quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Venezuela: VRSS-1 prestes a ser lançado


O Francisco Miranda, primeiro satélite de observação da Venezuela deve ser lançado ao espaço no próximo sábado, 29 de setembro, segundo informações divulgadas pela imprensa local. O satélite, também conhecido por VRSS-1, já está acoplado ao lançador chinês Longa Marcha 2D, que deve partir do centro espacial de Jiuquan, no noroeste da China.

Construído pela China Great Wall Industry Corporation (CGWIC), o VRSS-1 (Venezuelan Remote Sensing Satellite) é o segundo satélite adquirido pela Venezuela. Em outubro de 2008, seu primeiro satélite, o Venesat-1 (também conhecido como Simon Bolivar), de comunicações, foi lançado ao espaço.

Não são conhecidas muitas características técnicas do VRSS-1, como, por exemplo, o número e resolução dos sensores óticos, mas sabe-se que ele é baseado na plataforma CAST2000, desenvolvida pela Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST, sigla em inglês). Será utilizado para monitoramento de produção agrícola, planejamento urbano, alerta de desastres naturais e controle de recursos naturais, entre outras finalidades.
.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Cooperação Brasil - Ucrânia: recursos humanos


Alunos da UnB fazem parte de mestrado na área espacial na Ucrânia 

25-09-2012

A falta de recursos humanos é um dos principais gargalos do Programa Espacial Brasileiro. O Brasil precisa de mão de obra especializada nos institutos, empresas e indústrias do setor. Mas, em breve, o país deve ganhar mais mestres na área. Os dez alunos da Universidade de Brasília (UnB) que foram à Ucrânia fazer parte do mestrado com foco na área espacial estão de volta ao país. Agora, eles devem terminar suas dissertações e defendê-las entre o final deste ano e o início do próximo. Assim, estarão habilitados a trabalharem em qualquer instituição brasileira que atua no setor aeroespacial.

Os alunos da UnB foram à Ucrânia praticar as teorias de construção de foguetes espaciais aprendidas em sala de aula. Ao todo foram nove meses entre cursos na Universidade de Dnipropetrovsk e visitas ao complexo Yuzhnoye SDO e Yuzhmash Machine Building Plant -empresas estatais que projetam e fabricam foguetes e satélites ucranianos.

Cada aluno tem uma área de pesquisa e por isso frequentou aulas e fez visitas a laboratórios específicos. “A diversidade em nossos campos de estudo foi tamanha que meu orientador ucraniano chegou a dizer que o grupo da UnB poderia formar um mini-bureau de projeto na área espacial”, conta um dos estudantes participantes do intercâmbio.

A única mulher do grupo, Adriana Correa, 27 anos, explica que os ucranianos desenvolvem foguetes e satélites há mais de 50 anos e, por isso, têm muito a ensinar. “Não teria a oportunidade de presenciar aqui no Brasil algumas das tecnologias que vi na Ucrânia. Mas nossos profissionais estão se desenvolvendo de forma rápida e em pouco tempo os alcançaremos”, acredita Adriana.

Rodrigo Gomes, 25 anos, foi para a Ucrânia desenvolver parte de seu projeto - um motor a propelente pastoso que será utilizado em satélites e também no terceiro estágio de foguetes. “O projeto foi bem sucedido e, juntamente com meu professor ucraniano, tenho um pedido de patente para esse motor”, conta o aluno. O pedido está em andamento na Ucrânia e deve sair em três ou quatro meses.

O mestrado começou, em 2011, no Brasil, com aulas que tinham como objetivo o nivelamento em conhecimentos avançados de engenharia e a formação específica em sistemas aeroespaciais. Para isso, os alunos cursaram disciplinas com conteúdo matemático e técnico nas áreas analítica, experimental e numérica, o que foi necessário para que conhecessem o vocabulário, especificidades e aspectos técnico-científicos do campo.

