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terça-feira, 27 de setembro de 2016

INPE: balanço da gestão de Leonel Perondi

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Perondi faz balanço e agradecimentos no encerramento de sua gestão

Segunda-feira, 26 de Setembro de 2016

Leonel Perondi encerrou sua gestão nesta segunda-feira (26), durante a solenidade de aniversário do INPE, quando Ricardo Galvão tomou posse como diretor do Instituto.

Em seu discurso de despedida, Perondi, que assumiu em maio de 2012, fez um balanço dos quatro anos em que dirigiu o INPE.

Confira aqui a mensagem de Perondi sobre os 55 anos do INPE.

E aqui sua mensagem de encerramento de gestão.

Fonte: INPE
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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Ricardo Galvão é nomeado diretor do INPE

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Ricardo Galvão é nomeado diretor do INPE

Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016

Nesta quinta-feira (22/9), foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a portaria que nomeia Ricardo Magnus Osório Galvão como novo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Ele substitui Leonel Perondi, à frente da instituição desde maio de 2012. Confira aqui a publicação no DOU.

Ricardo Galvão já foi diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), membro do Conselho da Sociedade Europeia de Física e presidente da Sociedade Brasileira de Física, entre outros cargos de gestão técnico-científica.

O novo diretor do INPE é graduado em Engenharia de Telecomunicações pela Universidade Federal Fluminense (UFF), mestre em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e doutor em Física de Plasmas Aplicada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), com livre-docência em Física Experimental pela Universidade de São Paulo (USP). É membro titular da Academia de Ciências do Estado de São Paulo e da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Galvão foi indicado à Direção do INPE pelo ministro Gilberto Kassab, da pasta de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) após processo de seleção realizado por meio de comitê de especialistas. O sistema vem sendo praticado pelo MCTIC para os cargos de Direção de todas as suas Unidades de Pesquisa e resulta em lista tríplice que subsidia a escolha do ministro. A seleção é realizada por especialistas que buscam, nas comunidades científica, tecnológica e empresarial, nomes que se identifiquem com as diretrizes técnicas e político-administrativas estabelecidas para cada instituição.

Fonte: INPE
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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

INPE: 55 anos

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Diretor saúda os 55 anos do INPE

Quarta-feira, 03 de Agosto de 2016

Criado em 3 de agosto de 1961, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) é uma referência nas áreas de Meteorologia e Mudanças Climáticas, Observação da Terra, Ciências Espaciais e Atmosféricas e Engenharia Espacial. A seguir, mensagem do diretor Leonel Perondi por ocasião do aniversário:

Prezados colegas do INPE,

Há 55 anos, foi instituído o embrião do que hoje é o INPE, fruto da visão de pioneiros, tais como Aldo Vieira da Rosa e Abraão de Moraes, que já intuíam que o acesso ao espaço seria uma competência necessária para gerenciar uma nação de dimensões continentais como o Brasil. Hoje, o INPE é o principal órgão civil responsável pelo desenvolvimento das atividades espaciais no país, com a missão de contribuir para que a sociedade brasileira possa usufruir dos benefícios gerados pelo desenvolvimento do setor espacial. 

O INPE apresenta atuação nacional, contando com laboratórios, centros e unidades regionais em diferentes partes do país. O efetivo atual de recursos humanos conta com cerca de 950 servidores, 600 alunos de pós-graduação e mais de 1000 colaboradores, na forma de bolsistas de programas de capacitação institucional, estagiários, funcionários de empresas prestadoras de serviços e contratados de projetos.

A atuação do Instituto pode ser sintetizada como ocorrendo em três camadas, descritas como (a) a promoção da capacitação e autonomia nacionais na colocação de sistemas espaciais em órbita para a geração de informações e disponibilização de serviços, (b) o desenvolvimento e disponibilização da infraestrutura necessária para o rastreio e o controle de satélites em órbita e para a recepção, armazenagem e distribuição das informações ou serviços gerados e (c) a aplicação das informações geradas por sistemas espaciais para o avanço da ciência e o provimento de produtos e serviços inovadores à sociedade.

Através de seus projetos e atividades, o Instituto busca transformar conhecimento em produtos e serviços inovadores.

Demonstrando o bom desempenho do Instituto no cumprimento de sua missão, cita-se o fato de que o INPE aparece como o único Instituto da América do Sul entre as 40 instituições mais prolíficas em nível mundial na produção científica na área espacial, em levantamento publicado pela OCDE em 2014 (OCDE, The Space Economy at a Glance 2014, OECD Publishing, 2014, pag. 73.
http://www.asaspazio.it/wp-content/uploads/2014/11/The-Space-Economy-at-a-Glance-2014.pdf).

No que tange a produtos e serviços, cita-se que o INPE, no decorrer do primeiro semestre, passou a disponibilizar imagens dos quatro sensores a bordo do satélite CBERS-4, o qual, correntemente, opera em órbita sob o controle do CRC/INPE.

Nesta passagem dos 55 anos do Instituto, queremos expressar a todos os servidores e colaboradores nossos cumprimentos e felicitações pela passagem desta data, que a todos muito orgulha.

Leonel Fernando Perondi
Diretor do INPE

Fonte: INPE
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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Comitê de busca para diretor do INPE

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MCTI institui comitê de busca para diretor do INPE

Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016

Nesta sexta-feira (22/1), foi publicada no Diário Oficial da União a portaria que institui o comitê de busca que irá subsidiar o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Celso Pansera, na escolha do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Confira aqui a portaria n°73/2016 do MCTI.

O comitê será presidido por Marco Antonio Raupp, do Parque Tecnológico de São José dos Campos, e tem ainda como membros: Rogério Cézar Cerqueira Leite, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Luiz Bevilacqua, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Helena Bonciani Nader, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); e Reginaldo dos Santos, da Empresa Binacional Alcântara Cyclone Space (ACS).

O processo de seleção para o cargo de diretor do INPE, cujo mandato é de quatro anos, é realizado por meio de comitê de especialistas que recebe e avalia as inscrições dos interessados. A seleção dará origem a uma lista tríplice a ser encaminhada ao ministro do MCTI, que escolherá o diretor entre os três nomes indicados pelo comitê.

Esse sistema de escolha de dirigentes foi instituído pelo MCTI para os cargos de Direção de suas Unidades de Pesquisa. Os procedimentos para inscrições a próximo diretor do INPE ainda serão divulgados.

O atual diretor do INPE, Leonel Perondi, assumiu em maio de 2012, durante a gestão do ministro Marco Antonio Raupp.

Fonte: INPE
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sexta-feira, 3 de outubro de 2014

INPE Cachoeira Paulista: 44 anos

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INPE de Cachoeira Paulista comemora 44 anos

Quinta-feira, 02 de Outubro de 2014

Em Cachoeira Paulista, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mantém o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), o Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CST), o Laboratório de Combustão e Propulsão (LCP), a Divisão de Geração de Imagens (DGI) e o Projeto BDA para monitoramento da atividade solar, entre outros experimentos e atividades.

“Cada área de atuação do Instituto desenvolve projetos de pesquisa básica, pesquisa aplicada e desenvolvimento, disponibilizando produtos e serviços inovadores que impactam a vida da sociedade”, disse Leonel Perondi, diretor do INPE, durante a solenidade em comemoração aos 43 anos da Unidade de Cachoeira Paulista, realizada no último dia 30 de setembro.

Confira aqui a íntegra do discurso do diretor.

Na ocasião, Perondi citou desafios superados recentemente, como a realização de concurso público para regularizar a situação de servidores temporários. Também destacou a antecipação para o próximo mês de dezembro do lançamento do satélite sino-brasileiro CBERS-4, inicialmente programado para o final de 2015.

“Todos os eventos com alto risco de prazo foram cumpridos como planejado, permitindo que a integração do CBERS-4 fosse cumprida. Assim, foi com grande entusiasmo que a equipe brasileira participou, na última semana, em Beijing, da revisão final que liberou o transporte do CBERS-4 para a base de lançamento. No período de outubro a dezembro o satélite será integrado ao lançador, e tem seu lançamento, conforme o cronograma linha de base, agendado para a primeira quinzena de dezembro”, ressaltou o diretor do INPE. “O esforço liderado pelo Instituto terá colocado, em dois anos consecutivos, dois satélites no “launch pad”, constituindo-se em uma grande demonstração de competência e vigor técnico das equipes do INPE e de sua contraparte chinesa, a CAST (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial)”, completou.

Mais uma vez, Perondi enfatizou a necessidade urgente da recomposição do quadro de servidores do Instituto e homenageou, de forma especial, os servidores e colaboradores da área de gestão.

“Apesar da falta de quadros já há um longo tempo, o núcleo de gestão do INPE de Cachoeira Paulista vem operando com esmero e dedicação, desdobrando-se para o cumprimento do grande número de responsabilidades. Esta situação tem se exacerbado, significativamente, ao longo do último ano, devido ao grande número de aposentadorias ocorridas nesta área”, disse o diretor.

Apresentações

Ainda durante a solenidade em comemoração aos 44 anos do INPE de Cachoeira Paulista, alguns dos principais projetos e realizações da unidade foram apresentados por José Antonio Aravéquia, chefe do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC); Ivan Marcio Barbosa, chefe da Divisão de Geração de Imagens (DGI); Fernando de Souza Costa, chefe do Laboratório de Combustão e Propulsão (LCP); Jean Ometto, chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CST); e Hanumant S. Sawant, coordenador do projeto BDA (Brazilian Decimetric Array), um radiointerferômetro que possui um conjunto de antenas para rastreio do Sol.

