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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Mais informações sobre o programa VLM-1

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O mais aguardado acontecimento em 2016 em se tratando de lançadores se deu na semana passada, com a contratação da produção de oito motores S50, que serão utilizados nos voos do veículo VS-50 e da primeira versão do VLM-1, ambos em desenvolvimento pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA), em parceria com a indústria (sobre a assinatura, veja as notas divulgadas pela Agência Espacial Brasileira e pelo IAE/DCTA).

Apresentamos a seguir alguns bullet points com informações sobre o contrato e o programa VLM-1:

Ineditismo. O contrato firmado com a Avibrás é de grande relevância pelo seu caráter inédito, uma vez que foi o primeiro contrato de produção de propulsores de lançadores firmado junto à indústria nacional no Brasil - não sem motivo a nota divulgada pela Agência Espacial Brasileira faz referência à assinatura como uma "data histórica para o Programa Espacial Brasileiro". O processo de contratação dos motores durou pouco mais de um ano e teve várias reuniões e rodadas de negociações. A única ofertante foi a Avibrás Divisão Aérea e Naval S.A., que apresentou sua proposta revisada em novembro.

Expertise da Avibrás em foguetes. O envolvimento da Avibrás, mundialmente conhecida pelo sistema militar ASTROS, com foguetes de sondagem e lançadores não é novo. Nas décadas de setenta e oitenta, a empresa participou do desenvolvimento de foguetes da família SONDA. Mais recentemente, desenvolveu o Foguete de Treinamento Básico (FTB) e o Foguete de Treinamento Intermediário (FTI) para o IAE, frequentemente utilizados para testes, qualificação e treinamento de equipes nos centros de lançamento de Alcântara e da Barreira do Inferno. A Avibrás é a única fabricante privada brasileira de perclorato de amônio, um dos componentes do propelente sólido dos motores que equipam grande parte dos projetos de foguetes nacionais. No final de 2014, foi também beneficiada com recursos de subvenção do programa Inova Aerodefesa, da FINEP, para desenvolvimento de tecnologia para o VLM-1.

Envolvimento da indústria nacional. A Avibrás não é a única indústria nacional envolvida com o VLM-1. A CENIC e a JTDH Engenharia, ambas de São José dos Campos (SP), foram selecionadas em 2014, respectivamente, para subvenções no âmbito do Inova Aerodefesa para o desenvolvimento de módulos inter-estágios e estruturas, e das redes elétricas do VLM-1. Novas contratações, locais e no exterior, serão necessárias para a conclusão do projeto e realização do primeiro voo.

Recursos no orçamento. Em entrevista concedida à Tecnologia & Defesa no início de dezembro, o brig. Augusto Luiz de Castro Otero, diretor do IAE, destacou a importância de 2017 para o VLM-1, fazendo referência à previsão orçamentária: "O ano de 2017 será de grande importância para o projeto VLM-1, por estar previsto o início da fabricação dos motores S50 e a consolidação do projeto completo do veículo. Para o atingimento destas metas, a Proposta de Lei Orçamentária Anual de 2017 prevê um aporte de mais de R$ 30.000.000,00, grande parte dedicados à contratação da produção dos S50."

Parceria com a Alemanha. O VLM-1 é mais um dos projetos em que o IAE coopera com a Alemanha, dando continuidade a um relacionamento de mais de quatro décadas, com destaque para iniciativas envolvendo foguetes suborbitais (VS-30 e VSB-30). Segundo o brig. Otero, "a participação do DLR no projeto VLM-1 é também importante para a execução de várias atividades técnicas e de fornecimento de sistemas do veículo." Destaque-se também o envolvimento de empresas da Alemanha, como a MT Aerospace, do grupo OHB System, que tem trabalhado na estrutura em fibra de carbono do motor S50.

Cronograma. De acordo com informações do diretor do IAE, o projeto VLM-1 no momento encontra-se na fase de definição de requisitos funcionais e técnicos, visando a consolidação do projeto completo no final de 2017. No planejamento do Instituto, está programada a realização de ensaios de qualificação de todos os sistemas, inclusive o motor S50, ao longo de 2018, permitindo a execução dos primeiros voos de qualificação do motor, dos sistemas embarcados, e do veículo VLM-1 em si, ao longo de 2019. Por sua vez, o contrato de produção do S50 tem prazo previsto para execução de 26 meses.
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domingo, 25 de dezembro de 2016

VLM-1: Avibras contratada para produção dos motores S50

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Contrato garante produção de oito motores S50

23/12/2016

O dia 22 de dezembro de 2016 será lembrado no Brasil como uma data histórica para o Programa Espacial Brasileiro. Neste dia, em São José dos Campos, no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), foi assinado o contrato de produção de oito motores S50, que serão utilizados nos voos realizados pelo veículo VS-50 e no voo da primeira versão do Veículo Lançador de Microssatélites VLM-1, financiado pela Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTIC).

O contrato garante o fornecimento de oito motores S50 com todos os seus acessórios. Os motores 1 e 2 serão utilizados para ensaios de engenharia (ensaios estrutural e de ruptura). Os 3 e 4 serão utilizados para queima em banco de testes para validação em solo. Os 5 e 6 serão utilizados para validação, durante os voos de dois veículos VS-50. Por fim, os 7 e 8 serão os motores de voo da primeira versão do VLM-1.

O projeto do VLM será desenvolvido com recursos da AEB por intermédio do convênio celebrado com a Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais Funcate), que prestará auxílios gerencial, financeiro e administrativo ao IAE.

“Os esforços das equipes do IAE que participaram da formalização, construção e análise da proposta foram imensos e devem ser valorizados por todos que confiam no sucesso do Programa Espacial Brasileiro. As discussões começaram em setembro de 2015 e, 15 meses depois, o contrato foi assinado. A consolidação do contrato deve-se, também, ao empenho da Indústria Aeroespacial (Avibras) envolvida no projeto que conquistou a confiança do IAE por meio de uma proposta séria que abrange planos gerenciais, de risco e de qualidade compatíveis com o tamanho da empresa e com os desejos do instituto contratante”, afirmou a equipe da Diretoria de Transporte Espacial e Licenciamento (DTEL).

Assim, nos próximos 26 meses, a empresa deverá industrializar o projeto do motor S50 e produzir seis motores e seus acessórios, que serão acompanhados por técnicos do IAE e do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) para o bom desempenho do contrato do ponto de vista técnico e de qualidade. O acordo assinado irá produzir os primeiros seis motores e os dois restantes serão objeto de Termo Aditivo ao contrato, após a revisão, submissão e aprovação de Termo Aditivo ao Convênio 001/2015, entre o IAE e a Funcate, para o desenvolvimento do VLM-1.

O presidente em exercício da AEB, Carlos Alberto Gurgel, acredita no sucesso do projeto e confia no trabalho a ser desenvolvido pela equipe de militares e servidores da Força Aérea Brasileira (FAB),  da Funcate e da Avibras e deseja êxito na continuidade desse importante projeto do Programa Espacial Brasileiro.

No ato da assinatura, estavam presentes o diretor-geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Ten. Brig. do Ar Antônio Carlos Egito do Amaral, o diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Brig. Eng. Augusto Luiz de Castro Otero e o gerente do projeto do VLM, Ten. Cel. Eng. Fábio Andrade de Almeida. Da Avibras, estavam presentes o presidente, João Brasil Carvalho Leite, o vice-presidente José Sá Carvalho Júnior, o gerente de Engenharia de Desenvolvimento, Luiz Eduardo Nunes Almeida e o Executivo de Vendas, Marco Aurélio Rodrigues de Almeida e o diretor de projetos da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate), Dr. Donizeti Andrade.

Fonte: AEB
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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

AEB em fórum da ONU sobre o papel do espaço no desenvolvimento

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Fórum da ONU em Dubai debate o papel do espaço no desenvolvimento

23/11/2016

As Nações Unidas promovem em Dubai, nos Emirados Árabes, um fórum de alto nível sobre o potencial do espaço para o desenvolvimento econômico e social. Especialistas de vários países discutem como a tecnologia espacial pode contribuir para avanços em diversos setores.

A reunião foi dividida em quatro pilares: economia espacial, sociedade, acessibilidade e diplomacia. Mas o que significa a diplomacia espacial? Quem explica é o chefe da Assessoria Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB), André João Rypl.

“É basicamente esse processo de negociação que busca viabilizar as atividades espaciais, porque existem atores espaciais com interesses muito diferentes. Alguns atores têm interesse mais forte em atividades comerciais, outros têm uma preocupação com questões de segurança nacional, já que o espaço é muito vinculado a isso. Mas basicamente há um pano de fundo que interessa a todos, que é garantir que o ambiente espacial seja sustentável, que ele não se torne um palco de conflitos como nós vivemos na Terra.”

Rypl está em Dubai e também conversou com a Rádio ONU sobre a participação do Brasil no setor espacial.  Segundo ele, o país está desenvolvendo um lançador de microssatélites, menos complexo, mas com enorme potencial.

Brasil – “Nós temos um programa espacial bem desenvolvido e hoje o Brasil desenvolve um lançador de microssatélites que será único no mundo e estará pronto em 2018. Será para lançar satélites de pequeno porte, que hoje, como se viu nas apresentações, é o grande mercado, pois são mais baratos. A outra área do Programa Espacial Brasileiro que eu diria que é muito forte é a parte de observação da Terra, que acompanha questões de desmatamento, clima, desastres naturais e poluição.”

