domingo, 5 de agosto de 2012

ACS, Cyclone 4 e o possível Cyclone 5


UCRÂNIA CONSTRUIU A PLATAFORMA DE LANÇAMENTO PARA O PROJETO "CYCLONE-4"

3 de agosto de 2012

A Ucrânia terminou o trabalho de construção da plataforma de lançamento no âmbito do projeto ucraniano-brasilerio "Cyclone-4", disse o Primeiro-Ministro da Ucrânia Mykola Azarov nesta sexta-feira durante a reunião com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil Marco Antonio Raupp.

"Nossa cooperação na esfera espacial no âmbito do projeto "Cyclone-4" no Centro de Lançamento Alcântara entra na fase final, por isso queremos chamar a atenção para a necessidade da decisão positiva da parte brasileira referente ao financiamento da instalação. Por sua vez, gostaria de informá-lo, que o desenvolvimento da plataforma de lançamento está quase completo. E hoje o Senhor pode visitar a planta em Dnipropetrovsk (“Yuzhnoe SDK”) e ver por si mesmo este equipamento," – disse Mykola Azarov.

Ele lembrou que pelo projeto "Cyclone-4" a parte ucraniana desenvolve e fabrica os equipamentos tecnológicos necessários para executar o trabalho com o foguete "Cyclone-4" para preparação do lançamento desse veículo-lançador  ucraniano do Centro Alcântara. Ao mesmo tempo a parte brasileira constrói as instalações da infra-estrutura e comunicações do Centro.

O Primeiro-Ministro acrescentou que hoje os especialistas dos dois países começaram a tratar do desenvolvimento e a criação conjunta do veículo-lançador da nova geração "Cyclone-5", bem como da cooperação na área de satélites e muito mais.

"É extremamente interessante o desenvolvimento conjunto de veículo da próxima geração "Cyclone-5", bem como a cooperação na criação de satélites e motores. Estamos dispostos a cooperar com a parte brasileira para criar uma empresa conjunta que irá fabricar produtos utilizando tecnologias ucranianas" – disse Mykola Azarov.

Por sua vez, Marco Antonio Raupp observou que a experiência positiva de cooperação entre a Ucrânia e o Brasil na área espacial deve se expandir para outras áreas. "Nossas perspectivas do desenvolvimento da indústria espacial são muito promissoras - esta experiência positiva deve ser aplicada nas outras áreas", - disse ele.

NB: o Tratado entre a Ucrânia e a República Federativa do Brasil sobre Cooperação de Longo Prazo na Utilização do Veículo de Lançamentos Cyclone-4 no Centro de Lançamento de Alcântara, foi assinado em Brasília, em 21 de outubro de 2003. A construção do complexo de lançamento começou no Brasil, em setembro de 2010. O projeto prevê a criação do Centro de Lançamento no cosmódromo atual Brasileiro em Alcântara. O primeiro lançamento do foguete "Cyclone-4" está previsto para o final de 2013.

Fonte: Departamento de Informação e Comunicação Pública da Secretaria do Gabinete de Ministros da Ucrânia, via Embaixada da Ucrânia no Brasil.

Comentários: interessante observar a retomada da pauta de se desenvolver no futuro um novo lançador, o chamado Cyclone 5. A ideia não é nova e foi bastante destacada por Roberto Amaral, ex-diretor-geral da Alcântara Cyclone Space (ACS) durante a sua gestão na binacional. Vale lembrar que o acordo ucraniano-brasileiro que culminou com a constituição da ACS não envolve transferência de tecnologia (e desenvolvimento tecnológico em solo brasileiro), mas tão somente a exploração comercial do binômio Cyclone 4 / Centro de Lançamento de Alcântara. Não se tem informações sobre o que viria a ser o Cyclone 5, mas do lado brasileiro, ele certamente ocuparia algum espaço dentro do programa conceitual Cruzeiro do Sul, do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). Em breve, o blog fará uma análise sobre os projetos, iniciativas e possibilidades brasileiras no campo de lançadores.
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Um comentário:

RaulPMicena disse...

Acredito que os principais requisitos para um novo lançador, baseado no Cyclone-4, seria a utilização de propelente atóxico e um incremento de uns 400 a 500 kg na carga útil para órbita geoestacionária. Isto poderia ser feito com a introdução de novos motores, talvez até um estágio superior nacionalizado e a utilização intensiva de polímeros afim de se reduzir o 'peso morto'.
Pelo menos com a parte superior e boa parte da eletrônica de bordo acho que somos plenamente capazes de entrar, quase que de forma independente se forem investidos os recursos necessários.
Outra opção seria a utilização de boosters, mas acredito que tornaria o foguete caro demais e complicaria a operação, além de exigir modificações na plataforma de lançamento, o que não sei se seria possível.


abraços