Confira aqui a apresentação do CPTEC

Confira aqui a apresentação do LCP

Confira aqui a apresentação da DGI

Confira aqui a apresentação do CST

Confira aqui a apresentação do BDA
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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Aniversário do INPE: discurso de Leonel Perondi

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Diretor enaltece servidores, destaca realizações e necessidade de recomposição do quadro do INPE

Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

O agradecimento aos servidores foi a tônica do discurso de Leonel Perondi, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), durante o aniversário de 53 anos da instituição.  Na oportunidade, destacou ainda que é preciso recompor o quadro de funcionários. “Estima-se a necessidade de em torno de 400 contratações de jovens servidores, no curto prazo, para que o INPE possa manter capacitação equivalente a que detém hoje, tanto técnico-científica quanto de volume de trabalho”, disse Perondi.

Confira aqui a íntegra do discurso de Leonel Perondi.

O diretor ressaltou atividades desempenhadas por todas as áreas do INPE, como, por exemplo, os esforços para o lançamento do CBERS-4 no próximo mês de dezembro – um ano antes do previsto – e a integração do satélite nacional Amazônia-1. Também anunciou que está em curso a expansão do monitoramento por satélites para os demais biomas brasileiros, começando pelo Cerrado – o INPE já é referência mundial por monitorar o desflorestamento na Amazônia.

Os 53 anos do INPE foram comemorados na tarde de quinta-feira (7/8) na sede da instituição, em São José dos Campos (SP). A solenidade contou com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clelio Campolina Diniz, entre outras autoridades e convidados. “O INPE é um exemplo do esforço de combinar os avanços na fronteira de pesquisa com a aplicação em várias áreas para o desenvolvimento do País e, também, para o fundamento de políticas públicas”, declarou o ministro.

Homenagens

Todos os anos o INPE homenageia os servidores que completaram 10, 15, 20, 25, 30, 35, 40 e 45 anos de atividades. Confira aqui os homenageados na cerimônia de 2014.

Recebem especial homenagem os servidores que mais se destacaram no último ano. Dentre os indicados pelas áreas, foi escolhido um servidor de cada uma das três carreiras do quadro de Ciência e Tecnologia: Pesquisa, Desenvolvimento Tecnológico e Gestão. Para escolher o “Servidor Destaque”, foram observadas a competência, a habilidade na tomada de decisões, a capacidade de iniciativa, o interesse pelas atividades, a dedicação e a eficiência.

Na carreira de Pesquisa, foi escolhido como Servidor Destaque 2014 Nelson Jorge Schuch, do Centro Regional Sul de Pesquisas Espaciais. Na carreira de Desenvolvimento Tecnológico, Fabrício de Moraes Kucinskis, da Coordenação de Engenharia e Tecnologia Espacial. E na carreira de Gestão, Ronaldo Duarte Ferreira, da Coordenação de Orçamento e Finanças.

Expansão

Ainda no âmbito das comemorações pelos 53 anos do INPE, na manhã de sexta-feira (8/8) foi inaugurada a expansão das instalações do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), no campus do Instituto localizado em Cachoeira Paulista. As novas salas permitirão aumentar o espaço para a pesquisa e operações deste Centro do INPE, que é referência no atendimento às demandas da sociedade em todas as aplicações de previsão numérica de tempo e de clima e de satélites ambientais.

As informações geradas no CPTEC/INPE são utilizadas no planejamento governamental de ações críticas para a sociedade (em instituições como ANA, ANEEL, ONS, Marinha, Aeronáutica, Infraero, CEMADEN, CENAD, entre outras), além de órgãos estaduais e empresas privadas.

Fonte: INPE
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

"Prontos para o próximo CBERS?", reportagem do Jornal do SindCT

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Reproduzimos abaixo uma interessante reportagem sobre a perda do CBERS 3 numa falha de lançamento em dezembro do ano passado e os planos para a antecipação do voo do CBERS 4. A reportagem, de autoria da jornalista Tânia Caliari, foi publicada na edição n.º 28 do "Jornal do SindCT", que acaba de ser publicada. Uma reportagem mais extensa, com 12 páginas, da mesma autora, foi publicada na edição n.º 79 (fevereiro de 2014), da revista "Retrato do Brasil".

Prontos para o próximo CBERS?

O fracasso do lançamento do CBERS-3 na China demonstrou que a área espacial é difícil até para os mais preparados. Agora o governo brasileiro antecipa a montagem de um novo satélite, sacrificando as chances de qualificação de técnicos no Brasil

Tânia Caliari*

Foi impossível chegar à China para o lançamento do Cbers-3 no início de dezembro do ano passado sem sentir um pouco de orgulho pelo que estava prestes a acontecer: o lançamento de um satélite concebido e construído parcialmente no Brasil, por engenheiros, técnicos e industriais brasileiros. Antes de partir, ouvi explanações detalhadas de como fora o desenvolvimento de partes do satélite pelos engenheiros e técnicos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), seus desafios, seus progressos. Havia visto in loco a superação na indústria para a construção dos subsistemas, tendo de se qualificar, adequar suas estruturas e força de trabalho, e enfrentar as restrições de importação de componentes, com destaque para a história da câmara Mux, sobre a qual já em 2012 eu havia feito uma reportagem.

Foi impossível também chegar à China sem carregar uma certa frustração: o programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite, ou Satélite Sino--Brasileiro de Recursos Terrestres) vem sendo levado a trancos e barrancos pelo Brasil, e a parte que nos cabia no CBERS-3 havia sido construída com muitos problemas e atrasos, adiando seu lançamento muitas vezes. Adicionalmente, analisando-se de uma forma mais ampla o Programa Espacial Brasileiro (PEB), o CBERS-3 seria levado para o espaço por um foguete chinês, visto que ainda não temos um veículo lançador de satélite.

Estava claro que, desde o início do programa de cooperação com a China, em 1988, havíamos avançado muito pouco na área espacial, em comparação às conquistas do programa espacial chinês. A pouca frequência com que o Brasil constrói e lança satélites (seis satélites em 20 anos!) ressaltava, de forma melancólica, a importância de se testemunhar aquele evento.

De qualquer forma, a calorosa e organizadíssima recepção dos chineses faria qualquer um se sentir bem na chegada, com cuidados como o oferecimento de chá quentinho e até a distribuição de casacos para a delegação brasileira aguentar os rigores do inverno na base de lançamento de satélite em Taiyuan.

De Beijing até Taiyuan, cidade do interior de 4,5 milhões de habitantes, cujas luzes de neon à noite lembravam uma Las Vegas, a viagem foi feita por trem-bala. Antes do embarque, políticos, técnicos e empresários brasileiros se adiantaram em tirar fotos diante da composição que chegaria a 300 quilômetros por hora. Durante o trajeto pude ouvir de alguns empresários suas impressões sobre o programa espacial chinês: “Os investimentos que os chineses fizeram na área são verdadeiramente de um país que quer ser uma potência espacial”, disse Edgar Menezes da Onmysis, que, juntamente com outros empresários que participaram da fabricação do CBERS-3, esteve visitando empresas estatais executoras do programa espacial chinês em Xangai e em Beijing, em agenda organizada pela Agência Espacial Brasileira (AEB).

China, ontem e hoje

Os empresários também puderam ver o enorme e sofisticado laboratório de integração da China Academy of Space Technology (CAST), a parceira chinesa do INPE no desenvolvimento dos CBERS, onde havia pelo menos dez satélites, de diferentes finalidades e tamanhos, sendo montados ao mesmo tempo. Aquela sim parecia a demanda dos sonhos de qualquer industrial...

A participação de indústrias brasileiras no programa CBERS deu-se sobretudo a partir do CBERS-3, quando o INPE praticamente organizou um arranjo industrial para o setor espacial, determinando as características dos equipamentos e subsistemas necessários para suprir a cota brasileira de 50% do satélite, e repassando sua execução para cerca de dez empresas, que foram se qualificando para dar conta do recado. “Um programa como este tem três objetivos: geopolítico, de relação Sul-Sul; de desenvolvimento tecnológico, com a participação dos técnicos do INPE; e industrial, para formar indústrias com capacidade de fabricar sistemas espaciais no Brasil”, explicou Leonel Perondi, diretor do INPE, durante a viagem de trem.

Da cidade de Taiyuan, as delegações seguiram no outro dia para o distrito de Kelan, onde fica efetivamente a base de lançamento. Chineses e brasileiros foram conduzidos em seis microônibus numa confortável viagem de três horas. No caminho, com paisagem dominada por montanhas de rochas de cor ocre, peladas de vegetação e cobertas por neve nos pontos mais altos, o empresário Célio Vaz conta que a primeira vez que fez aquele trajeto, para acompanhar o lançamento do primeiro satélite CBERS, em 1999, ainda como engenheiro do INPE, aquela viagem havia durado dez horas, com a estrada ainda sem asfalto, muito precária e esburacada. Este seria mais um depoimento comparando a China do início do programa CBERS com a China de agora. “Em 1988, quase não havia carros em Pequim. Eram apenas 1.200 carros de estrangeiros, de embaixadas e do governo”, diria um técnico do INPE; “O próprio presidente da CAST chegava ao trabalho de bicicleta!”, diria outro.

A cada comentário, o cenário do passado contrastava mais com a aparente opulência da China hoje: “O laboratório de integração deles funcionava, mas era muito tosco... Hoje é uma potência”. “Ficávamos loucos para comer batata frita, e não tinha”. “Os técnicos chineses eram todos maduros, e nós do INPE éramos jovens. Hoje a situação se inverteu completamente...”. Muitos desses técnicos podem ser vistos jovenzinhos em sua primeira visita à China na reportagem feita pelo jornalista Sérgio Brandão para o programa Globo Ciência da Rede Globo, em 1988 (confira no You Tube, http://goo.gl/Tjk0Mw).

