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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Cooperação Brasil - Canadá

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Brasil e Canadá planejam cooperação espacial para 2015  

Brasília, 26 de novembro de 2014 – O novo secretário da Embaixada do Canadá para assuntos comerciais, Keith Banerjee, e o delegado comercial do Consulado Geral do Canadá em São Paulo, Alex Krell, ambos responsáveis pela cooperação com o Brasil na área espacial, foram recebidos pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, e pelo chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, José Monserrat Filho, nesta terça-feira (25).

Inicialmente, tratava-se de uma visita de cortesia, destinada a apresentar o novo funcionário Banerjee, recém-chegado ao Brasil. Mas a conversa evoluiu para uma reunião de trabalho, indo além de simples audiência para abordar ideais e planos sobre atividades futuras.

Confirmou-se a realização em 25 de fevereiro próximo de mais uma videoconferência entre diretores e técnicos das agências espaciais do Brasil e do Canadá, e, provavelmente, de outras instituições e empresas interessadas dos dois países, sobre um eventual projeto de cooperação em torno de satélites radar de abertura sintética, que completam a função dos satélites electro-ópticos, graças à capacidade de “enxergar” através das nuvens e da copa das árvores no monitoramento das florestas.

Ficou também decidida a promoção em meados de 2015 do 2º Workshop Missão Espacial Canadense no Brasil, a se realizar no Parque Tecnológico de São José dos Campos, em São Paulo, onde ocorreu o primeiro evento, em março último.

Resolveu-se ainda intensificar a colaboração na área de formação de especialistas, com a ida de pós-graduados brasileiros ao Canadá e a vinda ao Brasil de professores dos cursos de engenharia espacial canadense.

Acertou-se igualmente criar parceria entre universitários dos dois países em programas de construção de pequenos satélites.

Fonte: AEB
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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Entrevistas: Leonel Perondi, diretor do INPE

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Conforme revelado na última quinta-feira, damos início hoje à série "Entrevistas". O primeiro entrevistado foi Leonel Fernando Perondi, que desde maio de 2012 é diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), principal instituição executora dos programas de satélites nacionais.

A conversa foi centrada nos programas do Instituto no segmento espacial, isto é, satélites. Apresentamos a seguir os principais trechos. No final da entrevista, incluímos pequenos comentários elaborados pelo blog Panorama Espacial, identificados ao longo do texto (entre colchetes e destacados em itálico e grifados) analisando e dando algumas informações adicionais sobre os tópicos abordados.

CBERS e política industrial

A entrevista, realizada por telefone, começou abordando o principal projeto de satélite desenvolvido pelo INPE: o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS). Perondi destacou a entrada do programa em sua segunda fase, com a expectativa para o lançamento do primeiro satélite da segunda geração, o CBERS 3, no próximo mês de dezembro. O CBERS 4 deverá ser lançado dois anos depois. Mencionou ainda o fato do satélite contar com quatro sensores óticos e também com um transpônder de coleta de dados, que reforçará o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCD). Deu também ênfase ao seu caráter industrial, enfatizando o fato de que os dois modelos foram contratados junto à indústria nacional, gerando ao todo cerca de R$370 milhões em contratos. "É essencialmente um programa de política industrial", destacou.

Questionado sobre a continuidade do programa, o diretor afirmou que existem discussões visando uma nova geração, e que esta é a posição do INPE, na qualidade de executor da missão. "Mas, tem que ter sempre o elemento de inovação". Em sua opinião, o CBERS trouxe visibilidade internacional, mas é preciso ir além. "[Hoje], são satélites de rotina para a China, e esta é a nossa ideia também".

Perondi entende que as próximas unidades, em caso de continuidade, podem ser inteiramente contratadas junto à indústria nacional, atendendo as necessidades nacionais em sensoriamento remoto e funcionando como um instrumento de política industrial. Desde 2005, existem propostas do lado chinês para uma extensão da cooperação espacial [Nota 1].

Amazônia-1

Após o CBERS, a pergunta natural foi sobre o projeto do satélite de observação Amazônia-1, baseado na Plataforma Multimissão (PMM). Perondi respondeu dando um panorama sobre a PMM e a sua primeira missão, ressaltando que o projeto da plataforma foi contratado na indústria em 2001 sem uma linha de base, com uma amplitude grande para aplicações multimissão. "São quase doze anos de desenvolvimento do projeto." "Nenhum subsistema tem herança de voo, o que é um desafio grande", disse.

O Amazônia-1, especificamente, está em revisão e pode ser lançado em dois anos, informou, revelando ainda que a forma de contratação gerou certas dificuldades de relacionamento com a indústria, algo que está em discussão no âmbito de direito administrativo. "O INPE está mobilizado em definir o cronograma de satélites."

Cubesats e nanossatélites

Perguntamos ao diretor do INPE sobre alguns projetos de cubesats e nanossatélites que têm sido desenvolvidos pelo Instituto. De acordo com ele, são missões ainda experimentais e em escala reduzida, envolvendo as unidades do Centro Regional do Nordeste (Conasat) e Centro Regional Sul (NanosatC-BR), com forte objetivo de aprendizagem. "Estamos aguardando os resultados, e temos que ver o lado de aplicações também", afirmou.

Satélites radar, meteorológico e Lattes

Perondi enfatizou que a prioridade do INPE é o CBERS e, em seguida, o Amazônia-1 (PMM). Mas, há também outros projetos e possibilidades no âmbito espacial. Um deles é o satélite radar, no passado, quando planejado em parceria com a Alemanha, denominado MAPSAR.

Em discussão desde 2003 e constante no Programa Espacial desde o PNAE 2005-2014, o diretor afirmou que o satélite radar teve como alternativa considerada apenas uma configuração com antena refletora, e não planar, dando indicativo de que sua configuração está sendo discutida. "A demanda para estas imagens continua existindo, e uma parceria internacional é possível".

Sobre uma missão meteorológica, afirmou que esta já consta do PNAE desde 2004 (período 2005-2014), e que é uma necessidade do País. "[Esta] já deveria estar no horizonte nos próximos dez anos". Há certa expectativa sobre o arranjo para a sua viabilização.

Em relação ao satélite Lattes, de aplicações científicas, Perondi revelou que deve ser repensada. "A missão é extremamente desafiadora em razão da integração da plataforma e das cargas úteis." Existe a possibilidade de que o Lattes, surgido a partir da "fusão" dos projetos de microssatélites EQUARS e MIRAX, venha a ser dividida em duas plataformas menores. Esta estratégia, aliás, estaria alinhada à ideia do INPE de retomar as missões de pequenas plataformas, que poderiam ainda incluir missões com transpônderes para atender o SBCD.

SGDC

A respeito da participação e/ou ganhos esperados pelo INPE com o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), Perondi foi sucinto, citando que o satélite atenderá demandas nacionais imediatas (banda larga e comunicações militares), e que o Instituto pode se beneficiar no futuro por meio do Laboratório de Integração e Testes (citou o caso de alguns satélites da série Brasilsat, que tiveram módulos testados no laboratório), e com oportunidades para a formação de pessoal no exterior.

Perspectivas de novos contratos para a indústria?

A entrevista foi encerrada com uma questão sobre a perspectiva de novos contratos em curto ou médio prazos para a indústria espacial brasileira, uma vez que os satélites CBERS e o Amazônia-1 já estão praticamente 100% contratados. O dirigente ressaltou que o papel do INPE é de executor e não de planejador do Programa Espacial, mas que o Instituto "olha com preocupação o futuro", respondendo ao comentário do entrevistador sobre a situação da indústria na atualidade [Nota 2].

O dirigente mencionou que nos últimos dez anos, o Instituto contratou mais de R$500 milhões com a indústria e que existem expectativas e novos contratos, sem, no entanto, indicar datas. Citou, como exemplo, o satélite em cooperação com a Argentina (SABIA-MAR), e também missões para coletas de dados [Nota 3].

Notas do blog:

Nota 1: entre os dias 4 e 9 de novembro, acontecerá na China a III Reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), mecanismo de diálogo político de mais alto nível entre Brasil e China. Sua estrutura inclui onze subcomissões, inclusive uma espacial. A expectativa é que no encontro, cujo lado brasileiro será chefiado por Michel Temer, vice-presidente da República, seja aprovado o Plano Decenal de Cooperação Espacial entre os dois países.

Nota 2: ao questionarmos sobre novos contratos, destacamos os receios da indústria espacial, que tem passado por certas dificuldades (algumas, devemos dizer, de sua própria responsabilidade). Apesar da expectativa de que o SGDC possa de alguma forma beneficiar a indústria local, tais benefícios não serão imediatos, podem não ter efeitos financeiros diretos (transferência de tecnologia não necessariamente gera vendas) e serão sentidos apenas após vários anos. Ressalte-se, aliás, que o contrato para a construção do primeiro satélite ainda não foi assinado. Especificamente sobre a situação da indústria local, o blog tem conhecimento de ao menos duas empresas que estão demitindo pessoal ou prestes a demitir. Ainda, é fato amplamente conhecido no setor a gravíssima crise financeira por que passa uma das principais indústrias brasileiras do setor (abordaremos este caso, em detalhes, mais adiante).

Nota 3: de acordo com as informações apuradas pelo blog Panorama Espacial, há discussões no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e AEB para a contratação da missão SABIA-MAR, em conjunto com a Argentina. O modelo analisado envolveria um prime contractor industrial, no qual a Visiona Tecnologia Espacial, surgiria como mais forte candidata. Em relação aos satélites para atender o SBCD, é possível que haja a participação do Comando da Aeronáutica (Ministério da Defesa), e também da Agência Nacional de Águas (ANA), subordinada ao Ministério do Meio Ambiente.
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Satélites de observação na América do Sul

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Satélites de Observação Terrestre na América do Sul - Um panorama

André M. Mileski

Nos últimos anos, o número de países que passaram a deter meios autônomos de observação terrestre a partir do espaço cresceu consideravelmente. Na América do Sul, não tem sido diferente, com aqueles que já têm tradição em atividades espaciais, como Brasil e Argentina, lançando novas missões, o Chile e a Venezuela se juntando ao clube, e outros como Colômbia, Peru e Bolívia prestes a integrá-lo.

