.
Concluído o modelo térmico do satélite Amazônia-1
Sexta-feira, 09 de Outubro de 2015
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) concluiu o modelo térmico do Amazônia-1. Destinado ao monitoramento de recursos naturais, o satélite é o primeiro construído a partir da Plataforma Multimissão (PMM), estrutura inovadora desenvolvida pela instituição brasileira, capaz de se adaptar aos propósitos de diferentes missões e, assim, reduzir custos de projetos espaciais.
Os ensaios térmicos acontecem nos próximos dois meses no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, em São José dos Campos (SP). Durante os testes, são simuladas as condições em órbita enfrentadas pelo satélite, exposto a temperaturas extremas e radiação espacial.
“As partes mais expostas do satélite enfrentarão temperatura de aproximadamente -80ºC no período de eclipse e +80ºC no período iluminado. Uma importante etapa do desenvolvimento de um satélite é demonstrar que suas temperaturas são mantidas dentro dos limites especificados, garantindo seu funcionamento. Para isso, construímos um modelo representativo do satélite para passar por ciclos de teste que visam qualificar o Subsistema de Controle Térmico”, explica Adenilson Roberto da Silva, coordenador do Programa de Satélites baseados na Plataforma Multimissão do INPE.
O modelo térmico do primeiro satélite nacional de observação terrestre será colocado na câmara vácuo-térmica do LIT/INPE para a simulação, em várias etapas, das condições limites do ambiente térmico previstas em órbita terrestre.
O controle térmico do Amazônia-1 foi projetado por técnicos da Coordenação de Engenharia e Tecnologia Espacial (ETE) do INPE. Após a realização do Teste de Balanço Térmico, para qualificar o Subsistema de Controle Térmico do satélite, começam os preparativos para a integração e testes do modelo elétrico, que visa verificar e validar as funcionalidade e interfaces entre os subsistemas. Depois disso, será integrado e testado o modelo de voo do Amazônia-1.
Qualificação
Durante o processo de desenvolvimento, o projeto do satélite se tornou mais complexo pela introdução de novas técnicas e dispositivos. A utilização de mantas isolantes multicamadas foi intensiva e exigiu o aprimoramento do projeto e dos procedimentos de fabricação e implementação.
Um satélite exige a instalação de aquecedores em seus componentes mais sensíveis, como as baterias, elementos do sistema de propulsão e equipamentos da carga útil. Os aquecedores são controlados, em malha fechada, por um software instalado no computador de bordo.
Tintas, fitas de controle térmico, isolantes e acopladores condutivos e materiais de interface (folhas de índio e mantas a base de silicone) completam o arsenal utilizado para manter as temperaturas de todos os componentes do satélite dentro de seus limites operacionais, quando em órbita terrestre.
O Modelo Térmico foi construído a partir do Modelo Estrutural, já qualificado por testes mecânicos que simularam condições de vibração e de acústica. Para qualificar a estrutura mecânica, foram dimensionadas e caracterizadas as cargas que o satélite irá experimentar durante o lançamento.
Para os testes térmicos, os equipamentos eletrônicos, antes representados por “dummies” estruturais, foram adaptados para serem “dummies” térmicos. “Todos os elementos de controle térmico foram instalados conforme estabelecido no projeto, de forma a representar fielmente as funcionalidades térmicas do satélite”, conclui Issamu Muraoka, engenheiro do INPE responsável pela arquitetura térmica do satélite Amazônia-1.
Fonte: INPE
.
terça-feira, 13 de outubro de 2015
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Apoio do INPE à missão astronômica indiana
.
INPE conclui suporte à missão astronômica indiana
Terça-feira, 06 de Outubro de 2015
O Centro de Rastreio e Controle de Satélites (CRC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) prestou suporte em rastreio, telemetria e telecomando durante os oito primeiros dias em órbita da missão ASTROSAT, lançada em 28 de setembro da base de Sriharikota, da Organização Indiana de Pesquisas Espaciais (ISRO).
O satélite ASTROSAT é destinado à observação astronômica para estudos de fontes cósmicas e fornecerá informações à comunidade científica indiana e global. A missão também tem como objetivo estimular jovens pesquisadores da Índia nas áreas de Astronomia e Astrofísica.
Devido à localização próxima ao Equador de sua estação de Alcântara (MA), o CRC/INPE foi convidado pela Rede de Telemetria, Rastreio e Comando (ISTRAC) da ISRO para dar suporte ao ASTROSAT, durante suas órbitas iniciais.
“A localização da Estação Terrena de Alcântara (apenas 2 graus de latitude sul) é privilegiada com relação ao rastreio do ASTROSAT, pois a baixa inclinação de sua órbita (6 graus) faz com que todos os seus 14 ciclos orbitais diários possuam um trecho visível à antena da estação de Alcântara. Isto faz com que ela seja muito adequada para o fornecimento de suporte de rastreio, telemetria e telecomando ao satélite”, explica Valcir Orlando, chefe do CRC/INPE.
A Estação Terrena de Alcântara integrou a rede indiana formada para apoiar as operações de solo do ASTROSAT, durante a crítica fase de lançamento e órbitas iniciais deste satélite. Para isso, foi estabelecida uma ligação de telecomunicações entre a Estação Terrena de Alcântara e o centro de controle de satélites indiano, em Bangalore, tornando o centro daquele país apto a usar a instalação brasileira como uma de suas próprias estações.
“A estação do INPE foi usada para a recepção de telemetria com informações sobre o estado de funcionamento do satélite, o envio de telecomandos ao veículo espacial e o comando da execução de medidas de localização, usadas em solo para o processo determinação da órbita da espaçonave”, detalha Valcir.
Segundo o chefe do CRC/INPE, a integração da Estação Terrena de Alcântara à rede de estações de apoio ao ASTROSAT envolveu o estabelecimento de linhas de telecomunicações, a execução do rastreio do satélite e o monitoramento do estado de funcionamento dos equipamentos e das conexões. As atividades de controle do satélite (telemetria, telecomando e medidas de localização) foram efetuadas diretamente do centro de controle de satélites indiano por meio de conexões de telecomunicações.
“A prestação de suporte do CRC ao satélite indiano foi coroada com pleno sucesso, tanto durante a participação em ensaios simulados, com a integração real da Estação Terrena de Alcântara à rede de estações de rastreio da ISTRAC, quanto durante o fornecimento do suporte ao ASTROSAT, propriamente dito”, informa Valcir.
A execução do projeto demonstrou mais uma vez a competência técnica do INPE e reafirmou a capacitação do CRC em dar suporte confiável a missões estrangeiras de características variadas. Permitiu ainda a realização de importante revisão tecnológica na infraestrutura do CRC/INPE, com consequente aprimoramento da adequação aos padrões internacionais. Também proporcionou importantes ganhos em termos de conhecimento técnico e experiência pelo pessoal envolvido do CRC, não só da Estação Terrena de Alcântara como também da Estação Terrena de Cuiabá e do Centro de Controle de Satélites, em São José dos Campos.
Além de prestar suporte a missões espaciais de terceiros, o Centro de Rastreio e Controle (CRC) realiza a operação em órbita dos satélites desenvolvidos pelo próprio INPE ou em cooperação com instituições estrangeiras. Mais informações sobre o CRC na página www.inpe.br/crc.
Fonte: INPE
.
INPE conclui suporte à missão astronômica indiana
Terça-feira, 06 de Outubro de 2015
O Centro de Rastreio e Controle de Satélites (CRC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) prestou suporte em rastreio, telemetria e telecomando durante os oito primeiros dias em órbita da missão ASTROSAT, lançada em 28 de setembro da base de Sriharikota, da Organização Indiana de Pesquisas Espaciais (ISRO).
O satélite ASTROSAT é destinado à observação astronômica para estudos de fontes cósmicas e fornecerá informações à comunidade científica indiana e global. A missão também tem como objetivo estimular jovens pesquisadores da Índia nas áreas de Astronomia e Astrofísica.
Devido à localização próxima ao Equador de sua estação de Alcântara (MA), o CRC/INPE foi convidado pela Rede de Telemetria, Rastreio e Comando (ISTRAC) da ISRO para dar suporte ao ASTROSAT, durante suas órbitas iniciais.
