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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Notícias da ACS e do Cyclone 4

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O blog "On Space", da publicação Aviation Week & Space Technology, recentemente publicou uma pequena nota ("Ukraine, Brazil Prepare for 2015 Cyclone 4 Launch") sobre o projeto binacional da Alcântara Cyclone Space (ACS), que tem por objetivo explorar comercialmente o foguete Cyclone 4 a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

Em sua maioria, as informações citadas na postagem não são novas, mas há algumas interessantes. O texto, que cita o diretor comercial da ACS, Sergiy Gunchenkov, fala sobre a ideia de, gradualmente, aumentar a performance do Cyclone 4 para 2.200 kg (hoje, próxima de 1.700 kg) em órbita de transferência geoestacionária (GTO), a um custo por lançamento entre 50 e 55 milhões de dólares. Não há, porém, qualquer comentário sobre como esta performance poderia ser aprimorada. No passado, foi considerada a ideia da utilização de propulsores de combustível sólido S43, que equipam o VLS-1, como strap-on boosters no primeiro estágio do lançador ucraniano (ver a postagem "Booster S43 para o Cyclone 4: uma possibilidade", de maio de 2010). Obviamente, tal aprimoramento teria um custo nada desprezível.

Missões em órbita baixa como nicho?

"Originalmente, nós estávamos planejando enfocar em LEO [low earth orbit, órbita baixa) apenas. Mas agora, como estamos vendo o crescimento dos satélites de propulsão elétrica, estamos trabalhando para aumentar a capacidade de carga,", disse Gunchenkov. A afirmação é, no mínimo, curiosa.

Muito embora o plano de negócios da binacional jamais tenha sido divulgado ao público, a origem da ACS levou em especial consideração o segmento de satélites geoestacionários. Considerou também missões no segmento MEO (medium earth orbit), particularmente por causa de constelações como das redes Iridium, Globalstar e, mais recentemente, O3b. Fato é que, se realmente a ACS tivesse considerado desde o início o nicho LEO, teria havido, no mínimo, uma falha de marketing ao se enfatizar sua capacidade em missões GTO (1.600 a 1.800 kg), e não no segmento LEO (5.500 kg em órbita circular a 500 km de altitude).

Aliás, se o nicho de lançamentos geoestacionários já é bastante complicado, não se pode afirmar algo diferente do segmento de órbita baixa. De fato, há muito mais concorrência neste nicho, com operadores europeus (Vega), russos (Dnepr, Rockot), chineses (Longa Marcha), americanos (SpaceX, Orbital, etc.), indianos (PSLV), entre outros. E algo que conta desfavoravelmente ao Cyclone 4 é sua capacidade para missões LEO, superior a 5.000 kg, exigindo satélites de grande porte nesta faixa de órbita (algo ultimamente bastante raro), ou voos com múltiplas cargas úteis.

Voo em 2015?

Ainda, de acordo com a nota, a infraestrutura para a operação do Cyclone 4 em Alcântara encontra-se 48% completa. A expectativa da ACS é que a construção do sítio espacial seja finalizada no ano que vem, com testes em solo com o lançador previstos para o início de 2015, e um lançamento no final do mesmo ano. O desenvolvimento do veículo lançador, aliás, já teria atingido 76% de execução, com 73% do total de testes já realizados.

Segundo as últimas notícias publicadas, as obras civis no CLA continuam paralisadas e, ao menos, publicamente, não há informações sobre sua retomada. Ainda, havia expectativa de que na visita de Estado da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, programada para outubro e cancelada em razão do imbróglio de espionagem, seria finalmente assinado um acordo de salvaguardas tecnológicas entre os dois países. Este acordo, em tese, viabilizaria que satélites norte-americanos ou com componentes de origem americana pudessem ser lançados a partir do centro brasileiro.
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sábado, 20 de abril de 2013

Lançadores: custos versus confiabilidade - Parte II


O blog Panorama Espacial eventualmente aborda o mercado de lançamentos de satélites. Em março, postamos a análise "Lançadores: custos versus confiabilidade". Voltamos novamente ao tema, numa segunda parte daquela análise, agora mais específica, acerca da atual realidade de mercado de lançamentos comerciais geoestacionários, com dois players principais: a Arianespace, com o seu foguete Ariane 5, e a International Launch Services (ILS), operadora do russo Proton.

Desde o início de 2013, a Arianespace assinou sete novos contratos para lançamento, sendo vários deles envolvendo mais de um satélite. As recentes falhas em lançadores russos, como as do Proton (duas em 2012, e três num período de 16 meses) e do Zenit 3SL, da Sea Launch (fevereiro de 2013) têm beneficiado fortemente a companhia europeia. No período de janeiro de 2012 a abril de 2013, a Arianespace assinou 17 contratos, contra apenas duas da ILS, operadora do Proton.

Nota-se, portanto, que a a segurança tem um sido um critério primordial no processo de escolha pelos operadores. Observe-se ainda que a segurança no lançamento tem dois componentes principais: o primeiro é a segurança física, da integridade do próprio satélite, suscetível de ser destruído numa falha de lançamento; o outro componente é a segurança em termos de cronograma, algo que também precisa ser apreciado num processo de definição de lançador, uma vez que falhas costumam gerar a suspensão dos manifestos de lançamento até que as razões sejam identificadas e corrigidas.

Em fevereiro, durante o evento Satellite 2013, em Washington (DC), nos EUA, foi anunciada uma violenta redução dos preços de frete do Proton, consequência de sua nova realidade em termos de confiabilidade. Tais diferenças, aliás, são refletidas nos valores dos seguros pagos em cada lançamento, que atualmente alcançam o dobro num comparativo entre o Ariane 5 e o Proton (o seguro de um lançamento a bordo de um Ariane 5 varia de 6% a 7% do preço do satélite, frente a 13% ou mais em um Proton). Mesmo com a redução do preço, é de se notar o perfil de clientes que hoje contratam o Proton: empresas de comunicações em situação financeira mais crítica (caso da Satmex, por exemplo), em que cada dólar economizado faz diferença, ainda que em detrimento da segurança, e grandes operadoras de satélites, que contam com extensa frotas de satélites e que muitas vezes não contratam seguros nos lançamentos em razão de terem meios próprios de gestão de riscos. Tais operadoras, aliás, costumam contratar lançamentos com todos os players ativos no mercado.

