segunda-feira, 21 de julho de 2014

“Construindo Pontes entre Ciência e Políticas Públicas”

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Secretário do MCTI destaca interface entre Ciência e Políticas Públicas em seminário no INPE

Segunda-feira, 21 de Julho de 2014

A experiência de dois anos e meio no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) foi compartilhada pelo secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (SEPED), Carlos Nobre, em seminário apresentado no dia 18 de julho no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP). O evento teve como tema “Construindo Pontes entre Ciência e Políticas Públicas” e integra a programação da pós-graduação do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do INPE.

A necessidade de se desenvolver um sistema que viabilize a imprescindível interface entre a ciência e a política, como forma de enfrentar os desafios do século 21, no processo de transformação do mundo em direção à sustentabilidade global foi defendida por Nobre. Dentre esses desafios destacam-se: a produção de alimentos para nove bilhões de pessoas mantendo-se dentro de limites planetários sustentáveis; a valorização e a proteção dos serviços da natureza e da biodiversidade; a adaptação a um mundo mais quente e mais urbano; a transição para sociedades de baixo carbono; a redução da pobreza e a educação para a sustentabilidade; o provimento de oportunidades de renda e de inovação via transformações para a sustentabilidade global; a redução dos riscos de desastres; o alinhamento da governança com a gestão responsável.

Esforços nessa direção têm sido promovidos em grandes conferências internacionais, como a Rio +20 e a Planet Under Pressure (Planeta sob Pressão), ambas realizadas em 2012. Esta última destaca, em seu documento final, importância de se estabelecer metas integradas para a sustentabilidade global com base nas evidências científicas, com objetivos que orientem a sociedade. “Os desafios enfrentados por um Planeta sob Pressão exigem uma nova abordagem da investigação, mais integrativa, internacional e orientada para soluções. Precisamos criar elos entre a pesquisa científica de alta qualidade e os esforços de novas políticas interdisciplinares relevantes”, diz o relatório.

Para o secretário da SEPED, a construção de pontes entre o conhecimento científico e as políticas públicas passa, necessariamente, pela atuação do cientista como comunicador. “Precisamos nos conscientizar que a produção do conhecimento e a elaboração de políticas públicas não são, necessariamente, processos estanques”, afirmou.

No seminário, Nobre apresentou dois exemplos bem sucedidos de alinhamento nesse sentido: os programas de monitoramento do desmatamento da Amazônia e de mitigação dos impactos da seca no nordeste brasileiro. Acesse a apresentação

Fonte: INPE
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domingo, 20 de julho de 2014

Nota de Falecimento

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Faleceu hoje (20), em São José dos Campos (SP), Paulo Moraes Júnior, pesquisador do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), aos 66 anos.

Engenheiro aeronáutico, Moraes Júnior atuava desde setembro de 1982 na área espacial do IAE, onde exerceu funções de coordenador do Programa de Veículos Lançadores Cruzeiro do Sul e a gerência do Projeto SARA. Foi membro fundador da Associação Aeroespacial Brasileira (AAB) e também um de seus presidentes (gestão 2011-2013).

Trata-se de uma perda irreparável para a comunidade espacial brasileira. Paulo sempre foi bastante engajado em todos os projetos de que participou, e pessoalmente, tive a oportunidade de trabalhar com ele em iniciativas envolvendo a AAB.

A cerimônia de cremação será esta segunda-feira (21), às 9h00, no Cemitério das Flores, em São José dos Campos.

Minhas condolências e solidariedade a seus familiares.

André M. Mileski
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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Queima de propulsor S30

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Motor para veículo de sondagem passa por ensaio no IAE

Brasília, 18 de julho de 2014 – O propulsor S30 desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), de São José dos Campos (SP), para ser o primeiro estágio do veículo de sondagem VS-30 e segundo estágio do veículo de sondagem VSB-30, foi testado com sucesso em queima de bancada na terça-feira (15).

A atividade, realizada no âmbito da Operação Acapú, objetivou a medição dos parâmetros de empuxo e pressão do propulsor e avaliar: o desempenho da tubeira, confeccionada com grafite; a temperatura das principais partes metálicas do propulsor e o seu comportamento dinâmico durante o ensaio de queima.

Estas medições foram executadas utilizando dois sistemas distintos de aquisição de dados, telemetria e solo, totalizando 46 canais de medição. Na operação foram envolvidos direta e indiretamente mais de 60 servidores do IAE.

Observação preliminar dos resultados das medições realizadas indica que os objetivos da operação foram alcançados.

Fonte: IAE, via AEB.
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Mais sobre a cooperação com a China

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Brasil e China firmam acordo de cooperação em sensoriamento remoto

Brasília, 17 de julho de 2014 – O presidente da China, Xi Jinping, e a presidente Dilma Rousseff, assinaram hoje (17) 32 atos de cooperação em várias áreas. Entre eles, o de compartilhamento de dados de satélites de sensoriamento remoto, acordado entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Administração Nacional Espacial da China (CNSA).

