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Universidade de Beijing oferece bolsas de mestrado em ciência espacial
Brasília, 29 de janeiro de 2016 – O Centro Regional para Ciência Espacial e Educação Tecnológica na Ásia e no Pacífico (RCSSTEAP – China) oferece três bolsas de estudos para Mestrado na Beijing University of Aeronautics and Astronautics (BUAA), com início em Setembro deste ano.
As áreas contempladas pelos Programas de Mestrado Master Program on Space Technology Applications (Masta) são Sistemas Globais de Navegação por Satélite (GNSS); Sensoriamento Remoto e Sistema de Geo-Informação (RS&GIS); e Direito e Política Espacial.
Os interessados serão pré-selecionados pela Agência Espacial Brasileira (AEB) cabendo a Universidade a seleção final.
São pré-requisitos para os candidatos ter menos de 40 anos até o próximo dia 15 de março; ter experiência profissional na área; ter bacharelado, disciplina relevante ou similar ao diploma de bacharel; experiência de pesquisa nas áreas relevantes; bom domínio da língua inglesa e capacidade de acompanhar aulas nesse idioma.
Interessados devem preencher e enviar seu currículo, acompanhado do documento Basic Information of the Candidates for Masta 2016, para o e-mail buaa2016@aeb.gov.br até o próximo dia 1º de março de 2016.
Os candidatos selecionados para a segunda etapa terão até o dia 15 de março para fazer a inscrição final, de acordo com instruções a serem fornecidas pela AEB.
Informações suplementares com a Assessoria de Cooperação Internacional – aci@aeb.gov.br – 34115546.
Basic Information of the Candidates for MASTA 2016
Fonte: AEB
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sábado, 30 de janeiro de 2016
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Ariane 5: 70º sucesso consecutivo
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Foi realizado na noite de ontem (27), a partir de Kourou, na Guiana Francesa, o 70º lançamento consecutivo bem sucedido do lançador europeu Ariane 5, operado pela Arianespace.
O foguete levava a bordo um satélite de comunicações de nova geração da operadora Intelsat. Ressaltando a confiabilidade do lançador, François Auque, chefe de Sistemas Espaciais da Airbus Defence and Space, prime-contractor do Ariane 5, afirmou em nota: "Este primeiro voo bem sucedido de 2016 destaca mais uma vez a extraordinária confiabilidade do lançador europeu AriAne 5, um dos maiores e mais complexos sistemas de lançamento do mundo."
A missão teve duas características interessantes: envolveu a colocação em órbita de um único satélite de comunicações por um mesmo Ariane 5, o que é um contraste em relação à configuração típica deste lançador, com duas cargas úteis para missões para órbitas de transferência geoestacionária; e também foi o primeiro voo realizado pela empresa no mês de janeiro desde 2002 (na época, um Ariane 4), período que, por suas características climáticas, raramente permite lançamentos de Kourou.
2016 deverá ser um ano bastante movimentado para a Arianespace. Ao todo, a empresa planeja executar 11 missões ao longo deste ano, abrangendo voos do Ariane 5 (até 8 lançamentos, um recorde), do russo Soyuz e do italiano Vega, de médio porte.
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
"Da Guerra Pré-histórica à Guerra no Espaço", artigo de José Monserrat Filho
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Da Guerra Pré-histórica à Guerra no Espaço
José Monserrat Filho *
“É muito lenta a vida
E violenta demais toda esperança.” Guillaume Apollinaire (1880-1918), poeta francês¹
A guerra entre os humanos é mais antiga do que se pensava. Surgiu antes da agricultura e da vida sedentária, quando alguns grupos já detinham bens e ocupavam zonas de boa alimentação que outros grupos também necessitavam.
A ideia está sugerida na pesquisa publicada na revista inglesa Nature2, de 21 de janeiro, que descreve o massacre de 12 caçadores-coletores ocorrido há cerca de 10 mil anos, em Nataruk, no Quênia, África. O grupo todo era formado por 27 esqueletos insepultos, com pelo menos oito mulheres e seis crianças. O trabalho analisa a “Violência entre grupos de caçadores-coletores no início da Holoceno3, no Oeste da Turkana, Quênia” e foi realizado por arqueólogos do Centro Leverhulme para Estudos da Evolução Humana (Leverhulme Centre for Human Evolutionary Studies – LCHES) da Universidade de Cambridge, Reino Unido, sob a liderança de Marta Mirazón Lahr. Marta lecionou na Universidade de São Paulo (USP), onde se graduou em Biologia.
A Folha de S. Paulo logo repercutiu o estudo, em 22 de janeiro, com um bom texto de Reinaldo José Lopes. Apenas o título “A guerra mais antiga do mundo” é difícil de aceitar. Cientificamente indefensável, comete o pecado mortal do sensacionalismo. Sem fundamento, não merece estremecer uma página de ciência. Nada semelhante aparece no artigo da Nature. Mas a heresia pode não ser do autor. Seu mesmo texto, divulgado na Folha on-line, intitula-se, sensatamente, “Antropólogos acham 12 esqueletos de vítimas de guerra pré-histórica”4.
Marta e seus colegas concluíram que o ataque não foi casual, mas premeditado, planejado. Há indícios de conflito similar a uma guerra preparada. As atrocidades incluem o uso de pontas de pedra enfiadas no crânio ou em outras partes do corpo das vítimas, além de fraturas, cortes e esmagamento de ossos. Algumas vítimas, pelo visto, tiveram mãos e pés amarrados. Entre os sacrificados, aparentemente imobilizados, havia uma mulher na última fase de gestação.
As pontas de pedra encontradas dentro dos esqueletos, diz Marta, eram certamente de flechas. Os agressores, ao que parece, também usavam flechas sem ponta – como varetas afiadas –, porretes de dois tamanhos diferentes e uma arma – provavelmente um pedaço de madeira com lâminas nele inseridas – que provocou cortes profundos no rosto de duas das vítimas.
Em duas das três pontas de flechas inseridas nos esqueletos havia obsidiana, ou seja, vidro vulcânico – resultado de erupções, claro. Esse arsenal levou Marta a presumir que a chacina foi uma ação premeditada. Os caçadores-coletores não costumavam ir à caça levando tais armas, úteis e eficazes tanto para uso próximo como à distância. Entre as vítimas, havia muitas mulheres. Isso exclui a hipótese de um sequestro de concubinas, comum à época.
Os atacantes teriam vindo de longo e agido de forma planejada. O material trazido não existia no local da matança. O objetivo estratégico seria dominar a área dos atacados, onde haveria mais caça e recursos naturais a recolher.
