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A mais recente edição do "INPE Informa", boletim editado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) dá sequência a sua série de entrevistas, desta vez com Amauri Montes, coordenador da Engenharia e Tecnologia Espacial (ETE), que este ano completa trinta anos de existência. O ETE responde pelo desenvolvimento dos satélites do Instituto, como os da família SCD na década de noventa, e os de observação terrestre da família CBERS e Amazônia.
Além de uma interessante abordagem histórica, temas como política industrial, programa CBERS, Amazônia-1, cooperação internacional, ACDH, PESE, licitações, Plano Diretor, apenas para citar alguns, são abordados. Para ler a entrevista, clique aqui.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016
segunda-feira, 26 de março de 2012
"Brazil in space": VLS e CIA
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O website especializado The Space Review publicou um interessante artigo ("Brazil in space") sobre o interesse do governo norte-americano, por meio da Central Intelligence Agency (CIA), no programa brasileiro de foguetes e lançadores.
O interesse e preocupação por parte dos EUA com o programa brasileiro sempre foi conhecido e tem reflexos até hoje (restrições ITAR, por exemplo), e o artigo, embora não aprofunde o tema, apresenta um relatório produzido pela CIA no início da década de oitenta, alguns anos após o lançamento oficial do projeto do Veículo Lançador de Satélites (VLS), como parte da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB).
Para quem se interessa pelo tema, vale a leitura, em especial do relatório preparado pela agência de inteligência. Clique aqui para acessá-lo.
Agradecimentos a Nivaldo Hinckel pelo envio do link.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
Histórias não contadas do Programa Espacial Brasileiro
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Muitas pessoas que estudam ou estão envolvidas com o Programa Espacial Brasileiro reconhecem que a primeira iniciativa mais estruturada do programa, a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), lançada em 1979, era bastante consistente. A missão não teria avançado da maneira como foi planejada por razões variadas, mas certamente não relacionadas a falhas em seu planejamento. Basicamente, a MECB buscava dotar o País de capacidades necessárias para ter autonomia de acesso ao espaço: satélites, lançadores e infraestrutura terrestre.
A consistência da MECB foi influenciada pela negociação da parceria tecnológica com a França no início de 1979. Neste ano, entre os meses de abril e junho, vários especialistas brasileiros participaram de missão técnica em Toulouse, no sul da França, ocasião em que foram preparadas todas as especificações técnicas do Satélite de Coleta de Dados (SCD), do Laboratório de Integração e Testes (LIT), e do Centro de Controle de Satélites (CCS). Talvez, se a parceria tivesse ido adiante, o programa brasileiro poderia ser bem diferente do que é hoje.
No livro "O Brasil chega ao Espaço: SCD-1 Satélite de Coleta de Dados", talvez uma das obras mais bem detalhadas sobre a história do Programa Espacial Brasileiro, de autoria de Fabíola de Oliveira (leia resenha aqui), são apresentados alguns dos motivos pelos quais a parceria com a França não avançou.
Um deles seria o custo (na época, acreditava-se que a parceria francesa teria custo 4 ou 5 vezes maior do que o programa nacional, lógica que possivelmente se mostrou incorreta), o elevado nível de importações (algo que se considerava negativo para a imagem do programa brasileiro, que buscava transmitir uma imagem de autonomia e independência), e também a questão da propulsão dos lançadores (a França estava propondo um foguete-lançador com estágios de propulsão líquida, mas o Brasil insistia na propulsão sólida, talvez pelo caráter dual do VLS à época).
Ontem (14), em São José dos Campos (SP), o blog ouviu outras duas versões, uma contada abertamente por pessoa bastante experiente no setor, que ocupou, inclusive, cargos de gestão dentro do programa e participou das negociações com a França no final da década de setenta.
