quinta-feira, 5 de maio de 2016

AEB e Incra lançam o projeto Incra Sat

.
Incra e Agência Espacial Brasileira assinam acordo para elaboração do sistema Incra Sat

05/05/2016

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Agência Espacial Brasileira (AEB) assinaram nesta quarta-feira (4), na sede da autarquia agrária, em Brasília (DF), acordo de cooperação técnica para desenvolvimento de sistema espacial de observação da terra, denominado Incra Sat.

O projeto reúne a autarquia responsável pelo ordenamento fundiário das propriedades rurais no país com a agência responsável pelo sistema nacional de atividades espaciais. O objetivo do acordo é reunir a experiência técnica da AEB com as necessidades do Incra por informações geradas com sistemas de georreferenciamento, geomática e sistemas de informações geoespaciais por meio de satélites como cobertura vegetal, análise de solo, e a execução de georreferenciamento por meio de sistemas de geoposicionamento feitos por satélites geoestacionários como o GPS (Global Positioning System) e o Glonass (Global Navigation Satellite System).

De acordo com a presidente do Incra, Maria Lúcia Falcón, a iniciativa vai implementar ao final de 2021 o sistema o Incra Sat. “Independente de quem estará à frente desta autarquia em 2021 e para além das questões políticas, trata-se de uma medida de aprimoramento institucional e tecnológico, que vai qualificar e melhorar as condições de trabalho dos servidores, dotar a autarquia de inteligência gerencial e sobretudo lançar as bases para um uso efetivo das tecnologias, melhorando o controle da malha fundiária e do cadastro de todos os imóveis rurais do Brasil.”

Já o presidente da AEB, José Raimundo Braga Coelho, ressaltou a importância de levar as ferramentas geoespaciais para outros setores da sociedade que não apenas centros de pesquisa e universidades. “Este acordo só denota que o programa espacial está cumprindo a sua missão. O Incra é um cliente de informações georreferenciais de larga escala, um parceiro para aprimorar e disseminar a cultura do uso de ferramentas aeroespaciais como satélites, o que está inserido no programa aeroespacial brasileiro.

O cronograma prevê a realização de oito etapas, com prazo de conclusão até 2021. Dentre as etapas estão o desenvolvimento de sistema de gerenciamento de informações geoespaciais específico para as necessidades do Incra. Entre as etapas em estudo estão o lançamento de satélite em parceria com outras instituições públicas para a geração de dados e uso compartilhado da informação.

Soberania territorial

A presidente do Incra agradeceu à equipe da Diretoria de Ordenamento da Estrutura Fundiária da autarquia pelo esforço e dedicação na condução do projeto. O diretor Richard Torsiano ressaltou na reunião a importância do levantamento correto das informações com o uso de tencologia para assegurar a soberania do território. “O conhecimento fundiário é a base para avançar de forma objetiva, coerente e com transparência sobre o uso do território para compreendermos melhor as potencialidades e os entraves ao desenvolvimento.”

Fonte: INCRA.

Comentário do blog: em breve, postaremos mais informações sobre o envolvimento da iniciativa privada no projeto do Incra Sat.
.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

INPE: qualificação de técnicos para o monitoramento de florestas tropicais

.
INPE qualifica novos técnicos para o monitoramento de florestas tropicais

Quarta-feira, 04 de Maio de 2016

Técnicos da Bolívia, Colômbia e Peru participam, até o dia 6 de maio, da primeira edição de 2016 do Curso Internacional de Monitoramento de Florestas Tropicais, promovido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), nas instalações de seu Centro Regional da Amazônia (CRA), em Belém (PA). O treinamento, que iniciou em 25 de abril, é realizado em parceria com a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

Ser um centro de referência mundial no monitoramento de florestas tropicais é a missão do CRA/INPE, que desde 2010 promove cursos de capacitação nacional e internacional.

O programa desta edição do curso aborda, entre outros, o Projeto TerraClass, único no mundo a fazer o levantamento de informações sobre áreas já desmatadas da Amazônia Legal Brasileira, qualificando o desflorestamento. Também é apresentado o Projeto Queimadas, enfatizando as metodologias de mapeamento e monitoramento de cicatrizes de áreas de incêndios florestais desenvolvidas no CRA e na sede do INPE, em São José dos Campos (SP).

