sábado, 31 de dezembro de 2016
Cubesat SPORT: parceria INPE, ITA e NASA
Em parceria com INPE, ITA desenvolverá nanossatélite financiado pela NASA
Equipamento deve ser lançado a partir da Estação Espacial Internacional e deve ajudar na compreensão do clima espacial
30/12/2016 08:00h
O desenvolvimento de um nanossatélite com a participação de dois institutos brasileiros, o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), acaba de ser selecionado, dentre mais de 70 propostas apresentadas, para financiamento pela NASA, a agência espacial norte-americana. O equipamento terá como finalidade investigar o clima espacial.
“Espera-se que esta missão possa reunir dados que aumentem a compreensão dos fenômenos que ocorrem nesta importante camada da atmosfera e permitam assim alimentar os modelos teóricos da ionosfera que modelem o seu comportamento, permitindo uma melhoria na previsibilidade destes fenômenos”, afirma o gerente da plataforma e professor doutor do ITA, Luís Loures.
A iniciativa é coordenada pelo Marshall Space Flight Center, centro de pesquisas civil do governo dos Estados Unidos, que inclui também universidades norte-americanas, e visa lançar o equipamento a partir da Estação Espacial Internacional (ISS) entre novembro de 2018 e março de 2019. O cronograma prevê o início da missão em março de 2017. A vida útil do nanossatélite é estimada em um ano, em função da atividade solar no período e da dinâmica de voo para o lançamento da ISS.
O nanossatélite, um cubesat de aproximadamente seis quilos, servirá a estudos sobre a formação de bolhas de plasma ionosférico, que são as fontes principais de reflexões de radar na região equatorial. A missão denominada de SPORT (sigla em inglês para Scintillation Prediction Observation Research Task) investigará o estado da ionosfera que acarreta o crescimento das bolhas de plasma. Também serão estudadas as relações entre as irregularidades no plasma em altitude de satélites com as cintilações de rádio observadas na região equatorial da ionosfera.
A ionosfera é a camada superior da atmosfera terrestre que se estende de 50 km a 1000 km de altitude, sendo composta basicamente por elétrons e átomos carregados eletricamente devido à forte incidência da radiação solar que induz a estes estados. Esta camada é extremamente importante para a transmissão de ondas de rádio e para a precisão do sinal de sistema de posicionamento global (GPS). O que ocorre é que a camada ionosférica é suscetível à formação de bolhas de plasma e cintilações, principalmente nas regiões próximas ao equador magnético, e estes fenômenos causam distúrbios diversos. A situação pode ser agravada pela ocorrência de tempestades solares que lançam grandes quantidade de radiação ionizante em direção à Terra.
“O projeto SPORT permitirá ao instituto a consolidação de sua competência na área de cubesats, criando as condições para uma evolução constante na pesquisa em engenharia de pequenos satélites”, resume Loures.
Tarefas - Ao ITA caberá o projeto, a integração e os ensaios da plataforma. As universidades americanas serão responsáveis pela carga útil, ou seja, em elaborar os instrumentos de medição da ionosfera. O INPE terá a tarefa de coordenar o segmento de solo, ou seja, controlar o satélite, receber os dados, tratá-los e disponibilizá-los para a comunidade científica.
Além da Engenharia Aeroespacial, o Departamento de Física do instituto está envolvido na tentativa de compreensão dos fenômenos que regem a ionosfera.
Sob o ponto de vista científico, o projeto SPORT contará com a liderança do professor do ITA Abdu Mangalathayil, considerado o principal pesquisador brasileiro na área de ionosfera e com atuação internacional reconhecida. O professor coordenará os trabalhos de estudo da ionosfera que serão desencadeados pela pesquisa. Também estão envolvidos especialistas em plasma e em sensores aeroespaciais. Outros professores e alunos de doutorado e pós-doutorado também participam.
Fonte: ITA/INPE, com edição da Agência Força Aérea, por Ten Jussara Peccini.
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
Tecnologia & Defesa n.º 147
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Já está disponível para venda a edição n.º 147 da revista
Tecnologia & Defesa, a mais tradicional publicação sobre os setores
aeroespacial e de defesa na América Latina. A seção de espaço deste número traz
dois conteúdos especiais: a reportagem "Visiona se prepara para o
futuro", preparada com base numa entrevista com Eduardo Bonini, presidente
da Visiona; e um artigo-entrevista com Carlos Gurgel, diretor de Satélites da
Agencia Espacial Brasileira, que se despedirá da instituição no início de 2017.
Alem do conteúdo "espacial", a seguir alguns
dos destaques deste número, disponível para venda no website de T&D:
- ProSub: como anda o programa
- O novo Cascavel: um demonstrador de conceitos e soluções
- Conhecendo a Seagull, de Israel, uma embarcação não tripulada
para Guerra de Minas e a importância desta tarefa para a Marinha do Brasil
- Voamos o Grob G120TP para conhecer a proposta alemã
para a formação dos pilotos na AFA
- Operações da ARP Hermes 450 contra o narcotráfico
- Coluna Defesa & Negócios: entrevista com Henrique
Gomes, da IAI do Brasil
- E muito mais!
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terça-feira, 27 de dezembro de 2016
Mais informações sobre o programa VLM-1
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O mais aguardado acontecimento em 2016 em se tratando de lançadores se deu na semana passada, com a contratação da produção de oito motores S50, que serão utilizados nos voos do veículo VS-50 e da primeira versão do VLM-1, ambos em desenvolvimento pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA), em parceria com a indústria (sobre a assinatura, veja as notas divulgadas pela Agência Espacial Brasileira e pelo IAE/DCTA).
Apresentamos a seguir alguns bullet points com informações sobre o contrato e o programa VLM-1:
Ineditismo. O contrato firmado com a Avibrás é de grande relevância pelo seu caráter inédito, uma vez que foi o primeiro contrato de produção de propulsores de lançadores firmado junto à indústria nacional no Brasil - não sem motivo a nota divulgada pela Agência Espacial Brasileira faz referência à assinatura como uma "data histórica para o Programa Espacial Brasileiro". O processo de contratação dos motores durou pouco mais de um ano e teve várias reuniões e rodadas de negociações. A única ofertante foi a Avibrás Divisão Aérea e Naval S.A., que apresentou sua proposta revisada em novembro.
Expertise da Avibrás em foguetes. O envolvimento da Avibrás, mundialmente conhecida pelo sistema militar ASTROS, com foguetes de sondagem e lançadores não é novo. Nas décadas de setenta e oitenta, a empresa participou do desenvolvimento de foguetes da família SONDA. Mais recentemente, desenvolveu o Foguete de Treinamento Básico (FTB) e o Foguete de Treinamento Intermediário (FTI) para o IAE, frequentemente utilizados para testes, qualificação e treinamento de equipes nos centros de lançamento de Alcântara e da Barreira do Inferno. A Avibrás é a única fabricante privada brasileira de perclorato de amônio, um dos componentes do propelente sólido dos motores que equipam grande parte dos projetos de foguetes nacionais. No final de 2014, foi também beneficiada com recursos de subvenção do programa Inova Aerodefesa, da FINEP, para desenvolvimento de tecnologia para o VLM-1.
Envolvimento da indústria nacional. A Avibrás não é a única indústria nacional envolvida com o VLM-1. A CENIC e a JTDH Engenharia, ambas de São José dos Campos (SP), foram selecionadas em 2014, respectivamente, para subvenções no âmbito do Inova Aerodefesa para o desenvolvimento de módulos inter-estágios e estruturas, e das redes elétricas do VLM-1. Novas contratações, locais e no exterior, serão necessárias para a conclusão do projeto e realização do primeiro voo.
Recursos no orçamento. Em entrevista concedida à Tecnologia & Defesa no início de dezembro, o brig. Augusto Luiz de Castro Otero, diretor do IAE, destacou a importância de 2017 para o VLM-1, fazendo referência à previsão orçamentária: "O ano de 2017 será de grande importância para o projeto VLM-1, por estar previsto o início da fabricação dos motores S50 e a consolidação do projeto completo do veículo. Para o atingimento destas metas, a Proposta de Lei Orçamentária Anual de 2017 prevê um aporte de mais de R$ 30.000.000,00, grande parte dedicados à contratação da produção dos S50."
