domingo, 11 de maio de 2014

"Cube e nano satélites - Um novo conceito para o setor espacial"

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Reproduzimos abaixo um artigo sobre cube e nano satélites escrito pelo especialista Otavio Durão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), publicado na edição n.º 136 da revista Tecnologia & Defesa (março). Leitura recomendada e didática para aqueles que desejam conhecer mais sobre os projetos brasileiros nesse campo.

Cube e nano satélites - Um novo conceito para o setor espacial

Otavio Durão (*)

Projetos espaciais, historicamente, são vistos como uma atividade para poucos. Poucos países e poucas instituições e indivíduos. Isso porque seus custos são altos, sua tecnologia complexa e seus riscos também altos. Esta noção foi corroborada no tempo da Guerra Fria que limitou mais ainda os participantes do clube espacial, porque os detentores desta tecnologia, por razões de defesa, não permitiam o acesso a ela por muitas outras nações, e porque seus custos eram cobertos pelos orçamentos militares. E orçamentos militares tendem a ser generosos quando a ameaça de conflitos existe. Com o fim daquele período, estes orçamentos tenderam à diminuição. Praticamente, todos os programas espaciais no mundo para o setor espacial tiveram sua origem nesta época e se beneficiaram dos gastos com defesa, inclusive o brasileiro, devido ao caráter dual desses programas. As empresas de desenvolvimento de satélites e lançadores foram, na sua grande maioria, também dimensionadas por aqueles investimentos, assim como suas infraestruturas e custos fixos.

Mas este tempo parece estar terminando. As verbas militares encolhem ou a se tornam mais eficientes, e empresas e governos já sentem dificuldades para manter o mesmo nível de carteiras e projetos. O setor espacial está sendo afetado por esta mudança e, claramente, busca saída de redução de custos e maior eficiência, com uma melhor relação custo/benefício dos dados gerados por seus produtos.

Em paralelo, o mundo assistiu nas últimas décadas à revolução eletrônica que atingiu dramática e favoravelmente setores como o de comunicações e computação, para citar dois dos mais visíveis. São componentes mais eficientes, menores, mais baratos e com maior capacidade a cada dia. O campo espacial viu este movimento sem nele se engajar, até aqui, como usuário, por dois motivos. Primeiro, porque havia recursos para pagar por componentes qualificados espacialmente, às vezes ordens de grandeza mais caros, e mais antigos, e também porque o desenvolvimento de um projeto demorava vários anos mantendo-se os componentes escolhidos na fase de especificação. Na presente conjuntura, empresas e governos buscam agora projetos mais baratos, menores, com o uso desses componentes e que possam assimilar/mitigar riscos associados ao meio espacial (radiação notadamente) com esta mudança. Vale dizer que, em muitos casos, não há perda de capacidade com isso, ao contrário.

Histórico

No início deste século, dois professores de Stanford e Cal Poly, nos Estados Unidos, respectivamente Bob Twiggs e Jordi Puig-Suari, “inventaram” (mas não patentearam) um padrão para o desenvolvimento de pequenos satélites. Muito pequenos realmente, e o denominaram de cubesat, devido ao formato de um cubo com 10 cm de aresta, volume de um litro e massa de um quilo. O padrão foi instituído através de um documento de Conceptual Design Specification (CDS), que teve sua 13ª revisão em 2013, ainda preliminar.

O padrão e o desenvolvimento de cubesats, inicialmente, tinha o objetivo de permitir a alunos a praticar com projetos que emulam os maiores, já que são lançados em órbita, transmitem dados a uma estação de solo e possuem vários dos sistemas de um satélite de muito maior porte, como computador de bordo, subsistemas de transmissão e recepção, de energia, controle etc. São ainda capazes de transportar uma carga útil, como uma câmera, um experimento científico ou um componente para ter seu desempenho testado. E isso, a um custo de algumas centenas de milhares de dólares.

O cubesat mais antigo em operação tem mais de 10 anos no espaço, e foi desenvolvido pela Universidade de Tóquio. Vários outros voam há mais de 5, 6 ou 7 anos. Como todos usam somente componentes eletrônicos ditos “de prateleira” (COTS – components off the shelf), ou seja industriais, sem especificação espacial ou mesmo militar, isso começa a criar o que se chama no setor de “herança” espacial (heritage). Ou seja, muitos componentes para radio e computador de bordo, antenas, e outros (exceto as células dos painéis solares que possuem qualificação espacial) já se provaram resistentes à radiação suficientemente para serem incorporados a diversos novos projetos em curso.

Na América do Sul, a Colômbia possui um cubesat em operação há cerca de cinco anos. Peru, Argentina e Equador já lançaram os seus mais de uma vez. Em novembro passado, houve um lançamento simultâneo de 32 cubesats “de carona” em um lançador russo, DNEPR, e cerca de 15 dias após, outros 28 foram lançados por um lançador Minotauro, norte-americano. Ou seja, somente naquele mês, mais de 60 cubesats foram lançados. Um recorde que dá uma ideia do que vem por aí.

O padrão 1U cubesat (cubo de 10 cm de aresta, 1 kg. de massa e 1 litro de volume) começou a ser expandido para 2U, 3U, 6U, 8U, 12U, e assim sucessivamente, simplesmente “montando-se” cubesats maiores com a unidade inicial 1U como se fosse um Lego montado a partir da mesma e preservando-se o padrão cubesat em cada U. Isso proporcionou o desenvolvimento de nano satélites com maiores capacidades operacionais e com objetivos, inclusive comerciais, e científicos. Foi expandida a possibilidade desses engenhos para além da sala de aula e do ambiente acadêmico, passando para os campos industrial e comercial. Muitos dos cubesats lançados em novembro têm essas características e dimensões.