Antes de entrar na base, nossos jovens guias chineses, todos com graduação em alguma engenharia ligada à área espacial e pós-graduação em marketing ou administração, disseram que não poderíamos filmar ou fotografar nada. Felizmente os anfitriões ofereceram depois para o Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação imagens daquele dia de céu muito azul, com o registro das atividades das delegações na base, que flagram o otimismo e a desconcentração dos visitantes.

Desolação (e pressão)

Às 11h26 (1h25 no horário de Brasília) do dia 9 de dezembro, testemunhamos então a impressionante subida do foguete Longa Marcha 4B, de 250 toneladas e 48 metros de altura, que carregava em sua ponta o CBERS-3, com a missão de colocá-lo em órbita a uma distância de 778 quilômetros do planeta. Aquela seria a 35ª viagem desse consagrado modelo de foguete chinês que até então colecionava 100% de sucesso em seus lançamentos.

Diante da imponente imagem, fica difícil acreditar que o lançamento fracassou. O motivo, confirmado pelos chineses, foi uma falha ocorrida no terceiro estágio do foguete. Os dados enviados à base pelo lançador registraram que os dois estágios anteriores haviam queimado seu combustível e sido descartados no tempo e na velocidade programados. O terceiro estágio, porém, teria tido um tempo de propulsão, de queima de combustível, 11 segundos menor do que o previsto, não atingindo assim a velocidade necessária, de cerca de 7 quilômetros por segundo, para colocar o satélite em órbita.

No hotel da base de Taiyuan, onde todos se reuniram depois do lançamento, cerca de uma hora depois da notícia da falha do foguete que levou à destruição total do CBERS- 3, o ministro de Ciência Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, já pensava na antecipação do lançamento do CBERS-4, novo satélite a ser lançado em 2015. Sentou-se à mesa que reunia os funcionários do INPE para um almoço que deveria ter sido comemorativo. “Eu não entendo nada, mas compreendo isso: vocês estão de parabéns pelo trabalho que fizeram no CBERS-3”, disse, depois de perguntar ao engenheiro Antonio Carlos de Oliveira Pereira, o Pinda, gerente do programa pelo lado brasileiro, em que pé estavam os equipamentos do CBERS-4. Ficou satisfeito em ouvir que a maioria dos subsistemas já estavam prontos, e que os equipamentos reserva do CBERS-3 já estavam na China. Ao comentário de Genésio Hubscher, veterano do INPE e do programa CBERS, de que a pressão para se antecipar o novo satélite ira ser grande, o ministro respondeu, bonachão: “Eu vim aqui me sentar com vocês. Já estou fazendo isso”.

No voo de volta ao Brasil, o ministro destacou a importância de se ter logo um novo satélite em órbita. “O objetivo do programa é ter um satélite operacional captando imagens do nosso território, coisa que há muito a gente não tem. Esse satélite deveria ter sido lançado em 2009, quando parou de funcionar o CBERS-2B. Desde então, temos recebido imagens de satélites lançados por outros países”. Segundo o ministro, o governo federal tem uma boa noção da importância de se usar satélites para monitorar nosso enorme território nacional e seus recursos a partir do espaço. “Mas o importante é entender qual é a visão da sociedade brasileira. Esses satélites de aplicação têm grande impacto e aceitação”, diz, destacando que este tipo de programa requer muitos recursos. A construção e os lançamentos dos CBERS-3 e 4 custaram cerca de US$ 150 milhões, segundo o INPE. Isto leva a um custo estimado de R$ 180 milhões somente para o CBERS-4.

Refletindo sobre a importância de o Brasil possuir um satélite imageador, e ainda, de conseguir conceber e produzir esse satélite, outro veterano do programa CBERS, o engenheiro Luiz Bueno, do INPE, considera que o valor de se construir um satélite vai além de sua aplicação. “Se for para ter as imagens você compra por aí, é um produto. Mas quando você faz um satélite você ganha autonomia, independência tecnológica, e além disso começa a criar um parque industrial capaz de fazer equipamentos mais sofisticados. As dificuldades superadas podem servir como uma alavanca de desenvolvimento para o país”, avalia.

Perda de oportunidade

Pinda concorda com o colega, mas entende que no momento é preciso providenciar um novo CBERS o mais rapidamente possível para atender à demanda dos usuários de imagens. Respondendo à pressão do ministro, o engenheiro apresentou uma estratégia para antecipar a integração do CBERS-4 e deixá-lo apto para o lançamento, que seria também antecipado de dezembro de 2015 para o final de 2014. O principal ponto da estratégia é fazer a integração do satélite na China.

As réplicas de cada equipamento do CBERS-3, fabricadas para substituir os originais em caso de alguma falha, já se encontram no país asiático e, segundo o engenheiro, ao se evitar repatriar os susbsistemas brasileiros e seus equipamentos de testes, além de trazer as partes chinesas e também seus aparelhos de testes, e depois enviar o satélite já integrado no Brasil para a China, pode-se ganhar seis meses de tempo. Outro ponto importante da estratégia é enviar mais técnicos do INPE para coordenar os testes e a integração, e delegar grande parte do trabalho de montagem dos subsistemas na estrutura, atividade considerada de pouco ganho tecnológico, aos chineses, que têm abundância de recursos humanos qualificados para isso.

Em reunião entre os funcionários envolvidos com o programa CBERS realizada no final de dezembro no INPE, porém, ficou claro que nem todos concordam com a necessidade dessa antecipação. Para muitos, abrir mão da montagem do satélite no Brasil significará a perda de oportunidade de se qualificar novos profissionais nas atividades de integração.

Para os que ponderam que o Brasil já passou por essa experiência, tendo integrado os satélites CBERS-2 e 2B no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE, vale lembrar que isso foi há mais de seis anos, e que, com o envelhecimento dos seus quadros, o instituto necessita desesperadamente de chances para novas qualificações. É no que acredita Adalberto Pacífico Comiran, físico e engenheiro do INPE de 70 anos, que já está com sua viagem para a China marcada para o final de fevereiro para começar a integração do novo satélite. Ele estava à mesa do almoço que se sucedeu ao lançamento fracassado do CBERS-3 na base de Taiyuan quando o ministro Raupp sentou-se para falar do CBERS-4. Especializado em testes nos equipamentos que usam rádio-frequência, Pacífico participou da montagem do CBERS-2B e é sincero ao dizer que, por ele, não iria mais à China. “A gente vai porque não tem mais ninguém... eu queria é passar meu trabalho para gente nova”, diz. Segundo Pacífico, depois da integração do CBERS-2B não foi possível realizar todos os testes necessários no Brasil, pois na época a câmara de termo vácuo do LIT, fundamental para testar a resistência do satélite, não estava pronta. “Agora sim, ao integrar o CBERS-4, teríamos a chance de fazer o trabalho completo aqui e a oportunidade de qualificar muita gente”, lamenta.

*Repórter da revista Retrato do Brasil enviada à China pelo SindCT

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Antecipar lançamento do CBERS-4 é um erro, porque torna inevitável a integração na China

Assim que se confirmou a falha no lançamento do satélite CBERS-3 devido a um mau funcionamento do último estágio do foguete chinês Longa Marcha 4B em dezembro de 2013, começaram a surgir propostas no sentido de se antecipar a integração (montagem) e lançamento do satélite CBERS-4, como forma de se amenizar o prejuízo causado pela perda do CBERS-3. Originalmente o CBERS-4 estava previsto para ser lançado no final de 2015, decisão esta que já havia sido ratificada pela Comissão Sino-Brasileira de Alto-Nível (Cosban), que coordena as atividades no âmbito da cooperação espacial entre Brasil e China, na sua última reunião ocorrida em novembro de 2013, portanto, poucos dias antes da tentativa frustrada de lançamento do CBERS-3 (vide matéria publicada no Jornal do SindCT 27, http://goo.gl/BpmvBt).

Aparentemente, a ideia de se antecipar o lançamento do CBERS-4 partiu do próprio ministro Raupp (MCTI), que divulgou declarações à imprensa neste sentido enquanto ainda se encontrava na China, acompanhando o lançamento do CBERS-3. O argumento central desta proposta baseia-se no fato de que o Brasil já se encontra há vários anos sem a cobertura de imagens de seu território, desde que o satélite CBERS-2B deixou de operar em 2009. Assim, de acordo com o ministro, caso o cronograma do CBERS-4 fosse mantido, o país ainda teria de esperar mais dois anos até que a geração das imagens fosse retomada.

Uma vez tomada a decisão de se antecipar em um ano o lançamento do CBERS-4, a consequência natural seria dar início imediatamente à sua integração na China, por várias razões, dentre as quais o fato de boa parte da estrutura do satélite já se encontrar naquele país, e o fato de a China possuir uma quantidade muito maior de técnicos bem treinados que poderiam ser alocados nestas atividades de integração.

Se a integração fosse feita no Brasil, estima-se que seriam gastos cerca de três meses só com atividades de importação destas partes para o Brasil (e posterior exportação para a China na época do lançamento). Além disso, é sabido que o INPE enfrenta sérios problemas relacionados à escassez de recursos humanos, fato que se verifica também no Laboratório de Integração e Testes (LIT-INPE), onde os satélites são montados e testados.