“A localização da Estação Terrena de Alcântara (apenas 2 graus de latitude sul) é privilegiada com relação ao rastreio do ASTROSAT, pois a baixa inclinação de sua órbita (6 graus) faz com que todos os seus 14 ciclos orbitais diários possuam um trecho visível à antena da estação de Alcântara. Isto faz com que ela seja muito adequada para o fornecimento de suporte de rastreio, telemetria e telecomando ao satélite”, explica Valcir Orlando, chefe do CRC/INPE.
A Estação Terrena de Alcântara integrou a rede indiana formada para apoiar as operações de solo do ASTROSAT, durante a crítica fase de lançamento e órbitas iniciais deste satélite. Para isso, foi estabelecida uma ligação de telecomunicações entre a Estação Terrena de Alcântara e o centro de controle de satélites indiano, em Bangalore, tornando o centro daquele país apto a usar a instalação brasileira como uma de suas próprias estações.
“A estação do INPE foi usada para a recepção de telemetria com informações sobre o estado de funcionamento do satélite, o envio de telecomandos ao veículo espacial e o comando da execução de medidas de localização, usadas em solo para o processo determinação da órbita da espaçonave”, detalha Valcir.
Segundo o chefe do CRC/INPE, a integração da Estação Terrena de Alcântara à rede de estações de apoio ao ASTROSAT envolveu o estabelecimento de linhas de telecomunicações, a execução do rastreio do satélite e o monitoramento do estado de funcionamento dos equipamentos e das conexões. As atividades de controle do satélite (telemetria, telecomando e medidas de localização) foram efetuadas diretamente do centro de controle de satélites indiano por meio de conexões de telecomunicações.
“A prestação de suporte do CRC ao satélite indiano foi coroada com pleno sucesso, tanto durante a participação em ensaios simulados, com a integração real da Estação Terrena de Alcântara à rede de estações de rastreio da ISTRAC, quanto durante o fornecimento do suporte ao ASTROSAT, propriamente dito”, informa Valcir.
A execução do projeto demonstrou mais uma vez a competência técnica do INPE e reafirmou a capacitação do CRC em dar suporte confiável a missões estrangeiras de características variadas. Permitiu ainda a realização de importante revisão tecnológica na infraestrutura do CRC/INPE, com consequente aprimoramento da adequação aos padrões internacionais. Também proporcionou importantes ganhos em termos de conhecimento técnico e experiência pelo pessoal envolvido do CRC, não só da Estação Terrena de Alcântara como também da Estação Terrena de Cuiabá e do Centro de Controle de Satélites, em São José dos Campos.
Além de prestar suporte a missões espaciais de terceiros, o Centro de Rastreio e Controle (CRC) realiza a operação em órbita dos satélites desenvolvidos pelo próprio INPE ou em cooperação com instituições estrangeiras. Mais informações sobre o CRC na página www.inpe.br/crc.
Fonte: INPE
.
Atividades Espaciais como um Programa de Estado?
.
Grupo de trabalho dinamiza atividades espaciais no país
Brasília, 6 de outubro de 2015 – Os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Defesa (MD) criaram um Grupo de Trabalho Interministerial para o Setor Espacial (GTI – Setor Espacial) com a finalidade de organizar e dinamizar as atividades espaciais no país como um Programa de Estado.
A Portaria Interministerial publicada no Diário Oficial da União (DOU) de ontem (5) diz que o GTI vai assessorar os dois ministérios nos trabalhos relativos ao aprimoramento do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (Pese), do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) e da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Pndae).
Desta forma, o grupo, que deve concluir suas atividades até o próximo dia 31 de dezembro, deve propor a revisão do modelo de governança para as atividades espaciais e da legislação visando a formalizar um Programa de Estado para as atividades espaciais com um regime diferenciado de contratação de pessoal especializado para o setor, bem como um regime diferenciado para aquisição de bens, serviços e informações com implicação direta nos projetos e instalações do setor espacial.
Compete também ao GTI elaborar uma proposta de revisão do Pnae para o decênio 2016-2025, harmonizando as diversas iniciativas espaciais em curso; um Projeto Mobilizador, para o período de cinco anos, visando a fomentar o incremento da indústria nacional, quanto aos seus componentes principais como satélite, lançador e infraestrutura de lançamento e operação.
O grupo, que será coordenado pelo MD, pode convidar representantes de outros órgãos ou entidades públicas ou privadas para participar de suas reuniões.
Fonte: AEB
.
Grupo de trabalho dinamiza atividades espaciais no país
Brasília, 6 de outubro de 2015 – Os ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Defesa (MD) criaram um Grupo de Trabalho Interministerial para o Setor Espacial (GTI – Setor Espacial) com a finalidade de organizar e dinamizar as atividades espaciais no país como um Programa de Estado.
A Portaria Interministerial publicada no Diário Oficial da União (DOU) de ontem (5) diz que o GTI vai assessorar os dois ministérios nos trabalhos relativos ao aprimoramento do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (Pese), do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) e da Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Pndae).
Desta forma, o grupo, que deve concluir suas atividades até o próximo dia 31 de dezembro, deve propor a revisão do modelo de governança para as atividades espaciais e da legislação visando a formalizar um Programa de Estado para as atividades espaciais com um regime diferenciado de contratação de pessoal especializado para o setor, bem como um regime diferenciado para aquisição de bens, serviços e informações com implicação direta nos projetos e instalações do setor espacial.
Compete também ao GTI elaborar uma proposta de revisão do Pnae para o decênio 2016-2025, harmonizando as diversas iniciativas espaciais em curso; um Projeto Mobilizador, para o período de cinco anos, visando a fomentar o incremento da indústria nacional, quanto aos seus componentes principais como satélite, lançador e infraestrutura de lançamento e operação.
O grupo, que será coordenado pelo MD, pode convidar representantes de outros órgãos ou entidades públicas ou privadas para participar de suas reuniões.
Fonte: AEB
.
"Que Terra estamos levando para o espaço?", artigo de José Monserrat Filho
.
Que Terra estamos levando para o espaço?
José Monserrat Filho *
“Seríamos capazes de apagar o sol e as estrelas, porque eles não pagam dividendos.” John Maynard Keynes (1883-1946)1, economista inglês especialista em macroeconomia
A descoberta de água na Lua e agora em Marte mostra uma Terra bem equipada com cientistas capazes de realizar pesquisas espaciais muito complexas e importantes. Nossa astronomia e nossa astrofísica têm avançado em progressão geométrica nas últimas décadas.
Mapeamos o planeta Vênus com a sonda Magalhães. Lançamos e depois consertamos o Telescópio Espacial Hubble, produtor de imagens de estrelas, nebulosas e galáxias distantes. Mapeamos em detalhes o pano de fundo das radiações do Big Bang, a magna explosão original do universo, com sementes e aglomerados de galáxias. Comprovamos a existência dos “buracos negros”. Detectamos o primeiro asteróide extra-solar que tem água. Com a sonda Rosetta, pousamos um aparelho robot num asteróide para estudá-lo in loco. Capturamos imagem inédita em luz visível de um exoplaneta, com massa três vezes maior que a de Júpiter. Descobrimos que o Sol é o corpo mais redondo do Universo. E que Plutão, planeta anão, tem quatro luas: Hydra, Nix, Charon e P4, essa última com apenas 34 km de diâmetro. Constatamos que, ao contrário do que se pensava, as estrelas podem ter cauda como os cometas – Mira, estrela gigante e vermelha, é a prova. Descobrimos que Enceladus, uma das Luas de Saturno, exala vapor de água, o que a faria habitável como a Terra. Confirmamos a existência de 614 planetas em sistemas planetários, de 104 em sistemas planetários múltiplos, e de 2.321 candidatos a novos planetas fora de nosso sistema.
Já temos, assim, uma vasta ideia da imensidão do universo e continuamos voando a uma velocidade crescente. Mas esse progresso notável em relação à nossa própria história diz tudo sobre a Terra? Não, não diz. Eis alguns dados e observações de fontes relevantes que podem responder a essa pergunta:
De Washington Fajardo, arquiteto e urbanista, em Águas em Marte (O Globo, 3/10): “As descobertas sobre o universo imprimem delicadeza e singularidade ao nosso planeta, e escancaram quão pouco fazemos para cuidar dele, e o pouco que aplicamos de recursos tecnológicos para criar melhor conhecimento e conservação”. E mais: “As tecnologias que usamos para conhecer e detalhar nosso território parecem pedra lascada diante da precisão com que investigamos o solo marciano à distância de 60 milhões de quilômetros, isso na órbita mais próxima! Fica clara também a disparidade de desenvolvimento entre as diferentes sociedades terráqueas.”
De Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia de 2001 e professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), EUA, em seu novo livro The Great Divide (A Grande Divisão): “O 1% mais rico [da população] abocanha um quarto da renda e 40% das riquezas dos EUA”, e “o bem-estar das corporações foi engordando ao mesmo tempo que encolhiam os projetos de ajuda aos mais pobres. Um norte-americano típico ganha menos do que ganhava há 45 anos – feitas todas as correções. Uma em cada quatro crianças vive na pobreza”. Segundo Stiglitz, “essa crescente desigualdade destrói o mito dos EUA como terra de oportunidades, sabota a eficiência da economia e, principalmente, abala os pilares da democracia. O lema 'um homem, um voto' está sendo convertido em 'um dólar, um voto' ”. A seu ver, “a desigualdade galopante é fruto de políticas deliberadas e poderia ter sido evitada” e “o fosso social fabricado nos EUA – e replicado pelo mundo – impede uma recuperação mais robusta da economia, reforçando iniquidades e a concentração da riqueza”. A elite, nota ele, “está cada vez mais divorciada das necessidades da população”. (Folha de SP, 3/10)
Do Presidente dos EUA, Barack Obama, perante a Assembleia Geral da ONU, em 28 de setembro, comemorando os 70 anos da organização: “Redes brutais de terrorismo ocuparam o vácuo. As tecnologias que empoderam as pessoas estão agora sendo exploradas pelos que espalham desinformação ou reprimem a dissidência ou radicalizam nossos jovens. Os fluxos de capital global têm impulsionado o crescimento e os investimentos, mas também têm aumentado o risco de contágio, enfraquecido o poder de negociação dos trabalhadores e acelerado a desigualdade.” E ainda: “O que é o mais nefasto, vemos os temores de pessoas comuns serem explorados por meio de persuasões para o sectarismo ou o tribalismo, ou o racismo, ou o antissemitismo”. E também: “Chefio a força militar mais poderosa que o mundo já viu e jamais hesitarei em proteger o meu país ou nossos aliados, unilateralmente e à força quando necessário. Mas estou hoje diante de vocês com a absoluta convicção de que as nações do mundo não podem voltar às velhas maneiras de conflito e coerção. Não podemos retroceder. Vivemos em um mundo integrado – no qual todos nós temos interesse no sucesso do outro. Não podemos desprezar essas forças de integração. Nenhum país desta assembleia pode se isolar diante da ameaça do terrorismo ou do risco de contágio financeiro; do fluxo de imigrantes ou do perigo do aquecimento do planeta. A desordem que vemos não é induzida unicamente pela competição entre as nações ou por alguma ideologia. E se não pudermos trabalhar juntos de modo mais efetivo, vamos todos sofrer as consequências. Isso também se aplica aos EUA.”
Do Presidente da China, Xi Jinping, na tribuna da mesma Assembleia Geral da ONU: “A lei das selvas deixa os fracos à mercê dos fortes. Isso não é maneira de os países se relacionarem. Os países que recorrem à força se darão conta de que estão apenas levantando rochas que cairão sobre seus próprios pés. Devemos abandonar a mentalidade da Guerra Fria e fomentar nova visão da segurança sustentável.” E mais: “A crise financeira internacional de 2008 nos ensinou que permitir que o capital persiga cegamente o lucro pode apenas criar a crise e que a prosperidade global não pode ser construída sobre fundações instáveis de um mercado sem limites morais. A crescente diferença entre ricos e pobres é tanto insustentável quanto injusta. É importante para nós usar a mão invisível e a mão visível para criar sinergia entre as forças do mercado e a função de governo, bem como empenhar-se para alcançar tanto a eficiência quanto a equidade.” E também: “No mundo de hoje, perto de 800 milhões de pessoas ainda vivem em extrema pobreza, cerca de 6 milhões de crianças morrem a cada ano sem completar cinco anos, e cerca de 60 milhões de crianças não podem ir à escola.”
Do Presidente do Conselho de Estado e de Ministros de Cuba, Raul Castro: “O compromisso assumido em 1945 de 'promover o progresso social e dar melhores condições de vida' aos povos e elevar seu desenvolvimento econômico e social [segundo a Carta da ONU], continua sendo uma quimera, quando 795 milhões de pessoas passam fome, 781 milhões de adultos são analfabetos e 17 mil crianças morrem diariamente por causa de doenças evitáveis, enquanto as despesas militares anuais no mundo todo totalizam mais de 1,7 trilhão de dólares”.
Do Presidente Interino de Burkina Faso – o 4º país mais pobres do mundo –, Michel Kafando, também na Assembleia Geral da ONU: “A situação econômica global continua evoluindo de forma desfavorável, e, assim, é um desafio para nós, em especial diante do nosso compromisso comum de erradicar a pobreza nos países em desenvolvimento.” E depois: “Precisamos redobrar os esforços e tomar iniciativas ainda mais difíceis para melhorar as condições de vida de nossas populações.”
Como reação a esse quadro angustiante, a mesma sessão especial da Assembleia Geral da ONU que comemorou o 70º aniversário da organização aprovou por unanimidade o documento “Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”2 – com seus 17 novos objetivos globais e 169 metas. Essa agenda substitui e amplia a Declaração do Milênio do ano 2000, cujos oito objetivos deveriam ter sido alcançados até 2015 e não o foram. Ela continha alvos concretos, como reduzir pela metade a percentagem de pessoas que vivem na pobreza extrema, fornecer água potável e educação a todos, inverter a tendência de propagação do VIH/SIDA e alcançar outros objetivos no domínio do desenvolvimento. Pedia o reforço das operações de paz da ONU, para que as comunidades vulneráveis pudessem contar conosco nas horas difíceis. E também o combate à injustiça e à desigualdade, ao terror e ao crime, e proteção ao nosso patrimônio comum, a Terra, em benefício das gerações futuras.
Já o texto de agora, com objetivos e metas pós-2015, prevê “a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema” – até 2030 – como “o maior desafio global e requisito indispensável ao desenvolvimento sustentável”. É o primeiro objetivo do plano “ousado e transformador”, a ser cumprido entre 2015 e 2030. Ou seja, em apenas 15 anos. O compromisso, ainda por cima, é “não deixar ninguém para trás”. Com a certeza de que, “se realizarmos nossas ambições em toda a extensão da Agenda, a vida de todos será profundamente melhorada e nosso mundo será transformado para melhor”. Mas fica a pergunta: será tudo isso possível em tão pouco tempo?
Para a revista científica inglesa Nature de 1º de outubro, “as últimas metas da ONU precisam ser traduzidas em políticas realistas”. Seu editorial reconhece que a iniciativa é “nobre” e que “o mundo, sem dúvida, poderá ser melhor com as metas traçadas para 2030, se seus objetivos forem atingidos”, mas considera que “ainda não está claro o impacto que os objetivos terão sobre os assuntos globais”. E diz mais: “A agenda buscada está clara, mas também estão claras as barreiras ao investimento. Elas incluem corrupção, instabilidade política, sistemas pobres de ensino, mau funcionamento dos marcos regulatórios e falta de mão de obra especializada. (…) Espera-se que o debate se estenda pelo próximo ano. Os cientistas devem trabalhar para garantir que os governos recolham e divulguem os dados. O próximo passo em direção aos objetivos do desenvolvimento sustentável é identificar uma gama de indicadores de saúde, econômicos e ambientais que possam ser usados para acompanhar o avanço. Cientistas e formuladores de políticas devem também redobrar os esforços para identificar estratégias eficazes – e politicamente viáveis – para se investir uma soma limitada de dinheiro. (...) Trilhões de dólares em investimentos públicos e privados nas próximas décadas estão sobre a mesa. A aplicação desse dinheiro em tecnologias certas e locais certos deverá percorrer longo caminho para melhorar a vida das pessoas.”
Isso vai depender, claro, do cumprimento dos compromissos agora assumidos por todos os Estados-Membros da ONU. Todos eles e nós todos, terráqueos, somos e sempre seremos responsáveis pelo que fazemos no espaço como prolongamento do que fazemos na Terra. E quem vai sempre nos cobrar, aqui em baixo e lá em cima, é a mãe natureza, que abraça todo o universo.
Tudo isso diz muito sobre a civilização humana que está explorando e utilizando o espaço neste momento da história. Não seria bom para o espaço receber uma Terra consideravelmente melhorada, como queria Bertrand Russel3?
