quinta-feira, 18 de junho de 2015

Cooperação Brasil – Rússia

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Ministro e presidente da AEB cumprem agenda na Rússia

Brasília, 17 de junho de 2015 – O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, e o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, cumprem, desde segunda-feira (15), agenda oficial em Moscou, com o objetivo de ampliar a cooperação entre Brasil e Rússia nas áreas de ciência, tecnologia e inovação (CT&I).

A visita de trabalho inclui a preparação das negociações com a Rússia na área de CT&I, tendo em vista a participação da presidenta Dilma Rousseff na 7ª Cúpula dos Brics (grupo que reúne Brasil, Índia, China, Rússia e África do Sul) na cidade russa de Ufa, nos dias 8 e 9 de julho próximo.

O diálogo Brasil-Rússia na área de CT&I ocorre no âmbito do Acordo de Cooperação Científica e Tecnológica assinado entre os dois países em novembro de 1997. Inclui perspectivas de parcerias nas áreas do espaço, da nanotecnologia, da biotecnologia e das tecnologias da informação e comunicação (TICs). E também diretrizes para a cooperação entre parques tecnológicos e institutos de inovação, tendo como referência, na Rússia, o Centro de Inovação de Skolkovo.
 
Leia mais.

Delegação brasileira visita parquet tecnológico russo
 
Brasília, 18 de junho de 2015 – O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, visitou, nesta quarta-feira (17), a Fundação Skolkovo, o maior parque tecnológico em construção na Rússia. Acompanhado do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, e do chefe da Assessoria Internacional do MCTI, embaixador Carlos Henrique Cardim, ele foi recebido por seus diretores para participar de uma reunião com o objetivo de discutir perspectivas de cooperação em áreas como desenvolvimento de pesquisas científicas, de tecnologias para a inovação, de formação de recursos humanos.
 
Discutiu-se também a possibilidade de realizar a interação da Skolkovo com parques tecnológicos brasileiros, como o de São José dos Campos (SP).
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terça-feira, 16 de junho de 2015

Tecnologia & Defesa n.º 141

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Está chegando às bancas o número 141 da revista Tecnologia & Defesa, a mais tradicional publicação sobre os setores aeroespacial e de defesa na América Latina.

A edição traz um bom conteúdo sobre atividades espaciais, a começar pela entrevista: Eduardo Bonini, presidente da Visiona Tecnologia Espacial, falou à reportagem sobre o programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e perspectivas da joint-venture para o futuro.

Há também uma extensa reportagem sobre a cooperação entre o Brasil e a França nos setores aeroespacial e de defesa, em que a temática espacial também é abordada, além de um artigo com o registro da visita do ministro da Defesa Jaques Wagner às instalações da Thales Alenia Space em Cannes para acompanhar a fabricação do SGDC.

A seguir, listamos os principais conteúdos deste número, que também está disponível para vendas no website da revista:

- Esquadrão Hórus: a operação de veículos aéreos não tripulados pela Força Aérea Brasileira
- Cooperação Brasil - França: uma longa tradição de cooperação em defesa
- Santa Maria (RS): um novo polo de defesa no Brasil
- A modernidade do Centro de Instrução de Blindados
- Entrevista com Eduardo Bonini, presidente da Visiona Tecnologia Espacial
- Coluna Defesa & Negócios
- E muito mais!
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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Alcântara:cooperação com EUA ou Rússia?

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Rússia e EUA competem por parceria espacial com Brasil

Da REUTERS

Brasília/São Paulo - Os Estados Unidos e a Rússia estão disputando um papel estratégico no plano brasileiro de lançar satélites comerciais de sua base de Alcântara, no Maranhão, abrindo uma nova frente de rivalidade entre os dois países na busca de aliados e influência.

O governo espera escolher nos próximos meses um parceiro para ajudar a fornecer tecnologia, disseram à Reuters três fontes com conhecimento das negociações.

Ao longo da última década, o Brasil estabeleceu uma parceria com a Ucrânia para desenvolver um veículo de lançamento em Alcântara, mas encerrou o programa em fevereiro, dizendo que os problemas financeiros da Ucrânia a impossibilitam de fornecer foguetes, tal como prometido.

A presidente Dilma Rousseff irá selecionar um novo parceiro baseada em uma variedade de fatores, incluindo as relações diplomáticas do Brasil e a qualidade da tecnologia em oferta, disseram fontes a par do tema.

