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Somos todos planetários, porém divididos
José Monserrat Filho *
“O despertar da humanidade será um processo coletivo ou não será nada. A mesma luz atravessa todas as gotas.” Pierre Lévy (1)
Nem sempre fomos tão planetários e tão divididos como hoje. Tempo houve, há milênios, quando não tínhamos a mais ínfima noção do planeta que habitávamos. Nascemos na África Oriental entre um milhão e 300 mil anos Antes de Cristo. Vivíamos em bandos, unidos e solidários, para sobreviver o mais possível. Caçávamos e coletávamos. Protegíamos nossa prole e disputávamos comida com outros bandos similares a nós, em meio a ataques de animais selvagens, intempéries inclementes e desastres naturais, contra os quais não tínhamos a menor defesa.
O mundo de então – a natureza pura – era, ao mesmo tempo, nossa vida e nossa morte, nossa casa e nosso forno, nossa comida e nossa fome, nosso prazer e nossa dor, nossa escola para o bem e para o mal, nosso atraso e nosso presente-futuro, nosso desaparecimento ou perpetuação.
Fomos do Homo erectus ao Homo sapiens e ao Homo sapiens sapiens – “o homem que sabe o que sabe”, já pensa e tem um cérebro bem mais desenvolvido que o de seus ancestrais.(2) Foi o que nos permitiu chegar às capacidades e aos talentos destrutivos capazes de fazer da Terra o que ela é hoje, a caminho de um colapso sem precedentes, ou mudá-la, salvando-a e criando uma situação mais humana, lúcida, benéfica e justa para toda sua crescente e diversificada população.
Hoje, a natureza, degradada e envenenada como nunca antes, continua sendo para nós o que sempre foi: a escolha entre rumos que se excluem. Ainda não percebemos bem que somos parte do todo e o todo é parte de nós. Estamos imersos no mundo como o mundo está imerso em nós. Nosso destino sempre foi sermos planetários. Temos conterrâneos por todo o globo, mesmo quando nós não os vemos, nem eles nos vêem. Essa percepção, porém, ainda não se completou. Sendo planetários, podemos ser universais, adentrando o espaço sideral, no rumo das estrelas.
“Somos regentes do planeta, administradores da vida e predadores do que administramos”, denuncia em seu livro A conexão planetária o pensador Pierre Lévy, nascido na Tunísia em 1956 e formado na França, onde é professor e pesquisador.(3) Mas, consola-nos ele, “a unidade da humanidade está se fazendo agora. Após tantos esforços, é enfim chegada a unificação da humanidade, sob uma forma que não esperávamos: não é um império, não é uma religião conquistadora, uma ideologia, uma raça pretensamente superior, uma ditadura qualquer; são imagens, canções, o comércio, o dinheiro, a ciência, a técnica, as viagens, as miscigenações, a Internet, um processo coletivo e multiforme que brota de todo lugar”. Lévy chama esse processo de “expansão da consciência”.(4) Mas consciência de que?
É claro que a ciência e a técnica – o conhecimento, a tomada de consciência, a descoberta, a invenção – precedem o comércio e o dinheiro, ainda que esses poderosos recursos tenham sido muito usados no passado e continuem cada vez mais usados, precisamente em favor do comércio e do dinheiro, no mundo atrabiliário de hoje. O fato, contudo, é que a curiosidade e a ânsia de saber dos seres humanos em geral surgiram milhões de anos antes do comerciante (mercador) e do banqueiro, apesar das não poucas alegações em contrário.
Ser planetário não é ser consumidor do mundo através das novas tecnologias e de seu endeusamento. É estar, sim, atualizado com as novas tecnologias sem escravizar-se a elas e iludir-se com a ideia de que somente elas podem salvar o planeta. É ter fome de conhecimento, sem a menor dúvida, e dar plena atenção à autonomia e à criatividade dos indivíduos, mas sem egoismo, sem egocentrismo. É imprescindível que eles estejam ligados à participação e às necessidades de milhões de pessoas e à consciência de pertencer à humanidade. A essência da globalização e da planetarização humana não está apenas no crescimento das redes de transportes e comunicação, na proximidade cada vez maior e mais fácil entre as pessoas, na eliminação das fronteiras e das barreiras que as separam e as tornam adversárias, algozes e inimigas.
É verdade: quanto mais você se conecta e busca novas conexões, mais vasto pode ser seu campo de interação, mais rico seu aprendizado e maior sua experiência. Resta saber o que você vai fazer com todo esse ganho diante do mundo e das outras pessoas. Hitler soube muito bem se conectar com o lumpen, o povo, as elites e a aristocracia militar alemã. Deu no que deu: a mais destuidora guerra de todos os tempos, com mais de 50 milhões de mortos
Conexões são formas, veículos, recipientes, envólucros, estruturas, vasos, Internet, nuvens, redes sociais, celulares, tablets, computadores. Em geral, cada novo sistema é mais rápido e moderno que o anterior. Obviamente, elas resultam de importantes avanços científicos e tecnológicos. Mas por si mesmas não resolvem nada. São produtos de um mecanismo chamado mercado, que simplesmente não pode passar sem vender e vender e vender – é a maquiavélica máquina do consumo, o moto perpétuo que dizem não existir... “A existência dessa tecnologia é condição necessária, mas não suficiente para a possível emergência de uma sociedade-mundo”, afirmam Edgar Morin, Emilio-Roger Ciurana e Raul Motta, em Educar na Era Planetária.(5)
Daí que as conexões são boas ou más, úteis ou inúteis, benéficas ou maléficas, construtivas ou destrutivas, dependendo do conteúdo que divulguem e dos interesses a que servem. Todos nós vivemos acorrentados ao mercado. E temos de suportá-lo cada vez mais impositivo e devorador. Mas ainda podemos nos livrar do puro e devastador consumismo, escolhendo e usando o celular ou o computador em função do que precisamos fazer com a ajuda deles e não do que eles pretendem fazer de nós – idiotas super conectados e perdidos no mundo, mais fáceis de lidar.
Há quem diga que este é um novo homem, aberto a mil possibilidades e oportunidades. Ocorre que ele pode ser aberto e ao mesmo tempo vazio, oco ou mero repetidor do que está em voga, um admirável papagaio. Mas basta ele se conectar com a seiva, o núcleo, o conteúdo, a trajetória histórica, o mérito e os valores de cada possibilidade e oportunidade, para, aí sim, ser um novo ser humano, com pensamentos, competências, ideias e convicções próprias, além de comprometido com a humanidade, que sempre garantiu e seguirá garantindo a vida de todos nós.
O Papa Francisco vai além ao afirmar: “A verdadeira sabedoria, fruto da reflexão, do diálogo e do encontro generoso entre as pessoas, não se adquire com mera acumulação de dados, que, numa espécie de poluição mental, acabam por saturar e confundir.”(6) Isso tende a substituir relações reais por relações virtuais, artificiais, sem laços efetivos. É a rota da indigência intelectual.
No entanto, não é bem isso o que mais divide os planetários. É a alarmante desigualdade econômica, social, política e cultural. Ela só faz crescer em todo o mundo, ampliando a já gigantesca distância entre ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres, em escala global. Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia de 2001, fala do “grande abismo que separa os muito ricos – também conhecidos como 1% – dos demais”.
Ele conta que num “jantar oferecido por um brilhante e preocupado integrante do 1%”, o anfitrião, “consciente do grande abismo”, “reuniu os principais bilionários, acadêmicos e outras pessoas preocupadas com a desigualdade”. Stiglitz ouviu “um bilionário – que começou a vida herdando uma fortuna – conversando com outro sobre os americanos preguiçosos que procuravam viver às custas dos outros”. “Em seguida, sem sobressaltos, eles passaram a tratar das isenções fiscais, aparentemente sem se dar conta da ironia”, explícita naquela conversa. Não por acaso, durante o jantar, ante “o risco” de que “a desigualdade cresça demais”, “Maria Antonieta e a guilhotina foram citadas várias vezes”. O tom da festa, goza Stiglitz, foi “lembre-se da guilhotina”.
E o pior: “estamos entrando num mundo mais dividido, não só entre ricos e pobres, mas também entre países que nada fazem para combater a desigualdade e os que lutam contra ela”. Nas sociedades divididas, frisa o economista, “os ricos irão se isolar em comunidades fechadas, quase que totalmente separados dos pobres, cujas vidas serão quase incompreensíveis para eles – assim como a vida dos ricos será incompreensível para os pobres”.(7)
E isso em plena Era Planetária. Que planeta, afinal, estamos levando para o espaço?!