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Esse artigo expressa exclusivamente a opinião do autor.
Referências
1) Keynes defendeu em seu livro Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda a ideia de que o Estado é agente indispensável para se garantir um sistema de pleno emprego.
2) Ver http://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/.
3) O filósofo e matemático inglês Bertrand Russell (1872-1970) temia que os mais abjetos motivos estivessem por trás dos bilionários programas dos governos rivais (EUA-URSS) para tornar possível os voos espaciais tripulados. Segundo Manfred Lachs (1914-1993), ex-Presidente da Corte Internacional de Justiça, Bertrand Russel pediu aos homens que se abstivessem de ir à Lua e a outros planetas: “De minha parte, gostaria que houvesse mais sabedoria para conduzir os assuntos da Terra antes de levar nossas disputas estridentes e mortíferas a outros planetas.” A declaração, publicada no The Times, de 15 de julho de 1969, na página 9, está publicada no livro de Manfred Lachs El derecho del espacio ultraterrestre, lançado pelo Fondo de Cultura Económico em 1977. Esse livro saiu originalmente em inglês, em 1972 – The Law of Outer Space: An Experience in Contemporary Law-Making –, e foi reeditado em 2010 pelo Instituto Internacional de Direito Espacial e a editora Martines Nijhoff Publishers.
.
Que Terra estamos levando para o espaço?
José Monserrat Filho *
“Seríamos capazes de apagar o sol e as estrelas, porque eles não pagam dividendos.” John Maynard Keynes (1883-1946)1, economista inglês especialista em macroeconomia
A descoberta de água na Lua e agora em Marte mostra uma Terra bem equipada com cientistas capazes de realizar pesquisas espaciais muito complexas e importantes. Nossa astronomia e nossa astrofísica têm avançado em progressão geométrica nas últimas décadas.
Mapeamos o planeta Vênus com a sonda Magalhães. Lançamos e depois consertamos o Telescópio Espacial Hubble, produtor de imagens de estrelas, nebulosas e galáxias distantes. Mapeamos em detalhes o pano de fundo das radiações do Big Bang, a magna explosão original do universo, com sementes e aglomerados de galáxias. Comprovamos a existência dos “buracos negros”. Detectamos o primeiro asteróide extra-solar que tem água. Com a sonda Rosetta, pousamos um aparelho robot num asteróide para estudá-lo in loco. Capturamos imagem inédita em luz visível de um exoplaneta, com massa três vezes maior que a de Júpiter. Descobrimos que o Sol é o corpo mais redondo do Universo. E que Plutão, planeta anão, tem quatro luas: Hydra, Nix, Charon e P4, essa última com apenas 34 km de diâmetro. Constatamos que, ao contrário do que se pensava, as estrelas podem ter cauda como os cometas – Mira, estrela gigante e vermelha, é a prova. Descobrimos que Enceladus, uma das Luas de Saturno, exala vapor de água, o que a faria habitável como a Terra. Confirmamos a existência de 614 planetas em sistemas planetários, de 104 em sistemas planetários múltiplos, e de 2.321 candidatos a novos planetas fora de nosso sistema.
Já temos, assim, uma vasta ideia da imensidão do universo e continuamos voando a uma velocidade crescente. Mas esse progresso notável em relação à nossa própria história diz tudo sobre a Terra? Não, não diz. Eis alguns dados e observações de fontes relevantes que podem responder a essa pergunta:
De Washington Fajardo, arquiteto e urbanista, em Águas em Marte (O Globo, 3/10): “As descobertas sobre o universo imprimem delicadeza e singularidade ao nosso planeta, e escancaram quão pouco fazemos para cuidar dele, e o pouco que aplicamos de recursos tecnológicos para criar melhor conhecimento e conservação”. E mais: “As tecnologias que usamos para conhecer e detalhar nosso território parecem pedra lascada diante da precisão com que investigamos o solo marciano à distância de 60 milhões de quilômetros, isso na órbita mais próxima! Fica clara também a disparidade de desenvolvimento entre as diferentes sociedades terráqueas.”
De Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia de 2001 e professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), EUA, em seu novo livro The Great Divide (A Grande Divisão): “O 1% mais rico [da população] abocanha um quarto da renda e 40% das riquezas dos EUA”, e “o bem-estar das corporações foi engordando ao mesmo tempo que encolhiam os projetos de ajuda aos mais pobres. Um norte-americano típico ganha menos do que ganhava há 45 anos – feitas todas as correções. Uma em cada quatro crianças vive na pobreza”. Segundo Stiglitz, “essa crescente desigualdade destrói o mito dos EUA como terra de oportunidades, sabota a eficiência da economia e, principalmente, abala os pilares da democracia. O lema 'um homem, um voto' está sendo convertido em 'um dólar, um voto' ”. A seu ver, “a desigualdade galopante é fruto de políticas deliberadas e poderia ter sido evitada” e “o fosso social fabricado nos EUA – e replicado pelo mundo – impede uma recuperação mais robusta da economia, reforçando iniquidades e a concentração da riqueza”. A elite, nota ele, “está cada vez mais divorciada das necessidades da população”. (Folha de SP, 3/10)
Do Presidente dos EUA, Barack Obama, perante a Assembleia Geral da ONU, em 28 de setembro, comemorando os 70 anos da organização: “Redes brutais de terrorismo ocuparam o vácuo. As tecnologias que empoderam as pessoas estão agora sendo exploradas pelos que espalham desinformação ou reprimem a dissidência ou radicalizam nossos jovens. Os fluxos de capital global têm impulsionado o crescimento e os investimentos, mas também têm aumentado o risco de contágio, enfraquecido o poder de negociação dos trabalhadores e acelerado a desigualdade.” E ainda: “O que é o mais nefasto, vemos os temores de pessoas comuns serem explorados por meio de persuasões para o sectarismo ou o tribalismo, ou o racismo, ou o antissemitismo”. E também: “Chefio a força militar mais poderosa que o mundo já viu e jamais hesitarei em proteger o meu país ou nossos aliados, unilateralmente e à força quando necessário. Mas estou hoje diante de vocês com a absoluta convicção de que as nações do mundo não podem voltar às velhas maneiras de conflito e coerção. Não podemos retroceder. Vivemos em um mundo integrado – no qual todos nós temos interesse no sucesso do outro. Não podemos desprezar essas forças de integração. Nenhum país desta assembleia pode se isolar diante da ameaça do terrorismo ou do risco de contágio financeiro; do fluxo de imigrantes ou do perigo do aquecimento do planeta. A desordem que vemos não é induzida unicamente pela competição entre as nações ou por alguma ideologia. E se não pudermos trabalhar juntos de modo mais efetivo, vamos todos sofrer as consequências. Isso também se aplica aos EUA.”
Do Presidente da China, Xi Jinping, na tribuna da mesma Assembleia Geral da ONU: “A lei das selvas deixa os fracos à mercê dos fortes. Isso não é maneira de os países se relacionarem. Os países que recorrem à força se darão conta de que estão apenas levantando rochas que cairão sobre seus próprios pés. Devemos abandonar a mentalidade da Guerra Fria e fomentar nova visão da segurança sustentável.” E mais: “A crise financeira internacional de 2008 nos ensinou que permitir que o capital persiga cegamente o lucro pode apenas criar a crise e que a prosperidade global não pode ser construída sobre fundações instáveis de um mercado sem limites morais. A crescente diferença entre ricos e pobres é tanto insustentável quanto injusta. É importante para nós usar a mão invisível e a mão visível para criar sinergia entre as forças do mercado e a função de governo, bem como empenhar-se para alcançar tanto a eficiência quanto a equidade.” E também: “No mundo de hoje, perto de 800 milhões de pessoas ainda vivem em extrema pobreza, cerca de 6 milhões de crianças morrem a cada ano sem completar cinco anos, e cerca de 60 milhões de crianças não podem ir à escola.”
Do Presidente do Conselho de Estado e de Ministros de Cuba, Raul Castro: “O compromisso assumido em 1945 de 'promover o progresso social e dar melhores condições de vida' aos povos e elevar seu desenvolvimento econômico e social [segundo a Carta da ONU], continua sendo uma quimera, quando 795 milhões de pessoas passam fome, 781 milhões de adultos são analfabetos e 17 mil crianças morrem diariamente por causa de doenças evitáveis, enquanto as despesas militares anuais no mundo todo totalizam mais de 1,7 trilhão de dólares”.
