segunda-feira, 14 de julho de 2014

Cooperação Brasil - Rússia

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Durante a visita ao Brasil do Presidente da Federação da Rússia, Vladimir Putin, em 14 de julho, foram assinados diversos atos de cooperação entre os dois países. Um dos instrumentos firmados trata de cooperação no âmbito espacial, mais especificamente, acerca da instalação de estações de calibração do sistema de posicionamento por satélite GLONASS no território brasileiro. Abaixo, reproduzimos o trecho que descreve os termos do ato, divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores:

"a) MEMORANDO DE ENTENDIMENTO PARA O ESTABELECIMENTO DE ESTAÇÃO DO SISTEMA GLONASS NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA E MEMORANDO DE ENTENDIMENTO PARA O ESTABELECIMENTO DE ESTAÇÃO DO SISTEMA GLONASS NO INSTITUTO TECNOLÓGICO DE PERNAMBUCO

Esses acordos estipulam a instalação, nas áreas da Universidade de Santa Maria e do Instituto Tecnológico de Pernambuco, de estações de calibração do sistema de navegação por satélite de tecnologia russa GLONASS, que permitirá melhor definição de imagem do sistema russo no hemisfério ocidental. Os acordos preveem troca de informações técnicas e científicas obtidas durante o uso das estações. A primeira estação de calibragem do sistema GLONASS (equivalente ao sistema GPS) em território sul-americano foi instalado em 2013, na Universidade de Brasília."

No "Plano de Ação para a Cooperação Econômica e Comercial Brasil - Rússia (2014-2015)", também assinado durante a visita, há referência à oportunidade de desenvolvimento e uso no Brasil de serviços e tecnologias da rede GLONASS, algo que, aliás, tem sido objeto de algum esforço diplomático e comercial da Rússia já há alguns anos. Veja o trecho abaixo

"7. As Partes identificaram as seguintes oportunidades de projetos conjuntos no setor de inovação e de alta tecnologia:

7.1 Desenvolvimento e uso no Brasil do complexo de serviços e tecnologias do sistema de navegação por satélite GLONASS;"
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Pesquisador do INPE na diretoria de entidade de Clima Espacial

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Brasileiro integra diretoria de órgão internacional para monitoramento do clima espacial

Segunda-feira, 14 de Julho de 2014

Clezio Marcos De Nardin, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), foi eleito vice-diretor do ISES (International Space Environment Service), órgão que congrega centros de alerta regionais para Clima Espacial existentes em várias regiões do planeta. É a primeira vez que um brasileiro fará parte da diretoria do ISES.

Pesquisador da Divisão de Aeronomia da Coordenação de Ciências Espaciais e Atmosféricas do INPE, Clezio Marcos De Nardin atualmente gerencia o Programa de Estudo e Monitoramento Brasileiro do Clima Espacial (Embrace) do Instituto.

O Embrace/INPE é o centro de pesquisa e desenvolvimento responsável pelo monitoramento e previsão do Clima Espacial no Brasil.

“Esta escolha pela comunidade internacional reflete o amadurecimento de nosso país nesta área", disse o pesquisador do INPE sobre a eleição no ISES. “Será também um prazer poder servir ao ISES juntamente com o diretor Terry Onsager (NOAA, Estados Unidos)". A posse da nova diretoria do ISES será no mês de agosto em Moscou, Rússia, durante a reunião anual do órgão.

Mais informações sobre o ISES na página www.ises-spaceweather.org

Clima espacial

Por meio de estudos sobre os processos eletrodinâmicos da ionosfera equatorial e de baixas latitudes, os pesquisadores do INPE monitoram parâmetros físicos como características do Sol, do espaço interplanetário, da magnetosfera, ionosfera e da mesosfera.

O Embrace/INPE oferece informação em tempo real, na internet, e realiza previsões sobre o sistema Sol-Terra para diagnósticos de seus efeitos sobre diferentes sistemas tecnológicos, em áreas como navegação e posicionamento por satélite (aeronaves, embarcações, plataformas petrolíferas, agricultura de precisão), comunicação (satélites geoestacionários, aeronaves), distribuição de energia (linhas de transmissão, dutos de distribuição de gás natural e petróleo), além dos sistemas de defesa nacional.