Parceria com a Alemanha. O VLM-1 é mais um dos projetos em que o IAE coopera com a Alemanha, dando continuidade a um relacionamento de mais de quatro décadas, com destaque para iniciativas envolvendo foguetes suborbitais (VS-30 e VSB-30). Segundo o brig. Otero, "a participação do DLR no projeto VLM-1 é também importante para a execução de várias atividades técnicas e de fornecimento de sistemas do veículo." Destaque-se também o envolvimento de empresas da Alemanha, como a MT Aerospace, do grupo OHB System, que tem trabalhado na estrutura em fibra de carbono do motor S50.
Cronograma. De acordo com informações do diretor do IAE, o projeto VLM-1 no momento encontra-se na fase de definição de requisitos funcionais e técnicos, visando a consolidação do projeto completo no final de 2017. No planejamento do Instituto, está programada a realização de ensaios de qualificação de todos os sistemas, inclusive o motor S50, ao longo de 2018, permitindo a execução dos primeiros voos de qualificação do motor, dos sistemas embarcados, e do veículo VLM-1 em si, ao longo de 2019. Por sua vez, o contrato de produção do S50 tem prazo previsto para execução de 26 meses.
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O mais aguardado acontecimento em 2016 em se tratando de lançadores se deu na semana passada, com a contratação da produção de oito motores S50, que serão utilizados nos voos do veículo VS-50 e da primeira versão do VLM-1, ambos em desenvolvimento pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA), em parceria com a indústria (sobre a assinatura, veja as notas divulgadas pela Agência Espacial Brasileira e pelo IAE/DCTA).
Apresentamos a seguir alguns bullet points com informações sobre o contrato e o programa VLM-1:
Ineditismo. O contrato firmado com a Avibrás é de grande relevância pelo seu caráter inédito, uma vez que foi o primeiro contrato de produção de propulsores de lançadores firmado junto à indústria nacional no Brasil - não sem motivo a nota divulgada pela Agência Espacial Brasileira faz referência à assinatura como uma "data histórica para o Programa Espacial Brasileiro". O processo de contratação dos motores durou pouco mais de um ano e teve várias reuniões e rodadas de negociações. A única ofertante foi a Avibrás Divisão Aérea e Naval S.A., que apresentou sua proposta revisada em novembro.
Expertise da Avibrás em foguetes. O envolvimento da Avibrás, mundialmente conhecida pelo sistema militar ASTROS, com foguetes de sondagem e lançadores não é novo. Nas décadas de setenta e oitenta, a empresa participou do desenvolvimento de foguetes da família SONDA. Mais recentemente, desenvolveu o Foguete de Treinamento Básico (FTB) e o Foguete de Treinamento Intermediário (FTI) para o IAE, frequentemente utilizados para testes, qualificação e treinamento de equipes nos centros de lançamento de Alcântara e da Barreira do Inferno. A Avibrás é a única fabricante privada brasileira de perclorato de amônio, um dos componentes do propelente sólido dos motores que equipam grande parte dos projetos de foguetes nacionais. No final de 2014, foi também beneficiada com recursos de subvenção do programa Inova Aerodefesa, da FINEP, para desenvolvimento de tecnologia para o VLM-1.
Envolvimento da indústria nacional. A Avibrás não é a única indústria nacional envolvida com o VLM-1. A CENIC e a JTDH Engenharia, ambas de São José dos Campos (SP), foram selecionadas em 2014, respectivamente, para subvenções no âmbito do Inova Aerodefesa para o desenvolvimento de módulos inter-estágios e estruturas, e das redes elétricas do VLM-1. Novas contratações, locais e no exterior, serão necessárias para a conclusão do projeto e realização do primeiro voo.
Recursos no orçamento. Em entrevista concedida à Tecnologia & Defesa no início de dezembro, o brig. Augusto Luiz de Castro Otero, diretor do IAE, destacou a importância de 2017 para o VLM-1, fazendo referência à previsão orçamentária: "O ano de 2017 será de grande importância para o projeto VLM-1, por estar previsto o início da fabricação dos motores S50 e a consolidação do projeto completo do veículo. Para o atingimento destas metas, a Proposta de Lei Orçamentária Anual de 2017 prevê um aporte de mais de R$ 30.000.000,00, grande parte dedicados à contratação da produção dos S50."
Parceria com a Alemanha. O VLM-1 é mais um dos projetos em que o IAE coopera com a Alemanha, dando continuidade a um relacionamento de mais de quatro décadas, com destaque para iniciativas envolvendo foguetes suborbitais (VS-30 e VSB-30). Segundo o brig. Otero, "a participação do DLR no projeto VLM-1 é também importante para a execução de várias atividades técnicas e de fornecimento de sistemas do veículo." Destaque-se também o envolvimento de empresas da Alemanha, como a MT Aerospace, do grupo OHB System, que tem trabalhado na estrutura em fibra de carbono do motor S50.
Cronograma. De acordo com informações do diretor do IAE, o projeto VLM-1 no momento encontra-se na fase de definição de requisitos funcionais e técnicos, visando a consolidação do projeto completo no final de 2017. No planejamento do Instituto, está programada a realização de ensaios de qualificação de todos os sistemas, inclusive o motor S50, ao longo de 2018, permitindo a execução dos primeiros voos de qualificação do motor, dos sistemas embarcados, e do veículo VLM-1 em si, ao longo de 2019. Por sua vez, o contrato de produção do S50 tem prazo previsto para execução de 26 meses.
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016
"A Humanidade na Era Espacial", artigo de José Monserrat Filho
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A Humanidade na Era Espacial
José Monserrat Filho *
“... visualizo em nossos dias um grande esforço, por parte da doutrina jurídica mais lúcida, de retorno às origens, que corresponde um processo histórico de humanização do Direito Internacional.” Antônio Augusto Cançado Trindade (1)
O termo “humanidade” mereceu posição de realce no Tratado do Espaço de 1967, a lei maior do espaço e das atividades espaciais, cujo longo nome oficial – “Tratado sobre Princípios Reguladores das Atividades dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Cósmico, Inclusive a Lua e Demais Corpos Celestes” (2), foi-lhe dado certamente para explicitar seus objetivos mais gerais.
O Tratado do Espaço menciona quatro vezes a humanidade. É uma de suas distinções, com especial significado jurídico. Será a humanidade sujeito do Direito Espacial Internacional? O tema ganhou atualidade com a intensificação da globalização econômica, que supostamente viria satisfazer necessidades e anseios de todos os povos, mas que, na verdade, está cada vez mais distante desse objetivo, sem nunca “fortalecer as vozes do Terceiro Mundo”. (3) Qual poderia ser o papel da humanidade – vasta e majoritária, mas impotente e descartada – na governança do mundo?
Ou terá sido por vivermos na “Era Planetária”, na definição holista e esperançosa de Edgar Morin? Para Morin e Kern, em Terra-Pátria, “a era planetária se inaugura e se desenvolve na e através da violência, da destruição, da escravidão, da exploração feroz das Américas e da África. É a idade de ferro planetária, na qual estamos ainda”, mas “é também a aspiração, neste início do século XXI, à unidade pacífica e fraterna da humanidade”. (4)
O preâmbulo do Tratado do Espaço, já em seus primeiros considerandos inspira-se “nas vastas perspectivas que a descoberta do espaço cósmico pelo homem oferece à humanidade” e reconhece “o interesse que apresenta para toda a humanidade o programa da exploração e uso do espaço cósmico para fins pacíficos”. São enfoques que se completam dialeticamente: de um lado, o espaço descoberto pelos humanos escancara imenso potencial de benefícios para a humanidade; de outro, a humanidade tem tudo para se interessar pela exploração e uso pacíficos do espaço.