Para finalizar o programa de formação, os alunos farão a defesa de suas dissertações de mestrado. Segundo o coordenador do curso de Engenharia Aeroespacial da UnB, Manuel Barcelos, ao concluírem a pós-graduação, os estudantes estarão aptos a trabalhar para o Programa Espacial Brasileiro. “O conhecimento que adquiriram possibilita que eles trabalhem em qualquer empresa ou setor que envolva a área aeroespacial. Nosso programa espacial precisa de mão de obra formada e especializada”, afirma o coordenador.

O comitê aeroespacial da UnB deseja que o programa tenha outras edições. “Essa foi a primeira vez que mandamos os alunos para a Ucrânia e o resultado foi satisfatório”, afirma Manuel Barcelos.  “Já temos algumas  ideias de como ampliar o programa. Uma delas é levá-lo para outras universidades brasileiras”, conclui.

Histórico - A ideia de intercâmbio partiu da Embaixada da Ucrânia, que há aproximadamente quatro anos buscou a UnB para estreitar relações entre os dois países. A partir disso, foi criado um comitê formado pelos professores da UnB Geovany Borges, Carlos Gurgel, José Leonardo Ferreira, Manuel Barcelos e mais recentemente, o professor Paolo Gessini. O grupo fez uma visita à Universidade Nacional de Dnipropetrovsk e, em 2009, os reitores José Geraldo de Sousa Júnior e Nikolay Polyakov assinaram um acordo de cooperação.

Segundo o professor da UnB Paolo Gessini, o objetivo principal deste projeto é a formação de recursos humanos na área aeroespacial. No entanto, o professor garante que a troca de experiências também favorece o país do leste europeu. “Os ucranianos são muito bons em propulsão sólida e líquida, e nós somos muito bons em propulsão híbrida”, explica.

O programa foi financiado por uma parceria entre a Agência Espacial Brasileira, o CNPq, a UnB e a ACS.

 Conheça as áreas de pesquisa dos alunos:

- Estimação, determinação e controle de atitude de nano-satélites lançados em órbita baixa para sensoriamento remoto;

- Projeto de estação de solo para a comunicação e rastreamento de satélites com finalidade de envio de comandos e o recebimento de telemetria e dados de sensoriamento remoto;

- Desenvolvimento de ferramentas computacionais para a simulação de escoamentos sobre geometrias de foguetes;

- Estudo de propelentes líquidos utilizados na família de foguetes Cyclone e projeto de motor foguete líquido;

- Estudo e desenvolvimento de metodologia de projeto de lançadores;

- Desenvolvimento de ferramentas computacionais para a simulação e a predição da balística interna de motores foguetes híbridos;

- Desenvolvimento de motor foguete com sistemas de propelentes pastosos aplicada a estágios superiores de veículos lançadores, a satélites e a espaçonaves;

- Estudo da dinâmica e modelagem matemática de veículos lançadores;

- Estudo de diferentes materiais para a fabricação ou proteção de bocais aplicados em motores foguetes híbridos;

- Estudo de processos de soldagem e metalurgia da soldagem aplicados a foguetes.

Fonte: AEB
.

Solução em comunicações via satélite


Cassidian e Astrium Services ampliam a Tetrapol com Comunicações via Satélite

* Possibilidade de conectar redes regionais da Tetrapol via satélite
* Demonstração ao vivo realizada em pequena cidade brasileira da região amazônica, simulando condições ambientais severas
* Exibição de transmissões simultâneas de voz, vídeo e Internet para dispositivos separados

Friedrichshafen/Elancourt, 25 de setembro, 2012 - A Cassidian e a Astrium Services ampliaram os serviços disponibilizados pela Tetrapol com a possibilidade de conectar redes regionais via satélite. Recentemente, uma demonstração ao vivo foi realizada no Brasil para mostrar as soluções de comunicação ponta-a-ponta para vigilância de fronteiras e demonstrar os recursos que podem ser agregados à rede Tetrapol com a integração via satélite.