Basicamente, o acordo com Paris não teria avançado por orientação da própria Presidência da República. A motivação estava no interesse do Saddam Hussein (!) em construir, com assistência brasileira, uma espécie de centro aeroespacial no Iraque. O receio do governo brasileiro, que via com bons olhos o crescente comércio de material de defesa com clientes árabes no Oriente Médio (Avibrás, Engesa, etc.), era de que a parceria com a França de algum modo pudesse prejudicar esses objetivos comerciais.
Outra versão contada por algumas pessoas é de que, na realidade, a decisão de não dar prosseguimento à parceria teria sido do lado francês, preocupado com o relacionamento brasileiro com o Iraque, particularmente de um oficial-engenheiro das Forças Armadas, que mais tarde, de fato, trabalhou no Iraque especialmente em projetos de mísseis. A preocupação era de que a tecnologia francesa acabasse sendo repassada para Bagdá.
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Resenha do livro sobre o SCD-1
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No início de novembro, publicamos no blog pequena resenha sobre um livro do Programa CBERS (vejam em "Resenha do livro sobre o Programa CBERS"), escrito pela jornalista Fabíola de Oliveira, também autora de outro livro de temática espacial ("O Brasil chega ao Espaço: SCD-1 Satélite de Coleta de Dados"), sobre o primeiro satélite brasileiro, o SCD-1. Apesar de o livro ter sido publicado há mais de dez anos, publicamos abaixo uma pequena resenha com algumas informações de caráter mais histórico sobre o programa brasileiro.
O livro está organizado em seis capítulos, os primeiros com uma perspectiva histórica das atividades espaciais brasileiras, e o terceiro em diante sobre o desenvolvimento do SCD-1, seu lançamento, aplicações e o que viria após ele. Certamente, a obra tem grande valor histórico.
Os dois primeiros capítulos ("O início da engenharia espacial no país"; e "A opção pela MECB") trazem informações difíceis de encontrar em outros livros sobre o Programa Espacial Brasileiro. Em alguns parágrafos do primeiro capítulo, por exemplo, é abordado o pouco conhecido projeto SACI (não confundir com o projeto de satélite científico do INPE) das décadas de sessenta e setenta, surgido de estudos de especialistas brasileiros na Universidade de Stanford, nos EUA, e que tinha como objetivo desenvolver e construir localmente um satélite de comunicações para fins educacionais. O projeto acabou sendo extinto em 1976, considerado bastante ambicioso e inviável ao País na época, dado o alto custo e o nível tecnológico exigido para a sua construção.
Com enfoque histórico, o segundo capítulo dá um retrato do surgimento da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), que por muitos anos capitaneou praticamente todos os esforços nacionais na área espacial. A MECB, aliás, surgiu poucos anos depois do governo brasileiro ter buscado juntar todas as atividades espaciais desenvolvidas no País por diferentes setores e órgãos do governo, esforço este que teve como marco o 1º Seminário de Atividades Espaciais - SAE, realizado em agosto de 1977.
Paralelamente, já se considerava dentro do governo uma parceria tecnológica com a França, que acabou não avançando, mas que influenciou sobremaneira a MECB. Entre os meses de abril e junho de 1979, vários especialistas brasileiros participaram de missão técnica em Toulouse, no sul da França, ocasião em que foram preparadas todas as especificações técnicas do Satélite de Coleta de Dados (SCD), do Laboratório de Integração e Testes (LIT), e do Centro de Controle de Satélites (CCS).
A cooperação com a França não avançou por variados motivos, dentro os quais o custo (na época, acreditava-se que a parceria francesa teria custo 4 ou 5 vezes maior do que o programa nacional, lógica que possivelmente se mostrou incorreta), elevado nível de importações (algo que se considerava negativo para a imagem do programa brasileiro, que buscava transmitir uma imagem de autonomia e independência), e também a questão da propulsão dos lançadores (a França estava propondo um foguete-lançador com estágios de propulsão líquida, mas o Brasil insistia na propulsão sólida, talvez pelo caráter dual do VLS à época).
