sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Parque Tecnológico de São José dos Campos

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A edição nº 3 da revista "Opinião", de São José dos Campos (SP), tem interessante reportagem sobre o Parque Tecnológico Riugi Kojima, instalado na cidade do Vale do Paraíba, e focado no desenvolvimento de capacitação tecnológica regional, principalmente nos setores aeroespacial e de energia. A iniciativa é considerada "o maior projeto aeroespacial em curso no hemisfério sul".

A reportagem, de capa, intitulada "Onde a Ciência tem vez" é assinada pelo experiente jornalista Julio Ottoboni, e foi construída com base em entrevista de Marco Antonio Raupp, atual presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Raupp é bastante respeitado no setor científico e tecnológico brasileiro, tendo exercido várias funções relevantes, dentre as quais a de diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Para acessarem a íntegra da reportagem, cliquem aqui.

Também no número 3 da "Opinião", foi publicado um pequeno artigo de minha autoria, chamado "Parques tecnológicos, contribuições para o setor aeroespacial".
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Quarta revisão do PNAE

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Programa Nacional de Atividades Espaciais passará por sua quarta revisão

28/10/2009

Desde 8 de dezembro de 1994, o Brasil tem uma Política Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (PNDAE). A política estabelece objetivos e diretrizes a serem materializados nos programas e projetos nacionais relativos à área espacial por meio do Programa Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Pnae). O objetivo desse programa é capacitar o país para desenvolver e utilizar as tecnologias espaciais na solução de problemas nacionais e em benefício da sociedade brasileira, de modo a propiciar um aumento tangível na qualidade de vida da população.

A próxima revisão do Programa será dividida em duas fases. A primeira fase faz uma retrospectiva e avalia os principais resultados e deficiências do Programa Espacial Brasileiro. Em seguida, haverá a formulação de uma visão de longo prazo e uma política, que buscarão inserir o Programa, de maneira concreta, na estratégia de desenvolvimento social, econômico, geopolítico e tecnológico do país. Para isso, serão envolvidos setores como a sociedade, indústria, academia e quaisquer segmentos interessados no assunto.

“Queremos partir para uma discussão muito maior que identifique as demandas nacionais, em termos de informações e serviços a serem fornecidos por sistemas espaciais e, sobretudo, o papel do Programa e da Agência Espacial Brasileira (AEB) frente aos desafios a serem enfrentados, como por exemplo, as mudanças climáticas e o fortalecimento da soberania do país no cenário geopolítico atual”, ressalta o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos, Himilcon de Castro Carvalho.

PROJETOS - A partir dessa análise, que abrange um horizonte de 20 anos, a carteira de projetos do Pnae será revisada, de modo que os satélites, foguetes e infraestrutura de centros de lançamento e laboratórios sejam alinhados com a nova visão estratégica. ”Podemos ter boas surpresas com propostas de novos projetos, de substituição ou adaptação de alguns projetos para que cumpram melhor sua função ou, mesmo, reestruturações organizacionais, que permitam melhor gestão das atividades espaciais e maior inclusão do setor privado e da sociedade”, completa.

Participarão, de maneira muito intensa, da organização da revisão do Programa os dois organismos executores do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (Sindae), coordenado pela AEB: o Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), subordinado ao Comando da Aeronáutica, do Ministério de Defesa e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do Ministério da Ciência e Tecnologia.

O resultado dessa revisão será submetido, em 2010, ao Conselho Superior da AEB, instância deliberativa da Política Espacial Brasileira, composto por representantes de vários ministérios, indústria e academia, que orientará e acompanhará todos os trabalhos.

Fonte: AEB

Comentários: a AEB contratou o trabalho de ao menos duas consultoras para auxiliar na revisão da PNAE. Aparentemente, a quarta revisão (as anteriores foram em 1996 - PNAE 1996-2005; 1997 - PNAE 1997-2007; e 2005 - PNAE 2005-2014) do Programa Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais promete ser a mais ampla de todas. Esta parece ser uma das prioridades de Carlos Ganem, presidente da AEB. Embora ainda não tenha alcançado uma grande marca em sua gestão, o blog constatou que Ganem tem recebido elogios reservados de críticos contumazes do Programa Espacial.
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Propulsor de 75 kN do IAE/DCTA

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Pedro, leitor do blog postou comentário com o aviso de licitação reproduzido abaixo, publicado na edição de hoje (28) do Diário Oficial da União. O aviso chama interessados a prestar serviços técnico-especializados para apoio às atividades de desenvolvimento de motor-foguete de propulsão líquida com 75 kN de empuxo. Agradecimentos a Pedro pelo envio do extrato.