Alto preço

Portanto, o questionamento que se deve fazer em relação ao CBERS-4 é se a antecipação de seu lançamento é ou não pertinente. Neste aspecto, a decisão de vir a integrá-lo na China ou no Brasil é uma mera decorrência desta decisão preliminar.

Rigorosamente, não há argumentos convincentes que justifiquem a antecipação do lançamento do CBERS-4. Do ponto de vista do acesso a imagens do seu território, o Brasil já vem adquirindo imagens feitas por satélites estrangeiros desde 2009. Continuar importando estas imagens por mais um ou dois anos não irá fazer grande diferença. Além disso, o preço a ser pago com a antecipação do lançamento deste novo satélite será muito alto para o Brasil, por duas razões.

Em primeiro lugar, porque não haverá tempo hábil para se aprofundar na solução de todos os problemas técnicos enfrentados quando da integração do CBERS-3, em particular relacionados à falha de componentes eletrônicos importados dos EUA. Em segundo lugar, porque teremos de abrir mão de integrar o satélite no Brasil, perdendo uma oportunidade fundamental para se qualificar novos profissionais nas atividades de integração, e principalmente para justificar os investimentos de centenas de milhões de dólares feitos pelo governo no LIT, onde foram integrados apenas dois satélites para colocação em órbita nos últimos 12 anos.
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Observação terrestre: Brasil nas reuniões do GEO

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Grupo de Observação da Terra terá novo plano decenal. Brasil pretende ampliar sua participação no GEO

Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2014

Formado por 90 países, a Comissão Europeia e mais 77 organizações do mundo todo, o Grupo de Observação da Terra (GEO) teve aprovada por unanimidade a proposta de prosseguimento de suas atividades por mais 10 anos. A decisão foi tomada durante sua 10ª Sessão Plenária e 3ª Reunião Ministerial, em Genebra, entre os dias 15 e 17 de janeiro.

Organização intergovernamental fundada em 2005, o GEO trabalha pelo compartilhamento de dados obtidos a partir das tecnologias para observação da Terra, como o sensoriamento remoto por satélites. O objetivo é garantir o acesso a informações capazes de melhorar o uso da terra, a observação dos oceanos, as previsões de desastres naturais, entre outras tantas aplicações em benefício da ciência e da sociedade.

O novo plano decenal deverá contemplar ações que, até 2025, devem auxiliar políticas públicas nas áreas de agricultura, biodiversidade, clima, desastres, ecossistemas, energia, saúde e água.

O Brasil foi um dos primeiros participantes do GEO, por meio de ações lideradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), como a disponibilização gratuita pela internet dos dados do Programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) em 2004 – antes disso, nenhum país havia liberado dados orbitais de média resolução e o sucesso da iniciativa levou agências espaciais de outros países a seguirem o exemplo brasileiro.

Apoiada pela Missão Permanente do Brasil junto à ONU na Suíça, a delegação brasileira endossou o apoio ao GEO que, prestes a completar uma década, começa a traçar planos para seus próximos 10 anos. Participaram das reuniões em Genebra a embaixadora Regina Maria Cordeiro Dunlop, chefe da delegação; o ministro João Lucas Quental Novaes de Almeida, o primeiro secretário André Misi, do Ministério das Relações Exteriores; Leonel Perondi, diretor do INPE, e Hilcéa Ferreira, tecnologista do instituto.

“O GEOSS é uma ferramenta essencial para fornecer informações globais de qualidade para a tomada de decisões em benefício da sociedade”, declarou a embaixadora brasileira sobre o sistema, disponível no GEOSS Portal, que permite o acesso a mais de 1.2 milhões de dados e recursos abertos de Observação da Terra. (Confira aqui a íntegra do discurso da embaixadora Regina Maria Cordeiro Dunlop).

Para o diretor do INPE, Leonel Perondi, o Brasil deve se manter empenhado em fornecer dados de observação da Terra relevantes para estratégias ambientais e, também, continuar os esforços para capacitar outros países a utilizar tecnologias de monitoramento por satélite. “O país está empenhado na implementação de GEOSS e demonstrou claramente, em várias oportunidades, o seu compromisso com o princípio de livre acesso a dados de observação da Terra”. (Confira aqui a íntegra do discurso do diretor Leonel Perondi).

GEO Brasil

Perondi ressaltou ainda a consolidação do GEO Brasil, que faz parte das iniciativas do GEO para criar núcleos nos países. Além do INPE, devem participar as instituições brasileiras envolvidas em atividades de observação da Terra. “Pretendemos fortalecer essa iniciativa, que deve permitir um maior envolvimento de especialistas brasileiros nas atividades do GEO”, disse o diretor.

Para identificar em quais áreas o próprio INPE pode aumentar e fortalecer sua atuação no GEO, será realizado um workshop na sede do instituto, em São José dos Campos, no dia 4 de fevereiro.

O evento deve contribuir para o plano que definirá a participação brasileira no GEO durante os próximos 10 anos. Participarão do workshop pesquisadores e especialistas envolvidos com estudos e projetos em áreas como sensoriamento remoto, clima, mudanças ambientais, uso da terra, geoprocessamento, entre outras.

Mais informações sobre o GEO: http://earthobservations.org

Assista aqui vídeo sobre as reuniões e atividades do GEO.

Fonte: INPE
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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

INPE em reuniões do GEO

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Brasil participa de reuniões do GEO

Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2014

Com o apoio da Missão Permanente do Brasil junto à ONU na Suíça, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi, participa em Genebra da 10ª Sessão Plenária e da 3ª Reunião Ministerial do Grupo de Observação da Terra (GEO). A delegação brasileira é chefiada pela embaixadora Regina Maria Cordeiro Dunlop, e também integrada pelo ministro João Lucas Quental Novaes de Almeida, pelo primeiro secretário André Misi e pela tecnologista do INPE Hilcéa Ferreira.

De 15 a 17 de janeiro, as iniciativas para oferecer cada vez mais e melhores dados de observação da Terra são discutidas por representantes de 89 países-membros, Comissão Europeia e cerca de 70 instituições que integram o GEO.

O principal objetivo das reuniões é rever e avaliar o progresso do GEO em seus quase dez anos de existência. Criado em 2005, o GEO tem trabalhado para que dados vitais sobre nosso planeta sejam compartilhados para o desenvolvimento sustentável. O Brasil, através do INPE, é um dos seus membros mais atuantes – o país foi o primeiro no mundo a adotar uma política de livre distribuição de imagens de satélites, em 2004, quando os dados do Programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) passaram a ser oferecidos sem custo, pela internet, a qualquer usuário. O sucesso desta iniciativa pioneira levou outros países, como os Estados Unidos, a também colocar à disposição, em 2008, gratuitamente, dados orbitais de média resolução, da série LANDSAT. Durante o evento, entre outros países, a França anunciou que irá tornar disponível, a partir de 2014, para uso não comercial, o conjunto de imagens obtidas pela família de satélites SPOT.

O GEO lançou oficialmente, nesta semana, o GEOSS Portal (http://www.geoportal.org) que permite o acesso a mais de 1.2 milhões de dados e recursos abertos de Observação da Terra. Trata-se de informações que podem melhorar as previsões de desastres naturais e as políticas de uso da terra, como o monitoramento global da produção agrícola e do desmatamento, entre outras tantas possíveis aplicações em benefício da ciência e da sociedade.

A 3ª Reunião Ministerial representa ponto de inflexão para o futuro do GEO quando se adotará a Declaração de Genebra, renovando o mandato do GEO por mais dez anos, a partir de 2015. De conformidade com os princípios defendidos pelo Brasil, a Delegação Brasileira endossa a referida declaração que reitera a importância da continuidade das atividades do GEO, elemento importante no apoio à agenda global pós-2015 das Nações Unidas.

Mais informações: http://earthobservations.org

Fonte: INPE
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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Entrevistas: Leonel Perondi, diretor do INPE

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Conforme revelado na última quinta-feira, damos início hoje à série "Entrevistas". O primeiro entrevistado foi Leonel Fernando Perondi, que desde maio de 2012 é diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), principal instituição executora dos programas de satélites nacionais.

A conversa foi centrada nos programas do Instituto no segmento espacial, isto é, satélites. Apresentamos a seguir os principais trechos. No final da entrevista, incluímos pequenos comentários elaborados pelo blog Panorama Espacial, identificados ao longo do texto (entre colchetes e destacados em itálico e grifados) analisando e dando algumas informações adicionais sobre os tópicos abordados.

CBERS e política industrial

A entrevista, realizada por telefone, começou abordando o principal projeto de satélite desenvolvido pelo INPE: o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS). Perondi destacou a entrada do programa em sua segunda fase, com a expectativa para o lançamento do primeiro satélite da segunda geração, o CBERS 3, no próximo mês de dezembro. O CBERS 4 deverá ser lançado dois anos depois. Mencionou ainda o fato do satélite contar com quatro sensores óticos e também com um transpônder de coleta de dados, que reforçará o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCD). Deu também ênfase ao seu caráter industrial, enfatizando o fato de que os dois modelos foram contratados junto à indústria nacional, gerando ao todo cerca de R$370 milhões em contratos. "É essencialmente um programa de política industrial", destacou.

Questionado sobre a continuidade do programa, o diretor afirmou que existem discussões visando uma nova geração, e que esta é a posição do INPE, na qualidade de executor da missão. "Mas, tem que ter sempre o elemento de inovação". Em sua opinião, o CBERS trouxe visibilidade internacional, mas é preciso ir além. "[Hoje], são satélites de rotina para a China, e esta é a nossa ideia também".

