sábado, 24 de maio de 2014

Lançamentos discutidos em Alcântara - II

.
Atividade espacial no país foi debatida em reunião no CLA

Brasília, 23 de maio de 2014 – Foi concluída nesta sexta-feira (23) no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, a primeira reunião do ano do Grupo de Interfaces de Lançamento (GIL1/ 2014), que objetivou definir os próximos passos da atividade espacial no país, sobretudo para o segundo semestre ano e para o biênio 2015-2016.

No evento, iniciado na segunda-feira (19), integrantes do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Agência Espacial Brasileira (AEB), Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), do CLA e do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), de Natal (RN), discutiram o cronograma de lançamento de veículos espaciais no Brasil e no exterior para os próximos três anos. Também foi apresentado o estágio de desenvolvimento dos principais projetos relacionados à área espacial no país.

Representantes da binacional Alcantara Cyclone Space (ACS) atualizaram os participantes sobre o atual estágio das obras de construção do sítio de lançamento para o foguete Cyclone-4 a partir de Alcântara. O IAE apresentou o estágio de desenvolvimento do Veículo Lançador de Satélite (VLS-1), que deve passar por testes no CLA até o final do ano.

Ainda foi informado o andamento das operações de lançamento do foguete suborbital VSB-30 no exterior em apoio ao programa de microgravidade da Agência Espacial Europeia (ESA), com expectativa de lançamento também em Alcântara entre junho e agosto de 2015. E do projeto Foguete de Treinamento (Fogtrein), com os lançamentos dos Foguetes de Treinamento Básico (FTB) e Intermediário (FTI), cujo objetivo é manter a operacionalidade dos dois centros de lançamentos brasileiros.

Infraestrutura – O CLA também mostrou um cronograma com previsão de término das obras do Prédio de Depósito de Propulsores e do Prédio de Segurança do Setor de Preparação e Lançamento, instalações essenciais para a retomada completa das atividades com o VLS, principal foguete desenvolvido no país.

Da GIL1/2014 também fez parte a Reunião de Acompanhamento de Interfaces (RAI) da Operação Raposa, marcada para iniciar em agosto próximo no CLA. Nela deve ser lançado o foguete VS-30 tendo em sua carga útil um motor movido a combustível líquido desenvolvido pelo IAE.

O relatório resultante do encontro propõe ações, dá encaminhamentos e sugere soluções que nortearão a atividade espacial no país em curto e médio prazo.

O Grupo de Interfaces de Lançamento (GIL) é regulado pela Instrução do Comando da Aeronáutica (ICA) 60-1 e se reúne até três vezes ao ano para discutir, encaminhar e propor soluções para a sequencia da atividade espacial no Brasil.

Fonte: CLA, via AEB.
.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

VLM: reunião discute aspectos técnicos

.
Reunião discute aspectos técnicos do projeto VLM

Brasília, 21 de maio de 2014 – Diversos aspectos técnicos do projeto e ajustes no cronograma das fases de desenvolvimento do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM) foram discutidos na sexta-feira (16) em reunião realizada no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos (SP).

O encontro teve a participação de dirigentes da Agência Espacial Brasileira (AEB), do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCTA), do Comando da Aeronáutica, do IAE, e de diretores e técnicos da Agência Espacial Alemã (DLR), parceira no desenvolvimento do projeto.

O projeto VLM visa ao desenvolvimento de um foguete destinado ao lançamento de cargas úteis especiais ou microssatélites, de até 150 kg, em órbitas equatoriais e polares ou de reentrada. Em sua configuração básica é formado de três estágios, dois com o motor S50, com cerca de dez toneladas de propelente e um estágio orbitalizador com o motor S44.

Outras configurações do veículo empregarão um quarto estágio em propelente sólido ou líquido e uma versão triestágio com motor de apogeu em propelente líquido. Alemanha e Brasil estudam utilizar o lançador para transportar o veículo alemão Shefex 3 em uma trajetória de reentrada na atmosfera terrestre em 2017.

Outra rodada de discussões sobre o projeto deve ocorrer em setembro ou outubro próximo na Alemanha.

Fonte: AEB
.

