.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) inaugura hoje (30) a primeira estação brasileira dedicada a sensoriamento remoto marinho. A estação, localizada em Cachoeira Paulista (SP), irá receber, processar, armazenar e distribuir imagens do satélite Envisat, da Agência Espacial Europeia, que serão utilizadas para monitorar a costa brasileira.
“Esta é a primeira estação no Brasil dedicada ao sensoriamento remoto marinho. As imagens serão recebidas em tempo quase real e serão utilizadas para a detecção de poluentes na superfície do mar, para o estudo de ecossistemas e recursos naturais marinhos e, ainda, para estimar parâmetros como direção e intensidade de correntes e campo de ventos, altura de ondas, entre outros”, disse Ivan Barbosa, chefe da Divisão de Geração de Imagens do INPE, em nota distribuída pelo Instituto.
A Estação de Sensoriamento Remoto Marinho foi viabilizada por meio de convênio firmado entre o INPE, a Petrobras e a Agência Nacional do Petróleo (ANP), devendo atender especialmente demandas da estatal brasileira. Até então, a Petrobras dependia da aquisição e processamento de imagens no exterior, resultando em maior custo operacional e tempo para a obtenção das imagens.
Em janeiro deste ano, o blog já havia abordado a construção de uma estação de recepção de dados do Envisat no Brasil (ver "Brasil terá estação de recepção de dados do Envisat"), que também será pioneira na recepção de imagens geradas por sensores-radar (SAR), uma das maiores carências brasileiras em termos de sensoriamento remoto. O investimento total na nova estação foi de cerca de R$ 7 milhões.
.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
terça-feira, 29 de setembro de 2009
Congresso sobre satélites no Rio de Janeiro
.
Acontece nos próximos dias 1 e 2, no Rio de Janeiro, o 9º Congresso Latino-Americano de Satélites, evento anual que reúne representantes da indústria de satélites de telecomunicações, operadores e autoridades para discutir os temais cruciais do setor.
A edição deste ano contará com palestras sobre os projetos de satélites de comunicações em desenvolvimento na América Latina, como o programa Arsat, da Argentina, e o colombiano Satcol, entre outros assuntos.
No segundo e último dia haverá uma apresentação do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, sobre o "Plano estratégico do governo brasileiro para o setor espacial", além de palestras sobre o projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) e aplicações em controle de tráfego aéreo e controle do espaço aéreo.
O blog estará presente no segundo dia e fará uma cobertura do evento.
.
Acontece nos próximos dias 1 e 2, no Rio de Janeiro, o 9º Congresso Latino-Americano de Satélites, evento anual que reúne representantes da indústria de satélites de telecomunicações, operadores e autoridades para discutir os temais cruciais do setor.
A edição deste ano contará com palestras sobre os projetos de satélites de comunicações em desenvolvimento na América Latina, como o programa Arsat, da Argentina, e o colombiano Satcol, entre outros assuntos.
No segundo e último dia haverá uma apresentação do presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, sobre o "Plano estratégico do governo brasileiro para o setor espacial", além de palestras sobre o projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) e aplicações em controle de tráfego aéreo e controle do espaço aéreo.
O blog estará presente no segundo dia e fará uma cobertura do evento.
.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
INPE: 1 milhão de imagens distribuídas
.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou hoje (28) que ultrapassou a marca de um milhão de imagens distribuídas pela internet, gratuitamente. Destas, pouco mais de 716 mil foram imagens geradas pelos satélites da família CBERS (CBERS 1, 2 e 2B), e as demais dos satélites norte-americanos da série Landsat.
"A política de dados livres adotada pelo INPE fez do Brasil um exemplo mundial na área de Observação da Terra, tornando o Sensoriamento Remoto uma ferramenta de fácil acesso", informou em nota o Instituto.
"A distribuição gratuita através da internet começou em 28 de junho de 2004, com as imagens do CBERS-2 (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres). Logo após, o INPE tornou livre o acesso às imagens históricas dos satélites LANDSAT. Atualmente o Centro de Dados de Sensoriamento Remoto do Instituto, instalado em Cachoeira Paulista (SP), tem disponíveis imagens dos satélites CBERS-2 e 2B e Landsat 1, 2, 3, 5 e 7. As imagens de todos estes satélites são fornecidas sem custo para qualquer usuário do mundo."
Para ler a notícia divulgada pelo INPE sobre a marca atingida, clique aqui.
.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgou hoje (28) que ultrapassou a marca de um milhão de imagens distribuídas pela internet, gratuitamente. Destas, pouco mais de 716 mil foram imagens geradas pelos satélites da família CBERS (CBERS 1, 2 e 2B), e as demais dos satélites norte-americanos da série Landsat.
"A política de dados livres adotada pelo INPE fez do Brasil um exemplo mundial na área de Observação da Terra, tornando o Sensoriamento Remoto uma ferramenta de fácil acesso", informou em nota o Instituto.
"A distribuição gratuita através da internet começou em 28 de junho de 2004, com as imagens do CBERS-2 (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres). Logo após, o INPE tornou livre o acesso às imagens históricas dos satélites LANDSAT. Atualmente o Centro de Dados de Sensoriamento Remoto do Instituto, instalado em Cachoeira Paulista (SP), tem disponíveis imagens dos satélites CBERS-2 e 2B e Landsat 1, 2, 3, 5 e 7. As imagens de todos estes satélites são fornecidas sem custo para qualquer usuário do mundo."
Para ler a notícia divulgada pelo INPE sobre a marca atingida, clique aqui.
.
domingo, 27 de setembro de 2009
Cooperação Brasil - Bélgica
.
Entre os dias 4 e 5 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará visita oficial à Bélgica, acompanhado de importante comitiva do governo e de setores empresariais. Segundo informações divulgadas pelo Palácio do Planalto, durante a visita serão assinados alguns atos e instrumentos bilaterais, inclusive um na área espacial: um acordo de cooperação entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Centro Espacial de Liège, ligado à Universidade de Liège. O comunicado do Planalto não fornece maiores detalhes sobre a natureza do acordo e os tópicos envolvidos.