Do Presidente Interino de Burkina Faso – o 4º país mais pobres do mundo –, Michel Kafando, também na Assembleia Geral da ONU: “A situação econômica global continua evoluindo de forma desfavorável, e, assim, é um desafio para nós, em especial diante do nosso compromisso comum de erradicar a pobreza nos países em desenvolvimento.” E depois: “Precisamos redobrar os esforços e tomar iniciativas ainda mais difíceis para melhorar as condições de vida de nossas populações.”
Como reação a esse quadro angustiante, a mesma sessão especial da Assembleia Geral da ONU que comemorou o 70º aniversário da organização aprovou por unanimidade o documento “Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”2 – com seus 17 novos objetivos globais e 169 metas. Essa agenda substitui e amplia a Declaração do Milênio do ano 2000, cujos oito objetivos deveriam ter sido alcançados até 2015 e não o foram. Ela continha alvos concretos, como reduzir pela metade a percentagem de pessoas que vivem na pobreza extrema, fornecer água potável e educação a todos, inverter a tendência de propagação do VIH/SIDA e alcançar outros objetivos no domínio do desenvolvimento. Pedia o reforço das operações de paz da ONU, para que as comunidades vulneráveis pudessem contar conosco nas horas difíceis. E também o combate à injustiça e à desigualdade, ao terror e ao crime, e proteção ao nosso patrimônio comum, a Terra, em benefício das gerações futuras.
Já o texto de agora, com objetivos e metas pós-2015, prevê “a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema” – até 2030 – como “o maior desafio global e requisito indispensável ao desenvolvimento sustentável”. É o primeiro objetivo do plano “ousado e transformador”, a ser cumprido entre 2015 e 2030. Ou seja, em apenas 15 anos. O compromisso, ainda por cima, é “não deixar ninguém para trás”. Com a certeza de que, “se realizarmos nossas ambições em toda a extensão da Agenda, a vida de todos será profundamente melhorada e nosso mundo será transformado para melhor”. Mas fica a pergunta: será tudo isso possível em tão pouco tempo?
Para a revista científica inglesa Nature de 1º de outubro, “as últimas metas da ONU precisam ser traduzidas em políticas realistas”. Seu editorial reconhece que a iniciativa é “nobre” e que “o mundo, sem dúvida, poderá ser melhor com as metas traçadas para 2030, se seus objetivos forem atingidos”, mas considera que “ainda não está claro o impacto que os objetivos terão sobre os assuntos globais”. E diz mais: “A agenda buscada está clara, mas também estão claras as barreiras ao investimento. Elas incluem corrupção, instabilidade política, sistemas pobres de ensino, mau funcionamento dos marcos regulatórios e falta de mão de obra especializada. (…) Espera-se que o debate se estenda pelo próximo ano. Os cientistas devem trabalhar para garantir que os governos recolham e divulguem os dados. O próximo passo em direção aos objetivos do desenvolvimento sustentável é identificar uma gama de indicadores de saúde, econômicos e ambientais que possam ser usados para acompanhar o avanço. Cientistas e formuladores de políticas devem também redobrar os esforços para identificar estratégias eficazes – e politicamente viáveis – para se investir uma soma limitada de dinheiro. (...) Trilhões de dólares em investimentos públicos e privados nas próximas décadas estão sobre a mesa. A aplicação desse dinheiro em tecnologias certas e locais certos deverá percorrer longo caminho para melhorar a vida das pessoas.”
Isso vai depender, claro, do cumprimento dos compromissos agora assumidos por todos os Estados-Membros da ONU. Todos eles e nós todos, terráqueos, somos e sempre seremos responsáveis pelo que fazemos no espaço como prolongamento do que fazemos na Terra. E quem vai sempre nos cobrar, aqui em baixo e lá em cima, é a mãe natureza, que abraça todo o universo.
Tudo isso diz muito sobre a civilização humana que está explorando e utilizando o espaço neste momento da história. Não seria bom para o espaço receber uma Terra consideravelmente melhorada, como queria Bertrand Russel3?
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Esse artigo expressa exclusivamente a opinião do autor.
Referências
1) Keynes defendeu em seu livro Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda a ideia de que o Estado é agente indispensável para se garantir um sistema de pleno emprego.
2) Ver http://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/.
3) O filósofo e matemático inglês Bertrand Russell (1872-1970) temia que os mais abjetos motivos estivessem por trás dos bilionários programas dos governos rivais (EUA-URSS) para tornar possível os voos espaciais tripulados. Segundo Manfred Lachs (1914-1993), ex-Presidente da Corte Internacional de Justiça, Bertrand Russel pediu aos homens que se abstivessem de ir à Lua e a outros planetas: “De minha parte, gostaria que houvesse mais sabedoria para conduzir os assuntos da Terra antes de levar nossas disputas estridentes e mortíferas a outros planetas.” A declaração, publicada no The Times, de 15 de julho de 1969, na página 9, está publicada no livro de Manfred Lachs El derecho del espacio ultraterrestre, lançado pelo Fondo de Cultura Económico em 1977. Esse livro saiu originalmente em inglês, em 1972 – The Law of Outer Space: An Experience in Contemporary Law-Making –, e foi reeditado em 2010 pelo Instituto Internacional de Direito Espacial e a editora Martines Nijhoff Publishers.
.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
CEOs da Telebras e Visiona visitam Thales Alenia Space
.
CEOs da Telebras e Visiona visitam Thales Alenia Space
São Paulo, 05 de outubro de 2015 - A Thales Alenia Space recebeu a visita de Jorge Bittar, chairman e CEO da Telebras, Paulo Kapp, diretor de tecnologia da Telebras, e Eduardo Bonini, chairman e CEO da Visiona [Nota do blog: na imagem acima, Bonini e Bittar]. Entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro, a delegação brasileira visitou as fábricas de Toulouse e Cannes para conhecer as pessoas envolvidas no projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e verificar os últimos progressos realizados no satélite, agora em fase de integração.
Os executivos também se encontraram com os 40 engenheiros brasileiros que estão envolvidos no projeto na Thales Alenia Space, como parte do acordo firmado de transferência de tecnologia. Os engenheiros - contratados pela Visiona, Telebras, Agência Espacial Brasileira, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Ministério da Defesa – completaram 18 meses de treinamento e, neste período, acompanharam cada etapa do projeto do SGDC, em conjunto com os engenheiros franceses da Thales Alenia Space.
Com base nas competências e experiências que os engenheiros adquiriram na França, eles estão preparados para desempenhar, no médio prazo, um papel fundamental para o desenvolvimento de uma indústria espacial no Brasil, que gradualmente irá desenvolver e consolidar sua independência e soberania nesse setor.
Fonte: Thales
.
Transponder de Coleta de Dados do INPE
..
INPE entrega novo transponder de coleta de dados ambientais para qualificação em voo
Sexta-feira, 02 de Outubro de 2015
O modelo de voo do novo transponder para coleta de dados ambientais, desenvolvido no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), será integrado ao Itasat, nanossatélite universitário projetado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em parceria com outras instituições de ensino e com o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB).
Desenvolvido pela equipe de engenharia de nanossatélites do Centro Regional do Nordeste (CRN) do INPE, localizado em Natal, o transponder foi entregue aos representantes da equipe do Itasat no Laboratório de Integração e Testes (LIT/INPE), em São José dos Campos, nesta quinta-feira (1°/10).
A bordo do Itasat, o transponder DCS (sigla em inglês para subsistema de coleta de dados) será uma carga útil tecnológica que tem como objetivo sua qualificação em voo.
“A qualificação em voo é essencial no desenvolvimento de novas tecnologias espaciais. Em particular, o primeiro voo do novo DCS será um marco importante na missão de modernizar o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA)”, diz Fátima Mattiello, coordenadora de Ciência, Tecnologia e Inovação nos Centros Regionais do INPE e membro do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Instituto.
O transponder digital poderá ser utilizado nos nanossatélites, em desenvolvimento no CRN/INPE, para o SBCDA, que atualmente opera com o CBERS-4, lançado em dezembro 2014, e ainda com SCD-1 e SCD-2, satélites lançados na década de 1990.
Os satélites do SBCDA retransmitem informações de centenas de plataformas de coletas de dados (PCDs) instaladas por todo o país e alimentam o Sistema Nacional de Dados Ambientais (SINDA), operado pelo CRN/INPE. Os dados do SINDA são usados por instituições governamentais e do setor privado que desenvolvem aplicações e pesquisas em diferentes áreas, como previsão meteorológica e climática, estudo da química da atmosfera, controle da poluição e avaliação do potencial de energias renováveis.