Durante o curso, o CRA/INPE oferece sua tecnologia de monitoramento baseada em imagens de satélites aos profissionais de países interessados em cuidar de suas florestas. Os técnicos estrangeiros aprendem a utilizar o software TerraAmazon, sistema desenvolvido pelo INPE em parceria com a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (FUNCATE) e disponibilizado gratuitamente.

A engenheira florestal e integrante da Sala de Observação do Peru, Ethel Llanos, destacou as facilidades para o uso do TerraAmazon. “Nós já trabalhamos no Peru com tecnologias de monitoramento, mas este curso com informações do TerraClass nos dá uma visão mais ampla das ferramentas que podemos utilizar. O TerraAmazon é muito útil, porque possibilita se trabalhar mais com imagens e melhorar o que já se faz”, declarou Llanos. Para a engenheira, uma das dificuldades quando se atua com monitoramento é trabalhar com sistemas não gratuitos e o TerraAmazon, além de toda a sua praticidade, por não ser pago se torna uma alternativa ainda mais adequada.

O Projeto de Capacitação em Monitoramento de Florestas por Satélite – Capacitree é uma iniciativa inovadora do INPE em parceria com organismos internacionais como a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA), a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e a OTCA. Por meio do Capacitree, o INPE gera material didático e capacita técnicos para operar o sistema TerraAmazon e os habilita ao mapeamento de corte raso, uso e cobertura da terra.

Junto ao CAF, o projeto Capacitree transformou em vídeo-aulas cursos de capacitação já realizados pelo CRA/INPE desde 2010. Já foram habilitados mais de 450 técnicos de países da América Latina, Ásia e África, a partir das tecnologias de mapeamento e monitoramento com o sistema TerraAmazon. Destaca-se que as vídeo-aulas podem, inclusive, ser utilizadas em salas de aula de graduações e pós-graduações, facilitando a divulgação de ferramentas e repassando capacitação de forma didática.

Gratuito e acessível a qualquer país,  o Capacitree está disponível em quatro idiomas – português, inglês, espanhol e francês, contribuindo para que o INPE entre para a história do monitoramento de florestas tropicais.

Para o INPE, a capacitação de pessoal é uma demanda constante, nacional e internacional. O Instituto aperfeiçoa seus sistemas continuamente e, a cada atualização, mais tem a ensinar.

Fonte: INPE


.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Exclusivo: Akaer apresenta proposta para compra da Opto Eletrônica

.
A Opto Eletrônica, uma das principais indústrias nacionais do setor de Defesa e Espaço e em recuperação judicial desde dezembro de 2014, recebeu proposta para compra de parte de seus negócios pela Akaer, empresa de engenharia aeroespacial com sede em São José dos Campos (SP).

A informação consta da decisão proferida pelo juiz da 2ª Vara Cível de São Carlos (SP), divulgada hoje (03) e reproduzida abaixo, na qual foi revelada a proposta feita pela Akaer pela unidade de Espaço & Defesa (E&D) da Opto, no valor de R$31,5 milhões. A Avibras também estava interessada, mas optou por não oferecer um lance no leilão organizado pela Justiça. Nos bastidores, comenta-se que a Avibras teria considerado uma oferta em parceria com um grupo de origem francesa.

O leilão para alienação da unidade de E&D da Opto foi realizado no âmbito do plano de recuperação judicial apresentado à Justiça em março de 2015 e aditado em novembro do mesmo ano, que determinava sua venda através de propostas fechadas, apresentadas ao juiz responsável, tomando por base o valor mínimo de R$30 milhões. A operação envolve a venda da divisão de E&D, que será desmembrada da empresa em recuperação, abrangendo todo o acervo tecnológico necessário para operação dos projetos vigentes e das tecnologias desenvolvidas. Os passivos relacionados aos financiamentos obtidos junto ao BNDES e à FINEP serão assumidos pela unidade desmembrada.