Pulando 10 mil anos, chegamos a uma crueldade ainda maior. Ela envolve o preparo das guerras nuclear e no espaço, ainda não proibidas formalmente. Mas suas consequências deletérias são consideradas ilimitadas, incontroláveis, incalculáveis e imprevisíveis. Sobre o poder destrutivo dos ataques nucleares, por restritos que sejam, basta lembrar o que acorreu em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, nos dias 7 e 9 de agosto de 1945: mais de 240 mil vítimas civis.5
A inaudita violência comoveu poetas. Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) escreveu: “A bomba tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia.. A bomba envenena as crianças antes que comece a nascer/A bomba continua a envenená-las no curso da vida... A bomba é podre.” E Vinícius de Moraes (1913-1980) pediu: “Pensem nas crianças/Mudas telepáticas/Pensem nas meninas/Cegas inexatas/Pensem nas mulheres/Rotas alteradas/Pensem nas feridas/Como rosas cálidas/Mas oh não se esqueçam/Da rosa da rosa/Da rosa de Hiroxima/A rosa hereditária/A rosa radioativa/Estúpida e inválida/A rosa com cirrose/A antirrosa atômica...”6
O mundo tem hoje cerca de 15.850 armas nucleares, 4300 delas à disposição de forças operacionais e 1.800 mantidas em estado de alerta máximo. O arsenal pertence a nove países: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. A informação é do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo7 (Stockholm International Research Peace Institute – Sipri) e foi divulgada no início de 2015. O número de armas nucleares tem declinado lentamente, é certo, graças aos acordos entre EUA e Rússia. Em compensação, tais armas vem sendo modernizadas cada vez mais, para lhes ampliar a eficiência. Estima-se que são suficientes para aniquilar as 100 maiores regiões metropolitanas do mundo.
Uma guerra no espaço também poderá causar danos e perdas indizíveis à humanidade. É capaz de desativar sistemas satelitais de comunicação, televisão, internet, navegação e localização, previsão meteorológica, gerenciamento de desastres naturais ou provocados, socorro e salvamento de acidentados, monitoramento de recursos naturais, vigilância planetária, pesquisas astronômicas etc. Uma confrontação desse tipo, embora possa começar no espaço, tem chances de deflagar uma guerra total na Terra, como advertiu a revista American Scientific Brasil, no recente artigo “Guerra no espaço pode estar mais perto que nunca”.
Há muitos modos de desativar, cegar ou destruir satélites, além de explodi-los com mísseis. Uma nave espacial pode simplesmente se aproximar de um satélite e lançar tinta em seus dispositivos ópticos, ou quebrar suas antenas de comunicação, ou ainda desestabilizar sua órbita. Raios laser podem desmobilizar temporariamente ou danificar para sempre os componentes de um satélite, em especial seus delicados sensores. Ondas de rádio ou micro-ondas podem bloquear ou sequestrar as transmissões para ou dos controladores em solo. A perspectiva de guerra no espaço não é nova. Já se pensava nisso antes do lançamento do Sputnik-1, da ex-União Soviética, que inaugurou a Era Espacial em 4 de outubro de 1957. Armamentos e mísseis antissatélites começaram a ser projetados no fim dos anos 50.8 Os EUA chegaram até a testar bombas nucleares no espaço antes que o Tratado do Espaço de 1967 proibisse, em seu Artigo 4º, a colocação de armas de destruição em massa em órbitas terrestres.9
O Tratado do Espaço também não legaliza a guerra no espaço. Basta ler seu Artigo 1º: “A exploração e o uso do espaço cósmico, inclusive da Lua e demais corpos celestes, deverão ter em mira o bem e interesse de todos os países, qualquer que seja o estágio de seu desenvolvimento econômico e científico, e são incumbência de toda a humanidade.” E seu Artigo 3º: “As atividades dos Estados Partes deste Tratado, relativas à exploração e ao uso do espaço cósmico, inclusive da Lua e demais corpos celestes, deverão efetuar-se em conformidade com o direito internacional, inclusive a Carta das Nações Unidas, com a finalidade de manter a paz e a segurança internacional e de favorecer a cooperação e a compreensão internacionais.” Já em seu Preâmbulo o Tratado do Espaço lavra o desejo de todos os Estados Partes de “contribuir para o desenvolvimento de ampla cooperação internacional no que concerne aos aspectos científicos e jurídicos da exploração e uso do espaço cósmico para fins pacíficos”.
Nem em passado relativamente recente, nem muito menos na pré-história, havia normas ou preceitos similares. Hoje há. Como, então, justificar a violência no espaço diante de princípios pacíficos e construtivos consagrados pela maioria absoluta dos países do mundo?
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: jose.monserrat.filho@gmail.com.
Referências
1) A ponte de Mirabeau, de Guillaume Apollinaire, poema escrito em 1912, tradução de Nelson Ascher, Folha de S. Paulo, Ilustríssima, 24 de janeiro de 2016, p. 8.
2) Ver http://www.nature.com/nature/journal/v529/n7586/full/nature16477.html.
3) O Holoceno é um termo geológico para definir o período que se estende de 12 ou 10 mil anos – quando terninaram os efeitos da última glaciação – até a contemporalidade. Ver http://www.ecodebate.com.br/2012/08/08/holoceno-e-antropoceno-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.
4) www1.folha.uol.com.br/ciencia/2016/01/1732253-antropologos-acham-12-esquletos-de-vitimas-de-guerra-pre-historica.shtml.
5) https://umhistoriador.wordpress.com/2012/07/15/hiroshima-e-nagasaki-o-maior-crime-de-guerra-contra-a-humanidade-segue-impune/.
6) http://www.academia.edu/3776200/A_Bomba_de_Carlos_Drummond_de_Andrade; www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/rosa-de-hiroxima.
7) http://www.sipri.org/media/pressreleases/2015/yb-june-2015.
8) www2.uol.com.br/sciam/noticias/guerra_no_espaco_pode_estar_mais_perto_que_nunca .html.
9) Ver na seção de textos do site www.sbda.org.br.
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Da Guerra Pré-histórica à Guerra no Espaço
José Monserrat Filho *
“É muito lenta a vida
E violenta demais toda esperança.” Guillaume Apollinaire (1880-1918), poeta francês¹
A guerra entre os humanos é mais antiga do que se pensava. Surgiu antes da agricultura e da vida sedentária, quando alguns grupos já detinham bens e ocupavam zonas de boa alimentação que outros grupos também necessitavam.
A ideia está sugerida na pesquisa publicada na revista inglesa Nature2, de 21 de janeiro, que descreve o massacre de 12 caçadores-coletores ocorrido há cerca de 10 mil anos, em Nataruk, no Quênia, África. O grupo todo era formado por 27 esqueletos insepultos, com pelo menos oito mulheres e seis crianças. O trabalho analisa a “Violência entre grupos de caçadores-coletores no início da Holoceno3, no Oeste da Turkana, Quênia” e foi realizado por arqueólogos do Centro Leverhulme para Estudos da Evolução Humana (Leverhulme Centre for Human Evolutionary Studies – LCHES) da Universidade de Cambridge, Reino Unido, sob a liderança de Marta Mirazón Lahr. Marta lecionou na Universidade de São Paulo (USP), onde se graduou em Biologia.
A Folha de S. Paulo logo repercutiu o estudo, em 22 de janeiro, com um bom texto de Reinaldo José Lopes. Apenas o título “A guerra mais antiga do mundo” é difícil de aceitar. Cientificamente indefensável, comete o pecado mortal do sensacionalismo. Sem fundamento, não merece estremecer uma página de ciência. Nada semelhante aparece no artigo da Nature. Mas a heresia pode não ser do autor. Seu mesmo texto, divulgado na Folha on-line, intitula-se, sensatamente, “Antropólogos acham 12 esqueletos de vítimas de guerra pré-histórica”4.