Em cerimonia no Palácio do Planalto o presidente da AEB, José Raimundo Coelho, assinou o Memorando de Entendimento sobre a Cooperação em Dados e Aplicações de Sensoriamento Remoto por Satélite entre os dois países.

Entre as formas de cooperação está o sensoriamento remoto gratuito em tempo hábil em caso de desastre natural. As seguintes áreas foram acordadas:

  • Observação da Terra e intercâmbio de dados; 
  • Capacitação de especialistas em atividades de sensoriamento remoto; 
  • Aplicação de dados de satélite, pesquisas e desenvolvimento de produtos e avaliação de dados; recepção, tratamento e distribuição de dados de satélite; 
  • Serviços comerciais internacionais de dados de satélites específicos; 
  • Cooperação internacional com terceiros em atividades de sensoriamento remoto e instrumentos. 

O acordo tem vigência de três anos se será executado pelo Centro de Recursos de Dados e Aplicação de Satélite da China (Cresda) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Fonte: AEB

Nota do blog: é interessante mencionar que além dos acordos e discussões mantidos com a AEB e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o governo chinês também firmou um acordo com o Ministério da Defesa envolvendo "iniciativas de sensoriamento remoto, telecomunicações e tecnologia da informação para a defesa e proteção da Amazônia", no âmbito do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM). Não foram divulgados maiores detalhes sobre o escopo da cooperação.
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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Cooperação Brasil - Índia: dados do Resourcesat-2

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Por conta da reunião dos países que integram o BRICS no Brasil, esta semana foi agitada para o País em se tratando de assinatura de instrumentos de cooperação internacional. O setor espacial foi um dos vários beneficiados, com acordos tendo sido firmados com a China, a Rússia e também a Índia.

O Primeiro Ministro indiano, Shri Narendra Modi, esteve ontem (16) em Brasília (DF) e assinou três instrumentos, um deles, chamado "Ajuste Complementar" na linguagem diplomática, que trata da ampliação de capacidade de recepção de dados de satélites óticos pela estação terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) situada em Cuiabá (MT).

O novo acordo prevê a recepção de dados dos sensores AWiFS (resolução de 56 metros) e LISS-III (resolução de 23,5 metros) do satélite indiano Resourcesat-2 pela estação de Cuiabá, destinados ao gerenciamento de recursos naturais, em base semelhante à que foi acordada para o Resourcesat-1 por meio do Programa de Cooperação assinado em dezembro de 2008 entre a Organização Indiana de Pesquisas Espaciais (ISRO, sigla em inglês), a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o INPE. Outros satélites podem vir a ser incluídos no futuro.

De acordo com o Ajuste Complementar, caberá à AEB arcar com "os custos pelos direitos não exclusivos de receber, processar e usar os dados das AWiFS e LISS-III do satélite Resourcesat-2 e de outros dados de satélites SRI, conforme acordado entre as Partes, em bases não comerciais e mais favoráveis, fazendo uso de seus próprios recursos orçamentários aprovados".

O Resourcesat-2 foi lançado ao espaço em abril de 2011, tendo vida útil estimada em cinco anos. Desde a época de seu lançamento, já havia interesse brasileiro em ter acesso aos dados gerados por seus sensores (veja a postagem "INPE considera Resourcesat-2 para a Amazônia", de julho de 2011).
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Brasil e China construirão CBERS 4A

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Nota do blog (18/07, 11h40, hora de Brasília): a AEB corrigiu a nota anteriormente divulgada, informando que a denominação do próximo CBERS será 4A e não 4B como havia sido anteriormente divulgado.

Chineses aceitam proposta brasileira de construção do CBERS-4A

Brasília, 17 de julho de 2014 – O ministro da Ciência, Tecnologia e Indústria de Defesa da República Popular da China, Xu Dazhe, afirmou nesta quarta-feira (16) que seu país concorda com a proposta brasileira de construção do exemplar 4A do Satélite Sino-Brasileiro de Sensoriamento Remoto (Cbers, na sigla em inglês).

O assunto foi tratado com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clelio Campolina, e com o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, nas visitas que o dirigente chinês fez a AEB e ao MCTI. Dazhe também disse que a continuidade do programa Cbers, com a produção dos satélites 5 e 6, deve ser incluída no Plano Decenal firmado entre Brasil e China e que será discutido em reunião até o final do ano.

Quanto ao Cbers-4, o ministro chinês disse seu processo de integração, compartilhado por técnicos dos dois países, está dentro do cronograma e o lançamento programado para 7 de dezembro próximo. Na oportunidade, Dazhe convidou o ministro Campolina a ir à China acompanhar o lançamento.