O Centro Espacial de Liège (Centre Spatial de Liège - CSL) é um instituto de pesquisa e testes belga especializado em aplicações e cargas úteis relacionadas a instrumentos óticos, detectores, metrologia e equipamentos para testes. O CSL está envolvido em grandes projetos, como o do telescópio JWST (futuro substituto do famoso telescópio espacial Hubble, da NASA), além de outras iniciativas e missões da Agência Espacial Europeia.
.
Entre os dias 4 e 5 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará visita oficial à Bélgica, acompanhado de importante comitiva do governo e de setores empresariais. Segundo informações divulgadas pelo Palácio do Planalto, durante a visita serão assinados alguns atos e instrumentos bilaterais, inclusive um na área espacial: um acordo de cooperação entre a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Centro Espacial de Liège, ligado à Universidade de Liège. O comunicado do Planalto não fornece maiores detalhes sobre a natureza do acordo e os tópicos envolvidos.
O Centro Espacial de Liège (Centre Spatial de Liège - CSL) é um instituto de pesquisa e testes belga especializado em aplicações e cargas úteis relacionadas a instrumentos óticos, detectores, metrologia e equipamentos para testes. O CSL está envolvido em grandes projetos, como o do telescópio JWST (futuro substituto do famoso telescópio espacial Hubble, da NASA), além de outras iniciativas e missões da Agência Espacial Europeia.
.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Mercado para lançador de pequeno porte
.
Um dado interessante para se dimensionar o tamanho em potencial do mercado de lançamentos espaciais de pequenas cargas úteis em órbita baixa. Em outubro de 2008, segundo dados repassados por integrante do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/CTA), havia aproximadamente 250 projetos de desenvolvimento e construção de micro e minissatélites em curso no mundo.
A tendência é que o número de projetos cresça no futuro, se for levado em conta o estudo da consultoria Euroconsult sobre o mercado mundial de satélites para os próximos dez anos (período de 2009 a 2018) (vejam a postagem "Mercado mundial de satélites entre 2009-2018"). É com base nestes números que o IAE/CTA considera uma parceria com algum player estrangeiro para o desenvolvimento e operação de lançador de pequeno porte. Como já noticiou o blog no passado, a europeia EADS Astrium, e empresas da Rússia e Ucrânia demonstraram interesse nesta parceria.
.
Um dado interessante para se dimensionar o tamanho em potencial do mercado de lançamentos espaciais de pequenas cargas úteis em órbita baixa. Em outubro de 2008, segundo dados repassados por integrante do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/CTA), havia aproximadamente 250 projetos de desenvolvimento e construção de micro e minissatélites em curso no mundo.
A tendência é que o número de projetos cresça no futuro, se for levado em conta o estudo da consultoria Euroconsult sobre o mercado mundial de satélites para os próximos dez anos (período de 2009 a 2018) (vejam a postagem "Mercado mundial de satélites entre 2009-2018"). É com base nestes números que o IAE/CTA considera uma parceria com algum player estrangeiro para o desenvolvimento e operação de lançador de pequeno porte. Como já noticiou o blog no passado, a europeia EADS Astrium, e empresas da Rússia e Ucrânia demonstraram interesse nesta parceria.
.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
"O Brasil e o Espaço"
.
Reproduzimos abaixo artigo escrito por José Nivaldo Hinckel, engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com uma análise e visão pessoais sobre o Programa Espacial Brasileiro.
O Brasil e o Espaço
José Nivaldo Hinckel*
1. Porque um programa espacial brasileiro
A razão primordial para um programa espacial é o acesso aos recursos ímpares da visada global proporcionada pela grande altitude. A visada global abre amplo leque de missões de comunicação e observação com cobertura de grandes extensões da superfície terrestre.
A exploração destes recursos, inicialmente para fins estratégicos militares e de defesa, e posteriormente para fins comerciais e científicos, deu origem aos abrangentes programas espaciais americanos e soviético das décadas de 50 a 70 do século passado, refletindo a atuação e interesse globais dos mesmos neste período crítico da Guerra Fria. A partir da década de 70 a Europa (ESA), China, Índia Japão e Brasil deram também grande impulso aos seus respectivos programas espaciais. Estas iniciativas foram também impulsionadas em grande parte por interesses estratégicos destes países; interesses estes relativos aos seus próprios (e vastos) territórios e crescente ampliação de atividades e interações comerciais com outros países e exploração de recursos marítimos.
O Brasil, por sua extensão territorial e distribuição populacional, vastas regiões de fronteira e costa marítima e crescente projeção no cenário internacional é claramente grande beneficiário potencial de exploração intensiva de recursos espaciais.
2. Diagnóstico: Situação atual
Uma análise, mesmo superficial, das atividades e projetos em andamento dos programas mencionados acima, torna evidente o descolamento do programa espacial brasileiro em relação aos outros programas, especialmente a partir do início da década de 90. Enquanto esses programas avançaram, tanto na parte de acesso ao espaço com o desenvolvimento de veículos lançadores capazes, com cobertura de largo espectro de missões espaciais, quanto na produção de satélites de comunicações, observação da Terra e exploração científica, o escopo e objetivos do programa brasileiro foram progressivamente encolhidos e postergados.
O programa de veículos lançadores, após três tentativas mal-sucedidas de lançamento, encontra-se em estado vegetativo, com perspectivas praticamente nulas de reativação. O VLS, em sua configuração atual é, para todos os fins práticos, um veículo desacreditado e não há como reaprumá-lo. Efetivamente, os responsáveis pelo programa estão perdidos quanto ao rumo a dar a este VLS, ou o que colocar em seu lugar.
Entra em cena a ACS (Alcântara Cyclone Space). Ao ser desmembrada da União Soviética, a Ucrânia herdou um espólio espacial, com capacidade de produzir foguetes, porém sem ter de onde lançá-los. O que pareceu inicialmente uma barganha para o lado brasileiro e uma redenção para o lado ucraniano, revela-se, entretanto, pesadelo.
