Mostrando postagens com marcador Cenic. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cenic. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Mais informações sobre o programa VLM-1

.
.
O mais aguardado acontecimento em 2016 em se tratando de lançadores se deu na semana passada, com a contratação da produção de oito motores S50, que serão utilizados nos voos do veículo VS-50 e da primeira versão do VLM-1, ambos em desenvolvimento pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA), em parceria com a indústria (sobre a assinatura, veja as notas divulgadas pela Agência Espacial Brasileira e pelo IAE/DCTA).

Apresentamos a seguir alguns bullet points com informações sobre o contrato e o programa VLM-1:

Ineditismo. O contrato firmado com a Avibrás é de grande relevância pelo seu caráter inédito, uma vez que foi o primeiro contrato de produção de propulsores de lançadores firmado junto à indústria nacional no Brasil - não sem motivo a nota divulgada pela Agência Espacial Brasileira faz referência à assinatura como uma "data histórica para o Programa Espacial Brasileiro". O processo de contratação dos motores durou pouco mais de um ano e teve várias reuniões e rodadas de negociações. A única ofertante foi a Avibrás Divisão Aérea e Naval S.A., que apresentou sua proposta revisada em novembro.

Expertise da Avibrás em foguetes. O envolvimento da Avibrás, mundialmente conhecida pelo sistema militar ASTROS, com foguetes de sondagem e lançadores não é novo. Nas décadas de setenta e oitenta, a empresa participou do desenvolvimento de foguetes da família SONDA. Mais recentemente, desenvolveu o Foguete de Treinamento Básico (FTB) e o Foguete de Treinamento Intermediário (FTI) para o IAE, frequentemente utilizados para testes, qualificação e treinamento de equipes nos centros de lançamento de Alcântara e da Barreira do Inferno. A Avibrás é a única fabricante privada brasileira de perclorato de amônio, um dos componentes do propelente sólido dos motores que equipam grande parte dos projetos de foguetes nacionais. No final de 2014, foi também beneficiada com recursos de subvenção do programa Inova Aerodefesa, da FINEP, para desenvolvimento de tecnologia para o VLM-1.

Envolvimento da indústria nacional. A Avibrás não é a única indústria nacional envolvida com o VLM-1. A CENIC e a JTDH Engenharia, ambas de São José dos Campos (SP), foram selecionadas em 2014, respectivamente, para subvenções no âmbito do Inova Aerodefesa para o desenvolvimento de módulos inter-estágios e estruturas, e das redes elétricas do VLM-1. Novas contratações, locais e no exterior, serão necessárias para a conclusão do projeto e realização do primeiro voo.

Recursos no orçamento. Em entrevista concedida à Tecnologia & Defesa no início de dezembro, o brig. Augusto Luiz de Castro Otero, diretor do IAE, destacou a importância de 2017 para o VLM-1, fazendo referência à previsão orçamentária: "O ano de 2017 será de grande importância para o projeto VLM-1, por estar previsto o início da fabricação dos motores S50 e a consolidação do projeto completo do veículo. Para o atingimento destas metas, a Proposta de Lei Orçamentária Anual de 2017 prevê um aporte de mais de R$ 30.000.000,00, grande parte dedicados à contratação da produção dos S50."

Parceria com a Alemanha. O VLM-1 é mais um dos projetos em que o IAE coopera com a Alemanha, dando continuidade a um relacionamento de mais de quatro décadas, com destaque para iniciativas envolvendo foguetes suborbitais (VS-30 e VSB-30). Segundo o brig. Otero, "a participação do DLR no projeto VLM-1 é também importante para a execução de várias atividades técnicas e de fornecimento de sistemas do veículo." Destaque-se também o envolvimento de empresas da Alemanha, como a MT Aerospace, do grupo OHB System, que tem trabalhado na estrutura em fibra de carbono do motor S50.

Cronograma. De acordo com informações do diretor do IAE, o projeto VLM-1 no momento encontra-se na fase de definição de requisitos funcionais e técnicos, visando a consolidação do projeto completo no final de 2017. No planejamento do Instituto, está programada a realização de ensaios de qualificação de todos os sistemas, inclusive o motor S50, ao longo de 2018, permitindo a execução dos primeiros voos de qualificação do motor, dos sistemas embarcados, e do veículo VLM-1 em si, ao longo de 2019. Por sua vez, o contrato de produção do S50 tem prazo previsto para execução de 26 meses.
.

quinta-feira, 17 de março de 2016

SGDC: recursos da FINEP para a CENIC

.
Finep aprova R$ 4 milhões para Cenic equipar satélite brasileiro

Publicado em 16 Março 2016

A Cenic, uma das responsáveis por equipar o satélite geoestacionário brasileiro de defesa e comunicações estratégicas, teve aprovado R$ 4 milhões em Subvenção Econômica a partir de edital que envolveu a Finep e a Agência Espacial Brasileira (AEB). Com os recursos, dois painéis estruturais serão desenvolvidos para suportar as baterias do satélite no ar, que deve ser colocado em órbita no segundo semestre de 2016 pela empresa Arianespace.

Além da Cenic, Fibraforte, Orbital Engenharia, Equatorial Sistemas AEL Sistemas, dentre outras, também foram empresas selecionadas. O edital previa ao todo a aplicação de R$ 53 milhões em recursos não reembolsáveis.

Satélite geoestacionário

A iniciativa começou no fim de 2013 e envolveu os ministérios das Comunicações, da Defesa e da Ciência, Tecnologia e Inovação, além da própria Finep, que apoiou o projeto com R$ 240 milhões. O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) brasileiro é um projeto em construção em Cannes, na França, fabricado pela Thales Alenia Space (TAS).

Supervisionado pela Visiona Tecnologia Espacial, em parceria com a Embraer e Telebras, o equipamento pesa 5,8 toneladas e vai garantir conexão com a internet mesmo nos municípios mais distantes do país, ampliando o acesso Banda Larga. Além de permitir cobrir áreas isoladas com internet, ele deve garantir mais segurança às comunicações estratégicas do governo federal, reforçando a rede terrestre de autarquia, atualmente com 28 mil km de extensão e presente em todas as regiões brasileiras.

O satélite, que custou R$ 2,2 bilhões ao todo, passará por um período de ajustes e testes e começará sua operação em definitivo no início de 2017. Ele ficará posicionado a uma distância de mais de 35 mil quilômetros da superfície da Terra.

Fonte: FINEP
.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Satélite SGDC será lançado com painel fabricado no Brasil

.
Satélite SGDC será lançado com painel fabricado no Brasil

09/03/2016

A Thales Alenia Space é a responsável pela entrega do satélite SGDC-Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas para o governo brasileiro, por meio de um contrato com a Visiona, empresa brasileira integradora de sistemas espaciais. Frente ao desafio de entregar o satélite a tempo, em vista da dificuldade em desenvolver ou qualificar novos parceiros, a Thales Alenia Space assinou contrato com a empresa CENIC, com sede em São José dos Campos (SP). O objetivo também foi envolver empresas brasileiras no desenvolvimento do conteúdo do satélite.

Após a conclusão do teste de qualificação, o painel estrutural desenvolvido pela CENIC foi integrado ao satélite SGDC. A entrega no prazo, incluindo a integração com o satélite, representou um grande desafio, tanto para a CENIC como para a Thales Alenia Space.

Com o suporte financeiro e técnico da AEB (Agência Espacial Brasileira), a CENIC foi capaz de construir um painel “sanduíche” de alumínio para ser integrado como painel de suporte da bateria para o satélite SGDC.

O fato representa o primeiro passo para uma bem-sucedida integração de peças brasileiras em um satélite construído pela Thales Alenia Space. Com outros contratos de Transferência de Tecnologia já assinados pela Thales Alenia Space, participações brasileiras com tecnologias de ponta podem ser esperadas no futuro para satélites de observação ou de comunicações.

“Estamos muito orgulhosos por fazermos parte do programa SGDC e de termos sido capazes de entregar no prazo um painel para ser lançado em breve”, disse Francisco Diaz, Diretor da CENIC.

“Este painel demonstra o compromisso da Thales Alenia Space de apoiar o desenvolvimento da indústria brasileira com tecnologias atuais, em parceria com o governo brasileiro”, disse Joel Chenet, Vice-Presidente Sênior e representante da Thales Alenia Space no Brasil.

