domingo, 1 de fevereiro de 2009

Suspeita de espionagem no CLA

.
A edição de hoje (1) do jornal Folha de S. Paulo traz uma reportagem ("Bóias" suspeitas cercam base de foguete") do jornalista Leonardo Souza sobre relatório elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) acerca de bóias com transmissores encontradas em praias próximas ao Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. De acordo com a reportagem, a ABIN está trabalhando "numa perícia mais aprofundada" dos equipamentos encontrados.

Bóias com transmissores VHF e/ou UHF próximas ao CLA já foram apreendidas em três ocasiões, sendo a última em outubro do ano passado. O relatório da ABIN, citado na matéria da Folha, indica que as bóias foram produzidas na Espanha e Japão. Destaca ainda o relatório: "A agência tem monitorado o aparecimento de bóias em intervalos de dois em dois anos, nas praias do CLA. Elas são acionadas por controle remoto via satélite e têm capacidade de enviar, transmitir e medir freqüência, além de possuírem espaço suficiente para abrigarem corpos estranhos; estão equipadas com bateria de longa duração e painel solar".

A íntegra da reportagem da Folha está disponível no clipping de hoje do Comando da Aeronáutica (NOTIMP), que pode ser acessado clicando-se aqui.

O monitoramento de lançamentos de foguetes por outros países é freqüente, e ocorre não apenas no Brasil. Vale destacar que o simples monitoramento não significa espionagem ou sabotagem.

Na edição 97 de Tecnologia & Defesa, de 2003, foi publicada uma reportagem de minha autoria ("A Tragédia de Alcântara") sobre o acidente com o VLS-1 V03. Eu apontei no texto várias medidas tomadas pelo Comando da Aeronáutica com o objetivo de monitorar e evitar possíveis interferências na operação de lançamento. Vejam abaixo:

"Medidas de segurança

A hipótese de sabotagem foi logo considerada pelo Comando da Aeronáutica, embora tenha sido praticamente descartada algumas semanas mais tarde, pois de acordo com a AEB, não haveria possibilidade de alguém de fora da base acionar a corrente elétrica que ignitou o motor. Segundo especialistas da Aeronáutica, para uma pessoa externa influir numa operação tão complexa quanto à de um lançamento espacial, seria preciso conhecer todo o sistema envolvido, as combinações de sigilo para então tentar interferir no processo criando um campo magnético e uma corrente que possa efetivamente iniciar um dispositivo inteiro.

Assim a possibilidade de um ‘hacker’ entrar no sistema é improvável de acontecer, segundo dizem os especialistas, porque o sistema brasileiro de lançamento é operacionalmente independente de qualquer contato com redes de informática, principalmente pela Internet. O sistema de segurança foi desenvolvido por duas empresas brasileiras - a COMPSIS e a Fundação ATECH, não tem ligação com a Internet e não possibilita o acesso via computador. Além disso, a linha de fogo do sistema é aterrada à casamata, na torre de umbilicais. Mesmo que houvesse um acionamento de software dedicado a essa atividade, a operação estaria segura por não estar ligada a computadores e pela proteção física do aterramento na seqüência de emissão de ordens.

Durante os preparativos para a operação São Luís, diversas medidas para assegurar sua realização bem-sucedida foram tomadas. Na área de proteção eletrônica, para dar segurança aos sistemas de operação, controle guiagem do VLS-1, foram utilizadas duas aeronaves R-99, da Força Aérea Brasileira, com a missão de controlar o espectro eletromagnético, em especial nas faixas de freqüência dos radares usados pelo Centro de Lançamentos de Alcântara (CLA) para o rastreamento do veículo, assim como das faixas de freqüências utilizadas pelo sistema de telemetria e telecomando. Duas equipes do Centro Integrado de Guerra Eletrônica (CIGE), do Exército Brasileiro, munidas de pessoal e equipamento especializado para a vigilância de emissões eletrônicas também foram utilizadas. Nas dependências do CLA, uma terceira equipe, composta por engenheiros do CTA, realizou atividades semelhantes a do CIGE. De julho a agosto, período em que as operações foram realizadas, nenhum sinal desconhecido ou hostil foi detectado, seja pelas equipes ou pelas aeronaves.

Para garantir a segurança de embarcações, além de possíveis interferências no decorrer da operação, foram adotadas medidas para restringir o acesso de barcos e navios à zona crítica de lançamento, na Baía de São Marcos, área que separa a cidade de São Luís do Centro de Lançamento de Alcântara, com a utilização de lanchas e navios-patrulha do 4º Distrito Naval, da Marinha Brasileira, e aeronaves P-95 da FAB.

No âmbito terrestre, com a finalidade de impedir o acesso de pessoas não autorizadas às áreas críticas de lançamento, foram utilizadas aeronaves e helicópteros da FAB, com a participação do 24º Batalhão de Caçadores do Exército Brasileiro, sediado em São Luís, MA, auxiliando nas patrulhas e controle das estradas e áreas adjacentes ao Centro. Aeronaves T-27 Tucano, destinadas para defesa área, ficaram de prontidão no aeroporto de São Luís, garantindo dessa forma o controle do espaço aéreo durante o período compreendido da janela de lançamento."

.

6 comentários:

Raul(51) disse...

Quem sabem não descobrem a origem da "descarga elétrica de origem desconhecida" que causou aquela catástrofe mal explicada de 2003?
Quanto às outras falhas do VLS, prefiro acreditar que as falhas foram técnicas.

Se o povo 'lá do norte' agiria de tanta má fé contra nossos inofensivos foguetes, por que não conseguem sabotar os mísseis Iranianos que a cada dia ganham mais e mais alcance e capacidade?
Não acredito na tese de sabotagem (pelo menos nos dois primeiros lançamentos) simplesente porque um fogute de microsatélites não representa o menor perigo para o mundo e nem para a segurança dos EUA.


abraços]

papanegro disse...

