segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Estudos do IEAv em propulsão a laser

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IEAv dá um grande passo rumo aos estudos da propulsão a laser

29/12/2008

No dia 22 de dezembro, os cientistas e engenheiros do Laboratório de Aerotermodinâmica e Hipersônica do Instituto de Estudos Avançados (IEAv) deram um grande passo rumo aos estudos do conceito da propulsão a laser: produziram um feixe de luz laser na região do infravermelho de aproximadamente 1 gigawatt (potência equivalente a dez milhões de lâmpadas incandescentes) e o guiaram de modo seguro para o interior da câmara de ensaios do maior túnel de vento hipersônico da América Latina, conhecido como T3.

A foto (abaixo) mostra o momento em que o feixe de luz laser é enviado para o interior da câmara de ensaios do T3, onde um alvo, material térmico utilizado para evidenciar a presença deste tipo de luz laser invisível ao olho humano, é literalmente queimado.

O próximo passo é sincronizar o feixe de luz laser e o escoamento hipersônico oferecido pelo T3, de maneira que o vôo hipersônico de um veículo lançador leve, propulsionado a laser, possa ser pela primeira vez duplicado em laboratório.

Estes experimentos visam avançar o entendimento básico e tecnológico desse conceito avançado de propulsão aeroespacial.


Fonte: IEAv
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Amazônia, R-99B e satélites radares

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Semana passada, foi colocado no web-site de T&D uma pequena reportagem que escrevi sobre o Projeto Cartografia da Amazônia (para lê-la, clique aqui), iniciativa coordenada pelo SIPAM com o objetivo de eliminar os chamados "vazios cartográficos" da região amazônica.

A matéria não trata diretamente de projetos espaciais, mas enquanto eu a preparava, num telefonema para a coleta de informações, um funcionário do SIPAM comentou comigo o bem-sucedido trabalho da Força Aérea Brasileira (FAB) na checagem de dados sobre o desmatamento em 36 municípios amazônicos. Estes municípios foram, segundo os dados gerados pelo sistema PRODES, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsáveis por mais de 50% do desmatamento da região em um dado período, o que causou no meio deste ano uma polêmica entre o INPE e o governo do Mato Grosso, que contestava tais dados.

Diante da polêmica, a FAB foi chamada a ajudar. Usou para tanto os aviões R-99B, fabricados pela Embraer e dotados de vários sensores, inclusive um radar de abertura sintética (SAR), que "penetra" as nuvens, produzido pela canadense MDA (fabricante dos satélites Radarsat). Os sobrevôos para a checagem das áreas exigiram vários dias e custaram ao todo mais de US$ 1 milhão. Um satélite radar faria este trabalho em menor tempo e por uma fração deste valor.

No melhor cenário, sem problemas técnicos, orçamentários (e de licitações!), o primeiro satélite brasileiro com sensor SAR, o MAPSAR, só estará em órbita em 2014. Até lá, o INPE e os outros órgãos responsáveis por observar o desmatamento amazônico deverão confiar em satélites estrangeiros (o PRODES e o DETER ainda não contam com imagens produzidas por radares orbitais) e, em escala mais limitada, nos aviões da FAB.
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sábado, 27 de dezembro de 2008

Arianespace lançará satélite chileno

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Arianespace lançará satélite de observação SSOT para o Chile

Evry, França, 20 de dezembro de 2008 - A EADS Astrium escolheu a Arianespace para lançar o satélite de observação terrestre SSOT (Sistema Satelital para Observación de la Tierra) para o governo do Chile.

O SSOT é um satélite de observação terrestre de alta-resolução. O satélite será lançado em órbita heliosíncrona por um foguete Soyuz a partir do Centro Espacial de Guiana, na Guiana Francesa.

Previsto para ser lançado durante a segunda metade de 2010, o SSOT será construído pela Astrium tendo por base a plataforma Myriade, dentro do escopo de um contrato conferido à empresa pelo governo do Chile. (nota do blog: para mais informações sobre o satélite chileno, vejam a postagem "Sistema satelital para Observación de la Tierra")

O SSOT proverá o Chile com imagens de mais alta-qualidade para aplicações tantos civis como militares, como mapeamento, agricultura, gerenciamento de recursos naturais, de desastres naturais e riscos, etc.

