).
Abaixo, reproduzimos o trecho da ata da reunião referente às atividades espaciais conjuntas:
"xi. Sobre Cooperação Espacial
73. Ambos os lados concordaram em lançar o CBERS-3 no início de dezembro de 2013, e o CBERS-4 em 2015.
74. Ambos os lados concordaram em realizar o processo de montagem, integração e teste (AIT) do CBERS-4 no Brasil.
Ambos os lados concordaram em lançar o CBERS-4 a bordo de um veículo Longa Marcha 4B e assinar o contrato de serviços de lançamento do CBERS-4 até o final de 2013.
75. Ambos os lados concordaram em assinar o Plano Decenal Sino-Brasileiro de Cooperação Espacial 2013-2022 entre a Agência Espacial Brasileira e a China National Space Administration, e decididamente implementar as ações para desenvolver os programas do Plano.
76. Ambos os lados concordaram em promover a recepção de dados dos satélites CBERS em outros países, em conjunto melhorar suas aplicações, e aprofundar os estudos quanto às políticas de cooperação em dados de satélites."
É interessante observar o acerto entre os dois países para o lançamento do CBERS 4 em 2015. Há anos que se mencionava a possibilidade do CBERS 4 voar a bordo do lançador ucraniano Cyclone 4, a ser operado pela binacional Alcântara Cyclone Space (ACS) a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, informação esta, aliás, que chegou a constar em atas públicas e também em declarações de dirigentes do Programa Espacial Brasileiro. Aparentemente, ainda que não haja publicidade deste posicionamento, há dentro do governo certa descrença quanto à ACS e sua capacidade de realizar sua primeira missão até o final de 2015.
Continuidade do CBERS e projetos em meteorologia
No final da tarde de hoje (6), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) divulgou uma nota com mais detalhes sobre os avanços na cooperação em ciência e tecnologia. “Estamos indo muito bem com os chineses”, afirmou o ministro Marco Antonio Raupp.
No campo espacial, o texto do MCTI faz referências ao plano decenal de trabalho conjunto, que prevê a continuidade do programa CBERS e também a abertura de novas frentes, como o desenvolvimento de um satélite geoestacionário meteorológico, a criação de um laboratório conjunto de meteorologia, além do intercâmbio de pessoal e a abertura de um centro de tecnologia no Brasil.
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terça-feira, 5 de novembro de 2013
Cooperação Brasil - China: satélite meteorológico?
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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação divulgou nesta segunda-feira (4) uma notícia acerca da visita do ministro Marco Antonio Raupp para participar da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), que se reunirá na próxima quarta-feira, em Cantão. O presidente da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Coelho, acompanha o ministro na viagem.
Conforme já havíamos informado numa das notas da entrevista com Leonel Perondi, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), na reunião da COSBAN deverá ser assinado um novo plano decenal, válido de 2013 a 2021, em matéria espacial. A novidade é que os dois países irão além do programa CBERS, de observação terrestre, e devem se comprometer a construir satélites meteorológicos. Informações mais detalhadas devem ser divulgadas ao longo da semana.
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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação divulgou nesta segunda-feira (4) uma notícia acerca da visita do ministro Marco Antonio Raupp para participar da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), que se reunirá na próxima quarta-feira, em Cantão. O presidente da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Coelho, acompanha o ministro na viagem.
Conforme já havíamos informado numa das notas da entrevista com Leonel Perondi, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), na reunião da COSBAN deverá ser assinado um novo plano decenal, válido de 2013 a 2021, em matéria espacial. A novidade é que os dois países irão além do programa CBERS, de observação terrestre, e devem se comprometer a construir satélites meteorológicos. Informações mais detalhadas devem ser divulgadas ao longo da semana.
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terça-feira, 26 de março de 2013
INPE: projetos em meteorologia
Diretor destaca projetos na área de meteorologia
Terça-feira, 26 de Março de 2013
Na cerimônia em comemoração ao Dia Meteorológico Mundial realizada nesta segunda-feira (25/3), o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi, destacou ações do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST).
A melhoria da assimilação de dados para os modelos meteorológicos implementados no supercomputador Tupã e o desenvolvimento do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global foram ressaltados pelo diretor, que ainda enfatizou a cooperação com instituições do Brasil e do exterior. “A infraestrutura e os esforços de observação, para o desenvolvimento das atividades de previsão de tempo e clima no âmbito do INPE, vêm sendo aprimorados e expandidos”, falou Perondi.
O diretor disse que o INPE buscará apoiar o estabelecimento de programas e projetos na área espacial voltados para a meteorologia nacional. “Em particular, o Instituto envidará esforços para a retomada da participação brasileira na Missão Global Precipitation Measurement (GPM) – cooperação internacional que objetiva o estabelecimento de uma rede de satélites para medidas de precipitação em nível global, bem como a continuidade dos trabalhos de definição, e inclusão no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), de um satélite geoestacionário brasileiro para meteorologia”.
Perondi destacou ainda o apoio à instalação e operacionalização do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN). “O CPTEC provê o CEMADEN, continuamente, com as previsões meteorológicas que integram a sua base de dados para a geração de alertas”.
Confira aqui a íntegra do discurso do diretor.
O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, e o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (Seped/MCTI), Carlos Nobre, enviaram mensagem aos profissionais do INPE atuantes na área de meteorologia, que foi lida durante a cerimônia realizada no auditório do CPTEC, em Cachoeira Paulista.
Confira aqui a mensagem do ministro e do secretário do MCTI.
Fonte: INPE
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sexta-feira, 28 de setembro de 2012
42 anos do INPE em Cachoeira Paulista
Cachoeira Paulista reúne atividades de propulsão, geração de imagens, monitoramento solar e meteorologia
Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012
Na última sexta-feira, 28 de setembro, a Unidade de Cachoeira Paulista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) comemora 42 anos.
Em Cachoeira Paulista, o INPE mantém, entre outros experimentos e atividades, o CPTEC, o Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST), o Laboratório de Combustão e Propulsão (LCP), as divisões de Geração de Imagens (DGI) e de Satélites e Sistemas Ambientais (DSA), além do Projeto BDA para monitoramento da atividade solar.
Mudanças climáticas
O Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) desenvolve em Cachoeira Paulista pesquisas e projeções de clima reconhecidas e utilizadas por instituições nacionais e internacionais, que colocam o INPE na vanguarda da área. No CCST têm sido realizados os estudos para avaliação de impactos das mudanças ambientais globais e regionais nos sistemas sócio-econômico-ambientais, especialmente aqueles associados às implicações no desenvolvimento nacional e na qualidade de vida, além das pesquisas voltadas ao monitoramento, mitigação e adaptação às mudanças ambientais. Através dos modelos computacionais do CCST, o INPE elabora cenários futuros de mudanças ambientais globais de interesse do país.
Propulsão e Combustão
Os ensaios do subsistema propulsivo completo da Plataforma Multimissão (PMM), realizado na câmara principal de vácuo do Banco de Testes com Simulação de Altitudes (BTSA), é um dos destaques do ano. O BTSA é parte do Laboratório Associado de Combustão e Propulsão (LCP) que, há três meses, foi responsável pela qualificação do primeiro subsistema de propulsão nacional para satélite, que estará a bordo do Amazônia-1.
O LCP construiu um sistema de compatibilidade de materiais para o desenvolvimento de um tanque de hidrazina nacional, em parceria com a Fibraforte, empresa brasileira envolvida no subsistema de propulsão da PMM.
A equipe do LCP participou também da elaboração de normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para o setor espacial, incluindo normas de segurança e compatibilidade de materiais e normas de características, amostragem e métodos de análise de fluidos.
O LCP deve inaugurar em novembro o seu Laboratório de Aplicações em Combustão e Gaseificação (LACG), que conta com financiamento da Petrobras. Este laboratório servirá para estudos de processos de combustão e gaseificação, visando a mitigação do efeito estufa, com a redução das emissões de poluentes e de consumo de combustíveis.
No LCP são realizadas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação nas áreas de combustão aplicada, combustão teórica e meio ambiente, que envolvem desde queimadas experimentais (quando se incendeia uma área controlada, para fins de pesquisa) na Amazônia a testes de materiais poliméricos do veículo lançador de satélites (VLS) e o desenvolvimento de injetores de biocombustíveis. Outra área atendida pelo LCP é a de catálise e materiais, que inclui produção de combustível sintético, catalisadores para propelentes espaciais e transportadores de oxigênio para combustão limpa.
Geração de Imagens
Receber, armazenar, processar e distribuir imagens de satélites nacionais e internacionais é a missão da Divisão de Geração de Imagens (DGI), que recentemente atingiu a marca de 2.000.000 de imagens fornecidas sem custo para o usuário, através de seu catálogo online.
Em Cachoeira Paulista está o Centro de Dados de Sensoriamento Remoto (CDSR), que possui um dos acervos mais antigos do mundo, pois registra imagens de satélite desde 1973 (o primeiro satélite de sensoriamento remoto, o Landsat-1, foi lançado em 1972). O catálogo do INPE possibilita o acompanhamento das mudanças ambientais, urbanas e hídricas no país através do registro por satélites.
Além de satélites de sensoriamento remoto, para observação da Terra, a DGI também trabalha com imagens de satélites meteorológicos. Neste ano, foi instalado um novo sistema de armazenamento de imagens de satélites e, desde maio, a divisão recebe e processa dados do satélite britânico UK-DMC-2. Em agosto foi instalada uma nova antena para aquisição de dados dos satélites NOAA.
Atualmente, estão sendo recebidos dados dos satélites Aqua, Terra, Resourcesat-1, GOES-12, GOES-13, UK-DMC-2, Landsat-7, NOAA-15, NOAA-16, NOAA-18 e NOAA-19 e Mateosat. A DGI se prepara receber os dados dos satélites Landsat-8, NPP, METOP-B, Resourcesat-2 e CBERS-3.
BDA
Para estudos de Clima Espacial, o INPE terá o primeiro monitor com mapas da atividade solar, um instrumento de grande porte que será único no mundo. Para isso, em Cachoeira Paulista está o Arranjo Decimétrico Brasileiro (BDA, na sigla em inglês), projeto que reúne o maior conjunto de telescópios já instalado no Brasil para observação de objetos celestes.
Esse radiointerferômetro em ondas decimétricas possui 26 antenas para rastreio do Sol, sendo que 10 delas já estão completas, com seus receptores instalados e conectados a central de operação. O projeto é desenvolvido pelo pesquisador Hanumant Sawant, da Divisão de Astrofísica do INPE, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e FAPESP.
No mundo existem apenas 13 centros de alerta para Clima Espacial, entre eles o do INPE, para monitorar tempestades magnéticas e evitar que seus efeitos provoquem danos em sistemas tecnológicos nas áreas de comunicações, geoposicionamento, linhas de transmissão de eletricidade, aviação civil, satélites e outros.
