quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Sistemas de alerta de desmatamento

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Workshop discute sistemas de alerta de desmatamento

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015 

O desenvolvimento e a operação de sistemas de alerta de desmatamento no Peru, Colômbia, México e Equador estão sendo discutidos no “12th Regional Workshop on Forest Monitoring GEO GFOI - Early Warning Systems for Deforestation”. O evento acontece no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), em São José dos Campos (SP), de 19 a 23 de janeiro.

O workshop é promovido pelo GEO, grupo intergovernamental de observação da Terra que mantém uma iniciativa para o monitoramento global de florestas (GFOI). As atividades têm o suporte do programa SilvaCarbon, vinculado ao Serviço Geológico Americano (USGS).

Peru, Colômbia, México e Equador se encontram em diferentes estágios de desenvolvimento de seus sistemas de alerta e o workshop é uma oportunidade para o compartilhamento de experiências entre os países.

Representante do Brasil no GEO, o INPE é pioneiro em tecnologias para monitoramento de florestas por satélites. É responsável pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real – DETER, que fornece informações estratégicas ao Ibama para combate à derrubada da floresta na Amazônia Legal Brasileira. Também realiza o monitoramento de focos de queimadas detectados por satélites, bem como o cálculo e previsão do risco de fogo da vegetação, com informações geradas todos os dias e imprescindíveis para auxiliar no controle de incêndios florestais.

Durante o workshop serão apresentados os sistemas do INPE e as ações adotadas pelo Instituto para auxiliar outros países empenhados em preservar suas florestas e reduzir emissões causadas pelo desmatamento.

Em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em seu Centro Regional da Amazônia (CRA), em Belém (PA), o INPE ministra cursos e treinamentos internacionais sobre técnicas de sensoriamento remoto, geoprocessamento e monitoramento por satélites.

Fonte: INPE
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Satélites do INPE: o factível em 2016 - 2018

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No início deste mês, entrevistamos por telefone o vice-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Oswaldo Duarte Miranda, que apresentou brevemente um panorama sobre os projetos de satélites em andamento no Instituto. A seguir, listamos os principais tópicos abordados na conversa:

- Indústria espacial: questionado pela reportagem, o dirigente falou sobre a necessidade de cadência de missões para gerar carga de trabalho à indústria, por meio de uma "política espacial de médio e longo prazo". "Hoje há uma lacuna efetiva [de contratos]", disse. Com o CBERS 4, lançado ao espaço em dezembro último, fechou-se um ciclo, e muito embora haja previsão de algumas contratações da indústria para o CBERS 4A, para retrabalho em sobressalentes, estas serão em escala bem menor.

- Amazônia-1 - Parte 1: para este ano está previsto o início das atividades de integração do modelo de voo do Amazônia-1, satélite de observação baseado na Plataforma Multimissão (PMM). Os contratos industriais estão todos em fase final, e espera-se para o 1º semestre os trabalhos, desenvolvidos pelo INPE e Agência Espacial Brasileira (AEB), visando à definição e contratação do lançamento. No ritmo atual, e se não houver surpresas, acredita-se num voo dentro de dois anos.

- Amazônia-1 - Parte 2: no final deste mês ou, no mais tardar no início de fevereiro, deve acontecer a entrega do sistema de controle de atitude e órbita contratado junto a argentina INVAP. Este será então submetido a testes de qualificação. Sobre o problemático subsistema de suprimento de energia, para muitos o grande gargalo da PMM, ainda existem discussões entre a AEB, INPE a indústria responsável por seu desenvolvimento e fabricação. Segundo Miranda, não está descartada a contratação de outra indústria para a conclusão do subsistema.

