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Mais um foguete brasileiro VSB-30 é lançado com sucesso da Europa
30/03/2015
O VSB-30 V13 foi lançado da Base do Andoya Space Center (ASC), na Noruega, às 17:26 (horário local), atingindo o apogeu nominal esperado de 308Km.
O objetivo da missão foi o lançamento do experimento HIFIRE 7, carga útil do Programa Hipersônico Internacional "Hypersonic International Flight Research Experimentation Program", liderado pela NASA, pelo AFRL (Air Force Research Laboratory - EUA) e pelo DSTO (Defence Science and Technology Organization- Austrália), com a colaboração do DLR Alemão (German Aerospace Center).
O VSB-30 é um foguete suborbital desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) para realizar experimentos científicos em ambiente de microgravidade. O lançamento do VSB-30 ocorrido na Noruega é o 16º realizado com sucesso.
Fonte: IAE/DCTA.
Nota do blog: este foi o segundo lançamento do VSB-30 na Europa este ano, e o quarto de um foguete de sondagem desenvolvido e construído no Brasil. Em 20 de fevereiro, um VSB-30 foi disparado do centro espacial de Esrange, no norte da Suécia, em missão de microgravidade patrocinada pela agência espacial francesa (CNES). No mesmo dia, outro foguete nacional, do modelo VS-30, foi lançado de Andoya, na Noruega, também com sucesso, desta vez numa operação da Agência Espacial Europeia para a investigação dos efeitos dos fenômenos da aurora boreal em sistemas de navegação e comunicação por satélite. Já no início de março, houve outro lançamento de VS-30, também de Andoya, na Operação Wadis 2.
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segunda-feira, 30 de março de 2015
Ampliação do Parque Tecnológico de São José dos Campos
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Parque Tecnológico em SP recebe outro Centro Empresarial
Brasília, 30 de março de 2015 – O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, participou no sábado (28) da inauguração do Centro Empresarial 2 do Parque Tecnológico de São José dos Campos, em São Paulo.
Na oportunidade, Rebelo ressaltou a importância de o ministério apoiar iniciativas que promovam o desenvolvimento de produtos e técnicas inovadoras para o mercado. Segundo ele, investir nas atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) aumenta a competitividade do país e gera emprego.
“Inovar nos faz manter a indústria de vanguarda e a capacidade de produzir e exportar produtos de alta tecnologia”, disse o ministro. O diretor geral do parque, Marco Antonio Raupp, agradeceu os esforços e os atores envolvidos na idealização, construção e consolidação do complexo.
A obra é resultado da parceria entre o Parque Tecnológico e os governos federal, estadual e municipal, que investiram R$ 17,7 milhões.
De acordo com Raupp, o apoio das três esferas governamentais ao projeto demonstra que o país está decidido a investir em ciência, tecnologia e inovação. “Os governos entenderam a importância da CT&I para a sociedade e para o desenvolvimento regional e da indústria”, salientou. Ele também informou que já estão assegurados mais R$ 11,5 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para a terceira etapa do projeto de expansão do centro empresarial do parque.
O presidente da Finep, Luis Fernandes, presente a solenidade, destacou o modelo inovador de gestão e de governança do parque. Ele reforçou a necessidade de o país ampliar os investimentos empresariais na área de CT&I e avaliou a importância de apoiar os parques tecnológicos. “Esse é um investimento estratégico, que procura disseminar e intensificar as atividades de inovação”, disse.
Também participaram da solenidade, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Armando Milioni, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Leonel Perondi, o diretor geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Carlos Nobre, entre outras autoridades.
Expansão – Instalado em um dos mais importantes polos tecnológicos do Brasil, o Parque Tecnológico de São José dos Campos objetiva fomentar o surgimento, o crescimento e a consolidação de empresas inovadoras, atuando em segmentos de elevada densidade tecnológica.
Em 2010, o Centro Empresarial 1 começou a operar com 6 mil m². O complexo atende 25 empresas, que desenvolvem atividades pesquisa e desenvolvimento em segmentos como informática, aeronáutica, cadeia de óleo e gás, saúde, química, aeroespacial, entre outros.
Recentemente, o Cemaden inaugurou no local o novo ambiente de trabalho. A unidade é responsável pelas ações preventivas para redução do efeito de desastres naturais e identificar vulnerabilidades no uso e ocupação do solo.
Com o Centro Empresarial 2, o parque triplica a área destinada a abrigar novos empreendimentos de base tecnológica. O espaço tem capacidade para reunir até 50 empreendimentos. Até o momento 21 companhias já se instalaram no local, e contempla também um centro de serviços de apoio às empresas e área para instalação de laboratórios multiusuários.
Fonte: MCTI, via AEB.
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Parque Tecnológico em SP recebe outro Centro Empresarial
Brasília, 30 de março de 2015 – O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, participou no sábado (28) da inauguração do Centro Empresarial 2 do Parque Tecnológico de São José dos Campos, em São Paulo.
Na oportunidade, Rebelo ressaltou a importância de o ministério apoiar iniciativas que promovam o desenvolvimento de produtos e técnicas inovadoras para o mercado. Segundo ele, investir nas atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D) aumenta a competitividade do país e gera emprego.
“Inovar nos faz manter a indústria de vanguarda e a capacidade de produzir e exportar produtos de alta tecnologia”, disse o ministro. O diretor geral do parque, Marco Antonio Raupp, agradeceu os esforços e os atores envolvidos na idealização, construção e consolidação do complexo.
A obra é resultado da parceria entre o Parque Tecnológico e os governos federal, estadual e municipal, que investiram R$ 17,7 milhões.
De acordo com Raupp, o apoio das três esferas governamentais ao projeto demonstra que o país está decidido a investir em ciência, tecnologia e inovação. “Os governos entenderam a importância da CT&I para a sociedade e para o desenvolvimento regional e da indústria”, salientou. Ele também informou que já estão assegurados mais R$ 11,5 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para a terceira etapa do projeto de expansão do centro empresarial do parque.
O presidente da Finep, Luis Fernandes, presente a solenidade, destacou o modelo inovador de gestão e de governança do parque. Ele reforçou a necessidade de o país ampliar os investimentos empresariais na área de CT&I e avaliou a importância de apoiar os parques tecnológicos. “Esse é um investimento estratégico, que procura disseminar e intensificar as atividades de inovação”, disse.
Também participaram da solenidade, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Armando Milioni, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Leonel Perondi, o diretor geral do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Carlos Nobre, entre outras autoridades.
Expansão – Instalado em um dos mais importantes polos tecnológicos do Brasil, o Parque Tecnológico de São José dos Campos objetiva fomentar o surgimento, o crescimento e a consolidação de empresas inovadoras, atuando em segmentos de elevada densidade tecnológica.
Em 2010, o Centro Empresarial 1 começou a operar com 6 mil m². O complexo atende 25 empresas, que desenvolvem atividades pesquisa e desenvolvimento em segmentos como informática, aeronáutica, cadeia de óleo e gás, saúde, química, aeroespacial, entre outros.
Recentemente, o Cemaden inaugurou no local o novo ambiente de trabalho. A unidade é responsável pelas ações preventivas para redução do efeito de desastres naturais e identificar vulnerabilidades no uso e ocupação do solo.
Com o Centro Empresarial 2, o parque triplica a área destinada a abrigar novos empreendimentos de base tecnológica. O espaço tem capacidade para reunir até 50 empreendimentos. Até o momento 21 companhias já se instalaram no local, e contempla também um centro de serviços de apoio às empresas e área para instalação de laboratórios multiusuários.
Fonte: MCTI, via AEB.
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quinta-feira, 26 de março de 2015
“O PESE não é exclusivo da Aeronáutica”, entrevista com brig. Carlos de Aquino, CCISE
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“O PESE não é exclusivo da Aeronáutica”
Na sua edição nº 136, Tecnologia & Defesa, seguindo a sua linha de oferecer sempre que possível aos seus leitores reportagens com temas exclusivos, abordou, pela primeira vez na imprensa, o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), lançado em 2012 sob as égides da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE). Constituída pelo Comando da Aeronáutica em fevereiro de 2012, a Comissão atua na linha de frente para concretizar os projetos do PESE. Para saber mais sobre os propósitos do Programa, seu momento atual e perspectivas, T&D entrevistou para este suplemento especial o presidente da CCISE, major-brigadeiro Carlos Vuyk de Aquino. Piloto com mais de três mil horas de voo em diferentes modelos, o major-brigadeiro Aquino tem MBA em administração de empresas e gerenciamento de projetos e, além de presidir a Comissão, desde abril de 2007 é também presidente da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA).
Tecnologia & Defesa - Inicialmente, o senhor poderia discorrer brevemente sobre a origem e os principais objetivos da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE) e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE)?
Major-Brigadeiro Carlos Vuyk de Aquino - A CCISE foi criada pelo comandante da Aeronáutica em 29 de fevereiro de 2012 para coordenar os trabalhos de definição e de implantação de sistemas espaciais à luz das diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa (END), incluindo seus elementos orbitais e a relativa infraestrutura de apoio, tanto dos componentes de uso exclusivo do Ministério da Defesa quanto daqueles de uso compartilhado com outros órgãos públicos e/ou privados. Os trabalhos ocorrem sob supervisão do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) e em coordenação com o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), com os Estados-Maiores da Armada (EMA) e do Exército (EME).