Dentro deste contexto, será interessante acompanhar as decisões relacionadas aos programas de satélites atualmente em fase de finalização no Brasil, tanto no âmbito privado, com operadores inserindo novas capacidades (banda Ka) para atender a forte demanda a ser gerada com os grandes eventos (Copa do Mundo e Jogos Olímpicos), como no governamental, com o programa do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).
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sábado, 2 de fevereiro de 2013

Notícias de lançadores: a falha do Zenit 3SL


Dando continuidade à série de notícias da semana sobre lançadores (ver a postagem "Coréia do Sul e Europa: notícias de lançadores"), na última sexta-feira (01), um lançador Zenit 3SL, operado pela companhia Sea Launch a partir de uma plataforma marítima no Pacífico, falhou na tentativa de colocar em órbita o satélite Intelsat 27, de comunicações.

De acordo com as informações divulgadas, a falha teria ocorrido no primeiro estágio do foguete, 50 segundos após o seu lançamento. Especula-se que o primeiro estágio teria sido interrompido emergencialmente devido a um erro na trajetória do lançador.

Além de mais um golpe para a indústria espacial russa (esta falha segue outras recentes, em particular do foguete Proton), o insucesso também representa um duro golpe para a Sea Launch, que saiu de uma grave crise financeira em 2010 (ver "Sea Launch: uma análise", de junho de 2009) e tentava se restabelecer no mercado.

Na prática, com os problemas enfrentados pelo Proton e Zenit 3SL, atualmente o único lançador disponível comercialmente para a colocação de grandes satélites em órbita de transferência geoestacionária é o europeu Ariane 5, da Arianespace. Um importante aspecto que deve ser observado é uma provável demanda maior que a oferta para os serviços do Ariane 5, o que pode acabar resultando em atrasos em missões cujos lançamentos ainda não foram contratados.
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sábado, 2 de junho de 2012

SpaceX, Falcon 9 e o mercado de lançamentos


A grande notícia espacial desta semana foi a missão bem sucedida da espaçonave Dragon, desenvolvida pela SpaceX, em sua acoplagem à Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês), seguida de reentrada na Terra em 31 de maio.

A missão foi iniciada em 22 de maio, quando decolou do centro espacial de Cabo Canaveral, na costa oeste dos EUA, um lançador Falcon 9, também desenvolvido e construído pela SpaceX. Foi a primeira acoplagem de uma nave comercial à ISS, fato bastante comemorado pelo empreendedor Elon Musk, fundador e diretor-presidente da SpaceX. "Esta missão representa o início de uma nova era da exploração espacial, uma em que há um significativo elemento espacial comercial", declarou.

Apesar desta missão não ter relação direta com o mercado de lançamentos comerciais - tema frequentemente abordado pelo blog, há claros reflexos nesse setor. Foi o terceiro voo consecutivo bem sucedido do Falcon 9, aumentando a expectativa da empresa, que espera conquistar uma relevante fatia do mercado global de lançamentos, hoje dominado pela Arianespace e ILS. Esta não será, porém, uma tarefa fácil.

A SpaceX terá que se provar em seu próprio país, no mercado de lançamentos governamentais, num ambiente de ameaças de cortes orçamentários e também forte competição com a United Launch Alliance, que reúne as gigantes Boeing e Lockheed Martin. O lançamento de satélites e missões governamentais americanas, ressalte-se, é fundamental para que a empresa consiga o ganho de escala necessário para sustentar o preço de seus fretes - no caso do Falcon 9, 54 milhões de dólares, segundo divulgado pela provedora, enquanto que com competidores tal valor pode atingir cifras próximas de 100 milhões de dólares.

Apesar de declaração de concorrente, Jean-Yves Le Gall, diretor-presidente da Arianespace, resumiu bem a situação de sua futura concorrente, indicando que esta precisa se provar. "A SpaceX fala muito, mas eles não lançam muito. Isto é um fato", afirmou há cerca de duas semanas à Aviation Week.

Sobre os desafios que a SpaceX enfrentará, recomendamos a leitura do artigo "SpaceX: Will Elon Musk's Triumph Be Transformative Or Transient?", publicado na Forbes dessa semana.

Loral, Intelsat 19, e os painéis solares

Em 31 de maio, a Sea Launch, que busca se restabelecer no mercado de lançamentos comerciais, realizou com sucesso a colocação em órbita do satélite Intelsat IS 19, levado ao espaço pelo lançador Zenit 3SL. Sucesso no lançamento, mas falha na abertura dos painéis solares do satélite, construído pelo fabricante norte-americano Space Systems/Loral, anunciada hoje (2).

Trata-se de mais um revés para a Loral, que tem tido grande sucesso nos últimos anos ao assinar vários contratos para construção de satélites geoestacionários, com preços muito competitivos. No final do ano passado, a empresa foi contratada pela brasileira Star One, da Embratel, para a construção do Star One C4, com previsão de lançamento em 2014.

Não foi a primeira falha na abertura de painéis solares de satélites da Loral. Dois satélites, contratados por uma operadora brasileira, sofreram falhas parecidas, a mais recente, em maio de 2011 (veja a postagem "A "maldição" do Estrela do Sul").

O "inferno astral" da Loral não está limitado às questões técnicas. A empresa enfrenta também uma desgastante briga judicial com a Viasat, uma antiga cliente, que alega ter tido direitos de patentes infringidos pela fabricante. A Loral é também frequentemente citada como uma empresa à venda, o que resulta em certas restrições financeiras.
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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Vega: "Bravo Europa!"

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Ontem (13), ocorreu com sucesso o primeiro voo do lançador europeu Vega, colocando dois satélites científicos e sete picossatélites em órbita, a partir de Kourou, na Guiana Francesa. Com este sucesso, a Arianespace, operadora do foguete, passou a contar com uma família completa de lançadores, capaz de pôr no espaço cargas úteis de pequeno a grande porte em órbitas baixa, geoestacionária e missões de espaço profundo.

Em nota, Jean-Yves Le Gall, presidente da Arianespace, afirmou: "Bravo Europa! Parabéns à Agência Espacial Europeia, à Agência Espacial Italiana, ao Centro Nacional de Estudos Espaciais e a todos os nossos parceiros industriais. Este sucesso vem depois de 9 anos de desenvolvimento cooperativo. Bem feito, Europa!"

Um pouco sobre o Vega

O desenvolvimento do Vega (Vettore Europeo di Generazione Avanzata) durou cerca de nove anos e exigiu investimentos de cerca de 710 milhões de euros, com a Itália se responsabilizando por aproximadamente 60% desse valor. A italiana Avio, que ofereceu o desenvolvimento conjunto de um novo lançador com o Brasil (ver a postagem "Lançadores: a proposta da Avio"), atuou como "prime contractor" do programa.

Embora seja um novo projeto, o quarto estágio do Vega, de propulsão líquida, é de origem ucraniana, desenvolvido pela Yuzhnoye. Há a expectativa de que a Alemanha, antes reticente ao projeto e agora animada com as razoáveis perspectivas comerciais, passe a participar com o desenvolvimento de um substituto ao estágio ucraniano. Estima-se que exista um mercado potencial na próxima década para até cinco satélites anuais dentro da capacidade do Vega (até 1.500 kg em órbitas de 700 km de altitude).

