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O grupo europeu EADS anunciou hoje (01), que firmou um acordo para a aquisição, por meio de sua subsidiária Astrium, da Vizada, uma empresa de comunicações via satélite, por 960 milhões de dólares. A mais recente aquisição da EADS está em linha com a estratégia do grupo de ampliar suas atividades em serviços e expandir seus negócios no mercado norte-americano, região em que a Vizada tem significativa presença.
A Vizada oferece serviços de comunicações fixas e móveis por satélite oriundos de capacidade de múltiplas redes de satélites comerciais, como os da constelação Inmarsat, Iridium e Intelsat, entre outros, para operadores como empresas de transporte marítimo, organizações governamentais e não governamentais, unidades militares, aviação civil, etc.
A empresa tem presença no Brasil e América do Sul, ainda que tímida em comparação aos negócios da operadora em todo o globo. O escritório regional sul-americano fica baseado no Rio de Janeiro (RJ), e dentre os projetos em que já esteve envolvida no País, destacam-se as eleições presidenciais em 2010 (transmissão de voz e dados a partir de regiões remotas), e o projeto Cartografia da Amazônia, do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e do Exército Brasileiro, em 2008. Em ambos os casos, a Vizada fez uso da rede de comunicações Inmarsat, com terminais portáteis BGAN.
Ainda que o racional da nova aquisição esteja principalmente no hemisfério norte, fato é que ao integrar a Vizada em seu portfólio de serviços, a presença da Astrium no Brasil e América do Sul ficará mais fortalecida.
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011
domingo, 31 de julho de 2011
"O Renascimento de Alcântara", artigo de José Monserrat Filho
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Reproduzimos abaixo um novo artigo de José Monserrat Filho, chefe de cooperação internacional da Agência Espacial Brasileira, enviado ao blog pelo autor. O artigo trata do Centro de Lançamento de Alcântara, destacando o seu momento atual, com a reconstrução da torre do VLS, a binacional Alcântara Cyclone Space, e abordando também outras iniciativas do Programa Espacial Brasileiro, como satélites de comunicações. Novamente, a exemplo do artigo divulgado semana passada ("Precisa-se de engenheiros espaciais"), o novo texto do Prof. Monserrat traz algumas informações inéditas e relevantes:
O Renascimento de Alcântara
José Monserrat Filho *
Já visitei o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) três vezes, ao longo de 15 anos. A primeira vez ocorreu em 1996 – eu era o editor do Jornal da Ciência, da SBPC, e estudioso do direito espacial. A segunda, nos idos de março de 2004, mais precisamente no dia 24, quarta-feira, por ocasião da 4ª Reunião Regional da SBPC¹ realizada na Universidade Estadual do Maranhão, em São Luís. E a terceira, agora, em 28 de julho de 2011, como convidado do Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Raupp, para integrar a comitiva do Ministro da Defesa, Nelson Jobim, em visita especial (e histórica) ao CLA.²
Creio ter algo a relatar sobre a evolução do centro, desde sua paralisia nos anos 90.
Em 2004, participavam da visita o então presidente da SBPC, Ennio Candotti; o então secretário regional da SBPC, Antônio de Oliveira; o professor da PUC/RJ e ex-diretor da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Anselmo Pasqua; e o engenheiro Murilo Marques Barbosa, então assessor especial do Ministro da Defesa, José Viegas Filho. Éramos um grupo muito interessado nos graves problemas que o Programa Espacial Brasileiros enfrentava.
Ainda estávamos sob o impacto do fatídico acidente ocorrido seis meses antes, em 22 de agosto de 2003, no CLA, na plataforma de lançamento do VLS-1, na véspera da terceira tentativa de enviá-lo ao espaço, quando perderam a vida 21 técnicos e engenheiros³.
Atônito com o que vira, escrevi, em 25 de março de 2004, o artigo “Base de Alcântara, uma riqueza ainda muito pouco explorada”4. Contei que fôramos “regiamente conduzidos e tratados pelo diretor do CLA, Coronel Francimar Nogueira Ventura, que se desdobrou para atender aos nossos questionamentos, com o auxílio de toda a sua equipe local”; ele nos apanhara no hotel, em São Luís, bem cedo pela manhã e nos trouxera de volta no fim do dia, acompanhando-nos o tempo todo. A hospitalidade era “a melhor possível”. O melancólico vazio do CLA é que impressionava.
O Coronel Francimar fez questão de nos mostrar tudo, a começar pelo local da tragédia. Diante daquele monte de ferros retorcidos que lembravam uma nesga do apocalipse, procurou nos esclarecer como se dera a explosão. Era, claro, a explicação técnica dos fatos. Atrás deles – sabíamos nós –, havia a longa história das deficiências e da falta de apoio governamental, que, ao longo de anos, levaram ao desastre como um lento rastro de pólvora.
