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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Detalhes sobre o projeto Sentinela

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De tempos em tempos, surgem na imprensa não-especializada notícias sobre o interesse do Ministério da Defesa em contar com uma rede de satélites para vigilância das fronteiras.

A edição nº 5 da revista Espaço Brasileiro, editada pela Agência Espacial Brasileira (AEB), revela mais alguns detalhes sobre a iniciativa, que já teria inclusive nome: Sentinela. As informações estão na resposta de uma das questões feitas na entrevista com Carlos Ganem, presidente da Agência. Ontem (09), o blog também teve a oportunidade de rapidamente conversar com Ganem sobre esse assunto, tendo colhido informações adicionais.

Abaixo, reproduzimos o trecho da entrevista do Ganem publicada na Espaço Brasileiro:

"O monitoramento de áreas terrestres é um ponto importante para que um país consiga soberania. A única forma de observarmos grandes áreas é por meio de satélites. O Brasil, juntamente com a China, já lançou três satélites de imageamento - os CBERS - e lançará outro, em breve. Há algum projeto para a construção de satélites de monitoramente com tecnologia essencialmente brasileira?

Em primeiro lugar, podemos citar a capacidade nacional de desenvolvimento de câmeras ópticas, como as que estão sendo concluídas para os satélites Amazônia e CBERS-3 e 4, pela empresa Opto, de São Carlos (SP). Devemos, ainda, considerar a conclusão da Plataforma Multimissão, que, com as câmeras, comporão satélites de observação inteiramente nacionais.

Em paralelo, a AEB anseia por um satélite de monitoramento e vigilância de suas fronteiras e, sobretudo, das regiões inóspitas onde existem dificuldades de termos bases militares. Esse satélite, o Sentinela, ainda em fase de concepção, seria resultante de tecnologia desenvolvida por empresas da região de São José dos Campos (SP). Ele tem uma característica extremamente funcional, é pequeno, leve e pode dar conta de resolver problemas imediatos no que concerne à segurança e ao monitoramento do nosso território."

Ontem, Ganem informou no seminário que o projeto Sentinela deve ser estruturado por meio de Parceria Público Privada – PPP (mais informações em "Parcerias Público-Privadas para o Setor Espacial"), e também envolverá ao menos duas indústrias brasileiras do polo de São José dos Campos (SP), com transferência de tecnologia, sem revelar os nomes. O presidente da AEB acrescentou que o projeto está no momento em análise no Ministério da Defesa e depois será encaminhado à Agência. Questionado sobre uma data para a sua formalização, informou o ano de 2011.

Com o objetivo de evitar qualquer confusão, Ganem fez questão de frisar que o Sentinela brasileiro não tem relação com o “Sentinel”, da Agência Espacial Europeia, embora ambos os projetos sejam de constelações de observação terrestre.

Participação francesa

A participação francesa no projeto é tida como líquida e certa. Inclusive, em nota divulgada pelo Itamaraty quando da visita de Nicolas Sarkozy ao Brasil em 6 e 7 de setembro desse ano, um dos itens mencionados implicitamente tratava do Sentinela: "O Brasil e a França também concordaram em intensificar o intercâmbio bilateral com vistas a analisar a viabilidade de uma futura cooperação na área de monitoramento das fronteiras terrestres e marítimas do Brasil."

O lance mais curioso do envolvimento francês, no entanto, é que pelo que se tem ouvido nos bastidores, uma das indústrias mais envolvidas com o Sentinela não estava sediada na França, mas sim em outro país europeu.

Opto Eletrônica: imageador de meio metro

No seminário de ontem em Brasília, Jarbas Castro Neto, presidente da Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), em dado momento de sua apresentação destacou que a empresa por ele presidida tem capacidade de construir sensores espaciais de imageamento com resolução de meio metro.

Não se sabe se a Opto está ou estará envolvida no projeto Sentinela, mas a informação dada, não provocada e voluntariamente colocada, chamou a atenção de alguns presentes.