Uma parceria para satélites não estará na agenda quando Dilma visitar a Casa Branca em 30 de junho, informaram autoridades dos dois países.

Mas o teor da visita, que marca a reaproximação entre Brasil e EUA dois anos após uma crise nas relações decorrente dos programas de espionagem da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) norte-americana, pode influenciar a decisão brasileira, disse uma fonte.

“Se tudo correr bem, os norte-americanos estarão bem posicionados para conquistá-lo”, declarou a fonte, uma ex-autoridade brasileira que participou de reuniões sobre a questão dos satélites.

A localização de Alcântara é especialmente atraente para parceiros em potencial. Satélites que orbitam o Equador não têm que viajar muito para se posicionarem, o que reduz o gasto com combustível em até um quinto em comparação com outras localidades.

A empresa europeia de transporte espacial Arianespace, que detém metade do mercado mundial de lançamento de satélites em órbita geoestacionária, usa uma plataforma de lançamento em Kourou, na vizinha Guiana Francesa.

Não está claro exatamente que forma a próxima parceria do Brasil irá tomar. Pelo acordo anterior, a Ucrânia entrava com a tecnologia para construir os foguetes Cyclone-4 conjuntamente com o Brasil, que era responsável por fornecer as instalações de lançamento.

Frustradas com décadas de atrasos e contratempos, as autoridades brasileiras disseram que podem repensar totalmente os termos de sua próxima parceria.

“Nós tínhamos feito a opção da Ucrânia. Esse programa se mostrou inconsistente”, declarou o ministro da Defesa, Jaques Wagner, à Reuters. Ele disse que o Brasil conversaria “com qualquer país”, incluindo os Estados Unidos, para levar um satélite brasileiro ao espaço.

SALVAGUARDAS

O histórico traumático de Alcântara inclui um acidente em 2003, quando uma explosão e um incêndio destruíram um foguete de fabricação nacional e mataram 21 pessoas. O desastre pôs fim aos planos do Brasil de construir seus próprios foguetes e o levou a procurar a Ucrânia.

Uma série de países trabalhou com o Brasil em questões espaciais. Nas duas últimas décadas, a China empregou seus foguetes e sua plataforma de lançamento para conduzir aos céus cinco pequenos satélites que o Brasil usa para monitorar a agricultura, o meio ambiente e a Floresta Amazônica.

Em 2014, na esteira do escândalo de espionagem da NSA, desencadeado pelos documentos vazados pelo ex-prestador de serviços Edward Snowden, o Brasil escolheu a empresa aeroespacial francesa Thales ao invés de uma rival norte-americana para construir um satélite geoestacionário que será lançado pela Arianespace da Guiana Francesa em 2016.

O Brasil ainda precisa de um parceiro de peso para alcançar seu objetivo de lançar um satélite de Alcântara. A tecnologia para o satélite e o foguete que espera obter nessa parceria daria ímpeto à sua indústria aeroespacial.

Se o Brasil escolher os EUA, a Boeing será beneficiada, já que, além de aeronaves, fabrica foguetes e satélites e tem laços com a principal empresa aeroespacial brasileira, a Embraer, terceira maior fabricante mundial de aviões comerciais.

O diretor da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, declarou à Reuters que a Rússia está interessada em cooperar com o Brasil e que está “na vanguarda” da tecnologia espacial.

Ele afirmou que os EUA, maior fonte mundial de peças de satélite, também são uma possibilidade, embora tenha reconhecido haver “dificuldades especiais que precisamos superar”.

Uma delas é fato recente. Em 2000, Washington assinou um contrato com o Brasil que teria permitido o lançamento de satélites norte-americanos com foguetes norte-americanos de Alcântara.

Mas o acordo era polêmico por causa da exigência dos EUA de controlar o acesso a partes da base. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o descartou pouco depois de assumir seu primeiro mandato em 2003.

Washington já não faz tal exigência, embora ainda queira que o Brasil assine um assim chamado acordo de salvaguarda tecnológica para garantir que qualquer tecnologia espacial compartilhada com os brasileiros não vá parar em outros países.

Muitos membros do Congresso estão receosos de aprovar o acordo, e militares temem que a colaboração do Brasil com a China o impeça de algum dia obter acesso à tecnologia de satélite norte-americana de ponta, dada a desconfiança que Washington tem de Pequim.