“Com esse projeto a Thales fixa definitivamente o Brasil e a América Latina no mapa das suas estratégias globais, impulsionando o desenvolvimento aeroespacial na região. Isso representa também um passo muito importante no seu objetivo de duplicar a presença da companhia na América Latina até 2019”, afirmou Ruben Lazo, vice-presidente da Thales na América Latina.

Fonte: CDN, assessoria da Thales Alenia Space no Brasil.
.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Indústria espacial: 2016 melhor que 2015

.
Ainda que muito aquém do ideal, para a indústria espacial brasileira, o ano de 2016 começou melhor do que 2015, um contraste em relação às perspectivas para a economia brasileira ao longo deste ano. Duas iniciativas conduzidas pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) destinarão recursos para a indústria superiores a R$56 milhões - montante relativamente irrisório para o setor, mas suficiente para manter certa carga de trabalho junto à base industrial espacial local.

No último dia de 2015, a AEB assinou com a Thales Alenia Space France cinco contratos para transferência tecnológica no âmbito do processo de absorção tecnológica do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), num valor aproximado de R$31,5 milhões. Serão beneficiadas a Fibraforte, Orbital Engenharia, Equatorial Sistemas e CENIC, de São José dos Campos (SP), e a AEL Sistemas, de Porto Alegre (RS), conforme os contratos abaixo:

- Contrato Tripartite para Transferência de Tecnologia Espacial em Subsistemas de Controle Térmico, no valor de R$3.257.206,63 - Equatorial Sistemas;
- Contrato Tripartite para Transferência de Tecnologia Espacial em Subsistemas de Propulsão, no valor de R$4.928.667,93 - Fibraforte;
- Contrato Tripartite para Transferência de Tecnologia Espacial em Estruturas Mecânicas à Base de Fibra de Carbono para Carga Úteis de Observação da Terra, no valor de R$5.785.827,57 - CENIC;
- Contrato Tripartite para Transferência de Tecnologia Espacial em Subsistemas de Potência e Painéis Solares, no valor de R$15.863.233,80 - Orbital Engenharia;
- Contrato Tripartite para Transferência de Tecnologia Espacial em Tecnologia e Componentes FPGA e ASIC para Aplicações Espaciais Embarcadas, no valor de R$1.671.461,30 - AEL Sistemas.

A seleção pública do Programa PIPE/PAPPE, com recursos estaduais (FAPESP) e federais (FINEP), coordenado pelo INPE e com prazo limite para entregas de propostas em 4 de abril, é outro programa que trará investimentos à indústria. Serão disponibilizados inicialmente recursos da ordem de R$25 milhões para a indústria espacial paulista, valor que poderá até mesmo dobrar.

Também há expectativa de alguns contratos relativos ao programa CBERS e Amazônia-1 ao longo de 2016, conforme indicado por Leonel Perondi, diretor do INPE, em recente entrevista concedida ao blog Panorama Espacial e que em breve será publicada.
.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

SGDC: resultado final do edital de transferência de tecnologia

.
Finep divulga resultado final do edital Transferência de Tecnologia do SGDC

30 de Novembro de 2015

A Finep acaba de divulgar o resultado final da chamada pública Transferência de Tecnologia do SGDC – 01/2015, com recursos de subvenção econômica à inovação. Foram recebidas 20 propostas, sendo sete classificadas e cinco selecionadas na etapa final. A Finep encaminhará, em seguida, a minuta dos contratos para as empresas com proposta selecionada. As companhias têm o até 15/12/15 para devolução das minutas assinadas por seus representantes legais, bem como o atendimento de eventuais condicionantes para contratação.

Das 5 empresas, uma é do Rio Grande do Sul e quatro de São Paulo. O valor total de subvenção econômica é de R$ 22,5 milhões, e o de contrapartida das empresas, R$ 2,9 milhões. O objetivo do edital é conceder recursos de subvenção econômica para apoiar projetos de empresas brasileiras referentes à transferência das tecnologias previstas no Acordo de Transferência de Tecnologia Espacial firmado entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a empresa Thales Alenia Space, no âmbito do Decreto nº 7.769, de 28/06/2012.

Fonte: FINEP

Nota do blog: foram selecionadas as seguintes propostas: (i) Fibraforte, que receberá R$10,966 milhões para o desenvolvimento de subsistema de propulsão monopropelente para pequenos satélites; (ii) Orbital Engenharia, que terá R$5 milhões para o desenvolvimento de subsistema de potência e geradores solares para satélites; (iii) Equatorial Sistemas, que receberá R$1,733 milhão para a transferência de tecnologia em controle térmico de satélites; (iv) CENIC Engenharia, que terá R$4 milhões para o desenvolvimento de estruturas mecânicas para cargas úteis de observação da Terra a base de fibra de carbono; e (v) AEL Sistemas, que terá R$798 mil para transferência de Tecnologias Espaciais em FPGA e ASIC.
.

sábado, 14 de novembro de 2015

SGDC: resultado preliminar de chamada da FINEP

.
Finep e AEB anunciam resultado preliminar de edital para setor aeroespacial brasileiro

Publicado em 11 Novembro 2015

A Finep e a Agência Espacial Brasileira (AEB) acabam de divulgar o resultado preliminar da chamada pública voltada para o setor aeroespacial, no valor de R$ 53 milhões. Com recursos de subvenção econômica, o edital abre a possibilidade de transferência tecnológica para que empresas nacionais participem cada vez mais do desenvolvimento de satélites no País. A iniciativa estava prevista no Acordo de Transferência de Tecnologia Espacial firmado entre a AEB e a empresa Thales Alenia Space, no âmbito do Decreto 7.769, de 28 de junho de 2012.

O edital contemplou os seguintes tópicos: (1) Subsistema de Propulsão – até R$ 11 milhões; (2) Subsistema de Potência e Painéis Solares – até R$ 5 milhões; (3) Subsistema de Controle Térmico: Engenharia de Sistemas e Qualificação de Interfaces – até R$ 2,2 milhões; (4) Tecnologia de cargas úteis ópticas de observação: Pacotes de trabalho 1 e 2 – até R$ 30 milhões; (5) Estruturas mecânicas para cargas úteis de observação da Terra à base de fibra de carbono – até R$ 4 milhões; (6) Tecnologia de componentes FPGA e ASIC para aplicações embarcadas – até R$ 800 mil.

A Finep recebeu, ao todo, 20 propostas. Nessa etapa preliminar, foram classificadas sete empresas, em cinco dos seis tópicos para os quais a financiadora, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), destinará recursos. Não houve empresas classificadas no tópico 4. As escolhidas foram: Fibraforte Engenharia Indústria e Comércio; Orbital Engenharia; Equatorial Sistemas; Cenic Engenharia Indústria e Comércio; Akaer Engenharia; AEL Sistemas; e Bradar Indústria.

Na seleção, foram levadas em consideração caraterísticas como histórico de projetos, capacidade técnica da equipe, infraestrutura adequada e montagem do plano de trabalho.  As empresas que não se enquadraram nos critérios mínimos poderão apresentar recurso até o dia 20 de novembro. O resultado definitivo será divulgado no dia 30.

Fonte: FINEP

Nota do blog: curioso o fato de não ter havido empresas classificadas no tópico "Tecnologia de cargas úteis ópticas de observação", que tinha a maior destinação do programa de subvenção (até R$ 30 milhões). Empresas como a Equatorial Sistemas e a Opto Eletrônica, esta em recuperação judicial, detém capacidade local em cargas uteis de observação. Também notada a ausência da Omnisys, do grupo Thales Alenia Space, responsável pela construção do SGDC, como uma das selecionadas no programa.
.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

VLM: recursos do Inova Aerodefesa

.
Nas últimas semanas, foram firmados alguns contratos entre a FINEP e as empresas que receberão recursos do programa Inova Aerodefesa. O desenvolvimento do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1), a cargo do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em parceria com a agência espacial alemã (DLR), é um dos projetos beneficiados.

No início de outubro, foi oficializado o contrato de subvenção econômica, na modalidade não reembolsável, firmado com a CENIC, de São José dos Campos (SP), no valor de pouco mais de R$6,2 milhões, para o desenvolvimento dos módulos inter-estágios (módulos de atuação nas tubeiras, de empenas) para o VLM-1. Em 22 de outubro, foi a vez de um contrato de cerca de R$5,637 milhões com a JTDH Engenharia para o desenvolvimento das redes elétricas do pequeno lançador nacional.

