quinta-feira, 28 de julho de 2016

Estágio de estudantes da UnB na França

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Estudantes da UnB são selecionados para estágio na área espacial na França

28/07/2016

Os estudantes do 9º semestre de Engenharia Aeroespacial da UnB Igor Kinoshita, Lucas Brasileiro e Sebastião Roni estão de malas prontas para um ano de estudos e estágio em um dos mais importantes centros de pesquisa do mundo na área aeroespacial, o Instituto Superior de Aeronáutica e do Espaço (ISAE), em Toulouse, na França.

“O ISAE Supaero faz parte do maior polo aeroespacial da Europa, sendo o segundo do mundo”, destacam os futuros engenheiros. “É mais uma conquista para o curso de Engenharia Aeroespacial da UnB. A responsabilidade de estar lá representando a Universidade é grande”, dizem.

Segundo eles, foram selecionados estudantes do mundo inteiro. O resultado da seleção saiu em maio. Igor e Sebastião viajam no final deste mês e Lucas, no início de agosto, quando termina a última sessão de radioterapia. “Soube que havia sido selecionado ainda no hospital”, conta o estudante, que luta para vencer um câncer descoberto em abril deste ano.

O intercâmbio faz parte de acordo de cooperação assinado em 2014 com o governo francês. No Brasil, a Agência Espacial Brasileira (AEB), a UnB e o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) participam do programa que envolve duas grandes empresas de fabricação de aviões e sistemas espaciais, a Airbus e a Astrium.

“O campo de atuação do engenheiro aeroespacial é amplo”, observa Lucas. O profissional desta área está preparado para projetar aviões e foguetes, por exemplo. “Também há engenheiros aeroespaciais na indústria automotiva e no mercado financeiro”, cita.

“Nosso sonho, no entanto, desde criança, é desbravar o espaço”, dizem em coro. Atingir esse objetivo, segundo eles, não é fácil. Até hoje, apenas um brasileiro conseguiu o feito, o astronauta Marcos Pontes. “Estamos dispostos a explorar o desconhecido. É desafiador.”

“Sempre soube que queria fazer Engenharia”, diz o paulista Igor Kinoshita, 21 anos. “Quando era criança, desmontava aparelhos e brinquedos, e pesquisava sobre a vida de piloto. Passava horas admirando as imagens de foguetes e planetas que via nas revistas que um tio trazia do Japão.” Igor pretende estudar sinais e sistemas no instituto francês.

O baiano Sebastião Roni, 24 anos, relata o mesmo fascínio. “Gostava de engenharia e tinha muita curiosidade sobre o espaço.” Ele aproveita a oportunidade na França para se especializar em mecânica dos fluidos.

Lucas Brasileiro, 27 anos, lembra dos aviões da Força Aérea Brasileira. “Meu pai é cirurgião dentista da FAB e lembro que eu ficava olhando as aeronaves quando ia visitá-lo no trabalho”, conta. Durante o programa, o brasiliense irá se concentrar no estudo de estruturas.

Engenharia Aeroespacial – Criado em 2012, o curso de Engenharia Aeroespacial da UnB comemora realizações, como o lançamento de satélites e o acordo de cooperação com o polo espacial francês.

Com um corpo docente de jovens especialistas, dois terços dos professores são estrangeiros. Há ucranianos, italianos, um alemão, um sul-coreano e um francês pesquisando no campus da UnB no Gama.

Entre os pesquisadores brasileiros está o professor Sérgio Carneiro, que ajudou a desenvolver no Brasil a aeronave cargueira KC-390 da FAB. “Apesar de novo, o curso tem várias conquistas”, orgulha-se Igor Kinoshita.

Fonte: UnB, via AEB.
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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Cooperação México - Índia

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As agências espaciais do México (AEM) e da Índia (ISRO) firmaram na semana passada um acordo de cooperação para as áreas espacial, monitoramento terrestre, clima e meio ambiente.