Perondi entende que as próximas unidades, em caso de continuidade, podem ser inteiramente contratadas junto à indústria nacional, atendendo as necessidades nacionais em sensoriamento remoto e funcionando como um instrumento de política industrial. Desde 2005, existem propostas do lado chinês para uma extensão da cooperação espacial [Nota 1].

Amazônia-1

Após o CBERS, a pergunta natural foi sobre o projeto do satélite de observação Amazônia-1, baseado na Plataforma Multimissão (PMM). Perondi respondeu dando um panorama sobre a PMM e a sua primeira missão, ressaltando que o projeto da plataforma foi contratado na indústria em 2001 sem uma linha de base, com uma amplitude grande para aplicações multimissão. "São quase doze anos de desenvolvimento do projeto." "Nenhum subsistema tem herança de voo, o que é um desafio grande", disse.

O Amazônia-1, especificamente, está em revisão e pode ser lançado em dois anos, informou, revelando ainda que a forma de contratação gerou certas dificuldades de relacionamento com a indústria, algo que está em discussão no âmbito de direito administrativo. "O INPE está mobilizado em definir o cronograma de satélites."

Cubesats e nanossatélites

Perguntamos ao diretor do INPE sobre alguns projetos de cubesats e nanossatélites que têm sido desenvolvidos pelo Instituto. De acordo com ele, são missões ainda experimentais e em escala reduzida, envolvendo as unidades do Centro Regional do Nordeste (Conasat) e Centro Regional Sul (NanosatC-BR), com forte objetivo de aprendizagem. "Estamos aguardando os resultados, e temos que ver o lado de aplicações também", afirmou.

Satélites radar, meteorológico e Lattes

Perondi enfatizou que a prioridade do INPE é o CBERS e, em seguida, o Amazônia-1 (PMM). Mas, há também outros projetos e possibilidades no âmbito espacial. Um deles é o satélite radar, no passado, quando planejado em parceria com a Alemanha, denominado MAPSAR.

Em discussão desde 2003 e constante no Programa Espacial desde o PNAE 2005-2014, o diretor afirmou que o satélite radar teve como alternativa considerada apenas uma configuração com antena refletora, e não planar, dando indicativo de que sua configuração está sendo discutida. "A demanda para estas imagens continua existindo, e uma parceria internacional é possível".

Sobre uma missão meteorológica, afirmou que esta já consta do PNAE desde 2004 (período 2005-2014), e que é uma necessidade do País. "[Esta] já deveria estar no horizonte nos próximos dez anos". Há certa expectativa sobre o arranjo para a sua viabilização.

Em relação ao satélite Lattes, de aplicações científicas, Perondi revelou que deve ser repensada. "A missão é extremamente desafiadora em razão da integração da plataforma e das cargas úteis." Existe a possibilidade de que o Lattes, surgido a partir da "fusão" dos projetos de microssatélites EQUARS e MIRAX, venha a ser dividida em duas plataformas menores. Esta estratégia, aliás, estaria alinhada à ideia do INPE de retomar as missões de pequenas plataformas, que poderiam ainda incluir missões com transpônderes para atender o SBCD.

SGDC

A respeito da participação e/ou ganhos esperados pelo INPE com o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), Perondi foi sucinto, citando que o satélite atenderá demandas nacionais imediatas (banda larga e comunicações militares), e que o Instituto pode se beneficiar no futuro por meio do Laboratório de Integração e Testes (citou o caso de alguns satélites da série Brasilsat, que tiveram módulos testados no laboratório), e com oportunidades para a formação de pessoal no exterior.

Perspectivas de novos contratos para a indústria?

A entrevista foi encerrada com uma questão sobre a perspectiva de novos contratos em curto ou médio prazos para a indústria espacial brasileira, uma vez que os satélites CBERS e o Amazônia-1 já estão praticamente 100% contratados. O dirigente ressaltou que o papel do INPE é de executor e não de planejador do Programa Espacial, mas que o Instituto "olha com preocupação o futuro", respondendo ao comentário do entrevistador sobre a situação da indústria na atualidade [Nota 2].

O dirigente mencionou que nos últimos dez anos, o Instituto contratou mais de R$500 milhões com a indústria e que existem expectativas e novos contratos, sem, no entanto, indicar datas. Citou, como exemplo, o satélite em cooperação com a Argentina (SABIA-MAR), e também missões para coletas de dados [Nota 3].

Notas do blog:

Nota 1: entre os dias 4 e 9 de novembro, acontecerá na China a III Reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), mecanismo de diálogo político de mais alto nível entre Brasil e China. Sua estrutura inclui onze subcomissões, inclusive uma espacial. A expectativa é que no encontro, cujo lado brasileiro será chefiado por Michel Temer, vice-presidente da República, seja aprovado o Plano Decenal de Cooperação Espacial entre os dois países.

Nota 2: ao questionarmos sobre novos contratos, destacamos os receios da indústria espacial, que tem passado por certas dificuldades (algumas, devemos dizer, de sua própria responsabilidade). Apesar da expectativa de que o SGDC possa de alguma forma beneficiar a indústria local, tais benefícios não serão imediatos, podem não ter efeitos financeiros diretos (transferência de tecnologia não necessariamente gera vendas) e serão sentidos apenas após vários anos. Ressalte-se, aliás, que o contrato para a construção do primeiro satélite ainda não foi assinado. Especificamente sobre a situação da indústria local, o blog tem conhecimento de ao menos duas empresas que estão demitindo pessoal ou prestes a demitir. Ainda, é fato amplamente conhecido no setor a gravíssima crise financeira por que passa uma das principais indústrias brasileiras do setor (abordaremos este caso, em detalhes, mais adiante).

Nota 3: de acordo com as informações apuradas pelo blog Panorama Espacial, há discussões no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e AEB para a contratação da missão SABIA-MAR, em conjunto com a Argentina. O modelo analisado envolveria um prime contractor industrial, no qual a Visiona Tecnologia Espacial, surgiria como mais forte candidata. Em relação aos satélites para atender o SBCD, é possível que haja a participação do Comando da Aeronáutica (Ministério da Defesa), e também da Agência Nacional de Águas (ANA), subordinada ao Ministério do Meio Ambiente.
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Início da série "Entrevistas"

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Desde a sua criação, há mais de cinco anos, o blog Panorama Espacial tem entrevistado com frequência autoridades e executivos de instituições e empresas atuantes no segmento espacial. Foram presidentes e diretores da Agência Espacial Brasileira (AEB), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Instituto de Aeronáutica e Espaço, além de várias empresas nacionais e estrangeiras.

Esta semana, daremos início a uma série de entrevistas, que tem por objetivo atualizar os leitores sobre as principais iniciativas e perspectivas para o Programa Espacial.

O primeiro entrevistado foi Leonel Perondi, diretor do INPE desde maio de 2012. Feita por telefone na última sexta-feira, a entrevista abordou temas como o programa CBERS, o satélite Amazônia-1, política industrial, missão meteorológica, entre outros.

O material estará disponível para leitura até o final desta semana.
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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Desafios do INPE 2014-2020

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Workshop discute desafios e prioridades

Quarta-feira, 28 de Agosto de 2013

As perspectivas para os próximos anos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) motivaram coordenadores, chefias, pesquisadores, tecnologistas e analistas a se reunir durante um dia inteiro para apresentações e discussões sobre projetos e atividades em curso e outros que podem ser desenvolvidos pelas várias áreas.

O Workshop “Desafios do INPE 2014-2020” foi realizado em 21 de agosto no auditório Fernando de Mendonça (LIT/INPE), em São José dos Campos, como parte das comemorações de aniversário de 52 anos da instituição.

O evento serviu também para promover o intercâmbio entre os servidores, que tiveram a oportunidade de conhecer melhor particularidades de cada uma das áreas do INPE - Laboratório de Integração e Testes (LIT), Centro de Rastreio e Controle (CRC), Centro de Laboratórios Associados (CTE), Coordenação de Ciências Espaciais e Atmosféricas (CEA), Coordenação de Engenharia e Tecnologia Espacial (ETE), Coordenação de Observação da Terra (OBT), Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST) e Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC).

O chefe do LIT, Geilson Loureiro, apresentou o projeto de expansão do laboratório, que permitirá a integração e testes de satélites com até seis toneladas e seis metros de altura (satélites geoestacionários meteorológicos ou de telecomunicações, satélites radar, etc). As obras devem iniciar nos próximos meses e a conclusão está prevista para 2018.

Falou ainda sobre atividades já programadas no LIT, como as campanhas dos satélites CBERS-4 e Amazônia-1, e os testes realizados no laboratório por indústrias de variados setores - telecomunicações, médico-hospitalar e odontológica, automobilística e autopeças, eletroeletrônica e eletromecânica, militar e aeroespacial.

Operando 24 horas por dia desde 1993, quando foi lançado o SCD-1, primeiro satélite nacional, o CRC se prepara para o rastreio e controle do CBERS-3, que tem previsão de lançamento para o final deste ano. O CRC é responsável pela operação em órbita dos satélites desenvolvidos pelo INPE, como os SCD-1 e 2, ou em cooperação com instituições estrangeiras, como as da série CBERS.

Por meio de cooperação internacional, o CRC também presta suporte na fase de lançamento de missões espaciais de outros países, como as chinesas Shenzhou-8 e Shenzhou-9, essa tripulada, a missão do satélite franco-indiano Megha-Tropiques, a indiana Chandrayaan-1, uma sonda enviada à Lua, e também na aquisição de dados para a comunidade científica, caso do satélite Corot, destinado ao estudo de exoplanetas.

