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CPTEC/INPE ganha 48 novos servidores
Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2015
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) receberá 68 novos servidores efetivos – 48 para o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), 12 para o Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) e 8 para o Laboratório de Combustão e Propulsão (LCP).
O provimento dos 68 cargos foi autorizado nesta segunda-feira (2/2) pelo Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), por meio da Portaria N°12 publicada no Diário Oficial da União (DOU).
A conquista das vagas efetivas pelo INPE resolve a questão histórica dos servidores temporários do CPTEC e, também, extingue a Ação Civil Pública que resultou no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre União e Ministério Público Federal no final de 2013. O concurso público para contratação dos pesquisadores e tecnologistas efetivos foi realizado no decorrer de 2014.
“Cumprimos integralmente os termos do TAC, que determinou os prazos parasubstituição dos temporários por servidores concursados. A contratação de servidores para o quadro próprio do Instituto garante a continuidade dos serviços na área de meteorologia e o seu constante aprimoramento”, conclui Leonel Perondi, diretor do INPE.
A nomeação deve acontecer nos próximos dias e os novos servidores serão comunicados pela Coordenação de Recursos Humanos do INPE para assumir seus cargos e iniciar atividades no menor prazo possível.
Fonte: INPE
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Satélites de observação: Chile, Bolívia e Venezuela
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No Chile...
No Chile, de acordo com reportagem do periódico “El Mercurio”, a forca aérea entregou recentemente ao Ministério da Defesa um informe técnico para a definição da aquisição de um novo satélite, que virá substituir o SSOT, colocado em órbita em dezembro de 2011 e com vida útil estimada em cinco anos.
A expectativa e que o processo de análise seja concluído ainda no primeiro semestre deste ano e depois seja iniciada uma concorrência internacional para a seleção de um novo modelo. O SSOT, também conhecido como FaSat Charlie [ilustração acima], foi construído pela europeia Astrium, hoje parte da Airbus Defence and Space.
Na Bolívia...
Por sua vez, na Bolívia, segundo informações reproduzidas por meios locais, o diretor da Agência Boliviana Espacial (ABE) afirmou na ultima semana que o projeto de construção e lançamento de seu primeiro satélite de observação conta com o apoio de especialistas da França. As especificações do satélite, que se chamara Bartolina Sisa, foram concluídas no ano passado.
"Tivemos também a sorte de receber a visita de alguns especialistas franceses, estamos trabalhando com eles para fazer uma revisão final de nosso projeto (...) que esta praticamente concluído", afirmou Iván Zambrana, presidente da ABE.
No rol de potenciais interessados em fornecer o sistema, estão empresas francesas, como a Airbus Defence and Space e a Thales Alenia Space.
... e na Venezuela
Apesar da grave crise financeira, agravada com a queda do preço do petróleo - praticamente o seu único produto de exportação, o governo venezuelano reafirmou recentemente a criação de uma fábrica de satélites científicos e de observação, com massa de ate 500 kg, em parceria com a China. A intenção de construir uma fábrica local não é nova e existe ao menos desde 2010.
A fábrica devera ser baseada inicialmente no Centro de Investigación y Desarrollo Espacial (CIDE), situado na cidade de Puerto Cabello, no estado de Carabobo, que deve ser inaugurado ate o final deste ano.
A Venezuela figura hoje como a principal cliente na América Latina da indústria espacial chinesa, que já forneceu um satélite de comunicações e outro de observação. Um terceiro artefato, também de observação, foi encomendado em julho de 2014.
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domingo, 1 de fevereiro de 2015
"Lixo espacial: mitigar ou remover?", artigo de José Monserrat Filho
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Lixo espacial: mitigar ou remover?
José Monserrat Filho *
”Mais vale prevenir do que remediar, tanto na Terra como no céu.” Dito popular adaptado
O lixo espacial é a questão mais crítica em matéria de proteção e segurança no espaço. Só perde para o perigo da instalação de armas em órbitas da Terra, que pode transformá-las em campos de batalha. Mais de 50 anos de atividades espaciais – que se tornaram vitais ao cotidiano na Terra – criaram incrível quantidade de detritos que se multiplicam e perpetuam, e podem acabar inutilizando o uso do espaço, em especial nas órbitas baixas. Tal lixo varia de fragmentos de menos de um milímetro de diâmetro até naves de muitos metros de diâmetro. São satélites desativados, corpos e restos de foguetes, sobras e cacos de colisões e até objetos como luvas, ferramentas etc.
Hoje, claramente, há duas formas de enfrentar o desafio do crescente lixo espacial:
1) Impedindo que as atividades espaciais continuem a produzir detritos em órbitas, como recomendam as Diretrizes para a Redução dos Detritos Espaciais, aprovadas pelo Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS, na sigla em inglês) e endossadas pela Assembleia Geral da ONU, em dezembro de 20071; e
2) Removendo as maiores monturos, para impedir as colisões que, pelo efeito cascata, pulverizam o lixo existente e geram novos detritos. Urge, pois, limpar o espaço da grande sujeira.
Em recente artigo, Darren McKnight, engenheiro norte-americano, afirma com razão que a primeira ação já não garante a sustentabilidade das atividades espaciais. A remoção do lixo também é necessária, acrescenta ele.2
Segundo McKnight, o limite crítico da acumulação de grandes objetos in órbitas baixas já foi ultrapassado. Isso pode provocar a Síndrome Kessler3, ou seja, uma reação em cadeia de colisões auto sustentada, cujo ritmo de choques é incerto devido a sua natureza aleatória.
Ainda segundo McKnight, a média de tempo entre as colisões é atualmente estimada em cerca de quatro anos, mas esse intervalo varia – a colisão pode ocorrer tanto hoje ou quanto na próxima década. E não há certeza de como ela será. Poderá ser um golpe de raspão entre dois objetos de tamanho moderado, uma colisão frontal entre dois objetos de grande massa ou algum cenário intermediário. Por exemplo, há uma chance em 4.000 por ano de dois corpos abandonados de foguetes de 9.000 kg colidirem entre si, o que poderia duplicar o número de detritos catalogados e adicionar mais de meio milhão de fragmentos letais não rastreáveis.
McKnight está seguro de que as operações de remoção ativa de detritos (Active Debris Removal – ADR) levarão décadas para acumular benefícios. Estudos da NASA sobre a eficácia da ADR indicam que seriam necessárias de 30 a 50 remoções para, estatisticamente, prevenir uma única colisão. Assim, removendo de cinco a 10 objetos maciços por ano, seriam precisos de três a 10 anos para impedir apenas uma colisão, segundo as estatísticas. O custo da remoção de cada objeto ainda não foi determinado, mas os valores estimados variam de US$ 10 milhões a $ 50 milhões por objeto. Daí que cada colisão evitada poderá custar de US$ 300 milhões a 2,5 milhões. Mas o pior da história é que a remoção de objetos maciços perdidos no espaço não elimina todos os riscos; ela simplesmente transforma o risco de destruir satélites ativos em risco de atingir pessoas e bens em solo após a reentrada na atmosfera. A urgência também é acentuada pelo fato de que um sistema operacional ADR pode ficar disponível apenas de cinco a 15 anos.
A remoção, claro, busca retirar do espaço todo o lixo de dimensão avantajada, anos ou até décadas antes que ele possa colidir e criar mais lixo. Mas, pergunta McKnight, o que fazer quando é iminente um choque entre dois enormes detritos? E ele próprio responde: hoje, só nos resta cruzar os dedos e esperar o melhor.
O Direito Internacional e o Direito Espacial, considerando a possibilidade de uso das técnicas de remoção de detritos como arma antissatélite, podem desestimular e até barrar o desenvolvimento dessas técnicas. Para McKnight, essa insegurança já está retardando a formulação de uma política que autorize a remoção dos maiores entulhos.
Em vista de tudo isso, McKnight propõe três ações imediatas:
1) Intensificar os esforços de redução de detritos, via aplicação mais rigorosa das diretrizes existentes (por exemplo, conceder menos benefícios a operadores inadimplentes) ou criação de diretrizes mais rigorosas (talvez alterar a regra de 25 anos para 15 anos). Essas diretrizes de mitigação podem ser melhor satisfeitas com a instalação de sistemas “deorbit” nos satélites antes de seu lançamento. Isso permitiria testar parte do sistema ADR, sem ter que lidar com um objeto desamparado em órbita. Isso poderá ser até mais confiável do que planejar uma manobra de propulsão de fim de vida de um satélite, economizando combustível para prolongar sua vida útil.
2) Lograr acordo para acelerar o desenvolvimento, os testes e a implantação de protótipos de operações de remoção. O primeiro passo lógico seria planejar e executar algumas demonstrações de tecnologias da ADR para saber mais sobre como melhorar a eficiência e os custos das operações. Há programas de testes orbitais com vários componentes previstos para os próximos anos, mas ainda não há experimentos em grande escala reconhecidos publicamente.