Lançamentos discutidos em Alcântara

.
Alcântara sedia encontro para discutir atividade espacial no País

Brasília, 21 de maio de 2014 – Até sexta-feira (23) o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, sedia a primeira reunião do ano do Grupo de Interfaces de Lançamento (GIL1/ 2014). A atividade iniciada na segunda-feira (19) reúne representantes da Agência Espacial Brasileira (AEB), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), dos institutos de Aeronáutica e Espaço (IAE), de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), do CLA e do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), de Natal (RN). O grupo discute os próximos passos da atividade espacial no país.

No encontro, os integrantes do setor espacial devem analisar o cronograma de lançamentos previstos para este ano, além de 2015 e 2016. Serão tratados durante a GIL1/2014 o estágio atual de desenvolvimento dos foguetes de satelitização VLS-1 e Cyclone 4, capazes de enviar satélites ao espaço a partir de Alcântara, e os seus lançamentos futuros.

Dois lançamentos importantes para o ano, dentro do Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae), devem ganhar destaque: o lançamento do foguete suborbital VS-40, para testes de sistemas do Satélite de Reentrada Atmosférica (Sara), no CLBI, e do foguete VS-30, a ser lançado no CLA, na Operação Raposa, que realizará testes do motor à propelente líquido, desenvolvido pelo IAE.

O Programa Microgravidade, que utiliza os foguetes suborbitais VSB-30 como veículo para levar experimentos embarcados para testes em ambiente de microgravidade, com previsão de lançamentos no Brasil e na Europa, além do projeto Foguete de Treinamento (FogTrein), com os lançamentos dos Foguetes de Treinamento Básico (FTB) e Intermediário (FTI), cujo objetivo é manter a operacionalidade dos centros de lançamentos, também fazem parte da pauta de reunião.

A atual situação das obras de apoio ao lançamento do VLS-1 no CLA é outro item em discussão. O grupo vai elaborar um relatório com conclusões e recomendações visando a orientar as ações do país na área espacial em médio prazo.

O GIL é regulado pela ICA- 60-1, que prevê a realização de até três reuniões anuais para discutir, dar encaminhamentos e propor soluções para o andamento da atividade espacial no Brasil.

Fonte: CLA, via AEB.
.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Workshop sobre missão científica na Amazônia

.
Workshop internacional discute campanha científica que avaliará impactos da poluição na chuva da Amazônia

Sexta-feira, 16 de Maio de 2014

Entre os dias 19 e 22, será realizado o workshop ACRIDICON-CHUVA, no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), reunindo pesquisadores brasileiros e estrangeiros, principalmente da Alemanha, para discutir o planejamento de uma campanha científica que será realizada em setembro e outubro deste ano na região amazônica. A campanha abrange medidas em solo e aéreas com sobrevoos diários, durante um mês, de aeronaves no entorno de Manaus, arco do Desflorestamento (Porto Velho, Alta Floresta, etc.) e regiões de queimadas. A campanha fará medidas para avaliar impactos da poluição urbana e de queimadas (aerossóis) no ciclo de vida de nuvens e na formação de nuvens de tempestades na região amazônica.

A campanha ACRIDICON (Aerosol, Cloud, Precipitation, and Radiation Interactions and Dynamics of Convective Cloud Systems) faz parte de um programa mais amplo, o GoAmazon, cujos experimentos estão em operação desde o início deste ano. O objetivo do programa é compreender melhor os impactos da poluição atmosférica de Manaus e de queimadas no sistema tropical amazônico e suas possíveis influências no clima regional e global.

O GoAmazon está programado para durar dois anos, devendo encerrar suas atividades no final de 2015. O programa é composto por duas campanhas científicas intensivas, que fazem uso de aeronaves para medidas de parâmetros atmosféricos e de poluição urbana e de queimadas. Participam e apoiam este grande esforço de pesquisa diversas instituições científicas brasileiras e estrangeiras (INPE, INPA, DCTA, USP, UEA, Instituto Max Planck, Universidade de Leipzig) e agências de fomento e apoio à pesquisa (FAPESP, FAPEAM, DLR, da Alemanha, e Departamento de Energia –DOE – dos Estados Unidos), reunindo mais de 100 pesquisadores.

