domingo, 26 de abril de 2015

LAAD 2015: Thales Alenia Space - Satélites óticos, o próximo passo

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Thales Alenia Space - Satélites óticos, o próximo passo

Roberto Valadares Caiafa

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC) é um marco do Programa Espacial Brasileiro, por representar uma guinada em termos de transferência de tecnologias (ToT) e estabelecimento de parcerias entre empresas brasileiras e congêneres estrangeiras. Pensado para prover comunicações estratégicas, o SGDC está sendo fabricado pela franco-italiana Thales Alenia Space (TAS), contratada pela Visiona Tecnologia Aeroespacial no final de 2014.

Durante a LAAD 2015, Joel Chenet, vice-presidente da empresa para o Brasil, atualizou a imprensa sobre os avanços do programa: “Os trabalhos do SGDC estão dentro do cronograma, e acreditamos ser capazes de completar a integração do satélite até outubro próximo, lançando-o como previsto em meados de 2016. Também assinamos os acordos definitivos de transferência de tecnologias do SGDC entre a TAS, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Governo Federal. A Agência Financiadora de Projetos (FINEP) tem desempenhado um importante papel, sendo responsável por selecionar os parceiros e empresas que irão receber o ToT, o processo se dando através de Request For Proposal (RFP) no mercado brasileiro”.

Disse ainda o executivo: “Para cada tópico específico do payload (carga e sensores do satélite), um contrato é fechado em áreas como controle térmico, instrumentos óticos embarcados de precisão, plataforma de integração (bus) do satélite. Na 1º fase, o treinamento de recursos humanos brasileiros está acontecendo na França, envolvendo cerca de 40 pessoas, sendo seguida pela 2ª fase, a continuidade dessa instrução no Brasil, capacitando esse pessoal para exercer com plena segurança a 3ª fase, que envolve a operação e manutenção autônoma total em todos os sistemas envolvidos com controle e gerenciamento de dados do SGDC.

Segundo Chenet, tais etapas devem ser concluídas ao longo de dois anos, com esforços também na formação de recursos humanos. "Essa metas deverão ser atingidas em dois anos, e a continuidade do processo será garantida pela criação da chamada Universidade do Ar dentro do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Trata-se de um Curso de Engenharia Aeroespacial especialmente formatado para gerar profissionais aptos a suportar operações de satélites no Brasil. Como exemplo, professores franceses virão ao Brasil compartilhar conhecimento com alunos brasileiros, auxiliando no processo de qualificação de pessoal para operações espaciais”.

O próximo passo

A TAS, dentro da parceria estabelecida com o Governo Brasileiro, e ciente da determinação deste em obter satélites de observação da Terra, está oferecendo soluções em duas fases, começando pelo satélite ótico de grande resolução, menos complexo de ser obtido inicialmente que os satélites radares, e capaz de atuar em missões como vigilância de fronteiras, controle ambiental, monitoramento de áreas críticas, entre outras.

De fato, a TAS tem afirmado que o Brasil pode se tornar um novo eixo de cooperação espacial, e o grupo francês não esconde seu interesse em obter melhores resultados que os auferidos pela parceria entre o Brasil e a China no programa CBERS. Todo o processo está sendo coordenado numa grande ação de governo a governo envolvendo pessoal altamente qualificado das duas partes, tanto na França como no Brasil, em tópicos como transferência de tecnologias sobre rádio definido por software utilizado no controle do satélite, ou o emprego da Constelação Copérnico de observação terrestre, já em órbita e operacional, para a cessão de dados de alta qualidade para o governo.

Fonte: Tecnologia & Defesa
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sábado, 25 de abril de 2015

Tecnologia & Defesa n.º 140

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Já está nas bancas a mais recente edição da revista Tecnologia & Defesa, a mais tradicional publicação sobre os setores aeroespacial e de defesa na América Latina.

Lançado durante a LAAD Defence & Security, que aconteceu no Rio de Janeiro entre 14 e 17 de abril, o novo número traz mais de 230 páginas de conteúdo exclusivo sobre temas variados. Sempre abordando a temática espacial, a edição n.º 140 conta com reportagens sobre sensoriamento remoto por satélites radar, e um panorama sobre a empresa italiana Telespazio.