O foguete Cyclone 4 utiliza os propelentes NTO/UDMH (Tetróxido de di-nitrogênio / Dimetil Hidrazina Assimétrica). A origem de utilização destes propelentes remonta à corrida por produção de mísseis de longo alcance da segunda metade do século passado. Estes propelentes são estocáveis e podem ficar carregados nos tanques dos foguetes por anos, prontos para o lançamento. E tem também boas características energéticas e propriedades termofísicas que facilitam o projeto e produção dos propulsores destes mísseis.
Entretanto, são altamente tóxicos e os riscos de catástrofe de grandes proporções associada a uma falha nos instantes iniciais do lançamento se revelam difíceis de serem justificados num programa de veículos lançadores. De fato, grande parte dos veículos lançadores que utilizam ou utilizavam estes propelentes; derivados em sua maioria de mísseis balísticos, foi, ou está em vias de desativação. É difícil entender porque o Brasil vai ingressar nesta área seguindo uma trilha que está sendo abandonada por todos os outros competidores.
Politicamente, o programa envolve também um risco considerável, visto que o foguete produzido pela Ucrânia depende, em subsistemas essenciais, de licenças ou itens produzidos na Rússia, que talvez preferisse tratar diretamente com o Brasil.
Logisticamente, a situação não é menos complicada. O foguete é produzido no leste europeu, devendo seguir um longo trajeto para chegar a Alcântara. O deslocamento de pessoal envolvido no lançamento, alojamento e entretenimento acarretam custos elevados. E há adicionalmente o problema de transporte e armazenamento de centenas de toneladas de propelentes altamente tóxicos, que devem ser adquiridos do outro lado do mundo, visto que econômica e ecologicamente a produção local destes não é justificável.
A insistência dos dirigentes da ACS em prever a entrada em operação comercial num prazo inferior a dois anos revela o seu despreparo técnico e gerencial e desconexão com a realidade. A implementação de um programa deste porte, contando com um gerenciamento ágil e proficiente, uma equipe técnica experimente e fluxo de recursos adequado requer pelo menos cinco anos. É difícil assegurar que a ACS conte com este suporte.
Em contraposição, o acordo entre a Arianespace e a Rússia para o estabelecimento e operação de uma plataforma de lançamento do veículo Soyuz a partir da base de lançamento de Kourou, demorou quase uma década e consumiu recursos da ordem de meio bilhão de euros. Há que se perguntar, o que os dirigentes da ACS sabem e que os dirigentes da ESA não sabem, que lhes permita realizar uma tarefa de mesma complexidade, num prazo muito mais curto e com recursos muito mais limitados?
O programa de satélites demonstrou vitalidade inicial com a construção e lançamento dos satélites de coleta e dados. Os satélites de observação, a serem desenvolvidos internamente a partir da década de 80, sofreram sucessivas metamorfoses e adiamentos, sem nenhum lançamento com sucesso até o presente, e com perspectivas pouco promissoras no horizonte previsível.
O programa de desenvolvimento de satélites de sensoriamente remoto em cooperação com a China foi iniciado como uma parceria razoavelmente equilibrada quanto a decisões programáticas e gerenciais e atribuições técnicas. Entretanto, como reflexo do grande descompasso dos respectivos programas nacionais, cresceu enormemente a ascendência técnica, gerencial e programática da parte chinesa, ficando a parte brasileira relegada a atuação coadjuvante, apesar de crescente participação orçamentária no programa.
O desenvolvimento de satélites de comunicações foi praticamente abandonado.
É notável e preocupante a desconexão do programa de satélites conduzido no INPE com os seus clientes potencialmente mais importantes. Um programa de caráter nacional, como se pretende o brasileiro, somente faz sentido se atender a uma gama de missões de interesse nacional amplo; sistema de defesa e uma grande quantidade de organismos que necessitam de comunicações e informações geográficas com cobertura total e contínua do território terrestre e marítimo.
3. Sustentabilidade técnica e econômica
Uma característica importante de atividades econômicas envolvendo complexidade e diversidade tecnológica, ampla infra-estrutura e com longos prazos de maturação, é a elevação crescente do patamar de sustentabilidade técnica e econômica destas empreitadas. Haja vista a grande consolidação empresarial ocorrida em áreas como automobilística, aeronáutica, eletrônica, farmacêutica e inúmeras outras. Não há razão para esperar que a área espacial seja uma exceção a esta tendência.
O ritmo atual de produção e lançamento de 3 a 5 satélites por década é claramente insuficiente para a sustentabilidade técnica e econômica a esta atividade. Do ponto de vista técnico, este ritmo é insuficiente para manter um quadro técnico suficientemente motivado e proficiente para a condução das atividades num patamar mínimo de confiabilidade. Neste ritmo, a proficiência do quadro técnico tende a regredir e é praticamente impossível agregar e treinar novos profissionais para perpetuar o conhecimento adquirido anteriormente.
A ociosidade da infra-estrutura dedicada torna-se também extremamente alta, comprometendo seriamente a proficiências dos operadores de equipamentos caros e complexos.
O envolvimento e contratação de empresas privadas para prestação de serviços e componentes torna-se igualmente proibitivamente caro e arriscado, sobretudo daquelas empresas com grande dependência e dedicação a esta área. A alta intermitência de atividades nestas empresas ocasiona uma grande rotatividade de profissionais e dificuldade de manutenção de capacitação técnica. A inserção destas empresas em outras áreas de atividade é altamente desejável, mas difícil de ser realizada.
4. O que deve ser feito
Do ponto de vista puramente técnico, a formulação de um programa espacial sustentável e compatível com as necessidades e recursos do Brasil é tarefa que pode ser realizada com razoável confiança por profissionais com vivência prolongada na área e familiaridade com os principais programas espaciais desenvolvidos em outros países. A tarefa consiste em extrair destes programas um núcleo de missões com grau de complexidade não muito elevado, mas que ainda atendam a uma ampla gama de demandas dos diversos setores clientes potenciais de serviços de natureza espacial. Não se pode deixar de notar que os clientes iniciais destes serviços são em sua maioria os diversos órgãos do Estado.
