quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Nova câmera da Opto Eletrônica
A leitura do Diário Oficial da União nas últimas semanas do ano costumam trazer informações interessantes sobre novos negócios e contratos fechados pelo governo. Na edição de 16 de dezembro, por exemplo, foi publicado um extrato de dispensa de licitação prevendo o fornecimento pela Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), de uma nova câmera espacial para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), negócio avaliado em pouco mais de R$ 9,5 milhões. O extrato tem por objeto o "fornecimento, sob risco tecnológico, de tecnologias de banda SWIR, de telescópio TMA (Three Mirror Anastigmat ou Anastigmático de Três Espelhos) e de estruturas em carbeto de silício (SiC), acompanhadas de Protótipo de uma Câmera Multiespectral VISWIR".
De acordo com o apurado pelo blog Panorama Espacial, o desenvolvimento da nova câmera representará um grande desafio tecnológico, razão pela qual a contratação deverá ser feita por meio da Lei nº 10.973/04, conhecida como a Lei de Inovação, que flexibiliza certas exigências da Lei nº 8.666/93 ("Lei de Licitações").
A câmera será multiespectral, com onze bandas, e sua resolução será de 20 metros, similar a da MUX, que dotará os satélites CBERS 3 e 4. Nesta primeira fase, será contratado um modelo completo, embora não qualificado para voo ao espaço. A expectativa é que ao menos três modelos de voo sejam contratados no futuro para servirem de cargas úteis de satélites de observação construídos pelo INPE.
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Depois do Chile, o Peru
O lançamento bem-sucedido do satélite chileno SSOT (também chamado localmente de FASat-Charlie) na semana passada teve repercussão em várias nações sul-americanas, em especial no Peru, país com o qual o Chile mantém tensas relações diplomáticas há mais de um século.
Em entrevista concedida para o jornal peruano "La Primera", reproduzida pelo website Infoespacial, o chefe da Comisión Nacional de Investigación y Desarrollo Aeroespacial (CONIDA), autoridade espacial peruana, Cel. Enrique Pasco Barriga, afirmou que o governo do Peru deverá optar por um satélite mais capaz que o chileno.
"Estou seguro que o Peru optará por um sistema de melhores características. Sejamos positivos e bem-intencionados", afirmou. A intenção do país andino é dispor de um satélite de observação com resolução superior a 2,5 metros (idealmente, em torno de 1 metro), com vida útil de sete anos ou mais, e capacidade de imagear áreas de interesse para prevenção de desastres naturais.
O interesse peruano em dispor de um satélite de observação existe já há vários anos. Nos últimos tempos, uma decisão sobre o fabricante a ser selecionado chegou a ser considerada iminente, com o assunto estando nas instâncias mais altas do governo. Empresas europeias, como a EADS Astrium (fabricante do SSOT), a Thales Alenia Space e a SSTL são consideradas fortes candidatas para a construção do satélite e infraestrutura terrestre, num negócio que deve envolver de 80 a 100 milhões de dólares.
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Mensagem de Final de Ano
O blog Panorama Espacial deseja aos seus leitores, amigos e colaboradores votos de Feliz Natal e um ótimo 2012.
Este é o momento para também agradecer a todos os leitores e colaboradores pelo interesse, participação e reconhecimento. Esperamos seguir no mesmo caminho em 2012.
André M. Mileski
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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Ensaio de subsistema de pára-quedas do SARA
Projeto Sara testa seu sistema de pára-quedas
21-12-2011
Em 16 de dezembro de 2011, integrantes da Divisão de Ensaios do IAE (AIE) em conjunto com a equipe do Projeto Sara, com apoio da Divisão de Mecânica e de representantes das empresas CENIC e Orbital realizaram com sucesso o ensaio de qualificação do Sistema de Recuperação do veículo Sara Suborbital. O teste foi realizado no interior do Prédio de Integração de Lançadores (PIL), que reunia as condições adequadas de altura para o desdobramento dos pára-quedas, e foi monitorado por um sistema de filmagem de alta velocidade.