É dentro desta categoria que se encaixa o satélite de observação terrestre Amazônia-1, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), previsto para ser lançado em 2013 ou início de 2014, e que deverá ter seu lançador definido em breve.

Avio e Cyclone 4

O quarto estágio da Yuzhnoye no Vega não é a única conexão entre italianos e ucranianos em matéria de lançadores. Poucos se recordam, mas em dezembro de 1997, a Avio foi quem liderou o início dos entendimentos com o governo brasileiro para a realização de voos do Cyclone 4 a partir de Alcântara, no Maranhão. Na época, a empresa italiana mantinha uma parceria com a Yuznhoye para o desenvolvimento e operação do lançador ucraniano. Em 7 de abril de 1998, a Infraero, designada para as negociações, assinou com a Avio e empresas ucranianas um memorando de entendimentos alinhando as bases para a constituição de uma joint-venture para a exploração comercial de Alcântara. Haveria, inclusive, um cliente em potencial: a Motorola (constelação de satélites Iridium).

Em artigo sobre a criação da empresa binacional Alcântara Cyclone Space, José Monserrat Filho narra o descontentamento do governo dos Estados Unidos com a assinatura do memorando: "Consultado pela própria Motorola, o Departamento de Estado norte-americano, porém, não só vetou o projeto como aconselhou o Governo da Itália, através de um "non paper", a fazer o mesmo. Para os EUA, o Brasil, ao insistir na construção de seu Veículo Lançador de Satélites (VLS-1), é um potencial proliferador de tecnologia de mísseis; logo, não merece confiança, embora já dispusesse da legislação de controle de exportação de equipamento sensível e fosse membro do MTCR (Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis) desde 1996. A pressão logrou o que queria. A Fiat Avio desistiu da idéia do consórcio com o Brasil. As negociações sobre o projeto foram suspensas."

O impasse foi superado após intensas negociações e a assinatura de um acordo de salvaguardas tecnológicas com os EUA, jamais ratificado. No entanto, antes disso, os italianos optaram por seguir outro caminho e, em parceria com outros países europeus, lançaram o projeto do Vega.
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sábado, 10 de dezembro de 2011

Le Gall: "Lançamentos falam mais alto que palavras!"

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Foi disponibilizado no website da Arianespace, uma curta, porém interessante entrevista com Jean-Yves Le Gall, presidente da provedora de lançamentos espaciais. A entrevista aborda o ano de 2011 para a empresa, perspectivas para 2012, a formação da família de lançadores (Ariane 5, Soyuz e Vega, este último devendo realizar seu voo de estreia no início do ano que vem), e também o surgimento de competidores.

Sobre competição, a resposta de Le Gall a última questão (ver tradução livre abaixo) sintetiza bem sua visão sobre o mercado, já destacada e analisada pelo blog Panorama Espacial no início desse ano (ver "Entrevista com Jean-Yves Le Gall, presidente da Arianespace" e também sua análise). Muito embora a questão tenha focado competidores emergentes dos EUA (destaque para a SpaceX, com o Falcon 9), a resposta do executivo da Arianespace tem alcance global, inclusive para os esforços ucraniano-brasileiros da Alcântara Cyclone Space.

"Questão: Como você vê a demanda do mercado de serviços de lançamento nos EUA, e qual é a sua visão sobre uma possível competição de longo prazo de novos sistemas de transporte espacial americanos sendo desenvolvidos com significativo apoio de recursos governamentais?

Jean-Yves Le Gall: O mote não oficial da Arianespace é: "Lançamentos falam mais alto que palavras!" Atualmente, contudo, eu ouço muitas "palavras", mas não vejo muitos "lançamentos". Eu acredito que antes que estes novos sistemas tornem-se reais competidores, eles precisarão mostrar que podem lançar com confiança e regularidade, e a preços competitivos. Isto é o que a Arianespace faz hoje, e levará muitos anos para que nossos competidores alcancem esse ponto. É importante destacar que o Ariane 5 realizou seu voo de estreia em 1996, tendo entrado em serviço operacional em 2005. Leva tempo para se ter um sistema comprovado como o nosso, o que me faz acreditar que a Arianespace continuará a liderar o mercado de serviços de lançamento."
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terça-feira, 30 de agosto de 2011

Euroconsult: 1.145 satélites entre 2011-2020

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A próxima década (2011-2020) deve ter 1.145 satélites construídos e lançados, um número 51% maior do que o da última década, segundo previsão divulgada pela Euroconsult em 25 de agosto. Tais projeções constam do estudo "Satellites to be Built & Launched by 2020, World Market Survey", atualizado anualmente.

Mercado governamental

O total previsto de satéites está avaliado em 196 bilhões de dólares, dos quais 70% podem ser atribuídos à demanda governamental.

"Os governos continuam a dominar o mercado espacial, uma vez que sistemas de satélites são infraestruturas críticas para comunicações e soluções em geo-informação para usuários civis e militares", disse Rachel Villain, diretora da Euroconsult e editora do estudo.

De acordo com as previsões, agências governamentais de 50 países lançarão um total de 777 satélites na próxima década, sendo que 80% desse total virá das seis maiores potências espaciais - EUA, Rússia, Comunidade Europeia, Japão, China e Índia. A Euroconsult espera que cerca de 200 satélites de observação terrestre sejam construídos e lançados na próxima década, dado o crescimento da demanda de tais informações para uma variedade de aplicações governamentais.

A consultoria também identificou uma tendência relacionada às restrições orçamentárias que têm afetado os orçamentos de defesa das grandes potências, principalmente nos EUA e Europa: "Agências de defesa e segurança geralmente preferem sistemas proprietários para comunicações seguras e inteligência em imagens, mas restrições orçamentárias em gastos militares estão levando a busca de mais parcerias público privadas (PPP) e cargas úteis governamentais "hospedadas" em satélites comerciais."

Mercado comercial

O segmento comercial, a previsão é de que sejam colocados em órbita 203 satélites de comunicações em órbita geoestacionária, num valor próximo de 50 bilhões de dólares. Alguns destes satélites já constariam nas carteiras de pedidos dos fabricantes, portanto, não seriam novas encomendas.