Estas missões devem atender primordialmente demandas de comunicações e observação da Terra e devem prever um ritmo mínimo de três a seis missões anuais num prazo de cinco a dez anos para prover sustentabilidade técnica e econômica ao programa.
É razoavelmente seguro antever que tais missões envolvam a construção de plataformas com massa total de 500 a 4.000 kg em órbita baixa e massa de até 1.500 kg em órbita geoestacionária.
Esta definição fecha também os requisitos básicos de lançamento para um programa de veículos lançadores.
--
José Nivaldo Hinckel é coordenador do grupo de propulsão de Departamento de Mecânica Espacial e Controle da ETE/INPE. Responsável técnico pelo projeto de desenvolvimento de propulsores monopropelentes a hidrazina para sistemas de guiagem e controle de atitude e órbita de satélites. É também coordenador do convênio de cooperação técnica entre o MCT/INPE e o MAI (Moscow State Aviation Institute).
.
Reproduzimos abaixo artigo escrito por José Nivaldo Hinckel, engenheiro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com uma análise e visão pessoais sobre o Programa Espacial Brasileiro.
O Brasil e o Espaço
José Nivaldo Hinckel*
1. Porque um programa espacial brasileiro
A razão primordial para um programa espacial é o acesso aos recursos ímpares da visada global proporcionada pela grande altitude. A visada global abre amplo leque de missões de comunicação e observação com cobertura de grandes extensões da superfície terrestre.
A exploração destes recursos, inicialmente para fins estratégicos militares e de defesa, e posteriormente para fins comerciais e científicos, deu origem aos abrangentes programas espaciais americanos e soviético das décadas de 50 a 70 do século passado, refletindo a atuação e interesse globais dos mesmos neste período crítico da Guerra Fria. A partir da década de 70 a Europa (ESA), China, Índia Japão e Brasil deram também grande impulso aos seus respectivos programas espaciais. Estas iniciativas foram também impulsionadas em grande parte por interesses estratégicos destes países; interesses estes relativos aos seus próprios (e vastos) territórios e crescente ampliação de atividades e interações comerciais com outros países e exploração de recursos marítimos.
O Brasil, por sua extensão territorial e distribuição populacional, vastas regiões de fronteira e costa marítima e crescente projeção no cenário internacional é claramente grande beneficiário potencial de exploração intensiva de recursos espaciais.
2. Diagnóstico: Situação atual
Uma análise, mesmo superficial, das atividades e projetos em andamento dos programas mencionados acima, torna evidente o descolamento do programa espacial brasileiro em relação aos outros programas, especialmente a partir do início da década de 90. Enquanto esses programas avançaram, tanto na parte de acesso ao espaço com o desenvolvimento de veículos lançadores capazes, com cobertura de largo espectro de missões espaciais, quanto na produção de satélites de comunicações, observação da Terra e exploração científica, o escopo e objetivos do programa brasileiro foram progressivamente encolhidos e postergados.
O programa de veículos lançadores, após três tentativas mal-sucedidas de lançamento, encontra-se em estado vegetativo, com perspectivas praticamente nulas de reativação. O VLS, em sua configuração atual é, para todos os fins práticos, um veículo desacreditado e não há como reaprumá-lo. Efetivamente, os responsáveis pelo programa estão perdidos quanto ao rumo a dar a este VLS, ou o que colocar em seu lugar.
Entra em cena a ACS (Alcântara Cyclone Space). Ao ser desmembrada da União Soviética, a Ucrânia herdou um espólio espacial, com capacidade de produzir foguetes, porém sem ter de onde lançá-los. O que pareceu inicialmente uma barganha para o lado brasileiro e uma redenção para o lado ucraniano, revela-se, entretanto, pesadelo.
O foguete Cyclone 4 utiliza os propelentes NTO/UDMH (Tetróxido de di-nitrogênio / Dimetil Hidrazina Assimétrica). A origem de utilização destes propelentes remonta à corrida por produção de mísseis de longo alcance da segunda metade do século passado. Estes propelentes são estocáveis e podem ficar carregados nos tanques dos foguetes por anos, prontos para o lançamento. E tem também boas características energéticas e propriedades termofísicas que facilitam o projeto e produção dos propulsores destes mísseis.
Entretanto, são altamente tóxicos e os riscos de catástrofe de grandes proporções associada a uma falha nos instantes iniciais do lançamento se revelam difíceis de serem justificados num programa de veículos lançadores. De fato, grande parte dos veículos lançadores que utilizam ou utilizavam estes propelentes; derivados em sua maioria de mísseis balísticos, foi, ou está em vias de desativação. É difícil entender porque o Brasil vai ingressar nesta área seguindo uma trilha que está sendo abandonada por todos os outros competidores.
Politicamente, o programa envolve também um risco considerável, visto que o foguete produzido pela Ucrânia depende, em subsistemas essenciais, de licenças ou itens produzidos na Rússia, que talvez preferisse tratar diretamente com o Brasil.
Logisticamente, a situação não é menos complicada. O foguete é produzido no leste europeu, devendo seguir um longo trajeto para chegar a Alcântara. O deslocamento de pessoal envolvido no lançamento, alojamento e entretenimento acarretam custos elevados. E há adicionalmente o problema de transporte e armazenamento de centenas de toneladas de propelentes altamente tóxicos, que devem ser adquiridos do outro lado do mundo, visto que econômica e ecologicamente a produção local destes não é justificável.
A insistência dos dirigentes da ACS em prever a entrada em operação comercial num prazo inferior a dois anos revela o seu despreparo técnico e gerencial e desconexão com a realidade. A implementação de um programa deste porte, contando com um gerenciamento ágil e proficiente, uma equipe técnica experimente e fluxo de recursos adequado requer pelo menos cinco anos. É difícil assegurar que a ACS conte com este suporte.
