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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

SCD-1: 24 anos em operação

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Primeiro satélite brasileiro completa 24 anos em operação

Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2017 

Em 9 de fevereiro o SCD-1 (Satélite de Coleta de Dados) completou 24 anos em órbita. Primeiro satélite desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o SCD-1 mantém a retransmissão de informações ambientais para o monitoramento das bacias hidrográficas, das marés, meteorologia, planejamento agrícola, estudos sobre mudanças climáticas e desastres naturais, entre outras aplicações.

Embora com limitações, o satélite continua operacional e cumprindo sua missão de coleta de dados ambientais, mais de duas décadas após seu lançamento, em 1993. Na época, o primeiro satélite brasileiro tinha expectativa de apenas um ano de vida operacional. A longevidade do SCD-1 comprova o alto grau de competência técnica não só das equipes de engenharia espacial e de integração e testes que participaram do desenvolvimento do satélite, como também das equipes de operação em voo do Centro de Rastreio e Controle de Satélites do INPE.

Em seu aniversário de 24 anos, o SCD-1 completou um total de 126.714 órbitas, tendo percorrido uma distância da ordem de 5.650.893.410 quilômetros, o que corresponde, por exemplo, a nada menos que 7.435 viagens de ida e volta à Lua.

O lançamento do SCD-1 colocou o Brasil entre as nações que efetivamente dominam o ciclo completo de uma missão espacial desde sua concepção até o final de sua operação em órbita. Marcou ainda o início da operação do Sistema de Coleta de Dados Brasileiro, que fornece informações para instituições nacionais governamentais e do setor privado que desenvolvem aplicações e pesquisas em diferentes áreas, como previsão meteorológica e climática, estudo da química da atmosfera, controle da poluição e avaliação do potencial de energias renováveis.

Dados

O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados é baseado em satélites de órbita baixa que retransmitem a um centro de missão as informações ambientais recebidas de um grande número de plataformas de coleta de dados (PCDs) espalhadas pelo Brasil.

As PCDs são equipamentos automáticos que possuem sensores eletrônicos para a medição de parâmetros ambientais, como o nível de água em rios e represas, a qualidade da água, a precipitação pluviométrica, a pressão atmosférica, a intensidade da radiação solar, a temperatura do ar, entre outros.

O satélite capta e retransmite os sinais das PCDs instaladas por todo o país e os envia para as estações de recepção e processamento do INPE em Cuiabá (MT) e em Alcântara (MA). Voando a uma velocidade de 27.000 km por hora, o SCD-1 leva aproximadamente uma hora e 40 minutos para completar uma volta em torno da Terra. Assim, a estação recebe várias vezes por dia os dados transmitidos por cada PCD.

Da estação de Cuiabá ou de Alcântara, os dados coletados pelo satélite são transmitidos para Centro Regional do Nordeste (CRN) do INPE, localizado em Natal (RN), onde atualmente está instalado o Sistema Integrado de Dados Ambientais (SINDA), para processamento e distribuição de suas informações aos usuários a partir do endereço http://sinda.crn2.inpe.br.

O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais conta com uma rede de mais de mil plataformas instaladas e, nos últimos 24 anos, ininterruptamente, tem prestado serviços à sociedade através do monitoramento de parâmetros ambientais nas regiões mais remotas do território brasileiro.

Além do pioneiro SCD-1, integra o sistema de coleta de dados o satélite SCD-2, lançado em 1998.

Fonte: INPE
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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Cubesats: "NanosatC-Br1 resiste e transmite!"

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Lançado ao espaço em 19 de junho de 2014, o NanosatC-Br1, um dos projetos pioneiros em cubesats no Brasil, ainda transmite sinais, quase dois anos após a sua colocação em órbita, evidenciando a qualidade do projeto e da equipe envolvida.

Segundo informações de um dos responsáveis pela missão, o pesquisador Otávio Durão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), dados de telemetria do pequeno satélite foram recebidos no início da semana passada por um radioamador na Alemanha e, em seguida, retransmitidos a outro em Roraima.

O NanosatC-Br1 é um cubesat do modelo 1U, mais tradicional, com massa aproximada de 1 quilo e volume de 1 litro. Desenvolvido pelo INPE e pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) ao custo de algumas centenas de milhares de reais (incluindo o satélite, estação, lançamento e operação), sua missão compreendeu três experimentos tecnológicos e científicos, dentre os quais o teste no espaço de um circuito integrado projetado  totalmente no Brasil, e a coleta de dados para estudo de distúrbios na magnetosfera, principalmente na região da Anomalia Magnética do Atlântico Sul, e do setor brasileiro do Eletrojato Equatorial Ionosférico.

Seguindo o sucesso do NanosatC-Br1 e motivado pelos baixos custos de desenvolvimento, vários projetos de cubesats estão atualmente em desenvolvimento no Brasil, por instituições como o INPE e universidades. Nos últimos anos foram colocados em órbita o AESP-14, do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), e o SERPENS, da Universidade de Brasília (UnB), ambos financiados com recursos da Agência Espacial Brasileira (AEB). A mesma equipe responsável pelo NanosatC-Br1 está trabalhando num segundo modelo, o Br-2, um 2U. O ITA, por sua vez, está terminando o ITASAT, um 6U, para lançamento em breve.

O Centro Regional do Nordeste (CRN), do INPE, localizado em Natal (RN) trabalha em dois cubesats, um 2U e um 8U, ambos com modelos de engenharia já disponíveis, e que terão como cargas úteis transpônderes de coleta de dados para atender o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA).
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

INPE: Entrevista com Amauri Montes, coordenador da Engenharia e Tecnologia Espacial

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A mais recente edição do "INPE Informa", boletim editado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) dá sequência a sua série de entrevistas, desta vez com Amauri Montes, coordenador da Engenharia e Tecnologia Espacial (ETE), que este ano completa trinta anos de existência. O ETE responde pelo desenvolvimento dos satélites do Instituto, como os da família SCD na década de noventa, e os de observação terrestre da família CBERS e Amazônia.

Além de uma interessante abordagem histórica, temas como política industrial, programa CBERS, Amazônia-1, cooperação internacional, ACDH, PESE, licitações, Plano Diretor, apenas para citar alguns, são abordados. Para ler a entrevista, clique aqui.
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Estudos sobre o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados

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Pesquisadora propõe microssatélites para atualizar o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados

Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2016

No livro “O Segmento Espacial orientado pela Engenharia de Sistemas”, a pesquisadora Jaqueline Vaz Maiolino, mestre em Engenharia e Tecnologia Espaciais (ETE) pelo INPE, e diretora de Engenharia da Orbital Engenharia, propõe o uso de pelo menos dois microssatélites para atualizar o segmento espacial do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados (SBCD). A obra, publicada no início do ano passado, é baseada na dissertação de mestrado da autora, defendida em 2011, no Curso da ETE, sob a orientação do professor Marcelo Lopes de Oliveira e Souza, da ETE, e co-orientação do ex-gerente do SBCD, Wilson Yamaguti.

Dois anos após a defesa de sua dissertação, a Agência Espacial Brasileira (AEB) lançou edital de licitação (Concorrência 01/2013) para a contratação de estudo comparativo de soluções para o Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro). Atualmente, o SBCD conta com os satélites SCD-1, SCD-2 e CBERS 4A. Os dois primeiros, embora em funcionamento, podem ficar inoperantes a qualquer momento, pois já ultrapassaram o tempo de vida útil inicialmente previsto em vários anos.

SCD-2 no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do INPE.

Além da obsolescência desses satélites, a autora argumenta que a necessidade crescente de maior quantidade e frequência de dados ambientais e hidrometeorológicos para monitoramentos e pesquisas vem demandando, nos últimos anos, estudos sobre a atualização do segmento espacial do SBCD. A pesquisadora lembra ainda que soluções com nanossatélites também vêm sendo apresentadas, tendo em vista o baixo custo destes sistemas e o grande envolvimento de universidades no desenvolvimento dos projetos, em parceria com o INPE, ITA e a AEB.

O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados (SBCD) foi idealizado nos anos 1970, com a criação da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), e entrou em operação no início de 1993, com o lançamento do primeiro Satélite de Coleta de Dados (SCD-1). Na sequência, foram lançados o SCD-2 (1998) e os satélites da série CBERS que passaram a integrar o segmento espacial do SBCD, mas com missão dedicada prioritariamente à geração de imagens por sensoriamento remoto. O segmento solo do SBCD é composto por mais de 1000 plataformas de coleta de dados (PCDs) distribuídas pelo território nacional, pelas estações de recepção de Alcântara (MA) e Cuiabá (MT), pelo Centro de Missão de Coleta de Dados, em Natal (RN), e pelo Centro de Controle de Satélites (CCS), em São José dos Campos (SP).

Segundo Maiolino, os dados ambientais e hidrometeorológicos são fornecidos a cerca de 100 usuários, entre estes a Agência Nacional de Águas (ANA) e Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A necessidade cada vez maior de dados e com maior frequência, para monitoramentos ambientais e hidrometeorológicos, vem demandando melhorias e ampliação da capacidade de geração e retransmissão de dados. Atualmente, os dados chegam a ser retransmitidos a cada 100 minutos durante o dia. Para suprir a necessidade de dados com maior frequência e de forma complementar àqueles fornecidos pelas PCDs do SBCD, muitos usuários buscam outros sistemas, como o dos satélites GOES/NOAA, transmissões via celular, entre outros, nem sempre adequados às necessidades do usuário.

Com base nos estudos realizados anteriormente pelo INPE, na realidade da configuração do atual sistema SBCD e em estudos de simulação computacional, Maiolino avaliou os atuais sistemas espaciais frente às demandas dos atuais usuários e também daqueles em potencial, como o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (CEMADEN), Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD) e Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A avaliação considerou o custo dos sistemas, mas também a necessidade de dados com intervalos de no máximo 1 hora. Apesar de sugerir dois microssatélites para recompor o SBCD, Jaqueline destaca o uso de nanossatélites, como o CONASAT, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), com apoio do INPE, cuja solução traz uma série de vantagens e vem se apresentando como alternativa promissora.