Ainda que exista capacidade no País de desenvolver e construir sensores espaciais óticos de alta resolução, o fato é que a grande barreira para de desenvolver sofisticadas câmeras orbitais está no campo dos CCDs de aplicações espaciais, componente que tem poucos fabricantes mundiais.
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Discussões sobre Política Espacial no CAEAT

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Conselho da Câmara discute o Programa Espacial Brasileiro

André M. Mileski

O Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica (CAEAT) da Câmara dos Deputados promoveu ontem (09), em Brasília (DF), o seminário "Por uma Nova Política Espacial Brasileira: Realidade ou Ficção?", que contou com a participação de especialistas e autoridades do governo, indústria e academia. Com o objetivo de colher subsídios para a elaboração de estudo aprofundado sobre a política espacial brasileira, os especialistas debateram pontos críticos sobre as atividades espaciais do Brasil.

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, defendeu a alteração do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), atualmente em sua quarta revisão, de modo a buscar um trabalho conjunto das instituições envolvidas no programa para os diferentes projetos em andamento. "Não adianta eu ficar insistindo em um conjunto de projetos isolados que não fazem, pela soma dessas parcelas, uma só política nacional, integradora e virtuosa."

Ganem também destacou a intenção da AEB em firmar novos instrumentos de cooperação internacional, tendo mencionado a Coréia do Sul, país que visitou há alguns dias, e o interesse de um grupo europeu em estabelecer parceria para o desenvolvimento de nova versão do Veículo Lançador de Satélites (VLS).

Já na opinião do Deputado Federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), parlamentar muito engajado na área de Ciência e Tecnologia e também relator do estudo em preparação pelo conselho, a sociedade deve conhecer os benefícios trazidos pelos investimentos no setor espacial. "Quando a gente está falando de um grande programa de inclusão digital, nós precisamos do programa espacial, do acesso à comunicação de forma geral, da previsão de catástrofes climáticas ou de eventos extremos. Com isso, nós estamos evitando o sofrimento de milhares de famílias. Tem um impacto social muito grande", disse.

Especialistas também destacaram problemas crônicos que impedem o devido desenvolvimento do programa espacial local, como a falta de pessoal, arranjo institucional do programa, fluxo descontínuo de recursos financeiros e dificuldades burocráticas para a compra de equipamentos e componentes. O pesquisador Edmilson Costa Filho, doutor em Política Científica e Inovação Tecnológica pela Unicamp destacou a falta de foco do programa nacional, alertando sobre a necessidade de se definir políticas e objetivos estratégicos para o setor.

Participaram também o Major-Brigadeiro Ronaldo Salamone Nunes, vice-diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Jarbas Castro Neto, presidente da Opto Eletrônica, indústria localizada em São Carlos (SP), e Nivaldo Hinckel, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Ao término dos estudos e discussões promovidas pelo conselho, será elaborado um livro, previsto para ser concluído no início de 2010, com um diagnóstico, avaliações, orientações e sugestões ao Poder Executivo para o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro.

(Com informações da Rádio Câmara - Daniele Lessa)
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Amazônia-1: novas licitações são aguardadas

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Segundo informações obtidas pelo blog, são aguardadas para as próximas semanas as publicações, no Diário Oficial da União, de avisos de aberturas de licitação para a compra de componentes do satélite de observação terrestre Amazônia-1, baseado na Plataforma Multimissão (PMM), e atualmente em construção pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e indústrias locais.

O INPE deve abrir licitação para a compra de três componentes, que somados devem superar o valor de R$ 20 milhões: (i) Transmissor em banda S (comunicação do satélite com o solo); (ii) Gravador de Dados Digital (Digital Data Recorder - DDR), espécie de disco rígido para o armazenamento de dados e posterior transmissão para o solo; e (iii) sensor de estrelas ("star tracker"), equipamento usado para se determinar a atitude (orientação) do satélite em relação às estrelas.

No final do ano passado, o INPE também adquiriu alguns subsistemas e carga útil para o Amazônia-1 (vejam aqui), como o sistema de controle de atitude e controle de órbita (ACDH, sigla em inglês), comprado da empresa argentina INVAP, e a câmera AWFI, a ser construída pela Opto Eletrônica, de São Carlos (SP).
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segunda-feira, 20 de julho de 2009

CBERS: entrega de câmera MUX

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Ministro prestigia entrega de câmera brasileira dos satélites CBERS-3 e 4

20/07/2009

A câmera multiespectral MUX, que fará parte da carga útil dos satélites CBERS 3 e 4, será entregue pela Opto Eletrônica nesta terça-feira (21/7) em São Carlos (SP), onde fica a sede da empresa. Trata-se da primeira câmera do gênero inteiramente desenvolvida e produzida no Brasil.