A Akaer

Com mais de 300 funcionários e com novas instalações no Parque Tecnológico de São José dos Campos, inauguradas este ano, a Akaer participa de projetos como o do cargueiro militar KC-390, da Embraer, e do programa do caça Gripen, da sueca Saab, adquirido pela Força Aérea Brasileira. Em 2015, a Saab adquiriu uma participação minoritária (15%) no capital da empresa.

No início da década de noventa, a Akaer chegou a participar do programa CBERS, em projetos estruturais, mas desde então estava focada em programas aeronáuticos nos segmentos comercial, executivo e militar. Caso concretizada, a aquisição da divisão de E&D da Opto Eletrônica representará o retorno da Akaer ao setor espacial e também a ampliação de sua atuação em projetos de Defesa não apenas aeronáuticos, como mísseis e sensores óticos, que também são de grande interesse de sua acionista Saab.

==

Abaixo, trecho da atualização da movimentação processual, de 03/05/2016, disponível para consulta no sistema de acompanhamento da Justiça Estadual:

"Teor do ato: A seguir, pelo MM Juiz de Direito foi proferida a seguinte DECISÃO: " o edital para alienação foi expedido às fls. 2844/2846, aos 19 de fevereiro de 2016. A primeira audiência para a indicação de propostas ocorreu aos 28/03/2016 (fls. 3116/3117), com deliberação no sentido da prorrogação do prazo para avaliação das unidades, instalações e demais componentes de um futuro contrato, para a data de hoje (02/05/2016). Nessa primeira audiência também estiverem presentes representantes do Ministério da Defesa, sendo a delegação composta por 3 integrantes. Houve tempo mais do que suficiente para que manifestação fosse apresentada em tempo hábil, sendo inadimissível o protocolo na data de hoje, pouco mais de 20 minutos antes da audiência. Não obstante, o pleito deve ser apreciado. Os participantes interessados e todos os envolvidos, inclusive os credores, tem o direito de ver o seguimento do processo que não pode ser postergado indefinidamente. Dessa forma, e sem prejuízo da apreciação de futuras manifestações, seja do Ministério da Defesa e de outros interessados, as propostas serão recebidas e colhidas na data de hoje. Dada a complexidade dos bens, o número de interessados, e mesmo o interesse da União, cada um dos participantes terá o prazo de 5 dias para ofertar manifestação escrita, inclusive sobre possíveis impugnações quanto aos lances, vindo os autos, após, para decisão. De início, deverá falar o representante da Opto, em seguida o Dr. Jorge T, Uwada, após as ofertantes, e por fim, o Ministério Público. Nesse prazo, o juízo, com prazer, receberá concretas manifestações da PGFN e de outros interessados, por parte da União". Em prosseguimento, foi apresentado um única PROPOSTA: 1) R$ 31.500.000,00, proposta esta condicional feita por AKAER Engenharia S/A. Pela AVIBRAS Indústria Aeroespacial S/A foi apresentada uma petição indicando que não ofereceria lance. Pelo MM Juiz foi dito: "Essa petição veio na forma física, acompanhada de procuração do diretor adjunto que a representou nesta data, cabendo ao cartório providenciar a digitalização para juntada ao processo. A primeira via da 'Proposta de compra da UPI E&D da Opto Eletrônica S.A.' foi rubricada pelo representante do Ministério Público Dr. Osvaldo Bianchini Veronese Filho, pelo administrador judicial Jorge T. Uwada, e pelo advogado da Opto Dr. Nelson Marcondes Machado, sendo essa a via que deve ser juntada digitalmente aos autos, assim como todos os demais documentos e declarações presentes no envelope aberto nesta data. Não havendo mais interesse dos presentes em se manifestar, declaro encerrado o ato. Após o cumprimento das determinações supra, tornem o feito para deliberação. Publicado em audiência, saem os presentes devidamente cientes e intimados. Sem prejuízo, publique-se na imprensa oficial"."
.

Lançadores: Reunião do Grupo de Interfaces de Lançamento

.
CLA sedia encontro que define atividades espaciais no Brasil

03/05/2016

O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) recebe nesta segunda-feira 2 de maio a primeira edição do ano da Reunião do Grupo de Interfaces de Lançamento (GIL1/ 2016).