Marta e seus colegas concluíram que o ataque não foi casual, mas premeditado, planejado. Há indícios de conflito similar a uma guerra preparada. As atrocidades incluem o uso de pontas de pedra enfiadas no crânio ou em outras partes do corpo das vítimas, além de fraturas, cortes e esmagamento de ossos. Algumas vítimas, pelo visto, tiveram mãos e pés amarrados. Entre os sacrificados, aparentemente imobilizados, havia uma mulher na última fase de gestação.
As pontas de pedra encontradas dentro dos esqueletos, diz Marta, eram certamente de flechas. Os agressores, ao que parece, também usavam flechas sem ponta – como varetas afiadas –, porretes de dois tamanhos diferentes e uma arma – provavelmente um pedaço de madeira com lâminas nele inseridas – que provocou cortes profundos no rosto de duas das vítimas.
Em duas das três pontas de flechas inseridas nos esqueletos havia obsidiana, ou seja, vidro vulcânico – resultado de erupções, claro. Esse arsenal levou Marta a presumir que a chacina foi uma ação premeditada. Os caçadores-coletores não costumavam ir à caça levando tais armas, úteis e eficazes tanto para uso próximo como à distância. Entre as vítimas, havia muitas mulheres. Isso exclui a hipótese de um sequestro de concubinas, comum à época.
Os atacantes teriam vindo de longo e agido de forma planejada. O material trazido não existia no local da matança. O objetivo estratégico seria dominar a área dos atacados, onde haveria mais caça e recursos naturais a recolher.
Pulando 10 mil anos, chegamos a uma crueldade ainda maior. Ela envolve o preparo das guerras nuclear e no espaço, ainda não proibidas formalmente. Mas suas consequências deletérias são consideradas ilimitadas, incontroláveis, incalculáveis e imprevisíveis. Sobre o poder destrutivo dos ataques nucleares, por restritos que sejam, basta lembrar o que acorreu em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, nos dias 7 e 9 de agosto de 1945: mais de 240 mil vítimas civis.5
A inaudita violência comoveu poetas. Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) escreveu: “A bomba tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia.. A bomba envenena as crianças antes que comece a nascer/A bomba continua a envenená-las no curso da vida... A bomba é podre.” E Vinícius de Moraes (1913-1980) pediu: “Pensem nas crianças/Mudas telepáticas/Pensem nas meninas/Cegas inexatas/Pensem nas mulheres/Rotas alteradas/Pensem nas feridas/Como rosas cálidas/Mas oh não se esqueçam/Da rosa da rosa/Da rosa de Hiroxima/A rosa hereditária/A rosa radioativa/Estúpida e inválida/A rosa com cirrose/A antirrosa atômica...”6
O mundo tem hoje cerca de 15.850 armas nucleares, 4300 delas à disposição de forças operacionais e 1.800 mantidas em estado de alerta máximo. O arsenal pertence a nove países: Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte. A informação é do Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo7 (Stockholm International Research Peace Institute – Sipri) e foi divulgada no início de 2015. O número de armas nucleares tem declinado lentamente, é certo, graças aos acordos entre EUA e Rússia. Em compensação, tais armas vem sendo modernizadas cada vez mais, para lhes ampliar a eficiência. Estima-se que são suficientes para aniquilar as 100 maiores regiões metropolitanas do mundo.
Uma guerra no espaço também poderá causar danos e perdas indizíveis à humanidade. É capaz de desativar sistemas satelitais de comunicação, televisão, internet, navegação e localização, previsão meteorológica, gerenciamento de desastres naturais ou provocados, socorro e salvamento de acidentados, monitoramento de recursos naturais, vigilância planetária, pesquisas astronômicas etc. Uma confrontação desse tipo, embora possa começar no espaço, tem chances de deflagar uma guerra total na Terra, como advertiu a revista American Scientific Brasil, no recente artigo “Guerra no espaço pode estar mais perto que nunca”.
Há muitos modos de desativar, cegar ou destruir satélites, além de explodi-los com mísseis. Uma nave espacial pode simplesmente se aproximar de um satélite e lançar tinta em seus dispositivos ópticos, ou quebrar suas antenas de comunicação, ou ainda desestabilizar sua órbita. Raios laser podem desmobilizar temporariamente ou danificar para sempre os componentes de um satélite, em especial seus delicados sensores. Ondas de rádio ou micro-ondas podem bloquear ou sequestrar as transmissões para ou dos controladores em solo. A perspectiva de guerra no espaço não é nova. Já se pensava nisso antes do lançamento do Sputnik-1, da ex-União Soviética, que inaugurou a Era Espacial em 4 de outubro de 1957. Armamentos e mísseis antissatélites começaram a ser projetados no fim dos anos 50.8 Os EUA chegaram até a testar bombas nucleares no espaço antes que o Tratado do Espaço de 1967 proibisse, em seu Artigo 4º, a colocação de armas de destruição em massa em órbitas terrestres.9
O Tratado do Espaço também não legaliza a guerra no espaço. Basta ler seu Artigo 1º: “A exploração e o uso do espaço cósmico, inclusive da Lua e demais corpos celestes, deverão ter em mira o bem e interesse de todos os países, qualquer que seja o estágio de seu desenvolvimento econômico e científico, e são incumbência de toda a humanidade.” E seu Artigo 3º: “As atividades dos Estados Partes deste Tratado, relativas à exploração e ao uso do espaço cósmico, inclusive da Lua e demais corpos celestes, deverão efetuar-se em conformidade com o direito internacional, inclusive a Carta das Nações Unidas, com a finalidade de manter a paz e a segurança internacional e de favorecer a cooperação e a compreensão internacionais.” Já em seu Preâmbulo o Tratado do Espaço lavra o desejo de todos os Estados Partes de “contribuir para o desenvolvimento de ampla cooperação internacional no que concerne aos aspectos científicos e jurídicos da exploração e uso do espaço cósmico para fins pacíficos”.
Nem em passado relativamente recente, nem muito menos na pré-história, havia normas ou preceitos similares. Hoje há. Como, então, justificar a violência no espaço diante de princípios pacíficos e construtivos consagrados pela maioria absoluta dos países do mundo?
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: jose.monserrat.filho@gmail.com.
Referências
1) A ponte de Mirabeau, de Guillaume Apollinaire, poema escrito em 1912, tradução de Nelson Ascher, Folha de S. Paulo, Ilustríssima, 24 de janeiro de 2016, p. 8.
2) Ver http://www.nature.com/nature/journal/v529/n7586/full/nature16477.html.
3) O Holoceno é um termo geológico para definir o período que se estende de 12 ou 10 mil anos – quando terninaram os efeitos da última glaciação – até a contemporalidade. Ver http://www.ecodebate.com.br/2012/08/08/holoceno-e-antropoceno-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.
4) www1.folha.uol.com.br/ciencia/2016/01/1732253-antropologos-acham-12-esquletos-de-vitimas-de-guerra-pre-historica.shtml.
5) https://umhistoriador.wordpress.com/2012/07/15/hiroshima-e-nagasaki-o-maior-crime-de-guerra-contra-a-humanidade-segue-impune/.
6) http://www.academia.edu/3776200/A_Bomba_de_Carlos_Drummond_de_Andrade; www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/rosa-de-hiroxima.
7) http://www.sipri.org/media/pressreleases/2015/yb-june-2015.
