quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

CLBI: rastreio de missão do Ariane 5

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Foguete Ariane é rastreado pelo Centro de Lançamento da Barreira do Inferno

16/02/2017

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) realizou com sucesso na noite de terça-feira (14.02) o rastreamento do veículo Ariane VA-235, lançado do Centro Espacial Guianês (CSG), em Kourou, na Guiana Francesa. O veículo foi lançado às 19h38 (horário brasileiro de verão) sendo monitorado pela Estação Natal durante a fase propulsada e nos momentos críticos de separação dos dois primeiros estágios.

Os processos operacionais de rastreamento são de alta complexidade, envolvendo grande número de profissionais, engenheiros e técnicos, do CSG e do CLBI, e conta com a participação direta de 41 servidores do CLBI. No apoio logístico, após a reestruturação da Força Aérea, as Operações contam com o suporte do Grupamento de Apoio de Natal (GAP-NT), disponibilizando recursos e meios para o fiel cumprimento do exercício operacional que caracteriza atividade fim do CLBI.

Segundo o adjunto do coordenador de Telemedidas, engenheiro Irineu Alexandre Silva Júnior, a alta cadência de rastreamento eleva a qualidade e a eficiência dos processos operacionais: “A gestão dos recursos humanos em seu aprimoramento técnico, associada à qualidade operacional e de manutenção dos equipamentos, garante a confiança necessária para a execução de todo planejamento inerente à operação”. Ele acrescenta, ainda: “O cronograma geral dos eventos é seguido em toda sua plenitude, com destaque para o ensaio técnico, repetição geral, lançamento e transferência dos dados para o Centro de Tratamento de Dados de Telemedidas na Guiana Francesa e Toulouse – França”, avalia o adjunto.

O veículo Ariane VA-235 transportará para órbita geoestacionária dois satélites de telecomunicações. O satélite SKY Brasil-1 proverá sinal de TV para Brasil e América Latina. Além deste, o engenho transportará o satélite TELKOM-35 responsável por expandir os serviços da empresa TELKOM na Indonésia.

A “Estação que não pára” já se prepara para o próximo rastreamento com previsão no calendário operacional para o dia 21 de março. De acordo com a coordenadora da seção de Interface (SICC), engenheira Maria Goretti Dantas, o lançamento do VA-236 tem um caráter particular para todos os brasileiros e, em especial, para os servidores do CLBI que participarão da campanha que levará à órbita o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC): “Será uma campanha especial, pois estaremos envolvidos diretamente na atividade que trará à sociedade brasileira resultados diretos em qualidade de comunicações e segurança”.

Fonte: AEB
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

SGDC embarca para a Guiana Francesa

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Satélite Geoestacionário embarca para Guiana Francesa

13/02/2017

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) embarcou, nesta segunda-feira (13), em direção ao Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, de onde será lançado ao espaço no dia 21 de março. O equipamento saiu da cidade francesa de Cannes, local onde foi construído pela empresa Thales Alenia e supervisionado por engenheiros e especialistas do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), do Ministério da Defesa, da Telebras e da Agência Espacial Brasileira (AEB) – ambas entidades vinculadas ao MCTIC –, além da Visiona.

O transporte do satélite é feito por um modelo Antonov – avião russo de alta capacidade de carga. O voo deve durar cerca de seis horas, com aterrisagem prevista para as primeiras horas desta terça-feira (14).

“Naquele avião vão o empenho, a energia e a inteligência de muitos profissionais, que aguardam pelo lançamento e pelo sucesso do satélite. É uma importante etapa que está sendo concluída. Um momento de grande satisfação, que pode ser comemorado por todos”, afirmou o engenheiro da Telebras Sebastião Nascimento, que aguarda a chegada do SGDC na Guiana Francesa.

Provedor de serviços

O SGDC vai garantir a segurança das comunicações de defesa das Forças Armadas brasileiras e o fornecimento de internet banda larga para todo o território nacional, especialmente para as áreas remotas do país. O projeto é fruto de uma parceria entre o MCTIC e o Ministério da Defesa, com investimentos no valor de R$ 2,1 bilhões e tempo de operação de aproximadamente 15 anos.