O acordo abrange iniciativas conjuntas com ênfase em sistemas de alerta antecipado de desastres naturais por meio de uso de dados de satélites, área em que a Índia possui reconhecida capacidade. Outros tópicos de cooperação também estão dentro do escopo do acordo, como uso de imagens de satélites, inclusive radar, para a detecção de incêndios florestais, elaboração de mapas baseados em dados de satélites e monitoramento de secas.
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quarta-feira, 20 de julho de 2016

"Um pioneiro da privatização das riquezas do espaço", artigo de José Monserrat Filho

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Um pioneiro da privatização das riquezas do espaço

José Monserrat Filho *

“A regra universalmente aceita é de que o que é bom para os negócios é bom para os Estados Unidos e para todo o mundo.” Veríssimo, Desperdício, 17 de julho de 2016

A revista Science, de 11 de julho, publica o segundo personagem da série “Carreiras clandestinas”, assinada pela jornalista de ciências Alaina G. Levine, que destaca cientistas norte-americanos que tomaram “rumos especialmente incomuns”.

O personagem é Chris Lewicki, de 42 anos, com Mestrado em Engenharia Aeroespacial pela Universidade de Arizona, ex-diretor de voo dos carros robôs Spirit e Opportunity e ex-gestor da Missão Phoenix, das operações da Nasa em Marte. Naquela época, aprendeu a lidar com ampla gama de problemas técnicos, habilitou-se em guidance espacial, telemetria e comunicações, e desenvolveu uma visão de negócios em gerenciamento de projetos, formação de equipes e liderança.

Menino fissurado pelo Cosmos, passava noites digitalizando o céu limpo de sua terra natal, no norte de Wisconsin. Seu primeiro sonho, claro, foi ser astronauta. Mas isso, reconhece ele agora, foi bem mais “um investimento” para o que viria a ser “um tiro de longo alcance”.

Hoje é Presidente e Engenheiro-Chefe da Planetary Resources Inc., fundada em 2010 e renomeada em 2012, uma das empresas norte-americanas de mineração espacial que fizeram intenso lobby e foram beneficiadas pela lei HR 2262 (U.S. Commercial Space Launch Competitiveness Act), sancionada pelo Presidente Barack Obama em 25 de novembro de 2015, estabelecendo, entre outras coisas, o direito de propriedade privada para as empresas dos Estados Unidos (EUA) sobre os recursos naturais (sobetudo minerais) que elas extraírem de corpos celestes, como a Lua e asteroides. Parece querer acelerar o processo de privatização das riquezas espaciais.

A lei também é incomum. Nesta lei nacional dos EUA, a parte dedicada aos recursos naturais do espaço foi adotada para ser aplicada em asteroides e outros corpos celestes, que não são território nem jurisdição norte-americana – são bens comuns da humanidade. Mas sobre a polêmica e crucial questão jurídica nada mencionam nem o personagem, nem a jornalista.

Alaina Levine compara Chris Lewicki aos pioneiros que vieram explorar a América do Norte, trazendo “serras, sabres e picaretas para derrubar árvores, erguer abrigos, caçar comida e minerar a terra”. Por seu vez, “Chris Lewicki, em veia similar, conduz sua própria equipe de vagões cobertos – através do espaço, para minerar recursos que sobraram do nascimento do sistema solar.” A jornalista não fala em aventura e heroismo, mas tais imagens ficam bem sugeridas.

Alaina afirma que tarefa de Chris Lewicki é “identificar como os materiais de asteroides próximos da Terra – ou seja, metais e água – poderão ser usados um dia para facilitar missões e viagens espaciais de longa distância, e até mesmo para salvar os recursos sobreutilizados da Terra”.

Há controvérsias: os minerais dos asteroides virão salvar, substituir ou concorrer com os minerais da terra? O assunto já começa a preocupar empresas mineradoras de vários países. Afinal, os minerais extraídos do espaço poderão pousar aqui como um negócio altamente competitivo. Eles têm chance de dominar o mercado terrestre? Quem engulirá quem?

Conta Alaina que “Lewicki e sua equipe operam dentro do movimento emergente chamado 'Novo Espaço', no qual as empresas aeroespaciais trabalham para desenvolver serviços de turismo espacial ou tecnologias subjacentes a baixo custo. A mineração de recursos de asteroides é um aspecto importante desse esforço.” Não seria seu aspecto mais importante, já que seu resultado está estimada em trilhões de dólares? Quando o turismo espacial poderá alcançar essa fortuna?

Para Lewicki, "em toda nossa história de exploração do espaço, sempre trazemos tudo o que é preciso na viagem”. Daí que, frisa ele, o aproveitamento dos recursos abundantes de asteroides próximos da Terra permitirá “a criação de infraestrutura e indústrias no espaço, sem depender das remessas contínuas da Terra”. Ou seja, um negócio bem mais econômico e rentável.