“Nossa atividade regular é em órbita baixa e o apoio à Chandrayaan-1 mostrou que nosso sistema funciona até a 200 mil quilômetros da Terra”, disse Pawel Rozenfeld, chefe do CRC. “Outra missão desafiadora que devemos participar é o rastreio da indiana Mangalyaan, de exploração à Marte”. Ele também adiantou que o CRC deve receber dados de carga útil da missão Van Allen Probes, realizada pela Nasa para estudos de clima espacial.

Marcos Dias, coordenador do CTE, falou sobre os quatro Laboratórios Associados que formam a área: Computação e Matemática Aplicada (LAC), Plasma (LAP), Sensores e Materiais (LAS) e Combustão e Propulsão (LCP). “Além de desenvolver produtos e processos inovadores para o setor espacial, os Laboratórios têm como objetivo a geração e a disseminação de resultados científicos e tecnológicos inéditos em níveis nacional e internacional e a formação de RH”, explicou.

Segundo o coordenador do CTE, o desenvolvimento de tecnologias críticas, produtos e processos para as missões espaciais e suas aplicações dependem da contínua atualização de infraestrutura para testes de sistemas como propulsores de satélites, por exemplo. Marcos Dias também falou sobre nanotubos de carbono, inovações em cerâmica para controle térmico de satélites, revestimentos para aplicações aeroespaciais, lubrificantes sólidos, entre outros desenvolvimentos tecnológicos no CTE.

A instrumentação para estudos astronômicos foi um dos destaques da CEA, apresentada por seu coordenador Oswaldo Duarte Miranda. O SPARC4, em fase de estudo conceitual, será uma câmera inovadora com quatro bandas espectrais. Ainda há os experimentos ligados à missão Equars (ELISA/Eletrostatic Analysis para estudo da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS), IONEX para radio ocultação, entre outros). “Podemos colocar como desafio o Equars em 2018, e o Mirax (instrumento astronômico de raios X) entre 2018 e 2019”.

O coordenador da CEA destacou o radiointerferômetro BDA, desenvolvido totalmente no Brasil e instalado no INPE de Cachoeira Paulista. Único na América do Sul, o BDA é destinado a estudos de física solar, meio interplanetário, astrofísica, cosmologia e clima espacial. Além disso, citou atividades em outras unidades e instalações do INPE, como o detector de muons no Sul (Observatório de São Matinho da Serra-RS).

Amauri Silva Montes, coordenador da ETE, falou sobre as atuais missões – PMM (plataforma multimissão) e satélites CBERS-3 e 4, Amazônia-1, Lattes, Sabia-Mar - e os desafios da Engenharia e Tecnologia Espacial. O desenvolvimento de sistemas inerciais para aplicação aeroespacial (projeto SIA) e de componentes eletrônicos (projeto CITAR - circuitos integrados tolerantes à radiação) foi citado como uma das prioridades, assim como as atividades de P&D. “Investir em processos e metodologias para qualificar componentes eletrônicos para uso espacial”.

“O CBERS-3 deve ser lançado no final de 2013 e devemos realizar modificações para o CBERS-4, para lançamento em 2015”, disse o coordenador da ETE. Segundo ele, embora o problema com os conversores DC-DC tenha sido contornado no CBERS-3, o objetivo é buscar uma solução mais robusta para o próximo satélite. Ressaltou os avanços realizados nos dois satélites, em relação aos primeiros (CBERS-1, 2 e B), como os desenvolvimentos de uma câmera WFI maior e da inovadora MUX. “Pretendemos estabelecer um programa de desenvolvimento de cargas úteis”, disse Amauri Montes, mencionando ainda o desenvolvimento de satélites de pequeno porte.

O aumento das aplicações na área de sensoriamento remoto foi um dos destaques da apresentação de Júlio D’Alge, coordenador da OBT, que mostrou ainda várias tecnologias derivadas da TerraLib, uma ferramenta criada pela equipe de processamento de imagens do INPE para visualização e exploração de dados geográficos. Políticas sociais, agricultura, meio ambiente, saúde, entre outras áreas, têm se beneficiado das tecnologias de geoprocessamento e de modelagem ambiental integrada.

“Nosso Centro de Dados já distribuiu 2.350.873 imagens de satélites”, informou Júlio D’Alge, sobre a oferta gratuita, pela internet, dos dados cada vez mais essenciais para a formulação de políticas públicas em áreas como monitoramento ambiental, desenvolvimento agrícola, planejamento urbano e gerenciamento hídrico. A OBT apresentou ainda atividades realizadas em parceria com os outros centros e unidades do INPE, cursos de extensão e, também, a capacitação nacional e internacional.

José Marengo, chefe do CCST, explicou que o centro reúne, de modo único no Brasil, competências nas áreas de ciências naturais, sociais e modelagem. Destacou o Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (BESM) e o estabelecimento do INPE-EM, sistema para cálculo de emissões criado em parceria com várias áreas do INPE. Marengo falou sobre as várias atividades ligadas à área de Ciência do Sistema Terrestre, como a rede de monitoramento de relâmpagos (BrasilDAT), estudo de dados ambientais para o setor de energia, entre outros serviços.

“O CCST possui ainda responsabilidades estratégicas ligadas ao desenvolvimento da área ambiental do INPE”, disse Marengo, ressaltando que o centro mantém as sedes das secretarias executivas da Rede Clima e do INCT-Mudanças Climáticas, bem como escritórios de programas internacionais como IGBP (International Geosphere–Biosphere Programme)e GLP (Global Land Project). “Um desafio é criar o Observatório Terra, para incentivar o diálogo entre linhas de pesquisa e promover sínteses interdisciplinares dos trabalhos realizados no CCST e outras áreas do INPE e no MCTI”.

Assim como os gestores das outras áreas, o coordenador do CPTEC, Osvaldo Moraes, enfatizou a questão de recursos humanos. “A falta de pessoal é nosso maior problema, o mais crítico”. Apresentando aspectos cruciais para o planejamento de curto, médio e longo prazo, falou sobre as atividades realizadas pela área de previsão de tempo e clima do INPE.

“É necessário investir sempre em P&D para manter o estado da arte dos modelos numéricos para previsão”, disse o coordenador, que ainda elencou como desafios a evolução do modelo global e do modelo regional de alta resolução, atividades de operação, ampliação do prédio, entre outros.

A cada apresentação, o diretor Leonel Perondi ressaltou a necessidade de atender a “cadeia completa” para a inovação. “Da pesquisa básica à pesquisa aplicada, o desenvolvimento tecnológico, visando produtos e serviços que atendam a demandas da sociedade”, concluiu o diretor do INPE, sobre a vocação do instituto para transformar conhecimento em riqueza para o país.

Fonte: INPE
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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Os 52 anos do INPE

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Aos 52 anos, INPE abrange da pesquisa básica ao desenvolvimento de produtos e serviços

Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

“Ser a referência nacional em ciência e tecnologia espaciais e suas aplicações, maximizando retornos diretos à sociedade na forma de produtos e serviços, política industrial e difusão de conhecimentos”. Assim resumiu Leonel Perondi, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), os objetivos da instituição que celebrou seus 52 anos na manhã de sexta-feira (23/8).

Durante a cerimônia realizada na sede do INPE, em São José dos Campos (SP), Perondi falou sobre as principais realizações do último ano, nas várias áreas de atuação do instituto: Engenharia e Tecnologia Espacial, Ciências Espaciais e Atmosféricas, Previsão do Tempo e Estudos Climáticos, Observação da Terra e Ciência do Sistema Terrestre.

Da mesma forma, enfatizou a importância da área de gestão, da operação de rastreio e controle de satélites, das atividades dos laboratórios associados, bem como do Laboratório de Integração e Testes (LIT), que recentemente teve aprovado o projeto de sua expansão para trabalhar também com satélites de grande porte.

“A operação em cada área de atuação do Instituto é caracterizada por projetos de pesquisa básica, pesquisa aplicada e desenvolvimento, chegando a produtos e serviços inovadores, que impactem a vida do cidadão”, disse o diretor do INPE. “Vamos do conhecimento até o desenvolvimento e oferta de produtos e serviços inovadores”.

Confira aqui a íntegra do discurso do diretor.

Política industrial

Como parte importante da missão do INPE, Perondi destacou a capacitação da indústria nacional, por meio de programas de qualificação e contratações para o desenvolvimento de satélites. “Considerando apenas os CBERS-3 e 4, os contratos industriais efetuados no país, através de licitações de preço e técnica, somam valor superior a 370 milhões de reais. Além de capacitação em novas tecnologias e aprendizagem em metodologias de gestão de projetos e gestão da qualidade, essas contratações geram empregos de alta qualidade - e renda - para um grande número de jovens técnicos e engenheiros”.

O INPE já realizou o projeto e a fabricação de dois satélites de coleta de dados - SCD-1 (que completou 20 anos de operação em 2013) e SCD-2 -, e dos cinco satélites da série CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), em parceria com a China – CBERS-1, CBERS-2 e CBERS-2B, já lançados, e CBERS-3 e CBERS-4.

“O satélite CBERS-3, ainda em testes, apresenta em seu corrente cronograma uma previsão de lançamento para o período de outubro a dezembro deste ano. O satélite CBERS-4 tem previsão de lançamento para dois anos após o lançamento do CBERS-3”, disse o diretor do INPE.

Emoção

Participaram da cerimônia de 52 anos do INPE o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, o diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), brigadeiro Carlos Antonio de Magalhães Kasemodel, representando a direção do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), o prefeito e a presidente da Câmara de São José dos Campos, Carlinhos Almeida e Amélia Naomi.