Principais conteúdos da edição:

- Exportação de material de defesa e segurança pelo Brasil
- Panorama dos Exércitos da América do Sul
- Entrevista com Jackson Schneider, presidente da Embraer Defesa e Segurança
- Fuzis militares brasileiros
- Gripen BR: as opções de armamentos
- Coluna Defesa & Negócios
- E muito mais!
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sexta-feira, 24 de abril de 2015

XVII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto

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SBSR recebe especialistas de vários países para discutir satélites e tecnologias de sensoriamento remoto

No Centro de Congressos de João Pessoa, Paraíba, de 25 e 29 de abril, o melhor da produção científica nacional recente nas áreas de sensoriamento remoto, geotecnologias e de suas aplicações integra a programação do XVII Simpósio Brasileiro de Sensoriamento Remoto (SBSR).

Serão apresentados 953 trabalhos distribuídos entre sessões técnicas orais e de painéis, além de uma centena de palestras e sessões temáticas com a participação de renomados pesquisadores de diversos países.

Promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Associação de Especialistas Latinoamericanos em Sensoriamento Remoto (SELPER), o SBSR a cada dois anos reúne a comunidade técnico-científica e o usuário empresarial para compartilhar experiências e discutir resultados de pesquisas, o desenvolvimento tecnológico, o ensino e a política científica realizados no país e no mundo neste setor.

As atividades desta edição iniciam com nove cursos em diferentes áreas ministrados durante todo o sábado e domingo. A abertura oficial do evento acontece às 19h30 de domingo (26), com a presença de Leonel Perondi, diretor do INPE, entre outras autoridades. Na ocasião, também será inaugurada a Exposição Técnica, espaço onde empresas e instituições governamentais apresentarão seus principais produtos e novidades sobre tecnologias relacionadas a satélites e geoprocessamento.

O evento terá a participação de 47 pesquisadores convidados de outros países. Muitos atuarão como coordenadores de sessões especiais e temáticas, bem como instrutores em alguns dos cursos. “Assim os participantes do simpósio poderão adquirir profundo conhecimento nos temas e metodologias de relevância internacional, aumentando sua competitividade profissional”, dizem Douglas Gherardi e Luiz Aragão, pesquisadores do INPE que coordenam o XVII SBSR.

As sessões especiais acontecem nas manhãs de segunda a quarta-feira (27 a 29) para debater assuntos de grande impacto como missões espaciais, temas ligados às mudanças climáticas e à fronteira tecnológica da análise de grandes bases de dados.

O período da tarde será dedicado a sessões temáticas sobre novas tecnologias, VANTs, satélites CBERS, monitoramento do meio ambiente, da exploração petrolífera, meteorologia, entre outros assuntos.

Especialmente no Brasil, um país de proporções continentais, o sensoriamento remoto é utilizado no levantamento de recursos naturais e no monitoramento do meio ambiente visando ao desenvolvimento econômico e social. A observação de grandes áreas com sensores embarcados em satélites é mais eficiente, rápida e barata, tornando o sensoriamento remoto a ferramenta ideal para monitorar desmatamentos, queimadas, a expansão das cidades, safras agrícolas, o nível de rios e reservatórios, entre outros.

Mais informações e a programação completa do SBSR estão no site www.dsr.inpe.br/sbsr2015

Fonte: INPE
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Pesquisas em propulsão elétrica na UnB

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Ciência sem Fronteiras traz especialista em Astronáutica para UnB

Brasília, 24 de abril de 2015 – O pesquisador Stephen Gabriel, da Universidade de Southampton, na Inglaterra, foi recebido na quinta-feira (23) pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho. Gabriel está no Brasil como integrante do programa Ciência Sem Fronteiras Espacial (CsF Espacial).

O pesquisador desenvolverá no Campus Gama, da Universidade de Brasília (UnB) pesquisas no campo de propulsão elétrica.

O estudo que será desenvolvido em parceria com o professor Paolo Gessini, está relacionado ao uso dos cátodos ocos, dispositivos que fornecem de forma eficiente alta densidade de corrente de elétrons. Gabriel e Gessini buscam gerar protótipos de um propulsor com potência de 100 watts para o lançamento de nanossatélites e cubesats.