Além da órbita geoestacionária, espera-se que haja um impulso em órbitas baixas (LEO) e médias (MEO), com 165 cargas úteis, num valor total próximo de 5 bilhões de dólares. Destes, 3/4 devem ser missões de comunicações (particularmente, de constelações como a Iridium, Globalstar, Orbcomm e O3b), e o restante em satélites de sensoriamento.
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sábado, 20 de agosto de 2011

Qualidade da tecnologia espacial russa em xeque

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Na última quinta-feira (18), o programa espacial russo encarou um novo fracasso, acontecimento que terá reflexos também no âmbito comercial. Por causas ainda desconhecidas, o lançador Proton M (foto acima) falhou ao colocar o satélite de comunicações Express-AM4 na órbita correta, supostamente por uma falha de seu estágio superior, o Breeze M.

Em dezembro de 2010, um Proton com um estágio superior Block DM carregando três satélites de posicionamento da família Glonass não alcançou seu objetivo. As investigações revelaram que a razão foi o excesso de combustível no estágio superior, ocasionado por falha humana, o que resultou na demissão de alguns dirigentes da agência espacial russa (Roscosmos). Em fevereiro deste ano, ocorreu um novo problema envolvendo o Breeze M, desta vez num lançador de menor porte, o Rockot (derivação do míssil intercontinental SS-18 Stiletto, designação OTAN), também colocando um satélite governamental russa numa órbita mais baixa do que a planejada.

Falhas em missões de lançamento não são raras e fazem parte de qualquer programa espacial, mas a Rússia parece enfrentar sérios problemas relacionados a confiabilidade e qualidade de sua tecnologia espacial, inclusive no campo de lançadores, área em que historicamente tem um domínio bastante acentuado.

Reflexos comerciais

No campo comercial, o Proton/Breeze M é comercializado e operado pela International Launch Services (ILS), que tem algumas missões previstas em seu manifesto para 2011, sendo duas no próximo mês de setembro: os satélites de comunicações QuetzSat-1, da SES de Luxemburgo, e ViaSat-1, da norte-americana ViaSat. Ambas as missões já estavam com cronogramas atrasados, prejudicando as previsões de receita das operadoras, e devem ficar suspensas até a apuração da nova falha. No caso do ViaSat-1, fabricado pela Space Systems/Loral, foram dois os motivos de atraso: o derramamento acidental de fluido hidráulico sobre o satélite (!), e a falha na abertura de um dos painéis solares do Estrela do Sul 2, o que provocou a suspensão do voo de todos os modelos da família da Loral até a identificação da causa do defeito.

Como de costume no mercado, as falhas em satélites e lançadores também resultam em acréscimos nos valores dos prêmios cobrados nos seguros, e ameaçam a posição da ILS na competição pelo mercado de lançamentos geoestacionários frente a outros concorrentes, como a europeia Arianespace.
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segunda-feira, 25 de julho de 2011

"Latin America - The New Jewel in Satellite"

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Comunicações via satélite na América Latina é o tema da reportagem de capa da edição de agosto da revista especializada norte-americana "Via Satellite". Sugestivamente intitulada "Latin America - The New Jewel in Satellite" ("América Latina - A Nova Jóia em Satélite", em tradução livre), a matéria destaca o crescimento econômico da região, projetos governamentais e a forte demanda por capacidade como os principais "drivers" para o crescimento do mercado regional de comunicações por satélite. O Brasil é um dos países destacados, especialmente em razão da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, e também do segmento de Petróleo e Gás, que tem demandado mais capacidade.


Para acessar a reportagem, clique aqui.
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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Direitos de exploração de satélites

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Anatel autoriza licitação para direito de exploração de satélite brasileiro


14 de Julho de 2011


O Conselho Diretor da Anatel autorizou hoje, em sua 613ª reunião, a abertura de procedimento licitatório, na modalidade de concorrência pública, para conferir direitos de exploração de satélite brasileiro para transporte de sinais de telecomunicações.


Até quatro novos satélites brasileiros poderão entrar em operação nos próximos cinco anos, ocupando posições orbitais em coordenação ou notificação em nome do Brasil ante a União Internacional de Telecomunicações (UIT).


A nova licitação possibilitará aumentar a capacidade satelital brasileira para atender as atuais demandas no setor e aquelas antecipadas em função de grandes eventos, tais como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, entre outros projetos.


O edital de licitação para conferir direito de exploração de satélite brasileiro estará disponível para consulta na página da Anatel em 19 de julho. Para participar da licitação, os interessados devem adquirir o edital com a Comissão de Licitação, situada no 9º andar do Bloco E, Quadra 6, Setor de Autarquias Sul, Brasília - DF, a partir do dia 19 de julho de 2011, nos dias úteis, no horário de 9h às 12h e de 14h às 16h.


Nesta licitação, além das posições orbitais e faixas de frequências não planejadas, as interessadas poderão escolher posições orbitais e faixas de frequências associadas aos planos dos Apêndices 30, 30A e 30B do Regulamento de Radiocomunicações da UIT.


Os satélites deverão cobrir 100% do território brasileiro e dedicar parte da capacidade para atender o mercado brasileiro. Os direitos de exploração serão conferidos por 15 anos, prorrogáveis uma única vez. Uma mesma empresa poderá obter até dois dos quatro direitos licitados.


O edital de licitação para o direito de exploração de satélite brasileiro foi objeto da Consulta Pública n.° 10, de 15 de fevereiro de 2011.


Fonte: Anatel


Comentários: o mercado de comunicações via satélite no Brasil está num momento aquecido, e a licitação para a exploração de novas posições de satélites indica um pouco esse momento (sobre o mercado, ver a postagem "Mercado de comunicações via satélite no Brasil"). Aliás, a Star One, maior operadora brasileira no segmento, está próxima de selecionar o fornecedor do satélite Star One C4, que terá 48 transpônderes. Segundo informações recebidas pelo blog, a expectativa é de que uma decisão seja tomada dentro das próximas semanas. No páreo, estão as norte-americanas Loral e Boeing, e a europeia Astrium, do grupo EADS.
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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Mercado de lançadores geoestacionários

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A edição de maio da revista Via Satellite traz uma reportagem sobre a possibilidade de mudanças no mercado mundial de lançamentos geoestacionários com a potencial entrada de um novo operador - a SpaceX com o lançador Falcon 9, o retorno em operação do Zenit 3SL, da Sea Launch, e os chineses, tudo isto previsto para os próximos anos. Para quem se interessa pelo assunto, a leitura é recomendada.

O último parágrafo da reportagem resume a análise do autor. Traduzimos para o português:

"O mercado de serviços de lançamento parece estar a beira de mudanças, mas ainda serão necessários anos antes que algum impacto real seja notado nos preços dos lançamentos. Nos próximos anos, a Sea Launch terá que demonstrar que é capaz de se recuperar, enquanto que a SpaceX terá que provar que pode ir além de lançamentos de demonstração, executando missões pagas. Então, levará muitos anos para que a Sea Launch e a SpaceX desenvolvam um histórico [track record] de confiabilidade que a Arianespace e a ILS já têm. Estes dois operadores continuarão a capturar a "fatia do leão" em lançamentos pelos próximos anos, mas a pressão vinda da potencial entrada de novos operadores terá um impacto nos custos de lançamento e no mercado como um todo."