Desenvolvimento, lançamento e operação

Um cubesat 1U segue os padrões mencionados acima e é montado como em um sistema “marmita”, com seus subsistemas colocados em paralelo na estrutura, em um padrão conhecido como PC-104. A figura 1 ilustra um cubesat 1U sem os painéis solares laterais que recobrem todo o cubo. Usualmente, as frequência de transmissão e recepção são em faixas de rádio-amadores (VHF/UHF), mas cubesats mais modernos usam banda S e outras de maior capacidade.

Da mesma forma, a interface com o lançador também é padronizada e denominada POD (Picosatellite Orbit Deployer). O documento CDS também apresenta o padrão para o POD.

Com isso, cubesats podem ser lançados por diferentes vetores por ser padrão a sua interface com eles. Vários lançadores já fizeram isso como PSLV (Índia), Minotauro (Estados Unidos), Vega (Comunidade Europeia) e DNEPR (Rússia), para citar alguns.

O lançamento de um cubesat é sempre feito “de carona”. Aproveita-se um lançamento já existente de um satélite de grande ou médio portes, e adaptam-se POD´s no último estágio do lançador, carregados de cubesats. Essas interfaces estão aumentando de tamanho e capacidade, de forma a levar satélites maiores e em maior número. As estações são, em geral, de baixo custo como todos os itens. Um cubesat 1U pode ser desenvolvido, lançado e ter sua própria estação por cerca de R$ 700 mil.

Projetos nacionais

O primeiro cubesat nacional está previsto para ser lançado em maio/junho deste ano. É o NanosatC-Br1, feito em cooperação entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É do padrão 1U e sua missão científica é medir dados do campo magnético da Terra, com um magnetômetro, principalmente na região conhecida como Anomalia Magnética do Atlântico Sul. Dois outros experimentos tecnológicos voarão juntos, sendo os dois primeiros circuitos integrados projetados no Brasil com características de resistência à radiação, para uso espacial. O primeiro, projetado pela Santa Maria Design House, da UFSM, foi fabricado na Alemanha, pois ainda não havia possibilidade de produzi-lo localmente. O segundo, um produto do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é um software que será colocado em um componente FPGA industrial com característica de tolerância a falhas causadas por radiação. Optou-se por adquirir a plataforma do cubesat de uma empresa internacional, a holandesa ISIS, e oferecer a possibilidade de testes com cargas úteis desenvolvidas no Brasil. Esta é uma das grandes utilidades dos cubesats. Servir de plataforma de testes no espaço de novos componentes, produtos e experimentos.

As cargas úteis do NanosatC-Br1 foram integradas à plataforma, tendo elas e todos os seus subsistemas, performances nominais após a operação. O NanosatC-Br1 passou por testes de vibração e ambientais na segunda quinzena de março, antes de ser enviado para o seu lançamento, já contratado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), e será feito em território russo, com o DNEPR. Duas estações de solo foram montadas e encontram-se operacionais recebendo dados de outros cubesats na UFSM e no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).

O mesmo grupo do INPE e da UFSM que atua no NanosatC-Br1 também trabalha, no momento, no NanosatC-Br2, desta vez um 2U, com dois litros de volume e, portanto, praticamente o dobro da capacidade para cargas úteis, que serão uma sonda de Langmuir, para obtenção de dados da ionosfera (experimento de cientistas do INPE), e o primeiro subsistema de determinação de atitude desenvolvido no Brasil, e com tripla redundância (uma cooperação entre o INPE, a Universidade Federal de Minas Gerais, e a Universidade Federal do ABC). O NanosatC-Br2 tem seu lançamento previsto para 2015. Tanto o NanosatC-Br1 quanto o Br-2 são projetos originários do Centro Regional Sul do INPE, localizado em Santa Maria (RS), no campus da UFSM.

Um outro projeto surgiu no Centro Regional Nordeste do INPE, localizado em Natal (RN), no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Trata-se do CONASAT, de maior porte, com o uso de um nano satélite 8U, no padrão cubesat. Suas pretensões são substituir o atual sistema SCD (Satélite de Coleta de Dados), lançados em 1993 e 1998, e ainda em operação. Enquanto os SCD-1 e 2 têm massa superior a 100 kg cada e consistem em um prisma octogonal com cerca de um metro de altura, o CONASAT tem 8,4 kg, com redundância em todos os seus subsistemas e carga útil, e consiste de um cubo de 20 cm de aresta. O transponder de carga útil, desenvolvido em cooperação com a UFRN, utiliza os padrões cubesat e constitui-se de três placas de 10X10 cm com massa inferior a 300 g. Seu modelo de engenharia está em testes e a plataforma do satélite poderá estar disponível no final deste ano.

Vários outros projetos de cubesats estão em andamento no Brasil, como o do Instituto Federal Fluminense (IFF), em parceria com uma universidade espanhola, e aceito para fazer parte da missão da Agência Espacial Europeia chamada QB50, que lançará simultaneamente 50 cubesats para medidas atmosféricas. O ITA, em conjunto com o INPE, também trabalha em um cubesat, o AESP-14, com o intuito de desenvolver os subsistemas de uma plataforma 1U. Algumas outras universidades brasileiras também atuam ou estão em processo de se iniciar no campo dos cubesats, como a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade Federal de Minas Gerais.