Argentina

O programa argentino de satélites de observação é hoje um dos mais avançados da América do Sul, ao lado do brasileiro, abrangendo missões tanto óticas como radar, geralmente implementadas em parceria internacional. Seu primeiro sistema de sensoriamento remoto foi o SAC-C, lançado em 21 de novembro de 2000, e que contava com dois sensores óticos com resoluções nas faixas de 35 a 350 metros, destinados a produzir imagens multiespectrais para estudos da Terra, além de sensores científicos específicos. A missão foi realizada em cooperação com a agência espacial norte-americana (NASA), e institutos de pesquisas da Europa e o Brasil, que executou os testes finais do artefato no Laboratório de Integração e Testes (LIT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP).

Passo seguinte foi dado com o SAC-D/Aquarius, desenvolvido em regime de cooperação internacional, com participação de institutos dos Estados Unidos, França, Itália, Canadá e Brasil, e colocado em órbita em 10 de junho de 2011. Muito embora tenha caráter mais científico (o sensor Aquarius, fornecido pela NASA, é um radiômetro em banda L para medição da salinidade dos oceanos), o satélite também foi equipado com uma câmera de alta sensibilidade (visualização de iluminação urbana, embarcações, tormentas elétricas, cobertura de neves), com 200/300 metros de resolução, e um sensor infravermelho (imageamento de incêndios e atividades vulcânicas), com resolução de 350 metros.

Atualmente, a Argentina é o único país sul-americano a desenvolver de fato uma constelação de satélites com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR, sigla em inglês), capaz de imagear a superfície terrestre independente de luz e cobertura de nuvens, no âmbito do projeto SAOCOM. O projeto, que integra o Plano Espacial Nacional e é tocado pela Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), prevê a construção de duas constelações, a SAOCOM 1 e SAOCOM 2, cada uma sendo composta por dois satélites. Os artefatos da primeira constelação estão em desenvolvimento e devem ser lançados a partir do ano que vem, tendo vida útil estimada em cinco anos. Contarão com um sensor radar operando em banda L, com resolução espacial entre 10 e 100 metros e cobertura de 35 a 350 km, com diferentes ângulos de observação. Quando em operação, o SAOCOM integrará o Sistema Ítalo-Argentino de Satélites para a Gestão de Emergências (SIASGE), considerado único no mundo, que envolverá a integração dos engenhos argentinos com a constelação italiana COSMO-SkyMed.

Outro plano é o do Satélite Argentino-Brasileiro de Informações Ambientais Marítimas - SABIA-Mar (designado localmente como SAC-E), discutido desde o final de 1998 com o vizinho, mas que apenas recentemente recebeu um novo impulso para a sua viabilização.

Brasil

O Brasil foi o sul-americano pioneiro na exploração espacial, inclusive em sensoriamento remoto a partir do espaço. Em abril de 1973, o País se tornou o terceiro no mundo – depois dos Estados Unidos e do Canadá – a dispor de uma estação terrena de imagens de satélite, no caso, o norte-americano ERTS-1 (que originou a família Landsat), instalada em Cuiabá (MT) e operada pelo INPE.

A busca pelo desenvolvimento de alguma autonomia em imageamento a partir do espaço veio com a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), lançada no final da década de 1970, objetivando capacitações nos segmentos de lançadores (programa VLS), satélites e infraestrutura terrestre (laboratórios e centros de lançamentos). A MECB previu o desenvolvimento e construção de dois satélites de sensoriamento, começando-se pelo SSR-1, que mais tarde veio a ser conhecido pelo nome Amazônia-1.

O Amazônia-1 ainda não teve seu projeto concluído, o que é aguardado para os próximos anos, em 2015. Baseado na Plataforma Multimissão (PMM), desenvolvida pelo INPE em conjunto com a indústria nacional, será equipado com uma câmera de 40 metros de resolução e faixa de cobertura de 750 quilômetros, que produzirá imagens da Terra para aplicações no agronegócio, meio-ambiente, monitoramento de recursos naturais e em outros fins. Após o lançamento do Amazônia-1, espera-se que outros dois modelos sejam colocados em órbita, o Amazônia-1B, em 2017, e o Amazônia-2, em 2019.

Quase dez anos após a MECB, os governos do Brasil e da China assinaram um acordo de cooperação tecnológica visando ao desenvolvimento de dois avançados satélites de sensoriamento remoto, dentro do programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite), que desde então tem contribuído significativamente para a capacidade nacional em obter, processar e interpretar imagens geradas a partir do espaço.

O acordo, assinado em 1988, contemplava o desenvolvimento e construção de dois satélites idênticos de sensoriamento remoto equipados com sensores óticos. Nos dois primeiros satélites, as responsabilidades não foram divididas igualitariamente: à China, caberia o desenvolvimento, fabricação e custeio do equivalente a 70% do total, enquanto que à parte brasileira, os 30% restantes. O CBERS 1 foi colocado em órbita heliossíncrona, a 778 km de altitude, em 14 de outubro de 1999, e operou até 2003, superando em quase 100% o tempo de sua vida útil estimada, de dois anos. O segundo, por sua vez, subiu ao espaço em 21 de outubro de 2003. Em novembro de 2002, os dois governos firmaram um novo acordo prevendo a continuidade do CBERS com a construção de outras duas unidades - CBERS 3 e 4, maiores e mais sofisticados, com sensores óticos com resoluções na faixa de 5 a 70 metros. Foi definida, também, uma nova divisão dos investimentos, agora igualitária, cada um respondendo por 50%.

Depois da entrada em órbita do CBERS 2, e considerando-se na época que o CBERS 3 o seria apenas em 2009 (este satélite ainda não foi lançado, com previsão para o final de 2013), o INPE e sua contraparte chinesa decidiram construir um novo, idêntico aos de primeira geração, chamado CBERS 2B, de modo a cobrir o hiato da retirada de operação do último exemplar da série inicial, e a entrada de seu sucessor da segunda série. O CBERS 2B foi lançado em setembro de 2007.

O INPE vem trabalhando há vários anos no conceito de um satélite radar (SAR) que, inicialmente, seria desenvolvido em conjunto com instituições da Alemanha, baseado na PMM [Nota do blog: na ilustração acima, no início da reportagem, o MAPSAR]. O sistema é tido como essencial para as necessidades brasileiras, em particular no monitoramento do desmatamento na Amazônia, tendo em vista a sua capacidade de imageamento em quaisquer condições de tempo. No projeto atual, conforme previsto no Programa Nacional de Atividades Espaciais - PNAE 2012 - 2021, o SAR deverá ser dotado de um imageador radar de abertura sintética, operando em vários modos, com múltiplas resoluções na faixa de 5 a 30 metros, destinado à aplicações voltadas ao meio-ambiente, agricultura, defesa, etc. Seu lançamento é previsto para 2020.

Das missões espaciais de observação terrestre, a mais recente é a SABIA-Mar, desenvolvida pelo Brasil e pela Argentina. Trata-se de um sistema completo de observação da Terra dedicado ao sensoriamento remoto de sistemas aquáticos oceânicos e costeiros, baseado em uma constelação de dois satélites. Além da missão primária, os artefatos poderão, também, observar águas interiores, e obter dados em escala global da cor dos oceanos. Suas imagens poderão ser usadas em aplicações relacionadas à pesca e na aquicultura, no gerenciamento costeiro, no monitoramento de recifes de coral, de florações de algas nocivas e de derrames de óleo, na previsão do tempo, na análise da qualidade das águas, entre outras.

Os artefatos terão cerca de 500 kg, baseados na PMM, e cada um levará uma câmera multiespectral, com possibilidade de cargas úteis secundárias. A partilha das tarefas será de 50% para cada país. Estão em desenvolvimento as Fases 0 (análise da missão e identificação das necessidades) e A (análise de viabilidade técnica e industrial) da missão, tocadas pelo INPE, do lado brasileiro, e pela CONAE, do argentino. O primeiro modelo deve estar em órbita em 2019.

Chile

Em julho de 2008, após um processo de seleção que envolveu os principais fabricantes mundiais, o Chile se tornou o terceiro país do subcontinente a contratar um sistema espacial de observação, encomendando um microssatélite junto à europeia Astrium, do grupo EADS, num negócio avaliado em US$ 72 milhões.

Lançado no final de 2011, o SSOT (Sistema Satelital de Observación de la Tierra) é dual, com aplicações civis e militares. O satélite tem 117 kg de massa e conta com um sensor ótico capaz de produzir imagens com 1,45 metros de resolução, para aplicações como mapeamento, agricultura e gerenciamento de recursos e desastres naturais. Sua vida útil é estimada em cinco anos. A partir de uma estação terrestre em Santiago, o satélite é operado por uma equipe de engenheiros chilenos, treinados nas instalações da Astrium, em Toulouse, no sul da França, onde o sistema e o satélite foram desenvolvidos e construídos. Segundo informações de bastidores, o governo chileno já considera alternativas para a manutenção e mesmo ampliação de sua capacidade de observação a partir do espaço.

Venezuela

Em seu governo, o falecido presidente Hugo Chávez buscou colocar a Venezuela em situação de independência em alguns setores considerados estratégicos, como comunicações e observação terrestre. Isso começou com a aquisição de um satélite de comunicações, o Venesat-1, comprado da fabricante chinesa China Great Wall Industry Corporation (CGWIC) e inserido em órbita no final de 2008. A seguir, conforme a tendência mundial, obteve um satélite de observação terrestre, gozando da parceria espacial mantida com os chineses desde o Venesat-1, num investimento de US$ 140 milhões.

A contratação para a construção do satélite, chamado de Francisco Miranda, mas também designado como VRSS-1 (Venezuelan Remote Sensing Satellite) ocorreu em maio de 2011, e foi o segundo feito pela estatal CGWIC para o governo venezuelano. O VRSS-1 também representou o primeiro satélite de observação exportado pela China, que busca firmar-se como player nesse segmento, a exemplo do que já acontece nas comunicações.

O Francisco Miranda foi ao espaço em outubro de 2011, através de um foguete Longa Marcha 2D, a partir do centro espacial de Jiquan, no noroeste da China. De acordo com informações creditadas pela imprensa internacional a Jorge Arreaza, ministro venezuelano da Ciência, Tecnologia e Inovação, por ocasião do lançamento, o VRSS-1 é capaz de produzir imagens com 2,5 metros de resolução, gerando em torno de 350 imagens por dia ao longo de cinco anos. Seus dados têm sido utilizados para operações de planejamento urbano, monitoramento ambiental, de combate à mineração ilegal e ao tráfico de drogas, junto a aplicações em defesa.