Na última edição da revista Espaço Brasileiro (vejam a postagem "Nova Edição da Revista Espaço Brasileiro"), editada pela Agência Espacial Brasileira (AEB), há uma matéria sobre o motor líquido de 75 kN.

"GRUPAMENTO DE INFRA-ESTRUTURA E APOIO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS

AVISOS DE LICITAÇÃO
CONCORRÊNCIA Nº 20/2009

Objeto: Serviços técnico-especializado para apoio às atividades de desenvolvimento tecnológico de um motor-foguete a propelente líquido com 75 kN de empuxo sob a responsabilidade do Insti-tuto de Aeronáutica e Espaço - IAE. Total de Itens Licitados: 00001 . Edital: 28/10/2009 de 08h30 às 11h30 e de 13h às 16h30 . ENDEREÇO: Praça Marechal Eduardo Gomes ( Subdivisão de Licitação do GIA-SJ Vila das Acácias - SAO JOSE DOS CAMPOS - SP . Entrega das Propostas: 30/11/2009 às 14h00 . Endereço: Praça Marechal Eduardo Gomes ( Subdivisão de Licitação do GIA-SJ Vila das Acácias - SAO JOSE DOS CAMPOS - SP . Informações Gerais: O Edital estará disponível no site eletronico www.comprasnet.gov.br e a retirada do Projeto Básico em mídia pelos interessados será efetuada no GIA-SJ (Subdivisão de Licitações) mediante a comprovação da indenização de R$30,00 (trinta reais), que deverá ser recolhida através da Guia de Recolhimento da União GRU no site https://consulta.tesouro.fazenda.gov,br/gru/gru_simples.asp UG 120016, Gestão 0001, Código de Recolhimento 22048-5, Campo de Referencia 02003.

(SIDEC - 27/10/2009) 120016-00001-2009NE901128"
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Amazônia-1: novas licitações são aguardadas

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Segundo informações obtidas pelo blog, são aguardadas para as próximas semanas as publicações, no Diário Oficial da União, de avisos de aberturas de licitação para a compra de componentes do satélite de observação terrestre Amazônia-1, baseado na Plataforma Multimissão (PMM), e atualmente em construção pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e indústrias locais.

O INPE deve abrir licitação para a compra de três componentes, que somados devem superar o valor de R$ 20 milhões: (i) Transmissor em banda S (comunicação do satélite com o solo); (ii) Gravador de Dados Digital (Digital Data Recorder - DDR), espécie de disco rígido para o armazenamento de dados e posterior transmissão para o solo; e (iii) sensor de estrelas ("star tracker"), equipamento usado para se determinar a atitude (orientação) do satélite em relação às estrelas.

No final do ano passado, o INPE também adquiriu alguns subsistemas e carga útil para o Amazônia-1 (vejam aqui), como o sistema de controle de atitude e controle de órbita (ACDH, sigla em inglês), comprado da empresa argentina INVAP, e a câmera AWFI, a ser construída pela Opto Eletrônica, de São Carlos (SP).
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Workshop sobre Radiações Ionizantes

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IEAv promove workshop sobre Radiações Ionizantes

28-10-2009

O Instituto de Estudos Avançados (IEAv), vinculado ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), promove, entre os dias 28 e 30 de outubro, o II Workshop sobre Efeitos das Radiações Ionizantes em Componentes Eletrônicos e Fotônicos de Uso Aeroespacial. A atividade ocorrerá no auditório do Parque Tecnológico da Universidade do Vale do Paraíba, em São José dos Campos (SP).

Serão realizados minicursos, ministrados por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do IEAv, além de palestras com representantes da Agência Espacial Brasileira (AEB), Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE) e Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI).

