quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"Qual é o problema do programa espacial brasileiro?", revista Galileu

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A edição de janeiro da revista Galileu traz uma reportagem analítica sobre as atividades espaciais brasileiras, com um título auto-explicativo: "Qual é o problema do programa espacial brasileiro?" [clique sobre o título para acessá-la].

Trata-se de um texto bem superficial (as razões citadas como origem do "problema" são o baixo investimento e boicote internacional, e fica praticamente restrito a isso) e com algumas imprecisões, mas para aqueles que se interessam pela temática espacial, é uma leitura de consumo rápido.
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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

"Mais Espaço para Ciências Sociais e Humanas", artigo de José Monserrat Filho

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Mais Espaço para Ciências Sociais e Humanas

José Monserrat Filho*

“Olhem para as estrelas e aprendam com elas.” Albert Einstein

Se os governos desejam que as ciências exatas e naturais levem mais benefícios à sociedade, eles precisam se comprometer mais com as ciências sociais e humanas. Há que integrar todas essas áreas para que as ciências exatas e naturais ofereçam soluções ainda mais abrangentes e completas. Essa, em suma, é a visão defendida pela Nature, renomada revista científica inglesa, em seu editorial "Tempo para as Ciências Sociais", de 30 de dezembro de 2014.

Para a Nature, "a física, a química, a biologia e as ciências ambientais podem oferecer soluções maravilhosas a alguns dos desafios que as pessoas e as sociedades enfrentam, mas para que ganhem força, tais soluções dependem de fatores que vão além do conhecimento de seus descobridores". A publicação argumenta que "se fatores sociais, econômicos e culturais não são incluídos na formulação das questões, grande dose de criatividade pode ser desperdiçada".

Quer dizer, quando não se presta a devida atenção às ciências sociais, corre-se o risco de perder em criatividade (campos e elementos que alimentam a imaginação, a busca de melhores e mais amplas soluções), o que nas atividades cientificas é grave insuficiência.

A Nature pede total apoio "a quem cria projetos multidisciplinares – por exemplo, para aumentar o acesso aos alimentos e à água, fazer adaptações às mudanças climáticas, ou tratar de doenças – integrando, desde o início, as ciências naturais e as ciências sociais e humanas".

Total apoio também é solicitado "às figuras de proa na política que demonstram seu compromisso com esta agenda multidimensional" e expressam "toda uma série de preocupações quando os governos não manifestam a mesma compreensão".

A revista elogia Mark Walport, o principal assessor científico do governo inglês, e seu antecessor, John Beddington, por estarem comprometidos com relação as ciências sociais. O relatório do Reino Unido de 2014, sob o título de "Inovação: gestão de risco sem evitá-lo", reúne opiniões e reflexões de especialistas em psicologia, ciência do comportamento, estatística, estudos de risco, sociologia, direito, comunicação e politica pública, bem como em ciências naturais.

O documento inclui temas como incerteza, comunicação, conversações e linguagem, com cientistas reconhecidos tecendo considerações cruciais sobre inovação em áreas controversas e cheias de dúvidas. Cientistas e juristas trabalham juntos, por exemplo, nos estudos de caso sobre submarinos nucleares e sobre previsões de inundação e infiltrações.

O principal recado do relatório vale para os responsáveis pela formulação de políticas de C&T em qualquer país: Se você deseja que a ciência leve benefícios à sociedade, por meio do comércio, do governo ou da filantropia, você precisa apoiar os meios de capacitação para se entender a sociedade, o que é tão profundo quanto a capacidade de entender a ciência. E quando fizer declarações políticas precisa deixar claro que você acredita nessa necessidade.

Será que tudo isso é válido também para a ciência e a tecnologia espaciais?

As atividades espaciais, embora efetuadas com base em conhecimentos científicos e tecnológicos, envolvem interesses sociais, econômicos, políticos, jurídicos e culturais de enorme relevância. O mundo inteiro depende hoje do espaço em sua vida cotidiana. Isso gera um caudal de problemas em todas as áreas. Politica e Direito Espaciais são campos estratégicos da política internacional. As ações militares no solo, nos mares e no espaço aéreo são todas comandadas através do espaço, e já se planeja até instalar armas em órbitas da Terra, o que poderá convertê-las em teatro de guerra.

Enquanto isso, as Nações Unidas avançam na elaboração das diretrizes para garantir a "Sustentabilidade a Longo Prazo das Atividades Espaciais", que também enfrentam o perigo crescente do lixo espacial. Em debate, igualmente, está o desafio de criar um sistema global de gestão do tráfico espacial para garantir maior segurança e proteção de todos os voos e objetos espaciais.

