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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

SGDC: avanços no segmento terrestre

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Telebras dá início à licitação dos centros de controle e gateways do SGDC 

Teletime | sexta-feira, 16 de janeiro de 2015, 12h33 

Enquanto o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação Estratégica (SGDC) está sendo construído na França pela Thales Alenia, a Telebras acelera a implantação da parte terrestre do projeto, já que os trabalhos de construção do artefato estão adiantados. No final do ano passado, foi concluída a fase de revisão crítica de projeto, chamada de Critical Design Review (CDR), o que significa que não haverá mais modificações no projeto.

A estatal já licitou o projeto executivo para a construção dos dois centros de controle (em Brasília e no Rio de Janeiro) e das cinco gateways que serão localizadas em Brasília e Rio de Janeiro, compartilhando o espaço dos centros de controle, e em Salvador, Campo Grande o Florianópolis.

A vencedora da licitação foi a Fox Engenharia, que levou o projeto por aproximadamente R$ 6 milhões. O gerente do projeto de satélite da Telebras, Sebastião do Nascimento Neto, explica que o projeto executivo vai gerar os documentos necessários para a licitação da obra em si, identificando tudo que será necessário para a construção dos prédios que abrigarão os centros de controle e as gateways.

"Ele vai gerar toda a documentação sobre o projeto: o que vai precisar de energia, ar condicionado, controle de acesso etc.". O centro de controle de Brasília (principal) será localizado dentro do Cindacta e o do Rio de Janeiro, na Estação de Rádio da Marinha. "As gateways também ficarão em terrenos de áreas militares para garantir a segurança e o controle de acesso", afirma ele.

A previsão de lançamento do SGDC é no terceiro trimestre de 2016 e tudo indica que ela será cumprida, já que os trabalhos na França estão adiantados. Para que a parte terrestre esteja pronta de modo a não atrasar a entrada em operação prevista para o início de 2017, os prédios dos centros de controle e das gateways têm de estar prontas até o início do ano que vem para haver tempo para instalar e testar as antenas.

Treinamento

Atualmente há seis pessoas da Telebras sendo treinadas pelos engenheiros da Thales Alenia na parte de controle, já que a tarefa será de responsabilidade da estatal juntamente com o Ministério da Defesa. Há servidores do Ministério da Defesa, Visiona e Inpe que participarão do mesmo treinamento, totalizando 33 profissionais.

"O curso está planejado para 22 meses. Na especificação, a gente pediu que o curso fosse suficiente para fazer com que pessoas que não tivessem conhecimento profundo saíssem pessoas especializadas na área", afirma Neto. "Apesar de a gente ter várias empresas aqui, o controle do satélite é feito fora. A grande maioria dos profissionais não é brasileira. Que eu saiba, só a Star One e a Hispamar têm centro de controle no Brasil e esse processo da Telebras vai fazer triplicar o número de profissionais com essa capacidade", completa ele.

Fonte: Teletime (Helton Posseti).
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

SGDC: concluída a Revisão Crítica do Projeto

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Satélite de comunicação e defesa brasileiro é aprovado para fabricação

Equipamento dará segurança a transmissão de informações estratégicas do País e irá ampliar acesso à banda larga

08/01/2015 16:37h

Foram finalizados em dezembro os trabalhos da revisão crítica de projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Na avaliação foram examinados em detalhes todos os sistemas e subsistemas do artefato brasileiro e verificado se o projeto cumpre os requisitos para a fabricação. O novo satélite será o primeiro a ser 100% controlado por instituições do Brasil.

O SGDC terá 5,8 toneladas, posicionado a uma distância 35.786 km da superfície da Terra. A previsão é de que o satélite seja lançado no segundo semestre de 2016 e terá vida útil superior a 15 anos. Quando estiver em órbita, o artefato terá uma banda de uso exclusivo militar, o que vai garantir segurança total nas transmissões de informações estratégicas do País.

A revisão crítica de projeto foi realizada na cidade de Toulouse, na França, e contou com a participação de especialistas da Telebras, do Ministério da Defesa, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da empresa VISIONA. Compareceram também o Adido de Defesa e Aeronáutico do Brasil na França, Coronel Antônio Ramirez Lorenzo, e militares do Núcleo do Centro de Operações Espaciais Principal (NUCOPE-P), da Força Aérea Brasileira.

“Esta foi a última etapa antes da fabricação do satélite que será de extrema importância para o Ministério da Defesa e para o Brasil. Em 2015, serão construídos os prédios de onde o SGDC vai ser comandado. Um ficará em Brasília, no Sexto Comando Aéreo Regional, e o outro no Rio de Janeiro, na Estação de Rádio da Marinha”, explicou o Comandante do NUCOPE-P, Coronel Hélcio Vieira Junior.

Além de atender à demanda de comunicações estratégicas do Ministério da Defesa, o satélite facilitará a execução do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), levando comunicação de qualidade às regiões mais afastadas do Brasil, que ainda dependem da construção de rotas de fibra ótica para terem acesso à internet.

O projeto de construção e controle do satélite também prevê transferência de tecnologia, o que dará ao Brasil o domínio desse tipo de conhecimento, que poderá ser disseminado nas mais diversas áreas - em especial, no meio da indústria de defesa.

Assista ao vídeo da Telebras sobre o funcionamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas.

Fonte: FAB
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domingo, 21 de dezembro de 2014

SGDC: governo libera R$400 milhões

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Satélite SGDC recebe mais de R$ 400 milhões do governo

Brasília, 19 de dezembro de 2014 – O governo federal liberou R$ 404,7 milhões esta semana para a construção do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), projeto que levará internet de banda larga a municípios com menos de 50 mil habitantes e aprimorará a comunicação dos órgãos de Defesa Nacional.

O projeto, cujo orçamento total é de R$ 1,8 bilhão, está em andamento na França e tem a participação de técnicos brasileiros no seu desenvolvimento. Parte dos recursos é do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2).

“Teremos um satélite próprio agora. Não precisaremos mais contratar serviços estrangeiros, resultando em economia aos cofres públicos, e levaremos internet a municípios pequenos onde é inviável implantar fibra ótica”, disse o diz o diretor de Banda Larga do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra.

A licitação para a construção do satélite foi vencida por uma empresa francesa, a Thales Alenia Space. Mas ao contrário de outros satélites usados pelo Brasil, que são controlados por estações estrangeiras, o SGDC será 100% controlado por instituições nacionais.

Além disso, o contrato assinado em setembro último prevê transferência de tecnologia ao Brasil, por meio da empresa Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture da Telecomunicações Brasileiras (Telebrás) e a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), que atua como empresa integradora do projeto.

O satélite pesa 5,8 toneladas, tem vida útil de 15 anos e previsão de lançamento em 2016. Participam do projeto os ministérios das Comunicações, Defesa, e Ciência e Tecnologia, além das empresas Embraer e Telebras, e a Agência Espacial Brasileira (AEB).

Cada órgão designou técnicos que foram enviados à França para adquirir capacitação tecnológica, visando o desenvolvimento futuro no Brasil de uma indústria no setor.

Fonte: Portal Brasil, via AEB.
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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Senado discute relevância do SGDC

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Relevância do satélite geoestacionário brasileiro é debatida no Senado

Brasília, 18 de novembro de 2014 – A importante oportunidade de robustecer a capacitação tecnológica do país e de ampliar a contratação de outros projetos junto à base industrial espacial brasileira com a implantação do Satélite Geoestacionário de Defesa e de Comunicação (SGDC) foi a tónica do debate na audiência pública realizada hoje (18) na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) no Senado Federal.

O encontro mostrou ainda a relevância do SGDC para a expansão e o acesso ao serviço de banda larga em todas as regiões do país e a segurança que proporciona para o controle e qualidade da comunicação do sistema de defesa nacional.

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, destacou em sua apresentação sobre o Programa Espacial Brasileiro a importância da contratação da construção do SGDC junto a Thales Alenia por meio da empresa nacional Visiona, tendo como um de seus itens o acordo de absorção e transferência tecnológica, iniciativa sob a coordenação da Agência.

Por meio desse acordo um grupo de engenheiros e técnicos brasileiros frequentou este ano na França um curso de capacitação espacial, sendo que parte deles trabalha diretamente no desenvolvimento do satélite na França. Em janeiro de 2015 outros 32 especialistas ingressam no programa de capacitação e absorção.

Consenso – Foi consenso entre os sete convidados para a audiência existir a necessidade de aumento nos investimentos do segmento espacial, bem como de se propor e criar maior demanda para o setor, caso contrário não haverá onde alocar a massa crítica que está se formando, assim como não se conseguirá atrair mais profissionais para as áreas de engenharia.

Segundo levantamento apresentado pela diretora adjunta de Estudos e Políticas Setoriais de Inovação, Regulação e Infraestrutura do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Flávia Schmidt, 42% dos profissionais do setor aeroespacial têm curso superior – nos demais segmentos o percentual não ultrapassa 10%.

A mesma pesquisa, realizada junto a 104 empresas, aponta que a maioria saiu da condição de micro e pequena empresa para o patamar de média e grande empresa num espaço de seis anos, sendo que 30% já são exportadoras. Para Flávia, é fundamental que o governo amplie a demanda dessas empresas com a contratação de projetos evitando, inclusive, a migração para outros ramos de atividade.

Na mesma linha de raciocínio, Eduardo Bonini Santos Pinto, presidente da Visiona Tecnologia Espacial S.A., disse que não há como olhar para o futuro sem se pensar em aumentar a demanda de projetos, pois, caso contrário, “não há porque estamos ampliando nossa capacitação agora”. Para o presidente da AEB, a absorção e a transferência tecnológica são fundamentais para que se tenha condições de atender as próximas necessidades do país.

Também participaram da audiência o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Leonel Perondi, o coronel do Exército Anderson Tesch Horsken Alvarenga, da Assessoria para o Projeto do SGDC do Ministério da Defesa, Francisco Ziober Filho, Presidente da Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras) e Ivanil Elisiário Barbosa, presidente do Sindicato Nacional dos Servidores Públicos Federais na área de Ciência e Tecnologia do Setor Aeroespacial (SindCT).