Segundo André João Rypl, da Agência Espacial Brasileira, o país foi pioneiro em defender uma política de democracia de dados, ou seja, a distribuição gratuita de dados de observação da Terra, principalmente para nações em desenvolvimento.

O fórum da ONU conta com a participação de representantes de governos, de agências espaciais, do setor privado e claro, de astronautas, que seguem com as discussões em Dubai até quinta-feira (24.11).

Fonte: AEB
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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Cooperação Brasil - Alemanha

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AEB discute o Programa Espacial Brasileiro com Agência Alemã

1/11/2016

A Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTIC) e o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) representados pelo diretor de Transporte Espacial e Licenciamento (DTEL), Marco Antônio Vieira de Rezende, e pelo brigadeiro Augusto Luiz de Castro Otero participaram de reuniões com a Agência Espacial Alemã (DLR) no período de 17 a 21 de outubro na Alemanha. Durante o encontro foram discutidos os projetos em andamento e o futuro da parceria, que vem trazendo conquistas no desenvolvimento científico para o Programa Espacial Brasileiro. O futuro da parceria entre as duas agências, bem como os detalhes do Motor-foguete líquido L75 e dos veículos lançadores VLM-1, VS-50, VS-40 e VS-43, desenvolvidos entre as três instituições, também fizeram parte da agenda das reuniões.

O encontro marcou a segunda fase da campanha de ensaios a quente da câmara capacitiva do Motor L75, realizada no banco de ensaios da DLR, em Lampoldhausen, na Alemanha. Os testes tiveram como objetivo verificar os parâmetros de desempenho de combustão, além de medidas de temperatura e possíveis instabilidades de combustão em condições de operação no regime permanente dentro do envelope operacional do motor. Os ensaios ocorreram no último dia 21 de outubro,  que marcou o encerramento do evento

Segundo o diretor da AEB, Marco Antônio Rezende, os testes apresentaram excelentes resultados, portanto o IAE poderá fazer análises e dar os próximos passos às possíveis resoluções de problemas com o motor. “Os resultados dos testes representam um marco para o Programa Espacial Brasileiro, já que o controle de tecnologias críticas é uma das metas do Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) ”, afirmou o diretor.

Ainda de acordo com Marco Antônio, o trabalho e a parceria entre o Brasil e a Alemanha favorece o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro e tem como frutos a troca de conhecimentos entre especialistas, a redução de prazos, riscos e custos dos projetos e a possibilidade de futuras parcerias na área de fabricação de componentes aeroespaciais por empresas brasileiras.

As reuniões de trabalho também contaram com a participação do Chefe do Departamento de Sistemas Lançadores do DLR, Claus Lippert; do diretor do Instituto de Propulsão Espacial do DLR, Professor Stefan Schlechtriem; do gerente de Programas de Desenvolvimento Tecnológico da Airbus Safran Launchers; o engenheiro Jan Alting, do consultor engenheiro Günter Langel e de representantes das empresas Airbus Safran Lauchers e Globo Usinagem.

Fonte: AEB
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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Entrevista do José Raimundo Coelho, presidente da AEB

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AEB quer exportar veículos lançadores de microssatélites

Para o presidente da AEB, José Raimundo Coelho, projeto atende a demanda atual por satélites de menor porte. Equipamento deve ser testado no fim de 2018. "Teremos fila de interessados em enviar satélites no nosso lançador."

24/10/2016

A Agência Espacial Brasileira (AEB) está desenvolvendo o Veículo Lançador de Microssatélites (VLM), uma espécie de foguete adaptado a pequenos satélites. A atenção da AEB para o projeto tem motivo. “Hoje em dia, grande parte das missões envolve pequenos satélites. São verdadeiras constelações de pequenos satélites. Se um deles falhar, é só mandar outro de pequeno porte para substituir. Não precisa mandar um equipamento de seis toneladas”, explicou o presidente José Raimundo Coelho em entrevista ao Portal MCTIC.

Segundo ele, o primeiro teste do VLM está projetado para o final de 2018. “Certamente, teremos uma grande fila de espera de interessados em enviar seus satélites no nosso lançador a partir do Centro de Lançamento de Alcântara”, previu.

Na entrevista, José Raimundo Coelho também falou sobre a importância do Programa Espacial Brasileiro, o desenvolvimento da indústria aeroespacial e o trabalho da AEB para atrair jovens para as carreiras ligadas ao setor. “O Programa Espacial Brasileiro precisa, primeiro, convencer a população da necessidade de estabelecer uma indústria espacial forte e sustentável. Espero que possamos, daqui a alguns anos, ouvir que temos um grande programa espacial que se preocupa em atender ao que a população requer”, afirmou.

MCTIC: Um dos principais projetos do Programa Espacial Brasileiro é o desenvolvimento de um veículo lançador de pequenos satélites. Por que esse projeto é tão importante? 

José Raimundo Coelho: Temos o compromisso de utilizar todo o conhecimento que adquirimos ao longo dos anos para desenvolver um lançador de médio porte exclusivo para pequenos satélites. A ideia desse lançador, chamado VLM, responde à realidade atual. Hoje em dia, grande parte das missões envolve pequenos satélites. São verdadeiras constelações de pequenos satélites. Se um deles falhar, é só mandar outro de pequeno porte para substituir. Não precisa mandar um equipamento de seis toneladas. Hoje, são utilizados satélites de até um quilo. O custo é muito menor. O primeiro teste do VLM está projetado para o final de 2018. Certamente, teremos uma grande fila de espera de interessados em enviar seus satélites no nosso lançador a partir do Centro de Lançamento de Alcântara.

MCTIC: Quais são os principais parceiros do Brasil no Programa Espacial Brasileiro? 

José Raimundo Coelho: Temos dois parceiros considerados estratégicos para o desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro. Um na área de satélites, que é a China, e outro voltado para o desenvolvimento de veículos lançadores, que é a Alemanha. Com os chineses, estamos comemorando 30 anos de parceria em 2016. E com os alemães temos 40 anos de trabalho conjunto. Essas parcerias são baseadas em dois princípios que consideramos fundamentais. Primeiro, que o objetivo tem que ser de utilidade mútua. Segundo, que permita o desenvolvimento conjunto. E temos isso com a China e a Alemanha.

MCTIC: Outro projeto importante para o Brasil é o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).

José Raimundo Coelho: É verdade. O Satélite Geoestacionário é uma questão de soberania nacional, de termos o controle das nossas comunicações estratégicas. Tínhamos esse sistema instalado no Brasil por meio de contratos com satélites estrangeiros. E, por meio de uma iniciativa do então Ministério das Comunicações – agora MCTIC – foi sugerida a criação de uma empresa para desenvolver o projeto de um satélite que fornecesse comunicações estratégicas e que provesse banda larga para todo o nosso território. E foi criada uma empresa integradora, a Visiona, que é a associação da Embraer com a Telebras. Cabe a ela integrar todo o sistema do satélite e também integrar a nossa base industrial que trabalha sob demanda para o SGDC. São empresas de pequeno porte e que carecem de um ordenamento desse tipo, até para sua sustentabilidade. Isso demonstra o fortalecimento do Programa Espacial Brasileiro.

MCTIC: Como é possível desenvolver a indústria brasileira voltada para o setor espacial?

José Raimundo Coelho: É muito forte o nosso compromisso de desenvolver a indústria espacial no Brasil. Ainda não conseguimos fazer isso. Primeiro, precisamos criar demanda para o Programa Espacial Brasileiro, que possa dar sustentabilidade à nossa indústria espacial. A demanda que temos hoje é essencialmente do governo brasileiro. Temos que ter a capacidade de estender essa iniciativa para outros segmentos da sociedade, de tal maneira que tenhamos grandes empresas necessitando de serviços de satélites do nosso programa espacial.

MCTIC: O Brasil tem recursos humanos para isso?

José Raimundo Coelho: Queremos capacitar o Brasil com recursos humanos especializados na área espacial. Começamos esse trabalho muito cedo, com crianças e jovens de 12 e 13 anos. Um dos instrumentos que nós utilizamos é o AEB Escola, que fomenta essa busca pelo mistério que é o espaço. Mais adiante, trabalhamos junto às universidades para que elas criem cursos de graduação de engenharia aeroespacial. Hoje, já temos cinco cursos desse tipo em universidades federais. É um passo importante.

MCTIC: A AEB está para inaugurar o CVT Espacial, no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno. Como ele vai funcionar?

José Raimundo Coelho: O CVT é um instrumento do nosso ministério que aproveitamos para desenvolver o entendimento da nossa área. É um ambiente que construímos para atrair os jovens e dar a eles a oportunidade de entender ou de iniciar o entendimento das atividades da área espacial. Queremos que eles aprendam fazendo, solucionando problemas. Assim, eles vão poder absorver o conhecimento e aplicar melhor o que aprenderam. Esperamos que uma parte daqueles que passarem por lá sigam uma carreira no setor espacial.

MCTIC: Qual é o futuro da AEB?

José Raimundo Coelho: O futuro, para mim, é o presente. Acho que, se o Programa Espacial Brasileiro continuar se preocupando com resultados parciais, em construir um passo de cada vez, chegará o momento em que poderemos comemorar o resultado total. O Programa Espacial Brasileiro precisa, primeiro, convencer a população da necessidade de estabelecer uma indústria espacial forte e sustentável. Espero que possamos, daqui a alguns anos, ouvir que temos um grande programa espacial, que se preocupa em atender ao que a população requer.