Em contraposição, o acordo entre a Arianespace e a Rússia para o estabelecimento e operação de uma plataforma de lançamento do veículo Soyuz a partir da base de lançamento de Kourou, demorou quase uma década e consumiu recursos da ordem de meio bilhão de euros. Há que se perguntar, o que os dirigentes da ACS sabem e que os dirigentes da ESA não sabem, que lhes permita realizar uma tarefa de mesma complexidade, num prazo muito mais curto e com recursos muito mais limitados?
O programa de satélites demonstrou vitalidade inicial com a construção e lançamento dos satélites de coleta e dados. Os satélites de observação, a serem desenvolvidos internamente a partir da década de 80, sofreram sucessivas metamorfoses e adiamentos, sem nenhum lançamento com sucesso até o presente, e com perspectivas pouco promissoras no horizonte previsível.
O programa de desenvolvimento de satélites de sensoriamente remoto em cooperação com a China foi iniciado como uma parceria razoavelmente equilibrada quanto a decisões programáticas e gerenciais e atribuições técnicas. Entretanto, como reflexo do grande descompasso dos respectivos programas nacionais, cresceu enormemente a ascendência técnica, gerencial e programática da parte chinesa, ficando a parte brasileira relegada a atuação coadjuvante, apesar de crescente participação orçamentária no programa.
O desenvolvimento de satélites de comunicações foi praticamente abandonado.
É notável e preocupante a desconexão do programa de satélites conduzido no INPE com os seus clientes potencialmente mais importantes. Um programa de caráter nacional, como se pretende o brasileiro, somente faz sentido se atender a uma gama de missões de interesse nacional amplo; sistema de defesa e uma grande quantidade de organismos que necessitam de comunicações e informações geográficas com cobertura total e contínua do território terrestre e marítimo.
3. Sustentabilidade técnica e econômica
Uma característica importante de atividades econômicas envolvendo complexidade e diversidade tecnológica, ampla infra-estrutura e com longos prazos de maturação, é a elevação crescente do patamar de sustentabilidade técnica e econômica destas empreitadas. Haja vista a grande consolidação empresarial ocorrida em áreas como automobilística, aeronáutica, eletrônica, farmacêutica e inúmeras outras. Não há razão para esperar que a área espacial seja uma exceção a esta tendência.
O ritmo atual de produção e lançamento de 3 a 5 satélites por década é claramente insuficiente para a sustentabilidade técnica e econômica a esta atividade. Do ponto de vista técnico, este ritmo é insuficiente para manter um quadro técnico suficientemente motivado e proficiente para a condução das atividades num patamar mínimo de confiabilidade. Neste ritmo, a proficiência do quadro técnico tende a regredir e é praticamente impossível agregar e treinar novos profissionais para perpetuar o conhecimento adquirido anteriormente.
A ociosidade da infra-estrutura dedicada torna-se também extremamente alta, comprometendo seriamente a proficiências dos operadores de equipamentos caros e complexos.
O envolvimento e contratação de empresas privadas para prestação de serviços e componentes torna-se igualmente proibitivamente caro e arriscado, sobretudo daquelas empresas com grande dependência e dedicação a esta área. A alta intermitência de atividades nestas empresas ocasiona uma grande rotatividade de profissionais e dificuldade de manutenção de capacitação técnica. A inserção destas empresas em outras áreas de atividade é altamente desejável, mas difícil de ser realizada.
4. O que deve ser feito
Do ponto de vista puramente técnico, a formulação de um programa espacial sustentável e compatível com as necessidades e recursos do Brasil é tarefa que pode ser realizada com razoável confiança por profissionais com vivência prolongada na área e familiaridade com os principais programas espaciais desenvolvidos em outros países. A tarefa consiste em extrair destes programas um núcleo de missões com grau de complexidade não muito elevado, mas que ainda atendam a uma ampla gama de demandas dos diversos setores clientes potenciais de serviços de natureza espacial. Não se pode deixar de notar que os clientes iniciais destes serviços são em sua maioria os diversos órgãos do Estado.
Estas missões devem atender primordialmente demandas de comunicações e observação da Terra e devem prever um ritmo mínimo de três a seis missões anuais num prazo de cinco a dez anos para prover sustentabilidade técnica e econômica ao programa.
É razoavelmente seguro antever que tais missões envolvam a construção de plataformas com massa total de 500 a 4.000 kg em órbita baixa e massa de até 1.500 kg em órbita geoestacionária.
Esta definição fecha também os requisitos básicos de lançamento para um programa de veículos lançadores.
--
José Nivaldo Hinckel é coordenador do grupo de propulsão de Departamento de Mecânica Espacial e Controle da ETE/INPE. Responsável técnico pelo projeto de desenvolvimento de propulsores monopropelentes a hidrazina para sistemas de guiagem e controle de atitude e órbita de satélites. É também coordenador do convênio de cooperação técnica entre o MCT/INPE e o MAI (Moscow State Aviation Institute).
.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Participação do Brasil no COSPAS-SARSAT
.
FAB coloca o Brasil entre os países com tecnologia de ponta em sistema de busca
22/09/2009
A estação MEOLUT brasileira de dois canais iniciou sua operação nas instalações do Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA I), em Brasília, no último dia 3 de julho.
O fato reveste-se de importância ímpar para o Brasil, que assume a posição como 4º país do mundo - atrás do Canadá, Inglaterra e França, a implantar a tecnologia de ponta do Sistema COSPAS-SARSAT, a primeira estação instalada no Hemisfério Sul.
O Programa COSPAS-SARSAT é um esforço conjunto internacional com o objetivo de salvar vidas através da localização de radiobalizas de emergência. Seu segmento espacial é mantido pelos quatro países fundadores – EUA, Rússia, Canadá e França – cujos satélites são dotados de processadores para localização das balizas de emergência.