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: jose.monserrat.filho@gmail.com.
Referências
1) Ver https://vivenciaspedagogicas.wordpress.com/2011/11/23/o-que-e-ser-planetario/. Pierre Lévy é filósofo, sociólogo e pesquisador em ciência da informação e da comunicação e estuda o impacto da Internet na sociedade, as humanidades digitais e o virtual. Nasceu na Tunísia, em 1956, mas formou-se e vive em Paris e leciona no Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris-VIII. Foi aluno de Michel Serres e Cornelius Castoriadis. Especializou-se em abordagens hipertextuais quando lecionou na Universidade de Otawa, no Canadá. Após sua graduação, preocupou-se em analisar e explicar as interações entre Internet e Sociedade. Desenvolveu um conceito de rede, junto com Michel Authier, conhecido como Arbres de connaissances (Árvores do Conhecimento). Lévy também pesquisa a inteligência coletiva focando em contexto antropológico, e hoje é um dos principais filósofos da mídia. Suas pesquisas se concentram principalmente na área da cibernética. Com isso, tornou-se um dos maiores estudiosos sobre a Internet.
2) Ver http://www.estudopratico.com.br/homo-sapiens-sapiens/.
3) Lévy, Pierre. A conexão planetária: o mercado, o ciberespaço, a consciência, São Paulo: Editora 14, 2001, p. 12.
4) Ibidem, p. 18 e 19.
5) Morin, Edgar; Ciurana, Emiluo-Roger; e Motta, Raúl Domingo, Educar na era planetária – O pensamento complexo como método de aprendizagem pelo erro e incerteza humana, São Paulo: Cortez Editora-UNESCO, 2003, p. 90.
6) Papa Francisco, Carta Encíclica LAUDATO SI' Sobre o Cuidado da Casa Comum, São Paulo, Editora Paulinas, 2015, p. 37.
7) Stiglitz, Joseph E., O grande abismo – Sociedades desiguais e o que podemos fazer sobre isso, Rio de Janeiro: Alta Books Editora, 2016, p. XI e p. 104.
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segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Acordo INPE e CNEN em Fusão Nuclear
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INPE e CNEN assinam acordo para instalação do Laboratório de Fusão Nuclear
Segunda-feira, 12 de Setembro de 2016
Termo de cooperação firmado nesta segunda-feira (12/9) permitirá a instalação do Laboratório de Fusão Nuclear (LNF), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), nas dependências do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O documento, assinado por Leonel Perondi e Renato Cotta, respectivamente diretor do INPE e presidente da CNEN, estabelece ainda as condições para a cessão de uso e compartilhamento de infraestrutura, facilidades e recursos humanos para a realização de atividades e projetos comuns às duas instituições, relativos à pesquisa em fusão nuclear.
O Laboratório de Fusão Nuclear funcionará nas instalações do Experimento Tokamak Esférico, junto ao Laboratório Associado de Plasma do INPE, em São José dos Campos (SP).
Os recursos necessários às atividades do Laboratório de Fusão Nuclear continuarão alocados em ações orçamentárias da CNEN. As atividades em fusão nuclear, desenvolvidas no INPE desde a década de 1980, deverão ser transferidas à CNEN quando concluídas as instalações do novo LFN no município de Iperó (SP), junto ao empreendimento do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB).
Fonte: INPE
Comentário do blog: originariamente, o INPE não foi criado para desenvolver pesquisas nucleares. Seu envolvimento com fusão nuclear se deu na década de oitenta por ser o único órgão da esfera federal que tinha competência naquela época, com condições de fazer pesquisa em fusão nuclear, porque trabalhava com plasma, segundo relato de Edson Del Bosco, da Coordenação dos Laboratórios Associados (CTE/INPE).
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INPE e CNEN assinam acordo para instalação do Laboratório de Fusão Nuclear
Segunda-feira, 12 de Setembro de 2016
Termo de cooperação firmado nesta segunda-feira (12/9) permitirá a instalação do Laboratório de Fusão Nuclear (LNF), da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), nas dependências do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O documento, assinado por Leonel Perondi e Renato Cotta, respectivamente diretor do INPE e presidente da CNEN, estabelece ainda as condições para a cessão de uso e compartilhamento de infraestrutura, facilidades e recursos humanos para a realização de atividades e projetos comuns às duas instituições, relativos à pesquisa em fusão nuclear.
O Laboratório de Fusão Nuclear funcionará nas instalações do Experimento Tokamak Esférico, junto ao Laboratório Associado de Plasma do INPE, em São José dos Campos (SP).
Os recursos necessários às atividades do Laboratório de Fusão Nuclear continuarão alocados em ações orçamentárias da CNEN. As atividades em fusão nuclear, desenvolvidas no INPE desde a década de 1980, deverão ser transferidas à CNEN quando concluídas as instalações do novo LFN no município de Iperó (SP), junto ao empreendimento do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB).
Fonte: INPE
Comentário do blog: originariamente, o INPE não foi criado para desenvolver pesquisas nucleares. Seu envolvimento com fusão nuclear se deu na década de oitenta por ser o único órgão da esfera federal que tinha competência naquela época, com condições de fazer pesquisa em fusão nuclear, porque trabalhava com plasma, segundo relato de Edson Del Bosco, da Coordenação dos Laboratórios Associados (CTE/INPE).
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sábado, 10 de setembro de 2016
PerúSAT-1 pronto para o lançamento
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O PerúSAT-1, primeiro satélite de observação peruano, está pronto para o lançamento a partir de Kourou, na Guiana Francesa, informou na última sexta-feira (09) o seu fabricante, o grupo europeu Airbus Defence and Space. O voo, a bordo de um lançador italiano Vega, operado pela Arianespace, está programado para a noite do dia 16 de setembro.
Construído em tempo recorde - menos de 24 meses, o satélite ocupará uma órbita baixa, a uma altitude de 695 km, tendo capacidade de produzir imagens com até 70 cm de resolução, o que o tornará o mais capaz satélite da América Latina. Suas imagens serão utilizadas para agricultura, planejamento urbano, controle de fronteiras e combate ao narcotráfico, ações em desastres naturais, entre outras finalidades.
De acordo com informações divulgadas pelo fabricante, após a sua colocação em órbita, técnicos da Airbus Defence and Space verificarão a abertura dos painéis solares e posicionamento em relação ao Sul, além de conduzir uma série de testes e operações que incluem a transferência do artefato para a sua órbita operacional, aquisição das imagens imagens, dentre outros. Tais ações serão realizadas a partir do Centro Nacional de Operaciones de Imágenes Satelitales (CNOIS), construído em Pucusana, ao sul de Lima, como parte do contrato firmado com a Airbus. A expectativa é que, uma vez lançado, o satélite esteja plenamente operacional e sob o controle de técnicos peruanos até o final deste ano.
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Construído em tempo recorde - menos de 24 meses, o satélite ocupará uma órbita baixa, a uma altitude de 695 km, tendo capacidade de produzir imagens com até 70 cm de resolução, o que o tornará o mais capaz satélite da América Latina. Suas imagens serão utilizadas para agricultura, planejamento urbano, controle de fronteiras e combate ao narcotráfico, ações em desastres naturais, entre outras finalidades.
De acordo com informações divulgadas pelo fabricante, após a sua colocação em órbita, técnicos da Airbus Defence and Space verificarão a abertura dos painéis solares e posicionamento em relação ao Sul, além de conduzir uma série de testes e operações que incluem a transferência do artefato para a sua órbita operacional, aquisição das imagens imagens, dentre outros. Tais ações serão realizadas a partir do Centro Nacional de Operaciones de Imágenes Satelitales (CNOIS), construído em Pucusana, ao sul de Lima, como parte do contrato firmado com a Airbus. A expectativa é que, uma vez lançado, o satélite esteja plenamente operacional e sob o controle de técnicos peruanos até o final deste ano.
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quinta-feira, 8 de setembro de 2016
Cooperação Brasil - Portugal
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Brasil e Portugal discutem perspectivas de cooperação na área espacial
08/09/2016
A Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTIC) recebeu na manhã de segunda-feira (05.09) a visita do ministro da Ciência, Tecnologia e Educação Superior de Portugal, Manuel Heitor. No encontro com os diretores de Orçamento e Administração, Iram Mota, de Política Espacial e Investimentos Estratégicos, Petrônio de Souza, e o assessor internacional, André Rypl, o ministro apresentou as perspectivas de cooperação com o Brasil em ciência e tecnologia, na área espacial e sua interação com os oceanos.