Em novembro passado, o governo dos EUA aliviou suas regras de exportação para equipamentos de defesa, transferindo muitos componentes espaciais classificados automaticamente como munições pelo Departamento de Estado para a esfera do Departamento de Comércio, mais flexível com as exportações.

Autoridades norte-americanas dizem que 70 por cento do que se precisa para construir um satélite agora pode ser comprado dos Estados Unidos.

“Eles têm intenção de flexibilizar. Agora que mudou toda a conjuntura, a gente percebe que eles estão mais abertos, buscando a aproximação, e querendo voltar a ocupar o espaço que perderam para outros países”, acrescentou o coronel reformado Armando Lemos, atual diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), grupo de lobby da indústria de defesa.

O administrador da agência espacial dos EUA (Nasa, na sigla em inglês), Charles Bolden, visitou o Brasil no início deste ano. Quando o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, esteve em Washington no mês passado, almoçou com o chefe interino da Nasa no Museu Espacial do Instituto Smithsonian.

Rebelo disse à Reuters que as negociações com os EUA sobre os satélites estão “em andamento”, mas não quis dar maiores detalhes.

Fonte: Reuters, via portal Exame.

Comentário do blog: embora apresente informações interessantes, a reportagem da Reuters faz uma confusão dos esforços para a exploração comercial de Alcântara (que não necessariamente envolvem desenvolvimento ou transferência tecnológica) e ações do governo brasileiro para o desenvolvimento de tecnologia de lançadores. Interessante também notar a omissão no texto sobre a possibilidade de colaboração com a Europa - a Alemanha já coopera com o Brasil no desenvolvimento do Veiculo Lançador de Microssatélites (VLM-1), e empresas europeias como a Airbus Defence and Space já demonstraram interesse em ampliar a cooperação em lançadores.
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sexta-feira, 12 de junho de 2015

VLM-1: voo em novembro de 2018

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Primeiro voo do VLM-1 será em novembro de 2018

Brasília, 12 de junho de 2015 – O primeiro voo do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM) para teste de qualificação está programado para novembro de 2018. O anúncio foi feito pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, na 69ª Reunião Ordinária do Conselho Superior da instituição realizada nesta quinta-feira (11).

No lançamento a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, será transportada uma carga útil também para teste. O Lançador é um foguete de três estágios a propelente sólido com capacidade para satélites de pequeno porte com massa de até 150 quilos.

Desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), do Comando da Aeronáutica, com cooperação da Agência Espacial da Alemanha (DLR), o VLM é composto de dois estágios equipados com motor S-50 e um com motor S-44.

O teste de qualificação do motor S-50, em banco de ensaio, está previsto para janeiro de 2017. O voo de qualificação do VS-50 é programado para novembro do mesmo ano.

Experimento - O presidente também informou estar em estudo à proposta de ser levado ao espaço três experimentos selecionados no 5º Anúncio de Oportunidade, lançado em fevereiro último. A proposta desta edição visa a selecionar um dispositivo que avalie aspectos fisiológicos do espaçonauta Pedro Nehme no voo suborbital do qual ele participa no final do ano.

Quanto ao projeto Serpens (Sistema Espacial para a Realização de Pesquisas e Experimentos em Nano Satélites), os conselheiros foram informados de que o segundo exemplar do satélite de pequeno porte será coordenado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com a participação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e das universidades federais do ABC (UFABC), de Minas Gerais (UFMG) e Universidade de Brasília (UnB). Seu lançamento está previsto para o segundo semestre de 2017.

Com relação ao primeiro modelo do Serpens será entregue à Agência Espacial do Japão (Jaxa) no próximo mês de julho, para lançamento da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) em outubro deste ano.

Fonte: AEB
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quinta-feira, 11 de junho de 2015

"Cátedras universitárias, a nova moda no setor"

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Cátedras universitárias, a nova moda no setor

André M. Mileski

Há alguns anos, era praticamente regra para empresas estrangeiras dos setores aeroespacial e de defesa com negócios ou interesses no País participar do programa Ciência sem Fronteiras, do Governo Federal.

As empresas, objetivando demonstrar comprometimento com o Brasil e, assim, posicionarem-se mais favoravelmente para futuros negócios, financiavam e ofereciam bolsas de estudos e estágios a estudantes de graduação e pós-graduação. A Boeing, a Airbus (então EADS), a Saab e a Dassault Aviation foram algumas que adotarem este expediente.