Fonte: AEB
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sábado, 18 de outubro de 2014

Senador defende investimentos no setor espacial

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Senador defende investimentos no setor espacial

Brasília, 17 de outubro de 2014 – O governo deve fortalecer a política espacial brasileira, mediante a organização de concursos públicos para suprir a atual deficiência de servidores no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), como forma de evitar a perda de conhecimentos acumulados pelo país há décadas.

A avaliação é do senador Anibal Diniz (PT-AC), que participou na quinta-feira (16) de reunião com diretores e funcionários do instituto em São José dos Campos (SP). Diniz é relator, na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT), do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), lançado há quatro anos pelo governo federal para levar internet de alta velocidade a todas as regiões do país.

Ele lembrou que o Inpe foi criado para incentivar a política espacial e aplicar os conhecimentos em projetos inovadores que atendam o governo e a sociedade. O senador registrou que o instituto enfrenta dificuldades de operação por falta de demanda de projetos e de pessoal.

Na sua avaliação, o Inpe, que hoje tem 1.049 servidores – distribuídos nas carreiras de gestão, tecnologia e pesquisa – precisaria de outros 400 profissionais, pois muitos dos técnicos em atividade já ultrapassaram a idade de se aposentar.

Parceria – Diniz também visitou o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a Altave. A empresa, em parceria com o órgão, desenvolve um balão que poderá estabelecer um enlace de comunicações para atender a demanda de internet de banda larga nas localidades mais isoladas, sobretudo nas Regiões Norte e Nordeste.

A proposta é que o balão opere a 300 metros do solo e tenha a capacidade de substituir até sete torres de retransmissão de sinais. O projeto encontra-se em avaliação no Ministério das Comunicações.

O relatório do senador a respeito do PNBL deve ser apresentado em meados de novembro. Ele pretende contribuir para que o Brasil “se coloque diante do espelho e se veja na área de ciência e tecnologia”.

Fonte: Jornal do Senado, via website da Agência Espacial Brasileira.

Comentários do blog: em sua visita à São José dos Campos, o senador Anibal Diniz também esteve reunido com diretores da Visiona Tecnologia Espacial, prime-contractor do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), que atenderá o PNBL. Sobre a visita à Altave e o projeto do balão para transmissão de dados, recomendamos a leitura da postagem "Telebras e balões para comunicações", de outubro de 2013.
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domingo, 28 de setembro de 2014

"SCD-Hidro: Um alento à indústria espacial brasileira"

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SCD-Hidro: Um alento à indústria espacial brasileira

André M. Mileski

Apesar de alguns importantes acontecimentos nos últimos anos, como a edição de um novo Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE 2012-2021), o surgimento da figura de uma prime contractor e a contratação do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), não se pode dizer que a indústria espacial brasileira vive um momento de exuberância. Pelo contrário. Formada por um pequeno número de pequenas e médias empresas, o setor industrial nacional está em crise, decorrente, principalmente, da falta de encomendas de seu principal (e único) cliente, o que tem gerado, inclusive, demissões.

A Agência Espacial Brasileira (AEB), a quem em tese compete exercer ações de política industrial previstas na PNAE, reconhece a situação. “Realmente, esse momento é o momento em que estamos concluindo vários projetos e precisamos retomar outras iniciativas”, afirmou José Raimundo Coelho, presidente da Agência, em entrevista dada à T&D no final de 2013.

É com base neste cenário, e enquanto outras missões do PNAE e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) não se materializam, que se busca viabilizar o projeto do Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro), lançado pela AEB em conjunto com a Agência Nacional de Águas (ANA), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.

Histórico

Muito embora tenha um forte componente de política industrial, o SCD-Hidro não está sendo desenvolvido pura e simplesmente para gerar carga de trabalho para as indústrias brasileiras. A participação da ANA decorre do fato desta ser a principal usuária do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA) (ver box), mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do qual depende para seus monitoramentos do volume de água e do balanço hidrológico dos reservatórios. Desta forma, o projeto atende a uma demanda do governo, além de funcionar como uma ação de política industrial, num campo tecnológico já plenamente dominado pela indústria espacial nacional.

Oficialmente, o projeto teve início no final de maio de 2012, com a assinatura de um memorando de entendimentos que previa a criação de um grupo de trabalho para o estudo sobre a viabilidade de desenvolver um microssatélite para missão de coleta de dados hidrometeorológicos. Com isso, o projeto avançou relativamente rápido, com a contratação da iniciativa privada para um estudo comparativo de soluções. Em agosto de 2013, a AEB lançou o Edital da Concorrência n.º 01/2013, prevendo a “contratação de empresa especializada para realizar Estudo Comparativo de Soluções para o Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro), mediante o regime de empreitada por preço global”.

Dando prosseguimento à licitação, no mês seguinte foram habilitadas três empresas interessadas na concorrência: a Mectron, pertencente ao grupo Odebrecht Defesa e Tecnologia, a Equatorial Sistemas, do grupo Airbus Defence and Space, e a Omnisys Engenharia, controlada pela francesa Thales. O resultado final saiu em outubro, tendo a Equatorial Sistemas sido selecionada com uma proposta de R$ 1,885 milhão. Do estudo comparativo, participam ainda, na qualidade de subcontratadas, a Visiona Tecnologia Espacial, uma joint-venture entre a Embraer e a Telebras, e a Orbital Engenharia, de São José dos Campos (SP).

Propósitos, finalidades e perspectivas

O projeto tem por propósito principal garantir a continuidade dos serviços do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais, que teve início com os satélites SCD-1 e SCD-2 desenvolvidos pelo INPE e colocados em órbita durante a década de 1990.

Segundo informou a AEB, a proposta atualmente em estudo, direcionada aos interesses da ANA, não apenas atende aos requisitos originais do sistema, mas amplia sua capacidade e funcionalidade, possibilitando o aumento do número de plataformas instaladas, a ampliação dos serviços para além das fronteiras nacionais, além da redução do tempo de revisita, o que permitiria atender também à comunidade que lida com desastres naturais com origem hidrológica. As capacidades do SCD-Hidro também podem vir a servir outros projetos, como o futuro Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), da Marinha do Brasil, considerando que na atualidade o SBCDA já recebe dados ambientais gerados a partir de plataformas marítimas localizadas em zonas marítimas do Brasil e da África. Ainda, a reportagem apurou que a Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), responsável por ações do Ministério da Defesa no âmbito espacial, acompanha a iniciativa com atenção, interessada em sua capacidade de coleta e transmissão de dados gerados em solo.

As alternativas em análise consideram constelações que variam de dois satélites em órbita baixa e equatorial, a até seis satélites também em órbita baixa, mas dispostos em três planos orbitais distintos.

A proposta leva em conta um prazo de até três anos para o primeiro lançamento, contados da data da contratação. Tal prazo, no entanto, dependerá da definição quanto à configuração do sistema em órbita, que poderá ser de lançamento múltiplo, isto é, com todos os satélites sendo lançados ao mesmo tempo, ou por plano orbital, com lançamentos distintos.

A expectativa da AEB é de que o sistema seja contratado até o final de 2014 junto a uma empresa integradora nacional, potencialmente, a Visiona Tecnologia Espacial, que já exerce este papel no SGDC, estratégia em linha com os preceitos do PNAE. Representantes da Visiona, aliás, têm visitado empresas nacionais que poderiam participar do projeto, e também participado de reuniões com possíveis parceiros estrangeiros.

A propósito, uma das parcerias internacionais em consideração é com a Espanha. No final de maio, representantes da AEB, da ANA e da Visiona tiveram uma reunião de apresentação da proposta de cooperação do Centro Espacial da Galícia, ligado à Universidade de Vigo, com o Brasil, envolvendo a missão hidrometeorológica. Segundo divulgou a AEB na ocasião, a ação cooperativa envolveria financiamento de projetos com os recursos de ambas as instituições, com investimentos igualitários entre as partes.

O centro espanhol, que no momento conta com dois cubesats em órbita e prepara o lançamento de outro para breve, coordena uma rede mundial de satélites apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que possibilita aos países parceiros transmitir e compartilhar dados sobre emergências humanitárias ou outras informações úteis a estudos sobre o câmbio climático e o controle e detecção de incêndios, por meio de sensores orbitais considerados de baixo custo.

Caso a previsão de contratação do SCD-Hidro este ano se confirme, espera-se sua entrada em operação até o final de 2017. Os custos do projeto ainda estão em revisão e, de acordo com a AEB, ainda não há previsão orçamentária para o projeto completo. “Os recursos disponíveis no momento estendem-se por quatro anos, mas a um nível ainda insuficiente para arcar com todos os investimentos”, segundo informação a Agência.

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Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais

A origem do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA) remonta à Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), criada no final da década de 1970 e que buscava dotar o País de autonomia na construção, lançamento e operação de meios espaciais. Dentre as missões compreendidas na missão, estavam os satélites SCD-1 e SCD-2, inspirados no programa franco-americano ARGOS, para coleta de dados ambientais gerados em plataformas terrestres. De fato, 35 anos após a criação da MECB, os satélites de coletas de dados são umas de suas poucas ações bem sucedidas.

Apesar de terem superado em muitos anos suas vidas úteis planejadas, os dois SCD continuam em operação, e ao longo desse tempo foram complementados por transpônderes de coleta de dados instalados em satélites da série CBERS, desenvolvido pelo Brasil em conjunto com a China.

Grosso modo, o SBCDA funciona por meio da retransmissão de mensagens enviadas por centenas de plataformas de coletas de dados, gerados por sensores, distribuídas por todo o território nacional, áreas marítimas e mesmo em alguns países vizinhos. Uma vez recebidas, os satélites armazenam os dados e os retransmitem para estações de recepção localizadas em Cuiabá (MT) e Alcântara (MA), quando visíveis, isto é, com passagens na área de cobertura das estações de recepção. Grande parte das plataformas, conhecidas pela sigla PCD (Plataforma de Coleta de Dados) dispõem de sensores que geram dados meteorológicos, como velocidade e direção dos ventos, umidade e temperatura, e hidrológicos, como os níveis de reservatórios. As PCDs mais modernas contam com painéis solares e baterias que garantem seu funcionamento de forma autônoma.

Os dados são enviados para o Sistema Integrado de Dados Ambientais, (SINDA) situado no Centro Regional do Nordeste do INPE, em Natal (RN), onde são processados, armazenados e disseminados aos usuários, por meio da internet, no prazo máximo de 30 minutos após a recepção.

