Mostrando postagens com marcador Tronador. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tronador. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Argentina: novas etapas do projeto Tronador II

.
No último dia 15, a Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), comemorou o aniversário de um ano do lançamento do Veículo Experimental VEX 1B, realizado a partir de Punta Indio, na província de Buenos Aires, como teste para o futuro lançador de satélites Tronador II. Como parte da celebração, a entidade divulgou uma nota com informações sobre os próximos passos do projeto que visa dotar a Argentina de autonomia no lançamento ao espaço de cargas úteis de pequeno porte.

O VEX 1B proporcionou o ensaio em voo do sistema de navegação, guiagem e controle, dentre outros, além de ter possibilitado testes do segmento terrestre para a operação do veículo. Com base nesses resultados, houve avanços em outras etapas do projeto: o desenvolvimento dos veículos experimentais VEX 5, para realização de ensaios de maior complexidade, com o objetivo de se chegar a um Tronador II operacional, apto para colocação em órbita de satélites de até 250 kg.

A nova etapa do projeto já está em andamento, com previsão para o próximo ensaio do veículo VEX 5A, também a ser realizada de Punta Indio. Trata-se de um veículo com dois estágios, sendo o primeiro um propulsor denominado KC-1, tendo querosene como combustível e oxigênio líquido como oxidante.

O VEX 5A será o primeiro modelo em que serão ensaiados eventos de maior complexidade, numa sequência progressiva. Os modelos seguintes do VEX 5 continuarão testando os mesmos eventos com o objetivo de se ganhar confiabilidade no sistema. O objetivo final é a prova final de toda a tecnologia associada aos mecanismos e funções que devem ser cumpridas durante o voo.

Segundo a CONAE, apenas 10 países no mundo contam atualmente com seus próprios lançadores de satélites, com a Argentina devendo em breve se somar ao seleto clube. O objetivo é que o Tronador II, quando operacional, coloque em órbita os satélites de observação terrestre da série SARE, de arquitetura segmentada, que gerarão imagens úteis para a agricultura, pesca, hidrologia, gestão de emergências, saúde, dentre outras aplicações.
.

domingo, 31 de agosto de 2014

Argentina: apesar da crise, programa espacial avança

.

A Argentina poder ter perdido a Copa do Mundo e estar enfrentando há vários anos uma grave crise financeira, mas no campo espacial, o cenário é outro. 

Para meados de outubro, está previsto o lançamento do ARSAT-1, primeiro satélite geoestacionário de comunicações construído na América Latina, a bordo de um Ariane 5 voando a partir de Kourou, na Guiana Francesa. Um segundo satélite também está em construção nas instalações da INVAP, em Bariloche, principal indústria espacial do país, e já existem planos para a contratação de ao menos mais um artefato.

Em se tratando de sensoriamento remoto e aplicações científicas, o país vizinho também vai bem. Há pouco mais de três anos, numa missão conjunta com a agência espacial norte-americana (NASA), colocou em órbita o SAC-D/Aquarius. É o único da região a desenvolver uma família de satélites radar, o SAOCOM (SAtélite Argentino de Observación COn Microondas), em parceria com a Itália.

Embora com cronogramas atrasados (serão dois os satélites, o 1A e 1B, com previsões de lançamento em 2015 e 2016, respectivamente), fato é que o projeto SAOCOM posiciona a Argentina como uma das principais nações espaciais da América do Sul, senão a principal. Num paralelo com o Brasil, cuja missão radar (SAR) é bastante necessária para o acompanhamento do desmatamento da Amazônia, por sua capacidade de imagear mesmo com cobertura de nuvens, na previsão mais otimista, um satélite SAR estaria em órbita apenas em 2020.

SARE, missões de pequeno porte

Além das séries SAC e SAOCOM, o plano espacial argentino considera missões de menor porte, em torno de 250 kg, denominadas SARE. Estas compreenderão satélites operando de forma passiva, com cargas úteis óticas e de microondas, e ativa, tendo como cargas úteis instrumentos de microondas operando em conjunto com o SAOCOM, e um sistema laser LIDAR (Light Detection and Ranging).

A primeira missão do SARE, de demonstração, porém relativamente sofisticada, consistirá de quatro satélites de órbita baixa operando em conjunto com o SAOCOM 1B (ilustração acima). Serão testadas capacidades especiais, como comunicações entre os artefatos, distribuição de funções e apontamentos coordenados.

Tronador II

Buenos Aires também tem ambições de acesso autônomo ao espaço, e para tanto desenvolve o programa Tronador II, que tem recebido investimentos consideráveis nos últimos anos. O objetivo final é contar com um foguete capaz de inserir em órbitas baixas artefatos da classe do SARE, de até 250 kg.

