quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Cooperação Brasil - Canadá

.
Com a conclusão da visita do Primeiro Ministro canadense, Stephen Harper, ao Brasil, entre os dias 7 e 9 de agosto, os governos brasileiro e do Canadá divulgaram uma declaração conjunta. Um dos pontos destaca o interesse dos dois países em iniciar "um diálogo de cooperação espacial". Veja abaixo:

"[A presidenta Dilma Roussef e o Primeiro Ministro] Afirmaram seu desejo de iniciar um Diálogo de Cooperação Espacial e instruíram as agências e instituições apropriadas dos dois países a explorarem possíveis caminhos para a cooperação nos usos do espaço exterior para fins pacíficos."

No final de junho, a cooperação espacial entre os dois países já havia sido divulgada, por ocasião de reunião do ministro de Comércio Internacional do Canadá, Edward Fast, com Aloizio Mercadante, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (veja aqui).

O programa espacial canadense é bastante focado em satélites, especialmente de observação terrestre (Radarsat, de tecnologia SAR), comunicações e robótica (o Canadarm 2, braço robótico usado na Estação Espacial Internacional, foi uma contribuição do Canadá ao programa multinacional).
.

Astrium apresenta linha de produtos GEO Elevation

.
10/08/2011

Modelos de elevação fornecem dados precisos sobre determinada área, independente das condições climáticas e de relevo. Aplicação se destina especialmente aos setores de infraestrutura, engenharia, petróleo & gás e gerenciamento de desastres naturais.

A Astrium GEO-Information Services anuncia o lançamento mundial da série de produtos GEO Elevation. Esses conjuntos de dados são utilizados para alta qualidade de ortorretificação de imagens, bem como para mapeamentos e análises de terreno, identificação de corpos de água, modelagem de inundações e visualização em 3D. No Brasil, os produtos serão comercializados sob encomenda, de acordo com as necessidades de cada cliente.

A linha de produtos é voltada para profissionais que dependem de informações precisas sobre determinada área, sobretudo em setores como engenharia e planejamento (realização de estudos de viabilidade para projetos de infraestrutura), segurança pública (gerenciamento de catástrofes naturais, com mapeamento de áreas de inundação, que podem ser detectadas mesmo por debaixo da vegetação) e petróleo e gás (análise geológica do terreno e modelagem de superfície 3D para avaliação do potencial de recursos naturais).

"Nosso objetivo é simplificar o acesso e a utilização de dados de elevação. Para projetos de grande escala de mapeamento e operações militares, nosso produto Elevation30 é ideal devido à sua cobertura de alta precisão e homogeneidade de dados. Obtido a partir do satélite SAR, o Elevation10 pode fornecer modelos de elevação regionais de 10m em todo o mundo, independente das condições meteorológicas e de relevo. Já para projetos que exigem altíssimo nível de precisão, o Elevation+ conta com espaçamento horizontal de 1m e precisão vertical de 20 cm”, explica Pierre Duquesne, diretor-geral da Astrium GEO-Information Services no Brasil.

Satélites de radar TerraSAR-X e TanDEM-X adquirem imagens de alta qualidade em banda X com precisão inferior a 1m, independente das condições climáticas e de iluminação. Imagens dos satélites SPOT oferecem uma combinação ideal entre resolução e cobertura. Com quatro sensores atualmente no espaço e mais cinco projetados para os próximos cinco anos, a continuidade de dados é garantida no mínimo até 2023.

Abaixo estão as características dos três principais produtos que compõem o modelo GEO Elevation:

Elevation30

- Ideal para defesa, mapeamento e modelos de aplicação de terreno
- Banco de dados 3D disponíveis para mais de 50 milhões de km ² em todo o mundo
- Precisão de até 6m (horizontal e vertical)

Elevation10

- Ideal para aplicações de mapeamento, engenharia civil, exploração de petróleo e gás
- Modelos atualizados de elevação de aquisição de dados, personalizado para o cliente
- Precisão de até 5m com espaçamento de grade absoluta de 10m
- Cobertura regional disponível a partir de apenas 500 km²

Elevation +

- Ideal para os projetos que requerem alta precisão, tais como design de engenharia e modelagem de inundação
- Dados de altura altamente detalhados, com espaçamento horizontal de 1m ou melhor e precisão vertical de 20 cm