O evento tem como objetivo ampliar as discussões já iniciadas, para identificar necessidades específicas da iniciativa privada, instituições de pesquisa e agências governamentais envolvidas com o Programa Espacial Brasileiro, com a finalidade de criar novos projetos voltados para atender demandas de curto prazo. Visa também discutir a importância de uma rede de pesquisa para o desenvolvimento de componentes resistentes à radiação.

O IEAv é responsável por gerenciar o projeto de pesquisa denominado PEICE - Estudo dos Efeitos da Radiação Ionizante em Componentes Eletrônicos e Fotônicos, financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), voltado ao desenvolvimento de uma plataforma para o estudo dos efeitos da radiação ionizante em diversos tipos de componentes e dispositivos de aplicação aeroespacial. O IEAv estuda os problemas causados pela ação contínua e cumulativa das radiações, como a radiação solar, em materiais e equipamentos eletrônicos utilizados nas atividades aeroespaciais para, assim, criar medidas corretivas.

Mais informações: www.ieav.cta.br/peice/index.php

Fonte: AEB
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terça-feira, 27 de outubro de 2009

Avanços no projeto do satélite boliviano

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Na última quinta-feira (22), o presidente da Bolívia, Evo Moralez assinou na capital La Paz um memorando de entendimentos com o governo e indústrias chinesas tratando da construção e lançamento do primeiro satélite boliviano, o Tupac Katari (vejam a postagem do início desse mês, "Bolívia também quer o seu satélite geoestacionário"), de comunicações. A cerimônia contou com a presença de Yin Liming, presidente da China Great Wall Industry Corporation (CGWIC), responsável pela construção do satélite geoestacionário, e de representantes da União Internacional de Telecomunicações (ITU, sigla em inglês).

O memorando de entendimentos precede a um contrato definitivo, que deve ser assinado pelas partes envolvidas nos próximos meses. Não foram divulgadas informações sobre o modelo do satélite geoestacionário, mas pelas imagens divulgadas parece se tratar de uma plataforma DHF-4, a mesma usada pelo satélite Venesat 1, da Venezuela.

A previsão é que o satélite seja colocado em órbita em 2013, ao custo total (construção e lançamento) de US$ 300 milhões.

A concretização de mais esse negócio pela indústria espacial da China na América Latina é uma importante conquista do gigante asiático. Além da parceria com o Brasil no Programa CBERS, nos últimos anos Pequim conseguiu fechar importante contrato com a Venezuela, e agora está próximo de outro de mesma dimensão. Têm-se também notícias sobre alguns esforços chineses na região em matéria de lançamento de satélites.
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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Nova edição da Revista Espaço Brasileiro

A Agência Espacial Brasileira (AEB) disponibilizou em seu web-site a mais recente edição da revista Espaço Brasileiro (Edição nº 5), publicação institucional sobre o Programa Espacial. Para acessá-la (são mais de 25 mega bytes), cliquem aqui.

Dentre os principais textos e reportagens, destaques para uma entrevista com o presidente da AEB, Carlos Ganem, a revisão do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), programa do veículo waverider, do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), propulsão líquida no País, e outros.

sábado, 24 de outubro de 2009

Cooperação Brasil - Angola

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O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) divulgou ontem (23) nota (vejam aqui) sobre reunião realizada no último dia 22 com autoridades do governo de Angola para a avaliação de cooperação em matérias de Ciência e Tecnologia, como a área espacial. Participaram do encontro o secretário executivo do MCT, Luiz Antonio Rodrigues Elias, o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, além do ministro das Telecomunicações e Tecnologias da Informação de Angola, José Carvalho da Rocha.

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Carlos Ganem, falou da área espacial, destacando as cooperações feitas com a China, Argentina e Alemanha. Disse ainda que a AEB sustenta a meta de fomentar a indústria interna e ser fornecedora mundial de tecnologia espacial. “Somos um País com uma área espacial também recente, mas já conseguimos muitos avanços. Construímos dois satélites (Cbers 1 e 2) em parceria com outros países. Hoje, estamos fabricando os Cbers 3 e 4, com tecnologia praticamente toda nacional”, disse.

