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Saab expande parceria com Akaer
A Saab, empresa de defesa e segurança, adquiriu mais 10% das ações da Akaer, uma das maiores empresas brasileiras no desenvolvimento de projetos aeronáuticos, atingindo 25% de participação. Juntamente com a expansão da parceria Saab-Akaer, a Akaer adquire os ativos da Divisão de Espaço e Defesa (E&D) da empresa brasileira de optrônicos Opto Eletrônica S.A. [Nota do blog: a notícia sobre a proposta de compra da divisão da Opto pela Akaer foi dada com exclusividade pelo blog Panorama Espacial em maio de 2016]
A Saab e a Akaer são parceiras desde 2008, quando a empresa brasileira foi contratada pela Saab para desenvolver peças para a fuselagem do caça Gripen NG – mesmo antes que a Saab fosse selecionada para as negociações para reequipar a Força Aérea Brasileira. O investimento da Saab na Akaer começou em maio de 2012, quando a Saab fez um empréstimo conversível em ações, com uma contribuição de recursos equivalente a 15% da Akaer. A participação da Saab na empresa foi ampliada para 25%, e a Akaer permanece independente, além de controlada e administrada pelo fundador e gestor brasileiro. Desde 2012, a Saab faz parte do Conselho Consultivo da Akaer.
“Nossa parceria com a Akaer é de longo prazo e, por meio do intercâmbio de conhecimento, queremos ampliar nossa cooperação. A parceria traz benefícios mútuos e nos permite dar mais um passo no programa de transferência de tecnologia e no desenvolvimento da indústria de defesa brasileira. Viemos ao Brasil para ficar e isso também significa apoiar nossos parceiros”, diz Ulf Nilsson, chefe da área de negócios de Aeronáutica na Saab.
A partir do investimento da Saab na empresa, a Akaer adquiriu ativos da Divisão de Espaço e Defesa (E&D) da Opto Eletrônica S.A, que passa a se chamar OPTO Space & Defense. Com mais de 30 anos, a empresa brasileira de optrônicos obteve o status de Empresa Estratégica de Defesa (EED), em 2013.
O objetivo da Akaer é garantir que as tecnologias optrônicas desenvolvidas pela OPTO ao longo de décadas sejam mantidas sob o domínio de uma Empresa Estratégica de Defesa (EED), para que possam ser utilizadas nos programas nacionais de espaço e defesa nos próximos anos.
Para garantir a continuidade destas capacidades, a OPTO Space & Defense, que estava em recuperação judicial, manterá todos os seus funcionários e operações no mesmo local, na cidade de São Carlos (SP), polo de optrônica no Brasil. Além disso, a Akaer ampliará o acesso desta divisão a mercados internacionais e desenvolverá produtos de aplicação dual, para que a mesma se mantenha sustentável financeiramente e para que possa expandir suas tecnologias.
“O investimento faz parte da nossa estratégia de crescimento e diversificação, e está alinhado com os interesses de defesa nacionais”, disse Cesar Augusto T. Andrade e Silva, presidente e CEO da Akaer.
“Fico muito contente com a demonstração de coragem e visão da Akaer, que soube enxergar o valor das tecnologias e capacidades desenvolvidas pela OPTO. Nossa equipe está ansiosa para dar início a esta nova fase junto à Akaer e à Saab”, disse Mario Stefani, sócio e fundador da OPTO.
Fonte: Saab.
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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
sexta-feira, 6 de maio de 2016
Proposta de compra da Opto Eletrônica: nota da Akaer
A Akaer divulgou ontem (5) uma nota sobre a apresentação de proposta para a compra da unidade de Espaço & Defesa da empresa Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), conforme antecipado pelo blog Panorama Espacial no início desta semana (veja aqui). Reproduzimos abaixo:
AKAER APRESENTA PROPOSTA PARA COMPRA DAS UNIDADES DE ESPAÇO E DEFESA DA OPTO ELETRÔNICA
05/05/2016
A Akaer apresentou no dia 02/05/2016 uma proposta de aquisição da Divisão de Espaço e Defesa (E&D) da recuperanda Opto Eletrônica S.A.
O objetivo da Akaer é garantir que as tecnologias optrônicas desenvolvidas pelo Opto ao longo de décadas sejam mantidas sob domínio de uma Empresa Estratégica de Defesa (EED), de forma que possam ser utilizadas nos programas nacionais de espaço e defesa programados para os próximos anos. Além disso, a Akaer ampliará o acesso desta empresa a mercados internacionais para que a mesma se mantenha sustentável financeiramente e para que possa expandir suas tecnologias.
“Fico muito contente com a demonstração de coragem e visão da Akaer, que soube enxergar o valor das tecnologias e capacidades desenvolvidas pela Opto. Nossa equipe está revigorada e ansiosa para dar início a esta nova fase junto à Akaer”, disse o Sr. Mario Stefani, sócio e fundador da Opto.
“Esse investimento faz parte da nossa estratégia de crescimento e diversificação, e está alinhado com os interesses de Defesa nacionais”, ressaltou o Sr. Cesar Augusto T. Andrade e Silva, presidente e CEO da Akaer.
Sobre a Akaer
A Akaer é uma das maiores empresas brasileiras no desenvolvimento de projetos aeronáuticos e conta com mais de 320 funcionários. Fundada em 1992, a empresa é especializada no fornecimento de soluções tecnológicas em diferentes áreas de atuação como aeroespacial, defesa, energia e automotiva.
Sobre Unidades de Espaço e Defesa da Opto Eletrônica
A Opto Eletrônica é uma empresa de tecnologia no ramo de optoeletrônica, com atuação nas áreas médica, industrial, de componentes ópticos, aeroespacial e de defesa. Fundada em 1985, investiu décadas de pesquisa e mais de R$200 milhões no desenvolvimento de tecnologias de base e produtos optrônicos, sendo a única empresa de capital nacional detentora destas tecnologias estratégicas para o Brasil.
Fonte: Akaer
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AKAER APRESENTA PROPOSTA PARA COMPRA DAS UNIDADES DE ESPAÇO E DEFESA DA OPTO ELETRÔNICA
05/05/2016
A Akaer apresentou no dia 02/05/2016 uma proposta de aquisição da Divisão de Espaço e Defesa (E&D) da recuperanda Opto Eletrônica S.A.
O objetivo da Akaer é garantir que as tecnologias optrônicas desenvolvidas pelo Opto ao longo de décadas sejam mantidas sob domínio de uma Empresa Estratégica de Defesa (EED), de forma que possam ser utilizadas nos programas nacionais de espaço e defesa programados para os próximos anos. Além disso, a Akaer ampliará o acesso desta empresa a mercados internacionais para que a mesma se mantenha sustentável financeiramente e para que possa expandir suas tecnologias.
“Fico muito contente com a demonstração de coragem e visão da Akaer, que soube enxergar o valor das tecnologias e capacidades desenvolvidas pela Opto. Nossa equipe está revigorada e ansiosa para dar início a esta nova fase junto à Akaer”, disse o Sr. Mario Stefani, sócio e fundador da Opto.
“Esse investimento faz parte da nossa estratégia de crescimento e diversificação, e está alinhado com os interesses de Defesa nacionais”, ressaltou o Sr. Cesar Augusto T. Andrade e Silva, presidente e CEO da Akaer.
Sobre a Akaer
A Akaer é uma das maiores empresas brasileiras no desenvolvimento de projetos aeronáuticos e conta com mais de 320 funcionários. Fundada em 1992, a empresa é especializada no fornecimento de soluções tecnológicas em diferentes áreas de atuação como aeroespacial, defesa, energia e automotiva.
Sobre Unidades de Espaço e Defesa da Opto Eletrônica
A Opto Eletrônica é uma empresa de tecnologia no ramo de optoeletrônica, com atuação nas áreas médica, industrial, de componentes ópticos, aeroespacial e de defesa. Fundada em 1985, investiu décadas de pesquisa e mais de R$200 milhões no desenvolvimento de tecnologias de base e produtos optrônicos, sendo a única empresa de capital nacional detentora destas tecnologias estratégicas para o Brasil.
Fonte: Akaer
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terça-feira, 3 de maio de 2016
Exclusivo: Akaer apresenta proposta para compra da Opto Eletrônica
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A Opto Eletrônica, uma das principais indústrias nacionais do setor de Defesa e Espaço e em recuperação judicial desde dezembro de 2014, recebeu proposta para compra de parte de seus negócios pela Akaer, empresa de engenharia aeroespacial com sede em São José dos Campos (SP).
A informação consta da decisão proferida pelo juiz da 2ª Vara Cível de São Carlos (SP), divulgada hoje (03) e reproduzida abaixo, na qual foi revelada a proposta feita pela Akaer pela unidade de Espaço & Defesa (E&D) da Opto, no valor de R$31,5 milhões. A Avibras também estava interessada, mas optou por não oferecer um lance no leilão organizado pela Justiça. Nos bastidores, comenta-se que a Avibras teria considerado uma oferta em parceria com um grupo de origem francesa.
O leilão para alienação da unidade de E&D da Opto foi realizado no âmbito do plano de recuperação judicial apresentado à Justiça em março de 2015 e aditado em novembro do mesmo ano, que determinava sua venda através de propostas fechadas, apresentadas ao juiz responsável, tomando por base o valor mínimo de R$30 milhões. A operação envolve a venda da divisão de E&D, que será desmembrada da empresa em recuperação, abrangendo todo o acervo tecnológico necessário para operação dos projetos vigentes e das tecnologias desenvolvidas. Os passivos relacionados aos financiamentos obtidos junto ao BNDES e à FINEP serão assumidos pela unidade desmembrada.
A Akaer
Com mais de 300 funcionários e com novas instalações no Parque Tecnológico de São José dos Campos, inauguradas este ano, a Akaer participa de projetos como o do cargueiro militar KC-390, da Embraer, e do programa do caça Gripen, da sueca Saab, adquirido pela Força Aérea Brasileira. Em 2015, a Saab adquiriu uma participação minoritária (15%) no capital da empresa.
No início da década de noventa, a Akaer chegou a participar do programa CBERS, em projetos estruturais, mas desde então estava focada em programas aeronáuticos nos segmentos comercial, executivo e militar. Caso concretizada, a aquisição da divisão de E&D da Opto Eletrônica representará o retorno da Akaer ao setor espacial e também a ampliação de sua atuação em projetos de Defesa não apenas aeronáuticos, como mísseis e sensores óticos, que também são de grande interesse de sua acionista Saab.
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Abaixo, trecho da atualização da movimentação processual, de 03/05/2016, disponível para consulta no sistema de acompanhamento da Justiça Estadual:
"Teor do ato: A seguir, pelo MM Juiz de Direito foi proferida a seguinte DECISÃO: " o edital para alienação foi expedido às fls. 2844/2846, aos 19 de fevereiro de 2016. A primeira audiência para a indicação de propostas ocorreu aos 28/03/2016 (fls. 3116/3117), com deliberação no sentido da prorrogação do prazo para avaliação das unidades, instalações e demais componentes de um futuro contrato, para a data de hoje (02/05/2016). Nessa primeira audiência também estiverem presentes representantes do Ministério da Defesa, sendo a delegação composta por 3 integrantes. Houve tempo mais do que suficiente para que manifestação fosse apresentada em tempo hábil, sendo inadimissível o protocolo na data de hoje, pouco mais de 20 minutos antes da audiência. Não obstante, o pleito deve ser apreciado. Os participantes interessados e todos os envolvidos, inclusive os credores, tem o direito de ver o seguimento do processo que não pode ser postergado indefinidamente. Dessa forma, e sem prejuízo da apreciação de futuras manifestações, seja do Ministério da Defesa e de outros interessados, as propostas serão recebidas e colhidas na data de hoje. Dada a complexidade dos bens, o número de interessados, e mesmo o interesse da União, cada um dos participantes terá o prazo de 5 dias para ofertar manifestação escrita, inclusive sobre possíveis impugnações quanto aos lances, vindo os autos, após, para decisão. De início, deverá falar o representante da Opto, em seguida o Dr. Jorge T, Uwada, após as ofertantes, e por fim, o Ministério Público. Nesse prazo, o juízo, com prazer, receberá concretas manifestações da PGFN e de outros interessados, por parte da União". Em prosseguimento, foi apresentado um única PROPOSTA: 1) R$ 31.500.000,00, proposta esta condicional feita por AKAER Engenharia S/A. Pela AVIBRAS Indústria Aeroespacial S/A foi apresentada uma petição indicando que não ofereceria lance. Pelo MM Juiz foi dito: "Essa petição veio na forma física, acompanhada de procuração do diretor adjunto que a representou nesta data, cabendo ao cartório providenciar a digitalização para juntada ao processo. A primeira via da 'Proposta de compra da UPI E&D da Opto Eletrônica S.A.' foi rubricada pelo representante do Ministério Público Dr. Osvaldo Bianchini Veronese Filho, pelo administrador judicial Jorge T. Uwada, e pelo advogado da Opto Dr. Nelson Marcondes Machado, sendo essa a via que deve ser juntada digitalmente aos autos, assim como todos os demais documentos e declarações presentes no envelope aberto nesta data. Não havendo mais interesse dos presentes em se manifestar, declaro encerrado o ato. Após o cumprimento das determinações supra, tornem o feito para deliberação. Publicado em audiência, saem os presentes devidamente cientes e intimados. Sem prejuízo, publique-se na imprensa oficial"."
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A Opto Eletrônica, uma das principais indústrias nacionais do setor de Defesa e Espaço e em recuperação judicial desde dezembro de 2014, recebeu proposta para compra de parte de seus negócios pela Akaer, empresa de engenharia aeroespacial com sede em São José dos Campos (SP).
A informação consta da decisão proferida pelo juiz da 2ª Vara Cível de São Carlos (SP), divulgada hoje (03) e reproduzida abaixo, na qual foi revelada a proposta feita pela Akaer pela unidade de Espaço & Defesa (E&D) da Opto, no valor de R$31,5 milhões. A Avibras também estava interessada, mas optou por não oferecer um lance no leilão organizado pela Justiça. Nos bastidores, comenta-se que a Avibras teria considerado uma oferta em parceria com um grupo de origem francesa.
O leilão para alienação da unidade de E&D da Opto foi realizado no âmbito do plano de recuperação judicial apresentado à Justiça em março de 2015 e aditado em novembro do mesmo ano, que determinava sua venda através de propostas fechadas, apresentadas ao juiz responsável, tomando por base o valor mínimo de R$30 milhões. A operação envolve a venda da divisão de E&D, que será desmembrada da empresa em recuperação, abrangendo todo o acervo tecnológico necessário para operação dos projetos vigentes e das tecnologias desenvolvidas. Os passivos relacionados aos financiamentos obtidos junto ao BNDES e à FINEP serão assumidos pela unidade desmembrada.
A Akaer
Com mais de 300 funcionários e com novas instalações no Parque Tecnológico de São José dos Campos, inauguradas este ano, a Akaer participa de projetos como o do cargueiro militar KC-390, da Embraer, e do programa do caça Gripen, da sueca Saab, adquirido pela Força Aérea Brasileira. Em 2015, a Saab adquiriu uma participação minoritária (15%) no capital da empresa.
No início da década de noventa, a Akaer chegou a participar do programa CBERS, em projetos estruturais, mas desde então estava focada em programas aeronáuticos nos segmentos comercial, executivo e militar. Caso concretizada, a aquisição da divisão de E&D da Opto Eletrônica representará o retorno da Akaer ao setor espacial e também a ampliação de sua atuação em projetos de Defesa não apenas aeronáuticos, como mísseis e sensores óticos, que também são de grande interesse de sua acionista Saab.