Participam da cerimônia de entrega da câmera o ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, e o diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Gilberto Câmara.

A Opto Eletrônica foi contratada via licitação pública pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para o desenvolvimento e fabricação da MUX, uma câmera de 20 metros de resolução no solo que produz imagens destinadas ao monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais.

A câmera será embarcada em satélites da série CBERS e seu desenvolvimento cumpre uma das funções do programa espacial brasileiro, que é a qualificação da indústria nacional.

CBERS

Com os satélites do programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), o Brasil monitora desmatamentos, a expansão urbana e da agropecuária, entre outras aplicações. Já foram lançados três satélites: CBERS 1, 2 e 2B, este atualmente em operação. Os CBERS 3 e 4 devem ser colocados em órbita em 2011 e 2014.

A política de acesso livre às imagens, uma iniciativa pioneira do INPE, tem levado outros países, como os Estados Unidos, a também disponibilizar gratuitamente dados orbitais de média resolução. O download das imagens é feito a partir do endereço http://www.dgi.inpe.br/CDSR/

Além do fornecimento gratuito de imagens de satélite, que contribuiu para a popularização do sensoriamento remoto e para o crescimento do mercado de geoinformação brasileiro, o Programa CBERS promove a inovação na indústria espacial nacional, gerando empregos em um setor de alta tecnologia fundamental para o País.

O CBERS é hoje um dos principais programas de sensoriamento remoto em todo o mundo, ao lado do norte-americano Landsat, do francês Spot e do indiano ResourceSat.
A missão de desenvolver e construir os satélites no Brasil cabe ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia. Na China, o programa está sob a responsabilidade da Chinese Academy of Space Technology (CAST).

Desde junho de 2004, quando ficaram disponíveis na internet, mais de meio milhão de imagens já foram distribuídas para cerca de 20 mil usuários, em cerca de duas mil instituições públicas e privadas, comprovando os benefícios econômicos e sociais da oferta gratuita de dados. Em média, têm sido registrados diariamente 750 downloads no Catálogo CBERS.

Recentemente, Brasil e China decidiram oferecer gratuitamente as imagens do CBERS para todo o continente africano. A distribuição das imagens vai contribuir para que governos e organizações na África monitorem desastres naturais, desmatamento, ameaças à produção agrícola e riscos à saúde pública. Mais informações no site www.cbers.inpe.br

Fonte: INPE
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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Contratos industriais do CBERS

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Há no relatório de gestão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) referente ao ano de 2008 uma interessante tabela (página 22) detalhando a execução financeira no ano passado relacionada ao projeto da segunda geração do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, sigla em inglês).

Dezenas de indústrias nacionais, sozinhas ou em consórcio contratadas pelo INPE receberam cerca de R$ 42,8 milhões no ano passado. Destaques para a Optoeletrônica, de São Carlos (SP), e Consórcio WFI (formado pela própria Optoeletrônica e pela Equatorial Sistemas), contratadas para a produção de câmeras dos CBERS 3 e 4, que receberam R$ 7,3 milhões e R$ 10,6 mihões, respectivamente.

Nomes como Omnisys Engenharia, Consórcio CFF (Cenic e Fibraforte), Orbital Engenharia, Aeroeletrônica e Mectron, entre outros, figuram na tabela.

Nas compras internacionais, um dos destaques foi um contrato de aproximadamente de R$ 5,5 milhões com a europeia EADS SODERN para o fornecimento de módulos de detecção das câmeras MUX e WFI, que equiparão os satélites CBERS 3 e 4.

Apesar dos problemas enfrentados pelo programa CBERS por causa da regulação ITAR, dos EUA, o INPE ainda assim consegue adquirir alguns componentes junto à companhias norte-americanas, como da Agilent Technologies e da californiana Trident Space & Defense. O maior volume executado no exterior no ano passado foi, no entanto, com a Tecnológica, Ingeniería, Calidad y Ensayos S.A., empresa espanhola que fornece componentes eletrônicos para os CBERS. O valor total executado em 2008 pelo INPE em contratos internacionais relacionados ao projeto espacial sino-brasileiro foi de pouco mais de R$ 20,7 milhões.