Mais informações na página www.inpe.br/climaespacial

Fonte: INPE
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sexta-feira, 11 de julho de 2014

AEL Sistemas entrega subsistema para o SIA

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A gaúcha AEL Sistemas entregou no final de junho os primeiros modelos do computador de bordo (on board computer - OBC) da plataforma orbital do Projeto SIA (Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial), iniciativa liderada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), de São José dos Campos (SP).

Segundo Marcos Arend, Diretor de Tecnologia da AEL Sistemas, a entrega compreendeu duas unidades do OBC, além de um sistema automático de testes, capaz de avaliar as interfaces entre as diferentes unidades que compõem o subsistema.

Arend destacou ao blog Panorama Espacial as principais características do OBC, que “tem uma complexidade razoável”.  O equipamento nacional foi projetado para ser a prova de falhas simples, resistente à radiação e fez uso extensivo de novas tecnologias a fim de reduzir massa e volume.

Outra característica importante foi o uso massivo de hardware reconfigurável, permitindo a alteração ou acréscimo de novas funcionalidades, aumentando o ciclo de vida do equipamento.

O OBC é composto por dez sub-unidades, sendo as cinco principais: a de processamento (UPC); a interface de telecomando e telemetria (UTMC);  de diagnósticos e supervisão do subsistema (UR); a unidade de controle e distribuição de potência (UDP); e a de comunicação interfaces (UAT) com os demais componentes do sistema inercial, como o giroscópio, sensor de estrelas e atuadores.

O equipamento tem vida útil estimada em quatro anos com confiabilidade de 0.99.

Marcos Arend revelou que para o desenvolvimento do OBC, a AEL Sistemas fez um investimento interno considerável, tendo expectativa de no futuro ter um modelo qualificado para aplicações em plataformas orbitais.

Os modelos entregues devem ser submetidos a vários testes nos laboratórios do INPE e receberão os algoritmos de controle de atitude órbita desenvolvidos pelo grupo do projeto SIA. A expectativa é que no próximo ano ocorra a contratação de modelos de qualificação e de voo.

Outras iniciativas em espaço

O trabalho da AEL Sistemas no campo espacial não se resume ao OBC. A empresa participa de projetos de satélites brasileiros, fornecendo os subsistemas de suprimento de energia (11 diferentes dispositivos), sendo o maior fornecedor em número de equipamentos.

No ano passado, a AEL trabalhou ativamente junto com outros parceiros do Rio Grande do Sul na elaboração de uma proposta de desenvolvimento de um microssatélite multimissão para aplicações militares (MMM), no âmbito do Inova Aerodefesa.

Segundo Arend, a empresa mantém o interesse em pequenas plataformas para aplicações espaciais, considerando as várias iniciativas e projetos que estão surgindo no Brasil, inclusive no Rio Grande do Sul. Vale citar o caso do NanosatC-Br-1, primeiro cubesat nacional, que conta com envolvimento significativo da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Nota do blog: para mais informações sobre o OBC, veja a reportagem "Desenvolvimento do primeiro computador de bordo brasileiro para satélites é concluído", da Agência O Globo.
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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Panorama sobre o satélite ITASAT-1

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O satélite universitário ITASAT-1, desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em parceria com a Agência Espacial Brasileira e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), poderá ser lançado no próximo ano. O projeto soma esforços de cinco universidades brasileiras e, em 2013, passou por readequações estratégicas na filosofia de desenvolvimento e na estrutura do equipamento. Mais leve e moderno, o ITASAT-1 terá módulos compatíveis com diversas plataformas e realizará cinco experimentos científicos em voo.

A proposta de desenvolver e operar um satélite universitário nasceu em meados de 2005. Até 2008, uma primeira fase do projeto ITASAT-1 buscou consolidar a formação de recursos humanos e o envolvimento de estudantes de graduação e pós-graduação. A partir de 2009, as ações passaram a se voltar para o desenvolvimento do satélite em si, com a realização de revisões periódicas formais, supervisionadas por especialistas do Brasil e do exterior, com experiência no desenvolvimento de microssatélites.