Mais que nunca é essencial o maior conhecimento possível de tudo o que se passa e se faz no espaço, perto e longe da Terra. Medidas de transparência e fomento à confiança no espaço são propostas pela Assembleia Geral das Nações Unidas. E quem senão as ciências sociais para refletir sobre o futuro da civilização humana no espaço?

* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB).
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

VLM: Convênio IAE - FUNCATE

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IAE - DCTA e FUNCATE assinam convênio para desenvolvimento do VLM-1

O projeto para desenvolvimento do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM) brasileiro deu um importante passo nas últimas semanas, com a assinatura do convênio entre a FUNCATE (Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais) e o IAE/DCTA (Instituto de Aeronáutica e Espaço).

O VLM-1, fruto de uma parceria entre o IAE/DCTA e a Agência Espacial Alemã (DLR), visa o desenvolvimento de um foguete destinado ao lançamento de cargas úteis espaciais ou microssatélites (até 150 kg) em órbitas equatoriais e polares ou de reentrada, com três estágios a propelente sólido na sua configuração básica: dois estágios com o motor S50 com cerca de 12 toneladas de propelente e um estágio orbitalizador com o motor S44.

Outras configurações do veículo poderão empregar um terceiro estágio em propelente sólido maior ou em propelente líquido. O VLM deverá atender a uma importante e crescente demanda para o lançamento de cubesats e microssatélites. Este convênio tem vigência de quatro anos e estabelece uma parceria de longo prazo entre a FUNCATE e o DCTA/IAE.

Fonte: IAE/DCTA
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domingo, 28 de dezembro de 2014

"O foguete Angará-A5 lança Rússia à nova órbita geopolítica?", artigo de José Monserrat Filho

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O foguete Angará-A5 lança Rússia à nova órbita geopolítica?

José Monserrat Filho

“Não podemos deixar o passado para trás e apenas cruzar os dedos: sabemos por experiência que a política, como a natureza, abomina o vácuo.” Tony Judt¹

A Rússia parece ter liquidado vários coelhos com uma só cajadada. O lançamento bem sucedido de seu novo foguete Angará-5A, peso pesado, em 23 de dezembro, da base russa de Plesetsk, é presente dos céus para o Natal do Kremlin – o primeiro foguete criado no país desde o fim da União Soviética (URSS). Veio resolver muitos de seus problemas espaciais estratégicos.

Não por acaso ou propaganda, foi chamado de “marco significativo na história da indústria de foguetes da Rússia, abrindo a ela o acesso independente ao espaço”.²

Na verdade, a Rússia reabriu esse acesso. A URSS já tinha conquistado esse privilégio em 4 de outubro de 1957, quando lançou o Semyorka³, poderoso foguete pioneiro que pôs em órbita o satélite não menos pioneiro, o Sputnik I. Mas a dissolução da URSS, a partir de 1990, rompeu a unidade da indústria aeroespacial soviética. Fábricas, escritórios de projetos e outras instalações essenciais ficaram distribuídos entre as novos países que se tornaram independentes. As lideranças nacionais de então não perceberam o mal que essa separação traria a todos eles.

A Rússia foi, claro, o país mais afetado. Ficou dependente do Casaquistão, onde se encontra  a histórica base de Baikonur – berço das maiores conquistas espaciais soviéticas –, e da Ucrânia, onde são produzidos e mantidos os foguetes Zenit, Dnepr e Cyclone.

Fabricado em Dnepropetrovsk, capital da indústria espacial ucraniana, o Cyclone já foi lançado da base de Plasetsk mais de 120 vezes, segundo o Ministério de Defesa russo.

Isso significa que, durante muitos anos ainda, depois do fim da URSS, os laços entre as indústrias militares e espaciais da Rússia e da Ucrânia se mantiveram firmes. A Ucrânia continuou fornecendo assistência técnica aos mísseis balísticos intercontinentais e veículos lançadores russos.

Além disso, o foguete ucraniano Zenit-3SL tornou-se peça essencial do consórcio “Sea Launch”, criado em 1995 por quatro empresas – da Noruega, Rússia, Ucrânia e EUA –, sob a égide da Boeing americana, para realizar lançamentos comerciais de uma plataforma marítima (Odyssey) estacionada no Oceano Pacífico, bem em cima da linha do Equador, posição ideal para lançamentos seguros e competitivos. Desde 1999, quando fez sua estreia, o Sea Launch efetuou 36 lançamentos, com três fracassos e uma falha parcial – uma média de dois lançamentos bem sucedidos por ano. Não é muito.

A ideia do lançamento marítimo era e é muito boa. Mas a operação ainda é muito cara e não atingiu o êxito comercial esperado.  Procuram-se alternativas.