“O INPE é um orgulho para a cidade de São José dos Campos, pela grande contribuição à ciência e tecnologia e, também, por demonstrar muito claramente que a pesquisa espacial tem impactos diretos na vida das pessoas. Mostra que vale a pena ao país investir em C&T”, disse o prefeito Carlinhos Almeida, citando como exemplo as atividades de previsão do tempo e de monitoramento do meio ambiente.

“É sempre uma renovada emoção participar do aniversário do INPE, declarou José Raimundo Coelho. O presidente da AEB, que atuou por muitos anos no INPE, falou sobre o atual momento do Programa Espacial Brasileiro (PEB). “Precisamos pensar qual o modelo de gestão adequado para nossas instituições. É preciso integração, espírito de coletividade”, disse José Raimundo, ressaltando a importância de se investir no setor público para fomentar o crescimento do setor privado e, assim, gerar riqueza para o país.

A comemoração dos 52 anos reuniu representantes da indústria e de instituições parceiras, além de gestores e pesquisadores que fazem parte da história do INPE, como seu primeiro diretor, Fernando de Mendonça, precursor das atividades espaciais no Brasil. “Ainda em 1957, junto com seus colegas, ele construiu um sistema para receber dados do Sputnik (o primeiro satélite lançado no mundo)”, comentou o diretor da AEB.

Antes de encerrar a cerimônia, o diretor do INPE homenageou as 21 vítimas do acidente com o foguete VLS na Base de Alcântara, ocorrido em 22 de agosto de 2003. “Em nome de todos os servidores e colaboradores do INPE, quero expressar, irmanados aos colegas do DCTA, nosso respeito àqueles tragados pelo acidente de 10 anos atrás e nossos mais profundos sentimentos a todos os seus familiares”, disse Perondi, ressaltando que INPE e DCTA são “parceiros nesse grande desafio de construir o programa espacial brasileiro”.

Fonte: INPE
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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

CBERS 3: lançamento em outubro

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CBERS-3: contagem regressiva

Satélite brasileiro desenvolvido em parceria com a China deve entrar em órbita ainda este ano. Em videoentrevista [Nota do blog: para acessar a entrevista, clique aqui], presidente do Inpe explica a importância dessa audaciosa empreitada

A notícia está confirmada: o CBERS-3, satélite brasileiro desenvolvido em parceria com os chineses, deverá ser lançado em outubro deste ano. Mas o que é, afinal, o Programa CBERS? A sigla, em inglês, significa Satélites Sino-brasileiros de Recursos Terrestres - empreitada que ambiciona lançar ao espaço sistemas de sensoriamento remoto com o objetivo de produzir imagens e coletar dados sobre nosso planeta.

"Os altos custos dessa tecnologia tornam os países em desenvolvimento dependentes das imagens fornecidas por equipamentos de outras nações", lê-se no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). É exatamente essa a lacuna que o Programa CBERS visa preencher.

Três desses importantes satélites já foram lançados, mas não estão mais em operação: o CBERS-1, o CBERS-2 e o CBERS-2B. E, no afã desse desafio tecnológico, é grande a expectativa para o sucesso do CBERS-3.

É claro que o tema - estratégico para o país - não poderia ter ficado de fora da 65ª Reunião Anual da SBPC, que aconteceu na semana passada em Recife (PE).

Em videoentrevista concedida à CH On-line durante o evento, o atual presidente do Inpe, o engenheiro Leonel Perondi, comentou o histórico do programa e falou também sobre a importância de termos um sistema próprio de monitoramento de recursos terrestres.

No embalo, o geólogo Paulo Martini, também do Inpe, explicou as inúmeras aplicações que as imagens de satélite têm para a ciência e para a sociedade - mencionando exemplos muito práticos de como os sistemas de sensoriamento remoto impactam diretamente nosso cotidiano.

Fonte: Ciência Hoje On-line, reportagem de Henrique Kugler, via JC E-mail de 1º de agosto de 2013.
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domingo, 30 de junho de 2013

Projetos do INPE com a Embrapa

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Diretor do INPE destaca projetos com a Embrapa

Sexta-feira, 28 de Junho de 2013

Leonel Perondi, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), enalteceu a parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) nesta quinta-feira (27/6), durante o lançamento de mais uma iniciativa em conjunto: o Projeto de Desenvolvimento de Sistema de Monitoramento para Gestão Ambiental da Aquicultura no Reservatório de Furnas.

Coordenado pela Embrapa Meio Ambiente, o projeto permitirá estabelecer um modelo de monitoramento e avaliação de impactos na criação de peixes em tanques-rede em reservatórios públicos. Além disso, contribuirá para a realização de boas práticas de manejo e para a gestão produtiva e ambiental de parques aquícolas.

“A participação do INPE neste projeto se dá tanto pela utilização de tecnologias de sensoriamento remoto desenvolvidas no âmbito da Coordenação de Observação da Terra, quanto pelo uso de sistemas espaciais desenvolvidos nas áreas de engenharia do INPE, particularmente os serviços providos pelos satélites SCD-1 e SCD-2”, discursou Leonel Perondi na cerimônia de lançamento, que contou com a presença do ministro da Pesca e Aquicultura, Marcelo Crivella.

Desenvolvido pelo INPE, o Sistema Integrado de Monitoramento Ambiental (SIMA) objetiva a coleta e o monitoramento de dados liminológicos e meteorológicos, de forma remota e com alta frequência temporal, através de plataformas de coleta de dados especiais instaladas em boias ancoradas em pontos de parques aquícolas. Os dados coletados são armazenados em um banco de dados georreferenciados, possibilitando uma análise detalhada e sistemática dos reservatórios monitorados. Além do sistema de coleta de dados, o projeto faz uso de aplicativos na área de sistemas de informações geográficas, desenvolvidos pelo Instituto, como o SPRING.

“Assim, a participação do INPE no Projeto Furnas bem sintetiza a missão do Instituto – o desenvolvimento de atividades, associadas ao acesso ao espaço e suas aplicações, que vão da pesquisa básica até a disponibilização de serviços e produtos inovadores à sociedade”, enfatizou o diretor.

Leonel Perondi destacou também outros projetos desenvolvidos em parceria, como o TerraClass, realizado em conjunto pelo INPE e pela Embrapa Amazônia Oriental e Embrapa Informática Agropecuária. Citou ainda a criação do Banco de Dados Geomorfométricos do Brasil e o evento do Projeto Amazalert, realizado nesta semana em Belém (PA) com o objetivo de apresentar cenários de uso e cobertura da terra.

Confira aqui a íntegra do discurso do diretor.

Fonte: INPE
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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Aniversário do INPE: discurso de Leonel Perondi


Diretor ressalta papel do INPE na capacitação industrial e desenvolvimento econômico

Segunda-feira, 13 de Agosto de 2012

Durante a cerimônia de comemoração de 51º aniversário do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), na sexta-feira (10), o diretor Leonel Perondi repassou a trajetória histórica do órgão, ligado ao Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), e ressaltou sua importância para o desenvolvimento do Brasil.

“O Instituto construiu um sólido patrimônio de conhecimentos e de infraestrutura física, que permite que desenvolva projetos que vão da pesquisa básica, passando pela pesquisa aplicada e desenvolvimento, até o produto final e sua utilização social”, disse Perondi.

Entre outras realizações, o diretor destacou que o programa de satélites CBERS possibilitou mais de uma dezena de contratações industriais, por meio de licitações de preço e técnica, que representaram investimento de R$ 270 milhões.

Ele citou ainda levantamento preliminar sobre os impactos econômicos da política industrial fomentada pelo INPE que, entre outros resultados, revela a criação de empregos altamente qualificados. Destacou também a contribuição do Instituto para que a indústria nacional agregue maior valor aos produtos e serviços produzidos no Brasil.

“Acreditamos que se houver um planejamento estável para o programa espacial – isto é, um planejamento que tenha continuidade por longos períodos, sem alterações de rumo substanciais no curto e médio prazos – poderemos atingir resultados de grande envergadura para o país. A indústria espacial poderá repetir o sucesso da indústria aeronáutica no Brasil”, afirmou.


Confira aqui a íntegra do discurso do diretor do INPE


Fonte: INPE
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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Entrevista com Leonel Perondi, diretor do INPE - Parte II


Reproduzimos a seguir a segunda parte da entrevista com Leonel Perondi, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Para acessar a primeira parte da entrevista, clique aqui.

ACDH

Tema sensível ao Programa Espacial Brasileiro, pela polêmica e importância estratégica ao País, é a capacitação nacional em sistemas de controle de atitude e órbita (conhecido por ACDH, sigla em inglês). O blog Panorama Espacial questionou Leonel Perondi sobre as iniciativas do INPE nesse campo, que foi, aliás, um dos tópicos abordados por Perondi em seu discurso de posse.

Perondi destacou que hoje o Brasil possui domínio praticamente em todas as áreas básicas de satélites, como estrutura e instrumentação, com exceção da área de controle. "É a grande lacuna para produzir uma plataforma orbital". Daí, vem a tentativa do Instituto em estimular projetos e capacitação local nesse campo, através da montagem de laboratórios e equipes específicas. O dirigente também mencionou o projeto Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial (SIA), iniciativa desenvolvida em parceria com institutos do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e indústrias nacionais, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), que já começa a produzir frutos. "Houve um grande avanço na área de satélites", destacou.