8) www2.uol.com.br/sciam/noticias/guerra_no_espaco_pode_estar_mais_perto_que_nunca .html.
9) Ver na seção de textos do site www.sbda.org.br.
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terça-feira, 26 de janeiro de 2016
Comitê de busca para diretor do INPE
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MCTI institui comitê de busca para diretor do INPE
Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016
Nesta sexta-feira (22/1), foi publicada no Diário Oficial da União a portaria que institui o comitê de busca que irá subsidiar o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Celso Pansera, na escolha do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Confira aqui a portaria n°73/2016 do MCTI.
O comitê será presidido por Marco Antonio Raupp, do Parque Tecnológico de São José dos Campos, e tem ainda como membros: Rogério Cézar Cerqueira Leite, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Luiz Bevilacqua, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Helena Bonciani Nader, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); e Reginaldo dos Santos, da Empresa Binacional Alcântara Cyclone Space (ACS).
O processo de seleção para o cargo de diretor do INPE, cujo mandato é de quatro anos, é realizado por meio de comitê de especialistas que recebe e avalia as inscrições dos interessados. A seleção dará origem a uma lista tríplice a ser encaminhada ao ministro do MCTI, que escolherá o diretor entre os três nomes indicados pelo comitê.
Esse sistema de escolha de dirigentes foi instituído pelo MCTI para os cargos de Direção de suas Unidades de Pesquisa. Os procedimentos para inscrições a próximo diretor do INPE ainda serão divulgados.
O atual diretor do INPE, Leonel Perondi, assumiu em maio de 2012, durante a gestão do ministro Marco Antonio Raupp.
Fonte: INPE
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MCTI institui comitê de busca para diretor do INPE
Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016
Nesta sexta-feira (22/1), foi publicada no Diário Oficial da União a portaria que institui o comitê de busca que irá subsidiar o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Celso Pansera, na escolha do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Confira aqui a portaria n°73/2016 do MCTI.
O comitê será presidido por Marco Antonio Raupp, do Parque Tecnológico de São José dos Campos, e tem ainda como membros: Rogério Cézar Cerqueira Leite, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Luiz Bevilacqua, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Helena Bonciani Nader, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); e Reginaldo dos Santos, da Empresa Binacional Alcântara Cyclone Space (ACS).
O processo de seleção para o cargo de diretor do INPE, cujo mandato é de quatro anos, é realizado por meio de comitê de especialistas que recebe e avalia as inscrições dos interessados. A seleção dará origem a uma lista tríplice a ser encaminhada ao ministro do MCTI, que escolherá o diretor entre os três nomes indicados pelo comitê.
Esse sistema de escolha de dirigentes foi instituído pelo MCTI para os cargos de Direção de suas Unidades de Pesquisa. Os procedimentos para inscrições a próximo diretor do INPE ainda serão divulgados.
O atual diretor do INPE, Leonel Perondi, assumiu em maio de 2012, durante a gestão do ministro Marco Antonio Raupp.
Fonte: INPE
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
Reportagem sobre o Programa Espacial Brasileiro
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A edição do último mês de dezembro da revista "Retrato do Brasil" traz uma reportagem especial de capa, de 16 páginas, que aborda em detalhes o atual momento e as perspectivas do Programa Espacial Brasileiro.
Apesar do viés ideológico, o texto, intitulado "Por uma nova missão espacial brasileira" e de autoria de Raimundo Rodrigues Pereira apresenta um ampla visão sobre diferentes segmentos do programa nacional, abordando temas como os lançadores, projetos de satélites e a crônica falta de recursos. Trata-se de uma interessante leitura para o final de semana. Para acessar o texto, clique aqui.
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A edição do último mês de dezembro da revista "Retrato do Brasil" traz uma reportagem especial de capa, de 16 páginas, que aborda em detalhes o atual momento e as perspectivas do Programa Espacial Brasileiro.
Apesar do viés ideológico, o texto, intitulado "Por uma nova missão espacial brasileira" e de autoria de Raimundo Rodrigues Pereira apresenta um ampla visão sobre diferentes segmentos do programa nacional, abordando temas como os lançadores, projetos de satélites e a crônica falta de recursos. Trata-se de uma interessante leitura para o final de semana. Para acessar o texto, clique aqui.
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"À espera do inesperado no espaço", artigo de José Monserrat Filho
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À espera do inesperado no espaço
José Monserrat Filho *
“Para sermos honestos, temos de perguntar a nós mesmos o que estamos deixando de perceber em nossa própria época.” Joshua Cooper Ramo (1968-), em “A Era do Inconcebível”1
Se você disser que o espaço é caixinha de surpresas, como o futebol, estará errando apenas no diminutivo. O espaço é a maior caixa de surpresas que se pode imaginar. São surpresas próprias da natureza e agora também causadas pelos terráqueos. Desde 1957 – há quase 60 anos, portanto – nós, os humanos, liderados por grandes potências, nos lançamos à conquista do espaço, seja próximo ou distante do nosso planeta. Isso tem produzido avanços muito importantes e úteis, mas também um sem-número de repentinas ameaças e sustos. A questão que fica dessa experiência toda é: Como enfrentar o inesperado? Ou melhor, como estar preparado para o inesperado?
A última pergunta foi formulada por Skot Butler, vice-presidente da Intelsat para Redes de Satélites e Serviços Espaciais, perante o 17º Simpósio Anual Global MilSatCom2 (Satélites Globais de Comunicação Militar), reunido em Londres, de 3 a 5 de novembro de 2015. Segundo notícia de 7 de janeiro de 2016 sobre esse evento, “a comunidade de satélites comerciais vem se preparando há anos para o inesperado, em parceria com os militares”3.
A informação cita três exemplos: Frota Skynet, parceria público-privada com sede no Reino Unido; a joint venture SES-Luxembourg para construir e operar satélites comerciais com frequências militares; e a carga útil de UHF da Intelsat para a Força de Defesa da Austrália.
Mas, até onde se sabe e até agora pelo menos, nada ocorreu de inesperado – nenhum ataque, e nem sequer ameaça de ataque. Ocorreu exatamente o que já se previa e pretendia de antemão: o incremento da indústria espacial militar. O que confirma a dúvida de sempre: as notícias sobre planos e ações de impiedosos vilões internacionais são verdadeiras ou apenas campanhas midiáticas sobre perigos e tensões alarmantes para justificar as encomendas milionárias indispensáveis ao faturamento das imensas corporações da indústria de armamentos e equipamentos afins, que garantem seu permanente crescimento?4
Isso sem falar que as vendas de armas e serviços militares pelas 100 principais empresas do setor andam em torno de 400 bilhões de dólares – informou o respeitável Instituto Internacional de Pesquisa da Paz, de Estocolmo, Suécia (Stockholm International Peace Research Institute – SIPRI5), em 14 de dezembro de 2015. É um negócio fabuloso. O único problema é que você tem que estar o tempo todo criando inimigos, incitando focos de tensão e estimulando rivalidades, conflitos e guerras. A paz e a solução pacífica das controvérsias põem todo esse comércio a perder.