Fonte: INPE
.
INPE entrega novo transponder de coleta de dados ambientais para qualificação em voo
Sexta-feira, 02 de Outubro de 2015
O modelo de voo do novo transponder para coleta de dados ambientais, desenvolvido no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), será integrado ao Itasat, nanossatélite universitário projetado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em parceria com outras instituições de ensino e com o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB).
Desenvolvido pela equipe de engenharia de nanossatélites do Centro Regional do Nordeste (CRN) do INPE, localizado em Natal, o transponder foi entregue aos representantes da equipe do Itasat no Laboratório de Integração e Testes (LIT/INPE), em São José dos Campos, nesta quinta-feira (1°/10).
A bordo do Itasat, o transponder DCS (sigla em inglês para subsistema de coleta de dados) será uma carga útil tecnológica que tem como objetivo sua qualificação em voo.
“A qualificação em voo é essencial no desenvolvimento de novas tecnologias espaciais. Em particular, o primeiro voo do novo DCS será um marco importante na missão de modernizar o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA)”, diz Fátima Mattiello, coordenadora de Ciência, Tecnologia e Inovação nos Centros Regionais do INPE e membro do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Instituto.
O transponder digital poderá ser utilizado nos nanossatélites, em desenvolvimento no CRN/INPE, para o SBCDA, que atualmente opera com o CBERS-4, lançado em dezembro 2014, e ainda com SCD-1 e SCD-2, satélites lançados na década de 1990.
Os satélites do SBCDA retransmitem informações de centenas de plataformas de coletas de dados (PCDs) instaladas por todo o país e alimentam o Sistema Nacional de Dados Ambientais (SINDA), operado pelo CRN/INPE. Os dados do SINDA são usados por instituições governamentais e do setor privado que desenvolvem aplicações e pesquisas em diferentes áreas, como previsão meteorológica e climática, estudo da química da atmosfera, controle da poluição e avaliação do potencial de energias renováveis.
Fonte: INPE
.
sábado, 3 de outubro de 2015
"EUA e China iniciam um Diálogo Espacial Civil", artigo de José Monserrat Filho
.
EUA e China iniciam um Diálogo Espacial Civil
José Monserrat Filho *
“A paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos.” Albert Einstein (1879-1955)
Apesar das crescentes desavenças, ou por isso mesmo, EUA e China realizaram em Pequim, no dia 28 de setembro último, seu 1º Diálogo Espacial Civil. O evento foi criado no 7º Diálogo Estratégico e Econômico, em junho passado, quando os dois países “decidiram estabelecer consultas bilaterais regulares de governo a governo sobre cooperação espacial civil” e marcar para “antes do final de outubro”, na China, “o 1º Diálogo EUA-China de Cooperação Espacial Civil”, o que revela certa pressa. Também ficou resolvido manter intercâmbios sobre questões de segurança espacial, no âmbito do Diálogo EUA-China sobre Segurança, o que é muito sintomático.
Presidiram o Diálogo Espacial representantes da Administração Nacional Espacial da China (CNSA), Tian Yulong, e do Departamento de Estado dos EUA, Jonathan Margolis. A CNSA é a agência espacial chinesa. Deveria encontrar-se com a NASA e não com o Departamento de Estado.
John Logsdon, Professor Emérito de Ciência Política e de Assuntos Internacionais do Instituto de Política Espacial da Universidade George Washington, em Washington, EUA, tem apoiado a cooperação espacial EUA-China, que para ele “é questão mais política do que técnica”. Tanto que apelou ao Presidente Obama para que tome a iniciativa de negociar com o Congresso a revogação das restrições que obstruem essa parceria.
Com isso os EUA poderiam “convidar a China a trabalhar junto com os EUA e outros países em programas espaciais numa ampla variedade de atividades espaciais e, mais dramaticamente, em voos tripulados”, frisou Logsdon, lembrando a acoplagem entre a Apollo americana e a Soyuz soviética e “o aperto de mão” no espaço, em 1975, como “lições da história” que servem para hoje. “A iniciativa similar de os EUA e a China se juntarem em órbita seria um poderoso indicador da intenção das duas superpotências do século 21 de trabalharem juntas na Terra como no espaço”, completou Logsdon. A seu ver, “embora seja impressionante que a China tenha sido o terceiro país a lançar seus cidadãos ao espaço, a situação atual do programa chinês de voos tripulados equivale, mais ou menos, ao programa tripulado dos EUA no tempo do Gemini, há 50 anos”. Daí que “a China tem muito mais a aprender com os EUA em voos espaciais tripulados do que o contrário”.1
A entrevista de Logsdon é de 16 de junho deste ano. Uma semana depois, em 23 de junho, David Alexander, da Agência Reuters, ouviu a seguinte declaração do Vice-Secretário de Defesa dos EUA e Chefe de Operações do Pentágono, Robert Work: “A China empreende sério esforço para desafiar a superioridade militar dos EUA no espaço aéreo e no espaço exterior, forçando o Pentágono a buscar novas tecnologias e sistemas para se manter adiante do rápido desenvolvimento do rival”. E mais: “A China fecha rapidamente as lacunas tecnológicas, desenvolvendo aeronaves capazes de escapar de radares, aviões avançados de reconhecimento, mísseis sofisticados e de equipamentos de alto nível para guerra eletrônica”. Para reforçar seu pronunciamento, Robert Work citou a afirmativa do Vice-Presidente da “poderosa” Comissão Militar Central, Xu Qiliang, à Agência Xinhua, de que “a construção de nossos equipamentos militares está mudando da pesquisa de recuperação do atraso para inovações independentes.”
Robert Work falou na sessão inaugural da conferência sobre estudos a respeito dos planos aeroespaciais chineses, realizada em parceria com a Corporação RAND, antigo “think tank” de questões estratégicas, com o objetivo de pesquisar as “ambições aeroespaciais da China”.
A notícia da Reuters diz que a ideia da conferência surgiu depois que centenas de chineses participaram, em Washington, dos três dias do Diálogo Econômico e Estratégico EUA-China, destinado a tratar da cooperação mútua e também dos pontos de atrito.
Respondendo a uma pergunta da plateia, Roberto Work afirmou que “os líderes americanos e chineses vêem a relação bilateral como tendo lugar para medidas de cooperação e de competição”.
"Esperamos que, com o tempo, os aspectos de cooperação superam os aspectos competitivos", assinalou ele, e acrescentou; "Como no Departamento de Defesa estamos no limite da força (…), dizemos: 'Olha, aqui estão as capacidades que vemos que os chineses estão desenvolvendo; é importante para nós sermos capazes de nos opormos a elas'."
Citando estudo de Harvard sobre o aumento dos poderes em confronto com poderes estabelecidos, Robert Work observou que “a interação entre os dois poderes resulta muitas vezes em guerra”. Daí que o Departamento de Defesa deve "impedir que a competição internacional se torne mais aquecida." Perfeito.
Para ele, “os EUA sentem, em geral, que o melhor limite é uma dissuasão nuclear e convencional forte, capaz de superar qualquer rival”. Será mesmo o melhor limite?
Ocorre que, como Robert Work reconheceu, os EUA se basearam em superioridade tecnológica nos últimos 25 anos, e agora "a margem de superioridade tecnológica com a qual tanto nos acostumamos... está em constante erosão." Para remediar, explicou ele, o Pentágono trabalha para desenvolver novas tecnologias a fim de manter sua vantagem e diminuir o custo de responder aos ataques. Armas de energia direcionada, citou como exemplo, podem ser capazes de abater mísseis que custam cem vezes o preço de um choque de energia.2
A questão chave é saber se há, de fato, sinais claros de que a China planeja atacar os EUA. Isso ainda precisa ser comprovado. Seria um crime a China querer superar a liderança espacial dos EUA? E se a China tem medo do poderio dos EUA como os EUA hoje têm medo do poderio da China? Cooperar e competir ao mesmo tempo também não é pecado. Mas sem uso da força, claro.
Por isso, a estratégia de John Logsdon parece mais real, pacífica e construtiva do que a criação de novas armas descrita por Robert Work. O melhor é sentar e conversar civilizadamente.