Colômbia

Um dos países da América Latina que mais tem crescido nos últimos anos - a previsão é de que nos próximos anos supere a Argentina, tornando-se a terceira maior economia da região, atrás apenas do Brasil e México - a Colômbia também considera em seus planos estratégicos a obtenção de capacidade autônoma de observação terrestre a partir do espaço. Há gestões da Comisión Colombiana del Espacio (CCE) para o desenvolvimento de um programa satelital, iniciativa que deverá envolver parcerias com governos e indústrias estrangeiras. Diversas notícias sobre possíveis parceiros chegaram a ser publicadas, com destaque para Israel - importante parceiro no setor de defesa, e França, e a expectativa é de que a definição sobre o caminho a ser trilhado para a concretização do projeto colombiano ocorra muito em breve.

Recentemente, em fevereiro de 2013, numa entrevista dada à imprensa local, o vice-presidente colombiano, Angelino Garzón, deu enfáticas declarações sobre a necessidade do país em dispor de capacidade própria de observação: “Não é justo que a Colômbia, hoje dispondo de uma Força Aérea como a que tem, um instituto geográfico como o Geográfico Agustín Codazzi, tenha que pedir a utilização de parte de satélites para observar nosso próprio território”.

Peru

O Peru também está próximo de concretizar seu programa satelital, segundo indicações dadas por notícias e declarações de autoridades. As intenções peruanas datam de 2006, mas foram aceleradas a partir do momento em que o Chile, um rival histórico, passou a contar com seu sistema próprio, em julho de 2008.

Reportagens e declarações dadas por membros do governo sinalizam que a pretensão é contar com um pequeno satélite de observação com sensores óticos de mesma resolução ou superiores (em torno de 1 metro) ao do SSOT chileno, a ser adquirido junto a fabricantes estrangeiros. Lima, por meio do Ministério da Defesa e da Agencia Espacial del Peru (CONIDA), tem mantido contato com governos e fabricantes interessados em fornecer o sistema satelital, como a França, Israel e Coréia do Sul, entre outros.

Na SITDEF 2013, feira sobre sistemas de defesa, segurança e desastres naturais realizada no último mês de maio em Lima, o projeto peruano foi um dos destaques, abordado em apresentações de entidades envolvidas e também de empresas interessadas em fornecê-lo.

Bolívia

Apesar de ser um dos países mais pobres da América do Sul, durante o governo de Evo Morales, a Bolívia buscou estruturar um programa espacial, e seu primeiro projeto concretizado foi o de um satélite geoestacionário de comunicações, o Tupac Katari, adquirido na China em dezembro de 2010, e previsto para ser colocado em órbita no final de 2013. Um sistema de observação também está nos planos de La Paz para aplicações como o monitoramento de recursos minerais, muito embora não existam indicativos claros sobre a negociação e mesmo disponibilização de recursos para a aquisição.

Fonte: Revista Tecnologia & Defesa n.º 133, julho de 2013.
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terça-feira, 19 de junho de 2012

Notícias do IAE: SARA e Plataforma Suborbital


Apresentada a carga útil brasileira para o Programa de Microgravidade

Representantes do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) estiveram nas instalações da Orbital Engenharia para conhecer o primeiro protótipo da PLataforma Suborbital de Microgravidade (PSM). A PSM substituirá a plataforma da agência espacial alemã (DLR), que tem sido usada pelo Brasil em seus experimentos em ambiente de gravidade reduzida utilizando-se do foguete de sondagem VSB-30.

Modelo de voo mecânico do SARA Suborbital é entregue ao IAE

Em 14 de junh, foi entregue ao IAE pela indústria CENIC, de São José dos Campos (SP), o modelo de voo mecânico do SARA Suborbital. O modelo de Voo mecânico do SARA Suborbital compreende três dos quatro subsistemas do veículo: subsistema estrutural, módulo de experimentação e subsistema de recuperação. O desenvolvimento deste modelo foi resultado de uma parceria coordenada pelo IAE, contando com a empresa CENIC no papel de “main contractor”, e outras indústrias nacionais como, a EQE e a Orbital Engenharia.

IAE certifica subsistema de recuperação do SARA Suborbital

Em 5 de junho, o IAE completou a qualificação em solo do subsistema de recuperação do SARA Suborbital, com a realização bem sucedida de ensaio de abertura dinâmica dos para-quedas.
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domingo, 16 de outubro de 2011

O que esperar do novo PNAE

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Durante o Congresso Latino-Americano de Satélites, realizado no Rio de Janeiro no início deste mês, Himilcon Carvalho, Diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da Agência Espacial Brasileira (AEB) apresentou em sua palestra alguns elementos que devem constar na nova versão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), ora em discussão.

Carvalho listou as demandas concretas, já identificadas, do Programa Espacial Brasileiro, a saber: Sistema Nacional de Prevenção e Alerta de Desastres; Estratégia Nacional de Defesa; Monitoramento Ambiental; e Segurança alimentar e hídrica. Tais demandas justificariam o desenvolvimento de missões de observação terrestre, meteorologia e comunicações, além, é claro, de meios de acesso ao espaço (um requisito da Estratégia Nacional de Defesa).

Satélites

O novo PNAE propõe dezesseis missões satelitais no período de 2012 a 2020 (ver gráfico abaixo). Cumprindo-se o cronograma proposto, a partir de 2012, o Programa Espacial Brasileiro teria ao menos um lançamento anual, com um pico de quatro missões em 2018.

Seguindo o exemplo do CBERS 2B, construído principalmente com subsistemas usados como modelos de engenharia para os dois primeiros satélites da série, a AEB adotará a mesma estratégia para o CBERS de segunda geração (além do CBERS 3 e 4, será feito o CBERS 4B, com previsão de lançamento em 2016), e o Amazônia-1, que deverá contar também com o Amazônia-1B, com expectativa de lançamento em 2015.

A AEB planeja também uma missão científica, baseada na Plataforma Multimissão (PMM), para o estudo do espectro do solo e da vegetação (Flora Hiperespectral), chamada FLORA-1, com lançamento planejado para 2016. Segundo informações recebidas pelo blog, tal missão poderia ser desenvolvida em conjunto com os Estados Unidos. Chama atenção a não inclusão da missão GPM (Global Precipitation Measurement), muito importante para o Sistema Nacional de Prevenção e Alerta de Desastres, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Inicialmente, a proposta era que o projeto fosse feito em parceria com a França ou Estados Unidos.

A missão radar, essencial para o monitoramento da região amazônica, está prevista para 2018. Ao invés de ser baseado na PMM, como inicialmente considerado (MAPSAR, em colaboração com a Alemanha), a AEB agora apresenta o satélite como sendo da classe de 2500 kg, possivelmente utilizando-se da plataforma desenvolvida para o CBERS, o que indicaria a possibilidade de se desenvolvê-la em parceria com a China, como tem sido buscado pela AEB.

O novo PNAE terá ainda uma orientação para missões de microssatélites científicos. Seriam três, uma voltada para clima espacial (CLE-1, em 2018), e duas de astrofísica (AST-1 e AST-2, em 2019 e 2020, respectivamente), a serem lançadas pelo futuro Veículo Lançador de Microssatélites (VLM).

Foguetes de sondagem e lançadores

As iniciativas em foguetes de sondagem e lançadores, lideradas pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), de São José dos Campos (SP), devem continuar apostando fortemente na cooperação com a Alemanha, que este ano completa quarenta anos (mais sobre essa cooperação, em breve no blog Panorama Espacial). Muito embora não haja definição dentro do IAE sobre o caminho a ser seguido para o desenvolvimento do VLM, dentre as várias possibilidades (cooperação com França, Rússia, Ucrânia, Alemanha ou Itália), a AEB parece apostar na cooperação com os alemães, numa extensão do projeto SHEFEX (SHarp Edge Flight EXperiment).

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

AEB e Yuzhnoye: declaração conjunta

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Declaração Conjunta da Agência Espacial Brasileira e da Delegação da Empresa Espacial SDO Yuzhnoye da Ucrânia

14-09-2011

A cooperação espacial entre o Brasil e a Ucrânia deu mais um passo importante. Foi extremamente produtiva a reunião realizada nesta terça-feira, 13 de setembro de 2011, na Agência Espacial Brasileira (AEB), entre a AEB, encabeçada pelo seu presidente, Marco Antonio Raupp, e a Delegação visitante da Empresa SDO Yuzhnoye da Ucrânia, liderada por seu diretor geral, Alexander Degtyarev. O encontro contou com a participação de representantes do Instituto de Aeronáutica e Espaço do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) e da Empresa Alcântara Cyclone Space (ACS).

A reunião deu continuidade aos entendimentos iniciados durante a visita da comitiva técnica brasileira, comandada pelo presidente da AEB, no início de julho último, às indústrias ucranianas envolvidas no programa da empresa binacional ACS, que vai promover lançamentos do foguete Cyclone-4, da Ucrânia, a partir do Centro de Alcântara, no Brasil, introduzindo uma alternativa econômica e segura no mercado mundial de lançamentos comerciais.

Foram discutidas as várias possibilidades de ampliação da cooperação entre as instituições espaciais brasileiras, coordenadas pela AEB, e a indústria espacial ucraniana – em especial, a empresa SDO Yuzhnoye, com mais de 50 anos de existência ininterrupta e invejável experiência em diversos setores das atividades espaciais, tanto em veículos lançadores e seus sistemas básicos, como em satélites de diferentes tipos e finalidades.

Ficaram claras as grandes oportunidades de colaboração existentes em todas essas esferas. O desenvolvimento conjunto de satélites, inclusive os dotados de radar, será objeto de atenção especial. Acordou-se preparar um plano de treinamento de técnicos brasileiros em sistemas e equipamentos fundamentais para lançadores, bem como em segurança de combustíveis. O esforço de capacitação de recursos humanos deverá envolver universidades brasileiras e ucranianas, além de especialistas vinculados aos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Defesa e das Comunicações.

Os Presidentes da AEB e da SDO Yuzhnoye fizeram questão de deixar registrados os resultados e perspectivas altamente promissores alcançados no encontro, bem como o empenho comum e coeso de concretizar as decisões adotadas.