A estratégia evoluiu nos últimos tempos e passou a incluir esforços junto a universidades brasileiras, como o estabelecimento de cátedras com professores estrangeiros, financiamento de bolsas de estudos e de projetos de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D). Desde o início do ano, ao menos quatro companhias anunciaram acordos de cooperação com universidades locais.

Em fevereiro, a fabricante de helicópteros norte-americana Sikorsky,  fornecedora das três forças armadas, firmou com o tradicional Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos (SP), um instrumento visando oferecer aos seus estudantes disciplinas relacionadas a aeronaves de asas rotativas. O acordo abrange a oferta de bolsas de estudos e a criação de um laboratório de voo sem movimento e outros equipamentos, além do envio de instrutores dos EUA para apoio às aulas e pesquisas.

Com um enfoque mais espacial, a franco-italiana Thales Alenia Space e a brasileira Omnisys inauguraram em março o Centro Tecnológico Espacial, que tem como um de seus propósitos o apoio a universidades para o desenvolvimento de um Mestrado em Engenharia em Sistemas Espaciais. Na época, as empresas divulgaram o estabelecimento de uma cadeira universitária voltada a satélites, além de ter coordenado e financiado várias teses de doutorado e estudos conjuntos.

Em junho, a Thales, que tem ampliado suas atividades no Brasil, deu mais um passo em sua estratégia ao patrocinar um programa de cooperação acadêmica entre França e Brasil envolvendo o Instituto Mauá de Tecnologia, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a instituição de ensino superior francesa Ecole Nationale Supérieure des Mines de Saint-Etienne, e a Omnisys, subsidiária da Thales. Denominado SEAC – Sistemas Eletrônicos Embarcados para Aplicações Críticas, o programa terá duração de um ano e consiste no intercâmbio de estudantes brasileiros e franceses, além da oferta de estágios na Omnisys ou em outras unidades da Thales na Europa.

Outra empresa que ampliou seus esforços “universitários “foi a sueca Saab, selecionada para fornecer caças à Força Aérea Brasileira. Um convênio de transferência tecnológica foi celebrado por Marcus Wallenberg, presidente do Conselho de Administração do grupo, em reunião com a presidenta Dilma Rousseff no final de março. As ações do programa incluem o estabelecimento, a partir de 2015, de um grupo de professores suecos no ITA, que oferecerão um curso de pós-doutorado em Engenharia Aeronáutica financiado pela empresa e pelo governo sueco.
  
No final de abril, foi a vez da europeia Airbus anunciar a criação da “Cátedra Franco-Brasileira” na Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). O programa visa promover P&D industrial na área de materiais compósitos para a fabricação de aeronaves e helicópteros.

Apesar destas ações terem um grande componente de marketing, seus benefícios para a formação de mão de obra especializada são inegáveis. É algo ainda mais verdadeiro para o Programa Espacial Brasileiro, que tem hoje como uma de suas principais ameaças a não reposição num ritmo minimamente adequado dos profissionais de instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).
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terça-feira, 9 de junho de 2015

Workshop do CNPq sobre Cooperação Brasil - China

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Workshop debate cooperação científica entre Brasil e China

Brasília, 09 de junho de 2015 – Pesquisadores chineses e brasileiros se reúnem hoje (9) e amanhã (10), no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), para estabelecer estratégias e linhas de ação, propostas e recomendações nas áreas aeroespacial, de energia, meio ambiente e saúde para a ampliação e fortalecimento da cooperação científica e tecnológica dos projetos entre Brasil e China.

O encontro é um workshop de prospecção visando à definição de linhas temáticas de futuros projetos conjuntos a serem atendidos pelo acordo de cooperação assinado em maio de 2014 entre a National Natural Science Foundation da China (NFSC) e o CNPq.

Os debates serão realizados em sessões temáticas coordenadas por um pesquisador brasileiro e um chinês, representando instituições de pesquisa de ambos os países.

A sessão Aeroespacial será coordenada pelos professores Sergio Frascino Muller de Andrade, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), e Cao Dengqing, do Instituto de Tecnologia de Harbin.

Na sessão Energia, estarão os professores João Pinho, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Energias Renováveis e Eficiência Energética da Amazônia (INCT-Ereea) e Li Jiangang, da Academia Chinesa de Ciências (CAS, na sigla em inglês).

