sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

CBERS 3: em órbita, não antes de 2011

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O boletim JC E-mail, informativo editado diariamente pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) publicou em sua edição de hoje (19) notícia dando conta de que o lançamento do satélite CBERS 3, construído pelo Brasil em parceria com a China será adiado para 2011.

A notícia do JC E-mail repercute reportagem da agência chinesa Xinhua, de pouco mais de uma semana atrás (11 de fevereiro), intitulada "Brazil, China to postpone joint satellite launching to 2011".

Embora as duas reportagens apresentem o adiamento como algo novo, já há muito tempo que não era segredo o fato de que o CBERS 3 será lançado em 2011, ou mesmo em 2012. Ressalte-se que vários dos subsistemas e cargas úteis do primeiro CBERS de segunda geração não têm sequer seus modelos de voo finalizados.

O último satélite brasileiro colocado em órbita foi o CBERS 2B, lançado em setembro de 2007. Considerando que o seu sucessor, CBERS 3, será lançado não antes que 2011, o Programa Espacial Brasileiro terá mais um longo hiato (de, no mínimo, quatro anos) entre seus feitos mais significativos. Um longo tempo para um País que busca se colocar como verdadeira potência mundial.

Espera-se que a revisão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), ora em curso, busque soluções para os frequentes problemas e atrasos do Programa Espacial Brasileiro.
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Um comentário:

Marcelo disse...

Olá Mileski.

Embora a notícia do JC não cite os motivos do adiamento, já foi divulgado anteriormente que a compra de componentes tolerantes a radiação, sofreu embargo devido ao Programa CBERS ser classificado como sujeito ao ITAR.

Embora isso de fato tenha causado atrasos e impedimentos no recebimento de componentes, não se pode dizer que o ITAR foi criado ontem e nem que suas restrições não são claramente conhecidas.

Então por que ao invés de insistir em uma solução sujeita ao ITAR não se partiu logo para uma que não o seja? (pergunta retórica)

Diga-se de passagem, a recente crise financeira provavelmente contribuiu para que os fornecedores americanos fizessem pressão em seu governo para liberar a venda de componentes sensíveis ao programa CBERS. O que se sabe hoje é que uma nova venda não é, de forma alguma, garantida.

Marcelo.