Fonte: Astrium GEO-Information Services
.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Reportagem sobre o 14-X em Tecnologia & Defesa

.
14-X - O veículo hipersônico do IEAv

André M. Mileski

Na última edição da LAAD, realizada entre 12 e 15 de abril, um mockup de veículo aeroespacial com linhas futurísticas atraiu a atenção de quem circulava pelos corredores de um dos pavilhões. Tratava-se do veículo hipersônico 14-X, projeto de demonstração tecnológica em desenvolvimento pelo Instituto de Estudos Avançados (IEAv), de São José dos Campos (SP), subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), e que desenvolve pesquisas e atividades nas áreas nuclear, de fotônica, geointeligência, aerotermodinâmica hipersônica e física aplicada.

No final de maio, a reportagem de Tecnologia & Defesa esteve nas instalações do instituto para conversar com seu diretor, coronel-engenheiro Marco Antonio Sala Minucci, e saber mais sobre o assunto.

O projeto começou a ser pensado em 2006, com a ideia do IEAv em buscar obter conhecimentos em combustão hipersônica. E, com o 14-X, que recebeu este nome em homenagem ao 14-Bis, de Alberto Santos Dumont, o instituto tem desenvolvido capacidades nacionais em tecnologia waverider, que proporciona sustentação ao veículo aeroespacial, e tecnologia scramjet, sistema de propulsão hipersônica aspirada baseada na combustão supersônica. Tais tecnologias proporcionariam, se houvesse decisão para tal, a construção de um veículo hipersônico capaz de inserir satélites em órbita.

Ensaios

O IEAv já trabalha nos preparativos de um voo teste com um modelo dummy, com as mesmas dimensões que um veículo real (dois metros de comprimento e 800 mm de envergadura), mas oco e com entrada de ar. O objetivo do experimento, planejado para o final de 2012, é entender como será a dinâmica de voo do 14-X a bordo do foguete VAH (Veículo Acelerador Hipersônico), baseado no VSB-30. O lançamento, que não envolverá separação, deverá atingir velocidades de Mach 7, isto é, sete vezes a velocidade do som, numa altitude entre 30 e 40 quilômetros.

A campanha de desenvolvimento do 14-X prevê a execução de quatro ensaios atmosféricos, com desafios crescentes. No segundo voo, a ideia é que o 14-X esteja equipado com um motor scramjet, devendo o terceiro ter uma maior duração. Finalmente, no quarto, é possível que o veículo realize alguma manobra.

Envolvimento industrial e domínio tecnológico

Como é característico nos programas do DCTA, o projeto do 14-X envolve considerável participação da indústria nacional. A Britanite atua no estágio de acoplamento do 14-X com o propulsor S-30 (2º estágio do VAH), a Mectron no subsistema de telemetria, e a Flight Technologies no controle de altitude do veículo, entre outras.

Além de recursos próprios do IEAv, o 14-X tem sido financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O 14-X é um projeto de demonstração, com objetivos claros de desenvolvimento e capacitação em alguns campos tecnológicos. Mais que isso, a iniciativa também deve gerar importantes spin-offs, isto é, conhecimentos e tecnologias aplicáveis a outros campos que não o aeroespacial, como em materiais refratários e tecnologia criogênica. Em materiais refratários, aliás, tecnologia dominada por poucos países e extremamente crítica para missões de reentrada atmosférica, o 14-X faz uso do conhecimento obtido com o projeto SARA (Satélite de Reentrada Atmosférica), de responsabilidade do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

---

TECNOLOGIA WAVERIDER

A tecnologia waverider proporciona sustentação utilizando onda de choque, formada durante o voo supersônico/hipersônico na atmosfera terrestre, originada no bordo de ataque e colada no intradorso do veículo, gerando uma região de alta pressão, resultando em alta sustentação e mínimo arrasto. O ar atmosférico, pré-comprimido pela onda de choque, que está compreendida entre a onda de choque e a superfície (intradorso) do veículo pode ser utilizado em sistema de propulsão hipersônico aspirado baseado na tecnologia scramjet.