MARCO ANTONIO RAUPP
Presidente da AEB

ALEXANDR DEGTYAREV
Diretor-Geral da YUZHNOYE

Fonte: AEB

Comentário: muito interessante o trecho que discorre sobre a "atenção especial" a ser dada para o desenvolvimento de satélites, "em especial os dotados de radar". Este é um campo em que o Brasil tem considerado várias possibilidades, envolvendo a China, Itália ou Argentina, entre outros países, depois que a iniciativa do MAPSAR, em parceria com a Alemanha, não seguiu adiante.
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Raupp vai à China

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Presidente da AEB viaja, hoje, para China

16-08-2011

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, integra nesta terça feira (16) a comitiva do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) chefiada pelo ministro Aloizio Mercadante, que viaja rumo a China, para participar de visita oficial àquele país. A delegação participará da abertura de duas subcomissões temáticas da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação. A primeira, no dia 21 de agosto a de cooperação espacial e no dia 23 a de ciência, tecnologia e inovação. Ainda faz parte da agenda visitas a instituições chinesas.

Na abertura dos trabalhos, no dia 22 de agosto, a subcomissão de cooperação espacial irá analisar a possível data de lançamento do satélite Cbers-3, estudará a proposta de construção da versão 4b do equipamento sino-brasileiro e debaterá a continuidade e expansão do programa com a quinta e a sexta versão dos satélites.

Graças à família Cbers, o Brasil tornou-se país sensoriador, espécie ainda rara no mundo, e, hoje, é um dos maiores distribuidores de dados de satélite: já forneceu, de graça, mais de 600 mil imagens a milhares de usuários e instituições públicas e privadas. Os dados têm múltiplas utilidades, entre elas a de monitorar desmatamentos e expansão da agropecuária, planejamento urbano e gerenciamento hídrico.

A política de distribuição de imagens produzidas pelo programa Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres para países africanos também será discutida. Em 2007, Brasil e China decidiram oferecer gratuitamente as imagens do Cbers para toda a África. Isso habilitará governos e organizações africanas a monitorarem desastres naturais, desmatamentos, ameaças à produção agrícola e fatores de riscos à saúde pública. O continente já conta com três estações de recepção das imagens do sistema Cbers: CSIR, Hartebeeshoek, na África do Sul; Inta, Maspalomas, nas Ilhas Canárias, Espanha; e NARSS, Aswan, no Egito. A estação no Gabão, que está sendo negociada, depende de um acordo entre esse país, China, Brasil e França.

O encontro discutirá, ainda, a viabilidade de se construir uma versão do satélite equipada com radar de abertura sintética (SAR). A construção do projeto Brics estará na rodada de conversas.
Outro dilema será tratado, nesses dois dias. Enquanto os chineses gostariam de um apoio de estações terrestres brasileiras a voos tripulados das missões Shenzhou, os brasileiros gostariam de recepcionar imagens produzidas pelos satélites chineses HJ-1A E HJ-1B.

Em conjunto, os países pretendem estudar a possibilidade de elaboração de um programa decenal de cooperação na área espacial, tendo em vista os termos e resultados do Comunicado Conjunto assinado pelos presidentes Dilma Roussef e Hu Jintao, em abril passado. Brasileiros e chineses também analisarão a criação conjunta de um centro sobre pesquisas meteorológicas por satélite.

O encontro ainda servirá para discutir programas de mobilidade, capacitação e treinamento na área espacial, em parceria com os institutos de ensino e pesquisa da Academia de Ciências da China, com base, inclusive, no programa “Ciências sem Fronteiras”, lançado pelo governo brasileiro.

Fonte: AEB
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domingo, 14 de agosto de 2011

Cooperação Brasil - China, novo artigo de José Monserrat Filho

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Reproduzimos abaixo um novo artigo enviado pelo Prof. José Monserrat Filho, sobre a cooperação entre o Brasil e a China. No âmbito espacial, são dadas informações muito interessantes sobre os tópicos que serão discutidos na reunião da Subcomissão do Espaço da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Coordenação (COSBAN), na próxima semana:

Brasil-China – Mais espaço e muito além do espaço

José Monserrat Filho *

Na próxima segunda-feira, 22 de agosto, reúne-se em Beijing, China, a Subcomissão do Espaço da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Coordenação (COSBAN). E na terça-feira, dia 23, também na capital chinesa, reúne-se a subcomissão de Ciência, Tecnologia e Inovação. O que as duas subcomissões aprovarem será levado à consideração da COSBAN, que tem reunião marcada para o início de setembro, em Brasília.

Estes encontros devem articular a implementação das decisões tomadas durante a viagem à China da presidente Dilma Rousseff, em 12 e 13 de abril, quando foi recebida pelo presidente chinês, Hu Jintao, com quem assinou um comunicado conjunto de 29 pontos, que vale a pena ler. A visita, como logo veremos, marcou nova e promissora etapa nas relações bilaterais.

Trata-se não apenas de um dos maiores parceiros comerciais do Brasil. “A China hoje é um vetor muito importante na ordem mundial. E quem não estiver de certa forma interagindo com a China, tende a ficar alienado desse movimento mundial”, notou muito bem, em julho passado, Segen Estefen, diretor de Tecnologia e Inovação da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ).¹

Quem primeiro descobriu a China como país importante para o Brasil, no século XX, foi o competente embaixador Saraiva Guerreiro (1918-2011). Em maio de 1982, oito anos após o nosso reconhecimento diplomático da China, o então chanceler brasileiro, inovador como poucos antes dele, inaugurou o caminho a Beijing para fomentar o comércio bilateral e ver o que viria por aí; foi recebido por Deng Xiaoping, sucessor de Mao Tsé-tung à frente do país e promotor da grande reforma cujos frutos hoje impressionam o mundo.

Em 1985, redemocratizado o Brasil, Renato Archer, primeiro titular do novo Ministério da Ciência e Tecnologia, herdou do Itamaraty a carta chinesa enviada em 1984, propondo cooperação espacial. Não hesitou e, em julho de 1986, já estava na China com sua equipe, na qual despontavam Celso Amorim, então seu assessor internacional, hoje Ministro da Defesa (depois de ter sido chanceler por oito anos), e Marco Antônio Raupp, então diretor geral do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), hoje presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB).2

O nascimento do CBERS

Foi tudo muito rápido. Apenas dois anos depois, em junho de 1988, o então Presidente José Sarney firmou, na China, o acordo histórico para a construção conjunta do CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), o maior programa de cooperação entre países em desenvolvimento em tecnologia de ponta, na definição de Amorim. “A China contribuiu para colocar o Brasil na era espacial”, escreveram historiadores.²

O programa paralisado pelo Governo Collor (1990-92) e defendido pelo então embaixador do Brasil na China, Roberto Abdenur, sobreviveu airosamente até ser retomado pelo Governo Itamar Franco (1092-94) e assumido pelo então ministro da C&T, José Israel Vargas (1992-98). Mas faltou dinheiro. O CBERS-1 só foi lançado em 1999. Vargas já deixara o MCT. Felizmente, o CBERS-2 subiu em 2003 e o CBERS-2-B, em 19 de setembro de 2007.³ Esse último, porém, deixou de funcionar em abril de 2010. Seu período de vida útil era estimado em dois anos. Ele viveu mais tempo do que se previa. Deu 13 mil voltas na Terra. Gerou 270 mil imagens, distribuídas de graça a usuários brasileiros, e outras 60 mil distribuídas a usuários de mais de 40 países. Todas elas podem ser acessadas sem custo em http://www.dgi.inpe.br/CDSR.4 O fim do CBERS 2B deixou no ar um vazio que será preenchido pelo CBERS 3, a ser lançado em outubro de 2012. Essa questão, de suma relevância, está no primeiro ponto da pauta da referida reunião do dia 22, em Beijing.

Graças à família CBERS, o Brasil tornou-se país sensoriador, espécie ainda rara no mundo, e, hoje, é um dos maiores distribuidores de dados de satélite: já forneceu de graça mais de 600 mil imagens a dezenas de milhares de usuários, em instituições públicas e privadas. Os dados têm múltiplas utilidades, entre elas a de monitorar desmatamentos e expansão da agropecuária, planejamento urbano e gerenciamento hídrico.

Em 2007, Brasil e China decidiram oferecer gratuitamente as imagens do CBERS a toda a África. Isso habilitará governos e organizações africanas a monitorarem desastres naturais, desmatamento, ameaças à produção agrícola e riscos à saúde pública. O continente já conta com três estações de recepção das imagens do sistema CBERS: CSIR, Hartebeeshoek, na África do Sul; INTA, Maspalomas, nas Ilhas Canárias, Espanha; e NARSS, Aswan, no Egito. A estação no Gabão, que está sendo negociada, depende de um acordo entre esse país, China, Brasil e França.

Por um CBERS mais abrangente

Chegou a hora de ampliar o programa CBERS e abrir novos campos de cooperação espacial. É o que reza o ponto 15 do Comunicado Conjunto dos presidentes Dilma Rousseff e Hu Jintao:

“As duas partes reafirmaram a elevada importância que atribuem à cooperação espacial e manifestaram a disposição de ampliar e diversificar a cooperação no Programa Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres – CBERS. Os órgãos relevantes dos dois países promoverão a conclusão da pesquisa e fabricação dos CBERS 03 e 04, conforme planejado, assim como planificarão o programa de cooperação aeroespacial sino-brasileiro conforme as necessidades do desenvolvimento aeroespacial dos dois países, iniciando as consultas sobre a continuidade da cooperação.”4

Na reunião de Beijing, em 22 de agosto, estarão em pauta não apenas os CBERS 3 e 4, mas também vários outros assuntos:

1) Os próximos passos da política de distribuição de imagens a países sul-americanos e africanos, a fim de se preparar a infraestrutura para a recepção das imagens do CBERS-3, com lançamento programado para outubro do ano que vem;
2) A decisão de lançar ou não o CBERS-4b;
3) Os projetos dos CBERS 5 e 6;
4) A construção conjunta do satélite SAR, equipado com radar de abertura sintética;
5) O apoio de estações terrestres do Brasil a voos tripulados da China (Missão Shenzhou); e
6) A construção do satélite BRICS

Serão também discutidas questões de política espacial internacional e a ideia de elaborar um programa decenal de cooperação espacial Brasil-China.