O caso da SpaceX

O caso da operadora norte-americana SpaceX, do empreendedor Elon Musk, exige comentários à parte. Em sua carteira de pedidos, a empresa já conta com contratos importantes obtidos com a NASA e outras agências governamentais, fontes dos recursos para o desenvolvimento de sua família de lançadores. Em missões geoestacionárias, destinadas ao lançador Falcon 9, a SpaceX tem estado bem ativa na busca de contratos, embora o Falcon 9 ainda careça da exigida confiabilidade. Além de um acordo com a operadora SES, de Luxemburgo, comenta-se que o Falcon 9 também lançará o satélite tailandês Thaicom 6.

Apesar de ter obtido alguns contratos (principalmente por seus fretes com preços baixos), antes de rivalizar de igual para igual com a Arianespace e ILS, a Space X terá que, além de provar a confiabilidade do Falcon 9, enfrentar outros desafios, como garantir a sua sustentação financeira e se firmar no mercado governamental norte-americano, onde a empresa já começa a ter atritos (veja aqui) envolvendo a Boeing e Lockheed Martin, que dominam o mercado de lançamentos governamentais norte-americanos.
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Mercado de comunicações via satélite no Brasil

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Na mais recente edição da revista especializada Via Satellite, um pequeno artigo traz comentários interessantes sobre a visão de Gustavo Silbert, presidente da Star One, subsidiária da Embratel, sobre o crescimento do mercado latino-americano de serviços de comunicações via satélite. Reproduzimos o trecho abaixo, traduzido livremente do inglês para o português:

"A única nota de atenção parece vir de Gustavo Silbert, CEO [diretor-presidente] da operadora brasileira Star One, que teme que a região enfrente um outro caso de excesso de capacidade. "A maioria dos operadores estão anunciando novos satélites e/ou substituições para a região. Há um risco potencial de oferta em excesso dentro dos próximos dois ou três anos, similar a que aconteceu em 2003 e 2004", disse - embora o temor não afastará a Star One de lançar um novo satélite em 2012.

E o alerta de Silbert bate com as informações de um relatório de dezembro, que afirma que o Brasil sozinho - país com uma economia em crescimento e também da Copa do Mundo da FIFA de 2014 e Jogos Olímpicos de 2016 - responde por mais de cinquenta por cento da demanda de serviços de satélites na região."


O texto da Via Satellite não traz essa informação, mas no mercado, desde o final de 2010 comenta-se que a subsidiária da Embratel está trabalhando na contratação de um novo satélite (Star One C4), de maior capacidade (48 transpônderes), e que fabricantes americanos e europeus estariam no páreo. O blog abordará futuramente a "concorrência" do Star One C4.

Para quem se interessa pela mercado de comunicações comerciais via satélite, recomendamos a leitura de algumas das reportagens dessa edição, particularmente o texto "Latin America Pays Dividends for Sat Exec of Year - and Others", e também a reportagem sobre Petra Mateos, presidente da operadora espanhola Hispasat (veja aqui).
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Qualidade espacial russa em xeque

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Desde o final do ano passado, a Rússia tem enfrentado de forma mais intensa problemas relacionados ao controle de qualidade de seu programa espacial, acentuados por duas falhas em lançamentos.

A primeira ocorreu no início de dezembro de 2010, envolvendo um lançador Proton transportando três satélites de navegação da série Glonass. Após investigações, descobriu-se que o problema foi o excesso de propelentes no último estágio do foguete, causado por erro humano. Já em 1º de fevereiro, o foguete Rockot / Briz-KM falhou ao colocar na órbita errada o satélite Geo-IK-2, considerado um dos mais modernos de seu tipo já desenvolvidos no país.

Sobre a mais recente falha, os comentários iniciais davam conta de que estaria relacionada à deficiências no controle de qualidade do hardware, mas, essa semana, algumas notícias citando fontes não identificadas inovaram ao afirmar que uma potência estrangeira poderia estar por trás do ocorrido. "A provável causa pode envolver intrusão eletromagnética nos controles automáticos", afirmou uma autoridade não identificada em matéria da AFP.

Além dos claros prejuízos financeiros, as falhas também afetam a imagem da tecnologia espacial russa, considerada robusta e confiável. E isto, é claro, tem reflexos também no mercado internacional, tanto privado (lançamento de satélites de comunicações) como governamental. Há quem afirme que a Rússia está perdendo mercado na área espacial para novos players, como a China. Na América do Sul, por exemplo, alguns países (Venezuela e Bolívia) considerados mercados promissores pelos russos em matéria de defesa, preferiram a tecnologia espacial chinesa na hora de contratar os seus satélites.
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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

"Rico mercado de transporte de satélites mundial"?

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O artigo de Roberto Amaral, reproduzido no blog ontem (17) (veja aqui), tem um trecho que merece ser comentado: "A ACS é uma empresa de transporte espacial que pode, além de atender aos interesses diretos dos dois países, concorrer, com vantagens, no rico mercado de transporte de satélites mundial."

Embora envolva substancial volume financeiro, existem reais dúvidas quanto à suposta "riqueza" do mercado comercial de lançamentos, além de ser reconhecidamente um mercado de altos riscos. A presença do Estado no setor é tida como obrigatória, fato, aliás, comentado semana passada pelo experiente executivo François Auque, CEO da Astrium (fabricante do Ariane 5), em reportagem publicada na Space News:

"Em todo o lugar, lançadores são financiados 100% por governos, embora na Rússia seja talvez 75%, a preços que deixam os fabricantes de lançadores extremamente felizes. Você vê a Boeing ou a Lockheed Martin nos Estados Unidos reclamando dos preços que obtêm para os lançamentos governamentais? Não. Somente na Europa existe esta ideia bizarra de que o setor de lançamentos pode sobreviver com o mercado comercial apenas."
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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Entrevista de Jean-Yves Le Gall, uma análise

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Uma das peculiaridades mais interessantes de Jean-Yves Le Gall é sua abertura em falar sobre concorrentes. Suas opiniões sobre os competidores primam pela objetividade e sinceridade - para alguns de modo até chocante. Foi o caso de sua afirmação sobre a Alcântara Cyclone Space (ACS). Para ele, "o Cyclone 4, por agora, é apenas um projeto."

