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CBERS-4 passa por testes na China
Segunda-feira, 30 de Junho de 2014
Os testes de vibração acústica e senoidal do satélite CBERS-4 foram concluídos pelos especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST, na sigla em inglês). No dia 20 de junho, numa câmara acústica reverberante do centro chinês, em Pequim, o satélite sino-brasileiro foi exposto a ruídos acústicos semelhantes ao que enfrentará durante o lançamento, previsto para a primeira quinzena de dezembro.
Em seguida, entre os dias 21 e 23 de junho, com o CBERS-4 na configuração de lançamento, foram realizados testes de vibração nos três eixos para checar a robustez mecânica do satélite e seus subsistemas e a compatibilidade dinâmica com o foguete.
O CBERS-4 já havia passado por outra importante etapa quando, pela primeira vez, o Gerador Solar (SAG) e o satélite foram integrados e testados conjuntamente, durante ensaio realizado no dia 17 de junho.
O SAG, responsável por captar a luz do Sol e convertê-la em energia elétrica, essencial para o funcionamento de todos os sistemas e subsistemas que compõem o satélite, foi enviado à China no início de maio. Com mais de 16 metros quadrados, o gerador que pesa apenas 55 quilogramas foi fabricado pelas empresas brasileiras Cenic e Orbital.
Antes de ser integrado ao corpo principal do satélite, o SAG foi submetido a diversos testes elétricos, de abertura e inspeções visuais, para garantir que não sofreu danos durante o transporte. Para realizar os testes dos painéis do SAG é necessário mantê-lo suspenso a um trilho através de pontos de fixação para também simular a sua abertura quando em órbita. Em seguida, o SAG foi conectado mecânica e eletricamente ao satélite para ambos serem submetidos aos testes de vibração acústica e senoidal.
As próximas atividades serão a retirada dos painéis solares e realização de uma nova checagem dos alinhamentos e a preparação do satélite para o teste em câmara termovácuo.
Uma equipe do INPE está na China e, junto aos técnicos daquele país, trabalha para o lançamento deste que é o quinto satélite desenvolvido pelo Programa CBERS (sigla em inglês para Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres).
Montagem, integração e testes
No dia 11 de junho, foram concluídos os ensaios que verificam a autocompatibilidade do satélite e a sua compatibilidade eletromagnética com o veículo lançador. Esses testes são necessários para comprovar que um equipamento do satélite não provoca perturbações eletromagnéticas em outro. Além disso, são avaliadas possíveis interferências entre o satélite e o foguete. A impossibilidade de reparo em órbita torna imprescindível a simulação em Terra de todas as condições que o satélite irá enfrentar desde o seu lançamento até o final de sua vida útil no espaço.
As atividades de balanceamento e medidas de propriedades de massa do CBERS-4 aconteceram no dia 12 de junho. O balanceamento é realizado para atender aos requisitos de posição de centro de gravidade estabelecidos pelo veículo lançador e pelo subsistema de controle de atitude e órbita. O conhecimento preciso das propriedades de massa do satélite é fundamental para o correto desempenho desse subsistema. Antes disso, no dia 7 de junho, foram realizados os testes elétricos do satélite sino-brasileiro.
As atividades de montagem, integração e testes (AIT) do satélite ocorrem no Centro Espacial da CAST, na China. O período de AIT serve para montar o modelo de voo do satélite, demonstrar seu bom funcionamento em condições ambientais semelhantes ao lançamento e órbita e identificar e corrigir eventuais problemas.
O AIT do CBERS-4 teve início em janeiro deste ano com o envio para a China da estrutura de carga útil do satélite, que antes estava no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, em São José dos Campos (SP). A estrutura do CBERS-4 foi projetada e fabricada pelas empresas brasileiras Cenic e Fibraforte.
Ainda em janeiro, os primeiros equipamentos de voo desenvolvidos, fabricados e testados pela indústria brasileira, juntamente com os equipamentos chineses, foram integrados à estrutura do satélite para que fossem iniciados os testes elétricos.
Devido à complexidade do satélite, os testes elétricos foram realizados por ‘Estados’, chamados de A, B, C e D. O satélite foi progressivamente integrado e testado em cada um de seus Estados.
Após submetido a todos os testes ambientais em infraestruturas especiais (câmaras anecóica, acústica e termovácuo), o satélite estará pronto para a campanha de lançamento, que deve iniciar na segunda quinzena de outubro.
Fonte: INPE
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segunda-feira, 30 de junho de 2014
domingo, 29 de junho de 2014
Antelsat, o primeiro satélite do Uruguai
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A informação quase passou despercebida, mas no mesmo voo que colocou em órbita o cubesat brasileiro NanosatC-Br1, lançado da Rússia em 21 de junho, também voou o primeiro satélite uruguaio, o AntelSat.
Do tipo cubesat, o AntelSat tem massa de dois quilos e conta com dois sensores de imageamento, um que gera imagens a cores e o outro infravermelho, capaz de medir a temperatura terrestre e da água, além da altitude e tipologia das nuvens. Segundo informações locais, o artefato está operando, já tendo enviado dados de telemetria para a estação terrestre.
Projeto iniciado em 2007, o nanossatélite foi construído por uma equipe de 60 pessoas, composta por engenheiros da Antel (empresa estatal de telecomunicações), e da Faculdade de Engenharia da Universidade da República do Uruguai.
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A informação quase passou despercebida, mas no mesmo voo que colocou em órbita o cubesat brasileiro NanosatC-Br1, lançado da Rússia em 21 de junho, também voou o primeiro satélite uruguaio, o AntelSat.
Do tipo cubesat, o AntelSat tem massa de dois quilos e conta com dois sensores de imageamento, um que gera imagens a cores e o outro infravermelho, capaz de medir a temperatura terrestre e da água, além da altitude e tipologia das nuvens. Segundo informações locais, o artefato está operando, já tendo enviado dados de telemetria para a estação terrestre.
Projeto iniciado em 2007, o nanossatélite foi construído por uma equipe de 60 pessoas, composta por engenheiros da Antel (empresa estatal de telecomunicações), e da Faculdade de Engenharia da Universidade da República do Uruguai.
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sábado, 28 de junho de 2014
SGDC: capacitação de técnicos na França
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Brasileiros são capacitados em tecnologia espacial na França
Brasília, 27 de junho de 2014 – Um grupo de 26 técnicos e engenheiros brasileiros concluiu este mês, em Cannes, na França, uma parte do curso avançado do programa de absorção e transferência de tecnologia do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).
No mês de julho, 16 daqueles profissionais voltam à França para mais uma etapa do curso, iniciado em abril último, desta vez se integrando, até o início de 2015, a equipes da empresa Thales Alenia, responsável pela construção do satélite.
Além dos engenheiros bolsistas da Agência Espacial Brasileira (AEB), Pedro Luiz Kaled Da Cas, Erlan Rodrigo de Souza Cassiano, Cristiano Queiroz Vilanova e Ronne Toledo, integraram o grupo especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Telebras, da empresa Visiona e dos ministérios da Defesa e Comunicações.
O programa de absorção e transferência de tecnologia, cuja elaboração é de responsabilidade da AEB e Telebras, objetiva construir competência nacional para promover a maior qualificação e inserção das empresas nacionais no mercado de manufatura e serviços de satélites geoestacionários.
Para os bolsistas Kaled e Vilanova, que já estagiaram na área espacial na Ucrânia, está oportunidade na França é uma experiência fantástica. “Na Ucrânia tivemos uma visão mais acadêmica do conjunto espacial, enquanto que no curso em Cannes, conhecemos mais sobre o desenvolvimento na prática empresarial”, explica Kaled. Vilanova diz que o curso também “permite que se faça uma avaliação mais abrangente do estágio tecnológico em que estão ambos os países”.