Dois temas de cooperação espacial constam da pauta da Subcomissão de CT&I, que se reúne em 23 de agosto:

1) Criação do centro bilateral de pesquisas meteorológicas por satélite, unindo o INPE e o Centro Nacional de Meteorologia da Administração Meteorológica da China; e
2) Programas de mobilidade, capacitação e treinamento na área espacial, em parceria com os institutos de ensino e pesquisa da Academia de Ciências da China, com base, inclusive, no programa “Ciências sem Fronteiras”, lançado pelo governo brasileiro.

Muito além da cooperação espacial

No seminário “Diálogo de Alto Nível Brasil–China em Ciência, Tecnologia e Inovação”, que abriu o programa oficial da presidente Dilma Rousseff em Beijing, em 12 de abril, discutiu-se, além do programa CBERS, a cooperação bilateral em energias renováveis, nanotecnologia, agricultura e segurança alimentar, tecnologia da informação e políticas de inovação.

Na véspera, o ministro da C&T, Aloizio Mercadante, secretários do MCT e o diretor do INPE, Gilberto Câmara, visitaram a Academia de Ciências da China, visando incrementar a colaboração nas áreas de observação da Terra, aplicações de sensoriamento remoto e clima espacial. Estiveram, também, na Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (CAST), um dos esteios da parceria estratégica Brasil-China.

No mesmo 12 de abril, os dois países firmaram acordos destinados à cooperação tecnológica petroleira e aeronáutica, inclusive a venda de 35 aviões da Embraer a empresas chinesas, operação estimada em 40 milhões de dólares. Assinou-se, também, o acordo pelo qual a Embraer produzirá o avião Legacy 600 na China, junto com a Corporação da Indústria de Aviação Chinesa (AVIC).

Informou-se que a empresa chinesa Foxconn projeta investir nos próximos cinco/seis anos 12 bilhões de dólares no Brasil, na produção de aplicativos para telefonia móvel e informática, como telas para aparelhos celulares. Esse projeto será estudado por grupo de trabalho já formado. E a empresa de telefonia Huawei anunciou a construção de um centro de pesquisas na região de São Paulo, com investimentos de 300 a 400 milhões de dólares.

Outros acordos também firmados instituem programas de cooperação nas áreas de defesa, nanotecnologia, recursos hídricos, normas fitossanitárias, tecnologia agrícola e agricultura tropical.

Acertou-se o intercâmbio de reitores de universidades, professores e estudantes.

E uma novidade, pela qual o MCT tem se empenhado nos últimos anos: o Brasil terá a colaboração da China para desenvolver tecnologias para o aproveitamento do bambu.

Em suma, o investimento chinês no Brasil, só nas áreas de CT&I, deve superar um bilhão de dólares, calcula o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel.

A Petrobras, por seu turno, assinou contratos com as empresas estatais chineses Sinopec e Sinochem para a exploração e aproveitamento de óleos de poços praticamente extintos.

E, last but not least, a China autorizou a importação de carne de porco brasileira, até então proibida por razões fitossanitárias.

Cooperação em nanociência, nanotecnologia e biotecnologia

A Subcomissão de CT&I examinará, agora no dia 23, uma pauta rica, em que despontam dois projetos:

1) Centro Brasil-China de Pesquisa e Inovação em Nnotecnologia, com a elaboração de um programa de trabalho em nanociência e nanotecnologia, incluindo-se o cronograma de atividades, a previsão dos recursos financeiros necessários, a lista da instituições, equipes de pesquisadores e empresas participantes;
2) Trabalho conjunto em genética de plantas entre o Laboratório Virtual da Embrapa (Labex), com sede na China, e a Academia de Ciências Agrárias da China. Em abril, durante a visita da presidente Dilma Rousseff à Beijing, a Embrapa assinou acordos de cooperação com duas Academias chinesas, a de Ciências (CAS) e a de Ciências Agrárias Tropicais (CATAS).

Há, ainda, possibilidades de cooperação em biomedicina, genética humana e bioinformática.

Mudanças climáticas e tecnologias inovadoras para energia

Outro avanço cooperativo é o Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para Energia, que promoveu um seminário na Coppe-UFRJ, em 27 de julho último, com resultados especialmente úteis ao desenvolvimento de energias renováveis.5

O centro, criado pela Coppe e pela Universidade de Tsinghua, principal instituição chinesa de engenharia, tem por missão formular estratégias e ações destinadas a subsidiar decisões dos dois governos nas áreas de energia e meio ambiente.

Brasil e China têm características comuns em matéria de emissões de gases poluentes e podem atuar juntos nessa convergência. A China está na frente em tecnologias renováveis, graças sobretudo ao baixo custo de sua produção. Pode transferir tecnologia para o Brasil, particularmente em torres de aerogeradores (que produzem energia eólica), e também em painéis solares, com destaque para os fotovoltaicos.

Em breve, a Coppe deve assinar acordo com uma grande empresa chinesa produtora de aerogeradores, que serão adaptados às condições brasileiras. Pesquisadores da Coppe também trabalham na China na produção de biocombustíveis, com ênfase no biodiesel a base de palma, tecnologia desenvolvida por chineses e dinamarqueses, passível de ser adaptada ao Brasil.

A cooperação Coppe-Universidade de Tsinghua pode resultar em transferência de tecnologia chinesa ao Brasil e de tecnologia brasileira à China. Cada parte com o direito de agregar valor à solução da outra. A China, em geral, é mais avançada em tecnologias de energia solar e eólica. Mas o Brasil também tem o que oferecer: a Coppe, por exemplo, trabalha com a geração de energia a partir de ondas e marés, que pode ser útil aos chineses. E os chineses estudam na Coppe a tecnologia de produção de petróleo em águas profundas, de que o Brasil é líder mundial.

Há, portanto, um longo caminho pela frente. Um belo contraponto à crise mundial.

* Chefe da Assessoria de Cooperação Espacial da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Referências

1) Portal Brasil, Agência Brasil, 27/07/2011.
2) Oliveira, Fabíola de, Brasil - China - 20 anos de Cooperação Espacial: CBERS - O Satélite de Parceria Estratégica, publicado em 2008, sob a supervisão e o patrocínio do Ministério da Ciência e Tecnologia, através de sua Assessoria de Cooperação Internacional.
3) Cervo, Amado Luiz, e Bueno, Clodoaldo, História da política exterior do Brasil, 4ª ed. Rev. Ampli., Brasília: Universidade de Brasília, 2011, p. 515
4) Ver em http://g1.globo.com/politica/noticia/2011/04/confira-comunicado-conjunto-do-encontro-de-dilma-com-hu-jintao.html
5) Portal Brasil, Agência Brasil, 27/07/2011.
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domingo, 10 de julho de 2011

INPE considera Resourcesat-2 para a Amazônia

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Inpe busca novo sistema para monitorar danos a Amazônia

10/07/2011

Equipamento atual não mostra desmatamento em áreas pequenas da mata e que já são 80% do desflorestamento

MARCO ANTONIO GONÇALVES
ESPECIAL PARA O VALE

Com um sistema de detecção de desmatamento defasado, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), de São José, não consegue monitorar rapidamente grande parte do desflorestamento da Amazônia.

Isso porque o Deter, programa que faz um levantamento rápido de desmates, usa o sensor Modis, com resolução de 250 metros, que só permite detectar desmates maiores que 250 metros quadrados), porém com precisão maior só acima de 50 hectares.

Em razão disso, os desmatadores mudaram de estratégia e começaram a fazer desmates mais espalhados, menores que 50 hectares e que não são detectados pelo satélite. Hoje esses pequenos desmates representam 80% do total de desflorestamento da região amazônica.

“O Deter cobre a Amazônia inteira e manda relatórios de dois em dois dias, que são enviados ao Ibama. No final do mês é publicado um relatório de intervenção na floresta”, afirmou o coordenador do Programa Amazônia do Inpe, Dalton Valeriano.

Segundo ele, esse sistema não funciona para divulgar números confiáveis de desmatamento.

“O sistema serve apenas como alerta de áreas que estão sofrendo intervenção”, disse. Vários fatores, como as nuvens, por exemplo, influenciam na detecção dos desmatamentos.

Satélite. O satélite indiano Resourcesat-2 é a maior esperança do governo brasileiro para melhorar o monitoramento rápido de desmate. “Este satélite indiano tem uma capacidade imensa. Pode liberar informações de cinco em cinco dias, com uma resolução de 56 metros”, informou Valeriano.

Gratuito, esse satélite deixaria o Deter obsoleto. Porém, o Inpe ainda não tem total acesso às imagens deste sistema. “O Ministério das Relações Exteriores deve entrar em contato com o governo da Índia para pedir o acesso pleno aos dados desse satélite”, disse o coordenador do programa do Inpe.

Satélites. O Brasil deve ter em três anos dois satélites próprios que forneceriam as imagens para o monitoramento da Amazônia. O satélite Amazônia-1, equipado com uma câmera de 40 metros de resolução e com lançamento previsto para 2012 e o satélite sino-brasileiro CBERS-3 darão ao Inpe a capacidade de obter imagens de toda a Amazônia, em alta resolução, a cada três dias.

“Em 2014, já teremos uma autonomia maior em relação aos satélites, mas esse satélite indiano já poderia nos auxiliar muito”, afirmou Valeriano.

Segundo ele, apesar de tudo isso, os resultados tem sido bons. “Temos tido bons resultados, a fiscalização tem sido bastante eficiente, mas é sempre preciso melhorar, quando se trata da Amazônia. Ela não é só um assunto do Brasil”.

SAIBA MAIS

Amazônia
A Amazônia possui mais de 5 milhões de metros quadrados e cobre nove países

Desmatamento
Em relação ao ano passado, o desmatamento caiu 44% na Amazônia brasileira

Inpe
O Inpe possui um centro regional na região amazônica e faz o monitoramento usando diversos satélites

Programa divulga o desmate anual

Um importante sistema do Inpe de monitoramento da Amazônia é o Prodes, que divulga relatórios completos anualmente sobre a intervenção na floresta. O sistema mede o tamanho da área desmatada. Com seus dados é possível e confiável fazer análises comparativas de desmatamento. O Inpe divulga os relatórios finais sempre no fim de ano.