O ministro levantou a possibilidade de cooperação com enfoque no Atlântico, utilizando os Açores como centro de coleta de dados. “A iniciativa reflete o esforço do país em melhor utilizar o posicionamento estratégico de Portugal e suas ilhas no oceano Atlântico”, afirmou Manuel Heitor, que ainda citou como exemplo, a possibilidade de cooperação em dados e observação da Terra por meio do uso de antena de comunicação satelital localizada nos Açores.
O desejo de estreitar os laços com o Brasil em nova agenda científica, a qual poderia ter no Atlântico um campo de ensaio e estudo. A idéia, segundo o ministro, é abrir novos horizontes na cooperação científica e tecnológica com ampliação da colaboração bilateral no espaço. Portugal já se aproximou de outros países no hemisfério sul, como Argentina, Colômbia e África do Sul.
Workshop – A realização de um workshop, no Brasil, no próximo mês de novembro a fim de estruturar iniciativas de cooperação na área espacial e de oceanos, também foi uma das propostas do ministro português. O encontro deverá possibilitar o fomento de diálogo entre governo, academia e empresa, e promover o intercâmbio de pessoas e empresas da área tecnológica do Brasil e Portugal. A AEB propôs que o workshop seja realizado em São José dos Campos (SP), pela proximidade do Parque Tecnológico, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de universidades e indústrias.
O objetivo da proposta portuguesa é desenvolver um conjunto de projetos na área de ciência e tecnologia espacial. Já o Brasil teria interesse em compor iniciativas com Portugal em aplicações espaciais, nanossatélites, coleta de dados, estudos de oceanos, clima e mudanças climáticas, clima espacial, comando e controle para missões espaciais, navegação, educação e formação de recursos humanos.
Na área de cooperação educacional, o Brasil identificou o programa Sistema Espacial para Realização de Pesquisas e Experimentos com Nanossatélites (Serpens) e o Centro Vocacional Tecnológico Espacial (CVT), voltado para o conhecimento científico e tecnológico na área espacial, a ser inaugurado no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), na cidade de Parnamirim, no Rio Grande do Norte.
O ministro Manuel Heitor mostrou o desejo de formular plano de longo prazo (10 a 15 anos) para organizar as atividades de cooperação, com foco na área espacial. Ele explicou que Portugal, não possui, ainda, agência espacial, embora o país participe há 15 anos da Agência Espacial Europeia (ESA). “Portugal tem apenas o chamado “Grupo do Espaço”, o que reforça a necessidade de criação de uma agência própria”, afirmou o ministro.
Manuel Heitor informou ainda que iria propor ao ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab, a realização da Semana de Ciência e Tecnologia Brasil-Portugal, prevista para ser realizada em março ou abril de 2017, no Brasil. Ele propôs também o estabelecimento de um evento anual, com alternância de sede entre os dois países.
Fonte: AEB
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segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Seminário de Atividade de Inteligência e Defesa na Amazônia
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Censipam realiza I Seminário de Atividade de Inteligência e Defesa na Amazônia
05/09/2016
O Censipam/Centro Regional de Belém realizou em conjunto com a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e com o Núcleo de Altos Estudos da Amazônia da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPA) o I Seminário de Atividade de Inteligência e Defesa na Amazônia.
O evento aconteceu de 31/08 a 01/09 e teve como objetivo contribuir para a socialização de conhecimentos produzidos em Atividade de Inteligência e Gestão do Conhecimento, com finalidade a produção de novos conhecimentos e a construção de diálogo entre as instituições/agências promovendo a integração entre os atores responsáveis pelas diversas áreas de atuação, no que diz respeito ao tema Atividade de Inteligência, segurança pública, questões ambientais e inovações tecnológicas voltadas à defesa e segurança da sociedade na região amazônica.
O diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes, e o coordenador-geral de inteligência, Ricardo Silvério dos Santos, estiveram presentes nos dois dias do seminário que buscou a participação das instituições da área de inteligência que atuam na Região Amazônica. Os temas segurança pública, atividade financeira, meio ambiente e segurança corporativa foram discutidos e tiveram encaminhamentos para uma maior integração nas operações em conjunto.
Também estavam na mesa diretora do evento o Superintendente da ABIN, José Carlos Arruda, o Superintendente da Polícia Federal, Ualame Conte, o Secretário Adjunto da SEGUP/PA, Rogério Morais Luz, e o Diretor do NAEA/UFPA, Durbens Nascimento.
O evento contou com 149 participantes e 23 instituições parceiras: SIPAM, ABIN, ADESG (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra), Banco Central, Banco do Brasil, Casa Militar do Governo do Estado do Pará, Exército Brasileiro, Força Aérea Brasileira, Marinha do Brasil, Fundação Nacional do Índio, IBAMA, ICMBio, Ministério Público do Estado do Pará, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, Secretaria de Estado da Fazenda do Pará, SEGUP-PA (Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social), SEMAS (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade), TRT-Tribunal Regional do Trabalho 8ª Região, Tribunal de Justiça do Estado, UFPA (Universidade Federal do Pará/ NAEA) e Observatório de Estudos de Defesa – OBED/NAEA/UFPA.
Fonte: CENSIPAM
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Censipam realiza I Seminário de Atividade de Inteligência e Defesa na Amazônia
05/09/2016
O Censipam/Centro Regional de Belém realizou em conjunto com a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e com o Núcleo de Altos Estudos da Amazônia da Universidade Federal do Pará (NAEA/UFPA) o I Seminário de Atividade de Inteligência e Defesa na Amazônia.
O evento aconteceu de 31/08 a 01/09 e teve como objetivo contribuir para a socialização de conhecimentos produzidos em Atividade de Inteligência e Gestão do Conhecimento, com finalidade a produção de novos conhecimentos e a construção de diálogo entre as instituições/agências promovendo a integração entre os atores responsáveis pelas diversas áreas de atuação, no que diz respeito ao tema Atividade de Inteligência, segurança pública, questões ambientais e inovações tecnológicas voltadas à defesa e segurança da sociedade na região amazônica.
O diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes, e o coordenador-geral de inteligência, Ricardo Silvério dos Santos, estiveram presentes nos dois dias do seminário que buscou a participação das instituições da área de inteligência que atuam na Região Amazônica. Os temas segurança pública, atividade financeira, meio ambiente e segurança corporativa foram discutidos e tiveram encaminhamentos para uma maior integração nas operações em conjunto.
Também estavam na mesa diretora do evento o Superintendente da ABIN, José Carlos Arruda, o Superintendente da Polícia Federal, Ualame Conte, o Secretário Adjunto da SEGUP/PA, Rogério Morais Luz, e o Diretor do NAEA/UFPA, Durbens Nascimento.
O evento contou com 149 participantes e 23 instituições parceiras: SIPAM, ABIN, ADESG (Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra), Banco Central, Banco do Brasil, Casa Militar do Governo do Estado do Pará, Exército Brasileiro, Força Aérea Brasileira, Marinha do Brasil, Fundação Nacional do Índio, IBAMA, ICMBio, Ministério Público do Estado do Pará, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, Secretaria de Estado da Fazenda do Pará, SEGUP-PA (Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social), SEMAS (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade), TRT-Tribunal Regional do Trabalho 8ª Região, Tribunal de Justiça do Estado, UFPA (Universidade Federal do Pará/ NAEA) e Observatório de Estudos de Defesa – OBED/NAEA/UFPA.
Fonte: CENSIPAM
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domingo, 4 de setembro de 2016
Semana difícil para a indústria de lançadores
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A última semana foi difícil para a indústria de lançadores, mais uma vez evidenciando os altos riscos associados à tecnologia espacial.
Em 1º de setembro, um lançador Falcon 9, da empresa norte-americana SpaceX, explodiu na plataforma de lançamento no centro espacial de Cabo Canaveral na Flórida, Estados Unidos, enquanto era abastecido com oxigênio líquido e querosene em fase preparatória para um teste estático de ignição. A explosão, que ganhou destaque na imprensa (clique aqui para vê-la), destruiu não apenas o foguete e a plataforma, mas também sua carga útil, o satélite de comunicações israelense Amos-6.
