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INPE lança projeto para conectar o Brasil em banda larga
A tecnologia aeroespacial é a base do CONECTAR, projeto que irá levar sinal de internet às comunidades distantes dos centros urbanos. Para isso, balões carregarão o sistema de comunicação embarcado desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
Nesta quinta-feira (14), às 11 horas, no INPE de Cachoeira Paulista, um balão equipado com um protótipo do CONECTAR será lançado para demonstrar a operacionalidade do projeto. O evento será acompanhado pelo diretor do INPE, Leonel Perondi, e pelos ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, e das Comunicações, Paulo Bernardo.
“O balão portando transceptores será içado a 240 metros de altura e fará os enlaces via rádio com um ponto fixo em Cachoeira Paulista e com um veículo do INPE que transportará um rádio. Esta base móvel realizará uma varredura da qualidade de conexão até 50 km de distância do balão”, explica Jose Ângelo Neri, que coordena o projeto no INPE.
Com o balão, a comunicação em banda larga usando rádio frequência atinge maior área de cobertura em comparação às torres convencionais. Assim, o CONECTAR pode ser executado com custo competitivo em relação às tecnologias existentes, por levar menos tempo para implementação e com abrangência de sinal muito maior.
Realizado pelo INPE/MCTI, Telebrás, CPqD e Ministério das Comunicações, o projeto CONECTAR conta com a parceria de empresas especializadas para agregar tecnologia espacial inovadora ao sistema de comunicação embarcado no balão.
Fonte: INPE
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terça-feira, 12 de novembro de 2013
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
"FINEP - Apoiando a inovação em setores estratégicos"
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FINEP - Apoiando a inovação em setores estratégicos
André M. Mileski
Não é incomum encontrar em projetos nacionais de tecnologia militar o nome FINEP, ou então seu logotipo em protótipos ou cartazes de apresentação. De fato, esta sigla, de alguma forma, direta ou indiretamente, está presente em praticamente todos os setores considerados estratégicos pelo Brasil, como a agricultura, petróleo e gás, energia, telecomunicações, biotecnologia e, é claro, defesa e aeroespacial. Mas, afinal, o que vem a ser a FINEP, e qual é o seu papel?
Criada em 24 de julho de 1967, a FINEP - Agência Brasileira da Inovação é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a missão de”promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil por meio do fomento público à Ciência, Tecnologia e Inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas.”
A partir de 1969, com a instituição pelo Governo Federal do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), criado com o propósito de financiar a expansão do sistema de Ciência &Tecnologia, o papel da FINEP como indutora de atividades inovadoras ganhou enorme impulso. Tal função, associada ainda ao seu caráter de financiadora do desenvolvimento científico e tecnológico, ficou ainda mais evidenciada com a edição da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia & Inovação (ENCTI), análoga da Estratégia Nacional de Defesa em relação à Ciência & Tecnologia que, aliás, elenca dentre as áreas prioritárias o Complexo Industrial da Defesa, o Aeroespacial e o Nuclear.
Atualmente, a FINEP apoia todas as etapas e dimensões do ciclo que se estende da pesquisa básica à aplicada, além da melhoria e desenvolvimento de processos, produtos e serviços associados à inovação. Na esfera privada, sua atuação se dá por meio de programas de liberação de recurso reembolsáveis, na forma de empréstimos, não reembolsáveis (subvenções), e também investimentos indiretos, por meio de fundos de investimento, em empresas classificadas como inovadoras.
Junto ao apoio direto a essas iniciativas pela iniciativa privada, a FINEP ainda atua na destinação de recursos não reembolsáveis, oriundos de fundos setoriais, para o apoio a projetos de C,T&I apresentados por instituições científicas e tecnológicas (ICTs) nacionais. É nesse âmbito que a empresa administra o PROINFRA, para apoio a projetos de manutenção, atualização e modernização da infraestrutura de pesquisa de ICTs. Dezenas de universidades e centros de pesquisa brasileiros recebem recursos para a criação, ampliação e/ou modernização de laboratórios e infraestrutura para Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (P,D&I).
As linhas de financiamento da FINEP são abastecidas com recursos orçamentários, do MCTI, e também pelos Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia, criados a partir de 1999. Hoje, existem 17 desses fundos, sendo 14 para setores específicos, dentre eles o aeronáutico e o espacial. Os fundos setoriais são capitalizados por variadas fontes, como contribuições incidentes sobre o resultado da exploração de recursos naturais pertencentes à União, e parcelas de tributos incidentes em setores e atividades específicas.
Aeroespacial e de defesa
Com base em indicadores de intensidade de P,D&I, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, sigla em francês) classifica os setores produtivos em quatro grupos principais de intensidade tecnológica, sendo que o aeroespacial, ao lado dos farmacêutico, informática, eletrônica e comunicações figuram no topo dessa classificação, considerados de alta intensidade tecnológica.
Não é sem motivo, portanto, que a FINEP tem apoiado ao longo de sua história iniciativas nas áreas aeroespacial, de defesa e segurança, tanto por meio de apoio direto à iniciativa privada, com financiamentos e subvenções econômicas, como investimentos e aportes de recursos em programas de centros de pesquisa e tecnologia das três Forças Armadas, universidades e entidades ligadas ao Programa Espacial Brasileiro.
Em matéria aeronáutica, por exemplo, um dos projetos mais bem sucedidos e que contou com o apoio da agência foi a aeronave de treinamento EMB-312 Tucano, da Embraer, que obteve grande sucesso em exportações e também contribuiu de forma significativa para determinadas capacitações pela Embraer, hoje terceira maior fabricante de aeronaves no mundo.
No campo espacial, é também largamente reconhecida a atuação, tanto na cadeia industrial ou diretamente no projeto propriamente dito, da FINEP no programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), iniciado no final da década de 1980 e com cinco satélites de observação já contratados. Com a retomada nos últimos anos da indústria brasileira de defesa, o papel da FINEP como indutora do desenvolvimento de novas tecnologias foi fortalecido. No período de 2004 ao início de 2011, a agência destinou mais de R$1 bilhão apenas para a área de defesa, montante significativamente ampliado nos últimos anos.
Uma das empresas mais beneficiadas com o apoio da FINEP é a Mectron, de São José dos Campos (SP), hoje parte da Odebrecht Defesa e Tecnologia. Ao longo de sua história, recebeu contratos com a agência que, somados, superam mais de R$382 milhões, principalmente para projetos de mísseis. Apenas o míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, uma parceria binacional do Brasil e da África do Sul, registrou aportes de linhas do MCTI próximos de R$250 milhões.
No campo naval, projetos tecnológicos não tão conhecidos, mas significativos, também foram beneficiados pela FINEP. É o caso do Sistema de Detecção, Acompanhamento e Classificação de Contatos (SDAC), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) em conjunto com a Atech, cujo objetivo futuro é obter um sistema sonar passivo nacional; do Sistema de Aquisição de Dados Acústicos, Magnéticos, Pressão e Campo Elétrico (SAAMPE), para emprego em guerra de minas navais; e do Sistema Integrado de Navegação Inercial para Veículos Submarinos Autônomos (SINVSA).
Em segurança pública, nos últimos anos, a FINEP investiu mais de R$80 milhões em financiamentos, muito em vista da realização dos grandes eventos esportivos no Brasil, como a Copa do Mundo da FIFA, em 2014, e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016. Foram beneficiadas iniciativas como o sistema de comunicações do “Disque-Denúncia” no Rio de Janeiro (RJ), e pequenos robôs para a neutralização de explosivos. O robô, chamado DIANE, da Ares Aeroespacial, recebeu R$2,6 milhões. Outro campo apoiado foi o das análises forenses que, a cada dia, se tornam mais importantes para a rápida resolução de crimes. A FINEP financiou o Programa de Ciência e Tecnologia Aplicado à Segurança Pública, do Instituto Nacional de Criminalística (INC), de Brasília (DF), para apoio e fomento a projetos de P&D de novas tecnologias, inovação e capacitação em análises químicas, mineralogia, genética, geofísica, geoprocessamento e análise papiloscópica.
Inova Aerodefesa
Em maio de 2013, o Governo Federal, com efetiva participação da FINEP, deu um importante passo para estimular as atividades de P,D&I por meio do lançamento do edital de seleção pública do plano Inova Aerodefesa, que destinará R$ 2,9 bilhões para a inovação tecnológica nos setores aeroespacial, de aeronáutica, de defesa e de segurança pública. O plano é voltado para as indústrias e centros de pesquisas, e visa fortalecer setores estratégicos por meio de ações para estimular a parceria entre iniciativa privada e instituições, com descentralização de crédito e subvenção econômica para o investimento em programas de inovação tecnológica. Dos valores disponíveis, R$2,4 bilhões são de linhas da FINEP e, outros R$500 milhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O edital faz parte do Plano Inova Empresa, lançado em março último, e que prevê a articulação de diferentes ministérios e apoio por meio de crédito e financiamento, num total de R$ 32,9 bilhões a aplicar até 2014, destinados a empresas brasileiras de todos os portes que tenham projetos inovadores. O objetivo são os setores considerados prioritários como saúde, aeroespacial e defesa, energia, petróleo e gás, sustentabilidade socioambiental e tecnologia da informação.