A SISTEMÁTICA SABOTAGEM
CONTRA A “MISSÃO ESPACIAL
COMPLETA BRASILEIRA” (MECB)
E CONTRA O PROJETO VLS-1
“A pergunta a ser respondida pelos técnicos, não devia ser –
COMO FOI ? mas sim - QUEM FOI ? ”
(Ronaldo Schlichting)
Curitiba, 08 de dezembro 2004
APRESENTAÇÃO
Este Documento teve sua origem, a rigor, em um Requerimento ao Presidente do Congresso
Nacional, elaborado por um grupo de Oficiais do Exército Brasileiro, com a colaboração de alguns
civis, em 28 de outubro de 2001, impetrado com base no Art. 5º, inciso XXXIV, alínea “a”, da CF/88,
para que fossem SUSTADOS - na forma do inciso V, do Art. 49 da Constituição Federal – TODOS OS
ATOS E SEUS EFEITOS do “Acordo entre o Governo do Brasil e o Governo dos Estados Unidos da
América sobre Salvaguardas Tecnológicas para a Participação dos Estados Unidos da América nos
Lançamentos a partir do Centro de Lançamento de Alcântara”, por inconstitucionalidade face à
infringência do Art. 1º, inciso I, Princípio Fundamental Constitucional da Soberania; e por expor a
“perigo de lesão” à Integridade Territorial e à Soberania nacional, valores tutelados pelo Art 1º, inciso
I, combinado com o Art. 9º, da Lei n.º 7170/83 (LSN).
Posteriormente, em 25 de março de 2003, esse mesmo grupo de patriotas encaminhou um
alentado Documento/Denúncia, a parlamentares e titulares de órgãos e entes que têm atribuições
institucionais e/ou interesse funcional sobre essa magna questão, denunciando a existência de
inconstitucionalidades, ilegalidades e crimes implícitos nesse “Acordo de Salvaguardas Tecnológicas
Brasil/EUA” e, pela primeira vez, analisando os dois primeiros fracassos nos lançamentos dos VLS-1-
V01 e VLS-1-V02, alertando sobre a existência de várias “não conformidades”, de irregularidades e de
indícios veementes de uma provável sabotagem desses dois foguetes.
Simultaneamente a essas duas iniciativas, e/ou engrossadas por incontáveis outros documentos
de autoria de inúmeros cidadãos e oriundos praticamente de TODO o território NACIONAL, via
Internet e através da mídia, conseguimos sensibilizar nossos parlamentares e outros líderes políticos e
sociais, e esse “Acordo de Salvaguardas Tecnológicas Brasil/EUA” teve grande número de suas
cláusulas rejeitadas pelo Congresso Nacional, disso resultando que, até esta data, ele NÃO foi ainda
homologado.
Em 15 de setembro de 2003, – portanto poucos dias após a tragédia ocorrida em 22 de agosto
com o VLS -1 – V03 – esse mesmo grupo de militares e um civil, diante do açodamento para se
descartar a hipótese de uma sabotagem neste infausto evento, decidiu divulgar um
Documento/Denúncia, requerendo às autoridades institucionalmente responsáveis, que todas as
Investigações e o IPM instaurados, tivessem um acompanhamento especial pelo Ministério Público
Civil e Militar, bem como o apoio técnico de peritos da Polícia Federal; e que NENHUM estrangeiro
tivesse participação e/ou ingerência nas investigações dessa tragédia. Não fomos atendidos, e nem
mesmo recebemos qualquer sinal de que esse nosso documento tivesse sido recebido.
Com o presente Documento/Denúncia que ora estamos divulgando – exclusivamente para
titulares de órgãos e entes que têm atribuições institucionais e/ou interesse funcional sobre essas
investigações – tentaremos comprovar que a Sabotagem é MATEMATICAMENTE a hipótese mais
provável; e o fazemos agora de forma rigorosamente consistente. Além de comprovar que existem
indícios veementes, e fortes evidências de irregularidades e incongruências flagrantes que nos
permitem pedir a reabertura de todas as três investigações, devido a nexos causais que existem entre
erros e omissões cometidos no 1º e 2º acidentes, com a tragédia do 3º, que assim o EXIGEM.
Posteriormente, iremos elaborar uma versão sigilosa deste documento, contendo dados
analíticos mais aprofundados, e cuja difusão ficará restrita às autoridades que têm competência
funcional para definir a responsabilidade (ou não) dos que cometeram ou permitiram a ocorrência de
tais “não-conformidades”.
Curitiba, 08 de dezembro de 2004
_________________________________________
RONALDO SCHLICHTING
Administrador de Empresas – RG 676.306 - PR
__________________________________________
Cel. Ref EB ROBERTO MONTEIRO DE OLIVEIRA
Idt. 014198480-7- Min.Ex.
A SISTEMÁTICA SABOTAGEM CONTRA A
“MISSÃO ESPACIAL COMPLETA BRASILEIRA” (MECB)
E CONTRA O PROJETO VLS-1
(A estratégia de guerra dos EUA, autoriza) “a realização de
Operações Decisivas Rápidas (RDO), na área psicológica, econômica
e cibernética”. (Nesta), “admite invadir computadores inimigos para
impedir o lançamento de mísseis e proteger interesses
americanos”(General Charles E Wilhelm do Centro de Informações
para a Defesa, do Southcom) (1[1])
1. DADOS PRELIMINARES INDISPENSÁVEIS:
1.1. TÉCNICOS :
a. O Combustível sólido do VLS-1: ( 2[2] )
Sabemos que o nosso Veículo Lançador de Satélites – o VLS-1, antes de ser um
lançador de satélites, é um míssil balístico, cujo propelente é sólido; o uso desse tipo de
propelente é, indiscutivelmente, a opção mais acertada, exatamente pelas suas
características técnicas – balísticas, físicas e químicas, - pela sua excepcional segurança
historicamente comprovada, pelos seus baixos custos, pelo desempenho para o qual o
VLS-1 foi projetado, e pelos motivos a seguir descritos.
O nosso VLS–1 é, portanto, um míssil de uso dual (civil e/ou militar) apto a colocar
cargas úteis (satélites e outras) em órbitas baixas equatoriais; também pode colocar
satélites em órbitas polares.
1) O PROPELENTE - Consiste de uma mistura de polibutadieno (o combustível), com
perclorato de amônia (o oxidante); a essa mistura são acrescidos aditivos como alumínio
em pó e óxido de ferro para elevar a temperatura de queima da mistura, e outros aditivos
com finalidades específicas.
A essa mistura - depois de homogeneizada, mas ainda pastosa - é adicionado um
catalisador; para, em seguida, esse “composite” ser derramado no vaso do motor, onde
endurece LENTAMENTE transformando seu estado pastoso em sólido, até tomar a
consistência de uma borracha dura.
Essa mistura não DEFLAGRA, nem DETONA quando submetida a choques normais;
ao fogo, ela acende, queima, mas NÃO EXPLODE; e nem sequer aquece quando
submetida a microondas de potências comuns. Mas também PODE – eventualmente -
explodir, quando atingida por um projétil metálico a velocidades muito altas, acima de
3.000 pés/segundo como, por exemplo, o de um projétil disparado por um fuzil tipo
Barrett .50 ou similar.
1[1]) “A nova guerra total" - Correio Braziliense - 22/07/02.
2[2]) Além do VLS–1, o CTA da FAB já está projetando o VLS–2, para o qual já foram capacitados dezoito mestres em propulsão
líquida, formados na Rússia especialmente para esse fim. O VLS-2 poderá lançar satélites de sensoriamento remoto de até 600 kg de
carga útil, a 1000 km em órbita equatorial.
Para que esse PROPELENTE venha a acender, é necessário que no seu interior se
introduza um IGNITOR – este, acionado normalmente por uma espoleta elétrica – e o jato
desse IGNITOR é que acende o propelente.
2) O MOTOR:
As figuras esquemáticas abaixo permitem uma boa visualização do motor, do ignitor e de
seus componentes principais:
3) O IGNITOR
(a sigla MTV se
refere às pastilhas
pirotécnicas
à base de magnésio
e organos
fluorados)
(Para melhor visualização, aumentar o zoom para 150%)
Esse tipo de motor, e os dispositivos de ignição são praticamente os mesmos (ou
muito semelhantes) em TODOS os mísseis a propelente sólido, em todos os arsenais do
mundo inteiro.
Para se ter uma idéia da excepcional segurança e universalidade desse tipo de
motor, basta saber que o motor S-43 do nosso VLS-1 é idêntico aos dois propulsores
auxiliares do ônibus espacial norte-americano. A diferença está apenas no tamanho. Os
do nosso VLS são carregados com sete toneladas de propelente sólido cada unidade e os
dois do ônibus espacial com 500 toneladas cada.
Esse propelente sólido é tão confiável sob o aspecto de segurança que, mesmo
quando explodiram os tanques de combustível líquido da nave Challenger em 1986,
apesar da violência da explosão resultante, os seus dois foguetes auxiliares a combustível
sólido se desprenderam e continuaram voando aleatoriamente ainda com propulsão
própria, mas não explodiram.
b. O uso universal desse tipo de míssil a propelente sólido:
Existem nos arsenais do mundo inteiro, milhares de mísseis balísticos de emprego
militar (e civil) menores, do mesmo porte e até maiores do que o nosso VLS-1, dotados de
motores iguais ou semelhantes aos nossos S-43, que constituem o primeiro e o segundo
estágio do nosso foguete; praticamente TODOS eles usam como propelente esse
“composite", (o mesmo combustível sólido à base de polibutadieno que retro
descrevemos, com pequenas variações apenas nos aditivos), com o qual são abastecidos,
e que têm sistemas de ignição em tudo semelhantes aos que nós usamos.
Esses milhares de mísseis, depois de montados e testados pelos fabricantes, são
entregues para as Unidades de tropa (navais, de terra e do ar); e, a partir daí, são
manutenidos e operados por soldados que, embora treinados, não podem ser comparados
aos experientes técnicos e engenheiros com anos de atividades ligadas a esse ramo de
conhecimento, que atuavam nas três operações de lançamento dos nossos VLS-1.
Tais foguetes têm sido amplamente empregados em operações militares nos mais
variados teatros de operação, quentes, frios, gelados, úmidos, chuvosos, etc.; e são
também usados em campos de instrução de tiro real, onde ficam cercados por militares
com pouca habilitação, gente que fuma e usa telefone celular nas proximidades dos
mísseis; e, até serem disparados, esses foguetes ficam expostos ao sol, à chuva, à neve,
ao frio e ao calor extremos, etc; são submetidos a choques e vibrações de várias
intensidades quando são transportados de lá para cá em caminhões (o Sistema Astros,
brasileiro ( 3[3] ) e o Patriot americano); em navios (o Exocet e o Tomahawk naval); em
3[3]) O Sistema ASTROS é fabricado pela empresa brasileira AVIBRÁS, cuja existência data do começo da década de 60 e que
desenvolveu no Brasil o primeiro propelente sólido composto para foguetes. Ela também foi pioneira na produção de foguetes espaciais
brasileiros, entre eles os SONDA I, SONDA II-B, e SONDA II -C, contribuindo para o Programa Espacial brasileiro. A AVIBRÁS usa
tecnologia e componentes totalmente desenvolvidos pela própria empresa e tem uma das maiores instalações mundiais de fabricação
de propelentes, foguetes e mísseis. Ela fabrica o perclorato de amônia e tem grandes depósitos de munição para uso civil e militar. O
Sistema Astros tem sido adquirido, estocado e até usado em operações militares por vários países, citando-se o Iraque, a Líbia e,
recentemente, a Indonésia que adquiriu importante quantidade de baterias do Sistema ASTROS. NUNCA se teve notícia de terem
ocorrido “explosões acidentais”, nem “ignições intempestivas”, nem aparecimento de “correntes de eletricidade estática ” de grande
intensidade, nos incontáveis lançamentos do Sistema ASTROS.
submarinos (mísseis Poseidon); em aviões (o nosso Piranha), etc., sem que ocorram
explosões acidentais e/ou acendimentos prematuros.
Todos esses tipos de mísseis, depois de estocados durante largo tempo, têm sido
disparados nas situações acima descritas, sem qualquer acidente, posto que não se tem
notícia de NENHUMA “explosão acidental”, menos ainda de uma “ignição intempestiva”
com foguetes brasileiros ASTROS, nem – a rigor – com nenhum dos mísseis militares
acima enumerados, em lugar algum do mundo, exceto uma única “explosão acidental”
ocorrida durante o vôo, há alguns anos, com o motor auxiliar a combustível sólido de um
foguete DELTA da Boeing, conseqüência de uma rachadura no vaso desse motor auxiliar,
fabricado em fibra de carbono. Ocorre, porém, que os vasos dos nossos foguetes são
fabricados em ligas metálicas de aços especiais, e apenas as suas tubeiras são de
carbono-carbono...
c. A comprovada segurança dos mísseis a propelente sólido:
Em síntese, exceto esse acidente isolado acima descrito, não se tem notícias de
outras explosões ocorridas DURANTE o LANÇAMENTO de foguetes movidos a
propelente sólido, nos últimos anos – no mundo inteiro. ( 4[4] )
Está assim mais do que comprovada, a excepcional segurança dos mísseis movidos
a combustível sólido, pelos inúmeros lançamentos desse tipo de foguetes, em Operações
militares ao longo dos anos; pelo seu uso em incontáveis exercícios de instrução de tiro
real por todas as Artilharias do mundo inteiro; e pela existência de estoques de milhares
de mísseis a combustível sólido nos paióis das FFAA de todos os países, sem notícias de
explosões acidentais causadas por “eletricidade estática” e/ou por “ignições
intempestivas”.
Pelo que até aqui está descrito, - definitivamente - não pode restar qualquer dúvida
quanto à excepcional segurança dos foguetes a propelente sólido, em sua história mais
que cinqüentenária, já que vêem sendo amplamente utilizados desde o final da década de
40 pelas FFAA de inúmeros países.
d. Primeira conclusão parcial :
SOMENTE POR ESSA COMPROVADA SEGURANÇA HISTÓRICA, A
HIPÓTESE DE SABOTAGEM DEVERIA TER SIDO ENCARADA COMO A
CAUSA MAIS PROVÁVEL E EXAMINADA EXAUSTIVAMENTE, DESDE O
PRIMEIRO FRACASSO NO LANÇAMENTO DO VLS-1– V01.
E, DIANTE DESSA REALIDADE FACTUAL, AS MEDIDAS DE SEGURANÇA
DECORRENTES – QUANTO AO PESSOAL, AOS MATERIAIS E ÀS
4[4]) Em 24/03/2004, aconteceram na Índia duas explosões com motores de foguetes a combustível sólido, mas não ocorreram durante
o LANÇAMENTO, mas sim em outros tipos de operações sensíveis: um deles, durante o processo de cura do “composite”; e o outro
quando do transporte do “composite”, depois de curado, para outra edificação onde seria submetido a testes. Compulsar - “Inadequate
safety measures could have triggered Sriharikota Blast” - Southern News Andhra Pradesh - 25/2/2004 00:00 IST Sriharikota -
www.newindpress.com: (verbis) - “…the operations in Solid Propellant Booster Plant (SPROB) were highly sensitive as it carried out “a
highly dangerous stage of mixing the propellant and curing it”. Compulsar também “6 killed in explosion at Sriharikota space centre” – in
“THE HINDU Online Edition of India's National Newspaper”-Tuesday, Feb 24, 2004 - www.hindu.com : (verbis) - “The blast occurred at
3.50 p.m….., when the solid propellant, after curing, was being moved from one building to another for further tests”. Consultar também,
se necessário, o portal GOOGLE.
OPERAÇÕES, INCLUSIVE DE CONTRA-INTELIGÊNCIA - DEVERIAM TER SIDO
IMPLEMENTADAS E ACIONADAS DESDE ENTÃO. E A CADA FRACASSO,
MAIS SEVERAS DEVERIAM TER SIDO AS MEDIDAS ADOTADAS.
Assim, é lícito concluir racionalmente que o Relatório Final (RF) das investigações
sobre a tragédia de 22 de agosto de 2003, difundido em 17/03/2004 pelo Ministério da
Defesa, contém um grave erro grosseiro, ou divulga (talvez inconscientemente) uma
contra-informação, ao afirmar que poderia ter ocorrido uma “ignição intempestiva” de um
dos propulsores do 1º estágio do VLS-1-V03, provocada por uma “descarga de
eletricidade estática” de origem desconhecida - (até poucos dias atrás, definida como
“corrente elétrica espúria”, que nenhum físico consultado soube explicar o que seja) - e
TUDO O MAIS que foi aventado para atribuir a “causas naturais", (*) a suposta ignição
extemporânea do mecanismo de disparo de um dos motores do VLS.
Em verdade, ocorre que qualquer hipótese de “causa natural” deveria ter sido
rejeitada pelos técnicos realmente experientes que trabalharam nas três investigações –
em especial nesta última - pois estes, com a vivência de inúmeros lançamentos bem
sucedidos, deveriam estar cientes e conscientes de que JAMAIS havia acontecido uma
“ignição intempestiva” até então.
Por isso, a inútil busca de uma “causa natural” para explicar o acendimento
prematuro de um dos motores do VLS-1 - V03, parece mera dialética evasiva, ou suspeita
tentativa de se descartar, sem analisar exaustivamente a hipótese da sabotagem que
- se levadas em consideração as estatísticas históricas dessa atividade, que comprovam a
excepcional segurança dos foguetes a propelente sólido - deveria ter sido encarada como
a causa mais provável desde os dois primeiros fracassos ocorridos com o VLS-1; mas ao
menos agora, na investigação da recente tragédia, para se fazer justiça aos 21 técnicos
brasileiros cujas vidas foram sacrificadas na esperança de um ideal e no estrito
cumprimento de seus deveres.
É essa realidade estatística e histórica que se pretende demonstrar
com este documento. Com ele, tentar-se-á convencer às autoridades e
aos titulares dos entes institucionalmente competentes, que a
sabotagem (externa e/ou interna) CONTINUA A SER A HIPÓTESE MAIS
PROVÁVEL, que deve ser (re)investigada com escrupuloso rigor e não
pode ser abandonada antes disso.
1.2. A INSTITUIÇÃO DO PROGRAMA DA MECB E DO PROJETO VLS-1
Para entender as graves questões que têm dificultado a plena implementação da
Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) (5[5]) – instituída em 1980 como
(*) Mais precisamente, “Causas fortuitas” do direito brasileiro; ou “Acts of God” – do direito norte-americano.
5[5]) Mesmo antes de 1960, tanto o Exército quanto a Marinha já pesquisavam desde o final da década de 40, foguetes militares de
propulsão a combustível sólido; e alguns dos protótipos fabricados em nível semiartesanal foram lançados com pleno êxito. Ver
histórico “A Missão Espacial Brasileira" no SITE http://www.iae.cta.br/historico_esp.htm do IAE/CTA; e no SITE de Universidade Federal
de Juiz de Fora em http://www.ufjf.edu.br/defesa - in Aviação – “FOGUETES NO BRASIL - DO FOGUETE CONGREVE AO VLS “; (em
08/09/2004 = http://www.defesa.ufjf.br/arq/Art%2027.htm)
programa central e oficial do governo brasileiro, para orientar a nossa Política Espacial -- é
indispensável saber que o Brasil, desde o início da década de 60, passou a dar alta
prioridade às atividades espaciais, pesquisadas e projetadas por intermédio de dois entes
distintos: um civil, o Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais
– COGNAE, criado em 03 de agosto de 1961, vinculado ao Conselho Nacional de
Pesquisas – CNPq; e um militar, o Grupo Executivo e de Trabalhos e Estudos de Projetos
Especiais - GETEPE, criado em 1964 e subordinado ao Estado-Maior da Aeronáutica.
Por um certo período, durante o qual o COGNAE teve como presidentes alguns
militares da Aeronáutica, como o Coronel-Aviador Aldo Vieira Rosa; e até mesmo suas
dependências estavam em área militar, houve uma natural coesão de esforços entre os
dois órgãos; mas, alguns anos depois – por razões de divergências aparentemente
ideológicas - essa simbiose se rompeu e a realidade é que a partir de então, faltou ao
programa espacial brasileiro uma racional coordenação única.
Assim, o braço civil do COGNAE, já sob a chefia de civis e orientação do CNPq; e o
braço militar do GETEPE, ainda sob o comando do Ministério da Aeronáutica, ambos
empregavam recursos financeiros e humanos que seguiam direção e esforços distintos,
onde já não existia uma imprescindível coordenação única. Ao contrário, - como se deduz
pelos acontecimentos posteriores - ao longo dos anos os pontos de vista dos dois entes
foram ficando divergentes e/ou, por vezes, até mesmo conflitantes.
Em 22 de abril de 1971, buscando reunificar esses esforços, o COGNAE foi extinto, e
em seu lugar foi criado o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a ser
encarregado das pesquisas espaciais no âmbito civil, ainda vinculado ao CNPq. E foi
instituído um ente misto - sob a presidência do Estado Maior das Forças Armadas, - a
Comissão Brasileira de Atividades Espaciais (COBAE), à qual incumbiria orientar ambos
os ramos da pesquisa espacial: o civil, do INPE/CNPq; e o militar, subordinado ainda ao
Ministério da Aeronáutica.
A nova organização instituída em 1971 teve o mérito de acelerar os
notáveis êxitos anteriores já obtidos pela FAB pois, após a criação do
INPE e da COBAE, o IAE/CTA beneficiados pela experiência acumulada
desde as primeiras pesquisas espaciais iniciadas ainda na década de
60, e pelos progressos tecnológicos conseguidos ao longo dos anos,
prosseguiram com o desenvolvimento independente de vários tipos de
foguetes brasileiros e foram inúmeros os lançamentos feitos com
sucesso inconteste, como adiante será comprovado.
Enquanto isso, por parte do braço civil, mesmo já sob a orientação da COBAE, o
ritmo das atividades tipicamente espaciais foi muito lento -- talvez por ter o INPE se
dedicado prioritariamente à construção e lançamento de satélites com foguetes
estrangeiros – pois, somente em 1979, ou seja, quase oito anos depois de instituída
essa Comissão é que foram ultimados e apresentados os estudos que deveriam ter sido
feitos visando ao planejamento e a implementação do Programa da MECB a qual, afinal
foi submetida à Presidência da República e oficialmente aprovada no início de 1980 pelo
Governo Brasileiro.
Assim, a MECB passou a ser – oficialmente desde 1980 – uma decisão do Governo
Brasileiro no sentido de ser implementado “um programa integrado, visando o
projeto, o desenvolvimento, a construção e a operação de satélites de
fabricação nacional, a serem colocados em órbitas baixas por um foguete
projetado e construído no país e lançado de uma base situada em território
brasileiro.” (5) ( 6[6])
Talvez tenha sido por tudo isso que, depois da aprovação da MECB pela Presidência
da República, passou a caber - obrigatoriamente - ao IAE/CTA da FAB, o desenvolvimento
do Veículo Lançador de Satélites (VLS-1); ao INPE, o desenvolvimento dos satélites e as
estações de solo correspondentes; ao Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), o
encargo de realizar as atividades referentes às operações de lançamento do VLS; e ao
Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), operar como estação no
acompanhamento dos lançamentos, com seus radares e meios de telemetria.
1.3. CENTROS DE LANÇAMENTOS BRASILEIROS:
O Brasil dispõe de dois Centros de Lançamento de veículos espaciais, ambos
subordinados ao Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento (DEPED), do Comando
da Aeronáutica: o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) e o Centro de
Lançamento de Alcântara (CLA).
- O CENTRO DE LANÇAMENTO DA BARREIRA DO INFERNO (CLBI)
O CLBI, situado no Estado do Rio Grande do Norte, está operacional desde 1965, e
possui completa infra-estrutura para lançamentos de veículos de sondagem de pequeno
porte. É utilizado, também, como estação de rastreamento de engenhos espaciais
estrangeiros (entre eles o Ariane francês) e de seus satélites; é também usado para o
rastreamento dos veículos espaciais lançados pelo Centro de Lançamento de Alcântara.
- O CENTRO DE LANÇAMENTO DE ALCÂNTARA (CLA)
Após cuidadosa e criteriosa análise e estudos, foi definida uma área na península de
Alcântara (no Maranhão) para sediar um novo centro de lançamento.
Essa área apresenta alguns requisitos muito favoráveis, tais como baixa
densidade populacional, excelentes condições de segurança e facilidade de
acessos, tanto aéreo como marítimo, e - o mais importante - está situada
exatamente a 2º 18' de latitude Sul do Equador, e a 44º 22' de longitude Oeste,
à beira do Oceano Atlântico.
Esta excepcional posição geográfica, “diríamos quase divina", possibilita aproveitarse
ao máximo a rotação da Terra para impulsionar os lançamentos visando órbitas
equatoriais, bem como apresenta também posição favorável para lançamentos polares.
Por conseguinte, sua localização privilegiada permite grande economia de
combustível e/ou, como tal, o lançamento de satélites mais pesados com a mesma
6[6]) Fonte: IAE / CTA - http://www.iae.cta.br/historico_esp.htm
quantidade de combustível, e/ou performances muito superiores às características
originais do veículo lançador.
Por estes breves dados, não é difícil entender também algumas das
razões do enorme interesse dos EUA e de outros países pela utilização
do CLA, autêntica "catapulta" para maximizar qualquer Sistema de
Lançamentos de “cargas úteis” – CIVIS e/ou MILITARES - ao espaço
exterior.
1.4. LANÇAMENTOS JÁ REALIZADOS COM SUCESSO NO BRASIL:
O Brasil já lançou com sucesso inúmeros foguetes brasileiros para experimentos
científicos e tecnológicos em ambiente de microgravidade, em cooperação com a
Noruega, a Alemanha, Portugal e até com os EUA, utilizando foguetes de sondagem
planejados, construídos e operados por técnicos da FAB/CTA/IAE.
Os foguetes de sondagem brasileiros têm a importante vantagem de serem muito
mais baratos, se comparados aos satélites, pois são aptos a realizar com eficiência
pesquisas de curta duração em ambientes de microgravidade. Por isso, nossa atuação
nesse segmento do mercado espacial foi expressiva. As Universidades e institutos de
pesquisa desses países desenvolvidos, têm sido clientes desses foguetes de sondagem
porque podiam utilizar esse recurso tecnológico barato para realizar vários tipos de
pesquisas em micro gravidade, inclusive na área de fármacos e biotecnologia.
Como exemplo, o Sonda III XV30, desenvolvido pelo Instituto de Aeronáutica e
Espaço do Centro Técnico Aeroespacial (IAE/CTA), para transportar como carga útil o
primeiro modelo da Plataforma SubOrbital (PSO), projeto desenvolvido pelo Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O Sonda III é um veículo de dois estágios que
vem sendo utilizado há mais de 20 anos pelos cientistas brasileiros e estrangeiros, em
campanhas realizadas no Brasil, principalmente no CLBI, mas também no exterior.
a. No CLBI:
O CLBI já realizou COM INTEIRO SUCESSO cerca de 400 lançamentos, desde os
pequenos foguetes de sondagem meteorológica do tipo LOKI, até os veículos de alta
performance da classe CASTOR-LANCE de quatro estágios. Nas centenas de
lançamentos a partir do CLBI, NUNCA SE TEVE NOTÍCIA de qualquer “ignição
prematura” que provocasse uma “explosão acidental”; e TODOS OS LANÇAMENTOS
foram seguros, mesmo aqueles que tiveram falhas em seu desempenho balístico, e
JAMAIS se soube de um ÚNICO acendimento prematuro provocado por “eletricidade
estática” ou por “correntes espúrias”.
b. No CLA:
O CENTÉSIMO lançamento de um veículo de sondagem VS-30, foi feito com êxito
em 15 de março de 1999 do CLA, realizado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE)
em seu programa de desenvolvimento de foguetes de sondagem.
O veículo levava uma carga útil preparada pelo Instituto de Pesquisas Espaciais
alemão, DLR-MORABA, ( * ) além de experimentos científicos brasileiros desenvolvidos pela
Universidade de São Paulo, pela Universidade do Vale do Paraíba e Faculdade de
Engenharia Industrial; bem como experimentos tecnológicos desenvolvidos pelo Instituto
de Estudos Avançados do Centro Técnico Aeroespacial (CTA/IEAv), e experimentos
científicos portugueses e norte-americanos.
Sob o ponto de vista operacional, o lançamento desse VS-30 foi um sucesso
completo, uma vez que atingiu todos os objetivos previstos; e, do ponto de vista do Centro
de Lançamento, todos os meios de solo responsáveis pelo rasteio, responderam
eficientemente, de forma a garantir o acompanhamento da trajetória e a transmissão dos
dados dos experimentos e as condições do veículo.
No Brasil, ainda merecem referência especial os seguintes programas de
lançamentos: o PROJETO EXTRANET, para estudos da atmosfera em altitudes de 30 a
60 Km, e o PROJETO OZÔNIO, para estudar a camada de ozônio.
Durante todos esses Projetos,( 7[7] )JAMAIS se soube ter ocorrido qualquer “explosão
acidental” ou “ignição intempestiva”, nem o aparecimento de correntes de ”eletricidade
estática” de grande intensidade.
Em síntese, o CLA já efetuou, COM SUCESSO, mais de 250
lançamentos desde a sua ativação, o que comprova a sua invulgar
capacidade operacional, a sua funcionalidade e a excepcional
segurança dos veículos lançadores usados, bem assim a do propelente
sólido utilizado, em TODOS esses lançamentos.
Ademais, a despeito dos cortes e desvios das verbas orçamentárias e/ou dos
repetidos “contingenciamentos” - suspeita e irracionalmente impostos ao Programa - está