A primeira campanha de medidas intensivas na região foi realizada entre os meses de fevereiro março, durante a estação chuvosa. Foram coletados dados de química da atmosfera e parâmetros meteorológicos no entorno da região metropolitana de Manaus, com equipamentos em solo, instalados em diferentes locais, e a partir de sobrevoos diários da aeronave científica Gulfstream-1, do Departamento de Energia (DOE), dos Estados Unidos.

Durante o workshop ACRIDICON-CHUVA, a ser realizado semana que vem no INPE, será finalizada a programação da segunda campanha intensiva na região, que terá a participação de duas aeronaves científicas: Gulfstrem-1, do DOE, e HALO (High Altitude and Long Range Research Aircraft), da Alemanha. O experimento será realizado durante a estação seca da região amazônica, quando também ocorrem chuvas intensas, mas em menor quantidade.

Segundo Luiz Augusto Machado, pesquisador do CPTEC/INPE, coordenador do Projeto CHUVA e da parte brasileira do ACRIDICON, voos simultâneos estão programados para medidas de plumas de fumaça e nuvens convectivas, com o intuito de avaliar os efeitos de partículas e aerossóis originados das queimadas e da poluição urbana sobre as propriedades microfísicas, químicas e radiativas das nuvens de tempo bom e de tempestades.

Em solo, estão montados e em operação, desde o início do ano, um radar de alta resolução para medidas de diversos parâmetros do interior das nuvens e diversos equipamentos que integram o Projeto CHUVA.O objetivo específico deste projeto, que conta com o apoio da FAPESP e a coordenação do CPTEC/INPE, é compreender os regimes de chuva do país, já tendo passado por seis regiões brasileiras diferentes. O SOS Chuva Manaus, componente deste projeto, desenvolvido para prever e monitorar chuvas, vem sendo utilizado na logística das campanhas intensivas do GoAmazon, mantendo-se aberto a qualquer usuário.

No primeiro dia do workshop, dia 19/05, coordenadores e lideranças da campanha científica irão definir os detalhes da logística da ACRIDICON CHUVA que terá a cidade de Manaus como base operacional do experimento. Além dos pesquisadores brasileiros, do CPTEC/INPE e USP, estarão presentes representantes e cientistas da agência espacial alemã (DLR), Leipzig University, Departamento de Energia (DOE), dos Estados Unidos, e do Instituto Max Planck, como Andi Andrea, também editor da Science. Entre os dias 20 e 22, estão programadas apresentações de projetos associados à campanha científica (confira o programa) e sessões irão promover a integração de pesquisadores brasileiros e alemães para dar início a parcerias e trabalhos conjuntos.

Os experimentos do GoAmazon irão compor um grande banco de dados, a partir do qual pesquisas deverão ser realizadas para compreender com maior profundidade como os aerossóis orgânicos e aqueles gerados a partir da poluição urbana, associados aos fluxos de superfície, influenciam os ciclos de vida de nuvens e as chuvas convectivas (intensas e localizadas) e estratiformes (menos intensas e de maior extensão), características da região amazônica. Sabe-se que os aerossóis têm papel central nos processos de nucleação de nuvens e na precipitação, mas pretende-se compreender com maior profundidade os processos e implicações destas partículas na atmosfera amazônica.

A expectativa é de que a melhor representação destes processos químicos e físicos na atmosfera possam trazer avanços à modelagem do clima regional e de cenários globais de mudanças climáticas, tendo em vista os possíveis impactos produzidos no regime de chuvas da Amazônia pelos processos de urbanização e de desmatamento.

Fonte: INPE, com edição do blog Panorama Espacial.
.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

LATSAT: evento sobre satélites de comunicações

.
Entre os dias 4 e 5 de junho, acontecerá na Cidade do México a primeira edição da conferência LATSAT - Latin American Satellite Communication & Broadcasting Summit, promovida pela Euroconsult. Como o próprio nome indica, o evento terá um enfoque em comunicações por satélite na América Latina, mercado que tem apresentado significativo crescimento nos últimos anos.

Dentre os mais de trinta palestrantes, estão confirmados os nomes de alguns brasileiros e de executivos baseados no País, como Lincoln Oliveira, diretor da Star One, Marzio Laurenti, presidente da Telespazio Brasil, e Russell Ribeiro, vice-presidente da Gilat para a região.