Além do SCD-Hidro, outra iniciativa que visa dar continuidade ao SBCDA é desenvolvida no CRN/INPE desde 2011. Trata-se do CONASAT, uma constelação de seis nanossatélites, projetados com base na tecnologia dos cubesats. (AMM)

Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 138, setembro de 2014.
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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

6 perguntas a Joel Chenet, da Thales Alenia Space

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O blog Panorama Espacial recentemente entrevistou por e-mail Joel Chenet, vice-presidente da franca-italiana Thales Alenia Space para o Brasil, sobre os planos do grupo para o Brasil e a América Latina. Com respostas curtas, Chenet apresentou linhas gerais sobre a estratégia da empresa.

O senhor poderia dar um breve panorama sobre a presença da Thales Alenia Space (TAS) no Brasil e América Latina?

A Thales Alenia Space tem uma forte presença aqui, com histórias no Brasil e na Argentina, e várias prospecções em andamento na América Latina, em países como a Colômbia e o Peru. Originalmente, a Thales Alenia Space foi uma das empresas fundadoras da NAHUELSAT [Nota do blog: operadora de comunicações da Argentina criada na década de noventa, não mais existente] e também entregou dois satélites para a Star One, participando da expansão desta bem conhecida operadora. Hoje, a Thales Alenia Space está totalmente comprometida em entregar o SGDC para a Visiona e a Telebras. Na Argentina, a empresa também está trabalhando numa forte parceria com a fabricante local INVAP para a construção dos satélites de comunicações Arsat 1 e 2. O Arsat 1 foi enviado ao centro espacial de Kourou, na Guiana Francesa, de onde deve ser lançado no meio de outubro, enquanto que o Arsat 2 entrará em fase de integração e testes nas instalações da INVAP. [Nota do blog: A TAS fornece as cargas úteis de ambas as missões]

Em relação ao Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), em maio foi concluída a fase de projeto do sistema. Quais são os próximos passos? O projeto esta dentro do cronograma?

A cada três meses, há uma reunião com o cliente [Visiona / Governo] para tratar do status do programa, sendo o próximo passo a Revisão Crítica do Projeto [Critical Design Review], prevista para acontecer até o final do ano. Esta revisão analisará se todos os equipamentos a serem entregues estão perfeitamente em linha com a performance demandada para o satélite. O SGDC está bem alinhado dentro de nosso cronograma.

Muito se fala sobre a transferência de tecnologia associada ao SGDC, e um memorando de entendimentos foi assinado em dezembro. Como estão as tratativas para a sua implementação?

As discussões com a Agência Espacial Brasileira para a conclusão dos primeiros contratos relacionados à transferência de tecnologia ainda estão em andamento, e temos por objetivo estar prontos antes do final deste ano para o início de sua implementação.

[Nota do blog: sobre a transferência de tecnologia associada ao SGDC, veja mais informações em "Programa Espacial: orçamentos de 2014 e 2015"]

Em julho, em reportagem do Valor Econômico, Cesar Kuberek, executivo do grupo, falou sobre os planos da Thales de triplicar suas vendas na América Latina. Como o setor espacial esta inserido neste plano estratégico?

Espaço na América Latina é um mercado muito importante em dois segmentos principais, telecomunicações e observação (ótica e radar de alta resolução e meteorologia). Há várias oportunidades em razão do crescimento da [demanda] por internet e também da necessidades dos governos em gerenciar e monitorar o meio-ambiente e áreas vizinhas.

Como e sabido, o Programa Espacial Brasileiro não passa por seu melhor momento, dada a falta ou mesmo o contingenciamento de recursos. A situação e idêntica para o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), que enfrenta atrasos em razão de indisponibilidade orçamentária. Qual e o posicionamento da TAS frente a estes percalços?

A Thales Alenia Space não está no Brasil visando objetivos de curto prazo, mas sim com uma visão de longo prazo. Enfrentar dificuldades orçamentárias é sempre um assunto sério, mas estamos confiantes que no final o governo, de uma forma ou de outra, investirá em espaço, assim como todos os grandes países do mundo.

Em comunicações comerciais, depois de alguns anos de pouca competitividade e reduzida presença no mercado global, a TAS da sinais de recuperação, com a conquista desde o início do ano de contratos para quatro satélites geoestacionários. Qual e sua visão sobre a competitividade da TAS e oportunidades na América Latina?

Nós nos fortalecemos para retornar a este mercado e estamos tentando entregar propostas de valor a nossos clientes. Ao mesmo tempo, anunciamos há apenas alguns dias nossa nova linha de produtos para satélites totalmente elétricos, e acreditamos que isso abrirá muitas oportunidades no crescente mercado de telecomunicações aqui da América Latina.

domingo, 7 de setembro de 2014

SGDC: Visiona já planeja segundo satélite

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Para presidente da Visiona, segundo satélite brasileiro deveria ser lançado antes de 2019

sexta-feira, 5 de setembro de 2014, 0h13 

O primeiro Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) deve ser lançado pela Visiona, joint-venture entre Telebras e Embraer, apenas em 2016, mas ele deve subir ao espaço com sua capacidade praticamente saturada. E justamente por isso, o ideal, na opinião do presidente da Visiona, Eduardo Bonini, seria começar a planejar a antecipação do lançamento do segundo satélite, inicialmente projetado para 2019. "O segundo SGDC, a meu ver, deveria já começar a ser planejado e lançado antes mesmo de 2019, porque esse primeiro já está mostrando capacidade saturada e vai ser lançado em 2016", diz.

O segundo SGDC será também, para Bonini, uma oportunidade para se aumentar a quantidade de conteúdo nacional presente no satélite. "Hoje o conteúdo nacional do SGDC é pouco representativo, mas pode ser maior no segundo. Precisamos criar o legado dos componentes que já existem, criar um histórico de voo para só poder entrar no mercado internacional. O chefe do Laboratório de Integracão e Testes (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Geilson Loureiro, é da mesma opinião. "A idéia é que os próximos satélites tenham cada vez mais conteúdo nacional. Por determinação do governo, estamos ampliando a estrutura física e os equipamentos de testes com um investimento estimado de R$ 170 milhões", conta Loureiro.

Bonini acredita que, até para justificar o investimento de R$ 170 milhões do projeto – que não é nada pra um projeto de satélite, mas que é sim muito significativo – é preciso haver mais conteúdo nacional nos satélites "para que possamos criar uma infraestrutura no Brasil e dar continuidade ao projeto", detalha. "Talvez a Anatel possa incluir mínimos de conteúdo nacional nas próximas licitações (de posições orbitais brasileiras), como ela já faz com as de frequência", sugere Loureiro.

Cronograma

De acordo com o vice-presidente da Thales Alenia Space, Joël Chenet, fabricante do SGDC, o cronograma do satélite segue dentro do esperado. Segundo ele, o tubo central, os painéis estruturais e as estruturas de fixação "já foram construídos e estão recebendo seus componentes eletrônicos".

Chenet também garantiu que o processo de transferência de tecnologia segue dentro dos prazos. "O primeiro passo foi colocar as pessoas para conhecer os sistemas satelitais de maneira geral, para depois começarmos o aprofundamento nos subsistemas. O objetivo principal é dar competência e tecnologias para dar autonomia ao Brasil em satélites de órbita baixa (LEO), como missões de observação, radar, controle de satélites, propulsão, integração e suporte".

Os executivos estiveram presentes no primeiro dia do Congresso Latino-Americano de Satélites, promovido no Rio de Janeiro pela Converge Comunicações, que edita esse noticiário.

Fonte: Teletime
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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Thales Alenia Space no Congresso Latino-Americano de Satélites

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Thales Alenia Space enfoca SGDC e transferência de tecnologia no Congresso Latino-Americano de Satélites

Transferências tecnológicas visam apoiar a expansão do Programa Espacial Brasileiro

Rio de Janeiro, 3 de setembro de 2014 – A Thales Alenia Space (TAS), um dos principais players europeus em telecomunicações, navegação, observação da Terra, exploração e infraestruturas orbitais, participará com destaque do Congresso Latino-Americano de Satélites, a ocorrer nos dias 4 e 5 de setembro, no Rio de Janeiro. A empresa vai apresentar com detalhes a trajetória de sucesso que a levou a vencer a concorrência internacional para fornecer o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), conforme contrato firmado com a Visiona (joint-venture entre a Embraer e a Telebrás) no fim de 2013.

“A Thales Alenia Space está absolutamente comprometida em entregar o SGDC dentro do prazo e especificações, transferir tecnologias para o Brasil a fim de participar do desenvolvimento contínuo das tecnologias brasileiras, atuando lado a lado para fortalecer a comunidade espacial brasileira como um todo. O SGDC é apenas o primeiro passo”, garante Joel Chenet, Vice-Presidente da Thales Alenia Space para o Brasil.

A TAS vai também integrar o painel ‘Localização, Rastreamento e Mobilidade via Satélite’, onde discutirá os sistemas e soluções autônomas de rastreamento e comunicação, sobretudo em grandes travessias aéreas e em regiões remotas.

"O SGDC foi um dos cinco maiores contratos do Grupo Thales no mundo em 2013. O Brasil é o epicentro do nosso hub latino-americano, onde estamos fortemente posicionados em todos os projetos de infra-estrutura para apoiar o país a incrementar a sua base industrial para atender ambos os mercados doméstico e internacional. A Thales já vem transferindo tecnologia para o Brasil no setor militar e a TAS é o parceiro natural dos países que querem expandir seus programas espaciais, como a Turquia, entre outros. Sobre o ToT, variadas empresas brasileiras de pequeno, médio e grande porte absorverão tecnologia, esta seleção está a cargo do Governo. O SGDC integra a estratégia do Brasil para reforçar a sua soberania e reduzir a exclusão digital por meio do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL)", completa Julien Rousselet, Diretor Geral da Thales no Brasil.

Fonte: Thales
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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Política Industrial Espacial Brasileira: uma análise

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De uns tempos para cá, temos tratado no blog Panorama Espacial sobre a crise em que se encontra indústria espacial brasileira. Em reportagem  publicada no jornal Valor Econômico desta segunda (25), a jornalista Virgínia Silveira dá a tônica do momento, detalhando demissões e as reduções de pesquisas pela falta de carga de trabalho para o setor. Seu título, aliás, sintetiza muito bem: "Falta de projetos ameaça companhias".