mais do que comprovada também a grande capacidade das equipes responsáveis pelos
sistemas de telemedidas, localização e resgate, o que propiciou SEMPRE a plena e
satisfatória recuperação deste item para o completo sucesso dessas operações.
1.5. O SUCESSO DOS FOGUETES BRASILEIROS NO EXTERIOR: ( 8[8] )
7[7]) Em 23/11/2002, houve uma SUSPEITA DE SABOTAGEM na Operação CUMÃ, quando o IAE/CTA, lançou um foguete VS-30,
partindo do CLA, tendo como carga útil oito experimentos do Projeto Microgravidade. (FSP - 04/12/2002 17:00:19- “Técnicos analisam
vôo do VS -30” ) –. Nessa operação, o motor S-30, bem como o sistema de telemetria, funcionaram corretamente, mas aos 29
segundos de vôo ocorreu uma “separação prematura” do módulo da carga útil, “por razões que necessitam ser melhor
investigadas”; por isso, a carga útil não pôde ser recuperada. NUNCA SE SOUBE A CAUSA dessa “separação prematura”. Ao final de
2003 na Operação Pirapema, foi lançado também com êxito total o VS-30/ Orion V02, que não previa a recuperação da carga útil.
( * ) Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt - Mobile Raketenbasis (DLR-Moraba)
8[8]) PRINCIPAIS FOGUETES BRASILEIROS – (todos a propelente sólido); Sonda II - foguete de sondagem, monoestágio, transporta
cargas úteis científicas e tecnológicas, de 20 a 70 kg, em experimentos de 50 a 100 km de apogeu; Sonda III - foguete de Sondagem
de 6,9 m, biestágio, para o transporte de cargas úteis de 50 a 150 kg, de 200 a 600 km de apogeu; Sonda IV - foguete de Sondagem de
9,2m, biestágio, especificado para permitir o domínio de tecnologias imprescindíveis à consecução do VLS-1; pode ser usado para
transporte de cargas úteis de 300 a 500 kg, em apogeu de 700 a 1000 km; o VS - 30 - veículo mono-estágio, com diâmetro de 550 mm,
constituído pelo propulsor S-30, de 860 kg de propelente (o mesmo do 1º estágio do Sonda III); que pode lançar cargas úteis de até
300 kg em trajetórias de 150 km de apogeu; VS – 40 - o seu desenvolvimento teve como objetivo qualificar o propulsor S-44 (o mesmo
do 4º estágio do VLS-1), ele pode lançar cargas úteis de até 500 kg em trajetórias de 650 km de apogeu. As centenas de lançamentos
desses foguetes, as experiências em microgravidade e o lançamento de micro-satélites, foram indispensáveis para criarmos nossas
próprias tecnologias que permitiram a construção e operação de foguetes da classe do nosso VLS-1, além de possibilitarem também a
ampla participação do Brasil no mercado internacional neste segmento. NUNCA se soube de “ignições extemporâneas ou
intempestivas” ou “explosões acidentais”; e NUNCA foi registrado o aparecimento de “correntes de eletricidade estática” de grande
intensidade, durante os lançamentos de qualquer desses foguetes.
O primeiro estágio do Sonda III, o propulsor S-30, que compõe o veículo denominado
VS-30, se tornou o foguete de sondagem brasileiro mais lançado nos últimos anos,
inclusive no exterior.
Assim, foguetes fabricados pelo Brasil têm atendido à demanda de alguns países
industrialmente avançados, entre eles a Noruega - para medições na alta atmosfera sobre
o Círculo Polar Ártico; e a Alemanha, que já adquiriu foguetes de sondagem do tipo VS –
30, usados para experimentos em microgravidade. A escolha do VS – 30 por esses países
não decorreu apenas do seu baixo preço (custa 250 mil Euros), mas principalmente por
sua segurança e confiabilidade muitas vezes comprovadas.
Os principais parceiros estrangeiros que já utilizaram – com total ÊXITO – o Sonda III
em seus experimentos foram, o Centro Espacial Alemão – (DLR-Moraba) e o Max Plank
Institute, ambos da Alemanha; e o Air Force Geophysics Laboratory - AFGL, dos Estados
Unidos (em Wallops). Pelos êxitos dos lançamentos, o DLR-Moraba comunicou
oficialmente considerar o VS-30 qualificado para utilização em Kiruna, nos experimentos
daquele Instituto.
Quando dos lançamentos feitos pela Noruega (em Andoya) e pela Alemanha,
NUNCA se soube da ocorrência de “explosões acidentais”, nem “ignições intempestivas“
ou aparecimento de “correntes de eletricidade estática” com os VS-30.
O último foguete VS 30/Orion lançado do CLA com inteiro sucesso, ocorreu em 25 de
novembro de 2002, numa parceria entre o nosso Instituto de Aeronáutica e Espaço
(IAE/CTA), e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR-Moraba). O vôo atingiu um apogeu de
434,5 km, durante o qual puderam ser feitas medidas da energia e eletrodinâmica nas
regiões E e F da ionosfera equatorial, atendendo aos experimentos científicos a cargo do
DLR e também do Institute for Physical Space Research, e do nosso Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE).
Esse lançamento bem sucedido, em parceria com tão importantes entes estrangeiros
- utilizou os motores VS-30, em tudo iguais (exceto no tamanho) aos quatro motores S-43
do 1º estágio que equipavam o nosso VLS-1-V03.
Apenas 9 meses depois desse amplo sucesso, foi apontado o “acendimento
prematuro e extemporâneo” de um dos S-43 do seu 1º estágio, como causa da tragédia
de 22 de agosto de 2003...
Ora, é um fato inquestionável que, nos cerca de 650 lançamentos já realizados – seja
no CLBI, seja no CLA -- NENHUM dos foguetes teve “acendimento prematuro e
extemporâneo”.
Ocorre, também que, há poucos dias, em 23/10/2004, de NOVO foi lançado no CLA,
na denominada “Operação Cajuana”, com PLENO ÊXITO mais um foguete VS-30
(modificado, o VSB - 30),( 9[9] ) levando uma carga útil tecnológica para fazer experiências
9[9]) O VSB-30 é um veículo de sondagem composto por dois estágios, que recebeu diversas inovações tecnológicas em relação aos
foguetes de sondagem já fabricados no Brasil. Além de possuir um propulsor para fazê-lo decolar mais rapidamente (booster), o VSB-
30 incorpora um sistema impulsor de rolamento e um conjunto de empenas que garantem maior precisão no vôo. Esses novos
equipamentos permitem, entre outras coisas, o acompanhamento da trajetória do foguete por radar, por telemetria e por GPS, e a
medição da temperatura e da rotação do veículo. Esse foguete passará agora a ser usado pela Agência Espacial Brasileira (AEB) para
a realização de experimentos tecnológicos e científicos em ambiente de microgravidade. O lançamento foi considerado um sucesso
em ambiente de microgravidade, dentro do acordo de cooperação Brasil/Alemanha que
remonta aos anos setenta, e os módulos da carga útil e do veículo abrigavam diversos
equipamentos produzidos pelo DLR – Moraba e pelo CTA/IAE. Este lançamento serviu
para qualificar esse modelo que está sendo oferecido à Agência Espacial Européia para
substituir o foguete inglês Skylark 7, como veículo de sondagem do programa científico
europeu de experiências em microgravidade. A perspectiva será fornecer um lote inicial de
15 foguetes, afirmou o diretor do DEPED da FAB.
Assim, diante de tantos lançamentos bem sucedidos, realidade que agora se repete
mais um vez com o VSB-30, qualquer analista experiente tende a recusar veementemente
como causa da tragédia do VLS-1-V03, o “acendimento prematuro e extemporâneo” de
um dos motores do 1º estágio – defeito que NUNCA OCORRERA até então. Por isso,
essa suposta “causa” deve ser colocada sob suspeita, até que tenham sido
exaustivamente estudadas todas as inúmeras “não conformidades” levantadas pelas
investigações já realizadas, nas ações que antecederam esta tragédia, e devidamente
confirmadas pelo RF. O que, seguramente, ainda NÃO foi feito.
Por conseguinte, é inteiramente ILÓGICO que, somente quando a FAB/CTA/IAE
pretendia colocar em órbita cargas uteis (satélites), NAS TRÊS TENTATIVAS, ocorreram
acidentes – no primeiro lançamento, um dos motores do 1º estágio NÃO acendeu; no
segundo, o motor do 2º estágio explodiu; e, no terceiro, houve “um acendimento
prematuro e intempestivo” que NUNCA ocorrera antes.
A dura verdade é que NENHUM desses “acidentes” foi, até hoje, satisfatoriamente
investigado e TODOS ELES permanecem ainda inexplicáveis.
Atualmente, o principal usuário dos foguetes Sonda III e VS-30 é o Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais - INPE.
1.6. O AMPLO RETORNO DAS DESPESAS FEITAS COM A MECB E COM
O VLS-1
JÁ FICOU DEMONSTRADO ATRÁS, COM ABUNDANTES FATOS E
DADOS, o enorme sucesso dos foguetes brasileiros planejados, desenhados,
desenvolvidos e fabricados pela nossa Aeronáutica, quase todos eles em estreita parceria
com empresas privadas nacionais, e lançados com inegáveis êxitos no Brasil e no exterior,
o que COMPROVA DEFINITIVAMENTE que a decisão do Governo brasileiro tomada em
1980, de usar foguetes movidos a propelente sólido para colocar em órbitas baixas cargas
úteis, foi INDISCUTIVELMENTE CORRETA, pois assim o atestam os inúmeros êxitos
obtidos. Descarta, TAMBÉM DEFINITIVAMENTE, as falsas opções que propõem que a
MECB seja abandonada e os militares afastados dessa atividade.
Agora, para desmentir aqueles que propõem o abandono da MECB face à escassez
de recursos, SERÃO DESCRITOS os amplíssimos retornos econômicos e financeiros que
total, uma vez que o foguete conseguiu atingir o apogeu em 10,5 minutos e ficou outros quatro minutos em ambiente de
microgravidade. (Fontes - AEB e CECOMSAER-2004)
.
essa atividade tem carreado para o Brasil, bem como os expressivos progressos
tecnológicos conseguidos.
a. Avanços tecnológicos e vantagens econômicas/financeiras resultantes
do Projeto do VLS-1 e da MECB:
Basta recorrer apenas à opinião de dois técnicos de competência reconhecida
nacional e internacionalmente, para se comprovar os enormes retornos que esses dois
Projetos já proporcionaram ao Brasil:
- Dr. Bautista Vidal * em “A maior de todas as sabotagens” -- (in “A Nova Democracia” ano
2 - n.º 13 – setembro de 2003 ): * (PHD em física; engenheiro, pesquisador, e ex-secretário de C&T da Presidência da República).
(verbis): “... a fabricação de foguetes e do Veículo Lançador de Satélites também
envolve a fabricação de propelentes; isolantes térmicos elásticos resistentes a altas
temperaturas; desenvolvimento de estruturas ultraleves e resistentes; técnicas de
controle por infravermelho e laser; sofisticados instrumentos de controle; dispositivos de
recuperação de cargas úteis suborbitais; estruturas compostas de fios não metálicos;
turbinados resistentes a altas pressões; ligas especiais de titânio; materiais cerâmicos e
carbonosos. Além disso, o desenvolvimento de fios de alta tenacidade, produção de
cordas e fitas de alta resistência e centenas de outros itens de avançada tecnologia....”
Outra citação importante:
- Ten.- Brigadeiro SÉRGIO XAVIER FEROLLA - Ministro do Superior Tribunal Militar
( 10[10] ) (São Paulo, 2003) (excerto não-textual):
(verbis) : “....o programa de pesquisa e desenvolvimento de foguetes, conduzido pela
Aeronáutica através do seu Instituto de Aeronáutica e Espaço do CTA, já incorporou
grandes benefícios ao patrimônio nacional, retornando com enormes lucros para o
Brasil tudo o que foi despendido no Centro:
- Em 1965, o SONDA I criou a necessidade de tubos sem costura de solda em ligas de
alumínio de alta resistência, até então não produzidos no Brasil. Com a participação do
CTA, a indústria Termomecânica São Paulo S/A desenvolveu este insumo e começou a
produzi-lo a partir de 1968, atendendo a demanda doméstica e exportando guias de
válvulas de motores com aquela tecnologia.”possibilitando uma economia de divisas, na
ocasião, já superior a um milhão de dólares mensais.” -
- “Mais de 225 foguetes de sondagem SONDA I foram lançados pelo CTA, a partir do
CLBI (Centro de Lançamentos de Foguetes da Barreira do Inferno) em Natal-RN, em
apoio a um programa internacional de meteorologia.”
“De 1966 a 1969 – o SONDA II e o SONDA III ambos utilizados para pesquisas
atmosféricas e ionosféricas; obrigou a utilização de laminados de aço de alta resistência
(SAE 4130, 4140 e 4340), não produzidos no país até então; foi assim que
desenvolvemos essa tecnologia de produção na nossa indústria com a participação
técnica do CTA, e este insumo foi incluído nas linhas normais da empresa ACESITA” .
10[10] ) - in ”A ESTRATÉGIA MILITAR BRASILEIRA FACE AO NOVO CENÁRIO INTERNACIONAL” - palestra proferida em São Paulo,
pelo Ten-Brig. Sérgio Ferolla em 30 de maio de 2003 - (não-textuais)
“Dessa fase, são contabilizados os seguintes retornos em benefício da indústria
nacional:
- eliminada a dependência externa na produção de envelopes de motores para a
nascente indústria espacial brasileira;
- minoradas as dificuldades de atendimento das necessidades de materiais metálicos
de alta resistência, aos vários setores do parque industrial brasileiro, em especial para o
setor da caldeiraria e ferramental.”
Cerca de 61 SONDA II e de 29 SONDA III foram lançados com sucesso pelo CTA, a
partir do CLBI, em Natal, e do CLA (Centro de Lançamentos de Alcântara), no
Maranhão.
Em 1974, a Aeronáutica desenvolveu o SONDA IV, este já com um metro de diâmetro,
pesando cerca de 8 toneladas. Foi o primeiro foguete autopilotado da família SONDA.
O diâmetro e as altas pressões internas de funcionamento do motor do 1º estágio do
SONDA IV exigiram a utilização de ligas metálicas de ultra-alta-resistência. Para
possibilitar a fabricação do envelope-motor, o Centro Técnico Aeroespacial selecionou,
especificou e desenvolveu, junto à indústria nacional, uma moderna liga de aço
conhecida como 300 M, cuja resistência chega a atingir 210 kgf/mm2, utilizando, para
isto, uma técnica especial de fusão (eletro-slag). Esse desenvolvimento conduzido pelo
MAer/CTA trouxe de retorno para o País:
- produção, pela ELETROMETAL, utilizando modernas técnicas metalúrgicas (eletroslag),
de lingotes de aço 300 M da mais alta pureza;
- estabelecimento dos parâmetros de laminação da liga, pela USIMINAS;
- produção, em escala industrial, pela ACESITA, de laminados do 300 M para o parque
industrial nacional;
- disponibilidade nacional de matéria-prima para a produção de peças metálicas
estruturais que exijam alta resistência e alto grau de confiabilidade e durabilidade, tais
como para prensas, grandes eixos, ferramentas de corte e de estampagem etc.;
- instalação pelo CTA na ELETROMETAL do maior forno do hemisfério sul para
tratamento térmico de metais em atmosfera controlada.
“- estruturas ultraleves e resistentes em “filament- winding”;
- técnicas de controle por infravermelho e laser;
- instrumentação e controle de cargas úteis suborbitais;
- dispositivos de recuperação de cargas úteis suborbitais;
- novos processos de soldagem;
- estruturas compostas de fios não metálicos, bobinados resistentes a altas pressões
(Kevlar, Poliamida e Carbono);
- produção de cascas finas estruturais, calculadas por elementos finitos;
- ligas de titânio, materiais cerâmicos e carbonosos;
- modelamentos matemáticos e simulações complexas; etc....” ...........”“............”
“O elenco completo de benefícios para a sociedade nacional, das pesquisas e
desenvolvimentos aeronáuticos e espaciais conduzidos pelo CTA, é imenso. Aqui,
foram citados apenas alguns e apenas do setor espacial. Somente esses benefícios,
sob o aspecto financeiro, são dezenas de vezes maiores do que tudo que já foi
despendido nos projetos exemplificados.”
De uma forma resumida, podem-se destacar os seguintes ganhos para o Brasil
propiciados pelo trabalho diuturno do CTA, em São José dos Campos:
- a implantação de um parque industrial aeronáutico, que permitiu condições técnicas
para que o País se pudesse lançar na fabricação e na exportação de aeronaves de alta
tecnologia, gerando bilhões de dólares e mais de dez mil empregos;
- a formação, anualmente, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA, de uma
centena de engenheiros, bem como a formação de Especialistas, Mestres e Doutores,
altamente qualificados;
- o estímulo para o surgimento de empresas nacionais de menor porte, voltadas para o
setor aeroespacial, com a conseqüente criação de grande quantidade de empregos
especializados e a melhoria do nível de qualificação da mão-de-obra nacional;
- a realização no CTA de estudos e ensaios em apoio à indústria nacional, aproveitando
os laboratórios e a competência existentes naquele Centro. Deste modo, evitou-se a
contratação desses serviços no exterior ou a aquisição pelas empresas nacionais de
dispendiosa infra-estrutura que, para elas, teria esporádica utilização;
- o desenvolvimento e o fornecimento de aeronaves, armamentos e equipamentos de
elevado conteúdo tecnológico, para o reequipamento da Força Aérea e demais Forças
Singulares; e
- a significativa contribuição para a balança comercial do País, com a grande
exportação de produtos aeroespaciais......”. (excerto não textual)
Embora fosse possível alinhar aqui outras opiniões igualmente fidedignas, é
desnecessário fazê-lo porque as eminentes fontes citadas, dispensam qualquer
acréscimo.
b. ESTÃO PORTANTO COMPROVADOS OS AMPLÍSSIMOS RETORNOS para o
Brasil, conseguidos a despeito de incontáveis óbices e resistências artificiais que têm
dificultado obstinadamente os enormes êxitos retro descritos, obtidos pelos dois Projetos
oficiais, o VLS-1 e a MECB, implementados pela Aeronáutica brasileira em rigorosa
obediência a uma decisão da Presidência da República exarada em 1980.
1.7. A TENDENCIOSIDADE DA GRANDE MÍDIA SOBRE A ATUAL
POLÍTICA ESPACIAL BRASILEIRA:
a. A técnica do “silêncio” escondendo os grandes êxitos :
Temos como consabido por muitos, e já quase de domínio público, que a maioria
dos nossos principais Órgãos de Comunicação de Massa (OCMs) têm sido cúmplices
conscientes e “sine qua non”, quanto à pertinácia de alguns erros gravíssimos que têm
sido cometidos pelos nossos governos centrais a partir de 1989 – e criminosamente
mantidos com incrível obstinação - apesar dos prejuízos DEVASTADORES produzidos em
detrimento dos interesses do país e do sofrido povo brasileiro. A notoriedade destes fatos
dispensa demonstrações.
Mas, em relação à Política Espacial brasileira, a atuação dos OCMs vem se
revelando claramente tendenciosa no sentido de favorecer a uma corrente de opiniões de
viés “internacionalista”, - e conseqüentemente antinacionalista - em grave oposição a altos
interesses estratégicos do Brasil como Estado Nacional soberano; neste caso específico,
em detrimento dos Princípios Fundamentais Constitucionais da Soberania e da Integridade
Territorial nacionais.
Essa tendenciosidade começa pela estranha falta de interesse dos Órgãos de
Comunicação de Massa (OCMs) em divulgar esses GRANDES E REPETIDOS ÊXITOS
retro descritos, conquistados pela nossa Força Aérea em matéria de Política espacial, a
despeito dos suspeitos “contingenciamentos” e dos desvios para outros projetos, das
verbas orçamentárias alocadas a essa atividade pela Lei de Meios.
Muito estranhamente, portanto, esses INÚMEROS ÊXITOS retro descritos NUNCA
foram temas de grandes reportagens pelos maiores OCMs, que vêm sistematicamente
sonegando à opinião pública nacional e internacional que o Brasil é um dos países
pioneiros nessa atividade especializada, que pressupõe a existência de centros de
excelência capazes de desenvolver a sua própria tecnologia de ponta e que exige pessoal
com especial vocação e formação para esse nobre e especializado ramo da ciência
humana.
Portanto, é devido a essa suspeita sonegação de informações pela maioria dos
grandes OCMs, que os brasileiros NÃO sabem que, desde o início dos anos 60, o nosso
país já dedicava especial prioridade às atividades espaciais, por intermédio do então
Ministério da Aeronáutica, e que – a partir de 1980 – vem diligentemente tentando
implementar o Programa da “MISSÃO ESPACIAL COMPLETA BRASILEIRA (MECB)",
então tornada oficialmente meta central e principal de nossa Política Espacial.
Assim, nosso povo ignora – e certamente também muitas das lideranças políticas e
sociais - que já há várias décadas o Brasil vem investindo, com notáveis e repetidos
êxitos, recursos orçamentários e inteligência no desenvolvimento do seu programa
espacial, do qual faz parte o desenvolvimento e operação de um Veículo de Lançamento
de Satélites (VLS) integralmente brasileiro, como etapa essencial da MECB.
A obstinada sonegação quase unânime pelos OCMs ao longo de tantos
anos, das informações sobre os MAGNÍFICOS êxitos obtidos pela
FAB/CTA/IAE, no desenvolvimento, fabricação e lançamento de vários tipos
de foguetes, inclusive em parceria com países desenvolvidos, torna óbvia a
existência de uma conspirata para se ocultar da opinião pública e das
lideranças sociais e políticas do país, que a decisão do Governo Brasileiro de
buscar a qualificação de um VLS e a implementação plena da MECB, fora um
acerto mais do que comprovado pelos fatos, pelos progressos técnicos
conseguidos e pelos retornos econômicos/financeiros obtidos com esses
dois Projetos.
E a existência dessa conspirata é confirmada pelo fato de que – depois de várias
centenas de lançamentos bem sucedidos, quase sem qualquer divulgação -
SOMENTE nos fracassos dos 3 Veículos Lançadores de Satélites (VLS), quando
ocorreram três acidentes estatisticamente muito improváveis e mais do que suspeitos – só
então os OCMs orquestraram repetida e desfavoravelmente esses insucessos... Por quê
?
b. Atuação facciosa dos OCMs no trágico episódio do VLS -1-V03:
Ficou claro acima, que vários dos grandes OCMs brasileiros, têm se comportado
como cúmplices conscientes e sine qua non quanto à pertinácia de alguns dos erros
gravíssimos que têm sido cometidos pelos nossos governos centrais a partir de 1989.
Neste episódio trágico, porém, vários dos nossos principais OCMs estão indo muito
além, pois se transformaram em autênticos órgãos de desinformação e de tendenciosas
análises sempre no sentido de que sejam tomadas decisões que – não por mera
coincidência - são exatamente as mesmas que os grandes órgãos da mídia norteamericana
propõem.
Fazendo eco servil aos seus congêneres dos EUA, nossos OCMs “recomendam”
para a Política Espacial brasileira o alijamento dos militares dessa atividade (o que
definem como “desmilitarização”) e, mais especificamente, pregam a extinção do Projeto
do nosso VLS tal como está concebido, a despeito dos inúmeros êxitos inegáveis obtidos
pelos nossos foguetes, além de sugerirem, implicitamente, a supressão do atual Programa
da MECB.
Não procede, também, o argumento de alguns OCMs “internacionalistas” que –
depois da tragédia com o VLS-1 - V03 -- já se apressam a afirmar e insistir que teremos de
reformular nossa Política Espacial praticamente a partir do zero, o que nos aconselharia a
fazê-lo desde já adotando soluções diferentes, elegendo como propelentes principais os
combustíveis líquidos. (11[11])
Essas opiniões tendenciosas – que os OCMs logo se apressam a repetir, amplificar e
orquestrar – simplesmente sonegam para a opinião pública e escondem das lideranças
políticas e sociais, o fato inconteste de que os conhecimentos que adquirimos com a
utilização dos propelentes sólidos, a sua excepcional segurança comprovada
universalmente, além do amplo domínio sobre a tecnologia de lançamentos de veículos
espaciais que conseguimos desenvolver ao longo dos anos com os incontáveis êxitos
registrados, nos OBRIGAM – por razões de eficácia e de racionalidade - a mantermos o
projeto atual.
Obviamente – também por razões de racionalidade – o Brasil deve buscar o amplo
domínio da tecnologia dos propelentes líquidos, o que aliás já estava sendo feito pela
nossa FAB com o projeto do VLS -2 [ver ( 2 )], acionado a propulsão mista, com a utilização
de combustíveis líquido e sólido em estágios diferentes.
É literalmente IMPOSSÍVEL que qualquer pessoa ou mesmo
qualquer ente privado consiga neutralizar – por mais que argumentem -
essa verdadeira campanha impatriótica de desinformação e essa
“orquestração” multiforme e amplificada empreendida pelos OCMs,
insistindo na “desmilitarização” da atual Política Espacial e sugerindo a
extinção dos Projetos de VLS e da MECB.
A defesa pública dessas duas decisões comprovadamente
acertadas, DEVE ser uma iniciativa INDISPENSÁVEL do Governo
Federal, único capaz de neutralizar essa campanha de descrédito.
Normalmente, -- seguindo a sistemática habitual para a difusão de Documentos de
Inteligência -- esta Análise deveria ser difundida com uma classificação sigilosa baixa,
11[11]) A FAB optou por buscar o domínio de propelentes líquidos mais estáveis, como a mistura (hidrazida + H2O2); daí a decisão de já
termos habilitados dezoito técnicos nossos nesse tipo de propelente na Rússia. Foi descartada – pelo menos no estágio dos nossos
conhecimentos atuais – a opção pela mistura do hidrogênio líquido com o oxigênio líquido, muito utilizada em foguetes norteamericanos
de uso civil, mesmo porque os EUA não admitem qualquer transferência de tecnologia no ramo espacial.
talvez RESERVADA ou CONFIDENCIAL, exclusivamente para entes e/ou autoridades que
têm interesse funcional e/ou competência institucional sobre decisões relativas a assuntos
pertinentes a este trágico evento.
Diante, porém, da ampla “orquestração” promovida pelos OCMs, feita em proveito de
decisões inequivocamente antinacionalistas e impatrióticas, foi INDISPENSÁVEL que se
fizesse uma difusão bem mais ampla, divulgando-se o mesmo documento também para
pessoas e entes cujas opiniões têm efeito multiplicador nas lideranças sociais e políticas
brasileiras e na opinião pública, para tentar neutralizar um pouco os efeitos produzidos
pela desinformação sistemática produzida pelos grandes OCMS. É o que estamos
fazendo.
Contudo, para preservar o sigilo ESSENCIAL quanto à possível responsabilidade
sobre as mais graves “não-conformidades” levantadas pelo RF, um documento mais
amplo, mais minucioso e mais técnico teve que ser elaborado, este com uma classificação
sigilosa mais severa e com uma divulgação a mais restrita possível, a ser difundido a uma
lista de clientes composta exclusivamente por autoridades com responsabilidades sobre
tais apurações.
Esta a justificativa para a divulgação restrita de um outro documento sigiloso.
2. AS RESISTÊNCIAS INSTITUCIONAIS CONTRA A MECB E O VLS-1
a. a. Origem dessas resistências:
Diante de toda essa argumentação fática descrita até aqui, as perguntas que se
impõem, são:
Como explicar que alguns titulares do MCT/INPE e, (desde que foi criada), da
Agência Espacial Brasileira (AEB), (12[12]) vêm se opondo obstinadamente - por vezes
explícita, em outras, veladamente – ao prosseguimento da MECB ? Porque obstaculizam,
inclusive com ações concretas (como adiante comprovaremos), o desenvolvimento do
VLS-1 e a implementação plena da MECB ?... E porque não se curvam aos fatos, diante
dos indiscutíveis sucessos dos foguetes brasileiros ?!
O que pretendem aqueles que difundem -- inclusive orquestradamente pela mídia –
apontando pseudo “causas acidentais”, (algumas das quais têm inconsistências tão
evidentes que chegam a ser grotescas – como “correntes espúrias”) para explicarem os 3
lançamentos fracassados do nosso VLS-1 ? E por que o fazem ? Que tipo de ideologia
“internacionalista” os move ?
A explicação é simples:
Existe um grupo de pessoas – nacionais e estrangeiras - que tenta
“comprovar” que a opção do Governo Brasileiro por mísseis balísticos
12[12]) A AEB foi instituída no Governo Itamar pela Lei nº 8.854 de 10/02/1994, como órgão da Presidência da República, - segundo
noticiou a imprensa na época, por exigência dos EUA – e foi regulada pelo Decreto nº 1.329, de 6/12/1994 e pela Resolução nº 01/ 94,
de 25/11/ 1994 da própria AEB, e por outros documentos legais da própria AEB. Essa legislação concedeu à AEB uma competência
tão ampla quanto esdrúxula, posto que literalmente lhe foi permitido usurpar funções do MCT e do Min. Exterior, e até mesmo do
Senado Federal, pois foi autorizada a celebrar “aditivos” em acordos internacionais que implicavam em aumentos de encargos
financeiros no exterior. Em 2000, já no Gov. FHC, a AEB passou a ser um “ente vinculado ao MCT”, pelo Dec. nº 3.566 de 17/08/00,
mas manteve sua quase total autonomia em relação ao MCT, anomalia aliás característica de TODAS as “agência reguladoras” criadas
pelo Pres. FHC. Já no governo Lula, o Ministro de CT, Roberto Átila Amaral, tentou com o Dec. nº 4.718 de 04/06/2003, corrigir essa