O Departamento da Polícia Federal já adotou o sistema de comunicação segura via rádio usando as redes Tetrapol, da Cassidian. Nove redes IP Tetrapol regionais garantem uma cobertura confiável da costa atlântica do País até as fronteiras do Brasil com Peru, Venezuela, Argentina e mais sete países.  Normalmente, as redes regionais da Tetrapol usam conexões terrestres. Em áreas como a Floresta Amazônica, onde a infraestrutura de telecomunicações terrestres é escassa ou até inexistente, a tecnologia SKYWAN, da Astrium Services, é capaz de realizar a interconexão de várias redes via satélite, usando a tecnologia DAMA para compartilhar banda entre todos os nós.  Com a escalabilidade da solução Tetrapol, vários serviços Tetrapol podem ser disponibilizados com cobertura regional táctica em regime provisória ou permanente.  O link de satélite também oferece acesso em regiões remotas à Internet, vídeo e outros aplicativos em paralelo com as comunicações de voz da Tetrapol, com uma capacidade de transmissão de dados praticamente infinita.

A pequena cidade de Oriximiná, onde a demonstração foi realizada, é localizada na região norte do Brasil, no estado de Amazonas, a quatro horas de Santarém e acessível principalmente via barco. A sua localização remota foi escolhida para simular as condições ambientais severas enfrentadas diariamente pelos grupos responsáveis pela vigilância das fronteiras do País.  A demonstração contou com a presença de representantes do Ministério da Justiça e várias agências federais responsáveis pela vigilância das fronteiras. A Astrium Services e nossa parceira, a Cassidian, realizaram uma demonstração eficiente de transmissão simultânea de voz, vídeo e Internet para diversos dispositivos manuais, sem alterar a perfeita estabilidade da rede e a alta qualidade das transmissões de voz.

Capitão Albércio, da Força Nacional Brasileira, disse: "Estamos procurando uma solução com essa há quatro anos. A Força Nacional precisa operar sem falhas em áreas remotas do Brasil, como a Floresta Amazônica e nos pontos mais afastados da Fronteira Brasileira.  Essa solução completa da Astrium Services e da Cassidian combina comunicações via satélite com um tronco de rádio digital capaz de oferecer acesso crítico a rádio e Internet digital para as tropas localizadas no meio da mata, mantendo sua conexão com a nossa sede em Brasília.  Além disso, é possível criar uma conexão com a rede de rádio da Polícia Federal, viabilizando nosso acesso a informações de todos os estados Brasileiros. Com certeza, a solução deve aumentar a segurança e efetividade das nossas operações."

Através da sua linha de produtos ND SatCom, a Astrium Services é um dos principais fabricantes de soluções para estações em terra e redes de comunicação para defesa, governos, radiodifusão e banda larga VSAT via satélite. Suas tecnologias inovadoras são usadas pelos setores de telecomunicações, mídia e radiodifusão além de órgãos do governo e de defesa do mundo inteiro. A equipe e as tecnologias da ND SatCom oferecem mais de 30 anos de experiência em soluções de engenharia, redes de satélite e outros sistemas personalizados, seguros e completos.

A Tetrapol é uma tecnologia de rádio móvel profissional (PMR) aberta, digital e personalizado para usuários profissionais de setores como segurança pública, concessionárias e empresas de transporte, além do exercito.  Profissionais do mundo inteiro dependem da Tetrapol para garantir comunicações de voz e dados seguras e confiáveis.  Com 85 redes em mais de 30 países, a Tetrapol oferece cobertura para mais de 1.850.000 usuários.

Fonte: Cassidian, 25/09/2012.
.

sábado, 22 de setembro de 2012

Telespazio Brasil quer ter satélite local


A companhia italiana Telespazio está interessada em adquirir uma posição orbital brasileira para iniciar a operação de um satélite geoestacionário de telecomunicações até o início de 2016. A informação foi dada por Marzio Laurenti, presidente da Telespazio Brasil, no Congresso Latino-Americano de Satélites, realizado semana passada no Rio de Janeiro (RJ), segundo o website especializado Telecompaper.com.