Fonte: MCTIC, via AEB.
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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

AEB: VLM-1 voa em 2018

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Veículo lançador de satélites deve ser testado em 2018

24/10/2016

Para o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, projeto atende a demanda internacional por satélites de menor porte

A Agência Espacial Brasileira (AEB) está desenvolvendo o Veículo Lançador de Microssatélites (VLM), uma espécie de foguete adaptado a pequenos satélites.

A atenção da AEB para o projeto tem motivo. “Hoje em dia, grande parte das missões envolve pequenos satélites. São verdadeiras constelações de pequenos satélites. Se um deles falhar, é só mandar outro de pequeno porte para substituir. Não precisa mandar um equipamento de seis toneladas”, explicou o presidente da agência, José Raimundo Coelho.

Segundo ele, o primeiro teste do VLM está projetado para o final de 2018. "Certamente, teremos uma grande fila de espera de interessados em enviar seus satélites no nosso lançador a partir do Centro de Lançamento de Alcântara", previu.

José Raimundo Coelho ressaltou a importância do Programa Espacial Brasileiro, o desenvolvimento da indústria aeroespacial e o trabalho da AEB para atrair jovens para as carreiras ligadas ao setor. "O Programa Espacial Brasileiro precisa, primeiro, convencer a população da necessidade de estabelecer uma indústria espacial forte e sustentável. Espero que possamos, daqui a alguns anos, ouvir que temos um grande programa espacial que se preocupa em atender ao que a população requer", afirmou.

SGDC

Outro projeto importante para o Brasil é o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), definido por Coelho como questão de soberania nacional. “Tínhamos esse sistema instalado no Brasil por meio de contratos com satélites estrangeiros. E, por meio de uma iniciativa do então Ministério das Comunicações – agora MCTIC – foi sugerida a criação de uma empresa para desenvolver o projeto de um satélite que fornecesse comunicações estratégicas e que provesse banda larga para todo o nosso território. E foi criada uma empresa integradora, a Visiona, que é a associação da Embraer com a Telebras”, contou.

Para desenvolver a indústria brasileira voltada para o setor espacial, defende o presidente, é preciso expandir a demanda do Programa Espacial Brasileiro, para dar sustentabilidade à indústria espacial. A agência investe no programa desde cedo, com crianças de 12 e 13 anos, por meio do AEB Escola, e, mais adiante, o trabalho é feito junto às universidades. Atualmente, cinco universidades federais em todo o País oferecem cursos de engenharia aeroespacial.

“A demanda que temos hoje é essencialmente do governo brasileiro. Temos que ter a capacidade de estender essa iniciativa para outros segmentos da sociedade, de tal maneira que tenhamos grandes empresas necessitando de serviços de satélites do nosso programa espacial”, disse Coelho.

Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).
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segunda-feira, 11 de julho de 2016

Presidente da AEB fala sobre o Programa Espacial Brasileiro

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Presidente da AEB fala sobre a evolução do Programa Espacial na SBPC

11/07/2016

As primeiras iniciativas para criar o Programa Espacial Brasileiro e a evolução dele ao longo dos anos foi o tema da palestra proferida pelo professor José Raimundo Coelho, na manhã de quarta-feira (06.07), na 68ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Porto Seguro (BA).

Segundo ele, a iniciativa aconteceu quando os franceses discutiram com os brasileiros a possibilidade de criar a Missão Espacial Brasileira (MECB) com a Agência Espacial Francesa (CNES). “Nos anos 70 com a criação, no âmbito das Forças Armadas (EMFA), da Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (COBAE), foi lançada a ideia de organizar o Programa Espacial Brasileiro. O PEB seria integrado e tinha como meta estabelecer a autonomia da área, colocando satélites brasileiros em órbita, com foguetes nacionais, a partir de um Centro de Lançamento próprio”, afirmou José Raimundo aos espectadores

Em 1988, o Brasil e a China decidem desenvolver a família do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (Cbers), dando início a integração por oportunidade, mas também por necessidade, valendo-se de parcerias estratégicas, com base nos benefícios mútuos e no desenvolvimento conjunto.

Ações, como essa, foram também bastante utilizadas no início das atividades espaciais no Brasil, nos anos 60, a partir de iniciativas de parcerias internacionais envolvendo foguetes de sondagem para lançamentos de experimentos suborbitais, permanecendo até hoje, e estabelecendo um alto padrão de inserção global do Brasil, neste segmento.

Os dois exemplos ressaltados pelo professor mostraram que as parcerias internacionais, quando bem construídas, podem ser utilizadas como um importante instrumento para o alcance da autonomia, pré-requisito fundamental que norteia o Programa Espacial Brasileiro, também enfatizados em sua fala.

Desafios – O professor explicou ainda os três desafios que se superados poderão contribuir para reverter a carência de resultados do programa espacial. O primeiro deles é reconhecer o reduzido orçamento da área, quando comparado a nações com economia semelhante à brasileira. “É preciso entender que os programas são exigentes, mas os benefícios deles auferidos compensam os investimentos”, explicou José Raimundo.

O segundo desafio é reconhecer que, os esforços do aperfeiçoamento do marco legal que rege as atividades de pesquisas e desenvolvimento, as instituições públicas executoras dos projetos continuam sufocadas pela burocracia, incertezas jurídicas, temor dos administradores frente aos órgãos de controle, e principalmente, pelo declínio nos quadros de servidores técnicos e administrativos. Se o modelo das organizações não for mudado, há pouca esperança em reverter a realidade atual.

O terceiro é reconhecer que programas de estado, como os espaciais, sempre exigirão a presença e competência do mesmo, para formular os requisitos dos sistemas e missões, e contratar sua execução. A opção, exercida no passado, de fazer sob o seu completo e integral controle, vem se mostrando cada vez menos eficaz. É fundamental que o Brasil entenda que não há alternativa fora da plena atribuição à indústria nacional da responsabilidade pela execução dos projetos em sua fase industrial. Ao estado não cabe mais fazer, mas deixar fazer.

Ações - No estágio em que nos encontramos hoje, com relação à conquista dos meios de acesso ao espaço, consideramos que o VLS tenha sido um projeto de validação de tecnologias e capacitação de recursos humanos. A maior prioridade na área de Lançadores destina-se hoje ao Veículo Lançador de Microssatélites (VLM). Trata-se de um projeto em parceria com a Agência Espacial Alemã (DLR) e participação efetiva da indústria espacial nacional, em um processo de resultados absolutamente convergentes.

Ao longo do desenvolvimento do VLM-1 já conseguimos contabilizar alguns avanços importantes, tais como, o desenvolvimento estrutural do envelope do motor S-50, do novo propelente para o carregamento do motor, assim como na eletrônica de bordo. A nova agenda prevê a realização de seu primeiro voo com cargas úteis espaciais ou microssatélites, a partir do CLA, em 2018/2019.

Para garantir a eficiência necessária ao PEB, direcionamos ações para o desenvolvimento de competências com a participação efetiva de especialistas em projetos estruturantes e mobilizadores de diversos níveis de complexidade. Em 2015 estruturamos uma plataforma E2T, Espaço, Educação e Tecnologia com destaque aos seguintes resultados: capacitação de 176 especialistas em diversas missões e de 712 professores em temas da área espacial; lançamento de três nanossatélites entre 2014 e 2015; Previsão de lançamentos em 2016 do ITASAT e do UbatubaSat;

A AEB também implementou 225 bolsas, no âmbito do Ciência sem Fronteiras, na área espacial, 5 direcionadas a Laboratórios da Nasa e 6 para cursos de pós-graduação na Universidade de Beihang, na China; e por último a implementação do primeiro Centro Vocacional Tecnológico Espacial, a ser inaugurado ainda este ano no CLBI, em Natal (RN). E para finalizar estamos, neste momento, terminando a fase de provimento dos primeiros 44 servidores a integrarem o quadro permanente de recursos humanos da AEB.

José Raimundo respondeu a perguntas de um professor de Manaus, bastante inteirado da área espacial que lhe perguntou sobre o envio de sondas para exploração do espaço profundo pela China. O professor explicou que a Agência não trabalha com essa questão, mas apoia esses grupos de pesquisa. Ele falou também da existência de um trabalho entre Brasil e China relacionado à clima, e do programa espacial chinês que hoje desenvolve todos os componentes para construção de um satélite.

“O Brasil é um país diverso em recursos naturais. Temos água em abundância e a criatividade do povo brasileiro é imensa. Temos que aproveitar tudo isso e desenvolver tecnologias críticas e repassar ao governo. Temos um acordo com os russos e já estamos discutindo a realização de pesquisas com asteroides. Vamos aproveitar tudo isso para melhorar o nosso Programa Espacial”, concluiu.

O professor destacou ainda o trabalho que a Agência Espacial desenvolve com parceiros, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), na área de desenvolvimento de tecnologias; Departamento de Ciência e Tecnologia da Aeronáutica (DCTA); Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI/RN) e Centro de Lançamento de Alcântara no Maranhão, parceiros fundamentais para o desenvolvimento e evolução da área espacial brasileira.

Fonte: AEB
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terça-feira, 3 de maio de 2016

Lançadores: Reunião do Grupo de Interfaces de Lançamento

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CLA sedia encontro que define atividades espaciais no Brasil

03/05/2016

O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) recebe nesta segunda-feira 2 de maio a primeira edição do ano da Reunião do Grupo de Interfaces de Lançamento (GIL1/ 2016).