autonomia anômala, mas foi substituído pouco depois dessa tentativa.
de uso dual (militar e/ou civil) movidos a propelente sólido, para colocar
em órbitas baixas cargas úteis (satélites e outras) está errada, e deve
ser abandonada; e os militares devem ser afastados dessa atividade,
alegando que eles nela já tiveram três fracassos...
Mas, como atrás já ficou comprovado, NADA PODE SER MAIS FALSO E NADA
MAIS IMPATRIÓTICO. Admitir isso, seria desistir de buscar a implementação total da
MECB e a certificação plena do nosso VLS-1, que representarão o coroamento de uma
decisão soberana do Estado Brasileiro e que irão assegurar a nossa independência
no domínio da tecnologia espacial.
b. Segunda conclusão parcial:
Por conseguinte, é forçoso se concluir – com total segurança - que
a alternativa de se abandonar a qualificação do nosso VLS-1 e desistir
da plena implementação da MECB, mais do que uma irracionalidade,
seria um atentado aos interesses maiores do Brasil e uma capitulação
diante de pessoas no mínimo mal informadas ou, talvez, mal
intencionadas e a serviço de entes internacionalistas e
antinacionalistas.
Agora, é mister explicar e analisar, minuciosamente, as obstinadas resistências aos
dois Projetos oficiais – a MECB e o VLS-01 – por parte dessas pessoas.
2.1. UMA GRAVE DISCORDÂNCIA ESTRATÉGICA SOBRE A POLÍTICA
ESPACIAL BRASILEIRA:
Que tipo de questões levaram à dispersão de esforços retro descritos, até às atuais
divergências de ponto de vistas, tão prejudiciais à implementação plena da MECB ?
a. Uma dicotomia velada mas inconciliável:
1) 1) O grave conflito de opiniões entre o MCT, o INPE e a AEB de um lado;
versus o Comando da Força Aérea Brasileira (FAB) do outro:
Não obstante estar bem clara a decisão do Governo Brasileiro ao institucionalizar em
1980 a MECB como parte essencial da Política Espacial Brasileira – e a despeito disso --
desenvolveu-se em relação a essa decisão oficial, um oculto mas grave e inconciliável
conflito de posições entre, de um lado alguns titulares do MCT, do INPE e da AEB,
contestando radical mas veladamente, a partir da sua concepção, a Política Espacial
aprovada; e, do outro lado, a FAB/CTA/IAE, estes engajados com grandes e repetidos
êxitos, em realizar a sua tarefa dentro da MECB.
Ocorre, porém, que essa “discordância” estratégica (QUE SOBREVIVE ATÉ HOJE)
entre titulares desses órgãos, não é apenas teórica, pois ela tem vários ângulos e se
desdobra em conflitos concretos, TODOS ELES muito graves e prejudiciais à
implementação plena da MECB.
Um dos ângulos dessa dicotomia MCT/INPE/AEB X FAB, é que a corrente de
opiniões que tem dominado o MCT, (exceto no breve período do Ministro Roberto Átila
Amaral Vieira), o INPE e a Direção da AEB tem pregado veladamente – tal como desejam
e pressionam os últimos governos dos EUA – a necessidade de se “desmilitarizar” a
Política Espacial brasileira.
Mas a idiossincrasia antimilitarista dessas pessoas não se limita ao absurdo de
reclamar o afastamento da FAB dessa atividade; elas também propõem reservadamente
que se abandone a MECB e o atual Projeto do VLS-1 a combustível sólido, por argüir –
equivocada e impatrioticamente -- que o nosso VLS estaria em desacordo com o Missile
Technology Control Regime - (MTCR) (13[13]) e, por isso, deve ser substituído por foguetes à
propulsão líquida. (ver 02)
E o fazem desprezando o fato concreto e real que – quanto a isso --
essa tecnologia dual foi desenvolvida pelo CTA/IAE para obedecer
RIGOROSAMENTE a uma decisão regular e oficial da Presidência da
República quando aprovou a MECB, opção soberana do Governo
Brasileiro que a FAB NÃO poderia deixar de cumprir.
2) A criação de um “Espaçoporto Internacional” em Alcântara:
A realidade é que, se analisarmos todos os dados deste problema complexo,
concluiremos sem dificuldade que a questão nodal dessa discordância ideológica está
centrada em duas alternativas obviamente excludentes:
- transformar-se (ou não), o Centro de Lançamento de Alcântara em um “espaçoporto
internacional”, de onde países e/ou empresas estrangeiras lançariam seus foguetes ao
espaço exterior, portando suas cargas úteis (militares e/ou civis ?); ou
- manter-se o uso do CLA restrito exclusivamente a lançamentos de veículos
espaciais brasileiros, portando cargas úteis nossas e/ou de terceiros.
A primeira dessas alternativas, cuja opção é inequivocamente “internacionalista”
porque tem várias conseqüências gravemente antinacionalistas – a principal delas, um
seriíssimo risco de lesão da Soberania Nacional e da Integridade Territorial do Brasil, mas
também a de tornar totalmente irrelevante a implementação da MECB -- vem sendo
esposada por titulares da direção da AEB, a começar pelo Sr. Gylvan Meira Filho, seu
primeiro Presidente.
13[13]) O Missile Technology Control Regime (MTCR), instituido em 1987 pelo G-7, visa limitar os riscos de proliferação de armas de
destruição em massa (nucleares, químicas e biológicas) pelo controle das transferências para fora da jurisdição do G7 da tecnologia
dos sistemas de vetores de lançamento de tais armas (com exceção de aeronave tripuladas). Quando da inclusão do Brasil no MTCR,
em 1994, foi ressalvado que nossa adesão ao acordo, tinha por objetivo "limitar os riscos de proliferação de armas de destruição em
massa" mas "não se destinam a dificultar programas espaciais nacionais, nem a cooperação internacional relativa a tais programas, na
medida em que tais programas não contribuam para sistemas de ataque com armas de destruição em massa" (textuais). Assim, ao
contrário do que supõem alguns, a MECB e o VLS-1, não implicam em violação do acordo – nos termos em que o Brasil deu a sua
adesão. O Chefe da Missão de preparação da adesão do Brasil ao MTCR, foi o então Embaixador José Viegas, depois Ministro da
Defesa
Registre-se aqui, por pertinente, que o Dr. Gylvan foi guindado a essa função-chave,
importantíssima para a implementação da MECB, saído diretamente da condição de
funcionário da NASA, para a qual ele havia trabalhado por vários anos, e foi mantido na
direção da AEB por longo período (de 1994 até o fim de 2001), durante o qual ocorreram
os dois lançamentos fracassados em 1997 e 1999.
Outros titulares desse órgão também nunca esconderam sua opinião quanto a isso,
entre eles o seu último ex-Presidente, Dr. Luiz Bevilácqua, cuja atuação passada e cujo
discurso de posse, não deixaram margem a qualquer dúvida quanto às suas resistências à
MECB, e a sua opinião favorável à transformação do CLA em um “Espaçoporto
Internacional” (14[14]).
Até mesmo o recém nomeado presidente da AEB, Eng. Sérgio Maurício Brito
Gaudenzi, que substituiu Bevilácqua, - em que pese o teor nacionalista do seu discurso de
posse – também já se posicionou a favor dessa opção comercial intensiva do CLA.
E convém revelar que o Sr. Gylvan Meira Filho, como epílogo da sua longa gestão,
pouco depois de deixar sua função de Presidente da AEB (mas mantido pelo Min. Ronaldo
Sardenberg, como funcionário categorizado do MCT)(15[15]), recebeu em 24/01 /2002, a
Medalha Notável Serviço Público, a mais alta honraria conferida pela NASA “em
reconhecimento à sua dedicação ao desenvolvimento da cooperação espacial entre o
Brasil e os Estados Unidos.” Sem comentários !
Em síntese, as pessoas que aderem inadvertidamente à criação desse “espaçoporto
internacional” em Alcântara, estão como hipnotizadas por uma visão comercialística da
nossa Política Espacial, advogando uma intensa exploração comercial do CLA que - por
sua localização geográfica privilegiada – tornaria o Brasil altamente competitivo para
prover uma ampla gama de serviços espaciais, com ênfase para os lançamentos orbitais,
notadamente de foguetes estrangeiros.
Esses personagens imaginam que, desta forma, se poderá fazer dos lançamentos a
partir do CLA uma grande fonte de renda para o Brasil, e/ou para o Maranhão, mas alguns
deles – diga-se a bem da verdade – pensando quanto podem lucrar com isso,
provavelmente aqueles que pregam insistente e levianamente essa opção comercialística.
Portanto, não é exagero afirmar que a AEB, desde a sua criação, mas também o
MCT/INPE, têm sido chefiados e mobiliados por vários titulares explicitamente favoráveis a
esta tendência “internacionalista”.
Existem até alguns altos chefes militares e muitos líderes civis favoráveis à intensa
exploração comercial do CLA, admitindo que se negocie o lançamento de veículos
espaciais estrangeiros com cargas úteis de empresas e/ou de países estrangeiros a partir
14[14]) Só recentemente, depois da explosão do VLS-1- V03, o último ex-Presidente da AEB, Dr. Bevilácqua, parece que reformulou sua
opinião quanto à MECB, pois fez publicar artigos no SITE da AEB, (ver www.aeb.gov.br - “A Retomada do Programa Espacial
Brasileiro” - 18/11/2003 - 09:11:25 e outros) elogiando a MECB, na qual ele reconheceu agora amplos méritos, e se declarou a favor da
manutenção do atual Projeto do VLS, “até por razões de racionalidade, face às centenas de lançamentos bem sucedidos” (nãotextuais).
Talvez por isso mesmo tenha sido substituído pouco depois de publicar esses artigos...
16) O Dr. Luiz Gylvan Meira Filho foi nomeado Secretário de Política e Programas em Ciência e Tecnologia.
.
de Alcântara; o que os faz, portanto, favoráveis implicitamente a esse “espaçoporto
internacional” – muitos deles certamente sem se dar conta de que essa adesão implica em
risco INACEITÁVEL de lesão dos Princípios Fundamentais da Soberania, da
Independência e da Autodeterminação e de valores INEGOCIÁVEIS como a Unidade e
Integridade Territorial do país.
É provável que existam também incontáveis concidadãos favoráveis a essa opção
comercialística do CLA, a maioria deles - com absoluta certeza - por total desinformação
sobre as gravíssimas ameaças que esse “espaçoporto” traz implícitas.
O mesmo se pode dizer do ex-Presidente da República, Senador José Sarney, hoje
Presidente do Congresso Nacional, que influenciou a nomeação de uma maciça maioria
de parlamentares maranhenses como membros da “COMISSÃO EXTERNA DESTINADA
A FAZER O DIAGNÓSTICO TÉCNICO SOBRE O ACIDENTE COM O VEÍCULO
LANÇADOR DE SATÉLITE, VLS-1” (CEXALCAN), provavelmente para ter maioria nas
decisões dessa Comissão visando beneficiar o seu Estado natal.
Ocorre, porém, que o Senador Sarney já adotara claras posições quanto ao uso
comercial intensivo do CLA, favorável implicitamente à criação de um “espaçoporto
internacional” em Alcântara.
A realidade é que a maioria da população e até das autoridades ignoram, mas alguns
simplesmente desprezam, o fato que essa opção comercialística SÓ PODE SER
ADOTADA com um risco INACEITÁVEL para a Soberania Nacional, e/ou com um sério
“perigo da lesão” da Integridade Territorial do nosso país, o que fere Princípios
Fundamentais da CF e valores tutelados pela Lei de Segurança Nacional (LSN) (16[16]) e
pelo Código Penal Militar Brasileiro (CPMB), como adiante comprovaremos.
A dura verdade é que alguns daqueles que agora estão promovendo insistentemente
essa tese mercantilista quanto ao uso do CLA, são movidos por uma espécie de ideologia
“internacionalista”, que prega princípios como “soberania relativa”, “interdependência entre
as Nações”, “poder de ingerência”, etc., e, por isso, admitem até fazer concessões
“negociadas” que lesam ou extenuam valores e princípios indispensáveis à existência de
um Estado Nacional Soberano, como a Soberania, a Autodeterminação dos povos, a
Independência Nacional e a Integridade Territorial do país.
Algumas dessas pessoas não estão se revelando “internacionalistas” apenas agora,
nesta magna questão da MECB e do VLS-1, mas também já o foram nas negociações do
Contrato 01/95 do SIVAM com a empresa norte-americana RAYTHEON; como também no
“Acordo de Salvaguardas Tecnológicas EUA/Brasil”, para uso do CLA pelos EUA, na sua
versão original, depois reformada pelo Congresso.
16[16]) Tentativa de revogação da atual LSN : Em 28/10/2001, a ex-Diretoria da ASSOCIAÇÃO DOS MILITARES DA RESERVA do
Paraná - (ASMIR/PR), apresentou um REQUERIMENTO ao Congresso solicitando que fosse SUSTADO, na forma do Art. 49, inciso V,
da CF/88, o “acordo sardenberg” - BRASIL/EUA sobre o uso de Alcântara, justificando que esse “acordo” tipificaria crimes contra a LSN,
e apontando o Min. Ronaldo Sardenberg como um dos responsáveis por esses delitos. Cerca de um mês depois, em 03/12/2001, foi
desentranhado do arquivo da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, o PL n.º 3054 de 2000 que revogava a Lei
n.º 7170/83 (LSN), mas que nunca fora votado; teve como Relator o dep.João Hermann Neto (PPS-SP), amigo do Min. Sardenberg, e
foi colocado na pauta para ser discutido e votado dois dias depois, em 05/12/2001. Após várias violações regimentais graves, a
Comissão revogou unanimemente a atual LSN. Entretanto, essa tentativa de revogação da LSN não se consumou, porque o ano
legislativo se encerrou poucos dias depois, e esse PL nunca foi submetido ao plenário da Câmara nem do Senado. Por isso, essa LSN
permanece plenamente em vigor.
Aliás, isso explica porque membros da direção da MCT/AEB também tentam ainda
hoje repristinizar todas as chamadas cláusulas de “salvaguardas tecnológicas” desse
“acordo” EUA/Brasil já rejeitadas pelo Congresso, sofismando que todos os acordos que já
foram (ou que venham a ser) assinados com quaisquer países, obrigam que o Brasil
aceite previamente todas as cláusulas da redação original do “acordo sardenberg”, por
exigência do MTCR.
2) 2) A usurpação de prerrogativas privativas do Presidente da República
Tanto o “Acordo de Salvaguardas Tecnológicas EUA/Brasil” assinado em 18 de abril
de 2000; quanto o “Acordo Entre o Governo da República Federativa do Brasil e o
Governo da Ucrânia, sobre Salvaguardas Tecnológicas Relacionadas à Participação da
Ucrânia em Lançamentos a partir do CLA” assinado em 16/01/2002 – ambos foram
firmados INDEVIDAMENTE pelo Ministro de Ciência e Tecnologia do Brasil, Sr. Ronaldo
Sardenberg.
Essa ilegalidade tipificou a violação de uma norma constitucional pois, de acordo com
o que estabelece o art. 84, inciso Vlll da CF, a competência para “celebrar tratados,
convenções e atos internacionais” é PRIVATIVA do Presidente da República, além do que
no texto constitucional não existe – explicita ou implicitamente - qualquer dispositivo que
permita ao Presidente delegar ou outorgar essa competência específica – a do inciso VIII
- para o Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia, ou para qualquer dos seus ministros,
em cujas atribuições ademais, também não está prevista essa prerrogativa que deve ser
considerada intransferível e exclusiva do Presidente da República (verbis):
Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República:
............
VIII - celebrar tratados, convenções e atos internacionais, sujeitos a
referendo do Congresso Nacional;.......
Parágrafo único. O Presidente da República poderá delegar as atribuições
mencionadas nos incisos VI, XII e XXV, primeira parte, aos Ministros de
Estado,................
Art. 87. Os Ministros de Estado....
Parágrafo único. Compete ao Ministro de Estado, além de outras
atribuições estabelecidas nesta Constituição e na lei: ......
IV - praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe forem outorgadas ou
delegadas pelo Presidente da República.
Por conseguinte, como entre as atribuições PRIVATIVAS do Presidente
da República está a prerrogativa de “celebrar tratados, convenções e atos
internacionais...”, e como ele NÃO PODE delegar ou outorgar as suas
atribuições do inciso VIII; e considerando que, nas competências dos
Ministros não figura essa prerrogativa, houve usurpação da autoridade do
Presidente da República e a nulidade dos Acordos resulta de que ele foi
assinado por uma autoridade incompetente para o FIRMAR, ou seja, por um
ministro de Estado (o Ministro Ronaldo Sardenberg) e NÃO pelo Presidente
da República, (o Sr. FHC).
3) A usurpação de prerrogativas do Senado Federal (outro exemplo)
O “AJUSTE COMPLEMENTAR AEB/NASA” celebrado entre a Agência Espacial
Brasileira e a NASA, para a participação do Brasil na Estação Espacial Internacional, o
denominado subprograma ISS-NASA, modificou profundamente o anterior Acordo-quadro
Brasil/EUA sobre a Cooperação nos Usos Pacíficos do Espaço Exterior, celebrado em
01/03/1996 e em vigor desde 09/07/1997(Dec.n.º 2310 de 25/08/1997), mas NUNCA foi
submetido à aprovação do Congresso Nacional, a despeito de ter gerado severos
encargos gravosos inexistentes no Acordo-quadro original.
E, por ter esse “ajuste” modificado profundamente o Acordo-quadro original
Brasil/EUA, a ponto de criar despesas volumosas com esse subprograma ISS-NASA,
gerando encargos financeiros EXTERNOS até então inexistentes nos orçamento fiscais do
MCT, nem no da AEB, houve também usurpação de prerrogativas privativas do Senado
Federal – previstas nos incisos V e VII do Art 52 da CF – por ter sido firmado sem a
autorização prévia dessa Casa do Congresso Nacional para que fossem feitas novas
dívidas EXTERNAS.
Esse “ajuste complementar” foi denunciado pelo Dr. Marcelo Zero, como uma
sabotagem indireta à MECB e aos VLS-1, pois desviou grandes montantes de verbas
orçamentárias destinadas ao Programa Nacional de Atividades Espaciais - PNAE (que
engloba AEB e INPE) para o subprograma do ISS-NASA, como adiante será analisado
4) Ocorre que aqueles que negociam tais “acordos” , mascaram esse tipo de
ilegalidade atrás de termos como “ajustes”, “protocolos”, “aditivos”, “contratos”, “projetos”,
“programas” e outros, usados quando pretendem livrar o texto “negociado” da exigência
constitucional de homologação pelo Congresso Nacional, e querem esconder a usurpação
de poderes que eles perpetram
Por exemplo, num desses “ajustes”, os que o negociaram aceitaram ampliar de
maneira impatriótica o “Acordo-Quadro de Cooperação Científico-Tecnológica” Brasil/EUA,
transformando-o no mais invasivo, lesivo e perigoso de todos os “acordos“ já firmados por
representantes brasileiros, o “LBA – (The Large Scale Biosphere-Atmosphere Experiment
in Amazonia) também denominado “Ajuste Complementar para Cooperação na Área de
Pesquisa Ecológica no Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na
Amazônia”, este assinado pelo então Ministro da Ciência e Tecnologia, Sr. JOSÉ ISRAEL
VARGAS, e regulamentado pelo seu sucessor nesse Ministério, o Embaixador Ronaldo
Mota Sardenberg pela Portaria nº 580/MCT, de 08/ 10/ 2001.
Este “ajuste” – que nunca foi submetido ao Congresso – criou inaceitáveis encargos
gravosos sobre a maior de todas as riquezas nacionais, a floresta amazônica, pois
permitiu uma verdadeira invasão de dezenas de “cientistas”, para coletar sem qualquer
controle eficaz, “dados ambientais” sobre o regime de chuvas (e sobre o que mais?) para
enviá-los ao satélite do INPE e, deste, ao satélite da NASA utilizando quase duas dezenas
de torres plantadas na Amazônia Legal; além de autorizar o sobrevôo de dois aviões
laboratórios (tipo U2 científico), sobre a Amazônia brasileira, também fazendo medições
de “dados científicos” (quais ? e sobre o que ?) que são enviados à NASA.
Como se conclui, nesse “ajuste” do LBA, (como em outros), têm sido feitas
concessões gravemente danosas não apenas à Soberania do país, mas também a valores
inalienáveis, como a defesa de nossa biodiversidade e dos segredos estratégicos da
Região amazônica, hoje já inteiramente devassados e violados por dezenas de “cientistas”
e de “representantes estrangeiros”, cuja presença e livre movimentação e atuação naquela
área foram permitidas pelos que firmaram esses “ajustes”.
b. Óbices legais e constitucionais à criação de um “Espaçoporto
Internacional” em Alcântara:
Por conseguinte, a propósito dessa divergência estratégica, é INDISPENSÁVEL
alertar aqui que a simples decisão (e mais ainda a implementação) de se criar um
“Espaçoporto Internacional” em Alcântara, mantido o controle sobre a área ocupada
com a configuração dada pelos dois “acordos sardenberg”, em especial o dos EUA - mas
também o da Ucrânia, já aprovado pelo Congresso Nacional – indiscutivelmente, tipificaria
crimes contra um Princípio Fundamental da CF (Art. 1º caput, e inciso I) (verbis):
“Art. 1º - A República Federativa do Brasil, formada pela união
indissolúvel dos Estados, Municípios e do Distrito Federal, constitui
um Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I – a soberania;
Contra a Lei n.º 7170/83, (LSN), (Art.1º, inciso I, Art 3º, combinado com o Art 9º)
(verbis):
“Art. 1º - Esta Lei prevê os crimes que lesam ou expõem a perigo de
lesão:
I - a integridade territorial e a soberania nacional;...”
Art. 3º - Pune-se a tentativa com a pena correspondente ao crime
consumado, ......”
Art. 9º - Tentar submeter o território nacional, ou parte dele, ao
domínio ou à soberania de outro país.” ....”
E/ou também contra o CPMB, (Dec-lei nº 1001/ 69) (verbis):
Art. 142 - Tentar:
I - submeter o território nacional, ou parte dele, à soberania de país
estrangeiro...;
III - internacionalizar, por qualquer meio, região ou parte do território
nacional:
Note-se que a simples TENTATIVA já tipifica este crime.
Sobreleva também ressaltar que, eventualmente, uma vez ocupadas as GRANDES
áreas cedidas aos beneficiários dos dois “acordos sardenberg” (EUA ou Ucrânia) - e feitos
os vultosíssimos investimentos INDISPENSÁVEIS para que essas bases estrangeiras em
nosso território possam funcionar plenamente – NINGUÉM poderá nos garantir que algum
dia tais potências nucleares aceitarão pacificamente abandonar suas caras instalações e
evacuar seu numeroso pessoal, devolvendo-nos o pleno domínio dessa parcela do
território nacional.
Essa DÚVIDA crucial – que deve ser solucionada ANTES de se admitir qualquer
ocupação do nosso território por quem quer que seja – se revela mais crítica ainda em
relação aos EUA, cujo governo não tem como esconder a sua intenção (deduzida, embora
não explícita) de usar Alcântara como instalação essencial para completar e dar eficiência
operacional plena ao projeto do “guarda-chuva nuclear” do Presidente Bush Filho.
c. As gravíssimas ameaças que a criação de um “espaçoporto
internacional” no CLA acarretaria para o Brasil:
Mesmo na hipótese de que os “acordos” para a utilização do CLA por países e/ou
entes estrangeiros, contenham explícitas cláusulas de transferência de tecnologia e de
controle compartilhado de toda a área cedida, ainda assim, como poderíamos garantir que
essa transferência de tecnologia, como contrapartida, será tão compensatória a ponto de
tornar aceitável uma perda parcial da nossa Soberania sobre a área, e toleráveis os
graves riscos de lesão da Integridade Territorial do país ?
E ressalte-se que NENHUM dos dois “acordos sardenberg” (EUA ou Ucrânia) admite
“transferência de tecnologia” nem “controle compartilhado”; ambos, ao contrário, contêm
cláusulas que os proíbem explicitamente.
É, porém indispensável ressalvar que o acordo Brasil-Ucrânia celebrado em Kiev em
16 de janeiro de 2002, tem por objetivo permitir o uso do CLA por uma empresa estatal
ucraniana, associada em joint venture provavelmente à estatal INFRAERO .
Além disso, este Acordo diverge substancialmente do assinado com os EUA porque
dele não constam as absurdas salvaguardas políticas como as impostas (segundo o Min
Ronaldo Sardenberg) pelos norte-americanos. Por exemplo, os países não-membros do
MTCR não são discriminados, nem há veto político unilateral e foi suprimida a proibição
(inócua, aliás) do uso da receita arrecadada em pesquisas aeroespaciais.
Por outro lado, o Congresso aprovou o acordo com a Ucrânia dependente de
algumas cláusulas interpretativas, que acenam com o controle compartilhado e com uma
ainda remota possibilidade de transferência de tecnologias.
A existência no Brasil de uma competente e bem integrada colônia ucraniana de 600
mil pessoas, tenderia a facilitar essa negociação posterior, principalmente se essa parceria
tiver o êxito comercial que se espera.
Note-se, entretanto, que o Decreto Legislativo.nº 766, de 16.10.2003 que aprova o
Acordo com a Ucrânia, afirma apenas que os dois paises “envidarão seus melhores
esforços” tanto para o controle compartilhado da área, como para o acesso a algumas
informações técnicas sobre os lançamentos, suas cargas, suas órbitas, suas finalidades e
outros dados exclusivamente relacionados aos lançamentos, mas – a rigor - nada diz
explicitamente quanto à transferência de tecnologia, que também não está claramente
explícita na "Declaração Conjunta sobre a visita à Ucrânia do Ministro de Estado da
Ciência e Tecnologia do Brasil, Doutor Roberto Amaral", firmada por este e pelo Sr.
Olexander Negoda, Diretor-Geral da Agência Espacial da Ucrânia.
Obviamente isso é AINDA muito pouco, principalmente quando se sabe que o texto
do “acordo” firmado contém cláusulas explícitas que IMPEDEM esses “melhores esforços”,
ou seja, a transferência de tecnologia.... acreditar em “memorandos” é atitude ingênua,
que ignora que entre países NÃO existem amizades, mas sim interesses...
Ressalte-se, também em relação ao acordo com a Ucrânia, as ameaças aos
interesses do Brasil não são menos graves, devido ao fato – pouco noticiado pelos OCMs
ocidentais – da progressiva, e agora talvez iminente, reabsorção da Ucrânia pela Rússia
(Fonte: jornal on-line em latim "Ephemeris", da Polônia – out/2004).(17[17]) E, uma vez consumada
essa provável reabsorção, teríamos hoje – por tabela – concedido indiretamente à Rússia
a autorização para o uso do CLA, sob as mesmas cláusulas favoráveis que hoje
negociamos com a Ucrânia.
Além disso tudo, seria de se EXIGIR também – nos dois “acordos” – que conste na
cláusula de DENÚNCIA, que seus efeitos serão IMEDIATOS rejeitando-se, portanto, os
Artigos X, n.º 3 de ambos, tanto no dos EUA quanto no da Ucrânia -- pois os dois
estabelecem que a DENÚNCIA somente terá efeito UM ANO APÓS a data da sua
notificação.
Ora, a DENÚNCIA de Acordos Internacionais tão delicados como esses – que
obrigam a graves e perigosíssimas concessões de nossa parte – DEVE, pela lógica, ter
efeitos suspensivos imediatos, porque acordos internacionais SOMENTE são denunciados
diante de fatos e/ou atos e/ou irregularidades muito lesivos, dos quais uma das partes
discorde com veemência e energicamente, ou se sinta seriamente prejudicada e/ou
ameaçada e – nestes casos específicos – a suspensão imediata do “acordo” se impõe,
posto que talvez as discordâncias possam até produzir desdobramentos e/ou acarretar
conseqüências irreparáveis e/ou causar danos irreversíveis.
Mas, ainda que esta última exigência seja TAMBÉM aceita pelo país estrangeiro, as
perguntas que OBRIGATORIAMENTE devem responder a si mesmos os
parlamentares que pensam eventualmente homologar qualquer desses “acordos
sardenberg” – ainda que contendo as modificações com as quais alguns imaginam
torná-los admissíveis -- são :
NA HIPÓTESE DE – UM DIA -- O GOVERNO DESSES PAÍSES
NUCLEARES SE NEGAREM A DEVOLVER A ÁREA OCUPADA DO
NOSSO TERRITÓRIO E A EVACUAR TODO O SEU NUMEROSO
PESSOAL, QUAIS AS ALTERNATIVAS QUE TERIA O GOVERNO
BRASILEIRO ?
17[17] ) As maiores cidades do Leste ucraniano, já têm maioria de russos em sua população; o atual Presidente do país é um submisso
“aliado” do Presidente Putim, de tal forma que o candidato situacionista à sucessão nas eleições de 31 de outubro, Victor Ianukovyts,
também o é. Este já se comprometeu que, se vencer as eleições – o que é provável -- devolverá para a Rússia o Porto de Sebastopol, o
único porto da antiga URSS que NÃO congelava no inverno; concederá aos russos dupla nacionalidade, e declarará o russo como
segundo idioma da Ucrânia. O fato é que a RÚSSIA de Putim, subrepticiamente, está tentando reconstituir - com o silêncio cúmplice de
todo o Ocidente - uma Confederação muito semelhante ao antigo território da URSS. A Geórgia já está reanexada, na prática, porque já
tem um presidente fantoche de Putin; e o jornal "Washington Post" vaticinou que o presidente Putin, em poucos anos terá em suas
mãos a Rússia Branca, a Ucrânia e a Moldávia. A única que resiste, militarmente, é a Chechênia...
COMO IRÍAMOS IMPEDI-LOS DE CONTINUAR OPERANDO SUAS
INSTALAÇÕES ? PROIBINDO-OS DE ENTRAR E SAIR DE ALCÂNTARA,