A intenção da companhia é dispor de um satélite em banda Ka, com capacidade média de 50 gbps, para cobertura de regiões metropolitanas de grandes e médias cidades com cobertura de banda larga atualmente não satisfatória. Para este projeto, a Telespazio deve buscar um parceiro local.

Banda Ka

A faixa de frequência da banda Ka (26,5 Gigahertz (GHz) a 40 GHz) é vista com grande potencial para o crescimento das comunicações digitais pelo mundo, em especial TV digital de alta definição e internet em banda larga. O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), planejado pelo governo brasileiro, disporá de capacidade nesse espectro, destinada ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). O blog Panorama Espacial também apurou que o próximo satélite a ser contratado pela Star One, operadora de comunicações da Embratel, também disporá de capacidade nesse espectro, dando início, inclusive, a uma nova família de satélites, de quarta geração (Star One D1).
.

600ª operação de lançamento do CLBI


600ª Operação da Barreira do Inferno lança Foguete de Treinamento

20-09-2012

O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) realizou com sucesso no último dia 19 de setembro o lançamento de um Foguete de Treinamento Básico.

A Operação objetivou manter a capacitação dos recursos humanos e os meios operacionais, além de obter a qualificação e a certificação do foguete, cumprindo as metas do Programa Nacional de Atividades Espaciais.

Duzentos e sessenta alunos da Rede de Ensino do Rio Grande do Norte, com idade entre 3 e 17 anos, assistiram do Centro de Cultura e Informações Turísticas (CCEIT) a palestra institucional do CLBI e, em seguida, acompanharam o lançamento do foguete. “No momento do lançamento o que vimos foi a vibração de todos eles. É como se soubessem a dimensão da importância do lançamento, do domínio da tecnologia brasileira. Eles comemoraram com aplausos e gritos a tecnologia que estarão usufruindo em seus futuros”, assinalou Silvânia Barreto, Coordenadora do CCEIT.

Essa Operação registra a emblemática marca de seiscentas operações realizadas pelo CLBI primando pelo profissionalismo e pela excelência.

Fonte: CLBI, via AEB.
.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Evento: “O setor espacial brasileiro: cenário atual e perspectivas”


Abertas as inscrições para o XII ENEE com o tema “O setor espacial brasileiro: cenário atual e perspectivas”

Com o tema “O setor espacial brasileiro: cenário atual e perspectivas”, a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República vai promover o XII Encontro Nacional de Estudos Estratégicos (XII ENEE), que será realizado no Rio de Janeiro, nos dias 7, 8 e 9 de novembro de 2012.

Esta edição do encontro pretende examinar questões estratégicas para o País e para o setor da Defesa e, com isso, produzir subsídios para a formulação de políticas públicas mais eficazes. A programação inclui duas conferências, além de seis painéis – dos quais participarão especialistas e autoridades em áreas específicas.

Os painéis irão discutir temas como o cenário internacional – o setor espacial brasileiro no contexto global; o cenário nacional – condução da política espacial brasileira; as contribuições da tecnologia espacial na solução de problemas de Defesa; as contribuições da tecnologia espacial na solução de problemas socioambientais e a participação da indústria nacional nos programas de desenvolvimento de tecnologias e sistemas espaciais.

A organização do XII ENEE espera a participação de 800 pessoas, entre autoridades, especialistas, servidores públicos, acadêmicos, membros da comunidade científica, representantes de organizações não governamentais (ONGs) e do setor privado, militares e estudantes. A participação no evento é aberta e gratuita, mas as vagas são limitadas. As inscrições poderão ser realizadas pelo site.

Fonte: Secretaria de Assuntos Estratégicos
.