- Amazônia-1 - Parte 3: está sendo seriamente considerada possibilidade de que a carga útil principal do satélite, um sensor imageador, seja uma câmera WFI (Wide Field Imager) similar a do CBERS 4, e não a versão avançada (AWFI), cujo desenvolvimento tecnológico, a cargo da Opto Eletrônica, enfrenta dificuldades, sem expectativa de ser encerrado em menos de dois anos. Uma decisão definitiva deve ser tomada ainda no primeiro semestre, e caso vá adiante, o blog Panorama Espacial entende que deve resultar em nova encomenda junto a indústria (possivelmente um consórcio entre a Equatorial Sistemas e a Opto, que trabalharam juntas na segunda geração do CBERS, ou uma das duas isoladamente). A AWFI voaria no futuro Amazônia-2.

- Transpônder de Coleta de Dados: o INPE trabalha com a ideia de, sujeito ainda a uma análise de engenharia mais apurada, a partir do Amazônia-1, que todo satélite nacional leve a bordo um transpônder de coleta de dados (DCS, sigla em inglês) para atender o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA). A carga útil foi desenvolvido pela CRN/INPE, de Natal (RN). Também há certa expectativa com o SCD-Hidro, para atender uma necessidade da Agência Nacional de Águas (ANA), tendo o INPE participado de conversas no final de 2014.

- Missões científicas: até 2004/2005, o INPE considerava duas missões científicas com satélites distintos, o EQUARS (estudos dos efeitos da anomalia magnética no Atlântico Sul), e o MIRAX (imageador de raios X de gama). Em dado momento, ocorreu uma "fusão" de ambas as missões em uma única plataforma (PMM, de cerca de 500 kg), dando origem ao Lattes-1. Oswaldo Miranda revelou que a atual direção do INPE deseja retomar as missões satelitais científicas de pequeno porte, com estudos nesta direção. Destacou o "gap" hoje existente no programa de satélites brasileiros, com missões de cubesats, mas nada de menor porte (na faixa de 100 kg) até a PMM. O primeiro projeto na fila seria o EQUARS, com condições de voar de 3 a 4 anos.

- Sistemas de controle de atitude e órbita: trata-se de uma "ação prioritária" (aliás, ACDHs são uma das tecnologias consideradas críticas e não dominadas pelo Brasil), na opinião de Miranda. "O grande gargalo hoje é o software embarcado". O INPE faz parte do projeto SIA, tendo um laboratório conjunto com o Instituto de Aeronáutica e Espaço - IAE em São José dos Campos (SP), e trabalha junto com indústrias nacionais na busca de autonomia nessa área. Nos passos atuais, espera-se que um ACDH nacional esteja pronto em cerca de dois anos, para no futuro voar num segundo modelo de voo da PMM (Amazônia-2 ou Lattes-1/MIRAX). O vice-diretor citou a COMPSIS como uma parceira industrial importante nesse projeto, destacando também o papel do Instituto Mauá de Tecnologia. Aqui cabe uma observação do blog: quem também está bem interessado em desenvolvimentos locais desta tecnologia é a Visiona Tecnologia Espacial. Foi um dos assuntos destacados por seu presidente, Eduardo Bonini, em audiência no Senado Federal em novembro de 2014.

- Período 2016 - 2018: nos últimos minutos da conversa, resumindo a entrevista, Miranda ressaltou que o INPE hoje vê de forma factível a execução das seguintes missões no período de 2016 a 2018, a depender, é claro, de recursos: o CBERS 4A, o Amazônia-1, o EQUARS (plataforma de 100 kg) e o MIRAX (PMM).
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SGDC: avanços no segmento terrestre

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Telebras dá início à licitação dos centros de controle e gateways do SGDC 

Teletime | sexta-feira, 16 de janeiro de 2015, 12h33 

Enquanto o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação Estratégica (SGDC) está sendo construído na França pela Thales Alenia, a Telebras acelera a implantação da parte terrestre do projeto, já que os trabalhos de construção do artefato estão adiantados. No final do ano passado, foi concluída a fase de revisão crítica de projeto, chamada de Critical Design Review (CDR), o que significa que não haverá mais modificações no projeto.