No decorrer dos últimos dois anos, no entanto, tanto a filosofia de desenvolvimento quanto a estrutura do satélite tiveram seus escopos readequados. De uma abordagem mais rígida, próxima dos satélites operacionais e com o desenvolvimento de todos os subsistemas e equipamentos do satélite, o projeto ITASAT-1 passou a focar na integração de sistemas e na aplicação de métodos de validação e verificação, bem como, no treinamento dos estudantes em Engenharia e Desenvolvimento de Sistemas. “Os estudantes passaram a trabalhar de forma integrada, conhecendo todas as etapas do projeto. Com isso, saem daqui aptos a trabalhar nas empresas da área espacial que estão surgindo”, explicou Lídia Hissae Shibuya Sato, Pesquisadora Científica do projeto. Também foram propostas mudanças estruturais relativas ao tamanho e peso do equipamento, aos sistemas de comunicação e de controle de altitude. “Inicialmente, o ITASAT-1 foi pensado para ter de 80 a 100 kg. Na sua nova configuração, ele deverá ter menos de 10 kg”, disse.

Tão logo consolidada a construção do ITASAT-1, o projeto caminhará para a fase de escolha do foguete que levará o satélite ao espaço, considerando uma janela de lançamento de setembro a dezembro de 2015

Dentre os seus objetivos, o projeto ITASAT-1 também tem como proposta desenvolver um modelo de engenharia que permaneça em solo para a realização de testes e simulações do treinamento de operadores de estação. Com isso, seria possível simular com exatidão o que acontece no espaço, corrigindo eventuais problemas em voo, a partir de soluções desenvolvidas em terra. “Se acontece um problema no espaço, a partir de uma versão idêntica em solo, podemos simular o ocorrido, estudar a solução e só depois disso, tomar as medidas necessárias para que as correções sejam realizadas em voo”, explicou Lídia.

O ITASAT-1 é um satélite experimental científico com cinco funções principais (cargas úteis) e vida útil de um ano. Nesse período, o equipamento devera testar em órbita: o transponder de coleta de dados (DCS), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em parceria com o Centro Regional do Nordeste (CRN); o GPS Orion, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com o IAE; a placa de sensores para medidas de caracterização do campo magnético terrestre, desenvolvida pela Universidade de Santa Maria (RS); o funcionamento de uma câmera fotográfica para satélites de pequeno porte, utilizada em missões estratégicas; e um experimento de comunicação e transferência de dados com a comunidade de radioamador. Para atender aos objetivos da missão, a plataforma conta com os seguintes subsistemas: estrutura, painéis solares, unidade de condicionamento e distribuição, computador de supervisão de bordo, interfaces de expansão, GPS, computador de controle de altitude, sensores solares e magnéticos, atuadores, sistema de telemetria, rastreamento e comando (TT&C).

Criar uma réplica em solo para recuperar problemas em voo e treinar profissionais para futuras missões são objetivos centrais do projeto ITASAT, entretanto, a visão estratégica vai além, e já vislumbra a possibilidade de realizar serviços estratégicos em regiões onde a presença de satélites maiores ofereceriam custos proibitivos. Mesmo sendo um satélite para a realização de experimentos científicos, o ITASAT-1 poderá contribuir com diversos setores a partir da utilização dos dados coletados. Exemplo disso são as informações que serão obtidas pela carga útil do Transponder Digital de Coleta de Dados desenvolvido pelo INPE/CRN e poderão ser utilizadas pelo Sistema Brasileiro de Coletas de Dados Ambientais.

Outra contribuição importante do projeto destacado pela pesquisadora do ITASAT-1 é a estação solo instalada no ITA. “Já operacional, nossa estação rastreia o satélite NanoSatC-Br1, desenvolvido pelo INPE em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e lançado recentemente, em 19 de junho” disse a pesquisadora Lídia. Ainda segundo o gerente do projeto, o Capitão Elói Fonseca, instrutor do ITA: “Esta estação foi adquirida pelo projeto do NanosatC-BR1 e instalada no ITA, sendo operada pelo pessoal do ITASAT-1. Desta forma já temos o pessoal capacitado e a infraestrutura pronta para o monitoramento e controle do ITASAT-1, o qual poderá ser monitorado também pelos radioamadores como ocorre com o NanosatC-BR1. A estação de solo de Santa Maria também servirá de apoio no monitoramento do ITASAT-1, assim como nossa equipe apoia atualmente o NanosatC-BR1, assim estamos com uma estrutura de trabalho prevendo a plena integração das equipes e projetos NanosatC-BR1, BR2, AESP-14 e ITASAT-1”.