Assim como o meio civil busca aplicações em que cube e nano satélites possam ser utilizados por seus baixos custos, o setor de defesa também o faz. A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) lançou, no fim do ano passado, os seus primeiros cubesats para comunicação de pacotes de voz para áreas remotas. O Brasil participa, através do Comando da Aeronáutica, do rastreio desses sobre o território nacional em cooperação com a USAF. Sensoriamento remoto e infravermelho estão em análise. Uma outra aplicação em testes é para sistemas de identificação de navios (AIS – Automatic Identification Systems), como o Tríton, cujo primeiro cubesat da constelação foi lançado em novembro de 2013 para prova de conceito. O Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Ministério da Defesa, não prevê a utilização de cube e nano satélites, o que pode ter sido um erro, em virtude da necessidade do requisito do uso de satélites com Estoque de cubesats. Até onde se poderá ir? Esta é a grande questão que o setor espacial, indústria e academia tentam responder. Que tipo de aplicações esses satélites poderão suprir? As perspectivas hoje eram inimagináveis há dois ou três anos. Devido aos custos, muitos países antes não relevantes na corrida espacial poderão participar. Entretanto, ali são previstos recursos para estimular o desenvolvimento desse tipo de satélites.

Possibilidades futuras e dificuldades

Nem todos os projetos espaciais poderão ser substituídos por cube e nano satélites. Há limites de geração e armazenamento de energia a bordo para certas aplicações que inviabilizarão o seu uso em algumas aplicações. Mas, ainda nesses casos, eles podem ser complementares e cobrir estágios intermediários.

Há também dificuldades a serem superadas como o excesso de debris que causarão no espaço, a maior agilidade do setor de regulamentação, principalmente para a concessão de frequência (em comparação com o prazo para o seu desenvolvimento) e a oferta de pequenos lançadores para lançamentos dedicados, em que não se tenha que utilizar a mesma órbita do lançamento principal.

Por outro lado, o uso de constelações desses satélites, além do aumento em massa e volume do uso do padrão cubesat para satélites na classe de 10 a 20 kg., aumentará em muito a capacidade e o potencial de uso. Empresas como a Planet Labs pensam em grandes constelações. Assim, já assinou um contrato com a Google que prevê constelações de até 1.600 satélites cubesat! Este número é o dobro do total de satélites lançados até hoje. E, a produção já começou.

* Otavio Durão é engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 136, março de 2014.
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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Alcântara: FTI lançado com sucesso

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Foguete de Treinamento é lançado com sucesso em Alcântara (MA)

Brasília, 9 de maio de 2014 – O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, realizou com sucesso nesta sexta-feira (9) o lançamento do décimo Foguete de Treinamento Intermediário (FTI) dentro da Operação Águia 1 – 2014. O lançamento previsto para ontem (8) teve de ser adiado devido um problema mecânico no lançador verificado poucos momentos antes do disparo.

Ontem mesmo a equipe do CLA realizou os reparos necessários, mas com o avançar das horas a janela de lançamento no dia se encerrou, o que levou ao adiamento do lançamento para hoje.

“Operações como essas têm justamente a finalidade de testar todos os meios e manter a operacionalidade das equipes. Nesse sentido, o problema detectado foi importante para que pudéssemos treinar a operacionalidade do Centro em resposta a uma falha identificada na plataforma de lançamento.” enfatizou o coronel engenheiro César Demétrio Santos, diretor do CLA. Além disso, com o lançamento espera-se obter a certificação e qualificação do foguete junto ao Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI).

Clima - Com as condições climáticas favoráveis ao longo do dia e os ajustes realizados ontem, o lançamento ocorreu às 15h08, horário de Brasília, seguindo os parâmetros de trajetória previstos.

A Operação Águia 1, iniciada em 28 de abril último, foi realizada pelo CLA, organização militar subordinada ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), e apoiada pela Agência Espacial Brasileira (AEB).

Ainda apoiaram a operação a Marinha do Brasil (MB), o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e o Comando de Operações Aéreas (Comgar), por meio da Segunda Força Aérea (II FAE) e o 1º Comando Aéreo Regional (I Comar) com a participação dos esquadrões de voo: 1º ETA (aeronave de transporte C-98), 3°/7° GAv (aeronave de patrulha P-95) e 1°/8° GAv (helicóptero H-36).

Fonte: CLA, via AEB.
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quinta-feira, 8 de maio de 2014

Alcântara: Operação Águia 1 - 2014

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Centro de Lançamento de Alcântara lança Foguete de Treinamento Intermediário

Brasília, 7 de maio de 2014 – O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, programou para esta quinta-feira (8) o lançamento do décimo Foguete de Treinamento Intermediário (FTI) dentro das atividades da Operação Águia 1 – 2014.

A operação objetiva treinar as equipes envolvidas e testar os meios associados às atividades de preparação, montagem, transporte, integração, lançamento e rastreio de veículos espaciais. Além disso, a partir dos parâmetros seguidos e resultados obtidos após o voo, espera-se obter a qualificação e certificação do veículo junto ao Instituto de Coordenação e Fomento Industrial (IFI).

O FTI é um foguete de 5,510 metros, com peso de 490 kg fabricado pela indústria nacional Avibrás e integra o Projeto Fogtrein – Foguete de Treinamento – que juntamente com o Foguete de Treinamento Básico (FTB) visam a manter a operacionalidade dos centros de lançamentos brasileiros tanto o CLA quanto o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), no Rio Grande do Norte.

O tempo de voo do FTI até atingir a altitude máxima (apogeu) é esperado para um minuto e cinco segundos, com queima efetiva do motor de 10 segundos e meio, sendo o tempo de voo até o impacto de três minutos e 44 segundos.

A Operação Águia 1 é realizada pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) por meio do CLA.

Fonte: CLA, via AEB.
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CBERS 4: gerador solar rumo à China

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Gerador solar do Cbers-4 foi enviado para a China

Brasília, 8 de maio de 2014 – O Gerado Solar (SAG, na sigla em inglês) do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers-4) foi embarcado nesta quinta-feira (8) para a China onde será integrado ao corpo do satélite, que está em fase de montagem.

Desde o mês de abril o gerador passou por uma série de testes no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), sendo plenamente aprovado.