Projetos do INPE de Santa Maria (RS)


INPE de Santa Maria inaugura novos projetos

Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012

No Centro Regional Sul do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CRS/INPE), em Santa Maria (RS), acontece nesta quarta-feira (19/9) às 14 horas a solenidade de inauguração do cluster para modelagem de circulação oceânica e ciclos biogeoquímicos do Projeto Antártico (PAN) e da atualização do cluster para a previsão diária da dinâmica da Ionosfera (conteúdo eletrônico total). O evento, que também marca o início das operações de uma boia meteo-oceanográfica de grande porte para coleta de dados ambientais antárticos em tempo real com transmissão via satélite, servirá para apresentação da Plataforma TerraMA² para o monitoramento e alerta de desastres na região Sul do Brasil e, ainda, do Programa Nanosat C-BR.

Ionosfera

A atualização do cluster para a previsão diária da dinâmica da Ionosfera irá beneficiar os estudos na área de Clima Espacial. O equipamento processa dados de TEC, sigla em inglês para “conteúdo eletrônico total”, que altera os sinais captados através da ionosfera e interfere no sistema de posicionamento global por satélites, o GPS. Outros sistemas tecnológicos também são suscetíveis a eventos relacionados ao Clima Espacial, como a rede de distribuição de energia elétrica, que pode ser danificada devido a correntes elétricas induzidas geomagneticamente em condutores e equipamentos. Ejeções de massa solar também podem danificar circuitos eletrônicos em satélites. Por isso, vários países criaram centros para monitoramento e previsão de Clima Espacial.

O INPE mantém o Programa de Estudo e Monitoramento Brasileiro do Clima Espacial (EMBRACE) para avaliar fenômenos que afetam o meio entre o Sol e a Terra, bem como o espaço em torno da Terra. Uma de suas atividades mais importantes é o desenvolvimento de um sistema operacional para previsão diária do estado da ionosfera terrestre. O Laboratório de Computação para Clima Espacial (LCCE) do CRS/INPE realiza essa atividade para a região da América do Sul utilizando equipamentos computacionais de alto desempenho, que rodam programas complexos e demorados. Recentemente esse cluster de computadores foi atualizado, tendo recebido 23 nós de processamento, cada um com 2 CPUs e 4 núcleos de processamento. Com esse aumento no poder computacional do CRS/INPE, espera-se no futuro disponibilizar mapas com maior resolução e simulações abrangendo o globo inteiro.

Antártica

O Projeto Antártico do INPE (PAN-INPE) está inaugurando o cluster para modelagem oceânica e de ciclos biogeoquímicos, adquiridos com verba da FINEP para um projeto de monitoramento do tempo, clima e oceano no Rio Grande do Sul. A modelagem oceânica é uma ferramenta importante para o estudo de processos físicos que ocorrem no mar, e a costa do Rio Grande do Sul apresenta um comportamento dinâmico peculiar em relação ao resto do Brasil devido à relação que tem com agentes externos de grande escala no mar e na atmosfera em altas latitudes. Há também uma relação importante entre os fenômenos dinâmicos marinhos e a produção pesqueira do Rio Grande do Sul e da costa sul-sudeste do Brasil. A dinâmica oceânica é ainda responsável pela modulação em caráter sinótico e climático da atmosfera na costa sul-sudeste do Brasil.

O PAN-INPE também está inaugurando uma plataforma para coleta de dados para águas polares, que consiste numa boia meteo-oceanográfica de grande porte para lançamento em novembro de 2012 na Ilha Deception, arquipélago das Shetland do Sul, na região oeste da Península Antártica. Uma vez ancorada no mar em águas rasas ou profundas, essa boia tem capacidade para determinar dados meteorológicos e oceanográficos por meio de sensores de intensidade e direção dos ventos, pressão atmosférica, umidade e temperatura do ar, radiação de ondas curtas e precipitação, além da temperatura da água do mar em cinco profundidades diferentes na coluna d'água. Os dados são transmitidos em tempo quase real para uma estação no INPE via satélite. Essa iniciativa é única nos 31 anos do PROANTAR e traz ao Brasil e ao estado do Rio Grande do Sul o status de contribuidor para a coleta de dados sistemática na Antártica, dando suporte a futuros programas de observação marinha e atmosférica polar. Todos os projetos realizados no CRS-INPE no âmbito do PAN-INPE são efetuados com a colaboração científica e técnica da UFSM, UFRGS e FURG, reiterando a proposta do Centro Regional Sul de Pesquisas Espaciais de ser um elo integrador entre as universidades gaúchas e contribuindo também para a formação de recursos humanos e sua fixação no estado do Rio Grande do Sul.