3) Estudar outras abordagens mais táticas e ágeis para prevenir colisões capazes de impedir uma colisão iminente. Tal solução em potencial, já em discussão, poderá evitar uma colisão a tempo, como um sopro de ar levado por um lançamento balístico para desviar monturos do caminho do mal. Essa abordagem eliminaria a necessidade de capturar objetos maciços, evitando qualquer risco de reentrada, mas deixando-os em órbita. A prevenção de colisão a tempo alavancaria soluções de foguetes confiáveis e baratos existentes, mas exigiria ampliar a capacidade de prever a localização antecipada de objetos abandonados. E, mais importante ainda: isso engendraria uma capacidade de intervenção rápida, não obstrutiva e não destrutiva para evitar uma colisão iminente entre dois enormes objetos perdidos.
Knight sabe que a prevenção de colisões ainda deve superar desafios técnicos, mas considera que com ela tenta-se aumentar as possibilidades de remediar o problema dos detritos. E faz um apelo à comunidade para que crie conceitos mais eficientes em custo e em tempo de ação. A seu ver, hoje mais que nunca, há que inovar e prevenir: “Se o volume do lixo evoluir mais rapidamente do que sugere a média das previsões, não queremos ser pegos de surpresa, nem sermos incapazes de reagir em tempo hábil.”
Ele julga temerosa a ideia de criar um acordo operacional internacional para impedir o aumento do número de detritos espaciais e, ao mesmo tempo, remover os enormes objetos abandonados. Mas considera ainda mais desafiador, técnica e financeiramente, esperar até que grandes colisões nos obriguem a iniciar para valer o trabalho de remoção. Ou seja, é melhor prevenir do que remediar – até o mundo mineral sabe disso, como diz o indefectível Mino Carta. E não esquecer a função responsavelmente preventiva do direito internacional pós-bomba nuclear.
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Este artigo reflete apenas a opinião do autor.
Referências
(1) Resolução 62/217 de 22 de dezembro de 2007
(2) McKnight, Darren, Orbital Debris Remediation: A Risk Management Problem, Space News, 28/01/2015. O autor é diretor técnico da Integrity Applications Inc., empresa de serviços de engenharia e software, em Chantilly, Virginia, EUA.
(3) Ver. A síndrome de Kessler, proposta por Donald J. Kessler, consultor da NASA, é um conjunto de características inseridas desordenadamente no meio ambiente espacial, cuja a tendência é causar colisões e reações em cadeia, envolvendo satélites, ativos ou não, e outros situados objetos em órbitas do planeta.
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Lixo espacial: mitigar ou remover?
José Monserrat Filho *
”Mais vale prevenir do que remediar, tanto na Terra como no céu.” Dito popular adaptado
O lixo espacial é a questão mais crítica em matéria de proteção e segurança no espaço. Só perde para o perigo da instalação de armas em órbitas da Terra, que pode transformá-las em campos de batalha. Mais de 50 anos de atividades espaciais – que se tornaram vitais ao cotidiano na Terra – criaram incrível quantidade de detritos que se multiplicam e perpetuam, e podem acabar inutilizando o uso do espaço, em especial nas órbitas baixas. Tal lixo varia de fragmentos de menos de um milímetro de diâmetro até naves de muitos metros de diâmetro. São satélites desativados, corpos e restos de foguetes, sobras e cacos de colisões e até objetos como luvas, ferramentas etc.
Hoje, claramente, há duas formas de enfrentar o desafio do crescente lixo espacial:
1) Impedindo que as atividades espaciais continuem a produzir detritos em órbitas, como recomendam as Diretrizes para a Redução dos Detritos Espaciais, aprovadas pelo Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS, na sigla em inglês) e endossadas pela Assembleia Geral da ONU, em dezembro de 20071; e
2) Removendo as maiores monturos, para impedir as colisões que, pelo efeito cascata, pulverizam o lixo existente e geram novos detritos. Urge, pois, limpar o espaço da grande sujeira.
Em recente artigo, Darren McKnight, engenheiro norte-americano, afirma com razão que a primeira ação já não garante a sustentabilidade das atividades espaciais. A remoção do lixo também é necessária, acrescenta ele.2
Segundo McKnight, o limite crítico da acumulação de grandes objetos in órbitas baixas já foi ultrapassado. Isso pode provocar a Síndrome Kessler3, ou seja, uma reação em cadeia de colisões auto sustentada, cujo ritmo de choques é incerto devido a sua natureza aleatória.
Ainda segundo McKnight, a média de tempo entre as colisões é atualmente estimada em cerca de quatro anos, mas esse intervalo varia – a colisão pode ocorrer tanto hoje ou quanto na próxima década. E não há certeza de como ela será. Poderá ser um golpe de raspão entre dois objetos de tamanho moderado, uma colisão frontal entre dois objetos de grande massa ou algum cenário intermediário. Por exemplo, há uma chance em 4.000 por ano de dois corpos abandonados de foguetes de 9.000 kg colidirem entre si, o que poderia duplicar o número de detritos catalogados e adicionar mais de meio milhão de fragmentos letais não rastreáveis.
McKnight está seguro de que as operações de remoção ativa de detritos (Active Debris Removal – ADR) levarão décadas para acumular benefícios. Estudos da NASA sobre a eficácia da ADR indicam que seriam necessárias de 30 a 50 remoções para, estatisticamente, prevenir uma única colisão. Assim, removendo de cinco a 10 objetos maciços por ano, seriam precisos de três a 10 anos para impedir apenas uma colisão, segundo as estatísticas. O custo da remoção de cada objeto ainda não foi determinado, mas os valores estimados variam de US$ 10 milhões a $ 50 milhões por objeto. Daí que cada colisão evitada poderá custar de US$ 300 milhões a 2,5 milhões. Mas o pior da história é que a remoção de objetos maciços perdidos no espaço não elimina todos os riscos; ela simplesmente transforma o risco de destruir satélites ativos em risco de atingir pessoas e bens em solo após a reentrada na atmosfera. A urgência também é acentuada pelo fato de que um sistema operacional ADR pode ficar disponível apenas de cinco a 15 anos.
A remoção, claro, busca retirar do espaço todo o lixo de dimensão avantajada, anos ou até décadas antes que ele possa colidir e criar mais lixo. Mas, pergunta McKnight, o que fazer quando é iminente um choque entre dois enormes detritos? E ele próprio responde: hoje, só nos resta cruzar os dedos e esperar o melhor.
O Direito Internacional e o Direito Espacial, considerando a possibilidade de uso das técnicas de remoção de detritos como arma antissatélite, podem desestimular e até barrar o desenvolvimento dessas técnicas. Para McKnight, essa insegurança já está retardando a formulação de uma política que autorize a remoção dos maiores entulhos.
Em vista de tudo isso, McKnight propõe três ações imediatas:
1) Intensificar os esforços de redução de detritos, via aplicação mais rigorosa das diretrizes existentes (por exemplo, conceder menos benefícios a operadores inadimplentes) ou criação de diretrizes mais rigorosas (talvez alterar a regra de 25 anos para 15 anos). Essas diretrizes de mitigação podem ser melhor satisfeitas com a instalação de sistemas “deorbit” nos satélites antes de seu lançamento. Isso permitiria testar parte do sistema ADR, sem ter que lidar com um objeto desamparado em órbita. Isso poderá ser até mais confiável do que planejar uma manobra de propulsão de fim de vida de um satélite, economizando combustível para prolongar sua vida útil.
2) Lograr acordo para acelerar o desenvolvimento, os testes e a implantação de protótipos de operações de remoção. O primeiro passo lógico seria planejar e executar algumas demonstrações de tecnologias da ADR para saber mais sobre como melhorar a eficiência e os custos das operações. Há programas de testes orbitais com vários componentes previstos para os próximos anos, mas ainda não há experimentos em grande escala reconhecidos publicamente.
3) Estudar outras abordagens mais táticas e ágeis para prevenir colisões capazes de impedir uma colisão iminente. Tal solução em potencial, já em discussão, poderá evitar uma colisão a tempo, como um sopro de ar levado por um lançamento balístico para desviar monturos do caminho do mal. Essa abordagem eliminaria a necessidade de capturar objetos maciços, evitando qualquer risco de reentrada, mas deixando-os em órbita. A prevenção de colisão a tempo alavancaria soluções de foguetes confiáveis e baratos existentes, mas exigiria ampliar a capacidade de prever a localização antecipada de objetos abandonados. E, mais importante ainda: isso engendraria uma capacidade de intervenção rápida, não obstrutiva e não destrutiva para evitar uma colisão iminente entre dois enormes objetos perdidos.
Knight sabe que a prevenção de colisões ainda deve superar desafios técnicos, mas considera que com ela tenta-se aumentar as possibilidades de remediar o problema dos detritos. E faz um apelo à comunidade para que crie conceitos mais eficientes em custo e em tempo de ação. A seu ver, hoje mais que nunca, há que inovar e prevenir: “Se o volume do lixo evoluir mais rapidamente do que sugere a média das previsões, não queremos ser pegos de surpresa, nem sermos incapazes de reagir em tempo hábil.”