Fonte: Jornal O Vale

Comentários: o satélite indiano Resourcesat-2 foi lançado ao espaço em abril de 2011. A reportagem não chega a aprofundar o tema, mas uma das maiores carências do sistema de monitoramento da Amazônia é a falta de satélites com sensores radar, capazes de imagear o solo mesmo com a cobertura de nuvens. A necessidade de um sistema radar já foi identificada há muitos anos e, inclusive, um projeto, chamado MAPSAR (Multi-Application Purpose SAR), chegou a ser estudado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em parceria com a agência aeroespacial da Alemanha (DLR). Impressiona o fato de, até o momento, o País não ter sido capaz de encontrar o seu caminho para atender esta necessidade. Enquanto o governo brasileiro faz "marketing" no exterior com "CBERS for Africa" e acesso gratuito a imagens de satélites, os sistemas de monitoramenro DETER e PRODES vão sendo atendidos com imagens de satélites estrangeiros, especialmente da constelação DMC.
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Satélites IBSA, SABIA-Mar e MAPSAR

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O blog Panorama Espacial conversou hoje (11) pela manhã com Thyrso Villela Neto, diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB), para atualizar as informações sobre alguns projetos de satélites do Programa Espacial Brasileiro.

A conversa foi rápida e por telefone, mas foi possível colher informações interessantes sobre o status dos projetos em parceria com a Índia e África do Sul, do SABIA-Mar e do MAPSAR. A seguir, reproduzimos um pequeno resumo com as informações mais relevantes:

Satélites IBSA

O primeiro satélite da parceria entre Brasil, África do Sul e Índia (IBSA, sigla em inglês) anunciada em abril deste ano, terá finalidades científicas, no campo de ciência espacial. Mais especificamente, no acompanhamento e estudos sobre a anomalia magnética na região do Atlântico Sul, fenômeno natural que causa inteferências nas comunicações.

O satélite em consideração terá 100 kg de massa, cabendo à África do Sul o desenvolvimento da plataforma e seus subsistemas, e ao Brasil, às cargas úteis, desenvolvidas pela área de Ciência Espacial do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Ainda não foi definida a participação da parte indiana.

A ideia é que o satélite científico seja lançado em 2013.

No escopo da cooperação espacial entre os três países, um segundo satélite, de sensoriamento remoto, está também sendo considerado.

SABIA-Mar

Outro projeto comentado por Villela foi o do SABIA-Mar, satélite desenvolvido em conjunto pelo Brasil e a Argentina, e destinado à observação global dos oceanos e ao monitoramento do Atlântico nas proximidades dos dois países.

o SABIA-Mar encontra-se em projeto preliminar, porém bem adiantado. Caberá à parte argentina o fornecimento da plataforma e subsistemas, enquanto que o Brasil será o responsável pelas cargas úteis principais (dois sensores óticos). No momento, as partes envolvidas estao em busca de recursos para a iniciativa.

MAPSAR

Questionado sobre o interesse brasileiro em contar com um satélite de observação terrestre com sensor radar, Thyrso Villela comentou que, no ano passado, a Fase B do projeto MAPSAR, em parceria com a Alemanha, foi concluída, comprovando sua factibilidade em termos técnicos. O lado alemão, no entanto, não demonstrou interesse em seguir adiante com a iniciativa, provavelmente por razões orçamentárias.

A AEB e o INPE estão em busca de outras alternativas, como Argentina, Itália e China. O País dispõe de alguma capacitação em tecnologia radar (SAR, sigla em inglês), mas há grande interesse em aprimorá-la, desenvolver mais capacidades e conhecimento na área, o que deve ser viabilizado com um parceiro estrangeiro.
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sábado, 6 de novembro de 2010

COSMO-SkyMed: quarto satélite em órbita

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O quarto e último satélite de observação terrestre da série COSMO-SkyMed foi lançado com sucesso ontem (5), a partir do centro espacial de Vandenberg, nos EUA.

Formada por quatro satélites idênticos, dotados de um sensor radar de alta resolução que opera em banda X, a constelação Como-SkyMed, desenvolvida e construída pela Thales Alenia Space, é destinada ao imageamento da Terra de dia ou de noite, sob quaisquer condições atmosféricas. O primeiro satélite foi lançado em junho de 2007, o segundo em dezembro de 2007, e o terceiro em outubro de 2008.

A COSMO-SkyMed operará em conjunto com os satélites argentinos SAOCOM, em desenvolvimento, quando estes estiverem em órbita, originando o Sistema Ítalo-Argentino de Satélites para a Gestão de Emergências (SIASGE), previsto num acordo espacial firmado pelas autoridades da Itália e Argentina em julho de 2005. Segundo informações apuradas pelo blog, no vácuo da falta de uma decisão sobre o MAPSAR, teria havido conversas bem preliminares entre autoridades da Agência Espacial Italiana (ASI) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) prevendo um possível desenvolvimento conjunto de um satélite-radar com sensor que opera em banda P (capaz de penetrar sobre certas superfícies, como folhagens). Este satélite, se viabilizado, poderia vir a integrar uma rede comum, como o SIASGE.

Os produtos gerados pelo COSMO-SkyMed e suas aplicações têm sido intensamente promovidos no Brasil pela Telespazio, tanto no mercado privado, como governamental e militar.
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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Satélites no Estadão de hoje

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O jornal "O Estado de S. Paulo" de hoje (29) publicou algumas reportagens sobre a tecnologia brasileira no monitoramento terrestre por satélites. Uma matéria principal destaca que o Brasil, por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), "exportará" seu expertise no monitoramento de desmatamento da floresta amazônica para técnicos da África e América do Sul, graças a parcerias com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jaica), a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) e a Fundação das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

As reportagens podem ser lidas clicando-se sobre os títulos abaixo:

"Brasil vai exportar vigilância de florestas"

"Satélites em hora extra, alerta para a Amazônia"

"África usará imagens de parceria Brasil-China"

"País quer monitorar agricultura do espaço"

Ponto interessante abordado por um dos textos, citando Dalton Valeriano, coordenador do Programa Amazônia do INPE, é que a partir de 2011, o Instituto passará a usar imagens de radar produzidas pelo satélite japonês Alos. Imagens geradas pelo mesmo satélite já são usadas pelo SIPAM e IBAMA.

As imagens radar, capazes de penetrar as nuvens e assim visualizar o solo em qualquer horário e sob quaisquer condições de tempo, são justamente uma das maiores deficiências dos programas brasileiros de monitoramento do desmatamento, aspecto que, talvez, pudesse até mesmo ser melhor explorado nas reportagens do "Estadão".

O Brasil busca de algum modo atender essa necessidade, como a aquisição de imagens do satélite Alos, parceria com a italiana Telespazio para pesquisas com dados de radar para a Amazônia, e o projeto do satélite próprio MAPSAR.
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

OrbiSat em Espaço

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A edição nº 122 de Tecnologia & Defesa, que se encontra nas bancas, conta com uma reportagem com um perfil da OrbiSat, uma das mais bem sucedidas indústrias brasileiras no setor de defesa, especializada em sensoriamento remoto, radares para vigilância aérea e terrestre, e também no desenvolvimento de produtos eletrônicos de consumo (antenas e receptores). A empresa tem também interesse no setor espacial.

Abaixo, reproduzimos o trecho que trata de seu envolvimento com o Programa Espacial Brasileiro, mais especificamente, com o projeto MAPSAR:

"Satélite

Sendo a empresa brasileira com mais experiência em tecnologias de sensoriamento remoto por radares, o envolvimento da OrbiSat em projetos relacionados a satélites com sensores radares seria mais do que lógico. E é o que acontece. Já há alguns anos, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) consideram a construção de um satélite-radar, chamado MAPSAR, de modo a preencher a lacuna na capacidade nacional de observação terrestre a partir do espaço. O Brasil conta apenas com satélites próprios dotados de sensores óticos, incapazes de imagear determinadas regiões, como a Amazônia, em razão da cobertura de nuvens. Em princípio, o MAPSAR deve contar com cooperação internacional.

A OrbiSat está envolvida com os estudos do MAPSAR desde 2002, ano em que foi responsável por um curso de projeto de radar SAR satelital para pesquisadores do INPE. Entre 2002 e 2007, a empresa acompanhou o desenvolvimento do programa de satélite-radar do INPE e, em 2008, foi contratada para projetar um radar satelital que cumprisse com os requisitos dos Programas PRODES e DETER, de monitoramento do desmatamento na região amazônica. A solução tecnológica apresentada prevê o atendimento das necessidades nacionais com um só satélite."
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

AEB: Relatório de gestão 2009 - Parte I

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A Agência Espacial Brasileira (AEB) disponibilizou em seu website o relatório de gestão da agência referente ao ano de 2009. Como já mencionamos em ocasiões passadas, o documento apresenta informações interessantes sobre o status de projetos e execuções orçamentárias. Para acessá-lo na íntegra (em arquivo PDF, 39 páginas), clique aqui.

Abaixo, apresentamos, em duas partes, trechos com o andamento em 2009 dos principais projetos do Programa Espacial Brasileiro. Alguns projetos, particularmente na área de satélites (CBERS, Amazônia 1, MAPSAR, entre outros), já foram abordados no relatório de gestão do INPE (analisado aqui no blog em julho. Veja em "Atividades do INPE em 2009 - Parte I"; e "Atividades do INPE em 2009 - Parte II"). Além do mais, vale sempre a ressalva de que, por ser um documento que tem como base o ano de 2009, várias informações estão defasadas.

Observa-se que alguns projetos têm sofrido com as restrições impostas pelo ITAR, dos EUA, que dificulta ou restringe a aquisição de equipamentos, serviços e componentes. Isto é particularmente verdade no caso do programa CBERS, desenvolvido em parceria com a China. Outro ponto mencionado no relatório é a "dificuldade na celebração de novos contratos causada pelos longos prazos de análise requeridos pelo Núcleo de Assuntos Jurídicos de S. José dos Campos", que atua para o INPE e DCTA.