TerraMA²

A plataforma de monitoramento, análise e alerta de eventos geo-ambientais extremos TerraMA² é um produto de software aberto a qualquer usuário interessado em desenvolver seu próprio sistema operacional de riscos ambientais. Dada a complexidade dos fenômenos naturais e das variáveis que podem ser usadas para monitorar tais fenômenos com potencial de produzir desastres, o TerraMA2 foi criado para ser um sistema “caixa branca”, isto é, uma ferramenta de programação para que o usuário desenvolva seus modelos de análise. Outra característica para operação do TerraMA2 é o acesso a dados brutos e dados atuais de observações providas por radares, satélites, plataformas de coleta de dados no campo e de modelos de previsão, além de mapas de risco monitorados através de modelos escritos em uma linguagem de programação.

O TerraMA² foi concebido para operação por dois grupos de usuários fundamentais: Operadores do Sistema, que são organizações que monitoram a possibilidade de ocorrência dos desastres (como o Geodesastres-Sul do INPE-CRS), normalmente constituído por um grupo multidisciplinar com caráter mais técnico-científico; e Clientes dos Alertas (como a Defesa Civil), que são os agentes que têm a competência para executar as ações preventivas para a diminuição de perdas no caso da ocorrência do desastre.

Nanosat C-BR

O CRS/INPE é responsável por projetos de pesquisa e aplicações nas áreas de nanosatélites, com concentração em CubeSats. O objetivo é o desenvolvimento, lançamento e operação desse tipo de plataforma espacial e a consequente formação prática de recursos humanos para o setor espacial brasileiro. O projeto Nanosat C-BR se vale da parceria com os programas de Engenharia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no âmbito do desenvolvimento de programas acadêmicos de formação de alunos, recursos humanos com bolsas de iniciação científica e tecnológica do CNPq, FAPERGS e Programa de Capacitação Institucional (PCI). A cooperação com a UFSM é de suma importância para a condução das pesquisas e projetos para o desenvolvimento de tecnologias espaciais no Brasil e colabora, também, para levar atividades importantes do setor a outras regiões, visando à formação prática de jovens pesquisadores e tecnólogos para atuação no Programa Espacial Brasileiro e permitindo a necessária renovação nos quadros envolvidos com o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE).

Fonte: INPE
.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Avanço chinês na América Latina


Ao que tudo indica, a China está próxima de fechar mais um importante contrato em matéria espacial no continente latino-americano. De acordo com informações divulgadas pela mídia local, o governo da Nicarágua está em negociações avançadas com a companhia chinesa China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) para a compra de um satélite geoestacionário de telecomunicações, transação avaliada em cerca de 300 milhões de dólares.

Os recursos para o projeto seriam financiados por bancos chineses. Há expectativa de que o contrato seja assinado em outubro, por ocasião de uma visita oficial do presidente executivo da entidade reguladora de comunicações da Nicarágua, Orlando Castillo, à Pequim, com o início dos trabalhos em março de 2013.

O satélite já tem nome definido - Nicasat-1, e segundo informações de autoridades locais, "servirá para promover o desenvolvimento econômico do país, além de melhorar as comunicações em casos de desastres naturais." É provável que seja baseado na plataforma DHF-3, similar a adotada pelos satélites da Venezuela e Bolívia.