TALVEZ BLOQUEANDO TODO ACESSO TERRESTRE AO CLA ?
MAS, COMO IMPEDIRÍAMOS O ACESSO VIA AÉREA ? ABATENDO
SEUS AVIÕES E HELICÓPTEROS ? OU QUEM SABE TENTARÍAMOS
EXPULSÁ-LOS MANU MILITARE?
OU, PARA QUEM APELARÍAMOS? PARA A ONU? ... O QUE FAZER
ENTÃO ?
Entretanto, antes que qualquer um desses “acordos” seja afinal implementado é
ainda INDISPENSÁVEL resolver primeiro o seguinte dilema legal:
É INDISCUTÍVEL QUE A CRIAÇÃO DESSE “ESPAÇOPORTO
INTERNACIONAL”, TIPIFICARÁ UM CRIME PREVISTO NA LEGISLAÇÃO
AINDA EM VIGOR, COMO JÁ DEMONSTRAMOS.
COMO PÔDE O CONGRESSO NACIONAL IGNORAR ATÉ AGORA
ESSE IMPASSE LEGAL ? OU PENSAM SEUS LÍDERES TENTAR
NOVAMENTE A REVOGAÇÃO DA LSN ? MAS, QUANTO AO CPMB,
PRETENDEM TAMBÉM REFORMÁ-LO ?
E, QUANTO À SOBERANIA, PRESCRITA PELO ART. 1º, INCISO I, DO
TÍTULO I DA CF - COMO PODERÃO CONTINUAR A IGNORAR ESTE
PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL FUNDAMENTAL ?
Sem sombra de dúvida – as pessoas e autoridades que propõem que se façam
tantas concessões de conseqüências tão graves e ameaçadoras contra o Brasil – são
realmente adeptos de uma ideologia “internacionalista” e fervorosamente xenófilos...
É assim que eles podem ser definidos, sem se apelar para adjetivos depreciativos...
embora muito mais precisos.
d. Evidências de sabotagem orçamentária e financeira contra a MECB e o VLS-
01
“...Identificou-se expressiva defasagem entre recursos humanos e materiais
previstos como necessários.... defasagem de recursos financeiros e
descontinuidade na sua liberação, provocando ao longo os anos ...
defasagem salarial e perda de pessoal tecnicamente especializado... ”
(Relatório Final, Fator Humano, pg 96 in fine)
Acontece, outrossim, que todos essas divergências MCT/INPE/AEB X FAB não se
restringem a meras discordâncias teóricas ainda que de nível estratégico – em si mesmas
muito graves -- mas têm desdobramentos e repercussões em questões menores, mas
também muito prejudiciais à MECB :
- 1ª Evidência de sabotagem orçamentária/financeira :
Alguns dos efeitos concretos dessas discordâncias, acabaram por se traduzir em
restrições orçamentárias, em “contingenciamentos” e desvios de verbas já alocadas ao
CLA, ITA e CTA, suscitando as primeiras suspeitas de sabotagem financeira contra a
MECB e o Projeto do VLS. Esta suspeita foi confirmada pelo Dep. Waldir Pires quando ele
afirmou (in Relatório sobre o Acordo Sardenberg entre EUA/Brasil - 2001): “.. fato inconteste de que o
programa espacial brasileiro, bem como as instituições a eIe vinculadas (INPE, CTA, etc.),
foram fortemente sucateadas ao longo dos anos 90.”
- 2ª Evidência de sabotagem orçamentária/financeira:
Ao se falar de sabotagem orçamentária é oportuno questionar aqui, também, como
fundada suspeita, a decisão do INPE quando optou por lançar seus satélites utilizando
foguetes estrangeiros (como, por exemplo, pelo Pegasus dos EUA, que em 1993
consumiu do nosso Programa Espacial, nada menos do que US$ 18 milhões).
Ora, essa decisão no mínimo polêmica, desfalcou – deliberadamente, ou não – as
receitas do IAE/CTA para um mais rápido e melhor desenvolvimento do VLS-01; e as do
Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), para realizar despesas com instalações e
equipamentos que beneficiariam às operações de lançamento a seu encargo; receitas que
certamente teriam acelerado a implementação plena da MECB.
Será que esses satélites (nacionais) exigiam um lançamento tão urgente a ponto de
obrigar o INPE a gastar esses vultosos recursos para pagamento de lançadores
estrangeiros – sabidamente muito mais caros que o nosso VLS-1 ? E quem foi que decidiu
adotar essa alternativa prejudicial à MECB ?
Uma coisa é certa, porém: essa decisão do INPE absorveu da nossa Política
Espacial importâncias tão expressivas que, se aplicadas à MECB, teriam habilitado a FAB
a desenvolver o nosso VLS-1 muito mais rapidamente e com muito menores restrições
orçamentárias; e teriam sido dados passos importantes para a implementação plena da
nossa MECB.
- 3ª Evidência de sabotagem orçamentária/financeira:
Concorrendo para aprofundar as suspeitas de sabotagem orçamentária e/ou
financeira contra o VLS-01 e a MECB - e confirmando-as com fortes evidências - sabe-se
que volumosos recursos concedidos à AEB destinados a prover despesas com as
atividades do nosso Programa Espacial – e cuja aplicação prioritária óbvia deveria
ter sido na Política já oficializada desde 1980 -- foram gastos com a participação do
Brasil na Estação Espacial Internacional, este um novo encargo financeiro espacial gerado
por um “AJUSTE COMPLEMENTAR AEB/NASA” celebrado entre essas duas Agências,
modificando profundamente o anterior Acordo-quadro Brasil/EUA sobre a Cooperação nos
Usos Pacíficos do Espaço Exterior, celebrado em 01/03/1996 e em vigor desde
09/07/1997(Dec.n.º 2310 de 25/08/1997). E, apesar do longo prazo transcorrido, esse
“ajuste” NUNCA foi submetido à aprovação do Congresso Nacional, a despeito de ter
gerado severos encargos gravosos inexistentes no Acordo-quadro original.
A respeito disso, em 21 de dezembro de 2000, o Assessor Parlamentar do PT,
Marcelo Zero, analisando esses novos encargos orçamentários que desfalcariam a nossa
política espacial oficial, em um bem fundamentado parecer intitulado "CONSIDERAÇÕES
SOBRE O AJUSTE COMPLEMENTAR AEB/NASA", denunciou explicitamente como
uma sabotagem indireta esse desvio de verbas orçamentárias destinadas ao Programa
Nacional de Atividades Espaciais - PNAE (que engloba AEB e INPE) para o
subprograma do ISS-NASA: (verbis):
“ CONSIDERAÇÕES SOBRE O AJUSTE COMPLEMENTAR AEB/NASA
1. 1. No dia 14 de outubro de 1997, em Brasília, foi firmado o "Ajuste
Complementar entre o Governo da República Federativa do Brasil e o
Governo dos Estados Unidos da América para o Projeto,
Desenvolvimento, Operação e Uso de Equipamento de Vôo e Cargas
Úteis para o Programa da Estação Espacial Internacional".
2. 2. Trata-se, como o próprio nome indica, de um ajuste complementar
ao "Acordo Quadro entre o Governo dos Estados Unidos e o Governo
da República Federativa do Brasil sobre cooperação nos Usos Pacíficos
do Espaço Exterior", celebrado em 1º de março de 1996.
3. 3. Pelo texto do Ajuste Complementar, a Agência Espacial Brasileira
(AEB) forneceria à NASA uma série de sofisticados equipamentos que
seriam instalados na futura Estação Espacial Internacional (ISS), projeto
capitaneado pela agência norte-americana, e que conta com a
participação da Rússia, União Européia, Japão e Canadá.
4. 4. Em contrapartida, a NASA cederia à AEB quotas para a utilização
da Estação Espacial Internacional. Isto permitiria que a AEB possa
realizar experiências científicas em ambiente de microgravidade, além
de enviar um astronauta brasileiro para a Estação.
5. 5. Aparentemente, o citado Ajuste Complementar não teria nada de
mais. Contudo, muitos na comunidade científica nacional e internacional
questionam a utilidade e, acima de tudo, os custos de tais experiências
realizadas no espaço. Para alguns destacados cientistas, tais
experimentos poderiam ser reproduzidos em terra ou em aviões por um
preço bem mais acessível. Não teria sentido, portanto, a AEB injetar a
sua escassa verba orçamentária num programa de utilidade duvidosa
desenvolvido pela maior potência econômica do planeta.
6. 6. Ademais, a assinatura de tal ajuste implicou a previsão de boa parte
(cerca de 50%) da verba orçamentária destinada ao Programa
Nacional de Atividades Espaciais (que engloba AEB e INPE) para o
subprograma da ISS-NASA e para a preparação da Base de Alcântara
(que ficará, em parte, sob controle norte-americano), em detrimento do
desenvolvimento do veículo brasileiro lançador de satélites, que
nos permitiria, em tese, desenvolver programa espacial autônomo.
7. 7. Assim, os Subprogramas da "Participação Brasileira na Estação
Espacial Internacional" e da "Implantação da Infra-Estrutura Necessária
ao Centro de Lançamento de Alcântara Para a Prestação de Serviços
de Lançamento" vão receber, em 2001, R$ 41.500.000,00 e R$
17.599.000,00, respectivamente, ao passo que o "Desenvolvimento de
Veículos Lançadores de Satélites" receberá apenas R$ 12.371.780, 00.
8. 8. Saliente-se também que cerca de 60% dos contratos que a AEB
fará com empresas fornecedoras para desenvolver os equipamentos
destinados à ISS serão celebrados com firmas estrangeiras. Além
disso, o governo brasileiro aportará ao programa da NASA um total de
US $ 120 milhões, ou seja, quase 240 milhões de reais.
9. 9. No nosso entendimento, o Ajuste Complementar e o Acordo de
Alcântara colocam o programa espacial brasileiro e a AEB em estrita
dependência dos EUA. Tais acordos fazem parte, sem dúvida
alguma, de uma estratégia norte-americana destinada a impedir o
desenvolvimento do veículo brasileiro lançador de satélites e de
um programa espacial autônomo por parte do Brasil.
10. 10. Entretanto, o mais grave é que o Ajuste Complementar já está em
vigor e não foi enviado ao Congresso Nacional para aprovação ou
rejeição, tal como determina a CF. Destaque-se que o fato de ser um
"ajuste complementar" não significa que o acordo não deva ser
apreciado pelo Legislativo. É por isso que todo PDL que aprova um ato
internacional tem um parágrafo único, no seu artigo 1º, o qual afirma
que: ´Ficarão sujeitos à aprovação do Congresso Nacional quaisquer
atos que impliquem revisão do referido Acordo, bem como quaisquer
ajustes complementares (grifo nosso) que, nos termos do inciso I do
art. 49º da Constituição Federal, acarretem encargos ou compromissos
gravosos ao patrimônio nacional´.
11. 11. Ora, o referido ajuste complementar gera indubitavelmente
compromissos e encargos gravosos ao patrimônio federal, não apenas
porque os equipamentos que a AEB deverá desenvolver e enviar à
NASA são caros e sofisticados, mas fundamentalmente devido ao fato
de que tal ajuste significa clara opção por uma política tecnológica
e espacial dependente da norte-americana.
12. 12. A expectativa do governo é que o Congresso Nacional não descubra
o acordo. Caso ele seja descoberto e se questione o seu não-envio ao
Legislativo, a estratégia governamental será a de argumentar que o
Congresso Nacional aprovou verbas orçamentárias para os programas
criados pelo acordo, e que tal fato se constituiria numa forma indireta de
aprovação do ato internacional, o que é, convenhamos, um argumento
ridículo.
13. 13. Ressalte-se, por último, que o Ajuste Complementar AEB/NASA e o
Acordo de Alcântara vêm dividindo a opinião dos cientistas brasileiros
vinculados ao programa espacial. De um lado, estão aqueles que
defendem a tese de que o Brasil só poderia ter sucesso, nesse campo,
através da associação subalterna à Nasa. De outro, estão aqueles que
ainda acreditam no potencial da ciência brasileira e em conceitos em
franco desuso, como o de soberania nacional.” ( Dr. Marcelo Zero, em
21/12/2000) (grifos e destaques nossos)
Como o Dr Marcelo Zero corretamente deduziu, o convite dos EUA ao Brasil para
participar do seu Programa da Estação Espacial Internacional e a adesão da AEB a esse
convite, decisão esta firmada por meio desse “Ajuste Complementar” e da criação de um
subprograma ISS-NASA, foi uma forma oblíqua e enganosa dos que negociaram essa
participação, de conseguirem sabotar financeiramente o nosso Programa Espacial,
desviando para outros compromissos externos os nossos escassos recursos disponíveis,
ao mesmo tempo em que se furtavam de submeter esse novo “ajuste” ao Congresso
Nacional.
Ocorre, porém, que esse “Ajuste Complementar” -- por ter modificado profundamente
o Acordo-quadro original Brasil/EUA, a ponto de criar despesas volumosas com esse
subprograma ISS-NASA -- gerou encargos financeiros externos até então inexistentes nos
orçamentos do MCT, nem no da AEB, pelo que deveriam ter sido PREVIAMENTE
submetidos ao Senado Federal, por força do Art 52, inciso V e VII da CF, o que não
ocorreu até esta data.
E note-se que esse “ajuste” foi celebrado por dois órgãos de 3º escalão (AEB e
NASA) modificando sem a competência legal e sem a representatividade funcional, o
Acordo-quadro firmado entre os governos dos dois países.
Parece claro, portanto, que essa verdadeira trapaça diplomática, tipifica uma
usurpação das prerrogativas, tanto do Presidente da República, quanto do Senado
Federal, como retro descrevemos.
Essa sabotagem orçamentária foi confirmada também pelos dados divulgados pelo
SITE da própria AEB onde se declarava que, entre os anos de 2000 e 2003 (inclusive), de
um total de R$ 300.356.724,00 dos ORÇAMENTOS REALIZADOS para o Programa
Nacional de Atividades Espaciais - PNAE, foram gastos somente em despesas com o
ISS-NASA, R$ 59.451.813,00 (cinqüenta e nove milhões, quatrocentos e cinqüenta e um
mil e oitocentos e treze reais) enquanto, para efeito de comparação, nesse mesmo
período o INPE/AEB destinaram para o subprograma dos Veículos Lançadores (entre eles
o VLS -1) apenas R$ 38.615.562,00 – ou seja, pouco mais da metade do que foi gasto
com o subprograma do ISS-NASA, até hoje ilegal, e apenas cerca de 10% do montante
dos ORÇAMENTOS REALIZADOS, nesse período.
A propósito dessas contas, em 03/06/2004, atendendo ao Requerimento de
Informações n.º 1788/2004 de autoria do Deputado Edson Duarte, que questionou o total
das despesas com esse subprograma ISS-NASA, a resposta do MCT/INPE (ofício
557/MCT de 25/06/2004) informou quantias diferentes das que constavam no SITE da
AEB, registrando uma importância a menor de R$ 2.732.813,00; além de R$ 3.000.000
repassados pelo INPE para a AEB em 2003 como “contribuição institucional“(??), não
aparecerem empenhados no SIAFI (ver http://www.aeb.gov.br/dados_orcamentarios.htm )
Entretanto, é de se ressaltar que – como foi informado no mesmo ofício 557/MCT de
25/06/2004, já citado - o Ministério de C&T de 1997 a 2000 também desviou do Programa
Espacial Brasileiro para a US-ISS com pagamentos de contratos com a Boeing, com a
Embraer, com atividades de gerenciamento e com “Contribuições Institucionais“ o
montante de R$ 48.522.000,00 que, somados ao que foi desviado no período 2000 a
2003, totalizou R$ 106.241.000,00 para pagamento daquilo que denominaram “Fase
Original” porque concenente aos termos originais do “Ajuste Complementar“ firmado.
Sintetizando, todos estes valores – mais de R$ 100 milhões - foram desviados do
Programa Espacial Brasileiro para a US-ISS, ou seja, com resultado ZERO para a ciência
brasileira, para o PNAE, para a MECB e para o VLS-1.
Uma pergunta que deve ser feita é: quem são os responsáveis ? Não cabe aqui a
outra pergunta, “porque o fizeram?” pois esta já se sabe a resposta: o Dr Marcelo Zero já
havia denunciado aos congressistas brasileiros que esse “ajuste” seria uma sabotagem
disfarçada contra o PNAE.
Ademais, quanto a essas despesas, nesse mesmo ofício se informa que - somente
com o pagamento de um “projeto técnico” que nos habilitaria a construir um “palete
expresso” brasileiro a ser acoplado ao Laboratório Espacial – seriam gastos US$
12.375.000 milhões – importância que (ressaltamos) o PNAE pagaria por um mero
“projeto”, ou seja, nada de concreto e/ou tangível, nem de valor real objetivo para o
nosso PNAE propriamente dito, nem para a MECB, nem para o VLS-1, nem para o Brasil,
e sim para o ISS/NASA.
Como um absurdo a mais a ser contabilizado nessa adesão ao ISS/NASA que cheira
a megalomania – ou que comprova uma sabotagem que deveria merecer até mesmo uma
CPI – cedo se concluiu que o Brasil não teria nem a tecnologia, nem os recursos
orçamentários indispensáveis à construção desse “palete” (cujo custo final e total, depois
de acoplado estaria acima de US$ 300 milhões).
- A resposta para a segunda questão do Requerimento do Deputado Edson Duarte,
"Em que foram aplicados os recursos citados no item 1 ?", apresenta também varias
informações obscuras do INPE:
- Primeira - (a) - "As etapas estão organizadas em torno dos maiores contratos
firmados pelo subprograma, pois eles consumiram a maior parte dos recursos
efetivamente alocados."
O que o INPE quis dizer com isso ? É difícil saber como interpretar essa frase !
Estes contratos foram feitos entre o INPE e a Boeing, (1998/2001 - US$
12,375,000.00), e entre o INPE e Embraer, (1999/2001 - R$ 22.710.726,18). Importâncias
estas que foram gastas apenas para:
- “Elaboração de projeto preliminar, para estudos de concepções finais e
preliminares, para a prestação de serviços técnicos de avaliação, planejamento e
preparação para industrialização, prestação de serviços técnicos especializados de
revisão e definição das especificações técnicas finais do "palete expresso", no âmbito da
Estação Espacial Internacional.” (textuais)
Assim, é lícito afirmar que nem um centavo desses R$ 59.451.813,00 foi empregado
de fato na execução material e física desse "palete expresso" mas só, e exclusivamente,
em projetos, estudos, concepções, revisões, diárias e passagens, telefonia,
gerenciamento, etc., portanto, nada de concreto, nem de valor real objetivo para o Brasil
e/ou para o nosso PNAE propriamente dito.
- Segunda - (b) – informou ainda o INPE: "As etapas apresentadas são todas
referentes à "Fase Original" do projeto, que já não está mais em vigor. Os objetivos
atingidos nestas etapas contribuem apenas indiretamente para a execução da Fase
Renegociada do projeto que teve inicio em 2004". (textuais)
Essa "Fase Renegociada", é necessário frisar, teve inicio em novembro de 2003
quando a AEB/NASA assinaram um "documento" denominado "Protocol Between NASA
and AEB Concerning AEB`s Contribuition to ISS" ao qual a AEB já alocou no início de
2004 mais R$ 6.000.000,00.
O QUE SIGNIFICA “contribuem apenas indiretamente” ?
Decodificando essa frase: os titulares do INPE/AEB informam que NADA do que foi
gasto nos serviu para qualquer ganho concreto, nem técnico, nem material, nem real ou
objetivo para o nosso PNAE, mas apenas “indireto” e, não obstante, decidiram
soberanamente assinar um novo “protocolo” ao “Ajuste Complementar” – invadindo de
novo funções do Itamaraty – para uma nova fase que JÁ FOI INICIADA, dando assim
prosseguimento à decisão ainda ilegal de aderir ao ISS/NASA; “protocolo” esse que,
CONCRETAMENTE, vem desfalcando cada vez mais os dois projetos oficiais prioritários
desde 1980 – o VLS-01 e a MECB – opondo-se, mais uma vez, frontalmente à decisão
oficial do Governo Brasileiro sobre a nossa Política Espacial !
Se isso tudo não é suficiente para comprovar um oblíquo desfalque orçamentário
CONSCIENTE contra a MECB, como classificar essas despesas inequivocamente
irregulares, que foram realizadas em benefício de um mero subprograma, ainda carente
da indispensável aprovação pelo Congresso Nacional, e desviadas do programa central e
prioritário da MECB e do VLS-1 ?
Por conseguinte, estava totalmente correto o Dr. Marcelo Zero quando denunciou que
o convite dos EUA e a adesão do Brasil a esse mega projeto, nos obrigatória a um desvio
dos nossos escassos recursos orçamentários, resultando em uma oblíqua “,... estratégia
norte-americana destinada a impedir o desenvolvimento do veículo brasileiro
lançador de satélites e de um programa espacial autônomo por parte do Brasil”.
Mas parece que o uso irregular de verbas orçamentárias não parou por aí, pois –
segundo o próprio INPE - foram efetivamente gastos somente R$ 22.517.000,00 com as
atividades do subprograma ISS-NASA, isto é, apenas 39,70% do total; pois os outros
60,30%, R$ 34.202.000,00, foram contabilizados simplesmente como "Contribuição
Institucional para o INPE/AEB".
- Terceira - (c) - O que são essas “contribuições institucionais” ? A resposta é do
próprio INPE: são designados como "contribuição institucional" os dispêndios NÃO
associados à execução das atividades do subprograma.
Então, duas dúvidas se impõem: ONDE e COMO foi gasta essa enorme importância,
(R$ 34.202.000,00), contabilizada como "Contribuição Institucional” e POR QUE essa
importância não foi gasta – ao menos em parte - com a MECB e o VLS-1 ?
Embora tenhamos diligenciado, não nos foi possível levantar detalhadamente os
reais beneficiários dos pagamentos dessas expressivas importâncias. (18[18])
18[18]) ver http://www.aeb.gov.br/dados_orcamentarios.htm . É importante que sejam levantadas as 15 empresas para as quais foram
feitos alguns desses pagamentos, investigando-se também a hipótese de intermediações indevidas que -- de acordo com informes
ainda não processados -- teriam absorvido parcelas expressivas desses desembolsos. Empresas tais como, por exemplo, a BRAZSAT,
que se declara orgulhosamente em seu SITE, ser a única habilitada a intermediar projetos espaciais brasileiros.
- 4ª Evidência de sabotagem orçamentária/financeira:
A sabotagem orçamentária/financeira ficou ainda mais evidente durante a preparação
para o lançamento do VLS-1-V03, na trágica Operação São Luiz, pelos fatos abaixo
descritos.
O lançamento estava programado para acontecer até o dia 15/12/2002; e as
atividades de aprestamento para essa campanha tiveram início em 01/07/2002, pois foram
planejadas para durar cerca de 60 dias, tempo necessário para se transportar as partes do
VLS de São José dos Campos (SP) até o CLA, realizar a sua montagem, integração,
testes, treinamento das equipes, etc., culminando com o lançamento do veículo ainda em
2002
Para isso, a partir de julho de 2002, começaram a chegar ao Maranhão as equipes de
civis e militares, que envolviam 80 funcionários do CLA, 110 do CTA, nove do INPE, cinco
da Unopar e 31 do CLBI.
O clima era de otimismo entre os técnicos e engenheiros, pois não houvera
necessidade de se fazer qualquer intervenção no VLS, nem nos equipamentos e nos
satélites que iriam compor a carga útil, o Satélite Tecnológico (Satec), do INPE e o
Unosat, da Universidade Norte do Paraná (Unopar).
O transporte das partes do VLS foi feito nos meses de agosto, setembro, até 23 de
outubro de 2002, quando foi interrompido para que fossem feitos os lançamentos das
Operações CUMÃ e Pirapema. O propulsor D do 1º estágio foi transportado para o CLA
em 03 de dezembro 2002; e, em 01, 02, 08 e 10 de abril 2003 foram realizados os
transportes das partes restantes do VLS-1 – V03. Em 16 de abril 2003,a Operação São
Luiz foi interrompida, e todas as equipes retornaram às suas bases.
Já foram detalhadas atrás as divergências ideológicas que existiam (e sobrevivem
até hoje) entre a FAB e a cúpula do INPE/AEB – notadamente durante a gestão do
Ministro Ronaldo Sardenberg – resultando em resistência passiva e ativa desses órgãos
contra a implementação plena da MECB e contra a qualificação do VLS-1.
Como já foi focalizado retro, do total dos quase R$ 300 milhões dos ORÇAMENTOS
REALIZADOS com o Programa Nacional de Atividades Espaciais - PNAE, entre os anos
de 2000 e 2003 (inclusive), foram gastos pouco menos do que R$ 60 milhões em
despesas com o subprograma ISS-NASA e destinados ao subprograma dos Veículos
Lançadores (entre eles o VLS -1) apenas R$ 38 milhões, ou seja, pouco mais de 10% de
todo o ORÇAMENTO REALIZADO.
Diante desses dados, é rigorosamente INEXPLICÁVEL que a AEB só tenha
repassado até setembro de 2002 – ano ao final do qual estava previsto o lançamento do
VLS-1-V03 - minguados R$ 400 mil para o CTA, da verba de R$ 5 milhões destinada ao
custeio da Operação São Luiz, e que só tenha liberado o restante dessa verba com tão
grande atraso que inviabilizou o lançamento ainda em 2002. (19[19])
O Diretor do CTA, o Major-Brigadeiro Tiago da Silva Ribeiro, numa tentativa de evitar
que o corte nas receitas do CTA impedisse o lançamento do VLS ainda no ano de 2002,
já havia tomado a decisão de reduzir a jornada de trabalho das equipes, visando diminuir
os gastos com alimentação e energia elétrica, buscando assim viabilizar a subida do VLS
19[19]) “Falta de verba adia lançamento do VLS-1”- Marcelo Claret - FSP - 16/11/2002 - 10h51- ....”O bloqueio da verba teria sido
determinado pelo Presidente FHC, devido ao atraso na aprovação da CPMF”.
ainda em 2002. Também, nesse período, durante as terças e quintas-feiras, os técnicos e
engenheiros só começavam a trabalhar a partir das 13 horas; e nas sextas-feiras, o
expediente ia das 07 h 30 às 12 h, o que permitia economizar na alimentação do pessoal e
nos gastos com energia elétrica.
No entanto, essas medidas de extrema contenção de despesas ainda não foram
suficientes, pois a AEB só liberou os recursos restantes já no início do mês novembro;
muito tarde, portanto, para permitir o lançamento do VLS-1-V03 ainda em 2002.
Diante disso, o diretor do CTA informou que, embora já tivesse a autorização para
usar os recursos restantes, não seria mais possível manter-se a previsão inicial "por falta
de tempo" e, assim, o lançamento do VLS-1–V03 foi transferido para o dia 07/ 04/ 2003.
Durante esse intervalo, o CTA programara lançar entre os dias 24 e 29/11/2002 dois
foguetes de sondagem, que serviriam para testar o trajeto previsto para o VLS no espaço.
De fato, nas Operações PIRAPEMA e CUMÃ, foram feitos dois lançamentos pelo
CLA, sendo um foguete VS 30/Orion em 25 de novembro de 2002, numa parceria entre o
IAE/CTA, e o Centro Aeroespacial Alemão (DLR-Moraba) e que obteve pleno sucesso,
como já focalizamos atrás; e um outro foguete VS-30 que foi lançado com sucesso apenas
parcial pois, embora todos os sistemas tenham funcionado perfeitamente, houve uma
inexplicável “separação prematura” do módulo onde estavam os oito experimentos do
Projeto Microgravidade, e sua carga útil foi perdida.
Adiado que fora o lançamento do VLS-1–V03 para 07 de abril 2003, no início desse
ano foi ele novamente postergado para maio, agora pelo novo Ministro da Ciência e
Tecnologia do Governo LULA – Eng Roberto Átila Amaral -- que, na ocasião, alegou
problemas administrativos decorrentes da troca de comando do Centro Técnico
Aeroespacial (CTA) e na Agência Espacial Brasileira (AEB).
Mas os adiamentos não pararam por aí, pois a data do lançamento foi novamente
mudada por mais três vezes, a última delas na noite de 16 de abril de 2003. Desta feita,
devido a uma suspeita de sabotagem veiculada pelos canais de Inteligência, todas as
equipes de lançamento – compostas pelos mesmos engenheiros e técnicos que
participariam da missão tragicamente encerrada em 22/08/2003 -- foram retiradas
abruptamente do CLA por ordem do Comando da FAB, e retornaram para São José dos
Campos. Os trabalhos só foram recomeçar em 1º de Julho 2003, previsto então o
lançamento para a festa de São Luiz, dia 25 de agosto; frustrado desta vez, pelo incêndio
trágico de 22/ 08/ 2003.
As justificativas para quase todos esses adiamentos foram “a falta de verbas”, mas,
entre os técnicos, a versão era de que os superiores suspeitavam de sabotagem.
Obviamente, a “falta de verbas” foi real: os R$ 5 milhões necessários ao custeio da
Operação São Luiz, NÃO chegaram ao CTA nos prazos previstos e somente ficaram
disponíveis para uso do CTA e CLA em novembro, depois de liberados pela AEB, quando
a previsão de se fazer o lançamento em 2002, já não podia mais ser cumprida.
Isso não se questiona.
Mas como justificar que a AEB não tenha repassado para a Operação São Luiz ao
menos uma parte dos R$ 34.202.000,00, que contabilizou para si mesma e para o INPE
como "Contribuição Institucional para o INPE/AEB" como retro focalizado ?
Portanto, o calendário repetidamente descumprido evidencia claramente uma
sabotagem orçamentária/financeira, até mesmo pelo montante inexpressivo da verba
necessária para se levar a bom termo e nas datas previstas esse tão magno evento, de
enorme importância estratégica para o Brasil.
E isso fica ainda mais evidente se compararmos a prodigalidade, a rapidez e a alta
prioridade com as quais a AEB/INPE vem suprindo financeiramente o ilegal subprograma
ISS-NASA. Basta revelar que – para atender ao irregular "Protocol Between NASA and
AEB Concerning AEB`s Contribuition to ISS" – foram alocados pela AEB/INPE, ainda
no início do orçamento de 2004, R$ 6 milhões a esse subprograma; aliás, por
providencial coincidência, quantia maior do que os modestos R$ 5 milhões sonegados ao
longo de todo o ano de 2002, ao custeio do lançamento do VLS-1-V03.
Ademais, - além desse repetido adiamento denunciar uma submissão indigna do