Jaqueline Maiolino é formada em engenharia aeronáutica pela Univap, desenvolveu sua pesquisa na área de Engenharia e Tecnologia Espaciais (ETE) do INPE, opção Engenharia e Gerenciamento de Sistemas Espaciais (CSE). Sua dissertação “Uma proposta para a atualização do segmento espacial do sistema brasileiro de coleta de dados orientada pela engenharia de sistemas”, pode ser acessada através do link: http://mtc-m16d.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/mtc-m19/2011/03.22.13.25/doc/publicacao.pdf.

Fonte: INPE
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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Circuito do CRN/INPE para nanossatélites

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INPE e UFRN desenvolvem novo circuito para nanossatélites

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2015

Um receptor para uso em transponder de nanossatélites está em único circuito desenvolvido em parceria pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), no seu Centro Regional do Nordeste (CRN), e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

“A vantagem do projeto está na redução no tamanho e no consumo de energia e, também, no aumento da confiabilidade do transponder, uma vez que todo o receptor é fabricado em um único circuito integrado (CI) utilizando a mesma tecnologia”, explica Manoel Jozeane Mafra de Carvalho, chefe CRN/INPE, em Natal (RN).

O transponder DCS deve ser usado nos nanossatélites CONASAT, em desenvolvimento pelo CRN/INPE para atender o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA).

O receptor possui um amplificador de baixo ruído (LNA), misturadores e um sintetizador de frequências, fabricado em tecnologia CMOS 130 nm. Devido ao alto ganho e baixo ruído oferecidos pelo LNA, o receptor é compatível não apenas com o SBCDA, mas também com o padrão Nouvelle Génération (NG) do sistema franco-americano ARGOS-3.

“Foram fabricadas 25 amostras do circuito integrado (CI) contendo o receptor, das quais 10 foram encapsuladas para a etapa de testes que será iniciada em breve. Esta etapa visa catalogar as especificações do CI em relatório para posterior uso pelo INPE. Vale salientar que, apesar de ser um protótipo inicial, este trabalho representa um passo significativo na caminhada em direção à modernização dos satélites do SBCDA. Além disso, este projeto contribuiu com oportunidades à formação de projetistas de circuitos integrados no país”, destaca o chefe do CRN/INPE.

Esta foi a primeira parceria entre o INPE e a UFRN na área de Microeletrônica com a produção de um circuito integrado. O projeto conta ainda com o Laboratoire d'Informatique de Paris 6 (LIP6) da Université Pierre et Marie Curie (UPMC), da França. A contrapartida brasileira do projeto foi desenvolvida no Laboratório de Instrumentação e Microeletrônica (LIME) e Laboratório de Microeletrônica e Sistemas Embarcados (uEES), da UFRN.

Fonte: INPE
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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Transponder de Coleta de Dados do INPE

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INPE entrega novo transponder de coleta de dados ambientais para qualificação em voo

Sexta-feira, 02 de Outubro de 2015

O modelo de voo do novo transponder para coleta de dados ambientais, desenvolvido no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), será integrado ao Itasat, nanossatélite universitário projetado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em parceria com outras instituições de ensino e com o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Desenvolvido pela equipe de engenharia de nanossatélites do Centro Regional do Nordeste (CRN) do INPE, localizado em Natal, o transponder foi entregue aos representantes da equipe do Itasat no Laboratório de Integração e Testes (LIT/INPE), em São José dos Campos, nesta quinta-feira (1°/10).

A bordo do Itasat, o transponder DCS (sigla em inglês para subsistema de coleta de dados) será uma carga útil tecnológica que tem como objetivo sua qualificação em voo.

“A qualificação em voo é essencial no desenvolvimento de novas tecnologias espaciais. Em particular, o primeiro voo do novo DCS será um marco importante na missão de modernizar o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA)”, diz Fátima Mattiello, coordenadora de Ciência, Tecnologia e Inovação nos Centros Regionais do INPE e membro do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Instituto.

O transponder digital poderá ser utilizado nos nanossatélites, em desenvolvimento no CRN/INPE, para o SBCDA, que atualmente opera com o CBERS-4, lançado em dezembro 2014, e ainda com SCD-1 e SCD-2, satélites lançados na década de 1990.

Os satélites do SBCDA retransmitem informações de centenas de plataformas de coletas de dados (PCDs) instaladas por todo o país e alimentam o Sistema Nacional de Dados Ambientais (SINDA), operado pelo CRN/INPE. Os dados do SINDA são usados por instituições governamentais e do setor privado que desenvolvem aplicações e pesquisas em diferentes áreas, como previsão meteorológica e climática, estudo da química da atmosfera, controle da poluição e avaliação do potencial de energias renováveis.

Fonte: INPE
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Satélites do INPE: o factível em 2016 - 2018

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No início deste mês, entrevistamos por telefone o vice-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Oswaldo Duarte Miranda, que apresentou brevemente um panorama sobre os projetos de satélites em andamento no Instituto. A seguir, listamos os principais tópicos abordados na conversa:

- Indústria espacial: questionado pela reportagem, o dirigente falou sobre a necessidade de cadência de missões para gerar carga de trabalho à indústria, por meio de uma "política espacial de médio e longo prazo". "Hoje há uma lacuna efetiva [de contratos]", disse. Com o CBERS 4, lançado ao espaço em dezembro último, fechou-se um ciclo, e muito embora haja previsão de algumas contratações da indústria para o CBERS 4A, para retrabalho em sobressalentes, estas serão em escala bem menor.

- Amazônia-1 - Parte 1: para este ano está previsto o início das atividades de integração do modelo de voo do Amazônia-1, satélite de observação baseado na Plataforma Multimissão (PMM). Os contratos industriais estão todos em fase final, e espera-se para o 1º semestre os trabalhos, desenvolvidos pelo INPE e Agência Espacial Brasileira (AEB), visando à definição e contratação do lançamento. No ritmo atual, e se não houver surpresas, acredita-se num voo dentro de dois anos.

- Amazônia-1 - Parte 2: no final deste mês ou, no mais tardar no início de fevereiro, deve acontecer a entrega do sistema de controle de atitude e órbita contratado junto a argentina INVAP. Este será então submetido a testes de qualificação. Sobre o problemático subsistema de suprimento de energia, para muitos o grande gargalo da PMM, ainda existem discussões entre a AEB, INPE a indústria responsável por seu desenvolvimento e fabricação. Segundo Miranda, não está descartada a contratação de outra indústria para a conclusão do subsistema.

- Amazônia-1 - Parte 3: está sendo seriamente considerada possibilidade de que a carga útil principal do satélite, um sensor imageador, seja uma câmera WFI (Wide Field Imager) similar a do CBERS 4, e não a versão avançada (AWFI), cujo desenvolvimento tecnológico, a cargo da Opto Eletrônica, enfrenta dificuldades, sem expectativa de ser encerrado em menos de dois anos. Uma decisão definitiva deve ser tomada ainda no primeiro semestre, e caso vá adiante, o blog Panorama Espacial entende que deve resultar em nova encomenda junto a indústria (possivelmente um consórcio entre a Equatorial Sistemas e a Opto, que trabalharam juntas na segunda geração do CBERS, ou uma das duas isoladamente). A AWFI voaria no futuro Amazônia-2.

- Transpônder de Coleta de Dados: o INPE trabalha com a ideia de, sujeito ainda a uma análise de engenharia mais apurada, a partir do Amazônia-1, que todo satélite nacional leve a bordo um transpônder de coleta de dados (DCS, sigla em inglês) para atender o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA). A carga útil foi desenvolvido pela CRN/INPE, de Natal (RN). Também há certa expectativa com o SCD-Hidro, para atender uma necessidade da Agência Nacional de Águas (ANA), tendo o INPE participado de conversas no final de 2014.

- Missões científicas: até 2004/2005, o INPE considerava duas missões científicas com satélites distintos, o EQUARS (estudos dos efeitos da anomalia magnética no Atlântico Sul), e o MIRAX (imageador de raios X de gama). Em dado momento, ocorreu uma "fusão" de ambas as missões em uma única plataforma (PMM, de cerca de 500 kg), dando origem ao Lattes-1. Oswaldo Miranda revelou que a atual direção do INPE deseja retomar as missões satelitais científicas de pequeno porte, com estudos nesta direção. Destacou o "gap" hoje existente no programa de satélites brasileiros, com missões de cubesats, mas nada de menor porte (na faixa de 100 kg) até a PMM. O primeiro projeto na fila seria o EQUARS, com condições de voar de 3 a 4 anos.

- Sistemas de controle de atitude e órbita: trata-se de uma "ação prioritária" (aliás, ACDHs são uma das tecnologias consideradas críticas e não dominadas pelo Brasil), na opinião de Miranda. "O grande gargalo hoje é o software embarcado". O INPE faz parte do projeto SIA, tendo um laboratório conjunto com o Instituto de Aeronáutica e Espaço - IAE em São José dos Campos (SP), e trabalha junto com indústrias nacionais na busca de autonomia nessa área. Nos passos atuais, espera-se que um ACDH nacional esteja pronto em cerca de dois anos, para no futuro voar num segundo modelo de voo da PMM (Amazônia-2 ou Lattes-1/MIRAX). O vice-diretor citou a COMPSIS como uma parceira industrial importante nesse projeto, destacando também o papel do Instituto Mauá de Tecnologia. Aqui cabe uma observação do blog: quem também está bem interessado em desenvolvimentos locais desta tecnologia é a Visiona Tecnologia Espacial. Foi um dos assuntos destacados por seu presidente, Eduardo Bonini, em audiência no Senado Federal em novembro de 2014.