Aliás, Lewicki responde não só por buscar novas tecnologias e avanços científicos para sua empresa minerar asteroides, mas sobretudo por convencer investidores a apostarem no negócio. A participação de poderosos financistas é vital para o êxito do ambicioso projeto. Eles são considerados os donos do mundo atual, pois compõem o 1% mais rico, como informa Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia, em seu novo livro O Grande Abismo – Sociedades Desiguais e o que Podemos Fazer sobre Isso, recém publicado no Brasil.

Os empresários Peter Diamandis e Eric C. Anderson, fundadores e donos da Planetary Resources Inc., que conhecem Lewicki desde o curso secundário, contrataram-no “para levar a empresa adiante na próxima década”. Diamandis elogia Lewicki como “um grande misto de engenheiro de classe mundial, líder inspirador e pensador estratégico”. Que Lewicki tem todo o jeito de “pensador estratégico”, não parece haver dúvida. Resta saber em que tipo de interesses e ambições essa cabeça privilegiada está empregando o seu talento.

Diz a jornalista: A tarefa de Lewicki é “monumental”, mas ele é “destemido”. Além de cuidar das operações do dia a dia da Planetary Resources Inc., ele angaria investimentos, negocia com governo e o Congresso dos EUA e de outros países, com a Nasa, com outras companhias de mineração e empresas de software. Ele conversou várias vezes com deputados e senadores norte-americanos, fortalecendo o lobby para lograr a aprovação da Lei que acabou assinada por Obama, no final de 2015. Neste ano, concluiu acordo com o Governo de Luxemburgo para abrir um escritório também naquele país europeu, que está muito interessado em criar uma lei similar a dos EUA em favor das empresas de mineração no espaço. Em suma, ele também faz muita política, “para desenvolver um quadro político que começa a antecipar o avanço deste setor”.

Em outras palavras, ele se empenha em convencer os governo de muitos países ao redor do planeta que a mineração de asteroides por empresas privadas é um bom negócio para todo o mundo.

“Apesar de toda sua carreira ter se concentrado em olhar o céu e perseguir grandes ambições, Lewicki tem boa parte de suas motivações sediada aqui na terra mesmo”, destaca a jornalista. Ele ousa sustentar uma tese em causa própria: na Terra, “há tantos recursos para sair por aí, que devemos parar de usá-los” (“there are only so many resources [on Earth] to go around, and we have to stop using them”). Não é preciso dizer que, com essa declaração, mesmo que não o queira, ele está recomendando o uso de recursos do espaço, que empresas como a dele pretendem extrair dos asteroides e trazer para vender aqui na Terra.

Encerrando a entrevista, Lewicki proclama que seu negócio chegou para salvar o planeta: “O que há logo ali nos asteroides próximos da Terra pode sustentar o resto da civilização humana durante toda a vida do Sol... Esta é a nossa oportunidade de proteger o nosso planeta, o único lugar que vai ser a nossa nave espacial ainda por muito, muito tempo.”

Em honra a Lewicki, já se conseguiu nos EUA dar seu nome a um asteroide.

Será justa essa homenagem? Será real o que ele proclama? Qual é sua efetiva contribuição à ciência e à tecnologia espaciais em benefício da humanidade? Isso importa mesmo ou esta é apenas a construção de uma celebridade conveniente (e nada clandestina) no país mais rico e poderoso do mundo?

* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e ex-Chefe da Assessoria Internacional do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Agência Espacial Brasileira (AEB). E-mail: jose.monserrat.filho@gmail.com.
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AEB e MCTIC discutem Programa Espacial

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Subsecretários do MCTIC discutem metas para o Programa Espacial

20/07/2016

A Agência Espacial Brasileira (AEB) recebeu, na última quinta-feira (14.07), a visita dos subsecretários da área de Planejamento, Orçamento e Administração do Ministério da Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Alfonso Neto e Carlos Fortner. Durante o encontro, o presidente da AEB, José Raimundo Coelho e os diretores da Agência apresentaram os projetos e atividades desenvolvidos pelo Programa Espacial Brasileiro.

Foi feita uma síntese sobre o processo histórico e as iniciativas que estabeleceram o Programa Espacial no Brasil. Aos subsecretários foi apresentado o planejamento e as metas do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), para o período 2016 a 2019.