O segmento terrestre - composto por Estações de Usuário Local (LUT) e Centros de Controle de Missão (MCC) – é mantido pelos países signatários, mas viável a quaisquer interessados. Assim, o funcionamento do Sistema COSPAS-SARSAT pode ser explicado da seguinte forma: uma radiobaliza de emergência é acionada, seu sinal é recebido por satélites que o retransmite para as estações em terra (LUT), que automaticamente o processam e enviam sua localização aos MCC do país responsável pela região de busca e salvamento onde a baliza acionada se encontra.
Este MCC, por sua vez, analisa e encaminha esta posição aos Centros de Coordenação de Salvamento (RCC), aeronáuticos ou marítimos, que assumem a responsabilidade por prestar o Serviço de Busca e Salvamento, em nome do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) – elo central do Sistema de Busca e Salvamento (SAR).
Como funciona hoje - Atualmente, o segmento espacial do COSPAS-SARSAT conta com dois sistemas satelitais: o de órbita polar baixa (LEOSAR) e o geoestacionário (GEOSAR).
O LEOSAR é composto por satélites cujas órbitas são baseadas nos pólos terrestres, estando a uma altitude aproximada de 1.000 km, possuem a capacidade de calcular a posição das radiobalizas de emergência através do efeito Doppler, ou seja, mantendo sua velocidade constante, são capazes de identificar a diferença na frequência ao passar próximo a uma baliza, identificando sua posição por meio de cálculos efetuados pelas LUT, que recebem esses sinais dos satélites. No entanto, para garantir a precisão da posição, é necessária, ao menos, uma segunda passagem de um dos satélites da mesma constelação.
O GEOSAR funciona como complemento ao sistema LEOSAR, uma vez que esses satélites permanecem geoestacionários a 35.800 km da Terra, cobrindo cerca de um terço da superfície terrestre. Por não estarem em movimento em relação à superfície terrestre, esses satélites somente são capazes de localizar a baliza acionada se a mesma possuir um sistema de navegação GPS acoplada ao seu transmissor. Caso contrário, assumirá a função de fornecer o alerta antecipado, cientificando o segmento terrestre de que há uma baliza acionada e que se prepare para o recebimento de novos dados a partir do LEOSAR.
Por envolver tecnologia de ponta destinada ao salvamento de vidas humanas, o Sistema COSPAS-SARSAT não pode se dar ao luxo de estacionar no tempo e, desde o seu início na década de 80, se mantém em constante evolução. O estado da arte do Sistema, tecnologia já em estado operacional, é o sistema MEOSAR.
Fique por dentro
SAR: MEOSAR
Este novo sistema emprega satélites com órbitas médias (aproximadamente 2000 km), com a capacidade de procurar por sinais de emergência em um raio muito maior em comparação com os satélites de órbita polar baixa e, por utilizar os mesmos satélites dos sistemas de navegação.
MEOLUT (Medium-Earth Orbiter Local User Terminal - Terminal de Usuário Local de Órbita Média)
São estações terrestres especialmente desenvolvidas para receber e processar os sinais captados pelos satélites MEOSAR satelital (GPS, Galileo e GLONASS), tem a previsão de formar sua constelação com um número acima da constelação LEOSAR.
A previsão é que, em 2014, qualquer ponto da superfície terrestre seja visualizado simultaneamente por, pelo menos, cinco satélites, o que provocará um salto de qualidade na precisão da localização e reduzirá sobremaneira o tempo necessário à localização da posição, contribuindo diretamente para a economia e eficiência do emprego dos meios SAR em atendimento às emergências.
Além da capacidade de utilizar o efeito Doppler, o satélite MEOSAR usará o mesmo princípio utilizado pelos aparelhos GPS para determinar a posição: a diferença de tempo na recepção do sinal de diferentes satélites visualizados ao mesmo tempo. No entanto, esse cálculo não será feito pela baliza de emergência, mas diretamente nas MEOLUT, estações terrestres especialmente desenvolvidas para receber e processar os sinais captados pelos satélites MEOSAR.
Fonte: Revista Aeroespaço, produzida pela Assessoria de Comunicação do DECEA, disponível em http://www.decea.gov.br/sala-de-imprensa/revista-aeroespaco/
.
FAB coloca o Brasil entre os países com tecnologia de ponta em sistema de busca
22/09/2009
A estação MEOLUT brasileira de dois canais iniciou sua operação nas instalações do Primeiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA I), em Brasília, no último dia 3 de julho.
O fato reveste-se de importância ímpar para o Brasil, que assume a posição como 4º país do mundo - atrás do Canadá, Inglaterra e França, a implantar a tecnologia de ponta do Sistema COSPAS-SARSAT, a primeira estação instalada no Hemisfério Sul.
O Programa COSPAS-SARSAT é um esforço conjunto internacional com o objetivo de salvar vidas através da localização de radiobalizas de emergência. Seu segmento espacial é mantido pelos quatro países fundadores – EUA, Rússia, Canadá e França – cujos satélites são dotados de processadores para localização das balizas de emergência.
O segmento terrestre - composto por Estações de Usuário Local (LUT) e Centros de Controle de Missão (MCC) – é mantido pelos países signatários, mas viável a quaisquer interessados. Assim, o funcionamento do Sistema COSPAS-SARSAT pode ser explicado da seguinte forma: uma radiobaliza de emergência é acionada, seu sinal é recebido por satélites que o retransmite para as estações em terra (LUT), que automaticamente o processam e enviam sua localização aos MCC do país responsável pela região de busca e salvamento onde a baliza acionada se encontra.
Este MCC, por sua vez, analisa e encaminha esta posição aos Centros de Coordenação de Salvamento (RCC), aeronáuticos ou marítimos, que assumem a responsabilidade por prestar o Serviço de Busca e Salvamento, em nome do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) – elo central do Sistema de Busca e Salvamento (SAR).
Como funciona hoje - Atualmente, o segmento espacial do COSPAS-SARSAT conta com dois sistemas satelitais: o de órbita polar baixa (LEOSAR) e o geoestacionário (GEOSAR).