Sobre a Arianespace

A Arianespace é uma companhia líder em serviços e soluções de lançamento, entregando serviços inovadores e soluções para seus clientes desde 1980. Apoiada por seus 23 acionistas e pela Agência Espacial Européia, a Arianespace oferece uma família de lançadores formada pelo Ariane 5, Soyuz e Vega, e conta com uma equipe de trabalho internacional renomada por sua cultura de comprometimento e excelência. Até 15 de dezembro de 2008, a Arianespace havia lançado um total de 263 cargas úteis, incluindo mais da metade de todos os satélites comerciais hoje em serviço no mundo. A companhia tem uma carteira de lançamentos de 25 Ariane 5 e 10 Soyuz, equivalente a mais de três anos de serviço.

Fonte: Arianespace, com tradução livre do blog Panorama Espacial.
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Pravda e o VLS

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Pouco antes do Natal, no último dia 23, o jornal russo Pravda Ru publicou uma reportagem cheia de imprecisões sobre um suposto lançamento do foguete brasileiro VLS-1 em 20 de outubro deste ano.

Analisando-se as informações dadas na matéria, fica claro que o autor confundiu o teste do propulsor S 43 do VLS-1 (vejam a nota "Ensaio de motor do VLS é bem-sucedido"), realizado em 20 de outubro, com a execução de um lançamento.

Com todo respeito ao Pravda e ao autor, quem quiser se divertir lendo a reportagem, que não deve ser levada a sério, clique sobre o título "A mídia não noticiou".
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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Satélite Geoestacionário Brasileiro e Parcerias Público Privadas

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Planejamento viabiliza PPP para satélite nacional

Brasília, 22/12/2008 - Os Ministérios do Planejamento e da Ciência e Tecnologia assinaram termo de cooperação para contratar os estudos de modelagem do satélite geoestacionário brasileiro, sob a forma de parceria público-privada.

No Planejamento os trabalhos ficarão a cargo da Assessoria Econômica, órgão do Ministério responsável pelo desenvolvimento de PPPs no governo federal. No Ministério da Ciência e Tecnologia, o projeto será desenvolvido pela Agência Espacial Brasileira.

O objetivo do satélite é o fornecimento de serviços de telecomunicações seguras e de informações sobre meteorologia e controle de tráfego aéreo. De acordo com o projeto o satélite deverá ser desenvolvido com alto índice de participação da indústria nacional.

Os estudos para o desenvolvimento do projeto de parceria envolvem, além de uma análise do marco regulatório do setor, a apresentação de soluções para eventuais ajustes que necessitem ser feitos no Brasil.

Outro item importante nos estudos de modelagem da PPP consiste nas alternativas de financiamento que garantam a atratividade e a viabilidade do projeto num horizonte mínimo de quinze anos.

De acordo com a Assessoria Econômica do Ministério do Planejamento, os estudos serão viabilizados com recursos do Fundo Multilateral de Investimentos (Fumin), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), fruto de uma parceria com o Ministério do Planejamento onde cada um entra com 50% dos recursos necessários.

A modelagem de um projeto envolve a parte técnica (estudos de demanda, engenharia, ambientais, etc.), a parte econômico-financeira (a financiabilidade do projeto, considerando os seus custos, juros, prazo, tarifas a serem cobradas, impostos, modelo de negócio, etc) e a parte jurídica (edital e contratos).

Fonte: Ministério do Planejamento.

Comentário: a idéia de viabilizar o projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro com Parcerias Público Privadas (Lei n. 11.079/04) já era "vendida" há alguns anos na Agência Espacial Brasileira (AEB) por um grande produtor mundial de satélites. Na Europa, esta modelagem financeira tem se tornado comum em projetos governamentais de satélites de telecomunicações e de sensoriamento remoto.
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Cooperação espacial na Parceria Estratégica Brasil - França

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Reproduzimos abaixo o item que trata sobre cooperação na área espacial, do documento "Parceria Estratégica entre a República Federativa do Brasil e a República Francesa", firmado hoje (23), no Rio de Janeiro (RJ).

Os pontos principais em termos de cooperação na área de espaço já haviam sido adiantados pelo blog no último final de semana (ver a nota "Acordos Brasil - França: o que esperar").

"IV – Cooperação na área espacial

O Brasil e a França decidem intensificar a cooperação no domínio da utilização pacífica do espaço e sublinham sua intenção de valorizar ainda mais a contribuição das tecnologias espaciais na área da agricultura, do desenvolvimento sustentável, do estudo dos fenômenos climáticos, do combate à mudança do clima, da prevenção de catástrofes naturais e da conservação do meio ambiente.