Já o ministro angolano, José Carvalho da Rocha, destacou a importância da cooperação na área espacial. “Temos uma missão que nos foi delegada pelo presidente de nosso país que é procurarmos avançar em tecnologia espacial e criar um plano estruturado que envolva diversos setores da economia. Entendemos que essa área colocou vários países como potências mundiais”, frisou. Rocha revelou que seu país busca cooperação com parceiros internacionais nas áreas de meteorologia e geofísica.

Em meados de setembro, uma comitiva angolana liderada pela ministra da Ciência e Tecnologia do país aficano, Maria Cândida Teixeira, fez uma visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP).

O Brasil já manteve ou estuda cooperações espaciais com países do continente africano, como Moçambique (plataformas do Sistema de Coleta de Dados na bacia do rio Zambeze), Gabão (imagens do CBERS) e África do Sul (imagens do CBERS).

Alguns países africanos já buscam dar maiores passos em tecnologia espacial, como o desenvolvimento e construção de satélites. A África do Sul, por exemplo, teve em 18 de setembro o seu segundo satélite (Sumbandila) lançado ao espaço. O microssatélite tem finalidades científicas e de observação terrestre.
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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Acesso ao espaço e soberania nacional

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Presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB)

Carlos Ganem

A capacidade de lançar satélites artificiais ao espaço é um dos fatores de fortalecimento da soberania nacional. Para entender a razão, é útil lembrarmos o caso do lançador europeu Ariane, que é lançado da Guiana Francesa, vizinha do Brasil. Sua história começa no início dos anos 1970, quando a Europa tinha duas organizações espaciais: a Organização Europeia de Pesquisas Espaciais (Esro) e a Organização Europeia de Desenvolvimento de Lançadores (Eldo). Essa última já havia sofrido 11 falhas de lançamento com seu foguete, o Europa, quando os países membros da Eldo decidiram que o projeto todo era um fracasso e seria descontinuado, frustrando o ideal europeu de se tornar independente dos Estados Unidos. Era a época da guerra fria e somente a União Soviética e os EUA detinham capacidade de lançamento de satélites.

Mas um fato importante fez a Europa mudar de ideia. Os EUA decidiram não permitir o lançamento de satélites europeus de comunicação, a não ser com severas restrições sobre como eles seriam utilizados. Na verdade, estava em jogo o interesse de proteger a indústria americana e impedir o desenvolvimento de uma indústria europeia de fabricação de satélites de comunicações. Assim, em 1973, as duas agências desapareceram para dar lugar à Agência Espacial Europeia (ESA), que aprovou a criação da empresa Arianespace, na França, onde começou o desenvolvimento do foguete Ariane.

Em 1978, o novo foguete foi lançado com sucesso a partir do centro de lançamentos europeu de Kourou, na Guiana Francesa. Aliás, cabe notar que a escolha de Kourou deveu-se à sua posição próxima da linha do equador, com o oceano a leste. Essa posição permite lançamento sobre o mar (mais seguro), aproveitando ainda a rotação da Terra, que dá velocidade adicional ao foguete. Em 1980, a Arianespace tornou-se a primeira empresa comercial de lançamento de satélites — hoje é a maior delas.

Essa história nos faz refletir sobre a nossa própria situação. Sabemos fazer satélites, como os de coleta de dados, SCD 1 e 2, ou os Sino-Brasileiros de Recursos Terrestres (Cbers), desenvolvidos em cooperação com a China. Temos um centro de lançamentos em Alcântara, no Maranhão, com condições até melhores que Kourou, por estar mais próximo da linha do equador. Também fazemos veículos de sondagem, como o excelente VSB-30, e estamos desenvolvendo nosso próprio Veículo Lançador de Satélites, o VLS. Entretanto, enquanto ele não estiver pronto e a tecnologia plenamente dominada, vamos continuar dependendo de lançadores estrangeiros e estar sujeitos a qualquer tipo de restrição, seja comercial, como a Europa sofreu, seja política.