No cumprimento de suas atribuições, a CCISE coordenou a concepção do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), realizada em conjunto “O PESE não é exclusivo da Aeronáutica” com o Ministério da Defesa, a Marinha, o Exército e a Aeronáutica. O programa é composto por ações e projetos necessários para alcançar, ao longo dos próximos anos, os objetivos estabelecidos na END referentes ao setor espacial.
O PESE abrangerá projetos de implantação de sistemas espaciais, incluindo sua infraestrutura de controle e de operação, para diversas finalidades de interesse do Estado. Esses sistemas serão de uso compartilhado (militar e civil) e contribuirão para a execução do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) nas áreas de interesse definidas na END, priorizando as necessidades das Forças Armadas e complementando as capacidades que não são atendidas pelo PNAE.
O PESE também tem por objetivo mobilizar a Base Industrial Brasileira (BID), as entidades de pesquisa, a área acadêmica, os órgãos de fomento e de financiamento do governo, assim como a sociedade em geral mediante uma demanda sustentável e frequente.
É importante enfatizar que o PESE não é um programa exclusivo da Aeronáutica e vai atender às necessidades das três Forças Armadas, bem como de toda a sociedade civil brasileira. O controle e o emprego dos meios espaciais serão realizados em conjunto pelas Forças e parceiros.
T&D - O ano de 2014 começou com grande expectativa para a o PESE, que contava com recursos orçamentários significativos. Porém, a expectativa acabou frustrada em razão do corte de praticamente toda a destinação. Quais são as expectativas para 2015 e para os próximos anos, inclusive em termos de contratação da indústria?
Maj Brig Aquino - Atendendo a processualística orçamentária do Governo Federal, foram feitas as coordenações necessárias pela CCISE, junto ao Comando da Aeronáutica e ao Ministério da Defesa, para que fosse criada uma ação específica no Orçamento da União para os primeiros nove anos da implantação do PESE. Como é de conhecimento, a conjuntura econômica dita a priorização dos recursos disponíveis para o Ministério da Defesa frente aos contratos e compromissos já assumidos, o que nos impôs limites para os recursos previstos para 2015, nos obrigando a fazer ajustes nos planejamentos para os sistemas de sensoriamento remoto das Forças Armadas, esta denominada “Carponis”. Porém, o programa é estratégico para o País e este replanejamento, que ora se faz necessário, fará com que os processos sejam revisados temporalmente.
Quanto a participação industrial brasileira, ela é condição indispensável no PESE. Um dos problemas já diagnosticado sobre o setor espacial brasileiro é o longo intervalo entre os contratos com a indústria nacional, dificultando a manutenção da mão de obra altamente qualificada dentro das empresas. A proposta do PESE prioriza os satélites menores e mais baratos justamente para criar uma demanda distribuída e suficiente para a manutenção da base industrial. Para isso, a participação da empresa integradora brasileira, capaz de organizar e incluir a cadeia de fornecedores locais, e adquirir a tecnologia ainda não presente no Brasil, é essencial.
T&D - O projeto mais conhecido do PESE envolve o desenvolvimento de uma constelação de satélites para diferentes aplicações, o chamado sistema Áquila. O senhor poderia detalhar as características deste sistema?
Mj Brig Aquino - O PESE deverá suprir a demanda urgente de canais de comunicação, por meio de satélites brasileiros, para todos os sistemas operados pelos Comandos Militares e para o Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM). Na área de defesa e segurança, o emprego dos sistemas espaciais propostos contribuirá para a redução dos custos dos sistemas de monitoramento de ilícitos, por meio de um incremento na eficiência da vigilância de fronteiras e ações de polícia.
Os contratos com a indústria nacional produzirão estímulos à economia em função da tecnologia adquirida e ampliação da mão de obra especializada, que poderão contribuir para outros setores econômicos. O compartilhamento dos satélites de telecomunicações proporcionará suporte ao Plano Nacional de Banda Larga para as regiões de difícil acesso por redes de fibra óptica ou por torres de micro-ondas.
O incremento da disponibilidade de imagens de alta resolução e o refinamento das informações de posição e navegação, proporcionados pelos produtos gerados pelo PESE, fomentarão a Agricultura de Precisão (AP) que, por sua vez, permitirá um aumento da produção nacional e da rentabilidade desse setor. Essas imagens também servirão de insumo importante para os esforços de redução dos impactos de desastres naturais, por meio do aumento da eficiência no monitoramento de áreas de risco, no planejamento e nas respostas a esses eventos.
Outra contribuição importante da disponibilidade e da precisão das imagens será o aumento da eficiência no monitoramento ambiental, possibilitando a redução da taxa de desmatamento da Amazônia por meio de uma ação de supervisão e fiscalização mais eficiente.
T&D - É sabido que a CCISE tem mantido contato com potenciais parceiros internacionais para a implantação do PESE, como a França, Israel e Estados Unidos, entre outros. O senhor poderia falar um pouco a respeito?
Mj Brig Aquino - O Brasil já possui acordos de cooperação incluindo a área espacial com diversos países. No caso dos mais desenvolvidos, há um grande interesse desses em participar das iniciativas brasileiras, mas o estabelecimento de uma parceria equilibrada é dificultado pela defasagem tecnológica brasileira e por já possuírem programas de satélites em andamento com características distintas das consideradas para o PESE. Assim como o Brasil, os representantes militares de nossos parceiros tentam promover e expandir os mercados de suas indústrias, mas, em todas as ocasiões em que a CCISE participou de grupos de trabalhos conjuntos, deixamos clara a nossa posição de que apenas as parcerias com participação efetiva da indústria brasileira serão consideradas.
O estabelecimento de uma parceria internacional para os projetos do PESE é bem vinda porque permitirá dividir os custos e riscos do desenvolvimento e implantação de sistemas espaciais aproveitando o fato de que os satélites proporcionam uma cobertura global que pode ser aproveitada por parceiros fora da área de interesse do Brasil.
T&D - Qual é a interação da CCISE com o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), contratado pela Visiona Tecnologia Espacial no final de 2013, e como este se insere no PESE?
Mj Brig Aquino – Formalmente, a CCISE participa do SGDC por meio de um acordo de cooperação, assinado em 2014, onde a CCISE apoia a Telebras nas atividades de implantação da infraestrutura de operação desse satélite. O plano original da Defesa em possuir três satélites geoestacionários de comunicações está capturado no PESE ao incluir os dois seguintes, com previsão de lançamentos espaçados em cinco anos. Com vida útil projetada para 15 a 16 anos, esse intervalo de tempo entre os satélites proporciona a recorrência ideal para a implantação e manutenção das comunicações estratégicas por satélite. O processo interministerial para a aprovação do SGDC é anterior à criação da CCISE e, por isso, a Comissão não faz parte da sua governança e o PESE considera o SGDC apenas na sua operação pelo Centro de Operações Espaciais. Para tanto, Defesa e Telebras uniram-se para construir o centro principal e o seu reserva em áreas militares da Aeronáutica e da Marinha, respectivamente. Além desses dois, a Telebras também conta com o apoio da Aeronáutica e do Exército para hospedar as estações de monitoramento e retransmissão de dados “gateways” da banda Ka, que será utilizada para o Plano Nacional de Banda Larga. Como há interesse por parte da Telebras nesses outros dois satélites, é provável que a parceria seja estendida a eles também.
T&D - Sobre o SGDC, aliás, há certa expectativa quanto à formalização de contrapartidas tecnológicas, os chamados offsets, no âmbito da contratação da construção do satélite, em benefício da indústria espacial brasileira. A CCISE tem participado dessas discussões?
Mj Brig Aquino - Durante as fases de definição de requisitos de “offsets” e durante as negociações do contrato, a CCISE contribuiu diretamente ao colocar suas necessidades tecnológicas voltadas para os satélites de sensoriamento remoto óptico e radar. O objetivo é trazer para o Brasil tecnologias mais avançadas que permitirão uma participação mais efetiva das indústrias espaciais locais nos projetos do PESE.
T&D - Na Europa e nos Estados Unidos, não é incomum a estruturação de parcerias público-privadas (PPP) nos setores espacial e de defesa para diferir e mesmo reduzir os investimentos necessários para o desenvolvimento e aquisição de capacidades, sempre expressivos nesses setores. A CCISE tem considerado meios alternativos como as PPP para a viabilização de segmentos do PESE?
Mj Brig Aquino - Em primeiro lugar, as capacidades espaciais almejadas pela Defesa envolvem a implantação de recursos com cobertura global que geralmente podem ser aproveitados para outras finalidades. A participação de empresas na implantação e na operação desses sistemas traz o benefício imediato de melhor aproveitar a disponibilidade dos satélites e reduzir os custos para a Defesa. Por outro lado, a legislação brasileira proporciona a segurança orçamentária de longo prazo para as PPP e isso é importante para um programa como o PESE, em que a regularidade das demandas é o alicerce da sustentação da indústria nacional. Além disso, a concessão para a empresa explorar comercialmente os produtos e serviços dos sistemas espaciais desonera a Defesa da responsabilidade de gerenciar e atender às demandas de uma base de consumidores civis que foge à missão das Forças.