Obviamente, o acidente traz consequências, e não apenas para a empresa de Elon Musk. Já sob forte pressão de seus clientes, em sua grande maioria companhias de comunicações, que aguardam a colocação de seus satélites em órbita e o início da operação para geração de receitas, a SpaceX terá que atrasar todas as missões (nove ao todo) previstas para 2016 até que os motivos da explosão sejam identificados e corrigidos. Com o lançador russo Proton, operado pela International Launch Services (ILS) também groundeado devido a um mau-funcionamento em junho, o único lançador comercial plenamente operacional é o europeu Ariane 5, da Arianespace, completamente reservado até 2017 (incluindo o brasileiro SGDC, previsto para lançamento no início de 2017).
Em 24 de agosto, a israelense Spacecom, dona do satélite destruído, havia anunciado a sua venda para o grupo chinês Beijing Xinwei Technology Group, pendente da entrada em serviço do Amos-6 após o seu lançamento. Com sua destruição, a operação de venda da empresa pode vir a ser cancelada. Ainda, há também dúvidas sobre a cobertura da apólice de seguros contratada pela Spacecom, que valeria apenas a partir da ignição do foguete na data do lançamento, e não para testes pré-lançamento.
Em reportagem da Space News, o jornalista Jeff Foust fez um paralelo da falha do Falcon 9 na fase pré-lançamento com a tragédia do VLS-1 V03. Em 22 de agosto de 2003, alguns dias antes de seu lançamento, a ignição intempestiva de um dos propulsores sólidos do foguete brasileiro causou um incêndio na plataforma, vitimando 21 técnicos e engenheiros do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA).
Falha chinesa
Um dia após o problema com o Falcon 9, ocorreu uma aparente falha do lançador chinês Longa Marcha 4C, voando a partir do centro espacial de Taiyuan, no norte da China, levando a bordo um satélite de observação de alta resolução, o Gaofen-10. Segundo informações da Força Aérea dos Estados Unidos, que monitoram as inserções de artefatos no espaço, o Gaofen-10 não alcançou a órbita prevista, indicando a falha na missão.
Curiosamente, o ocorrido também leva a uma referência a evento que envolveu o Brasil. O último insucesso de um foguete chinês, no caso um Longa Marcha 4B, se deu em dezembro de 2013, levando a bordo o satélite CBERS 3, projeto conjunto entre a China e o Brasil.
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A última semana foi difícil para a indústria de lançadores, mais uma vez evidenciando os altos riscos associados à tecnologia espacial.
Em 1º de setembro, um lançador Falcon 9, da empresa norte-americana SpaceX, explodiu na plataforma de lançamento no centro espacial de Cabo Canaveral na Flórida, Estados Unidos, enquanto era abastecido com oxigênio líquido e querosene em fase preparatória para um teste estático de ignição. A explosão, que ganhou destaque na imprensa (clique aqui para vê-la), destruiu não apenas o foguete e a plataforma, mas também sua carga útil, o satélite de comunicações israelense Amos-6.
Obviamente, o acidente traz consequências, e não apenas para a empresa de Elon Musk. Já sob forte pressão de seus clientes, em sua grande maioria companhias de comunicações, que aguardam a colocação de seus satélites em órbita e o início da operação para geração de receitas, a SpaceX terá que atrasar todas as missões (nove ao todo) previstas para 2016 até que os motivos da explosão sejam identificados e corrigidos. Com o lançador russo Proton, operado pela International Launch Services (ILS) também groundeado devido a um mau-funcionamento em junho, o único lançador comercial plenamente operacional é o europeu Ariane 5, da Arianespace, completamente reservado até 2017 (incluindo o brasileiro SGDC, previsto para lançamento no início de 2017).
Em 24 de agosto, a israelense Spacecom, dona do satélite destruído, havia anunciado a sua venda para o grupo chinês Beijing Xinwei Technology Group, pendente da entrada em serviço do Amos-6 após o seu lançamento. Com sua destruição, a operação de venda da empresa pode vir a ser cancelada. Ainda, há também dúvidas sobre a cobertura da apólice de seguros contratada pela Spacecom, que valeria apenas a partir da ignição do foguete na data do lançamento, e não para testes pré-lançamento.
Em reportagem da Space News, o jornalista Jeff Foust fez um paralelo da falha do Falcon 9 na fase pré-lançamento com a tragédia do VLS-1 V03. Em 22 de agosto de 2003, alguns dias antes de seu lançamento, a ignição intempestiva de um dos propulsores sólidos do foguete brasileiro causou um incêndio na plataforma, vitimando 21 técnicos e engenheiros do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA).
Falha chinesa
Um dia após o problema com o Falcon 9, ocorreu uma aparente falha do lançador chinês Longa Marcha 4C, voando a partir do centro espacial de Taiyuan, no norte da China, levando a bordo um satélite de observação de alta resolução, o Gaofen-10. Segundo informações da Força Aérea dos Estados Unidos, que monitoram as inserções de artefatos no espaço, o Gaofen-10 não alcançou a órbita prevista, indicando a falha na missão.
Curiosamente, o ocorrido também leva a uma referência a evento que envolveu o Brasil. O último insucesso de um foguete chinês, no caso um Longa Marcha 4B, se deu em dezembro de 2013, levando a bordo o satélite CBERS 3, projeto conjunto entre a China e o Brasil.
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Cooperação Bolívia - Irã
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Os governos da Bolívia e Irã firmaram um memorando de entendimentos em matéria de cooperação espacial em 26 de agosto, por ocasião da visita à Bolívia de uma comitiva iraniana chefiada por Mohammad Javad Zarif, ministro das Relações Exteriores. O memorando foi assinado pelo diretor da Agência Boliviana Espacial (ABE), Iván Zambrana, e o embaixador do Irã em La Paz, Reza Tabatabaei.
De acordo com informações divulgadas na imprensa boliviana citando declarações dadas por Zambrana, o acordo permitirá o intercâmbio de conhecimentos, o desenvolvimento e aplicação da ciência e tecnologia espacial e, eventualmente, o desenvolvimento de projetos conjuntos. Os dois países buscarão promover a colaboração entre universidades e outras entidades de pesquisa relacionadas às atividades espaciais, além da cooperação "no desenho, fabricação e lançamento de satélites de pesquisa".
Desde 2013, a ABE opera o satélite de comunicações Tupac Katari, primeiro satélite do país andino, construído na China. A Agência também está envolvida no projeto que deverá levar à contratação em breve de um satélite de observação terrestre.
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Os governos da Bolívia e Irã firmaram um memorando de entendimentos em matéria de cooperação espacial em 26 de agosto, por ocasião da visita à Bolívia de uma comitiva iraniana chefiada por Mohammad Javad Zarif, ministro das Relações Exteriores. O memorando foi assinado pelo diretor da Agência Boliviana Espacial (ABE), Iván Zambrana, e o embaixador do Irã em La Paz, Reza Tabatabaei.
De acordo com informações divulgadas na imprensa boliviana citando declarações dadas por Zambrana, o acordo permitirá o intercâmbio de conhecimentos, o desenvolvimento e aplicação da ciência e tecnologia espacial e, eventualmente, o desenvolvimento de projetos conjuntos. Os dois países buscarão promover a colaboração entre universidades e outras entidades de pesquisa relacionadas às atividades espaciais, além da cooperação "no desenho, fabricação e lançamento de satélites de pesquisa".
Desde 2013, a ABE opera o satélite de comunicações Tupac Katari, primeiro satélite do país andino, construído na China. A Agência também está envolvida no projeto que deverá levar à contratação em breve de um satélite de observação terrestre.
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quinta-feira, 1 de setembro de 2016
Nova edição do "INPE Informa"
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Dando sequência a uma série de entrevistas, a mais recente edição do "INPE Informa", newsletter institucional do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), traz uma interessante entrevista com Edson Bel Bosco, responsável pela Coordenação dos Laboratórios Associados (CTE).
Formado por quatro laboratórios - sensores e materiais, plasma, combustão e propulsão, e computação e matemática aplicada, o CTE tem focado sua atuação no desenvolvimento de tecnologias críticas voltadas às atividades espaciais, conforme destacado por Del Bosco na extensa entrevista. Dentre os vários assuntos abordados, destaques para as pesquisas do CTE em fusão nuclear, o envolvimento na missão ASTER, a ser desenvolvida em parceria com a Rússia, e recursos e o apoio da FINEP e FAPESP. Para acessar a entrevista, clique aqui.
O informativo do INPE também apresenta um artigo sobre a atualização e modernização dos laboratórios de testes e qualificação de propulsores de satélites, localizados nas instalações do INPE em Cachoeira Paulista (SP), com informações sobre as principais capacidades e projetos desenvolvidos.