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Abaixo, trecho da atualização da movimentação processual, de 03/05/2016, disponível para consulta no sistema de acompanhamento da Justiça Estadual:
"Teor do ato: A seguir, pelo MM Juiz de Direito foi proferida a seguinte DECISÃO: " o edital para alienação foi expedido às fls. 2844/2846, aos 19 de fevereiro de 2016. A primeira audiência para a indicação de propostas ocorreu aos 28/03/2016 (fls. 3116/3117), com deliberação no sentido da prorrogação do prazo para avaliação das unidades, instalações e demais componentes de um futuro contrato, para a data de hoje (02/05/2016). Nessa primeira audiência também estiverem presentes representantes do Ministério da Defesa, sendo a delegação composta por 3 integrantes. Houve tempo mais do que suficiente para que manifestação fosse apresentada em tempo hábil, sendo inadimissível o protocolo na data de hoje, pouco mais de 20 minutos antes da audiência. Não obstante, o pleito deve ser apreciado. Os participantes interessados e todos os envolvidos, inclusive os credores, tem o direito de ver o seguimento do processo que não pode ser postergado indefinidamente. Dessa forma, e sem prejuízo da apreciação de futuras manifestações, seja do Ministério da Defesa e de outros interessados, as propostas serão recebidas e colhidas na data de hoje. Dada a complexidade dos bens, o número de interessados, e mesmo o interesse da União, cada um dos participantes terá o prazo de 5 dias para ofertar manifestação escrita, inclusive sobre possíveis impugnações quanto aos lances, vindo os autos, após, para decisão. De início, deverá falar o representante da Opto, em seguida o Dr. Jorge T, Uwada, após as ofertantes, e por fim, o Ministério Público. Nesse prazo, o juízo, com prazer, receberá concretas manifestações da PGFN e de outros interessados, por parte da União". Em prosseguimento, foi apresentado um única PROPOSTA: 1) R$ 31.500.000,00, proposta esta condicional feita por AKAER Engenharia S/A. Pela AVIBRAS Indústria Aeroespacial S/A foi apresentada uma petição indicando que não ofereceria lance. Pelo MM Juiz foi dito: "Essa petição veio na forma física, acompanhada de procuração do diretor adjunto que a representou nesta data, cabendo ao cartório providenciar a digitalização para juntada ao processo. A primeira via da 'Proposta de compra da UPI E&D da Opto Eletrônica S.A.' foi rubricada pelo representante do Ministério Público Dr. Osvaldo Bianchini Veronese Filho, pelo administrador judicial Jorge T. Uwada, e pelo advogado da Opto Dr. Nelson Marcondes Machado, sendo essa a via que deve ser juntada digitalmente aos autos, assim como todos os demais documentos e declarações presentes no envelope aberto nesta data. Não havendo mais interesse dos presentes em se manifestar, declaro encerrado o ato. Após o cumprimento das determinações supra, tornem o feito para deliberação. Publicado em audiência, saem os presentes devidamente cientes e intimados. Sem prejuízo, publique-se na imprensa oficial"."
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quarta-feira, 22 de abril de 2015
Brasil e China concluem proposta do CBERS-4A
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Brasil e China concluem proposta do CBERS-4A
Quarta-feira, 22 de Abril de 2015
A proposta técnica do satélite CBERS-4A, para lançamento em 2018, foi apresentada a dirigentes da Administração Nacional do Espaço da China (CNSA) e da Agência Espacial Brasileira (AEB) nesta segunda-feira (20/4) durante reunião no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP).
No Brasil, o desenvolvimento do programa CBERS cabe ao INPE. “Finalizamos os estudos do satélite em conjunto com a CAST (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, responsável pelo programa na China) e iniciaremos as discussões do projeto detalhado. Após a análise dos governos de ambos os países, será apresentado um protocolo complementar para incluir a missão CBERS-4A no acordo bilateral entre Brasil e China”, informa Leonel Perondi, diretor do INPE.
O programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite) fornece imagens de satélites para monitorar o meio ambiente, verificar desmatamentos, desastres naturais, a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações.
O acordo entre Brasil e China permite a distribuição global dos dados CBERS, com o objetivo de proporcionar a países em desenvolvimento os benefícios do uso de imagens de satélites. “Queremos o CBERS para o mundo. Este é o sentido desta parceria”, disse José Raimundo Braga Coelho, presidente da AEB.
Wu Yanhua, vice-administrador da CNSA, destacou o CBERS como um exemplo bem-sucedido de cooperação Sul-Sul em matéria de alta tecnologia. “O programa é muito importante para a parceria estratégica entre o Brasil e a China”, afirmou o dirigente chinês.
O CBERS-4, lançado com sucesso em dezembro de 2014, tem vida útil estimada em três anos. O novo satélite deve garantir a continuidade do fornecimento de imagens aos usuários dos dados CBERS, cada vez mais numerosos.
Segundo Perondi, o INPE e a CAST também devem apresentar no final do ano o projeto técnico para uma nova família de satélites de observação da Terra (CBERS-5 e 6, mais avançados do que os anteriores), visando a continuidade do programa.
CBERS-4A
O CBERS-4A será equipado com cargas úteis fornecidas pelo Brasil e pela China - a divisão de responsabilidade no desenvolvimento do satélite será de 50% para cada país. De acordo com a proposta, o Brasil deve fornecer as câmeras MUX e WFI – que já equiparam os CBERS-3 e 4 - e o Sistema de Coleta de Dados. A China deve incluir uma câmera de alta resolução (HRC).
O INPE realiza o programa CBERS em parceria com empresas brasileiras, conforme sua política voltada à capacitação da indústria nacional. Construída pela Opto Eletrônica, a MUX é a primeira câmera para satélite inteiramente desenvolvida e produzida no Brasil. Trata-se de uma câmera multiespectral com quatro bandas para cobrir a faixa de comprimento de onda do azul para o infravermelho próximo (a partir de 450 nm a 890 nm) com uma resolução de 20 m no solo e uma largura de faixa terreno de 120 km.
A WFI é uma versão avançada do instrumento desenvolvido para os CBERS-1 e 2, com quatro bandas espectrais e resolução no solo de 64 m no nadir e uma faixa de 866 km. A câmera fornece uma resolução espacial melhorada em comparação com os sensores a bordo do CBERS-1 e CBERS-2 (260 m em missões anteriores), mantendo, no entanto, sua alta resolução temporal de 5 dias. A WFI foi construída através de um consórcio formado pela Opto Eletrônica e Equatorial Sistemas.
Mais informações: www.cbers.inpe.br
Fonte: INPE
Brasil e China concluem proposta do CBERS-4A
Quarta-feira, 22 de Abril de 2015
A proposta técnica do satélite CBERS-4A, para lançamento em 2018, foi apresentada a dirigentes da Administração Nacional do Espaço da China (CNSA) e da Agência Espacial Brasileira (AEB) nesta segunda-feira (20/4) durante reunião no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP).
No Brasil, o desenvolvimento do programa CBERS cabe ao INPE. “Finalizamos os estudos do satélite em conjunto com a CAST (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial, responsável pelo programa na China) e iniciaremos as discussões do projeto detalhado. Após a análise dos governos de ambos os países, será apresentado um protocolo complementar para incluir a missão CBERS-4A no acordo bilateral entre Brasil e China”, informa Leonel Perondi, diretor do INPE.
O programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite) fornece imagens de satélites para monitorar o meio ambiente, verificar desmatamentos, desastres naturais, a expansão da agricultura e das cidades, entre outras aplicações.
O acordo entre Brasil e China permite a distribuição global dos dados CBERS, com o objetivo de proporcionar a países em desenvolvimento os benefícios do uso de imagens de satélites. “Queremos o CBERS para o mundo. Este é o sentido desta parceria”, disse José Raimundo Braga Coelho, presidente da AEB.
Wu Yanhua, vice-administrador da CNSA, destacou o CBERS como um exemplo bem-sucedido de cooperação Sul-Sul em matéria de alta tecnologia. “O programa é muito importante para a parceria estratégica entre o Brasil e a China”, afirmou o dirigente chinês.
O CBERS-4, lançado com sucesso em dezembro de 2014, tem vida útil estimada em três anos. O novo satélite deve garantir a continuidade do fornecimento de imagens aos usuários dos dados CBERS, cada vez mais numerosos.
Segundo Perondi, o INPE e a CAST também devem apresentar no final do ano o projeto técnico para uma nova família de satélites de observação da Terra (CBERS-5 e 6, mais avançados do que os anteriores), visando a continuidade do programa.
CBERS-4A
O CBERS-4A será equipado com cargas úteis fornecidas pelo Brasil e pela China - a divisão de responsabilidade no desenvolvimento do satélite será de 50% para cada país. De acordo com a proposta, o Brasil deve fornecer as câmeras MUX e WFI – que já equiparam os CBERS-3 e 4 - e o Sistema de Coleta de Dados. A China deve incluir uma câmera de alta resolução (HRC).
O INPE realiza o programa CBERS em parceria com empresas brasileiras, conforme sua política voltada à capacitação da indústria nacional. Construída pela Opto Eletrônica, a MUX é a primeira câmera para satélite inteiramente desenvolvida e produzida no Brasil. Trata-se de uma câmera multiespectral com quatro bandas para cobrir a faixa de comprimento de onda do azul para o infravermelho próximo (a partir de 450 nm a 890 nm) com uma resolução de 20 m no solo e uma largura de faixa terreno de 120 km.
A WFI é uma versão avançada do instrumento desenvolvido para os CBERS-1 e 2, com quatro bandas espectrais e resolução no solo de 64 m no nadir e uma faixa de 866 km. A câmera fornece uma resolução espacial melhorada em comparação com os sensores a bordo do CBERS-1 e CBERS-2 (260 m em missões anteriores), mantendo, no entanto, sua alta resolução temporal de 5 dias. A WFI foi construída através de um consórcio formado pela Opto Eletrônica e Equatorial Sistemas.
Mais informações: www.cbers.inpe.br
Fonte: INPE
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Opto Eletrônica em recuperação judicial
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A Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), considerada uma das principais indústrias atuantes no setor espacial brasileiro, está em recuperação judicial. O pedido, protocolado pela própria empresa em 16 de dezembro, foi deferido pela justiça paulista na semana passada.
A informação que chegou ao conhecimento do blog é que o pedido de proteção contra credores foi precipitado por uma execução de dívida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e também por atrasos em pagamentos de contratos junto ao governo federal. Houve também problemas de gestão.
A recuperação judicial, grosso modo, nada mais é do que uma medida para evitar a falência, sendo solicitada quando uma empresa perde a capacidade de pagar suas dívidas.
Com um faturamento que em 2009 chegou a superar R$100 milhões, sendo 40% oriundos de negócios em defesa e espaço, e mais de 450 funcionários na época, a empresa reduziu drasticamente suas operações nos últimos tempos, e hoje emprega pouco menos de 100 profissionais. Já há alguns anos que se comenta nos bastidores sobre sua possível venda ou associação com grupos nacionais ou estrangeiros, e de fato, segundo apurado, há negociações em andamento.
Além de participar de projetos de sensores óticos de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), como o CBERS e o Amazônia-1, a Opto também participa de programas das forças armadas, fornecendo dispositivos óticos e buscadores para praticamente todos os mísseis nacionais.
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A Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), considerada uma das principais indústrias atuantes no setor espacial brasileiro, está em recuperação judicial. O pedido, protocolado pela própria empresa em 16 de dezembro, foi deferido pela justiça paulista na semana passada.
A informação que chegou ao conhecimento do blog é que o pedido de proteção contra credores foi precipitado por uma execução de dívida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e também por atrasos em pagamentos de contratos junto ao governo federal. Houve também problemas de gestão.
A recuperação judicial, grosso modo, nada mais é do que uma medida para evitar a falência, sendo solicitada quando uma empresa perde a capacidade de pagar suas dívidas.
Com um faturamento que em 2009 chegou a superar R$100 milhões, sendo 40% oriundos de negócios em defesa e espaço, e mais de 450 funcionários na época, a empresa reduziu drasticamente suas operações nos últimos tempos, e hoje emprega pouco menos de 100 profissionais. Já há alguns anos que se comenta nos bastidores sobre sua possível venda ou associação com grupos nacionais ou estrangeiros, e de fato, segundo apurado, há negociações em andamento.
Além de participar de projetos de sensores óticos de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), como o CBERS e o Amazônia-1, a Opto também participa de programas das forças armadas, fornecendo dispositivos óticos e buscadores para praticamente todos os mísseis nacionais.
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terça-feira, 26 de agosto de 2014
Política Industrial Espacial Brasileira: uma análise
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De uns tempos para cá, temos tratado no blog Panorama Espacial sobre a crise em que se encontra indústria espacial brasileira. Em reportagem publicada no jornal Valor Econômico desta segunda (25), a jornalista Virgínia Silveira dá a tônica do momento, detalhando demissões e as reduções de pesquisas pela falta de carga de trabalho para o setor. Seu título, aliás, sintetiza muito bem: "Falta de projetos ameaça companhias".
Tratamos do assunto em alguns parágrafos a seguir.
Política industrial: da teoria à prática
A mais recente versão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE 2012 - 2021), editada há dois anos, é farta nas citações e disposições sobre a importância do setor industrial para o Programa Espacial. Cita como prioridade maior "impulsionar o avanço industrial", e lista como uma de suas diretrizes estratégicas a consolidação da "indústria espacial brasileira, aumentando sua competitividade e elevando sua capacidade de inovação, inclusive por meio do uso do poder de compra do Estado, e de parcerias com outros países."
Mesmo em pouco tempo, algumas de suas diretrizes foram inseminadas de forma relativamente bem sucedida. Foi o caso, por exemplo, do surgimento de uma prime-contractor para o segmento de satélites, lacuna ocupada pela Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture da Embraer com a Telebras, viabilizada com a concretização do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Seus interesses, ressalte-se, vão além do SGDC, passando pelos projetos do PNAE e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Ministério da Defesa.
Se de início havia dentro do governo alguma expectativa de que a Visiona atuasse de alguma forma num processo de reorganização da indústria espacial local, esta acabou não se materializando, ao menos não por ora. Diferentemente da estratégia seguida pela Embraer para o setor de defesa, não houve aquisições ou formação de parcerias com indústrias e mesmo grupos internacionais. Talvez, como o blog chegou a ouvir de pessoas bem familiarizadas com o assunto, pelas especificidades do setor, por sua diminuta dimensão e, é claro, pela falta de perspectivas claras e investimentos duradouros.
No caso do segmento de lançadores, a situação é ainda mais crítica. Depois de um certo burburinho e uma sequência de movimentações nos bastidores, com a Odebrecht sendo desenhada como a principal player industrial, tudo parou. Muitas indefinições, sendo as duas principais, as mesmas que afetam os satélites: falta de perspectivas claras e de investimentos.
O SGDC, a maior iniciativa na área nos anos recentes, foi apresentado como uma oportunidade que beneficiaria à indústria nacional, algo que espera-se que aconteça, mas não neste primeiro momento. Quanto à transferência tecnológica prevista no memorando de entendimentos firmado no final de 2013, que beneficiaria a indústria local, há a dependência de recursos orçamentários. O pacote em si é avaliado em cerca de 80 milhões de dólares.
Indústria nacional: diagnóstico, mea culpa, consolidação?
A indústria espacial nacional é formada quase que inteiramente por pouco mais de uma dezena de empresas, quase todas de pequeno porte. Várias delas têm o setor como seu único negócio, estando, portanto, completamente dependentes do poder de compra do governo.
Pelo mercado em que atuam, é inegável a importância do papel do Estado, pondo encomendas com regularidade e, assim, propiciando condições para a manutenção de todo uma cadeia produtiva (com os benefícios a ela atrelados). Mas, cabe a algumas das empresas uma mea culpa pela crise atual, por falharem em questões básicas, desde má gestão à não busca pela diversificação e criação de novos mercados (dado o caráter dual de muitas das tecnologias com que lidam e os spin-offs derivados). Em entrevista concedida ao blog em novembro de 2013, José Raimundo Braga Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira, já alertava sobre a necessidade da indústria buscar se diversificar, mencionando o exemplo da China.