A estatal já licitou o projeto executivo para a construção dos dois centros de controle (em Brasília e no Rio de Janeiro) e das cinco gateways que serão localizadas em Brasília e Rio de Janeiro, compartilhando o espaço dos centros de controle, e em Salvador, Campo Grande o Florianópolis.

A vencedora da licitação foi a Fox Engenharia, que levou o projeto por aproximadamente R$ 6 milhões. O gerente do projeto de satélite da Telebras, Sebastião do Nascimento Neto, explica que o projeto executivo vai gerar os documentos necessários para a licitação da obra em si, identificando tudo que será necessário para a construção dos prédios que abrigarão os centros de controle e as gateways.

"Ele vai gerar toda a documentação sobre o projeto: o que vai precisar de energia, ar condicionado, controle de acesso etc.". O centro de controle de Brasília (principal) será localizado dentro do Cindacta e o do Rio de Janeiro, na Estação de Rádio da Marinha. "As gateways também ficarão em terrenos de áreas militares para garantir a segurança e o controle de acesso", afirma ele.

A previsão de lançamento do SGDC é no terceiro trimestre de 2016 e tudo indica que ela será cumprida, já que os trabalhos na França estão adiantados. Para que a parte terrestre esteja pronta de modo a não atrasar a entrada em operação prevista para o início de 2017, os prédios dos centros de controle e das gateways têm de estar prontas até o início do ano que vem para haver tempo para instalar e testar as antenas.

Treinamento

Atualmente há seis pessoas da Telebras sendo treinadas pelos engenheiros da Thales Alenia na parte de controle, já que a tarefa será de responsabilidade da estatal juntamente com o Ministério da Defesa. Há servidores do Ministério da Defesa, Visiona e Inpe que participarão do mesmo treinamento, totalizando 33 profissionais.

"O curso está planejado para 22 meses. Na especificação, a gente pediu que o curso fosse suficiente para fazer com que pessoas que não tivessem conhecimento profundo saíssem pessoas especializadas na área", afirma Neto. "Apesar de a gente ter várias empresas aqui, o controle do satélite é feito fora. A grande maioria dos profissionais não é brasileira. Que eu saiba, só a Star One e a Hispamar têm centro de controle no Brasil e esse processo da Telebras vai fazer triplicar o número de profissionais com essa capacidade", completa ele.

Fonte: Teletime (Helton Posseti).
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Cubesats: AESP-14 na ISS

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Nanossatélite brasileiro chega a Estação Espacial Internacional

Brasília, 13 de janeiro de 2015 - O cubesat AESP-14, apoiado financeiramente pela Agência Espacial Brasileira (AEB), foi lançado neste sábado (10) pelo lançador Falcon 9. O nanossatélite chegou a Estação Espacial Internacional (ISS, sigla em inglês) a bordo da cápsula Dragon, juntamente com mais de 250 experimentos científicos e suprimento.

Na segunda-feira (12), a capsula Dragon acoplou na ISS e o AESP-14 encontra-se em órbita com a tripulação da Estação; a previsão para ser ejetado utilizando o braço robô japonês kibo é de 45 dias.

Projetado, manufaturado e integrado por alunos de graduação e pós-graduação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o AESP-14 é um satélite padrão cubesat com dimensões de 10 centímetros de aresta. O projeto também teve apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) e apoio institucional do ITA e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

O objetivo do projeto é ensinar engenharia de sistemas para alunos de graduação e pós-graduação utilizando como caso de estudo um projeto de missão espacial real, no caso um cubesat.

O AESP-14 é equipado com um modem em banda UHF para enviar mensagens associadas a cientistas brasileiros e desenvolver um experimento radio-amador do Clube de Radioamadores de Americana (CRAM), onde 100 sequências de texto serão transmitidas de forma aleatória. Os primeiros radioamadores que conseguirem receber as 100 sequências receberão um diploma comemorativo que será oferecido pelos gerentes do projeto.