Considerações morais e sobre direitos humanos também não ajudam. Natalie J. Goldring, pesquisadora da área de segurança da Universidade Georgetown, em Washington, revelou que os Estados Unidos (EUA) documentam há anos os abusos da Arábia Saudita em direitos humanos, mas que, mesmo assim, continuam fornecendo armas em quantidades ilimitadas ao governo saudita. Entre 2010-2014, os principais provedores de armas à Arábia Saudita foram o Reino Unido, com 36%, e EUA, com 35%, ficando a França num distante 3º lugar, com apenas 6%. Nos últimos anos, a venda de armas ao Oriente Médio atingiu níveis sem precedentes. A Arábia Saudita encabeça a lista de clientes com compras que superam os 49 bilhões de dólares6. Quem se atreverá a falar em direitos humanos diante de tal fortuna? O atrevimento é que seria inesperado.
Princípios democráticos igualmente não funcionam quando “big businesses” estão em jogo, como exemplifica Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia (2001), professor da Universidade de Colúmbia e economista-chefe do Institute Roosevelt, em recente artigo em O Globo, intitulado “Nova Geoeconomia”7. Stiglitz comenta que “os EUA concluíram negociações secretas sobre aquilo que poderá se tornar o pior acordo comercial em décadas, a chamada Parceria Transpacífica (TPP)”. A seu ver, o capítulo sobre “investimentos” do acordo “infringe seriamente as legislações ambiental, de saúde e segurança, e até mesmo regulamentações financeiras, com impactos macroeconômicos”.
Além do mais, nota Stiglitz, “o capítulo concede aos investidores estrangeiros o direito de processar governos em tribunais privados internacionais, quando julgarem que as regras governamentais infringem os termos da TPP (especificados em mais de seis mil páginas). No passado, tais tribunais interpretaram a exigência de que os investidores estrangeiros recebam um 'tratamento justo e equânime' como base para derrubar regulamentações dos governos – inclusive se não forem discriminatórias e tiverem sido adotadas simplesmente para proteger cidadãos de riscos flagrantes”.
Stiglitz salienta ainda que o Presidente dos EUA “disse reiteradas vezes que a TPP determinaria quem – EUA ou China – escreveria as regras comerciais do século XXI”, quando “a abordagem correta é chegar a tais regras coletivamente, com todas as vozes ouvidas, e de forma transparente”. O renomado economista considera que, por esse caminho, a Casa Branca “buscou perpetuar os negócios de sempre”, ou seja, “as regras que governam o comércio e os investimentos globais são escritas por corporações americanas para corporações americanas”. E conclui: “isso deveria ser inaceitável a qualquer pessoa comprometida com os princípios democráticos”.
Não foi precisamente isso o que ocorreu com a nova lei americana8 que estabelece o direito de propriedade privada dos cidadãos americanos e de suas empresas sobre as riquezas minerais por eles extraídas nos asteroides e outros corpos celestes? A nova lei, sancionada pelo Presidente dos EUA em 25 de novembro passado, passa por cima do Tratado do Espaço de 1967, que proclama o espaço como bem comum da humanidade e, por isso, proíbe ali qualquer tipo de apropriação. Quem é capaz de jurar com a mão sobre a Bíblia que as grandes corporações interessadas nesta oportunidade ímpar de negócios – já estimados em trilhões de dólares –, não exerceram nenhum tipo de lobby sobre o Congresso e a própria Casa Branca para a rápida aprovação da lei?
Stiglitz encerra seu artigo, com uma recomendação louvável – aplicável também à lei de privatização dos recursos espaciais em benefício das empresas americanas: “Em 2016, devemos torcer para o fracasso da TPP e o começo de uma nova era dos acordos comerciais, que não beneficie os poderosos e puna os fracos. O acordo de Paris sobre mudanças do clima pode ser um prenúncio do espírito e da mentalidade necessários para sustentar uma cooperação global genuína.”
De minha parte, fecho com as palavras de Kofi Annan, ex-secretário geral das Nações Unidas, lavradas no artigo “Em defesa da liderança do cidadão”, publicado em O Globo deste 20 de janeiro9: “Interesses próprios mesquinhos e de curto prazo obscurecem a compreensão do quão interdependentes são os nossos destinos num mundo verdadeiramente global.”
Mas, sinceramente, o que há de inesperado nisso tudo?
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial (IISL), Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (AIA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MTCI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail:.
Referências
1) Ramo, Joshua Cooper, A Era do Inconcebível – Por que a atual desordem do mundo não deixa de nos surpreender e o que podemos fazer, São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 134.
2) Ver http://www.defenseconference.com/?p=606.
3) Ver www.spacedaily.com/reports/Preparing_for_the_Unexpected_in_Space_999.html.
4) Não incluo nestas dúvidas o combate justo e necessário ao famigerado “Estado Islâmico”, que deveria ser conduzido por uma grande aliança internacional, com as Nações Unidas à frente.
5) Ver http://www.sipri.org/research/armaments/milex
6) Ver http://www.uypress.net/uc_65889_1.html e http://www.african-defense.com/ defense-news/west-accused-of-protecting-arms-market-north-african-countries-named/.
7) Ver http://oglobo.globo.com/opiniao/a-nova-geoeconomia-18441102#ixzz3wt1D0x11.
8) Ver https://www.congress.gov/bill/114th-congress/house-bill/2262/text.
9) Ver http://oglobo.globo.com/opiniao/em-defesa-da-lideranca-do-cidadao-18508223.
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À espera do inesperado no espaço
José Monserrat Filho *
“Para sermos honestos, temos de perguntar a nós mesmos o que estamos deixando de perceber em nossa própria época.” Joshua Cooper Ramo (1968-), em “A Era do Inconcebível”1
Se você disser que o espaço é caixinha de surpresas, como o futebol, estará errando apenas no diminutivo. O espaço é a maior caixa de surpresas que se pode imaginar. São surpresas próprias da natureza e agora também causadas pelos terráqueos. Desde 1957 – há quase 60 anos, portanto – nós, os humanos, liderados por grandes potências, nos lançamos à conquista do espaço, seja próximo ou distante do nosso planeta. Isso tem produzido avanços muito importantes e úteis, mas também um sem-número de repentinas ameaças e sustos. A questão que fica dessa experiência toda é: Como enfrentar o inesperado? Ou melhor, como estar preparado para o inesperado?
A última pergunta foi formulada por Skot Butler, vice-presidente da Intelsat para Redes de Satélites e Serviços Espaciais, perante o 17º Simpósio Anual Global MilSatCom2 (Satélites Globais de Comunicação Militar), reunido em Londres, de 3 a 5 de novembro de 2015. Segundo notícia de 7 de janeiro de 2016 sobre esse evento, “a comunidade de satélites comerciais vem se preparando há anos para o inesperado, em parceria com os militares”3.
A informação cita três exemplos: Frota Skynet, parceria público-privada com sede no Reino Unido; a joint venture SES-Luxembourg para construir e operar satélites comerciais com frequências militares; e a carga útil de UHF da Intelsat para a Força de Defesa da Austrália.