- Período 2016 - 2018: nos últimos minutos da conversa, resumindo a entrevista, Miranda ressaltou que o INPE hoje vê de forma factível a execução das seguintes missões no período de 2016 a 2018, a depender, é claro, de recursos: o CBERS 4A, o Amazônia-1, o EQUARS (plataforma de 100 kg) e o MIRAX (PMM).
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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

INPE, Itasat e transponder de coleta de dados

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INPE desenvolve novo transponder para satélites de coleta de dados ambientais

Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) acaba de desenvolver um novo transponder para coleta de dados ambientais. Denominado DCS (sigla em inglês para subsistema de coleta de dados), inicialmente o dispositivo estará a bordo do Itasat, um nanossatélite universitário realizado em parceria pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), INPE e instituições de ensino com o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB), com lançamento previsto para 2015.

O transponder DCS foi entregue por dirigentes e pesquisadores do Instituto a representantes do projeto Itasat nesta terça-feira (16/12) na sede do INPE, em São José dos Campos (SP).

O INPE pretende utilizar o transponder digital nos futuros satélites do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA), que atualmente opera com o SCD-1 e SCD-2, lançados na década de 1990.

“É um marco importante em nossa missão de modernizar o SBCDA. A oportunidade de embarcar  o DCS no Itasat representa o primeiro passo para sua qualificação em voo”, diz Manoel Jozeane Mafra de Carvalho, chefe do Centro Regional do Nordeste (CRN) do INPE, em Natal (RN), onde foi desenvolvido o transponder e está em curso o projeto para uma nova geração de satélites para coleta de dados ambientais. “É um projeto com foco na continuidade dos serviços e, principalmente, na inovação tecnológica”.

Os satélites do SBCDA retransmitem informações de centenas de plataformas de coletas de dados (PCDs) instaladas por todo o país e alimentam o Sistema Nacional de Dados Ambientais (SINDA), operado pelo CRN/INPE. Os dados do SINDA são usados por instituições governamentais e do setor privado que desenvolvem aplicações e pesquisas em diferentes áreas, como previsão meteorológica e climática, estudo da química da atmosfera, controle da poluição e avaliação do potencial de energias renováveis.

Fonte: INPE


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segunda-feira, 24 de novembro de 2014

CONASAT: continuidade ao SBCDA

Em setembro, na edição nº 138 de Tecnologia & Defesa, abordamos o projeto do Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-HIDRO), lançado pela Agência Espacial Brasileira (AEB) em conjunto com a Agência Nacional de Águas (ANA), tendo como um de seus objetivos assegurar a continuidade do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA) (veja "SCD-Hidro: Um alento à indústria espacial brasileira").

De fato, o SCD-HIDRO não é a única iniciativa brasileira em desenvolvimento visando suprir o SBCDA. Em Natal (RN), no Centro Regional do Nordeste, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CRN/INPE), há alguns anos uma equipe de engenheiros e pesquisadores desenvolve o projeto CONASAT, uma missão espacial baseada no conceito “acesso rápido e barato ao espaço”, tendo por referência o padrão cubesat, tecnologia que tem "popularizado" a tecnologia espacial em todo o mundo. [Nota do blog: recomendamos a leitura do artigo "Cube e nano satélites - Um novo conceito para o setor espacial", de Otavio Durão, publicada em T&D n.º 136. março de 2014]

Acrônimo de COnstelação de NAno SATélites, o CONASAT "objetiva oferecer uma opção tecnologicamente atualizada e a custos reduzidos para garantir a continuidade do SBCDA, através de uma constelação de nano satélites, que possibilitem melhorias na qualidade do serviço, no que diz respeito à capacidade, abrangência geográfica e tempos de revisita", sintetizou ao blog Panorama Espacial Manoel Carvalho, chefe do CRN/INPE e responsável pela missão.

Seu desenvolvimento ocorre de maneira gradativa, com desafios tecnológicos previstos para cada passo. "Apesar do projeto ser de uma constelação completa e todos os estudos terem sido feitos neste sentido, decidiu-se pela criação de versões de desenvolvimento gradativo, em que cada uma servirá de laboratório para avaliação de desempenho, de modo a nortear o desenvolvimento da próxima versão", detalha Carvalho.

Dentro desse processo gradual, o primeiro satélite da constelação, denominado CONASAT-0, numa estrutura 3U, servirá como prova de conceito e terá como principal missão embarcar a carga útil, um transpônder com massa inferior a 350 gramas em desenvolvimento pelo CRN, para validação de sua operação. A partir do CONASAT-1 (ilustração acima), o projeto assumirá um caráter operacional, quando utilizará uma estrutura tamanho 8U, com forma de cubo, peso máximo em torno de 8 quilos e dimensões de 20 centímetros, permitindo a redundância da carga útil e assim aumento de sua confiabilidade.

A versão seguinte, CONASAT-2, introduzirá o processamento a bordo dos sinais recebidos pela carga útil, visando otimizar a recuperação das mensagens transmitidas pelas estações de coleta de dados em solo. A CONASAT-3, por sua vez, permitirá a utilização de antenas multifocal, aumentando a capacidade de separação e a qualidade dos sinais recebidos simultaneamente das Plataformas de Coleta de Dados (PCD). Nesta versão, também será ampliada a faixa de entrada para acomodar novas aplicações compatíveis com o ARGOS-3, rede franco-americana com propósitos similares ao do SBCDA. Na versão CONASAT-4 serão introduzidos o links intersatélites com o objetivo de expandir a abrangência geográfica do sistema SBCDA, abrindo a possibilidade de acordos de cooperação com outros países.

Momento atual

Atualmente, a missão se encontra em fase de definição detalhada do projeto, com sua revisão crítica prevista para maio do ano que vem, momento a partir do qual poderão ser produzidos e qualificados os equipamentos e subsistemas do cubesat. A etapa seguinte será a revisão de qualificação, prevista para o final de 2015, e a revisão de aceitação no inicio de 2016. Desta forma, a expectativa é que o CONASAT-0 esteja disponível para lançamento no primeiro semestre de 2016, em lançador ainda não definido.

Em paralelo ao CONASAT-0, já acontecem algumas ações visando a uma constelação operacional. No final de agosto, a empresa holandesa ISIS - Innovation Solutions in Space, uma das líderes mundiais no segmento de cubesats, representada no Brasil pela Lunus Aeroespacial, firmou contrato com a FUNCATE (fundação ligada ao INPE) para o fornecimento de uma plataforma composta de uma estrutura mecânica 8U, subsistema de comunicação, computador de bordo e equipamentos de suporte por pouco menos de 200 mil euros (cerca de 600 mil reais).

Em termos de valores, aliás, estima-se que um CONASAT-1 operacional custará em torno de 2 milhões de reais, valor considerado bastante baixo. Uma constelação formada por seis modelos em órbita, contando-se o lançamento e o segmento solo, teria custo próximo ou inferior a 20 milhões de reais.
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domingo, 28 de setembro de 2014

"SCD-Hidro: Um alento à indústria espacial brasileira"

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SCD-Hidro: Um alento à indústria espacial brasileira

André M. Mileski

Apesar de alguns importantes acontecimentos nos últimos anos, como a edição de um novo Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE 2012-2021), o surgimento da figura de uma prime contractor e a contratação do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), não se pode dizer que a indústria espacial brasileira vive um momento de exuberância. Pelo contrário. Formada por um pequeno número de pequenas e médias empresas, o setor industrial nacional está em crise, decorrente, principalmente, da falta de encomendas de seu principal (e único) cliente, o que tem gerado, inclusive, demissões.

A Agência Espacial Brasileira (AEB), a quem em tese compete exercer ações de política industrial previstas na PNAE, reconhece a situação. “Realmente, esse momento é o momento em que estamos concluindo vários projetos e precisamos retomar outras iniciativas”, afirmou José Raimundo Coelho, presidente da Agência, em entrevista dada à T&D no final de 2013.

É com base neste cenário, e enquanto outras missões do PNAE e do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE) não se materializam, que se busca viabilizar o projeto do Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro), lançado pela AEB em conjunto com a Agência Nacional de Águas (ANA), vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.

Histórico

Muito embora tenha um forte componente de política industrial, o SCD-Hidro não está sendo desenvolvido pura e simplesmente para gerar carga de trabalho para as indústrias brasileiras. A participação da ANA decorre do fato desta ser a principal usuária do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA) (ver box), mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do qual depende para seus monitoramentos do volume de água e do balanço hidrológico dos reservatórios. Desta forma, o projeto atende a uma demanda do governo, além de funcionar como uma ação de política industrial, num campo tecnológico já plenamente dominado pela indústria espacial nacional.

Oficialmente, o projeto teve início no final de maio de 2012, com a assinatura de um memorando de entendimentos que previa a criação de um grupo de trabalho para o estudo sobre a viabilidade de desenvolver um microssatélite para missão de coleta de dados hidrometeorológicos. Com isso, o projeto avançou relativamente rápido, com a contratação da iniciativa privada para um estudo comparativo de soluções. Em agosto de 2013, a AEB lançou o Edital da Concorrência n.º 01/2013, prevendo a “contratação de empresa especializada para realizar Estudo Comparativo de Soluções para o Sistema de Coleta de Dados Hidrometeorológicos (SCD-Hidro), mediante o regime de empreitada por preço global”.

Dando prosseguimento à licitação, no mês seguinte foram habilitadas três empresas interessadas na concorrência: a Mectron, pertencente ao grupo Odebrecht Defesa e Tecnologia, a Equatorial Sistemas, do grupo Airbus Defence and Space, e a Omnisys Engenharia, controlada pela francesa Thales. O resultado final saiu em outubro, tendo a Equatorial Sistemas sido selecionada com uma proposta de R$ 1,885 milhão. Do estudo comparativo, participam ainda, na qualidade de subcontratadas, a Visiona Tecnologia Espacial, uma joint-venture entre a Embraer e a Telebras, e a Orbital Engenharia, de São José dos Campos (SP).