Ele julga temerosa a ideia de criar um acordo operacional internacional para impedir o aumento do número de detritos espaciais e, ao mesmo tempo, remover os enormes objetos abandonados. Mas considera ainda mais desafiador, técnica e financeiramente, esperar até que grandes colisões nos obriguem a iniciar para valer o trabalho de remoção. Ou seja, é melhor prevenir do que remediar – até o mundo mineral sabe disso, como diz o indefectível Mino Carta. E não esquecer a função responsavelmente preventiva do direito internacional pós-bomba nuclear.
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Este artigo reflete apenas a opinião do autor.
Referências
(1) Resolução 62/217 de 22 de dezembro de 2007
(2) McKnight, Darren, Orbital Debris Remediation: A Risk Management Problem, Space News, 28/01/2015. O autor é diretor técnico da Integrity Applications Inc., empresa de serviços de engenharia e software, em Chantilly, Virginia, EUA.
(3) Ver
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Cubesat AESP-14: lançamento na próxima semana
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,Cubesat AESP-14 será lançado da Estação Espacial na próxima semana
Brasília, 29 de janeiro de 2015 – O cubesat AESP-14, primeiro satélite de pequeno porte 100% desenvolvido no país, será lançado ao espaço a partir da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) na próxima quinta-feira (5). A missão do nanossatélite é validar subsistemas produzidos por alunos de graduação e pós-graduação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos (SP).
Para cumprir sua tarefa, 30 minutos após o lançamento será ativado um modem a bordo, que transmitirá informações de cientistas brasileiros na frequência de rádio amador e os dez primeiros rádio amadores que captarem a transmissão receberão certificado de participação.
O modem tem potência de 500 mW operando na frequência de 437.600 MHz. O cubesat transmitirá informações com uma taxa de 9600 bps padrão G3RUH na modulação GFSK. Para a comunidade radioamadora, receber os frames de telemetria e decodificá-los, o documento básico está disponível no site do projeto AESP-14. Sua colocação em órbita será feita por meio do dispositivo japonês JEM Small Satellite Orbital Deployer (J-SSOD), um lançador desenvolvido para satélites de pequeno porte.
O experimento radioamadorístico do AESP-14 foi elaborado pelo professor e radioamador Douglas Santos (PY2DGS) e pelos radioamadores do Clube de Radioamadores de Americana (Cram) Adinei Brochi (PY2ADN), William Schauff (PY2GN), Hamilton Horta (PY2NI), Junior Zappia (PU2LAA), João Ferreira (PY2JF), Demilson Quintão (PY2UEP) e Edson Pereira (PY2SDR).
O experimento do Cram consiste na transmissão de 100 sequências aleatórias (strings MD5) armazenadas na memória do satélite. Elas serão usadas em um conteste entre as estações radioamadoras receptoras e também como uma espécie de álbum de figurinhas online.
As imagens do álbum serão escolhidas de forma que sejam relevantes para as áreas de ensino do projeto STEM Brasil (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), um projeto desenvolvido entre radioamadores e instituições de ensino.
A Agência Espacial Brasileira (AEB) investiu R$ 250 mil no desenvolvimento do satélite, cabendo ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) o aporte de R$ 150 mil em bolsas para pesquisas. A AEB ainda financiou US$ 555 mil para os lançamentos do AESP-14, do Serpens e NanossatC-Br1, este já no espaço desde 2014.
Fonte: AEBCubesat AESP-14 será lançado da Estação Espacial na próxima semana
Brasília, 29 de janeiro de 2015 – O cubesat AESP-14, primeiro satélite de pequeno porte 100% desenvolvido no país, será lançado ao espaço a partir da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) na próxima quinta-feira (5). A missão do nanossatélite é validar subsistemas produzidos por alunos de graduação e pós-graduação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos (SP).
Para cumprir sua tarefa, 30 minutos após o lançamento será ativado um modem a bordo, que transmitirá informações de cientistas brasileiros na frequência de rádio amador e os dez primeiros rádio amadores que captarem a transmissão receberão certificado de participação.
O modem tem potência de 500 mW operando na frequência de 437.600 MHz. O cubesat transmitirá informações com uma taxa de 9600 bps padrão G3RUH na modulação GFSK. Para a comunidade radioamadora, receber os frames de telemetria e decodificá-los, o documento básico está disponível no site do projeto AESP-14. Sua colocação em órbita será feita por meio do dispositivo japonês JEM Small Satellite Orbital Deployer (J-SSOD), um lançador desenvolvido para satélites de pequeno porte.
O experimento radioamadorístico do AESP-14 foi elaborado pelo professor e radioamador Douglas Santos (PY2DGS) e pelos radioamadores do Clube de Radioamadores de Americana (Cram) Adinei Brochi (PY2ADN), William Schauff (PY2GN), Hamilton Horta (PY2NI), Junior Zappia (PU2LAA), João Ferreira (PY2JF), Demilson Quintão (PY2UEP) e Edson Pereira (PY2SDR).
O experimento do Cram consiste na transmissão de 100 sequências aleatórias (strings MD5) armazenadas na memória do satélite. Elas serão usadas em um conteste entre as estações radioamadoras receptoras e também como uma espécie de álbum de figurinhas online.
As imagens do álbum serão escolhidas de forma que sejam relevantes para as áreas de ensino do projeto STEM Brasil (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), um projeto desenvolvido entre radioamadores e instituições de ensino.
A Agência Espacial Brasileira (AEB) investiu R$ 250 mil no desenvolvimento do satélite, cabendo ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) o aporte de R$ 150 mil em bolsas para pesquisas. A AEB ainda financiou US$ 555 mil para os lançamentos do AESP-14, do Serpens e NanossatC-Br1, este já no espaço desde 2014.
Fonte: AEB
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Amazônia, TerraClass e PRODES
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Dados sobre uso da terra na Amazônia estão online
Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015
Os dados do TerraClass 2012 estão disponíveis no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Trata-se do mais recente relatório do projeto realizado em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para mapear o uso das áreas desmatadas na Amazônia. Confira aqui.
O TerraClass qualifica as áreas mapeadas pelo PRODES, o sistema do INPE que contabiliza anualmente o desmate por corte raso na Amazônia Legal com base em imagens de satélites. Para este relatório, apresentado no final de novembro, foram mapeados 751 mil km2, o que corresponde ao total do desmatamento desde o ano 1988 até 2012. Mais informações aqui.
Para descrever a situação do uso e da cobertura da terra, o projeto considera as seguintes classes temáticas: Agricultura Anual, Pasto Limpo, Pasto Sujo, Pasto com Solo Exposto, Regeneração com Pasto, Vegetação Secundária, Mosaico de Ocupações, Mineração, Área Urbana e Reflorestamento.
O INPE executa o projeto TerraClass em seu Centro Regional da Amazônia (CRA), instalado em Belém (PA): www.inpe.br/cra
Fonte: INPE
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Dados sobre uso da terra na Amazônia estão online
Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2015
Os dados do TerraClass 2012 estão disponíveis no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Trata-se do mais recente relatório do projeto realizado em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para mapear o uso das áreas desmatadas na Amazônia. Confira aqui.
O TerraClass qualifica as áreas mapeadas pelo PRODES, o sistema do INPE que contabiliza anualmente o desmate por corte raso na Amazônia Legal com base em imagens de satélites. Para este relatório, apresentado no final de novembro, foram mapeados 751 mil km2, o que corresponde ao total do desmatamento desde o ano 1988 até 2012. Mais informações aqui.
Para descrever a situação do uso e da cobertura da terra, o projeto considera as seguintes classes temáticas: Agricultura Anual, Pasto Limpo, Pasto Sujo, Pasto com Solo Exposto, Regeneração com Pasto, Vegetação Secundária, Mosaico de Ocupações, Mineração, Área Urbana e Reflorestamento.
O INPE executa o projeto TerraClass em seu Centro Regional da Amazônia (CRA), instalado em Belém (PA): www.inpe.br/cra
Fonte: INPE
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
"O Relógio do Apocalipse e as Atividades Espaciais", artigo de José Monserrat Filho
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O Relógio do Apocalipse e as Atividades Espaciais
José Monserrat Filho*
"O mundo não está suficientemente preparado para um ambiente de risco cada vez mais complexo." Relatório de 2015 sobre “Riscos Globais”, Fórum Econômico Mundial, Davos, Suiça1
O que as atividades espaciais, hoje indispensáveis à vida no planeta, podem fazer para deter e atrasar o Relógio do Apocalipse (Doomsday Clock)? Que relações se podem estabelecer entre a exploração e o uso do espaço exterior e as advertências do relógio?
Em 19 de janeiro de 2015, esse indicador sui generis passou a marcar 23:57h, três minutos para a meia-noite – a hora da catástrofe global capaz de extinguir a espécie humana que habita a Terra há muitos milhares de anos. A decisão de adiantar o relógio em dois minutos foi tomada após consultas a especialistas, inclusive 17 laureados com o Prêmio Nobel, entre os quais três famosos físicos, o britânico Stephen Hawking, o japonês pioneiro no estudo dos neutrinos Masatoshi Koshiba e o norte-americano Leon Lederman.