Fonte: ITA/DCTA, 08/07/2014.
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Curso do INPE sobre Tecnologias Espaciais

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Universitários aprendem sobre tecnologias espaciais 

Quinta-feira, 10 de Julho de 2014 

De 14 de julho a 1° de agosto, alunos de graduação de todo o Brasil estarão no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), aprendendo sobre engenharia de sistemas, projeto, montagem, testes e operação de satélites.

O “Curso de Inverno 2014 – Introdução às Tecnologias Espaciais” oferece aulas intensivas, visitas dirigidas e um estágio, oportunidade única de aproximação entre os experientes técnicos e engenheiros do INPE e os futuros profissionais do país.

Totalmente gratuito, o Curso de Inverno vem sendo realizado todos os anos, no período das férias escolares de julho, para disseminar a tecnologia espacial e despertar o interesse dos jovens brasileiros pelo setor.

As aulas apresentam desde as missões espaciais em desenvolvimento no INPE, fornecendo aos participantes um panorama de futuro em termos nacionais, até a descrição detalhada de um sistema espacial e todos os subsistemas a bordo de um satélite.

São apresentadas as diversas restrições e cuidados no projeto e construção de equipamentos, bem como os meios de qualificação exigidos para o lançamento e a operação em ambiente espacial. Também há palestras nas áreas de Computação, Ciência Espacial e de Observação da Terra.

Os universitários terão ainda a oportunidade de conhecer várias instalações do INPE, como o Laboratório de Integração e Testes (LIT), o Centro de Controle de Satélites (CCS) e o Miniobservatório Astronômico.

Segundo os organizadores do curso, o objetivo é despertar o interesse dos alunos pelas atividades espaciais, inclusive área acadêmica – o INPE oferece cursos de mestrado e doutorado em Engenharia e Tecnologia Espacial, entre outros programas de pós-graduação.

Mais informações: www.inpe.br/ci/2014

Fonte: INPE
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terça-feira, 8 de julho de 2014

NanosatC-Br1: testes em órbita

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Nassossatélite nacional continua com testes em órbita

Brasília, 8 de julho de 2014 – Próximo de completar um mês em órbita o NanosatC-Br1, primeiro CubeSat brasileiro, ainda não completou toda a série de testes de modos de funcionamento. De acordo com os técnicos envolvidos no projeto entre os testes a serem aplicados estão o de repouso e o de estabilização.

Com o propósito de coletar dados do campo magnético terrestre, principalmente na denominada região da Anomalia Magnética da América do Sul (Amas) e do setor Brasileiro do Eletrojato Equatorial Ionosférico, o NanosatC-Br1 tem quatro modos de funcionamento: Safe-Seguro, modo utilizado no seu lançamento; Nominal, normal com operação de dados; Repouso, baixa quantidade de envio de informações e Estabilização, correção da velocidade em caso de alta rotação.

A Estação Terrena de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, é a única que pode enviar telecomandos ao nanossatélite. Ela o monitora em conjunto com a Estação Terrena do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP), ambas recebem os dados de rádio amadores para serem decodificados e disponibilizado aos pesquisadores.

“Para um dos projetos já há subsídios completos, para os demais ainda faltam decodificar dados para conclusão das informações iniciais”, explica Ótavio Durão, gerente do projeto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Missão – O CubeSat  tem também a finalidade de testar em voo Circuitos Integrados (CIs), projetados no Brasil, quanto a resistência à radiação. O objetivo é o de utilizá-los futuramente em satélites nacional de maior porte a exemplo da Plataforma Multi Missão (PMM), em desenvolvimento pelo Inpe. Ainda compõe a carga útil do NanoC-Br1o Field Programmable Gate Array (FPGA), software imune a radiação ionizante.

São, portanto, dois métodos distintos de proteção à radiação ionizante para componentes que poderão futuramente ser aplicados em projetos espaciais: por projeto com aplicação em hardware e por software.

O projeto do NanossatC-Br1, financiado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), tem ainda uma vertente educacional que envolve parceria entre a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e o Inpe com a participação de outras entidades como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O nanossatélite teve o custo total, incluindo o seu lançamento, de US$ 860 mil. Até o fim do ano estão previstos o lançamento de mais três CubeSats nacionais: Aesp-14, Serpens e CanSat, este último desenvolvido por alunos de uma escola pública de Ubatuba (SP).