O artigo 1º (§ 1ª) do Tratado estabelece a “Cláusula do Bem Comum”, determinando que “a exploração e o uso do espaço cósmico, inclusive da Lua e demais corpos celestes, deverão ter em mira o bem e interesse de todos os países, qualquer que seja o estágio de seu desenvolvimento econômico e científico, e são incumbência de toda a humanidade”. Ou seja, é tarefa, encargo, compromisso, dever, obrigação e responsabilidade (sinônimos de incumbência) da humanidade fazer com que a exploração e o uso do espaço sejam sempre realizados para o bem e no interesse de todos os países, independentemente de seu nível de avanço econômico e científico. A humanidade seria, então, o promotor e o fiador do bem comum nas atividades espaciais.
O artigo 5º do Tratado considera os astronautas como “enviados da humanidade no espaço cósmico”, título que também se aplica aos cosmonautas da ex-União Soviética e da Rússia, bem como aos taikonautas da China. A norma parece homenagem, mas, na realidade, tem um sentido prático e necessário, em plena guerra fria dos anos 60 em diante: cria a obrigação de prestar toda assistência possível aos astronautas em caso de acidente, perigo ou aterrissagem forçada em outro país que não o seu ou em alto-mar, e de retorná-lo a seu país de origem junto com seu veículo espacial, o mais rapidamente possível e em total segurança. Cria também mais duas obrigações: a de que os astronautas de um país prestem toda assistência possível aos astronautas dos outros países e a de que cada país informe de imediato aos demais países e ao Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas qualquer fenômeno que tenha descoberto no espaço, na Lua e nos outros corpos celestes, capaz de constituir perigo à vida ou à saúde dos astronautas. Note-se que os astronautas eram e muitos ainda são militares integrados às estratégias das Forças Armadas de seus países.
O Acordo que Regula as Atividades dos Estados na Lua e em Outros Corpos Celestes, de 1979, conhecido como “Acordo da Lua”, integra o quinteto de tratados aprovados pelas Nações Unidas, embora tenha sido ratificado por apenas 16 países e assinado por outros quatro. (5)
Em seu Artigo 4º, o Acordo da Lua repetem o Artigo 1º (§ 1º) do Tratado do Espaço, afirmando que “a exploração e o uso da Lua são incumbência de toda a humanidade e se realizam em benefício e no interesse de todos os países, qualquer que seja o estágio de seu desenvolvimento econômico ou científico”.
Mas tem o mérito de adotar duas novas disposições, em termos irrecusáveis: “Especial atenção deve ser dada aos interesses das gerações presentes e futuras, bem como à necessidade de promover níveis de vida mais elevados e melhores condições de progresso e desenvolvimento econômico e social, em conformidade com a Carta da Organização das Nações Unidas”.
Preparado em grande parte pelos países em desenvolvimento ao longo dos anos 70 – década em que os chamados países não alinhados tiveram importante atuação no cenário internacional –, o Acordo da Lua estabelece o princípio da relevância intergeneracional e ressuscita o amplo compromisso social adotado pela Carta das Nações Unidas na promoção de “níveis de vida mais elevados e melhores condições de progresso e desenvolvimento econômico e social”.
O Acordo da Lua tem sua maior contribuição no Artigo 11, que começa estabelecendo, no § 1º, que “a Lua e seus recursos naturais são patrimônio comum da humanidade”. O § 2º reafirma e adapta o Artigo 2 do Tratado do Espaço: “A Lua não pode ser objeto de apropriação nacional por proclamação de soberania, por uso ou ocupação, nem por qualquer outro meio”. E o § 3º detalha esse princípio da não-apropriação: “A superfície e o subsolo da Lua, bem como partes da superfície ou do subsolo e seus recursos naturais, não podem ser propriedade de qualquer Estado, organização internacional intergovernamental ou não-governamental, organização nacional ou entidade não-governamental, ou de qualquer pessoa física. O estabelecimento na superfície ou no subsolo da Lua de pessoal, veículos, material, estações, instalações e equipamentos espaciais, inclusive obras vinculadas indissoluvelmente à sua superfície ou subsolo, não cria o direito de propriedade sobre sua superfície ou subsolo e suas partes. Estes dispositivos não devem prejudicar o regime internacional referido no § 5º deste Artigo.”
O § 5º propõe a criação de um regime internacional para ordenar a exploração dos recursos naturais da Lua: “Os Estados-Partes se comprometem (...) a estabelecer um regime internacional, inclusive os procedimentos adequados, para regulamentar a exploração dos recursos naturais da Lua, quando esta exploração estiver a ponto de se tornar possível”.
O § 6º reza que, para facilitar a criação do regime Internacional, os Estados-Partes devem informar ao Secretário-Geral da ONU, ao grande público e à comunidade científica internacional, da forma mais ampla e prática possível, “sobre todos os recursos naturais que eles possam descobrir na Lua”. É o princípio da transparência, para fomentar a cooperação no mais alto grau possível.
E o § 7º alinha os principais objetivos do regime internacional, frisando que pode haver outros. São eles, conforme o texto do Acordo:
“a) Assegurar o aproveitamento ordenado e seguro dos recursos naturais da Lua;
b) Assegurar a gestão racional destes recursos;
c) Ampliar as oportunidades de utilização destes recursos; e
d) Promover a participação equitativa de todos os Estados-Partes nos benefícios auferidos destes recursos, tendo especial consideração para os interesses e necessidades dos países em desenvolvimento, bem como para os esforços dos Estados que contribuíram, direta ou indiretamente, na exploração da Lua.”
Muito se tem debatido sobre o conceito de patrimônio comum da humanidade, contido no Acordo da Lua e na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982 (7). Isso é sempre positivo, claro. No caso, porém, o importante é que, sendo ou não universalmente aceito o princípio de patrimônio comum da humanidade, o espaço e os corpos celestes são res communis omnium – bem comum a todos –, que não pode de modo algum ser objeto de apropriação, e sua exploração e uso devem atender ao bem e ao interesse de todos os países, como incumbência de toda a humanidade – conforme rezam o Artigo 2º e o Artigo 1º (§ 1º) do Tratado do Espaço.
Por isso, a ideia de se criar um regime internacional para gerir racionalmente a explotação dos recursos naturais da Lua e dos demais corpos celestes, inclusive dos asteroides, bem como a de “promover a participação equitativa de todos os Estados-Partes nos benefícios auferidos destes recursos” é perfeitamente alinhada e coerente com a “Cláusula do Bem Comum”.
Baseadas na lei nacional dos EUA, sancionada em 25 de novembro de 2015 (8), conferindo o título de propriedade privada às empresas norte-americanas que extraírem recursos naturais (minerais) de corpos celestes, empresas desta e de outras potências espaciais mobilizam-se para justificar legalmente a nova situação, que modifica totalmente o marco jurídico internacional em vigor, fundado no Tratado do Espaço. Aparentemente, o embate se trava só no campo do Direito, mas o movimento é poderoso e avassalador, pois, segundo se informa, envolve interesses e negócios estimados em trilhões de dólares. (9)
O Acordo da Lua não pode ser ignorado nessa discussão histórica. Ele oferece uma solução mais que razoável. O que parece em jogo é o rumo das atividades espaciais neste século. Vamos priorizar o direito público humanizado e democrático ou o direito privado dominador, dentro do rigor neoliberal, que até hoje não deu certo em nenhum lugar do nosso planeta?
A humanidade ainda não é sujeito do Direito. Falta-lhe uma instituição para representá-la e falar em seu nome legitimamente. Mas ceio que ela já é a maior destinatária do Direito Internacional e também do Direito Espacial Internacional. Essa posição continuará crescendo na medida em que aumente a consciência dos países e povos sobre o caráter global dos prolemas – paz, justiça social, saúde e educação, clima, aquecimento geral, meio ambiente etc. –, a interdependência e interconexão de todos os habitantes do planeta, e a necessidade de união, solidariedade e cooperação para enfrentá-los e solucioná-los de modo muito mais justo, eficiente e racional.
Desse ponto de vista, o debate sobre a explotação dos recursos espaciais é apenas um item importantíssimo do quadro geral em que vivemos, que pede nossa mais ativa participação.