O ponto a que tínhamos chegado
Daí que, no artigo, eu clamava: “Chegamos, como nunca antes, à hora da verdade. E ainda estamos nela, até inspirados no relatório sobre os resultados da investigação do terrível acidente. Tornou-se absolutamente imprescindível abrir à opinião pública a plenitude dos nossos problemas, deficiências e dificuldades. A realidade dói, mas é com ela que se constrói um novo rumo, mais seguro, mais produtivo e mais promissor, sem esquecer as conquistas do passado – muitas e fundamentais a seu tempo.”
E dizia mais:
“O que nos deixa aturdidos e perplexos é a complexidade dos problemas que cercam e atrasam o desenvolvimento do CLA, de valor incalculável no mundo de hoje.
“Pergunto-me quantos países se sentiriam felicíssimos se pudessem contar com uma base de lançamentos espaciais tão bem localizada e tão privilegiada quanto a de Alcântara. Muitos, com certeza, a começar por vários países avançados do Hemisfério Norte, com importantes atividades espaciais, mas com centros de lançamento que encarecem os voos.
“O fato concreto e por todos os motivos lamentável é que o Centro de Alcântara, onde o país já investiu centenas de milhões de dólares, continua subutilizado. Tudo o que de bom já fizemos com ele, seguramente representa uma percentagem mínima do muito que poderíamos ter feito, se tivéssemos há mais tempo tentado, com mais determinação e conhecimento de causa, aproveitar seu imenso potencial.
“Mas não se trata de chorar o leite derramado. Sem ignorar os erros do passado, há que enfrentar o dia de hoje e de amanhã. O CLA está ali, esperando por nossas iniciativas, nosso dinamismo, nossa criatividade. Ele é denso de possibilidades. Tem tudo para ser um dos melhores, mais eficientes e mais seguros centros de lançamento do mundo. E pode ser também um grande centro de pesquisas científicas e tecnológicas, além de um grande centro formador de recursos humanas em área de ponta.
“Ter tanto e aproveitar (relativamente) tão pouco – isso no mundo atual tem um nome duro e amargo: desperdício. Um luxo que um país pleno de carências como o Brasil não tem o direito de se permitir. Felizmente, há notícias e indícios importantes de que nos altos escalões do Governo federal há gente empenhada em mudar essa situação – sensatamente, moralmente e economicamente – insustentável.
“Já perdemos tempo demais. É hora de agir com toda a urgência possível e impossível. O grande futuro de Alcântara está nas mãos da presente geração de brasileiros responsáveis e empreendedores.”
Alcântara, sete anos depois
Na manhã de quinta-feira passada, 28 de julho de 2011, desembarquei no CLA com a mesma “ânsia natural e revitalizada de identificar sinais dessa renovação”, como assinalara em 2004.
Vi um centro bem diferente daquele de 2004. Há avanços e conquistas palpáveis, importantes obras em andamento, confiança no presente e no futuro. O clima é de franco otimismo. Mudança da água para o vinho.
A nova Torre Móvel de Integração (TMI), praticamente pronta, erguida no mesmo lugar da plataforma destruída em 2003, deve ser inaugurada no início de 2012. Custou R$ 44 milhões. A interligação dos sistemas eletrônicos e de comunicação está sendo concluída. Testam-se os equipamentos eletrônicos e a integração dos sistemas de comunicação da TMI com a Casamata, responsável pelo monitoramento e preparação dos foguetes antes de cada lançamento.
Inaugurou-se oficialmente a nova e moderna Sala de Controle dos lançamentos do CLA, construída em três anos e já várias vezes testada, que acompanha todas as etapas de um lançamento, bem como a segurança de voo, telemedidas e localização. Sistemas digitais substituíram os analógicos, otimizando o rastreio dos foguetes e reduzindo a chance de interferências nos lançamentos. Toda a comunicação de dados segue agora por fibra ótica que evita interferências.
No ato de inauguração, simulou-se o funcionamento de toda a Sala de Controle – telemedidas, rastreio e monitoramento de voo.
Modernizou-se também a sala da Casamata. A renovação abrange o sistema de radar e o setor de meteorologia. Além do mais, o CLA foi dotado de um sistema de perfiladores de vento com tecnologia que permite nova dinâmica na avaliação dos ventos verticais.5
Assim – garante o atual diretor do CLA, Coronel Ricardo Rodrigues Rangel –, o centro estará preparado para promover, em 2012, o primeiro voo de qualificação do novo foguete brasileiro, o VSL, modificado graças à cooperação com a Rússia.6
A relevância da empresa Alcântara Cyclone Space (ACS)
Os pontos centrais do Programa Espacial Brasileiro são o CLA e o programa da empresa Alcântara Cyclone Space (ACS), declarou o Ministro Jobim para quem ainda tinha alguma dúvida.
O presidente da AEB, Marco Antônio Raupp, bateu na mesma tecla: “Os dois pontos fundamentais do Programa Espacial Brasileiro são o CLA e a ACS. Em 2012, o CLA deverá lançar o novo VLS, e a ACS, o foguete Cyclone 4.
Em visita à Ucrânia (4-8 de julho), à frente de uma missão técnica, Raupp conheceu a tecnologia usada no Cyclone 4 e voltou “muito otimista”. A fabricação do foguete está bem adiantada. A parte brasileira deve acelerar a construção das instalações no CLA a ele destinadas .