Propósitos, finalidades e perspectivas

O projeto tem por propósito principal garantir a continuidade dos serviços do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais, que teve início com os satélites SCD-1 e SCD-2 desenvolvidos pelo INPE e colocados em órbita durante a década de 1990.

Segundo informou a AEB, a proposta atualmente em estudo, direcionada aos interesses da ANA, não apenas atende aos requisitos originais do sistema, mas amplia sua capacidade e funcionalidade, possibilitando o aumento do número de plataformas instaladas, a ampliação dos serviços para além das fronteiras nacionais, além da redução do tempo de revisita, o que permitiria atender também à comunidade que lida com desastres naturais com origem hidrológica. As capacidades do SCD-Hidro também podem vir a servir outros projetos, como o futuro Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), da Marinha do Brasil, considerando que na atualidade o SBCDA já recebe dados ambientais gerados a partir de plataformas marítimas localizadas em zonas marítimas do Brasil e da África. Ainda, a reportagem apurou que a Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), responsável por ações do Ministério da Defesa no âmbito espacial, acompanha a iniciativa com atenção, interessada em sua capacidade de coleta e transmissão de dados gerados em solo.

As alternativas em análise consideram constelações que variam de dois satélites em órbita baixa e equatorial, a até seis satélites também em órbita baixa, mas dispostos em três planos orbitais distintos.

A proposta leva em conta um prazo de até três anos para o primeiro lançamento, contados da data da contratação. Tal prazo, no entanto, dependerá da definição quanto à configuração do sistema em órbita, que poderá ser de lançamento múltiplo, isto é, com todos os satélites sendo lançados ao mesmo tempo, ou por plano orbital, com lançamentos distintos.

A expectativa da AEB é de que o sistema seja contratado até o final de 2014 junto a uma empresa integradora nacional, potencialmente, a Visiona Tecnologia Espacial, que já exerce este papel no SGDC, estratégia em linha com os preceitos do PNAE. Representantes da Visiona, aliás, têm visitado empresas nacionais que poderiam participar do projeto, e também participado de reuniões com possíveis parceiros estrangeiros.

A propósito, uma das parcerias internacionais em consideração é com a Espanha. No final de maio, representantes da AEB, da ANA e da Visiona tiveram uma reunião de apresentação da proposta de cooperação do Centro Espacial da Galícia, ligado à Universidade de Vigo, com o Brasil, envolvendo a missão hidrometeorológica. Segundo divulgou a AEB na ocasião, a ação cooperativa envolveria financiamento de projetos com os recursos de ambas as instituições, com investimentos igualitários entre as partes.

O centro espanhol, que no momento conta com dois cubesats em órbita e prepara o lançamento de outro para breve, coordena uma rede mundial de satélites apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que possibilita aos países parceiros transmitir e compartilhar dados sobre emergências humanitárias ou outras informações úteis a estudos sobre o câmbio climático e o controle e detecção de incêndios, por meio de sensores orbitais considerados de baixo custo.

Caso a previsão de contratação do SCD-Hidro este ano se confirme, espera-se sua entrada em operação até o final de 2017. Os custos do projeto ainda estão em revisão e, de acordo com a AEB, ainda não há previsão orçamentária para o projeto completo. “Os recursos disponíveis no momento estendem-se por quatro anos, mas a um nível ainda insuficiente para arcar com todos os investimentos”, segundo informação a Agência.

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Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais

A origem do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA) remonta à Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), criada no final da década de 1970 e que buscava dotar o País de autonomia na construção, lançamento e operação de meios espaciais. Dentre as missões compreendidas na missão, estavam os satélites SCD-1 e SCD-2, inspirados no programa franco-americano ARGOS, para coleta de dados ambientais gerados em plataformas terrestres. De fato, 35 anos após a criação da MECB, os satélites de coletas de dados são umas de suas poucas ações bem sucedidas.

Apesar de terem superado em muitos anos suas vidas úteis planejadas, os dois SCD continuam em operação, e ao longo desse tempo foram complementados por transpônderes de coleta de dados instalados em satélites da série CBERS, desenvolvido pelo Brasil em conjunto com a China.

Grosso modo, o SBCDA funciona por meio da retransmissão de mensagens enviadas por centenas de plataformas de coletas de dados, gerados por sensores, distribuídas por todo o território nacional, áreas marítimas e mesmo em alguns países vizinhos. Uma vez recebidas, os satélites armazenam os dados e os retransmitem para estações de recepção localizadas em Cuiabá (MT) e Alcântara (MA), quando visíveis, isto é, com passagens na área de cobertura das estações de recepção. Grande parte das plataformas, conhecidas pela sigla PCD (Plataforma de Coleta de Dados) dispõem de sensores que geram dados meteorológicos, como velocidade e direção dos ventos, umidade e temperatura, e hidrológicos, como os níveis de reservatórios. As PCDs mais modernas contam com painéis solares e baterias que garantem seu funcionamento de forma autônoma.

Os dados são enviados para o Sistema Integrado de Dados Ambientais, (SINDA) situado no Centro Regional do Nordeste do INPE, em Natal (RN), onde são processados, armazenados e disseminados aos usuários, por meio da internet, no prazo máximo de 30 minutos após a recepção.

Além do SCD-Hidro, outra iniciativa que visa dar continuidade ao SBCDA é desenvolvida no CRN/INPE desde 2011. Trata-se do CONASAT, uma constelação de seis nanossatélites, projetados com base na tecnologia dos cubesats. (AMM)

Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 138, setembro de 2014.
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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Cooperação Brasil - Espanha

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AEB analisa proposta de cooperação de entidade espanhola

Brasília, 1º de agosto de 2014 – Representantes das agências Espacial Brasileira (AEB) e Nacional de Águas (ANA) participaram na quinta-feira (31/7) de uma reunião de apresentação da proposta de cooperação do Centro Espacial da Galícia, na Espanha, com o Brasil. O encontro foi organizado pela Universidade de Vigo, em Vigo na Galícia.

Para o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da AEB, Carlos Alberto Gurgel, a proposta é positiva. Segundo ele, a ação cooperativa prevê financiamento de projetos com os recursos de ambas as instituições, com investimentos iguais para as partes.

Participou ainda da reunião um representante da Visiona Tecnologia Espacial, empresa criada numa parceria entre a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) e a Telebrás para atuar no Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae).

Fonte: AEB
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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Panorama sobre o satélite ITASAT-1

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O satélite universitário ITASAT-1, desenvolvido pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em parceria com a Agência Espacial Brasileira e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), poderá ser lançado no próximo ano. O projeto soma esforços de cinco universidades brasileiras e, em 2013, passou por readequações estratégicas na filosofia de desenvolvimento e na estrutura do equipamento. Mais leve e moderno, o ITASAT-1 terá módulos compatíveis com diversas plataformas e realizará cinco experimentos científicos em voo.

A proposta de desenvolver e operar um satélite universitário nasceu em meados de 2005. Até 2008, uma primeira fase do projeto ITASAT-1 buscou consolidar a formação de recursos humanos e o envolvimento de estudantes de graduação e pós-graduação. A partir de 2009, as ações passaram a se voltar para o desenvolvimento do satélite em si, com a realização de revisões periódicas formais, supervisionadas por especialistas do Brasil e do exterior, com experiência no desenvolvimento de microssatélites.

No decorrer dos últimos dois anos, no entanto, tanto a filosofia de desenvolvimento quanto a estrutura do satélite tiveram seus escopos readequados. De uma abordagem mais rígida, próxima dos satélites operacionais e com o desenvolvimento de todos os subsistemas e equipamentos do satélite, o projeto ITASAT-1 passou a focar na integração de sistemas e na aplicação de métodos de validação e verificação, bem como, no treinamento dos estudantes em Engenharia e Desenvolvimento de Sistemas. “Os estudantes passaram a trabalhar de forma integrada, conhecendo todas as etapas do projeto. Com isso, saem daqui aptos a trabalhar nas empresas da área espacial que estão surgindo”, explicou Lídia Hissae Shibuya Sato, Pesquisadora Científica do projeto. Também foram propostas mudanças estruturais relativas ao tamanho e peso do equipamento, aos sistemas de comunicação e de controle de altitude. “Inicialmente, o ITASAT-1 foi pensado para ter de 80 a 100 kg. Na sua nova configuração, ele deverá ter menos de 10 kg”, disse.

Tão logo consolidada a construção do ITASAT-1, o projeto caminhará para a fase de escolha do foguete que levará o satélite ao espaço, considerando uma janela de lançamento de setembro a dezembro de 2015

Dentre os seus objetivos, o projeto ITASAT-1 também tem como proposta desenvolver um modelo de engenharia que permaneça em solo para a realização de testes e simulações do treinamento de operadores de estação. Com isso, seria possível simular com exatidão o que acontece no espaço, corrigindo eventuais problemas em voo, a partir de soluções desenvolvidas em terra. “Se acontece um problema no espaço, a partir de uma versão idêntica em solo, podemos simular o ocorrido, estudar a solução e só depois disso, tomar as medidas necessárias para que as correções sejam realizadas em voo”, explicou Lídia.

O ITASAT-1 é um satélite experimental científico com cinco funções principais (cargas úteis) e vida útil de um ano. Nesse período, o equipamento devera testar em órbita: o transponder de coleta de dados (DCS), desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em parceria com o Centro Regional do Nordeste (CRN); o GPS Orion, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em parceria com o IAE; a placa de sensores para medidas de caracterização do campo magnético terrestre, desenvolvida pela Universidade de Santa Maria (RS); o funcionamento de uma câmera fotográfica para satélites de pequeno porte, utilizada em missões estratégicas; e um experimento de comunicação e transferência de dados com a comunidade de radioamador. Para atender aos objetivos da missão, a plataforma conta com os seguintes subsistemas: estrutura, painéis solares, unidade de condicionamento e distribuição, computador de supervisão de bordo, interfaces de expansão, GPS, computador de controle de altitude, sensores solares e magnéticos, atuadores, sistema de telemetria, rastreamento e comando (TT&C).