Com mais de 16 metros quadrados (6,3 x 2,6 m) o SAG é responsável por captar a luz do Sol e convertê-la em energia para alimentar as baterias do satélite. Apesar da dimensão avantajada a peça pesa só 55 quilos, pois a avançada tecnologia empregada na sua fabricação pelas empresas Orbital Engenharia Ltda e Cenic Indústria e Comércio Ltda, ambas de São José dos Campos, utiliza materiais leves, mas de alta resistência e durabilidade.

Tecnologia – Abrir o gerador solar é o primeiro comando do satélite ao alcançar a órbita programada. Durante o tempo em que o satélite recebe a luz solar em órbita, o SAG além de abastecer os diversos instrumentos a bordo também completa a carga das baterias para energizar os equipamentos na fase de eclipse, ou seja, período em que a luz solar não atinge o equipamento.

Desenvolvido com tecnologia moderna de células de tripla junção de alta eficiência energética o SAG do Cbers-4 gera até três mil watts de potência elétrica em condições normais de iluminação.

O Cbers-4 está programado para ser lançado da China, país parceiro do Brasil no desenvolvimento da série de satélites para sensoriamento remoto desde os anos 1980, na segunda semana de dezembro próximo.

Fonte: AEB

Comentário do blog: outros subsistemas e cargas úteis de responsabilidade brasileira também estão próximos de embarcar para integração na China visando ao lançamento do CBERS 4 no próximo mês de dezembro. O modelo de voo da câmera MUX, por exemplo, deve ser enviada à China dentro das próximas semanas.
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quarta-feira, 7 de maio de 2014

Fundo Aeroespacial é lançado

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BNDES, Desenvolve SP, FINEP e Embraer lançam fundo de investimento para o setor aeroespacial

Rio de Janeiro, 7 de maio de 2014 – O Fundo de Investimento em Participações (FIP) Aeroespacial, primeiro na América Latina voltado para o setor, está sendo lançado nesta quarta-feira (7), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro.

Resultado de uma iniciativa conjunta do BNDES com a FINEP, a Agência de Desenvolvimento Paulista (DESENVOLVE SP) e a Embraer, o fundo foi criado com o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva aeroespacial, aeronáutica, de defesa e segurança e promover a integração de sistemas relacionados a esses setores por meio de apoio às pequenas e médias empresas.

O patrimônio inicial do fundo será de R$ 131,3 milhões, assim distribuído pelos quotistas: BNDESPAR, Embraer e FINEP, cada um com R$ 40 milhões; Desenvolve-SP, com R$ 10 milhões e R$ 1,3 milhão aportados pela PORTBANK, gestora do fundo.

O FIP foi estruturado com elementos de Corporate Venturing, isto é, a partir do esforço corporativo de uma empresa estratégica do setor, no caso a Embraer, cujo objetivo é contribuir com a estruturação e o fortalecimento da cadeia produtiva relacionada às suas atividades nos setores aeronáutico, aeroespacial, de defesa e segurança e integração de sistemas. Além disso, o fundo cria um canal permanente que permite o contato mais próximo entre a empresa estratégica do setor e as iniciativas empreendedoras mais inovadoras destes setores e promove o investimento em setores estratégicos para o Brasil por meio do conceito de Corporate Venturing no País.

“É com muita satisfação que vemos esta iniciativa tornar-se realidade. O apoio a micro e pequenas empresas de base tecnológica, com o suporte de grandes companhias de setores correlatos, tem grande sintonia com o papel do BNDES. Esperamos e estamos trabalhando para que outras empresas sigam o caminho trilhado pela EMBRAER”, disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

“O capital de risco é uma ferramenta eficiente para financiar projetos. Principalmente porque cria um ambiente de investimento constante. O envolvimento de ícones setoriais é importante para reduzir riscos e motivar empresas e investidores individuais a destinar seus recursos a empresas de base tecnológica”, afirmou Glauco Arbix, Presidente da Finep, que tem como meta reproduzir a iniciativa para cadeias como a de óleo e gás, com a Petrobras, e tecnologia da informação, com alguma empresa importante do setor.

“Investir em pesquisa e em empresas inovadoras é a solução para garantirmos um crescimento sustentável da economia. Apostar na inovação está no DNA da Desenvolve SP”, diz Milton Luiz de Melo Santos, Diretor-Presidente da Desenvolve SP. Além do Fundo Inovação Paulista, lançado pela Desenvolve SP, e do Aeroespacial, a instituição mantém investimentos em outros três fundos de venture capital.

“A Embraer sempre incentivou o desenvolvimento de uma cadeia nacional para indústria aeronáutica e de defesa no Brasil, e tem especial interesse no segmento de alta tecnologia”, afirma Frederico Fleury Curado, Diretor-Presidente da Embraer.

O Fundo, tipicamente de capital empreendedor (venture capital), será destinado a empresas inovadoras de pequeno e médio porte (com faturamento bruto de até R$ 200 milhões/ano) em todo o território nacional.

A gestão do fundo fica a cargo da PORTBANK, que foi selecionada a partir de um edital de chamada pública conjunta realizada em setembro do ano passado. Com sede em São Paulo, a empresa possui profissionais experientes nos setores-alvo e acumula mais de 25 anos de experiência em operações de fusões e aquisições, totalizando mais de 40 operações em montante superior a R$ 20 bilhões. As empresas interessadas devem contatar os gestores do Fundo pelo site www.portbank.com.br

Sobre o BNDES

O BNDES é o principal instrumento para a realização de investimentos de longo prazo na economia brasileira, atuando tanto na concessão de crédito quanto no apoio a empresas por meio de participação acionária.