O responsável pelo ensaio, o Eng. Claudinei (AIE), avaliou o evento da seguinte forma: “- A proposta de um ensaio de abertura dinâmica dentro de um prédio foi algo inédito, nunca tentado antes no IAE, o que sempre gera grande apreensão quanto aos resultados. Assim, além da qualificação do sistema de pára-quedas, também o ensaio estava sendo qualificado. Como fatores complicadores adicionais tinha-se a utilização de um dispositivo de alta pressão e a alta energia do dispositivo de liberação, o que nos obrigou a envolver o Setor de Segurança do instituto. Felizmente, o ensaio correu como esperado e valiosas informações foram coletadas para análise”.
O Subsistema de Recuperação é composto por quatro pára-quedas: uma aba piloto, um pára-quedas de arrasto e dois pára-quedas principais. O ensaio foi realizado em duas etapas, a primeira envolvendo a aba piloto e o pára-quedas de arrasto e a segunda produzindo a abertura dos pára-quedas principais.
O bolsista Breno, membro da equipe Sara que participou do ensaio, ressaltou o espírito de cooperação entre os participantes: “- Foi um verdadeiro trabalho de equipe. Todos colaboraram: tivemos que fabricar dispositivos, mudar a maneira de prender o contrapeso na torre, montar a iluminação para a filmagem, armar o dispositivo de liberação, dobrar os pára-quedas, fazer ajustes, verificar todas as condições de segurança. Não foi fácil, mas tudo funcionou no final”.
Na opinião do Dr. Luís Loures, gerente do projeto, esse foi um grande fechamento para um ano de muito trabalho: “- É um verdadeiro prazer chegar ao final do ano com estes resultados, mesmo porque o Sistema de Recuperação, devido à sua natureza, sempre foi o maior desafio do projeto, tendo convergido literalmente muito mais por ensaios do que por cálculos”.
Com este ensaio, o IAE chega mais próximo à meta de lançamento em 2012, muito embora estejam previstas algumas repetições do ensaio realizado. Segundo Loures, isso ocorre devido à influência do fator humano no subsistema: “- As nossas análises de risco revelaram que a maior probabilidade de falha decorre da ação humana, portanto nós estamos planejando diversas repetições para verificarmos o funcionamento do sistema e encaminhar ações corretivas, se necessário. Além disso, os resultados preliminares do ensaio demonstram que ainda há espaço para um ajuste no projeto e para o aperfeiçoamento do ensaio propriamente dito”.
Fonte: IAE/DCTA
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Uma agenda espacial para a Rio + 20
José Monserrat Filho
21-12-2011
“O uso da informação geoespacial oportuna e de qualidade obtida de fonte espacial em prol do desenvolvimento sustentável nos campos da agricultura, avaliação do desflorestamento, gestão dos desastres, luta contra a seca e ordenamento dos solos podem proporcionar benefícios consideráveis à sociedade.”
Relatório do Comitê das Nações Unidas para o Uso Pacífico do Espaço, 21 de março de 2011
O “Documento de Contribuição Brasileira à Conferência Rio + 20”, lançado pelo Ministério do Meio Ambiente em 1º de novembro de 2011, embora amplo e abrangente, estranhamente não inclui um capítulo sobre as atividades espaciais, que desempenham papel tão relevante em qualquer programa de desenvolvimento sustentável, tema central do encontro.
Mas, do ponto de vista internacional, não há como ignorar o quanto se tornou indispensável o uso das tecnologias espaciais para garantir, em aspectos essenciais, o desenvolvimento sustentável de todos os países.
A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) promoveu, em 11 de outubro deste ano, seu 5º painel de debates preparatórios à Rio + 20. A série de painéis, realizados de 2007 a 2011, discutiu questões centrais da sustentabilidade: os instrumentos espaciais e as soluções para a questão das mudanças climáticas; as aplicações espaciais e a segurança alimentar; o espaço para a saúde global – as tecnologias espaciais e as pandemias; e o espaço e as situações de emergência.
O evento de 2011 concentrou-se nas contribuições do Comitê da ONU para o Uso Pacífico do Espaço Exterior (COPUOS, em sua sigla em inglês).
Gilberto Câmara, diretor geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), participou do painel de outubro passado, com apresentação muito apreciada sobre o uso de dados de satélite na produção de alimentos e no monitoramento de florestas.