O primeiro edital do Inova Aerodefesa elencou quatro linhas temáticas: (i) Aeroespacial – propulsão espacial (motores e veículos); a plataformas e satélites (de pequeno porte) e à indústria aeronáutica visando aeronaves mais eficientes; (ii) Defesa – sensores e/ou sensoriamento remoto (equipamentos e/ou componentes),sistemas e subsistemas de comando e controle; (iii) Segurança Pública – sistemas de identificação biométrica e a sistemas de informações (tais como o SIG-Sistemas de Informações Geográficas), e ainda diversos tipos de armas não letais; e (iv) Materiais Especiais – para aplicações diversas e na indústria de defesa (fibras e carbono e compósitos) incluindo ligas metálicas à base de aços.
Em julho, a FINEP divulgou o resultado preliminar das selecionadas para o programa, tendo sido habilitadas 69 empresas líderes, que incluem gigantes como a Embraer, General Electric, Helibras, e grandes construtoras como a Odebrecht e Andrade Gutierrez, e outras, de médio e pequeno portes. Somados todos os projetos apresentados, a demanda qualificada de recursos é de R$ 12,6 bilhões, valor bem acima dos R$2,9 bilhões disponibilizados. No final de agosto, foi realizado um workshop em São Paulo (SP) para reunir as empresas qualificadas, assim como parceiros e ICTs. Como é natural nessas iniciativas, nem todos os projetos pré-selecionados serão beneficiados neste primeiro edital, mas, a partir da criação do Inova Aerodefesa, espera-se o lançamento frequente de novos processos de seleção no futuro.
No início de setembro, outro meio de financiamento, conceitualmente mais capitalista, foi lançado pela FINEP, juntamente com o BNDES, a Agência de Fomento do Estado de São Paulo S/A, e a Embraer, por meio da aprovação de uma chamada pública para a seleção de uma gestora de um fundo de investimento em participações focado nos setores aeronáutico, aeroespacial, de defesa e de segurança. O fundo, que ainda será constituído, terá um capital comprometido inicial de R$130 milhões, sendo que a FINEP investirá R$40 milhões. Fará investimentos em empresas desses setores, na expectativa de que os investimentos se valorizem e sejam realizados por meio da venda das participações ou aberturas de capital, dentre outras formas de saída.
Com o Inova Aerodefesa e o fundo de investimento, o desenvolvimento tecnológico e a inovação de setores estratégicos como o aeroespacial e defesa, altamente demandantes de recursos, passarão a contar com mais opções de financiamento.
Alguns projetos apoiados pela FINEP
- Projeto VANT: desenvolvido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Centro Tecnológico do Exército (CTEx), Instituto de Pesquisas da Marinha (IpqM) e Avibras Aeroespacial.
- Projeto Guarani: mais de R$10 milhões para o desenvolvimento da Viatura Blindada de Transporte Pessoal Média de Rotas (VBTP-MR) Guarani, do Exército Brasileiro.
- Radares da família SABER: aporte de mais de R$40 milhões, oriundos de fundos setoriais, para o desenvolvimento dos radares de vigilância SABER M60 e M200, projeto do CTEx e da empresa Orbisat [Nota do blog: agora chamada Bradar], hoje parte do grupo Embraer Defesa e Segurança.
- Míssil A-Darter: recursos para o projeto do míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, iniciativa conjunta entre os governos do Brasil e África do Sul, que conta com a participação das empresas nacionais Mectron (Odebrecht), Avibrás Aeroespacial e Opto Eletrônica.
- Sistemas Inerciais: mais de R$ 40 milhões para o projeto Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial (SIA), iniciativa conjunta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do DCTA e de várias indústrias da região do Vale do Paraíba (SP) visando o domínio nacional em sistemas inerciais de navegação para foguetes e satélites. No âmbito do SIA, foi também construído o LABSIA - Laboratório de Sistemas Inerciais, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), inaugurado em julho deste ano. Ainda em matéria de sistemas inerciais, a empresa vinculada ao MCTI destinou cerca de R$3,3 milhões para o desenvolvimento e fabricação no País de uma mesa inercial, um equipamento composto por múltiplos eixos, utilizado para a realização de testes e calibração. O projeto está a cargo da Infax Tecnologia e Sistemas, pequena empresa com sede no Rio de Janeiro (RJ).
- Treinador T-Xc: subvenção econômica de aproximadamente R$10 milhões para o desenvolvimento do treinador primário T-Xc, da Novaer Craft, que pode vir a substituir os T-25 Universal operados pela Academia da Força Aérea em Pirassununga (SP).
- Ampliação do LIT/INPE: destinação de R$45 milhões para a ampliação da capacidade do Laboratório de Integração e Testes (LIT), do INPE, em São José dos Campos (SP), para integração, testes e ensaios de satélites de até 6 toneladas.
- PROANTAR: investimento não reembolsável de R$69 milhões para a aquisição do navio polar de pesquisa oceanográfica Almirante Maximiano, operado pela Marinha do Brasil.
- Supercomputador do CPTEC/INPE: o supercomputador Cray, batizado de Tupã, instalado no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), em Cachoeira Paulista (SP), em operação desde o final de 2010, recebeu R$35 milhões em recursos da FINEP. Nos últimos 20 anos, a FINEP destinou cerca de R$ 100 milhões em infraestrutura e projetos na área de meteorologia, especialmente nos dois centros de meteorologia e pesquisas climáticas do País, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o CPTEC/INPE.
Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 134, outubro de 2013.
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FINEP - Apoiando a inovação em setores estratégicos
André M. Mileski
Não é incomum encontrar em projetos nacionais de tecnologia militar o nome FINEP, ou então seu logotipo em protótipos ou cartazes de apresentação. De fato, esta sigla, de alguma forma, direta ou indiretamente, está presente em praticamente todos os setores considerados estratégicos pelo Brasil, como a agricultura, petróleo e gás, energia, telecomunicações, biotecnologia e, é claro, defesa e aeroespacial. Mas, afinal, o que vem a ser a FINEP, e qual é o seu papel?
Criada em 24 de julho de 1967, a FINEP - Agência Brasileira da Inovação é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a missão de”promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil por meio do fomento público à Ciência, Tecnologia e Inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas.”
A partir de 1969, com a instituição pelo Governo Federal do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), criado com o propósito de financiar a expansão do sistema de Ciência &Tecnologia, o papel da FINEP como indutora de atividades inovadoras ganhou enorme impulso. Tal função, associada ainda ao seu caráter de financiadora do desenvolvimento científico e tecnológico, ficou ainda mais evidenciada com a edição da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia & Inovação (ENCTI), análoga da Estratégia Nacional de Defesa em relação à Ciência & Tecnologia que, aliás, elenca dentre as áreas prioritárias o Complexo Industrial da Defesa, o Aeroespacial e o Nuclear.
Atualmente, a FINEP apoia todas as etapas e dimensões do ciclo que se estende da pesquisa básica à aplicada, além da melhoria e desenvolvimento de processos, produtos e serviços associados à inovação. Na esfera privada, sua atuação se dá por meio de programas de liberação de recurso reembolsáveis, na forma de empréstimos, não reembolsáveis (subvenções), e também investimentos indiretos, por meio de fundos de investimento, em empresas classificadas como inovadoras.
Junto ao apoio direto a essas iniciativas pela iniciativa privada, a FINEP ainda atua na destinação de recursos não reembolsáveis, oriundos de fundos setoriais, para o apoio a projetos de C,T&I apresentados por instituições científicas e tecnológicas (ICTs) nacionais. É nesse âmbito que a empresa administra o PROINFRA, para apoio a projetos de manutenção, atualização e modernização da infraestrutura de pesquisa de ICTs. Dezenas de universidades e centros de pesquisa brasileiros recebem recursos para a criação, ampliação e/ou modernização de laboratórios e infraestrutura para Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (P,D&I).
As linhas de financiamento da FINEP são abastecidas com recursos orçamentários, do MCTI, e também pelos Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia, criados a partir de 1999. Hoje, existem 17 desses fundos, sendo 14 para setores específicos, dentre eles o aeronáutico e o espacial. Os fundos setoriais são capitalizados por variadas fontes, como contribuições incidentes sobre o resultado da exploração de recursos naturais pertencentes à União, e parcelas de tributos incidentes em setores e atividades específicas.
Aeroespacial e de defesa
Com base em indicadores de intensidade de P,D&I, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, sigla em francês) classifica os setores produtivos em quatro grupos principais de intensidade tecnológica, sendo que o aeroespacial, ao lado dos farmacêutico, informática, eletrônica e comunicações figuram no topo dessa classificação, considerados de alta intensidade tecnológica.
Não é sem motivo, portanto, que a FINEP tem apoiado ao longo de sua história iniciativas nas áreas aeroespacial, de defesa e segurança, tanto por meio de apoio direto à iniciativa privada, com financiamentos e subvenções econômicas, como investimentos e aportes de recursos em programas de centros de pesquisa e tecnologia das três Forças Armadas, universidades e entidades ligadas ao Programa Espacial Brasileiro.