Como é sabido, ainda que com seus problemas, a ACS está avançando, ao menos do lado brasileiro. Mas, a afirmação de Le Gall até tem a sua lógica. Aqueles que acompanham o mercado de lançamentos se recordarão sem muita dificuldade de dois ou três casos de iniciativas de exploração do mercado de lançamentos espaciais comerciais. O caso mais emblemático talvez seja o da Asia Pacific Space Centre (APSC), "vaporware" surgido no início desta década e que se propunha a construir na Ilha de Christmas, na Austrália, um sítio de lançamento do foguete Aurora, de design russo. O projeto ganhou a mídia e a comunidade especializada, foi muito comentado na época, mas, aos poucos, por variadas razões, acabou desaparecendo. Curiosamente, um dos responsáveis pela APSC, alguns anos depois tentou viabilizar um projeto similar no Brasil.

Outra passagem que corrobora as palavras de Le Gall, em linha com as dificuldades de se estabelecer no mercado. Em setembro de 2007, uma operadora do Reino Unido assinou com a norte-americana SpaceX um contrato para o lançamento de seu satélite HYLAS. Seria o primeiro lançamento de satélite geoestacionário pelo revolucionário foguete Falcon 9.

Em julho de 2009, um novo anúncio: a Arianespace lançaria o HYLAS usando um Ariane 5 ou Soyuz, como de fato o fez em novembro de 2010. O curioso é que a operadora inglesa havia previamente criticado a Arianespace por ser muito "cara". Sua decisão de substituir o lançador foi motivada pelas preocupações dos clientes sobre os riscos associados ao Falcon 9. O mote da lançadora europeia, "qualidade tem o seu preço", se comprovou mais uma vez.

O exemplo da APSC e SpaceX / Falcon 9 - e outros tantos - mostram que em se tratando de projetos espaciais, sempre arriscados e que demandam grandes investimentos de capital, é necessário que se tenha muita cautela.

Jean-Yves Le Gall não analisou especificamente o caso da ACS, até por que este não era o propósito de nossa entrevista e nem a sua função, mas em conversas com pessoas familiarizadas com o setor, a percepção de que o Cyclone 4 terá pequena penetração no mercado geoestacionário - algo esporadicamente abordado pelo blog - é real. Isto por que sua capacidade de inserção de cargas úteis em órbita de transferência geoestacionária (entre 1.700 e 1.800 kg) está abaixo dos menores satélites de comunicações que têm sido lançados ao espaço (superiores a 2.000 kg).

Essa realidade tem levado a Agência Espacial Brasileira (AEB) a considerar, inclusive, a construção do Sistema Geoestacionário Brasileiro (SGB) com massas em torno de 1.500 kg, de modo a viabilizar cargas para o lançador ucraniano, como revelou Carlos Ganem ao blog em setembro de 2010 (ver a postagem "AEB: Carlos Ganem fala ao blog"). No mesmo sentido, vale a leitura da interessante entrevista de Ganem dada à revista Teletime de novembro de 2010 ("Olhando para o alto"), mas apenas há algumas semanas disponibilizada na internet. Importante destacar, a opinião de Ganem sobre o SGB não é necessariamente unânime dentro do Programa Espacial Brasileiro (e fora dele também).

Outro indicativo, inclusive oficial, de que a capacidade do Cyclone 4 preocupa são os estudos (preliminares, diga-se de passagem) para o uso de "strap-on boosters" no lançador, o que poderia ampliar sua performance para 2.700 kg (veja "Booster S 43 para o Cyclone 4: uma possibilidade").
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Entrevista com Jean-Yves Le Gall, presidente da Arianespace

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Na manhã de 29 de dezembro, no Hotel des Roches, em Kourou, Jean-Yves Le Gall, chairman e diretor-presidente da Arianespace, a conhecida provedora europeia de lançamentos espaciais, gentilmente recebeu a reportagem de Tecnologia & Defesa para uma entrevista exclusiva. Dentre os tópicos abordados, o ano de 2010 para a empresa, suas relações no Brasil e América do Sul, e competidores.

Com sua carreira inteira dedicada ao programa espacial europeu e desde 2002 presidindo a Arianespace, Le Gall tem um estilo bastante objetivo e direto, econômico nas palavras, mas com respostas sempre marcantes.

O ano de 2010

A entrevista começou com balanço das atividades da empresa em 2010. O executivo apontou a realização de cinco lançamentos do Ariane 5 até então, todos sucedidos, e que o sexto seria efetuado naquela noite (como de fato foi, também com sucesso). Com as seis missões, a Arianespace foi responsável pela colocação em órbita de 12 satélites, de um total de 20 lançados, frente aos 8 lançados pela sua concorrente International Launch Services - ILS, que opera o foguete russo Proton. Com estas missões, a empresa respondeu por uma participação de 60% do mercado em 2010.

Le Gall também destacou o contínuo apoio dos parceiros europeus, destacadamente a Agência Espacial Europeia, e a celebração de 12 novos contratos para lançamentos de cargas úteis, em comparação a apenas seis pela ILS.

Tendências de mercado

O executivo francês vê um mercado de lançamentos para 20 satélites comerciais geoestacionários por ano, com a Arianespace ocupando um market share de 55% a 60%, com seus lançadores Ariane 5 e Soyuz. Ao ser questionado sobre tendências quanto às dimensões dos satélites geoestacionários, Le Gall afirmou que não vê um aumento de massa para muito além de 6 toneladas, que é a capacidade máxima do Proton, principal concorrente do Ariane 5, ficando, portanto, entre os satélites menores (2 a 3 toneladas) e de 6 toneladas. [Nota do blog: o foguete russo, ao contrário do Ariane, é capaz de lançar apenas uma carga útil em cada missão, possivelmente daí o motivo de ter sido usado como paradigma]

Sobre as iniciativas relacionadas ao Next Generation Launcher (NGL) ora em discussão na Europa, também chamado de Ariane 6 e que futuramente substituirá o seu "irmão" mais velho, Jean-Yves Le Gall afirmou ser ainda muito cedo para indicar tendências relacionadas à capacidade e características do lançador, mas que isto ficará mais claro em dois anos, até a uma decisão.

Competição: ILS, Cyclone 4, China e ITAR

Fizemos algumas questões sobre competidores, tanto atuais como futuros, e é nesse campo que a entrevista talvez tenha ficado mais interessante. De acordo com Le Gall, o único competidor atual da Arianespace é a ILS. Após nosso questionamento sobre o projeto da ILS de desenvolver uma versão do Proton, conhecida como Duo, capaz de lançar dois satélites num único voo, o executivo revelou que o projeto foi paralisado por razões técnicas. Foi feita outra pergunta sobre a possível competição com o Falcon 9, da norte-americana SpaceX, que busca revolucionar o mercado de transporte espacial com fretes de baixo custo. Mas, para o presidente da Arianespace, o lançador americano não tem performance, não vendo nele um competidor no momento.