“Com o SGDC, o Brasil ganha qualidade na prestação dos seus serviços, seja ao dar mais eficiência ao sistema de segurança nacional, seja ao levar mais condições de banda larga para todos os cidadãos, em suas atividades pessoais ou profissionais”, afirmou o ministro Gilberto Kassab, em recente visita ao Comando de Operações Espaciais (Comae), da Força Aérea Brasileira (FAB), na Base Aérea de Brasília.

Segundo o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Rossato, o SGDC trará benefícios ao Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), operado pela Telebras, aos sistemas de telecomunicações militares e à absorção de tecnologia para o setor aeroespacial. O equipamento deve melhorar a fiscalização dos 17 mil quilômetros de fronteira do Brasil com dez países sul-americanos e estender o PNBL a todo o território nacional.

Fonte: MCTIC
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23 anos da AEB: "Momento de reflexão", artigo de José Raimundo Braga Coelho

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Momento de reflexão

10/02/2017

No início dos anos 80, por motivos considerados estratégicos – acesso autônomo ao espaço - a Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (Cobae) teve aprovada a Missão Espacial Completa Brasileira – MECB.

Um programa integrado, visando o desenvolvimento, a construção e a operação de satélites de fabricação nacional, a serem colocados em órbitas por foguetes projetados e construídos no país e lançados de uma base situada em território brasileiro.

Em 1988 acontece um fato interessante. Brasil e China decidem desenvolver uma família de Satélites de Observação da Terra (CBERS).

Inicia-se então um outro tipo de integração – a integração por necessidade e oportunidade, valendo-se de parcerias estratégicas, baseadas em dois fatores considerados de extrema importância – benefícios mútuos e desenvolvimento conjunto.

Passados tempos, em 1994, surgiu então a Agência Espacial Brasileira (AEB), como parte do Sistema, para coordenar, executar e fazerexecutar a Política Espacial Brasileira. Trouxe consigo a herança do programa sob supervisão da COBAE e implantou, baseado nele, o que hoje denominamos Programa Nacional de Atividades Espaciais – PNAE.

Uma peça de planejamento estratégico com orientação explicitamente voltada aos interesses nacionais, aos benefícios da população brasileira. Ajustes de rota foram introduzidos ao longo do tempo, em todos os segmentos básicos do programa: satélites, lançadores e sítios de lançamentos.

Eis que hoje estamos prestes a presenciar, março próximo, o lançamento do nosso primeiro Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas – o SGDC. O CBERS-4A e, o nosso primeiro Satélite Nacional de Observação da Terra, o Amazonia-1, e o Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1), todos previstos para serem lançados em 2018/2019.

A Missão de coordenação efetiva atribuída à AEB, em sua lei de criação, deu oportunidade a uma nova fase: qualidade do relacionamento e integração entre os agentes ativos do programa, passam a ser e continuam sendo, o grande objetivo.

O Programa Espacial Brasileiro de hoje ultrapassa as fronteiras do PNAE. Estende-se a necessidades outras ditadas por segmentos importantes da nação. Como exemplos, citamos o nosso compromisso com o desenvolvimento de uma solução que atenda à Rede Hidro-meteorológica Brasileira, a cargo da Agência Nacional de Águas (ANA).

O Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em busca do desenvolvimento de um sistema adequado à solução de questões relacionadas à observação e monitoramento de aspectos relevantes de suas atribuições de responsabilidade, assim como de outras atividades similares de outros órgãos de governo.

Não faltou também o apego à formação de recursos humanos e ao compromisso junto às Universidades e Centros de Pesquisas ao engajamento na área espacial.

E aquilo que nos parecia quase inatingível, também conseguimos. Eis que hoje contamos com os primeiros 63 jovens servidores efetivos da Agência. Há, entretanto, muito pela frente, a jornada não é simples, os óbices precisam ser transformados em desafios e os desafios tem que ser vencidos, todos vencidos.