Para ler postagens anteriores com informações sobre o relatório de gestão de 2008 do INPE, clique aqui, aqui e aqui.
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Opto leva a AWFI

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Colocamos no passado duas notas ("A vez da AWFI" e "Novidades sobre a AWFI") sobre a concorrência lançada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em outubro do ano passado para o fornecimento da câmera Advanced Wide Field Imaging (AWFI) que equipará o satélite Amazônia 1. A Opto Eletrônica levou o negócio, tendo oferecido proposta pouco inferior a R$ 38 milhões.

Na edição de 26 de dezembro de 2008 do Diário Oficial da União, foi publicado o extrato do contrato. Vejam abaixo:

"EXTRATO DE CONTRATO Nº 1150/2008
Nº Processo: 01340000621200861. Contratante: MINISTERIO DA CIENCIA E TECNOLOGIACNPJ Contratado: 54253661000158. Contratado : OPTO ELETRONICA S/A -Objeto: Prestação de Serviços de desenvolvimento, projeto, fabricação e testes do Subistema Advanced Wide Field Imaging Camera - AWFI, parte integrante da carga útil da Plataforma Multi-Missão Brasileira - PMM a ser utilizado no satélite Amazônia 1, conforme especificações técnicas constantes no Projeto Básico, Anexo I do Edital. (R.D. 01.06.115.0/2008) Fundamento Legal: Lei nº 8.666/93. Vigência: 24/12/2008 a 23/12/2011. Valor Total: R$37.950.307,36. Fonte: 100000000 - 2008NE903502 Fonte: 100000000 - 2008NE903503 Fonte: 100000000 - 2008NE903504. Data de Assinatura: 24/12/2008."

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segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Reportagem sobre a Opto Eletrônica

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Na semana passada, entrou no ar no web-site de T&D uma pequena reportagem sobre a Opto Eletrônica, indústria localizada em São Carlos (SP), com atuação nos setores Ótico, Aeroespacial e de Defesa. A matéria é bastante genérica e tem como objetivo apresentar um perfil da companhia, áreas de atuação, produtos e projetos em que está envolvida (em Espaço, o programa CBERS, por exemplo). Foi escrita com base em informações públicas. T&D tentou por algumas vezes contatar a direção da empresa, mas não teve retorno.

Com esta reportagem, T&D dá início a uma série de pequenos artigos com perfis sobre empresas que integram os setores Aeroespacial e de Defesa brasileiros. Todos estes artigos serão publicados em seu web-site na média de um por mês.

Para acessar o artigo sobre a Opto Eletrônica, clique aqui.
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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Novidades sobre a AWFI

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Foram entregues na última sexta-feira (22), na sede do INPE em São José dos Campos (SP) as propostas para o fornecimento da câmera Advanced Wide Field Imaging (AWFI) para o satélite de sensoriamento remoto Amazônia 1. Para relembrar o tema, leiam a nota "A vez da AWFI", postada aqui no início de outubro.

Há dois candidatos: um consórcio formado pela Equatorial Sistemas, de São José dos Campos, e pela OptoVac, de Osasco (SP); e a Opto Eletrônica, de São Carlos (SP). A Equatorial e a Opto Eletrônica já são velhas conhecidas no setor, ambas com considerável experiência em sensores orbitais de imageamento. Inclusive, trabalham juntas no desenvolvimento e construção da câmera WFI que equipará o CBERS 3, previsto para ser lançado em 2010. O "casamento" das duas empresas para o projeto do Amazônia 1, porém, não se repetiu.

A Optovac, por sua vez, é menos conhecida, mas nem por isto neófita em tecnologia espacial. A empresa tem experiência em pesquisas com o INPE na área de sensor de estrelas, astronomia, e também no setor de defesa (mísseis). É uma importante "player" brasileira no mercado de lentes especiais.