Ministério da Defesa e da FAB, às autoridades monetárias -- o fato de se postergar tantas
vezes uma atividade de tal importância estratégica para o Brasil, por falta de modestos R$
5 milhões, levanta também a seguinte questão:
- por que NENHUMA das altas autoridades institucionalmente responsáveis e/ou
interessadas, por dever de ofício, no bom êxito desse magno evento – MCT/ INPE/ AEB/
FAB/ CTA - não tomou a iniciativa extrema de recorrer em caráter de urgência ao Poder
Legislativo e/ou ao Presidente da República, para obter essa modesta quantia como
recurso orçamentário extraordinário, já que se destinava a atender despesas de
relevantíssimo interesse nacional; ou, talvez, para solicitar a autorização de serem gastas
as verbas de contingência que, como se sabe, existem sempre em TODOS os ministérios
e em todos os altos escalões administrativos do poder público ?
Será demais suspeitar de que algumas das citadas autoridades sejam fervorosos
adeptos silenciosos (ainda “in pectore”) do “espaçoporto internacional” ?
Para qualquer administrador público consciente de suas responsabilidades, essas
seriam as MAIS CORRIQUEIRAS das iniciativas a serem tomadas.
Por isso, É MUITO difícil entender a aceitação paciente e disciplinada do Ministro da
Defesa, do Comandante da Aeronáutica e do Chefe do CTA, diante desse injustificável
desfalque orçamentário, em prejuízo de uma atividade estratégica tão importante.
Por que essas autoridades absorveram silenciosas e disciplinadas essa clara
procrastinação – e nenhuma delas tomou qualquer das iniciativas retro aventadas, ou
outras ? Considerada a enorme importância desse lançamento para o Brasil, para o
Ministério da Defesa, para a Força Aérea Brasileira e até mesmo para o CTA, essa
omissão e paralisia são incompreensíveis e inexplicáveis. (20[20])
Quaisquer que sejam as respostas a essas perguntas incômodas, TUDO o que acima
foi descrito serve – no mínimo - como mais uma evidência da deliberada sabotagem
financeira contra a MECB e o VLS-1.
e. O Projeto SARA e o subprograma ISS-NASA:
20[20]) Será pertinente lembrar a estreita ligação profissional entre o Ministro José Viegas e o Embaixador Ronaldo Sardenberg, este o
principal vetor das iniciativas tendentes a viabilizar a criação de um “espaçoporto internacional” em Alcântara ?
A Aeronáutica brasileira vem desenvolvendo, desde 1995, um microsatélite brasileiro
temporário, recuperável, medindo 1 m x 1,7m e peso de 250 kg, cujo codinome é SARA -
Satélite de Reentrada Atmosférica, a ser lançado em órbita equatorial baixa.
O SARA é uma nave espacial recuperável não tripulada, para o envio ao espaço
exterior de experimentos científicos e industriais em microgravidade, e para trazê-los de
volta à terra em dez dias, por um custo muitíssimo mais baixo do que os cobrados pela
NASA em sua cambaleante estação espacial, cuja participação brasileira tem absorvido a
maior parte das receitas do PNAE, como já focalizamos, quando analisamos o
subprograma ISS-NASA.
A tecnologia da reentrada na atmosfera pelo SARA, já está devidamente dominada,
graças a um grupo de cientistas brasileiros, liderados pelo Dr. Paulo Moraes Jr. do
Instituto de Aeronáutica e Espaço do Centro Técnico Aeroespacial, do Comando da Força
Aérea Brasileira, e outros do Laboratório de Transmissão e Tecnologia do Calor – do
COPPE, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A FAB divulgou recentemente que pretende fazer, ainda este ano, um teste final do
SARA, com um protótipo a ser lançado por helicóptero na Restinga de Marambaia e, antes
de ser lançado realmente ao espaço exterior, o SARA fará provavelmente outros testes
talvez com o VS-40, míssil já qualificado como já focalizado.
Estranho é que, desde 1995, os OCMs brasileiros NUNCA haviam dado divulgação a
esse projeto, nem à importantíssima conquista do domínio da tecnologia de reentrada,
conseguida pelo COPPE e CTA/IAE da FAB.
Essa desinformação dos OCMs, provavelmente tentava IMPEDIR que o projeto
SARA viesse a receber uma ampla divulgação para a opinião pública, e que assim
merecesse receber recursos mais generosos do Congresso o que, eventualmente,
apressaria o seu sucesso.
A verdade é que a existência do Projeto SARA já em fase de testes finais, e a ampla
divulgação desse projeto, torna mais clara e mais explícita a resistência ativa e passiva de
alguns titulares da AEB/INPE contra a FAB e contra a MECB; e desmascara
definitivamente como indireta sabotagem orçamentária a adesão do Brasil ao ISS-NASA,
tornado pelo SARA de utilidade mais do que duvidosa, INÚTIL.
E o adiantado estágio atual do Projeto SARA confirma integralmente a informação do
Dr. Marcelo Zero quando divulgou em seu Parecer que: (verbis)
14. 14. “....... muitos na comunidade científica nacional e internacional
questionam a utilidade e, acima de tudo, os custos de tais experiências
realizadas no espaço. Para alguns destacados cientistas, tais
experimentos poderiam ser reproduzidos em terra ou em aviões por um
preço bem mais acessível. Não teria sentido, portanto, a AEB injetar a
sua escassa verba orçamentária num programa de utilidade duvidosa
desenvolvido pela maior potência econômica do planeta.”
Comentários obviamente desnecessários ...
f. O Ministro da Defesa aponta como uma das causas da tragédia do VLS-
1 – V03, as insuficiências orçamentárias e financeiras:
“Acidentes,...., raramente são obras do acaso. Ao contrário, costumam ser o
último elo de uma cadeia de eventos”,.... “falhas latentes que fragilizaram
progressivamente as defesas do sistema, potencializando o risco da
operação”.....”:- insuficiência de recursos financeiros e descontinuidade na
sua liberação, ao longo de vários anos, como se pode constatar no .....
desembolso anual de recursos financeiros para a condução da vertente de
lançamento e infra-estrutura associada, a cargo do Comando da Aeronáutica”.
(PREFÁCIO - da Investigação do acidente do VLS-1 - V03 - 2004)
Essa afirmação do Ministro Viegas, vem comprovar e corroborar a DENÚNCIA
daqueles que reclamam insistentemente que os últimos governos federais têm
inviabilizado TODOS os ramos de atividades públicas - inclusive as mais essenciais e
prioritárias - porque têm sido literalmente dominados por “equipes econômicas”
monetaristas, que não se pejam de mandar pagar a bancos nacionais e internacionais
quantias como R$ 140 bilhões de juros anuais. Mas que têm a desfaçatez de
contingenciar modestos R$ 5 milhões destinados ao custeio de uma atividade tão
importante sob o ponto de vista estratégico dos grandes interesses nacionais, como a
MECB e o VLS-1.
De fato, como assinalou o Relatório da Comissão Externa da Câmara de Deputados
(CEXALCAN) basta saber que, em 1988, por exemplo, foram despendidos R$ 255
milhões para o desenvolvimento de projetos e sistemas espaciais; em 2002, o
investimento já havia caído para R$ 46 milhões; e, no caso específico dos lançadores de
satélite, os investimentos que, entre 1984 e 1989, eram de cerca de R$ 100 milhões por
ano, caíram para aproximadamente R$ 10 milhões entre 1997 e 2002. Está aí claramente
perceptível a sabotagem orçamentária e de origem institucional contra a MECB e o VLS-1.
Por conseguinte, em decorrência de tudo o que já foi focalizado sobre sabotagens
orçamentárias, o Ministro da Defesa foi no mínimo demasiadamente moderado quando, na
sua Exposição que antecedeu à divulgação do RF das investigações, apontou como uma
das suas causas da tragédia do VLS -1 - V03, “insuficiência de recursos financeiros e
descontinuidade na sua liberação...”
Sob o ponto de vista da relação receitas/despesas referentes aos encargos atribuídos
à Aeronáutica brasileira, dentro da MECB, essa reclamação do Ministro talvez fosse
suficiente; mas considerados os orçamentos REALIZADOS pela AEB/INPE e as despesas
gastas com o subprograma ISS-NASA – que concretamente desfalcaram a MECB e o
VLS-1 -- essa sua afirmação é uma omissão complacente, porque não veio acompanhada
da sua indispensável reclamação crítica pública contra o desvio de verbas de uma
atividade oficial prioritária - a MECB - para uma outra cuja legalidade poderia, ao menos,
ser questionada pelo titular do seu Ministério, gravemente prejudicado
Não é demais lembrar que nesse episódio continuado, a situação real foi tão
kafkiana, a ponto do chefe da operação ter decidido decretar meios expedientes, a fim de
economizar tostões na alimentação de seus subordinados e no consumo de energia
elétrica, tentando conseguir lançar o VLS-1-V03 ainda dentro do cronograma previsto mas,
realmente -- se bem examinado, -- em última análise, para que os economistas do
governo pudessem gerar um maior “superávit primário” para pagar mais juros a bancos.
Diante dessa realidade tão ignominiosa para os que labutavam sob sua chefia, a
constatação e reclamação do Ministro da Defesa, foi – decididamente - uma reação muito
mais do que insuficiente.
Por que o titular desta pasta não tomou qualquer uma das iniciativas retro aventadas
? E, considerada a importância estratégica do lançamento, para o Brasil e para o seu
Ministério, quem sabe até mesmo outras muito mais drásticas, como uma denúncia
pública contra essa sabotagem indireta ?
Será que ele não é também um dos adeptos silenciosos (ainda in pectore) do
“espaçoporto internacional” ? Talvez sem se dar conta de que – ATÉ a data de HOJE
– essa adesão implica em crimes contra a CF, contra a LSN e contra o CPMB ?
g. Terceira conclusão parcial:
Diante de todas as evidências retro enumeradas e analisadas, é lícito
afirmar que existem titulares de órgãos nacionais institucionais que vêm
promovendo uma sabotagem sistemática e multiforme visando inviabilizar a
implementação plena da MECB e a qualificação total do VLS-1.
Essas pessoas realizam essa ação deletéria, em perfeita consonância
com opiniões e interesses defendidos por autoridades e por órgãos da mídia
norte-americana, mas contrários à nossa Política Espacial oficial; e, nessa
tarefa impatriótica, têm o apoio consciente e “sine qua non” de muitos dos
principais Órgãos de Comunicação de Massa (OCMs) brasileiros.
Há pouco tempo, foi incluído na Pauta da Comissão de C&T da Câmara dos
Deputados para ser votado, o Projeto de Decreto Legislativo n.º 844/2001, do deputado
Walter Pinheiro, sustando os efeitos desse “Ajuste Complementar” até que esse ato
internacional seja apreciado pelo Congresso Nacional.
A Relatora desse DL é a deputada Luiza Erundina.
Aguardemos o que acontecerá, pois o PT - que levantou em 2000 essa questão
nacionalista tão importante - agora que empalmou o Poder, abandonou rigorosamente
TODAS as teses anteriores do seu discurso eleitoral, exceto a sua ideologia marxistaleninista
que, disfarçada mas diligentemente, vem implementando.
3. SABOTAGEM – A HIPÓTESE MAIS PROVÁVEL
“Se Deus não existe, tudo é permitido”
(‘Crime e Castigo’- Dostoievski)
3.1. O FRACASSO DO VLS-1 – V01:
a. O não acendimento de um dos motores :
- 1997- Em 2 de novembro, na operação denominada “Brasil”, o primeiro protótipo do
Veículo Lançador de Satélites (VLS-1 - V01) brasileiro, partindo da plataforma do Centro
de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, foi lançado pela nossa Força Aérea,
visando colocar em órbita um satélite de sensoriamento remoto do INPE.
Depois de um atraso de quase um mês - à contagem regressiva de ZERO, foram
acionados os motores do seu primeiro estágio e lançado o VLS -1- V01. (21[21])
21[21]) Esse grande acontecimento não teve a presença do Presidente FHC, nem a do Ministro de Ciência e Tecnologia. Por quê ?
Estranha ausência, considerando-se que era um magno evento que colocaria o Brasil entre os seletos países que dominam a
tecnologia de lançamentos de cargas úteis ao espaço exterior.
O lançamento ocorria com grande atraso por problemas técnicos com um radar.
Nada de anormal se relacionava ao VLS -1 propriamente dito, que permanecera na
posição vertical, por quase UM MÊS, à espera da reparação em um dos radares pelos
técnicos da FAB.
Lançado o VLS, o primeiro estágio, composto por quatro motores-foguete S-43 de
combustível sólido da FAB, acoplados simetricamente ao redor do motor do segundo
estágio, teve seus motores acionados com sucesso apenas parcial, pois o seu motorfoguete
‘D’, inexplicavelmente não acendeu. Por isso, 29 segundos após decolar da mesa
de lançamento, e não suportando a crescente carga dinâmica provocada pelo grande
ângulo de ataque, o VLS -1 – V01 se autodestruiu.
b. O Inquérito técnico:
Por exigência regulamentar, foi aberto um Inquérito Técnico (IT). Mas não se sabe se
foi instaurado também um IPM.
1) A causa da falha
O sistema de acendimento de cada motor do primeiro estágio do VLS-01-V01 é
composto por um ignitor, (pequeno foguete instalado internamente no topo e no centro de
cada motor), dos EDCs (estopins detonantes confinados), do DMS (dispositivo mecânico
de segurança), e das espoletas, tudo em duplo circuito. As duas espoletas destinadas ao
acendimento de cada motor são detonadas simultaneamente pela ação de uma corrente
elétrica com intensidade de, no mínimo, 1,5 ampères.
O ignitor, instalado internamente no centro e no topo do motor S-43, funciona como
um grande maçarico que lança um potente e superaquecido jato de gases cuja
temperatura pode chegar a 3000 graus centígrados, de cima para baixo, acendendo
instantaneamente toda a superfície de queima do bloco do propelente.
Inexplicavelmente, os dois sistemas redundantes e independentes acima descritos
falharam no motor D do VLS-1 no primeiro lançamento. Como poderá ter acontecido isso,
contra tão alta improbabilidade ?
2) O Relatório ( 22[22] )
No Relatório do IT, nas suas CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES, se afirma o
seguinte (verbis):
"Os aspectos essenciais do Dispositivo Mecânico de Segurança
(DMS) são o alinhamento e o espaçamento induzidos nas duas
interfaces pirotécnicas em seu interior. No rotor do DMS se alojam
duas cargas pirotécnicas denominadas reforçadores que, na
posição ‘armado’, devem ficar alinhados com os detonadores de
22[22])
Ver Relatório IAE/CTA = http://www.iae.cta.br/rel_falha_v01.htm ; e http://www.iae.cta.br/rel_falha_v01dados.htm ; e mais
http://www.iae.cta.br/rel_falha_v01metodologia.htm ; e mais http://www.iae.cta.br/rel_falha_v01analise.htm ; e mais ainda
http://www.iae.cta.br/rel_falha_v01concrec.htm
um lado e com os Estopins Detonantes Confinados (EDC) do
outro. A verificação do alinhamento é feita por pessoal experiente
e conferida por inspetor também experiente."
E a CONCLUSÃO a que chegaram foi:
"Dos dados levantados e dos ensaios realizados com
componentes similares aos utilizados na rede pirotécnica de
ignição do VLS-1-PT01, pode-se afirmar que o motivo do não
acendimento do motor-foguete D foi a dupla falha na transmissão
da ordem pirotécnica, entre os detonadores e os reforçadores do
Dispositivo Mecânico de Segurança (DMS)."
A realidade é que essa “conclusão” não passa mesmo de uma mera EXPLICAÇÃO
pois – examinada rigorosamente sob o ponto de vista pericial, -- ela NÃO identifica a
“causa eficiente”, mas apenas aponta uma causa formal e/ou final. Tal como se o
investigador de um homicídio concluísse que “quem matou a vítima foi a bala do revólver”.
E o faz ignorando a alta improbabilidade ESTATÍSTICA da ocorrência simultânea de
falhas duplas nos dois circuitos pirotécnicos redundantes e independentes, dum mesmo
motor, prudencialmente duplicados para evitar exatamente que esse tipo de falha possa
ocorrer.
Rejeitamos, sem examinar, a hipótese nada menos do que ABSURDA levantada pelo
Relatório deste IT, afirmando que o bloco do propelente pode NÃO acender, “..mesmo
que o ignitor opere normalmente..”; (23[23]) por isso, é lícito afirmar que a conclusão
oficial de que houve falha dupla na rede pirotécnica – apontando como suspeito principal o
duplo circuito pirotécnico do DMS que dispararia o respectivo ignitor – é, no mínimo,
altamente improvável.
Note-se também que a redação diz apenas que o “motivo do não acendimento do
motor-foguete D foi a dupla falha na transmissão da ordem pirotécnica, entre os
detonadores e os reforçadores do Dispositivo Mecânico de Segurança (DMS)" e, não
afirma categoricamente que o vilão do mau funcionamento foi o DMS, mas sim determina
que sejam feitas as necessárias revisões e/ou alterações no projeto de redes pirotécnicas
e no DMS, como está claro nas “Recomendações Visando o Sucesso do VLS-1- V02”,
deste Relatório que prescreve apenas que se deve (verbis):
“1 - Realizar revisão crítica do projeto das redes pirotécnicas,
levando-se em consideração: redundâncias, procedimentos de
qualificação e testes.
23[23] ) O Relatório deste IT levanta uma hipótese quase IMPOSSÍVEL de ocorrer, pois afirma textualmente que “o próprio bloco de
propelente é passível de não acendimento, mesmo que o ignitor opere normalmente.” Como ? Essa hipótese não é apenas
impossível, ela é nada menos do que ABSURDA, visto que a probabilidade de que isso possa acontecer é estatisticamente menor do
que uma em um milhão de tentativas ! Um investigador que levanta uma hipótese dessas, se auto-desclassifica para a tarefa...
2 - Em particular, revisar o projeto do DMS e seus componentes.
Fazer as alterações de projeto necessárias e realizar uma nova
qualificação para vôo.
3 – OMITIDO. 4 – OMITIDO
O lógico seria procurar um outro suspeito – este muito mais visível que o DMS – pois,
como o alinhamento dos dispositivos pirotécnicos naquela época ainda era feito
manualmente, seria lícito suspeitar também que talvez o(s) técnico(s) responsável(eis)
não tenha(m) feito esse alinhamento corretamente.
Perceba-se, também, que nessas Recomendações, o Relatório não determinava a
SUPRESSÃO do DMS, este um dispositivo OBRIGATÓRIO para a segurança contra
acendimentos não comandados pela LINHA DE FOGO, por força da norma “MIL-STD-
1576 – Electroexplosive Subsistem and Safety Requirement and Test Methods for Space
Systems”, de julho de 1984, que recomenda explicitamente que os DMS devem ser
“passíveis de serem postos em segurança MANUALMENTE... ”.
Mas, no segundo e no terceiro lançamentos, esse Dispositivo de Segurança
MANUAL já não existia, fora SUPRIMIDO e substituido por um dispositivo de segurança
elétrica -- segundo consta do RF, com base em um parecer de nível técnico mas sem a
aprovação do Diretor da Operação (?!). (24[24])
Eis o que consta no Relatório deste IT quanto a isso:
"...A verificação do alinhamento, (do dispositivo mecânico de
segurança - DMS), é feita por pessoal experiente e conferida por
inspetor também experiente.".
Essa simples declaração basta para confirmar que o circuito pirotécnico do DMS do
motor "D" foi posto na posição "Armado" ? NÃO ! Note-se que no Relatório está
escrito, "é feita", mas não diz explicitamente que ela realmente “foi feita”.
Portanto, uma hipótese obviamente desprezada nesta investigação foi que, se esse
alinhamento não foi executado corretamente, o efeito da detonação das espoletas
iniciadoras não chegou ao ignitor e este, não acendendo, também não deu partida ao
motor D.... e, assim, o DMS deixaria de ser o vilão do não acendimento, e os suspeitos
seriam outros.
Nesse sentido, é correto afirmar que seria muito fácil saber quem girou (ou não) o
DMS em 90 graus, passando da posição "Desarmado" para "Armado", evento que só
deve ser executado poucas horas antes do lançamento.
Bastaria verificar quem tinha a incumbência de executar esse alinhamento – cujo
responsável pela tarefa certamente constava na LISTA DE PROCEDIMENTOS PARA O
24[24]) (ver RF, página 70 - Fator Operacional, ítem 3.3.3. in fine). Por isso podemos estimar que – se o DMS fosse ainda MANUAL, tal
como prescreve o “MIL - STD-1576...” -- a tragédia de 22/08/2004, provavelmente NÃO teria acontecido.
LANÇAMENTO (checklist) (25[25]) - e saber quem foi o inspetor que conferiu esse
procedimento; e/ou saber quem foi o último técnico a abandonar o nível do hangar onde
esse alinhamento deveria ser executado. A única dificuldade, neste caso, seria determinar
se o erro humano teria sido culposo ou doloso.
RESSALTE-SE também que, então, já existiam suspeitas de que talvez essa
“conclusão” não passava de uma mera versão “política” para proteger pessoas “acima de
quaisquer suspeitas”.
Para agravar essa falha na investigação, percebe-se também que, uma vez aceita
essa “conclusão”, ficou descartada liminarmente, sem se examinar, a hipótese da
“sabotagem”, mesmo tendo sido ela explicitamente levantada por um dos fabricantes
dos ignitores.
Somente agora, há pouco tempo atrás, em 10 de setembro de 2003, (Revista ISTO É -
10/09/2003) – portanto quase seis anos depois do 1º lançamento fracassado -- é que veio a
lume a incisiva contestação com que, naquela ocasião, os fornecedores dos componentes
do sistema de ignição, recusaram INDIGNADOS essa versão oficial. Um dos fabricantes
reclamou de forma enérgica: “Se isso ocorreu, é porque alguém sabotou e
montou errado o sistema, pois todos os componentes foram entregues
dentro do previsto” , afirmou ele categoricamente.
Aparecia assim, já naquele primeiro acidente - pronunciado por um técnico do ramo –
o verbo SABOTAR, (26[26]) notícia que foi sonegada pela mídia até agora...
Não obstante tudo isso, naquela ocasião - MISTERIOSAMENTE – também nenhum
Órgão de Comunicação de Massa (OCMs) levantou a suspeita de uma sabotagem, nem
como mera hipótese... por quê ?
No entanto, ao contrário, muitos militares – inclusive da FAB – já estavam
convencidos de que o VLS -1 - V01 havia sido sabotado.
3.2. A EXPLOSÃO DO 2º ESTÁGIO DO VLS- 1- V02 :
a. O fracasso do 2º lançamento:
- 1999 - Em 11 de dezembro, na “Operação Almenara”, o VLS-1-V02 foi lançado do
CLA, pela Força Aérea Brasileira, visando colocar em órbita baixa um satélite científico
desenvolvido pelo INPE, o SACI 2.
25[25]) Em operações complexas, nas quais múltiplas atividades devem ser realizadas simultânea e/ou sucessivamente por diferentes
equipes, em determinados momentos precisos, e concluídas dentro de cronogramas rígidos, é norma que elas sejam planejadas e
controladas mediante uma ferramenta gerencial de O & M. No CLA tem sido usada a Técnica de Revisão e Avaliação de
Projeto/Método do Caminho Crítico PERT/CPM, que fixa QUEM faz O QUE, e que estabelece um cronograma rígido de QUANDO deve
começar e QUANDO deve acabar tal atividade. Normalmente, o PERT prevê também que uma outra equipe fique encarregada de
inspecionar a realização correta dessa mesma atividade. Bastaria, portanto, consultar o PERT/CPM da Operação Brasil, e/ou revisar as
filmagens realizadas com câmeras de vídeo em cada hangar, para se saber QUEM fez (ou não) o alinhamento incorreto (ou não) do
DMS. Por que não se esgotou essa linha de investigação ? Afinal, embora sem vítimas, os danos materiais foram enormes, e isso
poderia teoricamente tipificar um delito militar – doloso ou culposo – seria a única dúvida...
26[26]) Esse fabricante ainda justificou essa sua reclamação incisiva, afirmando (Revista ISTO É - 10/09/2003) que, antes das peças
serem montadas no VLS -1, outras 498 do mesmo lote haviam sido testadas e aprovadas. O empresário afirmou ainda que continua até
hoje a fornecer os mesmos itens ao programa espacial; e que depois do incidente de 1997 nenhuma modificação nos componentes lhe
foi solicitada. “Isso prova que o problema não estava na fabricação da peça”, concluiu ele.
O lançamento havia sido programado para ocorrer ao longo dos meses de outubro e
novembro, época em que as chuvas da região ainda são esparsas pois que, a partir de
dezembro, as precipitações são abundantes o que pode, eventualmente, colocar em risco
o êxito do lançamento e/ou provocar um longo adiamento.
Entretanto, como já acontecera quando do primeiro lançamento, mais uma vez,
houve um grande atraso – este de quase dois meses - provocado pelo defeito em uma das
peças (de fabricação norte-americana) do Satélite SACI 2.
Desta feita, porém, a demora dos técnicos do INPE em solucionar o defeito do
satélite foi tão grande, a ponto de colocar em risco o funcionamento normal dos motores a
combustível sólido dos foguetes do VLS, pois estes não devem permanecer muito tempo
na posição vertical, porque o peso do próprio combustível sobre as suas camadas
inferiores, pode deformar o bloco do propelente sólido modificando o seu desempenho
balístico (a velocidade de queima e/ou o empuxo, por exemplos).
Preocupado com esse risco, ainda que potencial, o Brigadeiro-do-ar Tiago da Silva
Ribeiro, responsável técnico pelo lançamento do VLS, chegou a ameaçar que iria lançá-lo
mesmo sem o satélite.
Corrigido o defeito, e concluídos os testes de praxe, o lançamento foi realizado às
16:39 horas do dia 11 de dezembro,( 27[27] ) com atraso de quase dois meses.
- O VLS-1- V02, que - como o primeiro VLS - tinha o seu primeiro estágio composto
por quatro motores-foguete S-43 da FAB, propulsionados por combustível sólido, foi
lançado da plataforma do CLA, e seus quatro foguetes do 1º estágio funcionaram
perfeitamente até os 55,4 segundos, quando o motor do segundo estágio foi aceso por
ordem do computador de bordo. Subitamente, cinco décimos de segundo após sua
ignição, este motor explodiu.
A explosão de sete toneladas de combustível sólido desacoplou intempestivamente o
conjunto superior formado pelo motor do terceiro estágio, da baia de equipamentos, do
quarto estágio e da coifa com o satélite, do resto do foguete.
No entanto, a forte explosão não causou danos ao conjunto superior, que continuou
voando sem propulsão e controle em uma trajetória balística até aos 119 segundos,
quando o computador de bordo comandou a ignição do motor do terceiro estágio.
O terceiro estágio também funcionou em condições normais pelo tempo previsto,
seguindo uma trajetória anômala, mas dentro de uma área que não infringia a segurança,
até aos 189 segundos (conforme o Instituto de Aeronáutica e Espaço – IAE) ou até aos
200 segundos (de acordo com a Agencia Espacial Brasileira – AEB), quando então a
equipe de segurança de vôo comandou a teledestruição do quarto estágio ao notar que a
trajetória seguida pelo conjunto estava se deslocando para fora da área de segurança.
b. O Inquérito técnico:
Novamente, por força do regulamento, e tal como ocorreu no fracasso do primeiro
VLS, houve um Inquérito Técnico (IT). Não se sabe se foi instaurado também um IPM.
27[27]) Mais uma vez, este magno acontecimento ocorreu também sem a presença do Presidente FHC, e sem a do Sr. Ronaldo
Sardenberg, então Ministro de Ciência e Tecnologia. Por quê?
Imediatamente após a explosão do segundo VLS, várias versões desencontradas
sobre as causas do insucesso foram difundidas.
A primeira versão “oficial”, foi dada pelo Brigadeiro-do-Ar Tiago da Silva Ribeiro, em
11/12/99: “O motor do segundo estágio não ‘acendeu’ e, por isso, o VLS foi destruído por
telecomando, aos 3 min e 20 seg. do vôo” (200 seg.). Ora, todos viram que o segundo
estágio do foguete havia explodido – como o motor “não acendeu” ?
A Conclusão do IT, foi a seguinte:
“A ocorrência de penetração de chama na interface do propelente
com a proteção térmica, na região do domo dianteiro do motorfoguete,
foi mais provavelmente, a causa de sua explosão e
insucesso da missão de colocação em órbita do Satélite Saci 2 do
INPE ”.
E, mais uma vez, essa “causa da explosão” é apenas uma explicação – pois não
descreve precisamente como foi possível ocorrer a “penetração de chama na interface do
propelente com a proteção térmica, na região do domo dianteiro do motor-foguete..”.
Parece claro que essa segunda versão oficial era no mínimo imprecisa ou, talvez,
uma mera hipótese, porquanto afirmava que teria havido a formação de uma subcâmara
pelo descolamento de uma parte superior da massa do combustível no domo do vaso do
motor, sem explicar como isso aconteceu, nem como a chama penetrara na parte superior
do domo do motor.
E, mais uma vez, - ACEITA essa “explicação” - ficou descartada a hipótese de uma
sabotagem que, aliás, constava do Relatório como a “hipótese A”, que dizia:
"Os sistemas de destruição do veículo (teledestruição ou
autodestruição) foram acionados intencional ou intempestivamente