Foi o que ocorreu no 1º Diálogo Espacial Civil entre EUA e China. A nova iniciativa reforça a cooperação entre os dois países e dá mais transparência a inúmeros problemas espaciais que precisam ser enfrentados com grande empenho.
Na reunião inaugural, americanos e chineses trocaram informações sobre suas políticas espaciais. Discutiram sobre como estimular maior colaboração para enfrentar o desafio do lixo espacial e da sustentabilidade a longo prazo das atividades espaciais. Também intercambiaram ideias sobre como prevenir colisões entre satélites.
As duas delegações contaram de seus planos nacionais com vistas à próxima reunião do Fórum Internacional de Exploração Espacial, além de debateram formas de cooperar mais sobre as atividades civis de observação da Terra, ciências espaciais, clima espacial e Sistemas de Navegação Global por Satélite (GNSS) civis.
EUA e China confirmaram a relevância do Diálogo Espacial Civil e reafirmaram que a iniciativa irá fortalecer suas relações de cooperação espacial e promover os resultados do Diálogo Estratégico e Econômico entre os dois países.
Eles também acertaram que o 2º Diálogo Espacial Civil terá lugar em Washington, em 2016.
Que esse diálogo se prolongue por tantos anos quanto forem necessários para que a paz, a segurança e a colaboração verdadeira triunfem em definitivo.
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Esse artigo expressa exclusivamente a opinião do autor.
Referências
1) Ver www.space.com/29671-china-nasa-space-station-cooperation.html. Isso foi o que o colunista Leonard David escreveu no Space.com, em 16 de junho passado.
2) Ver www.reuters.com/article/2015/06/23/us-china-usa-airforce.
.
EUA e China iniciam um Diálogo Espacial Civil
José Monserrat Filho *
“A paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos.” Albert Einstein (1879-1955)
Apesar das crescentes desavenças, ou por isso mesmo, EUA e China realizaram em Pequim, no dia 28 de setembro último, seu 1º Diálogo Espacial Civil. O evento foi criado no 7º Diálogo Estratégico e Econômico, em junho passado, quando os dois países “decidiram estabelecer consultas bilaterais regulares de governo a governo sobre cooperação espacial civil” e marcar para “antes do final de outubro”, na China, “o 1º Diálogo EUA-China de Cooperação Espacial Civil”, o que revela certa pressa. Também ficou resolvido manter intercâmbios sobre questões de segurança espacial, no âmbito do Diálogo EUA-China sobre Segurança, o que é muito sintomático.
Presidiram o Diálogo Espacial representantes da Administração Nacional Espacial da China (CNSA), Tian Yulong, e do Departamento de Estado dos EUA, Jonathan Margolis. A CNSA é a agência espacial chinesa. Deveria encontrar-se com a NASA e não com o Departamento de Estado.
John Logsdon, Professor Emérito de Ciência Política e de Assuntos Internacionais do Instituto de Política Espacial da Universidade George Washington, em Washington, EUA, tem apoiado a cooperação espacial EUA-China, que para ele “é questão mais política do que técnica”. Tanto que apelou ao Presidente Obama para que tome a iniciativa de negociar com o Congresso a revogação das restrições que obstruem essa parceria.
Com isso os EUA poderiam “convidar a China a trabalhar junto com os EUA e outros países em programas espaciais numa ampla variedade de atividades espaciais e, mais dramaticamente, em voos tripulados”, frisou Logsdon, lembrando a acoplagem entre a Apollo americana e a Soyuz soviética e “o aperto de mão” no espaço, em 1975, como “lições da história” que servem para hoje. “A iniciativa similar de os EUA e a China se juntarem em órbita seria um poderoso indicador da intenção das duas superpotências do século 21 de trabalharem juntas na Terra como no espaço”, completou Logsdon. A seu ver, “embora seja impressionante que a China tenha sido o terceiro país a lançar seus cidadãos ao espaço, a situação atual do programa chinês de voos tripulados equivale, mais ou menos, ao programa tripulado dos EUA no tempo do Gemini, há 50 anos”. Daí que “a China tem muito mais a aprender com os EUA em voos espaciais tripulados do que o contrário”.1
A entrevista de Logsdon é de 16 de junho deste ano. Uma semana depois, em 23 de junho, David Alexander, da Agência Reuters, ouviu a seguinte declaração do Vice-Secretário de Defesa dos EUA e Chefe de Operações do Pentágono, Robert Work: “A China empreende sério esforço para desafiar a superioridade militar dos EUA no espaço aéreo e no espaço exterior, forçando o Pentágono a buscar novas tecnologias e sistemas para se manter adiante do rápido desenvolvimento do rival”. E mais: “A China fecha rapidamente as lacunas tecnológicas, desenvolvendo aeronaves capazes de escapar de radares, aviões avançados de reconhecimento, mísseis sofisticados e de equipamentos de alto nível para guerra eletrônica”. Para reforçar seu pronunciamento, Robert Work citou a afirmativa do Vice-Presidente da “poderosa” Comissão Militar Central, Xu Qiliang, à Agência Xinhua, de que “a construção de nossos equipamentos militares está mudando da pesquisa de recuperação do atraso para inovações independentes.”
Robert Work falou na sessão inaugural da conferência sobre estudos a respeito dos planos aeroespaciais chineses, realizada em parceria com a Corporação RAND, antigo “think tank” de questões estratégicas, com o objetivo de pesquisar as “ambições aeroespaciais da China”.
A notícia da Reuters diz que a ideia da conferência surgiu depois que centenas de chineses participaram, em Washington, dos três dias do Diálogo Econômico e Estratégico EUA-China, destinado a tratar da cooperação mútua e também dos pontos de atrito.
Respondendo a uma pergunta da plateia, Roberto Work afirmou que “os líderes americanos e chineses vêem a relação bilateral como tendo lugar para medidas de cooperação e de competição”.
"Esperamos que, com o tempo, os aspectos de cooperação superam os aspectos competitivos", assinalou ele, e acrescentou; "Como no Departamento de Defesa estamos no limite da força (…), dizemos: 'Olha, aqui estão as capacidades que vemos que os chineses estão desenvolvendo; é importante para nós sermos capazes de nos opormos a elas'."
Citando estudo de Harvard sobre o aumento dos poderes em confronto com poderes estabelecidos, Robert Work observou que “a interação entre os dois poderes resulta muitas vezes em guerra”. Daí que o Departamento de Defesa deve "impedir que a competição internacional se torne mais aquecida." Perfeito.
Para ele, “os EUA sentem, em geral, que o melhor limite é uma dissuasão nuclear e convencional forte, capaz de superar qualquer rival”. Será mesmo o melhor limite?
Ocorre que, como Robert Work reconheceu, os EUA se basearam em superioridade tecnológica nos últimos 25 anos, e agora "a margem de superioridade tecnológica com a qual tanto nos acostumamos... está em constante erosão." Para remediar, explicou ele, o Pentágono trabalha para desenvolver novas tecnologias a fim de manter sua vantagem e diminuir o custo de responder aos ataques. Armas de energia direcionada, citou como exemplo, podem ser capazes de abater mísseis que custam cem vezes o preço de um choque de energia.2
A questão chave é saber se há, de fato, sinais claros de que a China planeja atacar os EUA. Isso ainda precisa ser comprovado. Seria um crime a China querer superar a liderança espacial dos EUA? E se a China tem medo do poderio dos EUA como os EUA hoje têm medo do poderio da China? Cooperar e competir ao mesmo tempo também não é pecado. Mas sem uso da força, claro.
Por isso, a estratégia de John Logsdon parece mais real, pacífica e construtiva do que a criação de novas armas descrita por Robert Work. O melhor é sentar e conversar civilizadamente.
Foi o que ocorreu no 1º Diálogo Espacial Civil entre EUA e China. A nova iniciativa reforça a cooperação entre os dois países e dá mais transparência a inúmeros problemas espaciais que precisam ser enfrentados com grande empenho.
Na reunião inaugural, americanos e chineses trocaram informações sobre suas políticas espaciais. Discutiram sobre como estimular maior colaboração para enfrentar o desafio do lixo espacial e da sustentabilidade a longo prazo das atividades espaciais. Também intercambiaram ideias sobre como prevenir colisões entre satélites.
As duas delegações contaram de seus planos nacionais com vistas à próxima reunião do Fórum Internacional de Exploração Espacial, além de debateram formas de cooperar mais sobre as atividades civis de observação da Terra, ciências espaciais, clima espacial e Sistemas de Navegação Global por Satélite (GNSS) civis.