Sobre a FINEP

A Finep - Inovação e Pesquisa - é uma empresa pública vinculada ao MCTI, considerada a principal agência de fomento à inovação do País. O apoio da Finep abrange todas as etapas e dimensões do ciclo de desenvolvimento científico e tecnológico: pesquisa básica, pesquisa aplicada, melhoria e desenvolvimento de produtos, serviços e processos. A Finep apoia, ainda, a incubação de empresas de base tecnológica, a implantação de parques tecnológicos, a estruturação e consolidação dos processos de pesquisa e o desenvolvimento de mercados. A Finep opera seus programas por meio de apoio financeiro reembolsável e não reembolsável (que não precisa ser devolvido) e de investimento.

Sobre a Desenvolve SP

A Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista é a instituição financeira do Governo do Estado de São Paulo que tem como objetivo incentivar o crescimento das pequenas e médias empresas paulistas. Por meio do Programa São Paulo Inova, a Desenvolve SP financia empresas de base tecnológica com linhas de crédito com juros a partir de zero, fomentando o desenvolvimento de empresas inovadoras e promovendo o aumento da competitividade do setor produtivo paulista.

Fonte: Embraer
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terça-feira, 6 de maio de 2014

Comunicações: direitos de exploração licitados

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Anatel licita direitos de exploração de satélite por R$ 153,15 milhões

06 de Maio de 2014

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) licitou hoje, 6 de maio, em Brasília, por R$ 153,15 milhões, quatro direitos de exploração de satélites. O objetivo da licitação é reforçar a infraestrutura de telecomunicações do País.

A Hispamar Satélites S.A. ofereceu R$ 65 milhões pelo primeiro direito de exploração de satélite licitado para operar a banda Ku planejada - o  que representou um ágio de 431,8% sobre o preço mínimo.

A SES DTH do Brasil LTDA apresentou as melhores ofertas para o segundo e terceiro direitos de exploração de satélite. Com a proposta de R$ 33 milhões (ágio de 170% sobre o preço mínimo), a empresa obteve o segundo direito para operar nas bandas C, Ku e Ka. A banda Ka permite o provimento de banda larga. A banda C e a banda Ku possibilitam diversas aplicações em telecomunicações. Pelo terceiro direito, com a oferta de 26,8 milhões (ágio de 119,3%) a empresa poderá operar na banda Ku planejada.

As adquirentes do primeiro e terceiro direito de exploração de satélite escolheram as faixas planejadas para o Brasil do apêndice 30/30A do regulamento de radiocomunicação da UIT (União Internacional de Telecomunicações) destinadas no país para provimento de DTH (TV por assinatura via satélite).

A Eutelsat do Brasil LTDA apresentou a melhor oferta pelo quarto direito de exploração: 28,35 milhões, o que representou um ágio de 131,9% sobre o preço mínimo. O futuro satélite deverá operar nas frequências planejadas para o Brasil no apêndice 30B do regulamento de radiocomunicação da UIT. Essas faixas de radiofrequências podem atender a todos os serviços fixos de telecomunicações.

Todos os direitos de exploração abrangerão 15 anos e serão prorrogáveis por igual período.

Na última terça-feira, 29 de abril, sete empresas entregaram os documentos de identificação e habilitação, além das propostas de preço.

Veja abaixo a lista de proponentes, por ordem alfabética:

Eutelsat do Brasil LTDA
 Hispamar Satélites S.A.
Inmarsat Navigation Ventures Limited
SES DTH do Brasil LTDA
Star One S.A.
Star Satellite Communications Company
Telesat Brasil Capacidade de Satélites LTDA

O preço mínimo de referência por direito de exploração foi fixado em R$ 12.223.484,27. As condições para participação constam do Edital de Licitação nº 1/2014 - SCD, que tem como objeto conferir até quatro Direitos de Exploração de Satélite Brasileiro para Transporte de Sinais de Telecomunicações, com 15 anos de duração, prorrogáveis por igual período.

Fonte: Anatel
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segunda-feira, 5 de maio de 2014

Microgravidade: VSB-30 voa em 2015

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Em fevereiro deste ano, a Agência Espacial Brasileira (AEB) lançou o 4º Anúncio de Oportunidades do programa Microgravidade, para a seleção de experimentos da comunidade científica e acadêmica brasileira para um voo a bordo de um foguete de sondagem VSB-30. A propostas de universidades e centros de pesquisa foram recebidas até março. Hoje (5), o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) divulgou um press release em que relaciona os projetos selecionados:

1. Solidificação de Ligas Eutéticas em Microgravidade (SLEM)
Responsável: Chen Ying An (INPE)
2. Os Efeitos da Microgravidade Real no Sistema Vegetal de Cana-de-Açúcar Utilizando o Foguete de Sondagem VSB-30
Responsável: Katia Castanho Scortecci (UFRN)
3. Plataforma de Aquisição para Análise de Dados de Aceleração II (PAANDA II)
Responsável: Marcelo Carvalho Tosin (UEL)
4. Novas Tecnologias de Meios Porosos para Dispositivos com Mudança de Fase
Responsável: Marcia Barbosa Henriques Mantelli (UFSC)

Segundo o DCTA, o voo do VSB-30, que será lançado a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, está previsto para ocorrer entre os meses de junho e agosto de 2015. No momento, a AEB está analisando projetos para a realização de um segundo voo, e entre fevereiro e março do ano que vem, espera-se a abertura do anúncio para a seleção de projetos para um terceiro voo.
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VLS: ensaios em túnel de vento do IAE

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Mais uma campanha de ensaios é realizada no Túnel de Vento, na Divisão de Aerodinâmica do IAE

05/05/2014

O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), de onde é lançada a maior parte dos foguetes brasileiros, está localizado no litoral norte do estado do Maranhão, numa região onde o relevo apresenta como uma peculiaridade topográfica uma falésia, de aproximadamente 50 metros de altura, e tem-se ainda a presença dos ventos alísios. A plataforma de lançamento de foguetes está localizada próxima à costa, a aproximadamente 150 metros, e as trajetórias dos mesmos podem sofrer a influência da turbulência causada pela modificação do perfil do vento que sopra do oceano para o continente. Portanto, é de grande importância para as atividades de lançamento de veículos espaciais (foguetes de sondagem ou o VLS), o conhecimento em profundidade do escoamento atmosférico no CLA e principalmente nas proximidades da Torre Móvel de Integração (TMI).