Com o mesmo objetivo, o Programa Mundial de Alimentos, da ONU, acolherá em Roma, de 7 a 9 de março de 2012, uma reunião sobre atividades espaciais (Inter-Agency Meeting on Outer Space Activities – IAM), na qual haverá um encontro especial aberto sobre a relação entre o espaço exterior e a segurança alimentar.
O Escritório da ONU para Assuntos Espaciais (United Nations Office for Outer Space Affairs – OOSA), junto com outros organismos da ONU, prepara o relatório do Secretário Geral sobre a coordenação das atividades espaciais do sistema da ONU no biênio 2012-2013. O relatório, a ser adotado na reunião de Roma e submetido à próxima reunião do COPUOS, em junho, em Viena, dará especial atenção ao uso de dados de satélite para o desenvolvimento sustentável, visando a Rio + 20 e o que vier depois.
Para Mazlan Othman, diretora do Escritório da ONU para Assuntos Espaciais e diretora geral adjunta do Escritório da ONU em Viena (United Nations Office in Vienna – UNOV), “é evidente que que a Rio + 20 tem influenciado muito o trabalho do COPUOS e, certamente, terá importante impacto sobre suas próximas tarefas.
Mazlan lembra que o Brasil, sede da Conferência, foi quem propôs no COPUOS, em 2006, o tema da “Cooperação Internacional para Promover o Uso de Dados Geoespaciais de Fonte Espacial em Benefício do Desenvolvimento Sustentável”, discutido ao longo de três anos, que resultou no relatório A/AC.105/973, acessível pelo site da OOSA (<http://http//www.oosa.unvienna.org/>;). Uma série de recomendações desse relatório – acrescenta Mazlan – foi utilizada nas contribuições elaboradas pelo COPUOS para a Rio + 20.
Ela também elogia a sugestão brasileira incluída na Resolução da Assembleia Geral da ONU de 9 de dezembro passado (A/RES/66/71) de que o Grupo de Observação da Terra (GEO) seja convidado para participar da preparação da Rio + 20. A iniciativa veio reforçar a ideia de se organizar um evento na própria conferência ou paralelo a ela, capaz de reunir os círculos amplamente comprometidos com o desenvolvimento sustentável e as entidades envolvidas com atividades espaciais.
Para Mazlan, tal encontro poderia ser extremamente rico de opiniões e propostas sobre como tornar mais visíveis e efetivos os instrumentos espaciais, e, em especial, os dados de satélite, numa conferência tão influente quanto a Rio + 20.
Cabe salientar ainda, em defesa da adoção de uma robusta agenda espacial para a Rio + 20, a proposta apresentada pelo Brasil no âmbito do Programa da ONU para o Meio-ambiente (UNEP), em novembro último, de criação de um acordo internacional, fixando o direito de acesso à informação sobre o meio ambiente, baseado no Princípio 10 da Declaração da Conferência do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, que reza:
“O melhor modo de tratar as questões ambientais é com a participação de todos os cidadãos interessados, em vários níveis. No plano nacional, toda pessoa deverá ter acesso adequado à informação sobre o ambiente de que dispõem as autoridades públicas, incluída a informação sobre os materiais e as atividades que oferecem perigo a suas comunidades, assim como a oportunidade de participar dos processos de adoção de decisões. Os Estados deverão facilitar e fomentar a sensibilização e a participação do público, colocando a informação à disposição de todos. Deverá ser proporcionado acesso efetivo aos procedimentos judiciais e administrativos, entre os quais o ressarcimento de danos e recursos pertinentes.”
A proposta brasileira ganhou o apoio do “Eye on Earth Summit” (Conferência de Cúpula De Olho na Terra), promovida pelo governo dos Emirados Árabes Unidos (UAE), com o apoio da UNEP, em Abu Dhabi, de 12 a 15 de dezembro passado.
Como comentou nessa conferência Lucy Wariuingi, do Centro de Conservação Africana, de Quênia, já existem muitas plataformas espaciais de informação ambiental, mas isso não significa, necessariamente, que as pessoas tenham acesso a elas.
Por essas e outras, não é sustentável o pressuposto de que a Rio + 20 possa passar ao largo de tão claras demandas espaciais de praticamente todos os países.