A expectativa da organização é que o evento reúna mais de 100 executivos de alto nível de agências governamentais, operadores, provedores de serviços e fabricantes de satélites, entre outros.

O objetivo da Euroconsult, conhecida firma francesa de consultoria para o setor espacial, é tornar a LATSAT um evento de referência para a indústria na região. A empresa, aliás, é a organizadora de um dos encontros mais tradicionais do setor de satélites, a World Satellite Business Week, que acontece anualmente em setembro na cidade de Paris, na França.

Para mais informações sobre a LATSAT, clique aqui.
.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Cubesats na revista Pesquisa FAPESP

.
A edição de maio da revista Pesquisa FAPESP, editada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, traz uma extensa reportagem, de capa, sobre os projetos de nanossatélites (cubesats) em desenvolvimento no Brasil, dentre os quais o NanoSatC-BR1, que deve ser lançado ao espaço nos próximos meses, o escolar Tancredo-1 (projeto UbatubaSat), e o universitário Serpens.

Para ler a reportagem, clique sobre o título "Pequenos ganham o espaço".

Para os interessados no tema, que de certa forma tem revolucionado (e "popularizado") às atividades espaciais, também recomendamos a leitura do artigo "Cube e nano satélites - Um novo conceito para o setor espacial", de autoria de Otavio Durão, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e publicado na edição n.º 136 da revista Tecnologia & Defesa.
.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

"Espaço no radar da Indra"

.

Está disponível no website da revista Tecnologia & Defesa uma pequena reportagem sobre os interesses da companhia espanhola Indra no setor espacial brasileiro.

Especializada nos segmentos terrestres que compõem sistemas espaciais, a Indra é desde 2005 fornecedora de estações operadas no âmbito do Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), do Ministério da Defesa.

Para acessar a reportagem, clique aqui.
.

Reunião discute lançamento de cubesats brasileiros

.
Reunião técnica detalha lançamento de pequenos satélites brasileiros

Brasília, 14 de maio de 2014 – Aspectos técnicos e contratuais envolvendo o lançamento do satélite de pequeno porte do Sistema Espacial para Realização de Pesquisas e Experimentos com Nanossatélites (Serpens) a partir da Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em inglês) no segundo semestre foram discutidos nesta segunda (12) e terça-feira (13) na Agência Espacial Brasileira (AEB).

Participaram dos encontros a engenheira Chantal Cappelletti, coordenadora do programa Serpens, o engenheiro Shigeru Imai, o gerente de marketing Atsushi Ace Nakayama, ambos da Japan Manned Space Systems Corporation (Jamss), e bolsistas da AEB integrantes do projeto. A empresa japonesa é a responsável técnica pelo lançamento dos pequenos satélites nacionais da ISS.

Nesta quarta-feira (14) os japoneses seguem para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), onde visitam o Laboratório de Integração e Testes (LIT) e discutem detalhes do pequeno satélite Aesp-14 e do CanSat Tancredo-1, também programados para lançamento a partir da ISS este ano.

O Aesp-14 é um cubeSat desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em parceria com o Inpe e o Tancredo-1 foi produzido por alunos de uma escola pública de Ubatuba (SP), com orientação de técnicos do Inpe.

Serpens – O projeto Serpens, coordenado pela AEB, tem a participação de quatro universidades publicas brasileiras, duas norte-americanas e uma espanhola. De forma mais ampla ele visa a qualificar engenheiros da Agência, estudantes, docentes e pesquisadores vinculados a cursos de engenharia espacial e de algumas instituições federais com atuação nestas áreas do conhecimento.

A primeira missão do programa Serpens é científica e foi idealizada para embarcar três cargas úteis, que fornecerão dados e informações científicas e tecnológicas para as instituições envolvidas no seu desenvolvimento.

Fonte: AEB
.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Cooperação Brasil - Japão

.
Japoneses visitam AEB para discutir ações de cooperação técnica

Brasília, 13 de maio de 2014 – O gerente do Escritório para Política Espacial do Gabinete Ministerial do Japão, Takayoshi Fukuyo, e o gerente para promoção da Cooperação Internacional do Departamento de Relações Internacionais e Pesquisa da Agência de Exploração Espacial do Japão (Jaxa), Masonobu Tsuji, foram recebidos nesta terça-feira (13) pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho.