Tratamos do assunto em alguns parágrafos a seguir.

Política industrial: da teoria à prática

A mais recente versão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE 2012 - 2021), editada há dois anos, é farta nas citações e disposições sobre a importância do setor industrial para o Programa Espacial. Cita como prioridade maior "impulsionar o avanço industrial", e lista como uma de suas diretrizes estratégicas a consolidação da "indústria espacial brasileira, aumentando sua competitividade e elevando sua capacidade de inovação, inclusive por meio do uso do poder de compra do Estado, e de parcerias com outros países."

Mesmo em pouco tempo, algumas de suas diretrizes foram inseminadas de forma relativamente bem sucedida. Foi o caso, por exemplo, do surgimento de uma prime-contractor para o segmento de satélites, lacuna ocupada pela Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture da Embraer com a Telebras, viabilizada com a concretização do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Seus interesses, ressalte-se, vão além do SGDC, passando pelos projetos do PNAE e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Ministério da Defesa.

Se de início havia dentro do governo alguma expectativa de que a Visiona atuasse de alguma forma num processo de reorganização da indústria espacial local, esta acabou não se materializando, ao menos não por ora. Diferentemente da estratégia seguida pela Embraer para o setor de defesa, não houve aquisições ou formação de parcerias com indústrias e mesmo grupos internacionais. Talvez, como o blog chegou a ouvir de pessoas bem familiarizadas com o assunto, pelas especificidades do setor, por sua diminuta dimensão e, é claro, pela falta de perspectivas claras e investimentos duradouros.

No caso do segmento de lançadores, a situação é ainda mais crítica. Depois de um certo burburinho e uma sequência de movimentações nos bastidores, com a Odebrecht sendo desenhada como a principal player industrial, tudo parou. Muitas indefinições, sendo as duas principais, as mesmas que afetam os satélites: falta de perspectivas claras e de investimentos.

O SGDC, a maior iniciativa na área nos anos recentes, foi apresentado como uma oportunidade que beneficiaria à indústria nacional, algo que espera-se que aconteça, mas não neste primeiro momento. Quanto à transferência tecnológica prevista no memorando de entendimentos firmado no final de 2013, que beneficiaria a indústria local, há a dependência de recursos orçamentários. O pacote em si é avaliado em cerca de 80 milhões de dólares.

Indústria nacional: diagnóstico, mea culpa, consolidação?

A indústria espacial nacional é formada quase que inteiramente por pouco mais de uma dezena de empresas, quase todas de pequeno porte. Várias delas têm o setor como seu único negócio, estando, portanto, completamente dependentes do poder de compra do governo.

Pelo mercado em que atuam, é inegável a importância do papel do Estado, pondo encomendas com regularidade e, assim, propiciando condições para a manutenção de todo uma cadeia produtiva (com os benefícios a ela atrelados). Mas, cabe a algumas das empresas uma mea culpa pela crise atual, por falharem em questões básicas, desde má gestão à não busca pela diversificação e criação de novos mercados (dado o caráter dual de muitas das tecnologias com que lidam e os spin-offs derivados). Em entrevista concedida ao blog em novembro de 2013, José Raimundo Braga Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira, já alertava sobre a necessidade da indústria buscar se diversificar, mencionando o exemplo da China.

Não analisando situações específicas, mas basta uma análise não muito profunda destas indústrias para se concluir que existe espaço para se obter eficiências. Em alguns campos específicos, com três ou quatro empresas com atuações similares, as oportunidades de consolidação por meio de fusões e aquisições parecem latentes.

Apesar das oportunidades, diferentemente do que acontece em mercados maduros, como os Estados Unidos e a Europa, o governo brasileiro não demonstra muito interesse em estimular ações de consolidação no campo espacial, optando por exercer sua política industrial quase que exclusivamente pelo poder de compra do Estado. O mais próximo que chegou disso foi patrocinar a criação da Visiona, um prime-contractor ao estilo brasileiro, de procurement, mas não industrial, e o lançamento de um fundo de investimento em participações para as áreas aeroespacial e de defesa (FIP Aeroespacial).

É curioso observar que uma política um pouco diferente (mas, nem por isso não sujeita à críticas) foi adotada para o mercado de defesa, com consolidações promovidas pela Embraer (Atech, Orbisat, AEL Sistemas) e Odebrecht (Mectron), que tiveram certo reflexo em espaço em razão de algumas destas empresas terem atividades na área.

O FIP Aeroespacial foi lançado em maio deste ano com patrimônio de pouco mais de R$ 130 milhões, numa iniciativa conjunta do BNDES com a FINEP, a Agência de Desenvolvimento Paulista (DESENVOLVE SP) e a Embraer. Seu objetivo, conforme divulgado na época, é "fortalecer a cadeia produtiva aeroespacial, aeronáutica, de defesa e segurança e promover a integração de sistemas relacionados a esses setores por meio de apoio às pequenas e médias empresas". Não há detalhes sobre as teses e estratégias pretendidas (se crescimento, diversificação, consolidação), mas é razoável de se imaginar que a equipe de gestão avalie oportunidades de consolidação.

Em reportagem num veículo especializado (revista "Participações" n.º 56, maio de 2014), a Portbank, gestora do FIP Aeroespacial, revelou que pretende fazer de oito a dez investimentos em empresas consideradas inovadoras, atuantes em segmentos como o de painéis solares, biometria, sistemas ópticos e de simulação e treinamento.
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Cooperação Brasil - Espanha

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AEB analisa proposta de cooperação de entidade espanhola

Brasília, 1º de agosto de 2014 – Representantes das agências Espacial Brasileira (AEB) e Nacional de Águas (ANA) participaram na quinta-feira (31/7) de uma reunião de apresentação da proposta de cooperação do Centro Espacial da Galícia, na Espanha, com o Brasil. O encontro foi organizado pela Universidade de Vigo, em Vigo na Galícia.

Para o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da AEB, Carlos Alberto Gurgel, a proposta é positiva. Segundo ele, a ação cooperativa prevê financiamento de projetos com os recursos de ambas as instituições, com investimentos iguais para as partes.

Participou ainda da reunião um representante da Visiona Tecnologia Espacial, empresa criada numa parceria entre a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e a Telebrás para atuar no Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae).

Fonte: AEB
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segunda-feira, 7 de julho de 2014

"Satélite meteorológico: um próximo passo"

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Satélite meteorológico: um próximo passo

Após contratar um satélite de comunicações, o Brasil começa agora a planejar uma missão meteorológica própria

André M. Mileski

Em qualquer apresentação sobre a importância da exploração espacial para a Humanidade, é quase certo que os satélites meteorológicos venham a ser mencionados como um dos grandes benefícios gerados a partir do espaço. Afinal, seus dados são hoje largamente usados para uma imensa variedade de aplicações, do cotidiano a questões de forte cunho comercial e estratégico, como no planejamento, estimativa e controle de safras, prevenção a desastres naturais, rotas aéreas, missões militares, apenas para citar algumas.

Não faltam exemplos da importância da meteorologia para as atividades atuais. No teatro militar, um caso conhecido, que demonstra o risco oferecido pela não autonomia na geração de seus próprios dados a partir do espaço, aconteceu no Atlântico Sul, durante a Guerra das Falklands/Malvinas, em 1982. Um dos satélites geoestacionários da série GOES, operados pelos Estados Unidos, foi reposicionado, causando prejuízos no fornecimento de imagens utilizadas para as previsões brasileiras ao longo de um período de dois meses.

A história recente também tem outros casos envolvendo a América do Sul. Em 2010, o Brasil se viu novamente em cheque. Com a desativação do satélite norte-americano GOES-10, operado pela Administração Nacional do Oceano e Atmosfera (NOAA), as imagens do subcontinente, antes produzidas a cada 15 minutos, passaram a ser geradas a cada 30 minutos por seu sucessor, o GOES-12. Eventualmente, por necessidades internas dos Estados Unidos para o monitoramento de tornados, furacões ou tempestades severas, como aconteceu em 2005 com o furacão Katrina, em New Orleans, os satélites da série GOES podem ser reposicionados, reduzindo a frequência de imageamento de sua área inicial de cobertura.

Por um acordo internacional no âmbito da Organização Mundial de Meteorologia (WMO), da qual o Brasil faz parte, a geração e disponibilização de imagens meteorológicas por satélite no período mínimo de cada três horas está garantida, sem custos. Mas, muitas das previsões e aplicações hoje existentes para dados espaciais demandam frequências maiores de imageamento, o que coloca os países que não contam com meios próprios em relativa situação de vulnerabilidade.

A situação atual

Atualmente, o Brasil conta com duas instituições governamentais principais responsáveis por receber dados, processá-los e disponibilizar previsões meteorológicas para os usuários, que atuam de forma coordenada em seus propósitos: o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), com sede em Brasília (DF) e subordinado ao Ministério da Agricultura.

Para a produção de previsões, o sistema de computação do CPTEC é alimentado por informações de média resolução oriundas dos satélites estrangeiros GOES (norte-americano) e METEOSAT (europeu), da rede de dados da WMO e das redes nacionais sob a responsabilidade do INMET, além de outras fontes como sensores dos Comandos da Aeronáutica e da Marinha, entre outros.

No caso dos METEOSAT, operado pela organização intergovernamental europeia EUMETSAT, o Brasil tem acesso a seus dados, mas, em razão de suas localizações em órbita, na intersecção entre o Meridiano de Greenwich com a Linha do Equador, sobre a costa africana, suas imagens são geralmente adequadas apenas para o imageamento de fenômenos e intempéries no nordeste do País.

Os dados obtidos são então processados pelo CPTEC, em Cachoeira Paulista (SP), por meio de um supercomputador, o Tupã (trovão, na língua indígena Tupi). Instalado em dezembro de 2010 ao custo de cerca de R$50 milhões, o Tupã é um modelo XT6, da Cray, capaz de realizar 258 trilhões de cálculos por segundo, sendo considerado um dos mais poderosos do mundo para previsão de tempo e estudos em mudanças climáticas.