“Os cubesats foram desenvolvidos há 20 anos e os nanossatélites há pouco mais que 15, eles permitem maior flexibilidade de aplicações” diz Gabrie. “Há empresas investindo na formação de constelações com pequenos satélites e desenvolver um propulsor de baixo custo fortalece o crescimento desta tecnologia” complementa Gessini.

Segundo ele, o projeto terá duração de três anos. O laboratório no Campus Gama será montado até o fim deste ano e os testes com os protótipos estão programados para 2016 e 2017.

Fonte: AEB
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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Airbus: oferta de imagens de satélite em alta resolução

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Airbus Defence and Space apresenta seu portfólio para captação de imagens de alta resolução a Ministérios

Com o modelo de projeto proposto, as esferas federal, estadual e municipal terão acesso as imagens adquiridas evitando compras duplicadas

Brasília, 23 de abril de 2015 - A Airbus Defence and Space, por meio da linha de negócios Geo Intelligence, reuniu ontem (22) em Brasília representantes de 15 ministérios do Governo Federal. Na ocasião, foi apresentada a Ata de Registro de Preços do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão para fornecimento de imagens de satélite em alta resolução.

Mais de 50 pessoas assistiram às apresentações de executivos do Airbus Group e da Hiparc, distribuidora oficial do Grupo no Brasil. “Para nós é uma honra participar deste novo passo do Governo Federal. A Airbus Defence and Space está preparada para atender às demandas de Ministérios, Governos Estaduais e administrações municipais”, afirmou Pierre Duquesne, responsável pela área de Geo Intelligence no País.

Durante o evento, que discutiu questões técnicas como, nível de precisão das imagens, pedidos mínimos, prazo para entrega, entre outras, os executivos apresentaram funcionalidades, avanços e capacidade dos quatro satélites disponíveis para captação de imagens. São eles: dois Pleiades, além dos Spot 6 e Spot 7. Juntos, os equipamentos são capazes de cobrir toda a superfície terrestre.

“Os satélites Spot 6 e Spot 7, por exemplo, levam em conta até quatro previsões meteorológicas para um mesmo dia. Isto nos permite otimizar a programação do satélite para captação de imagens e, consequentemente, elevar o nível de nosso acervo”, explicou Jerome Soubirane, Chefe de Produtos do Departamento de Defence and Space. “O nível de detalhamento das imagens possibilita fazer o acompanhamento de mudanças em regiões específicas, como no caso de desastres naturais, por exemplo”, completou Vanessa Casals, também integrante do Departamento de Produtos.

Além da requisição de imagens em alta resolução de uma determinada região, os órgãos do Governo poderão ter acesso ao acervo já existente da Airbus Defence and Space. Com este modelo de projeto, o Governo Federal terá um ganho em organização e redução de custos. A partir de agora, a imagem adquirida por um órgão estará disponível para que todas as esferas do governo tenham acesso, evitando que o mesmo produto seja comprado mais de uma vez.

Fonte: Airbus Defence and Space.
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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Brasil e China concluem proposta do CBERS-4A

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Brasil e China concluem proposta do CBERS-4A

Quarta-feira, 22 de Abril de 2015 

A proposta técnica do satélite CBERS-4A, para lançamento em 2018, foi apresentada a dirigentes da Administração Nacional do Espaço da China (CNSA) e da Agência Espacial Brasileira (AEB) nesta segunda-feira (20/4) durante reunião no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP).

No Brasil, o desenvolvimento do programa CBERS cabe ao INPE. “Finalizamos os estudos do satélite em conjunto com a CAST (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, responsável pelo programa na China) e iniciaremos as discussões do projeto detalhado. Após a análise dos governos de ambos os países, será apresentado um protocolo complementar para incluir a missão CBERS-4A no acordo bilateral entre Brasil e China”, informa Leonel Perondi, diretor do INPE.

O programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite) fornece imagens de satélites para monitorar o meio ambiente, verificar desmatamentos, desastres naturais, a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações.