Desde meados de 2008, através de uma parceria no IAE entre as Divisões de Aerodinâmica (ALA) e Ciências Atmosféricas (ACA), simulações no túnel de vento TA-2 têm sido realizadas e comparadas com observações "in situ" com o objetivo de se estudar o escoamento atmosférico no CLA.

O TA-2, localizado na ALA, é um túnel aeronáutico com seção de ensaios de 2,10m x 3m e capacidade de medição de escoamentos na faixa de velocidades de 5 a 120m/s. Para a viabilização destes ensaios atmosféricos num túnel aeronáutico com o TA-2, é realizado inicialmente um procedimento de formação de uma camada atmosférica anteriormente à instalação do modelo. Embora os dados de vento sejam usualmente coletados em estações meteorológicas a 10 m de altura, medições adicionais, como aquelas realizadas em torres anemométricas são requeridas para obtenção de dados detalhados do padrão de escoamento de ar. As simulações em túnel de vento na ALA tem sido realizadas utilizando-se as técnicas de anemometria de fio-quente e de Velocimetria por Imagem de Partículas (PIV).

Nos últimos experimentos em túnel foi investigada a influência dos principais ângulos de incidência do vento na região do CLA e também da estrutura irregular da falésia. Este último parâmetro foi investigado variando-se o ângulo de inclinação da falésia. Os resultados obtidos parecem indicar que os dois parâmetros exercem uma influência no padrão de escoamento atrás da TMI, sendo o ângulo de incidência do vento um parâmetro de grande importância.

Fonte: IAE/DCTA, com edição do blog Panorama Espacial.
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domingo, 4 de maio de 2014

"O Brasil nos planos da MDA"

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O Brasil nos planos da MDA

André M. Mileski

Uma das principais características do Canadá, facilmente notada por qualquer visitante, é seu forte caráter multinacional. Dos países desenvolvidos, é o que mais recebe imigrantes, oriundos de praticamente todas as regiões do mundo. No final de janeiro, a reportagem de T&D esteve na Califórnia, nos Estados Unidos, e em Vancouver, no Canadá, para conhecer um pouco mais sobre a MacDonald, Dettwiler and Associates (MDA), que, a exemplo de seu país de origem, também está muito alinhado ao conceito de multinacionalidades. E isso se percebe de diferentes maneiras, inclusive entre os altos executivos. O presidente do grupo, Daniel Friedmann, nasceu em Santiago do Chile. John Celli, presidente da Space Systems/Loral (SSL), adquirida pela MDA, é italiano. E não são casos isolados, havendo outros exemplos de executivos e funcionários de origem estrangeira ocupando posições importantes.

Como parte de sua missão, a MDA, com clientes em todos os continentes, está buscando se tornar mais multinacional, tendo a intenção de ampliar suas bases industriais para além do Canadá e Estados Unidos, em mercados emergentes, como o Brasil, a Rússia e a Índia.

Capacidades e tecnologias

A MDA foi fundada em 1969 por dois empreendedores, John MacDonald e Werner Dettwiler, que deram origem ao seu nome. Ao longo de sua história, a empresa realizou aquisições e consolidações, tornando-se um dos principais grupos em suas áreas e atuação no mundo. Contando com cerca de 4.500 funcionários, se identifica como uma companhia global de comunicações e informação, fornecendo soluções operacionais para organizações comerciais e governamentais. Em 2012, seu faturamento superou US$ 1,835 bilhão.

A MDA está organizada em duas divisões principais: Comunicações, e Vigilância e Inteligência (Surveillance and Intelligence), que tem sob seu guarda-chuva as atividades de vigilância baseadas em satélites e em aeronaves, estações terrestres e serviços de informação geoespacial.

As soluções envolvendo satélites, por exemplo, incluem missões radar, tecnologia em que a MDA é reconhecida como líder, como a família RADARSAT, e a expertise para o desenvolvimento e construção de satélites e constelações para necessidades em observações terrestre, como a RapidEye, e espacial. Também inclui toda a capacitação em robótica espacial, outra área em que tem grande reputação internacional - o enorme “braço” robótico que equipa a Estação Espacial Internacional, chamado de Canadarm, foi desenvolvido e fabricado pela empresa.

A série de satélites RADARSAT teve início em 1995, com a colocação em órbita de sua primeira unidade, que esteve ativa por 18 anos, e que de certa forma definiu padrões de operação de radares baseados no espaço. Em dezembro de 2007, o segundo satélite da série foi colocado em órbita e se encontra em operação, fornecendo dados para aplicações civis, comerciais e em defesa. Uma nova constelação, conhecida como RCM (RADARSAT Constellation Mission) teve sua fase de construção contratada pelo governo canadense no início de 2013 e envolverá, inicialmente, três unidades com lançamento previsto para 2018. Quando em órbita, os novos satélites proporcionarão cobertura diária das zonas costeiras da América do Norte, com modos otimizados para a detecção de navios, além de integração simultânea com dados AIS (Automatic Identification System) para operações de interdição. O Canadá já planeja uma extensão da constelação com outras três unidades, e está ativamente buscando por parceiros internacionais para ampliar ainda mais a constelação e a frequência de revisitas.

Em matéria de radares embarcados, a MDA desenvolve e projeta radares específicos e complexos para imageamento em alta resolução por meio de tecnologia radar (SAR - Synthetic Aperture Radar), e tecnologias de identificação de movimentação de alvos e outras ferramentas de detecção e identificação.