Fonte: AEB
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segunda-feira, 7 de julho de 2014

"Satélite meteorológico: um próximo passo"

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Satélite meteorológico: um próximo passo

Após contratar um satélite de comunicações, o Brasil começa agora a planejar uma missão meteorológica própria

André M. Mileski

Em qualquer apresentação sobre a importância da exploração espacial para a Humanidade, é quase certo que os satélites meteorológicos venham a ser mencionados como um dos grandes benefícios gerados a partir do espaço. Afinal, seus dados são hoje largamente usados para uma imensa variedade de aplicações, do cotidiano a questões de forte cunho comercial e estratégico, como no planejamento, estimativa e controle de safras, prevenção a desastres naturais, rotas aéreas, missões militares, apenas para citar algumas.

Não faltam exemplos da importância da meteorologia para as atividades atuais. No teatro militar, um caso conhecido, que demonstra o risco oferecido pela não autonomia na geração de seus próprios dados a partir do espaço, aconteceu no Atlântico Sul, durante a Guerra das Falklands/Malvinas, em 1982. Um dos satélites geoestacionários da série GOES, operados pelos Estados Unidos, foi reposicionado, causando prejuízos no fornecimento de imagens utilizadas para as previsões brasileiras ao longo de um período de dois meses.

A história recente também tem outros casos envolvendo a América do Sul. Em 2010, o Brasil se viu novamente em cheque. Com a desativação do satélite norte-americano GOES-10, operado pela Administração Nacional do Oceano e Atmosfera (NOAA), as imagens do subcontinente, antes produzidas a cada 15 minutos, passaram a ser geradas a cada 30 minutos por seu sucessor, o GOES-12. Eventualmente, por necessidades internas dos Estados Unidos para o monitoramento de tornados, furacões ou tempestades severas, como aconteceu em 2005 com o furacão Katrina, em New Orleans, os satélites da série GOES podem ser reposicionados, reduzindo a frequência de imageamento de sua área inicial de cobertura.

Por um acordo internacional no âmbito da Organização Mundial de Meteorologia (WMO), da qual o Brasil faz parte, a geração e disponibilização de imagens meteorológicas por satélite no período mínimo de cada três horas está garantida, sem custos. Mas, muitas das previsões e aplicações hoje existentes para dados espaciais demandam frequências maiores de imageamento, o que coloca os países que não contam com meios próprios em relativa situação de vulnerabilidade.

A situação atual

Atualmente, o Brasil conta com duas instituições governamentais principais responsáveis por receber dados, processá-los e disponibilizar previsões meteorológicas para os usuários, que atuam de forma coordenada em seus propósitos: o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), ligado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), com sede em Brasília (DF) e subordinado ao Ministério da Agricultura.

Para a produção de previsões, o sistema de computação do CPTEC é alimentado por informações de média resolução oriundas dos satélites estrangeiros GOES (norte-americano) e METEOSAT (europeu), da rede de dados da WMO e das redes nacionais sob a responsabilidade do INMET, além de outras fontes como sensores dos Comandos da Aeronáutica e da Marinha, entre outros.

No caso dos METEOSAT, operado pela organização intergovernamental europeia EUMETSAT, o Brasil tem acesso a seus dados, mas, em razão de suas localizações em órbita, na intersecção entre o Meridiano de Greenwich com a Linha do Equador, sobre a costa africana, suas imagens são geralmente adequadas apenas para o imageamento de fenômenos e intempéries no nordeste do País.

Os dados obtidos são então processados pelo CPTEC, em Cachoeira Paulista (SP), por meio de um supercomputador, o Tupã (trovão, na língua indígena Tupi). Instalado em dezembro de 2010 ao custo de cerca de R$50 milhões, o Tupã é um modelo XT6, da Cray, capaz de realizar 258 trilhões de cálculos por segundo, sendo considerado um dos mais poderosos do mundo para previsão de tempo e estudos em mudanças climáticas.

As informações geradas diariamente pelo CPTEC são indispensáveis para muitos setores socioeconômicos, tais como agricultura, defesa civil, geração e distribuição de energia elétrica, transporte e meio ambiente. Ainda, cabe ao CPTEC realizar o monitoramento de ocorrência de tempo severo e fornecer imagens de satélites meteorológicos e ambientais para usuários brasileiros e estrangeiros.