Satélites geoestacionários, maior autonomia e maior orçamento
A visita ministerial ao CLA buscou conseguir novos recursos para o Programa Espacial Brasileiro como um todo, afirmou o Ministro Jobim, até porque em janeiro deste ano houve um corte de R$ 50 milhões no orçamento destinado à C&T; resultado: o CLA reduziu de 14 para sete o número de lançamentos previstos para 2011.
Os ministros visitantes concordaram com dois pontos essenciais: 1) a forte base tecnológica já instalada no CLA permite efetuar lançamentos complexos; e 2) isso exige novos recursos financeiros para completar a capacidade operacional do CLA.
Não por acaso, a visita foi definida como “a base do relatório para solicitarmos novos investimentos à Presidente Dilma Rousseff”. Sabe-se que ela assumiu as atividades espaciais como uma das maiores prioridades de seu governo, ao lado das áreas nuclear e de informática. O Ministro Paulo Bernardo acredita que “a presidente Dilma dará luz verde aos novos investimentos”.
Aliás, o Ministério da Defesa já tem pronta a exposição sobre a necessidade inadiável de dois satélites geoestacionários estratégicos de comunicações, a ser apresentada à Presidente. Os dois satélites, com lançamentos planejados para 2014 e 2019, demandam, obviamente, investimentos de monta. A ideia é de comprá-los de uma das empresas internacionais do setor, mediante licitação. Mas o Ministro das Comunicações fez questão de ressaltar: “No futuro, criaremos nossos próprios satélites geoestacionários.”
Mais áreas de lançamento, mais fontes de riqueza
O excelente sobrevoo de helicóptero oferecido aos visitantes sobre a zona do CLA atual e toda a região norte de Alcântara, às margens do Oceano Atlântico, deixou clara a possibilidade de se ampliar de três para 15 o número de áreas de lançamento. A região é praticamente desabitada, não parece favorecer a agricultura e pode, sim, ser objeto de acordo com os habitantes de Alcântara para que eles tenham acesso ao mar quando não houver lançamentos programados.
Esse é um dos melhores locais do planeta para todo tipo de lançamento espacial. Podemos e devemos aproveitá-lo com competência e urgência. É riqueza natural inestimável, capaz de favorecer a própria Alcântara, o Estado do Maranhão, a região Nordeste e o Brasil inteiro.
Resumo e apelo da história
Estamos diante de um renascimento de Alcântara. Não temos nem mais um minuto a perder.
* Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB
Referências
1) Os Ministros Paulo Bernardo, das Comunicações, e Moreira Franco, da Secretaria de Assuntos Estratégicos, também participaram da visita organizada pelo Ministério da Defesa às instalações do CLA. Da AEB, além do Presidente Marco Antônio Raupp, estavam o Diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento, Thyrso Villela, e o Diretor de Transporte Espacial e Licenciamento, Nilo Sergio de Oliveira Andrade, ex-Diretor do CLA.
2) Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), criada em 1948.
3) Todos pertenciam aos quadros do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), então vinculado ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA) – hoje Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), subordinado ao Comando da Aeronáutica.
4) Publicado no JC e-mail nº 2491 (Jornal da Ciência eletrônico da SBPC), edição de 25 de março de 2004.
5) Ver: http://panoramaespacial.blogspot.com/.
6) Jornal “O Estado do Maranhão”, de 29/07/2011.
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A entrada da Bélgica no mercado espacial
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A Bélgica pode se tornar o mais novo país a exportar satélites de observação terrestre. Em 27 de julho, uma proposta feita por indústrias espaciais belgas foi comissionada pelo governo do Vietnã para o fornecimento de um microssatélite de observação terrestre, dentro do programa VNREDSat (Vietnam Natural Resources Environment and Disaster monitoring small Satellite).
Estudos de viabilidade para o projeto final da carga útil ótica foram iniciados e devem ser concluídos até outubro. O contrato de construção será assinado em março de 2012, por ocasião de uma missão econômica da Bélgica no Vietnã. A expectativa é que o modelo seja lançado em 2016, sendo que este será o segundo microssatélite de observação do Vietnã. Em 2010, o país asiático também adquiriu um satélite da EADS Astrium, baseado na plataforma Myriade (a mesma adotada pelo chileno SSOT), e que está atualmente em construção em Toulouse, com previsão de lançamento em 2013 ou 2014.
Segundo informações da imprensa europeia, indústrias da Bélgica recentemente fizeram propostas equivalentes de satélites de sensoriamento remoto para países no continente africano e na América Latina. Em outubro de 2009, a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Centro Espacial de Liège assinaram um acordo de cooperação no campo espacial, compreendendo diversas áreas, dentre as quais observação terrestre, cargas úteis e satélites. No final de junho, a AEB divulgou notícia sobre planos de uma visita dea delegação de empresários da indústria espacial brasileira a empresas espaciais belgas, e também para a formação de recursos humanos especializados, em universidades da Bélgica, nas áreas de engenharia e aplicações espaciais.