O terceiro e último artigo da edição aborda os programas científicos de mudanças climáticas tocados pelo Instituto, que têm ajudado a consolidar rede de pesquisas em ciência do sistema terrestre do INPE.
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Dando sequência a uma série de entrevistas, a mais recente edição do "INPE Informa", newsletter institucional do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), traz uma interessante entrevista com Edson Bel Bosco, responsável pela Coordenação dos Laboratórios Associados (CTE).
Formado por quatro laboratórios - sensores e materiais, plasma, combustão e propulsão, e computação e matemática aplicada, o CTE tem focado sua atuação no desenvolvimento de tecnologias críticas voltadas às atividades espaciais, conforme destacado por Del Bosco na extensa entrevista. Dentre os vários assuntos abordados, destaques para as pesquisas do CTE em fusão nuclear, o envolvimento na missão ASTER, a ser desenvolvida em parceria com a Rússia, e recursos e o apoio da FINEP e FAPESP. Para acessar a entrevista, clique aqui.
O informativo do INPE também apresenta um artigo sobre a atualização e modernização dos laboratórios de testes e qualificação de propulsores de satélites, localizados nas instalações do INPE em Cachoeira Paulista (SP), com informações sobre as principais capacidades e projetos desenvolvidos.
O terceiro e último artigo da edição aborda os programas científicos de mudanças climáticas tocados pelo Instituto, que têm ajudado a consolidar rede de pesquisas em ciência do sistema terrestre do INPE.
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quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Operação Rio Verde: VSB-30
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Operação vai testar oito experimentos em ambiente de microgravidade
Lançamento de VSB-30 está previsto para novembro em Alcântara (MA)
30/08/2016 10:00h
Prevista para novembro deste ano, a Operação Rio Verde vai testar oito experimentos científicos e tecnológicos em ambiente de microgravidade. O veículo VSB-30, que será lançado do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, vai levar ao espaço pesquisas financiadas pelo Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB).
Serão cinco experimentos científicos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); e três tecnologias desenvolvidas pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), uma das quais em cooperação com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
“Esta é mais uma área em que a Força Aérea Brasileira trabalha, junto à comunidade científica, em prol do desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro”, explica o professor doutor José Bezerra, tecnologista sênior do IAE e representante do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) junto ao Programa Microgravidade da AEB.
Há duas semanas (de 15 a 18/08) foram realizados com sucesso os testes das cablagens (fiações) de voo e o primeiro teste de sistema integrado, em que foram ligados simultaneamente os oito experimentos que irão ao espaço a bordo do foguete brasileiro VSB-30. Os testes foram realizados pelo IAE em São José dos Campos (SP). O instituto é a organização responsável pelo desenvolvimento do veículo espacial VSB-30, cabendo também ao corpo técnico do IAE colaborar no desenvolvimento técnico dos experimentos.
Tecnologias nacionais - Entre os oito experimentos que serão alojados na Microg2, nome da carga-útil da Operação Rio Verde, estão três tecnologias desenvolvidas pelo IAE que serão qualificadas em voo. “São tecnologias nacionais que podem ser aplicadas em qualquer sistema espacial que envolva motor foguete”, destaca Bezerra.
O Circuito de Comutação e Acionamento, que pode ser entendido como um sistema de inteligência embarcado no veículo, realizará o seu primeiro teste em voo. Dele partem ordens pré-programadas para ignição do segundo estágio do foguete e a separação da carga-útil, por exemplo. "Como esse sistema ainda se encontra na fase de desenvolvimento, ele irá ao espaço como um experimento, e não como um equipamento operacional do VSB-30", afirma o pesquisador.
O Sistema de Posicionamento Global (GPS) para aplicação em veículos espaciais realizará seu sétimo voo ao espaço. O projeto é resultado de uma parceria entre o IAE e a UFRN no desenvolvimento de um equipamento para voos em altas velocidades. “Receptores GPS comerciais não funcionam a velocidades elevadas. Por isso, foi necessário desenvolver esse equipamento”, acrescenta sobre o equipamento que fornece dados em tempo real de latitude, longitude e altitude da carga-útil durante todas as fases de voo. As informações são essenciais para a equipe de segurança de voo do centro de lançamento e para a equipe que resgatará a carga-útil no mar, a 175 km do ponto de lançamento.
O GPS para foguetes já tem o oitavo voo agendado. Será feito a bordo do ITASAT, satélite de pequenas dimensões desenvolvido pelo ITA e com lançamento previsto para este ano.
Experimentos sendo testados
O terceiro projeto tecnológio que estará a bordo da carga útil da Operação Rio Verde será o Sensor Mecânico Acelerométrico. Será o terceiro voo de qualificação deste dispositivo mecânico de segurança usado para evitar o acionamento intempestivo de sistemas pirotécnicos, que fazem uso de pequenas cargas explosivas. Ao ser submetido à aceleração resultante da ignição do motor do primeiro estágio o sensor ativa, por exemplo, a linha de ignição do motor do segundo estágio. O sensor não leva à ignição do motor, mas permite que, uma vez dado o comando, o motor seja ignitado. "Nosso objetivo é elevar o nível de segurança da operação de lançamento. Não podemos admitir que tais sistemas sejam acionados com o foguete ainda em solo,” explica o pesquisador.
Programa Microgravidade - O Programa Microgravidade foi criado em 27 de outubro de 1998 pela AEB com o objetivo de colocar ambientes de microgravidade à disposição da comunidade técnico-científica brasileira, provendo meios de acesso e recursos financeiros para o desenvolvimento de experimentos. O gerenciamento das atividades é de responsabilidade da AEB, que conta com o apoio técnico do IAE e do CLA e suporte logístico da FAB.
Conheça um pouco dos cinco experimentos desenvolvidos pelas universidades brasileiras:
1. MPM-A: Os minitubos de calor são dispositivos que fazem uso do calor latente de fusão e do efeito capilar para transportar energia de uma fonte quente para uma fria. Esses dispositivos são utilizados para o controle térmico de equipamentos eletrônicos tanto no espaço como em terra. A Universidade Federal de Santa Catarina é responsável pelo desenvolvimento desse experimento;
2. MPM-B: Também desenvolvido pela UFSC, esse experimento tem a mesma finalidade do MPM-A, mas enquanto o fluido de trabalho do experimento MPM-A é o metanol, o MPM-B utiliza o fluido refrigerante denominado HFE7100;
3. VGP2: Trata-se de um experimento biológico desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) com o objetivo de avaliar os efeitos na microgravidade sobre o DNA da cana de açúcar. Para tanto, amostras de cana de açúcar serão levadas ao espaço;
4. E-MEMS: Desenvolvido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) este experimento tem por objetivo a determinação de altitude de foguetes e satélites. Com essa informação é possível efetuar correções na trajetória de um foguete que possua sistema de controle, bem como manter satélites em suas órbitas nominais;
5. SLEM: Este experimento contempla o desenvolvimento, construção e qualificação de um forno elétrico com capacidade de fundir ligas eutéticas. As amostras são alojadas no interior de um forno cuja temperatura de operação é de 300 oC. Ao atingir o ambiente de microgravidade, o forno é desligado e ocorre a solidificação das ligas. Ao serem recuperadas, as amostras são levadas ao laboratório para análise microscópicas.
Fonte: IAE/DCTA.
Operação vai testar oito experimentos em ambiente de microgravidade
Lançamento de VSB-30 está previsto para novembro em Alcântara (MA)
30/08/2016 10:00h
Prevista para novembro deste ano, a Operação Rio Verde vai testar oito experimentos científicos e tecnológicos em ambiente de microgravidade. O veículo VSB-30, que será lançado do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, vai levar ao espaço pesquisas financiadas pelo Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB).
Serão cinco experimentos científicos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); e três tecnologias desenvolvidas pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), uma das quais em cooperação com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
“Esta é mais uma área em que a Força Aérea Brasileira trabalha, junto à comunidade científica, em prol do desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro”, explica o professor doutor José Bezerra, tecnologista sênior do IAE e representante do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) junto ao Programa Microgravidade da AEB.
Há duas semanas (de 15 a 18/08) foram realizados com sucesso os testes das cablagens (fiações) de voo e o primeiro teste de sistema integrado, em que foram ligados simultaneamente os oito experimentos que irão ao espaço a bordo do foguete brasileiro VSB-30. Os testes foram realizados pelo IAE em São José dos Campos (SP). O instituto é a organização responsável pelo desenvolvimento do veículo espacial VSB-30, cabendo também ao corpo técnico do IAE colaborar no desenvolvimento técnico dos experimentos.