Daí que urge uma ética do debate. Edgar Morin escreve a respeito: “A regra do debate é inerente às instituições filosófica, científica e democrática. A ética do debate vai mais longe ainda: exige a primazia da argumentação e a rejeição da anatematização. Longe de descartar a polêmica, ela a utiliza, mas rejeita todos os meios vis, todos os argumentos de autoridade, assim como quaisquer tipos de rejeições pelo desprezo, quaisquer insultos sobre as pessoas.” (10)
Em suma, não se pode tratar quem pensa diferente como se fosse um inimigo intolerável.
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: jose.monserrat.filho@gmail.com.
Referências
1) A.A. Cançado Trindade, O Direito Internacional em um Mundo em Transformação, Rio de Janeiro: Renovar, 2002, p. 1083.
2) Ver texto completo em www.sbda.org.br.
3) Stiglitz, Joseph E., Globalização: como dar certo, São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 38.
4) Morin, Edgar, e Kern, Anne Brigitte, Terra-Pátria, Porto Alegre: Sulina, 2011, p. 23-27.
5) Ver texto completo em www.sbda.org.br
6) Datonou, Dieudonné. Du concept de patrimoine commun de l'humanité aux droits de l'humanité: etude historico-juridique du concept de patrimoine commun de l'humanité en droit international, Roma: Pontificia Università Lateranense, 1995.
7) http://www.iea.usp.br/noticias/documentos/convencao-onu-mar.
8) H.R.2262 - U.S. Commercial Space Launch Competitiveness Act. Ver texto completo em https://www.congress.gov/bill/114th-congress/house-bill/2262.
9) Ver no site http://theweek.com/articles/462830/how-asteroid-mining-could-add-trillions-world-economy.
10) Morin, Edgar, A Ética do Sujeito Responsável, in Ética, Solidariedade e Complexidade, com textos de Edgard de Assis Carvalho, Maria da Conceição de Almeida, Nelly Novaes Coelho, Nelson Fiedler-Ferrara e Edgar Morin, São Paulo: Palas Ahenas, 1998, p. 73.
A Humanidade na Era Espacial
José Monserrat Filho *
“... visualizo em nossos dias um grande esforço, por parte da doutrina jurídica mais lúcida, de retorno às origens, que corresponde um processo histórico de humanização do Direito Internacional.” Antônio Augusto Cançado Trindade (1)
O termo “humanidade” mereceu posição de realce no Tratado do Espaço de 1967, a lei maior do espaço e das atividades espaciais, cujo longo nome oficial – “Tratado sobre Princípios Reguladores das Atividades dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Cósmico, Inclusive a Lua e Demais Corpos Celestes” (2), foi-lhe dado certamente para explicitar seus objetivos mais gerais.
O Tratado do Espaço menciona quatro vezes a humanidade. É uma de suas distinções, com especial significado jurídico. Será a humanidade sujeito do Direito Espacial Internacional? O tema ganhou atualidade com a intensificação da globalização econômica, que supostamente viria satisfazer necessidades e anseios de todos os povos, mas que, na verdade, está cada vez mais distante desse objetivo, sem nunca “fortalecer as vozes do Terceiro Mundo”. (3) Qual poderia ser o papel da humanidade – vasta e majoritária, mas impotente e descartada – na governança do mundo?
Ou terá sido por vivermos na “Era Planetária”, na definição holista e esperançosa de Edgar Morin? Para Morin e Kern, em Terra-Pátria, “a era planetária se inaugura e se desenvolve na e através da violência, da destruição, da escravidão, da exploração feroz das Américas e da África. É a idade de ferro planetária, na qual estamos ainda”, mas “é também a aspiração, neste início do século XXI, à unidade pacífica e fraterna da humanidade”. (4)
O preâmbulo do Tratado do Espaço, já em seus primeiros considerandos inspira-se “nas vastas perspectivas que a descoberta do espaço cósmico pelo homem oferece à humanidade” e reconhece “o interesse que apresenta para toda a humanidade o programa da exploração e uso do espaço cósmico para fins pacíficos”. São enfoques que se completam dialeticamente: de um lado, o espaço descoberto pelos humanos escancara imenso potencial de benefícios para a humanidade; de outro, a humanidade tem tudo para se interessar pela exploração e uso pacíficos do espaço.
O artigo 1º (§ 1ª) do Tratado estabelece a “Cláusula do Bem Comum”, determinando que “a exploração e o uso do espaço cósmico, inclusive da Lua e demais corpos celestes, deverão ter em mira o bem e interesse de todos os países, qualquer que seja o estágio de seu desenvolvimento econômico e científico, e são incumbência de toda a humanidade”. Ou seja, é tarefa, encargo, compromisso, dever, obrigação e responsabilidade (sinônimos de incumbência) da humanidade fazer com que a exploração e o uso do espaço sejam sempre realizados para o bem e no interesse de todos os países, independentemente de seu nível de avanço econômico e científico. A humanidade seria, então, o promotor e o fiador do bem comum nas atividades espaciais.
O artigo 5º do Tratado considera os astronautas como “enviados da humanidade no espaço cósmico”, título que também se aplica aos cosmonautas da ex-União Soviética e da Rússia, bem como aos taikonautas da China. A norma parece homenagem, mas, na realidade, tem um sentido prático e necessário, em plena guerra fria dos anos 60 em diante: cria a obrigação de prestar toda assistência possível aos astronautas em caso de acidente, perigo ou aterrissagem forçada em outro país que não o seu ou em alto-mar, e de retorná-lo a seu país de origem junto com seu veículo espacial, o mais rapidamente possível e em total segurança. Cria também mais duas obrigações: a de que os astronautas de um país prestem toda assistência possível aos astronautas dos outros países e a de que cada país informe de imediato aos demais países e ao Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas qualquer fenômeno que tenha descoberto no espaço, na Lua e nos outros corpos celestes, capaz de constituir perigo à vida ou à saúde dos astronautas. Note-se que os astronautas eram e muitos ainda são militares integrados às estratégias das Forças Armadas de seus países.
O Acordo que Regula as Atividades dos Estados na Lua e em Outros Corpos Celestes, de 1979, conhecido como “Acordo da Lua”, integra o quinteto de tratados aprovados pelas Nações Unidas, embora tenha sido ratificado por apenas 16 países e assinado por outros quatro. (5)
Em seu Artigo 4º, o Acordo da Lua repetem o Artigo 1º (§ 1º) do Tratado do Espaço, afirmando que “a exploração e o uso da Lua são incumbência de toda a humanidade e se realizam em benefício e no interesse de todos os países, qualquer que seja o estágio de seu desenvolvimento econômico ou científico”.
Mas tem o mérito de adotar duas novas disposições, em termos irrecusáveis: “Especial atenção deve ser dada aos interesses das gerações presentes e futuras, bem como à necessidade de promover níveis de vida mais elevados e melhores condições de progresso e desenvolvimento econômico e social, em conformidade com a Carta da Organização das Nações Unidas”.
Preparado em grande parte pelos países em desenvolvimento ao longo dos anos 70 – década em que os chamados países não alinhados tiveram importante atuação no cenário internacional –, o Acordo da Lua estabelece o princípio da relevância intergeneracional e ressuscita o amplo compromisso social adotado pela Carta das Nações Unidas na promoção de “níveis de vida mais elevados e melhores condições de progresso e desenvolvimento econômico e social”.
O Acordo da Lua tem sua maior contribuição no Artigo 11, que começa estabelecendo, no § 1º, que “a Lua e seus recursos naturais são patrimônio comum da humanidade”. O § 2º reafirma e adapta o Artigo 2 do Tratado do Espaço: “A Lua não pode ser objeto de apropriação nacional por proclamação de soberania, por uso ou ocupação, nem por qualquer outro meio”. E o § 3º detalha esse princípio da não-apropriação: “A superfície e o subsolo da Lua, bem como partes da superfície ou do subsolo e seus recursos naturais, não podem ser propriedade de qualquer Estado, organização internacional intergovernamental ou não-governamental, organização nacional ou entidade não-governamental, ou de qualquer pessoa física. O estabelecimento na superfície ou no subsolo da Lua de pessoal, veículos, material, estações, instalações e equipamentos espaciais, inclusive obras vinculadas indissoluvelmente à sua superfície ou subsolo, não cria o direito de propriedade sobre sua superfície ou subsolo e suas partes. Estes dispositivos não devem prejudicar o regime internacional referido no § 5º deste Artigo.”