Aplicação – Cassiano, que teve sua primeira experiência no exterior, acha que o curso incrementa ainda mais os recursos humanos do nosso segmento espacial. “Os conhecimentos acumulados não só estão qualificando pessoas, como dando condições a que venhamos desenvolver e inovar produtos voltados à tecnologia espacial”.
Na visão dos bolsistas, essa massa crítica que está em formação deve impulsionar o governo na direção de aportar mais recursos na área aeroespacial, “até porque o país não pode desperdiçar todo conhecimento que cada integrante do grupo vai absorver nessa experiência”, pensa Cassiano.
Outra possibilidade que entusiasma os bolsistas é oportunidade que terão de repassar a outros profissionais todo aprendizado acumulado no curso. “No caso da AEB poderemos colaborar com mais solidez na formação dos próximos bolsistas”, ressalta Kaled.
Para o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB, Petrônio Noronha de Souza, a capacitação de profissionais brasileiros impactará positivamente o parque industrial aeroespacial do país. Ele considera que o conjunto de absorção e transferência de tecnologia também terá reflexos relevantes no campo da pesquisa espacial do Brasil.
SGDC – Baseado na plataforma Spacebus 4000, o SGDC terá duas cargas úteis. Uma com 50 transponders banda Ka, oferecendo taxa de transferência de até 80 Gbps, e a outra com sete transponders banda X. O satélite pesa próximo de 5,8 toneladas na decolagem e oferecerá mais de 11 kW de potência. A previsão é de que seja entregue para o lançamento em 2015.
Fonte: AEB
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Brasileiros são capacitados em tecnologia espacial na França
Brasília, 27 de junho de 2014 – Um grupo de 26 técnicos e engenheiros brasileiros concluiu este mês, em Cannes, na França, uma parte do curso avançado do programa de absorção e transferência de tecnologia do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).
No mês de julho, 16 daqueles profissionais voltam à França para mais uma etapa do curso, iniciado em abril último, desta vez se integrando, até o início de 2015, a equipes da empresa Thales Alenia, responsável pela construção do satélite.
Além dos engenheiros bolsistas da Agência Espacial Brasileira (AEB), Pedro Luiz Kaled Da Cas, Erlan Rodrigo de Souza Cassiano, Cristiano Queiroz Vilanova e Ronne Toledo, integraram o grupo especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), da Telebras, da empresa Visiona e dos ministérios da Defesa e Comunicações.
O programa de absorção e transferência de tecnologia, cuja elaboração é de responsabilidade da AEB e Telebras, objetiva construir competência nacional para promover a maior qualificação e inserção das empresas nacionais no mercado de manufatura e serviços de satélites geoestacionários.
Para os bolsistas Kaled e Vilanova, que já estagiaram na área espacial na Ucrânia, está oportunidade na França é uma experiência fantástica. “Na Ucrânia tivemos uma visão mais acadêmica do conjunto espacial, enquanto que no curso em Cannes, conhecemos mais sobre o desenvolvimento na prática empresarial”, explica Kaled. Vilanova diz que o curso também “permite que se faça uma avaliação mais abrangente do estágio tecnológico em que estão ambos os países”.
Aplicação – Cassiano, que teve sua primeira experiência no exterior, acha que o curso incrementa ainda mais os recursos humanos do nosso segmento espacial. “Os conhecimentos acumulados não só estão qualificando pessoas, como dando condições a que venhamos desenvolver e inovar produtos voltados à tecnologia espacial”.
Na visão dos bolsistas, essa massa crítica que está em formação deve impulsionar o governo na direção de aportar mais recursos na área aeroespacial, “até porque o país não pode desperdiçar todo conhecimento que cada integrante do grupo vai absorver nessa experiência”, pensa Cassiano.
Outra possibilidade que entusiasma os bolsistas é oportunidade que terão de repassar a outros profissionais todo aprendizado acumulado no curso. “No caso da AEB poderemos colaborar com mais solidez na formação dos próximos bolsistas”, ressalta Kaled.
Para o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB, Petrônio Noronha de Souza, a capacitação de profissionais brasileiros impactará positivamente o parque industrial aeroespacial do país. Ele considera que o conjunto de absorção e transferência de tecnologia também terá reflexos relevantes no campo da pesquisa espacial do Brasil.
SGDC – Baseado na plataforma Spacebus 4000, o SGDC terá duas cargas úteis. Uma com 50 transponders banda Ka, oferecendo taxa de transferência de até 80 Gbps, e a outra com sete transponders banda X. O satélite pesa próximo de 5,8 toneladas na decolagem e oferecerá mais de 11 kW de potência. A previsão é de que seja entregue para o lançamento em 2015.
Fonte: AEB
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sexta-feira, 27 de junho de 2014
Comunicações: árabes de olho no Brasil
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No dia 25, a operadora Yahsat, dos Emirados Árabes Unidos (EAU), divulgou uma nota informando que está prestes a contratar a construção de um satélite geoestacionário de comunicações para oferecer cobertura em banda Ka nas regiões da África e do Brasil, dando continuidade aos seus planos de expansão para além do Oriente Médio.
A empresa não revelou qual posição orbital o satélite, a ser denominado Al Yah 3, ocupará, mas afirmou que este oferecerá 95% de cobertura do território brasileiro, além de outras áreas não especificadas da América Latina e grande parte do continente africano. Sua expectativa é que esteja em órbita até o final de 2016.
Em maio, a companhia árabe, por meio da Star Satellite Communications Company, participou de licitação de direitos de exploração promovida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), na qual as empresas Hispamar e SES foram as vitoriosas.
A Yahsat pertence ao grupo Mubadala Development, uma companhia de investimentos do governo dos EAU. Atualmente, opera o Yahsat 1A e 1B, construídos por um consórcio das europeias Airbus Defence and Space e Thales Alenia Space.
No dia 25, a operadora Yahsat, dos Emirados Árabes Unidos (EAU), divulgou uma nota informando que está prestes a contratar a construção de um satélite geoestacionário de comunicações para oferecer cobertura em banda Ka nas regiões da África e do Brasil, dando continuidade aos seus planos de expansão para além do Oriente Médio.
A empresa não revelou qual posição orbital o satélite, a ser denominado Al Yah 3, ocupará, mas afirmou que este oferecerá 95% de cobertura do território brasileiro, além de outras áreas não especificadas da América Latina e grande parte do continente africano. Sua expectativa é que esteja em órbita até o final de 2016.
Em maio, a companhia árabe, por meio da Star Satellite Communications Company, participou de licitação de direitos de exploração promovida pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), na qual as empresas Hispamar e SES foram as vitoriosas.
A Yahsat pertence ao grupo Mubadala Development, uma companhia de investimentos do governo dos EAU. Atualmente, opera o Yahsat 1A e 1B, construídos por um consórcio das europeias Airbus Defence and Space e Thales Alenia Space.
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terça-feira, 24 de junho de 2014
SGDC: primeira etapa da transferência tecnológica
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Militares concluem primeira etapa de transferência de tecnologia na França
24/06/2014 09:48h
Profissionais se preparam para operar o primeiro satélite de comunicações militares brasileiro a ser lançado em 2016
Militares da Força Aérea Brasileira (FAB) concluíram nessa quinta-feira (19/06) em Cannes, na França, o curso avançado do programa de absorção de tecnologia do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas. Esta é a primeira etapa de preparação dos militares que devem operar o primeiro satélite de comunicações militares brasileiro.
Com lançamento previsto para 2016, o satélite atenderá às necessidades do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) e uma ampla área comunicações estratégicas nos âmbitos civil e militar.