As informações geradas diariamente pelo CPTEC são indispensáveis para muitos setores socioeconômicos, tais como agricultura, defesa civil, geração e distribuição de energia elétrica, transporte e meio ambiente. Ainda, cabe ao CPTEC realizar o monitoramento de ocorrência de tempo severo e fornecer imagens de satélites meteorológicos e ambientais para usuários brasileiros e estrangeiros.

Um satélite próprio

De tempos em tempos, a busca brasileira por relativa autonomia no imageamento espacial para finalidades meteorológicas ganha um novo ímpeto e, de fato, uma missão geoestacionária consta formalmente da última versão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), referente ao período de 2012 a 2021. Tratou-se da primeira versão do documento, basilar para as atividades espaciais brasileiras, que conta com uma missão geoestacionária específica de meteorologia, fato que, por si só, já indica o caráter estratégico outorgado a esta demanda.

Segundo a descrição do PNAE, a missão do Satélite Meteorológico Brasileiro (GEOMET), como é conhecida, será destinada à “produção de imagens da atmosfera terrestre a partir do espaço para gerar dados indispensáveis aos sistemas de previsão do tempo”, tendo os seguintes objetivos estratégicos: (i) tornar o País capaz obter dados e informações meteorológicas do território nacional e outras regiões da Terra, de forma autônoma; e (ii) tornar a indústria nacional tecnologicamente mais competente, inovadora e competitiva nos mercados interno e externo. Segundo o programa, o GEOMET deverá estar operacional em 2018, data alvo bastante arrojada e que muito provavelmente não será cumprida.

O documento relaciona ainda alguns dos potenciais usuários dos dados gerados pelo futuro GEOMET, como o INPE e os ministérios da Agricultura, Integração Nacional, e Defesa, revelando o caráter multiministerial adotado para a estruturação de projetos complexos, seguindo o caminho trilhado com o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), contratado no final de 2013.

“A percepção da necessidade é antiga. É uma unanimidade”, afirmou à reportagem Petrônio Noronha de Souza, diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da Agência Espacial Brasileira (AEB). No entanto, ainda que a ideia de uma missão esteja capturada no PNAE, neste momento não existe nada de muito concreto, como a definição de requisitos, do cronograma e da arquitetura industrial, passos iniciais para o lançamento de uma missão espacial. “Não está indo na velocidade que todos gostariam”, disse Souza, que citou outros projetos em andamento no Programa Espacial, que consomem recursos humanos e financeiros – ambos escassos, como o lançamento do CBERS-4, previsto para dezembro deste ano, o SGDC e o satélite de observação Amazônia-1.

Segundo o dirigente, “será um desafio na hora de desenvolver os requisitos deste satélite”, considerando-se especialmente os aspectos técnicos, como as especificações dos sensores, conciliando-se as necessidades nacionais, em busca de alguma autonomia, com a continuidade do País no âmbito da rede meteorológica internacional já existente. “Não deve haver um passo atrás”. Para superar este desafio, a Agência reunirá todas as partes interessadas, desde o governo, usuários, indústria e academia, em linha com os projetos que têm sido lançados.

Outro aspecto desafiador será a busca por alguma participação da incipiente indústria espacial brasileira, que reúne certa capacidade em determinados elementos, como em sensores de imageamento. Invariavelmente, será colocada sobre a mesa a escolha entre a transferência tecnológica e/ou a efetiva participação e capacitação industrial.

Estudo de caracterização

Apesar de o diretor da Agência reconhecer que a velocidade dos avanços do GEOMET não é a ideal, já existem algumas ações planejadas para os próximos anos. Antes da falha no lançamento do CBERS-3, na China, em dezembro de 2013, a AEB trabalhava com o plano de iniciar o chamado estudo de caracterização do GEOMET ainda em 2014. Com os esforços agora concentrados principalmente no voo do CBERS-4, o início dos estudos deve escorregar algo como um ano. “Não pode passar de 2015”, destacou.

O estudo de caracterização seria nada mais do que um primeiro passo em direção à especificação e definição da missão meteorológica, etapa precedente à definição da modelagem de contratação, possivelmente seguindo o conceito de prime contractor adotado no SGDC, em que uma empresa principal é contratada para a construção do sistema – no caso do satélite de comunicações, a Visiona Tecnologia Espacial. “No nível industrial, não se contempla possibilidade em que não haja um prime contractor”.

Em alguns pontos, o GEOMET se assemelha ao SGDC, como na modelagem industrial pretendida e no caráter multiministerial do projeto que envolve as Comunicações, Defesa e Ciência, Tecnologia e Inovação. No caso do GEOMET, o número de ministérios envolvidos será ainda maior, dada a quantidade de usuários de dados meteorológicos no governo, o que abre também maiores e melhores oportunidades para o seu financiamento. Destaque-se ainda a sua provável conexão com outras iniciativas espaciais, como o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) (ver T&D n.º 136), que contempla missões meteorológicas de órbita polar, complementares à órbita geoestacionária, como é o caso do GEOMET. Para a sua viabilização, o Brasil também não descarta parcerias com países amigos, seguindo a estratégia adotada noutras missões espaciais, como o programa CBERS, com a China, e o SABIA-MAR, com a Argentina.

Um destes parceiros pode vir a ser a China, com quem o Brasil já colabora no campo espacial há mais de 25 anos. Em novembro de 2013, durante a Terceira Sessão Plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), em Cantão, na China, um dos pontos incluídos para discussão futura na agenda de cooperação espacial para os próximos dez anos foi o desenvolvimento de um satélite geoestacionário meteorológico. À época, consultado por Tecnologia & Defesa, o presidente da AEB, José Raimundo Coelho, esclareceu que uma nova missão com os chineses estaria sujeita a discussões internas, deixando aberta a possibilidade de cooperações com outros países.

Fonte: Tecnologia & Defesa n.º 137, junho de 2014.
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sábado, 28 de junho de 2014

SGDC: capacitação de técnicos na França

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Brasileiros são capacitados em tecnologia espacial na França

Brasília, 27 de junho de 2014 – Um grupo de 26 técnicos e engenheiros brasileiros concluiu este mês, em Cannes, na França, uma parte do curso avançado do programa de absorção e transferência de tecnologia do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).

No mês de julho, 16 daqueles profissionais voltam à França para mais uma etapa do curso, iniciado em abril último, desta vez se integrando, até o início de 2015, a equipes da empresa Thales Alenia, responsável pela construção do satélite.

Além dos engenheiros bolsistas da Agência Espacial Brasileira (AEB), Pedro Luiz Kaled Da Cas, Erlan Rodrigo de Souza Cassiano, Cristiano Queiroz Vilanova e Ronne Toledo, integraram o grupo especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Telebras, da empresa Visiona e dos ministérios da Defesa e Comunicações.

O programa de absorção e transferência de tecnologia, cuja elaboração é de responsabilidade da AEB e Telebras, objetiva construir competência nacional para promover a maior qualificação e inserção das empresas nacionais no mercado de manufatura e serviços de satélites geoestacionários.

Para os bolsistas Kaled e Vilanova, que já estagiaram na área espacial na Ucrânia, está oportunidade na França é uma experiência fantástica. “Na Ucrânia tivemos uma visão mais acadêmica do conjunto espacial, enquanto que no curso em Cannes, conhecemos mais sobre o desenvolvimento na prática empresarial”, explica Kaled. Vilanova diz que o curso também “permite que se faça uma avaliação mais abrangente do estágio tecnológico em que estão ambos os países”.

Aplicação – Cassiano, que teve sua primeira experiência no exterior, acha que o curso incrementa ainda mais os recursos humanos do nosso segmento espacial. “Os conhecimentos acumulados não só estão qualificando pessoas, como dando condições a que venhamos desenvolver e inovar produtos voltados à tecnologia espacial”.

Na visão dos bolsistas, essa massa crítica que está em formação deve impulsionar o governo na direção de aportar mais recursos na área aeroespacial, “até porque o país não pode desperdiçar todo conhecimento que cada integrante do grupo vai absorver nessa experiência”, pensa Cassiano.

Outra possibilidade que entusiasma os bolsistas é oportunidade que terão de repassar a outros profissionais todo aprendizado acumulado no curso. “No caso da AEB poderemos colaborar com mais solidez na formação dos próximos bolsistas”, ressalta Kaled.

Para o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB, Petrônio Noronha de Souza, a capacitação de profissionais brasileiros impactará positivamente o parque industrial aeroespacial do país. Ele considera que o conjunto de absorção e transferência de tecnologia também terá reflexos relevantes no campo da pesquisa espacial do Brasil.

SGDC – Baseado na plataforma Spacebus 4000, o SGDC terá duas cargas úteis. Uma com 50 transponders banda Ka, oferecendo taxa de transferência de até 80 Gbps, e a outra com sete transponders banda X. O satélite pesa próximo de 5,8 toneladas na decolagem e oferecerá mais de 11 kW de potência. A previsão é de que seja entregue para o lançamento em 2015.

Fonte: AEB
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quinta-feira, 24 de abril de 2014

"Por dentro do PESE"

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Por dentro do PESE - Conhecendo os seus propósitos e objetivos

André M. Mileski

a edição n.º 132, Tecnologia & Defesa traçou um panorama sobre as ações hoje em curso nas Forças Armadas brasileiras envolvendo sistemas espaciais, em particular, satélites, em linha com o preconizado pela Estratégia Nacional de Defesa (END), documento hoje basilar para qualquer política associada à defesa no País [veja a reportagem]. Na ocasião, foi focado o projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), finalmente contratado no final de 2013, e que proverá capacidade para o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS).

Também já esteve na pauta da revista, ainda que brevemente, a criação da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), constituída pelo Comando da Aeronáutica (ComAer), em fevereiro de 2012, para coordenar o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE).

Origem e justificativas

O Comando da Aeronáutica, juntamente com outros órgãos governamentais, foi incumbido na END da responsabilidade de buscar autonomia do ciclo completo associado ao campo espacial, que inclui a produção, lançamento, operação e reposição de sistemas espaciais, abrangendo desde veículos lançadores a satélites e seu segmento solo.

As diretrizes de implantação do PESE foram aprovadas pelo ComAer em maio de 2012, considerando um cenário de ações de curto, médio e longo prazos, num horizonte de 20 anos. O PESE aponta várias premissas operacionais e técnicas necessárias ao emprego de sistemas espaciais pelas Forças Armadas, com foco na definição de suas necessidades e requisitos. Os sistemas considerados no PESE devem atender, no campo militar, à modernização de variados sistemas atualmente em operação, como o Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA), o Sistema de Enlaces de Digitais da Aeronáutica (SISCENDA), o SISCOMIS, o Sistema Militar de Comando e Controle (SISMC2), e outros que estão em fase de planejamento ou implantação, como o Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras (SISFRON) e o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz).