Criar uma réplica em solo para recuperar problemas em voo e treinar profissionais para futuras missões são objetivos centrais do projeto ITASAT, entretanto, a visão estratégica vai além, e já vislumbra a possibilidade de realizar serviços estratégicos em regiões onde a presença de satélites maiores ofereceriam custos proibitivos. Mesmo sendo um satélite para a realização de experimentos científicos, o ITASAT-1 poderá contribuir com diversos setores a partir da utilização dos dados coletados. Exemplo disso são as informações que serão obtidas pela carga útil do Transponder Digital de Coleta de Dados desenvolvido pelo INPE/CRN e poderão ser utilizadas pelo Sistema Brasileiro de Coletas de Dados Ambientais.

Outra contribuição importante do projeto destacado pela pesquisadora do ITASAT-1 é a estação solo instalada no ITA. “Já operacional, nossa estação rastreia o satélite NanoSatC-Br1, desenvolvido pelo INPE em parceria com a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e lançado recentemente, em 19 de junho” disse a pesquisadora Lídia. Ainda segundo o gerente do projeto, o Capitão Elói Fonseca, instrutor do ITA: “Esta estação foi adquirida pelo projeto do NanosatC-BR1 e instalada no ITA, sendo operada pelo pessoal do ITASAT-1. Desta forma já temos o pessoal capacitado e a infraestrutura pronta para o monitoramento e controle do ITASAT-1, o qual poderá ser monitorado também pelos radioamadores como ocorre com o NanosatC-BR1. A estação de solo de Santa Maria também servirá de apoio no monitoramento do ITASAT-1, assim como nossa equipe apoia atualmente o NanosatC-BR1, assim estamos com uma estrutura de trabalho prevendo a plena integração das equipes e projetos NanosatC-BR1, BR2, AESP-14 e ITASAT-1”.

Fonte: ITA/DCTA, 08/07/2014.
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domingo, 11 de maio de 2014

"Cube e nano satélites - Um novo conceito para o setor espacial"

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Reproduzimos abaixo um artigo sobre cube e nano satélites escrito pelo especialista Otavio Durão, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), publicado na edição n.º 136 da revista Tecnologia & Defesa (março). Leitura recomendada e didática para aqueles que desejam conhecer mais sobre os projetos brasileiros nesse campo.

Cube e nano satélites - Um novo conceito para o setor espacial

Otavio Durão (*)

Projetos espaciais, historicamente, são vistos como uma atividade para poucos. Poucos países e poucas instituições e indivíduos. Isso porque seus custos são altos, sua tecnologia complexa e seus riscos também altos. Esta noção foi corroborada no tempo da Guerra Fria que limitou mais ainda os participantes do clube espacial, porque os detentores desta tecnologia, por razões de defesa, não permitiam o acesso a ela por muitas outras nações, e porque seus custos eram cobertos pelos orçamentos militares. E orçamentos militares tendem a ser generosos quando a ameaça de conflitos existe. Com o fim daquele período, estes orçamentos tenderam à diminuição. Praticamente, todos os programas espaciais no mundo para o setor espacial tiveram sua origem nesta época e se beneficiaram dos gastos com defesa, inclusive o brasileiro, devido ao caráter dual desses programas. As empresas de desenvolvimento de satélites e lançadores foram, na sua grande maioria, também dimensionadas por aqueles investimentos, assim como suas infraestruturas e custos fixos.

Mas este tempo parece estar terminando. As verbas militares encolhem ou a se tornam mais eficientes, e empresas e governos já sentem dificuldades para manter o mesmo nível de carteiras e projetos. O setor espacial está sendo afetado por esta mudança e, claramente, busca saída de redução de custos e maior eficiência, com uma melhor relação custo/benefício dos dados gerados por seus produtos.

Em paralelo, o mundo assistiu nas últimas décadas à revolução eletrônica que atingiu dramática e favoravelmente setores como o de comunicações e computação, para citar dois dos mais visíveis. São componentes mais eficientes, menores, mais baratos e com maior capacidade a cada dia. O campo espacial viu este movimento sem nele se engajar, até aqui, como usuário, por dois motivos. Primeiro, porque havia recursos para pagar por componentes qualificados espacialmente, às vezes ordens de grandeza mais caros, e mais antigos, e também porque o desenvolvimento de um projeto demorava vários anos mantendo-se os componentes escolhidos na fase de especificação. Na presente conjuntura, empresas e governos buscam agora projetos mais baratos, menores, com o uso desses componentes e que possam assimilar/mitigar riscos associados ao meio espacial (radiação notadamente) com esta mudança. Vale dizer que, em muitos casos, não há perda de capacidade com isso, ao contrário.

Histórico

No início deste século, dois professores de Stanford e Cal Poly, nos Estados Unidos, respectivamente Bob Twiggs e Jordi Puig-Suari, “inventaram” (mas não patentearam) um padrão para o desenvolvimento de pequenos satélites. Muito pequenos realmente, e o denominaram de cubesat, devido ao formato de um cubo com 10 cm de aresta, volume de um litro e massa de um quilo. O padrão foi instituído através de um documento de Conceptual Design Specification (CDS), que teve sua 13ª revisão em 2013, ainda preliminar.

O padrão e o desenvolvimento de cubesats, inicialmente, tinha o objetivo de permitir a alunos a praticar com projetos que emulam os maiores, já que são lançados em órbita, transmitem dados a uma estação de solo e possuem vários dos sistemas de um satélite de muito maior porte, como computador de bordo, subsistemas de transmissão e recepção, de energia, controle etc. São ainda capazes de transportar uma carga útil, como uma câmera, um experimento científico ou um componente para ter seu desempenho testado. E isso, a um custo de algumas centenas de milhares de dólares.

O cubesat mais antigo em operação tem mais de 10 anos no espaço, e foi desenvolvido pela Universidade de Tóquio. Vários outros voam há mais de 5, 6 ou 7 anos. Como todos usam somente componentes eletrônicos ditos “de prateleira” (COTS – components off the shelf), ou seja industriais, sem especificação espacial ou mesmo militar, isso começa a criar o que se chama no setor de “herança” espacial (heritage). Ou seja, muitos componentes para radio e computador de bordo, antenas, e outros (exceto as células dos painéis solares que possuem qualificação espacial) já se provaram resistentes à radiação suficientemente para serem incorporados a diversos novos projetos em curso.

Na América do Sul, a Colômbia possui um cubesat em operação há cerca de cinco anos. Peru, Argentina e Equador já lançaram os seus mais de uma vez. Em novembro passado, houve um lançamento simultâneo de 32 cubesats “de carona” em um lançador russo, DNEPR, e cerca de 15 dias após, outros 28 foram lançados por um lançador Minotauro, norte-americano. Ou seja, somente naquele mês, mais de 60 cubesats foram lançados. Um recorde que dá uma ideia do que vem por aí.

O padrão 1U cubesat (cubo de 10 cm de aresta, 1 kg. de massa e 1 litro de volume) começou a ser expandido para 2U, 3U, 6U, 8U, 12U, e assim sucessivamente, simplesmente “montando-se” cubesats maiores com a unidade inicial 1U como se fosse um Lego montado a partir da mesma e preservando-se o padrão cubesat em cada U. Isso proporcionou o desenvolvimento de nano satélites com maiores capacidades operacionais e com objetivos, inclusive comerciais, e científicos. Foi expandida a possibilidade desses engenhos para além da sala de aula e do ambiente acadêmico, passando para os campos industrial e comercial. Muitos dos cubesats lançados em novembro têm essas características e dimensões.

Desenvolvimento, lançamento e operação

Um cubesat 1U segue os padrões mencionados acima e é montado como em um sistema “marmita”, com seus subsistemas colocados em paralelo na estrutura, em um padrão conhecido como PC-104. A figura 1 ilustra um cubesat 1U sem os painéis solares laterais que recobrem todo o cubo. Usualmente, as frequência de transmissão e recepção são em faixas de rádio-amadores (VHF/UHF), mas cubesats mais modernos usam banda S e outras de maior capacidade.

Da mesma forma, a interface com o lançador também é padronizada e denominada POD (Picosatellite Orbit Deployer). O documento CDS também apresenta o padrão para o POD.

Com isso, cubesats podem ser lançados por diferentes vetores por ser padrão a sua interface com eles. Vários lançadores já fizeram isso como PSLV (Índia), Minotauro (Estados Unidos), Vega (Comunidade Europeia) e DNEPR (Rússia), para citar alguns.

O lançamento de um cubesat é sempre feito “de carona”. Aproveita-se um lançamento já existente de um satélite de grande ou médio portes, e adaptam-se POD´s no último estágio do lançador, carregados de cubesats. Essas interfaces estão aumentando de tamanho e capacidade, de forma a levar satélites maiores e em maior número. As estações são, em geral, de baixo custo como todos os itens. Um cubesat 1U pode ser desenvolvido, lançado e ter sua própria estação por cerca de R$ 700 mil.