Junto ao fato de ter construído os satélites RADARSAT, a MDA é operadora, respondendo ainda pela distribuição global de suas imagens. Ao mesmo tempo, a companhia oferece serviços derivados das imagens para clientes em diferentes setores, como defesa, meteorologia, transportes, energia, mineração, petróleo e gás, etc.

Em estações terrestres para a recepção de dados de imagens, a MDA já ultrapassou 40 anos de experiência e entregou mais de 70 unidades desde 1980. Suas estações hoje recebem dados de diversos satélites, como os World View 1 e 2, Pleiades 1A e 1B, SPOT 6 e 7, a constelação RapidEye, RADARSAT-2, entre outros.

É dentro da divisão Surveillance and Intelligence que são desenvolvidas as soluções em vigilância e monitoramento marítimos, como o Polar Epsilon, em operação pelas Forças Armadas canadenses. Por meio desse sistema, o país é capaz de detectar, identificar e rastrear ameaças em potencial nos mais de 20 milhões de km2 da área marítima de sua responsabilidade. Toda esta área é imageada diariamente pelo RADARSAT-2 e, por meio de estações localizadas nas costas leste e oeste, as imagens são baixadas, processadas e analisadas, e as informações resultantes são transmitidas aos centros de operações marítimas num tempo inferior a 15 minutos. Como parte desse processo, o sistema, com intervenção dos operadores, realiza as detecções das embarcações presentes nas imagens e faz um cruzamento dessas detecções com os sinais emitidos por transpônderes AIS das embarcações, que são transmitidos por satélite. Desta forma, potenciais ameaças podem ser identificadas.

Outro produto são os centros de comando marítimo, criados para estabelecer uma Consciência Situacional Marítima, por meio da integração de diferentes sensores e fusão de dados. Ferramentas analíticas são utilizadas nesses centros para apoiar na identificação automática de ameaças e envio de alertas, permitindo ações rápidas. Elas proporcionam a detecção de ameaças quando características específicas de determinadas embarcações, obtidas de diferentes fontes, são consistentes com padrões indicativos de comportamento ilegal ou suspeito. Ainda, possibilitam buscas complexas de embarcações com base em localizações, períodos e contextos, além de preverem suas posições, rotas e destinos.

Liderança em comunicações por satélite

Em junho de 2012, a MDA deu um grande salto ao adquirir da holding Loral Space & Communications, por US$ 875 milhões, a SSL. Com a aquisição, a MDA consolidou sua presença no setor espacial, em particular, em comunicações, segmento em que já atuava quanto a cargas úteis e subsistemas, principalmente, e passou a ter uma notada presença industrial nos Estados Unidos, um mercado considerado estratégico. A origem da SSL, no entanto, remonta a 1957, quando foi fundada com o nome Western Development Laboratories, do tradicional grupo Philco. Em 1976, a SSL passou a integrar a divisão de sistemas espaciais da Ford Motors, que a vendeu para a Loral Space & Communications no início da década de 1990.

Seu primeiro satélite foi o Courier 1B, colocado em órbita em outubro de 1960, e o primeiro artefato da história a realizar uma transmissão de dados entre diferentes pontos da Terra. Por meio do Courier 1B, um globo com cerca de 230 kg, o presidente norte-americano à época, Dwight Eisenhower transmitiu uma mensagem às Nações Unidas.

Hoje, a SSL responde por cerca de metade do faturamento da MDA, ocupando a liderança no segmento de satélites comerciais de comunicações. Neste mercado, desde 2005, a companhia fechou mais de 50 contratos, representando cerca de 40% do total de encomendas para satélites geoestacionários comerciais com potência superior a 8 kW. Seus números, em geral, impressionam. Os clientes incluem as principais operadoras, e mais de 70 satélites geoestacionários que saíram de suas instalações em Palo Alto estão em operação em órbita. Desde o seu surgimento, a SSL construiu mais de 250 satélites, contando com uma carteira de pedidos superior a 20 artefatos.

Estreando no mercado de observação terrestre, no início de fevereiro, a SSL anunciou sua contratação pela Skybox Imaging, dos Estados Unidos, para a construção de uma avançada constelação de pequenos satélites de observação de órbita baixa, formada por treze satélites, cada um com dimensões de 60 x 60 x 95 centímetros e massa aproximada de 120 kg, a serem lançados em 2015 e 2016. Os satélites serão capazes de gerar imagens coloridas submétricas e vídeos em alta definição com até 90 segundos e 30 frames por segundo. Uma vez completada, a constelação proporcionará três revisitas diárias de um mesmo ponto na Terra. “O contrato da Skybox é uma evidência concreta de nosso sucesso em trabalhar com a MDA para nos expandirmos em novos mercados”, declarou John Celli. “Baseado nas capacidades únicas da SSL como fabricante de satélites e na história da MDA, nós estamos desenvolvendo novas capacidades que nos permitir buscar outras oportunidades em observação terrestre e satélites de órbita baixa nos Estados Unidos e no exterior.” Como parte do acordo, a SSL terá uma licença exclusiva do design do satélite projetado pela Skybox Imaging, abrindo um novo leque global de oportunidades.

Brasil: negócios e oportunidades

A MDA atua no mercado brasileiro desde a década de 1980, quando a Spar Aerospace forneceu para a então estatal Embratel seus primeiros dois satélites de comunicações, os Brasilsat A1 e A2. Nos anos de 1990, o grupo canadense participou do projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), fornecendo uma estação terrestre capaz de receber e processar dados de cinco diferentes satélites de sensoriamento, integrada às instalações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e radares de imageamento em bandas L e X que equipam as aeronaves Embraer R-99, da Força Aérea Brasileira (FAB). Há mais de 15 anos, fornece imagens radar geradas por sua família RADARSAT para a Petrobras e outras empresas brasileiras, permitindo cobertura diária de suas plataformas offshore.