A situação mudou muito com a crise econômica e política na Ucrânia, que, sem o cálculo devido, resolveu fazer o jogo da OTAN contra a Rússia.4 Ao romper a convivência normal com a Rússia e tentar vulnerabilizá-la, permitindo, por exemplo, que a OTAN ficasse a uma distância irrisória de Moscou, a Ucrânia deu-se mal e ficou na pior, inclusive e em particular na área espacial.

Hoje, ironicamente, até os países da OTAN enfrentam dificuldades para apoiá-la. Henry Kissinger, do alto de seus 91 anos, propõe como solução à crise na Ucrânia transformá-la em país neutro entre a União Europeia/OTAN e a Rússia, como ocorreu com a Finlândia durante a Guerra Fria, mantendo relações com a Europa e os EUA, mas sem hostilizar Moscou.5

A Rússia não demorou a sentir que devia acelerar a recuperação de sua indústria militar e espacial, tornando-a independente o mais cedo possível. Moscou foi mais realista do que Kiev.

O êxito do Angará-A5, lançado por tripulação militar da base militar de Plesetsk é fruto dessa virada. Ele pesa 773 toneladas e carrega até 25 toneladas, sendo capaz de lançar satélites de duas toneladas à órbita geoestacionária, a 36 mil km da Terra no plano da linha do Equador. Equipado com o motor RD-191, movido a combustível baseado em querosene e oxigênio, é considerado um dos propulsores mais generosos para o meio ambiente.

O Angará-A5 tem chance de substituir o Zenit-3SL no consórcio Sea Launch, onde a Rússia parece estar assumindo papel preponderante.

O Angará-A7, o maior foguete da família, pesará 1.133 toneladas e lançará cargas de 35 toneladas a baixas órbitas (193-220 km) e de 7,6 toneladas à órbita geoestacionária.

O Angará 1.2PP, sua versão mais leve, foi testado com sucesso em julho de 2014 (a primeira tentativa, em junho, teve de ser sustada segundos antes do lançamento).

A série Angará – obra do Centro de Pesquisa e Produção Espacial da empresa estatal Khrunichev, sediado em Moscou – reunirá todos os tipos de lançadores previstos para os futuros projetos da Rússia. O trabalho de quase duas décadas vai custar, ao todo, cerca de US$ 3 bilhões.

Atualmente, o Centro da Khrunichev pode fabricar dez Angará-5 por ano e aumentar essa produção se houver demanda, garante seu primeiro vice-diretor, Aleksander Medvedev. O programa deve estar pronto até 2020.

Os novos foguetes substituirão o Proton e o Soyuz, projetados e construídos por Serguey Korolev (1907-1966)6, o pai do programa espacial soviético, bem como o Zenit, Dnepr e Cyclone, fabricados na Ucrânia e usados muitas vezes no programa espacial russo. Aliás, o Cyclone-4 estava destinado a realizar lançamentos comerciais do Centro de Alcântara, no Maranhão, Brasil, sob o comando da binacional Alcântara Cyclon Space (ACS) – hoje em sérias dificuldades.

Cabe lembrar que a agência espacial russa, ROSCOSMOS, anunciou em novembro de 2014, que planeja construir nova estação orbital a partir de 2017, após cumprir suas obrigações com a Estação Espacial Internacional (ISS). A URSS e a Rússia acumularam ampla experiência em estações espaciais. A URSS criou e lançou as sete estações Saliut, entre 1971 e 1991. Depois veio a Mir (Paz ou Mundo, em russo), a primeira estação espacial modular, que operou entre 1986 e 2001, construída e lançada pela URSS e herdada pela Rússia. Por essas estações passaram dezenas de astronautas (ou cosmonautas, como se diz em russo) de inúmeros países, e ambos os programas estudaram a fundo a capacidade de sobrevivência da espécie humana no espaço. A Mir ainda detém o recorde de mais longo voo espacial humano único: Valery Poliakov viveu ali, sozinho, 437 dias e 18 horas, entre 1994 e 1995.

Novos e poderosos foguetes, nova estação espacial, além de outros planos. Se tudo der certo, a Rússia estará reconstruindo uma indústria espacial independente e autossuficiente – agora com vantagens competitivas antes inexistentes –, e recuperando seu lugar entre os maiores protagonistas da Era Espacial.

Note-se que tais iniciativas arrojadas, em contexto geopolítico adverso, transcorrem num momento de crise econômica na Rússia, com o preço em queda do petróleo, produto central das exportações russas.

Será que aqui também o mercado acabará por determinar a política, as usual?

Quem viver, verá.