O acordo entre Brasil e China permite a distribuição global dos dados CBERS, com o objetivo de proporcionar a países em desenvolvimento os benefícios do uso de imagens de satélites. “Queremos o CBERS para o mundo. Este é o sentido desta parceria”, disse José Raimundo Braga Coelho, presidente da AEB.

Wu Yanhua, vice-administrador da CNSA, destacou o CBERS como um exemplo bem-sucedido de cooperação Sul-Sul em matéria de alta tecnologia. “O programa é muito importante para a parceria estratégica entre o Brasil e a China”, afirmou o dirigente chinês.

O CBERS-4, lançado com sucesso em dezembro de 2014, tem vida útil estimada em três anos. O novo satélite deve garantir a continuidade do fornecimento de imagens aos usuários dos dados CBERS, cada vez mais numerosos.

Segundo Perondi, o INPE e a CAST também devem apresentar no final do ano o projeto técnico para uma nova família de satélites de observação da Terra (CBERS-5 e 6, mais avançados do que os anteriores), visando a continuidade do programa.

CBERS-4A

O CBERS-4A será equipado com cargas úteis fornecidas pelo Brasil e pela China - a divisão de responsabilidade no desenvolvimento do satélite será de 50% para cada país. De acordo com a proposta, o Brasil deve fornecer as câmeras MUX e WFI – que já equiparam os CBERS-3 e 4 - e o Sistema de Coleta de Dados. A China deve incluir uma câmera de alta resolução (HRC).

O INPE realiza o programa CBERS em parceria com empresas brasileiras, conforme sua política voltada à capacitação da indústria nacional. Construída pela Opto Eletrônica, a MUX é a primeira câmera para satélite inteiramente desenvolvida e produzida no Brasil. Trata-se de uma câmera multiespectral com quatro bandas para cobrir a faixa de comprimento de onda do azul para o infravermelho próximo (a partir de 450 nm a 890 nm) com uma resolução de 20 m no solo e uma largura de faixa terreno de 120 km.

A WFI é uma versão avançada do instrumento desenvolvido para os CBERS-1 e 2, com quatro bandas espectrais e resolução no solo de 64 m no nadir e uma faixa de 866 km. A câmera fornece uma resolução espacial melhorada em comparação com os sensores a bordo do CBERS-1 e CBERS-2 (260 m em missões anteriores), mantendo, no entanto, sua alta resolução temporal de 5 dias. A WFI foi construída através de um consórcio formado pela Opto Eletrônica e Equatorial Sistemas.

Mais informações: www.cbers.inpe.br

Fonte: INPE
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LAAD 2015: ACS, Programa Espacial, EUA

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A edição desta semana da publicação especializada Space News traz duas interessantes reportagens sobre o Programa Espacial Brasileiro. De autoria do experiente Peter Selding, os textos foram preparados com base em entrevistas e informações coletadas durante a LAAD Defence & Security, feira realizada no Rio de Janeiro (RJ) durante a semana passada.

Um dos textos (“Brazil Pulling Out of Ukrainian Launcher Project”) trata da atual situação da binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), aproveitando-se de informações que já haviam sido divulgadas em reportagens da imprensa brasileira nas últimas semanas. A novidade foi a citação de declarações dadas por Petrônio Noronha de Souza, diretor da Agência Espacial Brasileira (AEB) - a primeira vez que uma autoridade se pronuncia oficialmente a respeito (curiosamente, para um veículo estrangeiro e não brasileiro, apesar de diversas tentativas por parte da imprensa brasileira). “É um acúmulo de coisas” (uma tradução rápida de “It is an accumulation of issues”), afirmou Noronha, destacando problemas com orçamento, aspectos tecnológicos, relacionamento entre o Brasil e a Ucrânia e o mercado disponível para exportação.

Nos bastidores, comenta-se sobre a disposição do lado ucraniano em pleitear uma indenização em razão do cancelamento do projeto nacional; a cifra ouvida pelo blog gira em torno de R$800 milhões.