O § 5º propõe a criação de um regime internacional para ordenar a exploração dos recursos naturais da Lua: “Os Estados-Partes se comprometem (...) a estabelecer um regime internacional, inclusive os procedimentos adequados, para regulamentar a exploração dos recursos naturais da Lua, quando esta exploração estiver a ponto de se tornar possível”.
O § 6º reza que, para facilitar a criação do regime Internacional, os Estados-Partes devem informar ao Secretário-Geral da ONU, ao grande público e à comunidade científica internacional, da forma mais ampla e prática possível, “sobre todos os recursos naturais que eles possam descobrir na Lua”. É o princípio da transparência, para fomentar a cooperação no mais alto grau possível.
E o § 7º alinha os principais objetivos do regime internacional, frisando que pode haver outros. São eles, conforme o texto do Acordo:
“a) Assegurar o aproveitamento ordenado e seguro dos recursos naturais da Lua;
b) Assegurar a gestão racional destes recursos;
c) Ampliar as oportunidades de utilização destes recursos; e
d) Promover a participação equitativa de todos os Estados-Partes nos benefícios auferidos destes recursos, tendo especial consideração para os interesses e necessidades dos países em desenvolvimento, bem como para os esforços dos Estados que contribuíram, direta ou indiretamente, na exploração da Lua.”
Muito se tem debatido sobre o conceito de patrimônio comum da humanidade, contido no Acordo da Lua e na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982 (7). Isso é sempre positivo, claro. No caso, porém, o importante é que, sendo ou não universalmente aceito o princípio de patrimônio comum da humanidade, o espaço e os corpos celestes são res communis omnium – bem comum a todos –, que não pode de modo algum ser objeto de apropriação, e sua exploração e uso devem atender ao bem e ao interesse de todos os países, como incumbência de toda a humanidade – conforme rezam o Artigo 2º e o Artigo 1º (§ 1º) do Tratado do Espaço.
Por isso, a ideia de se criar um regime internacional para gerir racionalmente a explotação dos recursos naturais da Lua e dos demais corpos celestes, inclusive dos asteroides, bem como a de “promover a participação equitativa de todos os Estados-Partes nos benefícios auferidos destes recursos” é perfeitamente alinhada e coerente com a “Cláusula do Bem Comum”.
Baseadas na lei nacional dos EUA, sancionada em 25 de novembro de 2015 (8), conferindo o título de propriedade privada às empresas norte-americanas que extraírem recursos naturais (minerais) de corpos celestes, empresas desta e de outras potências espaciais mobilizam-se para justificar legalmente a nova situação, que modifica totalmente o marco jurídico internacional em vigor, fundado no Tratado do Espaço. Aparentemente, o embate se trava só no campo do Direito, mas o movimento é poderoso e avassalador, pois, segundo se informa, envolve interesses e negócios estimados em trilhões de dólares. (9)
O Acordo da Lua não pode ser ignorado nessa discussão histórica. Ele oferece uma solução mais que razoável. O que parece em jogo é o rumo das atividades espaciais neste século. Vamos priorizar o direito público humanizado e democrático ou o direito privado dominador, dentro do rigor neoliberal, que até hoje não deu certo em nenhum lugar do nosso planeta?
A humanidade ainda não é sujeito do Direito. Falta-lhe uma instituição para representá-la e falar em seu nome legitimamente. Mas ceio que ela já é a maior destinatária do Direito Internacional e também do Direito Espacial Internacional. Essa posição continuará crescendo na medida em que aumente a consciência dos países e povos sobre o caráter global dos prolemas – paz, justiça social, saúde e educação, clima, aquecimento geral, meio ambiente etc. –, a interdependência e interconexão de todos os habitantes do planeta, e a necessidade de união, solidariedade e cooperação para enfrentá-los e solucioná-los de modo muito mais justo, eficiente e racional.
Desse ponto de vista, o debate sobre a explotação dos recursos espaciais é apenas um item importantíssimo do quadro geral em que vivemos, que pede nossa mais ativa participação.
Daí que urge uma ética do debate. Edgar Morin escreve a respeito: “A regra do debate é inerente às instituições filosófica, científica e democrática. A ética do debate vai mais longe ainda: exige a primazia da argumentação e a rejeição da anatematização. Longe de descartar a polêmica, ela a utiliza, mas rejeita todos os meios vis, todos os argumentos de autoridade, assim como quaisquer tipos de rejeições pelo desprezo, quaisquer insultos sobre as pessoas.” (10)
Em suma, não se pode tratar quem pensa diferente como se fosse um inimigo intolerável.
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: jose.monserrat.filho@gmail.com.
Referências
1) A.A. Cançado Trindade, O Direito Internacional em um Mundo em Transformação, Rio de Janeiro: Renovar, 2002, p. 1083.
2) Ver texto completo em www.sbda.org.br.
3) Stiglitz, Joseph E., Globalização: como dar certo, São Paulo: Companhia das Letras, 2007, p. 38.
4) Morin, Edgar, e Kern, Anne Brigitte, Terra-Pátria, Porto Alegre: Sulina, 2011, p. 23-27.
5) Ver texto completo em www.sbda.org.br
6) Datonou, Dieudonné. Du concept de patrimoine commun de l'humanité aux droits de l'humanité: etude historico-juridique du concept de patrimoine commun de l'humanité en droit international, Roma: Pontificia Università Lateranense, 1995.
7) http://www.iea.usp.br/noticias/documentos/convencao-onu-mar.
8) H.R.2262 - U.S. Commercial Space Launch Competitiveness Act. Ver texto completo em https://www.congress.gov/bill/114th-congress/house-bill/2262.
9) Ver no site http://theweek.com/articles/462830/how-asteroid-mining-could-add-trillions-world-economy.
10) Morin, Edgar, A Ética do Sujeito Responsável, in Ética, Solidariedade e Complexidade, com textos de Edgard de Assis Carvalho, Maria da Conceição de Almeida, Nelly Novaes Coelho, Nelson Fiedler-Ferrara e Edgar Morin, São Paulo: Palas Ahenas, 1998, p. 73.
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domingo, 25 de dezembro de 2016
VLM-1: Avibras contratada para produção dos motores S50
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Contrato garante produção de oito motores S50
23/12/2016
O dia 22 de dezembro de 2016 será lembrado no Brasil como uma data histórica para o Programa Espacial Brasileiro. Neste dia, em São José dos Campos, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), foi assinado o contrato de produção de oito motores S50, que serão utilizados nos voos realizados pelo veículo VS-50 e no voo da primeira versão do Veículo Lançador de Microssatélites VLM-1, financiado pela Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTIC).
O contrato garante o fornecimento de oito motores S50 com todos os seus acessórios. Os motores 1 e 2 serão utilizados para ensaios de engenharia (ensaios estrutural e de ruptura). Os 3 e 4 serão utilizados para queima em banco de testes para validação em solo. Os 5 e 6 serão utilizados para validação, durante os voos de dois veículos VS-50. Por fim, os 7 e 8 serão os motores de voo da primeira versão do VLM-1.
O projeto do VLM será desenvolvido com recursos da AEB por intermédio do convênio celebrado com a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais Funcate), que prestará auxílios gerencial, financeiro e administrativo ao IAE.
“Os esforços das equipes do IAE que participaram da formalização, construção e análise da proposta foram imensos e devem ser valorizados por todos que confiam no sucesso do Programa Espacial Brasileiro. As discussões começaram em setembro de 2015 e, 15 meses depois, o contrato foi assinado. A consolidação do contrato deve-se, também, ao empenho da Indústria Aeroespacial (Avibras) envolvida no projeto que conquistou a confiança do IAE por meio de uma proposta séria que abrange planos gerenciais, de risco e de qualidade compatíveis com o tamanho da empresa e com os desejos do instituto contratante”, afirmou a equipe da Diretoria de Transporte Espacial e Licenciamento (DTEL).