A MECB como hoje é conhecida, com três áreas principais, a de lançadores (programa VLS), satélites (dois SCDs e dois satélites de sensoriamento remoto, os SSRs), e infraestrutura (sítios de lançamento de Natal (RN) e Alcântara (MA)), foi aprovada no 2º SAE, em setembro de 1979. Os primeiros recursos orçamentários para o seu desenvolvimento, no entanto, demoraram a aparecer, uma das razões pelo seu considerável atraso e, de certo modo, insucesso em alguns aspectos.
O quarto capítulo ("O engenho brasileiro em órbita") tem explicações detalhadas sobre o projeto do SCD-1 e sua construção. Um dado bastante interessante é a história da contratação do lançamento do satélite, uma vez que o VLS brasileiro estava bastante atrasado. No início da década de noventa, depois de solucionar questões políticas, o governo enviou cartas-consulta para fornecedores dos EUA, França, URSS, China, Japão e Israel. Três opções foram pré-selecionadas: (i) lançamento a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), ou de submarino soviético pelo consórcio Alport, que envolvias as empresas Glavkosmos (URSS), Elebra (Brasil) e Space Commerce Corporation (EUA); (ii) lançamento por meio do sistema Pegasus/B-52, da Orbital Sciences Corporation (EUA), a partir dos EUA; e (iii) lançamento de Wallops Island (EUA) pelo lançador Scout, da LTV Aerospace and Defense Company. A decisão recaiu sobre a proposta da Orbital, tendo o contrato sido assinado em setembro de 1991, ao custo de 14 milhões de dólares.
É curioso observar o panorama que se tinha em 1996 sobre o futuro do Programa Espacial Brasileiro. No sexto e último capítulo, a autora discorre sobre os futuros satélites do INPE, citando o SCD-2, o SCD-3, que além do transponder de coleta de dados teria uma carga-útil para comunicações móveis, a constelação de satélites de comunicações para órbita baixa ECO-8, os satélites científicos SACI e FBM (French-Brazilian Microsatellite), CBERS, o de sensoriamento remoto SSR-1, e a expectativa quanto à Plataforma Multimissão (PMM). Enfim, muitos projetos.
Sobre o ECO-8 (qualquer dia, trataremos mais a fundo desse projeto), é interessante notar que havia muita expectativa do INPE e de vários de seus dirigentes (isso pode ser percebido nos depoimentos publicados no livro) quanto às constelações de satélites de órbitas baixas para comunicações, que pareciam ser a tendência da época (projetos como o Iridium, Globalstar e Teledesic). Tendência esta que, ao menos na época, não se confirmou.
Outro ponto muito interessante é que vários dos dirigentes do Programa Espacial Brasileiro daquele período mencionaram em seus depoimentos o objetivo de se transferir projetos de satélites para a indústria nacional, elegendo um contratante-principal (“prime-contractor”). Ideia bastante avançada para a época, e ainda bastante atual.
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
Discussão sobre satélites equatoriais
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Satélite Equatorial para monitoramento da Amazônia é discutido durante a SBPC
15-07-2009
Uma mesa redonda reuniu ontem, terça-feira, 14 de julho, na SBPC, o coordenador de Gestão Tecnológica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Marco Chamon, o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB), Thyrso Villela e o secretário de Projetos Especiais da prefeitura de São José dos Campos (SP), Carlos Eduardo Santana.
Eles se reuniram para discutir a viabilidade de o Brasil desenvolver um Satélite de Órbita Equatorial que teria como função o monitoramento de florestas tropicais, em especial, a Amazônia. “Ainda não existe um satélite dessa natureza no mundo”, explicou Shamon.
A idéia, no entanto, não é nova. No início dos anos 90, na última reunião da Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (Cobae), que precedeu a Agência Espacial Brasileira (AEB), os técnicos do Inpe propuseram – e foi aceita – a mudança da concepção do primeiro Satélite de Sensoriamento Remoto (SSR1) da, então, Missão Espacial Completa Brasileira (MECB).
