domingo, 4 de março de 2012

Cooperação Brasil - Argentina: Alcântara

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Reproduzimos abaixo um novo artigo enviado ao blog pelo Prof. José Monserrat Filho sobre a visita de uma delegação argentina ao Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

Delegação argentina de alto nível visita Alcântara

José Monserrat Filho, Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB)

No próximo dia 15 de março, quinta-feira, uma delegação de alto nível da Argentina visitará o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, considerado um dos locais mais privilegiados do mundo para lançamentos espaciais seguros, econômicos e competitivos.

A visita atende ao convite formulado, em 2011, pelo então Presidente da Agência Espacial Brasileira, Marco Antônio Raupp, hoje Ministro da Ciência, Tecnologia e Informática, durante reunião no Itamaraty sobre a cooperação entre os dois países para o uso pacífico do espaço exterior.

A comitiva visitante será presidida pelo Embaixador Luis María Kreckler, representante do Governo da Argentina em Brasília. Seus demais membros são: Ministro Gustavo Eduardo Ainchil, Diretor de Segurança Internacional, Assuntos Nucleares e Espaciais do Ministério das Relações Exteriores; Conrado Franco Varotto, físico, Diretor Executivo e Técnico da da Comissão Nacional de Atividades Espaciais (CONAE); Brigadeiro Genaro Sciola, membro da Diretoria da CONAE; dois Ministros da Embaixada da Argentina em Brasília, Fernando Brun e Fabián Oddone (Cônsul Geral e coordenador dos assuntos de Política Externa, Defesa e Segurança), e o Secretário Jorge Maximiliano Alaniz Rodríguez.

De parte do Brasil, acompanharão a comitiva argentina representantes dos Ministérios das Relações Exteriores e da Ciência, Tecnologia e Inovação, bem como da Agência Espacial Brasileira.

Esta é a primeira visita ao CLA de uma delegação oficial da Argentina.

Os visitantes vão conhecer as instalações já existentes e as que estão em construção no CLA, além de participar de um sobrevoo panorâmico em helicóptero sobre Alcântara para ter uma visão ampla da região e do projeto como um todo. No prédio principal, encontra-se o Centro Técnico, que ocupa área de cerca de 10.000m2, em três pavimentos. É o epicentro do conjunto completo de estações. Ali serão feitas para os argentinos apresentações sobre a história, a evolução e o potencial do CLA, revelando dados, imagens e perspectivas dos programas e projetos em andamento.

No novo Centro de Comando e Controle de lançamentos, estão os terminais de todos os sistemas de modo integrado e sincronizado. A visão da nova e moderna plataforma de lançamento para o VLS-1 e os lançadores que vierem a seguir é impressionante. A plataforma especial para lançar o Cyclone 4, em 2013, está em construção e também será visto pela delegação argentina. O Cyclone 4 é fruto da cooperação Brasil-Ucrânia e busca entrar no mercado mundial de lançamentos comerciais, com uma opção capaz de garantir segurança e preço competitivo.

A delegação argentina também terá oportunidade de conhecer a antiga cidade de Alcântara, relíquia histórica dos tempos coloniais.

O CLA pode vir a ser parte importante da cooperação espacial Brasil-Argentina, se objetivos mais ambiciosos e arrojados forem adotados mutuamente. Lançadores e satélites do programa espacial argentino certamente terão ganhos e benefícios consideráveis ao serem lançados do CLA, a começar pelas vantagens da própria geografia do local, que permite lançamentos tanto equatoriais quanto polares, com alto nível de segurança.

O Centro Espacial Guianês, em Kourou, na Guiana Francesa, é definido como “A Porta Europeia para o Espaço”, conforme se lê no alto de seu majestoso portão de entrada.

Pois o Centro Espacial de Alcântara (CLA) poderá passar a ser visto como “A Porta Latino-Americana para o Espaço”.

O CLA oferece todas as condições e qualidades para estimular o desenvolvimento dos programas espaciais dos países da região. E a Argentina, em especial, tem tudo para ser o primeiro país do continente a poder vislumbrar ganhos concretos e efetivos com essa espécie de integração espacial. A ideia me parece promissora e sedutora. Há não só possibilidades, mas probabilidades verdadeiras. Daí que é hora de sentar e conversar. A visita ao CLA pode ser o início de um grande salto na colaboração entre Brasil-Argentina. Um salto capaz de atingir o espaço exterior, de onde podemos retirar – juntos – muitas riquezas, dados preciosos e serviços de primeira necessidade.

Comentários do blog: interessante observar que, assim como o Brasil, a Argentina também mantém pretensões de acesso independente ao espaço. O país vizinho desenvolve uma família de foguetes de sondagem e também o projeto de um lançador de pequeno porte (leia a postagem "Lançadores: Argentina quer entrar para o clube").
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2 comentários:

iurikorolev disse...

Caro Mileski
Embora não tenha a ver com o post :

IRÃ LANÇARÁ SATÉLITES GEOESTACIONÁRIOS E PLANEJA MISSÃO TRIPULADA EM 2019

Em meio às suspeitas da comunidade internacional sobre seu programa nuclear, o governo do Irã anunciou hoje (5) que enviará satélites geoestacionários que orbitarão a Terra. O diretor do Programa Aeroespacial do Irã, Mehdi Farahi, disse que a ideia é enviar satélites com o poder de alcance de 1.000 quilômetros. O envio dos satélites está dentro do plano aeroespacial até 2015.

Em junho de 2011, o Irã lançou um satélite de observação. O objetivo era fazer imagens da Terra e transmiti-las com as informações para as estações terrestres. Em 20 de junho do ano passado, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que o país obteve a tecnologia para desenvolver satélites. Segundo ele, o governo pretende em breve lançar satélites de alcance ainda maior –que atinjam altitude de cerca de 40 mil quilômetros.

De acordo com Farahi, o governo iraniano lançou seu primeiro satélite, “Omid” (cujo significado em português é Esperança), em 2009. Em 2019, o governo iraniano pretende lançar a primeira missão tripulada ao espaço. Pelos dados oficiais, o Irã é um dos 24 membros fundadores da “Comissão das Nações Unidas sobre os Usos Pacíficos do Espaço Exterior”, que foi criada em 1959.

O lançamento de satélites ocorre no momento em que o Irã sofre severas sanções de parte da “comunidade internacional” devido ao programa nuclear desenvolvido no país.
Para a “comunidade internacional”, o programa esconde a produção de armas atômicas. Mas Ahmadinejad e as demais autoridades do Irã negam as suspeitas.”

FONTE: reportagem de Renata Giraldi, repórter da Agência Brasil, com informações da emissora estatal de televisão do Irã, PressTV (edição de Graça Adjuto).

MESMO COM UMA ECONOMIA MUITO MENOR QUE O BRASIL E SENDO PERSEGUIDO PELAS GRANDES POTÊNCIAS, O IRÃ CONSEGUE SE DESENVOLVER MUITO MAIS QUE O BRASIL.
É HORA DE TIRAR DE BRASILIA OS ENERGÚMENOS QUE "GERENCIAM" A ÁREA DE ESPAÇO NO BRASIL, QUE ESTÃO LÁ DESDE FHC, LULA E DILMA.
BUROCRATAS SEM LIDERANÇA NEM VISÃO ESTRATÉGICA NECESSÁRIAS À ÁREA.

Tanoshi . disse...

A Única coisa que o Irã tem mais que o Brasil é a grana, dinheiro mesmo, se nós contássemos com a mesma verba, eu nem sei o que estaríamos colocando em orbita agora, vejá o exemplo, os Hermanos vem ver o nossa CLA. Que maravilha!!!