quarta-feira, 23 de abril de 2014

Cooperação INPE - FAO em monitoramento de florestas

.
 INPE e FAO firmam acordo para capacitação no monitoramento de florestas por satélites

Terça-feira, 22 de Abril de 2014

Países da África, Ásia e América do Sul serão beneficiados pelo termo de cooperação firmado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) em prol da capacitação na área de monitoramento de florestas a partir de satélites.

No Centro Regional da Amazônia do INPE, localizado em Belém (PA), os técnicos estrangeiros terão a oportunidade de aprender a utilizar tecnologias desenvolvidas pelo instituto brasileiro – o INPE é reconhecido internacionalmente por manter o maior programa de acompanhamento de florestas do mundo, capaz de calcular taxas anuais de desmatamento bruto, estimativas de degradação e monitorar em tempo quase real alterações na Amazônia brasileira.

Pelo acordo, cabe ao INPE empregar sua experiência para o ensino de técnicas de sensoriamento remoto e uso de imagens de satélites voltado para monitoramento de florestas. Os participantes conhecerão ainda as funcionalidades do TerraAmazon, sistema desenvolvido pelo Instituto para seus programas de monitoramento, como o PRODES e o DETER. De sua parte, a FAO garantirá a vinda dos participantes estrangeiros aos cursos, bem como equipamentos e consultoria técnica.

Serão realizados seis cursos ao longo de 2014 e 2015, em português, espanhol, francês e inglês. Participarão técnicos do Uruguai, Argentina, Chile, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé, Marrocos, Argélia, Tunísia, Congo, Filipinas, Laos, Tailândia, Miamar, Butão, Papua Nova Guiné, Sri Lanka, Nigéria, Gana, África do Sul, Quirquistão e Tajiquistão.

O acordo foi assinado nesta terça-feira (22/4) na sede do INPE, em São José dos Campos (SP), pelo diretor do instituto, Leonel Perondi, e pelo representante da FAO/Brasil, Alan Jorge Bojanic Helbingen.

Fonte: INPE
.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Exportações: propulsores e serviços de rastreio

.
.
Pode ser uma surpresa para muitos, mas o Brasil exporta tecnologia e serviços no campo espacial, ainda que de forma e dimensão muito simbólicos. Nesta primeira parte, trataremos das exportações de foguetes de sondagem realizadas pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), e da prestação de serviços de rastreio pelo Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI).

O IAE/DCTA mantém há décadas uma bem-sucedida cooperação com a agência aeroespacial da Alemanha (DLR), que resultou no desenvolvimento de foguetes de sondagem e motores. Até o momento, ocorreram onze lançamentos do VSB-30 (motores S30 e S31), a partir do campo de Esrange, Kiruna, na Suécia, 7 lançamentos de VS-30/Orion, utilizando motores S30 (segundo estágio do VSB-30), no Campo de Lançamento de Andoya, Andenes, na Noruega, e outros quatro voos do VS-30 (motor S30) também de Andoya.

Restam ainda alguns foguetes negociados com a DLR, cujos voos estão previstos para ocorrerem entre este ano e 2015. Até o final deste mês de abril, aliás, está em andamento no campo de Esrange as campanhas TEXUS 50 e 51, de experimentos em microgravidade, que utilizarão veículos VSB-30.

Segundo informações dadas ao blog pelo Cel. Avandelino Santana Júnior, vice-diretor do IAE/DCTA, a compra mais recente de motores brasileiros ocorreu em 2011, quando a DLR adquiriu 21 unidades, que serviram para montar oito VSB-30, e outros cinco destinados aos veículos VS-30 e VS-30/Orion. Na época, tal aquisição foi avaliada em cerca de 3 milhões de euros. Antes disso, para o desenvolvimento do VSB-30, a DLR realizou investimentos da ordem de 700 mil euros. De acordo com o IAE, após a integração dos motores e sistemas, cada VSB-30 custa cerca de 320 mil euros.

Rastreios do CLBI

Outra exportação espacial brasileira vem na forma de prestação de serviços de rastreios de missões espaciais realizadas pela Arianespace a partir do Centro Espacial Guianês, localizado em Kourou, na Guiana Francesa. Os rastreios são realizados pela estação terrena do CLBI, no Rio Grande do Norte, no âmbito de um acordo de cooperação firmado em 1977 entre o governo brasileiro e a Agência Espacial Europeia.

No caso dos foguetes Ariane 5, durante o curto intervalo de tempo de rastreio, o CLBI é responsável por registrar três eventos essenciais para sucesso de cada operação: o fim da queima do 1º estágio do lançador, a separação desse estágio do conjunto embarcado e a ignição do motor do 2º estágio.

Desde janeiro, o blog Panorama Espacial tem tentado obter junto à assessoria do CLBI informações sobre o montante recebido por cada operação, não tendo havido, porém, retorno. Fonte consultada pelo blog, no entanto, informou que o País fatura algumas dezenas de milhares de euros em cada missão.