Satélites PROBA
O modelo selecionado pelo Vietnã será baseado numa família já madura de satélites desenhados pela indústria belga. Desde o final da década de noventa, o governo da Bélgica tem apoiado o desenvolvimento do PROBA (Project for OnBoard Autonomy), projeto de família de microssatélites que envolve a participação de várias indústrias e entidades do país, como a QinetiQ Space, que atua como prime-contractor, e a Spacebel (software e segmento terrestre). O primeiro modelo PROBA, de sensoriamento remoto ótico, foi colocado em órbita em outubro de 2001, e continua em operação. Em 2009, foi lançado um segundo satélite baseado na plataforma, para missões científicas, dedicado a observações sobre os efeitos do Sol na Terra. Um terceiro modelo, chamado PROBA-V, também para observação terrestre, está em construção e deve ser lançado entre 2012 e 2013.
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sábado, 30 de julho de 2011
Programa "Ciência sem Fronteiras"
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O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), em conjunto com o Ministério da Educação, está lançando um programa de concessão de bolsas para estudantes e pesquisadores no exterior, chamado "Ciência sem Fronteiras". O objetivo é, até 2014, conceder 75 mil bolsas de estudos para graduação, doutorado, pós-doutorado e estágio em áreas estratégicas, nos campos de engenharias e ciências básicas e tecnológicas. O programa também considera a atração de cientistas brasileiros e mesmo estrangeiros que hoje estão no exterior, para realizar suas pesquisas no País. Outro aspecto interessante é a busca de uma maior participação da iniciativa privada na formação de recursos humanos, que no Brasil investe muito pouco em Pesquisa & Inovação, por meio do treinamento de especialistas e engenheiros em empresas no exterior por até 12 meses.
Dentre as áreas consideradas estratégicas, algumas relacionadas, direta ou indiretamente, com o setor espacial: Tecnologia Aeroespacial, Ciências Exatas e da Terra: Física, Química e Geociências, e Tecnologia de prevenção e migração de desastres naturais. O programa, portanto, pode ter um papel significativo na formação e/ou atração de recursos humanos para o Programa Espacial Brasileiro, um dos pontos atualmente considerados mais críticos para o seu desenvolvimento (ver o artigo "Precisa-se de engenheiros espaciais", de José Monserrat Filho).
Para saber mais sobre o "Ciência sem Fronteiras", acesse a apresentação feita pelo ministro Aloizio Mercadante (clique aqui), e também a nota distribuída pelo MCT (clique aqui).
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quinta-feira, 28 de julho de 2011
AEB e projetos no Maranhão
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Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) confirma parcerias com a UFMA
28-07-2011
Confira uma entrevista com o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Raupp durante encontro com o Reitor e Vice-reitor da UFMA, no Hotel Louzeiros, nesta quarta.
Durante o encontro, o presidente garantiu a consolidação de parcerias com a Universidade para fortalecer a educação e tecnologia do Estado. Antes da reunião, uma comitiva formada por representantes da AEB foi recebida pelo Reitor e Vice Reitor no Aeroporto Marechal Cunha Machado. Marco Antônio Raupp acompanha os ministros da Defesa, Nelson Jobim, das Comunicações, Paulo Bernardo, e de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco para uma vista as instalações do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).
Fonte: UFMA, via AEB.
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quarta-feira, 27 de julho de 2011
Jobim em Alcântara
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O ministro da Defesa, Nelson Jobim, visitará amanhã (28), o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, de acordo com a sua agenda, divulgada pelo Ministério. Jobim assistirá a uma apresentação sobre as atividades do CLA, o principal sítio de lançamento do Programa Espacial Brasileiro, seguida de visita às instalações e sobrevoo.
Nos últimos anos, a infraestrutura do CLA tem sido modernizada e ampliada, como parte dos esforços para a retomada do programa VLS. Abaixo, reproduzimos uma nota sobre as modernizações, publicada na edição nº 125 da revista Tecnologia & Defesa, que está nas bancas:
"Centro de Alcântara tem infraestrutura modernizada e ampliada
Em paralelo ao desenvolvimento de foguetes pelo IAE, o Comando da Aeronáutica também tem atuado fortemente na modernização das instalações do principal sítio de lançamento brasileiro, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. O grande marco do processo de modernização é a construção da Torre Móvel de Integração (TMI), que será usada pelo lançador VLS. A torre anterior foi destruída no trágico acidente que vitimou 21 especialistas do IAE/DCTA, em agosto de 2003, quando trabalhavam no preparo do voo do terceiro protótipo do VLS-1. A TMI foi oficialmente apresentada em julho de 2010, e a previsão é que até o segundo semestre de 2011 todos os sistemas, tais como mecanismos de proteção contra descargas elétricas, de medição da velocidade dos ventos, comunicações, entre outros, estejam instalados e a torre seja entregue para a equipe técnica do CLA e IAE/DCTA. Sua operação deve estar disponível em janeiro de 2012. A nova torre, construída pelo Consórcio Jaraguá/Lavitta, envolveu um investimento de R$ 44 milhões.