Nesse contexto, o Brasil e a França decidem lançar novos projetos de cooperação que permitam estreitar os laços entre as instituições espaciais de ambos os países e valorizar as tecnologias utilizadas no quadro desta cooperação, referindo-se especialmente aos quatro acordos assinados nesta data e destinados a:

- Desenvolver e fortalecer a cooperação entre as instituições nacionais de pesquisa científica nas tecnologias espaciais e suas aplicações industriais;

- Aprofundar a cooperação em matéria de sistemas satelitais geoestacionários de telecomunicações, de navegação e de meteorologia no quadro do projeto de desenvolvimento do satélite geoestacionário brasileiro (SGB);

- Iniciar estudo, essencial à compreensão e à modelagem da mudança do clima do planeta, no domínio do clima e da observação do ciclo da água por meio de satélites, no quadro do projeto de mensuração global das precipitações - GPM ("Global Precipitation Measurement");

- Iniciar cooperação no quadro das tecnologias dos sistemas orbitais aplicadas ao desenvolvimento da nova "plataforma multi-missão" brasileira, concebida para adaptar-se a diferentes aplicações científicas e a diferentes órbitas baixas."

A cooperação quanto ao SGB promete uma interessante "briga" comercial com resultados interessantes. Pode até dar "casamento".

Para ler todos os instrumentos assinados hoje pelos governos do Brasil e da França, clique aqui.
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Cooperação Brasil-França

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Firmado acordo com instituto francês

23/12/2008

Por ocasião da visita do presidente francês Nicolas Sarkozy ao Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Institut de Recherche por le Développement (IRD) firmam Memorando de Entendimento para ampliar e aprimorar a cooperação mútua em áreas específicas da ciência, tecnologia e inovação espaciais.

Gilberto Câmara e Michel Laurent, respectivamente diretores do INPE e do IRD, participam da solenidade em que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy assinam acordos bilaterais nesta terça-feira (23/12) no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

Em breve, através de suas estações de sensoriamento remoto instaladas em Cuiabá e Cayenne, na Guiana Francesa, INPE e IRD irão disponibilizar imagens dos satélites CBERS, SPOT e ENVISAT para o desenvolvimento de pesquisas na área de monitoramento de florestas tropicais.

O Memorando

O memorando de entendimento firmado entre o INPE e o IRD pretende promover o acesso livre a dados de satélites; ampliar o conhecimento científico e a capacitação com o intercâmbio de estudantes, pesquisadores e técnicos; e cooperar, no interesse comum, para compreender e solucionar problemas sobre o uso do sensoriamento remoto para o desenvolvimento sustentável e pacífico.

Também é objetivo aprofundar a compreensão mútua de questões científicas, econômicas e sociais nas seguintes áreas: impacto da degradação do meio ambiente na epidemiologia; monitoramento e avaliação das mudanças de cobertura terrestre; gerenciamento de recursos naturais e diversidade biológica; modelagem e monitoramento hidrológico; planejamento urbano; adaptação da sociedade às mudanças climáticas; gerenciamento integrado da zona costeira; gerenciamento sustentável das florestas; construção de bancos de dados para apoio a convenções internacionais sobre meio ambiente; e impacto das atividades humanas sobre o clima.

Para isso, os institutos brasileiro e francês devem promover a compatibilidade nos processos de coleta, análise, arquivamento e disseminação de informações ambientais, para que os dados possam ser facilmente acessados, analisados e integrados.

Sobre o Institut de Recherche por le Développement, acesse http://www.ird.fr/

Fonte: INPE
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Subvenção Econômica da FINEP em 2009

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A Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), empresa pública ligada ao Ministério da Defesa já liberou o edital para subvenção econômica (recursos não reembolsáveis) de projetos inovadores em 2009. Para acessá-lo, clique aqui.

Serão disponibilizados R$ 450 milhões para o desenvolvimento de produtos, processos e serviços em seis áreas estratégicas, as mesmas do edital passado, a saber: Tecnologias da Informação e Comunicação; Biotecnologia; Saúde; Defesa Nacional e Segurança Pública; Energia e Desenvolvimento Social.

Para a área de Defesa Nacional e Segurança Pública serão destinados R$ 80 milhões, para projetos nos seguintes temas:

- Desenvolvimento de armas não letais; desenvolvimento de sistemas estratégicos de informação, armas, e inteligência de máquina e robótica; desenvolvimento de sistemas de posicionamento, navegação, controle, guiamento e propulsão (incluindo artefatos espaciais).

- Desenvolvimento de tecnologia de materiais emissores de elétrons, de materiais de alta densidade energética e de processos industriais para fabricação de propelentes sólidos, peças e sistemas estruturais utilizando materiais compostos, fibras de carbono, semicompósitos e cerâmicas, e de materiais para blindagem.