A exploração dos produtos e serviços é a parte mais fácil dessa equação. É no financiamento por parte do parceiro privado para a implantação dos sistemas espaciais que reside o maior desafio para o estabelecimento de uma PPP. O que precisamos agora é demonstrar a viabilidade econômica do programa visando encontrar estes parceiros. Então, objetivamente falando, a CCISE vem promovendo a discussão sobre esse assunto em seus contatos com representantes do Governo e da indústria em busca de candidatos para uma PPP.
T&D - Ainda em relação a meios alternativos, é também comum a contratação de serviços de satélites, em especial para comunicações e observação terrestre, sendo que as Forças Armadas brasileiras são importantes usuárias para atender suas necessidades. A CCISE tem considerado soluções baseadas em serviços para atender os propósitos do PESE?
Mj Brig Aquino - Essa contratação de serviços não faz parte do escopo do PESE porque ela não atende a questão da soberania nacional sobre os meios espaciais exigida pela END. Por esse motivo, a CCISE não tem planos para isso até esse momento. Entretanto, diversas iniciativas das Forças Armadas possuem demandas para o uso de satélites e elas não deixarão de ser atendidas simplesmente porque os produtos do PESE ainda não estão implantados. Para isso, a contratação de serviços é um caminho possível, tanto que o Ministério da Defesa possui diversos contratos para o uso de comunicações por satélites de provedores nacionais e internacionais. O acesso a imagens de alta resolução geradas por satélites também ocorre dessa forma e as aquisições estão centralizadas no EMCFA.
No futuro, quando o Centro de Operações Espaciais estiver implantado, é possível que a gestão desses contratos seja centralizada nesse órgão.
T&D - O PESE foi revisto para a inclusão de veículos lançadores, iniciativa não prevista originariamente no programa. Qual é o envolvimento da CCISE com os projetos brasileiros de veículos lançadores, tocados pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA)?
Mj Brig Aquino - Para a CCISE é muito importante que o Brasil disponha logo de veículos lançadores de baixo custo para atender não somente ao que preconiza a END, mas para impulsionar a estratégia baseada no emprego de frotas de micro-satélites. Até o momento, o desenvolvimento desses lançadores é quase que totalmente financiado pelos recursos do PNAE e eles não têm sido suficientes. A inclusão dos lançadores no PESE tem o objetivo de complementar os investimentos nos lançadores e acelerar o desenvolvimento para que eles possam ser usados para os satélites do PESE o mais cedo possível.
T&D - O uso da tecnologia de cubesats tem se popularizado nas atividades espaciais com relativo sucesso, inclusive no Brasil, em razão principalmente de seu reduzido custo para construção e lançamento de cargas úteis. A CCISE tem avaliado esta tecnologia para o atendimento de algumas de suas demandas?
Mj Brig Aquino - O PESE considera que a evolução tecnológica permitirá o emprego operacional desses nano satélites. A CCISE tem interesse nesses projetos e tinha planos de investir diretamente nas iniciativas do ITA para o ITASAT caso o seu orçamento tivesse sido mantido. Por enquanto, entendemos que essas plataformas terão aplicação imediata para testar e qualificar pequenos subsistemas para satélites maiores. No futuro, esperamos poder empregá-los para comunicações e navegação.
T&D - Existem algumas áreas de contato entre o PESE e o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), este último sob a coordenação da Agência Espacial Brasileira (AEB). Como exemplos, temos as missões de satélites radar e meteorológicos. Há alguma discussão visando a um alinhamento entre os dois programas, de forma a evitar duplicidade de capacidades?
Mj Brig Aquino - O PESE complementa o Programa Nacional de Atividades Espaciais ao fornecer satélites com capacidade adequada para apoiar as missões das Forças Armadas e viabilizar melhorias concretas na vida da população, como o Plano Nacional de Banda Larga, citado anteriormente.
Não há intenção de duplicar aquilo que já está planejado para o PNAE. Os novos satélites que serão adquiridos pelo PESE terão características técnicas e operacionais mais adequadas para as necessidades das Forças Armadas. Por exemplo, imagens de alta resolução com intervalo de tempo mais curto entre as suas coletas são importantes para a condução de operações militares e não estão contempladas no PNAE.
Entrevista publicada na edição especial de Tecnologia & Defesa sobre atividades espaciais, em fevereiro de 2015.
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“O PESE não é exclusivo da Aeronáutica”
Na sua edição nº 136, Tecnologia & Defesa, seguindo a sua linha de oferecer sempre que possível aos seus leitores reportagens com temas exclusivos, abordou, pela primeira vez na imprensa, o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), lançado em 2012 sob as égides da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE). Constituída pelo Comando da Aeronáutica em fevereiro de 2012, a Comissão atua na linha de frente para concretizar os projetos do PESE. Para saber mais sobre os propósitos do Programa, seu momento atual e perspectivas, T&D entrevistou para este suplemento especial o presidente da CCISE, major-brigadeiro Carlos Vuyk de Aquino. Piloto com mais de três mil horas de voo em diferentes modelos, o major-brigadeiro Aquino tem MBA em administração de empresas e gerenciamento de projetos e, além de presidir a Comissão, desde abril de 2007 é também presidente da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA).
Tecnologia & Defesa - Inicialmente, o senhor poderia discorrer brevemente sobre a origem e os principais objetivos da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE) e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE)?
Major-Brigadeiro Carlos Vuyk de Aquino - A CCISE foi criada pelo comandante da Aeronáutica em 29 de fevereiro de 2012 para coordenar os trabalhos de definição e de implantação de sistemas espaciais à luz das diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa (END), incluindo seus elementos orbitais e a relativa infraestrutura de apoio, tanto dos componentes de uso exclusivo do Ministério da Defesa quanto daqueles de uso compartilhado com outros órgãos públicos e/ou privados. Os trabalhos ocorrem sob supervisão do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) e em coordenação com o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), com os Estados-Maiores da Armada (EMA) e do Exército (EME).
No cumprimento de suas atribuições, a CCISE coordenou a concepção do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), realizada em conjunto “O PESE não é exclusivo da Aeronáutica” com o Ministério da Defesa, a Marinha, o Exército e a Aeronáutica. O programa é composto por ações e projetos necessários para alcançar, ao longo dos próximos anos, os objetivos estabelecidos na END referentes ao setor espacial.
O PESE abrangerá projetos de implantação de sistemas espaciais, incluindo sua infraestrutura de controle e de operação, para diversas finalidades de interesse do Estado. Esses sistemas serão de uso compartilhado (militar e civil) e contribuirão para a execução do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) nas áreas de interesse definidas na END, priorizando as necessidades das Forças Armadas e complementando as capacidades que não são atendidas pelo PNAE.
O PESE também tem por objetivo mobilizar a Base Industrial Brasileira (BID), as entidades de pesquisa, a área acadêmica, os órgãos de fomento e de financiamento do governo, assim como a sociedade em geral mediante uma demanda sustentável e frequente.
É importante enfatizar que o PESE não é um programa exclusivo da Aeronáutica e vai atender às necessidades das três Forças Armadas, bem como de toda a sociedade civil brasileira. O controle e o emprego dos meios espaciais serão realizados em conjunto pelas Forças e parceiros.
T&D - O ano de 2014 começou com grande expectativa para a o PESE, que contava com recursos orçamentários significativos. Porém, a expectativa acabou frustrada em razão do corte de praticamente toda a destinação. Quais são as expectativas para 2015 e para os próximos anos, inclusive em termos de contratação da indústria?
Maj Brig Aquino - Atendendo a processualística orçamentária do Governo Federal, foram feitas as coordenações necessárias pela CCISE, junto ao Comando da Aeronáutica e ao Ministério da Defesa, para que fosse criada uma ação específica no Orçamento da União para os primeiros nove anos da implantação do PESE. Como é de conhecimento, a conjuntura econômica dita a priorização dos recursos disponíveis para o Ministério da Defesa frente aos contratos e compromissos já assumidos, o que nos impôs limites para os recursos previstos para 2015, nos obrigando a fazer ajustes nos planejamentos para os sistemas de sensoriamento remoto das Forças Armadas, esta denominada “Carponis”. Porém, o programa é estratégico para o País e este replanejamento, que ora se faz necessário, fará com que os processos sejam revisados temporalmente.
Quanto a participação industrial brasileira, ela é condição indispensável no PESE. Um dos problemas já diagnosticado sobre o setor espacial brasileiro é o longo intervalo entre os contratos com a indústria nacional, dificultando a manutenção da mão de obra altamente qualificada dentro das empresas. A proposta do PESE prioriza os satélites menores e mais baratos justamente para criar uma demanda distribuída e suficiente para a manutenção da base industrial. Para isso, a participação da empresa integradora brasileira, capaz de organizar e incluir a cadeia de fornecedores locais, e adquirir a tecnologia ainda não presente no Brasil, é essencial.
T&D - O projeto mais conhecido do PESE envolve o desenvolvimento de uma constelação de satélites para diferentes aplicações, o chamado sistema Áquila. O senhor poderia detalhar as características deste sistema?
Mj Brig Aquino - O PESE deverá suprir a demanda urgente de canais de comunicação, por meio de satélites brasileiros, para todos os sistemas operados pelos Comandos Militares e para o Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM). Na área de defesa e segurança, o emprego dos sistemas espaciais propostos contribuirá para a redução dos custos dos sistemas de monitoramento de ilícitos, por meio de um incremento na eficiência da vigilância de fronteiras e ações de polícia.