Mas, até onde se sabe e até agora pelo menos, nada ocorreu de inesperado – nenhum ataque, e nem sequer ameaça de ataque. Ocorreu exatamente o que já se previa e pretendia de antemão: o incremento da indústria espacial militar. O que confirma a dúvida de sempre: as notícias sobre planos e ações de impiedosos vilões internacionais são verdadeiras ou apenas campanhas midiáticas sobre perigos e tensões alarmantes para justificar as encomendas milionárias indispensáveis ao faturamento das imensas corporações da indústria de armamentos e equipamentos afins, que garantem seu permanente crescimento?4
Isso sem falar que as vendas de armas e serviços militares pelas 100 principais empresas do setor andam em torno de 400 bilhões de dólares – informou o respeitável Instituto Internacional de Pesquisa da Paz, de Estocolmo, Suécia (Stockholm International Peace Research Institute – SIPRI5), em 14 de dezembro de 2015. É um negócio fabuloso. O único problema é que você tem que estar o tempo todo criando inimigos, incitando focos de tensão e estimulando rivalidades, conflitos e guerras. A paz e a solução pacífica das controvérsias põem todo esse comércio a perder.
Considerações morais e sobre direitos humanos também não ajudam. Natalie J. Goldring, pesquisadora da área de segurança da Universidade Georgetown, em Washington, revelou que os Estados Unidos (EUA) documentam há anos os abusos da Arábia Saudita em direitos humanos, mas que, mesmo assim, continuam fornecendo armas em quantidades ilimitadas ao governo saudita. Entre 2010-2014, os principais provedores de armas à Arábia Saudita foram o Reino Unido, com 36%, e EUA, com 35%, ficando a França num distante 3º lugar, com apenas 6%. Nos últimos anos, a venda de armas ao Oriente Médio atingiu níveis sem precedentes. A Arábia Saudita encabeça a lista de clientes com compras que superam os 49 bilhões de dólares6. Quem se atreverá a falar em direitos humanos diante de tal fortuna? O atrevimento é que seria inesperado.
Princípios democráticos igualmente não funcionam quando “big businesses” estão em jogo, como exemplifica Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia (2001), professor da Universidade de Colúmbia e economista-chefe do Institute Roosevelt, em recente artigo em O Globo, intitulado “Nova Geoeconomia”7. Stiglitz comenta que “os EUA concluíram negociações secretas sobre aquilo que poderá se tornar o pior acordo comercial em décadas, a chamada Parceria Transpacífica (TPP)”. A seu ver, o capítulo sobre “investimentos” do acordo “infringe seriamente as legislações ambiental, de saúde e segurança, e até mesmo regulamentações financeiras, com impactos macroeconômicos”.
Além do mais, nota Stiglitz, “o capítulo concede aos investidores estrangeiros o direito de processar governos em tribunais privados internacionais, quando julgarem que as regras governamentais infringem os termos da TPP (especificados em mais de seis mil páginas). No passado, tais tribunais interpretaram a exigência de que os investidores estrangeiros recebam um 'tratamento justo e equânime' como base para derrubar regulamentações dos governos – inclusive se não forem discriminatórias e tiverem sido adotadas simplesmente para proteger cidadãos de riscos flagrantes”.
Stiglitz salienta ainda que o Presidente dos EUA “disse reiteradas vezes que a TPP determinaria quem – EUA ou China – escreveria as regras comerciais do século XXI”, quando “a abordagem correta é chegar a tais regras coletivamente, com todas as vozes ouvidas, e de forma transparente”. O renomado economista considera que, por esse caminho, a Casa Branca “buscou perpetuar os negócios de sempre”, ou seja, “as regras que governam o comércio e os investimentos globais são escritas por corporações americanas para corporações americanas”. E conclui: “isso deveria ser inaceitável a qualquer pessoa comprometida com os princípios democráticos”.
Não foi precisamente isso o que ocorreu com a nova lei americana8 que estabelece o direito de propriedade privada dos cidadãos americanos e de suas empresas sobre as riquezas minerais por eles extraídas nos asteroides e outros corpos celestes? A nova lei, sancionada pelo Presidente dos EUA em 25 de novembro passado, passa por cima do Tratado do Espaço de 1967, que proclama o espaço como bem comum da humanidade e, por isso, proíbe ali qualquer tipo de apropriação. Quem é capaz de jurar com a mão sobre a Bíblia que as grandes corporações interessadas nesta oportunidade ímpar de negócios – já estimados em trilhões de dólares –, não exerceram nenhum tipo de lobby sobre o Congresso e a própria Casa Branca para a rápida aprovação da lei?
Stiglitz encerra seu artigo, com uma recomendação louvável – aplicável também à lei de privatização dos recursos espaciais em benefício das empresas americanas: “Em 2016, devemos torcer para o fracasso da TPP e o começo de uma nova era dos acordos comerciais, que não beneficie os poderosos e puna os fracos. O acordo de Paris sobre mudanças do clima pode ser um prenúncio do espírito e da mentalidade necessários para sustentar uma cooperação global genuína.”
De minha parte, fecho com as palavras de Kofi Annan, ex-secretário geral das Nações Unidas, lavradas no artigo “Em defesa da liderança do cidadão”, publicado em O Globo deste 20 de janeiro9: “Interesses próprios mesquinhos e de curto prazo obscurecem a compreensão do quão interdependentes são os nossos destinos num mundo verdadeiramente global.”
Mas, sinceramente, o que há de inesperado nisso tudo?
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial (IISL), Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (AIA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MTCI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail:
Referências
1) Ramo, Joshua Cooper, A Era do Inconcebível – Por que a atual desordem do mundo não deixa de nos surpreender e o que podemos fazer, São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 134.
2) Ver http://www.defenseconference.com/?p=606.
3) Ver www.spacedaily.com/reports/Preparing_for_the_Unexpected_in_Space_999.html.
4) Não incluo nestas dúvidas o combate justo e necessário ao famigerado “Estado Islâmico”, que deveria ser conduzido por uma grande aliança internacional, com as Nações Unidas à frente.
5) Ver http://www.sipri.org/research/armaments/milex
6) Ver http://www.uypress.net/uc_65889_1.html e http://www.african-defense.com/ defense-news/west-accused-of-protecting-arms-market-north-african-countries-named/.
7) Ver http://oglobo.globo.com/opiniao/a-nova-geoeconomia-18441102#ixzz3wt1D0x11.
8) Ver https://www.congress.gov/bill/114th-congress/house-bill/2262/text.
9) Ver http://oglobo.globo.com/opiniao/em-defesa-da-lideranca-do-cidadao-18508223.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016
INPE: Entrevista com Amauri Montes, coordenador da Engenharia e Tecnologia Espacial
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A mais recente edição do "INPE Informa", boletim editado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) dá sequência a sua série de entrevistas, desta vez com Amauri Montes, coordenador da Engenharia e Tecnologia Espacial (ETE), que este ano completa trinta anos de existência. O ETE responde pelo desenvolvimento dos satélites do Instituto, como os da família SCD na década de noventa, e os de observação terrestre da família CBERS e Amazônia.
Além de uma interessante abordagem histórica, temas como política industrial, programa CBERS, Amazônia-1, cooperação internacional, ACDH, PESE, licitações, Plano Diretor, apenas para citar alguns, são abordados. Para ler a entrevista, clique aqui.
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A mais recente edição do "INPE Informa", boletim editado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) dá sequência a sua série de entrevistas, desta vez com Amauri Montes, coordenador da Engenharia e Tecnologia Espacial (ETE), que este ano completa trinta anos de existência. O ETE responde pelo desenvolvimento dos satélites do Instituto, como os da família SCD na década de noventa, e os de observação terrestre da família CBERS e Amazônia.