A análise do Boletim dos Cientistas Atômicos2, através de sua Diretoria de Ciência e Segurança, dirigida “aos líderes e cidadãos do mundo”, afirma, em síntese:
"Em 2015, a mudança climática não checada, a modernização de armas nucleares globais e os exagerados arsenais de armas nucleares representam ameaças extraordinárias e inegáveis à continuidade da existência da humanidade, e os líderes mundiais falharam ao não agir com a velocidade ou na escala necessárias para proteger os cidadãos da potencial catástrofe. Essas falhas de liderança política põem em perigo cada pessoa na Terra."
O Relógio do Apocalipse, criado em 1947 para alertar contra o perigo das armas nucleares, foi iniciativa da citada Diretoria do Boletim dos Cientistas Atômicos, revista norte-americana fundada em 1945 por cientistas, engenheiros e técnicos da Universidade de Chicago, ex-participantes do projeto Manhattan, que deu ao mundo a primeira bomba atômica – “essa relíquia histórica” que confirmou o pré-aviso de seus criadores ao ser lançada em agosto do mesmo ano (1945) sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão, matando mais de 100 mil pessoas já no primeiro dia dos dois bombardeios e mais outro tanto nos meses que se seguiram.
Em 1947, vale notar, começava a Guerra Fria entre EUA e ex-União Soviética (URSS).
Nestes 68 anos, o Relógio do Apocalipse foi reajustado apenas 22 vezes.
Seu pior momento ocorreu em 1953, provocado pelos testes dos EUA e URSS com armas de hidrogênio, quando marcou 23,58h, ou seja, dois minutos para a meia-noite,
E o melhor momento deu-se em 1991, com a assinatura entre EUA e URSS, em 31 de julho, do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START I), que restringia o desenvolvimento de arsenais nucleares, quando marcou 23,43h, isto é, 17 minutos para a meia-noite.
De 1953 a 1960, o quadro melhorou, graças ao aumento de cooperação científica entre as duas potências, ao entendimento público dos perigos das armas nucleares e às ações políticas destinadas a evitar a "retaliação maciça", com EUA e URSS evitando o confronto direto em conflitos regionais, como no caso da Crise de Suez em 1956, e acertando não levar para o espaço exterior sua rivalidade na Terra3. E mais: o Ano Geofísico Internacional (01/07/1957-31/12/1958) reuniu cerca de 60 mil pesquisadores de 66 países, inclusive EUA e URSS e seus aliados, para conhecer melhor e mais profundamente os fenômenos do planeta. E surgiram as Conferências Pugwash sobre ciência e questões estratégicas mundiais, permitindo a interação entre cientistas norte-americanos e soviéticos. Tudo isso fez o relógio recuar e marcar sete para a meia-noite.
Em Janeiro de 2007, porém, ele foi adiantado em cinco minutos, passando a indicar cinco para a meia-noite, em vista de duas calamidades em potencial: 1) as ameaças de 27 mil armas nucleares, duas mil delas prontas para serem lançadas em minutos; e 2) a destruição do habitat dos seres humanos causada pela mudança climática.
O relógio fatídico tornou-se referência universal reconhecida de possíveis catástrofes globais decorrentes do uso de armas nucleares, das mudanças climáticas e das novas tecnologias baseadas nas ciências da vida.
Agora em 19 de janeiro, adiantado em dois minutos, ele passou a marcar três minutos para a meia-noite. Em vista de “falhas governamentais fantásticas”, que “puseram em perigo a civilização em escala global”, os diretores de Ciência e Segurança do Boletim dos Cientistas Atômicos decidiram instar os cidadãos do mundo a exigir de seus líderes, entre outras coisas, que:
1) “Reduzam drasticamente os gastos propostos para os programas de modernização das armas nucleares. EUA e Rússia têm lançado planos para reconstruir, no essencial, todas as suas tríades nucleares [bombardeiros, mísseis balísticos lançados de solo e submarinos lançadores de mísseis balísticos] nas próximas décadas, e outros países dotados de armas nucleares seguem seu exemplo. O custo projetado das "melhorias" dos arsenais nucleares é indefensável e põe em cheque o processo de desarmamento global.”
2) “Retomem de forma enérgica o processo de desarmamento, focado em resultados. EUA e Rússia, em particular, devem iniciar negociações para diminuir seus arsenais nucleares estratégicos e táticos. O mundo pode ser mais seguro com arsenais nucleares bem menores que os existentes hoje, se os líderes políticos estiverem de fato interessados em proteger de danos os seus cidadãos.”
3) “Criem instituições especialmente designadas para analisar e combater os usos maléficos e potencialmente catastróficos das novas tecnologias. O avanço científico pode prover a sociedade de grandes benefícios, mas o uso indevido em potencial de novas e poderosas tecnologias é real, a menos que lideranças governamentais, científicas e empresariais tomem medidas adequadas para analisar e combater possíveis efeitos devastadores dessas tecnologias ainda no início de seu desenvolvimento.”4
Todas estas exigências são também aplicáveis ao espaço exterior.
É preciso discutir a proibição da passagem pelo espaço de mísseis balísticos com armas nucleares na ogiva. O Artigo 4º do Tratado do Espaço de 1967 veda a colocação de armas de destruição em massa em órbitas da Terra e nos corpos celestes, a começar pela Lua. E determina também “a não colocação de tais armas, de nenhuma maneira, no espaço cósmico”. Passar pelo espaço, sem entrar em órbita, não parece significar colocar tais armas em órbitas da Terra ou no espaço cósmico. Por isso, o trânsito delas pelo espaço não está proibido. Logo, está permitido. Por que não mudar essa situação? O nosso planeta e o próprio espaço certamente ficarão bem mais seguros, se os arsenais nucleares não puderem cruzar o espaço para atingir seus alvos na Terra.
Quanto ao ponto 2, é hora de retomar decididamente o processo de desarmamento nuclear na Terra e também o desarmamento no espaço, impedindo a instalação nele de qualquer tipo de armamento. Isso poderá evitar a transformação do espaço em novo teatro de guerra, pois isso é capaz de provocar um colapso nos sistemas de satélites ativos e nos serviços de primeira necessidade que prestam aos povos, países e organizações internacionais públicas e privadas.
É importante igualmente, como frisa o ponto 3, criar centros de estudos para examinar e condenar, quando for o caso, o emprego potencialmente catastrófico das novas tecnologias. O avanço científico e tecnológico traz benefícios sem conta, mas o mau uso dessas conquistas é, mais do que nunca, uma possibilidade real. Urgem medidas consistentes para eliminar essa desastrosa possibilidade, também no espaço.
Tais ações estariam em perfeita sintonia com o esforço de criar um conjunto de “Diretrizes Relativas à Sustentabilidade a Longo Prazo das Atividades Espaciais”, em elaboração pelo Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (UNCOPUOS, na sigla em inglês), através de seu Subcomitê Técnico-Científico. Trata-se de um sinal dos tempos atuais com guerras e conflitos em alta, capazes de afetar o espaço. Um Grupo de Trabalho especialmente designado pelo Subcomitê para estudar o assunto elaborou um documento5 que atualiza as propostas de diretrizes já apresentadas. E que será apreciado pelo próprio Subcomitê Técnico-Científico, em sua reunião de 2 a 13 de fevereiro de 2015, em Viena, Áustria.
O documento afirma, em seu ponto 18: “Na conquista do objetivo de assegurar a sustentabilidade a longo prazo das atividades espaciais, os Estados e as organizações internacionais devem se abster de realizar, deliberadamente ou não, atos e práticas, bem como de utilizar meios e métodos capazes de afetar ou danificar, de alguma forma, violando normas e princípios do direito internacional, os bens que se encontram no espaço, e de criar situações que tornem impraticável, por razões de segurança nacional, a aplicação plena e efetiva das diretrizes”.
Eis um bom exemplo de diretriz bem redigida: ela formula uma recomendação clara e objetiva, além de justa e fundamental. Trata-se, nada menos, de prevenir qualquer tipo de conflitos no espaço, intencionais ou não. Impossível assegurar a sustentabilidade das atividades espaciais sem essa regra básica, que, por isso mesmo, deveria ser obrigatória.
Acontece que as diretrizes, de acordo com seu ponto 13, “são de caráter voluntário e não vinculantes legalmente sob o direito internacional”, uma insuficiência difícil de subestimar.
Tanto que o seu ponto 14 enfatiza: “A aplicação das diretrizes é considerada medida prudente e necessária para preservar o meio ambiente espacial para as gerações futuras. Os Estados, as organizações intergovernamentais internacionais, as organizações não-governamentais nacionais e internacionais e as entidades do setor privado devem adotá-las de modo voluntário, mediante seus próprios mecanismos de execução, para garantir a aplicação das diretrizes na maior extensão possível, dentro do viável e do factível”.
Ora, se a aplicação das diretrizes é considerada medida prudente e necessária para algo tão relevante quanto preservar o ambiente espacial para as gerações futuras, por que permitir que os Estados e tão amplo e variado leque de organizações internacionais e nacionais, públicas, sociais e privadas, apliquem as diretrizes segundo seus próprios mecanismos e critérios, e de maneira tão imprecisa e subjetiva quanto “na maior extensão possível” e “dentro do viável e do factível”? Assim, quem senão a própria organização/entidade interessada quantificará, com base em seus interesses específicos, a “maior extensão possível”, e definirá o “viável” e o “factível”?