Em matéria aeronáutica, por exemplo, um dos projetos mais bem sucedidos e que contou com o apoio da agência foi a aeronave de treinamento EMB-312 Tucano, da Embraer, que obteve grande sucesso em exportações e também contribuiu de forma significativa para determinadas capacitações pela Embraer, hoje terceira maior fabricante de aeronaves no mundo.
No campo espacial, é também largamente reconhecida a atuação, tanto na cadeia industrial ou diretamente no projeto propriamente dito, da FINEP no programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), iniciado no final da década de 1980 e com cinco satélites de observação já contratados. Com a retomada nos últimos anos da indústria brasileira de defesa, o papel da FINEP como indutora do desenvolvimento de novas tecnologias foi fortalecido. No período de 2004 ao início de 2011, a agência destinou mais de R$1 bilhão apenas para a área de defesa, montante significativamente ampliado nos últimos anos.
Uma das empresas mais beneficiadas com o apoio da FINEP é a Mectron, de São José dos Campos (SP), hoje parte da Odebrecht Defesa e Tecnologia. Ao longo de sua história, recebeu contratos com a agência que, somados, superam mais de R$382 milhões, principalmente para projetos de mísseis. Apenas o míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, uma parceria binacional do Brasil e da África do Sul, registrou aportes de linhas do MCTI próximos de R$250 milhões.
No campo naval, projetos tecnológicos não tão conhecidos, mas significativos, também foram beneficiados pela FINEP. É o caso do Sistema de Detecção, Acompanhamento e Classificação de Contatos (SDAC), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) em conjunto com a Atech, cujo objetivo futuro é obter um sistema sonar passivo nacional; do Sistema de Aquisição de Dados Acústicos, Magnéticos, Pressão e Campo Elétrico (SAAMPE), para emprego em guerra de minas navais; e do Sistema Integrado de Navegação Inercial para Veículos Submarinos Autônomos (SINVSA).
Em segurança pública, nos últimos anos, a FINEP investiu mais de R$80 milhões em financiamentos, muito em vista da realização dos grandes eventos esportivos no Brasil, como a Copa do Mundo da FIFA, em 2014, e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016. Foram beneficiadas iniciativas como o sistema de comunicações do “Disque-Denúncia” no Rio de Janeiro (RJ), e pequenos robôs para a neutralização de explosivos. O robô, chamado DIANE, da Ares Aeroespacial, recebeu R$2,6 milhões. Outro campo apoiado foi o das análises forenses que, a cada dia, se tornam mais importantes para a rápida resolução de crimes. A FINEP financiou o Programa de Ciência e Tecnologia Aplicado à Segurança Pública, do Instituto Nacional de Criminalística (INC), de Brasília (DF), para apoio e fomento a projetos de P&D de novas tecnologias, inovação e capacitação em análises químicas, mineralogia, genética, geofísica, geoprocessamento e análise papiloscópica.
Inova Aerodefesa
Em maio de 2013, o Governo Federal, com efetiva participação da FINEP, deu um importante passo para estimular as atividades de P,D&I por meio do lançamento do edital de seleção pública do plano Inova Aerodefesa, que destinará R$ 2,9 bilhões para a inovação tecnológica nos setores aeroespacial, de aeronáutica, de defesa e de segurança pública. O plano é voltado para as indústrias e centros de pesquisas, e visa fortalecer setores estratégicos por meio de ações para estimular a parceria entre iniciativa privada e instituições, com descentralização de crédito e subvenção econômica para o investimento em programas de inovação tecnológica. Dos valores disponíveis, R$2,4 bilhões são de linhas da FINEP e, outros R$500 milhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O edital faz parte do Plano Inova Empresa, lançado em março último, e que prevê a articulação de diferentes ministérios e apoio por meio de crédito e financiamento, num total de R$ 32,9 bilhões a aplicar até 2014, destinados a empresas brasileiras de todos os portes que tenham projetos inovadores. O objetivo são os setores considerados prioritários como saúde, aeroespacial e defesa, energia, petróleo e gás, sustentabilidade socioambiental e tecnologia da informação.
O primeiro edital do Inova Aerodefesa elencou quatro linhas temáticas: (i) Aeroespacial – propulsão espacial (motores e veículos); a plataformas e satélites (de pequeno porte) e à indústria aeronáutica visando aeronaves mais eficientes; (ii) Defesa – sensores e/ou sensoriamento remoto (equipamentos e/ou componentes),sistemas e subsistemas de comando e controle; (iii) Segurança Pública – sistemas de identificação biométrica e a sistemas de informações (tais como o SIG-Sistemas de Informações Geográficas), e ainda diversos tipos de armas não letais; e (iv) Materiais Especiais – para aplicações diversas e na indústria de defesa (fibras e carbono e compósitos) incluindo ligas metálicas à base de aços.
Em julho, a FINEP divulgou o resultado preliminar das selecionadas para o programa, tendo sido habilitadas 69 empresas líderes, que incluem gigantes como a Embraer, General Electric, Helibras, e grandes construtoras como a Odebrecht e Andrade Gutierrez, e outras, de médio e pequeno portes. Somados todos os projetos apresentados, a demanda qualificada de recursos é de R$ 12,6 bilhões, valor bem acima dos R$2,9 bilhões disponibilizados. No final de agosto, foi realizado um workshop em São Paulo (SP) para reunir as empresas qualificadas, assim como parceiros e ICTs. Como é natural nessas iniciativas, nem todos os projetos pré-selecionados serão beneficiados neste primeiro edital, mas, a partir da criação do Inova Aerodefesa, espera-se o lançamento frequente de novos processos de seleção no futuro.
No início de setembro, outro meio de financiamento, conceitualmente mais capitalista, foi lançado pela FINEP, juntamente com o BNDES, a Agência de Fomento do Estado de São Paulo S/A, e a Embraer, por meio da aprovação de uma chamada pública para a seleção de uma gestora de um fundo de investimento em participações focado nos setores aeronáutico, aeroespacial, de defesa e de segurança. O fundo, que ainda será constituído, terá um capital comprometido inicial de R$130 milhões, sendo que a FINEP investirá R$40 milhões. Fará investimentos em empresas desses setores, na expectativa de que os investimentos se valorizem e sejam realizados por meio da venda das participações ou aberturas de capital, dentre outras formas de saída.
Com o Inova Aerodefesa e o fundo de investimento, o desenvolvimento tecnológico e a inovação de setores estratégicos como o aeroespacial e defesa, altamente demandantes de recursos, passarão a contar com mais opções de financiamento.
Alguns projetos apoiados pela FINEP
- Projeto VANT: desenvolvido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Centro Tecnológico do Exército (CTEx), Instituto de Pesquisas da Marinha (IpqM) e Avibras Aeroespacial.
- Projeto Guarani: mais de R$10 milhões para o desenvolvimento da Viatura Blindada de Transporte Pessoal Média de Rotas (VBTP-MR) Guarani, do Exército Brasileiro.
- Radares da família SABER: aporte de mais de R$40 milhões, oriundos de fundos setoriais, para o desenvolvimento dos radares de vigilância SABER M60 e M200, projeto do CTEx e da empresa Orbisat [Nota do blog: agora chamada Bradar], hoje parte do grupo Embraer Defesa e Segurança.
- Míssil A-Darter: recursos para o projeto do míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, iniciativa conjunta entre os governos do Brasil e África do Sul, que conta com a participação das empresas nacionais Mectron (Odebrecht), Avibrás Aeroespacial e Opto Eletrônica.
- Sistemas Inerciais: mais de R$ 40 milhões para o projeto Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial (SIA), iniciativa conjunta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do DCTA e de várias indústrias da região do Vale do Paraíba (SP) visando o domínio nacional em sistemas inerciais de navegação para foguetes e satélites. No âmbito do SIA, foi também construído o LABSIA - Laboratório de Sistemas Inerciais, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), inaugurado em julho deste ano. Ainda em matéria de sistemas inerciais, a empresa vinculada ao MCTI destinou cerca de R$3,3 milhões para o desenvolvimento e fabricação no País de uma mesa inercial, um equipamento composto por múltiplos eixos, utilizado para a realização de testes e calibração. O projeto está a cargo da Infax Tecnologia e Sistemas, pequena empresa com sede no Rio de Janeiro (RJ).
- Treinador T-Xc: subvenção econômica de aproximadamente R$10 milhões para o desenvolvimento do treinador primário T-Xc, da Novaer Craft, que pode vir a substituir os T-25 Universal operados pela Academia da Força Aérea em Pirassununga (SP).
- Ampliação do LIT/INPE: destinação de R$45 milhões para a ampliação da capacidade do Laboratório de Integração e Testes (LIT), do INPE, em São José dos Campos (SP), para integração, testes e ensaios de satélites de até 6 toneladas.
- PROANTAR: investimento não reembolsável de R$69 milhões para a aquisição do navio polar de pesquisa oceanográfica Almirante Maximiano, operado pela Marinha do Brasil.