Apesar de serem tecnicamente exportações, tanto no caso dos rastreios como nos propulsores, há pouca ou nenhuma participação da indústria nacional. Fato é que, ocasionalmente, surge à tona a questão da industrialização e transferência da fabricação do VSB-30 para a indústria nacional, mas que até o momento não teve resultados concretos.

Numa futura postagem, trataremos das exportações de componentes e serviços relacionados a satélites, campo em que a indústria local está mais presente.
.

domingo, 20 de abril de 2014

Alcântara Cyclone Space: o status do projeto

.
A binacional Alcântara Cyclone Space divulgou em seu website imagens do desenvolvimento do veículo lançador Cyclone 4, previsto para entrega no segundo semestre de 2015. Segundo a empresa, "os eventos atuais na Ucrânia não impactaram o desenvolvimento do projeto do Cyclone 4". É também informado que uma "parte significativa" da construção civil do sítio de lançamento foi completada, com a maior parte dos equipamentos de suporte em solo já tendo sido contratados e alguns inclusive entregues em Alcântara (MA).

Clique aqui para visualizar as imagens.
.

sábado, 19 de abril de 2014

CENSIPAM: 12 anos

.
Censipam completa 12 anos de atividades na proteção da Amazônia

Na manhã do último dia 16, os servidores do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) comemoraram 12 anos de atividades da instituição. Na solenidade, o secretário-geral do Ministério da Defesa, Ari Matos, e o diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes, ressaltaram as conquistas nesse período.

“A Secretaria Geral do Ministério da Defesa reconhece o trabalho do Censipam. Um trabalho de excelência e essencial para a consolidação da Amazônia”, disse Matos em seu discurso, assistido pelos servidores dos Centros Regionais do Censipam por videoconferência. Rogério Guedes fez um balanço das atividades no período e reafirmou o trabalhou de parceria com as instituições na proteção da região amazônica. “Nessa curta trajetória estamos trilhando um caminho sólido junto aos parceiros, com apoio do Ministério da Defesa e com empenho decisivo de nossos servidores”, enfatizou o diretor-geral.

Durante a cerimônia, Guedes destacou a importância das parcerias, nacionais e internacionais. Citou como exemplo o acordo que será firmado com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para o desenvolvimento de projetos na área de meteorologia, descargas atmosféricas, monitoramento hidrológico, mineração de dados.“ Esse acordo ampliará as nossas pesquisas. Hoje, temos 26 em andamento”, completou. Disse ainda que há 657 antenas de comunicação via satélite, instaladas em áreas remotas da Amazônia, levando comunicação. É o caso das antenas para cadastrar pessoas de baixa renda no programa Bolsa Família.

O diretor também falou dos resultados do Projeto da Cartografia da Amazônia, que acabará com o vazio cartográfico de 1,8 milhões de quilômetros quadrados. Segundo ele, os dados produzidos pelas cartas já estão criando mapas temáticos, mapas de suscetibilidade e já atualizaram várias cartas náuticas dos rios amazônicos. Guedes ressaltou que com os recursos financeiros do Projeto, a Aeronáutica concluiu a modernização das aeronaves R99, a Marinha recebeu 4 avisos hidrográficos (o último navio será entregue esse ano) e o Exército construiu um centro de processamento de imagens.

Por último, o diretor-geral citou que mês que vem chegará a estação de processamento das imagens do sensor aerotransportado ADS 80. “Com a aquisição, vamos reduzir de 20 para um dia o tempo necessário para decodificação de cada hora de imagem coletada pelo sensor”. A aquisição ampliará a capacidade de decodificar as imagens com mais celeridade.  Atualmente, existe apenas uma estação que processa imagens geradas pelo ADS-80, que está localizada em Recife, atendendo todas as demandas brasileiras de imageamento de alta resolução espacial realizadas pelas aeronaves R35-A da Força Aérea Brasileira.

Fonte: CENSIPAM, com edição do blog Panorama Espacial.

Nota do blog: o SIPAM utiliza imagens de satélite, tanto óticas como radar, para cumprir com suas funções. O sistema, concebido no final da década de noventa, dispõe  de uma estação de recepção, fornecida pela canadense MDA, capaz de receber dados de cinco diferentes satélites comerciais; referida estação, no entanto, atualmente não se encontra operacional.
.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Direito Espacial: o Brasil na sessão do UNCOPUOS

.
O Brasil esteve presente na última sessão do Subcomitê Jurídico do Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (UNCOPUOS), realizada em Viena, na Áustria, de 24 de março a 4 de abril. A delegação oficial brasileira, formada por especialistas em Direito Espacial, realizou uma apresentação em plenário sobre o projeto de Lei Geral das Atividades Espaciais no Brasil.