Será prudente deixar a preservação do espaço para as futuras gerações na dependência de decisões unilaterais e subjetivas?
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Este artigo reflete apenas a opinião do autor.
Referências
1) Ver http://www.weforum.org/reports/global-risks-report-2015.
2) Ver http://thebulletin.org/.
3) Resolução 1472 (XIV) da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 12/12/1959.
4) Ver http://thebulletin.org/.
5) Ver http://www.unoosa.org/oosa/en/COPUOS/stsc/ac105-c1-ltd.html. Doc. A/AC.105/ C.1/L.340, de 22/10/2014.
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O Relógio do Apocalipse e as Atividades Espaciais
José Monserrat Filho*
"O mundo não está suficientemente preparado para um ambiente de risco cada vez mais complexo." Relatório de 2015 sobre “Riscos Globais”, Fórum Econômico Mundial, Davos, Suiça1
O que as atividades espaciais, hoje indispensáveis à vida no planeta, podem fazer para deter e atrasar o Relógio do Apocalipse (Doomsday Clock)? Que relações se podem estabelecer entre a exploração e o uso do espaço exterior e as advertências do relógio?
Em 19 de janeiro de 2015, esse indicador sui generis passou a marcar 23:57h, três minutos para a meia-noite – a hora da catástrofe global capaz de extinguir a espécie humana que habita a Terra há muitos milhares de anos. A decisão de adiantar o relógio em dois minutos foi tomada após consultas a especialistas, inclusive 17 laureados com o Prêmio Nobel, entre os quais três famosos físicos, o britânico Stephen Hawking, o japonês pioneiro no estudo dos neutrinos Masatoshi Koshiba e o norte-americano Leon Lederman.
A análise do Boletim dos Cientistas Atômicos2, através de sua Diretoria de Ciência e Segurança, dirigida “aos líderes e cidadãos do mundo”, afirma, em síntese:
"Em 2015, a mudança climática não checada, a modernização de armas nucleares globais e os exagerados arsenais de armas nucleares representam ameaças extraordinárias e inegáveis à continuidade da existência da humanidade, e os líderes mundiais falharam ao não agir com a velocidade ou na escala necessárias para proteger os cidadãos da potencial catástrofe. Essas falhas de liderança política põem em perigo cada pessoa na Terra."
O Relógio do Apocalipse, criado em 1947 para alertar contra o perigo das armas nucleares, foi iniciativa da citada Diretoria do Boletim dos Cientistas Atômicos, revista norte-americana fundada em 1945 por cientistas, engenheiros e técnicos da Universidade de Chicago, ex-participantes do projeto Manhattan, que deu ao mundo a primeira bomba atômica – “essa relíquia histórica” que confirmou o pré-aviso de seus criadores ao ser lançada em agosto do mesmo ano (1945) sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão, matando mais de 100 mil pessoas já no primeiro dia dos dois bombardeios e mais outro tanto nos meses que se seguiram.
Em 1947, vale notar, começava a Guerra Fria entre EUA e ex-União Soviética (URSS).
Nestes 68 anos, o Relógio do Apocalipse foi reajustado apenas 22 vezes.
Seu pior momento ocorreu em 1953, provocado pelos testes dos EUA e URSS com armas de hidrogênio, quando marcou 23,58h, ou seja, dois minutos para a meia-noite,
E o melhor momento deu-se em 1991, com a assinatura entre EUA e URSS, em 31 de julho, do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START I), que restringia o desenvolvimento de arsenais nucleares, quando marcou 23,43h, isto é, 17 minutos para a meia-noite.
De 1953 a 1960, o quadro melhorou, graças ao aumento de cooperação científica entre as duas potências, ao entendimento público dos perigos das armas nucleares e às ações políticas destinadas a evitar a "retaliação maciça", com EUA e URSS evitando o confronto direto em conflitos regionais, como no caso da Crise de Suez em 1956, e acertando não levar para o espaço exterior sua rivalidade na Terra3. E mais: o Ano Geofísico Internacional (01/07/1957-31/12/1958) reuniu cerca de 60 mil pesquisadores de 66 países, inclusive EUA e URSS e seus aliados, para conhecer melhor e mais profundamente os fenômenos do planeta. E surgiram as Conferências Pugwash sobre ciência e questões estratégicas mundiais, permitindo a interação entre cientistas norte-americanos e soviéticos. Tudo isso fez o relógio recuar e marcar sete para a meia-noite.
Em Janeiro de 2007, porém, ele foi adiantado em cinco minutos, passando a indicar cinco para a meia-noite, em vista de duas calamidades em potencial: 1) as ameaças de 27 mil armas nucleares, duas mil delas prontas para serem lançadas em minutos; e 2) a destruição do habitat dos seres humanos causada pela mudança climática.
O relógio fatídico tornou-se referência universal reconhecida de possíveis catástrofes globais decorrentes do uso de armas nucleares, das mudanças climáticas e das novas tecnologias baseadas nas ciências da vida.
Agora em 19 de janeiro, adiantado em dois minutos, ele passou a marcar três minutos para a meia-noite. Em vista de “falhas governamentais fantásticas”, que “puseram em perigo a civilização em escala global”, os diretores de Ciência e Segurança do Boletim dos Cientistas Atômicos decidiram instar os cidadãos do mundo a exigir de seus líderes, entre outras coisas, que:
1) “Reduzam drasticamente os gastos propostos para os programas de modernização das armas nucleares. EUA e Rússia têm lançado planos para reconstruir, no essencial, todas as suas tríades nucleares [bombardeiros, mísseis balísticos lançados de solo e submarinos lançadores de mísseis balísticos] nas próximas décadas, e outros países dotados de armas nucleares seguem seu exemplo. O custo projetado das "melhorias" dos arsenais nucleares é indefensável e põe em cheque o processo de desarmamento global.”
2) “Retomem de forma enérgica o processo de desarmamento, focado em resultados. EUA e Rússia, em particular, devem iniciar negociações para diminuir seus arsenais nucleares estratégicos e táticos. O mundo pode ser mais seguro com arsenais nucleares bem menores que os existentes hoje, se os líderes políticos estiverem de fato interessados em proteger de danos os seus cidadãos.”
3) “Criem instituições especialmente designadas para analisar e combater os usos maléficos e potencialmente catastróficos das novas tecnologias. O avanço científico pode prover a sociedade de grandes benefícios, mas o uso indevido em potencial de novas e poderosas tecnologias é real, a menos que lideranças governamentais, científicas e empresariais tomem medidas adequadas para analisar e combater possíveis efeitos devastadores dessas tecnologias ainda no início de seu desenvolvimento.”4
Todas estas exigências são também aplicáveis ao espaço exterior.
É preciso discutir a proibição da passagem pelo espaço de mísseis balísticos com armas nucleares na ogiva. O Artigo 4º do Tratado do Espaço de 1967 veda a colocação de armas de destruição em massa em órbitas da Terra e nos corpos celestes, a começar pela Lua. E determina também “a não colocação de tais armas, de nenhuma maneira, no espaço cósmico”. Passar pelo espaço, sem entrar em órbita, não parece significar colocar tais armas em órbitas da Terra ou no espaço cósmico. Por isso, o trânsito delas pelo espaço não está proibido. Logo, está permitido. Por que não mudar essa situação? O nosso planeta e o próprio espaço certamente ficarão bem mais seguros, se os arsenais nucleares não puderem cruzar o espaço para atingir seus alvos na Terra.
Quanto ao ponto 2, é hora de retomar decididamente o processo de desarmamento nuclear na Terra e também o desarmamento no espaço, impedindo a instalação nele de qualquer tipo de armamento. Isso poderá evitar a transformação do espaço em novo teatro de guerra, pois isso é capaz de provocar um colapso nos sistemas de satélites ativos e nos serviços de primeira necessidade que prestam aos povos, países e organizações internacionais públicas e privadas.
É importante igualmente, como frisa o ponto 3, criar centros de estudos para examinar e condenar, quando for o caso, o emprego potencialmente catastrófico das novas tecnologias. O avanço científico e tecnológico traz benefícios sem conta, mas o mau uso dessas conquistas é, mais do que nunca, uma possibilidade real. Urgem medidas consistentes para eliminar essa desastrosa possibilidade, também no espaço.
Tais ações estariam em perfeita sintonia com o esforço de criar um conjunto de “Diretrizes Relativas à Sustentabilidade a Longo Prazo das Atividades Espaciais”, em elaboração pelo Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (UNCOPUOS, na sigla em inglês), através de seu Subcomitê Técnico-Científico. Trata-se de um sinal dos tempos atuais com guerras e conflitos em alta, capazes de afetar o espaço. Um Grupo de Trabalho especialmente designado pelo Subcomitê para estudar o assunto elaborou um documento5 que atualiza as propostas de diretrizes já apresentadas. E que será apreciado pelo próprio Subcomitê Técnico-Científico, em sua reunião de 2 a 13 de fevereiro de 2015, em Viena, Áustria.