Além da TMI, o CLA também teve modernizadas a sala de controle, sistemas de radares de trajetografia e meteorologia, e casamata. A sala de controle, por exemplo, teve todos os sistemas analógicos substituídos por digitais, com comunicação feita por fibra ótica. Além disto, dispositivos de segurança, como câmeras, foram também instalados. Em breve, o centro contará ainda com um sistema ótico, dotado de telêmetro laser, em desenvolvimento pela Omnisys Engenharia, de São Bernardo do Campo (SP), para o acompanhamento de missões de lançamento. (AM)"
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segunda-feira, 25 de julho de 2011
"Latin America - The New Jewel in Satellite"
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Comunicações via satélite na América Latina é o tema da reportagem de capa da edição de agosto da revista especializada norte-americana "Via Satellite". Sugestivamente intitulada "Latin America - The New Jewel in Satellite" ("América Latina - A Nova Jóia em Satélite", em tradução livre), a matéria destaca o crescimento econômico da região, projetos governamentais e a forte demanda por capacidade como os principais "drivers" para o crescimento do mercado regional de comunicações por satélite. O Brasil é um dos países destacados, especialmente em razão da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, e também do segmento de Petróleo e Gás, que tem demandado mais capacidade.
Para acessar a reportagem, clique aqui.
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Comunicações via satélite na América Latina é o tema da reportagem de capa da edição de agosto da revista especializada norte-americana "Via Satellite". Sugestivamente intitulada "Latin America - The New Jewel in Satellite" ("América Latina - A Nova Jóia em Satélite", em tradução livre), a matéria destaca o crescimento econômico da região, projetos governamentais e a forte demanda por capacidade como os principais "drivers" para o crescimento do mercado regional de comunicações por satélite. O Brasil é um dos países destacados, especialmente em razão da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, e também do segmento de Petróleo e Gás, que tem demandado mais capacidade.
Para acessar a reportagem, clique aqui.
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domingo, 24 de julho de 2011
"Precisa-se de engenheiros espaciais", artigo de José Monserrat Filho
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José Monserrat Filho, chefe de cooperação internacional da Agência Espacial Brasileira, enviou ao blog o artigo abaixo, de sua autoria, que trata da carência de recursos humanos no Programa Espacial Brasileiro. Leitura essencial para quem acompanha o programa, inclusive com algumas informações inéditas:
Precisa-se de engenheiros espaciais
José Monserrat Filho *
E também de especialistas e técnicos em diversas áreas das atividades espaciais.
O Programa Espacial Brasileiro – como parte essencial de sua anunciada reestruturação e da nova etapa de dinamismo e eficiência propostas pela Agência Espacial Brasileira (AEB) – terá necessariamente que mobilizar um quadro bem maior de recursos humanos qualificados.
Atender com rapidez e competência à demanda por gente bem preparada é crucial para nós. Menos de três mil profissionais trabalham nas instituições e empresas que integram hoje o Programa Espacial Brasileiro. Impossível ir muito longe com tão poucos especialistas. A sobrecarga de trabalho já é um problema. Só para comparar, em 2009, toda a Europa tinha 31 mil profissionais do espaço, a NASA, 15.800, e o Japão, 6.300.¹
Pior ainda, o bravo contingente vem diminuindo incessantemente, nos últimos 20 anos. Agora ele precisa voltar a crescer para dar conta das mudanças imperiosas que precisam ser concretizadas com toda a pressa. Para tanto, há também que ampliar, e muito, a colaboração espacial entre nossas universidades, bem como entre as universidades brasileiras e de outros países.
Estudos da AEB, ainda não divulgados, dizem que o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), do Ministério da Defesa, precisaria contratar de imediato – pelo menos – 600 especialistas, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, 400, e a própria AEB, 40.
O Presidente da AEB, Marco Antônio Raupp, já negocia com o Presidente do CNPq, Glaucius Oliva, a destinação de, pelo menos, 300 bolsas de graduação e pós-graduação – vindas do programa Ciência sem Fronteiras – para um grande esforço de formação de engenheiros e técnicos indispensáveis à nova fase de avanço e expansão do Programa Espacial Brasileiro.
A Presidente Dilma Rousseff² reiterou que o Programa Ciência sem Fronteiras movimentará 75 mil bolsas do governo federal e, muito provavelmente, outras 25 mil custeadas pelo setor empresarial. Sabe-se que acelerar o desenvolvimento da competência do país na área espacial, em vista de sua relevância estratégica e de seu impacto econômico, está entre as maiores prioridades do Governo. Jovens brasileiros serão enviados para se prepararem em 30 Universidades e Centros de Pesquisa Científica e Tecnológica de reconhecida excelência em vários países. Por outro lado, especialistas que estão sendo dispensados pela NASA, em virtude do fim de Programa como o dos Ônibus Espaciais e outros também seriam muito bem-vindos no Brasil.3
Rússia e Ucrânia já se oferecem para receber nossos estudantes nos campos da engenharia espacial e de outras especializações que atendem diretamente às nossas necessidades.4
A empresa ucraniana Youzhnoye, sediada no grande centro industrial de Dnepropetrovsk, está abrindo suas portas para formar brasileiros na tecnologia estratégica de propulsão líquida. Para tratar desse e de outros assuntos de interesse mútuo, o dublé de Projetista Chefe e Diretor Geral da Youznoye, Alexander Degtyarev, deve vir ao Brasil em setembro próximo.5
No Brasil, em 2009, as Universidades federais do ABC (UFABC, em SP) e de Minas Gerais (UFMG) criaram cursos de Engenharia Aeroespacial. A Universidade de Brasília (UnB), em boa hora, desenvolve programa semelhante.