Fonte: AEB, com edição do blog.
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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Comunicações: "The Latin American Satellite Market"

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Para os interessados em ter um panorama atual sobre o mercado de comunicações via satélite na América Latina, vale a leitura do artigo "The Latin American Satellite Market", escrito pelo consultor Bernardo Schneiderman e publicado na edição de janeiro do boletim "Satellite Executive Briefing" (páginas 7 a 11).

O texto dá uma visão interessante sobre as perspectivas de crescimento nos principais mercados da região - Brasil, México e Argentina, entre outros, apresentando os principais players, tanto privados como governamentais (casos da Visiona, ARSAT, e operadores estatais da Venezuela e Bolívia).

Apesar da crise econômica em alguns dos principais mercados do continente, parece ainda haver uma tendência de crescimento em comunicações por satélite. No Brasil, comenta-se nos bastidores que a Star One, subsidiária da Embratel, estaria prestes a iniciar um processo de seleção e contratação de um novo satélite geoestacionário de grande porte.
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

"Novo capítulo na parceria científica sino-brasileira", artigo de José Medeiros da Silva

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Novo capítulo na parceria científica sino-brasileira

Artigo de José Medeiros da Silva, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e Investigador convidado do Instituto Internacional de Macau, na China, destaca a importância do recém inaugurado Laboratório Sino-Brasileiro para Clima Espacial.

Por José Medeiros da Silva*, com a colaboração de Shi Ke

2014 foi um ano marcante para a amizade sino-brasileira não somente por se comemorar o 40º aniversário do estabelecimento oficial das relações diplomáticas entre os dois países, mas também por muitos acontecimentos significativos como a visita oficial ao Brasil do presidente Xi Jinping e a decisão histórica do Ministério da Justiça brasileiro de revogar a expulsão de nove cidadãos chineses que viajaram ao Brasil legalmente no início da década de 1960 e que foram condenados por subversão depois de 1964. Na área científica, merece destaque a inauguração do Laboratório Sino-Brasileiro para Clima Espacial, que ocorreu no dia 06 de agosto na sede do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em São José dos Campos, no Estado de São Paulo, que contou com a presença de pesquisadores brasileiros, além de representantes da Academia Chinesa de Ciências (CAS) e do Centro Nacional de Ciência Espacial (NSSC, respectivamente nas siglas em inglês).

A criação desse laboratório abre novos espaços para colaborações acadêmicas duradouras e para a formação de grupos de trabalho capazes de desenvolver ações que contribuam efetivamente para os interesses científicos dos dois países. Pelas instituições envolvidas, pela natureza dessa plataforma, por suas perspectivas de longo prazo e devido as potencialidades de intercâmbios criadas, o laboratório abre um novo capítulo nas relações entre Brasil e China.

O Laboratório Sino-Brasileiro para Clima Espacial será responsável também pela promoção, em todo hemisfério ocidental, do Programa Internacional do Círculo Meridiano para monitoramento do Clima Espacial (IMCP, na sigla em inglês). Equipada com avançados instrumentos de tecnologia de observação do geoespaço, a atual rede chinesa de monitoramento terrestre do clima espacial estende-se no entorno do meridiano 120°Leste e do paralelo 30°Norte. Para ampliar a capacidade de monitoramento do clima espacial a uma escala global, o NSSC vem estabelecendo acordos de cooperação com instituições de pesquisa espacial dos Estados Unidos, Austrália, Canadá, Rússia, Coreia do Sul, Japão e Brasil, buscando criar uma estrutura de observação integrada internacionalmente ao longo dos meridianos 120º Leste e 60º Oeste.

Para além da razão do meridiano 60º atravessar uma enorme extensão do território brasileiro, o INPE tem uma atuação destacada na pesquisa de fenômenos do ambiente solar-terrestre que remonta aos anos 1960 e também opera, desde 2007, um Programa de Estudo e Monitoramento Brasileiro do Clima Espacial (EMBRACE), dotado de uma rede própria de sensores em diversos pontos da América do Sul.