O BDA é um projeto que se utiliza de tecnologias na fronteira do conhecimento e será capaz de mapear o Sol em detalhe, com pelo menos dez imagens por segundo, o que constituirá num grande avanço para o monitoramento de Clima Espacial do INPE.
Meteorologia
O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) é responsável por um dos serviços mais conhecidos do INPE. No centro está instalado o Tupã, que está entre os mais poderosos supercomputadores do mundo para previsão de tempo e estudos em mudanças climáticas.
No último ano, um aprimoramento da previsão foi possível graças à melhoria de modelos para a descrição da dinâmica atmosférica. Também foi implementado modelo de previsão numérica regional com escala espacial de cinco quilômetros e previsão de cinco dias para toda a América do Sul.
Fonte: INPE, com edição do blog.
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Visita do presidente da AEB ao CPTEC/INPE
Presidente da AEB participa de reunião no CPTEC/INPE
30-08-2012
O presidente da AEB, José Raimundo Coelho, esteve em Cachoeira Paulista (SP) para participar de uma reunião no INPE e na oportunidade, visitar o Laboratório de Combustão e Propulsão (LCP/INPE) e o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE).
No LCP, o presidente conheceu o Banco de Testes de Propulsores Bipropelentes com empuxo de 400 N, e presenciou um teste de avaliação de um propulsor para controle de rolamento de Veículo Lançador de Satélite (VLS) com resultado positivo e ainda pode discutir sobre várias iniciativas de desenvolvimento conjunto entre o INPE e empresas na área de propulsores.
Já no CPTEC, José Raimundo visitou as instalações dos supercomputadores, debateu sobre questões relacionadas às atividades de desenvolvimento do CPTEC, como a previsão de tempo utilizando modelos globais, e ainda questões internas consideradas estratégicas e importantes, de modo que se possa analisar a integração de iniciativas diversas compatíveis com a atuação do Centro de Previsão.
“Tivemos a oportunidade de conversar sobre a iniciativa do INPE de grande interesse na área de meteorologia para desenvolver um satélite GPM e ainda a possibilidade de realizar operações com outros países e o fato do Brasil participar de iniciativas globais e/ou coletivas com diversos países do mundo que tenham a mesma preocupação que o CPTEC”, ressaltou o presidente da AEB.
Fonte: AEB
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sábado, 18 de agosto de 2012
SGB: novas informações
Quando sai a RFP?
O blog Panorama Espacial entrou em contato com o Ministério das Comunicações para saber quando o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas - SGDC (designação dada pelo governo ao Satélite Geoestacionário Brasileiro - SGB, também referido como BR1Sat) deve ser contratado. A resposta recebida: "Pergunta (sic) para a Telebras". Entramos em contato com a Telebras, mas ainda não obtivemos resposta. Mas, nos bastidores, os comentários são de que a definição das principais características técnicas, que conta com a participação de especialistas da PUC-RJ, já estaria prestes a ser finalizada. Tais características constarão da Request for Proposal (RFP), a ser enviado aos principais fabricantes de satélites do mundo. Espera-se que a RFP seja concluída até o final desse mês.
Em órbita em 2014? Muito difícil
Nos bastidores, a possibilidade de se contar com o primeiro SGDC em órbita até o final de 2014 é tida como remota. Pode-se dizer que o desenvolvimento e a construção de um satélite geoestacionário de comunicações é artesanal. Não existe linha de produção, e o processo como um todo, da contratação até a colocação em órbita geralmente leva, no mínimo, dois anos. O governo trabalha com a expectativa de que o SGDC esteja pronto em 30 meses a partir de sua contratação.
Uma vez emitido um pedido de propostas, as empresas costumam ter um prazo de dois meses para respondê-lo, e mais alguns meses para análise das propostas pelo solicitante e negociação dos termos do contrato. O que isto significa? Definição mesmo, só no final do ano, e desde que a RFP seja enviada dentro das próximas semanas.
Um "detalhe" tecnológico que muitos desconhecem: o SGDC deve ser o primeiro satélite de comunicações do mundo com bandas X e Ka.
Os interessados
Em declarações dadas à imprensa, Cezar Alvarez, secretário-executivo do Ministério das Comunicações afirmou que o ministério recebeu demonstrações de interesse no SGDC de, ao menos, sete fabricantes. O blog buscou mais informações sobre os interessados, mas recebeu a resposta de que, "por questões estratégicas, não é possível dar informações sobre os fabricantes interessados." Alguns, no entanto, são óbvios: europeus (Astrium e Thales Alenia Space), norte-americanos (Space Systems Loral e Boeing), e japoneses (Mitsubishi). A MDA, do Canadá (adquirida pela Loral), fornecedora de cargas úteis, é também vista como potencial interessada, assim como a IAI, de Israel. No final de julho, representantes da empresa canadense, ao anunciar seus resultados financeiros, destacaram que olham uma futura encomenda de um cliente brasileiro, embora não tenham divulgado maiores informações.
O SGDC no contexto do PNBL e SISCOMIS
Como é sabido, o SGDC será um importante componente do Plano Nacional de Banda Larga, a cargo da Telebras. Sobre isto, diz o MC: "O SGDC terá uma carga útil em banda Ka que permitirá atingir as áreas do país não cobertas pela rede terrestre da Telebras, que chegará a 4.283 municípios até 2014. Além disso, servirá para conectar os órgãos públicos federais nos locais de mais difícil acesso para a rede privativa de comunicação da administração pública federal, atribuição que também é da empresa, em função do decreto nº 7.175/2010."
No âmbito do Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), do Ministério da Defesa, o primeiro SGDC contará com cinco transpônderes de banda X.
Satélite meteorológico
O SGDC não é o único satélite geoestacionário na pauta do governo. O desenvolvimento de um satélite meteorológico, uma carência identificada já há muito tempo, também tem gerado muitas discussões e movimentações internas dentro do governo. Marco Antonio Raupp, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, a frente. As discussões têm envolvido o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mais especificamente, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), de Cachoeira Paulista (SP).
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quarta-feira, 14 de março de 2012
Dados meteorológicos via satélite para o SIPAM
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Novas antenas prometem ampliar a proteção da Amazônia Legal via satélite
Brasília, 13/03/2012 – A Amazônia Legal terá mecanismos de controle mais efetivos sobre áreas desmatadas e queimadas. A população também usufruirá de um sistema de previsão climática melhor, permitindo a prevenção de catástrofes e a redução dos efeitos de enchentes nos centros urbanos.
O Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), órgão do Ministério da Defesa, investiu R$ 8,2 milhões na aquisição de três antenas e demais equipamentos de recepção de dados por satélites, instaladas nos centros de Manaus (AM), Porto Velho (RO) e Belém (PA). Serão beneficiados os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, além de uma parte de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.
Cada antena tem 2,4 metros de circunferência e está protegida por uma esfera (radome) de proteção de mais de quatro metros. Esse equipamento possibilitará o recebimento diário e em tempo real de imagens de satélites da Administração Nacional Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos (NOAA 15, 16, 17, 18 e 19), da Agência Espacial Europeia (Metop 2) e da Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço (NASA), como Terra, Acqua, NPP e NPOESS.
“Com a resolução temporal (frequência de imagens) podemos identificar desmatamentos, repassando essa informação ao órgão parceiro”, explica a coordenadora operacional Jaci Saraiva, do Centro Regional de Belém.
O sistema permite, também, ampliar os dados sobre pressão e umidade do ar, além de determinar tipos, temperaturas e tamanhos de nuvens. “As informações serão utilizadas para a previsão do tempo e estudos climáticos”, ressalta o diretor Técnico do Sipam, Cristiano Cunha.
Segundo ele, são captadas características físicas da terra e oceanos, indicações de calor na superfície terrena, medição dos níveis de ozônio e concentração de clorofila.
Precisão
Segundo a coordenadora de Operações do Centro Regional de Porto Velho, Ana Cristina Strava, o processamento, independente das imagens, permitirá aprofundamento e ganho de qualidade em trabalhos já realizados pelo Sipam. “O monitoramento de queimadas e a avaliação do desmatamento em áreas especiais são alguns exemplos”, afirma.
Os dados captados pelas antenas são “traduzidos” por um sistema denominado Terascan, que possibilita a recepção automática, processamento e visualização das informações do satélite para posterior elaboração de produtos. Além disso, todo o monitoramento será disponibilizado às instituições parceiras que utilizam sensoriamento remoto nas áreas ambientais, oceanográficas e meteorológicas.
Com investimento de R$ 1,4 milhão, foram instaladas mais duas antenas exclusivas, nos centros Regional de Manaus e de Coordenação Geral em Brasília (DF). Os equipamentos recepcionam dados dos satélites GOES (11, 12, 13 e 14), compatível com upgrade para GOES-R, que devido às suas características geoestacionárias requerem um receptor fixo (diferente dos demais, que acompanham a passagem dos satélites). Cada antena tem 3,7 metros de circunferência.
De acordo com o meteorologista Renato Senna, do Centro Regional de Manaus, o equipamento possibilita o acesso imediato às imagens de satélite da série GOES sobre a América do Sul em alta resolução.
O software adquirido (LEADS) proporciona uma série de recursos que vão melhorar a interpretação dos sistemas meteorológicos atuantes na região. “Isso facilita o nosso trabalho e acarreta em maior acuidade de previsões de curtíssimo prazo trazendo como consequência mais segurança à população”, ressalta Senna.
Ainda de acordo com o meteorologista, a instalação dos equipamentos implicou em novas rotinas operacionais que permitem a animação de sequências de imagens de satélite e a colocação de "alvos" em pontos específicos que facilitam o monitoramento em tempo contínuo dos sistemas meteorológicos.
Fonte: Ministério da Defesa
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Novas antenas prometem ampliar a proteção da Amazônia Legal via satélite
Brasília, 13/03/2012 – A Amazônia Legal terá mecanismos de controle mais efetivos sobre áreas desmatadas e queimadas. A população também usufruirá de um sistema de previsão climática melhor, permitindo a prevenção de catástrofes e a redução dos efeitos de enchentes nos centros urbanos.
O Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), órgão do Ministério da Defesa, investiu R$ 8,2 milhões na aquisição de três antenas e demais equipamentos de recepção de dados por satélites, instaladas nos centros de Manaus (AM), Porto Velho (RO) e Belém (PA). Serão beneficiados os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, além de uma parte de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.
Cada antena tem 2,4 metros de circunferência e está protegida por uma esfera (radome) de proteção de mais de quatro metros. Esse equipamento possibilitará o recebimento diário e em tempo real de imagens de satélites da Administração Nacional Atmosférica e Oceânica dos Estados Unidos (NOAA 15, 16, 17, 18 e 19), da Agência Espacial Europeia (Metop 2) e da Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço (NASA), como Terra, Acqua, NPP e NPOESS.
“Com a resolução temporal (frequência de imagens) podemos identificar desmatamentos, repassando essa informação ao órgão parceiro”, explica a coordenadora operacional Jaci Saraiva, do Centro Regional de Belém.