Esta mudança dizia respeito à órbita do satélite, que passaria a ser equatorial ao invés de polar. A motivação para tal mudança era muito simples: com um Satélite de Sensoriamento Remoto em órbita polar o Brasil poderia duplicar os resultados de outros satélites existentes, incluindo-se o Cbers. Já um satélite em órbita equatorial permitiria uma missão voltada para um problema eminentemente brasileiro – monitoramento da Amazônia – e produziria resultados impossíveis de serem alcançados com os satélites existentes.
“Várias tentativas de iniciar o projeto foram frustradas, ou por liberação tardia de orçamento ou por disputas entre as empresas que participaram das licitações. O início efetivo do desenvolvimento do SSR1 só se deu com a assinatura do contrato de desenvolvimento da Plataforma Multimissão, em 2001, que foi concebida para colocar no espaço o SSR1. Na última revisão do Plano Nacional de Atividades Espaciais (Pnae), no entanto, o SSR1 deixou de ser prioridade”, de acordo com Carlos Eduardo Santana.
Durante a SBPC a discussão recobrou o fôlego. Afinal, fazer ou não o satélite? Os que advogam a favor usam o argumento de que o SSR1 passaria frequentemente pela região a cada hora e meia, uma média de 14 vezes por dia. “Isso possibilitaria monitorar a Amazônia com maior freqüência”, explica Chamon.
Como é feito o monitoramento da Amazônia
O Brasil é o líder mundial no uso de imagens de satélites para monitorar o desmatamento em florestas tropicais. Atualmente, o País possui dois sistemas de monitoramento da Amazônia. O Projeto de Monitoramento da Amazônia (Prodes), um software, implantado em 1988, que usa imagens dos satélites Landsat (americano), e do Cbers (sino-brasileiro), para saber o que está acontecendo na Amazônia. O Prodes recolhe aproximadamente 80 a 90 imagens úteis no período de um ano (entre os meses de agosto e julho).
O segundo sistema é o de Detecção em Tempo Real do Desmatamento (Deter). Diferente do Prodes, o Deter é capaz de alertar, a cada 15 dias, a possibilidade de desmatamentos. Essas informações são usadas pelo IBAMA e pelas comunidades. O Inpe recebe as imagens, faz a análise e distribui os resultados.
“A resolução da imagem do Prodes é melhor do que a do Deter. O Prodes define onde está o desmatamento, uma vez por ano. O Deter possui uma resolução pior e só consegue fazer alertas sobre grandes desmatamentos”. explica Chamon.
“O ideal é que possamos fazer avaliações de desmatamento com características do Prodes num menor espaço de tempo”, diz Thyrso Villela, da AEB.
Caso o SSR1 saia do plano das idéias e vire realidade, o Brasil poderá colher informações importantes em uma semana, processá-las e fornecer os resultados em um mês.
Órbitas polares e equatoriais
Satélites em órbita equatorial são capazes de cobrir uma determinada região mais rápido porque passam mais vezes pelo mesmo local. No entanto, eles captam imagens apenas de uma faixa do planeta. Os de órbita polar são capazes de olhar para todo o País, embora, com menor freqüência.
“Particularmente, prefiro a órbita polar. Poderíamos monitorar todo o País. Monitorar a agricultura, realizar estudos urbanos, a mata atlântica e os desastres naturais. Um satélite equatorial não conseguiria, por exemplo, visualizar o estado de Santa Catarina”, afirma Chamon.
Na verdade, um satélite deve ser útil para aquilo que ele foi projetado. Já que o Brasil precisa ampliar os mecanismos de monitoramento da Amazônia fica a dúvida: aumentar o número de satélites polares ou equatoriais? Qual dos dois seria a melhor solução?
“O ideal é que se faça um estudo técnico/científico para depois tomarmos a decisão política. Satélite é um produto caro. Os projetos devem ser submetidos ao Conselho Superior da AEB, antes de mais nada”, ressalta Thyrso Villela.
Caso o SSR1 volte a ser prioridade para o Programa Nacional de Atividades Espaciais ele levará uma média de cinco a sete anos para ser colocado em órbita.