O documento afirma, em seu ponto 18: “Na conquista do objetivo de assegurar a sustentabilidade a longo prazo das atividades espaciais, os Estados e as organizações internacionais devem se abster de realizar, deliberadamente ou não, atos e práticas, bem como de utilizar meios e métodos capazes de afetar ou danificar, de alguma forma, violando normas e princípios do direito internacional, os bens que se encontram no espaço, e de criar situações que tornem impraticável, por razões de segurança nacional, a aplicação plena e efetiva das diretrizes”.
Eis um bom exemplo de diretriz bem redigida: ela formula uma recomendação clara e objetiva, além de justa e fundamental. Trata-se, nada menos, de prevenir qualquer tipo de conflitos no espaço, intencionais ou não. Impossível assegurar a sustentabilidade das atividades espaciais sem essa regra básica, que, por isso mesmo, deveria ser obrigatória.
Acontece que as diretrizes, de acordo com seu ponto 13, “são de caráter voluntário e não vinculantes legalmente sob o direito internacional”, uma insuficiência difícil de subestimar.
Tanto que o seu ponto 14 enfatiza: “A aplicação das diretrizes é considerada medida prudente e necessária para preservar o meio ambiente espacial para as gerações futuras. Os Estados, as organizações intergovernamentais internacionais, as organizações não-governamentais nacionais e internacionais e as entidades do setor privado devem adotá-las de modo voluntário, mediante seus próprios mecanismos de execução, para garantir a aplicação das diretrizes na maior extensão possível, dentro do viável e do factível”.
Ora, se a aplicação das diretrizes é considerada medida prudente e necessária para algo tão relevante quanto preservar o ambiente espacial para as gerações futuras, por que permitir que os Estados e tão amplo e variado leque de organizações internacionais e nacionais, públicas, sociais e privadas, apliquem as diretrizes segundo seus próprios mecanismos e critérios, e de maneira tão imprecisa e subjetiva quanto “na maior extensão possível” e “dentro do viável e do factível”? Assim, quem senão a própria organização/entidade interessada quantificará, com base em seus interesses específicos, a “maior extensão possível”, e definirá o “viável” e o “factível”?
Será prudente deixar a preservação do espaço para as futuras gerações na dependência de decisões unilaterais e subjetivas?
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Este artigo reflete apenas a opinião do autor.
Referências
1) Ver http://www.weforum.org/reports/global-risks-report-2015.
2) Ver http://thebulletin.org/.
3) Resolução 1472 (XIV) da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 12/12/1959.
4) Ver http://thebulletin.org/.
5) Ver http://www.unoosa.org/oosa/en/COPUOS/stsc/ac105-c1-ltd.html. Doc. A/AC.105/ C.1/L.340, de 22/10/2014.
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SGDC: processo de absorção de tecnologia
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Satélite Geoestacionário: Defesa dá segmento a processo de absorção de tecnologia
Brasília, 26/01/2015 – Até o final deste mês, um novo grupo de engenheiros das Forças Armadas será enviado para as instalações da Empresa Thales Alenia Space (TAS), em Cannes, na França, onde são realizadas as atividades de treinamento para absorção de tecnologia, previstas no projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).
Esses profissionais se juntarão a outros brasileiros – da Aeronáutica, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da Empresa VISIONA – que já passaram pelos cursos básico e avançado e, atualmente, atuam dentro da empresa Thales, contratada pelo Brasil para ser a fornecedora do satélite.
O processo de absorção de tecnologia consiste em capacitar os profissionais brasileiros que vão trabalhar principalmente nas duas estações de controle do artefato, uma, em Brasília, outra, no Rio de Janeiro, e, ambas, instaladas dentro de organizações militares. De acordo com o diretor de Política Espacial da AEB, Petrônio Noronha de Souza, o programa de absorção de tecnologia, previsto na contratação do SGDC, teve início no começo de 2014, quando foram enviados 26 profissionais brasileiros que passaram pela fase de cursos introdutórios e avançados na empresa.
Este ano, começa a segunda etapa do programa e o novo grupo de profissionais técnicos e engenheiros completarão o novo contingente, com um total de quatro representantes AEB, oito do INPE, dez do Ministério da Defesa, nove da empresa Visiona, seis da Telebras e dois do Ministério das Comunicações, num total de 39 profissionais.
Segundo o representante do Ministério da Defesa no Grupo-executivo do Projeto, coronel Edwin Pinheiro da Costa, os profissionais do ministério e da Telebras trabalharão diretamente no projeto e também deverão contribuir com a parte de transferência de tecnologia futuramente.
“Ao retornarem ao Brasil, esses profissionais poderão assumir atividades de controle do satélite, nos centros de operação. Com a experiência adquirida, eles também estarão aptos a atuar no desenvolvimento de futuros projetos espaciais no Brasil”, disse.
Segundo ele, a parte de transferência de tecnologia inclui ainda o treinamento de profissionais de empresas de tecnologia aeroespacial que, futuramente, se tornarão aptos a construir módulos componentes de satélites. O representante do Ministério da Defesa no Comitê Diretor do Projeto SGDC, brigadeiro Luiz Fernando de Aguiar, explica que esse processo de capacitação da indústria nacional servirá também para apoiar o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), que prevê a construção de outros novos satélites com a participação da indústria nacional.
“Estamos abrindo uma porta para que essa tecnologia ingresse no país. Temos o MCTI, AEB e outros órgãos diretamente envolvidos no processo de transferência de tecnologia para que possamos, no futuro, construir um satélite como esse no Brasil”, explica. “O ganho maior é essa absorção de tecnologia por parte do nosso pessoal e das nossas empresas para que, no futuro, possamos ingressar nesse mercado”, completou o brigadeiro destacando que, atualmente, diversos serviços meteorológicos são feitos por empresas estrangeiras, o que deverá mudar quando o país passar a dominar tal tecnologia.
Em dezembro do ano passado, uma equipe do Ministério da Defesa participou, em Toulouse, na França, da etapa de revisão crítica do projeto, na qual foram ajustados alguns detalhes técnicos finais do projeto.
O Satélite Geoestacionário terá uma banda X, voltada as comunicações militares, e uma banda ‘Ka’, para uso de comunicação civil no âmbito do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Com previsão de lançamento para o segundo semestre do ano que vem, o novo satélite será o primeiro a ser 100% controlado pelo governo.
Fonte: Ministério da Defesa
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Satélite Geoestacionário: Defesa dá segmento a processo de absorção de tecnologia
Brasília, 26/01/2015 – Até o final deste mês, um novo grupo de engenheiros das Forças Armadas será enviado para as instalações da Empresa Thales Alenia Space (TAS), em Cannes, na França, onde são realizadas as atividades de treinamento para absorção de tecnologia, previstas no projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).
Esses profissionais se juntarão a outros brasileiros – da Aeronáutica, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da Empresa VISIONA – que já passaram pelos cursos básico e avançado e, atualmente, atuam dentro da empresa Thales, contratada pelo Brasil para ser a fornecedora do satélite.
O processo de absorção de tecnologia consiste em capacitar os profissionais brasileiros que vão trabalhar principalmente nas duas estações de controle do artefato, uma, em Brasília, outra, no Rio de Janeiro, e, ambas, instaladas dentro de organizações militares. De acordo com o diretor de Política Espacial da AEB, Petrônio Noronha de Souza, o programa de absorção de tecnologia, previsto na contratação do SGDC, teve início no começo de 2014, quando foram enviados 26 profissionais brasileiros que passaram pela fase de cursos introdutórios e avançados na empresa.
Este ano, começa a segunda etapa do programa e o novo grupo de profissionais técnicos e engenheiros completarão o novo contingente, com um total de quatro representantes AEB, oito do INPE, dez do Ministério da Defesa, nove da empresa Visiona, seis da Telebras e dois do Ministério das Comunicações, num total de 39 profissionais.
Segundo o representante do Ministério da Defesa no Grupo-executivo do Projeto, coronel Edwin Pinheiro da Costa, os profissionais do ministério e da Telebras trabalharão diretamente no projeto e também deverão contribuir com a parte de transferência de tecnologia futuramente.
“Ao retornarem ao Brasil, esses profissionais poderão assumir atividades de controle do satélite, nos centros de operação. Com a experiência adquirida, eles também estarão aptos a atuar no desenvolvimento de futuros projetos espaciais no Brasil”, disse.
Segundo ele, a parte de transferência de tecnologia inclui ainda o treinamento de profissionais de empresas de tecnologia aeroespacial que, futuramente, se tornarão aptos a construir módulos componentes de satélites. O representante do Ministério da Defesa no Comitê Diretor do Projeto SGDC, brigadeiro Luiz Fernando de Aguiar, explica que esse processo de capacitação da indústria nacional servirá também para apoiar o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), que prevê a construção de outros novos satélites com a participação da indústria nacional.