Durante uma semana, especialistas da área espacial do  Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), da Agência Espacial Brasileira (AEB), Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) e dos Centros de Lançamento de Alcântara (CLA) e da Barreira do Inferno (CLBI) irão discutir  os próximos passos da atividade espacial.

Ao decorrer da semana de reunião, assuntos relacionados aos futuros lançamentos para os anos de 2017 e 2018, programa microgravidade, apresentações abordando os Veículos Lançadores de Satélites  em desenvolvimento ou em fase de estudos no IAE, incluindo os Projetos VLM-1 e VS-50, atual situação do cronograma para o lançamento do VSB-30 com carga útil MICROG-2 na Operação Rio Verde, foguetes de treinamento (FOGTREIN) com os lançamentos dos Foguetes de Treinamento Básico (FTB) e Intermediário (FTI).

A atualização das obras inauguradas do CLA com impactos em lançamentos futuros também será um tema abordado, bem como, a 1ª Reunião de Acompanhamento de Interfaces (RAI) da Operação Rio Verde. Ao término do GIL, um relatório final será produzido com conclusões e sugestões visando orientar as ações na área espacial em médio prazo.

Para o Coronel Aviador Cláudio Olany Alencar de Oliveira, Diretor do CLA, a reunião do Grupo de Interfaces de Lançamento irá propor adequações que norterão melhorias e avanços na Área Espacial Brasileira.

GIL - O Grupo de Interfaces de Lançamento (GIL) é regulado pela Instrução do Comando da Aeronáutica (ICA) 60-1 e se reúne até três vezes ao ano para discutir, dar encaminhamentos e propor soluções para o andamento da atividade espacial no Brasil. Além do presidente, fazem parte do grupo integrantes do DCTA, AEB, IAE, IFI e dos Centros de Lançamentos em território nacional.

Fonte: CLA, via AEB.
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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Revisão do Programa de Veículos Lançadores de Satélites?

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IAE propõe revisar o Programa de Veículos Lançadores de Satélites

06/04/2016

No dia 29 de fevereiro, a Direção do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) promoveu uma reunião administrativa com todos os integrantes do Instituto, tendo como foco principal apresentar os resultados das investigações do acidente com o foguete suborbital VS-40M ocorrido na Operação São Lourenço, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Em função das recomendações do relatório de investigação e de outros fatores de projeto, e atendendo à política de total transparência na gestão do Instituto, aproveitou-se a oportunidade para abordar a situação atual do projeto do veículo VLS-1.

Essa apresentação abordou de forma pragmática temas técnico-gerenciais do veículo VLS-1, tais como: a missão, o histórico, a organização gerencial do projeto e a situação atual do desenvolvimento. A explanação foi límpida quanto aos principais obstáculos e aos esforços que o IAE e a Agência Espacial Brasileira (AEB) têm empreendido, dentro das limitações atuais de várias naturezas. IAE e AEB têm sido grandes parceiros e os principais protagonistas na busca de apoio para o Programa Espacial Brasileiro e no desenvolvimento dos veículos para o acesso ao espaço, de forma contínua e com soluções possíveis dentro dos seus limites de atuação, objetivos permanentes de nosso Programa Espacial.

É importante destacar que o Programa de Veículos Lançadores de Satélites (VLS) muitas vezes é confundido com o veículo VLS-1. Convém esclarecer que a família de veículos lançadores de satélites, conforme estabelecido no Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) 2012-2021, é composta pelos veículos VLS-1, VLM, VLS-Alfa e VLS-Beta. Assim sendo, a apresentação em comento tratou apenas da configuração do veículo VLS-1. É relevante lembrar, ainda, que a configuração do veículo VLS-1 foi definida a partir das limitações do parque industrial brasileiro da década de 80, visando atender a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB). O conhecimento acumulado pelo IAE e a evolução das tecnologias permitem, hoje, projetar motores com diâmetros maiores e de melhor desempenho propulsivo, visando simplificar a configuração dos estágios iniciais, utilizando soluções com maior confiabilidade. É fato que não podemos ser indiferentes à evolução tecnológica e às transformações do mercado que ocorreram ao longo das últimas três décadas. Tais mudanças impõe a revisão de prioridades, sem perder de vista o objetivo maior, que é o de conquistar a autonomia no acesso ao espaço.

A apresentação mostrou não só a continuidade do Programa de VLS, como apresentou a proposta da retomada do desenvolvimento de um veículo suborbital presente no PNAE 2005-2014, porém ausente no atual PNAE 2012-2021, o foguete suborbital VS-43. Tal proposta está sendo preparada e discutida de forma responsável e gradativa, a fim de ser uma proposta sólida, completa e coerente, evitando-se divulgações equivocadas que nada contribuem para o Programa Espacial Brasileiro.

A proposta do foguete de sondagem VS-43 segue a lógica utilizada no desenvolvimento dos veículos suborbitais do IAE, onde os novos sistemas e estágios superiores são ensaiados em veículos qualificados. Tal estratégia permite isolar riscos tecnológicos e tratá-los de uma forma racional por meio de um veículo mais simples e, consequentemente, menos custoso. Um dos principais benefícios do desenvolvimento do VS-43 é a utilização do estoque existente de componentes, equipamentos, subsistemas e dispositivos remanescentes do veículo VLS-1, otimizando os recursos financeiros, tecnológicos, materiais e pessoais disponíveis atualmente no Instituto. A estratégia visa superar os desafios do mais simples para o mais complexo, permitindo conquistas graduais e consistentes, a fim de persistir nos objetivos de todos os colegas de ontem e de hoje que dedicaram o seu tempo e as suas vidas para alcançar o sucesso da MECB e do Programa Espacial Brasileiro. Neste esforço, os legados de conhecimentos e infraestrutura do esforço para o desenvolvimento do VLS-1 são fundamentais.

Atualmente, a demanda do mercado, de amplo conhecimento da comunidade técnico-científica, aponta para o nicho de Veículos Lançadores de Micro e Minissatélites. Neste contexto, aproveitando todo o aprendizado, os conceitos e as tecnologias demonstradas no projeto do veículo VLS-1, o IAE e a AEB trabalham no desenvolvimento e certificação do projeto de um Veículo Lançador de Microssatélites com menor custo, tecnologias mais atuais e com viabilidade comercial, o veículo VLM-1.

O Instituto de Aeronáutica e Espaço e a Agência Espacial Brasileira ratificam que o programa de desenvolvimento de veículos lançadores de satélites não será descontinuado, mas atualizado, e isto requer a revisão de suas prioridades. Considerando o histórico e a situação atual de todos os fatores produtivos, decidiu-se priorizar uma nova configuração de veículo lançador de satélites, a do veículo VLM-1, mais simples e coerente com as possibilidades atuais, e passo importante para projetar e desenvolver outros veículos que o sucederão.

Fonte: IAE/DCTA.

Comentários do blog: como indica o próprio título da notícia acima, divulgada pelo IAE na semana passada, o desenvolvimento de um novo foguete suborbital (VS-43) e outras ações relacionadas ao programa de lançadores, por enquanto, não passam de meras propostas, sem qualquer decisão ou mesmo orientação clara dentro do governo e forças armadas. A atual conjuntura econômica e, principalmente, política do Brasil são mais um elemento num ambiente de indefinição brasileira quanto à estratégia a ser perseguida no campo de lançadores. Ainda assim, mesmo com o cenário de crise, existem discussões relativamente embrionárias, mas tocadas de forma bastante séria por algumas partes envolvidas, envolvendo iniciativas de cooperação internacional em lançadores visando o médio e longo prazos. Em breve, o blog Panorama Espacial voltará a abordar este tema em mais detalhes.
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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Alcântara:cooperação com EUA ou Rússia?

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Rússia e EUA competem por parceria espacial com Brasil

Da REUTERS

Brasília/São Paulo - Os Estados Unidos e a Rússia estão disputando um papel estratégico no plano brasileiro de lançar satélites comerciais de sua base de Alcântara, no Maranhão, abrindo uma nova frente de rivalidade entre os dois países na busca de aliados e influência.

O governo espera escolher nos próximos meses um parceiro para ajudar a fornecer tecnologia, disseram à Reuters três fontes com conhecimento das negociações.

Ao longo da última década, o Brasil estabeleceu uma parceria com a Ucrânia para desenvolver um veículo de lançamento em Alcântara, mas encerrou o programa em fevereiro, dizendo que os problemas financeiros da Ucrânia a impossibilitam de fornecer foguetes, tal como prometido.

A presidente Dilma Rousseff irá selecionar um novo parceiro baseada em uma variedade de fatores, incluindo as relações diplomáticas do Brasil e a qualidade da tecnologia em oferta, disseram fontes a par do tema.

Uma parceria para satélites não estará na agenda quando Dilma visitar a Casa Branca em 30 de junho, informaram autoridades dos dois países.

Mas o teor da visita, que marca a reaproximação entre Brasil e EUA dois anos após uma crise nas relações decorrente dos programas de espionagem da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) norte-americana, pode influenciar a decisão brasileira, disse uma fonte.

“Se tudo correr bem, os norte-americanos estarão bem posicionados para conquistá-lo”, declarou a fonte, uma ex-autoridade brasileira que participou de reuniões sobre a questão dos satélites.