Levantar a hipótese de que alguém tenha acionado “intencionalmente” os sistemas
de teledestruição ou autodestruição do VLS é plausível (o que configuraria a “sabotagem”
que estamos tentando comprovar) mas, “intempestivamente” não faz nenhum sentido, pois
tal encargo – eventual e emergencial - logicamente deveria caber a um técnico
especialmente qualificado e de total confiança dos responsáveis pelo lançamento.
Assim, continuamos a não entender por que a hipótese A – do “acionamento
intencional” - foi descartada sem antes ser estudada exaustivamente já que, sob o
ponto de vista das estatísticas, de novo ela deveria ter sido encarada como a causa mais
provável por todos os técnicos que estudaram a explosão do 2º estágio - conhecedores
que são da excepcional história de segurança dos foguetes movidos a combustível sólido.
O Relatório final deste 2º fracasso, tenta justificar o descarte desta hipótese “A”
(teledestruição ou autodestruição acionados intencionalmente), mediante uma análise teórica
de vários gráficos geométricos que registram o comportamento da queima do combustível
no interior do domo do 2º estágio, mas essa argumentação teórica não consegue explicar
racionalmente o abandono da hipótese “A”.
Ao contrário, as justificativas invocadas para o descarte desta hipótese, mais
convencem a quem examina detidamente as análises correspondentes (28[28]), que se
pretende suprimir apressadamente a causa mais provável, mas muito incômoda, por exigir
decisões delicadas posteriores, envolvendo pessoas ou entes “acima de qualquer
suspeita”, ou por implicar em graves problemas diplomáticos.
O que nos convence firmemente disso é a incongruência óbvia entre a conclusão que
descarta a hipótese “A” (acionamento intencional do comando de teledestruição) e a
“conclusão” abaixo reproduzida, que tenta dar como causa mais provável o descolamento
de parte do combustível no topo do domo do motor do 2º estágio: (verbis)
“ Como o sensor está nesta subcâmara (figura 2), ele mediria a pressão neste
local e não na câmara do motor, ou seja, ela não teria sofrido realmente
grande elevação de pressão e dessa forma não acarretando variação na
aceleração longitudinal” (no gráfico 5)
Essa incongruência decorre do fato do transdutor de pressão do motor ter sido
projetado e colocado numa posição tal para medir a pressão dos gases propulsores no
núcleo estrelado do motor, e não no ponto de união entre a parede do motor e o bloco do
propelente, na área da hipotética subcâmara imaginada por este 2º Relatório (ver figura
esquemática do motor, atrás).
Ora, como o sensor está implantado como acima foi descrito, ele não poderia ter
medido o aumento súbito de pressão no topo do domo do motor do 2º estágio. Isso seria
impossível. Logo, os gráficos 1, 2, 3 e 4 de nada servem como comprovação, posto que
não poderiam mesmo acusar uma súbita variação de pressão onde nada podia ser
medido.
Assim, a hipótese “A” voltaria a ser a causa mais provável.
Ademais, mesmo se admitirmos a hipótese de que houve descolamento do bloco do
propelente da proteção térmica no topo do domo do motor, mesmo assim a formação de
uma subcâmara como a descrita acima se torna improvável por dois motivos:
- primeiro porque, com o disparo do ignitor e o inicio do acendimento do combustível,
o conseqüente aumento da pressão (60 atmosferas) no núcleo do bloco do propelente,
imediatamente a pressão desenvolvida tornaria a comprimir a massa do propelente contra
a parede do vaso do motor, corrigindo a falha;
- segundo, porque mesmo admitindo ter havido a penetração de chama através de
uma fresta, haveria sim um aumento da área de queima, mas não a formação de uma
subcâmara isolada com pressão muito maior do que em todo o resto do motor.
Quando foi pedido aos técnicos do IAE/CTA que explicassem melhor “como e por
onde a chama penetrara na parte superior do domo do motor ?” ou seja,
(sabendo-se que, no interior do domo, o propelente queima de dentro para fora), como
pôde a chama chegar tão rapidamente até à parte superior do domo do motor, posto que –
pela lógica - a chama só deveria atingir aquela região ao final da queima.
NINGUÉM SOUBE (ou quis) EXPLICAR.
28[28])Analisar os gráficos do IAE/CTA:http://www.iae.cta.br/rel_falha_v02.htm ; http://www.iae.cta.br/rel_falha_v02metodologia.htm ; e
mais, http://www.iae.cta.br/rel_falha_v02analise.htm ; e http://www.iae.cta.br/rel_falha_v02graficos.htm
E, quando se recorreu ao então Brigadeiro-do-ar Tiago da Silva Ribeiro, nem mesmo
ele soube (ou quis) explicar essa incongruência.
A realidade é que NÃO foi possível se obter muitos dos dados técnicos referentes ao
lançamento e à explosão, para se conhecer e/ou fazer analisar por terceiros, alguns
parâmetros desse evento, tais como:.
- - a que altitude (em mil metros) atingira o VLS -1-V02 no momento da
explosão do 2º estágio;
- - a que distância da rampa de lançamento em quilômetros, ocorrera a
explosão do 2 º estágio;.
- - a que velocidade (em km/h) o VLS-1 voava ao explodir o 2º estágio;
- - em que rumo ele voava nesse instante;
- - de quantos graus era a “altitude ligeiramente picada” do 3º estágio,
quando ele foi aceso por ordem do computador de bordo; e
Também sobre o ponto de impacto dos destroços do 3º e 4º estágios e do satélite,
assim como dos restos do conjunto, jamais se conseguiu saber:
- - a quantos quilômetros da rampa de lançamento, e/ou a quantos graus
de latitude e de longitude, caíram no Oceano Atlântico os destroços do 3º
e do 4º estágios do VLS, e a coifa com o satélite;
- - quantos segundos após o lançamento ocorrera a queda de cada um
desses destroços.
Por outro lado, o Relatório deste Inquérito Técnico – ao contrário do IT anterior que
apurou o fracasso do primeiro VLS, cujo Relatório foi minucioso – este, não divulgou,
detalhadamente muitos dados técnicos importantes sobre o novo acidente.
Diante disso, alguns dos parâmetros acima foram solicitados em repetidas tentativas
pelo Sr. Schlichting, insistentemente pedindo a várias das autoridades que tinham
responsabilidade sobre o lançamento, e a outros personagens envolvidos com o evento,
sem que ele tenha conseguido obter qualquer reposta satisfatória.
Como tentativa final, o Sr. Schlichting requereu por escrito (por e-mail) ao Coronel Av.
Mozart M. Louzada que lhe fornecesse – mesmo que indenizadas - as fitas de vídeos, sem
cortes, com a seqüência completa do vôo, para que ele pudesse analisá-las e/ou submetêlas
à análise de terceiros.
O coronel Mozart negou, alegando que elas não lhe poderiam ser fornecidas porque
nem o IAE nem o INPE dispunham de câmeras de altíssima resolução como as da NASA
para registrar o vôo com tais detalhes, afirmando que as imagens divulgadas pelas TVs
comerciais eram semelhantes às gravadas pelo CLA.
O que o coronel Mozart não sabia é que o então Brigadeiro-do-Ar Tiago da Silva
Ribeiro, na época Vice-Diretor do CTA, em um E-mail de 07/07/2000, já convidara o Sr.
Schlichting para visitar o IAE, onde lhe mostraria os detalhes de projeto e lhe apresentaria
“todos os registros do vôo e a filmagem completa até a teledestruição da parte superior do
veículo”. (textuais)
Afinal a filmagem com equipamento especial fora feita ou não ? Por que o Cel.
Mozart afirmou o contrário, se o Relatório elaborado pela Comissão que investigara a
falha, afirmava – explicitamente - que foram feitas imagens com câmeras de altíssima
velocidade, e o Brigadeiro Thiago também o confirmara ? Por que motivo o Cel Mozart iria
mentir sobre isso ?
Essas contradições – e outras - são algumas das muitas incógnitas que o governo,
através da AEB ou de qualquer outro órgão, na época se recusou obstinadamente a
revelar, provavelmente para não entrar em contradição com os fatos reais conhecidos e
aqui descritos.
Depois de ligar-se – sem êxito -- a inúmeras autoridades lotadas em órgãos
responsáveis pelo lançamento, eis que, surpreendentemente, o Sr. Ronaldo Schlichting
recebeu um e-mail (em caráter pessoal) de uma pessoa integrante de um desses órgãos,
(cujo nome será mantido em sigilo) afirmando textualmente que:
"...Infelizmente, não posso divulgar outras informações além das
que estão disponíveis na Internet, as quais foram cuidadosamente
elaboradas e analisadas antes de serem postas no ar. ... Veja bem,
se nós expusermos as verdadeiras razões acabamos por ir
frontalmente contra o governo...." (textuais)
Afinal, alguém bem situado para conhecer a verdade, confirmava que existiam
contradições entre o Relatório, as afirmações de alguns dos responsáveis pelo
lançamento e os fatos reais conhecidos...!
Portanto, são muitas as incongruências que se criaram em torno desse segundo
fracasso do VLS-1; e elas nos revelam que alguns dos responsáveis pelo lançamento não
sabem e/ou não querem fornecer detalhes técnicos sobre isso.
Uma delas, já se sabe, foi a informação do Cel. Av. Mozart M. Louzada afirmando
que nem o IAE nem o INPE dispunham de câmeras de altíssima resolução como as da
NASA para registrar o vôo com tais detalhes, conflitando com o Relatório elaborado pela
Comissão de Investigação.
Uma outra contradição, foi a informação constante do Relatório deste acidente
afirmando que o envelope do 3º estágio havia sido recuperado (esta também confirmada
pelo Cel. Mozart)...
Ora, sabendo-se que o vôo do VLS-1– V02 foi normal até o final do funcionamento do
1º estágio, a explosão do 2º estágio certamente se deu já em pleno Oceano Atlântico, em
algum ponto entre o Brasil e a África, onde as profundidades são abissais... Logo, as
perguntas naturais seriam: como foi feito esse resgate ? e onde ele se deu ? e como foi
possível se fazer o acompanhamento preciso da trajetória dos seus vários destroços, a
partir do momento em que houve a explosão ?
Essas são apenas algumas das contradições que confirmam as obstinadas
resistências de alguns dos principais responsáveis pelo lançamento do VLS-1– V02,
negando-se a revelar os dados técnicos que acima enumeramos, e outros, provavelmente
para não entrarem em mais contradições com os fatos reais conhecidos; informações
essas, que estão sendo sonegadas, não apenas a cidadãos interessados como nós, (o
que seria negligenciável), mas principalmente ao conhecimento de toda a sociedade
brasileira.
c. Acontecimentos correlatos, paralelos e pertinentes:
1) Entrementes, entre 11 e 19 de janeiro de 2000, APENAS TRINTA DIAS APÓS o
fracasso deste VLS –1 - V02, foram discutidas as primeiras minutas do Acordo Brasil-EUA
sobre o CLA. Em março, ficou pronta a minuta definitiva com as condições que foram
acordadas pelos representantes brasileiros e norte-americanos.
Em 18 de abril de 2000, - apenas 4 meses após a explosão do VLS-1 - V02, - foi
assinado pelo Ministro de Ciência e Tecnologia do Brasil, Sr. Ronaldo Sardenberg e pelo
Embaixador dos EUA no Brasil, Sr. Anthony S. Harrington, um “Acordo” entre o Governo
dos Estados Unidos da América e o Governo da República Federativa do Brasil, que cedia
uma grande área do CLA a ser utilizada pelos EUA para lançamentos de veículos
propulsores ao espaço exterior com cargas úteis (civis? e/ou militares?) suas e de
terceiros.
2) Imediatamente após a explosão do VLS-1-V02, quem acompanhou pela imprensa
os noticiários sobre esse novo fracasso, percebeu claramente que as primeiras
declarações de algumas das autoridades responsáveis pelo lançamento eram totalmente
desencontradas, o que é bastante compreensível.
Mas é compreensível também que, depois se tentar – durante semanas e meses
insistentemente, mas em vão - obter informações precisas sobre esse novo fracasso, e
somente quando se percebeu que NENHUMA AUTORIDADE estava disposta a dar
informações técnicas exatas sobre o evento, a partir daí começaram a surgir reclamações
tornadas publicas pela Internet – e depois pela imprensa – apontando que as notícias
divulgadas pelas autoridades envolvidas no lançamento eram contraditórias e claramente
inexatas, se confrontadas com os fatos reais já conhecidos, dando lugar a suspeitas
inteiramente lógicas e fundadas, entre as quais, a mais incômoda foi:
“O ‘Acordo de Salvaguardas Tecnológicas BRASIL/USA’ foi
assinado pelo Ministro Ronaldo Sardenberg porque os VLS
explodiram ? ou os nossos VLS explodiram para que o ‘Acordo’
pudesse ser assinado?”
Por seu turno, estas duas perguntas “que não querem calar”, levantaram motivos de
sobra para a formulação de uma outra suspeita bem fundamentada, embora também
ainda hipotética:
“Os sistemas de destruição do Veículo (Teledestruição ou
autodestruição) PODEM TER SIDO acionados intencionalmente por
um sinal transmitido aos 55,9 segundos de vôo por alguém fora do
Centro de Lançamento de Alcântara”?
Esta suspeita era tanto mais consistente, porque o Cel. Louzada afirmara por E-mail
que "outras agências externas (29[29]) ao Brasil” acompanhavam o lançamento.
29[29]) Em E-mail o Cel. Louzada, CONFIRMA que “agências externas ao Brasil” acompanhavam e monitoravam o lançamento. Essa
afirmação de um dos que comandavam a Operação de lançamento, nos revela uma ingenuidade grosseira, já que ele nem percebeu aí
um claro indício (ou evidência) de sabotagem EXTERNA e/ou interna, posto que esse acompanhamento só seria possível se as
“agências externas” possuissem dados técnicos do Sistema CTA/IAE que – por sua natureza --- DEVERIAM ser sigilosos.
Quais as Agências? Com autorização de quem ? Com que finalidade? Como elas
obtiveram acesso às informações técnicas necessárias para poderem acompanhar o
lançamento e analisar a falha ?
De fato, dias depois em 24/02/2002, esta última suspeita/hipótese foi robustecida,
quando a informação de que outras agências monitoravam o lançamento foi confirmada
pelo Deputado Hélio Costa (PMDB-MG), então Presidente da Comissão de Relações
Exteriores e Defesa Nacional, que acompanhara – por dever de ofício com especial
interesse - o lançamento fracassado, ocasião em que ele revelou numa entrevista para a
rádio CBN que:
- fora registrada a presença de um navio norte-americano, (n.r. tipo “Pueblo”) (30[30]),
navegando na costa do Maranhão em 11 de dezembro de 1999. E, segundo o
parlamentar, a embarcação norte-americana também estaria rastreando o
lançamento do VLS.
É razoável, portanto, levantar como hipótese INTEIRAMENTE PLAUSÍVEL, a ser
examinada pelo Congresso Nacional ANTES DE APROVAR o “acordo sardenberg” –
qualquer que seja a sua nova versão - se é de fato viável que o segundo estágio do VLS-
1- V02 pode ter sido teledestruído por um sinal enviado por esse navio norte-americano –
ou por qualquer outra “agência externa” (31[31]) que também monitorava o magno evento.
AFASTA QUALQUER POSSÍVEL DÚVIDA INTERIOR, A SIMPLES RESPOSTA À
SEGUINTE QUESTÃO: SE A FORÇA AÉREA BRASILEIRA, ATRAVÉS DESTE VLS-1,
TIVESSE POSTO EM ÓRBITA O SATÉLITE SACI 2, EM 11 DE DEZEMBRO DE 1999, O
GOVERNO FHC SE ATREVERIA A ASSINAR, EM 18 DE ABRIL DE 2000, UM
“ACORDO” QUE CEDERIA O CONTROLE DE GRANDE ÁREA DO CLA PARA
LANÇAMENTOS AO ESPAÇO EXTERIOR DE “CARGAS ÚTEIS” (CIVIS E/OU
MILITARES?) PELOS EUA ?
É INTEIRAMENTE RAZOÁVEL SUPOR QUE NÃO TERIA CORAGEM DE ASSINAR.
Diante desse conjunto de fatos, parece-nos lógico concluir também que ficaram
demonstradas ‘‘fortes evidências de relação entre o insucesso no lançamento do 2º VLS
em dezembro de 1999, e a assinatura do acordo para a cessão do CLA para uso dos
EUA”, (“A nova guerra total" - Correio Braziliense - 22/07/02) - apenas quatro meses após esse
fracasso.
4. O INCÊNDIO NO VLS- 1- V03:
“Dies ira, dies illa... quandum JUDEX est venturus ...
quidquid latet apparebit: nihil nuttum remanebit ”. (
32[32])
4.1. OS FATOS:
30[30]) Esse tipo de embarcação norte-americana é especializada em guerra eletrônica, e possui abundante e variado equipamento de
última geração apropriado para a sua missão de interferir, bloquear e/ou misturar mensagens de telecomunicação e/ou eletrônicas.
31[31]) Nos dias que antecederam ao 2º lançamento, foi assinalada uma presença anormalmente grande de estrangeiros em São Luiz,
predominantemente norte-americanos; essa presença anormal, posteriormente, teria sido objeto de investigações pelos Órgãos de
Inteligência do Exército e FAB.
32[32]) “O dia da ira, aquele dia, quando o JUIZ vier ... tudo o que estava escondido aparecerá : e nada ficará oculto...” :
a. A tragédia do VLS-1 - V03:
Às 13:30h do dia 22 de agosto de 2003, o terceiro protótipo do VSL-01 incendiou
ainda na rampa do CLA, três dias antes da data fixada para o seu lançamento na
“Operação São Luiz” – codinome escolhido porque seria realizado a 25 de agosto, festa
desse Rei Santo e aniversário da capital do Maranhão.
Devido à dificuldade de identificação dos corpos, somente ao final de 23 de agosto o
Comando da Aeronáutica pôde anunciar oficialmente que a explosão do VLS-1-V03 havia
causado 21 mortes, sendo 10 técnicos e 11 engenheiros do Centro Técnico Aeroespacial
(CTA) e do Instituto de Atividades Espaciais (IAE) de São José dos Campos.
Assim, nesse terrível acidente, além da perda de mais um protótipo do VLS-1 e da
plataforma de lançamento, perdemos parte importantíssima dos nossos recursos
humanos, excepcionalmente qualificados, dedicados, altruístas, patriotas e a duras penas
treinados, em particular para atuar na fase de montagem, preparação e lançamento do
VLS -1, com anos de experiência nessa atividade, o que torna muito difícil a sua
substituição a curto prazo.
Os setores mais prejudicados foram os de Integração Eletrônica (03 engenheiros e
02 técnicos), Integração Mecânica (03 engenheiros e 03 técnicos), Propulsão (02
engenheiros e 03 técnicos), Filmagem em Vídeo (01 engenheiro e 02 técnicos), Qualidade
(01 engenheiro), Coordenação técnica (01 engenheiro), com impactos óbvios em outros
projetos. (33[33])
Como recuperar essa dura perda no menor prazo possível ? Será que – com a atual
política macroeconômica – a FAB/CTA/IAE poderão buscar a substituição de técnicos tão
especializados, ofertando empregos com salários compatíveis com o alto nível das
atividades especializadas exigidas para esses profissionais? E poderão pensar em
restabelecer esse "Programa Espacial" com metas de médio e longo prazos e à prova de
cortes, desvios e isento dos irracionais “contingenciamentos” orçamentários feitos para
gerar “superávits primários”, destinados a pagar juros a bancos ? É pouco provável !
Os 21 mortos no estrito cumprimento de seus deveres funcionais, “imolados na
esperança generosa de seu ideal”, foram:
1– Amintas Rocha Brito; 2 - Antônio Sérgio Cezarini; 3 - Carlos Alberto Pedrini; 4 - César
Augusto Costalonga Varejão; 5 - Daniel Faria Gonçalves; 6 - Eliseu Reinaldo Moraes
Vieira; 7 – Gil César Baptista Marques; 8 - Gines Ananias Garcia; 9 – Jonas Barbosa
Filho;10- José Aparecido Pinheiro;11- José Eduardo de Almeida; 12 - José Eduardo
Pereira ;13 - José Pedro Claro Peres da Silva;14 - Luis Primon de Araújo; 15 - Mário César
de Freitas Levy; 16 - Massanobu Shimabukuro; 17 - Maurício Biella de Souza Valle; 18 -
Roberto Tadashi Seguchi;19 - Rodolfo Donizetti de Oliveira; 20 - Sidney Aparecido de
Moraes e 21 - Walter Pereira Júnior.
-“Requiem aeterna dona eis Domine; et lux perpetua luceat eis !... tantus labor non sit cassus....! ”
(34[34])
33[33]) “A tragédia de Alcântara” - Revista Tecnologia & Defesa - n. 97 - ANO 20 - pgs. 51 a 53 - Autor - André M. Mileski (não-textuais).
34[34]) “Descanso eterno dai-lhes Senhor; e que a luz perpétua brilhe sobre eles... que tanto trabalho não tenha sido em vão “ !!
Não obstante essa dura perda, sem diminuir a dor irreparável da morte dos vinte e
um técnicos e engenheiros, pouco perdemos com o acidente em termos de
conhecimentos tecnológicos pois, obviamente, todas as informações sobre os projetos em
curso estão preservadas em arquivos, computadores e plantas, além de serem também do
domínio de outros técnicos e engenheiros remanescentes.
4.2. AS INVESTIGAÇÕES:
“A pergunta a ser respondida pelos técnicos, não deveria ser –
COMO FOI ? mas sim - QUEM FOI ? ”
(Ronaldo Schlichting)
4.2.1. As Comissões de Investigação:
Segundo o Relatório Final (RF), ocorrido o acidente, o Coordenador Geral da
Operação (CGO) instituiu de imediato uma comissão provisória de investigação técnica,
para conduzir as ações de pós-acidente, entre elas: reunir a documentação e cuidar da
preservação da cena do acidente, da coleta de evidências e do resgate e identificação das
vítimas. Esta comissão, pela natureza de suas atribuições transitórias, não foi formalizada
em documento.
Esta última iniciativa foi tomada logo depois pelo Diretor-Geral do Departamento de
Pesquisas e Desenvolvimento (DEPED), mediante duas portarias:
- uma em 26 de agosto de 2003, instaurando um Inquérito Policial Militar (IPM),
exigência do CPPMB; e
- outra em 28 de agosto de 2003, designando uma Comissão Técnica de
Investigação, composta por nove membros, oito dos quais já haviam participado dos
trabalhos conduzidos pela comissão provisória.
Esta última portaria autorizava o Presidente da Comissão a incluir novos membros,
como especialistas, com o objetivo de “auxiliar na análise da falha e para
acompanhamento dos trabalhos de investigação”. Assim, posteriormente, foram
agregados à Comissão elementos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes
da Aeronáutica (CENIPA) além de outros membros e, temporariamente, os técnicos
russos.
a. A Comissão nomeada pelo Comando da Aeronáutica :
Composta por militares e civis da FAB, do CTA e/ou IAE, de reconhecidas
qualificações técnicas e profissionais, é como é de se concluir, a Comissão de
Investigação nomeada pelo Comandante da Força, tinha credenciais para realizar uma
investigação TECNICAMENTE confiável e transparente.
- PRESIDENTE DA COMISSÃO - Brig.-do-Ar Marco Antonio Couto do
Nascimento – CTA
Formação acadêmica – Oficial Aviador (AFA, 1973); Engenharia Aeronáutica (ITA,
1983) com mestrado e doutorado na mesma área.
Função atual – Vice-Diretor do CTA.
MEMBROS
- Adalberto Pacífico Comiran – INPE
Formação acadêmica - Física na Universidade Drujba Narodov (Moscou, 1981); Ph.
D. em Ciências Físico-Matemáticas no Instituto de Telecomunicações de Moscou ( MIS,
1992).
Cursos – “Tecnologia de satélites – Garantia do produto: confiabilidade”, INPE;
“Teoria e cálculo de turbobombas para motores de foguete a propulsão líquida”;
“Processos tecnológicos e equipamentos para produção de motores de foguete”, Instituto
Aeronáutico de Moscou (MAI), IAE; “Testes de motores de foguete a propelente líquido”,
Instituto Aeronáutico de Moscou ( MAI), IAE.
Função Atual – Trabalha no Laboratório de Integração e Testes do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais - INPE.
- Adriano Gonçalves – CTA/IAE
Formação acadêmica - Engenharia Mecânica (Universidade Mackenzie, 1981);
Especialização em Técnicas Aeroespaciais pela Ecole Supérieure des Techniques
Aèrospatiales (ESTA, 1990), Orsay-França, e Mestrado em Mecânica Aeronáutica em
Materiais e Processos de Fabricação (ITA, 1997).
Curso - Gerência de Projetos (CTA, 1995).
Função atual - Coordenador Técnico do VLS-1 V03.
- Afonso Paulo Monteiro Pinheiro, Eng. – CTA/IAE
Formação acadêmica - Engenharia Química (Faculdade de Engenharia Química de
Lorena, 1982);
Mestrado em Pirotecnia (ITA).
Funções atuais - Coordenador das redes pirotécnicas do VLS-1 e Veículos de
Sondagem; Chefe da Subdivisão de Explosivos e Pirotécnicos, da Divisão de Sistemas
Bélicos do Instituto de Aeronáutica e Espaço (CTA/IAE).
- Ariovaldo Félix Palmério– CTA/IAE
Formação acadêmica - Engenharia Mecânica (IME, 1974); Mestrado em Engenharia
Aeronáutica (ITA, 1980) e Doutorado em Engenharia Mecânica (Virginia Polytechnic
Institute, 1989).
Função atual – Membro do Grupo de Engenharia de Sistemas, da Gerência de
Veículos, da Vice-Direção de Espaço, do IAE.
- Arnaldo Wowk – EMBRAER
Formação acadêmica - Engenharia Eletrônica (ITA, 1977).
Cursos - Estágio no Centre National d´Etudes Spatiales - CNES-Evry, França (1986).
Função atual – EMBRAER.
- Carlos Alberto Gottmann - CTA/VDR
Formação acadêmica - Engenharia Mecânica (EEI, 1983); Especialização em
Engenharia Aeroespacial: Ensaios em Vôo, Confiabilidade de Sistemas Aeronáuticos
(UNIVAP, 2001).
Cursos - cursos de pós-graduação (ITA, 1987).
Função Atual - Coordenador de Subprogramas na Vice-Direção do CTA.
- Carlos Antonio de Magalhães Kasemodel - Ten.-Cel.-Eng. – CTA/IAE
Formação acadêmica - Engenharia Mecânica Aeronáutica (ITA, 1980);
Especialização em Engenharia de Armamento Aéreo (ITA, 1981); Mestrado em Física
Aplicada (Naval Postgraduate School / E.U.A., 1999).
Função atual - Gerente do Projeto VLS-1 e Chefe da Gerência de Veículos Espaciais
do Instituto de Aeronáutica e Espaço (CTA/IAE).
- Cíntia Saba Fonseca – IPA
Formação acadêmica – Psicologia (Universidade Santa Úrsula, 1982); Especialização
em Psicologia do Trabalho e Organizacional e em Ergonomia e Usabilidade (PUC-RJ,
2003).
Função atual - Psicóloga e Chefe da Seção de Aperfeiçoamento Técnico da Divisão
de Segurança do Trabalho do Instituto de Psicologia da Aeronáutica (IPA) desde 2002.
- Cleber Souza Corrêa - Cap.-Esp.-Met. – DTCEA-PA
Formação acadêmica – Bacharelado em Meteorologia (Universidade Federal de
Pelotas, 1988);
Mestrado em Sensoriamento Remoto (Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
1997);
Doutorando no Instituto de Pesquisas Hidrológicas (Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, desde março de 2000).
Cursos - Especialização em meteorologia aeronáutica (Instituto de Proteção ao Vôo –
IPV, 1988);
Curso de Meteorologia Militar (Instituto de Proteção ao Vôo – IPV, 1989); Curso de
Aperfeiçoamento de Oficiais da Aeronáutica (Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais
da Aeronáutica – Universidade da Força Aérea Brasileira – UNIFA – Campo dos Afonsos,
RJ, 2003).
Função atual - Chefe da Seção de Meteorologia do DTCEA-PA no Aeroporto
Internacional Salgado Filho em Porto Alegre.
- Clóvis José Davoli – CTA/IAE
Formação acadêmica - Engenharia Elétrica (Universidade de Mogi das Cruzes,
1980);
Especialização em Técnicas Aeronáuticas e Espaciais em Toulouse (França –
ENSAE, 1985-1987).
Função atual - Atua na área de ensaios, testes e análise de dados de telemetria de
sistemas elétricos embarcados no Instituto de Aeronáutica e Espaço (CTA/IAE).
- Elizabeth Cabral Coelho - Maj. QFO.-Psc. – IPA
Formação acadêmica – Psicologia (Universidade Federal Fluminense, 1980);
Especialização em Psicologia do Trabalho e em Psicologia Social (FGV).
Cursos – Estágio de Segurança de Vôo – Fator Humano (1986); Curso de
Gerenciamento de Recursos de Tripulação (CRM) na VARIG e Transbrasil.
Função atual – Chefe da Seção de Segurança do Trabalho do Instituto de Psicologia
da Aeronáutica (IPA).
- João Bosco Martinolli - Maj.Av. – CTA/DIR
Formação acadêmica - Oficial Aviador (AFA, 1988); Engenharia Aeronáutica (ITA,
1999).
Cursos - Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos – CENIPA (1991);
Auditoria da Qualidade (CTA/IFI/FQI, 2001).
Função Atual - Chefe da Seção de Investigação e Prevenção de Acidentes
Aeronáuticos do CTA.
- Jolan Eduardo Berquó – CTA/IFI
Formação acadêmica – Engenharia Eletrônica (ITA, 1975); Pós-graduação em
Confiabilidade de Componentes e Sistemas (ITA, 2000) e Engenharia de Segurança de
Sistemas (2001).
Cursos – Engenharia de Sistemas (Itália, 1983); Análise de Risco (Itália, 1985);
Gerenciamento da Configuração (Itália, 1985); Confiabilidade (UNICAMP, 1999).
Função atual – Coordenador de Aeronáutica para Certificação da Divisão de
Certificação de Produtos Aeroespaciais do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial
do CTA.
- José Eduardo Valentim Fassi – CTA/IFI
Formação acadêmica – Engenharia Eletrônica (ITA,1969).
Principais funções – Experiência em desenvolvimento e qualidade de equipamentos e
sistemas, na área de telecomunicações e aeroespacial, em empresas como a Tecnasa,
Avibrás e Embraer; Aeritalia (atual Alenia, Itália) e Becker F. W. (Alemanha). Em quatro
ocasiões trabalhou no CTA (IPD e IFI), em desenvolvimento e certificação de produtos
aeroespaciais.
- Luiz Carlos de Castro – CTA/IAE
Formação acadêmica – Bacharelado em Meteorologia pelo Instituto de Geociências
(UFRJ, 1975);
Mestrado em Meteorologia pelo Departamento de Meteorologia da Universidade de
Wisconsin, Madison (USA, 1986).
Funções atuais – Chefe da Divisão de Ciências Atmosféricas do Instituto de
Aeronáutica e Espaço (CTA/IAE); Presidente da Comissão de Aperfeiçoamento de
Recursos Humanos do Instituto de Aeronáutica e Espaço (CARH/IAE/CTA).
- Luiz Roberto Del Mônaco – CTA/IAE
Formação acadêmica - Engenharia Eletrônica (Faculdade de Engenharia de São
José dos Campos, 1972) com inúmeros cursos de especialização em assuntos da sua
área de atuação.
Função atual - Responsável pelo Grupo de Engenharia de Sistemas (GES-V) da
Gerência dos Projetos de Veículos Lançadores e Foguetes de Sondagem (GER-V).
- Márcia Regina Molinari Barreto - Maj.-QFO.-Psc. - IPA
Formação acadêmica – Psicologia (UERJ, 1982); Especialização em
Desenvolvimento de Recursos Humanos (FGV, 1987); Especialização em Dinâmica de
Grupo em Treinamento (FGV, 1988).
Função atual – Chefe da Divisão de Pesquisas e Desenvolvimento do Instituto de
Psicologia da Aeronáutica (IPA).
- Mauro Melo Dolinsky – CTA/IAE
Formação acadêmica - Engenharia Química (UFRJ, 1967); Especialização em
Química de Propelentes e Explosivos (Chimie-Poudres) (École Nationale Superieure de
Techniques Avancées – ENSTA, Paris, França, 1970-1971) e em Propulsão (Office
National D’Études et de Recherches Aérospatiales (ONERA), Chatillon, França).
Funções atuais - Vice-Diretor de Espaço do IAE; Coordenador do Subprograma
Espacial do CTA.
- Odair Lélis Gonçalez – CTA/IEAv
Formação acadêmica: Bacharelado em Física (USP, 1978); Mestrado em Ciências
(ITA, 1982) e Doutorado em Tecnologia Nuclear (USP, 1998).
Cursos: Supervisor de Proteção Radiológica (1982), credenciado junto à Comissão
Nacional de Energia Nuclear (CNEN), registro IR-0108.
Funções atuais: Pesquisador Titular no Instituto de Estudos Avançados (CTA/IEAv),
desde 1979, exercendo a gerência do projeto do Laboratório de Radiação Ionizante; Chefe
da Coordenadoria de Segurança e Higiene do Trabalho do CTA (CTA /VDR/VST);
Presidente da Comissão de Auditoria da Avaliação da Periculosidade, Insalubridade e
Radiação Ionizante do CTA; Membro da Comissão Técnica de Elaboração de Laudos para
Concessão do Adicional de Radiação Ionizante do CTA; Professor Doutor nas Faculdades
Integradas Módulo em Caraguatatuba, SP.
- Paulo Roberto Sakai – CTA/IAE
Formação acadêmica - Engenharia Industrial – Mecânica (Escola de Engenharia
Industrial de São José dos Campos, 1985).
Curso - “Mastère Spécialisé Management de la Qualité” pela “École Nationale
Supérieure d’Arts et Métiers (ENSAM)”, Paris, França.
Função atual - Atua na área da qualidade e como coordenador do segundo estágio
do VLS-1 V03.
- Ramon Machado Cardoso – CTA/IAE
Formação acadêmica - Engenharia Elétrica (ênfase em eletrônica e
telecomunicações) (Instituto Nacional de Telecomunicações – INATEL, de Santa Rita do
Sapucaí, MG,1982).
Função atual - Coordenador das Redes Elétricas.
- Valter José Carrara – Ten. Cel.-R/R
Formação acadêmica – Engenharia Eletrônica (ITA, 1970); Specialisation dans le
domaine des Systèmes de Poursuite de Lanceurs (Centre National d'Études Spatiales,
1976).
Cursos - Curso de Gestion de Grands Projets Espaciaux (CNES, 1983); Curso de
gerência de projetos (CTA, 1994).
Função atual - Reserva remunerada.
A Comissão ainda teve como colaboradores, os seguintes civis de destacadas
aptidões especializadas:
- Edson Cardoso da Silva – CTA/IFI
- Márcio da Silveira Luz
- Marcos Pereira Rodrigues - CTA/IFI
- Petrônio Noronha de Souza
A Comissão foi subdividida em 4 Subcomissões:
- - uma subcomissão técnica do Fator Material, à qual cabia analisar os
fatores materiais – no presente acidente, o VLS-1 e seus sistemas de apoio --
foi responsável por investigar a causa misteriosa que acionou prematuramente
um dos motores do primeiro estágio (dando início ao incêndio); para isso,
estabeleceu uma série de hipóteses como possíveis causas para que esse
acendimento anormal tivesse acontecido; e dedicou-se a realizar os inúmeros
testes e experiências necessários à comprovação e/ou ao descarte de cada
uma dessas hipóteses; estava composta por membros da equipe que trabalha
no projeto do VLS;
- - uma subcomissão técnica do Fator Operacional, à qual cabia
investigar o acidente buscando apontar irregularidades (“não conformidades”)
nas ações que antecederam a tragédia, relacionadas à “infra-estrutura de
apoio ao lançamento”; à “segurança operacional”; ao “planejamento e
coordenação das atividades”; à “qualidade”; à “documentação técnica” e à
“configuração do projeto VLS-1”;
- - duas outras subcomissões para analisar o Fator Meteorológico e o
Fator Humano.
Segundo o RF, os técnicos selecionados para presidirem as quatro subcomissões,
tinham em comum o fato de não serem de qualquer equipe que trabalhava com o Projeto
VLS-1, nem pertenciam ao Instituto de Aeronáutica e Espaço (CTA/ IAE), onde o projeto é
desenvolvido.
No entanto, na escolha dos demais técnicos integrantes desta Comissão, um fato
relevante a ser destacado é que alguns dos nomeados já haviam integrado uma, e até as
duas outras comissões de investigação anteriores, e/ou pertenciam ao CTA/IAE.
Esta decisão admite dois enfoques:
- Parece-nos inteiramente razoável, e até mesmo aconselhável, que técnicos que já
participaram de outras investigações nas quais adquiriram uma valiosa experiência sobre
a análise desse tipo de evento infausto, fossem indicados para compor esta Comissão,
mais importante do que as duas outras anteriores pois que agora se examinava um evento
muito mais grave porque trágico.
- É possível, porém, que alguns desses técnicos – devido às funções que