De acordo com o chefe do Núcleo do Centro de Operações Espaciais Principal (NuCOPE-P), unidade da FAB que vai operar todos os satélites militares brasileiros, Tenente-Coronel Helcio Vieira Junior, o projeto vai mais que dobrar a capacidade de comunicação satelital nacional. “Vamos operar aqui do Brasil com domínio de comando e controle”, afirma.
Entre as novas capacidades, estão o aumento de cobertura das comunicações das Forças Armadas, principalmente em apoio ao SISFRON (Sistema de Monitoramento das Fronteiras Terrestres), ao SISGAAZ (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul) e ao SISDABRA (Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro).
Ao longo de dez semanas de aulas, os militares participaram de instruções nos diversos sistemas que envolvem o planejamento, o projeto, a construção, a operação e a validação de Sistemas Espaciais, abordando tecnologias, sistemas e gerência de sistemas.
Além da operação de maneira eficaz, eficiente e segura, garantindo o sigilo das informações trafegadas pelo satélite, a preparação dos militares permite conhecimento para a especificação da constelação satelital para sensoreamento, previsto para 2018. “Estamos participando da construção e aprimorando conhecimento sobre satélites em geral pensando na próxima etapa do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais, o PESE”, explica.
Equipe multidisciplinar – Além dos futuros “pilotos satelitais”, participam da capacitação militares do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) e da Marinha do Brasil, além de representantes da Empresa Visiona e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, especificamente a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O programa de absorção de tecnologia tem o objetivo de construir competência nacional para promover a maior qualificação e inserção das empresas brasileiras no mercado de manufatura e serviços de satélites geoestacionários.
Para o curso de Engenharia Espacial do ITA, por exemplo, é uma oportunidade de atualização, com abertura de novas linhas de pesquisa com o objetivo de disseminar os conhecimentos na indústria espacial brasileira. Para o IFI, permitirá cursos de certificação e confiabilidade de produtos, colaborando com a capacitação do Instituto nas áreas de garantia do desempenho, da segurança e da disponibilidade de produtos e sistemas espaciais.
Fonte: FAB
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Militares concluem primeira etapa de transferência de tecnologia na França
24/06/2014 09:48h
Profissionais se preparam para operar o primeiro satélite de comunicações militares brasileiro a ser lançado em 2016
Militares da Força Aérea Brasileira (FAB) concluíram nessa quinta-feira (19/06) em Cannes, na França, o curso avançado do programa de absorção de tecnologia do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas. Esta é a primeira etapa de preparação dos militares que devem operar o primeiro satélite de comunicações militares brasileiro.
Com lançamento previsto para 2016, o satélite atenderá às necessidades do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) e uma ampla área comunicações estratégicas nos âmbitos civil e militar.
De acordo com o chefe do Núcleo do Centro de Operações Espaciais Principal (NuCOPE-P), unidade da FAB que vai operar todos os satélites militares brasileiros, Tenente-Coronel Helcio Vieira Junior, o projeto vai mais que dobrar a capacidade de comunicação satelital nacional. “Vamos operar aqui do Brasil com domínio de comando e controle”, afirma.
Entre as novas capacidades, estão o aumento de cobertura das comunicações das Forças Armadas, principalmente em apoio ao SISFRON (Sistema de Monitoramento das Fronteiras Terrestres), ao SISGAAZ (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul) e ao SISDABRA (Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro).
Ao longo de dez semanas de aulas, os militares participaram de instruções nos diversos sistemas que envolvem o planejamento, o projeto, a construção, a operação e a validação de Sistemas Espaciais, abordando tecnologias, sistemas e gerência de sistemas.
Além da operação de maneira eficaz, eficiente e segura, garantindo o sigilo das informações trafegadas pelo satélite, a preparação dos militares permite conhecimento para a especificação da constelação satelital para sensoreamento, previsto para 2018. “Estamos participando da construção e aprimorando conhecimento sobre satélites em geral pensando na próxima etapa do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais, o PESE”, explica.
Equipe multidisciplinar – Além dos futuros “pilotos satelitais”, participam da capacitação militares do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) e da Marinha do Brasil, além de representantes da Empresa Visiona e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, especificamente a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O programa de absorção de tecnologia tem o objetivo de construir competência nacional para promover a maior qualificação e inserção das empresas brasileiras no mercado de manufatura e serviços de satélites geoestacionários.
Para o curso de Engenharia Espacial do ITA, por exemplo, é uma oportunidade de atualização, com abertura de novas linhas de pesquisa com o objetivo de disseminar os conhecimentos na indústria espacial brasileira. Para o IFI, permitirá cursos de certificação e confiabilidade de produtos, colaborando com a capacitação do Instituto nas áreas de garantia do desempenho, da segurança e da disponibilidade de produtos e sistemas espaciais.
Fonte: FAB
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CBERS 4 avança
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No início desta semana, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram mais notícias sobre os preparativos para o lançamento do CBERS 4 na segunda semana de dezembro, reforçando os indicativos de que sua colocação em órbita é a prioridade número um, dois e três do Programa Espacial Brasileiro para este ano.
De acordo com a AEB, na última segunda (23), foram concluídos na China os testes de vibração, que reproduzem as condições pelas quais o satélite será submetido durante a fase de lançamento. Ainda segundo a Agência, até agosto devem prosseguir os testes ambientais térmicos, realizados na câmara de termo-vácuo. A última etapa, antes do envio para o sítio de lançamento, está prevista para setembro, com a Revisão Final do Projeto.
Testes de compatibilidade com estação de Cuiabá
Já entre os dias 19 e 21 de maio, com a participação de técnicos chineses, foram realizados na estação do INPE localizada em Cuiabá (MT), testes de compatibilidade eletromagnética entre o CBERS 4 e a estação terrena, finalizados com sucesso. Estes abrangeram a verificação da compatibilidade entre o subsistema TTCS (Telemetry, Tracking, and Command Subsystem) do artefato e a estação de TT&C (Tracking, Telemetry and Command) de Cuiabá, e também a checagem do "perfeito entendimento entre o satélite e a estação de recepção e gravação, incluído o software do sistema de ingestão e gravação desenvolvido pela empresa brasileira AMS Kepler".
"Os testes são importantes para garantir a recepção de imagens e, também, para verificar a correta decodificação e recuperação dos dados auxiliares transmitidos junto com a imagem, como as informações de telemetria das câmeras e os dados de órbita e atitude do satélite", informou o INPE em nota.
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No início desta semana, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram mais notícias sobre os preparativos para o lançamento do CBERS 4 na segunda semana de dezembro, reforçando os indicativos de que sua colocação em órbita é a prioridade número um, dois e três do Programa Espacial Brasileiro para este ano.
De acordo com a AEB, na última segunda (23), foram concluídos na China os testes de vibração, que reproduzem as condições pelas quais o satélite será submetido durante a fase de lançamento. Ainda segundo a Agência, até agosto devem prosseguir os testes ambientais térmicos, realizados na câmara de termo-vácuo. A última etapa, antes do envio para o sítio de lançamento, está prevista para setembro, com a Revisão Final do Projeto.
Testes de compatibilidade com estação de Cuiabá
Já entre os dias 19 e 21 de maio, com a participação de técnicos chineses, foram realizados na estação do INPE localizada em Cuiabá (MT), testes de compatibilidade eletromagnética entre o CBERS 4 e a estação terrena, finalizados com sucesso. Estes abrangeram a verificação da compatibilidade entre o subsistema TTCS (Telemetry, Tracking, and Command Subsystem) do artefato e a estação de TT&C (Tracking, Telemetry and Command) de Cuiabá, e também a checagem do "perfeito entendimento entre o satélite e a estação de recepção e gravação, incluído o software do sistema de ingestão e gravação desenvolvido pela empresa brasileira AMS Kepler".