Em 15 de agosto, foi realizado um novo teste, denominado VEX 1B, o segundo de uma série de 3 a 6 foguetes experimentais, planejados para dar forma ao pequeno veículo lançador (veja em "Argentina: novo ensaio relacionado ao Tronador II").
.

domingo, 17 de agosto de 2014

Argentina: novo ensaio relacionado ao Tronador II

.

De acordo com informações divulgadas pelo governo argentino, foi realizado exitosamente na última sexta-feira (15) um novo ensaio do foguete Tronador II, por meio do voo do Veículo Experimental VEX 1B. O ensaio teve por objetivo testar em voo os sistemas de propulsão e de navegação, guiagem e controle, desenvolvidos inteiramente na Argentina.

O sucesso foi comemorado pelo governo de Cristina Kirchner. Em nota divulgada pela Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), principal entidade espacial do país, o ministro Julio de Vido destacou a busca argentina por acesso autônomo ao espaço, além do desenvolvimento de satélites de comunicações e de observação. "Todos estes desenvolvimentos 100% nacionais nos permitirão realizar autonomamente uma missão satelital completa, isto é, a construção dos satélites e sua colocação em órbita, que ainda nos permitirá lançar satélites de terceiros, convertendo a Argentina no único país do hemisfério sul com esta capacidade e um dos 11 do mundo", declarou, destacando também o processo de industrialização do país "em setores de alto valor agregado e alta tecnologia".

O VEX 1B é o segundo de uma série de 3 a 6 foguetes experimentais, planejados para dar forma ao lançador Tronador II, com capacidade de satelitização de 250 quilogramas em órbitas baixas, performance nominal similar ao projeto brasileiro do veículo Lançador de Microssatélites (VLM).

O primeiro ensaio, denominado VEX 1A, ocorreu no final de fevereiro e foi considerado satisfatório pelas autoridades. No entanto, na época a mídia local noticiou que a missão teria falhado, com o foguete tendo subido apenas poucos metros e caído próximo a plataforma (ver a postagem "Lançadores: teste do Tronador II argentino").

Colaborou Ildefonso.
.

domingo, 9 de março de 2014

Lançadores: teste do Tronador II argentino

.
Frequentemente, abordamos os planos da Argentina de desenvolver meios autônomos de acesso ao espaço, a exemplo do Brasil, com o VLS. Nos últimos anos, o projeto aos poucos tem avançado, com a realização de testes de pequenos foguetes da família Tronador visando o desenvolvimento de tecnologia e capacitações para a posterior construção de um veiculo lançador de pequeno porte, o Tronador II.

No início do mês, o diário "Clarin" publicou uma reportagem informando sobre a suposta falha da missão VEX 1A, discretamente realizada em 26 de fevereiro, em Punta Indio, coordenada pela Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE). Após sua ignição, o VEX 1A, monoestágio e com cerca de 14,5 metros de altura, teria subido apenas 2 metros e depois caído próximo a plataforma (esperava-se um apogeu de 16 km). A CONAE reconheceu a falha na decolagem, mas afirmou que o lançamento proporcionou o teste de subsistemas do veículo, classificando o de "positivo e exitoso".

Os argentinos optaram por desenvolver o Tronador II a partir do desenvolvimento de vários veículos experimentais (além da missão de fevereiro, outros cinco testes estão programados para os próximos anos), tendo o objetivo de ensaiar vários subsistemas a um custo mais reduzido antes de incorporá-los ao lançador final.

Polêmica com o combustível

Na quinta-feira passada (6), o "Clarín" publicou outra reportagem sobre a missão, desta vez noticiando que o combustível utilizado pelo foguete (hidrazina), seria "contaminante e cancerígeno". No mesmo dia, a CONAE divulgou nota dando maiores informações e divulgando as medidas de segurança que foram tomadas para evitar contaminações ou danos.

A nota da agência argentina também destaca que este tipo de combustível é utilizado por outros lançadores, como da família Longa Marcha (China), PSLV e GSLV (Índia), e também pelo Cyclone 4, da binacional ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space. No caso do lançador ucraniano, os três estágios exigirão cerca de 180 mil kg de hidrazina e ácido nítrico em cada operação de lançamento.

De fato, embora ainda seja utilizada em alguns veículos espaciais, os projetos mais modernos têm buscado outros combustíveis, considerados menos poluentes e mais seguros. No meio especializado, existe uma piada de que "a hidrazina é um combustível que ninguém sabe o cheiro que tem, pois ninguém sobreviveu para contar"...
.