A outra reportagem, intitulada “Brazil Bypassing the U.S. as It Builds out a Space Sector”, aborda o suposto direcionamento dado pelo governo brasileiro a parcerias com determinados países, como China (CBERS), Alemanha (VSB-30, VLM), Argentina (SABIA-MAR) e Franca (SGDC), ignorando os EUA. Apesar de interessante, a análise do autor é um pouco superficial, ignorando alguns itens importantes.

Muito embora não haja um grande projeto espacial conjunto entre o Brasil e os EUA, não se pode ignorar a dependência brasileira de meios norte-americanos para atividades críticas, como o monitoramento do desmatamento da Amazônia (Landsat) e previsões meteorológicas (satélites GOES). Os EUA ainda exercem papel importante na formação de recursos humanos para o Programa Espacial Brasileiro, e em pesquisas envolvendo aplicações de dados espaciais. Ainda, cite-se o fato de que o SGDC não e um satélite ITAR-free (isto é, contém componentes, inclusive críticos, de origem norte-americana), tanto no segmento espacial como terrestre, e algumas iniciativas de menor porte - mas com importante significado, no campo de cubesats (inclusive envolvendo as forças armadas).

O último parágrafo da reportagem tem uma citação interessante e parcialmente verdadeira, creditada a um executivo (não identificado) de uma companhia europeia fabricante de satélites. “O modelo para o espaço [buscado pelo Brasil] é o modelo da Embraer”. Disto deveria surgir o seguinte questionamento: a Embraer chegou ao que é hoje “ignorando” os Estados Unidos?
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segunda-feira, 20 de abril de 2015

LAAD 2015: MDA - estratégia para o mercado brasileiro

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Tecnologia & Defesa entrevistou Paulo Bezerra, Diretor Sênior de Desenvolvimento Estratégico da companhia canadense MDA sobre seus negócios e planos para o Brasil. Veja a seguir.

O senhor poderia nos dar um panorama sobre o grupo MDA e suas principais unidades de negócios?

A MDA é uma empresa global de comunicações e informações que oferece soluções para organizações comerciais e governamentais em todo o mundo. Os negócios da MDA estão focados em dois mercados principais, o de Comunicações, e o de Vigilância e Inteligência.

Para o mercado de Comunicações a MDA oferece soluções espaciais para entrega eficiente em termos de custos de sinais de TV, rádio, voz, internet e aplicações móveis.

As ofertas da companhia em Vigilância e Inteligência incluem soluções finais para monitoramento e gerenciamento de mudanças e atividades em todo o globo, apoiando uma ampla gama de aplicações de vigilância e reconhecimento, monitoramentos de recursos naturais e agricultura, detecção e monitoramento de poluição, mapeamento e apoio a decisão para a comunidade de inteligência e defesa. A MDA apoia outros mercados com tecnologia avançada em áreas de complexos sistemas de informações, robótica terrestre, sistemas aeronáuticos e serviços, e serviços de veículos aéreos não tripulados.

Fundada em 1969, a MDA cresceu de dois empregados para mais de 4.800 colaboradores em 11 localidades no Canadá, Estados Unidos e instalações no exterior. A companhia tem receitas anuais de cerca de 2,1 bilhões de dólares canadenses (2014), com 29 anos de lucratividade, dados de dezembro de 2014.

A MDA é um nome tradicional no mercado global de observação terrestre com suas capacidades em radar. Qual é a presença da companhia no Brasil neste campo? Vocês veem outras oportunidades locais num futuro próximo?

A MDA é bem conhecida, de fato, por causa de nosso posicionamento histórico como líder mundial em satélites radar. Desde a fundação da companhia, temos sido um player dominante no mercado global de estações terrestres de satélites, e nos movemos para não apenas atuar como "prime contractor" de satélites radares inteiros, mas também para controlar e operar o RADARSAT-2 por meio de uma colaboração como uma parceria público-privada (PPP) única com o governo canadense. Nós assomos assim uma líder mundial na produção e comercialização de imagens radar por satélite e serviços de valor adicionado derivados destas imagens para clientes governamentais e comerciais em todo o mundo. No final, a MDA está inteiramente verticalmente integrada nos negócios de satélites radar.

Adicionalmente, a MDA tem experiência significativa com missões de satélites eletro-óticos, tendo atuado como "prime contractor" para a constelação RapidEye e como fabricante da plataforma e integrador final da constelação Skybox.