Um satélite próprio

De tempos em tempos, a busca brasileira por relativa autonomia no imageamento espacial para finalidades meteorológicas ganha um novo ímpeto e, de fato, uma missão geoestacionária consta formalmente da última versão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), referente ao período de 2012 a 2021. Tratou-se da primeira versão do documento, basilar para as atividades espaciais brasileiras, que conta com uma missão geoestacionária específica de meteorologia, fato que, por si só, já indica o caráter estratégico outorgado a esta demanda.

Segundo a descrição do PNAE, a missão do Satélite Meteorológico Brasileiro (GEOMET), como é conhecida, será destinada à “produção de imagens da atmosfera terrestre a partir do espaço para gerar dados indispensáveis aos sistemas de previsão do tempo”, tendo os seguintes objetivos estratégicos: (i) tornar o País capaz obter dados e informações meteorológicas do território nacional e outras regiões da Terra, de forma autônoma; e (ii) tornar a indústria nacional tecnologicamente mais competente, inovadora e competitiva nos mercados interno e externo. Segundo o programa, o GEOMET deverá estar operacional em 2018, data alvo bastante arrojada e que muito provavelmente não será cumprida.

O documento relaciona ainda alguns dos potenciais usuários dos dados gerados pelo futuro GEOMET, como o INPE e os ministérios da Agricultura, Integração Nacional, e Defesa, revelando o caráter multiministerial adotado para a estruturação de projetos complexos, seguindo o caminho trilhado com o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), contratado no final de 2013.

“A percepção da necessidade é antiga. É uma unanimidade”, afirmou à reportagem Petrônio Noronha de Souza, diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da Agência Espacial Brasileira (AEB). No entanto, ainda que a ideia de uma missão esteja capturada no PNAE, neste momento não existe nada de muito concreto, como a definição de requisitos, do cronograma e da arquitetura industrial, passos iniciais para o lançamento de uma missão espacial. “Não está indo na velocidade que todos gostariam”, disse Souza, que citou outros projetos em andamento no Programa Espacial, que consomem recursos humanos e financeiros – ambos escassos, como o lançamento do CBERS-4, previsto para dezembro deste ano, o SGDC e o satélite de observação Amazônia-1.

Segundo o dirigente, “será um desafio na hora de desenvolver os requisitos deste satélite”, considerando-se especialmente os aspectos técnicos, como as especificações dos sensores, conciliando-se as necessidades nacionais, em busca de alguma autonomia, com a continuidade do País no âmbito da rede meteorológica internacional já existente. “Não deve haver um passo atrás”. Para superar este desafio, a Agência reunirá todas as partes interessadas, desde o governo, usuários, indústria e academia, em linha com os projetos que têm sido lançados.

Outro aspecto desafiador será a busca por alguma participação da incipiente indústria espacial brasileira, que reúne certa capacidade em determinados elementos, como em sensores de imageamento. Invariavelmente, será colocada sobre a mesa a escolha entre a transferência tecnológica e/ou a efetiva participação e capacitação industrial.

Estudo de caracterização

Apesar de o diretor da Agência reconhecer que a velocidade dos avanços do GEOMET não é a ideal, já existem algumas ações planejadas para os próximos anos. Antes da falha no lançamento do CBERS-3, na China, em dezembro de 2013, a AEB trabalhava com o plano de iniciar o chamado estudo de caracterização do GEOMET ainda em 2014. Com os esforços agora concentrados principalmente no voo do CBERS-4, o início dos estudos deve escorregar algo como um ano. “Não pode passar de 2015”, destacou.

O estudo de caracterização seria nada mais do que um primeiro passo em direção à especificação e definição da missão meteorológica, etapa precedente à definição da modelagem de contratação, possivelmente seguindo o conceito de prime contractor adotado no SGDC, em que uma empresa principal é contratada para a construção do sistema – no caso do satélite de comunicações, a Visiona Tecnologia Espacial. “No nível industrial, não se contempla possibilidade em que não haja um prime contractor”.