Assim, nos próximos 26 meses, a empresa deverá industrializar o projeto do motor S50 e produzir seis motores e seus acessórios, que serão acompanhados por técnicos do IAE e do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) para o bom desempenho do contrato do ponto de vista técnico e de qualidade. O acordo assinado irá produzir os primeiros seis motores e os dois restantes serão objeto de Termo Aditivo ao contrato, após a revisão, submissão e aprovação de Termo Aditivo ao Convênio 001/2015, entre o IAE e a Funcate, para o desenvolvimento do VLM-1.
O presidente em exercício da AEB, Carlos Alberto Gurgel, acredita no sucesso do projeto e confia no trabalho a ser desenvolvido pela equipe de militares e servidores da Força Aérea Brasileira (FAB), da Funcate e da Avibras e deseja êxito na continuidade desse importante projeto do Programa Espacial Brasileiro.
No ato da assinatura, estavam presentes o diretor-geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Ten. Brig. do Ar Antônio Carlos Egito do Amaral, o diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Brig. Eng. Augusto Luiz de Castro Otero e o gerente do projeto do VLM, Ten. Cel. Eng. Fábio Andrade de Almeida. Da Avibras, estavam presentes o presidente, João Brasil Carvalho Leite, o vice-presidente José Sá Carvalho Júnior, o gerente de Engenharia de Desenvolvimento, Luiz Eduardo Nunes Almeida e o Executivo de Vendas, Marco Aurélio Rodrigues de Almeida e o diretor de projetos da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate), Dr. Donizeti Andrade.
Fonte: AEB
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Contrato garante produção de oito motores S50
23/12/2016
O dia 22 de dezembro de 2016 será lembrado no Brasil como uma data histórica para o Programa Espacial Brasileiro. Neste dia, em São José dos Campos, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), foi assinado o contrato de produção de oito motores S50, que serão utilizados nos voos realizados pelo veículo VS-50 e no voo da primeira versão do Veículo Lançador de Microssatélites VLM-1, financiado pela Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTIC).
O contrato garante o fornecimento de oito motores S50 com todos os seus acessórios. Os motores 1 e 2 serão utilizados para ensaios de engenharia (ensaios estrutural e de ruptura). Os 3 e 4 serão utilizados para queima em banco de testes para validação em solo. Os 5 e 6 serão utilizados para validação, durante os voos de dois veículos VS-50. Por fim, os 7 e 8 serão os motores de voo da primeira versão do VLM-1.
O projeto do VLM será desenvolvido com recursos da AEB por intermédio do convênio celebrado com a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais Funcate), que prestará auxílios gerencial, financeiro e administrativo ao IAE.
“Os esforços das equipes do IAE que participaram da formalização, construção e análise da proposta foram imensos e devem ser valorizados por todos que confiam no sucesso do Programa Espacial Brasileiro. As discussões começaram em setembro de 2015 e, 15 meses depois, o contrato foi assinado. A consolidação do contrato deve-se, também, ao empenho da Indústria Aeroespacial (Avibras) envolvida no projeto que conquistou a confiança do IAE por meio de uma proposta séria que abrange planos gerenciais, de risco e de qualidade compatíveis com o tamanho da empresa e com os desejos do instituto contratante”, afirmou a equipe da Diretoria de Transporte Espacial e Licenciamento (DTEL).
Assim, nos próximos 26 meses, a empresa deverá industrializar o projeto do motor S50 e produzir seis motores e seus acessórios, que serão acompanhados por técnicos do IAE e do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) para o bom desempenho do contrato do ponto de vista técnico e de qualidade. O acordo assinado irá produzir os primeiros seis motores e os dois restantes serão objeto de Termo Aditivo ao contrato, após a revisão, submissão e aprovação de Termo Aditivo ao Convênio 001/2015, entre o IAE e a Funcate, para o desenvolvimento do VLM-1.
O presidente em exercício da AEB, Carlos Alberto Gurgel, acredita no sucesso do projeto e confia no trabalho a ser desenvolvido pela equipe de militares e servidores da Força Aérea Brasileira (FAB), da Funcate e da Avibras e deseja êxito na continuidade desse importante projeto do Programa Espacial Brasileiro.
No ato da assinatura, estavam presentes o diretor-geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Ten. Brig. do Ar Antônio Carlos Egito do Amaral, o diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Brig. Eng. Augusto Luiz de Castro Otero e o gerente do projeto do VLM, Ten. Cel. Eng. Fábio Andrade de Almeida. Da Avibras, estavam presentes o presidente, João Brasil Carvalho Leite, o vice-presidente José Sá Carvalho Júnior, o gerente de Engenharia de Desenvolvimento, Luiz Eduardo Nunes Almeida e o Executivo de Vendas, Marco Aurélio Rodrigues de Almeida e o diretor de projetos da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate), Dr. Donizeti Andrade.
Fonte: AEB
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"Entrada do SGDC em operação vai alavancar atuação da Telebras"
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Na avaliação do presidente da empresa, Antonio Loss, responsabilidade da companhia será a de ser o principal provedor de conexão à internet por meio da banda larga no território brasileiro. "Vamos ter a honra e a responsabilidade de entregar um serviço para os brasileiros como nunca foi feito antes", disse. Previsão é que o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), que teve investimentos de R$ 2,1 bilhões, seja lançado ao espaço no ano que vem.
23/12/2016
A partir do dia 21 de março de 2017, o Brasil vai ter um novo padrão de telecomunicações e a Telebras vai ser o grande provedor de conexão à internet no país. A afirmação é do presidente da companhia, Antonio Loss, que destacou o desafio da empresa com o lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), previsto para o próximo ano.
O primeiro satélite geoestacionário do Brasil foi concluído e entregue ao governo brasileiro em 1º de dezembro último, em Cannes, na França. O projeto é uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Ministério da Defesa, com investimentos da ordem de R$ 2,1 bilhões. O satélite será operado pela Telebras e terá uma faixa de frequência usada para ampliar a oferta de banda larga em todo o Brasil (banda Ka) e outra parte destinada exclusivamente ao uso militar (banda X).
“Vamos ter a honra e a responsabilidade de entregar um serviço para os brasileiros como nunca foi feito antes. Vamos levar acesso à internet às pessoas em qualquer lugar e garantir a segurança das comunicações na área de defesa”, reforçou Antonio Loss.
Grande parte da capacidade do equipamento, 70%, será utilizada na oferta de banda larga aos brasileiros, principalmente para áreas remotas do país, como a região amazônica. A previsão é que o satélite seja colocado em órbita a partir da base de Kourou, na Guiana Francesa, em março do próximo ano. O equipamento, de 5,8 toneladas e 5 metros de altura, ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra, cobrindo o território brasileiro e o Oceano Atlântico.
Balanço – O satélite geoestacionário foi o grande destaque da reunião entre diretores e servidores da Telebrás para apresentar os resultados obtidos pela empresa em 2016. No encontro, as diretorias mostraram as principais iniciativas de cada área entre os 464 projetos apresentados neste ano e que terão continuidade em 2017.
O diretor Técnico-Operacional da Telebras, Jarbas Valente, apontou como prioridade o aumento da capacidade das cinco redes de fibra óptica da empresa, os chamados backbones, que abrangem todas as regiões do Brasil. Segundo ele, o lançamento do SGDC vai aumentar a demanda pela capacidade de tráfego dessas redes.
“Em 2016, melhoramos as condições de operação das redes para dar mais qualidade ao cliente. E, para 2017, vamos investir na ampliação da capacidade para dar vazão ao tráfego que o país vai precisar a partir do lançamento do satélite”, afirmou Valente.
Fonte: MCTIC
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Na avaliação do presidente da empresa, Antonio Loss, responsabilidade da companhia será a de ser o principal provedor de conexão à internet por meio da banda larga no território brasileiro. "Vamos ter a honra e a responsabilidade de entregar um serviço para os brasileiros como nunca foi feito antes", disse. Previsão é que o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), que teve investimentos de R$ 2,1 bilhões, seja lançado ao espaço no ano que vem.