Projetos nacionais

O primeiro cubesat nacional está previsto para ser lançado em maio/junho deste ano. É o NanosatC-Br1, feito em cooperação entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). É do padrão 1U e sua missão científica é medir dados do campo magnético da Terra, com um magnetômetro, principalmente na região conhecida como Anomalia Magnética do Atlântico Sul. Dois outros experimentos tecnológicos voarão juntos, sendo os dois primeiros circuitos integrados projetados no Brasil com características de resistência à radiação, para uso espacial. O primeiro, projetado pela Santa Maria Design House, da UFSM, foi fabricado na Alemanha, pois ainda não havia possibilidade de produzi-lo localmente. O segundo, um produto do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é um software que será colocado em um componente FPGA industrial com característica de tolerância a falhas causadas por radiação. Optou-se por adquirir a plataforma do cubesat de uma empresa internacional, a holandesa ISIS, e oferecer a possibilidade de testes com cargas úteis desenvolvidas no Brasil. Esta é uma das grandes utilidades dos cubesats. Servir de plataforma de testes no espaço de novos componentes, produtos e experimentos.

As cargas úteis do NanosatC-Br1 foram integradas à plataforma, tendo elas e todos os seus subsistemas, performances nominais após a operação. O NanosatC-Br1 passou por testes de vibração e ambientais na segunda quinzena de março, antes de ser enviado para o seu lançamento, já contratado pela Agência Espacial Brasileira (AEB), e será feito em território russo, com o DNEPR. Duas estações de solo foram montadas e encontram-se operacionais recebendo dados de outros cubesats na UFSM e no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA).

O mesmo grupo do INPE e da UFSM que atua no NanosatC-Br1 também trabalha, no momento, no NanosatC-Br2, desta vez um 2U, com dois litros de volume e, portanto, praticamente o dobro da capacidade para cargas úteis, que serão uma sonda de Langmuir, para obtenção de dados da ionosfera (experimento de cientistas do INPE), e o primeiro subsistema de determinação de atitude desenvolvido no Brasil, e com tripla redundância (uma cooperação entre o INPE, a Universidade Federal de Minas Gerais, e a Universidade Federal do ABC). O NanosatC-Br2 tem seu lançamento previsto para 2015. Tanto o NanosatC-Br1 quanto o Br-2 são projetos originários do Centro Regional Sul do INPE, localizado em Santa Maria (RS), no campus da UFSM.

Um outro projeto surgiu no Centro Regional Nordeste do INPE, localizado em Natal (RN), no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Trata-se do CONASAT, de maior porte, com o uso de um nano satélite 8U, no padrão cubesat. Suas pretensões são substituir o atual sistema SCD (Satélite de Coleta de Dados), lançados em 1993 e 1998, e ainda em operação. Enquanto os SCD-1 e 2 têm massa superior a 100 kg cada e consistem em um prisma octogonal com cerca de um metro de altura, o CONASAT tem 8,4 kg, com redundância em todos os seus subsistemas e carga útil, e consiste de um cubo de 20 cm de aresta. O transponder de carga útil, desenvolvido em cooperação com a UFRN, utiliza os padrões cubesat e constitui-se de três placas de 10X10 cm com massa inferior a 300 g. Seu modelo de engenharia está em testes e a plataforma do satélite poderá estar disponível no final deste ano.

Vários outros projetos de cubesats estão em andamento no Brasil, como o do Instituto Federal Fluminense (IFF), em parceria com uma universidade espanhola, e aceito para fazer parte da missão da Agência Espacial Europeia chamada QB50, que lançará simultaneamente 50 cubesats para medidas atmosféricas. O ITA, em conjunto com o INPE, também trabalha em um cubesat, o AESP-14, com o intuito de desenvolver os subsistemas de uma plataforma 1U. Algumas outras universidades brasileiras também atuam ou estão em processo de se iniciar no campo dos cubesats, como a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade Federal de Minas Gerais.

Assim como o meio civil busca aplicações em que cube e nano satélites possam ser utilizados por seus baixos custos, o setor de defesa também o faz. A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) lançou, no fim do ano passado, os seus primeiros cubesats para comunicação de pacotes de voz para áreas remotas. O Brasil participa, através do Comando da Aeronáutica, do rastreio desses sobre o território nacional em cooperação com a USAF. Sensoriamento remoto e infravermelho estão em análise. Uma outra aplicação em testes é para sistemas de identificação de navios (AIS – Automatic Identification Systems), como o Tríton, cujo primeiro cubesat da constelação foi lançado em novembro de 2013 para prova de conceito. O Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), do Ministério da Defesa, não prevê a utilização de cube e nano satélites, o que pode ter sido um erro, em virtude da necessidade do requisito do uso de satélites com Estoque de cubesats. Até onde se poderá ir? Esta é a grande questão que o setor espacial, indústria e academia tentam responder. Que tipo de aplicações esses satélites poderão suprir? As perspectivas hoje eram inimagináveis há dois ou três anos. Devido aos custos, muitos países antes não relevantes na corrida espacial poderão participar. Entretanto, ali são previstos recursos para estimular o desenvolvimento desse tipo de satélites.

Possibilidades futuras e dificuldades

Nem todos os projetos espaciais poderão ser substituídos por cube e nano satélites. Há limites de geração e armazenamento de energia a bordo para certas aplicações que inviabilizarão o seu uso em algumas aplicações. Mas, ainda nesses casos, eles podem ser complementares e cobrir estágios intermediários.

Há também dificuldades a serem superadas como o excesso de debris que causarão no espaço, a maior agilidade do setor de regulamentação, principalmente para a concessão de frequência (em comparação com o prazo para o seu desenvolvimento) e a oferta de pequenos lançadores para lançamentos dedicados, em que não se tenha que utilizar a mesma órbita do lançamento principal.

Por outro lado, o uso de constelações desses satélites, além do aumento em massa e volume do uso do padrão cubesat para satélites na classe de 10 a 20 kg., aumentará em muito a capacidade e o potencial de uso. Empresas como a Planet Labs pensam em grandes constelações. Assim, já assinou um contrato com a Google que prevê constelações de até 1.600 satélites cubesat! Este número é o dobro do total de satélites lançados até hoje. E, a produção já começou.

* Otavio Durão é engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 136, março de 2014.
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quarta-feira, 16 de abril de 2014

AEB e ANA discutem microssatélites

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Encontro analisa adoção de sistema de satélites para recursos hídricos

Brasília, 16 de abril de 2014 – A viabilidade e alternativas de configuração de microssatélites para contribuir na missão da Agência Nacional de Águas (ANA) em sua coleta de dados hidrometeorológicos, com a cooperação gerencial e técnica da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram debatidas nesta terça-feira (15) na sede da AEB.

O encontro, que teve também a participação de representantes de empresas do setor aeroespacial, foi aberto pelos presidentes da AEB, José Raimundo Coelho, e da ANA, Vicente Andreu Guillo. Para eles, é de vital importância que o país obtenha cada vez mais ferramentas que permitam não só ampliar o planejamento de recursos naturais, como mitigar os efeitos em maior escala de fenômenos como seca e chuva.

Os primeiros entendimentos para um serviço de satélites para coletar dados e reforçar a rede hidrometeorológica nacional se iniciaram em 2012, quando foi criado um grupo de trabalho formado pelas duas agências e o Inpe. Para as instituições, o uso de sistemas espaciais é imprescindível para coletar dados em áreas geográficas em que se têm dificuldades de acesso.

Com o uso de satélites pode-se avaliar, com rapidez e razoável precisão, eventos dependentes das mudanças meteorológicas relativas à variação do tempo, especificando-se com precisão sua localização geográfica.

Iniciativas - O presidente da AEB disse ser muito importante que os usuários dos serviços de satélites apresentem suas necessidades e sugestões para o corpo técnico das instituições encarregadas do desenvolvimento de tecnologias espaciais e que dessa iniciativa faça parte o segmento industrial.

Guillo, por sua vez, lembrou ser necessário atrair outros parceiros para a proposta, o que ajudaria a robustecer os projetos. Para ele, a atual rede de coleta de dados presta um bom serviço ao país, mas poderia ser mais completa, evitando que fenômenos mais intensos como a atual seca no Nordeste e as enchentes no Sul tenham seus sinais detectados e avaliados com antecedência.

O encontro discutiu ainda algumas propostas de configurações de satélites, cargas úteis, tecnologias e órbitas. Todo esse conjunto de questões será formatado num relatório a ser analisado em breve num próximo encontro.

Fonte: AEB
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

SCD-1: 21 anos em órbita (e ainda funcionando!)

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Primeiro satélite brasileiro completa 21 anos

Sexta-feira, 07 de Fevereiro de 2014

Em 9 de fevereiro o SCD-1 (Satélite de Coleta de Dados) completa 21 anos em órbita. Primeiro satélite desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o SCD-1 mantém a retransmissão de informações importantes para a previsão do tempo e monitoramento das bacias hidrográficas, entre outras aplicações.

Embora com limitações, o satélite continua operacional mais de duas décadas após seu lançamento pelo foguete americano Pegasus, em 1993. Na época, o primeiro satélite brasileiro tinha expectativa de apenas um ano de vida útil. Para o INPE, a longevidade do SCD-1 comprova a competência de seus grupos de engenharia, que projetaram os equipamentos, e também das equipes que mantém sua operação no centro de rastreio e controle de satélites do instituto.

O lançamento do SCD-1 colocou o Brasil entre as nações que efetivamente dominam o ciclo completo de uma missão espacial desde sua concepção até o final de sua operação em órbita. Marcou ainda o início da operação do Sistema de Coleta de Dados Brasileiro, que fornece informações para instituições nacionais governamentais e do setor privado que desenvolvem aplicações e pesquisas em diferentes áreas, como previsão meteorológica e climática, estudo da química da atmosfera, controle da poluição e avaliação do potencial de energias renováveis.

Dados

O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais é baseado em satélites de órbita baixa que retransmitem a um centro de missão as informações ambientais recebidas de um grande número de plataformas de coleta de dados (PCDs) espalhadas pelo Brasil.

As PCDs são equipamentos automáticos que possuem sensores eletrônicos para a medição de parâmetros ambientais, como o nível de água em rios e represas, a qualidade da água, a precipitação pluviométrica, a pressão atmosférica, a intensidade da radiação solar, a temperatura do ar, entre outros.