Os contratos com a indústria nacional produzirão estímulos à economia em função da tecnologia adquirida e ampliação da mão de obra especializada, que poderão contribuir para outros setores econômicos. O compartilhamento dos satélites de telecomunicações proporcionará suporte ao Plano Nacional de Banda Larga para as regiões de difícil acesso por redes de fibra óptica ou por torres de micro-ondas.
O incremento da disponibilidade de imagens de alta resolução e o refinamento das informações de posição e navegação, proporcionados pelos produtos gerados pelo PESE, fomentarão a Agricultura de Precisão (AP) que, por sua vez, permitirá um aumento da produção nacional e da rentabilidade desse setor. Essas imagens também servirão de insumo importante para os esforços de redução dos impactos de desastres naturais, por meio do aumento da eficiência no monitoramento de áreas de risco, no planejamento e nas respostas a esses eventos.
Outra contribuição importante da disponibilidade e da precisão das imagens será o aumento da eficiência no monitoramento ambiental, possibilitando a redução da taxa de desmatamento da Amazônia por meio de uma ação de supervisão e fiscalização mais eficiente.
T&D - É sabido que a CCISE tem mantido contato com potenciais parceiros internacionais para a implantação do PESE, como a França, Israel e Estados Unidos, entre outros. O senhor poderia falar um pouco a respeito?
Mj Brig Aquino - O Brasil já possui acordos de cooperação incluindo a área espacial com diversos países. No caso dos mais desenvolvidos, há um grande interesse desses em participar das iniciativas brasileiras, mas o estabelecimento de uma parceria equilibrada é dificultado pela defasagem tecnológica brasileira e por já possuírem programas de satélites em andamento com características distintas das consideradas para o PESE. Assim como o Brasil, os representantes militares de nossos parceiros tentam promover e expandir os mercados de suas indústrias, mas, em todas as ocasiões em que a CCISE participou de grupos de trabalhos conjuntos, deixamos clara a nossa posição de que apenas as parcerias com participação efetiva da indústria brasileira serão consideradas.
O estabelecimento de uma parceria internacional para os projetos do PESE é bem vinda porque permitirá dividir os custos e riscos do desenvolvimento e implantação de sistemas espaciais aproveitando o fato de que os satélites proporcionam uma cobertura global que pode ser aproveitada por parceiros fora da área de interesse do Brasil.
T&D - Qual é a interação da CCISE com o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), contratado pela Visiona Tecnologia Espacial no final de 2013, e como este se insere no PESE?
Mj Brig Aquino – Formalmente, a CCISE participa do SGDC por meio de um acordo de cooperação, assinado em 2014, onde a CCISE apoia a Telebras nas atividades de implantação da infraestrutura de operação desse satélite. O plano original da Defesa em possuir três satélites geoestacionários de comunicações está capturado no PESE ao incluir os dois seguintes, com previsão de lançamentos espaçados em cinco anos. Com vida útil projetada para 15 a 16 anos, esse intervalo de tempo entre os satélites proporciona a recorrência ideal para a implantação e manutenção das comunicações estratégicas por satélite. O processo interministerial para a aprovação do SGDC é anterior à criação da CCISE e, por isso, a Comissão não faz parte da sua governança e o PESE considera o SGDC apenas na sua operação pelo Centro de Operações Espaciais. Para tanto, Defesa e Telebras uniram-se para construir o centro principal e o seu reserva em áreas militares da Aeronáutica e da Marinha, respectivamente. Além desses dois, a Telebras também conta com o apoio da Aeronáutica e do Exército para hospedar as estações de monitoramento e retransmissão de dados “gateways” da banda Ka, que será utilizada para o Plano Nacional de Banda Larga. Como há interesse por parte da Telebras nesses outros dois satélites, é provável que a parceria seja estendida a eles também.
T&D - Sobre o SGDC, aliás, há certa expectativa quanto à formalização de contrapartidas tecnológicas, os chamados offsets, no âmbito da contratação da construção do satélite, em benefício da indústria espacial brasileira. A CCISE tem participado dessas discussões?
Mj Brig Aquino - Durante as fases de definição de requisitos de “offsets” e durante as negociações do contrato, a CCISE contribuiu diretamente ao colocar suas necessidades tecnológicas voltadas para os satélites de sensoriamento remoto óptico e radar. O objetivo é trazer para o Brasil tecnologias mais avançadas que permitirão uma participação mais efetiva das indústrias espaciais locais nos projetos do PESE.
T&D - Na Europa e nos Estados Unidos, não é incomum a estruturação de parcerias público-privadas (PPP) nos setores espacial e de defesa para diferir e mesmo reduzir os investimentos necessários para o desenvolvimento e aquisição de capacidades, sempre expressivos nesses setores. A CCISE tem considerado meios alternativos como as PPP para a viabilização de segmentos do PESE?
Mj Brig Aquino - Em primeiro lugar, as capacidades espaciais almejadas pela Defesa envolvem a implantação de recursos com cobertura global que geralmente podem ser aproveitados para outras finalidades. A participação de empresas na implantação e na operação desses sistemas traz o benefício imediato de melhor aproveitar a disponibilidade dos satélites e reduzir os custos para a Defesa. Por outro lado, a legislação brasileira proporciona a segurança orçamentária de longo prazo para as PPP e isso é importante para um programa como o PESE, em que a regularidade das demandas é o alicerce da sustentação da indústria nacional. Além disso, a concessão para a empresa explorar comercialmente os produtos e serviços dos sistemas espaciais desonera a Defesa da responsabilidade de gerenciar e atender às demandas de uma base de consumidores civis que foge à missão das Forças.
A exploração dos produtos e serviços é a parte mais fácil dessa equação. É no financiamento por parte do parceiro privado para a implantação dos sistemas espaciais que reside o maior desafio para o estabelecimento de uma PPP. O que precisamos agora é demonstrar a viabilidade econômica do programa visando encontrar estes parceiros. Então, objetivamente falando, a CCISE vem promovendo a discussão sobre esse assunto em seus contatos com representantes do Governo e da indústria em busca de candidatos para uma PPP.
T&D - Ainda em relação a meios alternativos, é também comum a contratação de serviços de satélites, em especial para comunicações e observação terrestre, sendo que as Forças Armadas brasileiras são importantes usuárias para atender suas necessidades. A CCISE tem considerado soluções baseadas em serviços para atender os propósitos do PESE?
Mj Brig Aquino - Essa contratação de serviços não faz parte do escopo do PESE porque ela não atende a questão da soberania nacional sobre os meios espaciais exigida pela END. Por esse motivo, a CCISE não tem planos para isso até esse momento. Entretanto, diversas iniciativas das Forças Armadas possuem demandas para o uso de satélites e elas não deixarão de ser atendidas simplesmente porque os produtos do PESE ainda não estão implantados. Para isso, a contratação de serviços é um caminho possível, tanto que o Ministério da Defesa possui diversos contratos para o uso de comunicações por satélites de provedores nacionais e internacionais. O acesso a imagens de alta resolução geradas por satélites também ocorre dessa forma e as aquisições estão centralizadas no EMCFA.
No futuro, quando o Centro de Operações Espaciais estiver implantado, é possível que a gestão desses contratos seja centralizada nesse órgão.
T&D - O PESE foi revisto para a inclusão de veículos lançadores, iniciativa não prevista originariamente no programa. Qual é o envolvimento da CCISE com os projetos brasileiros de veículos lançadores, tocados pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA)?
Mj Brig Aquino - Para a CCISE é muito importante que o Brasil disponha logo de veículos lançadores de baixo custo para atender não somente ao que preconiza a END, mas para impulsionar a estratégia baseada no emprego de frotas de micro-satélites. Até o momento, o desenvolvimento desses lançadores é quase que totalmente financiado pelos recursos do PNAE e eles não têm sido suficientes. A inclusão dos lançadores no PESE tem o objetivo de complementar os investimentos nos lançadores e acelerar o desenvolvimento para que eles possam ser usados para os satélites do PESE o mais cedo possível.
T&D - O uso da tecnologia de cubesats tem se popularizado nas atividades espaciais com relativo sucesso, inclusive no Brasil, em razão principalmente de seu reduzido custo para construção e lançamento de cargas úteis. A CCISE tem avaliado esta tecnologia para o atendimento de algumas de suas demandas?
Mj Brig Aquino - O PESE considera que a evolução tecnológica permitirá o emprego operacional desses nano satélites. A CCISE tem interesse nesses projetos e tinha planos de investir diretamente nas iniciativas do ITA para o ITASAT caso o seu orçamento tivesse sido mantido. Por enquanto, entendemos que essas plataformas terão aplicação imediata para testar e qualificar pequenos subsistemas para satélites maiores. No futuro, esperamos poder empregá-los para comunicações e navegação.
T&D - Existem algumas áreas de contato entre o PESE e o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), este último sob a coordenação da Agência Espacial Brasileira (AEB). Como exemplos, temos as missões de satélites radar e meteorológicos. Há alguma discussão visando a um alinhamento entre os dois programas, de forma a evitar duplicidade de capacidades?