Sobre a iniciativa ucraniano-brasileira para operar o Cyclone 4 a partir de Alcântara, no Maranhão, Le Gall afirmou: "O Cyclone 4, por agora, é apenas um projeto." Comentamos que a infraestrutura do centro de Alcântara para a operação do foguete já havia sido contratada, no que o executivo emendou: "Nesse mercado, apenas lançamentos contam."

O tópico sobre competidores foi encerrado com questões sobre a China, que tem buscado ocupar algum espaço no mercado. Para o chairman europeu, a China é um caso interessante, com muitos avanços no programa espacial governamental, mencionando a ambição chinesa de ir até à Lua, mas ele não vê a mesma evolução no âmbito espacial comercial. Em contrapartida à sua resposta, comentamos sobre os contratos conquistados pelos chineses na América do Sul, para a construção e lançamento de satélites para a Venezuela e Bolívia, e Le Gall respondeu que o que se comenta no mercado é que o satélite venezuelano não estaria funcionando apropriadamente.

No campo de lançamento de cargas comerciais, ele entende que os satélites ITAR-free, isto é, livres de componentes de origem norte-americana e, por esta razão, passíveis de serem lançados por foguetes chineses, não existirão mais no futuro por dificuldades técnicas no desenvolvimento e construção. Mencionou o caso, embora não tenha citado o nome, de um satélite ITAR-free que teve falha logo após o lançamento. [Nota do blog: o satélite em questão é o Eutelsat W3B, que teve sua perda total declarada no final de outubro de 2010, motivada por um grave vazamento no tanque de propelentes]

Brasil e América do Sul

O presidente da Arianespace destacou que a empresa tem sido muito bem sucedida com sua presença no Brasil, tendo sido responsável pelo lançamento até hoje de todos os satélites de comunicações da Embratel e de sua subsidiária, a Star One. A provedora europeia, aliás, foi contratada para a colocação em órbita do Star One C3, que está em construção. O executivo vê o mercado nacional de satélites comerciais de comunicações com um lançamento a cada um ou dois anos.

Indo além do Brasil, para outros países do continente sul-americano, o presidente mencionou que a Arianespace lançará também o SSOT, um satélite chileno de observação terrestre, e foi contratada este ano para lançar o satélite de comunicações Arsat-1, da Argentina.
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domingo, 12 de setembro de 2010

Estudo da Euroconsult: 1.200 satélites até 2019

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No início deste mês, a Euroconsult divulgou um estudo, intitulado "Satellites to be Built & Launched by 2019, World Market Survey", apontando que um número estimado de 1.220 satélites serão lançados ao espaço nos próximos dez anos.

O dado da consultoria europeia considera uma média de 122 satélites sendo lançados anualmente, aumento significativo quando comparado à década passada, que teve uma média de 77 satélites. Deste total, cerca de 2/3 deverão ter como origem demanda governamental.

"Os governos percebem que sistemas de satélites são uma parte crítica da infraestrutura de seus países e que contribuem para o desenvolvimento sócio-econômico, fornecendo soluções em comunicações e geoinformação para muitas agências governamentais," afirmou em nota distribuída à imprensa Rachel Villain, diretora da Euroconsult e editora do relatório.

O documento apresenta alguns apontamentos interessantes sobre o mercado de satélites, tanto comercial como governamental, o que tem reflexos na indústria de lançamentos espaciais. No caso específico de cargas úteis geoestacionárias de comunicações - fatia considerada mais interessante por lançadores comerciais, a estimativa é que cerca de 214 satélites sejam lançados, um mercado total avaliado em 55 bilhões de dólares.

Ainda no campo geoestacionário, o relatório aponta que o avanço tecnológico permitirá a construção de modelos com maior capacidade, de modo que os operadores poderão expandir a oferta de serviços com um número menor de satélites. Estes serão maiores, o que também direcionará o tamanho e performance dos veículos lançadores, avaliação esta que corrobora algumas opiniões no sentido de que o lançador ucraniano Cyclone 4, a ser operado pela Alcântara Cyclone Space (ACS), dificilmente obterá fatia considerável do mercado de lançamentos geoestacionários.
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quarta-feira, 23 de junho de 2010

Semanas movimentadas para lançadores

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As últimas semanas têm sido movimentadas em matéria de lançadores espaciais. No início de junho, o foguete americano Falcon 9, desenvolvido pela empresa privada SpaceX, foi lançado com sucesso, abrindo um novo capítulo na história da empresa, notícia esta, aliás, que já foi abordada aqui no blog (vejam a postagem "Falcon 9: dia "histórico"", de 4 de junho), e sobre a qual escrevemos mais adiante.

Em 10 de junho, a agência espacial da Coréia do Sul tentou realizar, mais uma vez sem sucesso, o voo de seu pequeno lançador espacial, Naro (também chamado KSLV-1), que explodiu 137 segundos após o lançamento. Prestes a completar oito anos, o projeto do foguete sul-coreano, que conta com forte suporte da companhia russa Khrunichev, já realizou duas tentativas (a primeira foi em agosto de 2009, com falha no segundo estágio), comprovando o caminho sempre difícil para o desenvolvimento e disponibilização em situação operacional de foguetes espaciais.

Ontem (22), foi a vez de Israel anunciar o sucesso do lançamento de um novo satélite "espião" (Ofeq-9, dotado de um sensor ótico de alta-resolução), de pequeno porte, operação realizada por uma versão aprimorada do foguete Shavit, de porte similar ao VLS-1 brasileiro (vejam o vídeo aqui). Tanto o foguete como o satélite são exemplos do bem-sucedido programa espacial israelense, majoritariamente dirigido por necessidades militares.

O sucesso do Falcon 9 parece ter sido suficiente para reduzir algumas das desconfianças sobre o projeto da SpaceX, o que teria levado ao anúncio, alguns dias depois, de contrato bastante significativo com a Iridium, para colocação em órbita de 72 satélites de nova geração, no valor de US$ 492 milhões. "Nós estamos anunciando hoje o maior contrato comercial de lançamento da história, no melhor do meu conhecimento", afirmou Elon Musk, fundador e presidente da SpaceX. Outros contratos estariam em discussão e devem ser anunciados em breve.