A localização de Alcântara é especialmente atraente para parceiros em potencial. Satélites que orbitam o Equador não têm que viajar muito para se posicionarem, o que reduz o gasto com combustível em até um quinto em comparação com outras localidades.

A empresa europeia de transporte espacial Arianespace, que detém metade do mercado mundial de lançamento de satélites em órbita geoestacionária, usa uma plataforma de lançamento em Kourou, na vizinha Guiana Francesa.

Não está claro exatamente que forma a próxima parceria do Brasil irá tomar. Pelo acordo anterior, a Ucrânia entrava com a tecnologia para construir os foguetes Cyclone-4 conjuntamente com o Brasil, que era responsável por fornecer as instalações de lançamento.

Frustradas com décadas de atrasos e contratempos, as autoridades brasileiras disseram que podem repensar totalmente os termos de sua próxima parceria.

“Nós tínhamos feito a opção da Ucrânia. Esse programa se mostrou inconsistente”, declarou o ministro da Defesa, Jaques Wagner, à Reuters. Ele disse que o Brasil conversaria “com qualquer país”, incluindo os Estados Unidos, para levar um satélite brasileiro ao espaço.

SALVAGUARDAS

O histórico traumático de Alcântara inclui um acidente em 2003, quando uma explosão e um incêndio destruíram um foguete de fabricação nacional e mataram 21 pessoas. O desastre pôs fim aos planos do Brasil de construir seus próprios foguetes e o levou a procurar a Ucrânia.

Uma série de países trabalhou com o Brasil em questões espaciais. Nas duas últimas décadas, a China empregou seus foguetes e sua plataforma de lançamento para conduzir aos céus cinco pequenos satélites que o Brasil usa para monitorar a agricultura, o meio ambiente e a Floresta Amazônica.

Em 2014, na esteira do escândalo de espionagem da NSA, desencadeado pelos documentos vazados pelo ex-prestador de serviços Edward Snowden, o Brasil escolheu a empresa aeroespacial francesa Thales ao invés de uma rival norte-americana para construir um satélite geoestacionário que será lançado pela Arianespace da Guiana Francesa em 2016.

O Brasil ainda precisa de um parceiro de peso para alcançar seu objetivo de lançar um satélite de Alcântara. A tecnologia para o satélite e o foguete que espera obter nessa parceria daria ímpeto à sua indústria aeroespacial.

Se o Brasil escolher os EUA, a Boeing será beneficiada, já que, além de aeronaves, fabrica foguetes e satélites e tem laços com a principal empresa aeroespacial brasileira, a Embraer, terceira maior fabricante mundial de aviões comerciais.

O diretor da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, declarou à Reuters que a Rússia está interessada em cooperar com o Brasil e que está “na vanguarda” da tecnologia espacial.

Ele afirmou que os EUA, maior fonte mundial de peças de satélite, também são uma possibilidade, embora tenha reconhecido haver “dificuldades especiais que precisamos superar”.

Uma delas é fato recente. Em 2000, Washington assinou um contrato com o Brasil que teria permitido o lançamento de satélites norte-americanos com foguetes norte-americanos de Alcântara.

Mas o acordo era polêmico por causa da exigência dos EUA de controlar o acesso a partes da base. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o descartou pouco depois de assumir seu primeiro mandato em 2003.

Washington já não faz tal exigência, embora ainda queira que o Brasil assine um assim chamado acordo de salvaguarda tecnológica para garantir que qualquer tecnologia espacial compartilhada com os brasileiros não vá parar em outros países.

Muitos membros do Congresso estão receosos de aprovar o acordo, e militares temem que a colaboração do Brasil com a China o impeça de algum dia obter acesso à tecnologia de satélite norte-americana de ponta, dada a desconfiança que Washington tem de Pequim.

Em novembro passado, o governo dos EUA aliviou suas regras de exportação para equipamentos de defesa, transferindo muitos componentes espaciais classificados automaticamente como munições pelo Departamento de Estado para a esfera do Departamento de Comércio, mais flexível com as exportações.

Autoridades norte-americanas dizem que 70 por cento do que se precisa para construir um satélite agora pode ser comprado dos Estados Unidos.

“Eles têm intenção de flexibilizar. Agora que mudou toda a conjuntura, a gente percebe que eles estão mais abertos, buscando a aproximação, e querendo voltar a ocupar o espaço que perderam para outros países”, acrescentou o coronel reformado Armando Lemos, atual diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), grupo de lobby da indústria de defesa.

O administrador da agência espacial dos EUA (Nasa, na sigla em inglês), Charles Bolden, visitou o Brasil no início deste ano. Quando o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, esteve em Washington no mês passado, almoçou com o chefe interino da Nasa no Museu Espacial do Instituto Smithsonian.

Rebelo disse à Reuters que as negociações com os EUA sobre os satélites estão “em andamento”, mas não quis dar maiores detalhes.

Fonte: Reuters, via portal Exame.

Comentário do blog: embora apresente informações interessantes, a reportagem da Reuters faz uma confusão dos esforços para a exploração comercial de Alcântara (que não necessariamente envolvem desenvolvimento ou transferência tecnológica) e ações do governo brasileiro para o desenvolvimento de tecnologia de lançadores. Interessante também notar a omissão no texto sobre a possibilidade de colaboração com a Europa - a Alemanha já coopera com o Brasil no desenvolvimento do Veiculo Lançador de Microssatélites (VLM-1), e empresas europeias como a Airbus Defence and Space já demonstraram interesse em ampliar a cooperação em lançadores.
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sexta-feira, 12 de junho de 2015

VLM-1: voo em novembro de 2018

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Primeiro voo do VLM-1 será em novembro de 2018

Brasília, 12 de junho de 2015 – O primeiro voo do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM) para teste de qualificação está programado para novembro de 2018. O anúncio foi feito pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Braga Coelho, na 69ª Reunião Ordinária do Conselho Superior da instituição realizada nesta quinta-feira (11).

No lançamento a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, será transportada uma carga útil também para teste. O Lançador é um foguete de três estágios a propelente sólido com capacidade para satélites de pequeno porte com massa de até 150 quilos.

Desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE) do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), do Comando da Aeronáutica, com cooperação da Agência Espacial da Alemanha (DLR), o VLM é composto de dois estágios equipados com motor S-50 e um com motor S-44.

O teste de qualificação do motor S-50, em banco de ensaio, está previsto para janeiro de 2017. O voo de qualificação do VS-50 é programado para novembro do mesmo ano.

Experimento - O presidente também informou estar em estudo à proposta de ser levado ao espaço três experimentos selecionados no 5º Anúncio de Oportunidade, lançado em fevereiro último. A proposta desta edição visa a selecionar um dispositivo que avalie aspectos fisiológicos do espaçonauta Pedro Nehme no voo suborbital do qual ele participa no final do ano.

Quanto ao projeto Serpens (Sistema Espacial para a Realização de Pesquisas e Experimentos em Nano Satélites), os conselheiros foram informados de que o segundo exemplar do satélite de pequeno porte será coordenado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com a participação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e das universidades federais do ABC (UFABC), de Minas Gerais (UFMG) e Universidade de Brasília (UnB). Seu lançamento está previsto para o segundo semestre de 2017.

Com relação ao primeiro modelo do Serpens será entregue à Agência Espacial do Japão (Jaxa) no próximo mês de julho, para lançamento da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) em outubro deste ano.

Fonte: AEB
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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Cooperação Brasil - Rússia

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AEB: Parceria Brasil-Rússia na área espacial é bem-vinda

15.04.2015

A AEB – Agência Espacial Brasileira não tem em perspectiva, por enquanto, novos projetos que levem mais um brasileiro ao espaço. O primeiro caso de astronauta nacional, o do militar da FAB – Força Aérea Brasileira, Marcos Pontes, que embarcou, em 2006, num voo orbital para a Estação Espacial Internacional, tão cedo não deverá repetir-se.

A informação é do diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB, Petrônio Noronha de Souza, entrevistado no âmbito da LAAD – Defence & Security 2015 – Feira Internacional de Defesa e Segurança da América Latina, que se realiza no Rio de Janeiro. “Não vejo essa possibilidade, de outro homem ou mulher ser selecionado para treinamento em outro voo espacial, nem em curto nem em médio prazo”, diz o especialista.

Petrônio Noronha de Souza acredita que o único evento do gênero que está para ocorrer é o do estudante Pedro Nehme, que está sendo apoiado pela AEB nessa fase anterior ao voo, porém não se trata de um projeto financiado pela Agência Espacial Brasileira. “É um apoio mais técnico para que ele converse com pilotos, tenha a oportunidade de visitar centros de estudos, passe informações para os jovens, faça palestras. É um processo em que nós nos beneficiamos da informação, da divulgação, e ele se beneficia também das oportunidades que lhe são abertas.”

Neste mês de abril, Pedro Nehme vai para a Rússia participar de mais uma etapa do treinamento com exercícios de gravidade zero. Depois, escolhido num concurso patrocinado pela companhia holandesa KLM, em que venceu 130 mil concorrentes, Nehme fará um voo suborbital de uma hora na nave Lynx Mark II, da empresa XCOR Space Expeditions.

Na entrevista exclusiva para Sputnik, o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da AEB falou também sobre as possibilidades de Rússia e Brasil realizarem um programa conjunto ou desenvolverem um veículo de lançamento de satélite, levando-se em conta o trágico acidente com o veículo lançador de satélite que explodiu no centro de lançamentos de Alcântara, no Maranhão.