Espera-se em breve uma definição da licitação.
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sexta-feira, 31 de outubro de 2008

FINEP apóia projetos de tecnologia espacial

A Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) divulgou ontem (30) a relação de projetos selecionados para o programa de subvenção econômica de 2008. Foram selecionados 209 projetos, que juntos receberão até R$ 450 milhões em recursos não-reembolsáveis. Para programas estratégicos, que inclui iniciativas na área Espacial, serão destinados até R$ 80 milhões distribuídos em 31 projetos. Destes, ao menos dois estão relacionados diretamente com tecnologia espacial. São eles:

- R$ 2,724 milhões para o "desenvolvimento da tecnologia para a fabricação de filmes finos com geometria dedicada para a manufatura de filtros multi-espectrais para aplicação em sistemas de imageamento orbital". A empresa beneficiada é a Opto Eletrônica; e

- R$ 2,993 milhões para o "bloco girométrico tri-axial, montado com girômetros a fibra óptica, para aplicação em sistemas de navegação e controle de satélites, de foguetes e veículos lançadores de satélites". A empresa responsável pela iniciativa é a Optsensys. Sobre sistemas inerciais para foguetes brasileiros, vejam a postagem "Sistemas Inerciais: o calcanhar-de-aquiles do VLS".

Para saber mais sobre algumas das iniciativas em Programas Estratégicos que receberão recursos do governo, não apenas de tecnologia espacial, leiam a matéria "FINEP seleciona projetos estratégicos para subvenção econômica", publicada hoje no web-site de T&D.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Câmera MUX do CBERS 3

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Lente espacial

Uma câmera feita no Brasil para fotografar a Terra vai equipar o satélite sino-brasileiro Cbers-3

Yuri Vasconcelos escreve para a “Revista Pesquisa Fapesp”:

O lançamento do próximo Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers-3), previsto para abril de 2010, será um momento importante não apenas para o programa espacial brasileiro – já que este é o quarto artefato da série e boa parte dele está sendo desenvolvida no país –, mas também para a Opto Eletrônica, empresa com sede em São Carlos, no interior paulista, responsável pelo projeto e fabricação de uma das câmeras do satélite capaz de fotografar a crosta terrestre.

O aparelho, batizado de câmera multiespectral MUX, representa um importante salto tecnológico para a indústria nacional, porque é o primeiro do gênero a ser inteiramente feito no país. As imagens geradas dos territórios do Brasil e da China serão destinadas ao monitoramento ambiental e ao gerenciamento de recursos naturais.

Para conseguir tal feito, a imagem terá uma resolução da superfície terrestre de 20 metros de lado, característica responsável pela nitidez, num parâmetro que não é pouca coisa, levando-se em conta que o Cbers-3 será colocado em órbita a 800 quilômetros de altitude. Isso equivale a enxergar um trem na superfície da Terra ou uma mosca a cerca de 400 metros. A faixa de largura imageada, que é a extensão do território visto em uma linha na imagem, é de 120 quilômetros de largura.

“A fabricação da MUX pela Opto atende à diretriz do programa espacial brasileiro de fomentar o desenvolvimento de tecnologia de ponta dentro da indústria do país, capacitando nossas empresas para participar de forma competitiva no mercado espacial internacional”, ressalta o engenheiro Mario Selingardi, responsável técnico pelo projeto no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Além disso, a fabricação desse subsistema do Cbers-3 por um parceiro nacional auxilia o país a obter independência tecnológica em áreas altamente sensíveis do ponto de vista estratégico. A fa¬se atual do desenvolvimento da câmera é a de realização de testes funcionais no modelo de engenharia da MUX. Esse modelo é um protótipo que vem antes do modelo de qualificação e do equipamento que efetivamente vai voar. O modelo de engenharia deve seguir até o mês de julho para a China, onde vai passar por testes elétricos na integração com outros sistemas.

Nos experimentos realizados aqui a câmera é submetida a ensaios destinados a confirmar se suporta as cargas de lançamento e as condições de temperatura e vácuo no espaço, além de verificar se ela atende aos requisitos de envelhecimento e compatibilidade eletromagnética mantendo seu desempenho funcional. Segundo o Inpe, os ensaios, feitos no Laboratório de Integração e Testes do instituto, mostraram que não houve degradação do desempenho óptico do equipamento. “A câmera tem passado com sucesso pelos testes”, informa Selingardi, do Inpe.

A realização desses experimentos é um importante passo na longa caminhada iniciada em dezembro de 2004, quando a Opto venceu a licitação internacional para fabricação da câmera. A MUX começou a ser projetada já no mês seguinte e a primeira etapa do trabalho (a conclusão do projeto preliminar) ficou pronta no final daquele ano. Para ter idéia da complexidade do projeto preliminar, basta dizer que ele foi composto por mais de 450 documentos e 16 mil páginas.

Fonte: Agência FAPESP, via JC E-mail
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