Em relação ao mercado de observação terrestre brasileiro, a MDA tem uma longa história com a sua participação no programa SIVAM fornecendo os radares embarcados de imageamento para as aeronaves R-99, da Força Aérea, assim como estações terrestres de satélites para o INPE. Nós também temos fornecido imagens radar para companhias de petróleo por mais de 16 anos para o monitoramento de vazamentos offshore de petróleo, assim como fornecemos imagens para o CENSIPAM para o monitoramento da Amazônia.

Olhando para o futuro, vemos que as características do Brasil, não apenas o tamanho do país, suas fronteiras terrestres e zonas marítimas econômicas exclusivas, mas também pela importância estratégica da Amazônia, a necessidade de gerenciar recursos naturais e desastres, tornam o uso de satélites de importância fundamental para o Brasil. Espera-se, assim, que a demanda por produtos de observação terrestre, tanto de clientes governamentais como privados, cresça substancialmente no Brasil, levando a um aumento de oportunidades para o fornecimento de imagens de satélites comerciais e serviços de valor adicionado, e também de missões completas de satélites e/ou subsistemas.

Dentro deste cenário, a MDA está comprometida com uma estratégia de longo prazo que inclui a instalação de uma presença industrial permanente no Brasil e a criação de parcerias estratégicas com empresas brasileiras.

A MDA possui a fabricante de satélites SSL, que está fornecendo dois satélites de comunicações para a brasileira Embratel StarOne. Qual é sua visão sobre o mercado local de comunicações por satélite e também sobre outras oportunidades, especialmente nos segmentos governamental e militar?

A Space Systems/Loral (SSL) está atualmente fabricando dois satélites para a StarOne: c4 e D1. O C4 está previsto para ser lançado em julho e será o 50º satélite construído pela SSL lançado pela Arianespace. Nós esperamos celebrar este evento.

Em termos de demanda em geral, nós observamos que o mercado comercial de comunicações por satélite é muito dinâmico na região e que nos últimos vinte anos esta demanda nunca parou de crescer. Acredita-se que esta tendência continuará. Hoje, analistas da indústria dizem que haverá um forte crescimento na demanda por satélite de alta capacidade de transmissão de dados na América Latina em geral ao longo dos próximos dez anos e que isto será direcionado tanto para demanda por consumidores por acesso a banda larga, assim como aplicações empresariais como backhaul celular e redes privadas de negócios.

Em relação ao segmento governamental e militar, o governo brasileiro adquiriu, por meio de uma joint-venture entre a Embraer e a Telebrás, a Visiona, um primeiro satélite denominado SGDC-1 para banda larga e comunicações militares. O SGDC-1 está atualmente em construção. Adicionalmente, documentos públicos liberados pelo governo mostram planos iniciais para a contratação do SGDC-2 em 2019. Não se sabe, no atual estágio, se o governo manterá ou antecipará estes planos.

Em uma conferência com investidores em 25 de fevereiro, Daniel Friedmann, diretor-presidente da MDA afirmou que a empresa está estabelecendo uma joint venture no Brasil. É também conhecido publicamente que o grupo está participando da concorrência para o projeto do SisGAAz integrando um consórcio liderado pela Odebrecht Defesa e Tecnologia. Qual é o propósito desta joint venture e qual é o envolvimento da MDA com a proposta para o SisGAAz?

A MDA entende que para penetrar o mercado brasileiro, há a necessidade de uma estratégia de dois eixos: estabelecer uma presença permanente no Brasil, e encontrar parceiros locais, os estratégicos para programas grandes e complexos, e comerciais, industriais e tecnológicos para programas menores, numa base caso a caso. Como explicado por nosso diretor-presidente em conferência com investidores em 25 de fevereiro, nós planejamos criar joint-ventures com nossos parceiros no Brasil, com as estruturas e cronogramas sendo dirigidas por programas específicos que elas pretendam atender.