Os braços que contamos são os braços que temos. Foram eles que, junto àqueles dos outros segmentos do Sistema, nos permitiram chegar até onde chegamos. E serão eles que nos permitirão vencer, antes de tombar. E é por isso, que no dia de hoje, a eles dedicamos a nossa mais sincera, profunda e justa homenagem.

Com muito orgulho, Parabéns Servidores da Agência Espacial Brasileira!

José Raimundo Braga Coelho
Presidente da AEB
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

SCD-1: 24 anos em operação

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Primeiro satélite brasileiro completa 24 anos em operação

Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017 

Em 9 de fevereiro o SCD-1 (Satélite de Coleta de Dados) completou 24 anos em órbita. Primeiro satélite desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o SCD-1 mantém a retransmissão de informações ambientais para o monitoramento das bacias hidrográficas, das marés, meteorologia, planejamento agrícola, estudos sobre mudanças climáticas e desastres naturais, entre outras aplicações.

Embora com limitações, o satélite continua operacional e cumprindo sua missão de coleta de dados ambientais, mais de duas décadas após seu lançamento, em 1993. Na época, o primeiro satélite brasileiro tinha expectativa de apenas um ano de vida operacional. A longevidade do SCD-1 comprova o alto grau de competência técnica não só das equipes de engenharia espacial e de integração e testes que participaram do desenvolvimento do satélite, como também das equipes de operação em voo do Centro de Rastreio e Controle de Satélites do INPE.

Em seu aniversário de 24 anos, o SCD-1 completou um total de 126.714 órbitas, tendo percorrido uma distância da ordem de 5.650.893.410 quilômetros, o que corresponde, por exemplo, a nada menos que 7.435 viagens de ida e volta à Lua.

O lançamento do SCD-1 colocou o Brasil entre as nações que efetivamente dominam o ciclo completo de uma missão espacial desde sua concepção até o final de sua operação em órbita. Marcou ainda o início da operação do Sistema de Coleta de Dados Brasileiro, que fornece informações para instituições nacionais governamentais e do setor privado que desenvolvem aplicações e pesquisas em diferentes áreas, como previsão meteorológica e climática, estudo da química da atmosfera, controle da poluição e avaliação do potencial de energias renováveis.

Dados

O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados é baseado em satélites de órbita baixa que retransmitem a um centro de missão as informações ambientais recebidas de um grande número de plataformas de coleta de dados (PCDs) espalhadas pelo Brasil.

As PCDs são equipamentos automáticos que possuem sensores eletrônicos para a medição de parâmetros ambientais, como o nível de água em rios e represas, a qualidade da água, a precipitação pluviométrica, a pressão atmosférica, a intensidade da radiação solar, a temperatura do ar, entre outros.

O satélite capta e retransmite os sinais das PCDs instaladas por todo o país e os envia para as estações de recepção e processamento do INPE em Cuiabá (MT) e em Alcântara (MA). Voando a uma velocidade de 27.000 km por hora, o SCD-1 leva aproximadamente uma hora e 40 minutos para completar uma volta em torno da Terra. Assim, a estação recebe várias vezes por dia os dados transmitidos por cada PCD.

Da estação de Cuiabá ou de Alcântara, os dados coletados pelo satélite são transmitidos para Centro Regional do Nordeste (CRN) do INPE, localizado em Natal (RN), onde atualmente está instalado o Sistema Integrado de Dados Ambientais (SINDA), para processamento e distribuição de suas informações aos usuários a partir do endereço http://sinda.crn2.inpe.br.

O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais conta com uma rede de mais de mil plataformas instaladas e, nos últimos 24 anos, ininterruptamente, tem prestado serviços à sociedade através do monitoramento de parâmetros ambientais nas regiões mais remotas do território brasileiro.

Além do pioneiro SCD-1, integra o sistema de coleta de dados o satélite SCD-2, lançado em 1998.

Fonte: INPE
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

SGDC: visita do MCTIC e AEB ao Comando de Operações

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Presidente da AEB visita Comando de Operações do SGDC  

8/02/2017 

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, acompanhou na manhã desta quarta-feira (08.02), a comitiva do ministro da Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, na visita ao Centro de Operações do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), satélite previsto para ser lançado do Centro Espacial de Kourou, na Guiana Francesa, no dia 21 de março, às 19h.