Tecnologias nacionais - Entre os oito experimentos que serão alojados na Microg2, nome da carga-útil da Operação Rio Verde, estão três tecnologias desenvolvidas pelo IAE que serão qualificadas em voo. “São tecnologias nacionais que podem ser aplicadas em qualquer sistema espacial que envolva motor foguete”, destaca Bezerra.
O Circuito de Comutação e Acionamento, que pode ser entendido como um sistema de inteligência embarcado no veículo, realizará o seu primeiro teste em voo. Dele partem ordens pré-programadas para ignição do segundo estágio do foguete e a separação da carga-útil, por exemplo. "Como esse sistema ainda se encontra na fase de desenvolvimento, ele irá ao espaço como um experimento, e não como um equipamento operacional do VSB-30", afirma o pesquisador.
O Sistema de Posicionamento Global (GPS) para aplicação em veículos espaciais realizará seu sétimo voo ao espaço. O projeto é resultado de uma parceria entre o IAE e a UFRN no desenvolvimento de um equipamento para voos em altas velocidades. “Receptores GPS comerciais não funcionam a velocidades elevadas. Por isso, foi necessário desenvolver esse equipamento”, acrescenta sobre o equipamento que fornece dados em tempo real de latitude, longitude e altitude da carga-útil durante todas as fases de voo. As informações são essenciais para a equipe de segurança de voo do centro de lançamento e para a equipe que resgatará a carga-útil no mar, a 175 km do ponto de lançamento.
O GPS para foguetes já tem o oitavo voo agendado. Será feito a bordo do ITASAT, satélite de pequenas dimensões desenvolvido pelo ITA e com lançamento previsto para este ano.
Experimentos sendo testados
O terceiro projeto tecnológio que estará a bordo da carga útil da Operação Rio Verde será o Sensor Mecânico Acelerométrico. Será o terceiro voo de qualificação deste dispositivo mecânico de segurança usado para evitar o acionamento intempestivo de sistemas pirotécnicos, que fazem uso de pequenas cargas explosivas. Ao ser submetido à aceleração resultante da ignição do motor do primeiro estágio o sensor ativa, por exemplo, a linha de ignição do motor do segundo estágio. O sensor não leva à ignição do motor, mas permite que, uma vez dado o comando, o motor seja ignitado. "Nosso objetivo é elevar o nível de segurança da operação de lançamento. Não podemos admitir que tais sistemas sejam acionados com o foguete ainda em solo,” explica o pesquisador.
Programa Microgravidade - O Programa Microgravidade foi criado em 27 de outubro de 1998 pela AEB com o objetivo de colocar ambientes de microgravidade à disposição da comunidade técnico-científica brasileira, provendo meios de acesso e recursos financeiros para o desenvolvimento de experimentos. O gerenciamento das atividades é de responsabilidade da AEB, que conta com o apoio técnico do IAE e do CLA e suporte logístico da FAB.
Conheça um pouco dos cinco experimentos desenvolvidos pelas universidades brasileiras:
1. MPM-A: Os minitubos de calor são dispositivos que fazem uso do calor latente de fusão e do efeito capilar para transportar energia de uma fonte quente para uma fria. Esses dispositivos são utilizados para o controle térmico de equipamentos eletrônicos tanto no espaço como em terra. A Universidade Federal de Santa Catarina é responsável pelo desenvolvimento desse experimento;
2. MPM-B: Também desenvolvido pela UFSC, esse experimento tem a mesma finalidade do MPM-A, mas enquanto o fluido de trabalho do experimento MPM-A é o metanol, o MPM-B utiliza o fluido refrigerante denominado HFE7100;
3. VGP2: Trata-se de um experimento biológico desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) com o objetivo de avaliar os efeitos na microgravidade sobre o DNA da cana de açúcar. Para tanto, amostras de cana de açúcar serão levadas ao espaço;
4. E-MEMS: Desenvolvido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) este experimento tem por objetivo a determinação de altitude de foguetes e satélites. Com essa informação é possível efetuar correções na trajetória de um foguete que possua sistema de controle, bem como manter satélites em suas órbitas nominais;
5. SLEM: Este experimento contempla o desenvolvimento, construção e qualificação de um forno elétrico com capacidade de fundir ligas eutéticas. As amostras são alojadas no interior de um forno cuja temperatura de operação é de 300 oC. Ao atingir o ambiente de microgravidade, o forno é desligado e ocorre a solidificação das ligas. Ao serem recuperadas, as amostras são levadas ao laboratório para análise microscópicas.
Fonte: IAE/DCTA.
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terça-feira, 30 de agosto de 2016
"Como tratar uma outra Humanidade?", artigo de José Monserrat Filho
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Como tratar uma outra Humanidade?
José Monserrat Filho *
“Infelizmente, hoje, a espécie humana tem uma compreensão e uma avaliação inadequadas do meio ambiente espacial, e esse problema deve ser resolvido antes que os exploradores se estabeleçam na fronteira final.” Mark Williamson, em Space: The Fragil Frontier, 2006, p. 25.(1)
A ideia de partir da Terra à procura de nova civilização, de nova humanidade, ou dos já famosos e ainda duvidosos ETs (extra-terrestres) – mas em planeta similar ao nosso – acaba de ganhar novo impulso e entusiasmo. Equipe internacional de astrônomos anunciou, em 24 de agosto, a descoberta daquele que pode ser o planeta mais parecido com a Terra até hoje identificado.(2)
Girando em torno da estrela Proxima Centauro, relativamente perto do nosso Sol, com temperatura que varia entre 30º C e – 30º C, supõe-se que possa ter vida e, quem sabe, ser habitável por assemelhados aos terráqueos. Batizado de “Proxima B”, é provável que seja a estação central de futuras viagens interestelares, arrisca a conceituada revista Nature, datada de 27 de agosto.(3)
"A busca por vida começa agora", disse à Nature o astrônomo Guillem Anglada-Escudé, da Universidade Queen Mary de Londres e líder da equipe que descobriu o “Proxima B”. Segundo a revista, esta é a primeira chance da humanidade de explorar um mundo semelhante ao nosso. A distância média entre a Terra e a Proxima Centauri, o sol da Proxima B é de 4,2 anos-luz (265,6 mil uA, unidade astronômica equivalente a 150 milhões de km), enquanto 1 uA é em média a distância entre a Terra e o nosso Sol. O voo de uma sonda atual da Terra até Proxima Centauri, se estivesse na direção correta, levaria algo em torno de 74 mil anos.(4) O plano, para poupar tempo, é construir frotas de pequenas sondas interestelares de propulsão a laser nas décadas vindouras. Viajando a 20% da velocidade da luz, as minisondas chegariam lá em cerca de apenas 20 anos.
Hoje, 4.500 estrelas são visíveis a olho nu, nos dois hemisférios da Terra. É parte ínfima dos incontáveis sóis existentes no universo. Na Via Láctea, três entre quatro estrelas são anãs-vermelhas, com brilho tão tênue que não podem ser vistas sem telescópio. A Proxima Centauri, a menos distante delas, tampouco é visível no céu noturno. Mas é nas cercanias desses astros que os astrônomos hoje presumem ser mais provável encontrar mundos habitáveis.
Precisamente no sistema da nossa vizinha Proxima Centauri detectou-se o novo planeta, que poderá nos dar uma boa noção da natureza e das expressões da vida no cosmos, diferentes ou não das de nosso planeta ou do que seria imaginável tomando a Terra como referência.
É a esperança – agora renovada – de não estarmos sós no Universo.
Saber de outros seres no Universo, além de nós, vai revirar nossas cabeças. Levantará questões inusitadas, atordoantes e, ao mesmo tempo, animadoras para a humanidade terrestre. Vejamos algumas. Estaremos em condições de nos relacionar com seres diferentes de nós? Como lidar com outra civilização, com outra humanidade, se ainda não conseguimos resolver problemas cruciais de toda ordem que afligem nossa própria civilização? Em que bases políticas, éticas, jurídicas, culturais e psicológicas poderá se dar esse relacionamento?
Haverá que conhecer rápida e profundamente com quem estamos tratando. O intercâmbio de informações com outras civilizações poderá enriquecer a nossa.(5) Quem de nós fará contato com os novos seres? Quem representará a nossa humanidade e falará em seu nome nos encontros iniciais? Os cientistas? Os centros de pesquisa? Os governos nacionais? Qual será o papel das Nações Unidas (ONU) e das outras organizações internacionais intergovernamentais? E o das grandes potências, sobretudo aquelas poucas com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU? E o das organizações e empresas internacionais privadas?