23/12/2016
A partir do dia 21 de março de 2017, o Brasil vai ter um novo padrão de telecomunicações e a Telebras vai ser o grande provedor de conexão à internet no país. A afirmação é do presidente da companhia, Antonio Loss, que destacou o desafio da empresa com o lançamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), previsto para o próximo ano.
O primeiro satélite geoestacionário do Brasil foi concluído e entregue ao governo brasileiro em 1º de dezembro último, em Cannes, na França. O projeto é uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e o Ministério da Defesa, com investimentos da ordem de R$ 2,1 bilhões. O satélite será operado pela Telebras e terá uma faixa de frequência usada para ampliar a oferta de banda larga em todo o Brasil (banda Ka) e outra parte destinada exclusivamente ao uso militar (banda X).
“Vamos ter a honra e a responsabilidade de entregar um serviço para os brasileiros como nunca foi feito antes. Vamos levar acesso à internet às pessoas em qualquer lugar e garantir a segurança das comunicações na área de defesa”, reforçou Antonio Loss.
Grande parte da capacidade do equipamento, 70%, será utilizada na oferta de banda larga aos brasileiros, principalmente para áreas remotas do país, como a região amazônica. A previsão é que o satélite seja colocado em órbita a partir da base de Kourou, na Guiana Francesa, em março do próximo ano. O equipamento, de 5,8 toneladas e 5 metros de altura, ficará posicionado a uma distância de 36 mil quilômetros da superfície da Terra, cobrindo o território brasileiro e o Oceano Atlântico.
Balanço – O satélite geoestacionário foi o grande destaque da reunião entre diretores e servidores da Telebrás para apresentar os resultados obtidos pela empresa em 2016. No encontro, as diretorias mostraram as principais iniciativas de cada área entre os 464 projetos apresentados neste ano e que terão continuidade em 2017.
O diretor Técnico-Operacional da Telebras, Jarbas Valente, apontou como prioridade o aumento da capacidade das cinco redes de fibra óptica da empresa, os chamados backbones, que abrangem todas as regiões do Brasil. Segundo ele, o lançamento do SGDC vai aumentar a demanda pela capacidade de tráfego dessas redes.
“Em 2016, melhoramos as condições de operação das redes para dar mais qualidade ao cliente. E, para 2017, vamos investir na ampliação da capacidade para dar vazão ao tráfego que o país vai precisar a partir do lançamento do satélite”, afirmou Valente.
Fonte: MCTIC
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
CLBI: “A Estação que não para”
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CLBI finaliza atividades operacionais com rastreamento do Veículo Ariane
22/12/2016
O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, finalizou, nesta quarta-feira, (21.12), as atividades operacionais de 2016 com o rastreamento do Veículo Ariane VA234. O veículo foi lançado a partir do Centro Espacial Guianês, em Kourou, na Guiana Francesa, às 18h30, horário de Brasília.
O Ariane transportou como carga embarcada, dois satélites de comunicações, o JCSAT-15 e o STAR ONE. O primeiro será usado nos serviços de TV no Japão, assim como nas comunicações de transferências de dados marítimos e de aviação para a Oceania e Oceano Índico. O segundo vai expandir os serviços da Embratel no Brasil e na América Latina, garantindo a oferta de sinais de áudio, TV, rádio e dados e internet.
No CLBI, a operação de rastreamento mobilizou, durante o ensaio técnico e a cronologia real de rastreamento, 48 servidores, entre técnicos e engenheiros. Das estações que compõem a cadeia de rastreamento, a de Natal é a única operada por profissionais de nacionalidade diferente das que integram a Agência Espacial Europeia (ESA).
O CLBI compõe uma cadeia de rastreamento de veículos lançados à leste, juntamente com Galliot, na Guiana Francesa; Ascension, no Atlântico Sul; Libreville, no Gabão e Malindi, no Quênia; tornando-se imprescindível a participação operacional da Estação Natal por ser a única estação rastreadora durante a fase propulsada do veículo.
De acordo com o coordenador de telemedidas, o engenheiro Clécio de Oliveira Godeiro, o rastreamento do VA234 foi um sucesso e a Estação cumpriu todos os requisitos exigidos nos protocolos operacionais: “Como todos os cinco rastreamentos realizados neste ano, a condição operacional foi plena, sendo os dados do foguete processados, analisados e enviados em tempo real para o Centro Espacial Guianês”, afirmou.
O diretor do CLBI, o coronel Paulo Junzo Hirasawa, destacou o valor de encerrar o calendário operacional de 2016 com a qualidade e a excelência que ratificam os processos operacionais da Organização. “Encerramos as atividades operacionais garantindo o fiel cumprimento do Acordo Internacional firmado entre o CLBI e a ESA nos processos de rastreamento, gravação, decomutação e entrega segura dos dados provenientes do veículo”.
Junzo ainda acrescentou que o apoio às atividades de lançamento e rastreamento remoto às Operações no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e a condução das Operações Astros e Barreira, certificaram a condição estratégica do Centro no exercício da missão institucional.
Estação Natal – A “Estação que não para” é rótulo que define a Estação de Natal (Telemedidas) por nunca ser desligada. Isso é praticado em todas as estações da Agência Espacial Europeia distribuídas ao longo de alguns Continentes. Essa característica é definida pela necessidade de tê-la permanentemente energizada e mantida sob condições controladas de temperatura e umidade relativa. Sistemas de alarmes em pontos estratégicos permitem a vigilância dos diversos parâmetros durante 24 horas, garantindo a minimização da quantidade de anomalias sobre os sistemas, elevando, consequentemente, a confiabilidade da Estação.
Uma segunda interpretação de “A Estação que não para”, decorre de sua alta taxa de utilização, tanto pelo Centro Espacial Guianês, quanto pelo CLBI, na elevada cadência operacional.
Ao longo dos 37 anos de cooperação internacional com a ESA, o CLBI realizou o rastreamento de veículos que levaram mais de 350 satélites, sejam para órbitas baixas, para as órbitas de transferências geoestacionárias ou para órbitas interplanetárias. Entre os destaques estão a Missão Rosetta, referenciada por sua complexidade e notoriedade.
Fonte: CLBI, via AEB.
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CLBI finaliza atividades operacionais com rastreamento do Veículo Ariane
22/12/2016
O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, finalizou, nesta quarta-feira, (21.12), as atividades operacionais de 2016 com o rastreamento do Veículo Ariane VA234. O veículo foi lançado a partir do Centro Espacial Guianês, em Kourou, na Guiana Francesa, às 18h30, horário de Brasília.
O Ariane transportou como carga embarcada, dois satélites de comunicações, o JCSAT-15 e o STAR ONE. O primeiro será usado nos serviços de TV no Japão, assim como nas comunicações de transferências de dados marítimos e de aviação para a Oceania e Oceano Índico. O segundo vai expandir os serviços da Embratel no Brasil e na América Latina, garantindo a oferta de sinais de áudio, TV, rádio e dados e internet.
No CLBI, a operação de rastreamento mobilizou, durante o ensaio técnico e a cronologia real de rastreamento, 48 servidores, entre técnicos e engenheiros. Das estações que compõem a cadeia de rastreamento, a de Natal é a única operada por profissionais de nacionalidade diferente das que integram a Agência Espacial Europeia (ESA).
O CLBI compõe uma cadeia de rastreamento de veículos lançados à leste, juntamente com Galliot, na Guiana Francesa; Ascension, no Atlântico Sul; Libreville, no Gabão e Malindi, no Quênia; tornando-se imprescindível a participação operacional da Estação Natal por ser a única estação rastreadora durante a fase propulsada do veículo.
De acordo com o coordenador de telemedidas, o engenheiro Clécio de Oliveira Godeiro, o rastreamento do VA234 foi um sucesso e a Estação cumpriu todos os requisitos exigidos nos protocolos operacionais: “Como todos os cinco rastreamentos realizados neste ano, a condição operacional foi plena, sendo os dados do foguete processados, analisados e enviados em tempo real para o Centro Espacial Guianês”, afirmou.