Após a recepção de boas-vindas do Chefe do Centro Conjunto de Operações Aéreas, brigadeiro do ar, Arnaldo Silva Lima Filho, foi feita uma apresentação sobre o satélite e sua importância para o país. A comitiva também teve a oportunidade de conhecer a sala de decisão do Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra) e as futuras estações e antenas do SGDC.

“Essa é a oportunidade que temos de melhorar os nossos serviços para que haja uma potencialização desses esforços, o país tem avançado muito no que diz respeito à fiscalização e para nós é motivo de orgulho.  Sobre os ganhos do país com o SGDC, primeiro vem a qualidade dos seus serviços, o Brasil ganha em eficiência em segurança nas comunicações, além de permitir a ampliação dos serviços de banda larga, que poderá ser universalizado, e avanço nos serviços prestados aos cidadãos”, afirmou o ministro Gilberto Kassab.

O presidente da AEB, José Raimundo, falou da necessidade de integração entre as instituições do governo, pois segundo ele, nenhum país do mundo desenvolve a área espacial de forma isolada. “É o momento de integrarmos os esforços para desenvolvermos a área espacial de forma inclusiva e não exclusiva”, afirmou.

Para o secretário de Política de Informática do MCTIC, Maximiliano Martinhão, a união de esforços é essencial ao programa. “A gente deu um passo grande com esse projeto, mas destaco o aspecto de olhar para frente, porque a Aeronáutica e a Telebras montaram suas equipes. Temos que integrar esforços civis e militares, sob a coordenação da Agência Espacial Brasileira (AEB).”

Já o secretário de Telecomunicações do MCTIC, André Borges, ressaltou o caráter estratégico do satélite para a conectividade do país. “Vencida a etapa de levar banda larga a 100% do território, um excelente passo, a questão será oferecer mais capacidade, porque todo o Brasil vai estar conectado, mas a capacidade ainda vai ser insuficiente para cobrir tudo o que é necessário.”

Segundo o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Nivaldo Rossato, o SGDC trará benefícios em três eixos: no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), operado pela Telebras, nos sistemas de telecomunicações militares e na absorção de tecnologia para o setor aeroespacial. Parceria do MCTIC com o Ministério da Defesa, o satélite deve melhorar a fiscalização dos 17 mil quilômetros de fronteira do Brasil com dez países sul-americanos e estender o PNBL a todo o território nacional.

Comando de Operações

O Comando de Operações Aéreas é a principal unidade de controle das atividades desenvolvidas pelo satélite, que será monitorado 24 horas por dia. A infraestrutura conta com cinco prédios, uma antena de comando e controle de 13 metros, além de estações de trabalho de radiofrequência e de monitoramento do equipamento. O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), com lançamento previsto para 21 de março, vai garantir a segurança das comunicações de defesa das Forças Armadas brasileiras e o fornecimento de internet banda larga para todo o território nacional, especialmente para as áreas remotas do país.

Fonte: AEB
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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

SGDC em destaque

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Por ocasião de uma visita de jornalistas, a francesa Thales Alenia Space divulgou no início do mês um material com algumas imagens do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). O satélite está no momento nas instalações da fabricante em Cannes, no sul da França, de onde será enviado em breve para o Centro Espacial Guianês, em Kourou, na Guiana Francesa.

O material disponibilizado inclui também um vídeo (abaixo) destacando as principais características do satélite, que tem lançamento previsto para 21 de março, a bordo de um lançador Ariane 5, bem como informações gerais sobre o programa e benefícios gerados ao Brasil.


Curiosamente, num de seus parágrafos há uma referência ao futuro SGDC-2, que, imagina-se, teria mais participação da indústria nacional.