Coordenam a mesa de Meio Ambiente os professores Cláudio Oller do INCT de Estudos do Meio Ambiente e Ma Keping, da CAS.

A quarta sessão, sobre Saúde, será coordenada por Edgar Carvalho, do INCT em Doenças Tropicais, e pelo professor Shen Adong, da Universidade de Ciências Médicas da China (Capital Medical University).

O CNPq em cooperação com a China desde 1984, quando firmou acordo com a CAS. Mantém ainda convênio com a Comissão Estatal de Ciência e Tecnologia da China (SSTC). No âmbito do programa Ciência sem Fronteiras (CsF), o parceiro do governo federal no país asiático é o China Scholarship Council (CSC).

Fonte: CNPq, via AEB.
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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Novo presidente da Thales Alenia Space Itália

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A companhia franco-italiana Thales Alenia Space (TAS) anunciou hoje (8) a nomeação de Donato Amoroso (foto acima) como diretor-presidente de sua unidade italiana, em substituição a Elisio Giacomo Prette. Amoroso assumirá ainda a posição de vice-presidente de todo o grupo, com responsabilidade direta pelas linhas de negócios de Observação, Exploração e Navegação.

Criada em 2005, a Thales Alenia Space é uma joint-venture entre os grupos Thales (67%) e Finmeccanica (33%), que no âmbito da chamada "Space Alliance", também deu origem a Telespazio, focada em serviços.

A unidade italiana, denominada Alenia Spazio antes da criação da joint-venture, tem forte atuação em tecnologia de sensoriamento remoto por radar, respondendo pelo desenvolvimento da constelação COSMO-SkyMed. Na América Latina, a empresa é importante parceira tecnológica da agência espacial argentina no projeto dos satélites de observação SAOCOM.

A TAS, uma das líderes europeias no setor espacial, foi contratada no final de 2013 para a construção do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), do governo brasileiro.
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quarta-feira, 3 de junho de 2015

Workshop sobre hidrometeorologia

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INPE promove workshop na área de hidrometeorologia

Terça-feira, 02 de Junho de 2015

Estão abertas as inscrições ao Workshop ZCAS/Monção, que será realizado de 20 a 22 de julho no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em Cachoeira Paulista (SP).

O workshop pretende reunir especialistas das áreas de meteorologia, hidrologia e hidrometeorologia para avaliar a relação entre a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e o Sistema de Monção da América do Sul (SMAS), bem como a situação hidrometeorológica dos verões de 2013, 2014 e 2015, assim como perspectivas futuras.

Além das palestras sobre ZCAS e SMAS, também haverá apresentação de trabalhos inéditos sobre os temas. Os interessados devem enviar o resumo até o dia 30 de junho.

A programação, o link para as inscrições e o modelo do resumo estão disponíveis na página: http://cursos.cptec.inpe.br/workshop-zcas-moncao/

Fonte: INPE
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"Propriedade privada sobre as riquezas dos asteroides?", artigo de José Monserrat Filho

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Propriedade privada sobre as riquezas dos asteroides?

José Monserrat Filho *

"Hoje, o espaço é livre. Não tem cicatrizes de conflitos. Nenhuma nação detém uma concessão lá. Essa situação deve permanecer como está. Nós, dos Estados Unidos, não reconhecemos a existência de proprietários do espaço exterior, que se julguem competentes para negociar com as nações da Terra sobre o preço do acesso a este domínio..." Lyndon Johnson, então Presidente dos Estados Unidos, sobre o Tratado do Espaço, em 19671.

“Quaisquer recursos de asteroide obtidos no espaço exterior são propriedade da entidade que obteve tais recursos, a quem devem ser atribuídos todos os direitos de propriedade daí decorrentes, de acordo com os dispositivos aplicáveis da Lei Federal.”

Eis o núcleo do projeto apresentado pelos deputados norte-americanos Bill Posey, republicano da Flórida, e Derek Kilmer, democrata de Washington, ao Comitê de Ciência, Espaço e Tecnologia da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, em 19 de maio de 2015. Trata-se de emenda à Lei de Exploração e Uso de Recursos Espaciais (H. R. 1505), do mesmo dia 19 de maio.