Não analisando situações específicas, mas basta uma análise não muito profunda destas indústrias para se concluir que existe espaço para se obter eficiências. Em alguns campos específicos, com três ou quatro empresas com atuações similares, as oportunidades de consolidação por meio de fusões e aquisições parecem latentes.
Apesar das oportunidades, diferentemente do que acontece em mercados maduros, como os Estados Unidos e a Europa, o governo brasileiro não demonstra muito interesse em estimular ações de consolidação no campo espacial, optando por exercer sua política industrial quase que exclusivamente pelo poder de compra do Estado. O mais próximo que chegou disso foi patrocinar a criação da Visiona, um prime-contractor ao estilo brasileiro, de procurement, mas não industrial, e o lançamento de um fundo de investimento em participações para as áreas aeroespacial e de defesa (FIP Aeroespacial).
É curioso observar que uma política um pouco diferente (mas, nem por isso não sujeita à críticas) foi adotada para o mercado de defesa, com consolidações promovidas pela Embraer (Atech, Orbisat, AEL Sistemas) e Odebrecht (Mectron), que tiveram certo reflexo em espaço em razão de algumas destas empresas terem atividades na área.
O FIP Aeroespacial foi lançado em maio deste ano com patrimônio de pouco mais de R$ 130 milhões, numa iniciativa conjunta do BNDES com a FINEP, a Agência de Desenvolvimento Paulista (DESENVOLVE SP) e a Embraer. Seu objetivo, conforme divulgado na época, é "fortalecer a cadeia produtiva aeroespacial, aeronáutica, de defesa e segurança e promover a integração de sistemas relacionados a esses setores por meio de apoio às pequenas e médias empresas". Não há detalhes sobre as teses e estratégias pretendidas (se crescimento, diversificação, consolidação), mas é razoável de se imaginar que a equipe de gestão avalie oportunidades de consolidação.
Em reportagem num veículo especializado (revista "Participações" n.º 56, maio de 2014), a Portbank, gestora do FIP Aeroespacial, revelou que pretende fazer de oito a dez investimentos em empresas consideradas inovadoras, atuantes em segmentos como o de painéis solares, biometria, sistemas ópticos e de simulação e treinamento.
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De uns tempos para cá, temos tratado no blog Panorama Espacial sobre a crise em que se encontra indústria espacial brasileira. Em reportagem publicada no jornal Valor Econômico desta segunda (25), a jornalista Virgínia Silveira dá a tônica do momento, detalhando demissões e as reduções de pesquisas pela falta de carga de trabalho para o setor. Seu título, aliás, sintetiza muito bem: "Falta de projetos ameaça companhias".
Tratamos do assunto em alguns parágrafos a seguir.
Política industrial: da teoria à prática
A mais recente versão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE 2012 - 2021), editada há dois anos, é farta nas citações e disposições sobre a importância do setor industrial para o Programa Espacial. Cita como prioridade maior "impulsionar o avanço industrial", e lista como uma de suas diretrizes estratégicas a consolidação da "indústria espacial brasileira, aumentando sua competitividade e elevando sua capacidade de inovação, inclusive por meio do uso do poder de compra do Estado, e de parcerias com outros países."
Mesmo em pouco tempo, algumas de suas diretrizes foram inseminadas de forma relativamente bem sucedida. Foi o caso, por exemplo, do surgimento de uma prime-contractor para o segmento de satélites, lacuna ocupada pela Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture da Embraer com a Telebras, viabilizada com a concretização do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Seus interesses, ressalte-se, vão além do SGDC, passando pelos projetos do PNAE e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Ministério da Defesa.
Se de início havia dentro do governo alguma expectativa de que a Visiona atuasse de alguma forma num processo de reorganização da indústria espacial local, esta acabou não se materializando, ao menos não por ora. Diferentemente da estratégia seguida pela Embraer para o setor de defesa, não houve aquisições ou formação de parcerias com indústrias e mesmo grupos internacionais. Talvez, como o blog chegou a ouvir de pessoas bem familiarizadas com o assunto, pelas especificidades do setor, por sua diminuta dimensão e, é claro, pela falta de perspectivas claras e investimentos duradouros.
No caso do segmento de lançadores, a situação é ainda mais crítica. Depois de um certo burburinho e uma sequência de movimentações nos bastidores, com a Odebrecht sendo desenhada como a principal player industrial, tudo parou. Muitas indefinições, sendo as duas principais, as mesmas que afetam os satélites: falta de perspectivas claras e de investimentos.
O SGDC, a maior iniciativa na área nos anos recentes, foi apresentado como uma oportunidade que beneficiaria à indústria nacional, algo que espera-se que aconteça, mas não neste primeiro momento. Quanto à transferência tecnológica prevista no memorando de entendimentos firmado no final de 2013, que beneficiaria a indústria local, há a dependência de recursos orçamentários. O pacote em si é avaliado em cerca de 80 milhões de dólares.
Indústria nacional: diagnóstico, mea culpa, consolidação?
A indústria espacial nacional é formada quase que inteiramente por pouco mais de uma dezena de empresas, quase todas de pequeno porte. Várias delas têm o setor como seu único negócio, estando, portanto, completamente dependentes do poder de compra do governo.
Pelo mercado em que atuam, é inegável a importância do papel do Estado, pondo encomendas com regularidade e, assim, propiciando condições para a manutenção de todo uma cadeia produtiva (com os benefícios a ela atrelados). Mas, cabe a algumas das empresas uma mea culpa pela crise atual, por falharem em questões básicas, desde má gestão à não busca pela diversificação e criação de novos mercados (dado o caráter dual de muitas das tecnologias com que lidam e os spin-offs derivados). Em entrevista concedida ao blog em novembro de 2013, José Raimundo Braga Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira, já alertava sobre a necessidade da indústria buscar se diversificar, mencionando o exemplo da China.
Não analisando situações específicas, mas basta uma análise não muito profunda destas indústrias para se concluir que existe espaço para se obter eficiências. Em alguns campos específicos, com três ou quatro empresas com atuações similares, as oportunidades de consolidação por meio de fusões e aquisições parecem latentes.
Apesar das oportunidades, diferentemente do que acontece em mercados maduros, como os Estados Unidos e a Europa, o governo brasileiro não demonstra muito interesse em estimular ações de consolidação no campo espacial, optando por exercer sua política industrial quase que exclusivamente pelo poder de compra do Estado. O mais próximo que chegou disso foi patrocinar a criação da Visiona, um prime-contractor ao estilo brasileiro, de procurement, mas não industrial, e o lançamento de um fundo de investimento em participações para as áreas aeroespacial e de defesa (FIP Aeroespacial).
É curioso observar que uma política um pouco diferente (mas, nem por isso não sujeita à críticas) foi adotada para o mercado de defesa, com consolidações promovidas pela Embraer (Atech, Orbisat, AEL Sistemas) e Odebrecht (Mectron), que tiveram certo reflexo em espaço em razão de algumas destas empresas terem atividades na área.
O FIP Aeroespacial foi lançado em maio deste ano com patrimônio de pouco mais de R$ 130 milhões, numa iniciativa conjunta do BNDES com a FINEP, a Agência de Desenvolvimento Paulista (DESENVOLVE SP) e a Embraer. Seu objetivo, conforme divulgado na época, é "fortalecer a cadeia produtiva aeroespacial, aeronáutica, de defesa e segurança e promover a integração de sistemas relacionados a esses setores por meio de apoio às pequenas e médias empresas". Não há detalhes sobre as teses e estratégias pretendidas (se crescimento, diversificação, consolidação), mas é razoável de se imaginar que a equipe de gestão avalie oportunidades de consolidação.
Em reportagem num veículo especializado (revista "Participações" n.º 56, maio de 2014), a Portbank, gestora do FIP Aeroespacial, revelou que pretende fazer de oito a dez investimentos em empresas consideradas inovadoras, atuantes em segmentos como o de painéis solares, biometria, sistemas ópticos e de simulação e treinamento.
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quarta-feira, 16 de abril de 2014
Contratos industriais do CBERS 4
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AEB firma contratos industriais para montagem do Cbers-4
Brasília, 16 de abril de 2014 – A Agência Espacial Brasileira (AEB) firmou oito contratos com empresas nacionais do setor aeroespacial visando à integração e montagens de diversos equipamentos do Cbers-4, quinto exemplar da série do programa de satélites Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres.
Os contratos com as empresas Equatorial Sistemas, AEL Sistemas Mectron Engenharia, Orbital Engenharia, Omnisys Engenharia e Opto Eletrônica, englobam em sua maioria equipamentos das áreas de eletrônica, conversores de energia e câmeras para imageamento.
Todas estas empresas já foram fornecedoras de peças e equipamentos para a família de satélites Cbers, desenvolvida em parceria entre Brasil e China. Os contratos também estão em concordância com o preceituado no Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) de “recorrer à indústria para reproduzir equipamentos já desenvolvidos e qualificados, capazes de atender a parte da demanda corrente a um custo menor, com prazos menores, além de manter a base industrial ativa”.
O lançamento do Cbers-4, inicialmente programado para 2015, foi antecipado para a segunda semana de dezembro próximo da China, conforme entendimento entre os dois países após a falha ocorrida com o veículo chinês lançador do Cbers-3, no final de 2013.
Fonte: AEB
Nota do blog: os contratos, somados, superam poucos milhões de reais.
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AEB firma contratos industriais para montagem do Cbers-4
Brasília, 16 de abril de 2014 – A Agência Espacial Brasileira (AEB) firmou oito contratos com empresas nacionais do setor aeroespacial visando à integração e montagens de diversos equipamentos do Cbers-4, quinto exemplar da série do programa de satélites Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres.
Os contratos com as empresas Equatorial Sistemas, AEL Sistemas Mectron Engenharia, Orbital Engenharia, Omnisys Engenharia e Opto Eletrônica, englobam em sua maioria equipamentos das áreas de eletrônica, conversores de energia e câmeras para imageamento.
Todas estas empresas já foram fornecedoras de peças e equipamentos para a família de satélites Cbers, desenvolvida em parceria entre Brasil e China. Os contratos também estão em concordância com o preceituado no Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) de “recorrer à indústria para reproduzir equipamentos já desenvolvidos e qualificados, capazes de atender a parte da demanda corrente a um custo menor, com prazos menores, além de manter a base industrial ativa”.
O lançamento do Cbers-4, inicialmente programado para 2015, foi antecipado para a segunda semana de dezembro próximo da China, conforme entendimento entre os dois países após a falha ocorrida com o veículo chinês lançador do Cbers-3, no final de 2013.
Fonte: AEB
Nota do blog: os contratos, somados, superam poucos milhões de reais.
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quinta-feira, 6 de março de 2014
Inova Aerodefesa: projetos selecionados
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[Nota atualizada às 15h40 para explicitar que no projeto MMM apenas os ICTs receberam recursos]
Sem alarde, a FINEP divulgou no último dia 25 o resultado final do programa Inova Aerodefesa, revelando os nomes das empresas que receberão recursos, a natureza (se reembolsáveis, não reembolsáveis, ou em arranjo com instituições científicas e tecnológicas (ICTs) nacionais), e também a identificação dos projetos (não reembolsáveis e em arranjo cooperativo com ICTs). Veja aqui.
Os recursos não reembolsáveis foram pulverizados entre os projetos selecionados, sendo que o máximo destinado a cada um foi pouco mais de R$6,238 milhões. Há várias iniciativas no campo espacial, como já havíamos destacado anteriormente. A Avibras, por exemplo, obteve cerca de R$4,658 milhões para o projeto Veículo Lançador de Microssatélites. Ainda em lançadores, a Cenic terá R$6,209 milhões para o desenvolvimento dos módulos inter-estágios para o VLM, e mais R$5,637 milhões para o desenvolvimento de redes elétricas do mesmo veículo, em parceria com a JTDH Engenharia. A Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), receberá pouco mais de R$4,734 milhões para desenvolver um sistema imageador multiespectral reflexivo (VIS/NIR/SWIR).
Arranjo cooperativo
No arranjo cooperativo entre empresas e ICTs, os sistemas de controle de atitude e órbita (ACDH, em inglês), área considerada crítica no Brasil, foram o destaque. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) terá cerca deR$1,3 milhão para um projeto com a Compsis para ACDHs destinados a satélites e ao projeto SARA (Satélite de Reentrada Atmosférica), do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), e mais R$3,963 milhões para o "desenvolvimento do Sistema de Supervisão de Bordo e de Controle de Atitude e Órbita e sua integração na segunda geração da Plataforma Multimissão", este último em conjunto com a Odebrecht Defesa e Tecnologia (controladora da Mectron).
Iniciativas em propulsão também serão beneficiadas: o IAE terá a disposição R$4 milhões para o "desenvolvimento e absorção de tecnologias aplicáveis à fabricação do Motor Foguete a Propelente Líquido L75", em conjunto com a Globo Central de Usinagem. A Fibraforte e o INPE também tiveram um projeto para um propulsor mono-propelente de 400N, que receberá cerca e R$1,238 milhão.
Ainda, no projeto apresentado pela AEL Sistemas, de Porto Alegre (RS), os ICTs (PUC-RS, Unisinos, UFSM e UFRGS) receberão pouco menos de R$5 milhões, valor bem abaixo do montante total inicialmente requerido.
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[Nota atualizada às 15h40 para explicitar que no projeto MMM apenas os ICTs receberam recursos]
Sem alarde, a FINEP divulgou no último dia 25 o resultado final do programa Inova Aerodefesa, revelando os nomes das empresas que receberão recursos, a natureza (se reembolsáveis, não reembolsáveis, ou em arranjo com instituições científicas e tecnológicas (ICTs) nacionais), e também a identificação dos projetos (não reembolsáveis e em arranjo cooperativo com ICTs). Veja aqui.
Os recursos não reembolsáveis foram pulverizados entre os projetos selecionados, sendo que o máximo destinado a cada um foi pouco mais de R$6,238 milhões. Há várias iniciativas no campo espacial, como já havíamos destacado anteriormente. A Avibras, por exemplo, obteve cerca de R$4,658 milhões para o projeto Veículo Lançador de Microssatélites. Ainda em lançadores, a Cenic terá R$6,209 milhões para o desenvolvimento dos módulos inter-estágios para o VLM, e mais R$5,637 milhões para o desenvolvimento de redes elétricas do mesmo veículo, em parceria com a JTDH Engenharia. A Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), receberá pouco mais de R$4,734 milhões para desenvolver um sistema imageador multiespectral reflexivo (VIS/NIR/SWIR).
Arranjo cooperativo
No arranjo cooperativo entre empresas e ICTs, os sistemas de controle de atitude e órbita (ACDH, em inglês), área considerada crítica no Brasil, foram o destaque. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) terá cerca deR$1,3 milhão para um projeto com a Compsis para ACDHs destinados a satélites e ao projeto SARA (Satélite de Reentrada Atmosférica), do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), e mais R$3,963 milhões para o "desenvolvimento do Sistema de Supervisão de Bordo e de Controle de Atitude e Órbita e sua integração na segunda geração da Plataforma Multimissão", este último em conjunto com a Odebrecht Defesa e Tecnologia (controladora da Mectron).
Iniciativas em propulsão também serão beneficiadas: o IAE terá a disposição R$4 milhões para o "desenvolvimento e absorção de tecnologias aplicáveis à fabricação do Motor Foguete a Propelente Líquido L75", em conjunto com a Globo Central de Usinagem. A Fibraforte e o INPE também tiveram um projeto para um propulsor mono-propelente de 400N, que receberá cerca e R$1,238 milhão.
Ainda, no projeto apresentado pela AEL Sistemas, de Porto Alegre (RS), os ICTs (PUC-RS, Unisinos, UFSM e UFRGS) receberão pouco menos de R$5 milhões, valor bem abaixo do montante total inicialmente requerido.