Referências

1) Judt, Tony, O mal ronda o mundo – Um tratado sobrre as insatisfações do presente (Ill Fares the Land), Objetiva 2011, p. 145.
2) Angara-A5 Launch Opens New Page in Russia's Space Exploration, Agência Sputnik, Moscou, 24 de dezembro de 2014.
3) R-7 Semyorka, primeiro míssil balístico intercontinental do mundo, mas nunca usado como tal, realizou 28 lançamentos de 1957 a 1961. Seu derivado  R-7A, foi utilizado entre 1959 a 1968. A OTAN (Organização do Atlântico Norte) o conhecia como SS-6 Sapwood e a URSS, como 8K71. Versão modificada do R-7 Semyorka, de dois estágios, 19 metros de altura e 137 toneladas (10,835 toneladas sem combustível) pôs em órbita o Sputnik-1, em 4 de outubro de 1957.
4) Mearsheimer, John J, Why the Ukraine Crisis Is the West’s Fault – The Liberal Delusions That Provoked Putin, Foreign Affairs, September/October 2014. pp. 77-89. O autor é professor de Ciências Políticas da Universidade de Chicago.
5) Kissinger, Henry, To settle the Ukraine crisis, start at the end, The Washington Post, 5 de maio de 2014.
6) Harford, James, Korolev, USA: John Wiley & Sobs, Inc., 199

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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

"Gestão do Tráfego Espacial: novos debates", artigo de José Monserrat Filho

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Gestão do Tráfego Espacial: novos debates

José Monserrat Filho*

Lubos Perek deve ser o pioneiro deste tema. Ao longo de seus 95 anos, o renomado astrônomo tcheco tornou-se perito em Direito Espacial sem deixar de ser astrônomo. É uma pessoa modesta, silenciosa e culta. Tive o privilégio de conversar com ele em vários eventos internacionais. Distinguido membro da Academia de Ciências da República Tcheca e da União Astronômica Internacional, Lubos Perek é nome do asteroide 2900, descoberto em 1972 por outro reconhecido astrônomo tcheco, Lubos Kohoutek.

Dez anos após, em 1982, Perek apresentou, no Colóquio Anual do Instituto Internacional de Direito Espacial, o ensaio intitulado “Regras de Tráfico para o Espaço Exterior”, peça obrigatória na bibliografia do assunto – hoje mais atual que nunca.

Perek nos dá clara noção da utilidade da gestão do tráfico espacial: Saber exatamente onde se encontra cada satélite ou nave espacial, no espaço aéreo ou no espaço exterior, de onde ele vem e para onde ele está indo, o que ele está fazendo e como está funcionando em dado momento, tendo em vista garantir a segurança das atividades espaciais, prevenindo colisões e interferências danosas, bem como proteger o meio ambiente da Terra e do espaço exterior.¹

Em 2006, a Academia Internacional de Astronáutica (IAA, na sigla em inglês) lançou o “Estudo Cósmico” sobre “Gestão do Tráfico Espacial”, produzido por um grupo de seus membros (inclusive Lubos Perek). O trabalho define o termo “Gestão do tráfego espacial” como “o conjunto de regras técnicas e normativas para promover acesso seguro ao espaço exterior, as operações no espaço exterior e o retorno do espaço à Terra livre de interferência física ou de rádio frequência.”

Essa definição confirma o princípio do livre acesso ao espaço consagrado pelo Tratado do Espaço de 1967. Sua ideia central é a de que os países, para lograrem o bem comum no espaço, devem obedecer a normas específicas, criadas em  seu próprio interesse.

Hoje, oito anos depois, a IAA volta a convocar uma equipe para rever e atualizar o tema da gestão do tráfico espacial. O plano de agora abandona “a imagem inicial de abstração visionária” e assume “o potencial de lidar de forma efetiva com os desafios correntes e emergentes de manter as atividades espaciais protegidas e seguras, sem interferir no que fazem todos os seus atores e ações presentes e futuras”, como frisa o primeiro comunicado da nova equipe de estudos da IAA, datado de 15 de dezembro de 2014.

O grupo, presidido por Kai-Uwe Schrogel, da Agência Espacial Europeia, tem dois anos para concluir a missão. O novo estudo deve ser lançado em 2016, ano do 10º aniversário do primeiro texto. A nova equipe tem composição ainda mais diversificada que a de 2006. Reúne cientistas, cientistas políticos, juristas, engenheiros, gestores, membros de órgãos governamentais, de organizações internacionais, de ONGs e da indústria. São, ao todo, 30 pessoas, de 17 países, entre as quais tive a honra de ser incluído.

Perek desta vez não está presente. Talvez por sua idade avançada.

Nosso mais recente encontro ocorreu durante o Congresso Internacional de Astronáutica de Nápoles, Itália, em 2012, onde ele apresentou excelente trabalho sobre “A situação atual da órbita geoestacionária”, mostrando o crescente congestionamento ali de lixo espacial e os perigos que isso implica para a população da Terra. Segundo apurou Perek, em 2011 havia na órbita geoestacionária 406 satélites ativos e 900 inativos devidamente catalogados. Ou seja, o número de satélites inativos era mais que o dobro do número de ativos. Isso sem falar na quantidade de detritos espaciais não catalogados – em geral com menos de 10cm –, que pode ser apenas estimada.