Além de uma interessante abordagem histórica, temas como política industrial, programa CBERS, Amazônia-1, cooperação internacional, ACDH, PESE, licitações, Plano Diretor, apenas para citar alguns, são abordados. Para ler a entrevista, clique aqui.
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Tecnologia & Defesa n.º 143
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Já está nas bancas de todo o Brasil o número 143 da revista Tecnologia & Defesa, a mais tradicional publicação sobre os setores aeroespacial e de defesa na América Latina.
De conteúdo espacial, destaque para uma reportagem sobre a estreia da Visiona Tecnologia Espacial no setor de observação terrestre, com várias informações e detalhes sobre os serviços que serão oferecidos pela empresa.
A seguir, listamos os principais conteúdos deste número, que também está disponível para vendas no website da revista:
- A corveta "Barroso" em missão no Líbano
- Entrevista com o Comandante da Marinha do Brasil
- Corpo de Fuzileiros Navais
- Construção de corvetas: um salto tecnológico
- Futuro dos aviões da Airbus Defence and Space na América Latina
- O porta-aviões "George Washington" visita o Brasil
- Exclusivo: voando o P-8A Poseidon
- Ensaio fotográfico: UNITAS 2015
- E muito mais!
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
Estudos sobre o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados
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Pesquisadora propõe microssatélites para atualizar o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados
Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016
No livro “O Segmento Espacial orientado pela Engenharia de Sistemas”, a pesquisadora Jaqueline Vaz Maiolino, mestre em Engenharia e Tecnologia Espaciais (ETE) pelo INPE, e diretora de Engenharia da Orbital Engenharia, propõe o uso de pelo menos dois microssatélites para atualizar o segmento espacial do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados (SBCD). A obra, publicada no início do ano passado, é baseada na dissertação de mestrado da autora, defendida em 2011, no Curso da ETE, sob a orientação do professor Marcelo Lopes de Oliveira e Souza, da ETE, e co-orientação do ex-gerente do SBCD, Wilson Yamaguti.
Dois anos após a defesa de sua dissertação, a Agência Espacial Brasileira (AEB) lançou edital de licitação (Concorrência 01/2013) para a contratação de estudo comparativo de soluções para o Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro). Atualmente, o SBCD conta com os satélites SCD-1, SCD-2 e CBERS 4A. Os dois primeiros, embora em funcionamento, podem ficar inoperantes a qualquer momento, pois já ultrapassaram o tempo de vida útil inicialmente previsto em vários anos.
Além da obsolescência desses satélites, a autora argumenta que a necessidade crescente de maior quantidade e frequência de dados ambientais e hidrometeorológicos para monitoramentos e pesquisas vem demandando, nos últimos anos, estudos sobre a atualização do segmento espacial do SBCD. A pesquisadora lembra ainda que soluções com nanossatélites também vêm sendo apresentadas, tendo em vista o baixo custo destes sistemas e o grande envolvimento de universidades no desenvolvimento dos projetos, em parceria com o INPE, ITA e a AEB.
O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados (SBCD) foi idealizado nos anos 1970, com a criação da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), e entrou em operação no início de 1993, com o lançamento do primeiro Satélite de Coleta de Dados (SCD-1). Na sequência, foram lançados o SCD-2 (1998) e os satélites da série CBERS que passaram a integrar o segmento espacial do SBCD, mas com missão dedicada prioritariamente à geração de imagens por sensoriamento remoto. O segmento solo do SBCD é composto por mais de 1000 plataformas de coleta de dados (PCDs) distribuídas pelo território nacional, pelas estações de recepção de Alcântara (MA) e Cuiabá (MT), pelo Centro de Missão de Coleta de Dados, em Natal (RN), e pelo Centro de Controle de Satélites (CCS), em São José dos Campos (SP).
Segundo Maiolino, os dados ambientais e hidrometeorológicos são fornecidos a cerca de 100 usuários, entre estes a Agência Nacional de Águas (ANA) e Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A necessidade cada vez maior de dados e com maior frequência, para monitoramentos ambientais e hidrometeorológicos, vem demandando melhorias e ampliação da capacidade de geração e retransmissão de dados. Atualmente, os dados chegam a ser retransmitidos a cada 100 minutos durante o dia. Para suprir a necessidade de dados com maior frequência e de forma complementar àqueles fornecidos pelas PCDs do SBCD, muitos usuários buscam outros sistemas, como o dos satélites GOES/NOAA, transmissões via celular, entre outros, nem sempre adequados às necessidades do usuário.
Com base nos estudos realizados anteriormente pelo INPE, na realidade da configuração do atual sistema SBCD e em estudos de simulação computacional, Maiolino avaliou os atuais sistemas espaciais frente às demandas dos atuais usuários e também daqueles em potencial, como o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD) e Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A avaliação considerou o custo dos sistemas, mas também a necessidade de dados com intervalos de no máximo 1 hora. Apesar de sugerir dois microssatélites para recompor o SBCD, Jaqueline destaca o uso de nanossatélites, como o CONASAT, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com apoio do INPE, cuja solução traz uma série de vantagens e vem se apresentando como alternativa promissora.
Jaqueline Maiolino é formada em engenharia aeronáutica pela Univap, desenvolveu sua pesquisa na área de Engenharia e Tecnologia Espaciais (ETE) do INPE, opção Engenharia e Gerenciamento de Sistemas Espaciais (CSE). Sua dissertação “Uma proposta para a atualização do segmento espacial do sistema brasileiro de coleta de dados orientada pela engenharia de sistemas”, pode ser acessada através do link: http://mtc-m16d.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/mtc-m19/2011/03.22.13.25/doc/publicacao.pdf.
Fonte: INPE
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Pesquisadora propõe microssatélites para atualizar o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados
Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016
No livro “O Segmento Espacial orientado pela Engenharia de Sistemas”, a pesquisadora Jaqueline Vaz Maiolino, mestre em Engenharia e Tecnologia Espaciais (ETE) pelo INPE, e diretora de Engenharia da Orbital Engenharia, propõe o uso de pelo menos dois microssatélites para atualizar o segmento espacial do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados (SBCD). A obra, publicada no início do ano passado, é baseada na dissertação de mestrado da autora, defendida em 2011, no Curso da ETE, sob a orientação do professor Marcelo Lopes de Oliveira e Souza, da ETE, e co-orientação do ex-gerente do SBCD, Wilson Yamaguti.
Dois anos após a defesa de sua dissertação, a Agência Espacial Brasileira (AEB) lançou edital de licitação (Concorrência 01/2013) para a contratação de estudo comparativo de soluções para o Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro). Atualmente, o SBCD conta com os satélites SCD-1, SCD-2 e CBERS 4A. Os dois primeiros, embora em funcionamento, podem ficar inoperantes a qualquer momento, pois já ultrapassaram o tempo de vida útil inicialmente previsto em vários anos.
SCD-2 no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE.
Além da obsolescência desses satélites, a autora argumenta que a necessidade crescente de maior quantidade e frequência de dados ambientais e hidrometeorológicos para monitoramentos e pesquisas vem demandando, nos últimos anos, estudos sobre a atualização do segmento espacial do SBCD. A pesquisadora lembra ainda que soluções com nanossatélites também vêm sendo apresentadas, tendo em vista o baixo custo destes sistemas e o grande envolvimento de universidades no desenvolvimento dos projetos, em parceria com o INPE, ITA e a AEB.