Desde então, segundo Petrônio Noronha, houve várias iniciativas por parte do Governo russo, através da empresa Roscosmos, em auxiliar o Brasil na reconstrução da base ou ainda em ajudar a desenvolver um satélite lançador em parceria, mas a ideia não se concretizou. Em seguida, no entanto, ocorreu uma parceria do Brasil com a Ucrânia no desenvolvimento do Centro de Lançamento em Alcântara.

Petrônio Noronha de Souza explica que depois do acidente ocorreu um contato entre autoridades brasileiras e russas, com apoio importante por parte de técnicos russos, naquela época, para a revisão do projeto, que continua em atividade.

Já o acordo com a Ucrânia para o desenvolvimento do Centro de Lançamento e, simultaneamente, do lançador no Projeto Cyclone-4, ocorreu um tempo depois, porém, não eliminou o projeto do VLS – o Veículo Lançador de Satélites. “O VLS continua sendo conduzido como um projeto exclusivamente nacional. Temos a questão quanto a continuidade ou não do acordo com a Ucrânia, e não há no momento negociações em prol de um desenvolvimento comum, de um lançador ou aperfeiçoamento de algum lançador já pré-existente a ser realizado por brasileiros e russos. Não podemos descartar essa possibilidade, até porque a colaboração com os russos não desapareceu totalmente. Nós ainda temos intercâmbio de pessoas, estudantes brasileiros que se deslocam e recebem formação lá na Rússia.”

Petrônio Noronha destaca ainda a parceria que vem ocorrendo com os russos no desenvolvimento das estações do Glonass (Sistema de Navegação Global por Satélite), em que há uma instalação na Universidade de Brasília, e que futuramente pode se desenvolver. “Eu acho que devem ser instaladas estações terrenas para o sistema Glonass. É uma agenda de trabalho conjunta entre acadêmicos e técnicos brasileiros e russos, e eventualmente isso poderá crescer mais adiante. Eu diria que nós veremos, sem que leve muito tempo, algumas modificações no panorama ou no cenário do desenvolvimento de lançadores aqui no Brasil.”

Na visão do diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos da Agência Espacial Brasileira as parcerias internacionais são bem-vindas. Já existe, por exemplo, o chamado VLM – Veículo Lançador para Micro-Satélites, desenvolvido em colaboração com a Alemanha. Existe ainda um programa de sucesso de lançamento de cargas úteis para microgravidade na Europa, onde a parte experimental é feita pelos alemães e a parte dos propulsores, que é chamada de VSB-30, é um foguete brasileiro.”Não descartamos a colaboração internacional. Eu diria que a possibilidade existe, sim, de algo se materializar com a Rússia, mas no momento nada está sendo negociado – algo ainda a ser construído.”

O especialista comentou ainda sobre um possível interesse do Governo brasileiro num projeto russo, chamado Lançamentos Marítimos, para se fazer uma espécie de cosmódromo, um ponto de lançamento flutuante numa plataforma em alto-mar, aproveitando a extensa costa brasileira, com latitudes bem próximas à linha do equador, o que proporcionaria maior carga útil dos satélites.

Segundo ele, especificamente quanto a esse projeto russo, a Agência Espacial Brasileira não tem informações, porém o Centro de Lançamentos de Alcântara, que fica no litoral, próximo à linha do equador, tem uma posição bastante privilegiada e sem dúvida é uma opção para esse sistema de lançamento marítimo. “Já existe um sistema desenvolvido no passado com a participação de americanos, noruegueses, russos e ucranianos, chamado de Sea Lounge, que operou na costa da Califórnia por muitos anos, mas era uma longa viagem à linha do equador”, diz Petrônio Noronha. “No caso de Alcântara, a linha do equador está ao lado, quase nenhum deslocamento se faz necessário. É uma ideia bastante interessante, mas não é um projeto simples. É um projeto que envolve várias nações, toda a questão de legislação internacional, as questões de segurança, ambientais e comerciais, ou seja, é um enorme desafio. Cabe às nossas autoridades trabalhar para verificar se isso consegue ser materializado ou não.”

Fonte: Sputnik Brasil
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

VLM: Convênio IAE - FUNCATE

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IAE - DCTA e FUNCATE assinam convênio para desenvolvimento do VLM-1

O projeto para desenvolvimento do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM) brasileiro deu um importante passo nas últimas semanas, com a assinatura do convênio entre a FUNCATE (Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais) e o IAE/DCTA (Instituto de Aeronáutica e Espaço).

O VLM-1, fruto de uma parceria entre o IAE/DCTA e a Agência Espacial Alemã (DLR), visa o desenvolvimento de um foguete destinado ao lançamento de cargas úteis espaciais ou microssatélites (até 150 kg) em órbitas equatoriais e polares ou de reentrada, com três estágios a propelente sólido na sua configuração básica: dois estágios com o motor S50 com cerca de 12 toneladas de propelente e um estágio orbitalizador com o motor S44.

Outras configurações do veículo poderão empregar um terceiro estágio em propelente sólido maior ou em propelente líquido. O VLM deverá atender a uma importante e crescente demanda para o lançamento de cubesats e microssatélites. Este convênio tem vigência de quatro anos e estabelece uma parceria de longo prazo entre a FUNCATE e o DCTA/IAE.

Fonte: IAE/DCTA
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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

VLM: recursos do Inova Aerodefesa

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Nas últimas semanas, foram firmados alguns contratos entre a FINEP e as empresas que receberão recursos do programa Inova Aerodefesa. O desenvolvimento do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1), a cargo do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em parceria com a agência espacial alemã (DLR), é um dos projetos beneficiados.

No início de outubro, foi oficializado o contrato de subvenção econômica, na modalidade não reembolsável, firmado com a CENIC, de São José dos Campos (SP), no valor de pouco mais de R$6,2 milhões, para o desenvolvimento dos módulos inter-estágios (módulos de atuação nas tubeiras, de empenas) para o VLM-1. Em 22 de outubro, foi a vez de um contrato de cerca de R$5,637 milhões com a JTDH Engenharia para o desenvolvimento das redes elétricas do pequeno lançador nacional.

Mais recentemente, em meio aos rumores sobre sua venda para a Odebrecht Defesa e Tecnologia, que começaram a circular no mercado no início desse mês, a Avibras Indústria Aeroespacial teve seu contrato efetivado em 5 de novembro. Serão liberados R$4.658.477,00 até janeiro de 2017, específicos para o VLM-1.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Cooperação Brasil - Suécia: VLM

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Sueca SSC vai construir base em Alcântara

05/11/2014

Por Virgínia Silveira | De Gothenburg e Satenäs (Suécia)

A SSC (Swedish Space Corporation) vai construir dois centros de lançamento para o foguete brasileiro VLM (Veículo Lançador de Satélites), em Alcântara, no Maranhão, e no Centro Espacial de Esrange, na Suécia. O primeiro passo para viabilizar o plano é assinatura de um acordo de parceria com o DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), que coordena o desenvolvimento do foguete. A assinatura deve ocorrer em dezembro.

O acordo, segundo o diretor do DCTA, brigadeiro do ar Alvani Adão da Silva, prevê o intercâmbio de informações e de recursos humanos na área de desenvolvimento e de operações de lançamento, assim como de tecnologias de propulsão espacial e de propelentes ecológicos, entre outros projetos. A parceria, ainda segundo o brigadeiro, é desdobramento de um acordo especial assinado entre as Agências Espaciais do Brasil (AEB) e da Suécia (SNSB), em fevereiro.

A responsável pela área de tecnologia da SSC, Anna Rathsman, disse planeja utilizar o VLM para o lançamento de micro e nanossatélites para o mercado europeu. A executiva afirmou que não tem uma projeção do mercado global para veículos na categoria do VLM, mas que uma estimativa inicial feita pela SSC prevê o lançamento de pelo menos dois foguetes por ano do Centro de Esrange.

Segundo o Valor apurou, por apresentar um baixo custo de produção e de complexidade técnica, além de um ciclo de desenvolvimento rápido, o VLM tem um mercado potencial superior a dez lançamentos por ano.

O diretor do DCTA disse a SSC já definiu o local para a construção do sítio de lançamento em Esrange. "Estudos já feitos por especialistas indicam a existência de um mercado promissor para o VLM, tendo em vista que não existe nenhum outro foguete dedicado para atender a essa faixa de mercado (lançamento de cargas úteis de 120 a 150 quilos)", afirmou.

Os concorrentes do VLM são foguetes de grande porte, que levam pequenos satélites de carona. O VLM teria um custo de lançamento baixo, inferior a US$ 10 milhões. Seu desenvolvimento é feito pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), órgão de pesquisa e desenvolvimento do DCTA, em parceria com o Centro Aeroespacial Alemão (DLR), que financia parte do projeto, avaliado em R$ 100 milhões.

O próximo passo do projeto do VLM é a contratação da fabricação da parte estrutural do motor foguete, o S50. A empresa Cenic já concluiu o projeto de desenvolvimento do motor. Feito em fibra de carbono, o S50 será o maior motor foguete já construído pelo IAE. A Avibras fez o estudo de viabilidade de carregamento do motor com propelente (combustível).

O DLR utiliza o foguete brasileiro VS-40 para o experimento científico Shefex, considerado o principal programa espacial da Alemanha. De acordo com o DCTA, os alemães querem utilizar o foguete VLM para o lançamento do experimento Shefex 3 (da sigla em inglês Sharp Edge Flight Experiment), que irá testar o comportamento de novos materiais e tipos de proteção térmica necessários para o desenvolvimento de tecnologia de voos hipersônicos e de veículos lançadores reutilizáveis.