A emenda intitula-se “Exploração e Uso de Recurso Espacial” e, no capítulo 513, § 01, adota as seguintes definições:

“(1) 'Recurso Espacial' significa um recurso natural de qualquer tipo encontrado 'in situ' no espaço exterior”;

“(2) 'Recurso de Asteroide' significa um recurso espacial encontrado na superfície ou no interior de um asteroide”;

“(3) 'Estado' significa qualquer um dos vários Estados, o Distrito de Colúmbia, a Comunidade de Porto Rico, Ilhas Virgíneas, Guam, Samoa Americana, a Comunidade das Ilhas de Mariana do Norte, a ainda qualquer outra comunidade, território ou possessão dos Estados Unidos”.

“(4) 'Entidade Comercial dos Estados Unidos de Utilização de Recurso Espacial' significa uma entidade que realiza a exploração de recurso espacial ou serviços de seu uso, cujo controle é exercido por pessoas outras que não o Governo Federal, o Governo de um Estado, o Governo Local ou um Governo estrangeiro, e que é (A) devidamente organizada conforme a Lei de um Estado; (B) sujeita-se à competência e à jurisdição individual dos tribunais dos Estados Unidos, ou (C) uma entidade estrangeira que se submeteu voluntariamente à competência e à jurisdição individual dos tribunais dos Estados Unidos”.

No § 02, a emenda estabelece que “O Presidente [dos EUA], atuando através de Agências Federais apropriadas, deve

(1) facilitar a exploração e o uso comercial dos recursos espaciais, para atender às necessidades nacionais;

(2) desencorajar barreiras governamentais ao desenvolvimento de indústrias viáveis, seguras e estáveis para a exploração e utilização dos recursos espaciais de forma consistente com as obrigações internacionais vigentes dos Estados Unidos; e

(3) promover o direito dos Estados Unidos e das entidades comerciais de explorar o espaço exterior e utilizar os recursos espaciais, em conformidade com as obrigações internacionais vigentes dos Estados Unidos, livre de interferências nocivas, para transferir ou vender tais recursos.”

No § 03, sobre a “base jurídica”, fixam-se as seguintes definições:

“(a) Direitos de Propriedade –  Quaisquer recursos de asteroide obtidos no espaço exterior são propriedade da entidade que obteve tais recursos, a quem devem ser atribuídos todos os direitos de propriedade daí decorrentes, de acordo com os dispositivos aplicáveis da Lei Federal.”

“(b) Segurança de operações – Uma entidade comercial dos Estados Unidos de utilização de recursos do espaço deve evitar causar uma interferência nociva no espaço exterior.”

“(c) Ações civis para evitar a interferência prejudicial –  A entidade comercial dos EUA que usa recursos espaciais pode iniciar ação cível por reparação jurídica ou equitativa adequada, ou ambas, nos termos deste capítulo, em vista de qualquer ação efetuada por outra entidade sujeita à jurisdição dos EUA, que cause interferência nociva às suas operações relativas a uma atividade de uso de recursos de asteroide no espaço exterior.”

“(d) Norma de decisão – Numa ação cível realizada conforme o subsetor (c) ante uma  atividade de uso de recursos de asteroide no espaço exterior, o tribunal deve jugar em favor do demandante, se o tribunal entender que

(1) o demandante

(A) agiu segundo todas as obrigações internacionais em vigor dos Estados Unidos; e
(B) conduziu a atividade pela primeira vez; e

(2) a atividade é razoável à exploração e ao uso dos recursos de asteroides.”

“(e) Jurisdição exclusiva – Os tribunais distritais dos Estados Unidos devem ter a jurisdição original sobre uma ação submetida a este capítulo, independente do montante do litígio.”

Esta emenda deve ser analisada à luz do Direito Espacial Internacional em vigor, a começar pelo Tratado do Espaço, de 1967, visto universalmente como a Lei Magna do espaço e das atividades espaciais. Isso porque a exploração e o uso de recursos naturais da Lua e demais corpos celestes, inclusive dos asteroides, são, acima de tudo, uma questão internacional, e não nacional. Questões globais como essa devem e precisam ser ordenadas globalmente.

O Tratado do Espaço, já em seu Artigo 1º, § 1º, reza que “a exploração e o uso do espaço exterior, inclusive a Lua e demais corpos celestes, deverão ter em mira o bem e o interesse de todos os países, qualquer que seja o de seu desenvolvimento econômico e científico, e são incumbência de toda a humanidade”. Ora, se as atividades dos países no espaço exterior, inclusive nos corpos celestes como os asteroides, incumbem a toda a humanidade, ou seja, a todos os países e povos, isto  significa que tais atividades e o próprio espaço exterior, inclusive os corpos celestes, devem ser regulamentados, primeiramente, pela comunidade de países em seu conjunto, e não por apenas um país, de forma unilateral e alheia ao bem e ao interesse de todos os países.