Mj Brig Aquino - O PESE complementa o Programa Nacional de Atividades Espaciais ao fornecer satélites com capacidade adequada para apoiar as missões das Forças Armadas e viabilizar melhorias concretas na vida da população, como o Plano Nacional de Banda Larga, citado anteriormente.
Não há intenção de duplicar aquilo que já está planejado para o PNAE. Os novos satélites que serão adquiridos pelo PESE terão características técnicas e operacionais mais adequadas para as necessidades das Forças Armadas. Por exemplo, imagens de alta resolução com intervalo de tempo mais curto entre as suas coletas são importantes para a condução de operações militares e não estão contempladas no PNAE.
Entrevista publicada na edição especial de Tecnologia & Defesa sobre atividades espaciais, em fevereiro de 2015.
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Arianespace lançará satélite peruano
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A Arianespace anunciou ontem (25) a assinatura de um contrato com a Airbus Defence and Space (Airbus DS) para o lançamento do satélite PeruSat-1, do governo do Peru, a bordo de um foguete Vega.
Em construção pela Airbus DS em suas instalações em Toulouse, no sul da França, o PeruSat-1 é um satélite de observação de alta resolução - o primeiro de seu tipo adquirido pela Peru, com massa estimada em 450 kg. Seu lançamento está programado para 2016.
A cerimônia de assinatura ocorreu em Paris, no "Quai d'Orsay", e contou com a presença do secretário geral do Ministério das Relações Exteriores da França, Christian Masset, e do vice-ministro da Defesa do Peru, Jakke Valakivi Alvarez.
Logo após a cerimônia, o presidente da Arianespace, Stéphane Israël declarou: "A Airbus Defence and Space nos confiou uma missão chave, a de lançar este importante satélite em benefício de seu cliente, o Peru, usando o lançador Vega, em que nossa parceira ELV é a contratante principal. Com este terceiro contrato de lançamento desde o início do ano, o Vega consolida sua liderança no mercado de exportação tanto para missões governamentais como comerciais. Nós estamos extremamente orgulhosos e honrados de servir o governo peruano com esta missão."
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A Arianespace anunciou ontem (25) a assinatura de um contrato com a Airbus Defence and Space (Airbus DS) para o lançamento do satélite PeruSat-1, do governo do Peru, a bordo de um foguete Vega.
Em construção pela Airbus DS em suas instalações em Toulouse, no sul da França, o PeruSat-1 é um satélite de observação de alta resolução - o primeiro de seu tipo adquirido pela Peru, com massa estimada em 450 kg. Seu lançamento está programado para 2016.
A cerimônia de assinatura ocorreu em Paris, no "Quai d'Orsay", e contou com a presença do secretário geral do Ministério das Relações Exteriores da França, Christian Masset, e do vice-ministro da Defesa do Peru, Jakke Valakivi Alvarez.
Logo após a cerimônia, o presidente da Arianespace, Stéphane Israël declarou: "A Airbus Defence and Space nos confiou uma missão chave, a de lançar este importante satélite em benefício de seu cliente, o Peru, usando o lançador Vega, em que nossa parceira ELV é a contratante principal. Com este terceiro contrato de lançamento desde o início do ano, o Vega consolida sua liderança no mercado de exportação tanto para missões governamentais como comerciais. Nós estamos extremamente orgulhosos e honrados de servir o governo peruano com esta missão."
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quarta-feira, 25 de março de 2015
Recursos humanos: AEB homologa concurso público
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AEB homologa concurso público para os seus primeiros servidores
Brasília, 24 de março de 2015 - A Agência Espacial Brasileira (AEB) homologou hoje (24) o resultado final de seu Concurso Público realizado no ano passado para os cargos de Tecnologista da Carreira de Desenvolvimento Tecnológico, de Analistas e Assistentes da Carreira de Gestão, Planejamento e Infraestrutura em Ciência e Tecnologia.
Os cargos fazem parte da Lei 8691 em que foi estabelecido o Plano de Carreira para a área de C&T, porém a Agência foi incluída somente dez anos depois por meio da Lei 12.823, sancionada em 2013.
Desde sua fundação a AEB, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), conquistou por ofícios a tramitação de sua inclusão na Lei 8691. E em 2014 o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) em resposta a solicitação do MCTI para a autorização do Concurso Público da AEB e outras unidades de pesquisa, autorizou o fornecimento de 66 cargos para a Agência. Sendo 24 Tecnologistas, 30 Analistas em Ciência e Tecnologia e 12 Assistentes em Ciência e Tecnologia.
Após ampla concorrência, o Concurso Público da Agência foi realizado pela CETRO Concursos. Em fevereiro, a Agência completou 21 anos de existência e articula agora o provimento dos cargos para dar posse aos aprovados.
Conheça os aprovados nos links abaixo.
DOU – nº 56 – 24-março-2015 – Seção 1 – Pagina 6 – Portaria nº 59 – 23-3-2105 – HOMOLOGAÇÂO DO RESULTADO DO CONCURSO
DOU – nº 56 – 24-março-2015 – Seção 1 – Pagina 7 – Portaria nº 59 – 23-3-2105 – HOMOLOGAֲַO DO RESULTADO DO CONCURSO
DOU – nº 56 – 24-março-2015 – Seção 1 – Pagina 8 – Portaria nº 59 – 23-3-2105 – HOMOLOGAֲַO DO RESULTADO DO CONCURSO
Fonte: AEB
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AEB homologa concurso público para os seus primeiros servidores
Brasília, 24 de março de 2015 - A Agência Espacial Brasileira (AEB) homologou hoje (24) o resultado final de seu Concurso Público realizado no ano passado para os cargos de Tecnologista da Carreira de Desenvolvimento Tecnológico, de Analistas e Assistentes da Carreira de Gestão, Planejamento e Infraestrutura em Ciência e Tecnologia.
Os cargos fazem parte da Lei 8691 em que foi estabelecido o Plano de Carreira para a área de C&T, porém a Agência foi incluída somente dez anos depois por meio da Lei 12.823, sancionada em 2013.
Desde sua fundação a AEB, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), conquistou por ofícios a tramitação de sua inclusão na Lei 8691. E em 2014 o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) em resposta a solicitação do MCTI para a autorização do Concurso Público da AEB e outras unidades de pesquisa, autorizou o fornecimento de 66 cargos para a Agência. Sendo 24 Tecnologistas, 30 Analistas em Ciência e Tecnologia e 12 Assistentes em Ciência e Tecnologia.
Após ampla concorrência, o Concurso Público da Agência foi realizado pela CETRO Concursos. Em fevereiro, a Agência completou 21 anos de existência e articula agora o provimento dos cargos para dar posse aos aprovados.
Conheça os aprovados nos links abaixo.
DOU – nº 56 – 24-março-2015 – Seção 1 – Pagina 6 – Portaria nº 59 – 23-3-2105 – HOMOLOGAÇÂO DO RESULTADO DO CONCURSO
DOU – nº 56 – 24-março-2015 – Seção 1 – Pagina 7 – Portaria nº 59 – 23-3-2105 – HOMOLOGAֲַO DO RESULTADO DO CONCURSO
DOU – nº 56 – 24-março-2015 – Seção 1 – Pagina 8 – Portaria nº 59 – 23-3-2105 – HOMOLOGAֲַO DO RESULTADO DO CONCURSO
Fonte: AEB
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terça-feira, 24 de março de 2015
Venezuela e Bolívia: avanços em projetos locais
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Apesar da grave crise financeira e social que assola a vizinha Venezuela, seu programa espacial parece continuar avançando. No início deste mês, segundo informou seu Ministério da Ciência e Tecnologia, uma equipe do governo venezuelano viajou à China para participar da fase de revisão preliminar do projeto do segundo satélite de sensoriamento remoto do país, o VRSS-2, também conhecido como Sucre. Outra reunião entre as equipes dos dois países está programada para setembro.
O VRSS-2 contará com uma câmera de observação com resolução de 1 metro e faixa de 30 km, um imageador infravermelho, e capacidade de transmissão de dados de 16.000 bytes por segundo, quatro vezes superior a de seu antecessor, de acordo com o divulgado à época da assinatura do contrato, em outubro de 2014. Será baseado na plataforma CAST-2000, da China Great Wall Industry Corporation (CGWIC), com massa em torno de 1.000 kg, e vida útil estimada em 5 anos.
E na Bolívia...
Também este mês, a Agência Boliviana Espacial (ABE) divulgou ter finalizado o desenho de seu futuro satélite de observação, o Bartolini Sisa, que deverá ser contratado junto a fornecedor estrangeiro. A expectativa agora é da obtenção dos recursos financeiros necessários para a viabilização de sua contratação, possivelmente via um financiamento internacional, modelo similar ao adotado para o projeto do satélite de comunicações Tupac Katari, construído pela China e lançado ao espaço em dezembro de 2013.
Dentre os potenciais interessados no projeto boliviano, figuram empresas da China, Rússia, França, Espanha e Inglaterra.
Apesar da grave crise financeira e social que assola a vizinha Venezuela, seu programa espacial parece continuar avançando. No início deste mês, segundo informou seu Ministério da Ciência e Tecnologia, uma equipe do governo venezuelano viajou à China para participar da fase de revisão preliminar do projeto do segundo satélite de sensoriamento remoto do país, o VRSS-2, também conhecido como Sucre. Outra reunião entre as equipes dos dois países está programada para setembro.