Digamos que a espécie contatada está num alto estágio de desenvolvimento. Se for mais inteligente, criativa e amadurecida que nós, pode acabar criticando nosso modo irracional de viver, produzir e consumir, sobretudo os recursos naturais cada vez mais escassos do nosso planeta, destruindo suas fontes de sobrevivência; pode classificá-lo como péssimo exemplo para o Universo e recomendar imediata mudança de rumo. Como reagiremos? Aceitando a crítica e ouvindo sua experiência a respeito, ou rejeitando-a como intromissão indevida em nossos assuntos internos?
E se indagar como aguentamos tanta acumulação de renda e desigualdade social(6), o que dizer, meu Deus? Que isso é normal, que é melhor assim? Tomara não queira saber também quem é esse tal de Mercado sem sobrenome, que manda e desmanda nos principais setores da economia global, nem pedir para conhecê-lo pessoalmente e perguntar sobre suas origens, seu curriculum vitae, suas principais realizações, tentando entender como chegou a um poder tão assustador e incontrolável. Como contar-lhe que o senhor Mercado é servidor abstrato, competente e abnegado de uma pequena elite globalizada, riquíssima e ambiciosa?
A Carta da ONU, base do Direito Internacional, facilitará os entendimentos. Seus princípios, reunidos no Artigo 2, com certeza despertarão respeito e admiração: igualdade soberana de todos os países; cumprimento, em boa fé, das obrigações legalmente assumidas; solução exclusivamente pacífica das controvérsias que ameacem a paz, a segurança e a justiça em todo o mundo; não-uso da força, nem ameaça de uso da força contra qualquer Estado (proibição da guerra); assistência às missões de paz da ONU e não-ajuda aos países contra quem a ONU atue de modo preventivo ou coercitivo; não-intervenção nos assuntos internos dos países, salvo se agredirem outros países, segundo avaliação do Conselho de Segurança.
Mas teremos que explicar à nova espécie por que, por exemplo, o Conselho de Segurança mantém sua velha e obsoleta composição de 70 anos atrás e continua impotente para prevenir e impedir as guerras, tão comuns e habituais hoje em dia, e garantir a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável para todos os países e povos. E igualmente por que seguimos mantendo e modernizando os arsenais nucleares, que contam hoje com 15.850 ogivas, quando algumas já bastam para arrasar o planeta.
Também o Direito Espacial Internacional da Terra pode agradar os forasteiros. O Tratado do Espaço de 1967 – o código maior do espaço e das atividades espaciais, hoje ratificado por 104 países e assinado por 25 outros – já em seu Artigo I, § 1, reza que “a exploração e o uso do espaço cósmico, inclusive da Lua e demais corpos celestes, deverão ter em mira o bem e interesse de todos os países, qualquer que seja o estágio de seu desenvolvimento econômico e científico, e são incumbência de toda a humanidade”. O espaço, portanto, não é de ninguém. É de todos e está aberto a todos, sem exceções.
Essa é a Cláusula do Bem Comum, pela qual o espaço e as atividades nele exercidas devem beneficiar a totalidade dos países, sem qualquer discriminação, como domínio (province) de toda a humanidade. A Cláusula é completada e reforçada pelo Artigo 2, que determina: “O espaço cósmico, inclusive a Lua e demais corpos celestes, não poderá ser objeto de apropriação nacional por proclamação de soberania, por uso ou ocupação, nem por qualquer outro meio” Obviamente, não se pode permitir a apropriação de um lugar que deve ser acessível a todos.
O princípio da não-apropriação do espaço, fechado a brechas e lacunas, vale não só para os Estados, mas também para as corporações privadas – que, queiram ou não, são dependentes do governo e das leis nacionais de seus Estados-sede, não adianta espernear –, muito embora usem seu imenso poder global a fim de pressionar cada vez mais para fazer o que bem entendem, livres de Estados, governos, princípios éticos e legislações.
Mas então será preciso informar aos novos seres que o Direito Espacial ainda está longe de tornar ilegal: I) a guerra no espaço, cuja preparação está hoje em pleno andamento; e II) a extração de minerais e recursos naturais dos asteroides e outros corpos celestes por empresas privadas, já sancionada em lei nacional pelo governo da maior potência do planeta, os EUA.
São ações capazes de afetar irreversivelmente tanto o espaço exterior, quanto direitos fundamentais e interesses legítimos de todos os povos.
E se os novos seres decidirem ir embora, prometendo voltar numa época mais propícia ao diálogo e a relações mútuas mais seguras e confiáveis? Não estarão apenas refletindo a crise geral, a raquítica governança global, o desmobilização e a desesperança que reinam aqui na Terra?
O Papa Francisco tem razão: “Precisamos de nova solidariedade universal.”(7) E esse “universal” precisaria ser abrangente, incluindo mais de uma humanidade.
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: jose.monserrat.filho@gmail.com.
Referências
1) Mark Williamson, jornalista inglês de ciência e tecnologia espaciais, consultante de programas de tecnologia espacial, autor de mais de 350 artigos sobre a matéria. Seu livro Space: The Fragile Frontier (Espaço: A Frágil Fronteira), publicado em 2006 pelo Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica (AIAA, na sigla em inglês).
2) Nogueira, Salvador, Cientistas acham planeta que pode ser habitável em sistema vizinho, Folha de S. Paulo, Cotidiano, 25 de agosto de 2016, p. 4.
3) Artigo de Alexandra Witze “Earth-sized planet around nearby star is astronomy dream come true” (Planeta do tamanho da Terra girando em torno de estrela próxima é sonho astronômico que se torna realidade). Ver www.nature.com/news/earth-sized-planet-around-nearby-star-is-astronomy-dream-come-true-1.20445.
4) Cálculo de Salvador Nogueira; ver artigo citado no ponto 1.
5) Vakoch, Douglas A. (Ed.), Extraterrestrial Altruism – Evolution and Ethics in the Cosmos, Springer-Verlag Berlin Heidelberg, 2014, p. IX.
6) Stiglitz, Joseph E., O grande abismo – Sociedades desiguais e o que podemos fazer sobre isso, Rio de Janeiro, RJ: Alta Book, 2016. O autor é Prêmio Nobel de Economia de 2001.
7) Papa Francisco, Carta Encíclica LAUDATO SI' – Sobre o Cuidado da Casa Comum, São Paulo: Editora Paulinas, 2015, p. 14.
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Como tratar uma outra Humanidade?
José Monserrat Filho *
“Infelizmente, hoje, a espécie humana tem uma compreensão e uma avaliação inadequadas do meio ambiente espacial, e esse problema deve ser resolvido antes que os exploradores se estabeleçam na fronteira final.” Mark Williamson, em Space: The Fragil Frontier, 2006, p. 25.(1)
A ideia de partir da Terra à procura de nova civilização, de nova humanidade, ou dos já famosos e ainda duvidosos ETs (extra-terrestres) – mas em planeta similar ao nosso – acaba de ganhar novo impulso e entusiasmo. Equipe internacional de astrônomos anunciou, em 24 de agosto, a descoberta daquele que pode ser o planeta mais parecido com a Terra até hoje identificado.(2)
Girando em torno da estrela Proxima Centauro, relativamente perto do nosso Sol, com temperatura que varia entre 30º C e – 30º C, supõe-se que possa ter vida e, quem sabe, ser habitável por assemelhados aos terráqueos. Batizado de “Proxima B”, é provável que seja a estação central de futuras viagens interestelares, arrisca a conceituada revista Nature, datada de 27 de agosto.(3)
"A busca por vida começa agora", disse à Nature o astrônomo Guillem Anglada-Escudé, da Universidade Queen Mary de Londres e líder da equipe que descobriu o “Proxima B”. Segundo a revista, esta é a primeira chance da humanidade de explorar um mundo semelhante ao nosso. A distância média entre a Terra e a Proxima Centauri, o sol da Proxima B é de 4,2 anos-luz (265,6 mil uA, unidade astronômica equivalente a 150 milhões de km), enquanto 1 uA é em média a distância entre a Terra e o nosso Sol. O voo de uma sonda atual da Terra até Proxima Centauri, se estivesse na direção correta, levaria algo em torno de 74 mil anos.(4) O plano, para poupar tempo, é construir frotas de pequenas sondas interestelares de propulsão a laser nas décadas vindouras. Viajando a 20% da velocidade da luz, as minisondas chegariam lá em cerca de apenas 20 anos.