“Estamos abrindo uma porta para que essa tecnologia ingresse no país. Temos o MCTI, AEB e outros órgãos diretamente envolvidos no processo de transferência de tecnologia para que possamos, no futuro, construir um satélite como esse no Brasil”, explica. “O ganho maior é essa absorção de tecnologia por parte do nosso pessoal e das nossas empresas para que, no futuro, possamos ingressar nesse mercado”, completou o brigadeiro destacando que, atualmente, diversos serviços meteorológicos são feitos por empresas estrangeiras, o que deverá mudar quando o país passar a dominar tal tecnologia.
Em dezembro do ano passado, uma equipe do Ministério da Defesa participou, em Toulouse, na França, da etapa de revisão crítica do projeto, na qual foram ajustados alguns detalhes técnicos finais do projeto.
O Satélite Geoestacionário terá uma banda X, voltada as comunicações militares, e uma banda ‘Ka’, para uso de comunicação civil no âmbito do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Com previsão de lançamento para o segundo semestre do ano que vem, o novo satélite será o primeiro a ser 100% controlado pelo governo.
Fonte: Ministério da Defesa
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Cooperação Rússia - Nicarágua: Glonass
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Como o Brasil, a Nicarágua pode ter estações do Glonass
Brasília, 22 de janeiro de 2014 – Estações do Sistema Global de Navegação por Satélite (Glonass, na sigla em russo), iguais as instaladas na Universidade de Brasília (UnB) desde 2014, podem ser implementadas ao longo do ano na Nicarágua. [Nota do blog: a estação instalada na UnB tem a finalidade de calibração dos sinais do sistema, e uma similar estava prevista para ser instalada em Pernambuco até o final de 2014]
O assunto foi um dos temas tratados na segunda-feira (19) quando da visita da presidente do Senado russo, Valentina Matvienko, ao país centro-americano, segundo informou a Agência Federal Espacial russa (Roscosmos).
O Glonass é equivalente ao Sistema de Posicionamento Global (GPS, na sigla em inglês), dos Estados Unidos. Em funcionamento desde 1993, o sistema conta hoje 24 satélites em operação.
Além da Nicarágua, o México também já se mostrou interessado em instalar estações de recepção do sistema.
Fonte: Roscosmos, via AEB, com edição do blog.
Como o Brasil, a Nicarágua pode ter estações do Glonass
Brasília, 22 de janeiro de 2014 – Estações do Sistema Global de Navegação por Satélite (Glonass, na sigla em russo), iguais as instaladas na Universidade de Brasília (UnB) desde 2014, podem ser implementadas ao longo do ano na Nicarágua. [Nota do blog: a estação instalada na UnB tem a finalidade de calibração dos sinais do sistema, e uma similar estava prevista para ser instalada em Pernambuco até o final de 2014]
O assunto foi um dos temas tratados na segunda-feira (19) quando da visita da presidente do Senado russo, Valentina Matvienko, ao país centro-americano, segundo informou a Agência Federal Espacial russa (Roscosmos).
O Glonass é equivalente ao Sistema de Posicionamento Global (GPS, na sigla em inglês), dos Estados Unidos. Em funcionamento desde 1993, o sistema conta hoje 24 satélites em operação.
Além da Nicarágua, o México também já se mostrou interessado em instalar estações de recepção do sistema.
Fonte: Roscosmos, via AEB, com edição do blog.
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"Conflitos e orçamentos militares em alta na Terra", artigo de José Monserrat Filho
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Conflitos e orçamentos militares em alta na Terra
José Monserrat Filho*
“E a orquestração bem trabalhada acaba por acentuar as incompatibilidades, os contrastes, as divergências, os conflitos. A violência e o desvario em geral.” Mino Carta1
Com mais de 2.500 participantes, mais de 40 chefes de Estado e de Governo e um sem número de empresários globais de diversas áreas, o Fórum Econômico Mundial deu início, nesta quarta-feira, em Davos, Suíça, a quatro dias de debates sobre questões que abalam as atividades econômicas e financeiras em escala mundial. O tema central desta feita são os conflitos que hoje ameaçam a economia já tão combalida do Planeta.
Não foi dito, mas, evidentemente, isso inclui possíveis conflitos em órbitas da Terra, de onde, aliás, já há muitos anos são comandados as guerras aqui na Terra.
O desafio de Davos é resolver as ditas “crises geopolíticas”, eufemismo para guerras, ataques, bombardeios, violências planejadas e executadas com frieza, que, claro, desorganizam ainda mais a vida econômica irracional e caótica em que a humanidade vive atualmente sem perspectivas de solução plausível. A visão unilateral esperta desce a detalhes e chega a colocar o conflito na Ucrânia à frente da guerra no Oriente Médio, que vem de longe e tende a se perpetuar até um genocídio final.
Mas a pergunta lançada (que não quer calar) é legítima e pede resposta urgente: O que a comunidade internacional pode fazer para ajudar a erguer uma paz duradoura?
É muito bom que se apele à comunidade internacional. Hoje, qualquer conflito, ainda que aparentemente local ou mesmo regional, é sempre e cada vez mais um problema global, que só pode ser resolvido globalmente, em amplo esforço coletivo.
Ainda mais que, neste momento, como observam Edgar Morin e Anne Brigitte Kern, “o certo é que a história mundial retomou sua marcha turbulenta, correndo a um futuro desconhecido, ao mesmo tempo em que retorna a um passado desaparecido” 2.
Os gastos militares alcançaram, em 2012, a bagatela de um trilhão e 756 bilhões de dólares, o que equivale a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. É a corrida armamentista, insanidade recorrente, que já vimos tantas vezes nos últimos 100 anos – para não irmos mais atrás –, sempre com milhões de vítimas e destruição em massa.
Estima-se que essa quantia seria suficiente para a comunidade internacional cumprir as Metas do Milênio3 das Nações Unidas, eliminando da face da Terra a fome e a miséria, a desnutrição e uma variedade de doenças endêmicas. Em poucos anos, provavelmente, mudaríamos a situação social do mundo, com um impacto nunca visto, na história humana, de desenvolvimento sustentável e bem-estar geral.
Há muitos cálculos e previsões sobre o que acontecerá de mais importante na vida da Terra até 2050. Mas pouco, muito pouco, se fala sobre os progressos sociais que se podem prognosticar para esse período de 35 anos.
Um trilhão e 756 bilhões de dólares em gastos militares. Tamanha fortuna nos leva à outra questão-chave levantada por Edgar Morin e Anne Brigitte Kern: “Podemos sair dessa História?” Ou o armamentismo e os conflitos bélicos são nosso único devir?
Um evento inesperado mostra que pode haver um futuro mais sensato.
O Partido Nacional Escocês (SNP), com prestígio crescente e capaz de desempenhar papel preponderante na política britânica após as eleições de maio vindouro, convidou, em 20 de janeiro, os principais partidos políticos do país a aprovarem a eliminação do sistema de dissuasão nuclear do Reino Unido.4
O líder do SNP no Parlamento, Angus Robertson, propôs que os submarinos nucleares Trident, hoje estacionados na Base de Faslane, perto de Glasgow, Escócia, não sejam substituídos. A seu ver, "chegou a hora de marcar uma data para demolir o Trident e não mais substituir essas armas de destruição em massa".
O SNP, líder da luta para fazer da Escócia um país independente do Reino Unido, sobe nas pesquisas de opinião pública. Ademais, ele vai concorrer às eleições de maio em aliança com o Partido Trabalhista. A coligação parece ter chances nas urnas. O SNP poderá eleger no mínimo 12 deputados, o dobro do que tem hoje.
É verdade que o governo conservador e a oposição trabalhista mantêm um acordo de apoio conjunto à continuidade do Trident, mas alguns deputados trabalhistas já se manifestam contra a linha do partido, ampliando a posição do SNP.
O deputado Angus Robertson vale-se de um argumento muito convincente, sobretudo em época de crise econômica e financeira como a atual: o fim do Trident poderá adicionar mais de US$ 150 bilhões aos carentes cofres britânicos.
A frota de quatro submarinos Trident contribuiu para coroar a Grã-Bretanha como potência nuclear, embora os mísseis nucleares sempre tivessem sido e continuem sendo fornecidos pelos Estados Unidos. Hoje é mais um resquício fantasma da Guerra Fria, que alguns governantes saudosistas tentam ressuscitar. Para que?
Talvez algum espírito mais esclarecido, vindo quem sabe da Escócia, desça em Davos e consiga convencer o nobre público ali presente que apostar prioritariamente no uso da força, as usually, já deixou de ser um bom negócio e pode pôr tudo a perder.
* Vice-presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial, Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica e Chefe dda Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Este artigo reflete apenas a opinião do autor.
Referências
1) Revista Carta Capital, nº 833, de 21/01/2015, p. 18.
2) Morin, Edgard, e Kern, Anne Brigitte, Terra-Pátria, Ed. Sulina, 2011, p. 33.
3) As oito Metas ou Objetivos do Milênio, adotados pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 8/09/2000, são: 1) Acabar com a Fome e a Miséria; 2) Educação Básica de Qualidade para todos; 3) Igualdade entre Sexos e Valorização da Mulher; 4) Reduzir a Mortalidade Infantil; 5) Melhorar a Saúde das Gestantes; 6) Combater a Aids, a Malária e outras doenças; 7) Qualidade de Vida e Respeito ao Meio Ambiente; e 8) Estabelecer uma parceria mundial para o Desenvolvimento. Ver www.objetivosdomilenio.org.br.