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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
CBERS 3: nota da Opto Eletrônica
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Falha em foguete chinês não tira mérito do Programa Espacial Brasileiro
A Opto Eletrônica S.A. lamenta o incidente ocorrido no posicionamento do satélite CBERS-3 em órbita, na madrugada desta segunda, 09/12 (às 1h26, horário de Brasília). O satélite CBERS-3, desenvolvido conjuntamente por Brasil e China, foi lançado pelo veículo chinês Longa Marcha 4B, do Centro de Lançamentos de Satélites de Taiyuan, China. Avaliações preliminares apontam que uma falha no sistema de propulsão do veículo lançador, sob responsabilidade chinesa, resultaram na colocação do satélite em órbita inadequada, ocasionando perda do equipamento.
O satélite carregava duas câmeras chinesas e duas brasileiras. À parte brasileira, coube a Opto Eletrônica, vencedora em licitação, desenvolver a partir do zero as câmeras MUX (multiespectral) e WFI (wide field imager; esta, em parceria com a empresa Equatorial Sistemas). Hoje, apenas outros sete países (EUA, França, Rússia, Índia, Japão, China e Israel) detêm o conhecimento e a tecnologia necessários para desenvolver e produzir câmeras como estas. Os dados obtidos mostram que os subsistemas do CBERS-3, incluindo as câmeras funcionaram normalmente durante a tentativa de colocação em órbita. O satélite funcionou dentro do esperado até o choque contra a superfície da Antártida.
Importante ressaltar que já foram produzidos mais dois modelos de voo (Flight Models, FMs), completamente idênticos, de cada uma das duas câmeras que equipavam o satélite CBERS-3. Tais modelos estão prontos e funcionais para equipar os satélites CBERS-4 e CBERS-4B.
Portanto, iniciam-se imediatamente discussões técnicas entre os dois países visando à antecipação da montagem e lançamento do CBERS-4.
A história mostra que, apesar de completamente indesejáveis, as perdas de satélites durante o lançamento e “comissionamento” são relativamente comuns, mesmo para países que dominam completamente as tecnologias de propulsão envolvidas, como EUA, Rússia e a própria China. O satélite americano Landsat 6, por exemplo, teve falha similar em 1993, depois de uma série de cinco lançamentos bem sucedidos.
Como tal, o incidente de hoje deve ser encarado como mais uma etapa no aperfeiçoamento do complexo sistema propulsão de veículos lançadores. Neste instante, os engenheiros chineses, responsáveis pela construção e operação do veículo lançador, estão avaliando as possíveis causas do problema.
O programa Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, na sigla em inglês) gera imagens da superfície do território brasileiro para aplicações diversas, tais como zoneamento agrícola, monitoramento de desastres naturais e acompanhamento de alterações da cobertura vegetal, com grande aplicação na região amazônica.
De acordo com o Ministério de Ciência e Tecnologia, Brasil e China alcançaram resultados frutíferos nos últimos 25 anos de cooperação na área espacial, e estão confiantes na continuidade desse êxito.
Fonte: Opto Eletrônica.
Comentários do blog: como já era especulado momentos após a confirmação da falha do lançamento do CBERS 3, a estratégia a ser seguida pelos governos do Brasil e da China será a de acelerar a montagem do CBERS 4 para que este seja lançado tão logo que possível. Interessante notar que as partes consideram o lançamento de um terceiro satélite da segunda série, o CBERS 4B, estratégia similar a adotada no caso do CBERS 2B, que também fez uso de componentes redundantes e de engenharia.
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Falha em foguete chinês não tira mérito do Programa Espacial Brasileiro
A Opto Eletrônica S.A. lamenta o incidente ocorrido no posicionamento do satélite CBERS-3 em órbita, na madrugada desta segunda, 09/12 (às 1h26, horário de Brasília). O satélite CBERS-3, desenvolvido conjuntamente por Brasil e China, foi lançado pelo veículo chinês Longa Marcha 4B, do Centro de Lançamentos de Satélites de Taiyuan, China. Avaliações preliminares apontam que uma falha no sistema de propulsão do veículo lançador, sob responsabilidade chinesa, resultaram na colocação do satélite em órbita inadequada, ocasionando perda do equipamento.
O satélite carregava duas câmeras chinesas e duas brasileiras. À parte brasileira, coube a Opto Eletrônica, vencedora em licitação, desenvolver a partir do zero as câmeras MUX (multiespectral) e WFI (wide field imager; esta, em parceria com a empresa Equatorial Sistemas). Hoje, apenas outros sete países (EUA, França, Rússia, Índia, Japão, China e Israel) detêm o conhecimento e a tecnologia necessários para desenvolver e produzir câmeras como estas. Os dados obtidos mostram que os subsistemas do CBERS-3, incluindo as câmeras funcionaram normalmente durante a tentativa de colocação em órbita. O satélite funcionou dentro do esperado até o choque contra a superfície da Antártida.
Importante ressaltar que já foram produzidos mais dois modelos de voo (Flight Models, FMs), completamente idênticos, de cada uma das duas câmeras que equipavam o satélite CBERS-3. Tais modelos estão prontos e funcionais para equipar os satélites CBERS-4 e CBERS-4B.
Portanto, iniciam-se imediatamente discussões técnicas entre os dois países visando à antecipação da montagem e lançamento do CBERS-4.
A história mostra que, apesar de completamente indesejáveis, as perdas de satélites durante o lançamento e “comissionamento” são relativamente comuns, mesmo para países que dominam completamente as tecnologias de propulsão envolvidas, como EUA, Rússia e a própria China. O satélite americano Landsat 6, por exemplo, teve falha similar em 1993, depois de uma série de cinco lançamentos bem sucedidos.
Como tal, o incidente de hoje deve ser encarado como mais uma etapa no aperfeiçoamento do complexo sistema propulsão de veículos lançadores. Neste instante, os engenheiros chineses, responsáveis pela construção e operação do veículo lançador, estão avaliando as possíveis causas do problema.
O programa Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, na sigla em inglês) gera imagens da superfície do território brasileiro para aplicações diversas, tais como zoneamento agrícola, monitoramento de desastres naturais e acompanhamento de alterações da cobertura vegetal, com grande aplicação na região amazônica.
De acordo com o Ministério de Ciência e Tecnologia, Brasil e China alcançaram resultados frutíferos nos últimos 25 anos de cooperação na área espacial, e estão confiantes na continuidade desse êxito.
Fonte: Opto Eletrônica.
Comentários do blog: como já era especulado momentos após a confirmação da falha do lançamento do CBERS 3, a estratégia a ser seguida pelos governos do Brasil e da China será a de acelerar a montagem do CBERS 4 para que este seja lançado tão logo que possível. Interessante notar que as partes consideram o lançamento de um terceiro satélite da segunda série, o CBERS 4B, estratégia similar a adotada no caso do CBERS 2B, que também fez uso de componentes redundantes e de engenharia.
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segunda-feira, 11 de novembro de 2013
"FINEP - Apoiando a inovação em setores estratégicos"
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FINEP - Apoiando a inovação em setores estratégicos
André M. Mileski
Não é incomum encontrar em projetos nacionais de tecnologia militar o nome FINEP, ou então seu logotipo em protótipos ou cartazes de apresentação. De fato, esta sigla, de alguma forma, direta ou indiretamente, está presente em praticamente todos os setores considerados estratégicos pelo Brasil, como a agricultura, petróleo e gás, energia, telecomunicações, biotecnologia e, é claro, defesa e aeroespacial. Mas, afinal, o que vem a ser a FINEP, e qual é o seu papel?
Criada em 24 de julho de 1967, a FINEP - Agência Brasileira da Inovação é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a missão de”promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil por meio do fomento público à Ciência, Tecnologia e Inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas.”
A partir de 1969, com a instituição pelo Governo Federal do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), criado com o propósito de financiar a expansão do sistema de Ciência &Tecnologia, o papel da FINEP como indutora de atividades inovadoras ganhou enorme impulso. Tal função, associada ainda ao seu caráter de financiadora do desenvolvimento científico e tecnológico, ficou ainda mais evidenciada com a edição da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia & Inovação (ENCTI), análoga da Estratégia Nacional de Defesa em relação à Ciência & Tecnologia que, aliás, elenca dentre as áreas prioritárias o Complexo Industrial da Defesa, o Aeroespacial e o Nuclear.
Atualmente, a FINEP apoia todas as etapas e dimensões do ciclo que se estende da pesquisa básica à aplicada, além da melhoria e desenvolvimento de processos, produtos e serviços associados à inovação. Na esfera privada, sua atuação se dá por meio de programas de liberação de recurso reembolsáveis, na forma de empréstimos, não reembolsáveis (subvenções), e também investimentos indiretos, por meio de fundos de investimento, em empresas classificadas como inovadoras.
Junto ao apoio direto a essas iniciativas pela iniciativa privada, a FINEP ainda atua na destinação de recursos não reembolsáveis, oriundos de fundos setoriais, para o apoio a projetos de C,T&I apresentados por instituições científicas e tecnológicas (ICTs) nacionais. É nesse âmbito que a empresa administra o PROINFRA, para apoio a projetos de manutenção, atualização e modernização da infraestrutura de pesquisa de ICTs. Dezenas de universidades e centros de pesquisa brasileiros recebem recursos para a criação, ampliação e/ou modernização de laboratórios e infraestrutura para Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (P,D&I).
As linhas de financiamento da FINEP são abastecidas com recursos orçamentários, do MCTI, e também pelos Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia, criados a partir de 1999. Hoje, existem 17 desses fundos, sendo 14 para setores específicos, dentre eles o aeronáutico e o espacial. Os fundos setoriais são capitalizados por variadas fontes, como contribuições incidentes sobre o resultado da exploração de recursos naturais pertencentes à União, e parcelas de tributos incidentes em setores e atividades específicas.
Aeroespacial e de defesa
Com base em indicadores de intensidade de P,D&I, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, sigla em francês) classifica os setores produtivos em quatro grupos principais de intensidade tecnológica, sendo que o aeroespacial, ao lado dos farmacêutico, informática, eletrônica e comunicações figuram no topo dessa classificação, considerados de alta intensidade tecnológica.
Não é sem motivo, portanto, que a FINEP tem apoiado ao longo de sua história iniciativas nas áreas aeroespacial, de defesa e segurança, tanto por meio de apoio direto à iniciativa privada, com financiamentos e subvenções econômicas, como investimentos e aportes de recursos em programas de centros de pesquisa e tecnologia das três Forças Armadas, universidades e entidades ligadas ao Programa Espacial Brasileiro.
Em matéria aeronáutica, por exemplo, um dos projetos mais bem sucedidos e que contou com o apoio da agência foi a aeronave de treinamento EMB-312 Tucano, da Embraer, que obteve grande sucesso em exportações e também contribuiu de forma significativa para determinadas capacitações pela Embraer, hoje terceira maior fabricante de aeronaves no mundo.
No campo espacial, é também largamente reconhecida a atuação, tanto na cadeia industrial ou diretamente no projeto propriamente dito, da FINEP no programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), iniciado no final da década de 1980 e com cinco satélites de observação já contratados. Com a retomada nos últimos anos da indústria brasileira de defesa, o papel da FINEP como indutora do desenvolvimento de novas tecnologias foi fortalecido. No período de 2004 ao início de 2011, a agência destinou mais de R$1 bilhão apenas para a área de defesa, montante significativamente ampliado nos últimos anos.
Uma das empresas mais beneficiadas com o apoio da FINEP é a Mectron, de São José dos Campos (SP), hoje parte da Odebrecht Defesa e Tecnologia. Ao longo de sua história, recebeu contratos com a agência que, somados, superam mais de R$382 milhões, principalmente para projetos de mísseis. Apenas o míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, uma parceria binacional do Brasil e da África do Sul, registrou aportes de linhas do MCTI próximos de R$250 milhões.
No campo naval, projetos tecnológicos não tão conhecidos, mas significativos, também foram beneficiados pela FINEP. É o caso do Sistema de Detecção, Acompanhamento e Classificação de Contatos (SDAC), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) em conjunto com a Atech, cujo objetivo futuro é obter um sistema sonar passivo nacional; do Sistema de Aquisição de Dados Acústicos, Magnéticos, Pressão e Campo Elétrico (SAAMPE), para emprego em guerra de minas navais; e do Sistema Integrado de Navegação Inercial para Veículos Submarinos Autônomos (SINVSA).
Em segurança pública, nos últimos anos, a FINEP investiu mais de R$80 milhões em financiamentos, muito em vista da realização dos grandes eventos esportivos no Brasil, como a Copa do Mundo da FIFA, em 2014, e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016. Foram beneficiadas iniciativas como o sistema de comunicações do “Disque-Denúncia” no Rio de Janeiro (RJ), e pequenos robôs para a neutralização de explosivos. O robô, chamado DIANE, da Ares Aeroespacial, recebeu R$2,6 milhões. Outro campo apoiado foi o das análises forenses que, a cada dia, se tornam mais importantes para a rápida resolução de crimes. A FINEP financiou o Programa de Ciência e Tecnologia Aplicado à Segurança Pública, do Instituto Nacional de Criminalística (INC), de Brasília (DF), para apoio e fomento a projetos de P&D de novas tecnologias, inovação e capacitação em análises químicas, mineralogia, genética, geofísica, geoprocessamento e análise papiloscópica.
Inova Aerodefesa
Em maio de 2013, o Governo Federal, com efetiva participação da FINEP, deu um importante passo para estimular as atividades de P,D&I por meio do lançamento do edital de seleção pública do plano Inova Aerodefesa, que destinará R$ 2,9 bilhões para a inovação tecnológica nos setores aeroespacial, de aeronáutica, de defesa e de segurança pública. O plano é voltado para as indústrias e centros de pesquisas, e visa fortalecer setores estratégicos por meio de ações para estimular a parceria entre iniciativa privada e instituições, com descentralização de crédito e subvenção econômica para o investimento em programas de inovação tecnológica. Dos valores disponíveis, R$2,4 bilhões são de linhas da FINEP e, outros R$500 milhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O edital faz parte do Plano Inova Empresa, lançado em março último, e que prevê a articulação de diferentes ministérios e apoio por meio de crédito e financiamento, num total de R$ 32,9 bilhões a aplicar até 2014, destinados a empresas brasileiras de todos os portes que tenham projetos inovadores. O objetivo são os setores considerados prioritários como saúde, aeroespacial e defesa, energia, petróleo e gás, sustentabilidade socioambiental e tecnologia da informação.
O primeiro edital do Inova Aerodefesa elencou quatro linhas temáticas: (i) Aeroespacial – propulsão espacial (motores e veículos); a plataformas e satélites (de pequeno porte) e à indústria aeronáutica visando aeronaves mais eficientes; (ii) Defesa – sensores e/ou sensoriamento remoto (equipamentos e/ou componentes),sistemas e subsistemas de comando e controle; (iii) Segurança Pública – sistemas de identificação biométrica e a sistemas de informações (tais como o SIG-Sistemas de Informações Geográficas), e ainda diversos tipos de armas não letais; e (iv) Materiais Especiais – para aplicações diversas e na indústria de defesa (fibras e carbono e compósitos) incluindo ligas metálicas à base de aços.
Em julho, a FINEP divulgou o resultado preliminar das selecionadas para o programa, tendo sido habilitadas 69 empresas líderes, que incluem gigantes como a Embraer, General Electric, Helibras, e grandes construtoras como a Odebrecht e Andrade Gutierrez, e outras, de médio e pequeno portes. Somados todos os projetos apresentados, a demanda qualificada de recursos é de R$ 12,6 bilhões, valor bem acima dos R$2,9 bilhões disponibilizados. No final de agosto, foi realizado um workshop em São Paulo (SP) para reunir as empresas qualificadas, assim como parceiros e ICTs. Como é natural nessas iniciativas, nem todos os projetos pré-selecionados serão beneficiados neste primeiro edital, mas, a partir da criação do Inova Aerodefesa, espera-se o lançamento frequente de novos processos de seleção no futuro.