Especificamente em com relação ao SisGAAz, a MDA submeteu uma proposta para o projeto como parte do consórcio que tem como líder a Odebrecht Defesa e Tecnologia. Nós vemos esta parceria como uma excelente combinação, uma vez que a MDA traz ao Brasil seu conhecimento já comprovado em gestão de programas e engenharia de sistemas complexos de defesa, e o Grupo Odebrecht tem uma grande credibilidade não apenas como uma empresa de engenharia no Brasil, mas também como líder do mais complexo programa da Marinha do Brasil atualmente em andamento, o PROSUB.

Crédito: Tecnologia & Defesa / Official Show Daily.
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sábado, 18 de abril de 2015

LAAD 2015: Airbus Group - Brasil é estratégico

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Airbus Group - Brasil é estratégico

O grupo europeu Airbus compareceu a mais uma edição da LAAD Defence & Security, realizada entre 14 e 17 de abril, apresentando a sua nova marca e organização, após a restruturação da então EADS em janeiro de 2014.

"Nós estamos comprometidos a ficar no Brasil", afirmou Alberto Robles, head para a América Latina, ao destacar a Helibras como o melhor exemplo de investimento direto no País. Robles também frisou a busca do grupo por novas parcerias e formas de cooperação com a indústria local, em especial, a Embraer. A unidade Airbus Defence and Space integra o consórcio liderado pela Embraer Defesa & Segurança na concorrência do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), da Marinha do Brasil.

Executivos do grupo também destacaram iniciativas da Airbus no setor espacial, com a estratégia de "construir satélites no Brasil." Com uma base industrial já instalada em São José dos Campos (SP) - a Equatorial Sistemas - a empresa está atenta a oportunidades em observação terrestre, como o projeto da constelação Carponis, do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), tocado pelo Ministério da Defesa. Embora não tenha sido selecionada para fornecer o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), adquirido pela Visiona Tecnologia Espacial, a Airbus pretende participar de futuras concorrências. No âmbito comercial, disputa uma concorrência para um satélite geoestacionário promovida pela Embratel Star One.

Atualmente, a Airbus possui cerca de 1.400 colaboradores em sete países da América Latina, sendo 900 apenas no Brasil.

Crédito: Tecnologia & Defesa / Official Show Daily.
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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Cooperação Brasil - Rússia

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AEB: Parceria Brasil-Rússia na área espacial é bem-vinda

15.04.2015

A AEB – Agência Espacial Brasileira não tem em perspectiva, por enquanto, novos projetos que levem mais um brasileiro ao espaço. O primeiro caso de astronauta nacional, o do militar da FAB – Força Aérea Brasileira, Marcos Pontes, que embarcou, em 2006, num voo orbital para a Estação Espacial Internacional, tão cedo não deverá repetir-se.

A informação é do diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB, Petrônio Noronha de Souza, entrevistado no âmbito da LAAD – Defence & Security 2015 – Feira Internacional de Defesa e Segurança da América Latina, que se realiza no Rio de Janeiro. “Não vejo essa possibilidade, de outro homem ou mulher ser selecionado para treinamento em outro voo espacial, nem em curto nem em médio prazo”, diz o especialista.

Petrônio Noronha de Souza acredita que o único evento do gênero que está para ocorrer é o do estudante Pedro Nehme, que está sendo apoiado pela AEB nessa fase anterior ao voo, porém não se trata de um projeto financiado pela Agência Espacial Brasileira. “É um apoio mais técnico para que ele converse com pilotos, tenha a oportunidade de visitar centros de estudos, passe informações para os jovens, faça palestras. É um processo em que nós nos beneficiamos da informação, da divulgação, e ele se beneficia também das oportunidades que lhe são abertas.”

Neste mês de abril, Pedro Nehme vai para a Rússia participar de mais uma etapa do treinamento com exercícios de gravidade zero. Depois, escolhido num concurso patrocinado pela companhia holandesa KLM, em que venceu 130 mil concorrentes, Nehme fará um voo suborbital de uma hora na nave Lynx Mark II, da empresa XCOR Space Expeditions.

Na entrevista exclusiva para Sputnik, o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB falou também sobre as possibilidades de Rússia e Brasil realizarem um programa conjunto ou desenvolverem um veículo de lançamento de satélite, levando-se em conta o trágico acidente com o veículo lançador de satélite que explodiu no centro de lançamentos de Alcântara, no Maranhão.