O interesse por essa parceria com o Brasil se deve também a fatores como a sua localização no globo terrestre, em posição oposta à da China, o que é particularmente conveniente para o estabelecimento de um ponto nodal à atual rede de monitoramento chinesa, além da presença da porção continental da Anomalia Magnética do Atlântico Sul (AMAS) sobre a região meridional brasileira.

As instituições cooperantes também iniciaram ações para assegurar a infraestrutura necessária para a instalação de instrumentos científicos da rede internacional do IMCP em São Martinho da Serra, no Rio Grande do Sul, numa área cedida ao INPE dentro do campus da Universidade Federal de Santa Maria.

Com o advento dos voos orbitais tripulados e a expansão do papel dos satélites artificiais na presente sociedade tecnológica, a influência de eventos solares extremos no ambiente espacial pode ter um sério impacto sobre essas atividades, assim como sobre as vulnerabilidades de sistemas terrestres de telecomunicação e transmissão de energia. Essa parceria tende a abrir novas portas no desenvolvimento de aplicações e no avanço do conhecimento nesse campo.

Apesar de ainda tímidos, o Brasil e a China já deram importantes passos no estabelecimento de parcerias em áreas científicas estratégicas. O exemplo mais conhecido é o do CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres), projeto pioneiro na cooperação entre países em desenvolvimento na área de tecnologia espacial, assinado em 1988, e que já lançou com êxito quatro satélites, sendo o mais recente em dezembro de 2014.

A proposta para criação do Laboratório Sino-Brasileiro para Clima Espacial é mais um exemplo de que determinadas iniciativas, seguidas pela soma de esforços, tendem a abrir novas perspectivas para o aperfeiçoamento das relações entre os dois países. Por exemplo, a concretização do referido laboratório, partiu inicialmente de uma proposição do NSSC visando o aprofundamento da cooperação com o INPE, motivada pelos termos expressos no memorando de entendimento assinado em 2010 pelas duas instituições. Com a assistência diligente do então chefe do setor de Ciência e Tecnologia da Embaixada do Brasil em Pequim, Marco Tulio Cabral, a proposta alcançou consenso entre os participantes da primeira reunião do grupo de trabalho para o Plano Decenal de Cooperação Espacial, sendo formalizada em novembro de 2013, por ocasião da III Reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), realizada em Cantão, China, e presidida conjuntamente pelo Vice-Presidente do Brasil, Michel Temer, e pelo Vice-Primeiro-Ministro do Conselho de Estado da China, Wang Yang.

Em 2015 as subcomissões espacial e de ciência, tecnologia e inovação da COSBAN devem se reunir mais uma vez para tratar dessas e outras cooperações. Esse será um importante momento para reforçar as parcerias existentes e se avançar em novos projetos.

*José Medeiros da Silva, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, investigador convidado do Instituto Internacional de Macau e há sete anos vive na China
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SGDC: concluída a Revisão Crítica do Projeto

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Satélite de comunicação e defesa brasileiro é aprovado para fabricação

Equipamento dará segurança a transmissão de informações estratégicas do País e irá ampliar acesso à banda larga

08/01/2015 16:37h

Foram finalizados em dezembro os trabalhos da revisão crítica de projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC). Na avaliação foram examinados em detalhes todos os sistemas e subsistemas do artefato brasileiro e verificado se o projeto cumpre os requisitos para a fabricação. O novo satélite será o primeiro a ser 100% controlado por instituições do Brasil.

O SGDC terá 5,8 toneladas, posicionado a uma distância 35.786 km da superfície da Terra. A previsão é de que o satélite seja lançado no segundo semestre de 2016 e terá vida útil superior a 15 anos. Quando estiver em órbita, o artefato terá uma banda de uso exclusivo militar, o que vai garantir segurança total nas transmissões de informações estratégicas do País.