Indiretamente, Perek demonstrava, uma vez mais, o imperativo da gestão do tráfico espacial, que tem no lixo espacial um de suas maiores obstáculos a superar. Quando fui cumprimentá-lo pela apresentação, ele me confessou, com um sorriso meio triste: “Para mim, está ficando cada vez mais difícil e cansativo pesquisar e escrever trabalhos como esse.”

Mas as sementes plantadas por Perek e outros pesquisadores do tema têm tudo para dar frutos ainda mais majestosos e proveitosos. Se o estudo de 2006 fixou os conceitos básicos, o de 2016 deverá ir adiante e propor um plano concreto para pôr em prática a gestão do tráfico espacial.

Em 2017, o Tratado do Espaço de 1967 comemora 50 anos, como o código maior das atividades espaciais, ratificado por 103 países e assinado por 25, além de aceito como costume por todos os demais países – portanto, uma unanimidade global.

Por isso, o estudo de 2016 sobre a Gestão do Tráfico Espacial não poderia deixar de incluir em sua agenda a discussão do futuro do Tratado do Espaço e de toda a regulamentação das atividades espaciais – cada vez mais intensas e indispensáveis no mundo inteiro.

Se a gestão do tráfico aéreo é tão importante quanto complexa na Terra, que dizer da gestão do tráfico no espaço?!

O ordenamento do tráfico espacial, se realizado para o bem e no interesse de todos os países, como reza o Tratado do Espaço, contribuirá em muito para elevar a conquista espacial a novo patamar de segurança, confiança, solidariedade e civilização.

Quem anda pelo espaço, carrega consigo toda a evolução da Terra.

Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Espacial (SBDA). Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). 

Referências

1) Perek, Lubos, Traffic Rules for Outer Space, Proceedings of the 25th Colloquium on the Law of Outer Space, AIAA, 1983, pp. 37-42
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domingo, 21 de dezembro de 2014

SGDC: governo libera R$400 milhões

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Satélite SGDC recebe mais de R$ 400 milhões do governo

Brasília, 19 de dezembro de 2014 – O governo federal liberou R$ 404,7 milhões esta semana para a construção do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), projeto que levará internet de banda larga a municípios com menos de 50 mil habitantes e aprimorará a comunicação dos órgãos de Defesa Nacional.

O projeto, cujo orçamento total é de R$ 1,8 bilhão, está em andamento na França e tem a participação de técnicos brasileiros no seu desenvolvimento. Parte dos recursos é do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2).

“Teremos um satélite próprio agora. Não precisaremos mais contratar serviços estrangeiros, resultando em economia aos cofres públicos, e levaremos internet a municípios pequenos onde é inviável implantar fibra ótica”, disse o diz o diretor de Banda Larga do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra.

A licitação para a construção do satélite foi vencida por uma empresa francesa, a Thales Alenia Space. Mas ao contrário de outros satélites usados pelo Brasil, que são controlados por estações estrangeiras, o SGDC será 100% controlado por instituições nacionais.

Além disso, o contrato assinado em setembro último prevê transferência de tecnologia ao Brasil, por meio da empresa Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture da Telecomunicações Brasileiras (Telebrás) e a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), que atua como empresa integradora do projeto.

O satélite pesa 5,8 toneladas, tem vida útil de 15 anos e previsão de lançamento em 2016. Participam do projeto os ministérios das Comunicações, Defesa, e Ciência e Tecnologia, além das empresas Embraer e Telebras, e a Agência Espacial Brasileira (AEB).

Cada órgão designou técnicos que foram enviados à França para adquirir capacitação tecnológica, visando o desenvolvimento futuro no Brasil de uma indústria no setor.

Fonte: Portal Brasil, via AEB.
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Bolívia no espaço

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A Bolívia comemorou ontem (20) o aniversário de um ano do lançamento do satélite de comunicações Tupac Katari, o primeiro do país, construído e lançado na China. Nos dias que antecederam o aniversário, o governo divulgou dados financeiros sobre as receitas geradas pelo satélite. Segundo dirigentes da Agência Boliviana Espacial (ABE), nos oito meses de operação (embora lançado em dezembro, o artefato foi declarado operacional apenas em abril), foram geradas receitas em torno de 6 milhões de dólares.

Para 2015, projeta-se um montante superior, de 15 a 20 milhões de dólares, decorrentes da prestação de serviços à estatal de telecomunicações Entel e também operadoras de televisão e empresas privadas.

E paralelamente ao aniversário, La Paz avança com seus planos de dispor de um satélite de observação terrestre.