Não por acaso, ainda no Artigo 1º, § 2º, o Tratado do Espaço estabelece que “o espaço exterior, inclusive a Lua e demais corpos celestes, poderá ser explorado e utilizado livremente por todos os Estados sem qualquer discriminação, em condições de igualdade e em conformidade com o Direito Internacional, devendo haver liberdade de acesso a todas as regiões dos corpos celestes”.

Para que todos os países possam explorar e usar livremente o espaço exterior e os corpos celestes, o espaço exterior e os corpos celestes não podem ser propriedade de nenhum país ou grupo deles, mas espaço comum de todos. Por essa lógica natural, o Artigo 2º do Tratado determina que “o espaço exterior, inclusive a Lua e demais corpos celestes, não poderá ser objeto de apropriação nacional por proclamação de soberania, por uso ou ocupação, nem por qualquer outro meio”. Com base nos princípios fundamentais do Tratado é que se formam as leis nacionais, e não o inverso. Os acordos de Direito Internacional ratificados por um país têm precedência sobre seu Direito interno. Essa é a boa norma, ainda mais num mundo tão globalizado como este em que vivemos hoje.

O espaço exterior e os corpos celestes são espaço comum2 de todos os países. Logo, nenhum país em particular tem o direito de instituir o regime de propriedade dos recursos espaciais e de sua exploração industrial e comercial. É uma ação unilateral e arbitrária que usurpa o direito dos outros países a explorar e usar livremente o espaço e os corpos celestes, além de violar o princípio da não-apropriação. 

E ainda pode contribuir, em escala inestimável, para concentrar as já concentradíssimas riquezas do mundo.3

Neste contexto, o Presidente dos EUA não pode “facilitar a exploração e o uso comercial dos recursos espaciais” apenas para atender às necessidades nacionais. Ele deve ter em mira “o bem e o interesse de todos os países”, conforme a letra e o espírito do Tratado do Espaço.

Por outro lado, o Presidente dos EUA deve, sim, “desencorajar barreiras governamentais ao desenvolvimento de indústrias viáveis, seguras e estáveis para a exploração e uso dos recursos espaciais em consonância com as obrigações internacionais vigentes dos EUA”, ou seja, com o regime internacional de propriedade e de exploração e uso dos recursos espaciais, a ser criado pela comunidade de países, nos quadros das Nações Unidas, e, espera-se, adotado pelos EUA, como  aconteceu nas primeiras décadas da Era Espacial. Vide as palavras de Lyndon Johnson.

O Presidente dos EUA pode e deve, também, “promover o direito dos EUA e de suas entidades comerciais a explorar o espaço exterior e usar os recursos espaciais, em conformidade com as obrigações internacionais vigentes dos EUA, livre de interferências nocivas, para transferir ou vender tais recursos”. Essas obrigações poderão incluir o regime de propriedade e de exploração dos recursos espaciais a ser necessariamente criado nos quadros das Nações Unidas, a exemplo dos instrumentos espaciais aprovados, assinados e ratificados desde o Tratado do Espaço de 1967.

Os direitos de propriedade sobre recursos obtidos de um asteroide não podem ser atribuídos à entidade privada que os obteve com base em lei e tribunais nacionais. Isso é, antes de mais nada, prerrogativa da comunidade internacional, representada pelas Nações Unidas, que reúne a maioria esmagadora dos países e é o único fórum mundial que legisla sobre o espaço desde 1958.

Diz a emenda que “a entidade comercial dos EUA que usa recursos espaciais deve evitar causar interferências nocivas ao espaço exterior”. Na realidade, pelo Artigo 6º do Tratado do Espaço, os Estados – e não as entidades comerciais – é que são internacionalmente responsáveis pelas atividades espaciais de suas empresas públicas ou privadas e, portanto, pelas interferências nocivas causadas por essas entidades ao espaço exterior.

Ademais, a proteção do meio ambiente espacial e dos corpos celestes é questão complexa. Vai além de interferências nocivas. Não se pode explorar um asteroide ou qualquer outro corpo celeste sem antes realizar um estudo profundo de seu equilíbrio ambiental. Isso é da competência dos Estados, os guardiães naturais do bem e do interesse público (mesmo que não o queiram), e não de entidades comerciais, cujo objetivo principal é promover e defender interesses privados.