Fonte: AEB
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Satélite Equatorial para monitoramento da Amazônia é discutido durante a SBPC
15-07-2009
Uma mesa redonda reuniu ontem, terça-feira, 14 de julho, na SBPC, o coordenador de Gestão Tecnológica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Marco Chamon, o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB), Thyrso Villela e o secretário de Projetos Especiais da prefeitura de São José dos Campos (SP), Carlos Eduardo Santana.
Eles se reuniram para discutir a viabilidade de o Brasil desenvolver um Satélite de Órbita Equatorial que teria como função o monitoramento de florestas tropicais, em especial, a Amazônia. “Ainda não existe um satélite dessa natureza no mundo”, explicou Shamon.
A idéia, no entanto, não é nova. No início dos anos 90, na última reunião da Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (Cobae), que precedeu a Agência Espacial Brasileira (AEB), os técnicos do Inpe propuseram – e foi aceita – a mudança da concepção do primeiro Satélite de Sensoriamento Remoto (SSR1) da, então, Missão Espacial Completa Brasileira (MECB).
Esta mudança dizia respeito à órbita do satélite, que passaria a ser equatorial ao invés de polar. A motivação para tal mudança era muito simples: com um Satélite de Sensoriamento Remoto em órbita polar o Brasil poderia duplicar os resultados de outros satélites existentes, incluindo-se o Cbers. Já um satélite em órbita equatorial permitiria uma missão voltada para um problema eminentemente brasileiro – monitoramento da Amazônia – e produziria resultados impossíveis de serem alcançados com os satélites existentes.
“Várias tentativas de iniciar o projeto foram frustradas, ou por liberação tardia de orçamento ou por disputas entre as empresas que participaram das licitações. O início efetivo do desenvolvimento do SSR1 só se deu com a assinatura do contrato de desenvolvimento da Plataforma Multimissão, em 2001, que foi concebida para colocar no espaço o SSR1. Na última revisão do Plano Nacional de Atividades Espaciais (Pnae), no entanto, o SSR1 deixou de ser prioridade”, de acordo com Carlos Eduardo Santana.
Durante a SBPC a discussão recobrou o fôlego. Afinal, fazer ou não o satélite? Os que advogam a favor usam o argumento de que o SSR1 passaria frequentemente pela região a cada hora e meia, uma média de 14 vezes por dia. “Isso possibilitaria monitorar a Amazônia com maior freqüência”, explica Chamon.
Como é feito o monitoramento da Amazônia
O Brasil é o líder mundial no uso de imagens de satélites para monitorar o desmatamento em florestas tropicais. Atualmente, o País possui dois sistemas de monitoramento da Amazônia. O Projeto de Monitoramento da Amazônia (Prodes), um software, implantado em 1988, que usa imagens dos satélites Landsat (americano), e do Cbers (sino-brasileiro), para saber o que está acontecendo na Amazônia. O Prodes recolhe aproximadamente 80 a 90 imagens úteis no período de um ano (entre os meses de agosto e julho).
O segundo sistema é o de Detecção em Tempo Real do Desmatamento (Deter). Diferente do Prodes, o Deter é capaz de alertar, a cada 15 dias, a possibilidade de desmatamentos. Essas informações são usadas pelo IBAMA e pelas comunidades. O Inpe recebe as imagens, faz a análise e distribui os resultados.
“A resolução da imagem do Prodes é melhor do que a do Deter. O Prodes define onde está o desmatamento, uma vez por ano. O Deter possui uma resolução pior e só consegue fazer alertas sobre grandes desmatamentos”. explica Chamon.
“O ideal é que possamos fazer avaliações de desmatamento com características do Prodes num menor espaço de tempo”, diz Thyrso Villela, da AEB.
Caso o SSR1 saia do plano das idéias e vire realidade, o Brasil poderá colher informações importantes em uma semana, processá-las e fornecer os resultados em um mês.