O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados (SBCD) foi idealizado nos anos 1970, com a criação da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), e entrou em operação no início de 1993, com o lançamento do primeiro Satélite de Coleta de Dados (SCD-1). Na sequência, foram lançados o SCD-2 (1998) e os satélites da série CBERS que passaram a integrar o segmento espacial do SBCD, mas com missão dedicada prioritariamente à geração de imagens por sensoriamento remoto. O segmento solo do SBCD é composto por mais de 1000 plataformas de coleta de dados (PCDs) distribuídas pelo território nacional, pelas estações de recepção de Alcântara (MA) e Cuiabá (MT), pelo Centro de Missão de Coleta de Dados, em Natal (RN), e pelo Centro de Controle de Satélites (CCS), em São José dos Campos (SP).
Segundo Maiolino, os dados ambientais e hidrometeorológicos são fornecidos a cerca de 100 usuários, entre estes a Agência Nacional de Águas (ANA) e Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A necessidade cada vez maior de dados e com maior frequência, para monitoramentos ambientais e hidrometeorológicos, vem demandando melhorias e ampliação da capacidade de geração e retransmissão de dados. Atualmente, os dados chegam a ser retransmitidos a cada 100 minutos durante o dia. Para suprir a necessidade de dados com maior frequência e de forma complementar àqueles fornecidos pelas PCDs do SBCD, muitos usuários buscam outros sistemas, como o dos satélites GOES/NOAA, transmissões via celular, entre outros, nem sempre adequados às necessidades do usuário.
Com base nos estudos realizados anteriormente pelo INPE, na realidade da configuração do atual sistema SBCD e em estudos de simulação computacional, Maiolino avaliou os atuais sistemas espaciais frente às demandas dos atuais usuários e também daqueles em potencial, como o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD) e Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A avaliação considerou o custo dos sistemas, mas também a necessidade de dados com intervalos de no máximo 1 hora. Apesar de sugerir dois microssatélites para recompor o SBCD, Jaqueline destaca o uso de nanossatélites, como o CONASAT, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com apoio do INPE, cuja solução traz uma série de vantagens e vem se apresentando como alternativa promissora.
Jaqueline Maiolino é formada em engenharia aeronáutica pela Univap, desenvolveu sua pesquisa na área de Engenharia e Tecnologia Espaciais (ETE) do INPE, opção Engenharia e Gerenciamento de Sistemas Espaciais (CSE). Sua dissertação “Uma proposta para a atualização do segmento espacial do sistema brasileiro de coleta de dados orientada pela engenharia de sistemas”, pode ser acessada através do link: http://mtc-m16d.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/mtc-m19/2011/03.22.13.25/doc/publicacao.pdf.
Fonte: INPE
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
Apresentação de edital de subvenção para o setor espacial
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INPE, FAPESP e FINEP apresentam edital de subvenção dirigido a aplicações espaciais
Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016
Detalhes e esclarecimentos sobre o edital Desenvolvimento de Tecnologias e Produtos para Aplicações Espaciais, do Programa PIPE/PAPPE serão apresentados no dia 3 de fevereiro, em reunião a ser organizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), FAPESP e FINEP. O evento é gratuito e será realizado no auditório Fernando de Mendonça, no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, em São José dos Campos.
O INPE busca contribuir para que o Brasil obtenha autonomia em todo o processo que envolve o desenvolvimento, a integração, o lançamento e o controle de satélites.
Os recursos alocados para financiamento do edital são da ordem de R$ 25 milhões, sendo 50% com recursos da Finep e 50% com recursos da FAPESP.
Podem participar microempresas, empresas de pequeno porte, pequenas empresas e médias empresas brasileiras, sediadas no Estado de São Paulo, constituídas, no mínimo, 12 meses antes ao lançamento do edital.
As empresas deverão demonstrar contrapartida economicamente mensurável em itens de despesa relacionados com a execução de atividades de pesquisa e desenvolvimento, os quais devem ser descritos no projeto.
As propostas submetidas serão enquadradas e deverão seguir as normas do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).
Os desafios tecnológicos propostos no edital estão divididos em sete grandes grupos:
1) Instrumentos embarcados da missão EQUARS;
2) Eletrônica e óptica espacial;
3) Propulsão;
4) Transponder digital e antena;
5) Suprimento de energia;
6) Integração de sistemas;
7) Controle de atitude e órbita.
O prazo de execução do projeto deverá ser de até 24 meses. O prazo para entrega da proposta termina em 4 de abril de 2016.
A seleção pública está disponível em: www.fapesp.br/9961
Inscrições
Para participar da reunião de apresentação do edital “Desenvolvimento de Tecnologias e Produtos para Aplicações Espaciais”, do Programa PIPE/PAPPE - Seleção Pública de Subvenção Econômica à Pesquisa para Inovação, é necessário enviar email para pappe.subvencao@inpe.br com nome, empresa/instituição, e telefone de contato, até o dia 1° de fevereiro.
Fonte: INPE
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INPE, FAPESP e FINEP apresentam edital de subvenção dirigido a aplicações espaciais
Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2016
Detalhes e esclarecimentos sobre o edital Desenvolvimento de Tecnologias e Produtos para Aplicações Espaciais, do Programa PIPE/PAPPE serão apresentados no dia 3 de fevereiro, em reunião a ser organizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), FAPESP e FINEP. O evento é gratuito e será realizado no auditório Fernando de Mendonça, no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, em São José dos Campos.
O INPE busca contribuir para que o Brasil obtenha autonomia em todo o processo que envolve o desenvolvimento, a integração, o lançamento e o controle de satélites.
Os recursos alocados para financiamento do edital são da ordem de R$ 25 milhões, sendo 50% com recursos da Finep e 50% com recursos da FAPESP.
Podem participar microempresas, empresas de pequeno porte, pequenas empresas e médias empresas brasileiras, sediadas no Estado de São Paulo, constituídas, no mínimo, 12 meses antes ao lançamento do edital.
As empresas deverão demonstrar contrapartida economicamente mensurável em itens de despesa relacionados com a execução de atividades de pesquisa e desenvolvimento, os quais devem ser descritos no projeto.
As propostas submetidas serão enquadradas e deverão seguir as normas do Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE).
Os desafios tecnológicos propostos no edital estão divididos em sete grandes grupos:
1) Instrumentos embarcados da missão EQUARS;
2) Eletrônica e óptica espacial;
3) Propulsão;
4) Transponder digital e antena;
5) Suprimento de energia;
6) Integração de sistemas;
7) Controle de atitude e órbita.
O prazo de execução do projeto deverá ser de até 24 meses. O prazo para entrega da proposta termina em 4 de abril de 2016.
A seleção pública está disponível em: www.fapesp.br/9961
Inscrições
Para participar da reunião de apresentação do edital “Desenvolvimento de Tecnologias e Produtos para Aplicações Espaciais”, do Programa PIPE/PAPPE - Seleção Pública de Subvenção Econômica à Pesquisa para Inovação, é necessário enviar email para pappe.subvencao@inpe.br com nome, empresa/instituição, e telefone de contato, até o dia 1° de fevereiro.
Fonte: INPE
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