O Centro Vocacional Tecnológico Espacial (CVT), voltado para atividades tecnológicas e educacionais, também foi abordado na reunião. Em fase de implementação no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Parnamirim (RN), o Centro Espacial deve ser inaugurado nos próximos meses. A estrutura, organização e orçamento da Agência também foram temas tratados pelo presidente e diretores.

De acordo com José Raimundo Coelho, a vinda dos subsecretários foi uma boa oportunidade para esclarecer e discutir as questões relacionadas à gestão e governança da AEB no âmbito do PNAE.

No dia 7 de julho a AEB também recebeu a visita do Subsecretário de Coordenação das Unidades de Pesquisa do Ministério da Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações do MCTIC, Paulo Pertusi. As políticas, projetos, atores e desafios da AEB também foram questões apresentadas e discutidas com o subsecretário

Fonte: AEB
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sábado, 16 de julho de 2016

Centro Regional da Amazônia realiza capacitação internacional

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Centro Regional da Amazônia realiza capacitação internacional

Quinta-feira, 14 de Julho de 2016

A capacitação de recursos humanos para atuar no monitoramento de florestas é uma das principais missões do Centro Regional da Amazônia (CRA) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), localizado em Belém (PA). O CRA/INPE é responsável por trazer à capital paraense, desde 2010, mais de 450 técnicos de países da América Latina, da Ásia e da África interessados em preservar suas florestas.

De 4 a 15 de julho, acontece a terceira edição de 2016 do Curso Internacional de Monitoramento de Florestas Tropicais. Participam profissionais de Bolívia, Colômbia, Equador e Peru.

Ministrado em espanhol pelos consultores Carlos da Costa e César Diniz, o curso é parte do Projeto de Capacitação em Monitoramento de Florestas por Satélite – Capacitree e ocorre através de parceria com a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). O Capacitree gera material didático e capacita técnicos do Brasil e exterior com o que há de mais avançado na área de geotecnologias.

Durante o curso os participantes aprendem a executar o software TerraAmazon, que os habilita a mapear corte raso, bem como o uso e cobertura da terra. O sistema de disponibilização gratuita foi desenvolvido pela Divisão de Processamento de Imagens (DPI/INPE) em parceria com a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (FUNCATE). Com o sistema é possível medir o desmatamento e divulgar com transparência todas as informações obtidas a partir de imagens de satélites.

Especialista em sistemas de informação geográfica, o agrônomo colombiano Uriel Murcia comemora a possibilidade de estreitar relações institucionais com o INPE. Segundo ele, a Colômbia já apresenta um sistema de monitoramento da floresta em exercício e segue selecionando e aplicando técnicas novas. “A metodologia repassada pelo CRA/INPE nos possibilita o acompanhamento de pontos, áreas menores da floresta, ampliando a possibilidade de controle da cobertura florestal da Amazônia colombiana”, ressalta Murcia.

A engenheira e especialista em sensoriamento remoto Cristina Trujillo, do Ministério do Meio Ambiente do Peru, revela expectativa de trabalhar com o sistema do INPE. “Ele permite um processamento de imagens mais rápido, o que otimiza tempo frente a outras ferramentas”, diz Trujillo.

Com o Capacitree, o INPE transfere tecnologia e conhecimento adquirido em três décadas no monitoramento por satélites da floresta amazônica. Em parceria com a OTCA, já foram instaladas salas de observação no Peru e na Bolívia, por exemplo, países sul-americanos por onde se estende a Amazônia. Com a vinda de técnicos estrangeiros a Belém, tais profissionais são capacitados para o monitoramento efetivo de maior parte da região. O trabalho desenvolvido pelo Instituto torna o Brasil líder em iniciativas internacionais para o controle do desmatamento e da degradação florestal a nível mundial.

Fonte: INPE
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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Cooperação Brasil - Europa: Cemaden

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Cemaden discute parceria científica com centro de pesquisas europeu para sistema de alerta em escala continental e global 

14/07/2016

O intercâmbio entre Cemaden e Joint Research Centre (JRC) da Comissão Europeia está no âmbito da cooperação científica do Projeto de Apoio aos Diálogos Setoriais União Europeia-Brasil, com o objetivo de ampliar as pesquisas e sistemas de monitoramento e alerta de desastres naturais, envolvendo as áreas interdisciplinares de geologia, hidrologia, meteorologia e desastres naturais.

Pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, estiveram no Joint Research Centre da Comissão Europeia (JRC – EC), em Ispra, na Itália, para discutir estratégias de colaboração e intercâmbio de dados, informações e pesquisas relacionadas ao monitoramento e sistemas de alertas de desastres naturais.

As visitas e reuniões realizadas neste ano (em abril, junho e julho), entre o Cemaden e o JRC, visaram fomentar a colaboração continuada em projetos de pesquisas destinadas a desenvolver métodos inovadores, ferramentas e padrões para condições meteorológicas extremas e de impactos.

Os sistemas de modelagem a serem desenvolvidos pelo JRC irão fornecer suporte técnico e científico para a previsão e redução de risco de desastres em escala global e continental.

Essas atividades de intercâmbio científico e de dados para monitoramento fazem parte do Projeto Diálogos Setoriais entre Brasil e União Europeia, onde o Cemaden está incluso no processo “Cooperação entre Brasil-Europa em Desastres Naturais”, denominado pelo código RISC0002, desde o ano de 2015.

Reuniões e intercâmbios científicos

O Cemaden e o Joint Research Centre (JRC) discutiram estudos de modelagem global e no território brasileiro, estabelecendo parcerias em projetos de pesquisa, publicações científicas e intercâmbio de experiências. Na reunião realizada em abril, foram abordados os estudos de previsão de eventos de inundação e seca, além da avaliação dos impactos, considerando os aspectos de vulnerabilidade, os quais compõem o sistema de alerta de inundação.

Os pesquisadores visitaram a sala de Gerenciamento de Crises (ECML), do Institute for the Protection and Security of the Citizen (IPSC) e ao Copernicus Emergency Management Service (EMS) para conhecer os produtos operacionais de gerenciamento de risco de desastres naturais do JRC.

“Esses institutos que integram o centro de pesquisas (JRC) têm um papel fundamental na produção de informações hidrometeorológicas para o apoio na tomada de decisão pela Comissão Europeia, referentes à gestão de desastres naturais e aos impactos das mudanças climáticas.”, afirma o pesquisador e hidrólogo do Cemaden, Conrado Rudorff. “Considerando a dimensão continental do território brasileiro, a metodologia desenvolvida pelo JRC para o continente europeu se adequa às características de escala e demanda de informações para tomada de decisões no Brasil. A parceria é de benefício mútuo e estratégico para nosso avanço em sistemas de gestão de riscos de desastres ”, conclui o pesquisador do Cemaden.

Conrado explica, também, que o Brasil oferece boas características em termos de hidrogeografia, disponibilidade de dados e grupos de pesquisa para auxiliar na validação de modelos hidrológicos globais e desenvolvimento de métodos de análise de impacto de cheias.

Na visita mais recente, houve a participação do Cemaden na conferência anual do Global Flood Partnership (GFP), realizada no próprio JRC em Ispra, Itália. O objetivo do GFP é o de unir esforços no desenvolvimento de infraestrutura e sistemas de monitoramento por satélite, modelagem hidrológica e análise de impacto, visando melhorar a previsão e gestão de impactos de desastres de inundação em nível global. Foi apresentada a pesquisa intitulada “GloFAS como uma ferramenta de previsão de inundação em municípios da Bacia Amazônica”, trabalho científico do Cemaden, realizado em parceria com pesquisadores europeus, entre diversas apresentações científicas feitas pelos pesquisadores do GFP. O Cemaden fez, também, uma apresentação sobre o processo de monitoramento e alertas de riscos de desastres da Sala de Situação.

No ano passado, outros pesquisadores do Cemaden puderam discutir sobre pesquisas e monitoramento nas áreas agrometeorológicos e hidrológicos. Neste ano, participaram das reuniões, visitas e intercâmbios científicos os pesquisadores do Cemaden: o meteorologista Christopher Cunningham, o hidrólogo Conrado Rudorff além do tecnologista da Sala de Situação, Tiago Bernardes, hidrólogo e especialista em desastres naturais.

Diálogos Setoriais Brasil- União Europeia

O Projeto de Apoio aos Diálogos Setoriais Brasil-UE tem como objetivo contribuir para o aprofundamento da parceria estratégica e das relações bilaterais entre o Brasil e a União Europeia. É coordenado em conjunto pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) – por meio da Direção Nacional do Projeto – e pela Delegação da União Europeia no Brasil (Delbra).