- Supercomputador do CPTEC/INPE: o supercomputador Cray, batizado de Tupã, instalado no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), em Cachoeira Paulista (SP), em operação desde o final de 2010, recebeu R$35 milhões em recursos da FINEP. Nos últimos 20 anos, a FINEP destinou cerca de R$ 100 milhões em infraestrutura e projetos na área de meteorologia, especialmente nos dois centros de meteorologia e pesquisas climáticas do País, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o CPTEC/INPE.
Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 134, outubro de 2013.
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sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Workshop Brasil - Japão sobre microssatélites
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O Laboratório de Aplicação e Inovação em Ciências Aeroespaciais (LAICA) da Universidade de Brasília (UnB), em cooperação com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Universidade de Tóquio, realizará o primeiro Workshop Brasil-Japão sobre desenvolvimento e aplicações de microssatélites: atividades da UTokyo, UnB, e projeto UNIFORM.
O evento reunirá especialistas brasileiros e japoneses com o intuito principal de divulgar as atividades desenvolvidas nestes países na área de Engenharia Aeroespacial. Os palestrantes apresentarão projetos recentes em micro/nano/pico satélites desenvolvidos no Japão e na UnB, discutindo aplicações práticas, possibilidades para cooperação, e ainda entrevistando possíveis candidatos para trabalhar no Japão nos satélites UNIFORM-2 e UNIFORM-3.
Este workshop é uma atividade dentro do contexto do memorando de entendimentos assinado entre o Instituto de Educação sobre o Espaço do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Conjunto da Universidade de Wakayama e a Fundação Universidade de Brasília. O objetivo deste memorando é contribuir mutuamente para a pesquisa na prevenção de desastres e para compartilhar recursos humanos necessários à capacitação por meio do projeto UNIFORM.
O workshop será dia 14 de novembro de 2013, no auditório da Agência Espacial Brasileira, das 13h às 20h.
Os objetivos deste evento são:
- Discutir questões relevantes ao desenvolvimento de microssatélites, tais como infraestruturas de testes e integração, cooperação no segmento solo e segmento espacial;
- Intercâmbio de conhecimento sobre o emprego de tecnologia aeroespacial na prevenção de desastres naturais (incêndios florestais e inundações), monitoramento do território nacional, dentre outros;
- Discutir estratégias de pesquisa, desenvolvimento e teste de conceitos em ciências aeroespaciais no âmbito das instituições de ensino superior;
- Discutir questões relevantes à implementação de intercâmbio de pessoal no contexto do projeto UNIFORM;
- Entrevistar possíveis candidatos para intercâmbio no Japão com o intuito de trabalharem na construção dos microssatélites UNIFORM-2 e UNIFORM-3.
A participação é gratuita. Contudo, solicita-se preenchimento da ficha de inscrição no site do evento http://aerospace.unb.br/brjp2013/
A programação, e outras informações podem ser vistas no site http://aerospace.unb.br/brjp2013/
Maiores informações pode ser solicitadas diretamente à comissão organizadora pelo email brjp2013@aerospace.unb.br
Nota do blog: conforme informado em postagem do início de outubro, nos dias 11 e 12 de novembro, um evento similar acontecerá na capital paulista, na Universidade de São Paulo (USP).
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O Laboratório de Aplicação e Inovação em Ciências Aeroespaciais (LAICA) da Universidade de Brasília (UnB), em cooperação com a Agência Espacial Brasileira (AEB) e a Universidade de Tóquio, realizará o primeiro Workshop Brasil-Japão sobre desenvolvimento e aplicações de microssatélites: atividades da UTokyo, UnB, e projeto UNIFORM.
O evento reunirá especialistas brasileiros e japoneses com o intuito principal de divulgar as atividades desenvolvidas nestes países na área de Engenharia Aeroespacial. Os palestrantes apresentarão projetos recentes em micro/nano/pico satélites desenvolvidos no Japão e na UnB, discutindo aplicações práticas, possibilidades para cooperação, e ainda entrevistando possíveis candidatos para trabalhar no Japão nos satélites UNIFORM-2 e UNIFORM-3.
Este workshop é uma atividade dentro do contexto do memorando de entendimentos assinado entre o Instituto de Educação sobre o Espaço do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Conjunto da Universidade de Wakayama e a Fundação Universidade de Brasília. O objetivo deste memorando é contribuir mutuamente para a pesquisa na prevenção de desastres e para compartilhar recursos humanos necessários à capacitação por meio do projeto UNIFORM.
O workshop será dia 14 de novembro de 2013, no auditório da Agência Espacial Brasileira, das 13h às 20h.
Os objetivos deste evento são:
- Discutir questões relevantes ao desenvolvimento de microssatélites, tais como infraestruturas de testes e integração, cooperação no segmento solo e segmento espacial;
- Intercâmbio de conhecimento sobre o emprego de tecnologia aeroespacial na prevenção de desastres naturais (incêndios florestais e inundações), monitoramento do território nacional, dentre outros;
- Discutir estratégias de pesquisa, desenvolvimento e teste de conceitos em ciências aeroespaciais no âmbito das instituições de ensino superior;
- Discutir questões relevantes à implementação de intercâmbio de pessoal no contexto do projeto UNIFORM;
- Entrevistar possíveis candidatos para intercâmbio no Japão com o intuito de trabalharem na construção dos microssatélites UNIFORM-2 e UNIFORM-3.
A participação é gratuita. Contudo, solicita-se preenchimento da ficha de inscrição no site do evento http://aerospace.unb.br/brjp2013/
A programação, e outras informações podem ser vistas no site http://aerospace.unb.br/brjp2013/
Maiores informações pode ser solicitadas diretamente à comissão organizadora pelo email brjp2013@aerospace.unb.br
Nota do blog: conforme informado em postagem do início de outubro, nos dias 11 e 12 de novembro, um evento similar acontecerá na capital paulista, na Universidade de São Paulo (USP).
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quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Aliança latino-americana de agências espaciais...
AEB propõe uma aliança latino-americana de agências espaciais
Brasília 06 de Outubro de 2013 - A Agência Espacial Brasileira (AEB) propôs à semana passada em Bogotá, na Colômbia, a criação de uma Aliança Latino-Americana de Agências Espaciais (Alas) – alas significa asas em espanhol.
A proposta foi apresentada pelo chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, José Monserrat Filho, que esteve naquele país para participar da reunião preparatória das agências e comissões espaciais da América Latina, na Universidade Sergio Arboleda, e do Seminário Internacional sobre Direito Espacial e Soberania, promovido pela Comissão Colombiana do Espaço, ligada à vice-presidência da República e à Força Aérea da Colômbia.
Participaram ainda do seminário representantes da Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, México, Paraguai e Peru e como convidado especial o secretário geral da Academia Internacional de Astronáutica, Jean-Michel Contant. Pelo Brasil, além de Monserrat compareceram o secretário da Embaixada do Brasil em Bogotá, Guillermo Alexander Rivera, e o coronel Jorge Vagner Vital, coordenador Técnico-Operacional da Comissão de Coordenação de Implantação de Sistemas Espaciais (Ccise), do Comando da Aeronáutica do Brasil.
Tanto na reunião preparatória quanto no seminário a proposta brasileira teve boa receptividade, passando a ser discutida informalmente nas conversas sobre cooperação e parcerias.
A AEB também sugeriu que a Aliança inicie suas atividades procurando por em prática, pelo menos, dois programas: o de cooperação entre as universidades latino-americanas para a produção de pequenos satélites econômicos, eficientes e úteis com a missão de prestar serviços aos países da região; e de montagem de um sistema regional de acesso, distribuição e utilização de dados e imagens de satélite, necessários para os planos de desenvolvimento social e econômico de cada país.
A Alas está pensada para ser um fórum dirigido a propiciar e estimular a realização de programas e projetos colaborativos capazes de atender às necessidades e demandas dos países da região. A entidade funcionará inicialmente por meio de contatos virtuais e videoconferências. A intenção é utilizar ao máximo os recursos humanos e tecnológicos já existentes.
Para Monserrat, a Aliança certamente terá um longo caminho a percorrer para alcançar os resultados positivos que todos almejamos, “mas os primeiros passos, bem focados e concretos, devem ser dados com a máxima pressa possível”.
A reunião preparatória das agências e comissões espaciais da América Latina teve como foco prepara a Cúpula dos Presidentes de Agências Espaciais do mundo, a se realizar em Washington, nos Estados Unidos, em 9 de janeiro próximo.
Fonte: AEB
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quarta-feira, 6 de novembro de 2013
COSBAN: resultados no campo espacial
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Aconteceu hoje (6) em Cantão, na China, a Terceira Sessão Plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), que dentre vários temas, tratou da cooperação entre o Brasil e a China no campo espacial, iniciada há mais de quinze anos com o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS).
Abaixo, reproduzimos o trecho da ata da reunião referente às atividades espaciais conjuntas:
"xi. Sobre Cooperação Espacial
73. Ambos os lados concordaram em lançar o CBERS-3 no início de dezembro de 2013, e o CBERS-4 em 2015.
74. Ambos os lados concordaram em realizar o processo de montagem, integração e teste (AIT) do CBERS-4 no Brasil.
Ambos os lados concordaram em lançar o CBERS-4 a bordo de um veículo Longa Marcha 4B e assinar o contrato de serviços de lançamento do CBERS-4 até o final de 2013.