O LEOSAR é composto por satélites cujas órbitas são baseadas nos pólos terrestres, estando a uma altitude aproximada de 1.000 km, possuem a capacidade de calcular a posição das radiobalizas de emergência através do efeito Doppler, ou seja, mantendo sua velocidade constante, são capazes de identificar a diferença na frequência ao passar próximo a uma baliza, identificando sua posição por meio de cálculos efetuados pelas LUT, que recebem esses sinais dos satélites. No entanto, para garantir a precisão da posição, é necessária, ao menos, uma segunda passagem de um dos satélites da mesma constelação.
O GEOSAR funciona como complemento ao sistema LEOSAR, uma vez que esses satélites permanecem geoestacionários a 35.800 km da Terra, cobrindo cerca de um terço da superfície terrestre. Por não estarem em movimento em relação à superfície terrestre, esses satélites somente são capazes de localizar a baliza acionada se a mesma possuir um sistema de navegação GPS acoplada ao seu transmissor. Caso contrário, assumirá a função de fornecer o alerta antecipado, cientificando o segmento terrestre de que há uma baliza acionada e que se prepare para o recebimento de novos dados a partir do LEOSAR.
Por envolver tecnologia de ponta destinada ao salvamento de vidas humanas, o Sistema COSPAS-SARSAT não pode se dar ao luxo de estacionar no tempo e, desde o seu início na década de 80, se mantém em constante evolução. O estado da arte do Sistema, tecnologia já em estado operacional, é o sistema MEOSAR.
Fique por dentro
SAR: MEOSAR
Este novo sistema emprega satélites com órbitas médias (aproximadamente 2000 km), com a capacidade de procurar por sinais de emergência em um raio muito maior em comparação com os satélites de órbita polar baixa e, por utilizar os mesmos satélites dos sistemas de navegação.
MEOLUT (Medium-Earth Orbiter Local User Terminal - Terminal de Usuário Local de Órbita Média)
São estações terrestres especialmente desenvolvidas para receber e processar os sinais captados pelos satélites MEOSAR satelital (GPS, Galileo e GLONASS), tem a previsão de formar sua constelação com um número acima da constelação LEOSAR.
A previsão é que, em 2014, qualquer ponto da superfície terrestre seja visualizado simultaneamente por, pelo menos, cinco satélites, o que provocará um salto de qualidade na precisão da localização e reduzirá sobremaneira o tempo necessário à localização da posição, contribuindo diretamente para a economia e eficiência do emprego dos meios SAR em atendimento às emergências.
Além da capacidade de utilizar o efeito Doppler, o satélite MEOSAR usará o mesmo princípio utilizado pelos aparelhos GPS para determinar a posição: a diferença de tempo na recepção do sinal de diferentes satélites visualizados ao mesmo tempo. No entanto, esse cálculo não será feito pela baliza de emergência, mas diretamente nas MEOLUT, estações terrestres especialmente desenvolvidas para receber e processar os sinais captados pelos satélites MEOSAR.
Fonte: Revista Aeroespaço, produzida pela Assessoria de Comunicação do DECEA, disponível em http://www.decea.gov.br/sala-de-imprensa/revista-aeroespaco/
.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Cooperação Brasil - Ucrânia
.
Encontro dos Presidentes da Ucrânia e do Brasil em Nova York
O presidente da Ucrânia, Victor Yushchenko, reuniu-se nesta terça-feira (22) em Nova York com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. As partes discutiram o desenvolvimento das relações bilaterais dos dois países.
Conforme a declaração do V. Yushchenko para jornalistas depois da reunião, as partes chegaram ao acordo sobre a criação dos grupos de trabalho ucranianos e brasileiros para preparação da visita do presidente Lula da Silva à Ucrânia na primeira metade de novembro deste ano. O líder da Ucrânia demonstrou a certeza de que "esta será uma visita que resultará no novo status e novo conteúdo para nossas relações bilaterais".
Segundo o presidente, a Ucrânia propôs ao Brasil assinar seis ou sete acordos sobre a cooperação bilateral no âmbito da visita. "Temos interesse em aprofundar a cooperação com o Brasil, em particular em construção de aviões, área técnico-militar", destacou V. Yushchenko.
Durante o encontro, líderes dos países também enfatizaram a necessidade de intensificar as áreas prioritárias da cooperação entre os dois paises, tais como área espacial e de energia nuclear. As partes também discutiram andamento de realização do projeto conjunto na área espacial Cyclone-4. Trata-se do término dos trabalhos com este projeto e início de lançamentos em 2010 do centro de lançamento brasileiro.
V.Yushchenko informou que pediu ao seu homólogo brasileiro apoio à consignação de empréstimo no valor de US$ 260 milhões para a Agência Nacional Espacial da Ucrânia (NSAU) com vistas a terminar a formação do capital social da Empresa Binacional Alcântara Cyclone Space, bem como para finalizar trabalhos do projeto.
"Nós propusemos à parte brasileira analisar a questão de elevação das nossas relações ao nível das relações estratégicas", informou o presidente ucraniano.
Fonte: governo ucraniano, via ACS
.
Encontro dos Presidentes da Ucrânia e do Brasil em Nova York
O presidente da Ucrânia, Victor Yushchenko, reuniu-se nesta terça-feira (22) em Nova York com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. As partes discutiram o desenvolvimento das relações bilaterais dos dois países.
Conforme a declaração do V. Yushchenko para jornalistas depois da reunião, as partes chegaram ao acordo sobre a criação dos grupos de trabalho ucranianos e brasileiros para preparação da visita do presidente Lula da Silva à Ucrânia na primeira metade de novembro deste ano. O líder da Ucrânia demonstrou a certeza de que "esta será uma visita que resultará no novo status e novo conteúdo para nossas relações bilaterais".
Segundo o presidente, a Ucrânia propôs ao Brasil assinar seis ou sete acordos sobre a cooperação bilateral no âmbito da visita. "Temos interesse em aprofundar a cooperação com o Brasil, em particular em construção de aviões, área técnico-militar", destacou V. Yushchenko.