TECNOLOGIA SCRAMJET

A tecnologia scramjet (supersonic combustion ramjet) faz uso de um estatoreator (motor aeronáutico aspirado) que não possui partes móveis e que utiliza ondas de choque, geradas durante o voo hipersônico (de veículos aeroespaciais), para promover a compressão e a desaceleração do ar atmosférico. Imediatamente anterior ou na entrada da câmara de combustão, combustível é injetado e misturado com oxigênio existente no ar atmosférico. Como a mistura entra na câmara de combustão em velocidade supersônica, o processo de combustão se dá em regime supersônico, denominada de combustão supersônica, conseqüentemente tecnologia scramjet. O produto da combustão é expelido na região de exaustão (expansão).

Fonte: IEAv

---

Crédito: revista Tecnologia & Defesa, nº 125.
.

domingo, 7 de agosto de 2011

Diálogo EUA-China em espaço, artigo de José Monserrat Filho

.
Reproduzimos abaixo, novo artigo de autoria de José Monserrat Filho:

Diálogo EUA-China sobre temas espaciais sensíveis

José Monserrat Filho*

“The argument that China and the United States are condemned to collision assumes that they deal with each other as competing blocs across the Pacific. But this is the road to disaster for both sides.”¹ Henry Kissinger, On China, New York: The Pengun Press, 2011, p. 528

Os Estados Unidos (EUA) vêm de propor um diálogo regular com a China sobre problemas espaciais. A iniciativa, anunciada à imprensa pelo vice-secretário assistente de Defesa dos EUA, Gregory L. Schulte, é definida como parte do esforço para a criação de novas normas espaciais e para a redução do risco de acidentes, evitando-se mal-entendidos, equívocos de interpretação e erros de cálculo no espaço. No fundo, muito provavelmente, a ideia principal é a de prevenir possíveis controvérsias e conflitos entre os dois países – hoje as maiores potências do planeta.

Que têm o Brasil e o resto do mundo a ver com isso? Tudo a ver. Primeiro, porque a questão é de segurança universal. Qualquer coisa que vá para o espaço e de lá venha, de bom e de ruim, afeta interesses fundamentais da comunidade mundial – querendo ou não, ninguém fica de fora. Segundo, porque a possibilidade de acidentes, incidentes, mal-entendidos e sobretudo choques ameaça a ordem vigente, a sustentabilidade e a realização normal, segura e produtiva das atividades espaciais, das quais dependem hoje por inteiro a vida quotidiana e o trabalho de todos os povos e países, desenvolvidos e subdesenvolvidos, avançados e atrasados, obesos e famintos, ricos e pobres.

Meta: manter posição dominante no espaço

Não por acaso, a proposta americana mereceu atenção especial do secretário-geral da Associação Chinesa de Controle de Armas e Desarmamento, Li Hong. Ele não tardou a escrever o comentário “Tornar o Espaço Seguro para Todos”, publicado no jornal China Daily, de Beijing, em 4 de agosto último, e reproduzido no portal Space Daily, de 7 de agosto.

Li Hong começa lembrando que a segurança espacial há muito tempo preocupa a área de controle de armas. Desde o fim dos anos 90, frisa ele, China e Rússia exortam a comunidade internacional a promover um diálogo multilateral para impedir a instalação de armas no espaço. Na Conferência das Nações Unidas sobre Desarmamento, em Genebra, os dois países já apresentaram projetos de tratado proibindo o uso da força e a colocação de armas em órbitas da Terra.²

Mas, segundo Li Hong, os EUA têm sempre se negado a negociar tais acordos, temerosos de que eles restrinjam o desenvolvimento e a manutenção de seu sistema anti-míssil, bem como impeçam o uso e o aperfeiçoamento de sua tecnologia espacial militar.

Para o especialista chinês, “alguns círculos conservadores dos EUA estão convencidos de que o país pode usar seus sistemas e recursos para manter posição dominante no espaço”. Na visão destes meios, “os EUA não precisam conversar a respeito com outros países, pois esses têm situação muito inferior no uso do espaço para fins militares”. Por isso, diz Li Hong, “os EUA dão ênfase à liberdade de uso do espaço. Em essência, eles querem firmar sua hegemonia espacial”.

Todos os países podem usar livremente o espaço. Podem?

O princípio da liberdade de uso do espaço está consagrado no Artigo 1º, § 2º, do Tratado do Espaço, de 1967, o código maior das atividades espaciais. Ele reza: “O espaço cósmico, inclusive a Lua e demais corpos celestes, poderá ser explorado e utilizado livremente por todos os Estados sem qualquer discriminação, em condições de igualdade e em conformidade com o direito internacional, devendo haver liberdade de acesso a todas as regiões dos corpos celestes”.

A liberdade de uso do espaço, pois, é universalmente reconhecida, mas não é incondicional: não pode discriminar os demais países, nem ignorar o direito de todos eles de explorarem e usarem livremente o espaço. Ou seja, todos os países são legalmente iguais perante o espaço.

Caso contrário, o Tratado do Espaço não poderia ter adotada, no Artigo 1º, § 1º, a “cláusula do bem comum”, que dá sentido superior às atividades espaciais. Vale a pena refletir sobre o que ela estabelece: “A exploração e o uso do espaço cósmico, inclusive da Lua e demais corpos celestes, deverão ter em mira o bem e o interesse de todos os países, qualquer que seja o estágio de seu desenvolvimento econômico e científico, e são incumbência de toda a humanidade”.³

Incertezas diante dos desafios da segurança espacial

Na opinião de Li Hong, “os EUA, afetados pela crise financeira, viram-se forçados a restringir o desenvolvimento de sua tecnologia espacial e pôr termo ao programa dos ônibus espaciais. O que pode ser ser visto” como revés dos EUA no desenvolvimento tecnológico espacial.

“E mais importante”, acrescenta ele, “os EUA se deram conta de que sua vantagem no espaço enfrenta sérios desafios, já que a distância entre eles e os outros países está diminuindo”. Li Hong conclui, então, que “os EUA devem mudar sua política de segurança espacial”. Ele recorda que a Política Espacial Nacional e a Política Nacional de Segurança Espacial, lançadas pelos EUA, “enfatizam a cooperação em tecnologia espacial com seus aliados e o diálogo com a Rússia, China e outros países, para evitar condutas irresponsáveis no espaço”.

Vale questionar: Será que só a Rússia, a China e os outros países seriam capazes de “condutas irresponsáveis no espaço”? Que país pode se outorgar o privilégio de julgar se a conduta de outro país no espaço é responsável ou não?

O especialista chinês vê os EUA como totalmente autocentrados, até mesmo na relação com os aliados: “os EUA procuram cooperar com seus aliados para integrar e usar os recursos deles, capazes de compensar sua própria carência de investimento e ajudar a manter sua própria liderança em tecnologia espacial”. Daí que, para Li Hong, o diálogo proposto pelos EUA seria focado “em seus dois potenciais concorrentes, Rússia e China, para regular e restringir seu desenvolvimento e prevenir que eles desafiem a hegemonia espacial norte-americana”. Isso ele considera “mentalidade típica da Guerra Fria”. A seu ver, “a ânsia dos EUA em dialogar com a China reflete sua incerteza diante dos desafios de segurança espacial”.

Proposta: estabelecer novo quadro jurídico internacional

Dado que há novidades no ar e que “as atividades espaciais humanas estão se tornando cada vez mais intensas”, Li Hong sustenta que é “do interesse de todos os países estabelecer novo quadro de acordos e normas internacionais sobre o uso do espaço”.

Para ele, “é incumbência de todos os países promover consultas e discussões para eliminar dejetos espaciais, prevenir colisões de satélites, assegurar razoável alocação de recursos e o estabelecimento de um código de conduta. Além disso, é absolutamente preciso levar em conta em seu conjunto as necessidades e preocupações de todos os países usuários do espaço. É preciso também, ao se formularem as normas espaciais, garantir, mediante consultas, a participação e o consenso universais em relação a elas”.

Neste sentido, sublinha Li Hong, “o desejo dos EUA de conversar com a Rússia e a China é bem-vindo”. Mas, adverte, “os EUA devem reconhecer que as conversas sobre segurança espacial envolvem os interesses de todos os países”, e que “a elaboração de normas e regras de conduta internacional não deve ser monopolizada por algumas potências”.

Ele opina que “no processo de coordenação e diálogo, as grandes potências devem promover mais ativamente o diálogo e a cooperação multilaterais no âmbito das Nações Unidas”, e que “regras internacionais sobre o espaço verdadeiramente eficazes e universalmente aceitas só podem ser estabelecidas se estiverem baseadas na participação igual de todos os países”.

São ideias construtivas e estimulantes. Mas Li Hong deixa um vazio embaraçoso ao não mencionar os acordos espaciais hoje em vigor, a começar pelo referido Tratado do Espaço de 1967, cujos princípios constituem conquistas difíceis de subestimar. Impossível esquecer o que disse Manfred Lachs, ex-presidente da Corte Internacional de Haya, sobre o Tratado do Espaço, no momento de seu lançamento oficial: “Esse é o primeiro capítulo do grande livro sobre o direito de amanhã... A aventura do ser humano no espaço deve ampliar o seu senso de responsabilidade”.4
Corrida armamentista no espaço

Li Hong assevera que “a China sempre defendeu o uso pacífico do espaço”, e que nas próximas décadas, “ele estará concentrado no desenvolvimento da economia nacional e na melhoria de vida de mais de 1,3 bilhão de chineses”.

Ele não nega nem omite as atividades espaciais militares de seu país: “A China precisa desenvolver capacidades de defesa no espaço, mas quer evitar deixar-se envolver em uma corrida armamentista espacial”.

Segundo Li Hong, “a China guia-se por estratégia defensiva de defesa” (defensive defense strategy). Parece chover no molhado, mas ele explica: “Não tem a intenção de estabelecer 'hegemonia' e não acredita em, nem aspira à segurança absoluta”; “em vez disso, propugna pela segurança comum [coletiva] por meio da cooperação mutuamente benéfica”.

E aqui vai o prognóstico mais importante de Li Hong: “Daí que, mesmo se a China for capaz no futuro de competir com os EUA em força total, ela lembrará a experiência da antiga União Soviética, que desistiu de participar de uma corrida armamentista espacial com os EUA”.

Isso significa que a China admitiria a possibilidade de “no futuro competir com os EUA em força total”, embora desejando excluir o espaço como objeto e lugar de conflito. Contudo, ressalta o estudioso chinês de controle de armas e desarmamento, “a China sempre quis diálogo e se opôs ao confronto. Por isso, nunca vai rejeitar uma oferta de diálogo. Mas o diálogo deve ser baseado na igualdade e respeito mútuo”.

A realização do diálogo não está isenta de obstáculos, reconhece Li Hong: “Políticas e marcos legais dos EUA, inclusive a venda de armas a Taiwan, restrições às exportações de alta tecnologia da China e o não-uso de foguetes chineses para lançamento de satélites norte-americanos prejudicam seriamente a base política do diálogo China-EUA sobre o espaço”.

Qual será a receita do sucesso para essa relação? Li Hong se esmera na resposta: “China e EUA, além de realizarem o diálogo, devem promover cooperação espacial pragmática e trocar informações sobre o espaço como parte do mecanismo de suas conversações bilaterais, pois as diferenças entre a estratégia de defesa defensiva de Beijing e a estratégia de dissuasão de Washington criaram um fosso entre as áreas de transparência das forças armadas dos dois países”.

Em suma, o entendimento possível e indispensável China-EUA passa necessariamente por um acordo sobre os limites do uso militar do espaço.

* Chefe da Assessoria de Cooperação Espacial da AEB.

Referências

1) Tradução livre: “O argumento de que a China e os Estados Unidos estão condenados à colisão admite que eles tratam um ao outro como blocos que competem através do Pacífico. Mas esse é o caminho do desastre para ambos os lados.”
2) Ver site
3) Ver texto completo do Tratado sobre Princípios Reguladores das Atividades dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Cósmico, Inclusive a Lua e Demais Corpos Celestes (Tratado do Espaço) no site .
4) Lachs, Manfred, The Treaty on Principles of the Law of Outer Space, Netherlands International Law Review, Martinus Nijhoff Publishers, Vol. XXXIX, 1992/3; Vereshchetin, V. S., The law of outer space in the general legal field (commonality and particularities) , Revista Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial, nº 93, abril, 2010.
.

sábado, 6 de agosto de 2011

Mais sobre os 50 anos do INPE

.
Nos últimos dias, alguns jornais e revistas publicaram reportagens sobre os 50 anos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), comemorados em 4 de agosto, em cerimônia realizada na sede da instituição, em São José dos Campos (SP).

Em nota divulgada pelo INPE, foram destacados alguns trechos do discurso do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante. “Toda essa tecnologia, essa inteligência, é um orgulho do Brasil, uma contribuição imensa ao desenvolvimento do país”, disse. O ministro também destacou a construção do sistema de alerta para melhorar a capacidade de prevenção diante de desmoronamentos e inundações causados pelos extremos climáticos (CEMADEN), e a expectativa de avanços no monitoramento da Amazônia em 2012, com o lançamento do CBERS 3, o primeiro satélite da segunda geração do programa sino-brasileiro.

Ontem (5), em reportagem de Virgínia Silveira no jornal "Valor Econômico" repercutindo o aniversário do INPE, foi dado destaque para a necessidade de novas contratações para o Programa Espacial Brasileiro, algo mencionado por Câmara em seu discurso. De acordo com o diretor, atualmente o Instituto tem um déficit de 600 servidores. O ministro reconhece o problema e tem feito gestões para atenuá-lo. "Nós conseguimos uma brecha para fazer um concurso imediato para a contratação de 75 pesquisadores para o Centro de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais. No que diz respeito ao Inpe, a nossa expectativa é conseguir, ainda este ano, a previsão orçamentária que nos permita realizar o concurso no ano que vem", afirmou à reportagem.

Alcântara Cyclone Space

O texto de Virgínia Silveira também faz referência à cooperação ucraniano-brasileira no projeto da Alcântara Cyclone Space, citando informações de Mercadante. O ministro comentou que o governo ucraniano se comprometeu a fazer um aporte de recursos de cerca de US$ 180 milhões na binacional até o mês que vem, setembro. "O objetivo, segundo o ministro, é que seja restabelecido um equilíbrio entre as responsabilidades que foram acordadas entre o governo brasileiro e da Ucrânia em relação ao projeto. O Brasil já investiu US$ 107 milhões na ACS e a Ucrânia US$ 60 milhões, informou o presidente da AEB, Marco Antônio Raupp."
.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

2º Workshop de Engenharia Aeroespacial do ITA

Entre os dias 8 e 10 de agosto, acontecerá no campus do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), do Departamento de Ciência e tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP), o 2º Workshop de Engenharia Aeroespacial do ITA, evento que contará com a participação de vários institutos e indústrias ligadas ao setor.

A programação preliminar foi divulgada na internet. Para acessá-la, clique aqui.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Astrium se fortalece no Brasil

.
A Astrium, divisão espacial do grupo europeu EADS, está se fortalecendo no País. Em dezembro de 2010, a empresa fez um novo aporte de capital na indústria Equatorial Sistemas, de São José dos Campos (SP), da qual é acionista, em linha com sua estratégia de usá-la como plataforma industrial para novos projetos no Brasil e na América do Sul. Numa restruturação organizacional do grupo, o experiente executivo Jean-Noel Hardy, ex-presidente da Helibras, e que desde junho de 2009 respondia pelas atividades da Astrium no Brasil, teve seu escopo de atuação ampliado, passando a também responder por todo o mercado latino-americano.

No final de 2010, o grupo conquistou alguns sucessos junto ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Sua subsidiária SODERN fornecerá sensores de estrelas para o satélite de observação terrestre Amazônia-1, baseado na Plataforma Multimissão (PMM), e a Equatorial Sistemas foi selecionada para desenvolver e fabricar o gravador digital de dados do mesmo satélite.

Durante a LAAD 2011, a Astrium e a Equatorial Sistemas apresentaram a câmera HIRIS (Hyperspectral Imager for Remote Intelligence & Surveillance) (foto acima), desenvolvida no Brasil com recursos da FINEP, ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. O sensor pode ser usado numa variedade de plataformas, tais como aviões, helicópteros e veículos aéreos não tripulados (VANTs), em aplicações militares, como a detecção de alvos, camuflagens e minas terrestres, e civis, na identificação de materiais, monitoramento de meio ambiente, agricultura, mitigação de desastres e planejamento urbano.

Fonte: Coluna Defesa & Negócios, de André M. Mileski, publicada na edição nº 125 da revista Tecnologia & Defesa.

Comentário: em complemento a nota acima, importante mencionar a compra da Vizada, no início desta semana, pela Astrium (ver a postagem "EADS Astrium compra a Vizada"), que acabará por ampliar o escopo de atuação da empresa na região.
.