O satélite capta e retransmite os sinais das PCDs instaladas por todo o país e os envia para as estações de recepção e processamento do INPE em Cuiabá (MT) e em Alcântara (MA). Voando a uma velocidade de 27.000 km por hora, o SCD-1 leva aproximadamente uma hora e 40 minutos para completar uma volta em torno da Terra. Assim, a estação recebe várias vezes por dia os dados transmitidos por cada PCD.

Da estação de Cuiabá ou de Alcântara, os dados coletados pelo satélite são transmitidos para o INPE Nordeste, o centro regional do instituto localizado em Natal (RN), onde atualmente está instalado o Sistema Nacional de Dados Ambientais (SINDA), para processamento e distribuição de suas informações aos usuários a partir do endereço http://sinda.crn2.inpe.br.

O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais conta com uma rede de mais de mil plataformas instaladas e, nos últimos 21 anos, ininterruptamente, tem prestado serviços à sociedade através do monitoramento de parâmetros ambientais nas regiões mais remotas do território brasileiro.

Além do pioneiro SCD-1, integra o sistema de coleta de dados o satélite SCD-2, lançado em 1998.


Fonte: INPE
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segunda-feira, 25 de março de 2013

Microssatélites para o Sistema de Coleta de Dados


DIVULGADO ESTUDO DE VIABILIDADE PARA MICROSSATÉLITES METEOROLÓGICOS

Brasília, 25 de março de 2013 – Eventos hidrológicos extremos, como cheias e estiagens, e seus impactos são apenas alguns dos motivos que fizeram com que a Agência Nacional de Águas (ANA) procurasse a Agência Espacial Brasileira (AEB) para desenvolver, em parceria, um sistema de satélites com a missão de coletar dados hidrometeorológicos.

Recentemente, as duas instituições assinaram memorando de entendimento e formaram um Grupo de Trabalho (GT), com representantes da AEB, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e da ANA.

Como resultado, o GT publicou o “Estudo de análise de viabilidade e alternativas de configuração de microssatélites para contribuir na missão ANA em sua coleta de dados hidrometeorológicos”. O documento expressa as alternativas de configuração para a missão que atendam a realidade atual e busquem a otimização da infraestrutura já instalada no Brasil e gerenciada pela ANA, também visando a economicidade dos recursos públicos. A ideia é que as instituições possam desenvolver uma constelação de pequenos satélites para aperfeiçoar o sistema brasileiro de monitoramento de águas.

“O uso de sistemas espaciais é imprescindível para coletar dados em áreas geográficas em que se têm dificuldades ou restrições de acesso. Com o uso de satélites, pode-se avaliar, com rapidez e razoável precisão, eventos dependentes das mudanças meteorológicas relativas à variação do tempo, especificando-se com precisão sua localização geográfica”, explica o presidente da AEB, José Raimundo Coelho.

Conclusões – O Grupo de Trabalho concluiu que os satélites para o novo sistema devem ser um aperfeiçoamento do SCD-1 e SCD-2, satélites atualmente utilizados. Além de modernizados, deverão contar com novos subsistemas para possibilitar correções de atitude e órbita.

De fato, os novos satélites para coleta de dados devem possuir um subsistema de propulsão, de forma a garantir manobras de mudança de fase nas órbitas, conforme requerido pelas alternativas de solução. Também deverão contar com um subsistema de controle de atitude em três eixos, necessário para o correto apontamento dos satélites. No mais, os satélites contarão com subsistemas semelhantes aos presentes no SCD-2, capazes de atender às funções básicas de sobrevivência e aos requisitos da missão.

Ao contrário do que tem sido a regra para os satélites desenvolvidos até o momento pelo Brasil, por tratar-se de uma possível constelação de vários satélites, seu desenvolvimento e produção permitirão ganhos de escala industrial, com o consequente barateamento do valor unitário de cada satélite.

O novo sistema também fará pleno uso da infraestrutura de solo já existente para controle, recepção e armazenamento de dados, mas imporá aos técnicos e organizações envolvidas um novo desafio, que será o de gerir uma constelação de satélites, o que nunca foi feito antes no Brasil.

Mais informações: http://www.aeb.gov.br/2013/03/viabilidade-e-alternativas-de-configuracao-de-microssatelites-para-contribuir-na-missao-da-agencia-nacional-de-aguas

Fonte: AEB

Comentário: o estudo de viabilidade disponível no link acima traz informações interessantes sobre o Sistema de Coleta de Dados, em particular sobre a sua situação atual.
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

SCD-1: 20 anos!



SCD-1 completa 20 anos. Primeiro satélite brasileiro comprova o êxito da engenharia espacial no país

Terça-feira, 05 de Fevereiro de 2013

Ao concluir 105.577 voltas em torno da Terra, às 14h42 de 9 de fevereiro, o primeiro satélite brasileiro terá completado 20 anos no espaço ainda em funcionamento. O número de órbitas é mais um dos resultados impressionantes do SCD-1 (Satélite de Coleta de Dados), que tinha expectativa de apenas um ano de vida útil quando foi lançado pelo foguete norte-americano Pegasus, em 1993.

Projetado, construído e operado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o SCD-1 segue retransmitindo informações para a previsão do tempo e monitoramento do nível de água dos rios e represas, entre outras aplicações.

“Após este longo tempo em órbita, o SCD-1continua em operação e se prova um projeto de reconhecido sucesso, um verdadeiro tributo à competência da engenharia espacial brasileira. O lançamento do SCD-1 colocou o INPE entre as instituições que efetivamente dominam o ciclo completo de uma missão espacial desde sua concepção até o final de sua operação em órbita”, diz Leonel Perondi, diretor do INPE.

O início da operação em órbita do SCD-1 marcou também o estabelecimento do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais, cujas informações são utilizadas por diversas instituições no Brasil e no exterior.

Além de cumprir sua missão de coleta de dados, o SCD-1 contribuiu para a cooperação com outros países, que na década de 1990 se valeram da experiência brasileira na operação de satélites na mesma faixa.

“Ele foi instrumental para o desenvolvimento de programas espaciais tanto da Argentina como da China. No primeiro, ajudou a calibrar a Estação Terrena de Córdoba e no segundo caso, a Estação Terrena de Nanning”, conta Pawel Rozenfeld, chefe do Centro de Rastreio e Controle (CRC) do INPE. “Nós fazíamos a previsão da passagem do SCD-1 pela China e os chineses utilizavam essas informações para aperfeiçoar seu próprio sistema de determinação em órbita, pois eles ainda iriam lançar satélite na banda S. Para a Argentina, que não tinha nenhum satélite na época, o SCD-1 foi ainda mais importante para determinar os parâmetros da sua estação”.

Melhorias

A recepção das mensagens enviadas por plataformas de coleta de dados (PCDs)e retransmitidas pelo satélite SCD-1 é realizada por um equipamento denominado PROCOD (Processador de Coleta de Dados), cuja tecnologia de processamento digital vem sendo aperfeiçoada. Uma nova versão do sistema, o PROCOD-III, foi instalada em setembro de 2012 na estação de recepção de Cuiabá.

“Melhoramos muito o processamento dos dados em solo. Isso é fundamental para compensar eventuais problemas decorrentes do tempo de vida útil do satélite, permitindo sobrevida adicional ao SCD-1 em termos de desempenho de recepção de mensagens transmitidas pelas PCDs”, explica Wilson Yamaguti, coordenador substituto de Engenharia e Tecnologia Espacial (ETE) do INPE.

Continuidade

A Agência Nacional de Águas (ANA), maior usuária do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais, e a Agência Espacial Brasileira (AEB) firmaram, em 2012, memorando de entendimento visando o monitoramento dos rios brasileiros. A iniciativa permitirá a continuidade e mesmo a expansão dos serviços de coleta de dados prestados pelos satélites SCD-1 e SCD-2, atendendo a diversos outros usuários do sistema.

Um Grupo de Trabalho (GT) formado por membros da ANA, AEB e INPE analisa alternativas para a missão de coleta de dados hidrometeorológicos que atendam a realidade atual, buscando otimizar a infraestrutura já instalada no país e a economia dos recursos públicos.

“Neste processo, coube à ANA expressar suas necessidades de melhoria e aperfeiçoamento das coletas de dados, visando o monitoramento temporal com uso de satélites. Ao INPE coube a análise técnica que atendesse cenários alternativos para configurar um novo sistema eficiente de coleta de dados e com diversos níveis de propositura e implicações técnico-econômicas. À AEB coube a coordenação dos trabalhos e apoio logístico para a sua realização”, informa Wilson Yamaguti.

Segundo o engenheiro do INPE, as soluções discutidas pelo GT se baseiam em uma constelação de satélites de coleta de dados, similares aos SCDs, compatíveis com as redes de plataformas existentes, porém com recursos adicionais como capacidade de propulsão e correção de órbita, além de capacidade de processamento e de armazenamento de mensagens a bordo.

A coleta de dados

O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientaisé baseado em satélites de órbita baixa que retransmitem a um centro de missão as informações ambientais recebidas de um grande número de plataformas de coleta de dados (PCDs) espalhadas pelo Brasil.

As PCDs são equipamentos automáticos que possuem sensores eletrônicos para a medição de parâmetros ambientais, como o nível de água em rios e represas, a qualidade da água, a precipitação pluviométrica, a pressão atmosférica, a intensidade da radiação solar, a temperatura do ar, entre outros.

O satélite capta e retransmite os sinais das PCDs instaladas por todo o país e os envia para as estações de recepção e processamento do INPE em Cuiabá (MT) e em Alcântara (MA). Voando a uma velocidade de 27.000 km por hora, o SCD-1 leva aproximadamente uma hora e 40 minutos para completar uma volta em torno da Terra. Assim, a estação recebe várias vezes por dia os dados transmitidos por cada PCD.