"Os testes são importantes para garantir a recepção de imagens e, também, para verificar a correta decodificação e recuperação dos dados auxiliares transmitidos junto com a imagem, como as informações de telemetria das câmeras e os dados de órbita e atitude do satélite", informou o INPE em nota.
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segunda-feira, 23 de junho de 2014
Tecnologia & Defesa nª 137
Está chegando às bancas de todo o Brasil o número 137 da revista Tecnologia & Defesa, principal publicação brasileira sobre os setores aeroespacial, de defesa e segurança pública. Como de praxe, a edição traz reportagens sobre temas espaciais: os planos nacionais para uma missão meteorológica geoestacionária, e um panorama sobre a empresa Optoeletrônica, a "optronics house" brasileira, entre outros.
Destacamos abaixo os principais conteúdos da edição:
- Blindado Guarani: finalmente operacional
- Optoeletrônica: optrônica no "estado-da-arte"
- Missão real no Afeganistão
- Sisfron: o que significa? O que vai trazer? Como está indo?
- Satélite meteorológico: um próximo passo
- Passex Mistral: Brasil e França operando na Marambaia
- Coluna Defesa & Negócios
- E muito mais!
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domingo, 22 de junho de 2014
"Conferência Mundial para discutir Governança Global do Espaço", artigo de José Monserrat Filho
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Conferência Mundial para discutir Governança Global do Espaço
José Monserrat Filho *
A sociedade civil, a comunidade científica, os governos, o setor privado e outros interessados em todo o planeta estão convocados a considerar a criação de um Grupo de Trabalho para preparar e convocar uma conferência internacional destinada a definir e acordar recomendações aos governos e organizações internacionais relevantes a fim de estabelecer um regime de governança global, pacífica e sustentável, para o estudo, o uso e a exploração do espaço em benefício de toda a humanidade.
Quem convoca é a 2ª Conferência Internacional Manfred Lachs¹ sobre Governança Global do Espaço Exterior, promovida pela renomada Universidade McGill, de Montreal, Canadá, de 29 a 31 de maio passado, por meio da Declaração de Montreal, aprovada por consenso no evento. Participaram do evento mais de 120 especialistas – entre eles, a pernambucana Juliana Scavuzzi) – de 22 países, que lidam com vários aspectos das atividades espaciais e seu ordenamento jurídico.
Trata-se, claramente, de iniciativa inédita concebida para mobilizar a opinião pública mundial no sentido de provocar o mais amplo debate sobre ações e medidas a serem propostas a todos os Estados visando à criação de um novo regime de governança global, pacífica e sustentável, das atividades espaciais em benefício de toda a humanidade.
A Declaração de Montreal começa “reconhecendo que o atual sistema de governança global do espaço, criado durante os anos 1960 e 1970, não foi exaustivamente examinado pela comunidade internacional desde a sua criação”. Essa afirmação, nada frequente, significa que, para todos os participantes da conferência da Universidade McGill, sem exceção, a comunidade de países não cuidou de assumir uma atitude realmente crítica frente aos tratados, declarações e práticas relativos à governança global das atividades espaciais, nas primeiras décadas da Era Espacial.
Assim, os Estados signatários dos tratados espaciais, por exemplo, teriam se limitado a assiná-los e ratificá-los sem um exame mais acurado de suas normas, que buscasse perceber nelas eventuais lacunas e deficiências. Não por acaso, até hoje, nas sessões do Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS) e seus dois Subcomitês, o Jurídico e o Científico e Técnico, algumas potências invariavelmente bloqueiam as propostas de inclusão na agenda das reuniões de temas que impliquem discutir mudanças e/ou atualizações dos tratados em vigor desde os anos 60 e 70.
A Declaração de Montreal adota um conceito bastante abrangente de governança global, que compreende grande conjunto de variados documentos, entre os quais códigos de conduta, medidas de fomento à confiança, conceitos de segurança, instituições internacionais, tratados internacionais e outros acordos, regulamentos, procedimentos e normas, procurando abarcar o máximo possível de referências.
Leva em conta, também, o intenso desenvolvimento ocorrido no mundo em geral e no setor espacial em particular, com sérias implicações para as atividades espaciais atuais e futuras e para o uso pacífico e sustentável do espaço, em benefício de toda a humanidade, ou seja, do interesse público global pelo espaço.
E conclui haver chegado o momento de avaliar a eficiência do atual regime de governança global do espaço e de propor um novo sistema capaz de abordar os problemas atuais e emergentes.
A Declaração de Montreal ainda expressa a expectativa de que a conferência internacional proposta seja realizada tão logo quanto possível, e conclama o tradicional e prestigiado Instituto de Direito Aeronáutico e Espacial da Universidade McGill a assumir a liderança do projeto, promovendo um estudo preliminar interdisciplinar, que examine as forças condutoras dos regulamentos e normas espaciais em vigor, estudo esse a ser amplamente divulgado antes da conferência internacional e em apoio a ela, tentando alcançar o mais amplo público global.
Ela sugere, ademais, alguns importantes problemas a serem abordados no estudo:
1) as mudanças globais ocorridas nas áreas econômicas, políticas e sociais, e a dependência cada vez maior da infraestrutura espacial; 2) a identificação e avaliação dos perigos espaciais conhecidos; 3) as oportunidades espaciais e a necessidade de pesquisa, uso e exploração sustentável e pacífica do espaço em benefício de toda a humanidade (conforme reza o Art. 1ºdo Tratado do Espaço de 1967, o código maior das atividades espaciais); 4) as lacunas nos campos da segurança, da técnica e operacionais que precisam ser preenchidas; e 5) as normas, regulamentos, acordos e instituições relevantes apropriados de governança espacial para ordenar as questões correntes e emergentes das atividades espaciais.
Com certeza, não será fácil realizar essa ambiciosa conferência mundial, unindo tantos e tão diferentes atores num clima global complexo e tenso como o que vivemos hoje e com interesses tão poderosos e bem estabelecidos globalmente e no universo das atividades espaciais.
Isso dá ao projeto um caráter quase utópico, embora alicerçado em necessidades e demandas objetivas e até urgentes, o que aumenta seu grau de atração e viabilidade.
Ocorrem-me, a propósito, as instigantes reflexões sobre “utopia realista” do internacionalista finlandês Martti Koskenniemi, sempre lucidamente crítico, no artigo “Projeto de Comunidade Mundial,” publicado no livro “Realizing Utopia – The Future of International Law” (Oxford, 2012), editado por Antonio Cassese, professor da Universidade de Florança, Itália.
Alerta Koskenniemi: “A utopia realista só pode começar com uma crítica às atuais instituições – Nações Unidas, Banco Mundial, Protocolo de Kyoto, às operações das grandes empresas multinacionais, às estruturas do direito público e do ordenamento privado que hoje decidem sobre a distribuição dos valores materiais e espirituais. A utopia realista talvez seja melhor vista não como uma instituição, mas como uma mentalidade e uma atitude que buscam destacar a contingência e contestabilidade das instituições globais e suas consequências distributivas.”
Mas Koskenniemi vai além: “Para maximizar a liberdade, haverá que convocar a maior participação possível de todo o mundo, mas especialmente aqueles do Sul global, para reorientar o trabalho das instituições globais, incluindo as instituições de direito e ordenamento privado –, de modo a beneficiar quem foi marginalizado. Haverá que redescrever as formas de conhecimento global, como tipos de poder político, não menos contestáveis que qualquer outro tipo de poder. Os participantes desta 'repolitização' poderiam muito bem estar inspirados por um "sentimento oceânico", mas isso não é necessário. Afinal, a crítica e a contestação raramente se dão bem com esse tipo de sentimentalismo romântico.”