Desde então, segundo Petrônio Noronha, houve várias iniciativas por parte do Governo russo, através da empresa Roscosmos, em auxiliar o Brasil na reconstrução da base ou ainda em ajudar a desenvolver um satélite lançador em parceria, mas a ideia não se concretizou. Em seguida, no entanto, ocorreu uma parceria do Brasil com a Ucrânia no desenvolvimento do Centro de Lançamento em Alcântara.

Petrônio Noronha de Souza explica que depois do acidente ocorreu um contato entre autoridades brasileiras e russas, com apoio importante por parte de técnicos russos, naquela época, para a revisão do projeto, que continua em atividade.

Já o acordo com a Ucrânia para o desenvolvimento do Centro de Lançamento e, simultaneamente, do lançador no Projeto Cyclone-4, ocorreu um tempo depois, porém, não eliminou o projeto do VLS – o Veículo Lançador de Satélites. “O VLS continua sendo conduzido como um projeto exclusivamente nacional. Temos a questão quanto a continuidade ou não do acordo com a Ucrânia, e não há no momento negociações em prol de um desenvolvimento comum, de um lançador ou aperfeiçoamento de algum lançador já pré-existente a ser realizado por brasileiros e russos. Não podemos descartar essa possibilidade, até porque a colaboração com os russos não desapareceu totalmente. Nós ainda temos intercâmbio de pessoas, estudantes brasileiros que se deslocam e recebem formação lá na Rússia.”

Petrônio Noronha destaca ainda a parceria que vem ocorrendo com os russos no desenvolvimento das estações do Glonass (Sistema de Navegação Global por Satélite), em que há uma instalação na Universidade de Brasília, e que futuramente pode se desenvolver. “Eu acho que devem ser instaladas estações terrenas para o sistema Glonass. É uma agenda de trabalho conjunta entre acadêmicos e técnicos brasileiros e russos, e eventualmente isso poderá crescer mais adiante. Eu diria que nós veremos, sem que leve muito tempo, algumas modificações no panorama ou no cenário do desenvolvimento de lançadores aqui no Brasil.”

Na visão do diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da Agência Espacial Brasileira as parcerias internacionais são bem-vindas. Já existe, por exemplo, o chamado VLM – Veículo Lançador para Micro-Satélites, desenvolvido em colaboração com a Alemanha. Existe ainda um programa de sucesso de lançamento de cargas úteis para microgravidade na Europa, onde a parte experimental é feita pelos alemães e a parte dos propulsores, que é chamada de VSB-30, é um foguete brasileiro.”Não descartamos a colaboração internacional. Eu diria que a possibilidade existe, sim, de algo se materializar com a Rússia, mas no momento nada está sendo negociado – algo ainda a ser construído.”

O especialista comentou ainda sobre um possível interesse do Governo brasileiro num projeto russo, chamado Lançamentos Marítimos, para se fazer uma espécie de cosmódromo, um ponto de lançamento flutuante numa plataforma em alto-mar, aproveitando a extensa costa brasileira, com latitudes bem próximas à linha do equador, o que proporcionaria maior carga útil dos satélites.

Segundo ele, especificamente quanto a esse projeto russo, a Agência Espacial Brasileira não tem informações, porém o Centro de Lançamentos de Alcântara, que fica no litoral, próximo à linha do equador, tem uma posição bastante privilegiada e sem dúvida é uma opção para esse sistema de lançamento marítimo. “Já existe um sistema desenvolvido no passado com a participação de americanos, noruegueses, russos e ucranianos, chamado de Sea Lounge, que operou na costa da Califórnia por muitos anos, mas era uma longa viagem à linha do equador”, diz Petrônio Noronha. “No caso de Alcântara, a linha do equador está ao lado, quase nenhum deslocamento se faz necessário. É uma ideia bastante interessante, mas não é um projeto simples. É um projeto que envolve várias nações, toda a questão de legislação internacional, as questões de segurança, ambientais e comerciais, ou seja, é um enorme desafio. Cabe às nossas autoridades trabalhar para verificar se isso consegue ser materializado ou não.”

Fonte: Sputnik Brasil
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