Desenvolvimento do CBERS

"Foi entregue a câmera multiespectral MUXCAM, pela empresa Opto Eletrônica, que fará parte da carga útil do satélite CBERS 3. Trata-se da primeira câmera do gênero inteiramente desenvolvida e produzida no Brasil, para geração de imagens de 20 metros de resolução destinadas ao monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais. Essa câmera é totalmente livre de embargos e restrições do International Traffic in Arms Regulations (ITAR). Os estudos do Intelligent Decision Support System do CBERS 3 foram realizados e a integração da rotina do ambiente espacial está em andamento. Foram distribuídas aos usuários nacionais e internacionais mais de 800 mil imagens CBERS, como consequência do esforço de divulgação do Programa para a África e América Latina. Foram também assinados, durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à China, em maio de 2009, memorandos de entendimento para a recepção de dados do CBERS nas estações de Ilhas Canárias, África do Sul e Egito."

Satélite Amazônia 1

"O projeto de desenvolvimento da Plataforma Multimissão (PMM) é um conceito moderno em arquitetura de satélites e consiste em reunir em uma única plataforma versátil os equipamentos essenciais à operação do satélite, independentemente de sua órbita e de sua missão específica. Nesta arquitetura existe uma separação física entre a plataforma e o módulo de carga útil, possibilitando que ambos possam ser desenvolvidos, construídos e testados separadamente, antes da integração e teste final do satélite. A indústria nacional, representada pelas empresas Mectron, Fibraforte, Cenic e Atech, participa deste esforço de capacitação e desenvolvimento dos subsistemas propulsão, estrutura, suprimento de energia e telemetria, telecomando e controle (TT&C). Os subsistemas em desenvolvimento pela industria nacional encontram-se prontos para passar à fase de fabricação, exceto o subsistema de TT&C, que passou por uma importante revisão de projeto e está enfrentando dificuldades na importação de componentes críticos.

O subsistema de controle de atitude e gerenciamento de dados (ACDH), último subsistema contratado pelo INPE para a PMM, encontra-se em franco desenvolvimento pela empresa INVAP Argentina, no âmbito da cooperação internacional entre AEB e CONAE. Etapa importante de validação do projeto de engenharia, concluída em dezembro de 2009, foi a revisão preliminar de projeto (PDR) do ACDH.

O projeto do satélite Amazônia-1, primeiro satélite da série que utilizará a PMM, vem apresentando importantes avanços no seu desenvolvimento. O Amazônia-1, após sua entrada em operações, complementará o programa de geração e distribuição de imagens de sensoriamento remoto brasileiro, juntando-se aos três satélites do programa CBERS que permitirão o monitoramento dos recursos minerais e ambientais do território nacional.

O projeto de carga útil do Amazônia-1 está sendo desenvolvido pelo INPE, mas também conta com a participação ativa da indústria nacional. A empresa Opto Eletrônica S.A. é responsável pelo desenvolvimento do principal sensor que é a câmera Advanced Wide Field Imaging (AWFI).

Outros pontos relevantes de progresso do desenvolvimento do satélite foram a definição da configuração do módulo da carga útil, o início do projeto do subsistema estrutura mecânica e a especificação do sistema de transmissão de dados.

Para a inclusão das imagens do satélite Amazônia-1 no sistema de recepção de imagens do Programa Espacial Brasileiro será necessário adequar a infraestrutura de solo. Para o cumprimento deste propósito, foram concluídas as análises das necessidades de compatibilização da carga útil com o segmento solo."

Missão MAPSAR

"O satélite MAPSAR (Multi-application Purpose Synthetic Aperture Radar Satellite) consiste em uma parceria Brasil-Alemanha, para desenvolvimento conjunto de uma missão radar embarcada na plataforma espacial brasileira PMM (Plataforma Multimissão). O projeto já passou pela fase inicial (Fase A), que definiu a viabilidade técnica da missão e especificou a partilha de tarefas entre os dois países. A fase seguinte - de requisitos e definições preliminares do satélite (Fase B) - foi concluída em dezembro de 2009, faltando apenas a redação do relatório final pelo INPE em conjunto com a Agência Espacial Alemã (DLR)."

Desenvolvimento de Satélites de Pequeno Porte

"No desenvolvimento do satélite universitário ITASAT, foram concluídas as análises de diversas configurações relativas à atitude do satélite; controle, computador de bordo e protocolos de comunicação para missão. Foram também realizados estudos para a definição da órbita, polar ou de baixa inclinação (25°), levando-se em consideração as diversas características da missão: componentes, equipamentos pretendidos para embarque, plataformas de coletas de dados e estações de rastreamento já existentes em Cuiabá e Alcântara. Foi realizada no final do ano reunião para discussão dos estudos realizados para a missão: especificações técnicas do sistema, experimentos pretendidos para embarque, análise de custo, cronograma e viabilidade técnica do projeto ITASAT. Foram fixadas como metas um cronograma de desenvolvimento de três anos (ainda sem definição de data de lançamento) e a meta orçamentária de cinco milhões de reais para o período, excluídos os custos de lançamento.

Encontra-se em fase de finalização um convênio com o Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC), para estudos e elaboração de um plano estratégico para iniciativas de capacitação nacional em satélites de pequeno porte, além de apoio técnico e administrativo a projetos nesta área, incluindo o ITASAT."
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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Atividades do INPE em 2009 - Parte I

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O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) disponibilizou em seu website o relatório de gestão de suas atividades referente ao exercício de 2009. O documento, bem detalhado, é uma importante fonte de informações, pois apresenta vários dados sobre os avanços e o status das atividades desenvolvidas pelo Instituto no ano passado. Para acessá-lo na íntegra, em PDF, clique aqui.

A seguir, o blog apresenta, em duas partes, descrição extraída do relatório sobre o que ocorreu em 2009 nos projetos de responsabilidade do INPE relacionados ao Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE):

Desenvolvimento do satélite Amazônia-1 (sensoriamento remoto ótico)

"Na realização desta ação em 2009 destacam-se: i) desenvolvimento e testes dos modelos de qualificação da eletrônica de potência do satélite; ii) testes de qualificação funcional dos propulsores; iii) testes do modelo de engenharia dos equipamentos de transmissão de dados do satélite; iv) preparação do gerador solar para os testes de qualificação; v) realização da revisão do projeto preliminar do computador de controle de órbita e atitude do satélite; vi) definição da configuração mecânica e iniciado o anteprojeto da estrutura da carga útil; vii) realização da revisão do projeto preliminar da câmera imageadora (AWFI) que será embarcada no satélite e; vii) a conclusão da análise das necessidades de compatibilização entre os segmentos espacial e solo da missão. Dentro do escopo do desenvolvimento do subsistema de controle de atitude do satélite, foi realizado o treinamento de técnicos brasileiros no projeto de sistemas para controle de atitude em 3 eixos, na empresa INVAP (Argentina). Esta tecnologia considerada crítica para a capacitação do Brasil na área espacial, será utilizada em outros satélites que utilizarão a PMM. O satélite Amazônia 1 tem lançamento previsto para o final de 2012."

Desenvolvimento do satélite Lattes (científico)

"Os recursos provenientes desta ação foram utilizados primordialmente para o desenvolvimento da Plataforma Multimissão (PMM), a qual uma de suas cópias será utilizada como módulo de serviço do satélite Lattes. Das duas missões que o satélite realizará, uma está com seus equipamentos definidos, sendo inclusive realizadas em 2009 as revisões preliminares de projeto de duas cargas úteis da missão Equars. Entretanto duas das cargas úteis da missão Mirax tiveram seu desenvolvimento comprometido devido à incerteza no fornecimento das mesmas pelos parceiros internacionais do INPE neste projeto. A definição das cargas úteis da missão Mirax será o principal desafio do projeto Lattes no ano de 2010. O satélite Lattes tem previsão de lançamento em 2013."

Desenvolvimento do MAPSAR (satélite de sensoriamento remoto radar)

"O MAPSAR é mais um satélite que usará uma PMM como módulo de serviço, e os recursos da Ação em 2009 serviram basicamente para custear os custos de seu desenvolvimento. Neste ano foi também realizado um estudo sobre a adequação da carga útil do satélite (Radar) com seu módulo de serviço (PMM), cujo relatório será disponibilizado no início de 2010. Os resultados deste estudo servirão de base para a definição do andamento do projeto, que hoje é feito em conjunto com a agência espacial alemã (DLR). O satélite MAPSAR tem previsão de lançamento ao espaço em 2014."

Nota do blog: a probabilidade de que o MAPSAR (satélite radar desenvolvido em parceria com a Alemanha) seja de fato concretizado é muito baixa, uma vez que existem indicativos claros de que a DLR não avançará com a missão (vejam a postagem "Atualização sobre o MAPSAR", do início de julho de 2010). O INPE, aliás, está em busca de outros parceiros internacionais para o desenvolvimento de um satélite de observação terrestre com sensor radar, uma das grandes carências locais em termos de sensoriamento remoto.

Desenvolvimento do GPM-Br (satélite de medidas de precipitação)

"O satélite GPM-Br utilizará uma PMM como módulo de serviço e a Ação em 2009 cobriu parte dos custos de desenvolvimento da Plataforma. Foi iniciado também, em conjunto com a agência espacial francesa (CNES), um estudo sobre a viabilidade de embarcar cargas úteis francesas no satélite. Esta opção pode ser utilizada no caso de não se concretizar o embarque do sensor desenvolvido pela NASA. O lançamento do satélite GPM-Br está previsto para 2016."
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terça-feira, 6 de julho de 2010

Atualização sobre o MAPSAR

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O centro espacial alemão (Deutschen Zentrums für Luft- und Raumfahrt - DLR) não se manifestou até agora quanto ao interesse em se levar adiante o projeto de satélite radar MAPSAR, estudado com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), já há vários anos.

Apesar de não ter havido manifestação oficial, existem indicativos informais de que a razão para a DLR não seguir adiante seria a falta de recursos. Em março de 2008, a DLR e INPE haviam decidido dar prosseguimento aos estudos da missão, com uma nova etapa, a Fase B, que compreenderia o projeto detalhado do sistema, incluindo a configuração do satélite, do segmento de solo e do segmento de aplicações.