O livro de Cassese sobre a relação entre utopia e o futuro do Direito Internacional também defende “a necessidade do pensamento imaginativo”. Aos autores dos ensaios da obra, Cassese pediu, não que se engajassem numa “especulação selvagem” sobre o futuro da sociedade mundial, mas que, modestamente, refletissem sobre as condições de alguns dos principais problemas jurídicos desta sociedade e analisassem sucintamente as inconsistências e imperfeições do direito vigente. Pediu, também, que destacassem os elementos – mesmo que menores, ocultos, incipientes ou ainda por serem feitos (in fieri) – capazes de conduzir a futuras mudanças ou aperfeiçoamentos, e sugerissem como esses elementos poderiam ser desenvolvidos, aprimorados e concretizados em duas ou três décadas, com vistas a conquistar uma arquitetura melhorada da sociedade mundial ou, no mínimo, a reformulação de alguns dos aspectos essenciais das relações internacionais.
Por sua vez, Geraldo Zahran, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), faz oportuno comentário, no prefácio do livro “Dom Quixote reencontra Sancho Pança – Guerra Fria, Relações Internacionais e Direito Internacional” (Apicuri, 2014), de Igor Abdalla Medina de Souza: “Reconhecer a subjetividade e a arbitrariedade das instituições internacionais, dos padrões de comportamento por elas definidos, e da produção de conhecimento a seu respeito, é elementos imprescindível para imaginarmos e desenvolvermos ações de política externa inovadoras, efetivas e que possam oferecer soluções aos profundos dilemas do mundo em que vivemos.” É preciso, pois, buscar mais objetividade, mais espírito púlico na atuação das instituições internacionais.
Para Igor Abdalla Medina de Souza, Dom Quixote representa o idealismo do direito internacional e Sancho Pança, o realismo das relações internacionais. E “a identidade de ambos é consolidada por meio da contraposição entre o desejo de mudança, que, com a perda de contato com a realidade, se converte em loucura, e o pragmatismo, que, com um ceticismo radical, se converte em apologia irrestrita, ainda que por vezes involuntária, das condições presentes.” A mensagem é clara: não se pode desejar a mudança a ponto de perder contato com a realidade, nem se pode ser tão pragmático a ponto de aceitar e até elogiar sem restrições a situação existente. Ou seja, nem Dom Quixote, nem Sancho Pança. Uma boa pitada de cada um é o mais racional e conveniente.
Todas essas observações me parecem válidas para o magno evento proposto. Ainda mais que tudo indica estar se processando um considerável reordenamento das forças econômicas e políticas globais. Basta dizer que, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por volta de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) da China e o da Índia, somados, serão maiores do que os PIBs de todos os países do G7 (Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Japão, França, Itália e Canadá). Para Ram Jakhu, Professor do Instituto de Direito Aeronáutico e Espacial da Universidade McGill e um dos autores da Declaração de Montreal e do projeto de conferência mundial sobre nova governança global do espaço, essa mudança fundamental da economia global produzirá importante reequilíbrio geopolítico e terá implicações significativas no domínio espacial.
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica e atual Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB).
1) Manfred Lachs (1914-1993), jurista e diplomata polonês, especialista em Direito Internacional e Direito Espacial, ex-Juiz (1967-1993) e ex-Presidente da Corte Internacional de Justiça, ex-Presidente do Instituto Internacional de Direito Espacial, e autor dos livros “Direito do Espaço Exterior – Uma Experiência Contemporânea de Criação do Direito” (1972) e “O Professor de Direito Internacional” (1982). Desde 1993, dá nome ao Juri Simulado promovido anualmente pelo Instituto Internacional de Direito Espacial sobre temas espaciais.
Anexos – Leia, a seguir, o texto original da Declaração de Montreal em inglês e sua versão em português, de que o autor deste artigo é o responsável:
The Montreal Declaration
The 2nd Manfred Lachs International Conference on Global Space Governance, held at McGill University, in Montreal, Canada, on 29-31 May 2014:
Having brought together over 120 experts from 22 countries (space-faring and non-space faring nations) involved in various aspects of space activity and regulation;
Having served as an objective venue for the conduct of international and interdisciplinary deliberations on different aspects and perspectives of global space governance;
Recognizing that the current global space governance system that was created during the 1960s and 1970s has not been comprehensively examined by the international community since its establishment;
Recognizing that the concept of global governance is comprehensive and includes a wide range of codes of conduct, confidence building measures, safety concepts, international institutions, international treaties and other agreements, regulations, procedures and standards;
Noting that numerous developments have occurred in the world in general, and the space sector in particular, with serious implications for current and future space activities and for the sustainable use of space for peaceful purposes for the benefit of all humankind (i.e. the global public interest in outer space),
Believing that the time has come to assess the efficacy of the current regime of global space governance and to propose an appropriate global space governance system that addresses current and emerging concerns;
HEREBY resolves by consensus to:
# call upon civil society, academics, governments, the private sector and other stakeholders to consider establishing a Working Group to prepare for and convene an international conference to deliberate and agree upon recommendations to governments and relevant international organizations aimed at the establishment of a global governance regime for peaceful and sustainable space exploration, use and exploitation for the benefit of all humankind;
# ensure that the proposed international conference is held as soon as possible with global participation by all key stakeholders (i.e., state and non-state actors) including: international intergovernmental organizations; relevant regional organizations; non-governmental organizations; appropriate state ministries (departments) and space agencies; academic institutions; appropriate commercial enterprises; and concerned individuals;
# call upon the McGill University Institute of Air and Space Law to take the lead in initiating, completing and broadly distributing through all forms of media, an international interdisciplinary study that examines drivers of space regulations and standards prior to, and in support of, the proposed international conference, targeting a global audience;
# ensure that the above-mentioned study examines, inter alia:
(i) changing global economic, political and social conditions and space infrastructure dependence;
(ii) identification and assessment of all known space threats;
(iii) space opportunities and the need for sustainable and peaceful use, exploration and exploitation of space for all humankind;
(iv) safety, technical and operational gaps to be filled; and
(v) appropriate space governance standards, regulations, arrangement, agreements and institutions relevant to current and emerging issues of space activities.
Done in Montreal, this 31st day of May 2014.
Declaração de Montreal
A 2 ª Conferência Internacional Manfred Lachs sobre Governança Global do Espaço Exterior, realizada na Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, de 29 a 31 de maio de 2014,
Tendo reunido mais de 120 especialistas de 22 países (com e sem programas espaciais) envolvidos em vários aspectos das atividades espaciais e sua regulamentação;
Tendo servido como local neutro para conduzir deliberações internacionais e interdisciplinares sobre diferentes aspectos e perspectivas da governança global do espaço;
Reconhecendo que o atual sistema de governança global do espaço, criado durante os anos 1960 e 1970, não foi exaustivamente examinado pela comunidade internacional desde a sua criação;
Reconhecendo que o conceito de governança global é abrangente e inclui ampla gama de códigos de conduta, medidas de fomento à confiança, conceitos de segurança, instituições internacionais, tratados internacionais e outros acordos, regulamentos, procedimentos e normas;
Observando que intenso desenvolvimento ocorreu no mundo em geral e no setor espacial em particular, com sérias implicações para as atividades espaciais atuais e futuras e para o uso sustentável do espaço para fins pacíficos, em benefício de toda a humanidade (ou seja, o interesse público global no espaço exterior),
Acreditando que é chegado o momento de avaliar a eficácia do atual regime de governança espaço global e propor um sistema apropriado de governança global do espaço que aborda questões atuais e emergentes;
Resolve por consenso:
# Conclamar a sociedade civil, acadêmicos, governos, setor privado e outros interessados a considerar a criação de um Grupo de Trabalho com a tarefa de preparar e convocar uma conferência internacional para deliberar e acordar recomendações aos governos e organizações internacionais relevantes para o estabelecimento de um regime de governança global, pacífica e sustentável, para a pesquisa, uso e exploração do espaço em benefício de toda a humanidade;
# Assegurar que a conferência internacional proposta seja realizada no mais breve prazo possível com a participação global de todos os principais intervenientes (isto é, estatais e não-estatais), incluindo organizações internacionais intergovernamentais; organizações regionais relevantes; organizações não governamentais; ministérios apropriados (departamentos) e as agências espaciais; instituições acadêmicas; empresas comerciais pertinentes; e indivíduos interessados;
# Conclamar o Instituto de Aeronáutica e Espaço de Direito da Universidade McGill a assumir a liderança na tarefa de iniciar, completar e difundir amplamente, através de todas as formas de mídia, um estudo interdisciplinar internacional que examine as forças condutoras de regulamentos e normas espaciais antes da, e em apoio à, conferência internacional proposta, tendo como alvo um público global;
# Assegurar que o referido estudo aborde, entre outros, os seguintes problemas:
(I) as mudanças nas condições econômicas, políticas e sociais globais e a dependência da infraestrutura espacial;
(II) identificação e avaliação de todas as ameaças espaciais conhecidas;
(III) as oportunidades espaciais e a necessidade de uso, pesquisa e exploração sustentável e pacífica do espaço para toda a humanidade;
(IV) as lacunas de segurança, de técnica e operacionais a serem preenchidas; e
(V) as normas, regulamentos, entendimentos, acordos e instituições apropriados relevantes à governança espacial das questões correntes e emergentes das atividades espaciais.