O VRSS-2 contará com uma câmera de observação com resolução de 1 metro e faixa de 30 km, um imageador infravermelho, e capacidade de transmissão de dados de 16.000 bytes por segundo, quatro vezes superior a de seu antecessor, de acordo com o divulgado à época da assinatura do contrato, em outubro de 2014. Será baseado na plataforma CAST-2000, da China Great Wall Industry Corporation (CGWIC), com massa em torno de 1.000 kg, e vida útil estimada em 5 anos.
E na Bolívia...
Também este mês, a Agência Boliviana Espacial (ABE) divulgou ter finalizado o desenho de seu futuro satélite de observação, o Bartolini Sisa, que deverá ser contratado junto a fornecedor estrangeiro. A expectativa agora é da obtenção dos recursos financeiros necessários para a viabilização de sua contratação, possivelmente via um financiamento internacional, modelo similar ao adotado para o projeto do satélite de comunicações Tupac Katari, construído pela China e lançado ao espaço em dezembro de 2013.
Dentre os potenciais interessados no projeto boliviano, figuram empresas da China, Rússia, França, Espanha e Inglaterra.
segunda-feira, 23 de março de 2015
"O Antropocentrismo e a Era Espacial", artigo de José Monserrat Filho
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O Antropocentrismo e a Era Espacial
José Monserrat Filho*
“A que nível de responsabilidade e solidariedade os indivíduos e grupos devem aspirar para o bem das gerações presentes e futuras?” Christian Brünner, em “A Ética no Espaço Exteior”1
O livro “Ética da Solidariedade Antropocósmica”, do filósofo brasileiro Olinto Antonio Pegoraro1, nos brinda com uma reflexão instigante sobre as origens e a atualidade daquela que ele chama de “a mais completa e harmoniosa visão do mundo”, elaborada pela Escola Estoica, que começou a se desenvolver no século IV a. C.
“A tese dos antiquíssimos estoicos”, afirma Pegoraro, “é a tese da recentíssima Carta da Terra, da Unesco”, lançada no ano 2000, que “nos convoca a olhar a Natureza e daí tirar as diretrizes de ações de respeito à totalidade do Universo”2. A Carta mostra um quadro dramático e urgente já no preâmbulo: “Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança.”
O perigo está em que “a capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo”.
A esperança está em que “somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum” e que “é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações”.3
Pegoraro lembra, porém, que “nós todos, e todas as gerações anteriores, fomos formados pela ética antropocêntrica, segundo a qual todas as coisas do universo (minerais, vegetais e animais) são subordinadas ao homem, e estão a nosso uso e consumo”. Descartes chamava o homem de “senhor e dono da natureza”.4 Pegoraro frisa que “hoje esse antropocentrismo não faz sentido”, porque “a ética transbordou para todas as realidades, trata da proteção das três formas de vida e do meio ambiente onde se desenvolve a vida, como a água, o ar, a luz e os sais minerais; no campo ético incluem-se necessariamente os produtos tecnocientíficos”. Logo, “a ética não é só das pessoas, mas da sociedade política e de todas as coisas do planeta Terra”.
Para o filósofo, “é espantoso constatar que nossa ética milenar não era universal, pois envolvia apenas o homem; agora, felizmente, estamos chegando à ética cósmica, na qual tudo o que existe, no macrocosmo infinitamente grande ou no microcosmo infinitamente pequeno, contém em si, na sua existência, dignidade ética”.5
Ele recorda que “a ética antropocêntrica sempre visou à virtude e à felicidade constituídas a partir do esforço humano, da educação e do hábito de praticar o bem e fazer atos justos” e que, por sua vez, “os estoicos buscaram exatamente o mesmo resultado a partir do reconhecimento de todos os seres como filhos da Natureza, donde resultava a 'convivência harmoniosa entre a natureza, o daimon (razão) que habita cada um de nós e a vontade do governador do universo'”, conforme escreveu o filósofo grego Crísipo (280-208 a. C.)6.
A tudo isso hoje, nota Pegoraro, chamamos ética da solidariedade antropocósmica, ou seja, “o reconhecimento do valor ético intrínseco à estrutura íntima de cada existência, seja pedra, palmeira, pássaro ou ser humano. Esse reconhecimento gera solidariedade, aliança, convívio (oikeiosis estoico) do ser humano com o cosmos”. Daí sua conclusão de que “estamos a caminho da 'ética universal concreta', e não de generalizações metafísicas”.7 A meta é alcançar “a aliança do homem com a natureza”, que antes era “o conjunto de coisas apenas com valor de troca” e hoje tem um “valor ético intrínseco”, pois, “por pressão da tecnociência, criamos paradigmas éticos não só temporais e provisórios, mas também abrangentes de todas as coisas: todas elas têm valor ético intrínseco à sua existência”.8
A Carta da Terra já incorpora o novo paradigma, ao assinalar que “a Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável; o bem-estar da humanidade depende da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. Enfim, a proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.”
E qual é o papel da tecnociência neste panorama? Aqui, Pegoraro nos leva até o filósofo alemão Martim Heidegger (1889-1976), que tem uma famosa conferência sobre a questão técnica. Com base em Heidegger, Pegoraro faz ampla acusação: “Foi justamente a tecnociência que criou o atual estado do mundo, tomado por máquinas de todo o tipo para produzir objetos, em espantosa variedade, concentrados em shoppings, supermercados, lojas e agências de automóveis, verdadeiros templos do consumo. Vivemos empilhados nos andares de imensos prédios urbanos em todo o mundo. Enfim, sentimo-nos sufocados pelos produtos técnico-científicos e quase perdemos o contato com a natureza, que submetemos à nossa dominação e devastação.”
Mas Pegoraro reconhece que Heidegger não culpa a tecnociência pela devastação que ela introduz no ecossistema. E aponta: “Culpada é a razão calculante, é o homo faber, que reduz a natureza a um reservatório de energia para mover a indústria poluente. A solução não é a destruição da tecnociência, mas a conversão do homem calculante em meditante, que vê a natureza integrada numa totalidade de sentido”.9
Rodrigo Nunes, professor de Filosofia da PUC-Rio, concorda e salienta: “Somos, em suma, uma espécie natural, cuja cultura, tendo modificado a natureza de maneira radical, agora se nos opõe com a resistência bruta e muda de uma natureza que parecemos incapazes de modificar.”
Até ontem, considerava-se “realista” quem se opunha à defesa da natureza em favor do que é “bom para a economia”. O que é ser “realista” hoje? Nunes responde com ironia: “No momento em que a ciência afirma que o planeta é incapaz de suportar o atual ritmo e modelo de desenvolvimento econômico, ser realista em relação à economia sem ser realista em relação a seu suporte físico é exatamente como acreditar que existe almoço de graça; que, contra toda a lógica, o planeta pode continuar a oferecer energia e absorver dejetos indefinidamente e cada vez mais rapidamente. Trata-se, em resumo, de um 'realismo' que completa a certeza de que só se faz omelete quebrando ovos com a crença mágica numa Galinha dos Ovos de Ouro infinitamente dadivosa.”10
Algo muito semelhante se vê hoje no espaço exterior, quando as atividades ali exercidas se tornam cada vez mais necessárias à vida cotidiana das nações e povos do nosso planeta. Estamos nos aproximando velozmente da hora em que as órbitas mais utilizadas não mais suportarão o atual ritmo e modelo de desenvolvimento dos programas espaciais, seja pelo acúmulo de detritos, seja pelo perigo das armas que ali se planejam instalar com crescente determinação. O espaço corre o risco de se transformar em campo de batalha e teatro de guerra.
A abundância de luzes de alguns lugares da Terra vista do espaço não apenas polui a visão do Universo, como é um monumento ao desperdício.11
Pouco aprendemos na prática das ameaças de esgotamento da Terra, cada vez mais difícil de superar. A mesma lógica destrutiva insiste em ocupar o espaço próximo de nós e imprescindível à humanidade contemporânea. Há muitos planos para conter esse contínuo agravamento, é verdade. Mas quase nada sai do papel. Estamos rolando num plano inclinado e nossa reação é modesta e beira a irresponsabilidade. Falta uma verdadeira e sólida cooperação que una todos os países e povos na defesa da Terra, bem como do espaço e das atividades espaciais – bens de uso comum da espécie humana, que ainda sofrem os efeitos egoístas e daninhos do antropocentrismo.
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Este artigo reflete apenas a opinião do autor.
Referências
(1) Professor da Universidade de Graz, Áustria.
(2) Pegoraro, Olinto Antônio, Ética da Solidariedade Antropocósmica, Rio de Janeiro: Mauad X, 2014, p. 10.
(3) Do site www.cartadaterrabrasil.org. Ver também Boff, Leonardo, Ética e Moral, Petrópolis: Vozes, 2003, p. 109.
(4) René Descanter, filósofo, físico e matemático francês (1596-1650). Autor de “Discurso sobre o Método”, “Meditações sobre Filosofia”, “Princípios de Filosofia”, “As paixões da alma”.
(5) Pegoraro, Idem Ibid, p. 11.
(6) Bréhier, Émile, Les stoiciens. Paris: Gallimart, 1962.
(7) Pegoraro, Idem Ibid, p. 12.
(8) Pegoraro, Idem Ibid, p. 13.