Na oportunidade, foram discutidos alguns itens de propostas de ações conjuntas na área de mitigação de desastres naturais visando a impulsionar conversações iniciadas em 2013. Uma das ideias é formar um grupo de trabalho binacional envolvendo órgãos governamentais dos dois países que estejam afetos as áreas desastres naturais, meteorologia e meio ambiente.

O presidente ficou muito entusiasmado com a proposta, ressaltando a necessidade de que as ações sejam bem estruturadas e com foco, de maneira a permitir sejam desencadeadas de forma concreta, uma vez que Brasil e Japão detêm boa experiência no segmento de climatologia.

A AEB e o Gabinete Ministerial pelo Japão ficarão encarregados de organizar o grupo de trabalho, que deve iniciar as atividades ainda este ano.

Capacitação – Outro tópico da reunião foi o interesse dos japoneses em participar mais ativamente do programa Ciência sem Fronteiras Espacial (CsF-Espacial) recendo estudantes brasileiros e também enviando pesquisadores para atuarem em estudos conjuntos em universidades e instituições de pesquisas nacionais.

Outro item discutido no encontro foi o lançamento de três satélites brasileiros de pequeno porte programado para o segundo semestre a partir da Estação Espacial Internacional a cargo da Japan Manned Space Systems Corporation (Jamss).

Também participaram da reunião o chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB, José Monserrat Filho, e o Secretário da Divisão do Mar, da Antártica e do Espaço do Itamarati, André João Rypl, Yuki Nango e Jimmy Yamamura, ambos da Embaixada do Japão no Brasil.

Fonte: AEB
.

"Brasil-Ucrânia, comédia de erros"

.
Reproduzimos abaixo um artigo do ex-diplomata Rubens Barbosa sobre o acordo espacial entre o Brasil e a Ucrânia que deu origem à Alcântara Cyclone Space, publicado na edição de hoje (13) do jornal O Estado de S. Paulo. O texto possui algumas impressões, mas revela a crítica situação política hoje enfrentada pelo projeto binacional.

Brasil-Ucrânia, comédia de erros

13 de maio de 2014 | 2h 08

Rubens Barbosa* - O Estado de S.Paulo

Em razão dos possíveis desdobramentos nos campos militar, político e econômico, a crise na Ucrânia tem gerado forte preocupação. Ao confrontar a Rússia, EUA e Europa ressuscitam considerações geopolíticas que gostariam de deixar para trás. Consumada a incorporação da Crimeia ao território russo, o mundo espera o desfecho das disputas pelos territórios do leste da Ucrânia, na fronteira com a Rússia, onde se concentra a maioria da população de origem e de língua russas.

Quais os interesses do Brasil na relação com a Ucrânia? Poucos talvez possam identificar assuntos em comum com país tão distante.

O Brasil no governo Lula se associou à Ucrânia para a cessão de espaço para lançamento de satélites comerciais do Centro de Lançamento de Satélites em Alcântara. Para isso, foi criada a empresa mista Alcântara Cyclone Space (ACS), formada em partes iguais, que já consumiu US$ 918 milhões do lado brasileiro, tendo sido metade aportada em meados de 2013, sob a forma de aumento de capital, sem nenhum resultado concreto até aqui. A ideia era aproveitar o programa ucraniano para, se tudo desse certo, desenvolver uma indústria voltada para lançamentos no Brasil. Toda essa negociação com a Ucrânia está cercada de circunstâncias que mostram a maneira descoordenada como muitos projetos de grande relevância estratégica foram tratados nos últimos anos.