Durante uma semana, especialistas da área espacial do  Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), da Agência Espacial Brasileira (AEB), Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) e dos Centros de Lançamento de Alcântara (CLA) e da Barreira do Inferno (CLBI) irão discutir  os próximos passos da atividade espacial.

Ao decorrer da semana de reunião, assuntos relacionados aos futuros lançamentos para os anos de 2017 e 2018, programa microgravidade, apresentações abordando os Veículos Lançadores de Satélites  em desenvolvimento ou em fase de estudos no IAE, incluindo os Projetos VLM-1 e VS-50, atual situação do cronograma para o lançamento do VSB-30 com carga útil MICROG-2 na Operação Rio Verde, foguetes de treinamento (FOGTREIN) com os lançamentos dos Foguetes de Treinamento Básico (FTB) e Intermediário (FTI).

A atualização das obras inauguradas do CLA com impactos em lançamentos futuros também será um tema abordado, bem como, a 1ª Reunião de Acompanhamento de Interfaces (RAI) da Operação Rio Verde. Ao término do GIL, um relatório final será produzido com conclusões e sugestões visando orientar as ações na área espacial em médio prazo.

Para o Coronel Aviador Cláudio Olany Alencar de Oliveira, Diretor do CLA, a reunião do Grupo de Interfaces de Lançamento irá propor adequações que norterão melhorias e avanços na Área Espacial Brasileira.

GIL - O Grupo de Interfaces de Lançamento (GIL) é regulado pela Instrução do Comando da Aeronáutica (ICA) 60-1 e se reúne até três vezes ao ano para discutir, dar encaminhamentos e propor soluções para o andamento da atividade espacial no Brasil. Além do presidente, fazem parte do grupo integrantes do DCTA, AEB, IAE, IFI e dos Centros de Lançamentos em território nacional.

Fonte: CLA, via AEB.
.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

"Nas atividades espaciais cabe ao Estado deixar fazer", artigo de José Raimundo Braga Coelho

.
Nas atividades espaciais cabe ao Estado deixar fazer

02/05/2016

Uma das iniciativas de estabelecimento de um programa espacial no Brasil ocorreu quando brasileiros e franceses discutiram a possibilidade de criação de uma Missão Espacial Brasileira, que seria executada em parceria com o CNES (a Agência Espacial Francesa). É interessante observar um pressuposto já estabelecido naquela época, ­final dos anos 1970: a implantação de uma empresa que gradativamente deveria transformar-se em uma Integradora, também denominada Contratante Principal.

A ideia de organizar o que se tornaria o Programa Espacial Brasileiro, como um sistema, foi lançada ainda nos anos 70, com a criação, no âmbito do Estado Maior das Forças Armadas (EMFA), da Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (Cobae). Coube à Cobae conceber e implementar a então denominada Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) – um programa integrado que tinha como meta o estabelecimento de autonomia na área espacial, ou seja, colocar satélites brasileiros em órbita, com foguetes nacionais, a partir de um Centro de Lançamentos próprio. A parceria com o CNES, à época, foi deixada de lado.

A MECB foi a tônica do programa espacial nos anos 80 e início dos anos 90, responsável por lançar as bases da infraestrutura e dos quadros técnicos que permanecem até hoje, assim como dos primeiros resultados concretos na área de satélites: o SCD1 e o SCD2 (Satélites de Coleta de Dados).

Em 1988, Brasil e China decidiram desenvolver uma família de Satélites de Observação da Terra (CBERS), dando início a um outro tipo de integração – a integração por oportunidade, valendo-se de parcerias estratégicas, baseadas em dois fatores considerados de suprema importância – os benefícios mútuos e o desenvolvimento conjunto.

Em 1994 foi criada a Agência Espacial Brasileira (AEB), autarquia federal de natureza civil, hoje vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a incumbência de executar e fazer executar a Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE). Coube à AEB a responsabilidade de dar continuidade aos projetos concebidos no âmbito da MECB, integrada à nova agenda decenal estratégica do Programa Espacial Brasileiro, denominada Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).