De acordo com Ivan Zambrana, diretor da ABE, citado em reportagem da agência EFE, já existe de um desenho preliminar e especificações do sistema desejado, que se chamará Bartolina Sisa, homenagem a esposa de Tupac Katari, ambos lideres indígenas do século XVIII.

A expectativa é que no primeiro semestre de 2015 ocorra uma definição quanto a disponibilidade de recursos e também sobre quem será seu fabricante, que exigirá investimentos de 100 a 200 milhões de dólares, a depender das especificações finais. Apesar de ter fornecido o satélite de comunicações, a escolha por uma solução chinesa, a exemplo da feita pela Venezuela, não é uma certeza. Segundo Zambrana, ate o momento, empresas da China, França, Reino Unido, Espanha e Argentina demonstraram interesse na futura concorrência.

Embora seja o país mais pobre da América do Sul, a Bolívia passa por um bom momento econômico, graças à exportação de gás e a uma gestão econômica considerada prudente, o que tem permitido determinados investimentos. Entre 2007 a 2012, o crescimento anual de seu Produto Interno Bruto (PIB) foi de 4,8%, e a previsão para este ano é um crescimento acima de 5% (para efeito de comparação, o PIB brasileiro, se crescer, não superará 0,1%, segundo estimativas).
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Pesquisadores da UnB se destacam na área aeroespacial

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Pesquisadores da UnB se destacam na área aeroespacial

Brasília, 18 de dezembro de 2014 – A Universidade de Brasília (UnB), por meio do trabalho de seus pesquisadores, conquistou méritos importantes na área aeroespacial neste ano. Alunos de Engenharia Elétrica, Marco Marinho, Ricardo Kehrle e Stanley Ramalho são nomes promissores da área. Os três concluíram o mestrado e se preparam para o doutorado no exterior.

Os três fazem parte do grupo do Laboratório de Processamento de Sinais em Arranjos de Sensores (Lasp) da UnB. Eles são orientados pelo professor João Paulo Lustosa, do departamento de Engenharia Elétrica.

Em 2013, Marinho trabalhou na Agência Aeroespacial Alemã (DLR). O estudante, que à época fazia mestrado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UnB, foi convidado a realizar sua pesquisa em Munique.

Após nove meses no país, ele voltou ao Brasil e já tem data para retornar à Alemanha para realizar doutorado. “Sinais de posicionamento GPS” é o tema da pesquisa, que é apoiada pela UnB e pela DLR. A intenção é desenvolver uma solução de GPS mais segura. Em janeiro próximo Marinho viaja para a Alemanha.

“É um reconhecimento importante para a universidade, pois mostra que a instituição forma engenheiros tão bons quanto os que são formados fora”, avalia o estudante.

A cooperação com a DLR foi iniciada em 2012, quando o professor Lustosa foi docente visitante na Universidade Técnica de Munique. Essa parceria gerou outros frutos, como a atuação do pesquisador alemão Felix Antreich como professor visitante especial na UnB. Antreich, que chefiou o trabalho de Marinho em Munique, recebeu bolsa do programa Ciências Sem Fronteiras (CsF) para lecionar no Brasil.

Inovação - Ainda na área aeroespacial, recentemente a UnB fechou um acordo de cooperação com a Universidade de Wakayama do Japão na área de construção de microsatélites e nanossatélites. O representante dessa cooperação é Ricardo Kehrle, que foi aceito pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para desenvolver microsatélites no Japão pelo período de um ano.

Kehrle é coorientado pelos pesquisadores da agência alemã e, dessa forma, seu doutorado é parte de um projeto ainda maior, envolvendo Brasil, Alemanha e Japão.

O aluno explica que os microsatélites podem ser aplicados na detecção de queimadas pelo globo terrestre. “Por serem pequenos, eles geralmente têm a missão mais específica e um desenvolvimento mais rápido, então são ideais para estudo e para uso das universidades” afirma.

Como representante da UnB Kehrle trabalhará em Tóquio em conjunto com a Agência Espacial Japonesa (Jaxa), a Universidade de Tóquio e a Universidade de Wakayama, bem como vários outros parceiros internacionais.

Já o estudante Stanley Ramalho conclui mestrado em Engenharia Elétrica neste ano e, em fevereiro de 2015, segue para o doutorado na Universidade Técnica de Dresden, na Alemanha, como bolsista da AEB.

A bolsa é fruto de uma parceria entre o CNPq e a AEB, que se uniram para o desenvolvimento de atividades espaciais. Ramalho explica que a linha de pesquisa é a construção de um Middleware SOA, programa de computação que faz mediação entre outro software, para comunicação entre satélite e uma base terrestre.