75. Ambos os lados concordaram em assinar o Plano Decenal Sino-Brasileiro de Cooperação Espacial 2013-2022 entre a Agência Espacial Brasileira e a China National Space Administration, e decididamente implementar as ações para desenvolver os programas do Plano.
76. Ambos os lados concordaram em promover a recepção de dados dos satélites CBERS em outros países, em conjunto melhorar suas aplicações, e aprofundar os estudos quanto às políticas de cooperação em dados de satélites."
É interessante observar o acerto entre os dois países para o lançamento do CBERS 4 em 2015. Há anos que se mencionava a possibilidade do CBERS 4 voar a bordo do lançador ucraniano Cyclone 4, a ser operado pela binacional Alcântara Cyclone Space (ACS) a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, informação esta, aliás, que chegou a constar em atas públicas e também em declarações de dirigentes do Programa Espacial Brasileiro. Aparentemente, ainda que não haja publicidade deste posicionamento, há dentro do governo certa descrença quanto à ACS e sua capacidade de realizar sua primeira missão até o final de 2015.
Continuidade do CBERS e projetos em meteorologia
No final da tarde de hoje (6), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) divulgou uma nota com mais detalhes sobre os avanços na cooperação em ciência e tecnologia. “Estamos indo muito bem com os chineses”, afirmou o ministro Marco Antonio Raupp.
No campo espacial, o texto do MCTI faz referências ao plano decenal de trabalho conjunto, que prevê a continuidade do programa CBERS e também a abertura de novas frentes, como o desenvolvimento de um satélite geoestacionário meteorológico, a criação de um laboratório conjunto de meteorologia, além do intercâmbio de pessoal e a abertura de um centro de tecnologia no Brasil.
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Aconteceu hoje (6) em Cantão, na China, a Terceira Sessão Plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), que dentre vários temas, tratou da cooperação entre o Brasil e a China no campo espacial, iniciada há mais de quinze anos com o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS).
Abaixo, reproduzimos o trecho da ata da reunião referente às atividades espaciais conjuntas:
"xi. Sobre Cooperação Espacial
73. Ambos os lados concordaram em lançar o CBERS-3 no início de dezembro de 2013, e o CBERS-4 em 2015.
74. Ambos os lados concordaram em realizar o processo de montagem, integração e teste (AIT) do CBERS-4 no Brasil.
Ambos os lados concordaram em lançar o CBERS-4 a bordo de um veículo Longa Marcha 4B e assinar o contrato de serviços de lançamento do CBERS-4 até o final de 2013.
75. Ambos os lados concordaram em assinar o Plano Decenal Sino-Brasileiro de Cooperação Espacial 2013-2022 entre a Agência Espacial Brasileira e a China National Space Administration, e decididamente implementar as ações para desenvolver os programas do Plano.
76. Ambos os lados concordaram em promover a recepção de dados dos satélites CBERS em outros países, em conjunto melhorar suas aplicações, e aprofundar os estudos quanto às políticas de cooperação em dados de satélites."
É interessante observar o acerto entre os dois países para o lançamento do CBERS 4 em 2015. Há anos que se mencionava a possibilidade do CBERS 4 voar a bordo do lançador ucraniano Cyclone 4, a ser operado pela binacional Alcântara Cyclone Space (ACS) a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, informação esta, aliás, que chegou a constar em atas públicas e também em declarações de dirigentes do Programa Espacial Brasileiro. Aparentemente, ainda que não haja publicidade deste posicionamento, há dentro do governo certa descrença quanto à ACS e sua capacidade de realizar sua primeira missão até o final de 2015.
Continuidade do CBERS e projetos em meteorologia
No final da tarde de hoje (6), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) divulgou uma nota com mais detalhes sobre os avanços na cooperação em ciência e tecnologia. “Estamos indo muito bem com os chineses”, afirmou o ministro Marco Antonio Raupp.
No campo espacial, o texto do MCTI faz referências ao plano decenal de trabalho conjunto, que prevê a continuidade do programa CBERS e também a abertura de novas frentes, como o desenvolvimento de um satélite geoestacionário meteorológico, a criação de um laboratório conjunto de meteorologia, além do intercâmbio de pessoal e a abertura de um centro de tecnologia no Brasil.
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Cooperação Brasil - Índia
INPE acompanha missão indiana a Marte
Terça-feira, 05 de Novembro de 2013
As estações de rastreio e controle de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), localizadas em Cuiabá (MT) e Alcântara (MA), têm importância fundamental na primeira missão a Marte promovida pela Índia (Mars Orbiter Mission – MOM).
O lançamento do Mangalyaan (veículo de Marte) foi realizado com sucesso nesta terça-feira (5/11) e, pelos próximos 30 dias, o satélite indiano será acompanhado pelos equipamentos do INPE que integram uma rede internacional de estações de rastreio e controle.
“Nosso papel nesta missão é muito importante porque as duas estações, por suas posições geográficas, são as primeiras da rede internacional a receber os sinais da MOM depois de sua separação no último estágio do veículo lançador, fato que determinou uma atenção especial da Indian Space Organization (ISRO)”, explica Pawel Rozenfeld, chefe do Centro de Rastreio e Controle do INPE.
O Centro de Rastreio e Controle (CRC), que realiza a operação em órbita dos satélites desenvolvidos pelo próprio INPE ou em cooperação com instituições estrangeiras, também está capacitado a dar suporte a missões espaciais de terceiros. Mais informações sobre o CRC na página www.inpe.br/crc.
Fonte: INPE
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terça-feira, 5 de novembro de 2013
Notícias do SGDC
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04/11/2013 - 21h45 Comissões - Infraestrutura - Atualizado em 04/11/2013 - 21h48
Satélite brasileiro é soberania tecnológica, dizem especialistas
Da Redação
O programa brasileiro de Satélite Geostacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) foi avaliado como promissor na reunião da Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) desta segunda-feira dentro do ciclo de debates sobre o tema “Investimento e gestão: desatando o nó logístico do país”.
Para os especialistas consultados, o satélite - que deverá ser levado à órbita terrestre em 2016 - ampliará a cobertura das redes de dados brasileiras, alcançando municípios que atualmente têm dificuldade para acesso à telefonia e à internet, e dificultará a interceptação de dados estratégicos, além de proporcionar demanda por tecnologia desenvolvida no país.
Artur Coimbra, diretor do Departamento de Banda Larga do Ministério das Comunicações, tratou da contribuição do futuro satélite para a massificação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), especialmente em áreas distantes que não estão cobertas pela rede de dados convencional e dependem de conexão direta com satélites particulares - um serviço que, conforme frisou, é caro e lento no Brasil.
Coimbra espera que o projeto aumente a segurança e a soberania da transmissão de dados no Brasil e aumente a capacidade do país no desenvolvimento de satélites.
- O primeiro satélite permitirá que o Brasil adquira uma capacidade muito boa de desenvolvimento - afirmou, avaliando que no quarto satélite da série prevista seja possível usar somente componentes brasileiros.
Caio Cezar Bonilha Rodrigues, presidente da Telebras, também lembrou a prioridade no programa de absorção e transferência de tecnologia. Ele criticou as operadoras dos satélites comerciais, que, segundo ele, apontam com mais ênfase para áreas de maior demanda e não cobrem adequadamente áreas como a Amazônia. Ao ressaltar o papel da estatal - que não fornece acesso a consumidores finais - no incentivo aos pequenos provedores e na redução do preço do acesso no atacado, condenou o "monopólio" das operadoras de telefonia que exploram serviços de internet.
- Quando chegamos a uma determinada cidade, a demanda dobra - disse.
O capitão-de-mar-e-guerra Fabio Martins Raymundo da Silva, chefe da Seção de Comando e Controle da Chefia do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Ministério da Defesa, alertou que a capacidade satelital da Banda X - usada desde os anos 90, especialmente em operações conjuntas das Forças Armadas - está "chegando ao limite".
Entre as vantagens do satélite brasileiro, ele citou a cobertura de toda a América do Sul, podendo ainda alcançar operações como aquelas desenvolvidas pelo país na Antártida e no Haiti, e a arquitetura de rede de voz e dados totalmente segregada.
Fabio Martins Raymundo da Silva ainda minimizou a possibilidade de violação de dados, frisando que o satélite virá com defesa contra tentativa de interferência na frequência de transmissão - caso detectada, a comunicação poderá ser realizada por meio alternativo - e que todas as comunicações estrategicamente sensíveis são criptografadas usando-se protocolos sob o domínio de técnicos brasileiros.
Fonte: Agência Senado
Nota do blog: uma reportagem da Agência Estado publicada na noite desta segunda-feira citando o presidente da Telebras, Caio Bonilha, afirma que o contrato para a fabricação do satélite, a cargo da franco-italiana Thales Alenia Space, deve ser assinado ainda este mês. Embora a informação não tenha sido citada, imagina-se que também este mês deve ser assinado o contrato de prestação de serviços entre a Visiona e a Telebrás.