Mais recentemente, em meio aos rumores sobre sua venda para a Odebrecht Defesa e Tecnologia, que começaram a circular no mercado no início desse mês, a Avibras Indústria Aeroespacial teve seu contrato efetivado em 5 de novembro. Serão liberados R$4.658.477,00 até janeiro de 2017, específicos para o VLM-1.
.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Cooperação Brasil - Suécia: VLM

.
Sueca SSC vai construir base em Alcântara

05/11/2014

Por Virgínia Silveira | De Gothenburg e Satenäs (Suécia)

A SSC (Swedish Space Corporation) vai construir dois centros de lançamento para o foguete brasileiro VLM (Veículo Lançador de Satélites), em Alcântara, no Maranhão, e no Centro Espacial de Esrange, na Suécia. O primeiro passo para viabilizar o plano é assinatura de um acordo de parceria com o DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), que coordena o desenvolvimento do foguete. A assinatura deve ocorrer em dezembro.

O acordo, segundo o diretor do DCTA, brigadeiro do ar Alvani Adão da Silva, prevê o intercâmbio de informações e de recursos humanos na área de desenvolvimento e de operações de lançamento, assim como de tecnologias de propulsão espacial e de propelentes ecológicos, entre outros projetos. A parceria, ainda segundo o brigadeiro, é desdobramento de um acordo especial assinado entre as Agências Espaciais do Brasil (AEB) e da Suécia (SNSB), em fevereiro.

A responsável pela área de tecnologia da SSC, Anna Rathsman, disse planeja utilizar o VLM para o lançamento de micro e nanossatélites para o mercado europeu. A executiva afirmou que não tem uma projeção do mercado global para veículos na categoria do VLM, mas que uma estimativa inicial feita pela SSC prevê o lançamento de pelo menos dois foguetes por ano do Centro de Esrange.

Segundo o Valor apurou, por apresentar um baixo custo de produção e de complexidade técnica, além de um ciclo de desenvolvimento rápido, o VLM tem um mercado potencial superior a dez lançamentos por ano.

O diretor do DCTA disse a SSC já definiu o local para a construção do sítio de lançamento em Esrange. "Estudos já feitos por especialistas indicam a existência de um mercado promissor para o VLM, tendo em vista que não existe nenhum outro foguete dedicado para atender a essa faixa de mercado (lançamento de cargas úteis de 120 a 150 quilos)", afirmou.

Os concorrentes do VLM são foguetes de grande porte, que levam pequenos satélites de carona. O VLM teria um custo de lançamento baixo, inferior a US$ 10 milhões. Seu desenvolvimento é feito pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), órgão de pesquisa e desenvolvimento do DCTA, em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), que financia parte do projeto, avaliado em R$ 100 milhões.

O próximo passo do projeto do VLM é a contratação da fabricação da parte estrutural do motor foguete, o S50. A empresa Cenic já concluiu o projeto de desenvolvimento do motor. Feito em fibra de carbono, o S50 será o maior motor foguete já construído pelo IAE. A Avibras fez o estudo de viabilidade de carregamento do motor com propelente (combustível).

O DLR utiliza o foguete brasileiro VS-40 para o experimento científico Shefex, considerado o principal programa espacial da Alemanha. De acordo com o DCTA, os alemães querem utilizar o foguete VLM para o lançamento do experimento Shefex 3 (da sigla em inglês Sharp Edge Flight Experiment), que irá testar o comportamento de novos materiais e tipos de proteção térmica necessários para o desenvolvimento de tecnologia de voos hipersônicos e de veículos lançadores reutilizáveis.

O vice-diretor do IAE, coronel aviador Avandelino Santana Júnior, disse que o teste de qualificação em voo do VLM deverá acontecer em dois anos. A fabricação do foguete será feita pelo setor espacial brasileiro. Ele afirmou que o VLM é um foguete configurado para lançar micro e nanossatélites de sensoriamento remoto, experimentos científicos e com aplicação meteorológica em baixa altitude.

A SSC já mantinha um relacionamento próximo ao DCTA desde 2005, por meio da utilização dos foguetes de sondagem VSB-30 (desenvolvidos pelo IAE), que fazem o lançamento de cargas científicas e tecnológicas em ambiente de microgravidade.

Com faturamento de 524 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 71 milhões) por ano e mais de 600 funcionários, a SSC fornece serviços de gestão de satélite e de lançamento de foguetes e balões, além do desenvolver subsistemas para aplicações aeroespaciais.

Fonte: Valor Econômico.
.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

CBERS 4: e os testes continuam

.
CBERS-4 passa por testes na China

Segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Os testes de vibração acústica e senoidal do satélite CBERS-4 foram concluídos pelos especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST, na sigla em inglês). No dia 20 de junho, numa câmara acústica reverberante do centro chinês, em Pequim, o satélite sino-brasileiro foi exposto a ruídos acústicos semelhantes ao que enfrentará durante o lançamento, previsto para a primeira quinzena de dezembro.

Em seguida, entre os dias 21 e 23 de junho, com o CBERS-4 na configuração de lançamento, foram realizados testes de vibração nos três eixos para checar a robustez mecânica do satélite e seus subsistemas e a compatibilidade dinâmica com o foguete.

O CBERS-4 já havia passado por outra importante etapa quando, pela primeira vez, o Gerador Solar (SAG) e o satélite foram integrados e testados conjuntamente, durante ensaio realizado no dia 17 de junho.

O SAG, responsável por captar a luz do Sol e convertê-la em energia elétrica, essencial para o funcionamento de todos os sistemas e subsistemas que compõem o satélite, foi enviado à China no início de maio. Com mais de 16 metros quadrados, o gerador que pesa apenas 55 quilogramas foi fabricado pelas empresas brasileiras Cenic e Orbital.

Antes de ser integrado ao corpo principal do satélite, o SAG foi submetido a diversos testes elétricos, de abertura e inspeções visuais, para garantir que não sofreu danos durante o transporte. Para realizar os testes dos painéis do SAG é necessário mantê-lo suspenso a um trilho através de pontos de fixação para também simular a sua abertura quando em órbita. Em seguida, o SAG foi conectado mecânica e eletricamente ao satélite para ambos serem submetidos aos testes de vibração acústica e senoidal.

As próximas atividades serão a retirada dos painéis solares e realização de uma nova checagem dos alinhamentos e a preparação do satélite para o teste em câmara termovácuo.

Uma equipe do INPE está na China e, junto aos técnicos daquele país, trabalha para o lançamento deste que é o quinto satélite desenvolvido pelo Programa CBERS (sigla em inglês para Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres).

Montagem, integração e testes

No dia 11 de junho, foram concluídos os ensaios que verificam a autocompatibilidade do satélite e a sua compatibilidade eletromagnética com o veículo lançador. Esses testes são necessários para comprovar que um equipamento do satélite não provoca perturbações eletromagnéticas em outro. Além disso, são avaliadas possíveis interferências entre o satélite e o foguete. A impossibilidade de reparo em órbita torna imprescindível a simulação em Terra de todas as condições que o satélite irá enfrentar desde o seu lançamento até o final de sua vida útil no espaço.

As atividades de balanceamento e medidas de propriedades de massa do CBERS-4 aconteceram no dia 12 de junho. O balanceamento é realizado para atender aos requisitos de posição de centro de gravidade estabelecidos pelo veículo lançador e pelo subsistema de controle de atitude e órbita. O conhecimento preciso das propriedades de massa do satélite é fundamental para o correto desempenho desse subsistema. Antes disso, no dia 7 de junho, foram realizados os testes elétricos do satélite sino-brasileiro.

As atividades de montagem, integração e testes (AIT) do satélite ocorrem no Centro Espacial da CAST, na China. O período de AIT serve para montar o modelo de voo do satélite, demonstrar seu bom funcionamento em condições ambientais semelhantes ao lançamento e órbita e identificar e corrigir eventuais problemas.

O AIT do CBERS-4 teve início em janeiro deste ano com o envio para a China da estrutura de carga útil do satélite, que antes estava no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, em São José dos Campos (SP). A estrutura do CBERS-4 foi projetada e fabricada pelas empresas brasileiras Cenic e Fibraforte.

Ainda em janeiro, os primeiros equipamentos de voo desenvolvidos, fabricados e testados pela indústria brasileira, juntamente com os equipamentos chineses, foram integrados à estrutura do satélite para que fossem iniciados os testes elétricos.

Devido à complexidade do satélite, os testes elétricos foram realizados por ‘Estados’, chamados de A, B, C e D. O satélite foi progressivamente integrado e testado em cada um de seus Estados.