Juntos à AEB, responsável pela coordenação geral do programa espacial, o Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Sindae) conta com dois principais órgãos setoriais: o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pelo desenvolvimento de tecnologias e sistemas satelitais, e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), onde está o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), que desenvolve tecnologias para os sistemas de lançadores. Agregam-se a esses segmentos, a Indústria Nacional Espacial, as universidades e, mais recentemente, os usuários e parceiros, que utilizam diretamente os benefícios dos empreendimentos.

A despeito da atribuição legal de coordenação concedida à AEB, o Programa Espacial Brasileiro de hoje ultrapassa as fronteiras do PNAE. Estende-se a necessidades ditadas por segmentos importantes da nação. A segurança nacional, com sua envoltória operacional abrangente, é um dos mais ilustres exemplos.

Foi assim que acolhemos a ideia do SGDC (o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação Estratégica), onde a participação do MCTI deve-se à decisão de Estado de que era fundamental aproveitar esta oportunidade para beneficiar o setor espacial brasileiro com conhecimentos e tecnologias, a serem garantidos durante o processo de aquisição dos sistemas.

A AEB foi incluída na gestão do planejamento, da construção e do lançamento do SGDC, e está empenhada nas ações do Plano de Absorção e Transferência de Tecnologia, com isto preparando a base industrial e as nossas instituições para um comprometimento progressivo e efetivo nas próximas missões. A criação no âmbito desse programa de Empresa Integradora, Contratante Principal, em uma articulação entre a Telebrás e a Embraer, atendeu ao princípio que para nós inspira muito sucesso – a Parceria Público Privada (PPP).

É esse, em poucas palavras, o cenário de desenvolvimento da tecnologia espacial que buscamos alcançar. No entanto, cabe ressaltar três desafi­os fundamentais, que se adequadamente superados, poderão contribuir para reverter a percepção sobre os resultados efetivos do nosso programa espacial.

Primeiro: é necessário reconhecer que o orçamento hoje destinado às atividades espaciais brasileiras é muito reduzido, tanto em termos absolutos, quanto em termos relativos. Programas espaciais são exigentes por sua própria natureza, mas os benefícios auferidos não se comparam aos montantes investidos.

Segundo: as instituições públicas executoras dos projetos continuam sufocadas pela burocracia, pelas incertezas jurídicas, pelo temor dos administradores frente aos órgãos de controle, e principalmente, por um aparente e incontornável declínio em seus quadros de servidores técnicos e administrativos. O modelo que rege tais organizações precisa ser mudado, para que haja esperanças de uma reversão da realidade atual.

Terceiro: programas de Estado, via de regra, como os programas espaciais, sempre exigirão a presença e competência do Estado, para formular os requisitos dos sistemas e missões, e contratar sua execução. A opção de fazer ele próprio vem se mostrando cada vez menos efi­caz. Torna-se fundamental que o Brasil entenda que não há alternativa fora da plena atribuição à indústria nacional da responsabilidade pelo desenvolvimento dos projetos em sua fase industrial. Ao Estado não cabe mais fazer, mas deixar fazer, em seu próprio benefício.

José Raimundo Braga Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Fonte: edição de abril do Jornal da Ciência, publicado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).
.

domingo, 1 de maio de 2016

Resultados da Embraer: destaques da área espacial

.
A Embraer divulgou na última sexta-feira (29) os resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre deste ano. A empresa teve um lucro líquido de R$385,7 milhões, revertendo perdas de R$196,1 milhões no mesmo período de 2015, e um carteira de pedidos firmes (backlog) de US$21,9 bilhões.

O press release com os resultados traz também algumas informações sobre seus negócios no setor espacial, sob responsabilidade da Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture entre a Embraer e a estatal Telebras. Poupado dos cortes orçamentários, o programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) segue em linha com o seu cronograma. Sobre o serviço de fornecimento de imagens de satélites, lançado pela Visiona em novembro de 2015 (veja o artigo "A Visiona de olho na Terra"), consta a informação de que já foram firmados seis contratos de fornecimento de imagens ao longo deste ano. Veja abaixo alguns trechos do press release:

"O Programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC), cuja integração está sob responsabilidade da Visiona Tecnologia Espacial, continua com o seu cronograma, bem como todas as entregas contratuais, aderente ao planejado. A plataforma do satélite encontra-se na câmara termo vácuo para teste ambiental, as duas antenas de 13 metros foram instaladas em Brasília e Rio de Janeiro e o sistema de solo está em fase final de instalação e validação em Brasília.