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04/11/2013 - 21h45 Comissões - Infraestrutura - Atualizado em 04/11/2013 - 21h48
Satélite brasileiro é soberania tecnológica, dizem especialistas
Da Redação
O programa brasileiro de Satélite Geostacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) foi avaliado como promissor na reunião da Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) desta segunda-feira dentro do ciclo de debates sobre o tema “Investimento e gestão: desatando o nó logístico do país”.
Para os especialistas consultados, o satélite - que deverá ser levado à órbita terrestre em 2016 - ampliará a cobertura das redes de dados brasileiras, alcançando municípios que atualmente têm dificuldade para acesso à telefonia e à internet, e dificultará a interceptação de dados estratégicos, além de proporcionar demanda por tecnologia desenvolvida no país.
Artur Coimbra, diretor do Departamento de Banda Larga do Ministério das Comunicações, tratou da contribuição do futuro satélite para a massificação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), especialmente em áreas distantes que não estão cobertas pela rede de dados convencional e dependem de conexão direta com satélites particulares - um serviço que, conforme frisou, é caro e lento no Brasil.
Coimbra espera que o projeto aumente a segurança e a soberania da transmissão de dados no Brasil e aumente a capacidade do país no desenvolvimento de satélites.
- O primeiro satélite permitirá que o Brasil adquira uma capacidade muito boa de desenvolvimento - afirmou, avaliando que no quarto satélite da série prevista seja possível usar somente componentes brasileiros.
Caio Cezar Bonilha Rodrigues, presidente da Telebras, também lembrou a prioridade no programa de absorção e transferência de tecnologia. Ele criticou as operadoras dos satélites comerciais, que, segundo ele, apontam com mais ênfase para áreas de maior demanda e não cobrem adequadamente áreas como a Amazônia. Ao ressaltar o papel da estatal - que não fornece acesso a consumidores finais - no incentivo aos pequenos provedores e na redução do preço do acesso no atacado, condenou o "monopólio" das operadoras de telefonia que exploram serviços de internet.
- Quando chegamos a uma determinada cidade, a demanda dobra - disse.
O capitão-de-mar-e-guerra Fabio Martins Raymundo da Silva, chefe da Seção de Comando e Controle da Chefia do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas do Ministério da Defesa, alertou que a capacidade satelital da Banda X - usada desde os anos 90, especialmente em operações conjuntas das Forças Armadas - está "chegando ao limite".
Entre as vantagens do satélite brasileiro, ele citou a cobertura de toda a América do Sul, podendo ainda alcançar operações como aquelas desenvolvidas pelo país na Antártida e no Haiti, e a arquitetura de rede de voz e dados totalmente segregada.
Fabio Martins Raymundo da Silva ainda minimizou a possibilidade de violação de dados, frisando que o satélite virá com defesa contra tentativa de interferência na frequência de transmissão - caso detectada, a comunicação poderá ser realizada por meio alternativo - e que todas as comunicações estrategicamente sensíveis são criptografadas usando-se protocolos sob o domínio de técnicos brasileiros.
Fonte: Agência Senado
Nota do blog: uma reportagem da Agência Estado publicada na noite desta segunda-feira citando o presidente da Telebras, Caio Bonilha, afirma que o contrato para a fabricação do satélite, a cargo da franco-italiana Thales Alenia Space, deve ser assinado ainda este mês. Embora a informação não tenha sido citada, imagina-se que também este mês deve ser assinado o contrato de prestação de serviços entre a Visiona e a Telebrás.
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Cooperação Brasil - China: satélite meteorológico?
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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação divulgou nesta segunda-feira (4) uma notícia acerca da visita do ministro Marco Antonio Raupp para participar da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), que se reunirá na próxima quarta-feira, em Cantão. O presidente da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Coelho, acompanha o ministro na viagem.
Conforme já havíamos informado numa das notas da entrevista com Leonel Perondi, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), na reunião da COSBAN deverá ser assinado um novo plano decenal, válido de 2013 a 2021, em matéria espacial. A novidade é que os dois países irão além do programa CBERS, de observação terrestre, e devem se comprometer a construir satélites meteorológicos. Informações mais detalhadas devem ser divulgadas ao longo da semana.
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O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação divulgou nesta segunda-feira (4) uma notícia acerca da visita do ministro Marco Antonio Raupp para participar da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), que se reunirá na próxima quarta-feira, em Cantão. O presidente da Agência Espacial Brasileira, José Raimundo Coelho, acompanha o ministro na viagem.
Conforme já havíamos informado numa das notas da entrevista com Leonel Perondi, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), na reunião da COSBAN deverá ser assinado um novo plano decenal, válido de 2013 a 2021, em matéria espacial. A novidade é que os dois países irão além do programa CBERS, de observação terrestre, e devem se comprometer a construir satélites meteorológicos. Informações mais detalhadas devem ser divulgadas ao longo da semana.
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segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Entrevistas: Leonel Perondi, diretor do INPE
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Conforme revelado na última quinta-feira, damos início hoje à série "Entrevistas". O primeiro entrevistado foi Leonel Fernando Perondi, que desde maio de 2012 é diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), principal instituição executora dos programas de satélites nacionais.
A conversa foi centrada nos programas do Instituto no segmento espacial, isto é, satélites. Apresentamos a seguir os principais trechos. No final da entrevista, incluímos pequenos comentários elaborados pelo blog Panorama Espacial, identificados ao longo do texto (entre colchetes e destacados em itálico e grifados) analisando e dando algumas informações adicionais sobre os tópicos abordados.
CBERS e política industrial
A entrevista, realizada por telefone, começou abordando o principal projeto de satélite desenvolvido pelo INPE: o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS). Perondi destacou a entrada do programa em sua segunda fase, com a expectativa para o lançamento do primeiro satélite da segunda geração, o CBERS 3, no próximo mês de dezembro. O CBERS 4 deverá ser lançado dois anos depois. Mencionou ainda o fato do satélite contar com quatro sensores óticos e também com um transpônder de coleta de dados, que reforçará o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCD). Deu também ênfase ao seu caráter industrial, enfatizando o fato de que os dois modelos foram contratados junto à indústria nacional, gerando ao todo cerca de R$370 milhões em contratos. "É essencialmente um programa de política industrial", destacou.
Questionado sobre a continuidade do programa, o diretor afirmou que existem discussões visando uma nova geração, e que esta é a posição do INPE, na qualidade de executor da missão. "Mas, tem que ter sempre o elemento de inovação". Em sua opinião, o CBERS trouxe visibilidade internacional, mas é preciso ir além. "[Hoje], são satélites de rotina para a China, e esta é a nossa ideia também".
Perondi entende que as próximas unidades, em caso de continuidade, podem ser inteiramente contratadas junto à indústria nacional, atendendo as necessidades nacionais em sensoriamento remoto e funcionando como um instrumento de política industrial. Desde 2005, existem propostas do lado chinês para uma extensão da cooperação espacial [Nota 1].
Amazônia-1
Após o CBERS, a pergunta natural foi sobre o projeto do satélite de observação Amazônia-1, baseado na Plataforma Multimissão (PMM). Perondi respondeu dando um panorama sobre a PMM e a sua primeira missão, ressaltando que o projeto da plataforma foi contratado na indústria em 2001 sem uma linha de base, com uma amplitude grande para aplicações multimissão. "São quase doze anos de desenvolvimento do projeto." "Nenhum subsistema tem herança de voo, o que é um desafio grande", disse.
O Amazônia-1, especificamente, está em revisão e pode ser lançado em dois anos, informou, revelando ainda que a forma de contratação gerou certas dificuldades de relacionamento com a indústria, algo que está em discussão no âmbito de direito administrativo. "O INPE está mobilizado em definir o cronograma de satélites."
Cubesats e nanossatélites
Perguntamos ao diretor do INPE sobre alguns projetos de cubesats e nanossatélites que têm sido desenvolvidos pelo Instituto. De acordo com ele, são missões ainda experimentais e em escala reduzida, envolvendo as unidades do Centro Regional do Nordeste (Conasat) e Centro Regional Sul (NanosatC-BR), com forte objetivo de aprendizagem. "Estamos aguardando os resultados, e temos que ver o lado de aplicações também", afirmou.
Satélites radar, meteorológico e Lattes
Perondi enfatizou que a prioridade do INPE é o CBERS e, em seguida, o Amazônia-1 (PMM). Mas, há também outros projetos e possibilidades no âmbito espacial. Um deles é o satélite radar, no passado, quando planejado em parceria com a Alemanha, denominado MAPSAR.
Em discussão desde 2003 e constante no Programa Espacial desde o PNAE 2005-2014, o diretor afirmou que o satélite radar teve como alternativa considerada apenas uma configuração com antena refletora, e não planar, dando indicativo de que sua configuração está sendo discutida. "A demanda para estas imagens continua existindo, e uma parceria internacional é possível".