Após submetido a todos os testes ambientais em infraestruturas especiais (câmaras anecóica, acústica e termovácuo), o satélite estará pronto para a campanha de lançamento, que deve iniciar na segunda quinzena de outubro.

Fonte: INPE


.

terça-feira, 29 de abril de 2014

CBERS 4: testes do gerador solar

.
Gerador solar do Cbers-4 passa por ciclo de testes no Inpe

Brasília, 29 de abril de 2014 – O Gerador Solar (SAG, na sigla em inglês) do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers-4) passa na próxima semana pelos últimos testes no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP).

Seu envio para a China, país parceiro do Brasil no desenvolvimento do projeto Cbers, onde será integrado ao corpo do satélite, em fase de montagem, está programado para o próximo dia 8 de maio. Com mais de 16 metros quadrados (6,3 x 2,6 m) o SAG é responsável por captar a luz do Sol e convertê-la em energia para alimentar os equipamentos do satélite.

Apesar da dimensão avantajada, o SAG pesa só 55 quilos, pois a avançada tecnologia empregada na sua fabricação pelas empresas Orbital Engenharia Ltda e Cenic Indústria e Comércio Ltda, ambas de São José dos Campos, utiliza materiais leves, mas de alta resistência e durabilidade.

Eficiência – Durante o tempo em que o satélite fica iluminado no espaço, o SAG além de abastecer os diversos equipamentos de bordo também completa a carga das baterias para energizar os equipamentos na fase de eclipse, ou seja, período em que a luz solar não atinge o equipamento. Desenvolvido com tecnologia moderna de células de tripla junção de alta eficiência energética o SAG do Cbers-4 gera até três mil watts de potência elétrica em condições normais de iluminação.

Até o momento, o gerador já passou pelos testes de desempenho elétrico de capacidade de geração de potência, ensaio de vácuo térmico, isolamento elétrico, aterramento, continuidade elétrica, tempo de abertura do painel e vibração acústica. Até a próxima semana serão realizados ainda os testes acústicos, inspeções visuais e elétricas e de abertura do painel.

O Cbers-4 está programado para ser lançado da China na segunda semana de dezembro próximo.

Fonte: INPE

.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Inova Aerodefesa: projetos selecionados

.
[Nota atualizada às 15h40 para explicitar que no projeto MMM apenas os ICTs receberam recursos]

Sem alarde, a FINEP divulgou no último dia 25 o resultado final do programa Inova Aerodefesa, revelando os nomes das empresas que receberão recursos, a natureza (se reembolsáveis, não reembolsáveis, ou em arranjo com instituições científicas e tecnológicas (ICTs) nacionais), e também a identificação dos projetos (não reembolsáveis e em arranjo cooperativo com ICTs). Veja aqui.

Os recursos não reembolsáveis foram pulverizados entre os projetos selecionados, sendo que o máximo destinado a cada um foi pouco mais de R$6,238 milhões. Há várias iniciativas no campo espacial, como já havíamos destacado anteriormente. A Avibras, por exemplo, obteve cerca de R$4,658 milhões para o projeto Veículo Lançador de Microssatélites. Ainda em lançadores, a Cenic terá R$6,209 milhões para o desenvolvimento dos módulos inter-estágios para o VLM, e mais R$5,637 milhões para o desenvolvimento de redes elétricas do mesmo veículo, em parceria com a JTDH Engenharia. A Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), receberá pouco mais de R$4,734 milhões para desenvolver um sistema imageador multiespectral reflexivo (VIS/NIR/SWIR).

Arranjo cooperativo

No arranjo cooperativo entre empresas e ICTs, os sistemas de controle de atitude e órbita (ACDH, em inglês), área considerada crítica no Brasil, foram o destaque. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) terá cerca deR$1,3 milhão para um projeto com a Compsis para ACDHs destinados a satélites e ao projeto SARA (Satélite de Reentrada Atmosférica), do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), e mais R$3,963 milhões para o "desenvolvimento do Sistema de Supervisão de Bordo e de Controle de Atitude e Órbita e sua integração na segunda geração da Plataforma Multimissão", este último em conjunto com a Odebrecht Defesa e Tecnologia (controladora da Mectron).

Iniciativas em propulsão também serão beneficiadas: o IAE terá a disposição R$4 milhões para o "desenvolvimento e absorção de tecnologias aplicáveis à fabricação do Motor Foguete a Propelente Líquido L75", em conjunto com a Globo Central de Usinagem. A Fibraforte e o INPE também tiveram um projeto para um propulsor mono-propelente de 400N, que receberá cerca e R$1,238 milhão.

Ainda, no projeto apresentado pela AEL Sistemas, de Porto Alegre (RS), os ICTs (PUC-RS, Unisinos, UFSM e UFRGS) receberão pouco menos de R$5 milhões, valor bem abaixo do montante total inicialmente requerido.
.

domingo, 25 de agosto de 2013

Inova Aerodefesa: iniciativas em lançadores

.
Já abordamos em algumas postagens o projeto do Microssatélite Militar Multimissão (MMM), proposto pela AEL Sistemas, em conjunto com outras empresas e universidades do Rio Grande do Sul, no âmbito do Plano de Apoio Conjunto Inova Aerodefesa, lançado pela FINEP em parceria com o BNDES, Agência Espacial Brasileira (AEB) e Ministério da Defesa.

Nos próximos dias, o blog Panorama Espacial postará mais informações sobre alguns projetos submetidos ao edital, em especial aqueles relacionados à área espacial. No campo de lançadores, que deve ter desdobramentos em médio e longo prazo, há algumas iniciativas interessantes, em particular relacionados ao projeto do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM) (para informações sobre o VLM, clique aqui).

A Cenic, de São José dos Campos (SP), por exemplo, busca recursos para a nacionalização dos módulos inter-estágios do VLM, em parceria com as indústrias COMPSIS e EQE, também do Vale do Paraíba. A COMPSIS também apresentou uma demanda para o desenvolvimento de bancos de controle para o pequeno lançador.

Mas, nessa área, o projeto que mais chama atenção é o da Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT), que na linha aeroespacial propôs uma iniciativa volta à capacitação do Brasil na prestação de serviços de transporte espacial para missões de órbita baixa. Isto é, a ODT busca recursos para o desenvolvimento de um lançador da classe do VLS, a ser qualificado em duas missões com colocação em órbita de satélites de pequeno porte. O resumo com a descrição do projeto, no entanto, não dá mais detalhes sobre as características do foguete.

Conforme revelado na postagem "As "cinco irmãs" no setor de defesa [e espaço]", há no mercado um rumor de que a ODT estaria associada à italiana Avio, que fabrica o foguete Vega, para iniciativas no Brasil envolvendo meios de acesso ao espaço.

Na próxima terça-feira (27), deve acontecer em São Paulo o workshop de instrução e fomento de parcerias do Inova Aerodefesa. Os recursos disponibilizados no primeiro edital somam R$ 2,9 bilhões, e a demanda qualificada até o momento é de R$ 12,6 bilhões.
.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"Acesso autônomo ao espaço - onde o Brasil quer chegar"



Acesso autônomo ao espaço - Onde o Brasil quer chegar

André M. Mileski

Das chamadas potências emergentes, conhecidas pela sigla BRIC, criada em 2003 pelo economista Jim O’Neill, do banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs, o Brasil é, atualmente, o único país a não contar com acesso autônomo ao espaço. A Rússia, pioneira, então União Soviética, alcançou este feito em 1957. A China, em 1970, e a Índia, em 1980. Hoje, estes países não só atendem suas demandas internas, como comercializam serviços de lançamento no mercado internacional e mesmo detêm capacidade madura ou em processo de desenvolvimento para missões espaciais tripuladas.

Muito embora o Brasil ainda não possa fazer isso, o interesse em contar com acesso autônomo, no entanto, não é uma novidade. Desde 1979, com a criação da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), com iniciativas nas áreas de satélites, infraestrutura terrestre e lançadores, o País vem buscando este acesso, por meio do programa do Veículo Lançador de Satélites, o VLS-1. A partir de 1994, com a criação da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), atualizado de tempos em tempos, o segmento de lançadores sempre constou dos planos espaciais nacionais.

Em 2005, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), vinculado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), do Comando da Aeronáutica, lançou o Programa Cruzeiro do Sul que, num horizonte de 17 anos, visava desenvolver uma família de lançadores de satélites apta a atender as necessidades do seu programa espacial e algumas missões internacionais. Assim, previa-se o desenvolvimento de cinco lançadores de classes distintas (ver box).