O sistema permite, também, ampliar os dados sobre pressão e umidade do ar, além de determinar tipos, temperaturas e tamanhos de nuvens. “As informações serão utilizadas para a previsão do tempo e estudos climáticos”, ressalta o diretor Técnico do Sipam, Cristiano Cunha.
Segundo ele, são captadas características físicas da terra e oceanos, indicações de calor na superfície terrena, medição dos níveis de ozônio e concentração de clorofila.
Precisão
Segundo a coordenadora de Operações do Centro Regional de Porto Velho, Ana Cristina Strava, o processamento, independente das imagens, permitirá aprofundamento e ganho de qualidade em trabalhos já realizados pelo Sipam. “O monitoramento de queimadas e a avaliação do desmatamento em áreas especiais são alguns exemplos”, afirma.
Os dados captados pelas antenas são “traduzidos” por um sistema denominado Terascan, que possibilita a recepção automática, processamento e visualização das informações do satélite para posterior elaboração de produtos. Além disso, todo o monitoramento será disponibilizado às instituições parceiras que utilizam sensoriamento remoto nas áreas ambientais, oceanográficas e meteorológicas.
Com investimento de R$ 1,4 milhão, foram instaladas mais duas antenas exclusivas, nos centros Regional de Manaus e de Coordenação Geral em Brasília (DF). Os equipamentos recepcionam dados dos satélites GOES (11, 12, 13 e 14), compatível com upgrade para GOES-R, que devido às suas características geoestacionárias requerem um receptor fixo (diferente dos demais, que acompanham a passagem dos satélites). Cada antena tem 3,7 metros de circunferência.
De acordo com o meteorologista Renato Senna, do Centro Regional de Manaus, o equipamento possibilita o acesso imediato às imagens de satélite da série GOES sobre a América do Sul em alta resolução.
O software adquirido (LEADS) proporciona uma série de recursos que vão melhorar a interpretação dos sistemas meteorológicos atuantes na região. “Isso facilita o nosso trabalho e acarreta em maior acuidade de previsões de curtíssimo prazo trazendo como consequência mais segurança à população”, ressalta Senna.
Ainda de acordo com o meteorologista, a instalação dos equipamentos implicou em novas rotinas operacionais que permitem a animação de sequências de imagens de satélite e a colocação de "alvos" em pontos específicos que facilitam o monitoramento em tempo contínuo dos sistemas meteorológicos.
Fonte: Ministério da Defesa
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quinta-feira, 14 de julho de 2011
Raupp fala sobre novo PNAE na reunião da SBPC
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Presidente da AEB fala sobre novo Pnae na SBPC
14-07-2011
O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, ministrou, nesta quinta-feira (14), palestra sobre o Programa Espacial Brasileiro durante a 63ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Na palestra, Raupp apresentou as demandas identificadas nas quatro reuniões de avaliação crítica do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae), realizadas no primeiro semestre deste ano, e, também, a proposta do novo Pnae.
Segundo Raupp, o Programa Espacial Brasileiro é voltado para a solução de problemas nacionais e deve ser autônomo. No entanto, ele acredita que não se faz programa espacial sem investimentos fortes, mão-de-obra qualificada e gestão de qualidade. Para otimizar as ações do programa espacial, sua primeira ação ao assumir a presidência da AEB, em março deste ano, foi marcar reuniões com os órgãos que compõem o Programa Espacial Brasileiro, com a indústria nacional e demais interessados no setor, para mapear a realidade do PEB e levantar as reais demandas do setor.
Quatro reuniões já foram realizadas. Ficou decidido que o país precisa de um sistema nacional de prevenção e alerta de desastres; de uma estratégia nacional de defesa; de um melhor monitoramento ambiental e de segurança alimentar e hídrica. Para atendê-las, o novo Pnae propõem que seja criada uma nova carteira de projetos, uma participação maior da indústria e da academia no programa, o domínio das tecnologias críticas, um novo orçamento e aprimoramento do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Sindae).
Alguns dos projetos de satélites existentes, como o do satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers, sigla em inglês), continuam. Outros como os de satélites geoestacionários de comunicação e meteorologia aparecem como prioridade no novo Pnae. “Nós temos grandes desafios para o desenvolvimento desses veículos. Temos que dominar a tecnologia do propelente líquido, por exemplo”, disse o presidente da AEB.
Segundo Raupp, a AEB definirá as prioridades e os projetos e eles serão executados pelo Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), com participação direta da indústria e apoio das universidades. Ele acredita que essa parceria fortalecerá todos os envolvidos na execução do Programa Espacial Brasileiro e tornará mais fácil o domínio de tecnologias que o país ainda não detém. A parte do orçamento destinado à indústria e à universidade deve aumentar.
Para atingir todas as metas estabelecidas no novo Pnae, o presidente sugeriu que o atual orçamento do programa espacial – aproximadamente 300 milhões - seja multiplicado por três. Segundo ele, algumas diretorias, que hoje estão na Agência, devem ir para o Inpe. “Assim o programa espacial ganhará força e um corpo técnico capacitado”, disse. A sede da AEB continuará em Brasília.
Uma quinta reunião deverá ser marcada para que a nova versão do Pnae seja finalizada, validada e apresentada ao governo.
Fonte: AEB
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quarta-feira, 23 de março de 2011
INPE e o Projeto Chuva
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Campanha para investigar nuvens “quentes” começará em Fortaleza
23/03/2011
Durante o mês de abril, será realizado o primeiro experimento de uma série de sete do Projeto Chuva, sob coordenação geral do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE) e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A campanha científica, com base em Fortaleza (CE) e organizada pela Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME), pretende coletar dados de nuvens “quentes”, típicas de regiões tropicais, que evoluem sem formar partículas de gelo em seu interior.
As nuvens quentes, presentes nas diferentes regiões do país, estão associadas às chuvas fortes e contínuas. Costumam provocar deslizamentos de encosta e enchentes, como as que ocorreram nos últimos anos em Santa Catarina, Rio de Janeiro, Alagoas e Pernambuco. Chuvas provocadas por nuvens quentes não são consideradas nas estimativas de precipitação dos atuais satélites em órbita, uma das principais preocupações do projeto, segundo o pesquisador do CPTEC/INPE, Luiz Augusto Machado, coordenador principal do Chuva.
Os resultados da pesquisa irão orientar às especificações do satélite brasileiro que fará parte do programa Medidas Globais de Precipitação (http://www.aeb.gov.br/mini.php?secao=gpm) - Global Precipitation Measurement (GPM) -, liderado pelas agências espaciais dos Estados Unidos (NASA) e do Japão (JAXA). As pesquisas também serão aplicadas à área de mudanças climáticas, em análises dos efeitos dos aerossóis (partículas suspensas na atmosfera que podem ser natural ou associadas à poluição) na formação de nuvens de chuva e na modelagem de alta resolução espacial.
Nesta última área, em especial, os processos físicos associados às nuvens de tempestade, que evoluem em escala de alguns quilômetros, ainda são desconhecidos e descritos com pouca precisão pelos modelos numéricos de previsão de tempo e clima. Com o aumento da resolução espacial dos modelos de previsão, devido ao maior poder computacional do novo supercomputador do INPE (batizado de Tupã), os processos que envolvem as partículas de chuva e gelo nas nuvens terão que ser descritos pelos modelos com maior detalhamento.
As sete regiões definidas para a realização das campanhas possuem diferentes regimes de chuva e padrões climáticos, representando os principais sistemas convectivos do país que apresentam a formação de nuvens quentes e de tempestades.
Curso e sistema de alerta
Uma semana antes de iniciar a campanha científica, entre os dias 28 de março e 1º de abril, será realizado o curso “Processos Físicos das Nuvens”, ministrado pelos pesquisadores do projeto e oferecido a alunos de graduação e pós-graduação. O curso está sendo organizado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), nas dependências da FUNCEME. Os alunos participarão da campanha e irão desenvolver um projeto de pesquisa com uso dos dados obtidos durante os experimentos.
A campanha em Fortaleza contará também com um Sistema de Observações de Tempo Severo que irá utilizar um radar meteorológico de banda X com dupla polarização, de última geração, adquirido pelo projeto Chuva. A FUNCEME e a Defesa Civil de Fortaleza decidiram aproveitar a oportunidade da campanha para testar e avaliar este sistema de monitoramento.
O radar recupera informações dos processos físicos envolvidos na formação e dinâmica das nuvens como: locais com presença de gotas líquidas de água, granizo, cristais de gelo etc. O equipamento também estima a quantidade de chuva, principal ferramenta para a emissão de alertas. Os dados meteorológicos obtidos pelo radar serão acompanhados pelos profissionais de Defesa Civil que, durante a campanha, estarão observando a evolução das chuvas sobre a região metropolitana de Fortaleza, já que o sistema fornece também traçado das vias urbanas, curvas de nível, áreas de risco etc.
O sistema vem sendo desenvolvido desde 2004, com tecnologia nacional e projetado para emitir alertas de condições severas que possam causar eventos de impacto à sociedade, como enchentes e deslizamento de terras na área urbana.
A campanha de Fortaleza envolve cerca de 40 pesquisadores, especialistas e técnicos, de diversas instituições de pesquisa e universidades, que estarão acompanhando previsões de tempo, imagens de satélites meteorológicos e uma série de medidas realizadas por instrumentos e equipamentos instalados em diferentes instituições em Fortaleza e arredores. Um avião também será utilizado na campanha.
O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do INPE, está na coordenação geral do projeto e responsável por duas das cinco áreas de abrangência da pesquisa, compartilhadas com pesquisadores da USP e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/ DCTA).
O projeto conta ainda com o apoio e participação da FUNCEME, INMET, SIMEPAR, SIPAM e de uma série de universidades do país (UECE, UFPA, UEA, UFAL, UFCG, UFMS, UTFPR, UFRJ, UFSM, UFPEL, UniFOA, Escola Superior de Tecnologia). Os experimentos contarão também com a participação da NOAA (National Oceanic Atmospheric Administration), NASA e universidades dos Estados Unidos e da Europa.
Fonte: INPE
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Campanha para investigar nuvens “quentes” começará em Fortaleza
23/03/2011
Durante o mês de abril, será realizado o primeiro experimento de uma série de sete do Projeto Chuva, sob coordenação geral do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC/INPE) e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A campanha científica, com base em Fortaleza (CE) e organizada pela Fundação Cearense de Meteorologia (FUNCEME), pretende coletar dados de nuvens “quentes”, típicas de regiões tropicais, que evoluem sem formar partículas de gelo em seu interior.
As nuvens quentes, presentes nas diferentes regiões do país, estão associadas às chuvas fortes e contínuas. Costumam provocar deslizamentos de encosta e enchentes, como as que ocorreram nos últimos anos em Santa Catarina, Rio de Janeiro, Alagoas e Pernambuco. Chuvas provocadas por nuvens quentes não são consideradas nas estimativas de precipitação dos atuais satélites em órbita, uma das principais preocupações do projeto, segundo o pesquisador do CPTEC/INPE, Luiz Augusto Machado, coordenador principal do Chuva.