Planeja-se ainda o uso de tais sistemas em apoio a iniciativas civis, como, por exemplo, em prevenção e ação em casos de grandes catástrofes ambientais, no Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), e no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), entre outros.

Premissas

Em sua arquitetura, o PESE apresenta alguns requisitos mínimos e premissas, como a realização de lançamentos anuais de satélites, a preferência por satélites de menor porte e com ciclo de vida mais reduzido, destinados a órbitas baixas, minimizando assim os custos de lançamento. Nos casos de comunicações e meteorologia, até pela natureza das missões, estão previstos satélites geoestacionários de maior porte. Ainda, as contratações dos sistemas quando realizadas no exterior deverão ser acompanhadas de cláusulas de compensação (conhecidas como offsets), buscando aumentar o conteúdo nacional e ganhos com participação industrial e transferência tecnológica em áreas críticas.

Tais premissas são fortemente inspiradas na busca de autonomia, não apenas operacional e técnica, mas também industrial, por meio do envolvimento crescente da Base Industrial de Defesa (BID).

Principais características

Inspirado pelo conceito de guerra centrada em rede (Net Centric Warfare), uma das principais inovações do PESE é o objetivo de se criar um Centro de Operações Espaciais (COPE), que será subordinado ao Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA) e sediado em Brasília (DF). Prevê-se a instalação de um COPE reserva, situado numa localidade diferente e afastada do centro principal, contando com alto grau de automação para minimizar a necessidade de pessoal.

Caberá ao COPE coordenar todas as atividades operacionais que façam uso de constelações de sistemas espaciais, oferecendo serviços nas áreas de comunicações, observação, mapeamento de informações, posicionamento e monitoramento espacial para o Ministério da Defesa e seus três Comandos, e outros usuários oficiais.

Em sua concepção, o PESE tem seis classes principais de “produtos” que deverão ser gerados por seus satélites e sensores em órbita: Comunicações; Observação da Terra; Mapeamento de Informações; Monitoramento do Espaço; Posicionamento; e o COPE, os quais são melhor detalhados em subclasses. No caso da Observação da Terra, por exemplo, figuram demandas como sensoriamento remoto ótico e radar, além de dados meteorológicos. É com base nessas classes e subclasses, que representam as necessidades operacionais das Forças Armadas em termos de dados gerados a partir do espaço, que serão definidos os requisitos técnicos e as constelações de satélites a serem implementados pelo programa, identificados especificamente como cada subprograma ou projeto.

Dependendo do contexto, também poderão ser levadas em conta alternativas que envolvam conceitos como Hosted Payloads (cargas úteis hospedadas), missões Piggyback (voo de “carona”) e Constelação Virtual, que podem resultar em economia de recursos e agilidade no acesso ao serviço buscado. Como no caso de Hosted Payloads, onde sensores são “hospedados” em satélites de terceiros, comerciais ou não. Este é o modelo até então utilizado pelo SISCOMIS, que tem transpônderes em banda X a bordo de satélites comerciais da operadora brasileira Star One, do grupo Embratel.

As missões em perfil Piggyback, significam o aproveitamento de capacidade ociosa em algum lançamento para acomodar satélites de menor porte. Já o conceito de Constelação Virtual, comumente utilizado na Europa e também por aliados dos norte-americanos em comunicações, envolve a participação numa constelação já existente por meio de acordos e contratos, de forma a viabilizar a utilização imediata dos dados ou capacidade de uma rede já em órbita, até que um satélite próprio seja incluído.

Num primeiro momento, o interesse do ComAer é por uma constelação de satélites de observação, mais precisamente óticos, que atenderiam a situações mais imediatas, em operação até o final desta década. Em seguida, viriam satélites radar, capazes de imagear diuturnamente a superfície terrestre mesmo com cobertura de nuvens.

Perspectivas mais imediatas

O orçamento federal aprovado pelo Congresso Nacional destina ao Ministério da Defesa recursos de R$113 milhões, montante suficiente para a implantação de alguns elementos previstos no PESE.

Segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas por T&D, são aguardados avanços concretos do PESE para 2014, muito embora há que se considerar que possam haver atrasos em função do corte de R$ 3,5 bilhões anunciado no orçamento do Ministério da Defesa. Há quem entenda que não haverá tempo hábil para a assinatura de um primeiro contrato (ainda que haja recursos disponíveis), mas acredita-se que neste ano seja iniciado um processo visando à contratação de sistemas, como o envio de solicitações de propostas para fabricantes interessados.

Em paralelo, também começam a surgir movimentações industriais de grupos e empresas estrangeiras e nacionais visando participar do programa. Pelo que a reportagem de T&D pode apurar, o Ministério da Defesa trabalha com a ideia de contratar os sistemas do PESE lançando mão do mesmo artifício utilizado para o SGDC, isto é, por meio de uma prime contractor nacional, que atuaria como integradora dos satélites. Neste sentido, a Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture entre a Embraer e a estatal de telecomunicações Telebras, cuja criação foi “patrocinada” pelo SGDC, desponta como uma candidata natural. Junto às atividades de telecomunicações, a empresa já publicamente divulgou sua intenção de buscar oportunidades relacionadas ao PESE e também ao Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), sob a coordenação da Agência Espacial Brasileira.

Nos bastidores, comenta-se sobre a possibilidade de que outras companhias e conglomerados industriais nacionais também buscarem exercer o papel de prime contractor do programa. Seria o caso da Odebrecht Defesa e Tecnologia e sua controlada Mectron, de São José dos Campos (SP), que já possui alguma atuação no setor espacial fornecendo subsistemas para satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre outros.

Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 136, março de 2014.
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sábado, 15 de março de 2014

Notas sobre a Satellite 2014

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Na semana passada, aconteceu em Washington, capital dos Estados Unidos, mais uma edição da conferência Satellite, considerada um dos principais eventos anuais da indústria de satélites de comunicações. O blog Panorama Espacial esteve presente e apresenta abaixo algumas notas sobre o que aconteceu de mais importante.

Ausência de grandes anúncios

A edição de 2014 do evento não veio acompanhada de grandes anúncios de encomendas de satélites ou contratos de lançamento, como em edições passadas. Executivos consultados pelo blog afirmaram, no entanto, que o mercado continua muito aquecido, com várias consultas e pedidos de propostas em andamento.

Satélites de propulsão elétrica

Nos painéis de discussões sobre tecnologias de satélites, o tom foi o de inovação, girando em torno da propulsão elétrica. O assunto, de fato, não é novo. Em março de 2012, a Boeing causou um frenesi no mercado ao anunciar a venda de quatro modelos com propulsão inteiramente elétrica para operadores no México (Satmex, hoje parte do grupo Eutelsat) e na Ásia (ABS). A própria tecnologia, aliás, não é nova, mas não é usual em satélites comerciais em razão do longo tempo, na casa dos meses, exigido para que o artefato chegue a sua órbita planejada e comece a operar. Sua vantagem está no reduzido peso, não havendo necessidade de combustível químico a bordo (geralmente, cerca da metade da massa total é de combustível). E o efeito prático disto é, principalmente, economia nos fretes de lançamento. A desvantagem, como já colocado, é o tempo exigido para se chegar à posição final. No caso do modelo da Boeing, são estimados de 6 a 8 meses, tempo que se reflete na ausência de receitas da operadora com a venda de capacidade.

Na prática, hoje existem três possibilidades: propulsão química, a mais comum; a elétrica; e a híbrida. Esta última, um meio termo, proporcionaria a chegada em órbita mais rapidamente, em dias, utilizando-se propulsão química, enquanto que o sistema elétrico serviria para ajustes orbitais ao longo da vida operacional do satélite. No final de janeiro, John Celli, presidente da Space Systems/Loral, afirmou ao blog que via boas perspectivas para soluções híbridas.

Mas, passados dois anos do surgimento do primeiro produto comercial, não surgiram novas encomendas. A Boeing, porém, afirmou que vendeu três unidades para um cliente governamental confidencial dos EUA, e um novo contrato comercial estaria prestes a ser assinado, em semanas. Eric Béranger, da Airbus Defence and Space (antiga Astrium), revelou que dos pedidos de propostas em elaboração por sua companhia, cerca de 20% envolvem opções de propulsão elétrica, dando um indicativo de dimensão do mercado para a tecnologia.

Ao final, e parece haver acordo quanto a isso entre os principais players do setor, o fato é que a imaginada revolução trazida por esta tecnologia é bem mais complicada e tem bases na relação custo versus benefício. É possível ter alguma economia com o frete de lançamento, mas, por outro lado, o satélite levará mais tempo para iniciar sua operação comercial (com impacto na geração de receitas). Ainda, há que se considerar também as eventuais mudanças de posições orbitais, que levariam mais tempo e também teriam reflexos negativos nas receitas.

Este tema, aliás, tem uma importância particular para o Brasil, e daí a importância de se acompanhá-lo. A binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), que pretende operar o foguete Cyclone 4 a partir de um sítio no Maranhão, tem usado como argumento de sua viabilidade o advento da propulsão elétrica, que terá reflexos na redução das massas dos satélites. Em missões de transferência geoestacionária, o Cyclone 4 pode transportar cargas de até 1.600 kg. Até o momento, porém, não surgiram modelos elétricos compatíveis com a capacidade do lançador ucraniano (acredita-se que os modelos da Boeing tenham massa em torno de 2.000 kg).

SGDC mencionado pela Thales Alenia Space

Ao menos por um momento, o Brasil foi assunto no painel dos fabricantes. Ao fazer sua introdução, Bertrand Maureau, vice-presidente da linha de negócios de telecomunicações da franco-italiana Thales Alenia Space, destacou o contrato do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), firmado com a Visiona Tecnologia Espacial em dezembro último, como um negócio chave. “[É] mais do que apenas um satélite. Trata-se de um pacote para treinamento de pessoa, de transferência de tecnologia ao longo de cinco anos”.

Um Ariane 5 "americanizado"?