O vice-diretor do IAE, coronel aviador Avandelino Santana Júnior, disse que o teste de qualificação em voo do VLM deverá acontecer em dois anos. A fabricação do foguete será feita pelo setor espacial brasileiro. Ele afirmou que o VLM é um foguete configurado para lançar micro e nanossatélites de sensoriamento remoto, experimentos científicos e com aplicação meteorológica em baixa altitude.

A SSC já mantinha um relacionamento próximo ao DCTA desde 2005, por meio da utilização dos foguetes de sondagem VSB-30 (desenvolvidos pelo IAE), que fazem o lançamento de cargas científicas e tecnológicas em ambiente de microgravidade.

Com faturamento de 524 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 71 milhões) por ano e mais de 600 funcionários, a SSC fornece serviços de gestão de satélite e de lançamento de foguetes e balões, além do desenvolver subsistemas para aplicações aeroespaciais.

Fonte: Valor Econômico.
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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Programa Espacial: orçamentos de 2014 e 2015

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Apresentamos a seguir algumas informações resumidas sobre a execução orçamentária da Agência Espacial Brasileira (AEB) ao longo deste ano, e também as expectativas para 2015.

Execução orçamentária em 2014

A lei orçamentária de 2014 fixou um limite para a AEB de R$ 295,8 milhões, montante que foi posteriormente reduzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em R$ 40 milhões, o que teve consequências (negativas) nas ações planejadas. Foi descentralizado aos órgãos executores (INPE) um total de R$ 126,5 milhões, cabendo à AEB a execução interna de R$ 169,3 milhões. Até o momento, a Agência executou R$ 102,9 milhões, cifra que representa aproximadamente 40% do limite orçamentário autorizado.

Previsão para 2015

Embora ainda sujeitos à alterações, especialmente se considerarmos o cenário eleitoral, os números preliminares para o ano que vem não são muito animadores. A AEB deverá contar com R$ 255 milhões, o que representa uma redução de cerca de R$ 40 milhões em relação ao último ano.

Existe, porém, uma possibilidade concreta de expansão do valor em R$ 40,7 milhões, com a destinação específica para o Programa de Absorção e Transferência de Tecnologia, no âmbito do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Vale mencionar que o pacote de transferência tecnológica associado ao SGDC, previsto em memorando de entendimentos assinado entre a AEB e a Thales Alenia Space em dezembro de 2013 é avaliado em cerca de US$ 80 milhões.

- Infraestrutura Espacial: a destinação prevista é de R$ 33,16 milhões, montante mínimo necessário para evitar a degradação da infraestrutura atual.

- Veículos Lançadores e Tecnologias Críticas: em matéria de lançadores, o projeto do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1) terá prioridade, buscando-se assegurar o seu voo de qualificação em 2016. A destinação prevista será de pouco menos de R$40 milhões. Os recursos necessários para a execução da missão do VLS-1 (VSISNAV) estão assegurados, no âmbito de um convênio firmado em 2012 entre a AEB e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (FUNDEP) (recursos originários da FINEP). O projeto de desenvolvimento do L75, um motor a propulsão líquida, também mereceu prioridade, e junto com outras tecnologias críticas, deve receber R$ 51,27 milhões.

- Satélites: a previsão é de R$ 95,78 milhões para o início o desenvolvimento do CBERS 4A, dando continuidade à segunda geração do projeto sino-brasileiro, conclusão do Amazônia-1, de observação terrestre, e também para o SABIA-Mar, missão conjunta com a Argentina.

- Infraestrutura do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA): haverá redução nos investimentos em 2015 para algo em torno de R$ 15 milhões, em razão principalmente das indefinições que rondam a binacional Alcântara Cyclone Space. A estimativa atual é de que hoje sejam necessários ao menos US$ 180 milhões para a finalização da infraestruturada associada ao sítio de lançamento do Cyclone 4.
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quarta-feira, 21 de maio de 2014

VLM: reunião discute aspectos técnicos

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Reunião discute aspectos técnicos do projeto VLM

Brasília, 21 de maio de 2014 – Diversos aspectos técnicos do projeto e ajustes no cronograma das fases de desenvolvimento do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM) foram discutidos na sexta-feira (16) em reunião realizada no Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos (SP).

O encontro teve a participação de dirigentes da Agência Espacial Brasileira (AEB), do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCTA), do Comando da Aeronáutica, do IAE, e de diretores e técnicos da Agência Espacial Alemã (DLR), parceira no desenvolvimento do projeto.

O projeto VLM visa ao desenvolvimento de um foguete destinado ao lançamento de cargas úteis especiais ou microssatélites, de até 150 kg, em órbitas equatoriais e polares ou de reentrada. Em sua configuração básica é formado de três estágios, dois com o motor S50, com cerca de dez toneladas de propelente e um estágio orbitalizador com o motor S44.

Outras configurações do veículo empregarão um quarto estágio em propelente sólido ou líquido e uma versão triestágio com motor de apogeu em propelente líquido. Alemanha e Brasil estudam utilizar o lançador para transportar o veículo alemão Shefex 3 em uma trajetória de reentrada na atmosfera terrestre em 2017.

Outra rodada de discussões sobre o projeto deve ocorrer em setembro ou outubro próximo na Alemanha.

Fonte: AEB
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quinta-feira, 6 de março de 2014

Inova Aerodefesa: projetos selecionados

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[Nota atualizada às 15h40 para explicitar que no projeto MMM apenas os ICTs receberam recursos]

Sem alarde, a FINEP divulgou no último dia 25 o resultado final do programa Inova Aerodefesa, revelando os nomes das empresas que receberão recursos, a natureza (se reembolsáveis, não reembolsáveis, ou em arranjo com instituições científicas e tecnológicas (ICTs) nacionais), e também a identificação dos projetos (não reembolsáveis e em arranjo cooperativo com ICTs). Veja aqui.

Os recursos não reembolsáveis foram pulverizados entre os projetos selecionados, sendo que o máximo destinado a cada um foi pouco mais de R$6,238 milhões. Há várias iniciativas no campo espacial, como já havíamos destacado anteriormente. A Avibras, por exemplo, obteve cerca de R$4,658 milhões para o projeto Veículo Lançador de Microssatélites. Ainda em lançadores, a Cenic terá R$6,209 milhões para o desenvolvimento dos módulos inter-estágios para o VLM, e mais R$5,637 milhões para o desenvolvimento de redes elétricas do mesmo veículo, em parceria com a JTDH Engenharia. A Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), receberá pouco mais de R$4,734 milhões para desenvolver um sistema imageador multiespectral reflexivo (VIS/NIR/SWIR).

Arranjo cooperativo

No arranjo cooperativo entre empresas e ICTs, os sistemas de controle de atitude e órbita (ACDH, em inglês), área considerada crítica no Brasil, foram o destaque. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) terá cerca deR$1,3 milhão para um projeto com a Compsis para ACDHs destinados a satélites e ao projeto SARA (Satélite de Reentrada Atmosférica), do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), e mais R$3,963 milhões para o "desenvolvimento do Sistema de Supervisão de Bordo e de Controle de Atitude e Órbita e sua integração na segunda geração da Plataforma Multimissão", este último em conjunto com a Odebrecht Defesa e Tecnologia (controladora da Mectron).

Iniciativas em propulsão também serão beneficiadas: o IAE terá a disposição R$4 milhões para o "desenvolvimento e absorção de tecnologias aplicáveis à fabricação do Motor Foguete a Propelente Líquido L75", em conjunto com a Globo Central de Usinagem. A Fibraforte e o INPE também tiveram um projeto para um propulsor mono-propelente de 400N, que receberá cerca e R$1,238 milhão.

Ainda, no projeto apresentado pela AEL Sistemas, de Porto Alegre (RS), os ICTs (PUC-RS, Unisinos, UFSM e UFRGS) receberão pouco menos de R$5 milhões, valor bem abaixo do montante total inicialmente requerido.
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segunda-feira, 3 de março de 2014

VLM em discussão na AEB

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Desenvolvimento do Projeto VLM é tema de reunião na AEB
Brasília, 28 de fevereiro de 2014 – Diversos aspectos do projeto e das fases de desenvolvimento do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM) foram discutidos nesta sexta-feira (28) em reunião realizada na Agência Espacial Brasileira (AEB).

O encontro, com a participação de dirigentes da Agência, de representantes do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCTA), do Comando da Aeronáutica, e do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), ambos em São José dos Campos (SP), serviu também para ajustar pontos a serem debatidos com técnicos da Agência Espacial Alemã (DRL), parceira no desenvolvimento do projeto, em reunião a ser agendada para março próximo.

O projeto VLM visa ao desenvolvimento de um foguete destinado ao lançamento de cargas úteis especiais ou microssatélites, de até 150 kg, em órbitas equatoriais e polares ou de reentrada. Em sua configuração básica é formado de três estágios, dois com o motor S50, com cerca de dez toneladas de propelente e um estágio orbitalizador com o motor S44.

Outras configurações do veículo empregarão um quarto estágio em propelente sólido ou líquido e uma versão triestágio com motor de apogeu em propelente líquido. Alemanha e Brasil estudam a possibilidade de utilizar o lançador para transportar o veículo alemão Shefex 3 em uma trajetória de reentrada na atmosfera terrestre em 2015.