A China é hoje a maior parceira espacial da América Latina, com projetos conjuntos com o Brasil (CBERS, desde 1988), Venezuela (Venesat-1 e VRSS-1) e Bolívia (Tupac Katari), além de outras iniciativas em desenvolvimento com outros países da região (Argentina e Peru, por exemplo).
.

domingo, 16 de setembro de 2012

Satélites 2012: informações sobre o SGDC


Em 13 de setembro, aconteceu na capital carioca mais uma edição do Congresso Latino-Americano de Satélites, considerado um dos principais eventos brasileiros no setor. A exemplo da edição de 2011, um dos principais tópicos de interesse foi o programa do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), que agora conta com informações mais concretas. Abaixo, destacamos algumas informações na forma de notas.

SGDC, Br1Sat, e não mais SGB

A sigla SGB, pela qual o projeto ficou conhecido desde o início da década de 2000, deve mesmo ser abandonada. Prevalecerá o nome oficial, Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), ou então o comercial: BR1Sat.

Principais características

Aos poucos, vão sendo divulgadas informações mais específicas sobre as características do primeiro satélite. O SGDC previsto para ser lançado em 2014 terá vida útil estimada de 15 anos, com centros de operações em áreas militares em Brasília (DF) e no Rio de Janeiro (RJ). Ocupará a posição 75º Oeste. O sistema, como um todo, considera a operação de dois ou mais satélites geoestacionários. O planejamento de longo prazo do governo considera três satélites operacionais em órbita, com lançamentos a cada cinco anos.

O projeto tem alguns objetivos principais: (i) atender o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), do Ministério da Defesa; (ii) comunicações estratégicas do governo federal, de certos órgãos e estatais; (iii) Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), com uso exclusivo da capacidade em banda Ka; e (iv) absorção e transferência de tecnologia para o setor aeroespacial brasileiro. A capacidade em banda Ka deve atingir até 55 gigabytes por segundo.

Em órbita em 2014?

Dirigentes do governo presentes no congresso foram questionados sobre o prazo, exíguo, para a colocação do satélite em órbita. O limite de 31 de dezembro de 2014 continua válido (inclusive, está previsto em decreto) e deve ser tomado como meta. Segundo declarou Sebastião do Nascimento Neto, da Telebrás, “antes da definição do fabricante, não porque se questionar a data”. Na prática, porém, a possibilidade de cumprir o prazo, considerando-se uma possível contratação até o final desse ano, é entendida como remota por especialistas do setor.

Pedidos de propostas

O envio de solicitação de propostas (conhecido como RFP, sigla em inglês de request for proposal) para os fabricantes deve acontecer no início de outubro, segundo informações de representante do Ministério das Comunicações. De acordo com Maximiliano Martinhão, secretário de telecomunicações do ministério, já foram realizadas três reuniões do grupo-executivo para discussão do termo de referência com as especificações requeridas para o satélite. A compra do satélite será realizada com dispensa das regras previstas na Lei de Licitações (Lei n.º 8.666/93), de acordo com autorização já conferida pelo Conselho de Defesa Nacional.

SISCOMIS

O Ten. Cel. Anderson Hosken Alvarenga, do Ministério da Defesa, fez uma breve exposição sobre o SISCOMIS, cuja demanda em comunicações por voz, dados e vídeo deverá ser totalmente atendida pelo SGDC. Atualmente, há cerca de 100 terminais em operação, dos tipos leve, transportável, rebocável e naval, e a expectativa é que até 2020 o sistema opere 300 terminais, inclusive de novos tipos, como portátil (manpack), móvel terrestre e móvel submarino. O SGDC cobrirá todo o Atlântico, parte da costa do Pacífico e da América do Norte. Contará ainda com um "spot" móvel em banda X, isto é, capacidade de cobrir determinadas áreas em certos períodos de acordo com os interesses do Ministério da Defesa (áreas de operações de navios e submarinos da Marinha, por exemplo).

Os interessados

A informação que circulava nos bastidores era de que a Boeing, Space Systems Loral e Orbital Sciences Corporation, todas dos EUA, já haviam se reunido com a Telebrás para conhecer e demonstrar interesse em fornecer o satélite. As europeias Astrium e Thales Alenia Space, assim como a japonesa Mitsubishi Electric Corporation também devem responder o RFP, quando este for enviado.