Da estação de Cuiabá ou de Alcântara, osdados coletados pelo satélite são transmitidos para o INPE Nordeste, o centro regional do Instituto localizado em Natal (RN), onde atualmente está instalado o Sistema Nacional de Dados Ambientais (SINDA), para processamento e distribuição de suas informações aos usuários a partir do endereço http://sinda.crn2.inpe.br.

O Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais conta com uma rede de mais de 1000 plataformas instaladas e, nos últimos vinte anos, ininterruptamente, tem prestado serviços à sociedade através do monitoramento de parâmetros ambientais nas regiões mais remotas do território brasileiro.

Além do pioneiro SCD-1, integra hoje o sistema de coleta de dados o satélite SCD-2. Os satélites CBERS-1, CBERS-2 e CBERS-2B, quando operacionais, fizeram parte do sistema.

História

Em 1979, quando aprovada pelo governo federal a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), foi determinado o desenvolvimento de quatro satélites artificiais, do veículo lançador e de toda a infraestrutura de solo, inclusive uma base de lançamentos. Coube ao INPE a responsabilidade pelo desenvolvimento dos satélites, sendo dois de coleta de dados e dois de sensoriamento remoto, bem como da infraestrutura de solo para sua operação em órbita.

O primeiro satélite, o SCD-1, é um satélite de coleta de dados com 115 kg. Foi totalmente projetado, desenvolvido e integrado pelo INPE, com importante participação da indústria nacional. Para seu desenvolvimento, o INPE investiu em laboratórios modernos e no desenvolvimento de seus recursos humanos.

O Laboratório de Integração e Testes (LIT) foi especialmente projetado e construído para atender às necessidades da MECB. Dotado das mais avançadas tecnologias para testes e integração de sistemas espaciais, o LIT/INPE é considerado um dos mais avançados complexos de laboratórios de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia espacial do hemisfério sul. Neste laboratório foi integrado e testado o SCD-1.

Já a operação de lançamento foi comandada a partir do Centro de Controle de Wallops, no estado de Virgínia, costa leste dos Estados Unidos. No dia 9 de fevereiro de 1993, uma hora e 15 minutos depois da decolagem, a 83 km da costa da Flórida e a 13 km de altitude, o foguete Pegasus foi liberado da asa de um avião B52 da Nasa. Como havia sido previsto, o foguete cai em queda livre por cinco segundos antes de acionar seus motores em direção ao espaço. Poucos minutos depois, às 11h41 (hora de Brasília), o SCD-1 é colocado em órbita da Terra, a uma altitude de 750 km.

Tudo transcorreu de acordo com o previsto. Os engenheiros que acompanham o lançamento a partir do Centro de Controle de Wallops e do Centro de Rastreio e Controle do INPE, com operações em São José dos Campos (SP), Cuiabá (MT) e Alcântara (MA), conferem com satisfação e orgulho o sucesso do lançamento e do início da operação do satélite, pois, logo após a entrada em órbita, os primeiros sinais do SCD-1 são captados pela Estação Terrena situada no Maranhão.

Fonte: INPE
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quinta-feira, 31 de maio de 2012

ANA e AEB: MoU para microssatélite de coleta de dados


AEB e ANA assinam memorando de entendimento para estudar a viabilidade de desenvolvimento de um microssatélite

31-05-2012

O Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, e o Diretor Presidente Agência Nacional das Águas (ANA), Vicente de Andreu Gillo, assinaram ontem (30/05) um memorando de entendimento para iniciar estudo sobre a viabilidade de desenvolver um microssatélite para missão de coleta de dados hidrometeorológicos.

O equipamento terá como objetivo avaliar a compatibilidade e expansão do atual sistema de coleta de dados ambientais usados no Brasil. A ANA é a principal usuária deste sistema e depende dele para seus monitoramentos do volume de água e do balanço hidrológico dos reservatórios de água. No estudo de viabilidade estão inclusos o segmento espacial, o segmento solo e o lançador.

Para desenvolver o estudo técnico do projeto será formado, em até quinze dias a partir da assinatura do memorando, um grupo de trabalho composto por representantes das duas agências e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).  A equipe será responsável por estabelecer cronogramas, necessidades de recursos financeiros e responsabilidades de cada parte signatária. O estudo deverá estar pronto em até quatro meses e será a primeira vez que a AEB estudará soluções para atender a demanda de outros órgãos governamentais.

Fonte: AEB

Comentários: a iniciativa entre a AEB e a ANA é bem interessante, por vários aspectos. Primeiro, é um claro indicativo do interesse em dar continuidade ao Sistema de Coleta de Dados (SCD), cuja origem remonta à Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), do final da década de setenta. Deve-se mencionar que os primeiros satélites construídos no Brasil foram justamente os SCDs, que continuam, aliás, em operação. O significado do ponto de vista de Política Espacial, na opinião do blog, é ainda mais relevante. Se a iniciativa for adiante, pode significar o desenvolvimento de um projeto espacial não apenas com recursos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, mas também de outros setores governamentais, usuários dos dados gerados. Essa "fonte de recursos", aliás, foi abordada no estudo sobre Política Espacial Brasileira elaborado pela Associação Aeroespacial Brasileira - AAB (clique aqui). Diga-se de passagem que outras iniciativas similares também estão em consideração, como satélites para aplicações no campo de defesa, tema que o blog abordará em breve.
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

SCD-1: 19 anos e operando!

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Primeiro satélite brasileiro completa 19 anos em operação

Quarta-feira, 08 de Fevereiro de 2012

Ao completar 19 anos em órbita, no dia 9 de fevereiro, o SCD-1 terá dado 100.274 voltas ao redor da Terra e percorrido uma distância de 4,5 bilhões de quilômetros, o que corresponde a 5.910 viagens de ida e volta à Lua. Primeiro satélite desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o SCD-1 se mantém operacional e retransmitindo informações para a previsão do tempo e monitoramento das bacias hidrográficas, entre outras aplicações.

O lançamento do SCD-1 pelo foguete americano Pegasus, em 1993, foi o início da operação do Sistema de Coleta de Dados Brasileiro, agora chamado de Sistema Nacional de Dados Ambientais (SINDA). O sistema é baseado em satélites de órbita baixa que retransmitem a um centro de missão as informações ambientais recebidas de um grande número de plataformas de coleta de dados (PCDs) espalhadas pelo Brasil.

Este sistema fornece dados para instituições nacionais governamentais e do setor privado que desenvolvem aplicações e pesquisas em diferentes áreas, como previsão meteorológica e climática, estudo da química da atmosfera, controle da poluição e avaliação do potencial de energias renováveis.

SINDA

O satélite capta os sinais das PCDs instaladas por todo o território nacional e os envia para a estação de recepção e processamento do INPE em Cuiabá (MT). Depois os dados são transmitidos para o INPE Nordeste, o centro regional do Instituto localizado em Natal (RN), onde são processados e distribuídos aos usuários a partir do endereço http://sinda.crn2.inpe.br/.
Atualmente, o sistema é composto pelos satélites SCD-1 e SCD-2, este lançado em 1998.

Fonte: INPE
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ainda sobre a missão TEXUS 48

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Normalmente bem discreta em relação às missões com foguetes de sondagem realizadas com o modelo brasileiro VSB-30, a agência espacial alemã (DLR) divulgou ontem (30) uma nota sobre a missão TEXUS 48, realizada no último dia 27 a partir do centro espacial de Esrange, no norte da Suécia.

A operação TEXUS 48 foi realizada dentro do escopo do projeto Cryogenic Upper Stage Technologies (CUST), da Agência Espacial Europeia (ESA), algo que pode ser traduzido para o português como tecnologias de estágio superior criogênico. O projeto é parte do Programa Preparatório para Futuros Lançadores (FLPP, sigla em inglês), que deve dar origem ao sucessor do Ariane 5.

Assim, pode-se dizer que o VSB-30, certamente o mais bem sucedido engenho de tecnologia espacial brasileira, contribuiu de alguma forma para o futuro dos lançadores europeus.

Atualização, 16h10: recebemos um e-mail de Otavio Durão com comentários e um "puxão de orelha" à afirmação de que o VSB-30 é "certamente o mais bem sucedido engenho de tecnologia espacial brasileira". Com razão, Durão fez questão de lembrar dos casos dos satélites SCD-1 e SCD-2. O blog opina que do ponto de vista tecnológico, de fato os SCDs foram uma grande conquista ao Programa Espacial, tanto é que operam até hoje. O VSB-30, sem dúvidas, é um grande sucesso do ponto de vista comercial (é exportado), mas do ponto de vista tecnológico, devemos reconhecer os méritos do INPE e família SCD. O e-mail de Otavio Durão é reproduzido abaixo:

"André:

Creio que você deve se inteirar mais sobre os SCD-1 e 2, antes de afirmar que o VSB-30 é "....certamente o mais bem sucedido engenho de tecnologia espacial brasileira" (sic). Leve em conta as respectivas complexidades de um pequeno satélite (na época, para nós, nem tão pequeno assim) desenvolvido no país (projeto, fabricação de muitas partes e equipamentos, integração, testes, qualificação e operação) e as de um motor de combustível sólido (one shot - sem controle de queima). E leve em conta que os SCD foram projetados e desenvolvidos nas décadas de 70 e 80! Com tecnologia e eletrônica da época. E, o mais importante, o motor só precisa funcionar por alguns poucos minutos. Os SCD´s funcionam, por incrível que pareça, e pela pouca valorização e compreensão do que significa isto, respectivamente há 18 e 13 anos!!! É incrível!!

Creio que isto merece um reparo no blog. Como um tributo àqueles veteranos, muitos ainda na ativa e outros já aposentados, que fizeram História no meu entender com, este sim um dos maiores feitos da tecnologia no país.


Se tivéssemos dado continuidade não estaríamos hoje fazendo VSB-30´s!!!

Abraços
Otavio"

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