Feito em Montreal, neste dia 31 de maio de 2014.
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Conferência Mundial para discutir Governança Global do Espaço
José Monserrat Filho *
A sociedade civil, a comunidade científica, os governos, o setor privado e outros interessados em todo o planeta estão convocados a considerar a criação de um Grupo de Trabalho para preparar e convocar uma conferência internacional destinada a definir e acordar recomendações aos governos e organizações internacionais relevantes a fim de estabelecer um regime de governança global, pacífica e sustentável, para o estudo, o uso e a exploração do espaço em benefício de toda a humanidade.
Quem convoca é a 2ª Conferência Internacional Manfred Lachs¹ sobre Governança Global do Espaço Exterior, promovida pela renomada Universidade McGill, de Montreal, Canadá, de 29 a 31 de maio passado, por meio da Declaração de Montreal, aprovada por consenso no evento. Participaram do evento mais de 120 especialistas – entre eles, a pernambucana Juliana Scavuzzi) – de 22 países, que lidam com vários aspectos das atividades espaciais e seu ordenamento jurídico.
Trata-se, claramente, de iniciativa inédita concebida para mobilizar a opinião pública mundial no sentido de provocar o mais amplo debate sobre ações e medidas a serem propostas a todos os Estados visando à criação de um novo regime de governança global, pacífica e sustentável, das atividades espaciais em benefício de toda a humanidade.
A Declaração de Montreal começa “reconhecendo que o atual sistema de governança global do espaço, criado durante os anos 1960 e 1970, não foi exaustivamente examinado pela comunidade internacional desde a sua criação”. Essa afirmação, nada frequente, significa que, para todos os participantes da conferência da Universidade McGill, sem exceção, a comunidade de países não cuidou de assumir uma atitude realmente crítica frente aos tratados, declarações e práticas relativos à governança global das atividades espaciais, nas primeiras décadas da Era Espacial.
Assim, os Estados signatários dos tratados espaciais, por exemplo, teriam se limitado a assiná-los e ratificá-los sem um exame mais acurado de suas normas, que buscasse perceber nelas eventuais lacunas e deficiências. Não por acaso, até hoje, nas sessões do Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS) e seus dois Subcomitês, o Jurídico e o Científico e Técnico, algumas potências invariavelmente bloqueiam as propostas de inclusão na agenda das reuniões de temas que impliquem discutir mudanças e/ou atualizações dos tratados em vigor desde os anos 60 e 70.
A Declaração de Montreal adota um conceito bastante abrangente de governança global, que compreende grande conjunto de variados documentos, entre os quais códigos de conduta, medidas de fomento à confiança, conceitos de segurança, instituições internacionais, tratados internacionais e outros acordos, regulamentos, procedimentos e normas, procurando abarcar o máximo possível de referências.
Leva em conta, também, o intenso desenvolvimento ocorrido no mundo em geral e no setor espacial em particular, com sérias implicações para as atividades espaciais atuais e futuras e para o uso pacífico e sustentável do espaço, em benefício de toda a humanidade, ou seja, do interesse público global pelo espaço.
E conclui haver chegado o momento de avaliar a eficiência do atual regime de governança global do espaço e de propor um novo sistema capaz de abordar os problemas atuais e emergentes.
A Declaração de Montreal ainda expressa a expectativa de que a conferência internacional proposta seja realizada tão logo quanto possível, e conclama o tradicional e prestigiado Instituto de Direito Aeronáutico e Espacial da Universidade McGill a assumir a liderança do projeto, promovendo um estudo preliminar interdisciplinar, que examine as forças condutoras dos regulamentos e normas espaciais em vigor, estudo esse a ser amplamente divulgado antes da conferência internacional e em apoio a ela, tentando alcançar o mais amplo público global.
Ela sugere, ademais, alguns importantes problemas a serem abordados no estudo:
1) as mudanças globais ocorridas nas áreas econômicas, políticas e sociais, e a dependência cada vez maior da infraestrutura espacial; 2) a identificação e avaliação dos perigos espaciais conhecidos; 3) as oportunidades espaciais e a necessidade de pesquisa, uso e exploração sustentável e pacífica do espaço em benefício de toda a humanidade (conforme reza o Art. 1ºdo Tratado do Espaço de 1967, o código maior das atividades espaciais); 4) as lacunas nos campos da segurança, da técnica e operacionais que precisam ser preenchidas; e 5) as normas, regulamentos, acordos e instituições relevantes apropriados de governança espacial para ordenar as questões correntes e emergentes das atividades espaciais.
Com certeza, não será fácil realizar essa ambiciosa conferência mundial, unindo tantos e tão diferentes atores num clima global complexo e tenso como o que vivemos hoje e com interesses tão poderosos e bem estabelecidos globalmente e no universo das atividades espaciais.
Isso dá ao projeto um caráter quase utópico, embora alicerçado em necessidades e demandas objetivas e até urgentes, o que aumenta seu grau de atração e viabilidade.
Ocorrem-me, a propósito, as instigantes reflexões sobre “utopia realista” do internacionalista finlandês Martti Koskenniemi, sempre lucidamente crítico, no artigo “Projeto de Comunidade Mundial,” publicado no livro “Realizing Utopia – The Future of International Law” (Oxford, 2012), editado por Antonio Cassese, professor da Universidade de Florança, Itália.
Alerta Koskenniemi: “A utopia realista só pode começar com uma crítica às atuais instituições – Nações Unidas, Banco Mundial, Protocolo de Kyoto, às operações das grandes empresas multinacionais, às estruturas do direito público e do ordenamento privado que hoje decidem sobre a distribuição dos valores materiais e espirituais. A utopia realista talvez seja melhor vista não como uma instituição, mas como uma mentalidade e uma atitude que buscam destacar a contingência e contestabilidade das instituições globais e suas consequências distributivas.”
Mas Koskenniemi vai além: “Para maximizar a liberdade, haverá que convocar a maior participação possível de todo o mundo, mas especialmente aqueles do Sul global, para reorientar o trabalho das instituições globais, incluindo as instituições de direito e ordenamento privado –, de modo a beneficiar quem foi marginalizado. Haverá que redescrever as formas de conhecimento global, como tipos de poder político, não menos contestáveis que qualquer outro tipo de poder. Os participantes desta 'repolitização' poderiam muito bem estar inspirados por um "sentimento oceânico", mas isso não é necessário. Afinal, a crítica e a contestação raramente se dão bem com esse tipo de sentimentalismo romântico.”