Sobre uma missão meteorológica, afirmou que esta já consta do PNAE desde 2004 (período 2005-2014), e que é uma necessidade do País. "[Esta] já deveria estar no horizonte nos próximos dez anos". Há certa expectativa sobre o arranjo para a sua viabilização.
Em relação ao satélite Lattes, de aplicações científicas, Perondi revelou que deve ser repensada. "A missão é extremamente desafiadora em razão da integração da plataforma e das cargas úteis." Existe a possibilidade de que o Lattes, surgido a partir da "fusão" dos projetos de microssatélites EQUARS e MIRAX, venha a ser dividida em duas plataformas menores. Esta estratégia, aliás, estaria alinhada à ideia do INPE de retomar as missões de pequenas plataformas, que poderiam ainda incluir missões com transpônderes para atender o SBCD.
SGDC
A respeito da participação e/ou ganhos esperados pelo INPE com o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), Perondi foi sucinto, citando que o satélite atenderá demandas nacionais imediatas (banda larga e comunicações militares), e que o Instituto pode se beneficiar no futuro por meio do Laboratório de Integração e Testes (citou o caso de alguns satélites da série Brasilsat, que tiveram módulos testados no laboratório), e com oportunidades para a formação de pessoal no exterior.
Perspectivas de novos contratos para a indústria?
A entrevista foi encerrada com uma questão sobre a perspectiva de novos contratos em curto ou médio prazos para a indústria espacial brasileira, uma vez que os satélites CBERS e o Amazônia-1 já estão praticamente 100% contratados. O dirigente ressaltou que o papel do INPE é de executor e não de planejador do Programa Espacial, mas que o Instituto "olha com preocupação o futuro", respondendo ao comentário do entrevistador sobre a situação da indústria na atualidade [Nota 2].
O dirigente mencionou que nos últimos dez anos, o Instituto contratou mais de R$500 milhões com a indústria e que existem expectativas e novos contratos, sem, no entanto, indicar datas. Citou, como exemplo, o satélite em cooperação com a Argentina (SABIA-MAR), e também missões para coletas de dados [Nota 3].
Notas do blog:
Nota 1: entre os dias 4 e 9 de novembro, acontecerá na China a III Reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), mecanismo de diálogo político de mais alto nível entre Brasil e China. Sua estrutura inclui onze subcomissões, inclusive uma espacial. A expectativa é que no encontro, cujo lado brasileiro será chefiado por Michel Temer, vice-presidente da República, seja aprovado o Plano Decenal de Cooperação Espacial entre os dois países.
Nota 2: ao questionarmos sobre novos contratos, destacamos os receios da indústria espacial, que tem passado por certas dificuldades (algumas, devemos dizer, de sua própria responsabilidade). Apesar da expectativa de que o SGDC possa de alguma forma beneficiar a indústria local, tais benefícios não serão imediatos, podem não ter efeitos financeiros diretos (transferência de tecnologia não necessariamente gera vendas) e serão sentidos apenas após vários anos. Ressalte-se, aliás, que o contrato para a construção do primeiro satélite ainda não foi assinado. Especificamente sobre a situação da indústria local, o blog tem conhecimento de ao menos duas empresas que estão demitindo pessoal ou prestes a demitir. Ainda, é fato amplamente conhecido no setor a gravíssima crise financeira por que passa uma das principais indústrias brasileiras do setor (abordaremos este caso, em detalhes, mais adiante).
Nota 3: de acordo com as informações apuradas pelo blog Panorama Espacial, há discussões no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e AEB para a contratação da missão SABIA-MAR, em conjunto com a Argentina. O modelo analisado envolveria um prime contractor industrial, no qual a Visiona Tecnologia Espacial, surgiria como mais forte candidata. Em relação aos satélites para atender o SBCD, é possível que haja a participação do Comando da Aeronáutica (Ministério da Defesa), e também da Agência Nacional de Águas (ANA), subordinada ao Ministério do Meio Ambiente.
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Conforme revelado na última quinta-feira, damos início hoje à série "Entrevistas". O primeiro entrevistado foi Leonel Fernando Perondi, que desde maio de 2012 é diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), principal instituição executora dos programas de satélites nacionais.
A conversa foi centrada nos programas do Instituto no segmento espacial, isto é, satélites. Apresentamos a seguir os principais trechos. No final da entrevista, incluímos pequenos comentários elaborados pelo blog Panorama Espacial, identificados ao longo do texto (entre colchetes e destacados em itálico e grifados) analisando e dando algumas informações adicionais sobre os tópicos abordados.
CBERS e política industrial
A entrevista, realizada por telefone, começou abordando o principal projeto de satélite desenvolvido pelo INPE: o programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS). Perondi destacou a entrada do programa em sua segunda fase, com a expectativa para o lançamento do primeiro satélite da segunda geração, o CBERS 3, no próximo mês de dezembro. O CBERS 4 deverá ser lançado dois anos depois. Mencionou ainda o fato do satélite contar com quatro sensores óticos e também com um transpônder de coleta de dados, que reforçará o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCD). Deu também ênfase ao seu caráter industrial, enfatizando o fato de que os dois modelos foram contratados junto à indústria nacional, gerando ao todo cerca de R$370 milhões em contratos. "É essencialmente um programa de política industrial", destacou.
Questionado sobre a continuidade do programa, o diretor afirmou que existem discussões visando uma nova geração, e que esta é a posição do INPE, na qualidade de executor da missão. "Mas, tem que ter sempre o elemento de inovação". Em sua opinião, o CBERS trouxe visibilidade internacional, mas é preciso ir além. "[Hoje], são satélites de rotina para a China, e esta é a nossa ideia também".
Perondi entende que as próximas unidades, em caso de continuidade, podem ser inteiramente contratadas junto à indústria nacional, atendendo as necessidades nacionais em sensoriamento remoto e funcionando como um instrumento de política industrial. Desde 2005, existem propostas do lado chinês para uma extensão da cooperação espacial [Nota 1].
Amazônia-1
Após o CBERS, a pergunta natural foi sobre o projeto do satélite de observação Amazônia-1, baseado na Plataforma Multimissão (PMM). Perondi respondeu dando um panorama sobre a PMM e a sua primeira missão, ressaltando que o projeto da plataforma foi contratado na indústria em 2001 sem uma linha de base, com uma amplitude grande para aplicações multimissão. "São quase doze anos de desenvolvimento do projeto." "Nenhum subsistema tem herança de voo, o que é um desafio grande", disse.
O Amazônia-1, especificamente, está em revisão e pode ser lançado em dois anos, informou, revelando ainda que a forma de contratação gerou certas dificuldades de relacionamento com a indústria, algo que está em discussão no âmbito de direito administrativo. "O INPE está mobilizado em definir o cronograma de satélites."
Cubesats e nanossatélites
Perguntamos ao diretor do INPE sobre alguns projetos de cubesats e nanossatélites que têm sido desenvolvidos pelo Instituto. De acordo com ele, são missões ainda experimentais e em escala reduzida, envolvendo as unidades do Centro Regional do Nordeste (Conasat) e Centro Regional Sul (NanosatC-BR), com forte objetivo de aprendizagem. "Estamos aguardando os resultados, e temos que ver o lado de aplicações também", afirmou.
Satélites radar, meteorológico e Lattes
Perondi enfatizou que a prioridade do INPE é o CBERS e, em seguida, o Amazônia-1 (PMM). Mas, há também outros projetos e possibilidades no âmbito espacial. Um deles é o satélite radar, no passado, quando planejado em parceria com a Alemanha, denominado MAPSAR.
Em discussão desde 2003 e constante no Programa Espacial desde o PNAE 2005-2014, o diretor afirmou que o satélite radar teve como alternativa considerada apenas uma configuração com antena refletora, e não planar, dando indicativo de que sua configuração está sendo discutida. "A demanda para estas imagens continua existindo, e uma parceria internacional é possível".
Sobre uma missão meteorológica, afirmou que esta já consta do PNAE desde 2004 (período 2005-2014), e que é uma necessidade do País. "[Esta] já deveria estar no horizonte nos próximos dez anos". Há certa expectativa sobre o arranjo para a sua viabilização.
Em relação ao satélite Lattes, de aplicações científicas, Perondi revelou que deve ser repensada. "A missão é extremamente desafiadora em razão da integração da plataforma e das cargas úteis." Existe a possibilidade de que o Lattes, surgido a partir da "fusão" dos projetos de microssatélites EQUARS e MIRAX, venha a ser dividida em duas plataformas menores. Esta estratégia, aliás, estaria alinhada à ideia do INPE de retomar as missões de pequenas plataformas, que poderiam ainda incluir missões com transpônderes para atender o SBCD.
SGDC
A respeito da participação e/ou ganhos esperados pelo INPE com o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), Perondi foi sucinto, citando que o satélite atenderá demandas nacionais imediatas (banda larga e comunicações militares), e que o Instituto pode se beneficiar no futuro por meio do Laboratório de Integração e Testes (citou o caso de alguns satélites da série Brasilsat, que tiveram módulos testados no laboratório), e com oportunidades para a formação de pessoal no exterior.
Perspectivas de novos contratos para a indústria?