Os resultados da pesquisa irão orientar às especificações do satélite brasileiro que fará parte do programa Medidas Globais de Precipitação (http://www.aeb.gov.br/mini.php?secao=gpm) - Global Precipitation Measurement (GPM) -, liderado pelas agências espaciais dos Estados Unidos (NASA) e do Japão (JAXA). As pesquisas também serão aplicadas à área de mudanças climáticas, em análises dos efeitos dos aerossóis (partículas suspensas na atmosfera que podem ser natural ou associadas à poluição) na formação de nuvens de chuva e na modelagem de alta resolução espacial.
Nesta última área, em especial, os processos físicos associados às nuvens de tempestade, que evoluem em escala de alguns quilômetros, ainda são desconhecidos e descritos com pouca precisão pelos modelos numéricos de previsão de tempo e clima. Com o aumento da resolução espacial dos modelos de previsão, devido ao maior poder computacional do novo supercomputador do INPE (batizado de Tupã), os processos que envolvem as partículas de chuva e gelo nas nuvens terão que ser descritos pelos modelos com maior detalhamento.
As sete regiões definidas para a realização das campanhas possuem diferentes regimes de chuva e padrões climáticos, representando os principais sistemas convectivos do país que apresentam a formação de nuvens quentes e de tempestades.
Curso e sistema de alerta
Uma semana antes de iniciar a campanha científica, entre os dias 28 de março e 1º de abril, será realizado o curso “Processos Físicos das Nuvens”, ministrado pelos pesquisadores do projeto e oferecido a alunos de graduação e pós-graduação. O curso está sendo organizado pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), nas dependências da FUNCEME. Os alunos participarão da campanha e irão desenvolver um projeto de pesquisa com uso dos dados obtidos durante os experimentos.
A campanha em Fortaleza contará também com um Sistema de Observações de Tempo Severo que irá utilizar um radar meteorológico de banda X com dupla polarização, de última geração, adquirido pelo projeto Chuva. A FUNCEME e a Defesa Civil de Fortaleza decidiram aproveitar a oportunidade da campanha para testar e avaliar este sistema de monitoramento.
O radar recupera informações dos processos físicos envolvidos na formação e dinâmica das nuvens como: locais com presença de gotas líquidas de água, granizo, cristais de gelo etc. O equipamento também estima a quantidade de chuva, principal ferramenta para a emissão de alertas. Os dados meteorológicos obtidos pelo radar serão acompanhados pelos profissionais de Defesa Civil que, durante a campanha, estarão observando a evolução das chuvas sobre a região metropolitana de Fortaleza, já que o sistema fornece também traçado das vias urbanas, curvas de nível, áreas de risco etc.
O sistema vem sendo desenvolvido desde 2004, com tecnologia nacional e projetado para emitir alertas de condições severas que possam causar eventos de impacto à sociedade, como enchentes e deslizamento de terras na área urbana.
A campanha de Fortaleza envolve cerca de 40 pesquisadores, especialistas e técnicos, de diversas instituições de pesquisa e universidades, que estarão acompanhando previsões de tempo, imagens de satélites meteorológicos e uma série de medidas realizadas por instrumentos e equipamentos instalados em diferentes instituições em Fortaleza e arredores. Um avião também será utilizado na campanha.
O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do INPE, está na coordenação geral do projeto e responsável por duas das cinco áreas de abrangência da pesquisa, compartilhadas com pesquisadores da USP e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/ DCTA).
O projeto conta ainda com o apoio e participação da FUNCEME, INMET, SIMEPAR, SIPAM e de uma série de universidades do país (UECE, UFPA, UEA, UFAL, UFCG, UFMS, UTFPR, UFRJ, UFSM, UFPEL, UniFOA, Escola Superior de Tecnologia). Os experimentos contarão também com a participação da NOAA (National Oceanic Atmospheric Administration), NASA e universidades dos Estados Unidos e da Europa.
Fonte: INPE
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terça-feira, 15 de março de 2011
Cooperação Brasil - EUA
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Segundo jornal "O Globo" de hoje (15) ("Patriota diz crer em acordo na área espacial"), é grande a possibilidade de que um acordo espacial entre o Brasil e EUA seja anunciado durante a visita de Barack Obama ao país. A nota do jornal destaca que esta área já foi motivo de atritos entre os dois países, em razão do acordo de salvaguardas tecnológicas relacionado ao uso do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
Especula-se que a cooperação poderia envolver a construção do satélite GPM (Global Precipitation Measurement), com finalidades meteorológicas, projeto que, no entanto, já está no escopo de cooperação entre os dois países (algo mais concreto e detalhado poderia ser assinado, acreditamos). Comenta-se que a colocação do satélite em órbita seria de responsabilidade dos EUA.
Há algumas semanas, chegou ao conhecimento do blog Panorama Espacial o rumor de que haveria ainda interesse do lado norte-americano, nomeadamente do Jet Propulsion Laboratory (JPL/NASA), em desenvolver em conjunto com o Brasil um satélite de observação terrestre.
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Segundo jornal "O Globo" de hoje (15) ("Patriota diz crer em acordo na área espacial"), é grande a possibilidade de que um acordo espacial entre o Brasil e EUA seja anunciado durante a visita de Barack Obama ao país. A nota do jornal destaca que esta área já foi motivo de atritos entre os dois países, em razão do acordo de salvaguardas tecnológicas relacionado ao uso do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
Especula-se que a cooperação poderia envolver a construção do satélite GPM (Global Precipitation Measurement), com finalidades meteorológicas, projeto que, no entanto, já está no escopo de cooperação entre os dois países (algo mais concreto e detalhado poderia ser assinado, acreditamos). Comenta-se que a colocação do satélite em órbita seria de responsabilidade dos EUA.
Há algumas semanas, chegou ao conhecimento do blog Panorama Espacial o rumor de que haveria ainda interesse do lado norte-americano, nomeadamente do Jet Propulsion Laboratory (JPL/NASA), em desenvolver em conjunto com o Brasil um satélite de observação terrestre.
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terça-feira, 1 de março de 2011
Os cortes no orçamento e o Programa Espacial
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Reproduzimos abaixo trecho da matéria "Pastas não sabem que despesas serão cortadas", publicada na edição de hoje (1º de março) do jornal "Valor Econômico", que trata sobre os cortes do orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia. O ministro da pasta, Aloizio Mercadante, afirma que projetos estratégicos, como o Programa Espacial Brasileiro serão preservados. O projeto do satélite meteorológico GPM é também mencionado como uma das prioridades.
"O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse ontem, em São José dos Campos (SP), que espera reduzir os cortes necessários na área de recursos não reembolsáveis com a ampliação dos créditos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em R$ 1,9 bilhão.
"O ajuste fiscal é necessário e o ministério vai participar, mas nós queremos priorizar o que é estratégico. O satélite meteorológico que estamos desenvolvendo com a Nasa, por exemplo, é prioridade número um para o ministério", afirmou. No total, segundo o ministro, serão contingenciados R$ 610 milhões, que o Congresso já tinha cortado dos fundos setoriais, e outros R$ 353,6 milhões de verbas para custeio, além de deixar de receber R$ 710 milhões em emendas parlamentares.
Os projetos considerados estratégicos, como o programa espacial brasileiro, segundo ele, serão preservados. "Estamos concluindo as reformas na Base de Alcântara, que ficará pronta ainda este ano e os investimentos no projeto do Veículo Lançador de Satélites (VLS) também serão mantidos", afirmou Mercadante.
O investimento previsto no desenvolvimento do satélite GPM (sigla em inglês para Medida de Precipitação Global) com a Nasa, é da ordem de US$ 70 milhões. Segundo Mercadante, o governo brasileiro está pedindo à Nasa para antecipar em um ano o lançamento do satélite brasileiro, previsto inicialmente para 2015, para apoiar o Sistema Nacional de Prevenção e Alerta de Desastres Naturais.
"O grande problema com esse satélite é saber se a Nasa manterá o programa, uma vez que houve corte de US$ 18 bilhões no orçamento da agência e nós não sabemos até que ponto isso vai afetar o projeto", disse o ministro."
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Reproduzimos abaixo trecho da matéria "Pastas não sabem que despesas serão cortadas", publicada na edição de hoje (1º de março) do jornal "Valor Econômico", que trata sobre os cortes do orçamento do Ministério da Ciência e Tecnologia. O ministro da pasta, Aloizio Mercadante, afirma que projetos estratégicos, como o Programa Espacial Brasileiro serão preservados. O projeto do satélite meteorológico GPM é também mencionado como uma das prioridades.
"O ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse ontem, em São José dos Campos (SP), que espera reduzir os cortes necessários na área de recursos não reembolsáveis com a ampliação dos créditos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em R$ 1,9 bilhão.
"O ajuste fiscal é necessário e o ministério vai participar, mas nós queremos priorizar o que é estratégico. O satélite meteorológico que estamos desenvolvendo com a Nasa, por exemplo, é prioridade número um para o ministério", afirmou. No total, segundo o ministro, serão contingenciados R$ 610 milhões, que o Congresso já tinha cortado dos fundos setoriais, e outros R$ 353,6 milhões de verbas para custeio, além de deixar de receber R$ 710 milhões em emendas parlamentares.
Os projetos considerados estratégicos, como o programa espacial brasileiro, segundo ele, serão preservados. "Estamos concluindo as reformas na Base de Alcântara, que ficará pronta ainda este ano e os investimentos no projeto do Veículo Lançador de Satélites (VLS) também serão mantidos", afirmou Mercadante.
O investimento previsto no desenvolvimento do satélite GPM (sigla em inglês para Medida de Precipitação Global) com a Nasa, é da ordem de US$ 70 milhões. Segundo Mercadante, o governo brasileiro está pedindo à Nasa para antecipar em um ano o lançamento do satélite brasileiro, previsto inicialmente para 2015, para apoiar o Sistema Nacional de Prevenção e Alerta de Desastres Naturais.
"O grande problema com esse satélite é saber se a Nasa manterá o programa, uma vez que houve corte de US$ 18 bilhões no orçamento da agência e nós não sabemos até que ponto isso vai afetar o projeto", disse o ministro."
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Avanços no Programa GPM
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Governo federal dá aval para construção de satélite de monitoramento das chuvas
10/02/2011
Roberto Maltchik
BRASÍLIA - A tragédia na Região Serrana levou o Ministério da Ciência e Tecnologia a dar carta branca ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para investir na construção de um satélite de monitoramento de precipitações. O GPM (sigla, em inglês, para Medida de Precipitação Global) será construído em parceria com os Estados Unidos e vai custar aos cofres públicos o equivalente a US$ 70 milhões, ao longo dos próximos quatro anos. A ideia da Nasa é fazer o lançamento do GPM em 2015.