No painel sobre lançadores, que tradicionalmente conta com a participação de líderes das principais provedoras de lançamento do mundo, o destaque foi a declaração de Stéphane Israël, presidente da Arianespace, que criticou o fato do mercado governamental norte-americano não ser aberto a provedores estrangeiros. "Nós estamos certos de que estamos em posição de oferecer as melhores soluções para os clientes e os contribuintes. E se a questão é [geração de] empregos, nós estamos prontos para ver como podemos "americanizar" nosso lançador", afirmou, sem, no entanto, detalhar.

Um novo lançamento ou seu dinheiro de volta

Ainda quanto aos lançadores, a Lockheed Martin, que comercializa o foguete Atlas 5, anunciou sua estratégia para obter novos contratos, baseada no histórico de confiabilidade de seu veículo. Num cenário de falha no lançador, a companhia oferecerá a clientes que não sejam o governo dos EUA um novo voo, sem custo, ou a devolução do valor pago pelo frete. A presença da Lockheed Martin no segmento de lançamentos comerciais geoestacionários é bastante tímida, em razão de seus preços mais altos (cerca de 30% acima de soluções concorrentes), mas há intenção de ampliá-la. O Atlas V é um dos foguetes, ao lado do Delta IV, da Boeing, utilizado pelo governo norte-americano para a colocação em órbita de satélites geoestacionários.

Presença brasileira

Na área de exposição, do Brasil, apenas uma trading estava presente. A ACS, que participou em 2013, este ano não compareceu. Representantes de companhias nacionais, como a Star One, Oi e Visiona Tecnologia Espacial circularam nas conferências e tiveram encontros com parceiros e fornecedores.
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

SGDC e "transferência tecnológica"

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Existe certa confusão sobre o processo de transferência tecnológica (TdT) associado ao Satélite Geoestacionário de Defessa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Não é incomum ver colocações de que os trinta engenheiros que serão enviados à França para acompanhar a construção do satélite representam um esforço de TdT. De fato, é bastante usual na indústria espacial o acompanhamento das fases de projeto e construção por equipes do cliente, seja ele governamental ou privado (a operadora brasileira Star One, por exemplo, faz isso com competência internacionalmente reconhecida). Não se trata, porém, de TdT, ainda que suas consequências sejam importantes para qualquer programa espacial. Alegar o contrário significaria afirmar os satélites de comunicações da Venezuela e Bolívia, adquiridos junto à China, envolveram TdT, uma vez que um grande número de especialistas de ambos os países foram enviados à Ásia para acompanhamento em fábrica e treinamentos para operação.

A realidade é que o conceito de TdT é fluido e, em teoria, bastante abrangente, construído de acordo com os interesses de cada parte envolvida. No setor de defesa, os casos mais recentes no Brasil, como a compra de helicópteros e submarinos de companhias francesas em 2009 e a negociação para a aquisição dos caças suecos, dão o tom do que se espera de TdT: industrialização local.

O memorando de entendimentos

A transferência tecnológica propriamente dita associada ao SGDC consta do memorando de entendimentos firmado entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a fabricante Thales Alenia Space (TAS) em 12 de dezembro último, quando da assinatura do contrato de aquisição do satélite. Espera-se que seja um processo executado ao longo de cinco anos, e embora seu escopo não tenha sido divulgado publicamente, inclui sistemas eletrônicos de bordo, estruturas de maior porte e aplicações de dados para os segmentos telecomunicações via satélite, observação e meteorologia, entre outras áreas.

Segundo a TAS, o programa previsto no memorando "representa dezenas de milhões de dólares", mas reportagem da imprensa especializada internacional, citando fonte francesa não identificada, crava um valor mais específico: 80 milhões de dólares.

No final de novembro, publicamos uma análise ("Análise: do SGB ao SGDC", novembro de 2013) na qual afirmamos que a TdT associada ao SGDC tinha uma natureza "soft" e relativa incerteza, tema que aprofundaríamos mais adiante. Basicamente, seriam dois os motivos principais: (i) a dependência do orçamento da AEB; e (ii) duplicidade com o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE).

Apesar de existir um pacote de TdT associado ao SGDC, este não integra o contrato de aquisição do satélite, firmado entre a Visiona e a TAS. Trata-se de um processo (até o momento, apenas um memorando de entendimentos) paralelo prevendo a aquisição de tecnologias (para mais detalhes, veja "Entrevistas: José Raimundo Braga Coelho, presidente da AEB", novembro de 2013). Não há, portanto, envolvimento direto da Visiona na TdT, iniciativa tocada (e negociada) diretamente entre a fabricante e a AEB. E para ser viabilizada, a TdT dependerá da disponibilização de recursos no orçamento da Agência, que não consegue superar a barreira psicológica dos cerca de R$300 milhões anuais, "concorrendo" com outras diversas demandas (CBERS, Amazônia-1, satélites de coleta de dados, lançadores, apenas para citar algumas).

O segundo motivo é o PESE, que tem surpreendido por sua velocidade (ver a postagem "PESE: expectativas para 2014", janeiro de 2014). Ainda que faltem algumas definições chave associadas ao programa do Ministério da Defesa (forma de contratação, provavelmente via o conceito de prime contractor, embora este ainda não esteja plenamente definido. Mais sobre isso em breve), existe a expectativa de que as aquisições de satélites envolvam um significativo esforço de envolvimento industrial local. E neste sentido, haveria o risco de duplicidade entre as ações previstas no memorando do SGDC, com a TAS, e o pacote a ser negociado para o PESE em processo de concorrência internacional.

Tal duplicidade também evidencia um aspecto já analisado em algumas ocasiões pelo blog: a interação entre o Programa Espacial Brasileiro tocado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e atividades espaciais desenvolvidas noutros setores governamentais e forças armadas, como o PESE. Principalmente por uma razão óbvia de racionalização de recursos financeiros, espera-se em algum momento uma convergência de certas atividades.
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domingo, 12 de janeiro de 2014

SGDC: visita de comitiva à França

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Comitiva brasileira vai à França acertar detalhes do SGDC

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014, 12h52 

Uma comitiva brasileira viaja no próximo sábado, 11, à cidade francesa de Cannes para acertar os detalhes da contratação da Thales Allenia Space para construir o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC). A comitiva, que fica uma semana na França, é formada por representantes de cada órgão envolvido no SGDC.

Segundo apurou este noticiário, o objetivo da viagem é acertar detalhes relativos à especificação do satélite e ao cronograma. Também está na pauta das reuniões o acerto de como será a participação dos cerca de 30 engenheiros brasileiros que acompanharão a construção do satélite.

O contrato com a Thales foi assinado no dia 12 de dezembro e, segundo informa uma fonte, as reuniões na França marcam o início da parte prática do trabalho.

Baseado na plataforma Spacebus 4000, o SGDC levará duas cargas úteis, uma com 50 transponders em banda Ka, oferecendo taxa de transferência de até 80 Gbps, e a outra com 7 transponders em banda X. O satélite pesará cerca de 5,8 toneladas na decolagem e oferecerá mais de 11kW de potência. A construção deve ser concluída em 2016.

O contrato também inclui um centro de controle e de missão, juntamente com posicionamento orbital, teste de aceitação em órbita e suporte operacional, precedido de um programa de treinamento completo para os operadores brasileiros.

Fonte: Teletime
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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Entrevista com Stéphane Israël, presidente da Arianespace

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Stéphane Israël, diretor-presidente da Arianespace, esteve ontem (12) no Brasil para assinar (veja a nota "SGDC: contratos assinados") com a Visiona o contrato de lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), integrando a comitiva do presidente francês François Hollande. Executivo com passagens no setor aeroespacial desde 2007, Israël assumiu a presidência da Arianespace em abril deste ano e gentilmente concedeu uma curta entrevista para a revista Tecnologia & Defesa e blog Panorama Espacial com um enfoque na presença da Arianespace no País e região e perspectivas para o futuro.

Com o SGDC, a Arianespace conquistou um novo cliente na região. Poderia falar um pouco sobre a história da empresa e sua presença no Brasil?

Deixe-me primeiramente dizer que estou extremamente orgulhoso e feliz pela seleção da Arianespace para o lançamento do SGDC, e dou boas vindas a Visiona, as suas acionistas Telebras e Embraer, a bordo do sistema de lançamento Ariane 5 e à comunidade de clientes da Arianespace. De fato, a Arianespace tem acompanhado este programa, anteriormente chamado SGB [Satélite Geoestacionário Brasileiro], por algum tempo, mas sempre com a confiança de que se concretizaria, estimulado pelo rápido crescimento do mercado de telecomunicações e pelo muito dinâmico setor espacial no Brasil.

Nosso histórico no Brasil é forte e remonta os anos oitenta com o lançamento do primeiro satélite de comunicações do País, o Brasilsat A1, a bordo de um Ariane 3. Desde então, lançamos com sucesso nove satélites para a Embratel, como operadora nacional de telecomunicações e posteriormente para o grupo privado Embratel - Star One. Entre 2014 e 2016, dois satélites adicionais, o Star One C4 e o Star One D1 serão lançados.

Obviamente, nosso objetivo é desenvolver nossa presença no Brasil mantendo nosso excelente relacionamento com a Embratel - Star One, nosso cliente histórico, e apoiando futuros projetos governamentais para comunicações, observação terrestre ou meteorologia. Graças a nossa família de veículos lançadores e à disponibilidade do Ariane 5, Soyuz e Vega no Centro Espacial da Guiana, podemos endereçar quaisquer necessidades. Então, estamos aqui com perspectivas de longo prazo.

O mercado de comunicações por satélite na América Latina tem crescido significativamente nos últimos anos. Como está a Arianespace na região e quais são as perspectivas para o futuro?

De fato, a América Latina é atualmente a mais dinâmica região do mundo em relação a comunicações por satélite, atingindo taxas anuais de crescimento de cerca de 10%. O crescimento na região é estimulado por grandes investimentos tanto em telecomunicações como serviços de TV, acelerados em razão do forte desenvolvimento econômico observado nos anos recentes.