Na parte da manhã, quando visitou a AEB, o ministro chinês ainda manifestou interesse no programa Ciência sem Fronteiras Espacial (CsF-Espacial) afirmando que seu país tem interesse em aumentar as oportunidades para bolsistas brasileiros em suas instituições de ensino. Disse também que há o manifestou interesse de cientistas da China em desenvolver estudos junto com grupos de pesquisas em unidades brasileiras.

Dazhe destacou que a China também tem interesse na presença brasileira no plano de desenvolvimento de infraestrutura espacial para alta tecnologia em formatação pelo país. Manifestou ainda a satisfação para os chineses em ter uma presença mais ampla de brasileiros na sexta unidade do Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior (Unoosa), que será instalada na China em novembro deste ano. Hoje, existem duas representações na África, uma na América Latina, da qual o Brasil já faz parte, uma na Ásia e uma no Pacífico.

Além do presidente da AEB também participaram do encontro na sede da instituição os diretores Petrônio Noronha de Souza, de Política Espacial e Investimentos Estratégicos, Marco Antônio de Rezende, de Transporte Espacial e Licenciamento, e o chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, José Monserrat Filho.

Nesta quinta-feira (17) o presidente da Agência Espacial participou de solenidade no Palácio do Planalto, quando assinou Memorando de entendimento entre a AEB e a Administração Nacional Espacial da China (CNSA) sobre cooperação em dados e aplicações de sensoriamento remoto por satélite.

Cooperação – O Unoosa é o órgão das Nações Unidas (ONU) responsável pela promoção da cooperação internacional nos usos pacíficos do espaço exterior estando ligado as atividades do Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (Copuos).

Por meio do Programa das Nações Unidas sobre Aplicações Espaciais, o Unoosa promove workshops internacionais, cursos de formação e projetos-piloto sobre temas que incluem sensoriamento remoto, navegação por satélite, meteorologia por satélite, tele-educação e ciências espaciais básicas para o benefício dos países em desenvolvimento.

Ele também mantém uma linha direta 24 horas como o ponto focal das Nações Unidas para os pedidos de imagens de satélite durante desastres e gerencia a Plataforma das Nações Unidas para a informação baseada em Espaço de Gestão de Desastres e Resposta de Emergência (ONU-Spider).

Fonte: INPE

Comentário do blog: a construção de um terceiro satélite de segunda geração do programa CBERS era considerada quase certa dentro da AEB e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e ganhou ainda mais força após a falha com o CBERS 3, em dezembro do ano passado. O CBERS 4A deverá aproveitar certos subsistemas produzidos em duplicidade, a exemplo do CBERS 2B.
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Brasil - Rússia: "aproximação de indústrias espaciais"

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Russos propõem aproximação de indústrias espaciais

Brasília, 17 de julho de 2014 – A realização de um evento conjunto entre Brasil e Rússia reunindo representantes da área industrial aeroespacial dos dois países foi proposta pelo vice-presidente da Agência Espacial Russa (Roscomos), Sergei Saveliev, na terça-feira (15) em encontro com o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, em Brasília (DF).

Do encontro, a ser organizado até o final do ano no Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP), também participariam pesquisadores, acadêmicos e estudantes em formação na área espacial, uma vez que a formação de recursos humanos para o setor integraria a programação do evento.

Saveliev disse ao presidente que a Rússia tem interesse em aumentar as vagas em suas universidades para bolsistas do programa Ciência sem Fronteiras Espacial (CsF-Espacial), bem como as oportunidades de estágios e pesquisa em laboratórios e empresas do segmento espacial.

Outros dois convites feitos pelo dirigente da Roscomos foram para que AEB incentive as instituições nacionais envolvidas em pesquisa espacial a participarem dos estudos e prospecções desenvolvidas na Rússia em relação ao espaço profundo; e para que se envolvam de forma mais ampla nas atividades científicas realizadas no módulo de pesquisa que o país mantem agregado a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês).

Participação – A instalação e o aproveitamento científico de estações de calibragem do sistema de navegação por satélite de tecnologia russa (Glonass) na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, e no Instituto Tecnológico de Pernambuco (Intep), em Recife, e a que já foi inaugurada na Universidade de Brasília (UnB), também foram itens da reunião.

A Rússia também tem interesse na implantação de uma estação de rastreio de detritos espaciais junto ao Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), em Itajubá (MG), instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Também participaram do encontro o diretor da área de satélites da AEB, Carlos Gurgel, o chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, José Monserrat Filho, o vice-diretor da área internacional da Roscomos, Alexander Bochkarev, e Juri Roy, representante de uma empresa russa da área espacial.

Fonte: AEB
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