Clique aqui para acessar o material, disponível em inglês.
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Pós-graduação espacial na China

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Processo seleciona brasileiros para pós-graduação aeroespacial na China

Os interessados têm até 24 de fevereiro para se inscrever

A Agência Espacial Brasileira (AEB) abriu processo seletivo para pré-selecionar três brasileiros interessados em ter acesso a bolsas de estudo no programa de mestrado da Beihang University, na China. As oportunidades são nas áreas de sistemas globais de navegação por satélite, sensoriamento remoto e sistemas de geoinformação, e tecnologias em microssatélites. Os interessados têm até 24 de fevereiro para se inscreverem.

Os proponentes precisam ter menos de 35 anos de idade no ano de admissão; experiência profissional ou em pesquisa em tecnologias na área espacial; possuir o grau de bacharel (ou equivalente) em áreas do conhecimento afins ao programa; possuir histórico de atuação em pesquisa em áreas do conhecimento do programa; ter bom domínio da língua inglesa e capacidade de participar de aulas ministradas no referido idioma.

As bolsas de mestrado serão definidas pelo desempenho nas entrevistas e podem ser de dois tipos: integrais, que cobrem taxas de matrícula, acomodações, seguro médico e subsídio de US$ 438,96 por mês; e parciais, que cobrem somente as taxas de matrícula.

A escolha final dos candidatos fica a cargo do Centro Regional para Ciência Espacial e Educação Tecnológica na Ásia e no Pacífico (RCSSTEAP, na sigla em inglês). O resultado será divulgado até 10 de maio.

Para mais informações, acesse este link.

Fonte: Agência ABIPTI, com informações da AEB, via Jornal da Ciência.
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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Cooperação Brasil - Rússia

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LNA e Roscosmos iniciam monitoramento de detritos espaciais no Brasil

06/02/2017

Um telescópio russo instalado no Observatório do Pico dos Dias, gerenciado pelo Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) em Brazópolis (MG), deve começar a operar até o fim do mês. O equipamento, que está na reta final de montagem, vai permitir o monitoramento de detritos espaciais. Segundo o diretor do LNA, Bruno Castilho, uma equipe formada por profissionais brasileiros e russos iniciou a instalação do telescópio de 75 centímetros em novembro de 2016.

“A previsão é que realize a primeira observação no fim de fevereiro. Toda a mecânica e óptica do telescópio já está pronta e agora se iniciam o alinhamento e a montagem da eletrônica de controle e de dados”, disse Castilho.

A instalação do telescópio faz parte do projeto da Agência Espacial Russa (Roscosmos) intitulado Panoramic Electro-Opical System for Space Debris Detection (PanEOS) que prevê a construção e operação de uma rede de instalações desse tipo de telescópio na Rússia e em vários outros pontos do planeta.

Com o novo equipamento, o LNA poderá detectar e mapear o lixo espacial para criar uma base de dados com a localização e a órbita de objetos que apresentam risco de colisão com satélites artificiais ativos ou, no caso de objetos maiores, com o planeta Terra depois de entrar na atmosfera.

A base de dados servirá de referência para a adoção de medidas para evitar eventuais colisões. Além disso, o LNA colocará as informações astronômicas obtidas pelo telescópio à disposição dos pesquisadores brasileiros.

As imagens geradas pelo telescópio russo serão transmitidas para a Roscosmos pela internet, e a base de dados ficará à disposição dos pesquisadores brasileiros. Com 1.864 metros de altitude, o Observatório do Pico dos Dias já possui quatro telescópios para pesquisa astronômica.

Fonte: MCTIC, via AEB.
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sábado, 4 de fevereiro de 2017

SGDC pronto para o embarque

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Satélite brasileiro SGDC está pronto para embarcar para a plataforma de lançamento Kourou, na Guiana Francesa

São Paulo, 3 de fevereiro de 2016 – O Satélite Geoestacionário para Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), de duplo emprego (civil e militar), construído pela Thales Alenia Space para o Brasil, está pronto para embarque para a plataforma de lançamento Kourou, na Guiana Francesa, de onde será lançado pelo foguete Ariane 5 no próximo mês de março.