Recentemente, a Visiona lançou o serviço de fornecimento e análise de imagens de satélites, por meio de uma constelação de 22 satélites, com o objetivo de desenvolver grandes projetos de sensoriamento remoto no Brasil e países vizinhos. Em 2016, a Visiona já celebrou seis contratos."
.

Recursos humanos para a AEB

.
O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MP) autorizou a Agência Espacial Brasileira (AEB) a realizar nomeações, asseguradas pela aprovação em concursos públicos, conforme portaria publicada no Diário Oficial da última sexta-feira (29).

A Portaria nº 141 autorizou a convocação de 44 aprovados na AEB, referente a concurso autorizado em 2014. O órgão poderá chamar 17 candidatos aprovados para o cargo de tecnologista, 19 para o cargo de analista em Ciência e Tecnologia e oito para o cargo de assistente em Ciência e Tecnologia.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério do Planejamento, e edição do Blog Panorama Espacial.
.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

França: "O projeto Stratobus decolou!"

.

O projeto Stratobus decolou!

São Paulo, 27 de abril de 2016 – A Thales Alenia Space acaba de anunciar o pontapé inicial do Stratobus, um dirigível estratosférico autônomo que usa apenas energia solar e tecnologias verdes. O Stratobus transportará cargas úteis para realizar missões de vigilância de fronteiras em terra ou no mar (vídeo-vigilância de plataformas offshore, etc.), segurança (combate ao terrorismo, tráfico de drogas, etc.), monitoramento ambiental (incêndios, erosão do solo, poluição, etc.), e telecomunicações (Internet, 5G).

“O Stratobus fica a meio caminho entre um drone e um satélite, resultando em um produto de baixo custo que oferece cobertura regional permanente e, idealmente, complementa soluções via satélite. Ainda por cima, tem uma pegada de carbono muito baixa – muito menor que a de um pequeno avião particular”, explica o Gerente de Projetos da Thales Alenia Space Jean-Philippe Chessel.

O dirigível será posicionado a uma altitude de cerca de 20 quilômetros na camada inferior da estratosfera, que oferece densidade suficiente para dar sustentação ao balão. Os ventos nessa altitude são moderados e estáveis – não mais de 90 km/h – ao longo de toda a zona entre os trópicos, permitindo que a aeronave permaneça estacionária usando seu sistema de propulsão elétrica.

"O novo mercado de pseudo satélites de grande altitude, ou HAPS, está estimado em um bilhão de dólares de hoje até 2020, mas ainda está aguardando um produto. Com o Stratobus oferecendo um campo de visão de 500 quilômetros, estamos convencidos de que ele obterá uma grande fatia desse mercado”, disse Jean-Loic Galle, Presidente e CEO da Thales Alenia Space.

A Thales Alenia Space e os seus parceiros franceses neste programa assinaram os contratos iniciais com o banco estatal de investimento Bpifrance. A empresa CNIM (Construction Navale Industrielle de la Méditerranée) construirá a estrutura e os seus equipamentos, o anel e a nacela, enquanto a Solutions F fornecerá o sistema de propulsão elétrica, a Airstar Aerospace se responsabilizará pelo envelope totalmente preparado, e a Tronico-Alcen fornecerá o sistema de condicionador de energia. Além desses parceiros franceses, a CMR-Prototec da Noruega fornecerá o sistema de armazenamento de energia, e a MMIST do Canadá será a fornecedora dos paraquedas. A Thales Alenia Space é a empresa principal, sendo responsável pela integração dos sistemas e também pelos aviônicos e painéis solares, e pela certificação.

O projeto foi aprovado pelo programa “investimento no futuro” do governo francês para um financiamento de 17 milhões de euros. Estes recursos cobrem uma fase de desenvolvimento de 24 meses para as tecnologias habilitadoras essenciais, que culminarão com a construção de um protótipo de demonstração. O projeto também recebeu o apoio de quatro diferentes regiões francesas, e com isso espera-se um financiamento adicional de cerca de 3 milhões de euros.