Em comunicações, a SSL firmou nos últimos anos contratos com a Star One, principal operadora de comunicações por satélite do Brasil e uma das maiores da América Latina, para o fornecimento de dois satélites geoestacionários, o Star One C4, previsto para ser lançado no final de 2014, e o Star One D1, que deve voar em 2016, ambos a bordo do lançador Ariane 5, da Arianespace. Os dois novos sistemas fornecerão capacidade para novas demandas decorrentes dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro (RJ). Em entrevistas concedidas à T&D, executivos do grupo também mencionaram o crescente interesse de países na região em desenvolver suas próprias capacidades espaciais, como em comunicações e observação terrestre.

A SSL foi uma das finalistas da concorrência do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), que proverá capacidade nas bandas Ka e X para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), respectivamente. Embora não tenha sido selecionada, a empresa, que construiu mais satélites de banda larga do que qualquer outro fabricante, está atenta a futuras oportunidades para atender ao governo brasileiro.

No continente latino-americano, a MDA também fornece sistemas e serviços para governos e clientes comerciais há mais de 30 anos, possuindo contratos ativos no México, Colômbia, Venezuela e Argentina. A companhia construiu outros satélites de operadores internacionais que oferecem serviços de transmissão para o Brasil e América Latina, contando ainda com outros satélites em sua carteira de pedidos.

Na visita ao Canadá, executivos destacaram que para atenderem as necessidades oficiais, o grupo busca estabelecer uma presença local de longo prazo, de forma a desenvolver soluções locais não apenas para o Brasil, mas também para mercados em que o País tenha forte influência geopolítica, diretrizes em linha com os preceitos da Estratégia Nacional de Defesa.

Falando em perspectivas, e em busca do ímpeto inicial para tais objetivos, a MDA está atenta a oportunidades relacionadas a programas estratégicos das Forças Armadas brasileiras, como o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), em implantação, o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) e o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), estes últimos prestes a serem licitados. Como parte desse esforço, a empresa tem interagido com o governo e órgãos militares para entender as demandas, e considerado vários modelos de parcerias com indústrias brasileiras dos setores aeroespacial e de defesa.

Por razões lógicas, o SisGAAz, assunto do momento para a defesa brasileira, é uma iniciativa à qual a MDA tem muito o que contribuir, segundo foi destacado à T&D. Ao longo de sua trajetória, o grupo desenvolveu várias soluções de vigilância e monitoramento de extensas áreas marítimas para o governo canadense e outros clientes internacionais que envolvem assuntos complexos, como fusão de dados, integração de sistemas e sofisticados algoritmos, apenas para citar alguns. Segundo representantes da MDA, tais conhecimentos, adquiridos e desenvolvidos em projetos em operação, são fundamentais para o efetivo funcionamento de redes complexas como a planejada para o SisGAAz.

Numa fase menos madura, embora bastante avançada, também já começam ocorrer movimentações industriais direcionadas ao PESE (ver matéria), programa de grande interesse da MDA e que deve envolver um forte elemento de transferência tecnológica e indústrias locais. Além desses grandes projetos de sistemas, os canadenses também estão atentos a outras oportunidades no País, como a ampliação de serviços de imagens por satélite – algo inerente ao Brasil por sua extensão territorial, e uma futura modernização do sofisticado radar de abertura sintética que equipa o R-99, um projeto que está em consideração pela FAB.


Identificando ameaças e práticas ilegais

Na visita da reportagem de T&D à MDA no Canadá, houve a oportunidade de acompanhar uma apresentação sobre o sistema BlueHawk, para a Consciência Situacional Marítima, disponível por meio de assinaturas mensais. Basicamente, trata-se de um serviço de informações da MDA que envolve a fusão de dados comerciais e não confidenciais, oriundos de satélites, sinais AIS e LRIT, dados de registro de navios e outros dados contextuais.

Dois exemplos reais do BlueHawk demonstram a importância de se dispor de meios eficazes de vigilância. Em janeiro de 2013, numa área de 500 km por 500 km na costa de São Paulo, imagens do satélite RADARSAT-2 identificaram 233 embarcações, enquanto que apenas 179 estavam transmitindo sinais AIS. Por regras internacionais, qualquer embarcação civil com tonelagem igual ou superior a 300 toneladas deve obrigatoriamente dispor de um transpônder AIS, permitindo o seu monitoramento por meio de sinais transmitidos a satélites.

Outra demonstração apontou uma prática ilegal, mas que é comum: navios-tanque que “lavam” seus tanques em alto mar, antes de chegarem aos portos. Com a “lavagem”, uma quantidade significativa de óleo e/ou outros produtos químicos são despejados no mar, causando poluição e deixando rastros que podem ser identificados por satélites. O BlueHawk imageou a prática e identificou o navio.


Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 136, março de 2014.
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Simpósio Aeroespacial Brasileiro

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Entre os dias 27 e 29 deste mês, acontecerá em São José dos Campos (SP), a segunda edição do Simpósio Aeroespacial Brasileiro, organizado pela Associação Aeroespacial Brasileira (AAB). Durante a ocasião, será também comemorado os 10 anos de fundação da AAB.

Seguindo o exemplo de sua primeira edição, o Simpósio hospedará o "Encontro de Gerentes do Programa UNIESPAÇO da AEB", além de contar com mais de 44 trabalhos técnico-científicos, 4 palestras sobre temas atuais e relevantes das áreas aeronáutica e espacial (programa KC-390, projeto SARA, Novaer Craft, entre outros), bem como com rodas de debates sobre projetos conjuntos e cooperação. Para mais informações sobre a programação e inscrições, clique aqui.
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