Da reunião liderada pelo presidente da AEB, José Raimundo Coelho, participaram o diretor de Administração, José Iram Mota Barbosa, o diretor de Política Espacial e Investimentos Estratégicos, Petrônio Noronha de Souza, o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento, Carlos Alberto Gurgel, e os coordenadores Francisco Cleodato Porto Coelho, Jean Robert Batana Pires Ferreira e Ricardo Douglas Baia Lira.

Pela Aeronáutica compareceram o Tenente Brigadeiro Gerson Nogueira Machado de Oliveira, diretor geral do DCTA, o Brigadeiro Carlos Antônio de Magalhães Kasemodel, diretor do IAE, o Major Brigadeiro Alvani Adão da Silva, vice-diretor do DCTA, o Brigadeiro Leonardo Magalhães Nunes da Silva, o Coronel Avelino Santana Júnior, e o engenheiro Luiz Eduardo Vergueiro Loures da Costa, do IAE.

Fonte: AEB
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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Entrevistas: José Raimundo Braga Coelho, presidente da AEB

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Dando continuidade a série de entrevistas do blog Panorama Espacial, hoje reproduzimos a entrevista feita com José Raimundo Braga Coelho, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB) desde maio de 2012.

Maranhense e graduado em Física pela Universidade de Brasília (UnB), Coelho teve passagens por várias funções ligadas ao Programa Espacial, como no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o Parque Tecnológico de São José dos Campos (SP).

A seguir, reproduzimos os principais trechos:

Continuidade da cooperação com a China

A entrevista foi iniciada com uma pergunta sobre as perspectivas para a continuidade da cooperação com a China no âmbito espacial, que poderia envolver a construção de um satélite meteorológico geoestacionário. José Raimundo frisou que as atenções da AEB neste momento estão concentradas na missão de lançamento do CBERS 3, quarto satélite da série, prevista para 9 de dezembro.

Na volta, “será o momento oportuno para falar sobre a cooperação com a China. Nós aprovamos uma agenda de cooperação na área espacial para os próximos dez anos, e em 2014, desenvolveremos os tópicos com estudos detalhados para verificar a viabilidade”. “Não está nada definido”, afirmou, destacando que a AEB ouvirá os segmentos interessados, nomeadamente o governo, a base industrial e os usuários sobre o plano decenal.

Interação entre o PNAE e o PESE

O tópico seguinte da conversa foi sobre a interação entre o Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) e o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), iniciativa do Ministério da Defesa alinhada à Estratégia Nacional de Defesa.

“Hoje há uma consciência nacional de que um programa como esse [espacial] deve ser de Estado.” Segundo o dirigente, o Ministério da Defesa tem participado com a AEB nas discussões sobre atividades espaciais, que contam ainda com o envolvimento de outros ministérios. “A iniciativa pode vir de qualquer elemento do governo, não apenas da AEB.” “O PESE é uma grande novidade; tudo nele é inovador.”

“Não temos recursos para duplicações, e qualquer iniciativa de órgãos do governo e mesmo da iniciativa privada será bem vinda.”

Rearranjo institucional do Programa Espacial

No período em que o hoje ministro Marco Antonio Raupp esteve na presidência da AEB, houve esforços significativos visando a uma reorganização institucional do Programa Espacial, com discussões inclusive envolvendo a “fusão” da AEB com o INPE, algo que acabou não se concretizando. Questionamos o presidente se a ideia permanece, no que afirmou: “Ideias não morrem facilmente, elas permanecem por muito tempo.” “Temos apoio total do ministro”. 

Coelho explicou que ao longo de 2013, foi desenvolvida uma ação fruto de outro conceito, que é a integração entre as instituições do Programa Espacial. “Quando estivermos completamente integrados, com interesses mútuos e comuns, daí pode ser o momento de implementar ideias mais arrojadas”, disse. “No Brasil, nada é fácil.”

Política industrial

Tema sempre frequente no blog, pedimos a José Raimundo que apresentasse um panorama sobre a política industrial no setor espacial. “A palavra-chave na construção do novo plano industrial chama-se poder de contrato para as indústrias, e esse poder está a cargo do governo”, destacou.

Sobre a preocupação da indústria com a falta de futuras encomendas: “Realmente, esse momento é o momento em que estamos concluindo vários projetos e precisamos retomar outras iniciativas”, reconheceu, mencionando também cargas de trabalho que devem vir de missões previstas no PNAE e PESE.

O dirigente deu ênfase à criação da Visiona Tecnologia Espacial, que deverá atuar para consolidar a base industrial, como prime contractor, empresa integradora, “conceito usado por todos os países desenvolvidos”. Citou o caso da Espacial, empresa criada no início da década de 2000 com o objetivo atuar como integradora de projetos do PEB [Nota 1]. “[A Espacial] não foi feliz porque não havia a oportunidade certa. Agora, houve a oportunidade, que é o SGDC.” “Estamos vivendo um momento excepcional.” “Por enquanto, há apenas uma encomenda, mas progressivamente haverá outras.”

Questionado sobre se a consolidação da base industrial envolveria o estímulo do governo a fusões e aquisições entre as empresas, Coelho respondeu que não, completando: “mas se for necessário, por que não?” Apontou também a necessidade de que a indústria espacial brasileira busque diversificação com outras atividades para atingir um nível de sustentabilidade, citando o caso da indústria chinesa, que em alguns casos não depende apenas das encomendas governamentais.

Sobre encomendas industriais em curto prazo, mencionou o esforço da AEB junto à Agência Nacional de Águas (ANA), ligada ao Ministério do Meio Ambiente, para a construção de satélites de coletas de dados com seus próprios recursos. “No próximo ano isso deve estar na rua fazendo contratos industriais”, revelou. Também mencionou a expectativa com o projeto SABIA-Mar, em parceria com a Argentina.

Satélite geoestacionário e tecnologias chave

José Raimundo esclareceu que, no âmbito do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), cabe à AEB as definições quanto ao pacote de transferência de tecnologia, a ser feita à indústria. “Os recursos para essa ação, de transferência de tecnologia, são da AEB.” Foi esclarecido que a transferência não é fruto de uma cláusula de compensação (offset), mas sim uma operação paralela ao contrato de aquisição.

“A transferência de tecnologia e sua absorção será feita para a indústria, e vai acontecer pela identificação de quem vai transferir e quem vai receber.” “A empresa que vai receber tem que estar preocupada com o que vai fazer com isso [a tecnologia]”. O presidente informou que tem havido frequentes discussões entre a AEB e representantes da Thales Alenia Space, que fabricará o satélite, sobre o pacote de transferência tecnológica, a ser definido de um ponto de vista técnico. “O pacote deve ser definido em 4 ou 5 meses”.

Questionamos também quais tecnologias são hoje vistas como essenciais para o desenvolvimento de capacitação nacional, e Coelho destacou algumas: propulsão, imageadores em amplo espectro, tanto óticos como microondas, sistemas de controle, sensores e equipamentos de comunicações (transpônderes).

Alcântara Cyclone Space e lançadores

O último tópico abordado na entrevista tratou das iniciativas brasileiras no segmento de lançadores. Sobre a binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), projeto em conjunto com a Ucrânia, Coelho disse que a ACS complementa o programa brasileiro de lançadores. Questionado sobre o posicionamento comercial da binacional, o dirigente mencionou que nas previsões da AEB, o Cyclone 4 e os demais lançadores do Programa Espacial (VLS e VLM) seriam capazes de atender mais de 90% da demanda do mercado de lançamentos, em especial no segmento de satélites de menor porte.

Perguntamos sobre a possibilidade de estender a capacidade do lançador ucraniano, algo eventualmente citado pela ACS. “Ampliar a capacidade ainda está no campo das ideias”, ressaltando que é importante primeiramente consolidar uma etapa. A expectativa é que o primeiro voo do Cyclone 4 a partir de Alcântara ocorra em 2015.

A capacidade do Cyclone 4 de injeção múltipla de satélites de menor porte tem atraído interesse internacional, e José Raimundo citou o caso da constelação multinacional QB50, que será formada por 50 nanossatélites [Nota 2], que poderia voar a bordo do lançador da ACS.

Para 2014, Coelho destacou a expectativa quanto à retomada do VLS-1, com o voo de um quarto protótipo com experimentos em sistemas de controle, e ainda a continuidade do desenvolvimento do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM), em parceria com a agência espacial da Alemanha. Mencionou ainda que os projetos de lançadores nacionais poderão atender as missões brasileiras, não se descartando ainda a “integralização de mercado com os países vizinhos”.

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Nota 1: a Espacial S.A. foi criada em 2000 por doze empresas que já atuavam no setor espacial, especificamente no programa CBERS: Elebra, Fundação Atech, Mectron, Cenic, Compsis, Equatorial, Fibraforte, Avibras, Akaer, Neuron Eletrônica, Digicon e Aeroeletrônica. Leia aqui uma reportagem da época sobre sua criação.

Nota 2: o Brasil participa da missão multinacional QB50, de estudo da baixa atmosfera, com a construção de um nanossatélite, o 14-BISat, a cargo do Centro de Referência em Sistemas Embarcados e Aeroespaciais (CRSEA), do Instituto Federal Fluminense (IFF). Deverá também contribuir com uma rede de estações terrestres (veja a postagem "Projeto QB50 e satélite 14-BISat", de maio de 2013).
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