Dentro do programa espacial, o Cruzeiro do Sul é visto como conceitual e serve como diretrizes para iniciativas em desenvolvimento ou discussão. Propostas para o desenvolvimento dos VLS-Alfa e Beta, possivelmente em regime de cooperação internacional, foram apresentadas à AEB e estão em análise, estando os conceitos do VLS-Gama, VLS-Delta e VLS-Epsilon em rediscussão, uma vez que apresentam baixa demanda (caso do Gama e Epsilon) ou concorrem com outras iniciativas nacionais (Delta).

Programa Cruzeiro do Sul:

- VLS-Alfa, concebido para atender o segmento de cargas úteis na faixa de 200-400 kg destinados a órbitas equatoriais baixas

- VLS-Beta, capaz de atender missões de até 800 kg para órbita equatorial a 800 km de altitude

- VLS-Gama, destinado a missões de cargas úteis de cerca de 1.000 kg em órbitas heliossíncronas e polares

- VLS-Delta, focado em missões geoestacionárias, com capacidade de colocação de cargas de cerca de 2.000 kg em órbitas de transferência geoestacionária; e

- VLS-Epsilon, para cargas úteis geoestacionárias de maior porte, de cerca de 4.000 kg

Novos impulsos

A edição da Estratégia Nacional de Defesa, em dezembro de 2008, apontou o setor espacial, ao lado do nuclear e cibernético, como um dos seus pilares decisivos. O documento, que serve como diretriz para todo o processo de transformação e atualização das Forças Armadas, indica a necessidade “do desenvolvimento de veículos lançadores de satélites e sistemas de solo para garantir acesso ao espaço em órbitas baixa e geoestacionária”, em processo coordenado pela AEB, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Desde então, iniciativas já em andamento, como o programa VLS, a parceria com a Ucrânia na Alcântara Cyclone Space, e outras novas, como o Veículo Lançador de Microssatélites (VLM) e propostas de cooperação em lançadores de maior porte passaram a ter um maior destaque nos planos do governo.

O VLS

Ao longo de mais de 40 anos, em meio a severas restrições orçamentárias e embargos internacionais, foram três tentativas de lançamento do VLS; em 1997, 1999 e 2003, todas mal sucedidas. Com a tragédia de 2003, que vitimou 21 especialistas do IAE, o programa sofreu um duro golpe, resultando em atraso de vários anos. Apesar do golpe, o projeto continuou e passou por uma revisão crítica que contou, inclusive, com a participação de técnicos da Rússia.

Recentemente, com uma retomada mais clara do Programa Espacial Brasileiro, caracterizada principalmente pela destinação de mais recursos orçamentários, passou a haver mais destaque, com cronogramas claros de retomada. Ensaios de diversos subsistemas do lançador, contratados junto à indústria nacional, são frequentemente realizados nas instalações do IAE em São José dos Campos (SP). Hoje, planeja-se a realização de duas missões tecnológicas, denominadas XVT-1 (VSISNAV) e XVT-2, e uma do lançador completo, com todos os seus estágios, a VO4. O primeiro voo, previsto para ocorrer em 2013, seria constituído de um foguete com o primeiro e segundo estágios ativos, ocasião em que também se pretende testar o sistema de navegação SISNAV. Espera-se que um segundo voo, mais completo, ocorra no ano seguinte, o que depende do repasse de recursos financeiros pela AEB, segundo revelou à T&D o brigadeiro Carlos Kasemodel, diretor do IAE, em entrevista concedida no final de julho.

Em junho e julho de 2012, foi realizada no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, a Operação Salina, período de 26 dias em que foram ensaiados e simulados diversos sistemas da Torre Móvel de Integração (TMI), concluída no final de 2011, visando a verificação da integração física, elétrica e lógica do VLS-1 com a nova torre.

Pouco conhecida para o público em geral, a cooperação entre a agência espacial da Alemanha (DLR) e o IAE completou quatro décadas. Marcada por muitos sucessos e missões conjuntas envolvendo foguetes de sondagem, a atuação dos dois países deve alcançar um novo marco com o Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1), que entrou em fase de projeto em 2012, após um período de estudos de concepção.

Apesar de ser um veículo orbital, a primeira missão prevista para o VLM-1 não será de satelitização, mas sim a realização do experimento SHEFEX 3 (Sharp Edge Flight Experiment), que objetiva testar o comportamento de novos materiais e proteção térmica necessários para se dominar a tecnologia de voos hipersônicos e de veículos lançadores reutilizáveis, previsto para 2015 ou 2016. Além da participação de 25% nos custos de desenvolvimento, estimados em R$100 milhões, os alemães estão envolvidos em áreas como engenharia de sistemas, sistemas de controle e atuadores.

Em sua configuração inicial, o VLM-1 será um foguete de três estágios de propelentes sólidos, sendo os dois primeiros com o motor S50, o maior já desenvolvido e a ser construído no Brasil até hoje; e, o último, o propulsor S44, já qualificado em voo pelo foguete de sondagem VS-40. O S50, que tem 1,45 metro de diâmetro, 5 metros de comprimento e cerca de 12 toneladas de propelente, está sendo desenvolvido pelo IAE, em parceria com os alemães.

O VLM-1 terá capacidade de lançar cargas úteis de até 200 kg em órbita equatorial a 300 km de altitude, ou 180 kg para órbitas inclinadas, em missões científica, tecnológicas ou de observação terrestre. Em sua concepção, baseada no equilíbrio entre confiabilidade e custo, trabalha-se com o objetivo de se criar diferentes versões, mantendo-se os dois primeiros estágios e modificando o terceiro. Dessa forma, com um motor mais potente no terceiro estágio, sua performance poderia ser aprimorada, tornando-o apto a lançar satélites de até 350 kg a 300 km de altitude, em órbita equatorial, ou 150 kg com inclinação de 98 graus a uma altitude de 600 km. Nos planos do IAE, também é considerada a criação de uma versão com um último estágio de propulsão líquida, o que possibilitaria uma maior precisão para a inserção de satélites em órbita, em razão da possibilidade de reignições durante o voo. Esta versão, aliás, é vista como crucial para atender um dos objetivos do projeto, que seria o de atender a um nicho pouco explorado no mercado de lançamentos.

Outro aspecto que deve ser atendido é o de política industrial. Nos últimos anos, o IAE tem dedicado especial atenção à transferência de projetos para o setor industrial espacial, e com o VLM-1 não deve ser diferente. A participação ocorre desde a concepção, passando pelo desenvolvimento e culminando na produção. De fato, a CENIC, de São José dos Campos, já atua no projeto do envelope-motor S50, feito em fibra de carbono, e há expectativa de que o Instituto contrate no futuro outras empresas para atuar no carregamento de propelente e redes elétricas, dentre outros subsistemas.

Propulsão líquida

Paralelamente ao VLS e VLM-1, o IAE também promove iniciativas num domínio considerado essencial para a autonomia brasileira em veículos lançadores: propulsão líquida, bastante apreciada por possibilitar colocações mais precisas de cargas úteis em órbita. Alguns projetos de motores-foguetes líquidos estão em desenvolvimento pelo IAE, como o L5, L15 e L75, de diferentes portes.

O L75, o maior deles, busca o modelo de engenharia de um motor foguete a propelente líquido, usando o par propelente oxigênio líquido e querosene, pressurizados por turbo bomba, capaz de gerar 75 KN de empuxo no vácuo. É destinado a veículos lançadores de satélites, uma vez que seu controle do empuxo e do tempo de queima possibilita a colocação em órbita de satélites com precisão. Ao longo de 2012, vários projetos relacionados ao L75 avançaram, como o seu plano mecânico detalhado, fabricação, plano mecânico dos modelos de engenharia e elaboração dos procedimentos de montagem, inspeção e teste. Para os próximos anos, as etapas serão o desenvolvimento da câmara de combustão, do turbo bomba e das válvulas reguladoras, e a construção de novo banco de testes para ensaios das bombas.

Além dos motores propriamente ditos, o IAE também desenvolve, em conjunto com a Orbital Engenharia, o Sistema de Alimentação Motor-Foguete (SAMF), que teve alguns protótipos construídos e encontram-se em ensaios de qualificação nas instalações do IAE. A finalização do SAMF é tida como essencial para a realização de testes em voo de propulsores líquidos, pois controla a alimentação do motor foguete a propelente líquido, alimentando-o com propelente nas pressões e vazões necessárias para o seu correto funcionamento.