No início de setembro, outro meio de financiamento, conceitualmente mais capitalista, foi lançado pela FINEP, juntamente com o BNDES, a Agência de Fomento do Estado de São Paulo S/A, e a Embraer, por meio da aprovação de uma chamada pública para a seleção de uma gestora de um fundo de investimento em participações focado nos setores aeronáutico, aeroespacial, de defesa e de segurança. O fundo, que ainda será constituído, terá um capital comprometido inicial de R$130 milhões, sendo que a FINEP investirá R$40 milhões. Fará investimentos em empresas desses setores, na expectativa de que os investimentos se valorizem e sejam realizados por meio da venda das participações ou aberturas de capital, dentre outras formas de saída.
Com o Inova Aerodefesa e o fundo de investimento, o desenvolvimento tecnológico e a inovação de setores estratégicos como o aeroespacial e defesa, altamente demandantes de recursos, passarão a contar com mais opções de financiamento.
Alguns projetos apoiados pela FINEP
- Projeto VANT: desenvolvido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Centro Tecnológico do Exército (CTEx), Instituto de Pesquisas da Marinha (IpqM) e Avibras Aeroespacial.
- Projeto Guarani: mais de R$10 milhões para o desenvolvimento da Viatura Blindada de Transporte Pessoal Média de Rotas (VBTP-MR) Guarani, do Exército Brasileiro.
- Radares da família SABER: aporte de mais de R$40 milhões, oriundos de fundos setoriais, para o desenvolvimento dos radares de vigilância SABER M60 e M200, projeto do CTEx e da empresa Orbisat [Nota do blog: agora chamada Bradar], hoje parte do grupo Embraer Defesa e Segurança.
- Míssil A-Darter: recursos para o projeto do míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, iniciativa conjunta entre os governos do Brasil e África do Sul, que conta com a participação das empresas nacionais Mectron (Odebrecht), Avibrás Aeroespacial e Opto Eletrônica.
- Sistemas Inerciais: mais de R$ 40 milhões para o projeto Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial (SIA), iniciativa conjunta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do DCTA e de várias indústrias da região do Vale do Paraíba (SP) visando o domínio nacional em sistemas inerciais de navegação para foguetes e satélites. No âmbito do SIA, foi também construído o LABSIA - Laboratório de Sistemas Inerciais, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), inaugurado em julho deste ano. Ainda em matéria de sistemas inerciais, a empresa vinculada ao MCTI destinou cerca de R$3,3 milhões para o desenvolvimento e fabricação no País de uma mesa inercial, um equipamento composto por múltiplos eixos, utilizado para a realização de testes e calibração. O projeto está a cargo da Infax Tecnologia e Sistemas, pequena empresa com sede no Rio de Janeiro (RJ).
- Treinador T-Xc: subvenção econômica de aproximadamente R$10 milhões para o desenvolvimento do treinador primário T-Xc, da Novaer Craft, que pode vir a substituir os T-25 Universal operados pela Academia da Força Aérea em Pirassununga (SP).
- Ampliação do LIT/INPE: destinação de R$45 milhões para a ampliação da capacidade do Laboratório de Integração e Testes (LIT), do INPE, em São José dos Campos (SP), para integração, testes e ensaios de satélites de até 6 toneladas.
- PROANTAR: investimento não reembolsável de R$69 milhões para a aquisição do navio polar de pesquisa oceanográfica Almirante Maximiano, operado pela Marinha do Brasil.
- Supercomputador do CPTEC/INPE: o supercomputador Cray, batizado de Tupã, instalado no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), em Cachoeira Paulista (SP), em operação desde o final de 2010, recebeu R$35 milhões em recursos da FINEP. Nos últimos 20 anos, a FINEP destinou cerca de R$ 100 milhões em infraestrutura e projetos na área de meteorologia, especialmente nos dois centros de meteorologia e pesquisas climáticas do País, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o CPTEC/INPE.
Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 134, outubro de 2013.
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FINEP - Apoiando a inovação em setores estratégicos
André M. Mileski
Não é incomum encontrar em projetos nacionais de tecnologia militar o nome FINEP, ou então seu logotipo em protótipos ou cartazes de apresentação. De fato, esta sigla, de alguma forma, direta ou indiretamente, está presente em praticamente todos os setores considerados estratégicos pelo Brasil, como a agricultura, petróleo e gás, energia, telecomunicações, biotecnologia e, é claro, defesa e aeroespacial. Mas, afinal, o que vem a ser a FINEP, e qual é o seu papel?
Criada em 24 de julho de 1967, a FINEP - Agência Brasileira da Inovação é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com a missão de”promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil por meio do fomento público à Ciência, Tecnologia e Inovação em empresas, universidades, institutos tecnológicos e outras instituições públicas ou privadas.”
A partir de 1969, com a instituição pelo Governo Federal do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), criado com o propósito de financiar a expansão do sistema de Ciência &Tecnologia, o papel da FINEP como indutora de atividades inovadoras ganhou enorme impulso. Tal função, associada ainda ao seu caráter de financiadora do desenvolvimento científico e tecnológico, ficou ainda mais evidenciada com a edição da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia & Inovação (ENCTI), análoga da Estratégia Nacional de Defesa em relação à Ciência & Tecnologia que, aliás, elenca dentre as áreas prioritárias o Complexo Industrial da Defesa, o Aeroespacial e o Nuclear.
Atualmente, a FINEP apoia todas as etapas e dimensões do ciclo que se estende da pesquisa básica à aplicada, além da melhoria e desenvolvimento de processos, produtos e serviços associados à inovação. Na esfera privada, sua atuação se dá por meio de programas de liberação de recurso reembolsáveis, na forma de empréstimos, não reembolsáveis (subvenções), e também investimentos indiretos, por meio de fundos de investimento, em empresas classificadas como inovadoras.
Junto ao apoio direto a essas iniciativas pela iniciativa privada, a FINEP ainda atua na destinação de recursos não reembolsáveis, oriundos de fundos setoriais, para o apoio a projetos de C,T&I apresentados por instituições científicas e tecnológicas (ICTs) nacionais. É nesse âmbito que a empresa administra o PROINFRA, para apoio a projetos de manutenção, atualização e modernização da infraestrutura de pesquisa de ICTs. Dezenas de universidades e centros de pesquisa brasileiros recebem recursos para a criação, ampliação e/ou modernização de laboratórios e infraestrutura para Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (P,D&I).
As linhas de financiamento da FINEP são abastecidas com recursos orçamentários, do MCTI, e também pelos Fundos Setoriais de Ciência e Tecnologia, criados a partir de 1999. Hoje, existem 17 desses fundos, sendo 14 para setores específicos, dentre eles o aeronáutico e o espacial. Os fundos setoriais são capitalizados por variadas fontes, como contribuições incidentes sobre o resultado da exploração de recursos naturais pertencentes à União, e parcelas de tributos incidentes em setores e atividades específicas.
Aeroespacial e de defesa
Com base em indicadores de intensidade de P,D&I, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, sigla em francês) classifica os setores produtivos em quatro grupos principais de intensidade tecnológica, sendo que o aeroespacial, ao lado dos farmacêutico, informática, eletrônica e comunicações figuram no topo dessa classificação, considerados de alta intensidade tecnológica.
Não é sem motivo, portanto, que a FINEP tem apoiado ao longo de sua história iniciativas nas áreas aeroespacial, de defesa e segurança, tanto por meio de apoio direto à iniciativa privada, com financiamentos e subvenções econômicas, como investimentos e aportes de recursos em programas de centros de pesquisa e tecnologia das três Forças Armadas, universidades e entidades ligadas ao Programa Espacial Brasileiro.
Em matéria aeronáutica, por exemplo, um dos projetos mais bem sucedidos e que contou com o apoio da agência foi a aeronave de treinamento EMB-312 Tucano, da Embraer, que obteve grande sucesso em exportações e também contribuiu de forma significativa para determinadas capacitações pela Embraer, hoje terceira maior fabricante de aeronaves no mundo.
No campo espacial, é também largamente reconhecida a atuação, tanto na cadeia industrial ou diretamente no projeto propriamente dito, da FINEP no programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), iniciado no final da década de 1980 e com cinco satélites de observação já contratados. Com a retomada nos últimos anos da indústria brasileira de defesa, o papel da FINEP como indutora do desenvolvimento de novas tecnologias foi fortalecido. No período de 2004 ao início de 2011, a agência destinou mais de R$1 bilhão apenas para a área de defesa, montante significativamente ampliado nos últimos anos.
Uma das empresas mais beneficiadas com o apoio da FINEP é a Mectron, de São José dos Campos (SP), hoje parte da Odebrecht Defesa e Tecnologia. Ao longo de sua história, recebeu contratos com a agência que, somados, superam mais de R$382 milhões, principalmente para projetos de mísseis. Apenas o míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, uma parceria binacional do Brasil e da África do Sul, registrou aportes de linhas do MCTI próximos de R$250 milhões.
No campo naval, projetos tecnológicos não tão conhecidos, mas significativos, também foram beneficiados pela FINEP. É o caso do Sistema de Detecção, Acompanhamento e Classificação de Contatos (SDAC), desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) em conjunto com a Atech, cujo objetivo futuro é obter um sistema sonar passivo nacional; do Sistema de Aquisição de Dados Acústicos, Magnéticos, Pressão e Campo Elétrico (SAAMPE), para emprego em guerra de minas navais; e do Sistema Integrado de Navegação Inercial para Veículos Submarinos Autônomos (SINVSA).
Em segurança pública, nos últimos anos, a FINEP investiu mais de R$80 milhões em financiamentos, muito em vista da realização dos grandes eventos esportivos no Brasil, como a Copa do Mundo da FIFA, em 2014, e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, em 2016. Foram beneficiadas iniciativas como o sistema de comunicações do “Disque-Denúncia” no Rio de Janeiro (RJ), e pequenos robôs para a neutralização de explosivos. O robô, chamado DIANE, da Ares Aeroespacial, recebeu R$2,6 milhões. Outro campo apoiado foi o das análises forenses que, a cada dia, se tornam mais importantes para a rápida resolução de crimes. A FINEP financiou o Programa de Ciência e Tecnologia Aplicado à Segurança Pública, do Instituto Nacional de Criminalística (INC), de Brasília (DF), para apoio e fomento a projetos de P&D de novas tecnologias, inovação e capacitação em análises químicas, mineralogia, genética, geofísica, geoprocessamento e análise papiloscópica.
Inova Aerodefesa
Em maio de 2013, o Governo Federal, com efetiva participação da FINEP, deu um importante passo para estimular as atividades de P,D&I por meio do lançamento do edital de seleção pública do plano Inova Aerodefesa, que destinará R$ 2,9 bilhões para a inovação tecnológica nos setores aeroespacial, de aeronáutica, de defesa e de segurança pública. O plano é voltado para as indústrias e centros de pesquisas, e visa fortalecer setores estratégicos por meio de ações para estimular a parceria entre iniciativa privada e instituições, com descentralização de crédito e subvenção econômica para o investimento em programas de inovação tecnológica. Dos valores disponíveis, R$2,4 bilhões são de linhas da FINEP e, outros R$500 milhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O edital faz parte do Plano Inova Empresa, lançado em março último, e que prevê a articulação de diferentes ministérios e apoio por meio de crédito e financiamento, num total de R$ 32,9 bilhões a aplicar até 2014, destinados a empresas brasileiras de todos os portes que tenham projetos inovadores. O objetivo são os setores considerados prioritários como saúde, aeroespacial e defesa, energia, petróleo e gás, sustentabilidade socioambiental e tecnologia da informação.
O primeiro edital do Inova Aerodefesa elencou quatro linhas temáticas: (i) Aeroespacial – propulsão espacial (motores e veículos); a plataformas e satélites (de pequeno porte) e à indústria aeronáutica visando aeronaves mais eficientes; (ii) Defesa – sensores e/ou sensoriamento remoto (equipamentos e/ou componentes),sistemas e subsistemas de comando e controle; (iii) Segurança Pública – sistemas de identificação biométrica e a sistemas de informações (tais como o SIG-Sistemas de Informações Geográficas), e ainda diversos tipos de armas não letais; e (iv) Materiais Especiais – para aplicações diversas e na indústria de defesa (fibras e carbono e compósitos) incluindo ligas metálicas à base de aços.
Em julho, a FINEP divulgou o resultado preliminar das selecionadas para o programa, tendo sido habilitadas 69 empresas líderes, que incluem gigantes como a Embraer, General Electric, Helibras, e grandes construtoras como a Odebrecht e Andrade Gutierrez, e outras, de médio e pequeno portes. Somados todos os projetos apresentados, a demanda qualificada de recursos é de R$ 12,6 bilhões, valor bem acima dos R$2,9 bilhões disponibilizados. No final de agosto, foi realizado um workshop em São Paulo (SP) para reunir as empresas qualificadas, assim como parceiros e ICTs. Como é natural nessas iniciativas, nem todos os projetos pré-selecionados serão beneficiados neste primeiro edital, mas, a partir da criação do Inova Aerodefesa, espera-se o lançamento frequente de novos processos de seleção no futuro.
No início de setembro, outro meio de financiamento, conceitualmente mais capitalista, foi lançado pela FINEP, juntamente com o BNDES, a Agência de Fomento do Estado de São Paulo S/A, e a Embraer, por meio da aprovação de uma chamada pública para a seleção de uma gestora de um fundo de investimento em participações focado nos setores aeronáutico, aeroespacial, de defesa e de segurança. O fundo, que ainda será constituído, terá um capital comprometido inicial de R$130 milhões, sendo que a FINEP investirá R$40 milhões. Fará investimentos em empresas desses setores, na expectativa de que os investimentos se valorizem e sejam realizados por meio da venda das participações ou aberturas de capital, dentre outras formas de saída.
Com o Inova Aerodefesa e o fundo de investimento, o desenvolvimento tecnológico e a inovação de setores estratégicos como o aeroespacial e defesa, altamente demandantes de recursos, passarão a contar com mais opções de financiamento.
Alguns projetos apoiados pela FINEP
- Projeto VANT: desenvolvido pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Centro Tecnológico do Exército (CTEx), Instituto de Pesquisas da Marinha (IpqM) e Avibras Aeroespacial.
- Projeto Guarani: mais de R$10 milhões para o desenvolvimento da Viatura Blindada de Transporte Pessoal Média de Rotas (VBTP-MR) Guarani, do Exército Brasileiro.
- Radares da família SABER: aporte de mais de R$40 milhões, oriundos de fundos setoriais, para o desenvolvimento dos radares de vigilância SABER M60 e M200, projeto do CTEx e da empresa Orbisat [Nota do blog: agora chamada Bradar], hoje parte do grupo Embraer Defesa e Segurança.
- Míssil A-Darter: recursos para o projeto do míssil ar-ar de quinta geração A-Darter, iniciativa conjunta entre os governos do Brasil e África do Sul, que conta com a participação das empresas nacionais Mectron (Odebrecht), Avibrás Aeroespacial e Opto Eletrônica.
- Sistemas Inerciais: mais de R$ 40 milhões para o projeto Sistemas Inerciais para Aplicação Aeroespacial (SIA), iniciativa conjunta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do DCTA e de várias indústrias da região do Vale do Paraíba (SP) visando o domínio nacional em sistemas inerciais de navegação para foguetes e satélites. No âmbito do SIA, foi também construído o LABSIA - Laboratório de Sistemas Inerciais, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), inaugurado em julho deste ano. Ainda em matéria de sistemas inerciais, a empresa vinculada ao MCTI destinou cerca de R$3,3 milhões para o desenvolvimento e fabricação no País de uma mesa inercial, um equipamento composto por múltiplos eixos, utilizado para a realização de testes e calibração. O projeto está a cargo da Infax Tecnologia e Sistemas, pequena empresa com sede no Rio de Janeiro (RJ).