Segundo o diretor, o satélite científico Lattes, baseado na Plataforma Multimissão (PMM), deverá contar com um ACDH nacional, diferentemente do Amazônia-1, cujo ACDH foi adquirido, com dispensa de licitação, junto à fabricante argentina INVAP no final de 2008. Sobre o Lattes, a previsão pública mais atual de seu lançamento era 2016, mas Perondi afirmou que o cronograma de lançamento dos satélites do Instituto está pendente de discussão com a Agência Espacial Brasileira (AEB).

Quanto à compra do ACH argentino para o Amazônia-1, episódio sempre lembrado e duramente criticado pela indústria espacial brasileira, o dirigente afirmou que o INPE fará uma avaliação sobre os benefícios gerados. "Qual é o nível de transferência de tecnologia do ACDH argentino para o Brasil?", questionou. O blog questionou Perondi se o contrato previa algum tipo de transferência tecnológica, o que ele negou, dizendo que se trata do fornecimento do sistema, com capacitação de pessoal na Argentina, não havendo, portanto, a compra da tecnologia.

Recursos humanos

Sobre a realidade e necessidades do INPE em matéria de recursos humanos, ponto frequentemente citado como crítico aos avanços do Programa Espacial, Perondi lembrou que muitos funcionários se aposentarão nos próximos anos, mencionado ainda que a formação de um funcionário para atuar com certa autonomia dentro do Instituto leva de 4 a 5 anos. Assim, novas contratações são realmente necessárias. Dentro dos próximos meses, aliás, serão realizados concursos para 107 vagas de tecnologistas, analistas e técnicos, número insuficiente, mas que preenche algumas necessidades.

Integração com a AEB

Numa questão mais focada em Política Espacial, perguntamos a Perondi sobre a integração do INPE com a AEB, ou mesmo a fusão entre as duas instituições, algo bastante discutido em Brasília (DF), e com certas medidas sendo tomadas nesta direção pelo ministro Marco Antonio Raupp. O dirigente respondeu de forma bastante lacônica: "Está havendo discussões com a AEB. É algo que está em andamento".

Satélite Geoestacionário Brasileiro

Ainda que o INPE não esteja diretamente envolvido com as tratativas relacionadas ao Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), Perondi fez alguns comentários acerca do projeto. Destacou que a demanda por um satélite geoestacionário próprio já é antiga, desde a privatização da Embratel, no final da década de noventa. Afirmou também que o INPE pode contribuir na especificação e compra desses satélites, comentário que, interpretado nas entrelinhas, dá a entender que o envolvimento da indústria nacional ainda é algo pouco claro mesmo em alguns setores do próprio governo.

O diretor mencionou que o Programa Espacial poderá se beneficiar de algumas formas, com oportunidades de formação de pessoal, entre outras. "[O Programa Espacial] pode se beneficiar via cláusulas de offsets", disse.

Perguntamos ao diretor sobre a criação do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias Espaciais, em São José dos Campos (SP), paralelamente à constituição da Visiona Tecnologias Espaciais (joint-venture entre a Embraer e a Telebrás), no âmbito do programa do SGB. "Ainda não tenho muita clareza sobre essa iniciativa", acrescentando que esta é uma das pautas para discussão com a AEB.
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quarta-feira, 4 de julho de 2012

Entrevista com Leonel Perondi, diretor do INPE - Parte I


No último dia 27, o blog Panorama Espacial entrevistou Leonel Fernando Perondi, novo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Empossado em 1º de junho, Perondi é graduado em engenharia mecânica pelo ITA (1980), com mestrado pelo INPE e doutorado pela Universidade de Oxford. Entre 2001 e 2005, foi diretor substituto do INPE, tendo atuado também em projetos de engenharia e tecnologia espaciais, como o programa CBERS (gerente-geral entre 2002 e 2005). 

CBERS

O primeiro tópico da entrevista, feita por telefone, foi o que hoje é o principal programa de satélites do Programa Espacial Brasileiro, o CBERS, sigla em inglês de Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, atualmente já na segunda geração.

Perondi apresentou um panorama sobre o programa, destacando questões industriais e orçamentárias. Entre os anos de 2004 e 2006, foram firmados vários contratos industriais relacionados aos CBERS 3 e 4. De acordo com ele, a expectativa é que o CBERS 3 seja lançado em novembro ou dezembro deste ano, a partir da China, enquanto que o CBERS 4 deve ser colocado em órbita em 2014. Em relação às questões orçamentárias, que costumeiramente assolam projetos do programa espacial, o dirigente afirmou que todas as demandas já foram atendidas.

O diretor mencionou a visita à China, que ocorre esta semana, integrando comitiva liderada pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp. "Teremos conversas ao longo das próximas semanas sobre a cooperação futura", indicando a possibilidade de extensão da cooperação sino-brasileira, iniciada em 1988.

Perondi lembrou que em 2002, quando o acordo com a China foi ampliado para o desenvolvimento e construção do CBERS 3 e 4, já havia intenção do lado brasileiro de estender novamente a parceria, com contratação direta na indústria dos satélites sucessores. Com a transferência para a indústria, a ideia era que a cooperação sino-brasileira focasse num campo de maior inovação, envolvendo o desenvolvimento de satélites geoestacionários e subsistemas espaciais.

Amazônia-1

Questionado sobre a previsão de lançamento do satélite de observação Amazônia-1, baseado na Plataforma Multimissão (PMM), o dirigente disse que está previsto para 2014, prazo, no entanto, que deve ser revisto junto à Agência Espacial Brasileira (AEB). Perondi destacou que se trata de um novo projeto que representa desafios ao País. "Será o primeiro satélite nacional estabilizado em três eixos, com subsistemas novos, sem recorrência", afirmou.

Segundo o diretor, sendo um projeto que apresenta grandes desafios, todos os subsistemas estão sendo revistos tecnicamente. "A confiabilidade dos sistemas é um ponto crítico".

Perondi também revelou que o INPE considera que o Amazônia-1 será um modelo protótipo para validação de tecnologias em órbita, que se seguiria de um segundo modelo, lançado um ou dois anos após o primeiro, este sim um modelo de missão. "O Amazônia-1 seria um projeto nessa linha, uma missão de validação em órbita". O dirigente ressaltou, no entanto, que este e outros aspectos do projeto, como a seleção do lançador, dependem de discussão e definição com a AEB.

Política industrial

Tema abordado em seu discurso de posse, Perondi destacou o caráter público e estratégico do programa espacial, que também serve como instrumento de política industrial e de domínio de tecnologias críticas. "É um desafio grande [para indústria], desafiada a atuar em novas áreas", disse, dando o indicativo de que buscará em sua gestão estimular o envolvimento da indústria nacional nos projetos do Instituto.

O diretor se referiu aos satélites CBERS 3 e 4 como modelos da política industrial adotada pelo INPE, projeto que envolveu a contratação junto à indústria de aproximadamente 270 milhões de reais em componentes e subsistemas.

Na próxima sexta-feira (06), será postada a a segunda e última parte da entrevista, tratando de temas como ACDH, recursos humanos, Satélite Geoestacionário Brasileiro, dentre outros.
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sexta-feira, 29 de junho de 2012

CBERS: Raupp, Coelho e Perondi na China


Programa de satélites CBERS é discutido na China

Sexta-feira, 29 de Junho de 2012

Entre os dias 2 e 6 de julho, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi, estará na China com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp, e o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho.  Em Pequim, será discutida a continuidade do Programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres).

Os dirigentes brasileiros se encontrarão com o ministro de Ciência e Tecnologia, Wan Gang, e com o ministro e vice-ministro de Indústria e Tecnologia da Informação, Miao Wei e Chen Qiufa, entre outras reuniões com especialistas de ambos os países.

Estão programadas visitas à Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST), à Administração Nacional de Espaço da China (CNSA) e ao Centro Espacial Chinês, onde se encontra o satélite CBERS-3, que tem lançamento previsto para o final deste ano.

A parceria espacial entre Brasil e China, iniciada em 1988, garantiu a ambos os países o domínio da tecnologia do sensoriamento remoto para observação da Terra.

Política industrial

Conduzido no Brasil pelo INPE, o CBERS é importante indutor da inovação no parque industrial brasileiro, que se qualifica e moderniza para atender aos desafios do programa espacial. O desenvolvimento do CBERS-3 e do CBERS-4 (este previsto para 2014) propiciou cerca de R$ 400 milhões em investimentos na indústria nacional.

A política industrial adotada pelo INPE permite a qualificação de fornecedores e contratação de serviços, partes, equipamentos e subsistemas junto a empresas nacionais. Assim, além de exemplo de cooperação binacional em alta tecnologia, o CBERS se traduz na criação de empregos especializados e crescimento econômico.

O CBERS também tornou o Brasil o primeiro país do mundo a distribuir, pela internet, imagens de satélites sem custo ao usuário. Desde 2004, os dados distribuídos pelo INPE são usados no monitoramento de florestas, mapeamentos de áreas agrícolas e do crescimento urbano, entre outros. A disponibilidade dos dados resulta na criação de novas aplicações, com reflexos no desenvolvimento socioeconômico do país.

Mais informações sobre o CBERS: www.cbers.inpe.br

Fonte: INPE
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Entrevista com o novo diretor do INPE


Hoje (27) pela manhã, o blog Panorama Espacial entrevistou Leonel Perondi, novo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O blog dá assim início a uma série de entrevistas com os principais dirigentes do Programa Espacial Brasileiro, a serem publicadas ao longo das próximas semanas.

Na conversa com Perondi, assuntos como o programa CBERS, o satélite Amazônia-1, recursos humanos, política industrial, o Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), dentre outros, foram abordados. O conteúdo da entrevista será publicado no blog dentro dos próximos dias.
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