O objetivo final dos trabalhos entre o Cemaden/MCTIC e o Joint Research Centre (JRC) é a inclusão do Brasil no Sistema de Coordenação Global de Alertas de Desastres, o qual é desenvolvido pela cooperação entre as Nações Unidas, a Comissão Europeia e os gestores de desastres em todo o mundo. Esse sistema global possibilita melhorar os alertas, ampliar o intercâmbio de informação e a coordenação na primeira fase, após grandes catástrofes súbitas.

Fonte: Assessoria de Comunicação do Cemaden – Maria Rosário Orquiza.
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quarta-feira, 13 de julho de 2016

INPE promove curso sobre tecnologia espacial

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Curso transforma tecnologia espacial em recurso didático

Segunda-feira, 11 de Julho de 2016

De 11 a 15 de julho, o curso Uso Escolar do Sensoriamento Remoto para Estudo do Meio Ambiente, promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ensina a educadores de diversas cidades brasileiras como o conhecimento sobre o espaço pode valorizar e aprimorar o conteúdo das aulas e auxiliar no processo de aprendizagem.

Já é tradição no INPE receber professores e educadores, durante as férias escolares de julho, para apresentar a tecnologia espacial, especialmente o sensoriamento remoto por satélites, como recurso didático no ensino de disciplinas como geografia, ciências, física, química e história.

Desta vez, estão na sede do Instituto, em São José dos Campos (SP), 25 participantes vindos dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Piauí e do Distrito Federal.

Durante toda a semana, os especialistas do INPE apresentarão conceitos e aplicações de Sensoriamento Remoto, Cartografia, Geoprocessamento e GPS que podem ser explorados nos diferentes conteúdos curriculares.

Por meio de aulas teóricas, atividades de campo e laboratório, os participantes aprendem sobre sensores e satélites, como se formam as imagens, escala cartográfica e outros fundamentos. São apresentados exemplos do uso escolar das imagens de satélites, bem como os usos da tecnologia espacial na agricultura, no estudo do espaço urbano, da vegetação e de bacias hidrográficas.

Confira aqui a programação e os temas das palestras.

Segundo a organização, espera-se que os participantes se apropriem do conhecimento e o socializem junto a suas unidades de ensino e à própria sociedade. O curso pretende popularizar e difundir a tecnologia espacial para que as novas gerações sejam mais competitivas frente às inovações do mercado de trabalho, que exige cada vez mais indivíduos bem preparados e com atitudes voltadas à qualidade ambiental, capazes de promover o desenvolvimento sustentável do país.

Fonte: INPE
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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Presidente da AEB fala sobre o Programa Espacial Brasileiro

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Presidente da AEB fala sobre a evolução do Programa Espacial na SBPC

11/07/2016

As primeiras iniciativas para criar o Programa Espacial Brasileiro e a evolução dele ao longo dos anos foi o tema da palestra proferida pelo professor José Raimundo Coelho, na manhã de quarta-feira (06.07), na 68ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Porto Seguro (BA).

Segundo ele, a iniciativa aconteceu quando os franceses discutiram com os brasileiros a possibilidade de criar a Missão Espacial Brasileira (MECB) com a Agência Espacial Francesa (CNES). “Nos anos 70 com a criação, no âmbito das Forças Armadas (EMFA), da Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (COBAE), foi lançada a ideia de organizar o Programa Espacial Brasileiro. O PEB seria integrado e tinha como meta estabelecer a autonomia da área, colocando satélites brasileiros em órbita, com foguetes nacionais, a partir de um Centro de Lançamento próprio”, afirmou José Raimundo aos espectadores

Em 1988, o Brasil e a China decidem desenvolver a família do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers), dando início a integração por oportunidade, mas também por necessidade, valendo-se de parcerias estratégicas, com base nos benefícios mútuos e no desenvolvimento conjunto.

Ações, como essa, foram também bastante utilizadas no início das atividades espaciais no Brasil, nos anos 60, a partir de iniciativas de parcerias internacionais envolvendo foguetes de sondagem para lançamentos de experimentos suborbitais, permanecendo até hoje, e estabelecendo um alto padrão de inserção global do Brasil, neste segmento.

Os dois exemplos ressaltados pelo professor mostraram que as parcerias internacionais, quando bem construídas, podem ser utilizadas como um importante instrumento para o alcance da autonomia, pré-requisito fundamental que norteia o Programa Espacial Brasileiro, também enfatizados em sua fala.