Este projeto está sendo desenvolvido desde o começo de 2013 por um grupo de trabalho especialmente criado para esse fim no Núcleo de Estudos de Direito Espacial (NEDE), da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA). Para mais informações sobre a apresentação, clique aqui.
.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Sobre a nota da ACS postada no início da semana

.
No último dia 13, publicamos uma nota com notícias sobre a binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), na qual informamos que o "Cyclone 4 contém alguns componentes críticos de origem russa [...]". Sergiy Guchenkov, diretor comercial da ACS, entrou em contato com o Panorama Espacial para dizer que a informação não é verdadeira. Reproduzimos a seguir o seu e-mail, na íntegra, e posteriormente fazemos comentários adicionais:

"Prezado Mileski,

Sou leitor do seu blog Panorama Espacial, que acho uma fonte interessante e respeitável de informação. Porém, na postagem mais recente sobre a ACS (http://panoramaespacial.blogspot.com.br/2014/04/noticias-da-alcantara-cyclone-space.html), fui surpreendido com a seguinte afirmação:

“O Cyclone 4 contém alguns componentes críticos de origem russa”

Informo-lhe que isso não corresponde à verdade, pois o Veículo Lançador Cyclone-4 não contém quaisquer componentes russos, sejam críticos ou não. Peço o favor de publicar uma respectiva correção no seu blog. A crise atual com a Rússia não tem impactado o andamento do Projeto Cyclone-4, e amanhã postaremos uma atualização na seção Project Status com novas fotos, confirmando que o desenvolvimento do Cyclone-4 está de acordo com o cronograma, e que o mesmo estará pronto para entrega no Brasil na segunda metade do ano 2015.

Quanto ao acordo de salvaguardas Ucrânia-Russia, esse foi assinado para facilitar a cooperação dos dois países na área espacial. Como é de seu conhecimento, a Ucrânia lança alguns dos seus foguetes, como Dnepr e Zenit, a partir do território russo, e esse acordo serve também para proteção das tecnologias espaciais ucranianas na Rússia.

Respeitosamente,

Sergiy Guchenkov
Chief Commercial Officer
Alcantara Cyclone Space"

Comentários do blog: a informação de que o Cyclone 4 possui componentes de origem russa é oriunda de fonte ligada a própria ACS, obtida em 2010. Referida informação, aliás, é dada em alguns artigos e análises anteriores à concretização do acordo binacional (ver artigo "Russia-Brazil: a space partnership", publicado pela agência RIA Novosti em abril de 2007).

A propósito, a questão sobre os interesses russos no projeto do Cyclone 4 não é nova, havendo inclusive questões relacionadas à propriedade intelectual de componentes utilizados pelo lançador ucraniano (motor RD261 que equipa o 1º estágio do foguete, por exemplo). Neste sentido, recomendamos a leitura do relatório "Ukraine: space deal with Brazil uncertain", elaborado pelo governo americano e datado de 22 de dezembro de 2009, "vazado" pelo Wikileaks.

A Rússia e a Ucrânia integraram a União Soviética por várias décadas, havendo ainda hoje uma grande interdependência em diversos campos, com destaque para os setores aeroespacial e de defesa. Por coincidência, aliás, o assunto foi tema de uma detalhada análise no boletim da última semana preparado pela ADIT, firma francesa de inteligência estratégica, que deu mais ênfase à dependência russa do parque industrial ucraniano.
.

Contratos industriais do CBERS 4

.

AEB firma contratos industriais para montagem do Cbers-4

Brasília, 16 de abril de 2014 – A Agência Espacial Brasileira (AEB) firmou oito contratos com empresas nacionais do setor aeroespacial visando à integração e montagens de diversos equipamentos do Cbers-4, quinto exemplar da série do programa de satélites Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres.

Os contratos com as empresas Equatorial Sistemas, AEL Sistemas Mectron Engenharia, Orbital Engenharia, Omnisys Engenharia e Opto Eletrônica, englobam em sua maioria equipamentos das áreas de eletrônica, conversores de energia e câmeras para imageamento.

Todas estas empresas já foram fornecedoras de peças e equipamentos para a família de satélites Cbers, desenvolvida em parceria entre Brasil e China. Os contratos também estão em concordância com o preceituado no Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) de “recorrer à indústria para reproduzir equipamentos já desenvolvidos e qualificados, capazes de atender a parte da demanda corrente a um custo menor, com prazos menores, além de manter a base industrial ativa”.

O lançamento do Cbers-4, inicialmente programado para 2015, foi antecipado para a segunda semana de dezembro próximo da China, conforme entendimento entre os dois países após a falha ocorrida com o veículo chinês lançador do Cbers-3, no final de 2013.

Fonte: AEB

Nota do blog: os contratos, somados, superam poucos milhões de reais.
.