O programa espacial brasileiro de desenvolvimento de Veículos Lançadores de Satélites (VLS) e de aproveitamento comercial da Base de Alcântara colocaria o Brasil no mercado global, dominado em mais de 85% por lançamentos de satélites de comunicação de empresas norte-americanas [Nota do blog: a informação é imprecisa e confunde o projeto VLS, de pequeno porte, com lançadores de maior porte, de perfil geoestacionário, que atendem a maior fatia do mercado de lançamentos comerciais]. Para viabilizar a entrada do Brasil nesse mercado, o governo FHC negociou acordo de salvaguarda tecnológica com os EUA. Por questões ideológicas, o PT na oposição e, depois, no governo ficou contra o acordo que, paralisado no Congresso, foi abandonado. O governo Lula, no entanto, para viabilizar a cooperação com a Ucrânia, teve de assinar um acordo de salvaguardas tecnológicas com o governo de Kiev. O acordo com a Ucrânia, traduzido quase literalmente do firmado com os EUA, foi rapidamente aprovado pelo Congresso com o apoio entusiasmado do PT. Chegou-se mesmo a discutir um segundo acordo, que atenuasse cláusulas draconianas que restringiam o acesso das autoridades brasileiras aos equipamentos ucranianos e ampliasse a cooperação para o desenvolvimento conjunto de um novo VLS (Cyclone V).

Soube, no ano passado, que a Ucrânia havia feito gestões junto do governo de Washington para que o acordo de salvaguarda tecnológica com o Brasil fosse retomado, porque o foguete ucraniano incorpora peças e componentes americanos. Assim, o VLS Cyclone só poderia ser lançado de Alcântara se o acordo Brasil-EUA estivesse em vigor. [Nota do blog: O Cyclone 4 não possui componentes de origem americana. O acordo de salvaguardas é necessário porque grande parte dos satélites lançados ao espaço são fabricados nos EUA ou possuem ao menos algum componente de origem deste país]

Essa comédia de erros está atrasando por mais de 15 anos o programa brasileiro de utilização comercial da Base de Alcântara. Será que as autoridades brasileiras não sabiam que o acordo com os EUA era indispensável para levar adiante o projeto com a Ucrânia?

O quiproquó não termina aí. A empresa que teoricamente produziria o foguete lançador dos satélites comerciais de Alcântara está localizada na área industrial da Ucrânia, exatamente no território agora conflagrado pela presença de população russa, transferida para a região para operar o complexo industrial militar que Moscou havia criado naquele país, então parte da URSS. O que acontecerá se esse território for incorporado à Rússia?

Além disso, a Ucrânia, sem condições de fazer os aportes financeiros necessários, pela precária situação de sua economia, contribuiu para reduzir o projeto a um sonho de uma noite de verão. A negociação com a Ucrânia teve clara motivação ideológica para evitar a dependência dos EUA. A maneira desastrada como todo o processo foi operado é mais um exemplo de um equívoco cometido por considerações político-partidárias. Os investimentos feitos pelo governo brasileiro não serão recuperados e o caos doméstico ucraniano inviabiliza qualquer esforço para a retomada do projeto.

O acordo de salvaguarda tecnológica com os EUA, depois da visita do presidente Barack Obama ao Brasil em 2011, estava sofrendo modificações para ser apresentado às autoridades norte-americanas. A negociação do acordo, contudo, está paralisada, como tudo o que é realmente importante na relação com os EUA. A decisão da presidente Dilma Rousseff de só normalizar as relações bilaterais depois de um eventual pedido de desculpas de Obama pelo monitoramento indevido da Agência Nacional de Segurança (NSA) dificulta o desenlace da crise entre os dois países. Como o pedido dificilmente será atendido, este e outros temas de interesse brasileiro dormem nos escaninhos da burocracia itamaratiana.

Críticos cobram um posicionamento da política externa, outrora tão ativa e altiva, em relação aos graves acontecimentos que culminaram com a anexação da Crimeia à Rússia e com os distúrbios em diversas cidades ucranianas.

A paralisia da diplomacia brasileira pode ser explicada por um conjunto de fatores: o Brasil ser membro do Brics, hoje um bloco institucionalizado, com reuniões presidenciais (a próxima ocorrerá em Fortaleza, em julho) e ministeriais todos os anos; pela dificuldade de lidar com o imbróglio em que nos metemos com o acordo de cooperação no Centro de Lançamento de Alcântara; e pela deliberada política do governo Dilma de encolhimento da política externa e da não participação do Brasil na cena internacional.

Fica cada vez mais evidente a necessidade de uma nova política externa que restaure a influência do Itamaraty, para evitar situações como a da Ucrânia, e restabeleça a voz e a presença do Brasil no exterior.

*Rubens Barbosa é presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp.

Fonte: "O Estado de S. Paulo", 13/05/2014.
.