A Thales Alenia Space assinou o contrato do SGDC com a Visiona (uma joint venture entre a Embraer e a Telebrás) no fim de 2013. Esse programa desempenha papel-chave no plano de desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB), ao mesmo tempo em que atende os requisitos estratégicos do Ministério da Defesa. O satélite foi projetado para satisfazer dois objetivos principais: a implementação de um sistema seguro de comunicações via satélite para as Forças Armadas e o governo brasileiro, e para o suporte à instalação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), coordenado pela Telebrás, que visa reduzir o fosso digital existente no país. O SGDC é parte integrante da estratégia brasileira de reforço da sua independência e soberania.

A AEB e a Thales Alenia Space também assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) referente a um ambicioso plano de transferência de tecnologia, concebido para dar apoio ao desenvolvimento do programa espacial brasileiro.

A parceria ganha-ganha entre a Thales Alenia Space e o Brasil já rendeu muitos frutos:

- A empresa estabeleceu uma unidade no parque tecnológico de São José dos Campos, no Brasil, para trabalhar de perto com seus clientes e parceiros.
-  Cumpriu seu compromisso de transferência de competências, uma vez que mais de 30 engenheiros brasileiros foram treinados para todas as técnicas de engenharia espacial, supervisionados pela equipe do programa da Thales Alenia Space.
-  Um painel de apoio com bateria de alumínio, produzido pela companhia brasileira CENIC, já foi integrado ao satélite SGDC.
-  O fechamento de contratos de transferência de tecnologia com indústrias brasileiras está em andamento, a fim de permitir seu envolvimento com futuros projetos espaciais.

Fonte: Thales Alenia Space.
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

"As lições de Ets a um planeta autodestrutivo", artigo de José Monserrat Filho

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As lições de Ets a um planeta autodestrutivo

José Monserrat Filho *

“Tais extraterrestres teriam entendido que, para garantir sua sobrevivência a longo prazo, precisariam erradicar a desigualdade social.” Marcelo Gleiser (1)

Que civilização, que valores, que mentalidade, que tipo de vida estamos levando para o espaço cósmico, desde que aprendemos a construir foguetes, satélites e naves espaciais, nas décadas de 30, 40 e 50 do século XX? Quando usaremos o espaço somente para fins pacíficos?

Já no século XXI, em 25 de janeiro de 2017, o Relógio do Apocalipse – criado há 70 anos, em 1945, por cientistas do Projeto Manhattan que inventaram as primeiras bombas atômicas – passou a marcar apenas dois minutos e meio para a meia-noite, a hora estimada do colapso global da Terra. Quais foram as razões da histórica decisão do Conselho de Ciência e Segurança do Boletim dos Cientistas Atômicos (fundado e editado nos EUA), que, antes, consultou o Conselho de Patrocinadores do Boletim, integrado também por 15 laureados com o Prêmio Nobel? (2) O Conselho assim resolveu com base em declarações sobre o uso e a proliferação de armas nucleares de uma única pessoa – o novo Presidente dos EUA, Donald Trump, no perigo das mudanças climáticas e em desenvolvimentos na Coreia do Norte, Rússia, Índia e Paquistão?

A declaração conclusiva do Conselho de Ciência e Segurança do Boletim afirma: "Em 2016, o panorama da segurança global piorou. A comunidade internacional não logrou enfrentar com eficácia as ameaças mais urgentes da humanidade, as armas nucleares e as mudanças climáticas. (…) A situação mundial, por si já ameaçadora, foi o pano de fundo para o aumento do nacionalismo estridente no mundo todo, inclusive na campanha presidencial dos EUA. Nela, o vencedor, Donald Trump, fez comentários perturbadores sobre o uso e a proliferação de armas nucleares e manifestou descrença no consenso científico sobre as mudanças climáticas.” E acrescenta: "EUA e Rússia têm, juntos, mais de 90% das armas nucleares do mundo, e discordam em várias questões, da Síria à Ucrânia até as fronteiras da OTAN. Ambos continuaram modernizando amplamente suas forças nucleares, e não houve em parte alguma negociações sérias sobre o controle de armas. A Coreia do Norte realizou seus 4º e 5º testes nucleares subterrâneos e deixou claro que seguiria desenvolvendo capacidades de produzir armas nucleares. As ameaças da guerra nuclear perduraram, enquanto Paquistão e Índia se enfrentaram cautelosamente através da linha de controle em Caxemira, após militantes atacarem duas bases indianas do Exército.