O quase que descartada parceria com a Alemanha faz com que o INPE permaneça aberto, e até mesmo em busca, de cooperação internacional na área de satélites-radares. China, Argentina e Itália são algumas das possibilidades.
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sexta-feira, 21 de maio de 2010

MAPSAR, RALCam-3 e câmera MUX

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Alguns leitores eventualmente questionam o blog sobre informações sobre os avanços em alguns projetos do Programa Espacial Brasileiro. Entramos em contato com a assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), para ter respostas a algumas destas questões, específicas sobre o financiamento do MAPSAR, a câmera inglesa RALCam-3, e o desenvolvimento do sensor MUX, do CBERS 3/4.

Sobre os recursos para financiamento do satélite-radar MAPSAR, no final de 2009, o INPE propôs ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), um projeto de um satélite SAR (Synthetic Aperture Radar) nacional, com tecnologia de antena em rede planar. A proposta foi, inicialmente, dirigida aos Fundos Amazônia e FUNTEC, ambos do BNDES, e ainda está sob análise. Há, no entanto, dificuldades técnicas e administrativas para sua aprovação, em função do montante necessário, aproximadamente US$ 200 milhões, excluindo-se o lançamento, e das alternativas institucionais para viabilizá-lo.

A câmera inglesa RALCam-3, que embarcaria como carga útil secundária no satélite de observação Amazônia 1, não irá mais integrar a missão, em razão de dificuldades com o fornecimento da eletrônica de bordo (DHU - Data Handling Unit) da câmera inglesa. Em janeiro de 2010, o blog já havia noticiado que a câmera estava em risco ("Amazônia-1: RALCam 3 em risco").

Quanto ao desenvolvimento da câmera MUX, novo sensor ótico que integrará os satélites CBERS 3 e 4, o INPE informa que as atividades seguem em andamento normal, sendo que, atualmente, a câmera está em fase de qualificação.

O blog agradece a Marjorie Xavier, da assessoria de imprensa do INPE, pela atenção dada no levantamento dessas informações.
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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Orçamento do Programa Espacial em 2010: análise

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Como informamos em 24 de dezembro de 2009, o Congresso Nacional aprovou o orçamento de R$ 293 milhões para a Agência Espacial Brasileira (AEB) em 2010, um considerável aumento se comparado à destinação de 2009 (veja em "Orçamento aprovado para 2009"). Prometemos fazer uma análise detalhada sobre a destinação dos recursos aprovados, o que fazemos agora.

Tomamos por base nesta análise as peças orçamentárias enviadas pelo Governo Federal ao Congresso Nacional, e não a aprovada pelo Legislativo. Existe a possibilidade de que a versão final, a ser sancionada pelo Presidente da República, tenha algumas alterações em relação às versões enviadas pelo Executivo. Uma fonte familiarizada com as questões orçamentárias do Programa Espacial, no entanto, disse ao blog que as alterações feitas pelo Congresso foram mínimas, se é que houve alguma.

O montante destinado ao Programa Espacial Brasileiro tende a ser maior que os R$ 293 milhões da AEB. Além do orçamento da Agência Espacial, o Ministério da Ciência e Tecnologia também destinou alguns recursos para projetos executados por entidades ligadas ao Programa, como previsão de tempo e estudos climáticos (R$ 15,67 milhões), e monitoramento ambiental por satélites da Amazônia (R$ 3,85 milhões), executados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre outros. Fora do orçamento da AEB, também estão R$ 50 milhões do Ministério da Ciência e Tecnologia, que serão utilizados na participação da União no capital social da Alcântara Cyclone Space - ACS.

Abaixo, destacamos os principais projetos/destinações e valores que estão no orçamento da AEB:

- Operação e atualização do Laboratório de Integração e Testes (LIT), do INPE: R$ 3,5 milhões
- Gestão e administração do programa: R$ 14 milhões
- Funcionamento de infraestrutura de apoio às atividades espaciais: R$ 24,4 milhões
- Desenvolvimento de satélites de comunicação e meteorologia: R$ 200 mil
- Pesquisa em Ciência Espacial: R$ 3,1 milhões
- Controle de satélites, recepção, geração, armazenamento e distribuição de dados: R$ 11,2 milhões
- Apoio a projetos de Pesquisa e Desenvolvimento no setor Espacial: R$ 2,35 milhões
- Desenvolvimento e lançamento de satélites tecnológicos de pequeno porte: R$ 1,76 milhões
- Pesquisa e aplicações de dados de satélites de Observação da Terra: R$ 2,545 milhões
- Desenvolvimento de produtos e processos inovadores para o setor Espacial: R$ 5 milhões
- Desenvolvimento de Veículos Lançadores de Satélites (VLS): R$ 34,7 milhões
- Desenvolvimento e lançamento de foguetes de sondagem: R$ 3,5 milhões
- Pesquisa e Desenvolvimento em tecnologias associadas a veículos espaciais: R$ 13 milhões
- Satélite Lattes: R$ 5 milhões
- Satélite GPM-Br: R$ 2 milhões
- Satélite Amazônia 1: R$ 40 milhões
- Desenvolvimento do satélite MAPSAR: R$ 8,75 milhões
- Satélite CBERS 3: R$ 68,4 milhões
- Satélite CBERS 4: R$ 7 milhões
- Implantação do Complexo Espacial de Alcântara (CEA): R$ 39,7 milhões

Ministério da Defesa e Comando da Aeronáutica

Outros projetos, não vinculados ao Programa Espacial, mas que envolvem atividades espaciais também receberão recursos. No orçamento do Ministério da Defesa, constam pouco menos de R$ 18,4 milhões para a manutenção do Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS) e outros R$ 7 milhões para a sua implantação. Há também uma destinação de R$ 2,5 milhões para "sensoriamento remoto para apoio à inteligência", recursos que provavelmente serão utilizados na compra de imagens de satélites.

Dentro da rubrica do Comando da Aeronáutica, foram destinados R$ 4,52 milhões para a operação do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), e outros R$ 3 milhões para o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), além de recursos para treinamento e oriundos do Fundo Aeronáutico.
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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Atualizações sobre o Programa Espacial Brasileiro

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Reproduzimos abaixo algumas informações colhidas no 9º Congresso Latino-Americano de Satélites, realizado no Rio de Janeiro na semana passada, sobre projetos do Programa Espacial Brasileiro. As informações foram colhidas na apresentação do Diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos, Himilcon Carvalho, e do Diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento, Thyrso Villela, ambos da Agência Espacial Brasileira (AEB), e também em conversas com outras pessoas presentes envolvidas com o programa governamental.

LIT/INPE: a infraestrutura atual do Laboratório de Integração e Testes (LIT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), é, em geral, com exceção de algumas poucas áreas, capaz de atender satélites com massa na faixa de 2 a 3 toneladas. Um tipo de teste cuja estrutura deve ser ampliada em futuro próximo é o de vibração, executado por meio dos chamados "shakers". O "shaker" atual do LIT é de 160 kN, e o ideal seria ter um da ordem de 300 kN.

Participação do LIT/INPE na missão SAC-D: o satélite argentino SAC-D, da Comisión Nacional de Actividades Espaciales (CONAE), deve chegar ao LIT/INPE em março de 2010, onde será submetido a alguns testes. Em julho do mesmo ano, será enviado para os EUA, para lançamento a partir do final de setembro. Em apresentação feita por representante da INVAP, foi reconhecida a importância do LIT para o Programa Espacial Argentino. Existem também conversas entre o LIT/INPE e a Argentina para a realização de testes e/ou integração dos satélites geoestacionários da família ARSAT nas instalações do LIT.

MAPSAR: o projeto de construção de satélite com sensor-radar (Synthetic Aperture Radar - SAR) em conjunto com a Alemanha está na fase B (projeto detalhado da missão). A agência espacial alemã deve dar uma posição sobre a continuidade ou não da missão até dezembro deste ano. Já existem alguns países e empresas se posicionando para o caso da Alemanha não prosseguir com o projeto.

GPM: o GPM (Global Precipitation Measurement) será uma missão de meteorologia baseada na Plataforma Multimissão (PMM). O pequeno satélite deverá ter a bordo sensores para medição de precipitação. A missão está em fase de concepção, com término previsto para janeiro de 2010. A ideia é fazê-la em parceria com a França, que também alocaria recursos para o projeto.

Amazônia-1: o satélite de sensoriamento remoto baseado na PMM está em construção. A AEB espera que o seu lançamento ocorra em 2011. Ainda não existe qualquer definição sobre qual será o lançador utilizado (o Cyclone 4, embora muito mais capaz, é uma possibilidade).

SABIA-MAR: embora parceiros na área espacial há vários anos, o Brasil e a Argentina não chegaram a desenvolver um satélite conjunto. O projeto SABIA-MAR, para observação marítima, existe desde 1998, mas apenas recentemente passou a ser considerado com mais atenção. Em parte, o seu “atraso” também se deve a possibilidade, hoje descartada, da participação espanhola na missão, o que chegou a ser considerado há muitos anos. Inicialmente, desde que as discussões entre o INPE e a CONAE foram retomadas, o Brasil seria responsável pelo fornecimento da plataforma (possivelmente a PMM), enquanto que a responsabilidade pelas cargas-úteis seria argentina. Aparentemente, houve uma inversão, devendo o Brasil agora se responsabilizar pelas cargas-úteis. De todo modo, isto ainda está sujeito a mudanças, tendo em vista que o projeto ainda está em fase preliminar. A expectativa é que haja novidades no primeiro trimestre de 2010.

VLS-1: na apresentação feita pelo Diretor da AEB, um quarto voo do VLS-1 (VO4) está previsto para 2014. A plataforma do lançador brasileiro, chamada Torre Móvel de Integração (TMI) deve estar concluída já no ano que vem. “É um projeto antigo..., mas é imprescindível que o Brasil tenha uma capacidade autônoma de lançamento”, disse Carvalho.

Glonass: possibilidade de produção no Brasil de receptores do sistema russo de posicionamento por satélites Glonass. Discute-se também com a contraparte russa a instalação de uma estação de referência do sistema no País.

Cooperação internacional: num dos últimos slides da apresentação de Carvalho, foram destacados num mapa os países com os quais a AEB discute acordos de cooperação. São eles: EUA, Canadá, Uruguai, África do Sul, Espanha, Suécia, Itália, Egito, Israel e Índia. O escopo dos projetos conjuntos é bastante amplo e varia conforme o país. Destaque para aplicações relacionadas aos satélites CBERS e de outros satélites de observação terrestre. A Itália, por exemplo, se interessa em fazer uma missão SAR com o Brasil.
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