A Arianespace acompanha os operadores latino-americanos em seus desenvolvimentos, tendo colocado em órbita 71% de seus satélites. Refletindo a importância da região, a atual carteira de pedidos da Arianespace conta com 11 satélites destinados à região. Isto ilustra o dinamismo deste mercado, e vários operadores, como a Hispasat, Intelsat, Echostar, DirecTV estão posicionando seus satélites sobre a região para servir este mercado em franco crescimento. Isto vem, é claro, em adição à Star One, que desempenha um papel principal como um forte operador regional com capacidades técnicas e comerciais amplamente reconhecidas. A Copa Mundo e os Jogos Olímpicos no Brasil são eventos que demandarão capacidade em curto prazo. Ainda, no longo prazo as dinâmicas estão aí para sustentar a demanda.

Alguns países latino-americanos estão adquirindo ou planejam adquirir satélites de sensoriamento remoto, um dos nichos explorados pelo Vega. Você vê oportunidades para missões do Vega na região?

Países latino-americanos estão desenvolvendo suas capacidades espaciais muito rapidamente, não apenas no campo das telecomunicações, mas também para sensoriamento remoto. A Arianespace lançou em 2011 o primeiro satélite chileno para observação. Muitos países da região, como o Peru, a Argentina e a Colômbia estão desenvolvendo tais capacidades. A Arianespace, graças a sua família de veículos lançadores, cuja confiabilidade não é superada, e que é capaz de lançar qualquer massa, a qualquer órbita e a qualquer momento, está estimulada a participar do desenvolvimento de tais infraestruturas.

Neste segmento de mercado também, a Arianespace espera ser parte do programa brasileiro de futuros satélites de sensoriamento remoto. Eu acho que as ligações existentes entre nossos dois países, como ilustrado por esta visita do presidente Hollande ao Brasil, permitirá uma cooperação frutífera neste campo de atividade. A França e a Europa têm tecnologias para melhor servir o Brasil, atender suas necessidades e mesmo possibilitar a cooperação para o desenvolvimento de capacidades locais.
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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

SGDC: contratos assinados

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Como aguardado, foram assinados hoje (12) os contratos de fornecimento e lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), durante a visita oficial de estado do presidente François Hollande ao Brasil. Também foi firmado um memorando de entendimentos (MoU, sigla em inglês) entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Thales Alenia Space (TAS), fabricante do SGDC, relacionado à transferência de tecnologia associada à aquisição do satélite.

Abaixo, reproduzimos as notas oficiais divulgadas pela Visiona e TAS:

Visiona assina contratos com fornecedores do sistema do satélite geoestacionário brasileiro - SGDC 

A Visiona assinou hoje, 12/12, os contratos com as empresas Thales Alenia Space (TAS) e Arianespace, que concordaram em fornecer, respectivamente, o satélite e seu lançamento. O contrato com o fornecedor do satélite também prevê a transferência de tecnologia para empresas brasileiras, sob a coordenação da Agência Espacial Brasileira (AEB).

A contratação dos fornecedores pela Visiona foi formalizada apenas duas semanas após a assinatura do contrato com a Telebras, cliente final do sistema SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas). “Mais uma etapa fundamental do projeto foi concluída, o que nos permite dar continuidade ao trabalho de desenvolvimento do sistema”, afirma Nelson Salgado, presidente da Visiona.

Com duração de 12 meses, o processo de seleção dos fornecedores baseou-se nas melhores práticas internacionais e teve como foco o atendimento dos parâmetros técnicos, operacionais e econômicos do projeto, além do requerimento de absorção e transferência de tecnologia definido pelo governo brasileiro.

Com o sistema SGDC, o Brasil pretende não só conquistar a soberania em comunicações estratégicas civis e militares, como ampliar o acesso à banda larga de Internet para todo o território nacional.

Thales Alenia Space assina contrato para fornecer Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações

Brasília, 12 de dezembro de 2013 – O Presidente e CEO do Grupo Thales, Jean-Bernard Lévy, assinou hoje o contrato entre a Thales Alenia Space (joint-venture entre Thales e Finmeccanica) e a Visiona (joint-venture entre a Embraer e a Telebrás) para fornecimento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC). O executivo integra o grupo de empresários que acompanha o presidente francês François Hollande em sua visita ao país.

O contrato é fundamental para os planos de desenvolvimento espacial da Agência Espacial Brasileira e vai ao encontro dos requerimentos estratégicos do Ministério da Defesa, atendendo dois objetivos primários do país: a implantação de um sistema de comunicações via satélite seguro para o Governo Brasileiro e Forças Armadas e a implantação do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), coordenado pela operadora Telebrás, para reduzir a exclusão digital do país. O SGDC integra a estratégia do Brasil para reforçar a sua independência e soberania.

“Nossa equipe está mobilizada para garantir o cumprimento de todos os nossos compromissos e assegurar a integração harmoniosa das empresas brasileiras neste importante projeto. Eu agradeço às agências governamentais francesa e italiana pelo apoio na conclusão bem-sucedida desta nova colaboração internacional”, declara Jean Loïc Galle, Presidente e CEO da Thales Alenia Space.

Com mais de 40 anos de presença no Brasil com ampla atuação nos setores militar e civil de Defesa, Segurança, Aeroespacial, Espacial e de Transportes, a Thales é líder absoluta no setor de radares de controle de tráfego aéreo. Sede da operação latino-americana, o Brasil já representa mais de 50% dos negócios da empresa na região, onde vem expandindo permanentemente suas operações e reforçando sua presença por meio de várias parcerias locais importantes.

"A Thales está muito bem posicionada nos projetos de infraestrutura e defesa do Brasil, todos fundamentais para decolar a ambição do país de crescer a sua base industrial para aumentar sua capacidade de vislumbrar mercados internacionais a partir de uma forte base doméstica. Consequentemente, a estratégia da Thales de transferir tecnologia, estabelecer uma base industrial local e desenvolver parcerias locais está 100% alinhada à política de investimento brasileira", afirma Julien Rousselet, Diretor Geral da Thales no Brasil.

Thales Alenia Space firma MoU com Agência Espacial Brasileira

Brasília, 12 de dezembro de 2013 – A Thales Alenia Space anunciou hoje a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) com a Agência Espacial Brasileira referente à transferência de tecnologias para o Brasil. O acordo complementa o contrato firmado entre a Thales Alenia Space e a Visiona (joint-venture entre Embraer e Telebras) para construir o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC), satélite de telecomunicações de uso dual.

Os acordos de hoje marcam o primeiro passo importante na ambiciosa parceria entre a Thales Alenia Space, a Agência Espacial Brasileira e a indústria espacial brasileira. Esta cooperação ganhará corpo nos próximos meses, baseada no plano de transferência de tecnologia proposto pela Thales Alenia Space, que vai de encontro às expectativas das entidades brasileiras envolvidas. As transferências dizem respeito à telecomunicações via satélite, observação e meteorologia, além de outras áreas. Elas se darão por um período de cinco anos, em linha com os projetos espaciais planejados pelo Governo Brasileiro. Este acordo vai fornecer uma sólida base para desenvolvimentos conjuntos, assim como uma parceria estrutural de longo prazo.

"Nós estendemos o nosso agradecimento à Agência Espacial Brasileira por nos confiar esta missão. Nossa equipe já está trabalhando duro para apoiar a estratégia de desenvolvimento espacial do Brasil, que vai garantir a independência e a soberania do país no médio prazo", afirma Jean-Loïc Galle, Presidente e CEO da Thales Alenia Space.

Fontes: Visiona e Thales Alenia Space.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Análise: do SGB ao SGDC

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Após meses de expectativa desde a seleção dos fornecedores em agosto, ontem (28) foi finalmente assinado o contrato entre a Telebras e a Visiona Tecnologia Espacial que, de fato, concretiza o desejo de mais de uma década do governo brasileiro em dispor de um sistema próprio para comunicações estratégicas e militares.

Idealizado inicialmente com o nome Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), o projeto sofreu significativas alterações, perdendo algumas funções (CNS/ATM, meteorologia) e adquirindo outras (atendimento ao Plano Nacional de Banda Larga), passando então a adotar o "pomposo" nome de Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Seu resultado, é inegável, foi significativamente influenciado pelo "fator Snowden".

Aspecto pouco (ou nem sequer) analisado na imprensa, mesmo especializada, é o significado do SGDC para o Programa Espacial Brasileiro, não necessariamente em transferência tecnológica, elemento que, pelo que apuramos, tem uma natureza de "soft" e é relativamente incerto (Nota do blog: abordaremos este assunto com mais detalhes em breve).

O SGDC "patrocinou" a criação da Visiona, que ambiciona ser a prime contractor de projetos do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Ministério da Defesa. Ainda, é exemplo claro de que o Programa Espacial não necessariamente terá o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação como ator principal e impulsor de iniciativas. Obviamente, este participa e participará, mas os impulsos e decisões parecem vir de motivações e decisões de outros setores do governo.

O extrato de dispensa de licitação publicado no Diário Oficial traz mais detalhes sobre a contratação, tais como o valor exato (pouco menos de $1,311 bilhão), e o prazo de execução (222 meses), que se estende até o término da vida útil do satélite quando em órbita.

Agora, conforme noticiado na imprensa francesa, a expectativa é que os contratos para a construção do satélite e seu lançamento, respectivamente, a cargo da franco-italiana Thales Alenia Space e da europeia Arianespace, sejam assinados nas próximas semanas e oficialmente anunciados na visita do presidente francês, François Hollande, ao Brasil, entre 12 e 13 de dezembro.

A missão de Hollande, aliás, lembra a visita de outro presidente francês, Nicolas Sarkozy, em dezembro de 2008, ocasião em que foi firmado um instrumento de parceria estratégica entre os dois países, que incluía tópicos na área espacial, inclusive o próprio satélite geoestacionário, além de negócios bilionários envolvendo submarinos e helicópteros.

Transferência de tecnologia

Em reportagem da Space News, consta a informação, possivelmente oriunda de fontes francesas, de que como parte do processo de transferência (ou absorção?) de tecnologia, cerca de 30 engenheiros da Embraer (Nota do blog: acreditamos que, na verdade, sejam da Visiona) passarão a ter residência próximas as instalações da Thales Alenia Space em Cannes e Toulouse, durante o período de execução do contrato. O mesmo texto também cita o início de 2017 como época prevista para o lançamento.

Na entrevista com José Raimundo Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), publicada ontem (veja aqui), apresentamos detalhes sobre como será o processo de definição de transferência tecnológica associada ao SGDC.
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