A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por sua vez, está sendo instada a seguir o mesmo rumo, dada sua proximidade do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), inclusive instalando um campus avançado no próprio CLA. Outras universidades do Nordeste e do Norte, federais, estaduais ou privadas, poderiam assumir um projeto similar, a fim de se pôr em dia com as ciências e tecnologias espaciais, hoje fundamentais. Quem sabe através da criação de um consórcio?
Esse esforço se deve a que, “sendo a formação em nível de pós-graduação insuficiente para gerar a massa crítica requerida de profissionais, torna-se necessário investir em estratégias que privilegiem a formação em nível de graduação (tecnólogos e engenheiros) e que, em complemento, estimulem a retenção de talentos nas atividades previstas no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE)”, como bem observou o Brigadeiro Maurício Pazini Brandão, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).7
Em 2010, outro curso de Engenharia Aeroespacial nasceu no ITA, por iniciativa da AEB, INPE e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA). O curso do ITA formará especialistas em navegação e guiamento, propulsão e aerodinâmica, e eletrônica para aplicações espaciais. E em 2012, terá sua primeira turma de dez graduandos. Esse número poderá ser duplicado em breve.8
Gilberto Câmara, diretor do INPE, notou que “o esforço de formar recursos humanos e produzir pesquisas de qualidade não é suficiente para, por si só, gerar riqueza”, pois é preciso “transformar o conhecimento em benefícios sociais e econômicos de forma sistemática e eficiente”.9
Certo, formar recursos humanos não é suficiente, mas é imprescindível. Vale o que frisa o Brigadeiro Reginaldo dos Santos, reitor do ITA: “Recursos humanos bem formados, a existência de laboratórios atualizados e um programa espacial coerente com a participação plena do setor empresarial são os principais ingredientes para que o Brasil chegue, no início da próxima década [2020], a uma situação semelhante à de países emergentes, como Índia, Coreia do Sul e China”.10
Tudo isso se insere hoje num quadro em que já não resta a menor dúvida sobre a importância estratégica das atividades espaciais e sobre a necessidade de subordiná-las diretamente à Presidência da República. No dizer de Samuel Pinheiro Guimarães, é a “retomada do Programa Espacial Brasileiro em bases mais estáveis, com visão de longo prazo e dotação orçamentária compatível com sua prioridade”.¹¹ É o novo tempo do “Brasil Espacial Urgente”, conforme salientou Raupp na audiência pública sobre o Programa Espacial Brasileiro, promovida pela Câmara dos Deputados, em 14 de junho de 20011.¹²
* Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da AEB.
Referências
1) The Space Report 2011, Space Foundation, Washington, DC, USA, 2011.
2) O Globo, de 23 de julho de 2011.
3) Correio Braziliense, de 23 de julho de 2011. O governo pretende aumentar de 75 mil para 100 mil o número de bolsas a serem disponibilizadas, até 2014, para brasileiros estudarem nas 30 melhores universidades do mundo. A diferença de 25 mil benefícios em relação ao anunciado no início de maio seria bancada por empresários que fazem parte do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, órgão consultivo da Presidência da República. O programa, batizado de Brasil sem Fronteiras, tem outra vertente: trazer cientistas estrangeiros para liderar pesquisas em universidades nacionais. A proposta da presidente deve movimentar entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões até o fim de seu mandato.
4) Acerto feito nos encontros do Presidente da AEB, Marco Antônio Raupp, com o Presidente da Agência Espacial Federal Russa (Roscosmos), Vladimir Popovkin, em Moscou, em meados de abril, e com o Presidente da Agência Espacial Nacional da Ucrânia (NSAU), Yuriy Alekseyev, em Kiev, no início de julho.
5) Carta do Sr. Alexander Degtyarev ao Presidente da AEB, de 21 de julho.
6) Reginaldo dos Santos, Estratégia de Formação, Capacitação, Treinamento Operacional e retenção de Recursos Humanos, in A Política Espacial Brasileira, editado pelo Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados, sendo relator o hoje Senador Rodrigo Rollemberg (DF), Parte II, 2010, pp. 253-257.
7) Maurício Pazini Brandão, Recursos humanos para a consecução da Política Espacial Brasileira, in A Política Espacial Brasileira, editado pelo Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados, Parte II, 2010, pp. 53-66.