ACS

As iniciativas brasileiras em matéria de acesso ao espaço não se restringem apenas a projetos de desenvolvimento tecnológico. A Alcântara Cyclone Space (ACS), uma binacional constituída pelos governos do Brasil e da Ucrânia, tem planos de operar o lançador ucraniano Cyclone 4 a partir do CLA, com objetivos inicialmente comerciais, mas que hoje também apontam para um caráter mais estratégico, buscando atender algumas necessidades do Programa Espacial Brasileiro.

A cooperação espacial entre o Brasil e a Ucrânia em serviços de lançamento tem origens no final da década de 1990. Mas, apenas em 2003, com a assinatura do Tratado sobre Cooperação de Longo Prazo na Utilização do Veículo de Lançamento Cyclone 4 no CLA, se tornou mais concreta. Três anos depois, foi criada a ACS com a finalidade de viabilizar o projeto, administrar o complexo de lançamento e explorá-lo comercialmente. Desde então, centenas de milhões de reais oriundos dos países sócios foram investidos, com obras de toda a infraestrutura terrestre no CLA, assim como o desenvolvimento do lançador na Ucrânia, em andamento.

Num primeiro momento, o acordo que deu origem à ACS não tem caráter de transferência de tecnologia, mesmo que, ao menos do lado ucraniano, pareça haver disposição para a ampliação do escopo da cooperação para isso. Apesar de não haver envolvimento brasileiro no Cyclone 4, capaz de colocar cargas úteis de até 5.500 kg em órbita baixa a 700 km de altitude e 1.700 kg em órbita de transferência geoestacionária, este engenho teve algum impacto nos planos nacionais de lançadores. Hoje, não se considera o desenvolvimento do VLS-Delta, dentro do programa conceitual Cruzeiro do Sul, por se enquadrar na mesma classe que o foguete ucraniano.

Mais parcerias?

Entendido o caráter estratégico de ter acesso autônomo ao espaço, o governo brasileiro tem analisado com mais atenção iniciativas nesse campo, provavelmente em regime de cooperação internacional, de forma similar ao VLM-1, com a Alemanha, para atender as outras lacunas consideradas dentro do Cruzeiro do Sul, em particular os VLS Alfa e VLS Beta. Várias propostas já chegaram às mesas de muitos gabinetes, de São José dos Campos a Brasília (DF).

Na visita oficial da comitiva brasileira liderada pela presidente Dilma Rousseff à França, em 11 de dezembro de 2012, um dos tópicos em Ciência, Tecnologia e Inovação citados na declaração conjunta com o seu contraparte francês foi a possibilidade de se estender a cooperação espacial entre os dois países para “lançadores de satélites”, tema que deve ser discutido entre a AEB e a Agência Espacial Francesa (CNES), no início de 2013. Nos bastidores, são conhecidos os esforços franceses em ampliar a parceria estratégica no campo de defesa, particularmente em submarinos e helicópteros, com ampla transferência tecnológica, para a área espacial, especialmente satélites de comunicações, sensoriamento remoto e lançadores.

Outro interessado é a Itália, que desde 2011 tem feito propostas por meio da Agência Espacial Italiana (ASI) e da empresa Avio, principal desenvolvedora do Vega, o mais importante passo dado por este país europeu na área de lançadores. Trata-se de um foguete de quatro estágios (os três primeiros de combustível sólido e o último líquido), com capacidade de inserir cargas úteis de até 1.500 kg em órbitas circulares a 700 km de altitude. Seu desenvolvimento tem como prime contractor a ELV (European Launch Vehicle), joint-venture da ASI com a Avio. O primeiro voo foi realizado com sucesso no início de 2012.

Os italianos propuseram um lançador com todos os estágios de combustível sólido, com capacidade de satelitização de 1.500 kg a uma altitude de 1.500 km, baseado na tecnologia do Vega. De acordo com o divulgado, o custo seria inferior a R$1 bilhão, e seria realizado por meio da formação de uma joint-venture com empresas nacionais, num modelo similar ao apresentado pelos franceses.

Há alguns anos, a Rússia era vista como parceira preferencial do Brasil em matéria de lançadores, especialmente por sua disposição em colaborar e fornecer itens críticos, como os sistemas inerciais dos primeiros protótipos do VLS-1. Grande parte do conhecimento adquirido pelo IAE na área de propulsão líquida o foi através de parcerias com institutos e centros de pesquisa russos, que treinaram e capacitaram dezenas de especialistas brasileiros. Em posição hoje mais enfraquecida, em razão da ampliação do leque de possibilidades em cooperação no campo de foguetes e por uma difícil negociação para a transferência tecnologia, a madura indústria espacial russa continua interessada em ampliar os acordos com o Brasil e é vista como opção.

Fonte: revista Tecnologia & Defesa nº 131, dezembro de 2012.
.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Avanços no Projeto SARA


Projeto SARA Segue Sem Interrupção

Campo Montenegro, 25/01/2013

Após a pausa entre Natal e Ano Novo, os integrantes do Projeto SARA retornaram ao trabalho já na primeira semana de janeiro em regime integral com o objetivo de cumprir o cronograma de lançamento de 2013.

Atualmente, as equipes do IAE e da empresa CENIC estão empenhadas na integração do Modelo de Voo das Redes Elétricas. A principal atividade relacionada a este modelo é a integração da cablagem do veículo. São cerca de 4000 origens e destinos de sinais que têm que ser corretamente organizados. Para que isso ocorra sem prejudicar os equipamentos de voo, foram construídos modelos “dummies” dos equipamentos para avaliar corretamente o caminho das conexões, apesar do projeto de integração já ter sido feito em CAD.

Após o correto estabelecimento do caminho da cablagem, os sinais serão testados um a um e, posteriormente, serão objeto de um teste automático. Só então começarão a ser integrados os equipamentos e, mesmo assim, serão os equipamentos de qualificação.

Os equipamentos de voo só serão integrados quando os testes de continuidade com os equipamentos de qualificação forem concluídos.

Para que os inúmeros detalhes que surgem durante uma tarefa tão complexa como esta sejam resolvidos, as equipes envolvidas na integração do SARA estão realizando uma reunião geral semanal. Esta reunião procura cuidar de todos os detalhes relativos à integração e resolver pendências. A reunião desdobra-se em diversos itens de ação e reuniões de assuntos específicos. Uma das reuniões de assuntos específicos mais importante refere-se ao desenvolvimento do Banco de Controle para o veículo. Este assunto tomou forma no final de 2012 com implementação pela AEB do contrato para o desenvolvimento deste vital meio eletro-eletrônico de solo (EGSE). As atividades relativas a este EGSE estão sendo iniciadas sem maiores problemas.

Nas próximas semanas serão intensificadas as discussões de preparação da campanha entre o grupo do SARA, a empresa CENIC, o sistema veículo VS-40M e o centro de lançamento, o que permitirá consolidar um cronograma do lançamento.

Fonte: IAE/DCTA
.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

SARA: entrega do subsistema de telemetria


Entrega do Subsistema de Telemetria do Modelo de Voo do Sara Suborbital

Campo Montenegro, 01/11/2012

No dia 25 de outubro foi realizada a entrega do Subsistema de Telemetria do Modelo de Voo do Sara Suborbital pelas empresas CENIC e MECTRON. Os testes com essa Rede de Telemetria, realizados nas dependências da empresa MECTRON com a presença da equipe do IAE, tiveram como objetivo demonstrar o correto funcionamento desse Subsistema antes de sua integração no Modelo Mecânico. Para esse teste foi desenvolvido um setup completo para excitação dos canais de leitura de sensores da Rede de Telemedidas, bem como para aquisição de dados das outras redes: RES (Rede de Serviços), REC (Rede de Controle) e REG (Rede de Segurança).

Para o teste de funcionamento do quadro de medição PCM (Pulse-Code Modulation), foi utilizado o sistema APDT (Aquisição e Processamento dos Dados de Telemetria) do projeto VSISNAV, onde todos os parâmetros foram verificados.

Os sinais analógicos de baixa frequência de amostragem, referentes aos sensores de pressão e temperatura, foram gerados por um quadro de potenciômetros ajustáveis, de forma a simular a aquisição destes dados em voo. Os sensores de alta frequência de amostragem, relativos aos parâmetros de aceleração e vibração, foram excitados por um gerador de sinais ajustáveis.