Não estamos mais na guerra fria, mas a lógica Leste-Oeste que prevalecia naquela época, baseada em ideologias, deu lugar a uma separação Norte-Sul, em que as barreiras comerciais e o cerceamento tecnológico são ingredientes preponderantes. Daí a importância do tema para o nosso Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae), sob coordenação da Agência Espacial Brasileira, vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

O desenvolvimento autóctone das tecnologias necessárias, levado a cabo pelos executores do Pnae, o Instituto Nacional de Atividades Espaciais (Inpe) e o Comando Geral de Tecnologia Aeroespacial (CTA), além da manutenção e atualização dos Centros de Lançamento de Alcântara (CLA) e da Barreira do Inferno (clbi), em Natal (RN), são prioridades do programa. Além disso, como parte da política externa brasileira, começamos a estabelecer ou renovar parcerias estratégicas com outros países, entre os quais a França e a Rússia. Em um mundo em que o poder está cada vez mais fragmentado, essas alianças permitirão projetos conjuntos dentro de um quadro de proteção e salvaguarda mútua da propriedade intelectual.

Como solução intermediária e ao mesmo tempo grande oportunidade de negócio, o Brasil estabeleceu, em 2004, um tratado com a Ucrânia. Eles têm o foguete Cyclone-4, e nós, a melhor localização para lançamentos do mundo. Foi criada então a empresa binacional Alcantara-Cyclone Space (ACS), responsável pela comercialização dos lançamentos no mercado mundial. Com isso teremos, em curto prazo, maior grau de autonomia no acesso ao espaço e uma fonte de recursos para o programa espacial, vinda dos lucros da ACS.

No passado se dizia que dominar os mares era dominar o mundo. Hoje, até por força de tratados internacionais, como o Tratado da Lua e dos Corpos Celestes, não se pode dominar o espaço, pois ele pertence a toda a humanidade. Mas a plena capacidade de acesso e, consequentemente, de participar dos benefícios de se colocar em órbita satélites que servirão para comunicações, meteorologia, observação da Terra e posicionamento, por exemplo, ainda é privilégio de poucos. Dessa capacidade e de recursos estáveis e permanentes depende o nosso poder de decidir quando e o que colocar no espaço. E isso é soberania.

Fonte: Jornal Correio Braziliense, 22/10/2009, via NOTIMP.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

GPS para foguetes de sondagem

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UFRN desenvolve GPS exclusivo para foguetes

21/10/2009

Uma parceria entre o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) poderá garantir melhor desempenho nos lançamentos de foguetes. O receptor de GPS, projetado pelo professor Francisco Mota, do Departamento de Engenharia da Computação e Automação da UFRN, substitui as plataformas inerciais, que têm a função de informar a posição e a velocidade dos foguetes.

Patrocinado em 2004 pelo programa Uniespaço, da Agência Espacial Brasileira (AEB), este GPS – específico para artefatos espaciais – leva vantagem pelo baixo custo e pela alta precisão. “O uso do GPS é uma tendência mundial e por restrições de outros países não tínhamos acesso a essa tecnologia”, comenta Mota. O GPS da UFRN custa apenas 10% do valor de um equipamento, caso fosse comprado no exterior.

O professor estuda a possibilidade de incorporar este novo sistema nos futuros lançamentos dos foguetes de treinamento – o segundo lançamento está previsto para hoje (21) às 17 horas no CLBI. “Os FTBs são mais freqüentes, com condições mais dinâmicas e severas, e o GPS seria um componente perfeito”, diz o professor da UFRN.

O primeiro protótipo do GPS foi embarcado, em dezembro de 2007, no VS-30 durante a operação Angicos. Além da possibilidade do dispositivo ser utilizados nos FTBs, o GPS, com software nacional, deve ser embarcado no lançamento do VSB 30.

Na tarde de ontem, o primeiro FTB foi lançado, com sucesso, da plataforma do CLBI. O foguete atingiu o seu apogeu com 32 quilômetros de altitude, a uma velocidade de 4.200 km/h (quatro vezes a velocidade do som), caindo a 16 km da costa.

Conforme o chefe da Divisão de Operações, tenente coronel aviador Ricardo Rangel, a operação também visa certificar foguetes instrumentados para o aprimoramento, além da manutenção da capacidade operacional do Centro e do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Nesta quarta-feira (21), às 17 horas, está previsto o lançamento do segundo do FTB, fabricado pela empresa brasileira Avibras.

A operação Fogtrein 2, além dos efetivos do CLBI e do CLA, conta ainda com a participação da Agência Espacial Brasileira (AEB), do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE).

Fonte: AEB, via comunicação social do CLBI
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