— Já há uma decisão no âmbito do ministério e da Agência Espacial Brasileira. O (Aloizio) Mercadante já foi consultado e está de acordo. Estamos bastante tranquilos em relação ao apoio do governo brasileiro — afirmou o diretor do Inpe, Gilberto Câmara.
No projeto, os EUA entram com os sensores e o Brasil com o suporte energético e de telecomunicações para o satélite. O principal obstáculo, neste momento, é a licitação para a escolha do foguete lançador. O diretor do Inpe descarta o uso dos ucranianos Cyclone 4, a partir da base de Alcântara (MA). Segundo ele, não há garantia de que o projeto, tocado pela binacional Alcântara Cyclone Space, esteja operacional em tempo hábil.
O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento, Carlos Nobre, explica que o GPM coroa o sistema de prevenção com o mecanismo mais preciso que existe para monitorar a característica de uma chuva, especialmente a temperatura e a densidade do interior das nuvens.
O sistema que hoje fornece informações ao Brasil — cujo domínio não é brasileiro — não dispõe dos sensores do GPM para inferir a dimensão de uma tempestade. O Brasil também não tem garantias de que receberá informações em tempo adequado. Essa velocidade faz a diferença para emitir um alerta preciso.
— Ele olha processos físicos que o sistema atual é incapaz de observar. Informações como se há gelo ou água líquida no interior das nuvens. O GPM será muito bem-vindo — afirma Nobre.
O chamado GPM Brasil integra uma família de satélites de chamada órbita baixa que devem monitorar as precipitações em todo o planeta. Os Estados Unidos e o Japão estão construindo a "nave mãe", equipamento de tecnologia altamente avançada, capaz emitir microondas e captar as informações da atmosfera. No dia 26 de abril, os patrocinadores do projeto se reúnem em Fortaleza para analisar o cronograma. No encontro, de acordo com o pesquisador do Centro de Previsão do Tempo do Inpe, Luiz Augusto Machado, também será decidido se os não patrocinadores receberão informações ao mesmo tempo que Brasil, Estados Unidos e Japão.
— No caso do Rio, se o GPM tivesse passado (na órbita equatorial), nós teríamos a possibilidade de saber o que estava acontecendo. Ter parte do projeto é a única garantia de que o Brasil vai receber as informações no tempo adequado — afirma Machado.
Fonte: O Globo, 10/02/2011
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Governo federal dá aval para construção de satélite de monitoramento das chuvas
10/02/2011
Roberto Maltchik
BRASÍLIA - A tragédia na Região Serrana levou o Ministério da Ciência e Tecnologia a dar carta branca ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para investir na construção de um satélite de monitoramento de precipitações. O GPM (sigla, em inglês, para Medida de Precipitação Global) será construído em parceria com os Estados Unidos e vai custar aos cofres públicos o equivalente a US$ 70 milhões, ao longo dos próximos quatro anos. A ideia da Nasa é fazer o lançamento do GPM em 2015.
— Já há uma decisão no âmbito do ministério e da Agência Espacial Brasileira. O (Aloizio) Mercadante já foi consultado e está de acordo. Estamos bastante tranquilos em relação ao apoio do governo brasileiro — afirmou o diretor do Inpe, Gilberto Câmara.
No projeto, os EUA entram com os sensores e o Brasil com o suporte energético e de telecomunicações para o satélite. O principal obstáculo, neste momento, é a licitação para a escolha do foguete lançador. O diretor do Inpe descarta o uso dos ucranianos Cyclone 4, a partir da base de Alcântara (MA). Segundo ele, não há garantia de que o projeto, tocado pela binacional Alcântara Cyclone Space, esteja operacional em tempo hábil.
O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento, Carlos Nobre, explica que o GPM coroa o sistema de prevenção com o mecanismo mais preciso que existe para monitorar a característica de uma chuva, especialmente a temperatura e a densidade do interior das nuvens.
O sistema que hoje fornece informações ao Brasil — cujo domínio não é brasileiro — não dispõe dos sensores do GPM para inferir a dimensão de uma tempestade. O Brasil também não tem garantias de que receberá informações em tempo adequado. Essa velocidade faz a diferença para emitir um alerta preciso.
— Ele olha processos físicos que o sistema atual é incapaz de observar. Informações como se há gelo ou água líquida no interior das nuvens. O GPM será muito bem-vindo — afirma Nobre.
O chamado GPM Brasil integra uma família de satélites de chamada órbita baixa que devem monitorar as precipitações em todo o planeta. Os Estados Unidos e o Japão estão construindo a "nave mãe", equipamento de tecnologia altamente avançada, capaz emitir microondas e captar as informações da atmosfera. No dia 26 de abril, os patrocinadores do projeto se reúnem em Fortaleza para analisar o cronograma. No encontro, de acordo com o pesquisador do Centro de Previsão do Tempo do Inpe, Luiz Augusto Machado, também será decidido se os não patrocinadores receberão informações ao mesmo tempo que Brasil, Estados Unidos e Japão.
— No caso do Rio, se o GPM tivesse passado (na órbita equatorial), nós teríamos a possibilidade de saber o que estava acontecendo. Ter parte do projeto é a única garantia de que o Brasil vai receber as informações no tempo adequado — afirma Machado.
Fonte: O Globo, 10/02/2011
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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Carlos Nobre: "Precisamos de um satélite só nosso"
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"Precisamos de um satélite só nosso"
Para cientista responsável por novo sistema de prevenção de desastres, só investimento no médio prazo pode evitar as tragédias de verão
André Julião
O climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foi convocado para uma missão estratégica. Ele vai coordenar o Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais, que deve funcionar 24 horas por dia, 365 dias por ano e contará com previsões climáticas e o treinamento da população em áreas de risco para evitar tragédias como as que acometeram a região serrana do Rio de Janeiro, no começo do ano. À ISTOÉ, Nobre dá detalhes do sistema e fala da importância de um satélite nacional para melhorar as previsões.
ISTOÉ – A falta de um satélite brasileiro prejudica o funcionamento do sistema?
Nobre – O Brasil tem que se planejar para ter um satélite meteorológico geoestacionário (que fica “estacionado” sobre o território) nosso, para melhorar a capacidade de detectar o que muda na atmosfera. Atualmente, usamos um satélite americano e um europeu. Eles fornecem esse tipo de informação, mas o Brasil não os controla. Precisamos de autonomia.
ISTOÉ – Qual o problema em usar os satélites estrangeiros?
Nobre – Hoje não acontece, mas já ocorreu no passado, na época em que havia muitos furacões nos EUA. Era só um dos dois satélites americanos parar de funcionar e eles viravam a câmera do que estava parado sobre o Brasil para o Caribe. O resto do mundo recebia uma imagem dele a cada três horas. É preciso tê-las a cada dez, 15 minutos para acompanhar o movimento rápido das nuvens. O Brasil é tão grande e diverso que justifica ter um satélite nacional. Mas não é algo que se consiga implantar em curto prazo.
ISTOÉ – Uma possível mudança no Código Florestal vai na contramão desse sistema?
Nobre – As áreas que foram ocupadas de forma irregular representam muito perigo. A floresta protege o solo e funciona muito bem para diminuir o risco de deslizamentos e inundações. Mas mesmo o código vigente não é adequado para proteger áreas expostas nas cidades. Ele tem princípios de proteção da água, do solo e da biodiversidade, mas nada sobre a proteção da vida humana.
ISTOÉ – Por que o sistema só vai estar pronto em 2015?
Nobre – A proposta é começar o processo de implantação gradativa do sistema, começando com municípios que possuem um mapeamento bom ou excelente das áreas de risco – e já são muitos. São Paulo e Rio são dois deles e já vão colher resultados antes de novembro. Gradativamente, faremos o mapeamento detalhado das outras áreas. Dentro de quatro anos, esperamos ter alcançado 500 municípios.
Fonte: Revista IstoÉ, Edição 2152, 10 de fevereiro de 2011
Comentário: recentemente, tem se observado um maior destaque dentro do governo para a necessidade de um satélite meteorológico geoestacionário nacional, certamente influenciado pela grande tragédia na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Em algumas entrevistas e discursos, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, apontou esta necessidade. O ponto interessante é que, ao contrário do satélite geoestacionário de comunicações, existe uma maior crença dentro do governo e de outras partes interessadas de que haveria condições de se desenvolver, ainda que parcialmente, o satélite no País, com participação da indústria nacional.
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"Precisamos de um satélite só nosso"
Para cientista responsável por novo sistema de prevenção de desastres, só investimento no médio prazo pode evitar as tragédias de verão
André Julião
O climatologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foi convocado para uma missão estratégica. Ele vai coordenar o Sistema Nacional de Alerta e Prevenção de Desastres Naturais, que deve funcionar 24 horas por dia, 365 dias por ano e contará com previsões climáticas e o treinamento da população em áreas de risco para evitar tragédias como as que acometeram a região serrana do Rio de Janeiro, no começo do ano. À ISTOÉ, Nobre dá detalhes do sistema e fala da importância de um satélite nacional para melhorar as previsões.
ISTOÉ – A falta de um satélite brasileiro prejudica o funcionamento do sistema?
Nobre – O Brasil tem que se planejar para ter um satélite meteorológico geoestacionário (que fica “estacionado” sobre o território) nosso, para melhorar a capacidade de detectar o que muda na atmosfera. Atualmente, usamos um satélite americano e um europeu. Eles fornecem esse tipo de informação, mas o Brasil não os controla. Precisamos de autonomia.
ISTOÉ – Qual o problema em usar os satélites estrangeiros?
Nobre – Hoje não acontece, mas já ocorreu no passado, na época em que havia muitos furacões nos EUA. Era só um dos dois satélites americanos parar de funcionar e eles viravam a câmera do que estava parado sobre o Brasil para o Caribe. O resto do mundo recebia uma imagem dele a cada três horas. É preciso tê-las a cada dez, 15 minutos para acompanhar o movimento rápido das nuvens. O Brasil é tão grande e diverso que justifica ter um satélite nacional. Mas não é algo que se consiga implantar em curto prazo.
ISTOÉ – Uma possível mudança no Código Florestal vai na contramão desse sistema?
Nobre – As áreas que foram ocupadas de forma irregular representam muito perigo. A floresta protege o solo e funciona muito bem para diminuir o risco de deslizamentos e inundações. Mas mesmo o código vigente não é adequado para proteger áreas expostas nas cidades. Ele tem princípios de proteção da água, do solo e da biodiversidade, mas nada sobre a proteção da vida humana.
ISTOÉ – Por que o sistema só vai estar pronto em 2015?
Nobre – A proposta é começar o processo de implantação gradativa do sistema, começando com municípios que possuem um mapeamento bom ou excelente das áreas de risco – e já são muitos. São Paulo e Rio são dois deles e já vão colher resultados antes de novembro. Gradativamente, faremos o mapeamento detalhado das outras áreas. Dentro de quatro anos, esperamos ter alcançado 500 municípios.