- Treinador T-Xc: subvenção econômica de aproximadamente R$10 milhões para o desenvolvimento do treinador primário T-Xc, da Novaer Craft, que pode vir a substituir os T-25 Universal operados pela Academia da Força Aérea em Pirassununga (SP).
- Ampliação do LIT/INPE: destinação de R$45 milhões para a ampliação da capacidade do Laboratório de Integração e Testes (LIT), do INPE, em São José dos Campos (SP), para integração, testes e ensaios de satélites de até 6 toneladas.
- PROANTAR: investimento não reembolsável de R$69 milhões para a aquisição do navio polar de pesquisa oceanográfica Almirante Maximiano, operado pela Marinha do Brasil.
- Supercomputador do CPTEC/INPE: o supercomputador Cray, batizado de Tupã, instalado no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), em Cachoeira Paulista (SP), em operação desde o final de 2010, recebeu R$35 milhões em recursos da FINEP. Nos últimos 20 anos, a FINEP destinou cerca de R$ 100 milhões em infraestrutura e projetos na área de meteorologia, especialmente nos dois centros de meteorologia e pesquisas climáticas do País, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e o CPTEC/INPE.
Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 134, outubro de 2013.
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012
CBERS 4: Opto envia câmera para a China
Opto envia à China câmera do satélite CBERS-4
A Opto enviou para a China, na manhã da última segunda, 12/11, o segundo modelo de voo da câmera MUX, que irá equipar o satélite sino-brasileiro CBERS-4. Hoje, apenas outros sete países (EUA, França, Rússia, Índia, Japão, China e Israel) detêm o conhecimento e a tecnologia necessários para construir uma câmera como esta. A Opto é a única companhia da América Latina capacitada a desenvolver e produzir tal equipamento – e de forma independente –, colocando o Brasil entre o seleto grupo de nações a dominar a tecnologia de imageamento aeroespacial. Chamada de MUX FM2 (multiespectral, flight model 2), a câmera é destinada ao monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais.
Em 30/03, uma câmera idêntica a esta também foi enviada para a China, mas para equipar o satélite CBERS-3 (cujo lançamento está programado para janeiro de 2013, por meio do foguete chinês “Longa Marcha”). A MUX tem massa superior a 120 kg e é capaz de produzir imagens com 20 metros de resolução do solo, a mais de 750 km de altitude. Desconsiderando a curvatura da Terra (para exemplificar), seria como se, de São Carlos/SP, fosse possível enxergar um ônibus em Brasília/DF. A faixa de largura imageada, extensão do território visto em uma linha na imagem, é de 120 km de largura.
Independência tecnológica
A fabricação da MUX pela Opto atende à diretriz do Programa Espacial Brasileiro de fomentar a capacitação e o desenvolvimento de tecnologia de ponta pela indústria nacional. O trabalho da companhia também contribui para a independência tecnológica em áreas altamente sensíveis do ponto de vista estratégico.
Construída para auxiliar de forma decisiva no monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais (trabalhando em quatro bandas espectrais de luz), as imagens produzidas pela câmera têm capacidade de mostrar, com precisão, queimadas, desmatamentos, alteração de cursos d’água, ocupação urbana desordenada, entre outras funções. As imagens poderão ser utilizadas em todo o mundo, gratuitamente, por meio do site do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Projeto
O projeto da câmera teve início em 2004, quando a Opto venceu a licitação internacional para o desenvolvimento e fabricação da câmera. O projeto sofreu diversos aperfeiçoamentos, principalmente em razão do não compartilhamento de tecnologias e venda de componentes “sensíveis” por outros países. Contudo, a companhia de São Carlos conseguiu, de forma inédita, desenvolver soluções próprias e inovadoras, dominando todo o ciclo de construção do equipamento. Para se ter ideia, somente o projeto preliminar da câmera foi composto por mais de 450 documentos, totalizando mais de 16 mil páginas.
Nesse período, foram construídas versões sucessivas de protótipos, denominadas modelos de engenharia, de qualificação e de voo (modelo final) da câmera MUX. O modelo de qualificação, por exemplo, foi exaustivamente testado (como em provas extremas de choque e vibração). O objetivo da bateria de testes e ensaios foi assegurar que o projeto (e consequentemente o equipamento) suporta as cargas de lançamento e as condições de temperatura, radiação e vácuo no espaço, além de verificar se ele atende aos requisitos de envelhecimento e compatibilidade eletromagnética com os outros sistemas do satélite, mantendo sempre o melhor desempenho funcional.
Fonte: Opto, com edição do blog Panorama Espacial.
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terça-feira, 3 de abril de 2012
CBERS 3: câmera MUX enviada à China
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Opto envia câmera nacional do satélite CBERS 3 à China
03-04-2012
Considerado por especialistas independentes como um marco da engenharia nacional, a Opto Eletrônica enviou na última sexta, 30/03, à China, uma moderna e complexa câmera imageadora que irá equipar o satélite sino-brasileiro Cbers 3.
Trata-se da primeira câmera no gênero inteiramente desenvolvida e produzida no País. O equipamento, feito na matriz da Opto em São Carlos, coloca o Brasil entre os 10 países do mundo a dominar a tecnologia de imageamento aeroespacial. De nome MUX (de multiespectral), a câmera é destinada ao monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais. O satélite Cbers 3 tem lançamento programado para novembro deste ano e será levado à órbita por meio do foguete chinês "Longa Marcha".
A MUX pesa mais de 120 kg e é capaz de fazer imagens com 20 metros de resolução do solo, a mais de 750 km de altitude. Desconsiderando a curvatura da Terra e as nuvens (para exemplificar), seria como se, de São Carlos/SP, fosse possível enxergar um ônibus em Brasília/DF. A faixa de largura imageada, extensão do território visto em uma linha na imagem, é de 120 km de largura.
Independência tecnológica
A fabricação da MUX pela Opto atende à diretriz do Programa Espacial Brasileiro de fomentar a capacitação e o desenvolvimento de tecnologia de ponta pela indústria nacional. O trabalho da companhia também contribui para a independência tecnológica em áreas altamente sensíveis do ponto de vista estratégico.
Construída para auxiliar de forma decisiva no monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais (trabalhando em quatro bandas espectrais de luz), as imagens produzidas pela câmera têm capacidade de mostrar, com precisão, queimadas, desmatamentos, alteração de cursos d"água, ocupação urbana desordenada, entre outras funções. As imagens poderão ser utilizadas em todo o mundo, gratuitamente, por meio do site do INPE.
Projeto
O projeto da câmera teve início em 2004, quando a Opto venceu a licitação internacional para o desenvolvimento e fabricação da câmera. O projeto sofreu diversos aperfeiçoamentos, principalmente em razão do não compartilhamento de tecnologias e venda de componentes "sensíveis" por outros países. Contudo, a companhia de São Carlos conseguiu, de forma inédita, desenvolver soluções próprias e inovadoras, dominando todo o ciclo de construção do equipamento.
Para se ter idéia, somente o projeto preliminar da câmera foi composto por mais de 450 documentos, totalizando mais de 16 mil páginas.
Nesse período, foram construídas versões sucessivas de protótipos, denominadas modelos de engenharia, de qualificação e de voo (modelo final) da câmera MUX. O modelo de qualificação, por exemplo, foi exaustivamente testado (como em provas extremas de choque e vibração). O objetivo da bateria de testes e ensaios foi assegurar que o projeto (e consequentemente o equipamento) suporta as cargas de lançamento e as condições de temperatura, radiação e vácuo no espaço, além de verificar se ele atende aos requisitos de envelhecimento e compatibilidade eletromagnética com os outros sistemas do satélite, mantendo sempre o melhor desempenho funcional.
Cerimônia
Os funcionários da companhia participaram de um evento simbólico do embarque da câmera, considerada pelos diretores da empresa – e especialistas do setor – como um marco para a indústria nacional. "Hoje é um dia histórico para todos nós, não só da Opto, mas para todos aqueles que se importam com a independência tecnológica da nação", afirma Mario Stefani, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Opto.
Fonte: São Carlos Dia e Noite, via AEB.
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Opto envia câmera nacional do satélite CBERS 3 à China
03-04-2012
Considerado por especialistas independentes como um marco da engenharia nacional, a Opto Eletrônica enviou na última sexta, 30/03, à China, uma moderna e complexa câmera imageadora que irá equipar o satélite sino-brasileiro Cbers 3.
Trata-se da primeira câmera no gênero inteiramente desenvolvida e produzida no País. O equipamento, feito na matriz da Opto em São Carlos, coloca o Brasil entre os 10 países do mundo a dominar a tecnologia de imageamento aeroespacial. De nome MUX (de multiespectral), a câmera é destinada ao monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais. O satélite Cbers 3 tem lançamento programado para novembro deste ano e será levado à órbita por meio do foguete chinês "Longa Marcha".
A MUX pesa mais de 120 kg e é capaz de fazer imagens com 20 metros de resolução do solo, a mais de 750 km de altitude. Desconsiderando a curvatura da Terra e as nuvens (para exemplificar), seria como se, de São Carlos/SP, fosse possível enxergar um ônibus em Brasília/DF. A faixa de largura imageada, extensão do território visto em uma linha na imagem, é de 120 km de largura.
Independência tecnológica
A fabricação da MUX pela Opto atende à diretriz do Programa Espacial Brasileiro de fomentar a capacitação e o desenvolvimento de tecnologia de ponta pela indústria nacional. O trabalho da companhia também contribui para a independência tecnológica em áreas altamente sensíveis do ponto de vista estratégico.
Construída para auxiliar de forma decisiva no monitoramento ambiental e gerenciamento de recursos naturais (trabalhando em quatro bandas espectrais de luz), as imagens produzidas pela câmera têm capacidade de mostrar, com precisão, queimadas, desmatamentos, alteração de cursos d"água, ocupação urbana desordenada, entre outras funções. As imagens poderão ser utilizadas em todo o mundo, gratuitamente, por meio do site do INPE.
Projeto
O projeto da câmera teve início em 2004, quando a Opto venceu a licitação internacional para o desenvolvimento e fabricação da câmera. O projeto sofreu diversos aperfeiçoamentos, principalmente em razão do não compartilhamento de tecnologias e venda de componentes "sensíveis" por outros países. Contudo, a companhia de São Carlos conseguiu, de forma inédita, desenvolver soluções próprias e inovadoras, dominando todo o ciclo de construção do equipamento.
Para se ter idéia, somente o projeto preliminar da câmera foi composto por mais de 450 documentos, totalizando mais de 16 mil páginas.
Nesse período, foram construídas versões sucessivas de protótipos, denominadas modelos de engenharia, de qualificação e de voo (modelo final) da câmera MUX. O modelo de qualificação, por exemplo, foi exaustivamente testado (como em provas extremas de choque e vibração). O objetivo da bateria de testes e ensaios foi assegurar que o projeto (e consequentemente o equipamento) suporta as cargas de lançamento e as condições de temperatura, radiação e vácuo no espaço, além de verificar se ele atende aos requisitos de envelhecimento e compatibilidade eletromagnética com os outros sistemas do satélite, mantendo sempre o melhor desempenho funcional.
Cerimônia
Os funcionários da companhia participaram de um evento simbólico do embarque da câmera, considerada pelos diretores da empresa – e especialistas do setor – como um marco para a indústria nacional. "Hoje é um dia histórico para todos nós, não só da Opto, mas para todos aqueles que se importam com a independência tecnológica da nação", afirma Mario Stefani, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Opto.
Fonte: São Carlos Dia e Noite, via AEB.
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Nova câmera da Opto Eletrônica
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A leitura do Diário Oficial da União nas últimas semanas do ano costumam trazer informações interessantes sobre novos negócios e contratos fechados pelo governo. Na edição de 16 de dezembro, por exemplo, foi publicado um extrato de dispensa de licitação prevendo o fornecimento pela Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), de uma nova câmera espacial para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), negócio avaliado em pouco mais de R$ 9,5 milhões. O extrato tem por objeto o "fornecimento, sob risco tecnológico, de tecnologias de banda SWIR, de telescópio TMA (Three Mirror Anastigmat ou Anastigmático de Três Espelhos) e de estruturas em carbeto de silício (SiC), acompanhadas de Protótipo de uma Câmera Multiespectral VISWIR".
De acordo com o apurado pelo blog Panorama Espacial, o desenvolvimento da nova câmera representará um grande desafio tecnológico, razão pela qual a contratação deverá ser feita por meio da Lei nº 10.973/04, conhecida como a Lei de Inovação, que flexibiliza certas exigências da Lei nº 8.666/93 ("Lei de Licitações").
A câmera será multiespectral, com onze bandas, e sua resolução será de 20 metros, similar a da MUX, que dotará os satélites CBERS 3 e 4. Nesta primeira fase, será contratado um modelo completo, embora não qualificado para voo ao espaço. A expectativa é que ao menos três modelos de voo sejam contratados no futuro para servirem de cargas úteis de satélites de observação construídos pelo INPE.
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A leitura do Diário Oficial da União nas últimas semanas do ano costumam trazer informações interessantes sobre novos negócios e contratos fechados pelo governo. Na edição de 16 de dezembro, por exemplo, foi publicado um extrato de dispensa de licitação prevendo o fornecimento pela Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), de uma nova câmera espacial para o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), negócio avaliado em pouco mais de R$ 9,5 milhões. O extrato tem por objeto o "fornecimento, sob risco tecnológico, de tecnologias de banda SWIR, de telescópio TMA (Three Mirror Anastigmat ou Anastigmático de Três Espelhos) e de estruturas em carbeto de silício (SiC), acompanhadas de Protótipo de uma Câmera Multiespectral VISWIR".
De acordo com o apurado pelo blog Panorama Espacial, o desenvolvimento da nova câmera representará um grande desafio tecnológico, razão pela qual a contratação deverá ser feita por meio da Lei nº 10.973/04, conhecida como a Lei de Inovação, que flexibiliza certas exigências da Lei nº 8.666/93 ("Lei de Licitações").
A câmera será multiespectral, com onze bandas, e sua resolução será de 20 metros, similar a da MUX, que dotará os satélites CBERS 3 e 4. Nesta primeira fase, será contratado um modelo completo, embora não qualificado para voo ao espaço. A expectativa é que ao menos três modelos de voo sejam contratados no futuro para servirem de cargas úteis de satélites de observação construídos pelo INPE.
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terça-feira, 30 de agosto de 2011
ELT no Chile: oportunidades para a indústria brasileira
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Abaixo, reproduzimos artigo enviado ao blog por José Monserrat Filho, da Agência Espacial Brasileira, sobre oportunidades para empresas brasileiras relacionadas à construção de um grande telescópio (ELT) no norte do Chile:
Oportunidades para empresas brasileiras nas obras do maior telescópio do planeta
Albert Bruch* e José Monserrat Filho**
Importantes empresas brasileiras de média e alta tecnologia participaram do “Dia da Indústria”, promovido por iniciativa da Organização Europeia de Pesquisa Astronômica no Hemisfério Austral (ESO), com a qual o Brasil firmou acordo para tornar-se seu membro pleno, em 29 de dezembro de 2010.
A ideia era mostrar aos empresários brasileiros o que eles podem faturar nas obras que a ESO realizará nos Andes do Chile, o melhor lugar do planeta para se observar o Universo.
A ESO, na realidade, promoveu dois “Dia da Indústria”: um na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), na capital paulista, e outro no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, SP, em 23 e 24 de agosto, respectivamente.
Eis as empresas e entidades brasileiras presentes nos encontros industriais com a ESO: Acrux Solutions, Avionics Services, Construtora OAS, Construtora Queiroz Galvão, Critical Software, Equatorial Sistemas, Equitron Automação, Fibraforte, Flight Technologies, Gerdau, Incubaero, Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Konatus Soluções Inteligentes, Mectron, Opto Eletrônica, Orbital Engenharia e Rede Paulista de Inovação (TPI).