À medida que os dias vão passando, o projeto da SpaceX, de acesso ao espaço com baixos custos, parece se comprovar ou ao menos se tornar mais sólido, embora existam entre os analistas especializados no setor, desconfianças sobre a capacidade financeira da SpaceX em cumprir com todas as suas promessas. O manifesto de missões da companhia já conta com dezenas de lançamentos para os próximos anos para os seus dois veículos (Falcon 1 e Falcon 9), vários deles comerciais. De acordo com a mídia especializada estrangeira, os fretes da SpaceX poderiam ser até mesmo inferiores do que os praticados pelos lançadores indianos e chineses, tradicionalmente mais baratos que os foguetes americanos (Atlas V, Delta IV), europeus (Ariane 5) e mesmo russos ou ucranianos (Proton, Zenit 3SL).

O fato é que, definitivamente, o sucesso do modelo da SpaceX deve revolucionar o mercado de lançamentos espaciais, não apenas governamental, mas também o privado. Mesmo a Europa, radicional líder no segmento privado com a Arianespace, parece reconhecer essa possível revolução. No dia 8 de junho, na ILA em Berlim, Jean-Jacques Dordain, diretor-geral da Agência Espacial Europeia, disse que a Europa precisa aprender a partir do que a SpaceX está fazendo. E, logicamente, essa possível revolução (ou mais diretamente, concorrência) terá reflexos para os esforços da binacional ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space em se tornar player no mercado.
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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Satélites de órbita baixa: previsões para 2010-2014

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A Teal Group, uma das principais consultorias do mundo nas áreas aeroespacial e de defesa, divulgou durante a ILA 2010, feira que acontece esta semana em Berlim, na Alemanha, uma interessante previsão sobre o mercado para lançamentos de satélites de órbita baixa (LEO, sigla em inglês) para os próximos cinco anos (2010-2014).

O estudo indica que 416 satélites deverão ser colocados em órbita, num total de 184 lançamentos, o que representa um crescimento de 38% no número de cargas úteis, e de 17% nas missões de lançamento, em relação aos últimos cinco anos (2005-2009).

O crescimento se deve em grande parte a uma maior quantidade de pequenos satélites (pico ou nanossatélites, de massa inferior a 100 kg), e também em razão da renovação das constelações de comunicações moóeis, como a Globalstar, Iridium e Orbcomm.

Segundo a Teal group, o aumento no número de missões LEO deverá beneficiar principalmente os lançadores Soyuz, comercializado pela Arianespace, e o Falcon 1, da SpaceX, e em menor extensão, os foguetes russos Rockot (Eurockot) e Dnepr (ISC Kosmotras), e o indiano PSLV (Antrix/ISRO).

De certo modo, embora não exista consenso entre os especialistas, a previsão da consultoria demonstra haver mercado para foguetes de menor porte, justamente um dos nichos que a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA) têm considerado há alguns tempos. A ideia do governo, baseada, segundo dizem, em estudos mercadológicos, é fazer uma parceria com algum player estrangeiro, aproveitando tecnologias já desenvolvidas para o VLS-1, com um novo estágio superior.
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sábado, 1 de maio de 2010

Soyuz, SSOT e o mercado de lançamentos

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A publicação especializada Space News, em texto de Peter Selding, noticiou ontem (30) que os voos de estreia dos lançadores Soyuz e Vega a partir de Kourou, na Guiana Francesa, devem sofrer novos atrasos. As primeiras missões possivelmente ocorrerão no final de 2010 e início de 2011, respectivamente. A informação sobre os atrasos partiu de Jean-Yves Le Gall, presidente da Arianespace, companhia responsável pela operação dos dois sistemas de lançamento.

SSOT possivelmente só em 2011

Antes destes novos atrasos, havia a expectativa de que este ano fossem executados por veículos Soyuz os lançamentos do satélite de comunicações Hylas 1, e do primeiro satélite de observação da série Pleiades, da agência espacial francesa. Neste segundo voo, junto com o Pleiades, voariam alguns pequenos satélites governamentais de inteligência eletrônica (da série ELISA), e também o primeiro satélite de observação chileno, chamado SSOT. Alguns manifestos extraoficiais apontavam o mês de outubro de 2010 como o período provável do lançamento, que agora só deve ocorrer, num bom cenário, provavelmente a partir de janeiro ou fevereiro de 2011. Por mais alguns meses, o SSOT deverá permanecer, portanto, "armazenado" nas instalações de seu fabricante, a EADS Astrium em Toulouse, no sul da França.

Custos adicionais

Atrasos em grandes e sofisticados projetos de engenharia não são nenhuma grande surpresa, e os casos do Vega e Soyuz não teriam por que fugir da "regra". O grande problema é que muitas vezes estes atrasos são acompanhados de custos e despesas extraordinárias que acrescem razoavelmente os seus valores iniciais. De acordo com Antonio Fabrizi, diretor de lançadores da Agência Espacial Europeia (ESA), o atraso do Soyuz acarretará numa despesa - a ser arcada pela ESA, de aproximadamente 50 milhões de euros.

É possível, para alguns até provável, que estes dois problemas (atraso e aumento nos custos) comecem a afligir o projeto da binacional ucraniano-brasileira Alcântara Cyclone Space, à medida que o mesmo comece a ser posto definitivamente em prática, com o início das obras de infraestrutura em Alcântara. De fato, já ocorreram, por variados motivos, diversos atrasos no cronograma do voo de estreia do lançador Cyclone 4 (hoje, obviamente fala-se em não antes que 2011). E o valor total do projeto também aumenta a cada ano. No início da atual década, por exemplo, mencionava-se algo em torno de 180 milhões de dólares, mas hoje as estimativas consideradas são razoavelmente superiores.

"Agressividade comercial da ILS"

Um dado interessante mencionado pela reportagem, mas extraído do relatório anual da lançadora europeia, é a afirmação de que os preços dos lançamentos ficaram relativamente baixos em 2009 "por causa da agressividade comercial da ILS", o que possivelmente contribuiu para o prejuízo apurado pela Arianespace, de pouco mais de 70 milhões de euros. Sigla de International Launch Services, a ILS é a principal concorrente da Arianespace, operando de Baikonur, no Cazaquistão, o lançador russo Proton.

Os fretes da ILS foram mais baratos principalmente em razão da queda do valor da moeda russa, o rublo, em relação a outras moedas internacionais, como euro e dólar. Como a grande maioria dos custos associados ao Proton são em rublo, por ser fabricado na Rússia, torna-se possível a oferta de fretes mais econômicos aos clientes.

O lance curioso é que mesmo num mercado com menor concorrência como o de lançamento de satélites geoestacionários (a crise financeira do terceiro player nesse setor, a Sea Launch, colocou-a de "escanteio" no mercado, ao menos provisoriamente), a maior provedora ainda assim não consegue impor melhores preços. Vê-se, portanto, mais um indicativo de como o mercado de lançamentos espaciais têm sua dinâmica e peculiaridades próprias, não sendo um negócio de ganhos e lucros fáceis como alguns "especialistas" dão a entender.
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