Durante o encontro, líderes dos países também enfatizaram a necessidade de intensificar as áreas prioritárias da cooperação entre os dois paises, tais como área espacial e de energia nuclear. As partes também discutiram andamento de realização do projeto conjunto na área espacial Cyclone-4. Trata-se do término dos trabalhos com este projeto e início de lançamentos em 2010 do centro de lançamento brasileiro.
V.Yushchenko informou que pediu ao seu homólogo brasileiro apoio à consignação de empréstimo no valor de US$ 260 milhões para a Agência Nacional Espacial da Ucrânia (NSAU) com vistas a terminar a formação do capital social da Empresa Binacional Alcântara Cyclone Space, bem como para finalizar trabalhos do projeto.
"Nós propusemos à parte brasileira analisar a questão de elevação das nossas relações ao nível das relações estratégicas", informou o presidente ucraniano.
Fonte: governo ucraniano, via ACS
.
AEB: GT sobre geoposicionamento e navegação
.
Presidente da AEB estabelece novo grupo de trabalho sobre Geonsat
22/09/2009
O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, estabeleceu, por meio da Portaria nº 164, de 15 de abril, a nova composição do Grupo de Trabalho (GT) sobre Geoposicionamento e Navegação por Satélites (Geonsat). Presidido por Raimundo Mussi, coordenador técnico científico da AEB, o grupo conta com a participação de representantes do Ministério das Relações Exteriores, Ciência e Tecnologia, Defesa, setor industrial e da comunidade científica.
Segundo Mussi, o grupo tem como função acompanhar a evolução e a participação brasileira nos sistemas de geoposicionamento do mundo todo. O GPS, dos Estados Unidos, o Glonas, da Rússia e o Galileo, da União Européia são exemplos desses sistemas. Outro objetivo do GT será a análise e o acompanhamento de sistemas locais de geoposicionamento e navegação por satélites, como o chinês, o japonês e o indiano.
Fonte: AEB
Comentários: existem no Brasil vários esforços paralelos relacionados a sistemas de posicionamento e navegação por satélites. Existem instrumentos de cooperação assinados com a Rússia relacionado ao sistema GLONASS (vejam a postagem "Glonass, Rússia e Brasil"), e no passado também houve discussões avançadas com países europeu visando a um possível envolvimento brasileiro no programa Galileo. Nesta mesma linha, é executado no País, com a participação da Atech e com recursos da Comissão Europeia, o Projeto Celeste.
.
Presidente da AEB estabelece novo grupo de trabalho sobre Geonsat
22/09/2009
O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, estabeleceu, por meio da Portaria nº 164, de 15 de abril, a nova composição do Grupo de Trabalho (GT) sobre Geoposicionamento e Navegação por Satélites (Geonsat). Presidido por Raimundo Mussi, coordenador técnico científico da AEB, o grupo conta com a participação de representantes do Ministério das Relações Exteriores, Ciência e Tecnologia, Defesa, setor industrial e da comunidade científica.
Segundo Mussi, o grupo tem como função acompanhar a evolução e a participação brasileira nos sistemas de geoposicionamento do mundo todo. O GPS, dos Estados Unidos, o Glonas, da Rússia e o Galileo, da União Européia são exemplos desses sistemas. Outro objetivo do GT será a análise e o acompanhamento de sistemas locais de geoposicionamento e navegação por satélites, como o chinês, o japonês e o indiano.
Fonte: AEB
Comentários: existem no Brasil vários esforços paralelos relacionados a sistemas de posicionamento e navegação por satélites. Existem instrumentos de cooperação assinados com a Rússia relacionado ao sistema GLONASS (vejam a postagem "Glonass, Rússia e Brasil"), e no passado também houve discussões avançadas com países europeu visando a um possível envolvimento brasileiro no programa Galileo. Nesta mesma linha, é executado no País, com a participação da Atech e com recursos da Comissão Europeia, o Projeto Celeste.
.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Colômbia terá satélite de comunicações
.
O governo da Colômbia deu na semana passada mais um passo em direção ao seu satélite próprio de comunicações. No dia 16, foi aberto o prazo para a entrega de propostas de empresas para o fornecimento de um satélite geoestacionário de comunicações, que será chamado Satcol, também conhecido pela sigla CSCSS (Colombian social communications Satellite System). As propostas podem ser entregues até 11 de novembro, e a expectativa é que um contrato seja assinado no final do mesmo mês.
O objetivo da Colômbia é ter o satélite em órbita em meados de 2012, e todo o sistema conta com um orçamento pouco inferior a US$ 250 milhões para o projeto, desenvolvimento, fabricação e entrega do satélite em órbita. A concorrência está sendo coordenada pela Satel Conseil International, empresa francesa de consultoria em sistemas espaciais, pelo grupo local de telecomunicações STI, e pelo banco Incorbank.
Com o Satcol, a Colômbia segue o caminho da Venezuela (Venesat) e da Argentina (Arsat), que contrataram ou estão construindo os seus próprios satélites governamentais.
.
O governo da Colômbia deu na semana passada mais um passo em direção ao seu satélite próprio de comunicações. No dia 16, foi aberto o prazo para a entrega de propostas de empresas para o fornecimento de um satélite geoestacionário de comunicações, que será chamado Satcol, também conhecido pela sigla CSCSS (Colombian social communications Satellite System). As propostas podem ser entregues até 11 de novembro, e a expectativa é que um contrato seja assinado no final do mesmo mês.
O objetivo da Colômbia é ter o satélite em órbita em meados de 2012, e todo o sistema conta com um orçamento pouco inferior a US$ 250 milhões para o projeto, desenvolvimento, fabricação e entrega do satélite em órbita. A concorrência está sendo coordenada pela Satel Conseil International, empresa francesa de consultoria em sistemas espaciais, pelo grupo local de telecomunicações STI, e pelo banco Incorbank.
Com o Satcol, a Colômbia segue o caminho da Venezuela (Venesat) e da Argentina (Arsat), que contrataram ou estão construindo os seus próprios satélites governamentais.
.
Assinar:
Postagens (Atom)