O aluno conta que a sua expectativa para o doutorado é de grande crescimento pessoal e profissional. “Poderei partilhar conhecimentos com excelentes pesquisadores alemães em tecnologias espaciais, e voltar para o Brasil para aplicar o conhecimento adquirido no exterior”, afirma. “Será uma forma de retribuir à universidade e ao país o investimento na minha formação”, completa.

O professor Lustosa destaca que os projetos tiveram aspectos bastante positivos. “O primeiro deles na parte tecnológica; vemos que qualquer desenvolvimento que se faz no Brasil é altamente importante, ainda mais sendo na área aeroespacial, que é uma área bastante sensível”.

Além disso, o docente conta que há esforço para formar alunos no nível próximo ao dos alemães. “Tentamos manter o nível alto para que seja igual ou até melhor que dos lugares de ponta no mundo todo”. Para Lustosa, a cooperação é importante para a visibilidade da UnB e abre portas para a contratação de alunos da instituição.

Fonte: Secretaria de Comunicação da UnB, via AEB.
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"Brasil e China projetam novos satélites", artigo de José Monserrat Filho

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Brasil e China projetam novos satélites

José Monserrat Filho *

Os Presidentes da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da Administração Nacional Espacial da China (CNSA) firmaram uma Carta de Intenções, em Pequim, no dia 9 de dezembro, apenas dois dias após o lançamento bem sucedido do CBERS-4. O ato de assinatura foi prestigiado pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clelio Campolina Diniz, que assistiu ao lançamento do novo satélite, no dia 7.

O documento, embora não vinculante, confirma três itens de cooperação, que devem começar a ser executados já em 2015 como parte do Plano Decenal de Cooperação Espacial, aprovado basicamente em 2013, sendo agora desenvolvido e detalhado.

Os três itens são, em resumo:

1) Construir o CBERS-4A, a ser lançado em 2017:
2) Projetar e construir nova geração de satélites, a ser definida pelo Grupo de Trabalho encarregado de desenvolver e detalhar o Plano Decenal; e
3) Cooperar em aplicações dos dados de satélite do CBERS-4 e dos novos satélites da nova geração a ser desenvolvida; será criado um Grupo de Trabalho especial para estudar o modelo de cooperação a ser aplicado no caso.

A Carta de Intenções deixa claras as áreas definidas para a futura cooperação espacial entre os dois países.

Veja, a seguir, a íntegra da Carta de Intenções, assinado em 9 de dezembro passado, em meio às comemorações pelo sucesso do lançamento do CBERS-4 e pelo desempenho preciso em sua entrada em órbita, em seus primeiros testes e nas suas primeiras imagens enviadas à Terra.    

Carta de Intenções entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Administração Nacional Espacial da China (CNSA) sobre a Cooperação em Novos Satélites

A Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Administração Nacional Espacial da China (CNSA), doravante denominadas “Partes”,

Recordando o Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Popular da China sobre Cooperação no Uso Pacífico da Ciência e Tecnologia Espaciais, assinado em Pequim no dia 8 de novembro de 1994;

Recordando o Protocolo sobre Cooperação em Tecnologia Espacial entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Popular da China, assinado em Brasília no dia 21 de setembro  de 2000;

Recordando a Política de Parceria Estratégica Global adotada pelos dois países, de acordo com a Declaração Conjunta assinada pela Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, e pelo Primeiro Ministro da China, Wen Jiabao, no Rio de Janeiro, no dia 21 de junho de 2012;

Recordando o Plano de Cooperação Espacial 2013-2022 entre a AEB e a CNSA, assinado em Guangzhou, no dia 6 de novembro de 2013;

Considerando a intensão das Partes de promover o papel da tecnologia espacial no desenvolvimento social, econômico e cultural dos dois países;

Considerando o significado e a influência do Plano Decenal Sino-Brasileiro de Cooperação Espacial no futuro da parceria espacial entre os dois países;

Tendo em vista o propósito de manter a continuidade do Programa CBERS de Satélites

e

levando em conta o sucesso dos lançamentos do CBERS-1, CBERS-2, CBERS-2B e CBERS-4,

As Partes concordam no que se segue:

1. Cooperação para o Satélite CBERS-4A

As Partes concordam em desenvolver em conjunto o Satélite CBERS-4A. O desenvolvimento do CBERS-4A terá como base os seguintes princípios:

(a) A participação de cada Parte no esforço de desenvolvimento e no investimento necessário permanecerá idêntico à ocorrida nos Satélites CBERS-3 e CBERS-4, ou seja, 50% para o Brasil e 50% para a China;

(b) A montagem, integração e teste do Satélite CBERS-4A serão realizados no Brasil;

(c) O lançamento do Satélite CBERS-4A terá lugar na China.

A decisão final sobre a cooperação para o desenvolvimento do Satélite CBERS-4A deverá basear-se na conclusão dos procedimentos internos de aprovação em cada país.