O livro de Cassese sobre a relação entre utopia e o futuro do Direito Internacional também defende “a necessidade do pensamento imaginativo”. Aos autores dos ensaios da obra, Cassese pediu, não que se engajassem numa “especulação selvagem” sobre o futuro da sociedade mundial, mas que, modestamente, refletissem sobre as condições de alguns dos principais problemas jurídicos desta sociedade e analisassem sucintamente as inconsistências e imperfeições do direito vigente. Pediu, também, que destacassem os elementos – mesmo que menores, ocultos, incipientes ou ainda por serem feitos (in fieri) – capazes de conduzir a futuras mudanças ou aperfeiçoamentos, e sugerissem como esses elementos poderiam ser desenvolvidos, aprimorados e concretizados em duas ou três décadas, com vistas a conquistar uma arquitetura melhorada da sociedade mundial ou, no mínimo, a reformulação de alguns dos aspectos essenciais das relações internacionais.
Por sua vez, Geraldo Zahran, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), faz oportuno comentário, no prefácio do livro “Dom Quixote reencontra Sancho Pança – Guerra Fria, Relações Internacionais e Direito Internacional” (Apicuri, 2014), de Igor Abdalla Medina de Souza: “Reconhecer a subjetividade e a arbitrariedade das instituições internacionais, dos padrões de comportamento por elas definidos, e da produção de conhecimento a seu respeito, é elementos imprescindível para imaginarmos e desenvolvermos ações de política externa inovadoras, efetivas e que possam oferecer soluções aos profundos dilemas do mundo em que vivemos.” É preciso, pois, buscar mais objetividade, mais espírito púlico na atuação das instituições internacionais.
Para Igor Abdalla Medina de Souza, Dom Quixote representa o idealismo do direito internacional e Sancho Pança, o realismo das relações internacionais. E “a identidade de ambos é consolidada por meio da contraposição entre o desejo de mudança, que, com a perda de contato com a realidade, se converte em loucura, e o pragmatismo, que, com um ceticismo radical, se converte em apologia irrestrita, ainda que por vezes involuntária, das condições presentes.” A mensagem é clara: não se pode desejar a mudança a ponto de perder contato com a realidade, nem se pode ser tão pragmático a ponto de aceitar e até elogiar sem restrições a situação existente. Ou seja, nem Dom Quixote, nem Sancho Pança. Uma boa pitada de cada um é o mais racional e conveniente.
Todas essas observações me parecem válidas para o magno evento proposto. Ainda mais que tudo indica estar se processando um considerável reordenamento das forças econômicas e políticas globais. Basta dizer que, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por volta de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) da China e o da Índia, somados, serão maiores do que os PIBs de todos os países do G7 (Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Japão, França, Itália e Canadá). Para Ram Jakhu, Professor do Instituto de Direito Aeronáutico e Espacial da Universidade McGill e um dos autores da Declaração de Montreal e do projeto de conferência mundial sobre nova governança global do espaço, essa mudança fundamental da economia global produzirá importante reequilíbrio geopolítico e terá implicações significativas no domínio espacial.
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica e atual Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB).
1) Manfred Lachs (1914-1993), jurista e diplomata polonês, especialista em Direito Internacional e Direito Espacial, ex-Juiz (1967-1993) e ex-Presidente da Corte Internacional de Justiça, ex-Presidente do Instituto Internacional de Direito Espacial, e autor dos livros “Direito do Espaço Exterior – Uma Experiência Contemporânea de Criação do Direito” (1972) e “O Professor de Direito Internacional” (1982). Desde 1993, dá nome ao Juri Simulado promovido anualmente pelo Instituto Internacional de Direito Espacial sobre temas espaciais.
Anexos – Leia, a seguir, o texto original da Declaração de Montreal em inglês e sua versão em português, de que o autor deste artigo é o responsável:
The Montreal Declaration
The 2nd Manfred Lachs International Conference on Global Space Governance, held at McGill University, in Montreal, Canada, on 29-31 May 2014:
Having brought together over 120 experts from 22 countries (space-faring and non-space faring nations) involved in various aspects of space activity and regulation;
Having served as an objective venue for the conduct of international and interdisciplinary deliberations on different aspects and perspectives of global space governance;
Recognizing that the current global space governance system that was created during the 1960s and 1970s has not been comprehensively examined by the international community since its establishment;
Recognizing that the concept of global governance is comprehensive and includes a wide range of codes of conduct, confidence building measures, safety concepts, international institutions, international treaties and other agreements, regulations, procedures and standards;
Noting that numerous developments have occurred in the world in general, and the space sector in particular, with serious implications for current and future space activities and for the sustainable use of space for peaceful purposes for the benefit of all humankind (i.e. the global public interest in outer space),
Believing that the time has come to assess the efficacy of the current regime of global space governance and to propose an appropriate global space governance system that addresses current and emerging concerns;
HEREBY resolves by consensus to:
# call upon civil society, academics, governments, the private sector and other stakeholders to consider establishing a Working Group to prepare for and convene an international conference to deliberate and agree upon recommendations to governments and relevant international organizations aimed at the establishment of a global governance regime for peaceful and sustainable space exploration, use and exploitation for the benefit of all humankind;
# ensure that the proposed international conference is held as soon as possible with global participation by all key stakeholders (i.e., state and non-state actors) including: international intergovernmental organizations; relevant regional organizations; non-governmental organizations; appropriate state ministries (departments) and space agencies; academic institutions; appropriate commercial enterprises; and concerned individuals;
# call upon the McGill University Institute of Air and Space Law to take the lead in initiating, completing and broadly distributing through all forms of media, an international interdisciplinary study that examines drivers of space regulations and standards prior to, and in support of, the proposed international conference, targeting a global audience;
# ensure that the above-mentioned study examines, inter alia:
(i) changing global economic, political and social conditions and space infrastructure dependence;
(ii) identification and assessment of all known space threats;
(iii) space opportunities and the need for sustainable and peaceful use, exploration and exploitation of space for all humankind;
(iv) safety, technical and operational gaps to be filled; and
(v) appropriate space governance standards, regulations, arrangement, agreements and institutions relevant to current and emerging issues of space activities.
Done in Montreal, this 31st day of May 2014.