A revisão crítica de projeto foi realizada na cidade de Toulouse, na França, e contou com a participação de especialistas da Telebras, do Ministério da Defesa, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da empresa VISIONA. Compareceram também o Adido de Defesa e Aeronáutico do Brasil na França, Coronel Antônio Ramirez Lorenzo, e militares do Núcleo do Centro de Operações Espaciais Principal (NUCOPE-P), da Força Aérea Brasileira.

“Esta foi a última etapa antes da fabricação do satélite que será de extrema importância para o Ministério da Defesa e para o Brasil. Em 2015, serão construídos os prédios de onde o SGDC vai ser comandado. Um ficará em Brasília, no Sexto Comando Aéreo Regional, e o outro no Rio de Janeiro, na Estação de Rádio da Marinha”, explicou o Comandante do NUCOPE-P, Coronel Hélcio Vieira Junior.

Além de atender à demanda de comunicações estratégicas do Ministério da Defesa, o satélite facilitará a execução do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), levando comunicação de qualidade às regiões mais afastadas do Brasil, que ainda dependem da construção de rotas de fibra ótica para terem acesso à internet.

O projeto de construção e controle do satélite também prevê transferência de tecnologia, o que dará ao Brasil o domínio desse tipo de conhecimento, que poderá ser disseminado nas mais diversas áreas - em especial, no meio da indústria de defesa.

Assista ao vídeo da Telebras sobre o funcionamento do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas.

Fonte: FAB
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"Qual é o problema do programa espacial brasileiro?", revista Galileu

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A edição de janeiro da revista Galileu traz uma reportagem analítica sobre as atividades espaciais brasileiras, com um título auto-explicativo: "Qual é o problema do programa espacial brasileiro?" [clique sobre o título para acessá-la].

Trata-se de um texto bem superficial (as razões citadas como origem do "problema" são o baixo investimento e boicote internacional, e fica praticamente restrito a isso) e com algumas imprecisões, mas para aqueles que se interessam pela temática espacial, é uma leitura de consumo rápido.
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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

"Mais Espaço para Ciências Sociais e Humanas", artigo de José Monserrat Filho

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Mais Espaço para Ciências Sociais e Humanas

José Monserrat Filho*

“Olhem para as estrelas e aprendam com elas.” Albert Einstein

Se os governos desejam que as ciências exatas e naturais levem mais benefícios à sociedade, eles precisam se comprometer mais com as ciências sociais e humanas. Há que integrar todas essas áreas para que as ciências exatas e naturais ofereçam soluções ainda mais abrangentes e completas. Essa, em suma, é a visão defendida pela Nature, renomada revista científica inglesa, em seu editorial "Tempo para as Ciências Sociais", de 30 de dezembro de 2014.

Para a Nature, "a física, a química, a biologia e as ciências ambientais podem oferecer soluções maravilhosas a alguns dos desafios que as pessoas e as sociedades enfrentam, mas para que ganhem força, tais soluções dependem de fatores que vão além do conhecimento de seus descobridores". A publicação argumenta que "se fatores sociais, econômicos e culturais não são incluídos na formulação das questões, grande dose de criatividade pode ser desperdiçada".

Quer dizer, quando não se presta a devida atenção às ciências sociais, corre-se o risco de perder em criatividade (campos e elementos que alimentam a imaginação, a busca de melhores e mais amplas soluções), o que nas atividades cientificas é grave insuficiência.

A Nature pede total apoio "a quem cria projetos multidisciplinares – por exemplo, para aumentar o acesso aos alimentos e à água, fazer adaptações às mudanças climáticas, ou tratar de doenças – integrando, desde o início, as ciências naturais e as ciências sociais e humanas".

Total apoio também é solicitado "às figuras de proa na política que demonstram seu compromisso com esta agenda multidimensional" e expressam "toda uma série de preocupações quando os governos não manifestam a mesma compreensão".