Segundo a emenda, em caso de litígio entre entidades comerciais dos EUA que usem recursos espaciais, relativo a interferências nocivas em operações ligadas ao uso de recursos de asteroides,  os tribunais distritais dos EUA terão jurisdição exclusiva sobre ação vinculada ao uso de recursos espaciais, independente do montante do litígio, e o tribunal envolvido deve julgar em favor do demandante se entender que ele respeitou as obrigações internacionais do país e conduziu a atividade pela primeira vez, e também se entender que a atividade é razoável para a exploração e o uso dos recursos de asteroides. Tais normas comprovam o caráter inteiramente nacional da emenda, que não levam em conta os efeitos possíveis – sobre os outros países e suas empresas – das interferências nocivas produzidas no uso de recursos de asteroides.

Como se vê, a emenda em debate busca mudar a natureza e o sentido do Tratado do Espaço e do Direito Espacial em vigor, tentando ajustá-los aos interesses de corporações empenhadas em se tornarem proprietárias das riquezas dos corpos celestes, em especial dos asteroides.

É uma forma mais sofisticada de reproduzir as expedições colonizadoras de séculos atrás. Mas, desde meados do século XX, a partir da adoção da Carta das Nações Unidas em 1945, que criou um novo Direito Internacional, essas incursões se tornaram juridicamente insustentáveis.

* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Esse artigo expressa exclusivamente a opinião do autor.

Referências
(1) Frase citada por Ram Jakhu em seu artigo Legal Issues Relating to the Global Public Interest in Outer Space, Journal of Space Law, Vol. 32, 31-2006, p. 46. Origem: Treaty on Outer Space: Hearing Before the Comm on Foreign Relations, 90th Congress, 105-106 (1967).

(2) Casella, Paulo Borba, Direito Internacional dos Espaços, Editora Atlas, 2009, pp. 597-626. Para Casella, “a crescente exploração e utilização do espaço ultraterrestre, principalmente por operadores privados, requer racional utilização deste, de forma a resguardar os interesses de todos os Estados” (p. 626).


(3) Bosi, Alfredo, Economia e humanismo, Estudos Avançados 26 (75), 2012, pp. 249-266. Piketty, Thomas, O Capital no Século XXI, Ed. Intrínseca, 2014.
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domingo, 31 de maio de 2015

Cooperação Argentina – Itália: SIASGE

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Entre os dias 20 e 22 de maio, a Comisión Nacional de Actividades Espaciales(CONAE), da Argentina, recebeu a visita de uma delegação da Agência Espacial Italiana (ASI), liderada por seu presidente, Roberto Battiston.

A visita incluiu uma reunião com o ministro Julio de Vido, da pasta de Planejamento Federal e Investimentos Públicos, oportunidade em que foi discutido o aprofundamento da cooperação bilateral para dar continuidade ao Sistema Ítalo-Argentino de Gestão de Emergências (SIASGE), que será no futuro formado por satélites de tecnologia radar dos dois países – da série COSMO-SkyMed, da Itália, e SAOCOM, da Argentina. O SIASGE oferecerá dados sobre desastres naturais e antropogênicos, nas fases de prevenção, monitoramento, mitigação e avaliação de incêndios, inundações, derramamentos de petróleo e efeitos de pragas na agricultura, entre outras finalidades.

Segundo informações divulgadas pela CONAE, a comitiva italiana visitou a sede da entidade em Buenos Aires, além de instalações em Córdoba, onde estão sendo integrados os satélites SAOCOM, e da empresa estatal INVAP, responsável pelo projeto e construção dos satélites argentinos.

A Argentina hoje representa a principal parceria espacial da Itália na América Latina. Uma colaboração técnica foi iniciada no início da década de noventa, evoluindo para a participação em missões satelitais (SAC-B, SAC-A, SAC-C e SAC-D), com a inclusão de instrumentos científicos italianos.


Os satélites da série SAOCOM – únicos de tecnologia radar em construção na região, contam com tecnologia italiana na carga útil (sensor SAR em banda L), fornecida pela unidade italiana da empresa Thales Alenia Space. Serão duas unidades, o SAOCOM 1A, previsto para ser lançado no final de 2016, e o SAOCOM 1B, que deve entrar em órbita no final de 2017.
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