Declaração de Montreal
A 2 ª Conferência Internacional Manfred Lachs sobre Governança Global do Espaço Exterior, realizada na Universidade McGill, em Montreal, no Canadá, de 29 a 31 de maio de 2014,
Tendo reunido mais de 120 especialistas de 22 países (com e sem programas espaciais) envolvidos em vários aspectos das atividades espaciais e sua regulamentação;
Tendo servido como local neutro para conduzir deliberações internacionais e interdisciplinares sobre diferentes aspectos e perspectivas da governança global do espaço;
Reconhecendo que o atual sistema de governança global do espaço, criado durante os anos 1960 e 1970, não foi exaustivamente examinado pela comunidade internacional desde a sua criação;
Reconhecendo que o conceito de governança global é abrangente e inclui ampla gama de códigos de conduta, medidas de fomento à confiança, conceitos de segurança, instituições internacionais, tratados internacionais e outros acordos, regulamentos, procedimentos e normas;
Observando que intenso desenvolvimento ocorreu no mundo em geral e no setor espacial em particular, com sérias implicações para as atividades espaciais atuais e futuras e para o uso sustentável do espaço para fins pacíficos, em benefício de toda a humanidade (ou seja, o interesse público global no espaço exterior),
Acreditando que é chegado o momento de avaliar a eficácia do atual regime de governança espaço global e propor um sistema apropriado de governança global do espaço que aborda questões atuais e emergentes;
Resolve por consenso:
# Conclamar a sociedade civil, acadêmicos, governos, setor privado e outros interessados a considerar a criação de um Grupo de Trabalho com a tarefa de preparar e convocar uma conferência internacional para deliberar e acordar recomendações aos governos e organizações internacionais relevantes para o estabelecimento de um regime de governança global, pacífica e sustentável, para a pesquisa, uso e exploração do espaço em benefício de toda a humanidade;
# Assegurar que a conferência internacional proposta seja realizada no mais breve prazo possível com a participação global de todos os principais intervenientes (isto é, estatais e não-estatais), incluindo organizações internacionais intergovernamentais; organizações regionais relevantes; organizações não governamentais; ministérios apropriados (departamentos) e as agências espaciais; instituições acadêmicas; empresas comerciais pertinentes; e indivíduos interessados;
# Conclamar o Instituto de Aeronáutica e Espaço de Direito da Universidade McGill a assumir a liderança na tarefa de iniciar, completar e difundir amplamente, através de todas as formas de mídia, um estudo interdisciplinar internacional que examine as forças condutoras de regulamentos e normas espaciais antes da, e em apoio à, conferência internacional proposta, tendo como alvo um público global;
# Assegurar que o referido estudo aborde, entre outros, os seguintes problemas:
(I) as mudanças nas condições econômicas, políticas e sociais globais e a dependência da infraestrutura espacial;
(II) identificação e avaliação de todas as ameaças espaciais conhecidas;
(III) as oportunidades espaciais e a necessidade de uso, pesquisa e exploração sustentável e pacífica do espaço para toda a humanidade;
(IV) as lacunas de segurança, de técnica e operacionais a serem preenchidas; e
(V) as normas, regulamentos, entendimentos, acordos e instituições apropriados relevantes à governança espacial das questões correntes e emergentes das atividades espaciais.
Feito em Montreal, neste dia 31 de maio de 2014.
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sexta-feira, 20 de junho de 2014
Mais sobre o NanosatC-BR1
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NanosatC-BR1 é lançado com sucesso e estação já recebe sinais do primeiro cubesat nacional
Sexta-feira, 20 de Junho de 2014
Após o bem-sucedido lançamento, a estação de Santa Maria (RS) já recebe dados do NanosatC-BR1, o primeiro cubesat do Brasil. Radioamadores em vários países, colaboradores do projeto, também confirmaram a recepção de sinais do “nanossatélite”, um cubesat que pesa aproximadamente 1 Kg.
O NanosatC-BR1 foi lançado às 16h11 (horário de Brasília) desta quinta-feira (19/6) da base de Yasny, na Rússia, pelo foguete Dnepr, também de origem russa. Além do cubesat brasileiro, na mesma missão foram colocados em órbita cerca de 30 artefatos de vários países.
Os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Otávio Durão e Nelson Schuch, estavam na base russa para acompanhar o lançamento. Pouco depois, o recebimento dos primeiros sinais foi comemorado pela equipe da estação terrena de Santa Maria, onde também está localizado o Centro Regional Sul (CRS) do INPE.
O primeiro cubesat nacional foi desenvolvido pelo INPE e Universidade de Santa Maria (UFSM). A parceria permitiu que estudantes tivessem a supervisão de especialistas do INPE e atuassem diretamente em todas as fases para construir e colocar um satélite em órbita - desde a especificação e desenvolvimento do NanosatC-BR1, passando pela montagem, integração, testes e, a partir de agora, pela sua operação e recepção de dados.
O diretor do INPE, Leonel Perondi, parabenizou a todos pelo lançamento com sucesso e recepção do sinal do NanosatC-BR1. “Trata-se, certamente, de grande estímulo para a difusão e o engajamento nas atividades espaciais no país”.
Fonte: INPE
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NanosatC-BR1 é lançado com sucesso e estação já recebe sinais do primeiro cubesat nacional
Sexta-feira, 20 de Junho de 2014
Após o bem-sucedido lançamento, a estação de Santa Maria (RS) já recebe dados do NanosatC-BR1, o primeiro cubesat do Brasil. Radioamadores em vários países, colaboradores do projeto, também confirmaram a recepção de sinais do “nanossatélite”, um cubesat que pesa aproximadamente 1 Kg.
O NanosatC-BR1 foi lançado às 16h11 (horário de Brasília) desta quinta-feira (19/6) da base de Yasny, na Rússia, pelo foguete Dnepr, também de origem russa. Além do cubesat brasileiro, na mesma missão foram colocados em órbita cerca de 30 artefatos de vários países.
Os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Otávio Durão e Nelson Schuch, estavam na base russa para acompanhar o lançamento. Pouco depois, o recebimento dos primeiros sinais foi comemorado pela equipe da estação terrena de Santa Maria, onde também está localizado o Centro Regional Sul (CRS) do INPE.
O primeiro cubesat nacional foi desenvolvido pelo INPE e Universidade de Santa Maria (UFSM). A parceria permitiu que estudantes tivessem a supervisão de especialistas do INPE e atuassem diretamente em todas as fases para construir e colocar um satélite em órbita - desde a especificação e desenvolvimento do NanosatC-BR1, passando pela montagem, integração, testes e, a partir de agora, pela sua operação e recepção de dados.
O diretor do INPE, Leonel Perondi, parabenizou a todos pelo lançamento com sucesso e recepção do sinal do NanosatC-BR1. “Trata-se, certamente, de grande estímulo para a difusão e o engajamento nas atividades espaciais no país”.
Fonte: INPE
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quinta-feira, 19 de junho de 2014
NanosatC-BR1 em órbita
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O NanosatC-BR1, primeiro cubesat brasileiro, foi lançado ao espaço hoje (19), por um foguete russo Dnepr, a partir da base de lançamentos de Yasny, na Rússia. Muito embora seja um artefato de pequenas dimensões e poucos quilos, o lançamento quebra um jejum brasileiro de quase sete anos em missões espaciais governamentais bem sucedidas. A mais recente aconteceu em 19 de setembro de 2007, com a colocação em órbita do CBERS 2B, de observação terrestre, construído em parceria com a China.
Até a preparação desta nota, ainda não havia sido divulgadas informações oficiais sobre o status do cubesat, mas alguns websites internacionais afirmaram que o nanossatélite nacional havia enviado sinais momentos após sua inserção em órbita.
A missão do lançador russo, aliás, marcou um recorde pelo número de cargas úteis colocadas no espaço - 33 ao todo, de 17 países diferentes, como Rússia, Japão, EUA, Canadá e Arábia Saudita, entre outros. Outras 4 cargas úteis devem ser inseridas nesta sexta-feira (20).
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O NanosatC-BR1, primeiro cubesat brasileiro, foi lançado ao espaço hoje (19), por um foguete russo Dnepr, a partir da base de lançamentos de Yasny, na Rússia. Muito embora seja um artefato de pequenas dimensões e poucos quilos, o lançamento quebra um jejum brasileiro de quase sete anos em missões espaciais governamentais bem sucedidas. A mais recente aconteceu em 19 de setembro de 2007, com a colocação em órbita do CBERS 2B, de observação terrestre, construído em parceria com a China.
Até a preparação desta nota, ainda não havia sido divulgadas informações oficiais sobre o status do cubesat, mas alguns websites internacionais afirmaram que o nanossatélite nacional havia enviado sinais momentos após sua inserção em órbita.
A missão do lançador russo, aliás, marcou um recorde pelo número de cargas úteis colocadas no espaço - 33 ao todo, de 17 países diferentes, como Rússia, Japão, EUA, Canadá e Arábia Saudita, entre outros. Outras 4 cargas úteis devem ser inseridas nesta sexta-feira (20).
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