Órbitas polares e equatoriais
Satélites em órbita equatorial são capazes de cobrir uma determinada região mais rápido porque passam mais vezes pelo mesmo local. No entanto, eles captam imagens apenas de uma faixa do planeta. Os de órbita polar são capazes de olhar para todo o País, embora, com menor freqüência.
“Particularmente, prefiro a órbita polar. Poderíamos monitorar todo o País. Monitorar a agricultura, realizar estudos urbanos, a mata atlântica e os desastres naturais. Um satélite equatorial não conseguiria, por exemplo, visualizar o estado de Santa Catarina”, afirma Chamon.
Na verdade, um satélite deve ser útil para aquilo que ele foi projetado. Já que o Brasil precisa ampliar os mecanismos de monitoramento da Amazônia fica a dúvida: aumentar o número de satélites polares ou equatoriais? Qual dos dois seria a melhor solução?
“O ideal é que se faça um estudo técnico/científico para depois tomarmos a decisão política. Satélite é um produto caro. Os projetos devem ser submetidos ao Conselho Superior da AEB, antes de mais nada”, ressalta Thyrso Villela.
Caso o SSR1 volte a ser prioridade para o Programa Nacional de Atividades Espaciais ele levará uma média de cinco a sete anos para ser colocado em órbita.
Fonte: AEB
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
O sucesso dos outros
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Na última segunda-feira (2), o Irã inseriu em órbita seu primeiro satélite lançado por meios próprios, por meio do foguete Safir 2, baseado no míssil balístico Shahab 3. Para mais informações sobre a missão iraniana, acesse o Boletim em Órbita.
Com o sucesso da missão, o Irã se tornou o décimo país a integrar o seleto grupo de países lançadores de satélites, se juntando à Rússia, EUA, França, Inglaterra, Japão, China, Índia, Israel e Ucrânia.
Desde o final da década de setenta, com o lançamento da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) o Brasil almeja integrar o seleto clube de países com acesso direto ao espaço, sem intermediários. Desenvolve para tanto o programa VLS (Veículo Lançador de Satélites), tendo realizado já três tentativas, em 1997, 1999 e 2003, todas mal-sucedidas. Razões orçamentárias explicam o insucesso brasileiro, mas evidentemente não são as únicas causas.
A Coréia do Sul também quer entrar nesse grupo. Ainda esse ano, no verão, ou em 2010, deve lançar o primeiro protótipo do KSLV-1 (Korean Space Launch Vehicle - 1), desenvolvido por centros de pesquisa e indústrias coreanas, com forte apoio da Rússia. O primeiro estágio do lançador coreano é baseado num propulsor de combustível líquido que equipará a família de lançadores russos Angara.
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Na última segunda-feira (2), o Irã inseriu em órbita seu primeiro satélite lançado por meios próprios, por meio do foguete Safir 2, baseado no míssil balístico Shahab 3. Para mais informações sobre a missão iraniana, acesse o Boletim em Órbita.
Com o sucesso da missão, o Irã se tornou o décimo país a integrar o seleto grupo de países lançadores de satélites, se juntando à Rússia, EUA, França, Inglaterra, Japão, China, Índia, Israel e Ucrânia.
Desde o final da década de setenta, com o lançamento da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) o Brasil almeja integrar o seleto clube de países com acesso direto ao espaço, sem intermediários. Desenvolve para tanto o programa VLS (Veículo Lançador de Satélites), tendo realizado já três tentativas, em 1997, 1999 e 2003, todas mal-sucedidas. Razões orçamentárias explicam o insucesso brasileiro, mas evidentemente não são as únicas causas.
A Coréia do Sul também quer entrar nesse grupo. Ainda esse ano, no verão, ou em 2010, deve lançar o primeiro protótipo do KSLV-1 (Korean Space Launch Vehicle - 1), desenvolvido por centros de pesquisa e indústrias coreanas, com forte apoio da Rússia. O primeiro estágio do lançador coreano é baseado num propulsor de combustível líquido que equipará a família de lançadores russos Angara.
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