8) Reginaldo dos Santos, idem ibidem.
9) Gilberto Câmara, Os benefícios do Programa Espacial para a sociedade, in A Política Espacial Brasileira, editado pelo Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados, Parte I, 2010, pp. 113-117.
10) Reginaldo dos Santos, idem ibidem.
11) Samuel Pinheiro Guimarães, O Brasil na era espacial, in A Política Espacial Brasileira, editado pelo Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados, Parte I, 2010, pp. 87-89.
12) A audiência foi requerida e presidida pelo Deputado Federal Carlinhos Almeida (SP)
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Os 50 anos do INPE no "Estadão"
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Aos 50 anos, Inpe busca renovação
Cerca de 70% dos funcionários do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais têm mais de 20 anos de casa; nº de servidores está em queda
Afra Balazina
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) - responsável pelo desenvolvimento de satélites, monitoramento do desmatamento na Amazônia e das queimadas do País, além da elaboração da previsão do tempo - chega aos 50 anos com uma inquietação. Aproximadamente 70% dos pesquisadores e especialistas que trabalham ali têm mais de 20 e 30 anos de casa.
Para manter os serviços de qualidade, o Inpe necessita urgentemente renovar seu quadro de funcionários, com a abertura de pelo menos 400 vagas. "É uma bomba-relógio. Temos uma enorme carência de jovens", diz Gilberto Câmara, diretor do Inpe.
O plano diretor do Inpe para o período 2011 a 2015 dá a dimensão do problema: "A geração dos "cabelos brancos", com mais de 50 anos, trabalha como nunca; realiza tanto as tarefas gerenciais e de planejamento típicas de sua idade quanto tarefas de bancada, desenvolvimento e montagem, que normalmente seriam atribuições de jovens cientistas e engenheiros."
Para completar, o número de servidores permanentes está em queda desde 2006. E nos próximos três anos, uma quantidade significativa de pessoas estará em condições de se aposentar.
"Hoje, temos pesquisadores com experiência e produzindo muito, mas eles vão embora um dia e não há outros aprendendo com os mais velhos", afirma.
De acordo com o documento, em 1989 o instituto tinha 1,6 mil servidores, sendo somente 50 com mais de 20 anos de serviço. "Passados 20 anos, somos apenas 1.070 servidores, dos quais só 300 têm menos de 20 anos de casa", diz o plano diretor.
Se forem considerados apenas os engenheiros e tecnologistas (especialistas no desenvolvimento de novas tecnologias), a situação piora. Em 1989, 95% deles "tinham menos de 20 anos de serviço e, hoje, 72% têm mais de 20 anos de casa".
O diretor afirma que há várias pessoas terceirizadas ou que fazem pós-doutorado no instituto. "Mas eles não têm estabilidade e não permitem garantir que o Inpe, a médio e longo prazo. vai continuar", alerta.
Câmara ressalta que a abertura de vagas depende da Presidência da República. "O ministro Aloizio Mercadante é inteiramente favorável. Esperamos que a presidente (Dilma Rousseff) também seja sensível", diz.
Ambiente. O Inpe começou focado nas pesquisas espaciais. Mas, ao longo do tempo, passou a ter um papel importante também na área ambiental. O instituto faz o monitoramento do desmatamento da Amazônia e das queimadas no País. Também realiza a previsão do tempo (mais informações nesta página) e estuda as mudanças climáticas.
Para o futuro, o diretor diz que o monitoramento deve ser ampliado para os demais biomas brasileiros, como a Mata Atlântica, o Cerrado e a Caatinga.
O peruano José Antonio Marengo, chefe do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe (que estuda as mudanças globais), afirma que um dos trabalhos em andamento tenta mostrar qual foi o custo da seca de 2005 na Amazônia.
"Há poucas avaliações econômicas. Se o estudo der certo, a metodologia depois poderá ser aplicada para a seca de 2010 e a enchente de 2009", afirma.
Visibilidade. O diretor Gilberto Câmara ressalta que o Inpe foi a instituição científica brasileira melhor classificada no ranking do Cybermetrics Lab, do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC), na Espanha, que mede os acessos na web.
Obteve o 38.º lugar - os primeiros lugares são todos de instituições americanas: o Instituto Nacional de Saúde, a agência espacial (Nasa) e a agência de oceanos e atmosfera (Noaa).
Entre as brasileiras, aparecem a Embrapa (50.º lugar) e a Fiocruz (99.º lugar). "O Inpe é hoje o centro de pesquisa mais visível, com maior presença na vida das pessoas. Isso dá uma dimensão do bom papel que desempenha", diz Câmara.
Críticas. O fundador e primeiro diretor do Inpe foi o cearense Fernando de Mendonça, de 86 anos. Formado no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e com doutorado na Universidade de Stanford, ele conta que se inspirou na Nasa (lançada em 1958) para criar o instituto brasileiro.
Mas os programas do País usavam cerca de 1% a 3% do valor gasto nos projetos americanos. "Nunca tivemos a ambição de colocar alguém na Lua. A ambição era o progresso brasileiro."