- Desenvolvimento de tecnologias e artefatos de emissão e detecção de ondas eletromagnéticas; monitoramento, controle, interceptação e bloqueio decomunicações, imagens e sinais.

Como se vê, iniciativas em tecnologia espacial estão mais uma vez presentes no edital da FINEP, particularmente em sistemas de navegação, guiagem e controle de artefatos espaciais (foguetes e satélites), críticos para o desenvolvimento de tecnologia espacial.

Cada proposta de projeto deve ter o valor mínimo de R$ 500 mil, para micro e pequenas empresas, e de R$ 1 milhão para média e grande empresa, até o máximo de R$ 10 milhões, com prazo de execução de 36 meses. As empresas devem ainda dar uma contrapartida, que varia entre 5% e 20% do valor do projeto em empresas menores, e entre 100% e 200% para empresas de médio e grande porte.
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Código de Conduta para Atividades Espaciais

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Por que apoiar o código europeu de conduta no espaço?

José Monserrat Filho

A União Européia lançou um projeto de Código de Conduta para Atividades Espaciais e convidou os países envolvidos com programas espaciais, inclusive o Brasil, para debatê-lo. A meta declarada é fortalecer a segurança dessas atividades contra atos de guerra e dejetos espaciais.

De fato, há em curso hoje nova corrida armamentista no espaço, provocada sobretudo pela decisão norte-americana de instalar armas em órbitas da Terra. Se isso ocorrer, o espaço se tornará teatro de guerra, como já são, há muito tempo, a terra, os mares e o espaço aéreo. Até hoje não houve por lá nenhuma ação bélica. Mas poderá haver, se a colocação de armas for admitida.

O mais provável é que um conflito espacial, uma vez iniciado, seja incontrolável. E cause um “apagão” na Terra, destruindo ou danificando satélites que nos prestam serviços essenciais de comunicação, previsão do tempo e estudos climáticos, observação das riquezas naturais, monitoramento das florestas, dos mares e dos recursos hídricos, e por aí vai.

Não por acaso, a Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou, em 2 de dezembro, uma resolução que propõe medidas de transparência e fomento à confiança nas atividades espaciais para impedir que o pior aconteça. Nada menos de 180 países apoiaram a resolução que, embora não obrigatória, revela a clara preferência do mundo. Só os Estados Unidos votaram contra. Israel se absteve. A posição norte-americana, diga-se de passagem, é coerente com a que tem sido exposta na Conferência sobre Desarmamento, onde não dá chance à discussão do projeto apresentado pela Rússia e China, em fevereiro deste ano, para vetar a instalação de armas no espaço, bem como o uso e ameaça de uso da força contra objetos espaciais.

Há, portanto, um perigo à vista. Que se agrava ante a notícia de que os programas espaciais governamentais despenderam em 2008 mais de 62 bilhões de dólares, cifra que poderá chegar a 70 bilhões em 2012, apesar da crise. Espera-se, também, o aumento de 8% no lançamento de satélites nos próximos dez anos em relação à última década. É o que a Euroconsult, conceituada empresa de pesquisas sobre o mercado espacial, anunciou em 19 de dezembro. Assim, cuidar da segurança espacial significa garantir altos negócios, algo que a política espacial do agora quase ex-presidente Bush subestimou ao extremo nos últimos oito anos.

O código proposto pela Europa poderia ter vindo mais cedo, mas ainda chega em boa hora. Ele não se opõe abertamente à instalação de armas no espaço, como seria o ideal, pois tenta-se garantir o apoio dos Estados Unidos. Mas, em compensação, valoriza “as iniciativas dirigidas a promover a segurança, as garantias e a paz no espaço exterior, por meio da cooperação internacional” e reitera “o compromisso de solucionar por meios pacíficos qualquer conflito em torno de ações espaciais”.

Além disso, defende o livre acesso ao espaço para fins pacíficos; o total respeito à segurança e à integridade dos objetos espaciais em órbita; a responsabilidade dos países de promover a exploração pacífica do espaço, e de adotar “todas as medidas adequadas para impedir que o espaço torne-se área de conflito”; e o direito inerente de legítima defesa individual ou coletiva, segundo a Carta das Nações Unidas (Art. 51), o que proíbe os ataques preventivos.