A revista elogia Mark Walport, o principal assessor científico do governo inglês, e seu antecessor, John Beddington, por estarem comprometidos com relação as ciências sociais. O relatório do Reino Unido de 2014, sob o título de "Inovação: gestão de risco sem evitá-lo", reúne opiniões e reflexões de especialistas em psicologia, ciência do comportamento, estatística, estudos de risco, sociologia, direito, comunicação e politica pública, bem como em ciências naturais.

O documento inclui temas como incerteza, comunicação, conversações e linguagem, com cientistas reconhecidos tecendo considerações cruciais sobre inovação em áreas controversas e cheias de dúvidas. Cientistas e juristas trabalham juntos, por exemplo, nos estudos de caso sobre submarinos nucleares e sobre previsões de inundação e infiltrações.

O principal recado do relatório vale para os responsáveis pela formulação de políticas de C&T em qualquer país: Se você deseja que a ciência leve benefícios à sociedade, por meio do comércio, do governo ou da filantropia, você precisa apoiar os meios de capacitação para se entender a sociedade, o que é tão profundo quanto a capacidade de entender a ciência. E quando fizer declarações políticas precisa deixar claro que você acredita nessa necessidade.

Será que tudo isso é válido também para a ciência e a tecnologia espaciais?

As atividades espaciais, embora efetuadas com base em conhecimentos científicos e tecnológicos, envolvem interesses sociais, econômicos, políticos, jurídicos e culturais de enorme relevância. O mundo inteiro depende hoje do espaço em sua vida cotidiana. Isso gera um caudal de problemas em todas as áreas. Politica e Direito Espaciais são campos estratégicos da política internacional. As ações militares no solo, nos mares e no espaço aéreo são todas comandadas através do espaço, e já se planeja até instalar armas em órbitas da Terra, o que poderá convertê-las em teatro de guerra.

Enquanto isso, as Nações Unidas avançam na elaboração das diretrizes para garantir a "Sustentabilidade a Longo Prazo das Atividades Espaciais", que também enfrentam o perigo crescente do lixo espacial. Em debate, igualmente, está o desafio de criar um sistema global de gestão do tráfico espacial para garantir maior segurança e proteção de todos os voos e objetos espaciais.

Mais que nunca é essencial o maior conhecimento possível de tudo o que se passa e se faz no espaço, perto e longe da Terra. Medidas de transparência e fomento à confiança no espaço são propostas pela Assembleia Geral das Nações Unidas. E quem senão as ciências sociais para refletir sobre o futuro da civilização humana no espaço?

* Vice-Presidente da Associação Brasileira de Direito Aeronáutico e Espacial (SBDA), Diretor Honorário do Instituto Internacional de Direito Espacial, Membro Pleno da Academia Internacional de Astronáutica e Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional da Agência Espacial Brasileira (AEB).
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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

VLM: Convênio IAE - FUNCATE

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IAE - DCTA e FUNCATE assinam convênio para desenvolvimento do VLM-1

O projeto para desenvolvimento do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM) brasileiro deu um importante passo nas últimas semanas, com a assinatura do convênio entre a FUNCATE (Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais) e o IAE/DCTA (Instituto de Aeronáutica e Espaço).

O VLM-1, fruto de uma parceria entre o IAE/DCTA e a Agência Espacial Alemã (DLR), visa o desenvolvimento de um foguete destinado ao lançamento de cargas úteis espaciais ou microssatélites (até 150 kg) em órbitas equatoriais e polares ou de reentrada, com três estágios a propelente sólido na sua configuração básica: dois estágios com o motor S50 com cerca de 12 toneladas de propelente e um estágio orbitalizador com o motor S44.

Outras configurações do veículo poderão empregar um terceiro estágio em propelente sólido maior ou em propelente líquido. O VLM deverá atender a uma importante e crescente demanda para o lançamento de cubesats e microssatélites. Este convênio tem vigência de quatro anos e estabelece uma parceria de longo prazo entre a FUNCATE e o DCTA/IAE.

Fonte: IAE/DCTA
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