Hoje, 4.500 estrelas são visíveis a olho nu, nos dois hemisférios da Terra. É parte ínfima dos incontáveis sóis existentes no universo. Na Via Láctea, três entre quatro estrelas são anãs-vermelhas, com brilho tão tênue que não podem ser vistas sem telescópio. A Proxima Centauri, a menos distante delas, tampouco é visível no céu noturno. Mas é nas cercanias desses astros que os astrônomos hoje presumem ser mais provável encontrar mundos habitáveis.
Precisamente no sistema da nossa vizinha Proxima Centauri detectou-se o novo planeta, que poderá nos dar uma boa noção da natureza e das expressões da vida no cosmos, diferentes ou não das de nosso planeta ou do que seria imaginável tomando a Terra como referência.
É a esperança – agora renovada – de não estarmos sós no Universo.
Saber de outros seres no Universo, além de nós, vai revirar nossas cabeças. Levantará questões inusitadas, atordoantes e, ao mesmo tempo, animadoras para a humanidade terrestre. Vejamos algumas. Estaremos em condições de nos relacionar com seres diferentes de nós? Como lidar com outra civilização, com outra humanidade, se ainda não conseguimos resolver problemas cruciais de toda ordem que afligem nossa própria civilização? Em que bases políticas, éticas, jurídicas, culturais e psicológicas poderá se dar esse relacionamento?
Haverá que conhecer rápida e profundamente com quem estamos tratando. O intercâmbio de informações com outras civilizações poderá enriquecer a nossa.(5) Quem de nós fará contato com os novos seres? Quem representará a nossa humanidade e falará em seu nome nos encontros iniciais? Os cientistas? Os centros de pesquisa? Os governos nacionais? Qual será o papel das Nações Unidas (ONU) e das outras organizações internacionais intergovernamentais? E o das grandes potências, sobretudo aquelas poucas com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU? E o das organizações e empresas internacionais privadas?
Digamos que a espécie contatada está num alto estágio de desenvolvimento. Se for mais inteligente, criativa e amadurecida que nós, pode acabar criticando nosso modo irracional de viver, produzir e consumir, sobretudo os recursos naturais cada vez mais escassos do nosso planeta, destruindo suas fontes de sobrevivência; pode classificá-lo como péssimo exemplo para o Universo e recomendar imediata mudança de rumo. Como reagiremos? Aceitando a crítica e ouvindo sua experiência a respeito, ou rejeitando-a como intromissão indevida em nossos assuntos internos?
E se indagar como aguentamos tanta acumulação de renda e desigualdade social(6), o que dizer, meu Deus? Que isso é normal, que é melhor assim? Tomara não queira saber também quem é esse tal de Mercado sem sobrenome, que manda e desmanda nos principais setores da economia global, nem pedir para conhecê-lo pessoalmente e perguntar sobre suas origens, seu curriculum vitae, suas principais realizações, tentando entender como chegou a um poder tão assustador e incontrolável. Como contar-lhe que o senhor Mercado é servidor abstrato, competente e abnegado de uma pequena elite globalizada, riquíssima e ambiciosa?
A Carta da ONU, base do Direito Internacional, facilitará os entendimentos. Seus princípios, reunidos no Artigo 2, com certeza despertarão respeito e admiração: igualdade soberana de todos os países; cumprimento, em boa fé, das obrigações legalmente assumidas; solução exclusivamente pacífica das controvérsias que ameacem a paz, a segurança e a justiça em todo o mundo; não-uso da força, nem ameaça de uso da força contra qualquer Estado (proibição da guerra); assistência às missões de paz da ONU e não-ajuda aos países contra quem a ONU atue de modo preventivo ou coercitivo; não-intervenção nos assuntos internos dos países, salvo se agredirem outros países, segundo avaliação do Conselho de Segurança.
Mas teremos que explicar à nova espécie por que, por exemplo, o Conselho de Segurança mantém sua velha e obsoleta composição de 70 anos atrás e continua impotente para prevenir e impedir as guerras, tão comuns e habituais hoje em dia, e garantir a paz, a segurança e o desenvolvimento sustentável para todos os países e povos. E igualmente por que seguimos mantendo e modernizando os arsenais nucleares, que contam hoje com 15.850 ogivas, quando algumas já bastam para arrasar o planeta.
Também o Direito Espacial Internacional da Terra pode agradar os forasteiros. O Tratado do Espaço de 1967 – o código maior do espaço e das atividades espaciais, hoje ratificado por 104 países e assinado por 25 outros – já em seu Artigo I, § 1, reza que “a exploração e o uso do espaço cósmico, inclusive da Lua e demais corpos celestes, deverão ter em mira o bem e interesse de todos os países, qualquer que seja o estágio de seu desenvolvimento econômico e científico, e são incumbência de toda a humanidade”. O espaço, portanto, não é de ninguém. É de todos e está aberto a todos, sem exceções.
Essa é a Cláusula do Bem Comum, pela qual o espaço e as atividades nele exercidas devem beneficiar a totalidade dos países, sem qualquer discriminação, como domínio (province) de toda a humanidade. A Cláusula é completada e reforçada pelo Artigo 2, que determina: “O espaço cósmico, inclusive a Lua e demais corpos celestes, não poderá ser objeto de apropriação nacional por proclamação de soberania, por uso ou ocupação, nem por qualquer outro meio” Obviamente, não se pode permitir a apropriação de um lugar que deve ser acessível a todos.
O princípio da não-apropriação do espaço, fechado a brechas e lacunas, vale não só para os Estados, mas também para as corporações privadas – que, queiram ou não, são dependentes do governo e das leis nacionais de seus Estados-sede, não adianta espernear –, muito embora usem seu imenso poder global a fim de pressionar cada vez mais para fazer o que bem entendem, livres de Estados, governos, princípios éticos e legislações.
Mas então será preciso informar aos novos seres que o Direito Espacial ainda está longe de tornar ilegal: I) a guerra no espaço, cuja preparação está hoje em pleno andamento; e II) a extração de minerais e recursos naturais dos asteroides e outros corpos celestes por empresas privadas, já sancionada em lei nacional pelo governo da maior potência do planeta, os EUA.
São ações capazes de afetar irreversivelmente tanto o espaço exterior, quanto direitos fundamentais e interesses legítimos de todos os povos.
E se os novos seres decidirem ir embora, prometendo voltar numa época mais propícia ao diálogo e a relações mútuas mais seguras e confiáveis? Não estarão apenas refletindo a crise geral, a raquítica governança global, o desmobilização e a desesperança que reinam aqui na Terra?
O Papa Francisco tem razão: “Precisamos de nova solidariedade universal.”(7) E esse “universal” precisaria ser abrangente, incluindo mais de uma humanidade.
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: jose.monserrat.filho@gmail.com.
Referências
1) Mark Williamson, jornalista inglês de ciência e tecnologia espaciais, consultante de programas de tecnologia espacial, autor de mais de 350 artigos sobre a matéria. Seu livro Space: The Fragile Frontier (Espaço: A Frágil Fronteira), publicado em 2006 pelo Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica (AIAA, na sigla em inglês).
2) Nogueira, Salvador, Cientistas acham planeta que pode ser habitável em sistema vizinho, Folha de S. Paulo, Cotidiano, 25 de agosto de 2016, p. 4.
3) Artigo de Alexandra Witze “Earth-sized planet around nearby star is astronomy dream come true” (Planeta do tamanho da Terra girando em torno de estrela próxima é sonho astronômico que se torna realidade). Ver www.nature.com/news/earth-sized-planet-around-nearby-star-is-astronomy-dream-come-true-1.20445.
4) Cálculo de Salvador Nogueira; ver artigo citado no ponto 1.
5) Vakoch, Douglas A. (Ed.), Extraterrestrial Altruism – Evolution and Ethics in the Cosmos, Springer-Verlag Berlin Heidelberg, 2014, p. IX.
6) Stiglitz, Joseph E., O grande abismo – Sociedades desiguais e o que podemos fazer sobre isso, Rio de Janeiro, RJ: Alta Book, 2016. O autor é Prêmio Nobel de Economia de 2001.
7) Papa Francisco, Carta Encíclica LAUDATO SI' – Sobre o Cuidado da Casa Comum, São Paulo: Editora Paulinas, 2015, p. 14.
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