(9) Pegoraro, Idem Ibid, p. 14.
(10) Nunes, Rodrigo, O realismo talvez não seja o que você imagina – A natureza também não dá almoço grátis, Folha de S. Paulo, Caderno Ilustríssima, p. 3.
(11) Extraterrestrial Altruism – Evolution and Ethcs in the Cosmos, Douglas A. Vakoch (Ed.), Germany, Berlin Heidelberg: Springer-Verlag, 2014, p. IX.
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O Antropocentrismo e a Era Espacial
José Monserrat Filho*
“A que nível de responsabilidade e solidariedade os indivíduos e grupos devem aspirar para o bem das gerações presentes e futuras?” Christian Brünner, em “A Ética no Espaço Exteior”1
O livro “Ética da Solidariedade Antropocósmica”, do filósofo brasileiro Olinto Antonio Pegoraro1, nos brinda com uma reflexão instigante sobre as origens e a atualidade daquela que ele chama de “a mais completa e harmoniosa visão do mundo”, elaborada pela Escola Estoica, que começou a se desenvolver no século IV a. C.
“A tese dos antiquíssimos estoicos”, afirma Pegoraro, “é a tese da recentíssima Carta da Terra, da Unesco”, lançada no ano 2000, que “nos convoca a olhar a Natureza e daí tirar as diretrizes de ações de respeito à totalidade do Universo”2. A Carta mostra um quadro dramático e urgente já no preâmbulo: “Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande esperança.”
O perigo está em que “a capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo”.
A esperança está em que “somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum” e que “é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações”.3
Pegoraro lembra, porém, que “nós todos, e todas as gerações anteriores, fomos formados pela ética antropocêntrica, segundo a qual todas as coisas do universo (minerais, vegetais e animais) são subordinadas ao homem, e estão a nosso uso e consumo”. Descartes chamava o homem de “senhor e dono da natureza”.4 Pegoraro frisa que “hoje esse antropocentrismo não faz sentido”, porque “a ética transbordou para todas as realidades, trata da proteção das três formas de vida e do meio ambiente onde se desenvolve a vida, como a água, o ar, a luz e os sais minerais; no campo ético incluem-se necessariamente os produtos tecnocientíficos”. Logo, “a ética não é só das pessoas, mas da sociedade política e de todas as coisas do planeta Terra”.
Para o filósofo, “é espantoso constatar que nossa ética milenar não era universal, pois envolvia apenas o homem; agora, felizmente, estamos chegando à ética cósmica, na qual tudo o que existe, no macrocosmo infinitamente grande ou no microcosmo infinitamente pequeno, contém em si, na sua existência, dignidade ética”.5
Ele recorda que “a ética antropocêntrica sempre visou à virtude e à felicidade constituídas a partir do esforço humano, da educação e do hábito de praticar o bem e fazer atos justos” e que, por sua vez, “os estoicos buscaram exatamente o mesmo resultado a partir do reconhecimento de todos os seres como filhos da Natureza, donde resultava a 'convivência harmoniosa entre a natureza, o daimon (razão) que habita cada um de nós e a vontade do governador do universo'”, conforme escreveu o filósofo grego Crísipo (280-208 a. C.)6.
A tudo isso hoje, nota Pegoraro, chamamos ética da solidariedade antropocósmica, ou seja, “o reconhecimento do valor ético intrínseco à estrutura íntima de cada existência, seja pedra, palmeira, pássaro ou ser humano. Esse reconhecimento gera solidariedade, aliança, convívio (oikeiosis estoico) do ser humano com o cosmos”. Daí sua conclusão de que “estamos a caminho da 'ética universal concreta', e não de generalizações metafísicas”.7 A meta é alcançar “a aliança do homem com a natureza”, que antes era “o conjunto de coisas apenas com valor de troca” e hoje tem um “valor ético intrínseco”, pois, “por pressão da tecnociência, criamos paradigmas éticos não só temporais e provisórios, mas também abrangentes de todas as coisas: todas elas têm valor ético intrínseco à sua existência”.8
A Carta da Terra já incorpora o novo paradigma, ao assinalar que “a Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida incomparável; o bem-estar da humanidade depende da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. Enfim, a proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.”
E qual é o papel da tecnociência neste panorama? Aqui, Pegoraro nos leva até o filósofo alemão Martim Heidegger (1889-1976), que tem uma famosa conferência sobre a questão técnica. Com base em Heidegger, Pegoraro faz ampla acusação: “Foi justamente a tecnociência que criou o atual estado do mundo, tomado por máquinas de todo o tipo para produzir objetos, em espantosa variedade, concentrados em shoppings, supermercados, lojas e agências de automóveis, verdadeiros templos do consumo. Vivemos empilhados nos andares de imensos prédios urbanos em todo o mundo. Enfim, sentimo-nos sufocados pelos produtos técnico-científicos e quase perdemos o contato com a natureza, que submetemos à nossa dominação e devastação.”
Mas Pegoraro reconhece que Heidegger não culpa a tecnociência pela devastação que ela introduz no ecossistema. E aponta: “Culpada é a razão calculante, é o homo faber, que reduz a natureza a um reservatório de energia para mover a indústria poluente. A solução não é a destruição da tecnociência, mas a conversão do homem calculante em meditante, que vê a natureza integrada numa totalidade de sentido”.9
Rodrigo Nunes, professor de Filosofia da PUC-Rio, concorda e salienta: “Somos, em suma, uma espécie natural, cuja cultura, tendo modificado a natureza de maneira radical, agora se nos opõe com a resistência bruta e muda de uma natureza que parecemos incapazes de modificar.”
Até ontem, considerava-se “realista” quem se opunha à defesa da natureza em favor do que é “bom para a economia”. O que é ser “realista” hoje? Nunes responde com ironia: “No momento em que a ciência afirma que o planeta é incapaz de suportar o atual ritmo e modelo de desenvolvimento econômico, ser realista em relação à economia sem ser realista em relação a seu suporte físico é exatamente como acreditar que existe almoço de graça; que, contra toda a lógica, o planeta pode continuar a oferecer energia e absorver dejetos indefinidamente e cada vez mais rapidamente. Trata-se, em resumo, de um 'realismo' que completa a certeza de que só se faz omelete quebrando ovos com a crença mágica numa Galinha dos Ovos de Ouro infinitamente dadivosa.”10
Algo muito semelhante se vê hoje no espaço exterior, quando as atividades ali exercidas se tornam cada vez mais necessárias à vida cotidiana das nações e povos do nosso planeta. Estamos nos aproximando velozmente da hora em que as órbitas mais utilizadas não mais suportarão o atual ritmo e modelo de desenvolvimento dos programas espaciais, seja pelo acúmulo de detritos, seja pelo perigo das armas que ali se planejam instalar com crescente determinação. O espaço corre o risco de se transformar em campo de batalha e teatro de guerra.
A abundância de luzes de alguns lugares da Terra vista do espaço não apenas polui a visão do Universo, como é um monumento ao desperdício.11
Pouco aprendemos na prática das ameaças de esgotamento da Terra, cada vez mais difícil de superar. A mesma lógica destrutiva insiste em ocupar o espaço próximo de nós e imprescindível à humanidade contemporânea. Há muitos planos para conter esse contínuo agravamento, é verdade. Mas quase nada sai do papel. Estamos rolando num plano inclinado e nossa reação é modesta e beira a irresponsabilidade. Falta uma verdadeira e sólida cooperação que una todos os países e povos na defesa da Terra, bem como do espaço e das atividades espaciais – bens de uso comum da espécie humana, que ainda sofrem os efeitos egoístas e daninhos do antropocentrismo.
* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Este artigo reflete apenas a opinião do autor.
Referências
(1) Professor da Universidade de Graz, Áustria.
(2) Pegoraro, Olinto Antônio, Ética da Solidariedade Antropocósmica, Rio de Janeiro: Mauad X, 2014, p. 10.
(3) Do site www.cartadaterrabrasil.org. Ver também Boff, Leonardo, Ética e Moral, Petrópolis: Vozes, 2003, p. 109.
(4) René Descanter, filósofo, físico e matemático francês (1596-1650). Autor de “Discurso sobre o Método”, “Meditações sobre Filosofia”, “Princípios de Filosofia”, “As paixões da alma”.
(5) Pegoraro, Idem Ibid, p. 11.
(6) Bréhier, Émile, Les stoiciens. Paris: Gallimart, 1962.
(7) Pegoraro, Idem Ibid, p. 12.
(8) Pegoraro, Idem Ibid, p. 13.
(9) Pegoraro, Idem Ibid, p. 14.
(10) Nunes, Rodrigo, O realismo talvez não seja o que você imagina – A natureza também não dá almoço grátis, Folha de S. Paulo, Caderno Ilustríssima, p. 3.
(11) Extraterrestrial Altruism – Evolution and Ethcs in the Cosmos, Douglas A. Vakoch (Ed.), Germany, Berlin Heidelberg: Springer-Verlag, 2014, p. IX.