O quadro de telemetria do SARA é composto de 169 (cento e sessenta e nove) parâmetros, sendo que o setup foi possível demonstrar com sucesso o funcionamento da Telemetria do SARA Suborbital, concluindo, assim, mais uma etapa desse projeto.

O Subsistema de Telemetria segue agora para os laboratórios da Divisão de Eletrônica do IAE, visando cumprir a etapa de integração e realização de outra sequencia de testes.

Fonte: IAE/DCTA
.

sábado, 13 de outubro de 2012

Modelo mecânico do SARA Suborbital


Modelo Mecânico de Voo do Sara Suborbital é aprovado

Campo Montenegro, 10/10/2012

O Modelo Mecânico do veículo Sara Suborbital, que recentemente foi submetido ao ensaio dinâmico de aceitação no shaker do IAE, passou pela FRR (Flight Readiness Review) nas dependências de Divisão de Sistemas Espaciais (ASE). A FRR é a revisão que comprova o apronto do modelo para o embarque para o voo. A aprovação ocorreu nesta terça-feira, dia 9 de outubro de 2012, através da constatação de que os resultados de ensaio correspondiam aos resultados obtidos com o Modelo de Qualificação.

A FRR foi cumprida conforme prevista contratualmente. A campanha de ensaios dinâmicos realizada no Modelo de Voo Mecânico foi bem sucedida. O modelo de elementos finitos foi elaborado pela CENIC e permitiu que a empresa pudesse comprovar a boa aderência entre as curvas que representavam o comportamento dinâmico previsto e as obtidas experimentalmente.

Com a aprovação do Modelo Mecânico de Voo, ele já pode ser utilizado para a integração do Modelo de Voo das Redes Elétricas. A empresa CENIC deve iniciar os trabalhos de integração desta eletrônica embarcada já na próxima semana na Divisão de Eletrônica do IAE (AEL), o que garante uma importante etapa das atividades de preparação para o voo do Sara Suborbital.

Fonte: IAE/DCTA
.

domingo, 30 de setembro de 2012

Ensaio de modelo mecânico do SARA Suborbital


Completado o Ensaio Dinâmico do Modelo de Voo Mecânico do Sara Suborbital

Campo Montenegro, 28/09/2012

A Divisão de Ensaios (AIE), em conjunto com a Divisão de Sistemas Espaciais (ASE), ambas do Instituto de Aeronáutica e Espaço, concluiu nesta quarta-feira, dia 19 de setembro, o ensaio dinâmico do Modelo de Voo Mecânico do Sara Suborbital. O ensaio foi realizado no Laboratório de Ensaios Estáticos (LED), onde se localiza o maior shaker da América Latina. As equipes da AIE e da ASE trabalharam na integração, instrumentação, pré-teste e o ensaio propriamente dito que envolveu curvas senoidais e aleatórias nos três eixos do veículo.

Os resultados do ensaio serão agora analisados pela CENIC e apresentados ao IAE para a realização da Flight Readiness Review (FRR) do Modelo Mecânico, também denominada Revisão de Pré-embarque.

Após a conclusão desta etapa, o SARA Suborbital deve seguir para a Divisão de Eletrônica para a integração do Modelo de Voo das Redes Elétricas.

Fonte: IAE/DCTA
.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Entrevista com Brig. Carlos Kasemodel, diretor do IAE


Conforme informado no último domingo (29), como parte da série de entrevistas com os principais dirigentes do Programa Espacial Brasileiro, o blog Panorama Espacial entrevistou o Brig.-Eng. Carlos Antônio de Magalhães Kasemodel, atual diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), de São José dos Campos (SP). O IAE é responsável pela maioria dos projetos espaciais do Comando da Aeronáutica, em particular na área de lançadores e foguetes de sondagem.

Desde o início de abril como diretor do IAE, o Brig. Kasemodel é engenheiro mecânico-aeronáutico pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), turma de 1980, com mestrado pelo Naval Postgraduate School, EUA, em 1999. Ocupou diversos cargos em sua carreira no Comando da Aeronáutica, inclusive vários no setor espacial, como gerente do Programa VLS e vice-diretor do IAE para a divisão de espaço. O blog agradece a atenção dispensada pela equipe de comunicação do IAE e pelo entrevistado.

Abaixo, reproduzimos a entrevista em sua íntegra, feita por e-mail durante a semana passada, abordando os principais projetos desenvolvidos pelo Instituto, em especial na área de lançadores.

Os planos para voos tecnológicos do VLS-1 continuam válidos? Quando ocorrerá a missão do VLS com a parte baixa, do primeiro e segundo estágios?

Sim, os planos para os voos tecnológicos do VLS-1 continuam válidos. O primeiro lançamento, somente com o primeiro e segundo estágios ativos, está previsto para 2013.  Este protótipo foi inicialmente denominado XVT-01, mas passou a ser denominado VSISNAV porque nesse voo também será testado o sistema de navegação SISNAV.

E o segundo voo, quando deve ocorrer?

O segundo voo deverá ocorrer no ano seguinte, mas sua confirmação depende do repasse de recursos financeiros pela AEB.

O senhor poderia falar um pouco sobre o projeto do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1)? Uma decisão sobre o seu desenvolvimento já foi tomada? Qual será a participação alemã na iniciativa?

O VLM-1 é um lançador de microssatélites que está sendo desenvolvido em parceira com o DLR e com forte envolvimento da indústria nacional desde a sua fase de concepção. Será um veículo de três estágios; na sua versão básica, todos os propulsores utilizam propelente sólido: no primeiro e segundo estágios será empregado o propulsor S50 (em fase de desenvolvimento) e no terceiro estágio, o propulsor S44, ora empregado no quarto estágio do VLS-1 e no segundo estágio do VS-40. Outras versões também estão previstas, com a substituição do propulsor S44 por um propulsor líquido.

No entanto, a primeira missão prevista para o VLM-1 não será de satelitização mas sim de realizar o experimento SHEFEX 3, previsto para 2015. A participação alemã, além da partição dos custos de desenvolvimento, envolve áreas como engenharia de sistemas, sistemas de controle e atuadores.

O senhor poderia falar um pouco mais sobre o envolvimento industrial no projeto do VLM? Quais empresas participarão?

O projeto do envelope-motor do propulsor S50, que será bobinado em fibra de carbono, já está sendo desenvolvido em parceria com a empresa CENIC, a qual também já é a fabricante do propulsor S44 (que será utilizado no terceiro estágio). Outras empresas ainda não estão definidas mas espera-se que o carregamento de propelente e o desenvolvimento das redes elétricas também seja realizado na indústria.

O VLM-1 será um lançador de três estágios, todos de propulsão sólida. Em termos técnicos, há quem afirme que para colocação de satélites em órbita, é mais adequado que o terceiro estágio seja de propulsão líquida, o que permitiria mais precisão nas missões. Qual é a sua opinião sobre esse assunto?

A utilização de propulsão líquida nos últimos estágios possibilita mesmo uma maior precisão para a inserção em órbita, considerando que o propulsor a propelente líquido possibilita re-ignições durante o voo. Conforme comentado anteriormente, já estão sendo previstas versões do VLM-1 com a substituição do propulsor S44 por um propulsor líquido.

Ainda em lançadores, muito se comenta sobre possibilidades de desenvolvimentos futuros, inclusive com participação estrangeira. O senhor poderia nos dizer quais são as perspectivas e demandas hoje consideradas pelo IAE para um novo projeto de lançador? 

Além do VLM-1, as perspectivas atuais são de desenvolvimento do VLS-Alfa e do VLS-Beta, propostas inicialmente apresentadas no Programa Cruzeiro do Sul.

O desenvolvimento dos demais veículos da família Cruzeiro do Sul está sendo rediscutido, considerando que não teria sentido se desenvolver um veículo nacional para competir com o Cyclone IV (VLS-Delta) e a perspectiva de baixa demanda para os veículos VLS-Gama e VLS-Epsilon.

Qual é a expectativa para se ter uma definição sobre qual o caminho que o IAE seguirá [sobre um novo lançador]?

A proposta de se concluir o desenvolvimento do VLS-1 e do VLM-1, bem como o desenvolvimento do VLS-Alfa e Beta já foi encaminhada para a AEB e esperamos que esteja aprovada na revisão do PNAE, ora em andamento.