Desafios – O professor explicou ainda os três desafios que se superados poderão contribuir para reverter a carência de resultados do programa espacial. O primeiro deles é reconhecer o reduzido orçamento da área, quando comparado a nações com economia semelhante à brasileira. “É preciso entender que os programas são exigentes, mas os benefícios deles auferidos compensam os investimentos”, explicou José Raimundo.

O segundo desafio é reconhecer que, os esforços do aperfeiçoamento do marco legal que rege as atividades de pesquisas e desenvolvimento, as instituições públicas executoras dos projetos continuam sufocadas pela burocracia, incertezas jurídicas, temor dos administradores frente aos órgãos de controle, e principalmente, pelo declínio nos quadros de servidores técnicos e administrativos. Se o modelo das organizações não for mudado, há pouca esperança em reverter a realidade atual.

O terceiro é reconhecer que programas de estado, como os espaciais, sempre exigirão a presença e competência do mesmo, para formular os requisitos dos sistemas e missões, e contratar sua execução. A opção, exercida no passado, de fazer sob o seu completo e integral controle, vem se mostrando cada vez menos eficaz. É fundamental que o Brasil entenda que não há alternativa fora da plena atribuição à indústria nacional da responsabilidade pela execução dos projetos em sua fase industrial. Ao estado não cabe mais fazer, mas deixar fazer.

Ações - No estágio em que nos encontramos hoje, com relação à conquista dos meios de acesso ao espaço, consideramos que o VLS tenha sido um projeto de validação de tecnologias e capacitação de recursos humanos. A maior prioridade na área de Lançadores destina-se hoje ao Veículo Lançador de Microssatélites (VLM). Trata-se de um projeto em parceria com a Agência Espacial Alemã (DLR) e participação efetiva da indústria espacial nacional, em um processo de resultados absolutamente convergentes.

Ao longo do desenvolvimento do VLM-1 já conseguimos contabilizar alguns avanços importantes, tais como, o desenvolvimento estrutural do envelope do motor S-50, do novo propelente para o carregamento do motor, assim como na eletrônica de bordo. A nova agenda prevê a realização de seu primeiro voo com cargas úteis espaciais ou microssatélites, a partir do CLA, em 2018/2019.

Para garantir a eficiência necessária ao PEB, direcionamos ações para o desenvolvimento de competências com a participação efetiva de especialistas em projetos estruturantes e mobilizadores de diversos níveis de complexidade. Em 2015 estruturamos uma plataforma E2T, Espaço, Educação e Tecnologia com destaque aos seguintes resultados: capacitação de 176 especialistas em diversas missões e de 712 professores em temas da área espacial; lançamento de três nanossatélites entre 2014 e 2015; Previsão de lançamentos em 2016 do ITASAT e do UbatubaSat;

A AEB também implementou 225 bolsas, no âmbito do Ciência sem Fronteiras, na área espacial, 5 direcionadas a Laboratórios da Nasa e 6 para cursos de pós-graduação na Universidade de Beihang, na China; e por último a implementação do primeiro Centro Vocacional Tecnológico Espacial, a ser inaugurado ainda este ano no CLBI, em Natal (RN). E para finalizar estamos, neste momento, terminando a fase de provimento dos primeiros 44 servidores a integrarem o quadro permanente de recursos humanos da AEB.

José Raimundo respondeu a perguntas de um professor de Manaus, bastante inteirado da área espacial que lhe perguntou sobre o envio de sondas para exploração do espaço profundo pela China. O professor explicou que a Agência não trabalha com essa questão, mas apoia esses grupos de pesquisa. Ele falou também da existência de um trabalho entre Brasil e China relacionado à clima, e do programa espacial chinês que hoje desenvolve todos os componentes para construção de um satélite.

“O Brasil é um país diverso em recursos naturais. Temos água em abundância e a criatividade do povo brasileiro é imensa. Temos que aproveitar tudo isso e desenvolver tecnologias críticas e repassar ao governo. Temos um acordo com os russos e já estamos discutindo a realização de pesquisas com asteroides. Vamos aproveitar tudo isso para melhorar o nosso Programa Espacial”, concluiu.