Fonte: Revista IstoÉ, Edição 2152, 10 de fevereiro de 2011
Comentário: recentemente, tem se observado um maior destaque dentro do governo para a necessidade de um satélite meteorológico geoestacionário nacional, certamente influenciado pela grande tragédia na região serrana do Estado do Rio de Janeiro. Em algumas entrevistas e discursos, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, apontou esta necessidade. O ponto interessante é que, ao contrário do satélite geoestacionário de comunicações, existe uma maior crença dentro do governo e de outras partes interessadas de que haveria condições de se desenvolver, ainda que parcialmente, o satélite no País, com participação da indústria nacional.
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Anatel e satélites meteorológicos
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Agência aprova destinação de faixa de freqüências para satélites ambientais
27 de Janeiro de 2011
O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou hoje a destinação da faixa de radiofrequências de 26,55 GHz a 26,85 GHz ao Serviço Limitado Privado (SLP) em aplicações de exploração da Terra por satélite, para viabilizar a operação do Sistema NPOESS no País. As informações oferecidas pelo Sistema e disponibilizadas ao Brasil serão úteis para monitorar dados climáticos e meteorológicos, possibilitando às autoridades tomar ações de forma a evitar os efeitos de catástrofes naturais como as ocorridas recentemente no Brasil.
O Projeto NPOESS (National Polar-Orbiting Operational Environmental Satellite System) utiliza a nova geração de satélites ambientais de órbita polar dos Estados Unidos e foi desenvolvido para prover capacidade operacional de sensoriamento remoto a fim de obter, armazenar e disseminar dados meteorológicos, climáticos, terrestres, oceanográficos e geofísico-solares específicos aos centros de processamento de imagens global e regional.
O Sistema pertence à NOAA (National Oceanic & Atmospheric Administration), do Departamento de Comércio do governo dos Estados Unidos. O receptor no Brasil será operado pela Raytheon Espectro Serviços de Telecomunicações Ltda em colaboração com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais).
Atualmente, existe acordo entre INPE e NOAA com validade por 10 anos, podendo ser renovado, para acesso aos dados coletados pelo NOAA. O escopo do acordo compreende o compartilhamento de dados ambientais e produtos, a análise e disseminação de dados ambientais, a cooperação e utilização de infra-estrutura e o desenvolvimento de aplicações e pesquisa científica.
O Sistema prevê, inicialmente, a utilização de dois satélites NPOESS mais dois satélites por meio de cooperação internacional com a Europa e Japão. O primeiro satélite NPOESS tem lançamento previsto para 2014. Os satélites europeu e japonês já se encontram em órbita.
O projeto é composto por diversos receptores distribuídos globalmente (16 receptores em 15 localidades). Os dados são recebidos automaticamente e direcionados dos receptores para as centrais de alto desempenho. Após processados, os dados obtidos serão disponibilizados para a comunidade internacional de meteorologistas, cientistas e pesquisadores.
Os estudos sugeriram a localização de uma das estações no Brasil e, em discussões com a Anatel, foi promovida a localização da estação em Euzébio (Ceará), em centro de pesquisa do INPE, que conta com estação de radiomonitoragem da Agência, devido à alta disponibilidade de dados e baixa latência exigidos pelo sistema. De acordo com os estudos, "a estação no Brasil fornecerá cobertura sobre a área do Oceano Atlântico, onde os furacões costumam se formar, e provê a melhor conectividade a partir do Nordeste do Brasil, cuja capacidade atenda aos valores de latência de dados exigidos".
O Sistema NPOESS se propõe a trazer informações para as seguintes áreas:
* monitoramento de tempestades e planejamento mais eficaz de evacuações;
* monitoramento da qualidade do ar, com observação da poluição em áreas urbanas e de partículas decorrentes de incêndios;
* monitoramento de ozônio, a fim de atender os requisitos do Protocolo de Montreal;
* suporte ambiental à agricultura;
* indústria de pesca e transporte marítimo (cor e temperatura do oceano, altura das ondas, medidas atmosféricas sobre o mar);
* observação ambiental, com medidas de áreas de seca e de precipitação e de vegetação;
* preservação de ecossistemas.
Durante o processo de elaboração da proposta de regulamentação, ficou assegurado o acesso dos dados do sistema pelo INPE, Marinha do Brasil e demais membros da comunidade científica brasileira.
Fonte: Anatel
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Agência aprova destinação de faixa de freqüências para satélites ambientais
27 de Janeiro de 2011
O Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou hoje a destinação da faixa de radiofrequências de 26,55 GHz a 26,85 GHz ao Serviço Limitado Privado (SLP) em aplicações de exploração da Terra por satélite, para viabilizar a operação do Sistema NPOESS no País. As informações oferecidas pelo Sistema e disponibilizadas ao Brasil serão úteis para monitorar dados climáticos e meteorológicos, possibilitando às autoridades tomar ações de forma a evitar os efeitos de catástrofes naturais como as ocorridas recentemente no Brasil.
O Projeto NPOESS (National Polar-Orbiting Operational Environmental Satellite System) utiliza a nova geração de satélites ambientais de órbita polar dos Estados Unidos e foi desenvolvido para prover capacidade operacional de sensoriamento remoto a fim de obter, armazenar e disseminar dados meteorológicos, climáticos, terrestres, oceanográficos e geofísico-solares específicos aos centros de processamento de imagens global e regional.
O Sistema pertence à NOAA (National Oceanic & Atmospheric Administration), do Departamento de Comércio do governo dos Estados Unidos. O receptor no Brasil será operado pela Raytheon Espectro Serviços de Telecomunicações Ltda em colaboração com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais).
Atualmente, existe acordo entre INPE e NOAA com validade por 10 anos, podendo ser renovado, para acesso aos dados coletados pelo NOAA. O escopo do acordo compreende o compartilhamento de dados ambientais e produtos, a análise e disseminação de dados ambientais, a cooperação e utilização de infra-estrutura e o desenvolvimento de aplicações e pesquisa científica.
O Sistema prevê, inicialmente, a utilização de dois satélites NPOESS mais dois satélites por meio de cooperação internacional com a Europa e Japão. O primeiro satélite NPOESS tem lançamento previsto para 2014. Os satélites europeu e japonês já se encontram em órbita.
O projeto é composto por diversos receptores distribuídos globalmente (16 receptores em 15 localidades). Os dados são recebidos automaticamente e direcionados dos receptores para as centrais de alto desempenho. Após processados, os dados obtidos serão disponibilizados para a comunidade internacional de meteorologistas, cientistas e pesquisadores.
Os estudos sugeriram a localização de uma das estações no Brasil e, em discussões com a Anatel, foi promovida a localização da estação em Euzébio (Ceará), em centro de pesquisa do INPE, que conta com estação de radiomonitoragem da Agência, devido à alta disponibilidade de dados e baixa latência exigidos pelo sistema. De acordo com os estudos, "a estação no Brasil fornecerá cobertura sobre a área do Oceano Atlântico, onde os furacões costumam se formar, e provê a melhor conectividade a partir do Nordeste do Brasil, cuja capacidade atenda aos valores de latência de dados exigidos".
O Sistema NPOESS se propõe a trazer informações para as seguintes áreas:
* monitoramento de tempestades e planejamento mais eficaz de evacuações;
* monitoramento da qualidade do ar, com observação da poluição em áreas urbanas e de partículas decorrentes de incêndios;
* monitoramento de ozônio, a fim de atender os requisitos do Protocolo de Montreal;
* suporte ambiental à agricultura;
* indústria de pesca e transporte marítimo (cor e temperatura do oceano, altura das ondas, medidas atmosféricas sobre o mar);
* observação ambiental, com medidas de áreas de seca e de precipitação e de vegetação;
* preservação de ecossistemas.
Durante o processo de elaboração da proposta de regulamentação, ficou assegurado o acesso dos dados do sistema pelo INPE, Marinha do Brasil e demais membros da comunidade científica brasileira.
Fonte: Anatel
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terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Aloizio Mercadante no INPE
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Área espacial terá mais pesquisadores, diz ministro
11/01/2011
Virgínia Silveira
Para o Valor, de São José dos Campos
Com foco em inovação, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse ontem que pretende fortalecer o setor aeroespacial brasileiro por meio de boas propostas e muita motivação. Em seu primeiro compromisso oficial como ministro, Mercadante esteve ontem no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, e afirmou que o instituto terá importância estratégica em sua gestão, especialmente pelos programas que desenvolve nas áreas de monitoramento de florestas, mudanças climáticas, previsão de tempo e desenvolvimento de satélites.
Mercadante ressaltou que vai procurar uma solução para o problema do déficit de especialistas na área espacial, com a contratação de novos pesquisadores. "A geração dos 50 e 60 anos já representa quase dois terços do pessoal que trabalha hoje no Inpe e no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), e o Estado precisa preservar as suas funções de excelência."
O ministro comentou que, nos últimos dois anos, os pesquisadores do Inpe e do DCTA tiveram reajuste salarial importante - 92%, em média - , mas lembrou que o índice ainda está defasado em relação ao mercado de trabalho, que está aquecido.
O ministério, segundo Mercadante, quer trazer de volta pesquisadores que hoje trabalham fora do país. Só em universidades americanas de primeiro nível, segundo o ministro, trabalham hoje cerca de 3 mil professores brasileiros.
"Precisamos criar uma rede para que esses profissionais se relacionem com o Brasil e possam participar de projetos no nosso país, e também abrir uma porta para os que quiserem voltar, além de incentivar a vinda de pesquisadores estrangeiros de alto nível para trabalhar em nossas universidades e institutos de pesquisa", disse.
Mercadante comentou que ainda é prematuro falar em mudanças estratégicas no programa espacial brasileiro. "Temos de avaliar com profundidade o que nós vamos fazer e a ideia é elaborar um diagnóstico bem rigoroso para construir uma estratégia que seja consistente e duradoura."
Qualquer alteração no âmbito das empresas do ministério (ACS, Nuclepe Sibratec), segundo ele, só será feita a partir de uma avaliação rigorosa da atual equipe recém-indicada para trabalhar no ministério. "O critério vai ser competência técnica e excelência. Isso aqui é política de Estado e nós vamos tratar todas essas instituições com esse perfil. A presidente me deu total liberdade para fazer isso."
Na área de lançadores de satélites, o ministro disse que o objetivo é continuar e avançar. No dia 21, Mercadante voltará a São José dos Campos para conhecer de perto os principais projetos do Brasil nessa área e programou uma visita ao DCTA. O ministro será recebido pelo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito.
Mercadante disse que considera indispensável o investimento em satélites que fazem o monitoramento climático e dão apoio à previsão de safra. "A economia satelital representa hoje US$ 206 bilhões por ano. Portanto, é um setor de grande disputa estratégica, de alto valor agregado e que também permite desenvolvimento de inovação em muitas outras áreas da economia", afirmou.