EUA e China confirmaram a relevância do Diálogo Espacial Civil e reafirmaram que a iniciativa irá fortalecer suas relações de cooperação espacial e promover os resultados do Diálogo Estratégico e Econômico entre os dois países.
Eles também acertaram que o 2º Diálogo Espacial Civil terá lugar em Washington, em 2016.
Que esse diálogo se prolongue por tantos anos quanto forem necessários para que a paz, a segurança e a colaboração verdadeira triunfem em definitivo.
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Esse artigo expressa exclusivamente a opinião do autor.
Referências
1) Ver www.space.com/29671-china-nasa-space-station-cooperation.html. Isso foi o que o colunista Leonard David escreveu no Space.com, em 16 de junho passado.
2) Ver www.reuters.com/article/2015/06/23/us-china-usa-airforce.
.
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
WERICE Aeroespacial 2015
.
WERICE 2015 abordará efeitos da radiação cósmica em componentes de satélites e aviões
Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015
Até 18 de outubro, estão abertas as inscrições para o WERICE AEROESPACIAL 2015 - VI Workshop sobre os Efeitos das Radiações Ionizantes em Componentes Eletrônicos e Fotônicos de Uso Aeroespacial.
O evento acontece no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), de 3 a 5 de novembro.
Promovido pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv), o workshop conta com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e aborda os problemas decorrentes dos efeitos da radiação de origem cósmica em equipamentos embarcados em satélites e aeronaves.
O workshop reunirá empresas, instituições de pesquisa e universidades com competências nas áreas de interesse do Programa Espacial Brasileiro, para estimular a colaboração e o intercâmbio de ideias em temas como microeletrônica, computação, física nuclear e engenharia aeroespacial e no incentivo à pesquisa, desenvolvimento, inovação e transferência de conhecimentos para as empresas.
Durante o WERICE AEROESPACIAL 2015, representantes de órgãos governamentais de políticas e fomento à ciência e tecnologia, instituições de P&D, Design Houses, Universidades e empresas de microeletrônica e de equipamentos embarcados para o setor aeroespacial, que participam do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), defesa e outros correlatos, poderão discutir oportunidades e perspectivas do setor quanto à obtenção de componentes eletrônicos e fotônicos tolerantes à radiação cósmica. Também haverá apresentação de trabalhos técnicos e ações de desenvolvimento de recursos humanos por meio de minicursos sobre temas atuais de eletrônica embarcada para aplicação aeroespacial.
É também objetivo deste workshop apoiar a captação, formação e aperfeiçoamento de recursos humanos para o setor de microeletrônica da indústria aeroespacial e de defesa pela efetiva participação de estudantes de graduação e pós-graduação.
Mais informações e inscrições na página: http://portal.ieav.cta.br/eventos/werice/werice2015/
Fonte: INPE
.
WERICE 2015 abordará efeitos da radiação cósmica em componentes de satélites e aviões
Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015
Até 18 de outubro, estão abertas as inscrições para o WERICE AEROESPACIAL 2015 - VI Workshop sobre os Efeitos das Radiações Ionizantes em Componentes Eletrônicos e Fotônicos de Uso Aeroespacial.
O evento acontece no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), de 3 a 5 de novembro.
Promovido pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv), o workshop conta com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e aborda os problemas decorrentes dos efeitos da radiação de origem cósmica em equipamentos embarcados em satélites e aeronaves.
O workshop reunirá empresas, instituições de pesquisa e universidades com competências nas áreas de interesse do Programa Espacial Brasileiro, para estimular a colaboração e o intercâmbio de ideias em temas como microeletrônica, computação, física nuclear e engenharia aeroespacial e no incentivo à pesquisa, desenvolvimento, inovação e transferência de conhecimentos para as empresas.
Durante o WERICE AEROESPACIAL 2015, representantes de órgãos governamentais de políticas e fomento à ciência e tecnologia, instituições de P&D, Design Houses, Universidades e empresas de microeletrônica e de equipamentos embarcados para o setor aeroespacial, que participam do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), defesa e outros correlatos, poderão discutir oportunidades e perspectivas do setor quanto à obtenção de componentes eletrônicos e fotônicos tolerantes à radiação cósmica. Também haverá apresentação de trabalhos técnicos e ações de desenvolvimento de recursos humanos por meio de minicursos sobre temas atuais de eletrônica embarcada para aplicação aeroespacial.
É também objetivo deste workshop apoiar a captação, formação e aperfeiçoamento de recursos humanos para o setor de microeletrônica da indústria aeroespacial e de defesa pela efetiva participação de estudantes de graduação e pós-graduação.
Mais informações e inscrições na página: http://portal.ieav.cta.br/eventos/werice/werice2015/
Fonte: INPE
.
Cooperação Brasil - Reino Unido
.
INPE sedia workshop para discutir parceria entre Brasil e Reino Unido na área de estudos climáticos
Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015
Especialistas do Brasil e do Reino Unido se reuniram no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para identificar temas de estudos prioritários voltados aos desafios da ciência do clima para o desenvolvimento.
A rede de colaboração interdisciplinar envolve pesquisadores do Escritório de Meteorologia do Reino Unido (Met Office), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do próprio INPE.
O "Newton Scoping Workshop on Climate Science for Service Partnership" foi realizado entre os dias 28 e 30 de setembro com o objetivo de contribuir para a definição de um Programa de Pesquisa Brasil-Reino Unido. A iniciativa engloba uma chamada no âmbito do Programa Newton, mantido pelo Reino Unido para apoiar a colaboração em pesquisa com países parceiros.
Além de cientistas, participaram gestores e representantes das instituições de pesquisa brasileiras, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Met Office, do SIN/Newton Fund Network e da Embaixada e Consulado de São Paulo.
Fonte: INPE
.
INPE sedia workshop para discutir parceria entre Brasil e Reino Unido na área de estudos climáticos
Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015
Especialistas do Brasil e do Reino Unido se reuniram no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para identificar temas de estudos prioritários voltados aos desafios da ciência do clima para o desenvolvimento.
A rede de colaboração interdisciplinar envolve pesquisadores do Escritório de Meteorologia do Reino Unido (Met Office), do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do próprio INPE.
O "Newton Scoping Workshop on Climate Science for Service Partnership" foi realizado entre os dias 28 e 30 de setembro com o objetivo de contribuir para a definição de um Programa de Pesquisa Brasil-Reino Unido. A iniciativa engloba uma chamada no âmbito do Programa Newton, mantido pelo Reino Unido para apoiar a colaboração em pesquisa com países parceiros.
Além de cientistas, participaram gestores e representantes das instituições de pesquisa brasileiras, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), do Met Office, do SIN/Newton Fund Network e da Embaixada e Consulado de São Paulo.
Fonte: INPE
.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
ARSAT-2, da Argentina, em órbita
Foi lançado com sucesso hoje (30), a partir de Kourou, na Guiana Francesa, o ARSAT-2, segundo satélite de comunicações construído na Argentina, a bordo do venerável Ariane 5 em sua 68ª missão consecutiva bem sucedida. Na mesma missão, operada pela Arianespace, também foi colocado em órbita um satélite australiano para comunicações em banda larga.
Construído pela estatal INVAP, o ARSAT-2 será operado pela também estatal Empresa Argentina de Soluciones Satelitales Sociedad Anónima - ARSAT, oferecendo comunicações para transmissão de sinais de TV, acesso a internet e telefonia. O primeiro satélite da série foi colocado em órbita em outubro do ano passado.
Poucas horas antes do lançamento do ARSAT-2, a operadora argentina assinou um novo contrato com a operadora do Ariane 5 para o lançamento do terceiro satélite da família, com opção para duas missões adicionais. O ARSAT-3, com massa estimada de 3.000 kg, deve seguir ao espaço em 2019, com as opções, caso exercidas, planejadas para o período entre 2020 e 2023.
Sobre o novo contrato, Stéphane Israël, presidente da Arianespace, afirmou em nota: "Eu gostaria de agradecer a ARSAT por confiar à Arianespace com o lançamento de seus futuros satélites. O contrato firmado hoje e as duas opções impulsionam a forte parceria que temos tido por mais de cinco anos. Estamos também muito orgulhosos com o fato de que este contrato vem no mesmo dia da assinatura de um acordo entre a França e a Argentina para uma ampla cooperação espacial."
.
Assinar:
Postagens (Atom)