Foram ocasiões especiais para os empresários brasileiros conhecerem em detalhes as oportunidades e vantagens abertas a eles pela ESO na construção do maior equipamento astronômico do mundo, o Telescópio Extremamente Grande (Extremely Large Telescope – ELT), bem como em outros empreendimentos tecnológicos e industriais da organização.
Cinco membros da alta administração da ESO vieram ao Brasil especialmente para os dois encontros. Eles explicaram de forma minuciosa os procedimentos pelos quais as empresas brasileiras de base tecnológica poderão participar das licitações e aproveitar as múltiplas oportunidades oferecidas pela ESO na construção do ELT, na produção de instrumentação periférica para os telescópios, e em outras atividades tecnológicas.
A equipe do ESO também buscou se informar, o mais amplamente possível, inclusive por meio de visitas a empresas, sobre a capacidade disponível no Brasil para o fornecimento de bens e serviços de alto valor tecnológico às instalações no Chile.
Criada por 14 países europeus, a ESO é a maior organização mundial de pesquisa astronômica terrestre. O Brasil será seu 15º membro e o primeiro membro não-europeu, se o Congresso Nacional ratificar o acordo assinado pelo Governo brasileiro em dezembro passado.
A ESO ergueu e opera grandes observatórios na região andina chilena e está prestes a iniciar a construção de novo e gigantesco telescópio, o ELT, com espelho de cerca de 40 metros de diâmetro. O ELT será de longe o maior instrumento do gênero jamais concebido. Mobilizará investimentos da ordem de um bilhão de Euros.
Confirmado o ingresso do Brasil na ESO, as empresas brasileiras poderão tomar parte ativa na construção do telescópio ELT e prestar outros serviços à organização, em pé de igualdade com as empresas dos demais países membros.
O evento e a visita de gerentes da ESO são parte das ações articuladas pela organização para integrar o Brasil, cientifica e tecnologicamente, na comunidade dos seus países membros.
O Gerente do Projeto ETL, Alistair McPerson, assim resumiu suas observações sobre as movimentadas reuniões em São Paulo e São José dos Campos: “Fiquei profundamente impressionado com o alcance da perícia e da experiência que encontrei nas empresas brasileiras que tive ocasião de visitar. Vejo ampla gama de oportunidades para a ESO colaborar com os contratados brasileiros e possibilidades estimulantes em áreas de alta tecnologia. Creio que as empresas que conheci estão bem preparadas para os desafios do futuro.”
Além de promover o avanço da ciência em geral, a entrada do Brasil na ESO tem enorme potencial para impulsionar o desenvolvimento tecnológico brasileiro, porque nos abre a oportunidade única de participar de grandes desafios tecnológicos inerentes ao desenvolvimento, à construção e à operação de complexos instrumentos, como o ELT. Isso é parte da motivação e da justificativa para o Brasil investir no ESO, certo de estar construindo um presente e um futuro em sintonia com as conquistas incomparáveis do século XXI.
Os contatos com dirigentes da ESO deixaram evidentes a vontade e a capacidade de muitas empresas brasileiras, determinadas a tirar o máximo proveito das novas oportunidades.
* Albert Bruch, ex-diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), co-organizador dos dois “Dia da Indústria” da ESO no Brasil; ** José Monserrat Filho é chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB).
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Abaixo, reproduzimos artigo enviado ao blog por José Monserrat Filho, da Agência Espacial Brasileira, sobre oportunidades para empresas brasileiras relacionadas à construção de um grande telescópio (ELT) no norte do Chile:
Oportunidades para empresas brasileiras nas obras do maior telescópio do planeta
Albert Bruch* e José Monserrat Filho**
Importantes empresas brasileiras de média e alta tecnologia participaram do “Dia da Indústria”, promovido por iniciativa da Organização Europeia de Pesquisa Astronômica no Hemisfério Austral (ESO), com a qual o Brasil firmou acordo para tornar-se seu membro pleno, em 29 de dezembro de 2010.
A ideia era mostrar aos empresários brasileiros o que eles podem faturar nas obras que a ESO realizará nos Andes do Chile, o melhor lugar do planeta para se observar o Universo.
A ESO, na realidade, promoveu dois “Dia da Indústria”: um na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), na capital paulista, e outro no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos, SP, em 23 e 24 de agosto, respectivamente.
Eis as empresas e entidades brasileiras presentes nos encontros industriais com a ESO: Acrux Solutions, Avionics Services, Construtora OAS, Construtora Queiroz Galvão, Critical Software, Equatorial Sistemas, Equitron Automação, Fibraforte, Flight Technologies, Gerdau, Incubaero, Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Konatus Soluções Inteligentes, Mectron, Opto Eletrônica, Orbital Engenharia e Rede Paulista de Inovação (TPI).
Foram ocasiões especiais para os empresários brasileiros conhecerem em detalhes as oportunidades e vantagens abertas a eles pela ESO na construção do maior equipamento astronômico do mundo, o Telescópio Extremamente Grande (Extremely Large Telescope – ELT), bem como em outros empreendimentos tecnológicos e industriais da organização.
Cinco membros da alta administração da ESO vieram ao Brasil especialmente para os dois encontros. Eles explicaram de forma minuciosa os procedimentos pelos quais as empresas brasileiras de base tecnológica poderão participar das licitações e aproveitar as múltiplas oportunidades oferecidas pela ESO na construção do ELT, na produção de instrumentação periférica para os telescópios, e em outras atividades tecnológicas.
A equipe do ESO também buscou se informar, o mais amplamente possível, inclusive por meio de visitas a empresas, sobre a capacidade disponível no Brasil para o fornecimento de bens e serviços de alto valor tecnológico às instalações no Chile.
Criada por 14 países europeus, a ESO é a maior organização mundial de pesquisa astronômica terrestre. O Brasil será seu 15º membro e o primeiro membro não-europeu, se o Congresso Nacional ratificar o acordo assinado pelo Governo brasileiro em dezembro passado.
A ESO ergueu e opera grandes observatórios na região andina chilena e está prestes a iniciar a construção de novo e gigantesco telescópio, o ELT, com espelho de cerca de 40 metros de diâmetro. O ELT será de longe o maior instrumento do gênero jamais concebido. Mobilizará investimentos da ordem de um bilhão de Euros.
Confirmado o ingresso do Brasil na ESO, as empresas brasileiras poderão tomar parte ativa na construção do telescópio ELT e prestar outros serviços à organização, em pé de igualdade com as empresas dos demais países membros.
O evento e a visita de gerentes da ESO são parte das ações articuladas pela organização para integrar o Brasil, cientifica e tecnologicamente, na comunidade dos seus países membros.
O Gerente do Projeto ETL, Alistair McPerson, assim resumiu suas observações sobre as movimentadas reuniões em São Paulo e São José dos Campos: “Fiquei profundamente impressionado com o alcance da perícia e da experiência que encontrei nas empresas brasileiras que tive ocasião de visitar. Vejo ampla gama de oportunidades para a ESO colaborar com os contratados brasileiros e possibilidades estimulantes em áreas de alta tecnologia. Creio que as empresas que conheci estão bem preparadas para os desafios do futuro.”
Além de promover o avanço da ciência em geral, a entrada do Brasil na ESO tem enorme potencial para impulsionar o desenvolvimento tecnológico brasileiro, porque nos abre a oportunidade única de participar de grandes desafios tecnológicos inerentes ao desenvolvimento, à construção e à operação de complexos instrumentos, como o ELT. Isso é parte da motivação e da justificativa para o Brasil investir no ESO, certo de estar construindo um presente e um futuro em sintonia com as conquistas incomparáveis do século XXI.
Os contatos com dirigentes da ESO deixaram evidentes a vontade e a capacidade de muitas empresas brasileiras, determinadas a tirar o máximo proveito das novas oportunidades.
* Albert Bruch, ex-diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), co-organizador dos dois “Dia da Indústria” da ESO no Brasil; ** José Monserrat Filho é chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB).
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sexta-feira, 20 de maio de 2011
T&D: Cinco perguntas sobre a Opto Eletrônica
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Na edição nº 124 da revista Tecnologia & Defesa, que está nas bancas, foi publicada uma entrevista com Mario Stefani, diretor da Opto Eletrônica, indústria nacional com sede em São Carlos (SP) com considerável atuação nos setores aeroespacial e de defesa. No campo espacial, por exemplo, a Opto desenvolve e fabrica imageadores para os satélites da série CBERS e o Amazônia-1, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Abaixo, reproduzimos a entrevista, que traz interessantes informações sobre a empresa, seus projetos e planos para o futuro:
Opto Eletrônica
Conhecendo uma empresa de alta tecnologia, em cinco perguntas respondidas por Mário Stefani, seu diretor de Pesquisa & Desenvolvimento
Tecnologia & Defesa - O senhor poderia comentar um pouco sobre a história e o momento atual da Opto?
Mário Stefani - A Opto foi fundada em 1986 por um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos (SP), e tinha por objetivo a fabricação de laser de hélio neônio (HeNe). Na época, era a única empresa de seu gênero no hemisfério sul. Logo, a equipe percebeu que o laser em si era uma “solução à espera de problemas”, comercialmente inviável, e não era suficiente para manter a firma. Então, a empresa modificou a sua forma de atuação. Como a fabricação de laser de HeNe exigia uma série de tecnologias avançadas que permitiam um grande leque de atuação, a Opto começou a propor produtos para as mais diversas aplicações práticas que lhe eram apresentadas. Desde o início, a equipe tinha considerável competência em óptica, filmes finos, eletrônica avançada, mecânica fina, materiais e, mais tarde, processamento de sinais e softwares embarcados. Esse rol de competências permitiu que se buscasse produtos em que a junção otimizada de todas essas tecnologias permitisse vantagem competitiva significativa. Assim, logo a firma começou a ter produtos eletro-ópticos nas áreas médicas, industriais e de defesa. Hoje, a Opto tem um amplo leque de produtos desenvolvidos “in house”, exportando para mais de 60 países. São produtos competitivos e certificados pelos mais rigorosos órgãos internacionais reguladores, tais como FDA e CE Europeu. Hoje, empresa conta com cerca de 450 funcionários, cinco fábricas, filiais no exterior, e pretende ser importante ator no mercado de defesa nacional no setor de eletro–óptica.
A atuação na área de defesa vem desde 1990, onde iniciando parceria de longa data com a Mectron, atuou nos programas MAA, MAR, MSS, e, mais recentemente, sendo membro efetivo do programa A-Darter, projeto de cooperação entre a Força Aérea Brasileira e a Força Aérea da África do Sul.
Em 2009, a Opto iniciou sua atuação no setor de visão termal, campo em que vem lançando diversos produtos destinados aos mercados de defesa e civil. Nesta área, temos parceria com o Centro Tecnológico do Exército (CTEx).
O atual momento da Opto é muito desafiador e decisivo. Sabemos que o Brasil não poderá mais negligenciar a sua capacidade de autodefesa. Os mega eventos, tais como a Copa do Mundo de Futebol e Jogos Olímpicos são apenas os mais publicitados. O fato concreto é que não existe país entre as maiores economias do mundo que não seja forte na sua indústria nativa em defesa e espaço. Se o Brasil quer ser um país relevante no cenário internacional, sua área de defesa não poderá mais ser negligenciada ou insuficiente. E um país relevante tem que ter indústria nacional forte. A descoberta do pré-sal evidenciou a necessidade de olhar a defesa de sua soberania e recursos econômicos com maior atenção, sem contar a sempre evidente fragilidade de nossas fronteiras secas. E no estado atual da tecnologia militar, a eletro-óptica é parte fundamental. A Opto quer ser a casa genuinamente brasileira de eletro-óptica, e como nossos congêneres no exterior, atuando tanto no mercado de defesa quanto no mercado civil.
T&D - A Opto é considerada uma das principais indústrias espaciais brasileiras, hoje desenvolvendo e construindo sensores óticos para satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Quais são os planos da empresa para o setor espacial?
Mário Stefani - Vencemos três licitações para o desenvolvimento de câmeras destinadas a uso embarcado em satélites do INPE. São produtos de extrema complexidade, cuja tecnologia somente é dominada por poucos países no mundo. O INPE teve uma decisão corajosa e histórica ao determinar, em 2004, que as câmeras destinadas ao Programa Sino-Brasileiro de Satélites de Recursos Terrestres (CBERS), nas edições 3 e 4 fossem na sua porção brasileira integralmente desenvolvidos por firmas nacionais. Esta decisão foi na época considerada arrojada, porém, hoje, já se mostrou que se tornou um marco no desenvolvimento da tecnologia nacional.
A câmera MUX, destinada aos CBERS 3 e 4, tem arquitetura e recursos sofisticados e permitiu a criação de importante massa critica humana, bem como significativa infraestrutura industrial, permitindo que o Brasil seja independente no segmento de sensoriamento remoto óptico. Não é necessário destacar a importância desta área no monitoramento ambiental, bem como em aplicações estratégicas de defesa. A Opto desenvolve integralmente o subsistema MUX, bem como a câmera do satélite Amazônia -1, baseado na Plataforma Multimissão (PMM) do INPE, que atuará na função de monitoramento ambiental da Amazônia. Também participa da câmera WFI, em consórcio com a Equatorial Sistemas, onde é responsável por toda a eletro-óptica do subsistema.
É importante salientar que também aqui o rol de tecnologias, massa crítica humana e infraestrutura industrial criada para esses programas, permitiram uma série de spin-offs e difusão de tecnologias no mercado civil. Como ocorreu no programa Apolo, no caso brasileiro do CBERS, o desenvolvimento da tecnologia da câmera MUX permitiu que uma série de soluções fossem empregadas em instrumentos médicos oftalmológicos. Um dos produtos da Opto, o retinógrafo Kiron, foi patenteado nos Estados Unidos e compete em desempenho com os melhores produtos disponíveis no mercado internacional. Este produto foi desenvolvido usando as mesmas técnicas e ferramentas desenvolvidas para o produto espacial. Sem este investimento, feito pelo programa espacial, dificilmente a Opto teria margem de investimento requerido para lançar um produto no mercado internacional competindo em desempenho e tecnologia. Assim, novamente como nossos concorrentes no exterior, a Opto pretende ter sempre atuação destacada no setor espacial brasileiro, desejando ser sempre a escolha preferencial para os sistemas eletro-ópticos requeridos pelos potenciais clientes brasileiros no setor.
T&D - Considerando os ramos em que atua - ótica e optrônica, as atividades e iniciativas de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) são essenciais para a perenidade da empresa e de sua tecnologia. Como a Opto tem trabalhado em matéria de P&D e também em termos de mão de obra especializada?
Mário Stefani - A Opto tem um setor de P&D grande e atuante, sendo que esta área possui diretoria específica desde a sua fundação. A Opto investe cerca de 17% de seu faturamento em desenvolvimento de novos produtos. Hoje, são mais de 70 profissionais, em sua grande maioria com alto grau acadêmico. Curiosamente, descobrimos recentemente que a Opto possui em seus quadros mais da metade dos PhDs em óptica do Brasil. A equipe de P&D da Opto é multidisciplinar, atuando nas áreas de óptica, laser, filmes finos, mecânica de precisão, mecânica estrutural e térmica, eletrônica avançada, processamento de sinais, software embarcado, materiais, gestão de projetos e certificações. O plano de carreira da Opto no setor de P&D premia o desenvolvimento pessoal contínuo, sendo que a maioria das teses de mestrado e doutorado foram realizados nos laboratórios da Opto e defendidas em instituições de renome, como a USP.