A entrevista foi encerrada com uma questão sobre a perspectiva de novos contratos em curto ou médio prazos para a indústria espacial brasileira, uma vez que os satélites CBERS e o Amazônia-1 já estão praticamente 100% contratados. O dirigente ressaltou que o papel do INPE é de executor e não de planejador do Programa Espacial, mas que o Instituto "olha com preocupação o futuro", respondendo ao comentário do entrevistador sobre a situação da indústria na atualidade [Nota 2].
O dirigente mencionou que nos últimos dez anos, o Instituto contratou mais de R$500 milhões com a indústria e que existem expectativas e novos contratos, sem, no entanto, indicar datas. Citou, como exemplo, o satélite em cooperação com a Argentina (SABIA-MAR), e também missões para coletas de dados [Nota 3].
Notas do blog:
Nota 1: entre os dias 4 e 9 de novembro, acontecerá na China a III Reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), mecanismo de diálogo político de mais alto nível entre Brasil e China. Sua estrutura inclui onze subcomissões, inclusive uma espacial. A expectativa é que no encontro, cujo lado brasileiro será chefiado por Michel Temer, vice-presidente da República, seja aprovado o Plano Decenal de Cooperação Espacial entre os dois países.
Nota 2: ao questionarmos sobre novos contratos, destacamos os receios da indústria espacial, que tem passado por certas dificuldades (algumas, devemos dizer, de sua própria responsabilidade). Apesar da expectativa de que o SGDC possa de alguma forma beneficiar a indústria local, tais benefícios não serão imediatos, podem não ter efeitos financeiros diretos (transferência de tecnologia não necessariamente gera vendas) e serão sentidos apenas após vários anos. Ressalte-se, aliás, que o contrato para a construção do primeiro satélite ainda não foi assinado. Especificamente sobre a situação da indústria local, o blog tem conhecimento de ao menos duas empresas que estão demitindo pessoal ou prestes a demitir. Ainda, é fato amplamente conhecido no setor a gravíssima crise financeira por que passa uma das principais indústrias brasileiras do setor (abordaremos este caso, em detalhes, mais adiante).
Nota 3: de acordo com as informações apuradas pelo blog Panorama Espacial, há discussões no âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e AEB para a contratação da missão SABIA-MAR, em conjunto com a Argentina. O modelo analisado envolveria um prime contractor industrial, no qual a Visiona Tecnologia Espacial, surgiria como mais forte candidata. Em relação aos satélites para atender o SBCD, é possível que haja a participação do Comando da Aeronáutica (Ministério da Defesa), e também da Agência Nacional de Águas (ANA), subordinada ao Ministério do Meio Ambiente.
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sábado, 2 de novembro de 2013
Discussão sobre satélites para defesa
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Oficina reúne propostas para a utilização de satélites de defesa
As propostas de utilização para os satélites nacionais de defesa foram apresentadas nesta sexta-feira (01/11) na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro. A atividade encerrou a Primeira Oficina de Sistema Espaciais de Defesa que reuniu cerca de 60 profissionais civis e militares de diversos órgãos do governo federal, como Agência Espacial Brasileira, o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A oficina faz parte do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), um sistema do ministério Defesa que vai atender as demandas das Forças Armadas e a programas dos demais ministérios do governo brasileiro.
Os Comandantes da Marinha, Almirante de Esquadra Julio Soares de Moura Neto, e da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito, representantes do ministério da Defesa, acompanharam a apresentação. Oficiais-generais do Alto Comando da Aeronáutica e das Forças Armadas também assistiram às explicações do grupo de trabalho.
A situação atual e o levantamento de necessidades não atendidas nas áreas de comunicações, observação da terra, mapeamento de informações e posicionamento foram os principais temas a nortear os trabalhos durante os quatro dias de palestras técnicas, debates e discussões em grupo entre engenheiros e técnicos da área.
Para a gerente substituta do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) de Manaus, Solange dos Santos Costa, este passo é fundamental para o Brasil planejar como vai utilizar os satélites nacionais.
“É igual ao processo de compra de um carro. Primeiro você precisa saber dirigir para tirar o melhor proveito do produto”, compara a geóloga. Segundo ela, o evento apontou as reais necessidades do sistema sensor e mostrou a real aplicação dos recursos que serão gerados a partir do satélite. No caso da Amazônia, as imagens serão usadas na identificação de desmatamentos, extração mineral, entre outras informações que são usadas para apoiar os órgãos de inteligência.
Questão de soberania – Para o presidente da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), órgão da FAB que organiza o evento, Major-Brigadeiro do Ar Carlos Vuyk de Aquino, a oficina reforça a nítida necessidade de desenvolver um sistema espacial brasileiro e autônomo. “A questão da soberania vamos alcançar quando tivermos plena autonomia sobre esse tipo de atividade”, avalia o oficial-general. Atualmente, as Forças Armadas utilizam plataformas baseadas em tecnologias internacionais.
O PESE é um sistema do ministério Defesa que vai atender as demandas das Forças Armadas e a programas dos demais ministérios do governo brasileiro. A utilização dos satélites vai proporcionar trafegar informações estratégicas com segurança e por meio de banda adequada. O programa trabalha com horizonte de 20 anos. O primeiro satélite de comunicações e defesa deve ser lançado em 2016. Segundo o oficial-general, a questão é conseguir atender todos os serviços com tecnologia nacional. “Vai ser mais lento, mas é necessário. Vamos ter condições de resolver nossos problemas com tecnologia própria”, afirma.
Saiba mais: O Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) é um programa criado para atender necessidades estratégicas das Forças Armadas e da sociedade brasileira. A coordenação e implantação dos sistemas espaciais foi atribuída pelo Ministério da Defesa e pelo Comanda da Aeronáutica para a Comissão de Coordennação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE). O objetivo do PESE é prover infraestrutura espacial para ser usada estrategicamente e de modo potencializador no Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAZ), no Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), no Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA), no Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e afins.
Fonte: FAB
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Oficina reúne propostas para a utilização de satélites de defesa
As propostas de utilização para os satélites nacionais de defesa foram apresentadas nesta sexta-feira (01/11) na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro. A atividade encerrou a Primeira Oficina de Sistema Espaciais de Defesa que reuniu cerca de 60 profissionais civis e militares de diversos órgãos do governo federal, como Agência Espacial Brasileira, o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A oficina faz parte do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), um sistema do ministério Defesa que vai atender as demandas das Forças Armadas e a programas dos demais ministérios do governo brasileiro.
Os Comandantes da Marinha, Almirante de Esquadra Julio Soares de Moura Neto, e da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Juniti Saito, representantes do ministério da Defesa, acompanharam a apresentação. Oficiais-generais do Alto Comando da Aeronáutica e das Forças Armadas também assistiram às explicações do grupo de trabalho.
A situação atual e o levantamento de necessidades não atendidas nas áreas de comunicações, observação da terra, mapeamento de informações e posicionamento foram os principais temas a nortear os trabalhos durante os quatro dias de palestras técnicas, debates e discussões em grupo entre engenheiros e técnicos da área.
Para a gerente substituta do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) de Manaus, Solange dos Santos Costa, este passo é fundamental para o Brasil planejar como vai utilizar os satélites nacionais.
“É igual ao processo de compra de um carro. Primeiro você precisa saber dirigir para tirar o melhor proveito do produto”, compara a geóloga. Segundo ela, o evento apontou as reais necessidades do sistema sensor e mostrou a real aplicação dos recursos que serão gerados a partir do satélite. No caso da Amazônia, as imagens serão usadas na identificação de desmatamentos, extração mineral, entre outras informações que são usadas para apoiar os órgãos de inteligência.
Questão de soberania – Para o presidente da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), órgão da FAB que organiza o evento, Major-Brigadeiro do Ar Carlos Vuyk de Aquino, a oficina reforça a nítida necessidade de desenvolver um sistema espacial brasileiro e autônomo. “A questão da soberania vamos alcançar quando tivermos plena autonomia sobre esse tipo de atividade”, avalia o oficial-general. Atualmente, as Forças Armadas utilizam plataformas baseadas em tecnologias internacionais.
O PESE é um sistema do ministério Defesa que vai atender as demandas das Forças Armadas e a programas dos demais ministérios do governo brasileiro. A utilização dos satélites vai proporcionar trafegar informações estratégicas com segurança e por meio de banda adequada. O programa trabalha com horizonte de 20 anos. O primeiro satélite de comunicações e defesa deve ser lançado em 2016. Segundo o oficial-general, a questão é conseguir atender todos os serviços com tecnologia nacional. “Vai ser mais lento, mas é necessário. Vamos ter condições de resolver nossos problemas com tecnologia própria”, afirma.
Saiba mais: O Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) é um programa criado para atender necessidades estratégicas das Forças Armadas e da sociedade brasileira. A coordenação e implantação dos sistemas espaciais foi atribuída pelo Ministério da Defesa e pelo Comanda da Aeronáutica para a Comissão de Coordennação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE). O objetivo do PESE é prover infraestrutura espacial para ser usada estrategicamente e de modo potencializador no Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAZ), no Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), no Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA), no Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e afins.
Fonte: FAB
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