Em alguns pontos, o GEOMET se assemelha ao SGDC, como na modelagem industrial pretendida e no caráter multiministerial do projeto que envolve as Comunicações, Defesa e Ciência, Tecnologia e Inovação. No caso do GEOMET, o número de ministérios envolvidos será ainda maior, dada a quantidade de usuários de dados meteorológicos no governo, o que abre também maiores e melhores oportunidades para o seu financiamento. Destaque-se ainda a sua provável conexão com outras iniciativas espaciais, como o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) (ver T&D n.º 136), que contempla missões meteorológicas de órbita polar, complementares à órbita geoestacionária, como é o caso do GEOMET. Para a sua viabilização, o Brasil também não descarta parcerias com países amigos, seguindo a estratégia adotada noutras missões espaciais, como o programa CBERS, com a China, e o SABIA-MAR, com a Argentina.

Um destes parceiros pode vir a ser a China, com quem o Brasil já colabora no campo espacial há mais de 25 anos. Em novembro de 2013, durante a Terceira Sessão Plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), em Cantão, na China, um dos pontos incluídos para discussão futura na agenda de cooperação espacial para os próximos dez anos foi o desenvolvimento de um satélite geoestacionário meteorológico. À época, consultado por Tecnologia & Defesa, o presidente da AEB, José Raimundo Coelho, esclareceu que uma nova missão com os chineses estaria sujeita a discussões internas, deixando aberta a possibilidade de cooperações com outros países.

Fonte: Tecnologia & Defesa n.º 137, junho de 2014.
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sábado, 5 de julho de 2014

Vídeo: panorama sobre o DCTA

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A mais recente edição do programa "FAB em Ação", do setor de comunicação do Comando da Aeronáutica, trata do papel do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), de São José dos Campos (SP).


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Argentina: ARSAT-1 aprovado para voo

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Em 27 de junho, foi concluído com sucesso a Revisão de Pré-Embarque (Pre Shipment Review - PSR) do satélite geoestacionário de comunicações ARSAT-1, construído pela companhia INVAP, da Argentina, para a operadora ARSAT. Esta é a última etapa antes do envio do satélite para o centro de lançamento, localizado em Kourou, na Guiana Francesa.

O PSR, realizado na sede da fabricante, em San Carlos de Bariloche, foi concluído com a aceitação em terra do artefato pela ARSAT e também demonstrou que o segmento espacial está apto em nível de sistema, seus processos estão devidamente registrados e de que não há problemas. O evento marcou ainda a finalização da fabricação dos componentes, integração e ensaios.

A previsão é que o ARSAT-1 seja lançado ao espaço no mês de setembro, a bordo de um lançador Ariane 5, operado pela Arianespace. O ARSAT-1, o primeiro satélite geoestacionário construído na Argentina (e na América Latina), transmitirá dados em banda Ku, com cobertura de todo o território nacional. Sua vida útil é estimada em quinze anos.
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terça-feira, 1 de julho de 2014

CLA: testes com combustível líquido

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CLA realiza testes com combustível líquido de foguetes

Brasília, 01 de julho de 2014 – O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, promoveu na primeira quinzena de junho treinamento de pessoal e verificação dos meios na armazenagem, preparação, transferência e carregamento de combustível líquido para foguetes.

A atividade foi coordenada pela Divisão de Propulsão Espacial do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), de São José dos Campos (SP), que enviou pessoal especializado no manuseio desse tipo de combustível.

Para receber o material, o Setor de Preparação e Lançamento (SPL) passou por adequações no Prédio de Carregamento de Propelente Líquido (PCPL). As equipes de resgate médico e combate a incêndio passaram por treinamento visando à atuação em operações envolvendo o manuseio de combustível líquido no CLA.

Ainda se procedeu à transferência do combustível líquido utilizado em foguetes para um novo tanque de armazenamento e feito a neutralização do tanque antigo. Foi feita também a descontaminação da substância e simulação de carregamento do combustível. Parte do material retornou em aeronave da FAB até São José dos Campos, onde ficará no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

De acordo com o diretor do CLA, coronel engenheiro César Demétrio Santos, a atividade é importante para o Centro em futuras operações. “Com a operação, preparamos o CLA para atividades de lançamento nos próximos anos que demandarão o manuseio de combustível líquido em nossos foguetes, a exemplo dos modelos mais avançados do Veículo Lançador de Satélites (VLS) em suas versões Alfa e Beta”, destacou Santos.

Fonte: CLA, via website da AEB.
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