A organização das equipes de projetos são dinâmicas e matriciais, e isso permite rápida e ampla difusão de tecnologias e soluções entre os produtos destinados a diferentes mercados tais como o de defesa, aeroespacial e civil. A formação de mão de obra na área é lenta e onerosa. Para se formar um PhD em óptica ou eletro-óptica, são necessários cerca de 12 anos, incluindo programas remunerados em instituições no exterior. A seleção de candidatos é rigorosa e é feita por acompanhamento dos potenciais candidatos, desde sua graduação. Programas ou competições como o AeroDesign, SAE Baja, e similares, têm patrocínio de equipes feita pela Opto, onde as habilidades dos candidatos são observadas.
A perenidade de programas nas áreas de defesa e aeroespacial são fundamentais para a manutenção dessas equipes. Porém, a Opto sabe que, historicamente, esses mercados no Brasil são instáveis e, até hoje, a atuação no mercado civil sempre foi a solução para a retenção do pessoal qualificado, mantida à duras penas. Espera-se que a Estratégia Nacional de Defesa seja efetivamente implementada e que permita o planejamento de longo prazo. Sem a perenidade de programas a carreira se torna pouco interessante e não se estabelece independência tecnológica no setor.
T&D - E no setor de defesa, quais são os principais projetos?
Mário Stefani - A Opto tem hoje em seu portfólio mais de uma dezena de projetos em andamento nas áreas de defesa e espaço. São, em sua maioria, destinados às Forças Armadas brasileiras e ao INPE. Estamos focando nossa atuação em soluções eletro-ópticas, tais como visores termais, imageadores infravermelhos para uso em mísseis, imageadores para uso embarcado em aeronaves e VANTs, telêmetros laser, apontadores laser, “beam riders” e câmeras de sensoriamento remoto. Para alguns clientes, parceiros tradicionais, como a Mectron, fabricamos subsistemas completos, tais como as espoletas de proximidade a laser destinados ao programa MAA, desde 1994. Lançamos recentemente um visor termal para armas leves, desenvolvido com financiamento da FINEP, em parceria com o CTEx, que atingiu níveis de desempenho superiores aos seus congêneres internacionais.
A Opto participa do programa A-Darter, tendo uma equipe trabalhando na África do Sul junto com as respectivas equipes da Mectron e da Avibras, participando do desenvolvimento do míssil. Este programa vai abrir importantes oportunidades para o País e a Opto pretende que sua equipe se torne o repositório nacional de conhecimento no setor de imageadores infravermelhos avançados.
T&D - Qual a opinião do senhor sobre o momento atual para o setor de defesa no Brasil, com a Estratégia Nacional de Defesa, importantes programas de modernização e reequipamento, entre outros, em particular quanto à indústria nacional?
Mário Stefani - Os produtos na área de defesa levam anos para serem efetivamente desenvolvidos, demandam contínuo investimento, previsibilidade orçamentária e de demanda e progressividade de abrangência. A Estratégia Nacional de Defesa vai permitir que os principais atores nacionais realizem planejamento efetivo de programas de desenvolvimento tecnológico e humano de longo prazo, visando suprir produtos dentro das necessidades do País. Basta saber se realmente será implementado como programa de Estado e não seja contingenciado por interesses políticos passageiros ou visão de curto prazo. Esperamos que seja um programa voltado para a obtenção efetiva de independência nacional, como se deseja que venha a agir um país de relevância no mundo futuro.
O que a Opto quer é a oportunidade de competir dentro de um programa de Estado visando a obtenção progressiva e efetiva da independência nacional. Salientamos o termo competir, pois não queremos simplesmente empurrar produtos defasados, não desejados pelos nossos clientes, meramente por sermos empresa nacional. Sabemos que grande parte dos clientes nas Forças Armadas nacionais quer o que de melhor existe no mercado. Porém, devido ao pouco investimento ocorrido no setor nos últimos anos, as indústrias nacionais ficaram com seus produtos defasados com relação aos similares dos grandes grupos internacionais. No entanto, ao simplesmente se adquirir soluções prontas e acabadas no mercado internacional, nunca vai se obter independência e sempre vai haver a possibilidade do produto ou recurso ter seu uso negado ou impedido no momento critico. Assim, cria-se um círculo vicioso onde não é dada a oportunidade de desenvolver produtos nacionais,e nunca o cliente vai estar satisfeito e seguro com estes produtos. Para romper este ciclo, a Opto julga que programas como o Subvenção Econômica FINEP e a criação de linhas específicas de financiamento pelo BNDES são vitais para a obtenção de independência e competitividade para as indústrias nacionais. Esses programas funcionam como equalizadores de competitividade. Programas similares são largamente empregados por diversos governos no exterior, aliados a programas de lotes mínimos e demonstradores de tecnologia, que em conjunto acabam por permitir a constante e progressiva competitividade das suas respectivas indústrias. A imposição de programas de offset, bem como a existência legal de margem de preferências aos produtos nacionais ajudam, porém, somente programas de subvenção e financiamento podem permitir a reversão da situação de baixa competitividade dos produtos nacionais a longo prazo. Em resumo, basta que a Estratégia Nacional de Defesa seja efetivamente perseguida que ferramentas auxiliares serão implementadas. Queremos a oportunidade de planejar, investir, desenvolver e produzir produtos competitivos e de alta tecnologia, visando à independência tecnológica no setor.
Fonte: revista Tecnologia & Defesa nº 124
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sexta-feira, 15 de abril de 2011
Visita de Raupp à LAAD 2011
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Presidente da AEB visita Laad 14-04-2011
O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antonio Raupp, visitou, nesta quinta-feira (14), a Laad 2011 – maior feira de tecnologia de defesa e segurança da América Latina. Durante a visita, ele esteve nos estandes da AEB, da Opto Eletrônica, da Alcantara Cyclone Space (ACS) e do Cluster Aeroespacial Brasileiro.
Amanhã (15), Raupp ministrará palestra sobre o Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae).
No estande da Opto Eletrônica, empresa de tecnologia no ramo de optoeletrônica, que desenvolve peças e tecnologias para o Programa Espacial Brasileiro, estão expostas as câmeras MUX e a “Wide Field Imager” (WFI), desenvolvidas para o satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers, sigla em inglês).
Esta é a segunda vez que a ACS participa da Laad. A primeira participação, em 2009, ocorreu de maneira institucional. Este ano, a empresa também se apresenta de forma comercial, fazendo prospecção de negócios.
Em seu estande, a ACS está expondo uma maquete virtual do complexo de lançamento em Alcântara e vídeos institucionais e comerciais. Raupp disse estar satisfeito com o que viu na feira. “A cada nova versão da Laad percebo um aumento na quantidade das empresas se apresentando e na qualidade dos trabalhos desenvolvidos.”, afirmou o presidente.
Em sua palestra, Raupp abordará o processo de implementação e coordenação do Pnae, apresentará sua visão do cenário brasileiro, sobre as tecnologias prioritárias para o País e, também, sobre as principais demandas futuras na área espacial.
Fonte: AEB
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terça-feira, 5 de abril de 2011
Brasil, China e CBERS
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Brasil quer parceria maior com a China para construir satélites
Sergio Leo
De Brasília
O governo brasileiro aproveitará a visita da presidente Dilma Rousseff à China para discutir com os chineses a ampliação do programa de cooperação em matéria de satélites. O programa sofreu atrasos e o próximo lançamento, do satélite conhecido como CBERS-3, programado originalmente para 2009, deverá ser adiado, mais uma vez, para 2012. Ainda assim, é apontado como o mais bem sucedido programa de cooperação científica e tecnológica entre países emergentes e tem incentivado o desenvolvimento de equipamentos sofisticados em empresas brasileiras.
"Queremos diversificar, ver possibilidades de trabalho conjunto com a China", disse o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB), Thyrso Villela. O programa CBERS, hoje, é voltado à construção de satélites para captação de imagens da superfície da Terra, com aplicações na agricultura, no controle de desmatamento, na atuação contra catástrofes naturais e em outras atividades sujeitas a sensoriamento remoto.
A AEB acredita que pode aumentar a cooperação com os chineses em técnicas de sensoriamento remoto, interpretação de dados e estudos científicos como os realizados sobre o clima espacial. "Queremos intercâmbio de técnicos, simpósios, cursos mais extensos, de onde podem surgir outras ideias importantes para a diversificação", acrescenta o chefe da assessoria de Cooperação Internacional da AEB, Carlos Campelo. A cooperação em ciência e tecnologia será objeto de um seminário, com a presença da presidente.
O programa de cooperação entre chineses e brasileiros teve de enfrentar bloqueio de componentes sensíveis por parte dos Estados Unidos, onde a lei de controle no tráfico de armas (Itar) proíbe a venda de produtos americanos com determinadas tecnologias passíveis de uso militar. É forte a sensibilidade no Congresso e no Executivo americanos contra a venda de componentes e artefatos eletrônicos sofisticados à China e subsistemas criados no Brasil para o satélite binacional sofreram atrasos e remodelações provocadas pelo veto ao embarque de componentes comprados e faturados de firmas americanas.
"Não é simples, há uma lista de produtos sujeitos ao Itar, mas ela é constantemente atualizada", diz Vilella. A proibição de compra de um componente pode exigir o redesenho de todo um equipamento, como ocorreu com a Opto, firma brasileira de artefatos ópticos para uso médico que, após trabalhar com o Centro Tecnológico da Aeronáutica para desenvolvimento de mísseis teleguiados, foi escolhida, em concorrência, para fabricar câmeras para os satélites sino-brasileiros. "Houve componentes que compramos, pagamos e, quando iam ser embarcados, o fornecedor nos telefonou avisando que não poderia nos enviar a encomenda", diz o diretor-comercial da Opto, Antônio Fontana.
O veto americano acabou servindo de estímulo para desenvolvimento de tecnologia nacional, "Itar free", ou livre de risco de embargo, como foi classificada a câmera apresentada no ano passado pela Opto, para o CBERS-3. Obrigados a trocar componentes eletrônicos por circuitos, maiores, os técnicos da empresa usaram o conhecimento em óptica para reduzir o tamanho das lentes da câmera.
O programa espacial hoje responde por 30% a 50% do faturamento da empresa, que chegou a pouco mais de US$ 70 milhões em 2010. A tecnologia desenvolvida para o satélite já foi usada em artefatos para uso médico, como o laser de uso oftalmológico.
Os atrasos no programa espacial levaram a AEB a aproveitar equipamentos criados para o CBERS-2 para enviar ao espaço, em 2007 o CBERS-2B, em lugar do CBERS-3, que se pensou em lançar ainda em 2009. O CBERS-3, primeiro a ter 50% de componentes feitos no Brasil, nos testes recentes, mostrou problemas em um de seus subsistemas, chamado pelos técnicos de "atitude", que permite ao satélite controlar a direção em que são apontados seus instrumentos. Foi um dos motivos para se decidir pelo adiamento de sua colocação em órbita, para 2012.
Fonte: jornal Valor Econômico, via NOTIMP.
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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
T&D: “O que o Brasil busca no Espaço”
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Até o final desta semana, deve chegar às bancas de todo o Brasil a mais recente edição especial da revista Tecnologia & Defesa, intitulada “O que o Brasil busca no Espaço”. Elaborada desde o final do ano passado, esta edição busca abordar os principais projetos nacionais associados à área espacial, não apenas do Programa Espacial Brasileiro (coordenado pela Agência Espacial Brasileira - AEB), mas também de iniciativas e atividades menos conhecidas do público, como o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), do Ministério da Defesa, uso de imagens de satélites pelo governo (que vai muito além do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE), entre outros tópicos.
O blog voltará a tratar deste número muito em breve, compartilhando parte do conteúdo com os leitores, e também fazendo os devidos agradecimentos a todos que de alguma forma tornaram possível a sua viabilização e concretização.
Abaixo, um breve descritivo sobre os artigos e reportagens que integram este número da revista:
- Apresentação: artigo ("A Importância do Programa Espacial Brasileiro") do Deputado Federal Rodrigo Rollemberg, um dos mais atuantes congressistas no setor espacial e relator dos estudos sobre o Programa Espacial Brasileiro no Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da Câmara dos Deputados.
- Entrevista com Carlos Ganem, presidente da AEB, com abordagem de temas como a revisão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), avanços no programa brasileiro, cooperação internacional, orçamento, entre outros.
- Programa CBERS: reportagem sobre o Programa do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), tratando de sua história, atualidade e futuro.
- "A caminho do Espaço": reportagem sobre os esforços brasileiros na busca de autonomia no lançamento de satélites.
- "Celeiro de Tecnologias": artigo sobre a atuação da Opto Eletrônica, indústria de São Carlos (SP), no setor Aeroespacial.
- "Comunicações Militares por Satélite - O panorama brasileiro": a reportagem trata do SISCOMIS e suas perspectivas e planos para o futuro, abordando também o projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB).
- "Perspectivas para o Programa Espacial Brasileiro": artigo de Otávio Durão, tecnologista-sênior do INPE, e membro do conselho deliberativo da Associação Aeroespacial Brasileira (AAB).
- "Spin-offs - Os benefícios derivados das atividades espaciais": pequena reportagem sobre os benefícios indiretos da tecnologia espacial, em que tratamos de casos brasileiros (diamantes CVD para aplicações odontológicas, produtos ortopédicos, motores a etanol, materiais para calçados, etc.)
- "Olhando de cima": reportagem analítica sobre o uso de imagens de sensoriamento remoto geradas por satélites pelo governo brasileiro.
- "Desafios do Programa Espacial Brasileiro: 1980-2010": artigo de Gilberto Câmara, diretor do INPE.
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Amazônia-1: RALCam 3 em risco
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Há algumas semanas, circula nos bastidores "espaciais" a informação de que a câmera inglesa RALCam 3, a ser fornecida pelo Rutherford Appleton Laboratory - Science & Technology Facilities Council (RAL-STFC) para o satélite de observação terrestre Amazônia-1, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), poderia não voar mais com o satélite brasileiro. A razão seria a necessidade de alteração na órbita do Amazônia-1, em cerca de 80 km, para a operação do imageador europeu, de alta resolução.
Em princípio, o satélite do INPE, que deve subir ao espaço a partir de 2012, deveria contar com dois sensores óticos: a RALCam 3, e a AWFI, carga útil principal atualmente em desenvolvimento pela indústria Opto Eletrônica, de São Carlos (SP).
O blog entrou em contato com o diretor do INPE, Gilberto Câmara, a fim de esclarecer oficialmente o assunto. Câmara respondeu: "Quanto ao Amazônia-1, temos dificuldades para incluir a RALCAM, devido aos custos adicionais necessários para compor a carga útil. Estamos em negociação com o governo do Reino Unido para compartilhar os custos adicionais."
Em breve, voltaremos a abordar este tema, dando mais informações.
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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Opto Eletrônica leva prêmio da FINEP
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A indústria Opto Eletrônica foi a primeira colocada na categoria média empresa do Prêmio FINEP de Inovação 2009. A entrega do troféu ocorreu na última terça-feira (08), em Brasília (DF). A empresa, com sede em São Carlos, interior de São Paulo, atua fortemente no setor ótico e também está envolvida com sensores de imageamento de satélites do Programa Espacial Brasileiro, como o CBERS e o Amazônia-1. Abaixo, reproduzimos a descrição da Opto disponibilizada pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia:
"Categoria Média Empresa
Opto Eletrônica (SP)
A Opto Eletrônica S/A desenvolve, fabrica e comercializa equipamentos que combinam alta tecnologia óptica e eletrônica. Há três áreas de desenvolvimento dentro da empresa: a de equipamentos para Oftalmologia (médicos), a de equipamentos aeroespaciais e a de filmes antirreflexo em lentes de óculos. Na empresa, o tempo gasto em mestrados e doutorados conta como hora trabalhada."
Para conhecer um pouco mais sobre os negócios da Opto, acessem a matéria "Sistemas Óticos Made in Brazil", publicada em 2008 no web-site de Tecnologia & Defesa, e pesquisem pelo argumento "Opto" no sistema de busca do blog, no canto superior esquerdo.
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