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Declaração da ONU sobre Cooperação Espacial Internacional
domingo, 18 de dezembro de 2011
Pléiades 1 e SSOT em órbita

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Imagens COSMO-SkyMed para a Colômbia
Astrium, Pléiades e SSOT
Seis satélites da Astrium prontos para entrarem em órbita
Pela primeira vez, seis satélites desenvolvidos pela Astrium serão colocados em órbita em um único lançamento, que acontece hoje (16), a partir da base de Kourou, na Guiana Francesa.
A Astrium, líder europeu do setor espacial, é o principal contratante dos seis satélites a serem lançados hoje, 16 de dezembro, no segundo voo do foguete Soyuz que partirá da base de Kourou, na Guiana Francesa. Será a primeira vez na história em que seis satélites construídos pela Astrium serão colocados em órbita ao mesmo tempo, utilizando um dispensador também desenvolvido pela empresa.
O satélite de observação da Terra Pléiades 1a é o primeiro de uma constelação de dois satélites de alta resolução, voltado para aplicações civis e militares. Tanto ele quanto o Pléiades 1b - previsto para ser lançado dentro de aproximadamente um ano - foram construídos pela Astrium para a Agência Espacial Francesa a partir de sua planta sediada em Toulouse.
Uma vez em órbita, Pléiades 1a será capaz de observar qualquer ponto do planeta com revisita diária. Seus principais diferenciais são agilidade (uma vez que ele pode ser rapidamente direcionado para qualquer ponto dentro de um raio de 1500 km de sua posição), acessibilidade (potencial de captar diariamente até 450 imagens ou uma área de 180.000 km2, equivalente à metade da região da França) e precisão (geração de imagens com 70 cm de resolução espacial, podendo chegar a uma resolução de 50 cm por reamostragem).
O Pléiades 1 conta ainda com cinco modos de aquisição de dados e um sistema de produção capaz de gerar automaticamente a cada 30 minutos produtos ortorretificados com extensão de 20km x 20km.
A Astrium Services é o operador civil e distribuidor exclusivo dos produtos Pléiades. Com o satélite, a empresa se torna o primeiro operador apto a oferecer a seus clientes uma ampla gama de produtos de diferentes resoluções (de média a altíssima resolução), incluindo dados de satélites ópticos e por radar.
A Agência Francesa de Aquisição de Material de Defesa (DGA) lançou o projeto Elisa para demonstrar a capacidade de mapeamento e caracterizar as emissões de radar a partir de qualquer ponto do planeta. A DGA, que é co-proprietária do programa junto com a Agência Espacial Francesa, concedeu à Astrium Satellites e à Thales Systèmes Aéroportés o contrato para desenvolvimento de quatro satélites baseados na plataforma Myriade.
Já o SSOT (Sistema Satelital para Observação da Terra) é o mais recente sistema de observação geoespacial entregue pela Astrium Satellites, maior exportador mundial do mercado de observação da Terra. O satélite, que foi encomendado pelo governo do Chile no final de 2008, foi totalmente desenvolvido pela Astrium em apenas dois anos. Ele inclui tanto o satélite quanto a parte de atividades operacionais em solo, com base em Santiago. O satélite é baseado em duas famílias de produtos: Myriade (desenvolvida em conjunto com a Agência Espacial Francesa) e Naomi (utilizadas pela Astrium para diversas missões com foco em imagens ópticas).
Fonte: Astrium, com edição do blog.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
SGB, Embraer e Telebras
Na última terça-feira (13), no tradicional almoço de final de ano da Embraer, Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança comentou com o blog Panorama Espacial sobre o status das negociações relacionadas ao Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB). Segundo o executivo, os documentos para a constituição da joint-venture com a estatal Telebras estão em processo final de preparação, e a expectativa é que a conclusão e início da operação da empresa ocorra em breve.
Questionado pelo blog sobre o papel que a Atech no SGB, empresa em que a Embraer detém 50% de participação, adquirida em abril desse ano, Aguiar afirmou que a empresa terá função essencial no projeto, tendo em vista sua experiência com outros projetos na área espacial. A Atech, que possui grande expertise em integração de sistemas, foi responsável pelo projeto do Sistema de Proteção e Vigilância da Amazônia (SIPAM/SIVAM), e também foi recentemente contratada pelo Comando do Exército e Comando da Marinha para a elaboração dos projetos básicos do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), e Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz).