domingo, 7 de dezembro de 2014

Missão do CBERS 4 em "bullet points"

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"Um grande passo no nosso programa espacial". Em nota divulgada após a confirmação do sucesso, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clélio Campolina, falou sobre o significado do programa CBERS. "O lançamento estreita a nossa cooperação bilateral e representa um grande passo no nosso programa espacial". "O CBERS-4 será de extrema importância para a sociedade brasileira, pois permitirá aprimorar o monitoramento terrestre, além de propiciar várias utilizações de acompanhamento do bioma amazônico, das áreas agrícolas, das cidades e da costa litorânea brasileira, além da prevenção de desastres naturais".

"Saiu um peso do peito". Pouco menos de um ano após a falha no lançamento do CBERS 3, os técnicos brasileiros e chineses envolvidos na missão respiraram aliviados com a inserção do artefato em órbita. "Saiu um peso do peito", disse Antonio Carlos de Oliveira, coordenador do segmento espacial do programa CBERS, em reportagem da Folha de S. Paulo.

Comitiva na China. Acompanhando a missão do sítio de lançamento, estavam o ministro Clélio Campolina, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi, o ex-ministro da Ciência e Tecnologia, Marco Antônio Raupp, o embaixador brasileiro na China, Valdemar Carneiro Leão, e outras autoridades brasileiras e oficiais das forças armadas. A viagem oficial à China começou no início da última semana e envolveu também uma visita ao estaleiro que está construindo um navio hidro-oceanográfico para a Marinha do Brasil.

E no Brasil. A missão foi também monitorada em tempo real pelo Centro de Controle de Satélites do INPE, em São José dos Campos (SP), por técnicos e engenheiros. Também estava presente o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB, Petrônio Noronha de Souza, além de representantes de indústrias nacionais participantes do programa.

200º lançamento do Longa Marcha. A missão sino-brasileira também teve uma marca significativa para a China. Foi o 200º lançamento da família de lançadores Longa Marcha (chang Zheng, em chinês), que leva este nome em homenagem ao momento homônimo na história comunista chinesa. A versão utilizada para levar o CBERS 4 ao espaço foi a 4B.

Indústria nacional. Várias indústrias nacionais participaram do CBERS 4, fornecendo subsistemas. Nomes como AEL Sistemas (suprimento de energia), Optoeletrônica (câmeras), Equatorial Sistemas (câmeras), Omnisys (transmissores, transpônder de coleta de dados), Mectron (gravador digital de dados), AMS Kepler (software de ingestão e gravação), Cenic (estruturas), Neuron (antenas, subsistemas de telemetria), Orbital Engenharia (parte elétrica do gerador solar), entre outras. Ao todo, foram investidos mais de R$300 milhões na contratação de sistemas e subsistemas junto a indústria brasileira.

"Não ser o primeiro a instalar armas no espaço", artigo de José Monserrat Filho

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Não ser o primeiro a instalar armas no espaço

José Monserrat Filho *

“Se o espaço exterior, sem fronteiras nacionais e abrigos naturais, está destinado a ficar repleto de armas, o maior perigo pode vir de acidentes, alarmes falsos e mau funcionamento dos sistemas de comando.” Alexei Arbatos e Vladimir Dvorkin in “Outer Space: Weapons, Diplomacy, and Security”, Carnegie Endowment for International Peace, USA, 2010, p. 100.

A grande imprensa brasileira não deu importância ao fato, mas a verdade é que a Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou, no dia 5 de dezembro, uma resolução recomendando a seus 183 países-membros que nenhum deles seja o primeiro a instalar armas no espaço.

A medida não tem força de lei, mas seu peso político não é nada desprezível.

Aprovada por 126 votos, com 40 abstenções e apenas quatro votos contrários (EUA, Geórgia, Israel e Ucrânia), a resolução indica, claramente, que, se houvesse democracia nas relações internacionais, os países derrotados não poderiam ignorá-la facilmente, como ocorre hoje.

A Rússia, autora da resolução, chamou esse resultado de “brilhante”. Segundo nota de sua chancelaria, “a vontade da comunidade internacional tem demonstrado vivamente que nossa iniciativa é importante, moderna e conta com amplo apoio”, informou o “Space Daily”.

A resolução, apresentada em outubro e aprovada inicialmente pelo Comitê de Desarmamento das Nações Unidas, teve mais de 34 países como co-autores, entre eles a Bielorússia, o Brasil, a China e Sri Lanka, que participaram ativamente na elaboração do projeto.

Há razões para tal mobilização. O cenário espacial inspira cuidados. Hoje, já existem armas prontinhas da silva para serem instaladas em órbitas da Terra. São as armas antissatélite, cuja tecnologia de desenvolvimento e produção há muito deixou de ser segredo para, pelo menos, três potências espaciais: Estados Unidos, China e Rússia.

Mas quem ousará ser o primeiro colocar armas no espaço? Há quem aposte nos EUA, onde alguns generais têm dito publicamente que a guerra no espaço é inevitável. Moscou não parece disposta. Os governantes chineses são comedidos e cautelosos. Tudo indica que eles já dispõem da tecnologia e do equipamento necessários para uma guerra espacial, mas não demonstram o desejo de anunciar essa capacidade aos quatro ventos. Pelo contrário. Em fevereiro de 2008, a China e a Rússia, unidas, apresentaram na Conferência de Desarmamento, em Genebra, Suíça, o projeto de um “Tratado sobre a Prevenção da Instalação de Armas no Espaço Exterior e da Ameaça ou Uso da Força Contra Objetos Espaciais”, cuja tramitação está bloqueada desde o começo

Se ratificado, sobretudo pelas grandes potências, esse tratado proibiria os países signatários de pôr em órbitas da Terra qualquer tipo de arma, bem como de empregar a força militar no espaço.

A diplomacia russa considera a resolução sobre o compromisso de “Não ser o Primeiro a Instalar Armas no Espaço” como “importante passo no avanço natural rumo à elaboração de um tratado obrigatório sobre “a Prevenção da Instalação de Armas no Espaço Exterior e da Ameaça ou Uso da Força Contra Objetos Espaciais”. A iniciativa inclui como elemento-chave o apelo para o início imediato das negociações na Conferência de Desarmamento em torno da preparação e adoção de um acordo vinculante para impedir a colocação de armas no espaço.

Cabe diferenciar com clareza os termos “instalação de armas no espaço” (weaponization of outer space) e “militarização do espaço” (militarization of outer space).

A militarização do espaço costuma ser entendida como o uso de meios espaciais para fins militares, o que vem ocorrendo desde a entrada em funcionamento, nos anos 60, dos primeiros satélites de comunicação. Hoje, as forças armadas de todo o mundo se valem de satélites para efetuar operações de comando e controle, reconhecimento, comunicação, monitoramento, alerta precoce e navegação baseadas nos sistemas de posicionamento global, como o popular GPS (Global Posicioning System) dos EUA, o GLONASS da Rússia, o GALILEO da União Europeia e o COMPASS da China (ora limitado à região Ásia-Pacífico, mas com plano de se tornar global). Assim, por estranho que pareça, o conceito de “uso pacífico do espaço” inclui o “uso militar do espaço”, desde que seja um “uso não agressivo”. Isso na teoria. Na prática, considera-se “pacífico” até mesmo o uso de satélites para direcionar bombardeios ou para comandar a capacidade de lançar um “imediato ataque global", que significa "a habilidade de controlar qualquer situação ou de derrotar qualquer inimigo em toda a gama de operações militares".

A “instalação de armas no espaço”, por sua vez, refere-se em geral à colocação em órbita de objetos com poder de destruir outros objetos espaciais pertencentes a outros países. Há, porém, quem defina como “armas espaciais” as que, embora não colocadas em órbitas, podem ser lançadas da Terra ou de aviões para aniquilar satélites ou naves espaciais. Concordo com essa visão, mas creio que, primeiro, devemos impedir a instalação de armas no espaço. Concordo também com quem considera “armas espaciais” aquelas que cruzam o espaço para atingir seus alvos no território ou no espaço aéreo de outro país. Isso, sem dúvida, é uma forma de usar a força militar no espaço. Ademais, muitos elementos integrantes do sistema de defesa antimíssil, que os EUA estão desenvolvendo, podem ser vistos como “armas espaciais”, pois podem destruir tanto mísseis balísticos quanto satélites, naves e qualquer objeto espacial artificial.

Até hoje, os conflitos bélicos têm ocorrido na superfície da Terra, nos mares e no espaço aéreo. A perspectiva agora é acrescentar a essa lista mais um teatro de guerra – o espaço.

A Carta das Nações Unidas, aprovada em 1945, é o primeiro tratado de toda a história humana que proíbe as guerras como forma de solucionar conflitos entre os países. Ela estabelece que todo e qualquer litígio entre as nações deve ser resolvido apenas e tão somente por meios pacíficos. E que o direito de auto defesa só é lícito para rechaçar um ataque de fora. Nenhum país tem o direito de ocupar outro país sob a alegação de estar se defendendo dele.

A Carta das Nações Unidas tem plena vigência também no espaço, do qual a Terra depende tanto e cada vez mais. Mas como o direito de auto defesa no espaço só seria aplicável por meio de um ataque preventivo – considerado ilícito em qualquer circunstância –, esse direito deixaria de ser de defesa para tornar-se, paradoxalmente, um “direito de agressão”. Logo, a guerra no espaço, que necessariamente exigiria ações antecipadas, deve ser terminantemente proibida.

Daí que o mais justo, legítimo e sensato é que cada país firme o compromisso de nunca ser o primeiro a colocar armas no espaço. Essa decisão abriria o caminho para, a seguir, fechar-se o espaço – sem exclusões ou exceções – a qualquer tipo de armas e à ameaça ou uso da força militar.

* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica (IAA) e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Este artigo reflete apenas a opinião do autor.
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Lançado o CBERS 4

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Lançado o satélite CBERS-4

Da base de Taiyuan, localizada a 700 km de Pequim, o satélite sino-brasileiro CBERS-4 foi lançado neste domingo (7) à 1h26 (no horário de Brasília; 11h26 em Pequim).

Na China, o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Leonel Perondi, assistiu ao lado do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Clelio Campolina Diniz, e do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho. No Brasil, o lançamento foi acompanhado por especialistas do Instituto e convidados no Centro de Controle de Satélites do INPE, em São José dos Campos (SP).

O chefe do Centro de Rastreio e Controle do INPE, Pawel Rosenfeld, manteve contato com a comitiva brasileira e os engenheiros do Instituto que, durante meses na China, atuaram na preparação do satélite. A sequência de atividades para levar o CBERS-4 ao espaço foi narrada pelo coordenador do segmento espacial do Programa CBERS, Antonio Carlos de Oliveira Pereira Junior.

O satélite foi lançado pelo foguete chinês Longa Marcha 4B, composto de três estágios que utilizam combustível líquido (hidrazina e N2O4 como oxidante). O tempo total de voo até a injeção do CBERS em órbita foi de 12,5 minutos.

Quando atingido o ponto ideal da órbita, um comando liberou a trava do dispositivo que prendia o CBERS-4 ao foguete. O satélite, impulsionado por molas, afastou-se do lançador e entrou em órbita.

Em órbita, o CBERS-4 efetua uma revolução completa em torno da Terra a cada uma hora e quarenta minutos (100 minutos).

Satélite destinado à observação da Terra, o CBERS-4 irá gerar imagens para diversas aplicações - desde monitorar o desmatamento da Amazônia, passando pelo mapeamento da agricultura e da expansão das cidades, até estudos sobre bacias hidrográficas e queimadas.

Fonte: INPE
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sábado, 6 de dezembro de 2014

SSL fará novo satélite para América Latina

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A Space Systems/Loral (SSL), do grupo canadense MDA, foi selecionada pela operadora HISPASAT, da Espanha, para a construção de um novo satélite geoestacionário de comunicações, o Amazonas 5, com cobertura na América Latina.

Além de ampliar a oferta de capacidade para a região, a opção pelo satélite da SSL, de maior porte, foi uma das estratégias do grupo espanhol para minimizar a anomalia sofrida pelo Amazonas 4A, lançado em março deste ano e construído pela Orbital Sciences Corporation, dos EUA.

Inicialmente, havia a expectativa de que a HISPASAT contratasse uma nova missão, denominada Amazonas 4A, também com a Orbital, mas a falha no 4A fez a companhia mudar seus planos.

O Amazonas 5 contará com 35 transponders em banda Ka, oferecendo capacidade de transmissão em banda larga para toda a América do Sul, Central e México, e 24 de banda Ku, a serem usados para transmissão de sinais de TV, redes corporativas e outras aplicações em telecomunicações.

O negócio - o quarto da SSL para a mesma operadora, é mais uma noticia envolvendo o setor de comunicações por satélite na América Latina, mercado que tem apresentado significativo crescimento nos últimos anos, com destaque para o Brasil e o México.
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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

"Por que e como saber tudo o que se passa no espaço?", artigo de José Monserrat Filho

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Por que e como saber tudo o que se passa no espaço?

José Monserrat Filho *

A Fundação por um Mundo Seguro (Secure World Foundation), uma organização não governamental (ong) norte-americana de grande prestígio, está colocando em debate o tema “Olhando bem o Espaço: Perspectivas e Iniciativas para Aumentar o Conhecimento da Situação do Espaço” (Seeing into Space: Perspectives and Initiatives for Enhancing Space Situational Awareness).

A discussão ocorre no Carnegie Endowment for International Peace, em Washington, Estados Unidos (EUA), nesta terça-feira, dia 9 de dezembro.

A expressão “Space Situational Awareness” (Conhecimento ou consciência da situação do espaço exterior) surgiu ao se perceber que as atividades espaciais realizadas a partir da Terra estão cada vez mais ameaçadas pelos detritos espaciais (debris) criados pela mão humana, pelo clima espacial e pelos objetos naturais que voam livremente no espaço, como meteoritos, asteroides, cometas e seus detritos.

O chamado “lixo espacial”, em franco crescimento devido à intensificação das atividades espaciais, representa hoje um dos maiores perigos para o funcionamento dos satélites ativos, como os de telecomunicações, de observação dos recursos terrestres, de navegação e posicionamento, que prestam inestimáveis serviços de utilidade pública para, praticamente, todos os países e povos do nosso planeta. Sem falar nos satélites e naves de uso militar, que vieram dar muito mais precisão e eficácia às ações bélicas.

Assim, compor o quadro real e permanente de tudo o que de importante se passa no espaço, em especial, nas órbitas próximas ou de interesse da Terra tornou-se uma necessidade estratégica vital e um imenso desafio tecnológico, sobretudo, para as grandes potências donas de vasto e valioso patrimônio espacial, base de sua capacidade científica, tecnológica e industrial, bem como de seu poderio militar.

A tarefa a enfrentar não é só caríssima mas também extremamente complexa. O conhecimento do espaço, em todos os seus múltiplos aspectos, é hoje um dos fatores que mais alarga e aprofunda o fosso da desigualdade econômica, militar, científica, tecnológica e cultural entre os países.

Não há uma definição comum ou consensual de “Space Situational Awareness”. Para a Fundação por um Mundo Seguro, esse conceito é comumente definido como “o conhecimento do ambiente espacial e das atividades espaciais, parte importante da sustentabilidade, proteção e segurança no espaço”. Eis uma definição sucinta que toca em pontos cruciais.

Talvez a definição mais geral seja aquela que se refere ao “conhecimento dos fluxos de partículas e energia no espaço próximo da Terra e dos objetos naturais e artificiais que passam ou orbitam por esse espaço, inclusive o estado passado, presente e futuro de seus componentes”. Isso englobaria o espaço situado num raio de, pelo menos, 100 km ao redor do nosso planeta, por onde voam ou voaram todos os objetos lançados pelos países e empresas da Terra, até mesmo as sondas que foram bem mais longe.

A Fundação Espacial (Space Foundation), ong que promove as empresas espaciais dos EUA, entende, de modo simples e pragmático, que a expressão diz respeito “à capacidade de ver, compreender e prever a localização física de objetos naturais e artificiais em órbitas ao redor da Terra, para evitar colisões”. Essa definição menciona os “objetos naturais”, mas não leva em conta o fato de que tais objetos não orbitam a Terra, apenas cruzam o espaço vizinho a ela. É um equívoco elementar.

A Agência Espacial Europeia (European Space Agency – ESA) elaborou uma definição mais ampla e abrangente, reunindo os três segmentos que costumam integrar o “Conhecimento da Situação do Espaço”:

1) Vigiar e rastrear objetos ativos e inativos, bem como os seus destroços (lixo), em órbita da Terra;
2) Monitorar o clima espacial – as condições do Sol, os ventos solares, a magnetosfera, a ionosfera e a termosfera da Terra, elementos capazes de afetar infraestruturas espaciais e terrestres, além de pôr em perigo a vida ou a saúde humana; e
3) Detectar objetos naturais que podem colidir com a Terra e causar danos e perdas imprevisíveis.

O Comando Estratégico dos EUA (US Strategic Command – Stratcom), que dispõe dos mais poderosos equipamentos para conhecer a situação do espaço a cada instante sustenta que essa atividade busca “o conhecimento atual e previsível dos eventos, ameaças, atividades e condições espaciais, o estado das capacidades dos sistemas espaciais (no espaço, na Terra e suas ligações), as restrições e os usos – presentes e futuros, amigáveis e hostis – para habilitar comandantes, governantes, planejadores e operadores a conquistarem e manterem a superioridade espacial em todo o espectro dos conflitos”. Tal missão abarcaria não só o segmento espacial, mas também as capacidades instaladas em solo que viabilizam o conhecimento buscado e explicam a razão pela qual esse conhecimento é relevante para o Comando Estratégico. A referência à “superioridade espacial” é sintomática.

Considera-se, em geral, que o “conhecimento da situação do espaço” está ligado a ameaças e perigos, mas ele pode igualmente mitigar ou reduzir as chances de ameaças e perigos, e até tirar algum proveito dos recursos potenciais existentes tanto nos detritos naturais, como naqueles feitos pela mão humana, dependendo, claro, dos objetivos visados.

Em nossos dias – e com certeza por muito tempo ainda –, os sistemas de “Conhecimento da Situação do Espaço” são e serão nacionais ou regionais, como acontece na Europa. Continuamos a viver na época do jogo geopolítico das grandes potências, que, em geral, preferem manter seus próprios sistemas de “Conhecimento da Situação do Espaço”. É inegável, porém, que, mais tarde ou mais cedo, a comunidade internacional terá de criar um sistema global para atender melhor as necessidades de informação e segurança espacial de todos os países.

Esse sistema global, com certeza, será baseado na aliança dos sistemas nacionais hoje existentes. O que mudará, parece lógico, é que o sistema global estará comprometido com os interesses e anseios da totalidade dos países, sejam eles grandes ou pequenos, pobres ou ricos, desenvolvidos ou em desenvolvimento, e não apenas à estratégia nacional desta ou daquela grande potência.

Se isso ocorrer, a Era da Globalização, de que tanto se fala hoje, deverá galgar um patamar efetivamente novo de entendimento, solidariedade e cooperação, capaz de mudar a trajetória histórica do nosso planeta.

Sonho de uma noite de verão? Ou exigência incontornável para a humanidade progredir, evoluir e sobreviver?

* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro pleno da Academia Internacional de Astronáutica, Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB). Este artigo reflete apenas a opinião do autor.
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1º Workshop Latino-Americano de Cubesats

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UnB sedia o 1º Workshop Latino-Americano de Cubesats

Brasília, 4 de dezembro de 2014 – A Universidade de Brasília (UnB) promove de segunda (8) a sexta-feira (12) em parceria com a Academia Internacional de Astronáutica (IAA, na sigla em inglês) o 1º Workshop Latino-Americano de Cubesats da IAA.

A proposta do evento é a de proporcionar à comunidade internacional latino-americana um fórum para apresentação e discussão na área de satélites universitários, em especial CubeSats.

O evento, que tem o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB), será aberto pelo diretor da instituição, Petrônio Noronha de Souza. Entre os brasileiros que apresentam trabalhos de pesquisa estão Carlos Alberto Gurgel Veras, diretor da área de satélites da AEB; Lidia Sato, do projeto ITASat; Nelson Schuch, do projeto do NanosatC-Br; Pedro Aquino, do projeto Conasat; Eduardo Escobar Bürger, do projeto AESP-14, e Gabriel Figueiró, do projeto Serpens, coordenado pela AEB.

Entre os convidados do exterior estão Robert Twiggs, da Morhead State University e Jordi Puig Suari, da CalPoly, considerados os criadores dos satélites de pequeno porte. Participam ainda especialistas da Argentina, Colômbia, Alemanha, Polônia, México, Gana, Japão, Espanha e Paquistão, entre outros países.

Para mais informações visite o site: http://cubesatbrasilia.akamido.com/MzQ0NA==/

Fonte: AEB

Comentário do blog: uma análise da programação deste workshop evidencia bem o efeito de popularização da tecnologia espacial pelo mundo proporcionada pelos cubesats. Da América Latina, haverá apresentações de projetos executados, além do Brasil, na Argentina, Colômbia, Peru, México e Equador.
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

NanosatC-Br1: resultados de experimento tecnológico

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Resultados de experimento tecnológico do NanosatC-Br1 serão apresentados durante workshop em Brasília

Quarta-feira, 03 de Dezembro de 2014

O primeiro circuito integrado com proteção à radiação projetado no Brasil - um dos dois experimentos tecnológicos a bordo do NanosatC-Br1 - tem apresentado ótimo desempenho no espaço. Seus resultados serão apresentados no Workshop Latino-americano da Academia Internacional de Astronáutica sobre CubeSats, que acontece na Universidade de Brasília (UnB) de 8 a 11 de dezembro.

Projetado pela Santa Maria Design House (SMDH), da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o circuito é um dos experimentos do cubesat NanosatC-Br1, projeto coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em cooperação com a UFSM para obter dados da campo magnético da Terra, fomentar a inovação tecnológica e formar pessoal especializado. A parceria tem dado oportunidade a universitários e jovens profissionais de atuarem ao lado e sob a supervisão de engenheiros e pesquisadores do INPE.

“Este circuito foi sugerido pela Divisão de Eletrônica Aeroespacial (DEA) do INPE em função de suas possíveis necessidades futuras em alguns dos projetos de satélites de maior porte do Instituto. Estes primeiros resultados são de grande relevância, pois os dados obtidos na parte do circuito projetada para resistir à radiação apresentam significativas tolerâncias quando comparados com os inúmeros SEE (single event effect) da parte do circuito sem esta tolerância”, informa o pesquisador Otávio Durão, do INPE.

Os dados obtidos com o NanosatC-Br1 serão combinados com os do Embrace, o Programa de Estudo e Monitoramento Brasileiro do Clima Espacial do INPE para a obtenção de outros resultados. Os dados fornecidos até aqui determinam de forma quantitativa a tolerância à radiação do circuito, e ajudam a validar a biblioteca de rotinas desenvolvida pela SMDH para projetá-lo.

“Além dos resultados do experimento tecnológico desenvolvido com a SMDH, serão apresentados no workshop em Brasília outros seis trabalhos relacionados ao NanosatC-Br1 e NanosatC-Br2 (em desenvolvimento), feitos por alunos, engenheiros e pesquisadores que participam destes projetos”, comemora Durão.

Confira o artigo e o pôster sobre o circuito integrado do NanosatC-Br1 que serão apresentados no workshop da Academia Internacional de Astronáutica.

Primeiro satélite científico nacional, o NanosatC-Br1 foi lançado em 19 de junho deste ano com a missão tecnológica de testar no espaço o circuito integrado projetado  totalmente no Brasil. O cubesat também cumpre a missão científica de coletar dados para estudo de distúrbios na magnetosfera, principalmente na região da Anomalia Magnética do Atlântico Sul, e do setor brasileiro do Eletrojato Equatorial Ionosférico, cujos primeiros resultados também demonstram êxito (confira aqui).

Mais informações: www.inpe.br/crs/nanosat

Fonte: INPE
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INPE, ITA e NASA discutem satélite conjunto

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Pesquisadores da NASA, INPE e ITA discutem missão na área de clima espacial

Terça-feira, 02 de Dezembro de 2014

Pesquisadores do Marshall Space Flight Center, ligado à agência espacial americana (NASA), e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), estiveram no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para discutir uma possível colaboração no desenvolvimento de um satélite tecnológico de monitoramento do Clima Espacial.

Em São José dos Campos (SP), o grupo se reuniu com os especialistas do Programa de Estudos e Monitoramento Brasileiro do Clima Espacial (Embrace) do INPE, bem como da Divisão de Geofísica Espacial e da Coordenação de Engenharia e Tecnologia Espacial do Instituto, para falar sobre o objetivo tecnológico e de monitoramento da possível missão, o design do satélite e seus equipamentos a bordo.

Participaram do encontro: James Spann, Daniel Schumacher, Joe Cases e Stephen Spehn (MSFC/NASA), André L Pierre Mattei (ITA/DCTA), Clezio Marcos De Nardin, Otavio Santos Cupertino Durão, Joaquim Eduardo Rezende Costa, Marcelo Banik de Padua, Lígia Alves da Silva, Livia Ribeiro Alves, Eurico Rodrigues de Paula, Hisao Takahashi e Luis Eduardo Antunes Vieira (INPE).

Fonte: INPE
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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Cooperação Brasil - Rússia: monitoramento de lixo espacial

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Russos querem ajuda brasileira para monitorar lixo espacial

Brasília, 2 de dezembro de 2014 – A presença de uma quantidade crescente de detritos espaciais, como satélites inoperantes, ferramentas, estágios de foguetes lançadores em orbita ao redor da Terra é um problema cada vez maior para o uso do espaço devido ao risco de choques entre tais objetos e satélites em operação e do estrago que os mesmos podem causar caso reentrem na atmosfera sem controle.

Enquanto esse problema não atinge as pesquisas dos astrônomos, técnicas astronômicas podem ser utilizadas para contribuir para sua solução. Com proposta nesse sentido, a Agência Espacial da Federação Russa (Roscosmos), com intermediação da Agencia Espacial Brasileira (AEB), propôs ao Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), em Itajubá (MG), a possibilidade de instalar, no Observatório Pico dos Dias (OPD), uma estação para identificar, catalogar e monitorar detritos espaciais.

Trata-se de parte do projeto Panoramic Electro-Opical System for Space Debris Detection (PanEOS), que prevê a construção e operação de uma rede de instalações desse tipo na Rússia e em vários outros pontos do planeta.

Cada uma dessas estações terá um telescópio de 75 cm de abertura com campo de visão largo, além de alguns telescópios de menor porte. Serão monitoradas as regiões do céu com maior probabilidade de passagem de detritos espaciais (principal, mas não exclusivamente, a região equatorial).

Estima-se que haverá imageamento de todas as regiões de interesse até cerca de magnitude 19 (em noites sem lua) a cada noite com tempo aberto.

Visita - Como parte das conversas preliminares sobre a implementação do projeto o LNA recebeu uma delegação da Roscosmos que avaliou as condições no OPD, instalado a 1864 metros de altitude entre os municípios mineiros de Brazópolis e Piranguçu. Os russos concluíram que as condições são bastante favoráveis e demonstraram interesse em concretizar a estação do PanESO no local.

Nesse sentido o representante da agência e o diretor do LNA assinaram uma Carta de Intenções, por meio da qual as instituições se comprometem em colaborar para negociar um contrato formal objetivando instalar e operar tal estação no OPD.

Caberá ao LNA disponibilizar o espaço necessário para a instalação da estação de monitoramento e o fornecimento de apoio logístico limitado na fase da construção. A Roscosmos arcará com os custos e cuidara da contratação de empresas para a construção do prédio e da mão-de-obra técnica para as operações e a manutenção da estação, sendo que as instalações técnicas serão importadas da Rússia.

Para o LNA os benefícios da parceria robustecem as vertentes estratégica e científica. Na primeira, a eventual instalação da estação será enquadrada em um acordo bilateral entre os governos do Brasil e da Rússia sobre a Cooperação na Pesquisa e nos Usos do Espaço Exterior para Fins Pacíicos, de 1997. O MCTI e a AEB demonstraram interesse na realização do projeto e apoiam o LNA nesse sentido.

Quanto a científica, todos os dados provindos dos telescópios do PanEOS no OPD ficarão disponíveis à comunidade astronômica nacional para qualquer uso cientifico a critério dos nossos astrônomos.

Fonte: LNA, via AEB.
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Georreferenciamento para planejamento de emergências

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Indra contribui para planejar emergências de terremoto no Nepal 

A Indra elaborou mapas com informações georreferenciadas que ajudarão as autoridades do Nepal a avaliar possíveis riscos em que o país esteja exposto, caso sofra um terremoto de alta magnitude e que permitirão preparar planos de contingência.

Esses mapas são baseados em imagens de satélite e informações coletada de várias fontes e que fornecem inteligência aos processos de decisão.

O projeto para o Nepal faz parte do Serviço de Gestão de Emergências do programa europeu de observação da Terra Copernicus. Este serviço entrou em operação em abril de 2012 e permite fornecer mapas de forma imediata para responder às crises humanitárias ou desastres. Além de produzir mapas enriquecidos com informações para avaliar riscos e planejar a recuperação posterior de uma área.

No caso do Nepal, a Indra trabalhou na produção de mapas que ajudarão o país a determinar quais medidas podem ser tomadas para mitigar os danos e planejar uma eventual resposta a fortes terremotos.

Os diferentes produtos elaborados abrangem cinco distritos de sua geografia (Katmandu, Bhaktapur, Dhanusa, Siraha and Mahottari) e oferecem informações sobre a exposição a perigos vulneráveis, riscos e cenários de contingência e evacuação.

Os mapas estudam também a expansão das principais cidades desses distritos (áreas metropolitanas de Catmandu e Bhaktapur, Lahan, Jaleshwor e Janakpur), que vão ajudar as autoridades locais a obterem informações precisas para planejar uma resposta perante as emergências. Esse trabalho destaca-se por sua complexidade espacial, já que exigiu a entrega de mais de 700 mapas.

Segurança do Espaço

A Indra já foi responsável por oferecer outros serviços da Copernicus, como o projeto de saneamento de água impulsionado pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (ICRC), na região de Darfur, no Sudão.

Nessa ocasião, os mapas produzidos pela Indra ofereciam informações sobre a distribuição da população na cidade de Nyala, mostrando os assentamentos improvisados que foram formados. O objetivo era facilitar o cálculo preciso da distribuição da população para planejar de forma correta a implantação da rede de saneamento e abastecimento de água.

Além disso, os mapas mostravam a situação dos diversos prédios não residenciais (hospitais, áreas comerciais e prédios institucionais), assim como a localização das principais infraestruturas hidrológicas, de transporte e fornecimento de energia.

A Indra também foi responsável por projetos realizados para a Autoridade Nacional de Proteção Civil de Portugal e para a Proteção Civil da Alemanha. No primeiro caso, os mapas forneceram informações úteis para ajudar as autoridades a recuperar áreas afetadas por incêndios florestais na serra do Caramulo. Já no segundo, consistiu em entregar os mapas que ajudaram a equipe de segurança alemã a projetar exercícios para treinamento e se preparar para intervir de forma eficaz em caso de inundação na área.

Por último, a companhia fez outro estudo para o serviço de emergências sobre a degradação ambiental causada pelo conjunto de campos de refugiados do Dadaab, no Quênia, ao longo do tempo. A existência da vegetação nas áreas próximas aos assentamentos é sumamente importante para a subsistência nestes campos. Sua exploração provoca certo impacto ambiental em torno das áreas habitadas. Alguns programas de recuperação específicos tentam corrigir este impacto. O demandante desse trabalho foi DG ECHO (Directorate General of European Union Humanitarian Aid and Civil Protection).

O Serviço de Gestão de Emergência da Copernicus da União Europeia pode ser ativado por qualquer agente europeu envolvido na gestão de crise, bem como pelas organizações internacionais de ajuda humanitária que a Comissão Europeia vier a solicitar. A Indra assinou um acordo que a distingue como prestadora desse serviço, a primeira empresa a se lançar de forma totalmente operacional dentro do programa de observação da Terra.

Experiência na Europa

Além de ser fornecedora de produtos cartográficos, a companhia tem uma longa participação no programa Copernicus, após firmar acordo para acolher em suas instalações em San Fernando de Henares (Madri), o centro principal de processamento e arquivo de imagens da missão Sentinel-2 da Copernicus.

A Indra trabalhou também em dezenas de projetos do programa, focados em desenvolver produtos e camadas de informações, tais como GMES Urban Services, GSE Land, BOSS4GMES, GEOLAND2, SAFER, G-MOSAIC, G-SEXTANT, G-NEXT, Initial GMES Service for Geospatial Reference Data Access, GIO-Land e GIO-Emergency.

Fonte: Indra
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