Ausência sentida

Ainda em matéria de empresas interessadas no programa, uma ausência notada no evento foi a de representantes da Thales Alenia Space que, aparentemente, não compareceram. Na edição de 2011, a empresa franco-italiana foi uma das patrocinadoras do congresso e também apresentou a sua proposta numa palestra. No Brasil, a campanha pelo SGDC era liderada por Laurent Mourre, diretor-geral da Thales no País, mas que deixou esta função no mês passado. O executivo acumulava considerável experiência no setor espacial.

O papel da Visiona

Nelson Salgado, presidente da Visiona Tecnologias Espaciais, joint-venture constituída pela Embraer e Telebrás para atuação no projeto do SGDC, discorreu brevemente sobre o papel da empresa no programa. Salgado destacou que a empresa não será operadora do satélite - esta função caberá à própria Telebrás e ao Ministério da Defesa, mas sim a integradora da rede, de seus segmentos espaciais e terrestres. "A Visiona não será fabricante, mas sim uma empresa de engenharia [de sistemas] e integração", afirmou. O executivo mencionou que a Visiona deve buscar participar de outros projetos do Programa Espacial Brasileiro, destacando que estas iniciativas sempre foram consideradas no planejamento estratégico da Embraer.
.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Palestra sobre grandes missões planetárias


Pesquisadora da Nasa fala sobre as grandes missões planetárias. Palestra será aberta à comunidade

Sexta-feira, 14 de Setembro de 2012

Coordenadora de Ciências Planetárias do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da agência espacial dos Estados Unidos (Nasa), na Califórnia, a astrônoma Rosaly Lopes ministrará palestra na quarta-feira (19/9), às 15h30, no auditório Fernando de Mendonça (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos.

Com o tema “As grandes missões planetárias: Galileo a Júpiter e Cassini a Saturno”, a palestra é gratuita e aberta à comunidade, porém as vagas são limitadas. Os interessados devem solicitar inscrição através do email filo@dge.inpe.br

As missões Galileo e Cassini consistiram no envio de sondas espaciais para estudos dos planetas Júpiter e Saturno, respectivamente. São semelhantes à missão Curiosity, lançada recentemente para exploração de Marte, que também será mencionada durante a palestra.

Rosaly Lopes vem ao INPE através do Ciência sem Fronteiras (CsF), programa do governo federal que, além de levar alunos brasileiros para estudar no exterior, busca atrair pesquisadores renomados ao país. Brasileira, Rosaly Lopes atua há mais de 20 anos no JPL/Nasa. Seu projeto no CsF terá duração de três anos, com periódicas visitas ao INPE para estudos na área de Geofísica Espacial.

Vulcões

Pesquisadora que coordenou a Missão Cassini, de exploração por satélite do planeta Saturno e suas luas, Rosaly Lopes é considerada uma das maiores especialistas em vulcões do mundo. Graduada em Astronomia e PhD em Ciências Planetárias pela University College, do Reino Unido, Rosaly Lopes é pesquisadora sênior da Divisão de Ciências Espaciais e Terrestres do JPL/Nasa, onde utiliza o sensoriamento remoto para estudar processos que ocorrem em superfícies de planetas.

Entre seus projetos mais recentes, destacam-se: análise de espectro infra-vermelho da lua Io com dados obtidos pela sonda Galileo (Galileo's Near-Infrared Mapping Spectrometer - NIMS) e sonda New Horizons; e análise de estrutura geológicas em Titan usando observações da sonda Cassini (Radar Mapper) com ênfase em estruturas criovulcânicas. É autora diversos artigos científicos e livros, como Volcanic Worlds: Exploring the Solar System Volcanoes, sobre os vulcões existentes no Sistema Solar.

Mais informações sobre a pesquisadora Rosaly Lopes na página http://science.jpl.nasa.gov/people/Lopes/

Fonte: INPE
.