O diretor do CLBI, o coronel Paulo Junzo Hirasawa, destacou o valor de encerrar o calendário operacional de 2016 com a qualidade e a excelência que ratificam os processos operacionais da Organização. “Encerramos as atividades operacionais garantindo o fiel cumprimento do Acordo Internacional firmado entre o CLBI e a ESA nos processos de rastreamento, gravação, decomutação e entrega segura dos dados provenientes do veículo”.
Junzo ainda acrescentou que o apoio às atividades de lançamento e rastreamento remoto às Operações no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) e a condução das Operações Astros e Barreira, certificaram a condição estratégica do Centro no exercício da missão institucional.
Estação Natal – A “Estação que não para” é rótulo que define a Estação de Natal (Telemedidas) por nunca ser desligada. Isso é praticado em todas as estações da Agência Espacial Europeia distribuídas ao longo de alguns Continentes. Essa característica é definida pela necessidade de tê-la permanentemente energizada e mantida sob condições controladas de temperatura e umidade relativa. Sistemas de alarmes em pontos estratégicos permitem a vigilância dos diversos parâmetros durante 24 horas, garantindo a minimização da quantidade de anomalias sobre os sistemas, elevando, consequentemente, a confiabilidade da Estação.
Uma segunda interpretação de “A Estação que não para”, decorre de sua alta taxa de utilização, tanto pelo Centro Espacial Guianês, quanto pelo CLBI, na elevada cadência operacional.
Ao longo dos 37 anos de cooperação internacional com a ESA, o CLBI realizou o rastreamento de veículos que levaram mais de 350 satélites, sejam para órbitas baixas, para as órbitas de transferências geoestacionárias ou para órbitas interplanetárias. Entre os destaques estão a Missão Rosetta, referenciada por sua complexidade e notoriedade.
Fonte: CLBI, via AEB.
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Star One D1 em órbita!
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Foi realizado com sucesso no início da noite de terça (21), a partir de Kourou, na Guiana Francesa, o sétimo e último voo este ano do lançador Ariane 5, tendo colocado em órbita dois satélites de comunicações, o Star One D1, da brasileira Embratel Star One, e o japonês JCSAT-15, da operadora SKY Perfect JSAT Corp.
"Com o Star One D1, a Arianespace lançou todos os satélites da Embratel Star One desde 1985 - um total de 11 unidades, e faz apenas um ano desde que lançamos o Star One C4, da Embratel", afirmou em nota o diretor-presidente da Arianespace, Stéphane Israël, destacando o relacionamento de cerca de trinta anos entre a provedora europeia e a operadora brasileira.
O Star One D1, construído pela Space Systems Loral (SSL), dos EUA, estenderá a oferta de capacidade em banda C, bem como trará novas capacidades nas bandas Ku e Ka para a América Latina, complementando os serviços oferecidos pelo Brasilsat B4, lançado em 1994. Trata-se do primeiro satélite da quarta geração da Star One, e também o maior (6.433 kg) e mais capaz satélite já construído para a companhia brasileira - são 70 transpônderes no total.
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Cooperação Brasil - EUA: cubesat SPORT
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NASA financiará nanossatélite desenvolvido em parceria com o INPE e o ITA
Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2016
A missão SPORT - Scintilation Prediction Observations Research Task, que prevê um nanossatélite para estudos de bolhas de plasma na ionosfera, foi selecionada entre projetos apresentados à NASA para financiamento. A iniciativa é coordenada pelo Marshall Space Flight Center, da agência espacial americana, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
O nanossatélite, um cubesat de aproximadamente seis quilos, servirá a estudos sobre a formação de bolhas de plasma ionosférico, que são as fontes principais de reflexões de radar na região equatorial. A missão SPORT investigará o estado da ionosfera que acarreta o crescimento das bolhas de plasma. Também serão estudadas as relações entre as irregularidades no plasma em altitude de satélites com as cintilações de rádio observadas na região equatorial da ionosfera.
Os instrumentos a bordo do satélite serão desenvolvidos pelo centro da NASA e universidades dos Estados Unidos, com a participação de pesquisadores brasileiros. Já a plataforma poderá ser semelhante à do Itasat, nanossatélite universitário realizado em parceria pelo ITA, INPE e instituições de ensino.
No Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, em São José dos Campos (SP), será realizada a montagem e ensaios necessários para o lançamento do nanossatélite. A responsabilidade pela operação em órbita será do Centro de Controle de Satélites (CCS) do INPE e estações brasileiras de cubesats.
O Programa de Estudo e Monitoramento Brasileiro do Clima Espacial (Embrace) do INPE fará o processamento, armazenamento e distribuição dos dados científicos da missão SPORT. As informações da rede de sensores de solo do Embrace na região da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), combinadas com os dados obtidos pelo cubesat, conferem características pioneiras à missão.
O lançamento, de responsabilidade da NASA, será pela Estação Espacial Internacional (ISS). O cronograma prevê o início da missão em março de 2017, sendo que o seu lançamento e comissionamento deverá ocorrer entre novembro de 2018 e março de março de 2019, com uma vida útil de um ano, em função da atividade solar no período e a dinâmica de voo para o lançamento da ISS.
Pesquisadores e tecnologistas de várias áreas do INPE participaram do desenvolvimento da proposta agora contemplada pela NASA. Sob o encaminhamento do ITA, está sendo submetido à FAPESP um projeto temático para o orçamento da parte nacional da missão, bem como sua extensão.
Fonte: INPE
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NASA financiará nanossatélite desenvolvido em parceria com o INPE e o ITA
Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2016
A missão SPORT - Scintilation Prediction Observations Research Task, que prevê um nanossatélite para estudos de bolhas de plasma na ionosfera, foi selecionada entre projetos apresentados à NASA para financiamento. A iniciativa é coordenada pelo Marshall Space Flight Center, da agência espacial americana, em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
O nanossatélite, um cubesat de aproximadamente seis quilos, servirá a estudos sobre a formação de bolhas de plasma ionosférico, que são as fontes principais de reflexões de radar na região equatorial. A missão SPORT investigará o estado da ionosfera que acarreta o crescimento das bolhas de plasma. Também serão estudadas as relações entre as irregularidades no plasma em altitude de satélites com as cintilações de rádio observadas na região equatorial da ionosfera.
Os instrumentos a bordo do satélite serão desenvolvidos pelo centro da NASA e universidades dos Estados Unidos, com a participação de pesquisadores brasileiros. Já a plataforma poderá ser semelhante à do Itasat, nanossatélite universitário realizado em parceria pelo ITA, INPE e instituições de ensino.
No Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, em São José dos Campos (SP), será realizada a montagem e ensaios necessários para o lançamento do nanossatélite. A responsabilidade pela operação em órbita será do Centro de Controle de Satélites (CCS) do INPE e estações brasileiras de cubesats.
O Programa de Estudo e Monitoramento Brasileiro do Clima Espacial (Embrace) do INPE fará o processamento, armazenamento e distribuição dos dados científicos da missão SPORT. As informações da rede de sensores de solo do Embrace na região da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), combinadas com os dados obtidos pelo cubesat, conferem características pioneiras à missão.
O lançamento, de responsabilidade da NASA, será pela Estação Espacial Internacional (ISS). O cronograma prevê o início da missão em março de 2017, sendo que o seu lançamento e comissionamento deverá ocorrer entre novembro de 2018 e março de março de 2019, com uma vida útil de um ano, em função da atividade solar no período e a dinâmica de voo para o lançamento da ISS.
Pesquisadores e tecnologistas de várias áreas do INPE participaram do desenvolvimento da proposta agora contemplada pela NASA. Sob o encaminhamento do ITA, está sendo submetido à FAPESP um projeto temático para o orçamento da parte nacional da missão, bem como sua extensão.
Fonte: INPE
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sábado, 17 de dezembro de 2016
Mensagem de Final de Ano
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Aos nossos leitores, amigos e colaboradores, nossos votos de um Feliz Natal e excelente 2017.
Como de costume, aproveitamos também agradecer a todos pelo interesse, participação e reconhecimento.
André M. Mileski
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