A Thales Alenia Space e seus parceiros pretendem lançar um modelo de demonstração em 2018, seguido dos primeiros voos de homologação e certificação em 2020. Já foram identificados diversos clientes potenciais. As previsões de mercado indicam um retorno do investimento em menos de três anos após a sua comercialização.

Fonte: Thales Alenia Space.
.

terça-feira, 26 de abril de 2016

SGDC: treinamento de militares

.
Militares são capacitados para trabalhar com Satélite Geoestacionário

26/04/2016

Em cerimônia na manhã desta terça-feira (26.04), na sede da Agência Espacial Brasileira (AEB), o presidente José Raimundo Braga entregou a 24 militares da Força Aérea, Exército e Marinha do Brasil os certificados do Curso de Elevação de Nível em Sistemas Espaciais. A capacitação buscou qualificar especialistas para trabalhar no desenvolvimento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).

“Elevar a instrução na área espacial ao mais alto nível é de extrema importância”, afirmou o professor José Raimundo, lembrando também de um antigo professor universitário que sempre dizia aos seus alunos: “Quando tiver dúvida no que investir, invista em educação”.

Segundo declarou o coronel aviador Hélcio Vieira Júnior o sucesso do curso gerou a necessidade de repetir a capacitação, “seria perfeito realizar esse curso a cada dois anos e integrar a participação de mais universidades para melhor abrangência da área espacial no país”.

Ministrado em 2015 no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), o curso teve como responsável o professor major Elói Fonseca.

A capacitação foi realizada em conjunto com o ITA e o INPE a pedido da AEB, e teve como propósito preparar os participantes para a transferência de tecnologia do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) desenvolvido pela empresa francesa Thales Alenia Space (TAS) em parceria com o governo brasileiro. A expectativa é que o SGDC seja colocado em órbita no início de 2017.

De acordo com o capitão de comunicações do Exército, Sérgio Augusto Fujita, o curso envolveu também quem não trabalha especificamente com a área de engenharia espacial. “Eu tenho experiência pelo Exército em manutenção de aeronaves e guerra eletrônica, após o treinamento com a Thales o trabalho será voltado para o setor de defesa cibernética e manutenção dos equipamentos”, ressaltou Fujita.

O 1º tenente do quadro de oficiais engenheiros, Carlos Eduardo Xavier da Silva, explicou que o curso ofereceu uma visão ampla e complexa sobre a construção de um satélite. “O Brasil é pioneiro em um acordo de transferência de tecnologia com a Thales, acredito que conseguiremos superar o conhecimento necessário para concluir o SGDC”.

Após a entrega dos certificados o coordenador da Diretoria de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento, Jean Batana, apresentou a estrutura e os programas desenvolvidos pela Agência. Para finalizar o evento foi apresentado um vídeo institucional mostrando a história da AEB e como o Brasil iniciou suas atividades no setor espacial.

Fonte: AEB
.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Cooperação INPE - Conab em monitoramento agrícola

.
Conab e Inpe trocam experiências sobre monitoramento agrícola

20/04/2016

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)  formalizarão um acordo de cooperação técnica para o uso de imagens via satélite na estimativa de área plantada e no monitoramento agrícola. Nesta semana, técnicos das duas instituições debateram aspectos da formalização da cooperação técnica.

Um dos temas em pauta para este entendimento é a troca de metodologias de mapeamento para aprimorar o uso da geotecnologia nas estimativas de safra da Companhia. A Conab  vem utilizando recursos tecnológicos como modelos estatísticos, sensoriamento remoto, posicionamento por satélite (GPS), sistemas de informações geográficas e outros para estimar as áreas de cultivo e prever impactos à produtividade das lavouras desde 2004, por meio do projeto GeoSafras.

"Com estes recursos, os levantamentos da evolução de área, produção e produtividade têm tido melhor apuração e eficiência, dando maior consistência às estimativas de safra", avalia o gerente de Geotecnologia da Companhia, Tarsis Piffer.  O trabalho conta com  contribuições de diversas instituições parceiras, como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Joint Research Center (JRC) da Comissão Européia e a Universidade de Maryland, dos Estados Unidos.

Fonte: INPE
.