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quinta-feira, 19 de março de 2015
Palestra sobre satélites de pequeno porte no INPE
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Palestra apresenta programa de satélites de pequeno porte do IRS
Quarta-feira, 18 de Março de 2015
Na terça-feira (24/3), às 10h30, será realizada uma palestra sobre o programa de satélites de pequeno porte em desenvolvimento no IRS, instituto localizado em Stuttgart, Alemanha. Proferida pelo Dr. Jens Eikchoff, engenheiro da Airbus Defense & Space e professor honorário de Tecnologia e Operações de Sistemas de Satélite do IRS, a palestra será no Auditório Fernando de Mendonça (acesso Torre A – LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos.
A apresentação será realizada em inglês e aberta aos interessados – não há inscrição prévia e os 200 lugares do auditório serão preenchidos por ordem de chegada.
Durante a palestra “The IRS Stuttgart Small Satellite Program”, será apresentado o satélite de pequeno porte (100 kg) projetado para ser reutilizado em várias missões. Também serão demonstradas tecnologias de ponta na área espacial, como computador de bordo baseado em FPGA reconfigurável, comunicação SpaceWire, além de um novo método de implementação de mecanismo para abertura de painéis solares.
Acesse aqui mais informações sobre a apresentação e palestrante
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Palestra apresenta programa de satélites de pequeno porte do IRS
Quarta-feira, 18 de Março de 2015
Na terça-feira (24/3), às 10h30, será realizada uma palestra sobre o programa de satélites de pequeno porte em desenvolvimento no IRS, instituto localizado em Stuttgart, Alemanha. Proferida pelo Dr. Jens Eikchoff, engenheiro da Airbus Defense & Space e professor honorário de Tecnologia e Operações de Sistemas de Satélite do IRS, a palestra será no Auditório Fernando de Mendonça (acesso Torre A – LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos.
A apresentação será realizada em inglês e aberta aos interessados – não há inscrição prévia e os 200 lugares do auditório serão preenchidos por ordem de chegada.
Durante a palestra “The IRS Stuttgart Small Satellite Program”, será apresentado o satélite de pequeno porte (100 kg) projetado para ser reutilizado em várias missões. Também serão demonstradas tecnologias de ponta na área espacial, como computador de bordo baseado em FPGA reconfigurável, comunicação SpaceWire, além de um novo método de implementação de mecanismo para abertura de painéis solares.
Acesse aqui mais informações sobre a apresentação e palestrante
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terça-feira, 17 de março de 2015
Cooperação Brasil - China
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Instituto chinês apresenta câmera para satélite
Terça-feira, 17 de Março de 2015
O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi, recebeu nesta segunda-feira (16/3) especialistas do BISME (Beijing Institute of Space Mechanical and Eletricity), instituto chinês que atua no desenvolvimento de equipamentos espaciais.
O BISME apresentou a câmera de alta resolução WPM, que pode ser embarcada na próxima missão conjunta Brasil-China, o satélite CBERS-4A. Foi também discutida a possibilidade de cooperação entre o INPE e o BISME.
Participaram de reuniões com o grupo do BISME, durante os dias 16 e 17, engenheiros e especialistas da Coordenação do Segmento Espacial do Programa CBERS e da equipe de Arquitetura do Programa CBERS.
Brasil e China realizam em parceria o Programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), que fornece dados para observação da Terra – as imagens dos satélites são usadas para monitorar desmatamentos e a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações.
Em dezembro de 2014 foi lançado o CBERS-4 e atualmente está sendo discutida uma nova missão, o CBERS-4A, equipado com cargas úteis (câmeras) fornecidas pelo Brasil e pela China - a divisão de responsabilidade no desenvolvimento do satélite é de 50% para cada país.
Mais informações sobre o Programa CBERS: www.cbers.inpe.br
Fonte: INPE
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Instituto chinês apresenta câmera para satélite
Terça-feira, 17 de Março de 2015
O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi, recebeu nesta segunda-feira (16/3) especialistas do BISME (Beijing Institute of Space Mechanical and Eletricity), instituto chinês que atua no desenvolvimento de equipamentos espaciais.
O BISME apresentou a câmera de alta resolução WPM, que pode ser embarcada na próxima missão conjunta Brasil-China, o satélite CBERS-4A. Foi também discutida a possibilidade de cooperação entre o INPE e o BISME.
Participaram de reuniões com o grupo do BISME, durante os dias 16 e 17, engenheiros e especialistas da Coordenação do Segmento Espacial do Programa CBERS e da equipe de Arquitetura do Programa CBERS.
Brasil e China realizam em parceria o Programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), que fornece dados para observação da Terra – as imagens dos satélites são usadas para monitorar desmatamentos e a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações.
Em dezembro de 2014 foi lançado o CBERS-4 e atualmente está sendo discutida uma nova missão, o CBERS-4A, equipado com cargas úteis (câmeras) fornecidas pelo Brasil e pela China - a divisão de responsabilidade no desenvolvimento do satélite é de 50% para cada país.
Mais informações sobre o Programa CBERS: www.cbers.inpe.br
Fonte: INPE
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Reunião no INPE sobre radiocomunicações
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INPE sedia reunião da Anatel sobre radiocomunicações
Segunda-feira, 16 de Março de 2015
Membros do Grupo Relator de Radiocomunicações (GRR4) da Comissão Brasileira de Comunicação da Anatel (CBC2) estiveram no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), nos dias 12 e 13 de março.
Na ocasião, foi analisado o compartilhamento de faixas de frequências entre diversas atividades científicas, como a radioastronomia, a observação da Terra, a meteorologia e outros serviços em telecomunicações (telefonia móvel, radiodifusão e radionavegação), para a proteção de trabalhos do INPE e de outras instituições, como o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), o Inmet, o Cemaden e o Observatório Nacional.
“As discussões deram ênfase ao posicionamento do GRR4 em diversos itens de agenda relativos a serviços científicos que serão tratados na Conferência Mundial de Radiocomunicações, que acontecerá neste ano na União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão da ONU, na qual será redigido o novo Regulamento de Rádio que rege o uso do espectro eletromagnético nas diversas regiões do planeta”, explica Carlos Gonçalves, engenheiro do INPE que coordena o GRR4.
As recomendações do GRR4 deverão ser adotadas pelo Brasil através da atuação da CBC2 nos órgãos internacionais, Citel (Comitê Interamericano de Telecomunicações) da Organização dos Estados Americanos e UIT (União Internacional de Telecomunicações).
“Também abordamos temas importantes para o Brasil que estão na pauta de discussões nos órgãos internacionais, com o objetivo principal de defender os interesses dos serviços científicos quanto ao uso do espectro eletromagnético e assessorar a ANATEL nas questões internas relacionadas com o compartilhamento e distribuição de frequências no país”, completa o engenheiro do INPE.
O GRR4, atualmente liderado pelo INPE, é o único grupo da CBC2 cujo coordenador (Carlos Gonçalves, da Divisão de Eletrônica Aeroespacial) não é do quadro da ANATEL. O evento contou com a presença do vice-coordenador da CBC2 da Anatel e líder da preparação para a Conferência Mundial de Radiocomunicações, Tarcísio Bakaus. Além dos integrantes do Grupo de Gerenciamento de Espectro do Instituto, participaram especialistas do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), IAE/DCTA, IFI/DCTA e Intel.
Fonte: INPE
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INPE sedia reunião da Anatel sobre radiocomunicações
Segunda-feira, 16 de Março de 2015
Membros do Grupo Relator de Radiocomunicações (GRR4) da Comissão Brasileira de Comunicação da Anatel (CBC2) estiveram no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), nos dias 12 e 13 de março.
Na ocasião, foi analisado o compartilhamento de faixas de frequências entre diversas atividades científicas, como a radioastronomia, a observação da Terra, a meteorologia e outros serviços em telecomunicações (telefonia móvel, radiodifusão e radionavegação), para a proteção de trabalhos do INPE e de outras instituições, como o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), o Inmet, o Cemaden e o Observatório Nacional.
“As discussões deram ênfase ao posicionamento do GRR4 em diversos itens de agenda relativos a serviços científicos que serão tratados na Conferência Mundial de Radiocomunicações, que acontecerá neste ano na União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão da ONU, na qual será redigido o novo Regulamento de Rádio que rege o uso do espectro eletromagnético nas diversas regiões do planeta”, explica Carlos Gonçalves, engenheiro do INPE que coordena o GRR4.
As recomendações do GRR4 deverão ser adotadas pelo Brasil através da atuação da CBC2 nos órgãos internacionais, Citel (Comitê Interamericano de Telecomunicações) da Organização dos Estados Americanos e UIT (União Internacional de Telecomunicações).
“Também abordamos temas importantes para o Brasil que estão na pauta de discussões nos órgãos internacionais, com o objetivo principal de defender os interesses dos serviços científicos quanto ao uso do espectro eletromagnético e assessorar a ANATEL nas questões internas relacionadas com o compartilhamento e distribuição de frequências no país”, completa o engenheiro do INPE.
O GRR4, atualmente liderado pelo INPE, é o único grupo da CBC2 cujo coordenador (Carlos Gonçalves, da Divisão de Eletrônica Aeroespacial) não é do quadro da ANATEL. O evento contou com a presença do vice-coordenador da CBC2 da Anatel e líder da preparação para a Conferência Mundial de Radiocomunicações, Tarcísio Bakaus. Além dos integrantes do Grupo de Gerenciamento de Espectro do Instituto, participaram especialistas do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), IAE/DCTA, IFI/DCTA e Intel.
Fonte: INPE
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