Em sua opinião, o Inpe segue atualmente por um caminho equivocado. "Hoje em dia tem muitas áreas de serviço, como o meteorológico e a observação de queimadas. Acho que o instituto deveria se dedicar mais às pesquisas." De acordo com ele, "uma vez que se chega ao ponto de serviço, ele deveria ser entregue para um setor adequado do governo cuidar".
Mendonça critica a falta de criatividade e o fato de as linhas de pesquisa serem basicamente as mesmas que ele iniciou há 50 anos. Ele ainda aponta que o supercomputador adquirido pelo Inpe é subutilizado cientificamente e mais voltado para os serviços.
O ex-diretor do Inpe avalia que, ao gastar R$ 50 milhões para comprar o supercomputador, deveriam ter investido pelo menos R$ 5 milhões em formação de pessoas que "viessem a praticar ciência com aquela máquina". O que não foi feito.
"No Brasil, é muito mais fácil construir prédio e comprar computador do que formar gente."
O atual diretor, porém, elogia "a visão inteligente" do antecessor e diz que o instituto nunca se afastou do objetivo inicial. "O Inpe não é apenas uma instituição que faz satélite. O grande diferencial são os benefícios concretos à população."
Governo estuda fundir instituto com agência espacial
Afra Balazina
Marco Antonio Raupp, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), avalia que o programa espacial do País está muito pequeno para o tamanho do Brasil. Ele diz que a agência não tem um corpo técnico e, para melhorar a situação, uma das saídas é a fusão da AEB e do Inpe. Seria uma forma de dar mais eficiência ao programa sem aumentar tanto os gastos. Com a fusão, no entanto, a parte do Inpe que cuida do ambiente poderia ficar deslocada.
Raupp, que já foi diretor do Inpe e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), lista os avanços que o programa espacial precisa fazer. Ele lembra que os satélites usados pelo Inpe para monitorar o desmatamento na Amazônia hoje não conseguem ver através das nuvens e seria importante o desenvolvimento de satélites com sensores de radar.
A Agência Nacional de Águas (ANA) também precisa de satélites mais modernos para fazer a gestão de bacias - ela utiliza um de 18 anos atrás. "Também não temos satélite próprio para a área de meteorologia", diz.
O atual diretor do Inpe, Gilberto Câmara, aceita a ideia da fusão. Mas faz ressalvas. "Queremos uma fusão com a AEB com a perspectiva de fortalecer o Inpe. O órgão final deve se chamar Inpe." O debate sobre o futuro do programa espacial passa, diz ele, sobre quanto o País está disposto a investir. Para concretizar as missões previstas, como lançamento dos satélites em 2015 e 2016, será preciso dobrar o orçamento até 2014.
Fonte: jornal "O Estado de S. Paulo", 24/07/2011, via NOTIMP.
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sexta-feira, 22 de julho de 2011
O conceito de "hosted payloads" para comunicações militares
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Durante o III Seminário de Defesa, realizado simultaneamente à LAAD 2011, em abril, o executivo Lincoln de Oliveira, da operadora de comunicações por satélite Star One, do grupo Embratel, fez uma apresentação sobre o uso de "hosted payloads" no cenário de Defesa. Basicamente, o conceito envolve a colocação de cargas úteis de interesse embarcadas em satélites comerciais, sendo que tais cargas têm a possibilidade de acesso exclusivo a suas informações pelo cliente, cabendo ao operador do satélite as funções de telemetria e controle da plataforma. Podendo ser abrigado em satélites de órbita geoestacionária ou outras, dependendo da missão, uma carga útil embarcada pode ter aplicações em meteorologia, observação ambiental, comunicações (banda X, Ku, Ka, e outras), navegação aeronáutica em banda L, vigilância ou experimentos tecnológicos.
O conceito já é utilizado pelo Ministério da Defesa para o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), e segundo a Star One, dentre suas várias vantagens, "hosted payloads" oferecem a minimização de riscos, custos reduzidos e menor volume de investimentos se comparado a sistemas dedicados, além de prazos mais curtos de acesso ao espaço.
Com experiência de mais de 30 anos no uso e operação de satélites, a Star One especificou, contratou e lançou com sucesso oito satélites, quatro deles contando com "hosted payloads" em banda X para o SISCOMIS, sendo que atualmente dois destas cargas úteis estão em operação pelo Ministério da Defesa. De acordo com a empresa, esta possui controle dos satélites de sua frota 100% localizado no Brasil, a partir de uma estação terrestre em Guaratiba (RJ), com capacidade para manobrá-los e intervir em seu funcionamento em caso de necessidade com total autonomia tecnológica.
Segundo apurado por Tecnologia & Defesa, existe a expectativa de que o satélite geoestacionário Star One C5, que poderá ser contratado pela operadora em 2012, disponha de um novo transponder banda X para o SISCOMIS, de forma a complementar o sistema, que tem sido altamente demandado.
Fonte: coluna "Defesa & Negócios", da revista Tecnologia & Defesa, edição nº 125.
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