2. Cooperação para a Nova Geração de Satélites

(a) As Partes concordam em realizar estudos para desenvolver nova geração de satélites, incluindo a definição das missões, com base nos respectivos planos espaciais estratégicos de cada país.

(b) O Grupo de Trabalho do Plano Decenal de Cooperação Espacial será responsável pelos estudos sobre o plano de cooperação dedicado à nova geração de satélites e deverá reportar prontamente os resultados de seu trabalho para permitir a assinatura de acordos no momento necessário.

3. Cooperação em Aplicações de Dados de Satélite

(a) As Partes concordam em promover a cooperação em aplicações dos dados do Satélite CBERS-4 e da nova geração de satélites, bem como levar adiante a expansão da distribuição internacional dos dados do CBERS e executar a política de aplicações.

(b) As Partes concordam em organizar um Grupo de Trabalho para estudar o modelo de cooperação para aplicações dos dados de satélite.

Esta Carta de Intenções entra em vigor na data de sua assinatura.

Esta Carta de Intenções não cria obrigações legais para as Partes, tanto no direito interno quanto no direito internacional.

Assinado em Pequim, no dia 9 de dezembro de 2014, nas versões em inglês e chinês, ambas igualmente autênticas. Em caso de qualquer divergência de intepretação, prevalecerá a versão em inglês.

Pela Agência Espacial Brasileira            Pela Administração Nacional Espacial da China
  José Raimundo Braga Coelho                                        Xu Dazhe

* Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira.
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IAE: queima do Motor Foguete Híbrido H1

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IAE realiza Campanha de Ensaio de Queima do Motor Foguete Híbrido - H1

17/12/2014

O Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) realizou, no período de 17 a 25 de novembro, catorze ensaios de queima do motor foguete a propulsão híbrida (H1) no banco de ensaios do Laboratório de Propulsão Líquida da Divisão de Propulsão Espacial (APE). Esta segunda campanha testou o desempenho de diferentes combustíveis como a parafina, o HTPB e a cera apícola, todos combinados com o oxigênio gasoso. O desempenho do motor foguete H1 foi considerado satisfatório, pois validou o projeto dos sistemas de injeção e ignição modificados em consonância com os requisitos de funcionamento do motor, e ratificou os parâmetros propulsivos mais importantes como vazão mássica dos propelentes, pressão na câmara de combustão, empuxo e velocidade característica do propelente.

Objetivos:
O motor H1 tem entre os principais objetivos a capacitação do IAE no desenvolvimento da tecnologia de propulsão híbrida e o treinamento da equipe responsável pelos ensaios do Laboratório de Propulsão Líquida. O projeto tem como objetivos secundários desenvolver e testar tecnologias ou componentes como injetores, proteções térmicas, combustíveis não tóxicos e não poluentes e ignitores pirotécnicos, além de fomentar a formação acadêmica dos bolsistas PIBIC/IAE e doutorandos do ITA.

Descrição:
O princípio de funcionamento do motor híbrido se baseia na injeção de oxigênio gasoso no interior da câmara de combustão, onde se encontra o combustível sólido. O processo de combustão é iniciado por ignitores pirotécnicos gerando pressões da ordem de 15 bar e empuxo de 1 kN. O vídeo resume as atividades que marcaram esta segunda campanha de ensaios do motor H1.

Apoio:
O projeto é apoiado financeiramente pela ação transversal MCT/CNPq/AEB nº 33/2010 - Formação, Qualificação e Capacitação de RH em Áreas Estratégicas do Setor Espacial, no valor de R$ 216.000,00, aplicados na aquisição de insumos e componentes do motor e para equipar o bancos de teste da APE com sistema de linha de fogo, sensores e válvulas, além de permitir a contratação de bolsistas de desenvolvimento tecnológico.

No IAE a campanha contou com a colaboração da Divisão de Química, parceira no projeto, responsável pelo desenvolvimento de processos de manufatura dos combustíveis, carregamento e integração dos blocos ao tubo motor e montagem da tubeira de grafite; da Divisão de Mecânica, responsável pela usinagem de diferentes componentes do motor H1 e da Divisão de Integração e Ensaios, responsável pelo monitoramento das temperaturas na tubeira através de câmera térmica e pelos registros em vídeo dos ensaios. Na Divisão de Propulsão Espacial a APE-X, desenvolveu o sistema pirotécnico, executando o carregamento, instalação dos ignitores e operação da linha de fogo; o grupo do projeto L75 apoiou tecnicamente o projeto e a campanha do motor H1 e finalmente a APE-E que geriu e disponibilizou seus recursos humanos e infraestrutura de testes para a realização dos ensaios em banco com a supervisão da Coordenadoria de Segurança, DIR-CS.

Fonte: IAE/DCTA
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