Tais princípios se chocam com a “Política Nacional Espacial” do governo Bush, de 31 de agosto de 2006, sobretudo quando ela reza que “os Estados Unidos preservarão seus direitos, capacidades e liberdade de ação no espaço; de dissuadir ou deter outros voltados a impedir estes direitos ou desenvolver capacidades dirigidas a alcançar este objetivo; de adotar as ações necessárias para proteger suas capacidades espaciais; de responder a interferências; e de negar, se necessário, aos adversários o uso de capacidades espaciais hostis aos interesses nacionais dos Estados Unidos”.

Esta política veio reforçar a conduta unilateral do governo Bush, que se atribuiu o direito de definir por si próprio contra quem e como agir no espaço. O código, por sua vez, visa fortalecer um estado de direito no espaço, centrado em atividades pacíficas – admitindo ações militares, desde que defensivas, não guerreiras – com normas e critérios a serem respeitadas igualmente por todos os países. Isto é difícil de executar na prática, mas é imprescindível. A expectativa, com certeza, é de que o novo presidente dos EUA, Barack Obama, mude a conduta do país inclusive nesta área.

Creio que o Brasil deve apoiar o código, sob a condição de que ele passe a reconhecer também, não só os Princípios do Sensoriamento Remoto – inexplicavelmente omitido –, como o Acordo da Lua, de 1979, um dos cinco grandes tratados da ONU considerados a base da legislação espacial em vigor. Os Estados Unidos têm todo o direito de não assinar e até de criticar o Acordo da Lua. Mas não se pode negar que se trata de um instrumento em vigor, que tem sua vigência reconhecida pela ONU. Afinal, a Assembléia Geral da ONU, ao apelar aos países para firmarem e ratificarem os acordos em vigor que regulam o espaço e as atividades ali exercidas, faz questão de citar o Acordo da Lua.

Este texto, aliás, ainda que firmado por quatro países e ratificado por 13 países – um apoio realmente pouco significativo –, configura a única experiência da ONU sobre como ordenar a exploração e uso das riquezas lunares, e será muito útil na hora, cada vez mais próxima, de enfrentar a tarefa de organizar a volta da humanidade à Lua, desta vez para ficar.

Outra questão polêmica no código é que não está previsto o seu exame pelo Comitê da ONU para o Uso Pacífico do Espaço (Copuos) e pelo Subcomitê Jurídico. É difícil imaginar que se possa assinar um documento de tanta relevância que não reforçe nem prestigie de algum modo o papel do Copuos na formação e preservação da legalidade espacial.

Criado em 1959 e responsável por todos os tratados e declarações criados até hoje para reger a era espacial, o Copuos não pode nem merece ser marginalizado, sob pena de cometermos uma injustiça histórica e debilitarmos uma instituição multilateral fundamental como a ONU, em temas vitais para a consolidação da paz, da segurança e da democracia no mundo.

Seja como for, o projeto europeu cria excelente oportunidade para se abordar de modo amplo e profundo o que os franceses estão chamando, com muita perspicácia, de sustentabilidade das atividades espaciais. É isto, precisamente, o que está em jogo: como manter o céu limpo e seguro por um período de tempo a perder de vista, sem ameaças e atropelos, e com as maiores garantias possíveis, para que o espaço possa prestar a todos os povos da Terra os incontáveis e indispensáveis benefícios que só ele é capaz de oferecer?

José Monserrat Filho é Professor de Direito Espacial, diretor do Instituto Internacional de Direito Espacial e, atualmente, Chefe da Assessoria de Assuntos Internacionais do Ministério da Ciência e Tecnologia.

Fonte: JC E-mail
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sábado, 20 de dezembro de 2008

Acordos Brasil - França: o que esperar

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Na próxima segunda-feira (22), chegará ao Brasil uma comitiva do governo francês liderada por seu presidente, Nicolas Sarkozy. Diversos acordos de cooperação serão assinados nas mais variadas áreas, como Defesa, Meio Ambiente, Educação, e Ciência e Tecnologia.

Haverá alguns acordos na área espacial. O blog apurou junto a um diretor da Agência Espacial Brasileira (AEB) que o acordo com o governo de Paris envolverá projetos como o do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), a Plataforma Multimissão (PMM), e o satélite GPM (Global Precipitation Measurement).

O acordo sobre a PMM envolve o desenvolvimento da plataforma, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em conjunto com diversas indústrias nacionais, e não cargas-úteis para algumas das missões orbitais, como a do Amazônia 1 e MAPSAR (sensoriamento remoto).

Em relação ao GPM, uma missão meteorológica, o acordo prevê a possibilidade do desenvolvimento conjunto entre os dois países de cargas-úteis.
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