Fonte: Jornal Valor Econômico, via NOTIMP
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Área espacial terá mais pesquisadores, diz ministro
11/01/2011
Virgínia Silveira
Para o Valor, de São José dos Campos
Com foco em inovação, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, disse ontem que pretende fortalecer o setor aeroespacial brasileiro por meio de boas propostas e muita motivação. Em seu primeiro compromisso oficial como ministro, Mercadante esteve ontem no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos, e afirmou que o instituto terá importância estratégica em sua gestão, especialmente pelos programas que desenvolve nas áreas de monitoramento de florestas, mudanças climáticas, previsão de tempo e desenvolvimento de satélites.
Mercadante ressaltou que vai procurar uma solução para o problema do déficit de especialistas na área espacial, com a contratação de novos pesquisadores. "A geração dos 50 e 60 anos já representa quase dois terços do pessoal que trabalha hoje no Inpe e no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), e o Estado precisa preservar as suas funções de excelência."
O ministro comentou que, nos últimos dois anos, os pesquisadores do Inpe e do DCTA tiveram reajuste salarial importante - 92%, em média - , mas lembrou que o índice ainda está defasado em relação ao mercado de trabalho, que está aquecido.
O ministério, segundo Mercadante, quer trazer de volta pesquisadores que hoje trabalham fora do país. Só em universidades americanas de primeiro nível, segundo o ministro, trabalham hoje cerca de 3 mil professores brasileiros.
"Precisamos criar uma rede para que esses profissionais se relacionem com o Brasil e possam participar de projetos no nosso país, e também abrir uma porta para os que quiserem voltar, além de incentivar a vinda de pesquisadores estrangeiros de alto nível para trabalhar em nossas universidades e institutos de pesquisa", disse.
Mercadante comentou que ainda é prematuro falar em mudanças estratégicas no programa espacial brasileiro. "Temos de avaliar com profundidade o que nós vamos fazer e a ideia é elaborar um diagnóstico bem rigoroso para construir uma estratégia que seja consistente e duradoura."
Qualquer alteração no âmbito das empresas do ministério (ACS, Nuclepe Sibratec), segundo ele, só será feita a partir de uma avaliação rigorosa da atual equipe recém-indicada para trabalhar no ministério. "O critério vai ser competência técnica e excelência. Isso aqui é política de Estado e nós vamos tratar todas essas instituições com esse perfil. A presidente me deu total liberdade para fazer isso."
Na área de lançadores de satélites, o ministro disse que o objetivo é continuar e avançar. No dia 21, Mercadante voltará a São José dos Campos para conhecer de perto os principais projetos do Brasil nessa área e programou uma visita ao DCTA. O ministro será recebido pelo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito.
Mercadante disse que considera indispensável o investimento em satélites que fazem o monitoramento climático e dão apoio à previsão de safra. "A economia satelital representa hoje US$ 206 bilhões por ano. Portanto, é um setor de grande disputa estratégica, de alto valor agregado e que também permite desenvolvimento de inovação em muitas outras áreas da economia", afirmou.
Fonte: Jornal Valor Econômico, via NOTIMP
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Pesquisa do INPE sobre meteorologia
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Pesquisa irá investigar processos que formam as nuvens quentes
06/01/2011
Os processos físicos relacionados à evolução de nuvens de tempestade são ainda desconhecidos e ainda poucos descritos com precisão pelos modelos numéricos de previsão de tempo e clima. Com a melhor capacidade de processamento do novo supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que irá rodar modelos de maior resolução espacial, o desenvolvimento de algoritmos para tais processos meteorológicos, que evoluem em escalas de alguns quilômetros, passam a ser de interesse às previsões de tempo e clima e às pesquisas em mudanças climáticas.
O projeto temático Chuva, aprovado recentemente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), irá se concentrar nos diferentes processos que ocorrem no interior de nuvens quentes. Estas nuvens, típicas de regiões tropicais, principalmente em regiões costeiras, e nas quais não se observam partículas de gelo, estão associadas às fortes chuvas que caracterizam eventos meteorológicos extremos. Elas foram responsáveis, por exemplo, pelas chuvas contínuas que provocaram enchentes, em anos anteriores, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, e em 2010 no Rio de Janeiro e nos estados de Alagoas e Pernambuco.
As chuvas provocadas por essas nuvens não são consideradas nas estimativas de precipitação dos atuais satélites em órbita, uma das principais preocupações do projeto de acordo com Luiz Augusto Machado, pesquisador do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE e coordenador principal do Chuva. As contribuições nesta área serão incorporadas ao satélite brasileiro, a ser lançado em 2015, como parte da constelação de satélites do programa GPM (Global Precipitation Measurement), liderado pelas agências espaciais dos Estados Unidos (NASA) e do Japão (JAXA).
Os resultados da pesquisa deverão ser aplicados também à área de mudanças climáticas, em análises dos efeitos dos aerossóis (partículas de queimadas) na formação de nuvens de chuva e na modelagem de alta resolução espacial que deverá detalhar melhor estes processos.
Cinco grupos de trabalho criados dentro do projeto irão atuar de forma interativa a partir das seguintes áreas de pesquisa: 1. Características e ciclo de vida de sistemas de precipitação por região; 2. Estimativa de Precipitação – desenvolvimento e algoritmo de validação; 3. Processos de eletrificação: das nuvens às tempestades; 4. Características das camadas limites para diferentes processos de evolução das nuvens e de regimes de precipitação; e 5. Modelo de aprimoramento e validação, com ênfase na microfísica de nuvens e interações de aerossol, para estimativas de precipitação por satélite no Brasil.
Sete regiões com diferentes regimes de chuva e padrões climáticos foram escolhidas para a realização das campanhas científicas que contarão com a participação da NOAA, NASA, universidades dos Estados Unidos e européias. Neste ano, três experimentos estão programados: o primeiro, em Fortaleza (CE), no mês de abril; depois, em Belém (PA), em junho; e, por último, em São Luiz do Paraitinga (SP), no final do ano. Para as medidas, serão utilizados radar polarimétrico, lidar, radiômetro de microonda, disdrômetros, radiossondas, entre outros instrumentos.
Experimento em Alcântara
O programa internacional Global Precipitation Measurement (GPM) ou Medidas Globais de Precipitação, liderado pela Nasa e Jaxa, que inspirou o projeto Chuva, também vem estimulando outras iniciativas científicas. Durante o mês de março do ano passado foi realizada a campanha "GPM 2010 Chuva", que utilizou o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, como base para a realização dos experimentos. O objetivo foi estudar a formação das gotas de chuva de nuvens quentes e aperfeiçoar modelos de previsão de tempo e a estimativa da precipitação a partir de dados de satélites meteorológicos.
Desde 2004, a Agência Espacial Brasileira (AEB) vem apoiando iniciativas que ampliam a participação brasileira neste programa que busca compreender o papel das chuvas em nível global. Mais informações sobre o GPM Brasil podem ser conferidas no link: http://www.aeb.gov.br/mini.php?secao=gpm
Fonte: INPE
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Pesquisa irá investigar processos que formam as nuvens quentes
06/01/2011
Os processos físicos relacionados à evolução de nuvens de tempestade são ainda desconhecidos e ainda poucos descritos com precisão pelos modelos numéricos de previsão de tempo e clima. Com a melhor capacidade de processamento do novo supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que irá rodar modelos de maior resolução espacial, o desenvolvimento de algoritmos para tais processos meteorológicos, que evoluem em escalas de alguns quilômetros, passam a ser de interesse às previsões de tempo e clima e às pesquisas em mudanças climáticas.
O projeto temático Chuva, aprovado recentemente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), irá se concentrar nos diferentes processos que ocorrem no interior de nuvens quentes. Estas nuvens, típicas de regiões tropicais, principalmente em regiões costeiras, e nas quais não se observam partículas de gelo, estão associadas às fortes chuvas que caracterizam eventos meteorológicos extremos. Elas foram responsáveis, por exemplo, pelas chuvas contínuas que provocaram enchentes, em anos anteriores, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, e em 2010 no Rio de Janeiro e nos estados de Alagoas e Pernambuco.
As chuvas provocadas por essas nuvens não são consideradas nas estimativas de precipitação dos atuais satélites em órbita, uma das principais preocupações do projeto de acordo com Luiz Augusto Machado, pesquisador do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do INPE e coordenador principal do Chuva. As contribuições nesta área serão incorporadas ao satélite brasileiro, a ser lançado em 2015, como parte da constelação de satélites do programa GPM (Global Precipitation Measurement), liderado pelas agências espaciais dos Estados Unidos (NASA) e do Japão (JAXA).
Os resultados da pesquisa deverão ser aplicados também à área de mudanças climáticas, em análises dos efeitos dos aerossóis (partículas de queimadas) na formação de nuvens de chuva e na modelagem de alta resolução espacial que deverá detalhar melhor estes processos.
Cinco grupos de trabalho criados dentro do projeto irão atuar de forma interativa a partir das seguintes áreas de pesquisa: 1. Características e ciclo de vida de sistemas de precipitação por região; 2. Estimativa de Precipitação – desenvolvimento e algoritmo de validação; 3. Processos de eletrificação: das nuvens às tempestades; 4. Características das camadas limites para diferentes processos de evolução das nuvens e de regimes de precipitação; e 5. Modelo de aprimoramento e validação, com ênfase na microfísica de nuvens e interações de aerossol, para estimativas de precipitação por satélite no Brasil.
Sete regiões com diferentes regimes de chuva e padrões climáticos foram escolhidas para a realização das campanhas científicas que contarão com a participação da NOAA, NASA, universidades dos Estados Unidos e européias. Neste ano, três experimentos estão programados: o primeiro, em Fortaleza (CE), no mês de abril; depois, em Belém (PA), em junho; e, por último, em São Luiz do Paraitinga (SP), no final do ano. Para as medidas, serão utilizados radar polarimétrico, lidar, radiômetro de microonda, disdrômetros, radiossondas, entre outros instrumentos.
Experimento em Alcântara
O programa internacional Global Precipitation Measurement (GPM) ou Medidas Globais de Precipitação, liderado pela Nasa e Jaxa, que inspirou o projeto Chuva, também vem estimulando outras iniciativas científicas. Durante o mês de março do ano passado foi realizada a campanha "GPM 2010 Chuva", que utilizou o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, como base para a realização dos experimentos. O objetivo foi estudar a formação das gotas de chuva de nuvens quentes e aperfeiçoar modelos de previsão de tempo e a estimativa da precipitação a partir de dados de satélites meteorológicos.