Em matéria de foguetes de sondagem, existem novos projetos sendo em consideração pelo Instituto?

Com relação aos foguetes de sondagem, o IAE estuda o desenvolvimento de uma versão modernizada do VSB-30 e o desenvolvimento do VS-50, um foguete de sondagem mono-estágio utilizando o propulsor S-50 do VLM-1.

Quais são os itens a serem modernizados do VSB-30?

Deverão ser otimizados alguns processos de fabricação, modificações nas proteções térmicas e também a incorporação de dispositivos de segurança eletro-mecânicos.

Quais são as perspectivas do IAE em termos de cooperação espacial, em particular com a Alemanha e Rússia, países que já cooperam há muitos anos com o Instituto?

Com a Alemanha, atualmente estamos cooperando no desenvolvimento do VLM-1 e na modernização do VSB-30. Com relação à Rássia, existem perspectivas de cooperação no desenvolvimento de propulsor líquido para emprego no VLS-Alfa.

No entanto, importante ressaltar que a cooperação com a Alemanha é a que entendemos ser uma “cooperação” no sentido correto da palavra: ambas as partes investem recursos humanos e financeiros, trocam experiências, na busca de um desenvolvimento tecnológico de interesse para os dois lados. Outras propostas de cooperação são basicamente propostas comerciais: um lado se propõe a vender o que o outro necessita.

Na área de satélites, o IAE desenvolve há quase dez anos o projeto SARA, de reentrada atmosférica. Em que momento o projeto se encontra?

O projeto SARA prevê o desenvolvimento de dois protótipos para testes suborbitais e dois modelos para voos orbitais. Atualmente, estão sendo finalizados os ensaios de qualificação do primeiro protótipo de voo suborbital, cujo lançamento está previsto para 2013 a bordo de um foguete VS-40.

Hoje, qual é a situação do IAE em matéria de recursos humanos?

Há alguns anos, o IAE vem sofrendo com a perda gradativa de recursos humanos em diversas áreas, a maior parte por aposentadoria de servidores experientes.  O DCTA tem realizado diversas gestões junto ao Ministério da Defesa e Ministério do Planejamento e aguardamos a autorização para a realização de concurso público para o recompletamento, pelo menos parcial, do nosso quadro de recursos humanos.

Outro campo que tem recebido atenção no Programa Espacial é a busca do País por autonomia em sistemas inerciais, tanto de satélites para lançadores. O IAE é um ator ativo nesse campo, participando do projeto Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial (SIA). O senhor poderia comentar um pouco sobre o atual estágio do projeto? Há planos para um voo experimental?

O objetivo maior do projeto SIA é consolidar no País a tecnologia de sistemas de navegação inercial.

Diversas etapas já foram vencidas. Em 2011, a implantação da infraestrutura laboratorial no IAE foi concluída com a inauguração do LINCS – Laboratório de Identificação, Navegação, Controle e Simulação. Com relação a sistemas de navegação, um protótipo denominado SISNAV já foi ensaiado, com sucesso, em solo e será testado em voo no próximo lançamento do VLS-1. Importante ressaltar que o SISNAV utiliza girômetros a fibra ótica desenvolvidos e produzidos no País.

Recentemente, o senhor foi indicado para representar o Comando da Aeronáutica no Conselho Superior da Agência Espacial Brasileira (AEB). Qual é a sua visão sobre a restruturação institucional do Programa Espacial Brasileiro, com uma possível fusão entre a AEB e o INPE? Seria possível algum envolvimento do IAE nesse processo?

Todos os atores do SINDAE concordam que uma reestruturação institucional se faz necessária mas existem divergências de qual modelo seria o mais eficaz.

Uma fusão entre a AEB e o INPE certamente fortaleceria a AEB, considerando que atualmente a Agência não dispõe de um corpo técnico. Um envolvimento do IAE nesse processo seria difícil, principalmente por ser uma Organização Militar e vinculada a outro Ministério. Seu envolvimento deve permanecer como órgão setorial do SINDAE [Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais].
.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Notícias do IAE: SARA e Plataforma Suborbital


Apresentada a carga útil brasileira para o Programa de Microgravidade

Representantes do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) estiveram nas instalações da Orbital Engenharia para conhecer o primeiro protótipo da PLataforma Suborbital de Microgravidade (PSM). A PSM substituirá a plataforma da agência espacial alemã (DLR), que tem sido usada pelo Brasil em seus experimentos em ambiente de gravidade reduzida utilizando-se do foguete de sondagem VSB-30.

Modelo de voo mecânico do SARA Suborbital é entregue ao IAE

Em 14 de junh, foi entregue ao IAE pela indústria CENIC, de São José dos Campos (SP), o modelo de voo mecânico do SARA Suborbital. O modelo de Voo mecânico do SARA Suborbital compreende três dos quatro subsistemas do veículo: subsistema estrutural, módulo de experimentação e subsistema de recuperação. O desenvolvimento deste modelo foi resultado de uma parceria coordenada pelo IAE, contando com a empresa CENIC no papel de “main contractor”, e outras indústrias nacionais como, a EQE e a Orbital Engenharia.

IAE certifica subsistema de recuperação do SARA Suborbital

Em 5 de junho, o IAE completou a qualificação em solo do subsistema de recuperação do SARA Suborbital, com a realização bem sucedida de ensaio de abertura dinâmica dos para-quedas.
.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ensaio de subsistema de pára-quedas do SARA

.
Projeto Sara testa seu sistema de pára-quedas

21-12-2011

Em 16 de dezembro de 2011, integrantes da Divisão de Ensaios do IAE (AIE) em conjunto com a equipe do Projeto Sara, com apoio da Divisão de Mecânica e de representantes das empresas CENIC e Orbital realizaram com sucesso o ensaio de qualificação do Sistema de Recuperação do veículo Sara Suborbital. O teste foi realizado no interior do Prédio de Integração de Lançadores (PIL), que reunia as condições adequadas de altura para o desdobramento dos pára-quedas, e foi monitorado por um sistema de filmagem de alta velocidade.

O responsável pelo ensaio, o Eng. Claudinei (AIE), avaliou o evento da seguinte forma: “- A proposta de um ensaio de abertura dinâmica dentro de um prédio foi algo inédito, nunca tentado antes no IAE, o que sempre gera grande apreensão quanto aos resultados. Assim, além da qualificação do sistema de pára-quedas, também o ensaio estava sendo qualificado. Como fatores complicadores adicionais tinha-se a utilização de um dispositivo de alta pressão e a alta energia do dispositivo de liberação, o que nos obrigou a envolver o Setor de Segurança do instituto. Felizmente, o ensaio correu como esperado e valiosas informações foram coletadas para análise”.

O Subsistema de Recuperação é composto por quatro pára-quedas: uma aba piloto, um pára-quedas de arrasto e dois pára-quedas principais. O ensaio foi realizado em duas etapas, a primeira envolvendo a aba piloto e o pára-quedas de arrasto e a segunda produzindo a abertura dos pára-quedas principais.

O bolsista Breno, membro da equipe Sara que participou do ensaio, ressaltou o espírito de cooperação entre os participantes: “- Foi um verdadeiro trabalho de equipe. Todos colaboraram: tivemos que fabricar dispositivos, mudar a maneira de prender o contrapeso na torre, montar a iluminação para a filmagem, armar o dispositivo de liberação, dobrar os pára-quedas, fazer ajustes, verificar todas as condições de segurança. Não foi fácil, mas tudo funcionou no final”.

Na opinião do Dr. Luís Loures, gerente do projeto, esse foi um grande fechamento para um ano de muito trabalho: “- É um verdadeiro prazer chegar ao final do ano com estes resultados, mesmo porque o Sistema de Recuperação, devido à sua natureza, sempre foi o maior desafio do projeto, tendo convergido literalmente muito mais por ensaios do que por cálculos”.

Com este ensaio, o IAE chega mais próximo à meta de lançamento em 2012, muito embora estejam previstas algumas repetições do ensaio realizado. Segundo Loures, isso ocorre devido à influência do fator humano no subsistema: “- As nossas análises de risco revelaram que a maior probabilidade de falha decorre da ação humana, portanto nós estamos planejando diversas repetições para verificarmos o funcionamento do sistema e encaminhar ações corretivas, se necessário. Além disso, os resultados preliminares do ensaio demonstram que ainda há espaço para um ajuste no projeto e para o aperfeiçoamento do ensaio propriamente dito”.

Fonte: IAE/DCTA
.