Por que não são citadas a grave situação no Oriente Médio e a corrida armamentista de que participam ativamente os EUA, de um lado, e a China e a Rússia, de outro?

David Titley, Contra-almirante aposentado, membro do Conselho de Ciência e Segurança do Boletim, Professor de Meteorologia da Universidade Estadual da Pensilvânia e diretor fundador do Centro de Soluções para o Clima e o Risco Climático, EUA, comentou: "A mudança climática não deve ser questão partidária. A física bem estabelecida do ciclo de carbono da Terra não é nem liberal nem conservadora em caráter. O planeta continuará a se aquecer a níveis extremamente perigosos e o dióxido de carbono seguirá sendo bombeado para a atmosfera – independentemente da liderança política. A atual situação política nos EUA é especialmente preocupante. O governo Trump precisa declarar clara e inequivocamente que aceita como realidade a mudança climática causada pela atividade humana. Nenhum problema pode ser resolvido a menos que sua existência seja reconhecida pela primeira vez. Não há ‘fatos alternativos’ aqui".

O General John Hyten, Chefe da Força Aérea e do Comando Estratégico (Stratcom) dos EUA, falou sobre “dissuasão no espaço” no Centro de Segurança e Cooperação da Universidade de Stanford, em 26 de janeiro, e disse que a Rússia e a China representarão, em breve, uma ameaça às naves espaciais dos EUA, por desenvolverem capacidades anti-satélite, inclusive armas a laser, e que “a melhor maneira de evitar a guerra é estar preparado para a guerra”, como informou o próprio DoD News, do Departamento de Defesa (Pentágono). A resposta russa veio de Konstantin Sivkov, especialista militar e vice-presidente da Academia de Assuntos Geopolíticos de Moscou, como noticiou a Agência Sputnik de Washington em 30 de janeiro: a declaração do Gal. Hyten de que a Rússia e a China logo serão uma ameaça às naves espaciais dos EUA mais parece uma tentativa de justificar a instalação de armas no espaço pelo Pentágono (com o apoio do Presidente Trump). (3)

Diante desse quadro de caos planetário, que inclui partes crescentes do espaço cósmico, embora infelizmente pouca gente saiba disso, o citado físico Marcelo Gleiser imaginou um “projeto alienígena em escala global de proteção aos recursos naturais e justiça social”, que, a seu ver, pode ser chamado de “socialismo natural” (4). O resultado do projeto ele considera “revolucionário”: os alienígenas “entenderam que uma relação predatória com o seu planeta e com outras formas de vida levaria, mais cedo ou mais tarde, à sua própria destruição” e que “seu planeta, mesmo sendo muito grande e fértil, tem recursos limitados” e “uma exploração irracional dele o transformaria num deserto”. E mais: “Os alienígenas teriam aprendido a viver com – e não contra – o seu planeta, respeitando seus recursos e planejando cuidadosamente como explorá-los de forma sustentável.” E mais ainda: “Os alienígenas teriam entendido a interconectividade de todas as criaturas vivas; saberiam que ocupar o topo da cadeia alimentícia significa ter a reponsabilidade de preservar a biosfera, de modo a entender o uso de seus recursos por períodos ilimitados. Teriam aprendido que, para viver, precisariam encontrar encontrar meios de respeitar a diversidade da vida. Isso só poderia ocorrer se houvessem redefinido sua relação com outras criaturas vivas.”

A utopia de Marcelo Gleiser vai além, como já realçamos: “Tais extraterrestres teriam entendido que, para garantir sua sobrevivência a longo prazo, precisariam erradicar a desigualdade social; teriam entendido que a disparidade financeira (se tivessem uma economia) e a exploração cultural levam à pobreza e à instabilidade social, ambas causas dominantes da predação planetária. Para assegurar sua sobrevivência como espécie, teriam criado valores morais que garantissem a igualdade social, dividindo recursos de forma justa e equilibrada.” Eles igualmente teriam entendido que as metas socioecnonômicas pedem pelo “sacrifício dos que detém mais recursos, mas saberiam também que esses sacrifícios seriam temporários, garantindo a sobrevivência de todos”.

Sobre o polêmico tema da competição entre as pessoas, Marcelo Gleiser conta que os alienígenas “não teriam erradicado a competição, pois saberiam que ela é essencial para a inovação e a felicidade individual e coletiva, mas teriam criado mecanismos para assegurar que todos tivessem as mesmas oportunidades de atingir o sucesso”. Talvez fosse melhor falar em “ser bem sucedido” ou “ficar plenamente satisfeito”, pois “atingir o sucesso” está muito ligado à “conquista do estrelato”, que alimenta o vício da egolatria, nem sempre digno e respeitável. No caso, tem-se em vista certamente a competição justa, a ação de disputar ou concorrer de maneira honesta, generosa, construtiva e socialmente benéfica, como costuma ocorrer, por exemplo, nas atividades esportivas. Por outro lado, a competição nos negócios, sobretudo nos negócios milionários e bilionários, pode ser devastadora. Basta ver o que escreve um renomado economista norte-americano (5): “Maximizing shareholder value displaced problems of competitiveness in a new and a Darwinian environment.” (“A maximização do valor das ações dos acionistas desloca o problema da competitividade para um terreno novo, o do darwinismo”, em tradução livre, sendo o darwinismo interpretado como luta desenfreada em que vence o mais apto, forte e/ou poderoso). Trata-se da competição selvagem, que desumaniza a nossa espécie.

Marcelo Gleiser conclui com um convite memorável: “Esses alienígenas teriam sobrevivido por milhões de anos, criando uma sociedade que mal podemos imaginar. Temos muito trabalho pela frente.” Ou seja, precisamos urgentemente mover para trás os ponteiros do Relógio do Apocalipse. Não há mais tempo a perder.

* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: jose.monserrat.filho@gmail.com.

Referências

1) O que aprendi com os ETS – A Cartilha do “socialismo natural” dos alienígenas, artigo de Marcelo Gleiser, professor de Física, Astronomia e Filosofia Natural no Dartmouth College, EUA, publicado no caderno Ilustríssima da Folha de S. Paulo, de 29 de janeiro de 2017. Gleiser é autor de inúmeros livros, entre os quais A Simples Beleza do Inesperado, A Ilha do Conhecimento, O Fim da Terra e do Céu, A Dança do Universo.

2) Ver texto completa da Declaração da Comissão de Ciência e Segurança do Boletim no site: Http://thebulletin.org/sites/default/files/Final%202017%20Clock%20Statement.pdf. Em janeiro de 2015, o Relógio do Apocalipse avançou de cinco para três minutos para a meia-noite, o mais próximo desde a corrida armamentista dos anos 80. Em janeiro de 2016, seguiu marcando três minutos para a meia-noite. E agora, em janeiro de 2017, avançou 30 segundos.

3) Ver http://www.spacedaily.com/reports/Trump_could_reset_Star_Wars_at_full_throttle_ toward_militarization_of_space_999.html.

4) Ver artigo mencionado na primeira referência.

5) Cioffi, John W., Public Law and Private Power – Corporate Governance Reform in the Age of Finance Capitalism, USA: Cornell University Press, 2010, p. 85. Cioffi é Professor Assistente de Ciência Política na Universidade da Califórnia, Riverside. Vale ler também o livro Pilhagem – Quando o Estado de Direito é Ilegal, de Ugo Matei e Laura Nader, São Paulo: Martins Fontes Editora, 2013. Ugo Matei é Professor de Direito Internacional e Comparado da Universidade da Califórnia, Hastings, EUA, e da Universidade de Turim, Itália, e Laura Nader é Professora de Antropologia da Universidade da Califórnia, Berkeley, EUA.
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