Desde 2004, a Agência Espacial Brasileira (AEB) vem apoiando iniciativas que ampliam a participação brasileira neste programa que busca compreender o papel das chuvas em nível global. Mais informações sobre o GPM Brasil podem ser conferidas no link: http://www.aeb.gov.br/mini.php?secao=gpm
Fonte: INPE
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Tupã: o novo supercomputador do INPE
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Superprevisão do tempo? Pergunte ao Tupã
29/12/2010
Por Elton Alisson, de Cachoeira Paulista (SP)
Agência FAPESP – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) inaugurou terça-feira (28/12), no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), em Cachoeira Paulista (SP), o supercomputador Tupã.
Com o nome do deus do trovão na mitologia tupi-guarani, o sistema computacional é o terceiro maior do mundo em previsão operacional de tempo e clima sazonal e o oitavo em previsão de mudanças climáticas.
Não apenas isso. De acordo com a mais recente relação do Top 500 da Supercomputação, que lista os sistemas mais rápidos do mundo, divulgada em novembro, o Tupã ocupa a 29ª posição. Essa é a mais alta colocação já alcançada por uma máquina instalada no Brasil.
Ao custo de R$ 50 milhões, dos quais R$ 15 milhões foram financiados pela FAPESP e R$ 35 milhões pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o sistema foi fabricado pela Cray, em Wisconsin, nos Estados Unidos.
O Tupã é capaz de realizar 205 operações de cálculos por segundo e processar em 1 minuto um conjunto de dados que um computador convencional demoraria mais de uma semana.
Com vida útil de seis anos, o equipamento permitirá ao Inpe gerar previsões de tempo mais confiáveis, com maior prazo de antecedência e de melhor qualidade, ampliando o nível de detalhamento para 5 quilômetros na América do Sul e 20 quilômetros para todo o globo.
A máquina também possibilitará melhorar as previsões ambientais e da qualidade do ar, gerando prognósticos de maior resolução – de 15 quilômetros – com até seis dias de antecedência, e prever com antecedência de pelo menos dois dias eventos climáticos extremos, como as chuvas intensas que abateram as cidades de Angra dos Reis (RJ) e São Luiz do Paraitinga (SP) no início de 2010.
“Com o novo computador, conseguiremos rodar modelos meteorológicos mais sofisticados, que possibilitarão melhorar o nível de detalhamento das previsões climáticas no país”, disse Marcelo Enrique Seluchi, chefe de supercomputação do Inpe e coodernador substituto do CPTEC, à Agência FAPESP.
Segundo o pesquisador, no início de janeiro de 2011 começarão a ser rodados no supercomputador, em nível de teste, os primeiros modelos meteorológicos para previsão de tempo e de mudanças climáticas. E até o fim de 2011 será possível ter os primeiros resultados sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil com dados que não são levados em conta nos modelos internacionais.
Modelo climático brasileiro
De acordo com Gilberto Câmara, diretor do Inpe, o supercomputador foi o primeiro equipamento comprado pela instituição de pesquisa que dispensou a necessidade de financiamento estrangeiro.
“Todos os outros três supercomputadores do Inpe contaram com financiamento estrangeiro, que acaba custando mais caro para o Brasil. O financiamento da FAPESP e do MCT nos permitiu realizar esse investimento sem termos que contar com recursos estrangeiros”, afirmou.
O supercomputador será utilizado, além do Inpe, por outros grupos de pesquisa, instituições e universidades integrantes do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climática (Rede Clima) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas.
Em seu discurso na inauguração, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destacou a importância do supercomputador para o avanço das pesquisas realizadas no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, que foi concebido para durar pelo menos dez anos, e para a criação do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global (MBSCG).
O modelo incorporará os elementos do sistema terrestre (atmosfera, oceanos, criosfera, vegetação e ciclos biogeoquímicos, entre outros), suas interações e de que modo está sendo perturbado por ações antropogênicas, como, por exemplo, emissões de gases de efeito estudo, mudanças na vegetação e urbanização.
A construção do novo modelo envolve um grande número de pesquisadores do Brasil e do exterior, provenientes de diversas instituições. E se constitui em um projeto interdisciplinar de desenvolvimento de modelagem climática sem precedentes em países em desenvolvimento.
“Não tínhamos, no Brasil, a capacidade de criar um modelo climático global do ponto de vista brasileiro. Hoje, a FAPESP está financiando um grande programa de pesquisa para o desenvolvimento de um modelo climático brasileiro”, disse Brito Cruz.
Na avaliação dele, o supercomputador representará um avanço na pesquisa brasileira em previsão de tempo e mudanças climáticas globais, que são duas questões estratégicas para o país.
Impossibilitado de participar do evento, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, gravou um vídeo, exibido na solenidade de inauguração do supercomputador, em que declarou o orgulho da instalação no Brasil do maior supercomputador do hemisfério Sul.
“Com esse supercomputador, o Brasil dá mais um passo para cumprir as metas de monitoramento do clima assumidas internacionalmente e entra no seleto grupo de países capazes de gerar cenários climáticos futuros”, disse.
Mais informações: www.inpe.br
Fonte: Agência FAPESP
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Superprevisão do tempo? Pergunte ao Tupã
29/12/2010
Por Elton Alisson, de Cachoeira Paulista (SP)
Agência FAPESP – O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) inaugurou terça-feira (28/12), no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), em Cachoeira Paulista (SP), o supercomputador Tupã.
Com o nome do deus do trovão na mitologia tupi-guarani, o sistema computacional é o terceiro maior do mundo em previsão operacional de tempo e clima sazonal e o oitavo em previsão de mudanças climáticas.
Não apenas isso. De acordo com a mais recente relação do Top 500 da Supercomputação, que lista os sistemas mais rápidos do mundo, divulgada em novembro, o Tupã ocupa a 29ª posição. Essa é a mais alta colocação já alcançada por uma máquina instalada no Brasil.
Ao custo de R$ 50 milhões, dos quais R$ 15 milhões foram financiados pela FAPESP e R$ 35 milhões pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o sistema foi fabricado pela Cray, em Wisconsin, nos Estados Unidos.
O Tupã é capaz de realizar 205 operações de cálculos por segundo e processar em 1 minuto um conjunto de dados que um computador convencional demoraria mais de uma semana.
Com vida útil de seis anos, o equipamento permitirá ao Inpe gerar previsões de tempo mais confiáveis, com maior prazo de antecedência e de melhor qualidade, ampliando o nível de detalhamento para 5 quilômetros na América do Sul e 20 quilômetros para todo o globo.
A máquina também possibilitará melhorar as previsões ambientais e da qualidade do ar, gerando prognósticos de maior resolução – de 15 quilômetros – com até seis dias de antecedência, e prever com antecedência de pelo menos dois dias eventos climáticos extremos, como as chuvas intensas que abateram as cidades de Angra dos Reis (RJ) e São Luiz do Paraitinga (SP) no início de 2010.
“Com o novo computador, conseguiremos rodar modelos meteorológicos mais sofisticados, que possibilitarão melhorar o nível de detalhamento das previsões climáticas no país”, disse Marcelo Enrique Seluchi, chefe de supercomputação do Inpe e coodernador substituto do CPTEC, à Agência FAPESP.
Segundo o pesquisador, no início de janeiro de 2011 começarão a ser rodados no supercomputador, em nível de teste, os primeiros modelos meteorológicos para previsão de tempo e de mudanças climáticas. E até o fim de 2011 será possível ter os primeiros resultados sobre os impactos das mudanças climáticas no Brasil com dados que não são levados em conta nos modelos internacionais.
Modelo climático brasileiro
De acordo com Gilberto Câmara, diretor do Inpe, o supercomputador foi o primeiro equipamento comprado pela instituição de pesquisa que dispensou a necessidade de financiamento estrangeiro.
“Todos os outros três supercomputadores do Inpe contaram com financiamento estrangeiro, que acaba custando mais caro para o Brasil. O financiamento da FAPESP e do MCT nos permitiu realizar esse investimento sem termos que contar com recursos estrangeiros”, afirmou.
O supercomputador será utilizado, além do Inpe, por outros grupos de pesquisa, instituições e universidades integrantes do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climática (Rede Clima) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas.
Em seu discurso na inauguração, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, destacou a importância do supercomputador para o avanço das pesquisas realizadas no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais, que foi concebido para durar pelo menos dez anos, e para a criação do Modelo Brasileiro do Sistema Climático Global (MBSCG).
O modelo incorporará os elementos do sistema terrestre (atmosfera, oceanos, criosfera, vegetação e ciclos biogeoquímicos, entre outros), suas interações e de que modo está sendo perturbado por ações antropogênicas, como, por exemplo, emissões de gases de efeito estudo, mudanças na vegetação e urbanização.
A construção do novo modelo envolve um grande número de pesquisadores do Brasil e do exterior, provenientes de diversas instituições. E se constitui em um projeto interdisciplinar de desenvolvimento de modelagem climática sem precedentes em países em desenvolvimento.
“Não tínhamos, no Brasil, a capacidade de criar um modelo climático global do ponto de vista brasileiro. Hoje, a FAPESP está financiando um grande programa de pesquisa para o desenvolvimento de um modelo climático brasileiro”, disse Brito Cruz.
Na avaliação dele, o supercomputador representará um avanço na pesquisa brasileira em previsão de tempo e mudanças climáticas globais, que são duas questões estratégicas para o país.
Impossibilitado de participar do evento, o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, gravou um vídeo, exibido na solenidade de inauguração do supercomputador, em que declarou o orgulho da instalação no Brasil do maior supercomputador do hemisfério Sul.
“Com esse supercomputador, o Brasil dá mais um passo para cumprir as metas de monitoramento do clima assumidas internacionalmente e entra no seleto grupo de países capazes de gerar cenários climáticos futuros”, disse.
Mais informações: www.inpe.br
Fonte: Agência FAPESP
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quinta-feira, 1 de julho de 2010
Matéria sobre meteorologia na revista da FINEP
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A última edição (nº 9) da revista Inovação em Pauta, editada pela FINEP, empresa do Ministério da Ciência e Tecnologia, tem uma extensa reportagem sobre como o Brasil está enfrentando as mudanças climáticas e fenômenos meteorológicos.
Como não poderia deixar de ser, o texto menciona a necessidade de um satélite meteorológico nacional, citando os diretores do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Abaixo, reproduzimos um trecho, específico sobre o satélite:
"Segundo o diretor do INMET, Antonio Divino Moura, um dos desafios do País para um avanço ainda maior da meteorologia é a falta de uma rede de radares meteorológicos, que permita a adoção de técnicas de previsão de curtíssimo prazo, assim como satélites nacionais dedicados à observação climática. A necessidade de um satélite dedicado é endossada pelo diretor do INPE, Gilberto Câmara: “Em médio prazo, o Brasil precisa ter um satélite geoestacionário próprio, para não depender de outros países”, diz. Já existe um plano do INPE para a fabricação do satélite - orçado em cerca de R$ 800 milhões - que já foi encaminhada a AEB (Agência Espacial Brasileira). “Agora é uma questão de dinheiro”, afirma Gilberto."
Para acessar a reportagem, em arquivo PDF, clique aqui.
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