4) Notícia da France Press (AFP), de Londres, datada de 20 de janeiro de 2015.
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Conflitos e orçamentos militares em alta na Terra
José Monserrat Filho*
“E a orquestração bem trabalhada acaba por acentuar as incompatibilidades, os contrastes, as divergências, os conflitos. A violência e o desvario em geral.” Mino Carta1
Com mais de 2.500 participantes, mais de 40 chefes de Estado e de Governo e um sem número de empresários globais de diversas áreas, o Fórum Econômico Mundial deu início, nesta quarta-feira, em Davos, Suíça, a quatro dias de debates sobre questões que abalam as atividades econômicas e financeiras em escala mundial. O tema central desta feita são os conflitos que hoje ameaçam a economia já tão combalida do Planeta.
Não foi dito, mas, evidentemente, isso inclui possíveis conflitos em órbitas da Terra, de onde, aliás, já há muitos anos são comandados as guerras aqui na Terra.
O desafio de Davos é resolver as ditas “crises geopolíticas”, eufemismo para guerras, ataques, bombardeios, violências planejadas e executadas com frieza, que, claro, desorganizam ainda mais a vida econômica irracional e caótica em que a humanidade vive atualmente sem perspectivas de solução plausível. A visão unilateral esperta desce a detalhes e chega a colocar o conflito na Ucrânia à frente da guerra no Oriente Médio, que vem de longe e tende a se perpetuar até um genocídio final.
Mas a pergunta lançada (que não quer calar) é legítima e pede resposta urgente: O que a comunidade internacional pode fazer para ajudar a erguer uma paz duradoura?
É muito bom que se apele à comunidade internacional. Hoje, qualquer conflito, ainda que aparentemente local ou mesmo regional, é sempre e cada vez mais um problema global, que só pode ser resolvido globalmente, em amplo esforço coletivo.
Ainda mais que, neste momento, como observam Edgar Morin e Anne Brigitte Kern, “o certo é que a história mundial retomou sua marcha turbulenta, correndo a um futuro desconhecido, ao mesmo tempo em que retorna a um passado desaparecido” 2.
Os gastos militares alcançaram, em 2012, a bagatela de um trilhão e 756 bilhões de dólares, o que equivale a 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. É a corrida armamentista, insanidade recorrente, que já vimos tantas vezes nos últimos 100 anos – para não irmos mais atrás –, sempre com milhões de vítimas e destruição em massa.
Estima-se que essa quantia seria suficiente para a comunidade internacional cumprir as Metas do Milênio3 das Nações Unidas, eliminando da face da Terra a fome e a miséria, a desnutrição e uma variedade de doenças endêmicas. Em poucos anos, provavelmente, mudaríamos a situação social do mundo, com um impacto nunca visto, na história humana, de desenvolvimento sustentável e bem-estar geral.
Há muitos cálculos e previsões sobre o que acontecerá de mais importante na vida da Terra até 2050. Mas pouco, muito pouco, se fala sobre os progressos sociais que se podem prognosticar para esse período de 35 anos.
Um trilhão e 756 bilhões de dólares em gastos militares. Tamanha fortuna nos leva à outra questão-chave levantada por Edgar Morin e Anne Brigitte Kern: “Podemos sair dessa História?” Ou o armamentismo e os conflitos bélicos são nosso único devir?
Um evento inesperado mostra que pode haver um futuro mais sensato.
O Partido Nacional Escocês (SNP), com prestígio crescente e capaz de desempenhar papel preponderante na política britânica após as eleições de maio vindouro, convidou, em 20 de janeiro, os principais partidos políticos do país a aprovarem a eliminação do sistema de dissuasão nuclear do Reino Unido.4
O líder do SNP no Parlamento, Angus Robertson, propôs que os submarinos nucleares Trident, hoje estacionados na Base de Faslane, perto de Glasgow, Escócia, não sejam substituídos. A seu ver, "chegou a hora de marcar uma data para demolir o Trident e não mais substituir essas armas de destruição em massa".
O SNP, líder da luta para fazer da Escócia um país independente do Reino Unido, sobe nas pesquisas de opinião pública. Ademais, ele vai concorrer às eleições de maio em aliança com o Partido Trabalhista. A coligação parece ter chances nas urnas. O SNP poderá eleger no mínimo 12 deputados, o dobro do que tem hoje.
É verdade que o governo conservador e a oposição trabalhista mantêm um acordo de apoio conjunto à continuidade do Trident, mas alguns deputados trabalhistas já se manifestam contra a linha do partido, ampliando a posição do SNP.
O deputado Angus Robertson vale-se de um argumento muito convincente, sobretudo em época de crise econômica e financeira como a atual: o fim do Trident poderá adicionar mais de US$ 150 bilhões aos carentes cofres britânicos.
A frota de quatro submarinos Trident contribuiu para coroar a Grã-Bretanha como potência nuclear, embora os mísseis nucleares sempre tivessem sido e continuem sendo fornecidos pelos Estados Unidos. Hoje é mais um resquício fantasma da Guerra Fria, que alguns governantes saudosistas tentam ressuscitar. Para que?
Talvez algum espírito mais esclarecido, vindo quem sabe da Escócia, desça em Davos e consiga convencer o nobre público ali presente que apostar prioritariamente no uso da força, as usually, já deixou de ser um bom negócio e pode pôr tudo a perder.
* Vice-presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial, Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica e Chefe dda Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Este artigo reflete apenas a opinião do autor.
Referências
1) Revista Carta Capital, nº 833, de 21/01/2015, p. 18.
2) Morin, Edgard, e Kern, Anne Brigitte, Terra-Pátria, Ed. Sulina, 2011, p. 33.
3) As oito Metas ou Objetivos do Milênio, adotados pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 8/09/2000, são: 1) Acabar com a Fome e a Miséria; 2) Educação Básica de Qualidade para todos; 3) Igualdade entre Sexos e Valorização da Mulher; 4) Reduzir a Mortalidade Infantil; 5) Melhorar a Saúde das Gestantes; 6) Combater a Aids, a Malária e outras doenças; 7) Qualidade de Vida e Respeito ao Meio Ambiente; e 8) Estabelecer uma parceria mundial para o Desenvolvimento. Ver www.objetivosdomilenio.org.br.
4) Notícia da France Press (AFP), de Londres, datada de 20 de janeiro de 2015.
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Opto Eletrônica em recuperação judicial
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A Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), considerada uma das principais indústrias atuantes no setor espacial brasileiro, está em recuperação judicial. O pedido, protocolado pela própria empresa em 16 de dezembro, foi deferido pela justiça paulista na semana passada.
A informação que chegou ao conhecimento do blog é que o pedido de proteção contra credores foi precipitado por uma execução de dívida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e também por atrasos em pagamentos de contratos junto ao governo federal. Houve também problemas de gestão.
A recuperação judicial, grosso modo, nada mais é do que uma medida para evitar a falência, sendo solicitada quando uma empresa perde a capacidade de pagar suas dívidas.
Com um faturamento que em 2009 chegou a superar R$100 milhões, sendo 40% oriundos de negócios em defesa e espaço, e mais de 450 funcionários na época, a empresa reduziu drasticamente suas operações nos últimos tempos, e hoje emprega pouco menos de 100 profissionais. Já há alguns anos que se comenta nos bastidores sobre sua possível venda ou associação com grupos nacionais ou estrangeiros, e de fato, segundo apurado, há negociações em andamento.
Além de participar de projetos de sensores óticos de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), como o CBERS e o Amazônia-1, a Opto também participa de programas das forças armadas, fornecendo dispositivos óticos e buscadores para praticamente todos os mísseis nacionais.
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A Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), considerada uma das principais indústrias atuantes no setor espacial brasileiro, está em recuperação judicial. O pedido, protocolado pela própria empresa em 16 de dezembro, foi deferido pela justiça paulista na semana passada.
A informação que chegou ao conhecimento do blog é que o pedido de proteção contra credores foi precipitado por uma execução de dívida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e também por atrasos em pagamentos de contratos junto ao governo federal. Houve também problemas de gestão.
A recuperação judicial, grosso modo, nada mais é do que uma medida para evitar a falência, sendo solicitada quando uma empresa perde a capacidade de pagar suas dívidas.
Com um faturamento que em 2009 chegou a superar R$100 milhões, sendo 40% oriundos de negócios em defesa e espaço, e mais de 450 funcionários na época, a empresa reduziu drasticamente suas operações nos últimos tempos, e hoje emprega pouco menos de 100 profissionais. Já há alguns anos que se comenta nos bastidores sobre sua possível venda ou associação com grupos nacionais ou estrangeiros, e de fato, segundo apurado, há negociações em andamento.
Além de participar de projetos de sensores óticos de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), como o CBERS e o Amazônia-1, a Opto também participa de programas das forças armadas, fornecendo dispositivos óticos e buscadores para praticamente todos os mísseis nacionais.
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