O professor destacou ainda o trabalho que a Agência Espacial desenvolve com parceiros, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na área de desenvolvimento de tecnologias; Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica (DCTA); Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI/RN) e Centro de Lançamento de Alcântara no Maranhão, parceiros fundamentais para o desenvolvimento e evolução da área espacial brasileira.

Fonte: AEB
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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Cooperação Argentina - Noruega

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Em 30 de junho, por ocasião da visita oficial à Argentina de uma comitiva do governo norueguês liderada pelo chancelar Borge Brende, foi firmado um Acordo de Implementação entre a estatal argentina VENG (controlada majoritariamente pela Comisión Nacional de Actividades Espaciales - CONAE) e a empresa norueguesa KSAT AS, provedora de serviços de segmento terrestres para satélites, do grupo Kongsberg e Space Norway.

O instrumento assinado possibilitará a instalação de uma antena norueguesa nas instalações da futura estação terrena da CONAE a ser construída na região da Terra do Fogo, e o uso pelos argentinos dos serviços da estação situada em Svalvard, na Noruega, para o apoio às missões dos satélites SAOCOM 1A e 1B, previstos para serem lançados em 2017 e 2018, respectivamente.

De acordo com informações divulgadas pela CONAE, o acordo se insere no contexto da cooperação entre a agência espacial norueguesa NSC (Norwegian Space Centre) e a CONAE nas áreas de operação de estações terrenas, uso de dados da missão satelital SAOCOM, e no estabelecimento de capacidades e sistemas de estações terrestres, dentre outras.
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terça-feira, 5 de julho de 2016

MCTIC: prioridade é recuperar o orçamento

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Ministro tenta recuperar orçamento da Ciência e Tecnologia

5/07/2016

O ministro da Ciência Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, e a presidente da SBPC, abriram na segunda-feira (04.07), às 9h, a ExpoT&C, mostra de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I), que reúne centenas de expositores.

Durante a visita à ExpoT&C, o ministro Kassab conheceu os estandes e projetos de órgãos vinculados à Ciência e Tecnologia. No estande da Agência Espacial Brasileira (AEB), o ministro foi recebido pelo presidente José Raimundo Coelho, e pelo engenheiro da AEB Gabriel Figueiró que utilizou a maquete para explicar as características e funções do Centro Vocacional Tecnológico (CVT), a ser inaugurado nos próximos meses no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Natal (RN).

Segundo Gabriel, o foco do CVT é despertar vocações para o setor espacial, pois o déficit de recursos humanos na área é um tema recorrente nas discussões referentes ao Programa Espacial Brasileiro. Para ele, participar da ExpoT&C é uma oportunidade de mostrar aos jovens os projetos da AEB, incentivar e tirar dúvidas daqueles que se interessam pela área espacial.

Orçamento – Em entrevista aos veículos de comunicação, o ministro Kassab afirmou que a recuperação do orçamento da área de CT&I é uma das prioridades de sua gestão, mesmo em meio da crise econômica que o país enfrenta. “Infelizmente, perdemos ao longo dos últimos anos quase metade do nosso orçamento”, ressaltou o ministro.

O ministro Kassab trabalha para que o orçamento da área de Ciência, Tecnologia e Inovação fique um pouco acima de R$ 4,5 bilhões, na Lei Orçamentária Anual (LOA), elaborada pelo Poder Executivo, e que será encaminhada ao Congresso Nacional no segundo semestre. Dessa forma, os recursos serão semelhantes à verba disponível para este ano, em torno de R$ 4,5 bilhões. Inicialmente, o valor oficial era R$ $ 3,298 bilhões. Kassab, porém, conseguiu desbloquear R$ 1,4 bilhão, totalizando cerca de 4,6 bilhões.

Na abertura do maior evento científico do País, na noite de domingo (03.07), a presidente da SBPC, Helena Nader, voltou a defender recursos para a pasta e disse que o orçamento de 2017 teria de voltar pelo menos aos níveis de 2013, ano em que a pasta apresentou um dos melhores valores dos últimos anos, ao registrar R$ 9,4 bilhões.

Kassab reconhece a necessidade de aumentar o orçamento da pasta de CT&I, uma vez que os valores estão aquém das necessidades. “É preciso recuperar, para aumentar. “Tenho o objetivo acalentado há décadas de que o Orçamento Geral da União destine 2% para o MCTIC. Já assumi essa bandeira junto à SBPC e outras instituições”, disse.

Fonte: AEB.
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