desempenhavam no CTA e/ou IAE - tenham realizado atividades relacionadas ao 3º
lançamento, quando talvez eles tenham participado de decisões que, teoricamente, podem
vir a ser consideradas como irregularidades (“não conformidades”), e a sua escolha
poderia, hipoteticamente, prejudicar a correta apuração da tragédia.
Por certo, aqueles que decidiram por essas escolhas devem ter meditado bastante
sobre essa circunstância de dupla interpretação e de difícil opção. A presidência das
subcomissões atribuídas a técnicos que não pertencem ao CTA e/ou ao IAE – que foi
adotada – e que não participaram de nenhuma das duas outras comissões anteriores,
pode ter solucionado satisfatoriamente bem essa questão.
Entretanto, concordando com a opinião de um jornalista especializado em assuntos
militares, o jornalista Roberto Godoy, parece que – com vistas a uma investigação mais
impessoal e para se conseguir uma apuração da Verdade rigorosamente neutra -- seria
bem melhor que, na escolha dos integrantes da Comissão de Investigação, (pelo menos
das duas principais subcomissões, a do Fator Material e do Fator Operacional), fossem
selecionados técnicos estranhos ao Sistema estatal. Como, por exemplo, funcionários de
AVIBRÁS, onde certamente existem engenheiros e técnicos que têm larga experiência na
fabricação, manuseio, lançamentos, estocagem e medidas de segurança operacional,
exatamente sobre os mesmos tipos de motores de foguetes que compõem os 4 estágios
do nosso VLS -1.
Posteriormente, em diferentes momentos, novos membros foram sendo agregados à
Comissão, dentre eles, os seis especialistas de nacionalidade russa.
O Ministro da Defesa também aprovou a inclusão na Comissão, de três integrantes
da comunidade científica além de um representante da família dos mortos; ocasião em
que afirmou categoricamente que "a determinação de abertura e a condução da
investigação é atribuição indelegável do Ministério da Defesa", avisou ele.
Aparentemente, a inclusão de pesquisadores civis indicados por sociedades
científicas, foi um esforço para "desmilitarizar" a investigação. Foram eles: Carlos
Henrique de Brito Cruz, da Unicamp, Fernando Cosme Rizzo Assunção, da PUC-RJ, e
Paulo Murilo Castro de Oliveira, da UFRJ (FSP - "Os 21 de Alcântara" de 18 de janeiro de 2004).
Ultrapassado o prazo regulamentar (30 dias), normal para o encerramento de um
Inquérito, foram feitas 5(cinco) prorrogações sob a justificativa das grandes dificuldades
desse tipo de Inquérito e da necessidade de se fazer uma investigação minuciosa. Ao final
desse prazo, em 17 de março de 2004, foi feita uma ampla divulgação do Relatório Final
(RF), num volume de 130 páginas, posto à disposição dos interessados inclusive pela
Internet.
Portanto, a apresentação do Relatório Final após 21 semanas de trabalho, consumiu
prazo inteiramente compatível com as grandes dificuldades e graves responsabilidades
que a Comissão deve ter enfrentado.
b. O Inquérito Policial-Militar:
Por força da exigência do Art. 10, a) do Código do Processo Penal Militar (CPPM)
(DL – 1.002 de 1969), também foi instaurado um IPM que deveria estar concluído em, no
máximo, 40 dias. Esse prazo foi muito ultrapassado e seu Relatório ainda não foi
divulgado, mas consta no RF uma referência “en passant”, onde se afirma que seguirá seu
trâmite legal via Auditoria Militar correspondente.
A propósito, – teórica e tecnicamente – é forçoso se concluir ter havido um delito de
natureza militar, posto que - ratione personae - o acidente envolveu pessoas sujeitas à
administração militar (militares e assemelhados), vinte uma das quais morreram vítimas de
uma explosão; ratione locii - porque a explosão ocorreu em local sob administração
militar, o CLA, comandado por militares, em um evento dirigido por autoridades militares; e
- ratione materiae - porque a causa mortis foi a explosão de um foguete fabricado sob a
responsabilidade de órgãos militares. E, em havendo vítimas fatais, seria IMPOSITIVO
levantar-se os responsáveis (dolosos ou culposos) pelo infausto acidente. O dolo ou a
culpa seria provavelmente o mais complexo e delicado quesito a ser respondido.
Assim, desde já opinamos como – tecnicamente - mais correta a hipótese da
existência de delitos militares (em tese, dos Art. 205 e Art. 206, § 1° e § 2º; Art. 262, Art.
264 incisos I e II, tudo do CPMB) que, SE CONFIRMADA, exigiria a remessa dos autos do
IPM à Auditoria correspondente (o que já foi feito) e estabeleceria a competência do
Ministério Público Militar quanto à iniciativa do processo competente.
Contudo, sem conhecer a íntegra do Relatório final do IPM -- até agora
compreensivelmente mantido em sigilo – não nos posicionaremos de forma definitiva
sobre a existência (ou não) de delitos de natureza tipicamente militar. (35[35])
O encarregado do IPM foi o Brigadeiro-do-Ar José Monteiro Guimarães, que concluiu
“pela inexistência de indícios de crime militar”, com a qual evidentemente não se pode
concordar in limine. E o representante do Ministério Público Militar (MPM), Promotor
Clementino Ruffeil Rodrigues, parece que também não concordou, pois o seu pedido para
a realização de novas perícias sobre as causas do acidente com o VLS-1-V03, sugere
isso.
É provável que o processo relativo ao IPM, esteja correndo em “segredo de justiça”
na Auditoria da 8ª RM, em Belém.
Em tempo, os mesmos argumentos acima focalizados são válidos para os dois
acidentes anteriores (VLS-1-V01 e VLS-1-V02), sendo de se estranhar que nunca se
tenha falado da existência de IPMs sobre esses dois eventos. Os delitos a apurar seriam
os dos Art 262 e 264 do CPMB, que tratam do “Dano” em aeronaves militares (o VLS-1). A
abertura de IPMs, nesses dois casos, seria em obediência ao que prescreve o Art. 10, a)
do CPPM e, salvo melhor juízo, deveriam ter sido instaurados ex-ofício por iniciativa do
Comandante da Unidade Militar (o CLA).
c. Uma comissão especial externa da Câmara de Deputados:
Em 02/9/2003, foi nomeada pela Câmara de Deputados uma “COMISSÃO EXTERNA
DESTINADA A FAZER O DIAGNÓSTICO TÉCNICO SOBRE O ACIDENTE COM O
35[35]) Em 22/11/2003, a imprensa divulgou que o Relatório das investigações talvez fosse “sigiloso”. No dia 25/11/2003, essa notícia
foi desmentida pelo ECOMSAER. No dia 17/03/2004, após uma sintética exposição, o Ministro Viegas deu à divulgação um Relatório
Final minucioso e muito informativo, com 130 páginas. A despeito da boa qualidade e extensão do Relatório Final, é provável que exista
-- além do Relatório do IPM que não foi divulgado – um outro Documento sigiloso, mais extenso e mais específico sobre esta tragédia.
Vários indícios nos levam a fazer esta suposição, entre eles, a decisão de se manter uma comissão analisando os dados já levantados;
e também o fato da primeira impressão do Relatório Final - provavelmente com classificação sigilosa de nível alto -- ter sua
distribuição limitada ao Ministro de Defesa, ao Comandante da Aeronáutica, ao Diretor Geral do Departamento de Pesquisas e
Desenvolvimento do Comando da Aeronáutica, ao Diretor do Centro Técnico Aeroespacial e à Comissão Técnica de Investigação do
Acidente do VLS-1 V03, conforme consta na página n.º 2 do Relatório Final.
VEÍCULO LANÇADOR DE SATÉLITE, VLS-1... etc.” (CEXALCAN), com a composição
seguinte:
- Presidente, o Dep. Corauci Sobrinho, do PFL/SP;
- Membros: Dep.Terezinha Fernandes do PT; Dep. Washington Luiz, do PT; Dep.
César Bandeira do PFL; Dep. Pedro Novais do PMDB; Dep. João Castelo do PSDB; Dep.
Pedro Fernandes do PTB; Dep Paulo Marinho do PL; e Dep. Ribamar Alves do PSB,
TODOS ESTES DO MARANHÃO;
A escolha maciça de deputados do Maranhão, foi fruto da influência do Presidente do
Congresso Nacional, o maranhense Senador José Sarney.
Diante dessa maioria anormal e atípica, seria razoável suspeitar-se de que as
decisões desta Comissão poderiam ficar contaminadas por uma influência “política”, talvez
até mesmo quanto à decisão estratégica de se ceder (ou não) uma área do CLA para
lançamentos e veículos espaciais de e/ou por países estrangeiros com suas cargas úteis
ao espaço exterior. (36[36])
Além dos deputados maranhenses já enumerados, integram também a CEXALCAN a
Dep. Vanessa Grazziotin do PC do B/AM e o Dep. Pastor Pedro Ribeiro do PMDB/CE.
A CEXALCAN tomou inúmeras iniciativas, entre as quais as mais importantes foram::
- - realizou visita ao Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) em
Alcântara, e ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA) em São José dos Campos
“para observação direta e coleta de informações a respeito do acidente da
base de Alcântara";
- - solicitou ao Ministério Público Federal no Maranhão o “Laudo
Antropológico sobre Alcântara realizado a pedido do próprio Ministério Público
Federal" (nr. - Relativo à questão dos quilombolas);
- - solicitou informações junto ao Ministério de Ciência e Tecnologia “sobre
a eficiência do foguete VLS-1";
- - solicitou ao Ministério da Justiça “cópia do laudo da Polícia Federal
sobre o acidente na Base de Alcântara";
- - solicitou ao Ministério da Defesa “cópia das imagens do acidente de
Alcântara registrados pelas câmeras de vídeo de monitoramento do Centro de
Lançamento de Alcântara (CLA)";
- - solicitou ao Centro Técnico Aeroespacial (CTA), “cópia das gravações
do filme do sistema interno sobre o acidente da base aeroespacial" ;
- - solicitou “informações sobre o Inquérito Policial Militar à 8º
Circunscrição Judiciária Militar".
Na proposta de Relatório, apresentada pelo Presidente da comissão, Dep Corauci
Sobrinho aos seus pares, consta que, quanto ao acidente com o VLS-01 V 03, “não foi
objetivo da Comissão Externa apurar tecnicamente suas causas imediatas, tarefa que
demandaria a contratação de especialistas de diversas especialidades e que seria
repetitiva em relação às investigações realizadas pela Comissão Técnica de Investigação
36[36]) A nomeação de uma maciça maioria de deputados maranhenses, visaria ter maioria nas decisões da CEXALCAN, em questões
menores como a dos quilombolas; ocorre, porém, que o Sen. Sarney já se manifestara favorável à criação de um “espaçoporto
internacional” em Alcântara, provavelmente pensando beneficiar o seu Estado natal.
do Ministério da Defesa e presidida pelo Brigadeiro-do-Ar Marco Antônio Couto do
Nascimento.
A Comissão Externa da Câmara dos Deputados considera como fundamentalmente
corretas as conclusões da Comissão Técnica de Investigação, transcritas ao início deste
relatório.” (textuais)
Na Proposta consta ainda, repetindo algumas das conclusões do Fator Material que:
- “Ficou comprovado que a falta de blindagem dos fios torcidos da
“linha de fogo”, que leva energia aos detonadores dos propulsores
do primeiro estágio, torna-os passíveis de sofrerem indução
eletrostática.
- As características do acidente permitem concluir que a existência
de uma barreira mecânica de segurança no sistema de ignição dos
propulsores do primeiro estágio, após os detonadores, poderia ter
impedido o acidente.”
E quanto ao Fator Operacional, a Proposta adere ao que os peritos concluíram:
“- As atividades, pelo menos na última semana da Operação, não
foram controladas de maneira eficiente, permitindo, por exemplo,
que tarefas de risco fossem realizadas juntamente com outras
tarefas, como foi o caso da conclusão da descarga das baterias,
conduzida concomitantemente com outras tarefas, e a execução de
tarefas, após a conexão dos detonadores dos propulsores A e D à
“linha de fogo”, que poderiam ter sido realizadas antes.”
Em seguida a Proposta tece considerações muito pertinentes sobre a crescente
escassez de verbas e sobre as baixas remunerações dos técnicos e engenheiros do
CTA/IAE, não condizentes com a importância de suas funções e com suas altas
especializações, em tudo concordando – em tese – que o Programa Espacial brasileiro
vem sofrendo um irracional e incompreensível contingenciamento financeiro e
orçamentário, tal como já foi assinalado neste Documento.
A seguir afirma que:
“a organização institucional do setor também foi um problema
detectado pela Comissão Externa, já que a AEB, teoricamente
responsável pelo Programa Espacial Brasileiro, não tem comando
efetivo sobre as atividades, pois nem o IAE/CTA, nem o INPE lhe
são subordinados.”(textuais)
E, nas Conclusões, propõe:
“3 - Seja reorganizado institucionalmente o setor aeroespacial, com
a subordinação da Agência Espacial Brasileira – AEB à Presidência
da República, subordinando-se diretamente a ela o INPE, do MCT e
o IAE, do CTA.” (textuais)
A Proposta sugere também a aprovação do Projeto de Lei nº 1.848, de 2003, que
manda inscrever os 21 servidores falecidos no acidente do VLS, em 22 de agosto de
2002, no Livro dos Heróis da Pátria, que se encontra no Panteão da Liberdade e da
Democracia, em Brasília.
E recomenda ainda que o Comando da Aeronáutica continue investigando as causas
técnicas do acidente.
d. Estimativas sobre as conseqüências das propostas da CEXALCAN
Com base em TUDO o que retro já foi focalizado, SE ESSAS PROPOSTAS DE
REORGANIZAÇÃO INSTITUCIONAL FOREM APROVADAS PELA CÂMARA, podemos
prever com segurança que:
- a AEB adquirirá um “status” ainda mais autônomo – que ela certamente usará para
impor a sua ideologia “internacionalista” e xenófila – promovendo rapidamente medidas
para a implementação de um “espaçoporto internacional” no CLA; e fazendo novas
investidas para (re)negociar novos “acordos” e/ou “ajustes suplementares” e/ou
“protocolos técnicos”, tudo usurpando, sem o menor pudor,(37[37]) funções específicas de
alguns Ministérios (do Itamaraty, do MCT e da Defesa), e também privativas do Senado
Federal; ignorando solenemente a perda da nossa Soberania plena sobre a área do CLA
que será internacionalizada, e desprezando o grave risco de lesão da Integridade
Territorial do Brasil.
- pode-se ter como certo, o abandono imediato da MECB e do projeto VLS-1,
perdendo-se com esta decisão irrazoável todo o acervo em material e em pessoal, e
desprezados os conhecimentos técnicos e práticos (to make to do) obtidos e acumulados
mediante centenas de lançamentos bem sucedidos ao longo de mais de 4 décadas,
realizados pelos entes subordinados diretamente à FAB, o CTA/IAE.
Até esta data (12/10/2004), não foi aprovada a Redação Final do Relatório desta
Comissão.
A versão final do relatório deverá ser submetida ao plenário da Câmara antes de ser
encaminhada à Presidência da República. Talvez venha a ser encaminhada também ao
Senado, antes disso.
4.2.2. Participação de técnicos russos nas investigações:
1) A participação de técnicos estrangeiros nas investigações
Segundo o RF, o Comandante da Aeronáutica Brasileira estava em Moscou no dia 22
de agosto, em entrevista com o Comandante da Força Aérea Russa, no momento em que
foi notificado sobre a tragédia. Ele, considerando a reconhecida competência daquele país
na área espacial e, em particular, em propulsão sólida, e à vista da histórica cooperação
37[37]) Aliás, como o fazem TODAS as Agências Reguladoras, – cada qual no seu setor específico – eis que foram entes “instituídos”
pelo Pres. FHC, exatamente para ficarem acima das LEIS e do ESTADO BRASILEIRO, e a favor de soluções “internacionalistas”...
tecnológica entre o Brasil e a Rússia nessa área, concluiu que haveria receptividade para
um pedido de cooperação técnica russa para a investigação do acidente.
O RF afirma que ele somente solicitou essa colaboração depois de ter obtido
autorização do Ministro da Defesa do Brasil, pedido este posteriormente formalizado por
expediente do Ministério das Relações Exteriores.
É pouco provável que essa solicitação tenha obedecido a uma rigorosa liturgia
hierárquica, pois o Governo Russo atendeu o pedido com tal presteza que uma equipe
composta por um alto executivo da área espacial, acompanhado de cinco experientes
especialistas, na manhã do dia 5 de setembro de 2003 – apenas 13 dias depois da
tragédia - já desembarcava no Brasil.
.Essa equipe era a seguinte:
1- VIACHESLAV LISITSIN - Representando a Agência Aeroespacial Russa e Chefe da
Equipe; atua na área de cooperação, e ficou sendo o “responsável pelos contatos com a
Agência Espacial Brasileira” ;
2. DMITRY BORISOV - Chefe de Seção no Instituto de Pesquisa KELDYSH; doutor em
Ciências, é especialista em motores à base de combustível sólido, na física do processo
de combustão do combustível sólido, na área de envelhecimento do combustível sólido e
em performance de motores de combustível sólido;
3. VLADIMIR MOROZOV - Especialista-Chefe no Centro de Pesquisa PILYUGUIN; doutor
em Ciências, é especialista em sistemas de controle de foguetes e satélites;
4. VICTOR POLIAKOV - Chefe de Departamento no Instituto Central de Pesquisas
Científicas MASHINOSTROENIA; doutor em Ciências, é especialista em pesquisa
científica na área de acidentes;
5.GEORGY SYTYI - Doutor em Ciências, atua na análise dos projetos e investigação de
acidentes; trabalha no Centro de Projetos MAKEYEV, especializado na área de
combustível sólido;
6. VLADIMIR BREYMAN - Representante do Instituto TEPLOTÉCNICA e especialista na
área de química de combustível sólido.
2) A presença de estrangeiros na cena do acidente
Uma pergunta natural seria: por que somente russos ? Por que não também alemães
e/ou indianos e/ou chineses e/ou americanos e/ou ucranianos e/ou franceses – com cujos
países já temos relações de cooperação na área espacial ? Também não soubemos qual
a autoridade brasileira que fez (participou ou aceitou) essa seleção TÃO RÁPIDA dos
nomes dos russos contemplados.
Essa preocupação se justifica, porque - EM CASO TÃO DELICADO E COMPLEXO
COMO ESTE – um elemento tendencioso incluído em uma equipe de investigação, pode
criar dificuldades extras para se descobrir as verdadeiras causas e para se apontar os
responsáveis pelo acidente.
Além disso, a presença física de pessoas estranhas – notadamente estrangeiros –
freqüentando o local do acidente e manuseando os destroços que estavam sendo
investigados, poderia comprometer a preservação da cena do acidente, contaminando
deliberadamente (ou não) com pseudos vestígios e/ou falsos indícios, os dados técnicos
que os peritos nomeados para os Inquéritos deveriam examinar sem interferências
estranhas ao evento.
Por conseguinte, acreditamos que esta decisão foi tomada ao sabor da comoção,
posto que a participação de estrangeiros deveria ter sido considerada obviamente
INCONVENIENTE e PREJUDICIAL por se tratar de uma investigação que somente
brasileiros DEVERIAM realizar, únicos que TERIAM INTERESSE REAL em agir com total
transparência, sem omissões, concessões e/ou “soluções políticas” – no mínimo, por
respeito aos 21 brasileiros mortos.
3) Falhas graves na preservação da cena do acidente
Segundo o RF, pouco depois de ocorrido o acidente, uma comissão provisória de
investigação técnica adentrou-se na cena da tragédia para (entre outras tarefas) cuidar da
preservação da cena do acidente, da coleta de evidências e do resgate e identificação das
vítimas.
A comoção natural diante de tão grande tragédia, e a urgência em se fazer a
identificação e o resgate dos corpos das vítimas, já seriam fatores emocionais que
naturalmente dificultariam uma escrupulosa preservação da cena do acidente, o que
exigiria que se impedisse com severo rigor a presença de pessoal não autorizado, até que
os técnicos nomeados dessem por terminada a coleta de evidências – tarefa que
certamente duraria prazo relativamente longo, no mínimo alguns dias.
Assim, a primeira falha a ser registrada foi a de se permitir que pessoas estrangeiras
tivessem acesso à cena do acidente, simultaneamente, ou talvez antes que os peritos
brasileiros nomeados terminassem a sua “coleta de evidências”.
Mas outras irregularidades podem ser apontadas – mesmo sem se tentar fazer uma
análise exaustiva desta irregularidade.
Ocorre que – como pode ser confirmado por fotografias publicadas pela imprensa
imediatamente após a tragédia – a área do acidente NÃO teve sequer seu perímetro
IMEDIATAMENTE demarcado e isolado, medida corriqueira em rotina policial e/ou pericial,
indispensável a ser tomada em caso de acidentes a serem periciados, mormente com
mortes. Somente algum tempo depois da tragédia é que essa medida foi tomada, o que
também pode ser confirmado por fotografias do local.
Em uma dessas fotos, publicada imediatamente após a tragédia, aparece a figura de
uma ÚNICA sentinela, isolada, de costas para os escombros da área do acidente - que
ainda não estava demarcada - tendo ao fundo um aglomerado de pessoas examinando os
destroços.
Por isso, o RF está correto quando conclui que TALVEZ nunca se possa ter uma total
certeza sobre as verdadeiras causas do acidente; e convém acrescentar - até mesmo pela
contaminação (deliberada, ou não) da cena do acidente.
4.3. QUARTA CONCLUSÃO PARCIAL:
Por tudo isso, mas principalmente por terem sido sacrificados 21
brasileiros -- heróis da saga de um povo que teima em traçar seu próprio
destino – foi que os militares da ex-Diretoria da ASMIR/PR, em um breve
documento analítico, que divulgaram imediatamente depois da tragédia,
INSISTIRAM na participação da Polícia Federal e do Ministério Público
Federal, em todas as investigações que já haviam sido instauradas. E também
requeriam que a NENHUM estrangeiro fosse permitida a mínima interferência
nessa questão chave e símbolo de nossa SOBERANIA.
Desafortunadamente NÃO foram ouvidos.
5. A HIPÓTESE DE SABOTAGEM NO VLS-1 - V03:
5.1. A quem interessaria o fracasso dos nossos VLS - 1 ?
a. O atual cenário do Poder mundial:
Terminada a IIª-GM, durante a “guerra fria”, quando as tensões geopolíticas
repartiam o mundo entre o Leste e o Oeste -- o que obrigava os EUA e a URSS a
disputarem parceiros (38[38]) -- a diplomacia dos EUA em relação ao Brasil era relativamente
amistosa, salvo alguns contenciosos de natureza econômica, posto que os governantes
norte-americanos até admitiam explicitamente que “para onde o Brasil se inclinar, a
América do Sul o seguirá ”.
Em 1968, o Congresso dos EUA fundou o Centro Acadêmico Woodrow Wilson
(CAWW), uma espécie de “banco de cérebros” criado para dedicar-se ao estudo,
investigação e documentação sobre a política externa norte-americana, com objetivos
hegemônicos(39[39]); em 1977, um ente semelhante ao CAWW, e a ele vinculado, foi criado
para orientar a diplomacia externa norte-americana para a América Latina; e, em 1982,
esse novo organismo deu origem ao já famoso “Diálogo Interamericano”(“Interamerican
Dialog”) do qual um dos mais destacados fundadores foi o então senador FHC. (39)
A partir da criação do CAWW, o Brasil passou a ser encarado como um possível rival
(e/ou contestador) da liderança norte-americana sobre a América Latina, e começou a ser
tratado como uma ameaça (ainda potencial) aos interesses dos EUA, o que nos tornou
alvo de incontáveis ações e pressões, muitas delas veladas (algumas delas nem tão
veladas) contra os objetivos estratégicos do nosso país, em inúmeros episódios somente
conhecidos por militares brasileiros de patentes mais altas, dando origem ao que alguém
já definiu sarcasticamente como uma “guerra secreta dos EUA contra o Brasil”.
Durante o Governo Reagan, em decorrência da desagregação da URSS, configurouse
uma nova situação militar internacional, caracterizada por um mundo unipolar, no qual
a já antiga hegemonia econômico-financeira dos EUA, ficou muito potencializada por sua
agora incontestável supremacia político/militar.
Nesse novo mapa do Poder mundial, os princípios da “não-intervenção” e da
“autodeterminação dos povos” que, por consenso quase universal e sólida tradição
diplomática, protegiam os países periféricos das tentativas de intervenções mais ou menos
freqüentes dos Países Principais, deram lugar a seus verdadeiros antípodas, como as
teses da “soberania limitada (ou relativa)”, da “interdependência entre as Nações”, etc.,
(39),
entre eles o “direito (ou poder) de ingerência”, e – mais recentemente, a estratégia das
38[38]) Cel. L.G .S. Castro- Revista do clube Militar – mar./ 1993 - não-textuais
39[39]) “O Complô para aniquilar as Forças Armadas e as Nações Ibero-americanas” – MSIA (Edição brasileira -1997 - da Gráfica
Distribuidora Record – RJ/RJ) (não-textuais)
“ações militares preventivas” do Governo Bush Filho – “princípios” estes erigidos sobre as
razões dos mais fortes, e variantes modernas da “fábula do lobo e do cordeiro”.
A partir daí, os países secundários e/ou periféricos, como o Brasil, tiveram que
passar a se precaver contra potenciais, mas reais, ameaças de intervenções externas de
toda natureza, veladas ou não, diretas ou indiretas, militares e/ou para-militares (entre
estas as sabotagens) que têm sido realizadas - em certos casos sem o menor pudor
diplomático -- pelos três últimos governos dos EUA, contra alguns países.
No nosso caso, elas têm sido executadas velada mas sistematicamente contra os
nossos Objetivos Nacionais Permanentes, contra nossos planos, projetos e programas,
militares ou não, inclusive contra o nosso VLS-1, porque – embora sem qualquer
fundamento sensato – seus analistas o consideram como potencial ameaça militar do
Brasil à segurança dos EUA.
Esse receio dos analistas dos EUA, pode ser classificado como rigorosamente
infundado, não só porque o Brasil tem sido sempre, desde a IIªGM até o Governo Clinton
– portanto ao longo dos últimos 60 anos -- um fiel aliado dos EUA, apoiando a sua política
externa quase sem restrições, mas também porque nosso país não tem qualquer
motivação militar razoável - e nem teria a temeridade suicida - de pretender algum dia
atacar os EUA.
Depois da posse do Governo PT, esse temor indiscutivelmente ilógico e irrazoável,
se examinado apenas sob o ângulo exclusivamente político, passou a ter um certo grau de
razoabilidade, em função da conhecida – embora não confessada -- ideologia marxistaleninista
do Presidente Lula,(40[40]) mormente desde que a sua diplomacia vem negociando
diversos acordos com “países politicamente incorretos” como a Rússia, a China, a Índia, a
Líbia e a Ucrânia e, pior ainda, desde que vem dando explícito apoio a Cuba e à
Venezuela...
Notadamente o acordo espacial Brasil/Ucrânia, já aprovado quanto à utilização do
CLA para lançamentos de satélites brasileiros por foguetes Cyclone-4, deu a esses
temores infundados um tênue e aparente fundamento lógico, porque o Decreto Legislativo
que aprova este acordo, acena com a possibilidade (ainda claramente remota) da
transferência de tecnologia espacial ucraniana para o Brasil, o que nos permitiria
teoricamente colocar em órbitas altas e/ou estacionárias, satélites pesados e/ou outras
cargas úteis de finalidades civis e/ou militares.
Esse aparente fundamento lógico já foi explorado por uma reportagem divulgada pela
Agência de Notícias UPI, que aborda o provável uso pelo Brasil dos foguete Ciclone-4,
afirmando que eles seriam descendentes dos Mísseis Intercontinentais que armavam os
arsenais da ex-URSS, o que é uma insinuação maliciosa e uma imprecisão tendenciosa,
pois os grandes mísseis intercontinentais da URSS não tinham suas bases na Ucrânia.
40[40]) Em eventos nacionais e internacionais – visitas à Cuba, à África e à China, nos dois Fórum Social Mundial de POA, e no de BH,
etc., – o Pres. LULA tem confessado, embora indiretamente, sua ideologia marxista-leninista (ou socialista - como os petistas preferem
ser definidos); e ele sem dúvida apóia a idéia-força de “resgatar a utopia socialista para o Mundo Ocidental ”, chavão / missão repetido
ad nauseam durante os FSM de POA e de BH, inclusive por Fidel Castro. (não-textuais)
(41[41])
Ainda assim, a despeito da ideologia marxista-leninista do Governo LULA, e não
obstante os nossos acordos espaciais com a Ucrânia, Rússia, China e Índia, e o apoio a
Cuba e Venezuela, esse temor deveria ser racionalmente descartado pelos competentes
analistas norte-americanos como uma hipótese absurda ou, no mínimo, muito improvável,
pois a desproporcional relação de forças entre o Brasil e os EUA, tornaria qualquer ataque
brasileiro aos EUA uma completa insanidade militar, absolutamente irracional, absurda e
ilógica.
A menos que – é de se ressalvar em tempo – o Governo Bush Filho, numa
exacerbação extremada da sua atual estratégia de “ações militares preventivas”, queira
fazer desses nossos acordos espaciais, perfeitos álibis para represálias militares e/ou de
qualquer outra natureza, dos EUA contra o Brasil.
Neste caso, diante da completa falta de pudor diplomático do atual Governo dos
EUA, tantas vezes comprovada na guerra contra o Iraque, não seria de se descartar nem
mesmo a hipótese de que o Governo dos EUA possa reeditar uma versão light e moderna
da “crise dos mísseis de Cuba” de 1963, contra nós.
O nosso eventual e hipotético domínio da tecnologia de lançamentos espaciais, com
foguetes Cyclone-4 (ou outro qualquer), serviria como um especiosíssimo pretexto de
legítima defesa preventiva dos EUA, contra essa remota ameaça meramente potencial dos
nossos futuros mísseis espaciais.
Tais “ações preventivas”, seriam versões tupiniquins das “armas de destruição em
massa” do Iraque, que justificaram até uma “guerra preventiva” – ainda mal acabada –
mas que garantiu aos EUA a ocupação militar de uma posição estratégica central no
Oriente Médio; assegurou-lhes a posse, o domínio e o uso da maior de todas as jazidas de
petróleo e gás do planeta, além do usufruto da única, maior e mais regular bacia
hidrográfica existente naquela região predominantemente árida e desértica.
b. As possíveis causas do incêndio e explosão do VLS-1-V03:
1) Ressalvas necessárias
Ressalvamos antecipadamente a nossa extrema dificuldade para realizarmos de
forma consistente uma análise, processamento, aprofundamento e a confirmação dos
abundantes Informes já compilados, sem termos a competência institucional para requerer
dos principais atores desse infausto e complexo episódio, que respondam aos Elementos
Essenciais de Informações (EEI) que temos levantado.
Não obstante isso, vamos tentar fazê-lo somente com os dados já disponíveis.
41[41]) Esse artigo divulgado pela Agência de Notícias UPI, em 21/09/04, (“Brazil In Space: A Ukrainian Connection” - by Frank Braun,
Brasilia, Brazil (UPI) Sep 21, 2004) chama a atenção dos leitores norte-americanos para o fato do Brasil já estar em vias de aprovar um
acordo de cooperação na área espacial com a Ucrânia, visando enviar satélites brasileiros ao espaço usando foguetes ucranianos
Cyclone-4. Este míssil, segundo o jornalista, seria “um descendente dos Mísseis intercontinentais que armavam os arsenais da URSS –
como os SS-9 (Scarp) and SS-18 (Satan)”. Esta insinuação maldosa do jornalista não passa de uma meia-mentira, ou meia-verdade,
pois os grandes mísseis intercontinentais (ICBM) russos, que tinham a denominação de R7, também chamados de Semyorka, A2,
Sapwood e SS10, tinham suas bases provavelmente no Cáucaso.
Reconhecemos, porém, que só poderemos – sensatamente - ressaltar neste
documento os Informes e indícios que apontam em direção essa hipótese estatisticamente
a mais provável, ou seja, a sabotagem externa e/ou interna.
A propósito, está correto o RF quando afirma que a completa destruição da torre e do
VLS-1-V03 – além da contaminação (voluntária ou não) da cena do acidente, deve-se
acrescentar -- talvez tornem impossível chegar-se a uma conclusão definitiva sobre sua(s)
causa(s), de forma a permitir aos cientistas e à Aeronáutica aprenderem com esse trágico
evento, para poderem tomar as decisões que permitam evitar sua repetição.
O RF também está correto quando afirma que a tragédia terá sido quase em vão se,
depois da longa, difícil e minuciosa investigação já realizada, nada for concluído em
definitivo. Mas está óbvio que esse prejuízo será muitíssimo mais grave se a causa tiver
sido de fato uma sabotagem (interna e/ou externa).
Outras hipóteses, principalmente aquelas que envolvam dados técnicos, estamos
impedidos de examiná-las – por enquanto -- tanto por nos faltar os conhecimentos
específicos necessários, como também por não termos acesso, até esta data, à íntegra
COMPLETA do Relatório Final da Comissão Técnica (inclusive sua suposta parte sigilosa
não difundida) e pelo nosso completo desconhecimento sobre o que contem o Relatório do
IPM.
Reservamo-nos, também, o direito de opinar (ou não) a esse respeito, SE e
QUANDO dispusermos desses dados.
2) Nossas limitações
Não cabe a nós – nem este documento comportaria -- tentarmos fazer uma análise
exaustiva sobre as causas reais do acidente com o VLS-1-V03, mesmo porque o nosso
principal objetivo é convencer às autoridades e entes institucionalmente competentes para
isso, que DEVEM re-avaliar TODOS os dados disponíveis e que busquem outros ainda
insuficientemente estudados, tendo em vista SEMPRE que a sabotagem (interna e/ou
externa) É ESTATISTICAMENTE a causa mais provável e que, até por razões de
racionalidade, ela deve ser exaustivamente re-investigada.
Aqui, neste documento, nós apenas nos permitiremos fazer algumas digressões
superficiais sobre as causas do acidente.
Em análise preliminar, qualquer perito mesmo inexperiente, tenderia a adotar uma
sistemática de investigação, supondo que a tragédia de 22/08/2003 poderia ter sido
provocada por:
- “causas naturais” (42[42]);
- imperícia, imprudência ou negligência humanas, em qualquer das fases das
inúmeras operações para o lançamento; ou
- sabotagem (interna e/ou externa).
a) Quanto às “causas fortuitas” -- estas, deveriam ter sido descartadas
liminarmente, pois pela simples lógica matemática, configuravam a hipótese mais
42[42]) Mais precisamente, “Causas fortuitas” do direito brasileiro; ou “Acts of God” – do direito norte-americano.
improvável de todas, como ficou COMPROVADO atrás, pelas estatísticas NULAS
mais do que cinqüentenárias, -- e a TOTAL ausência de “funcionamentos
intempestivos” ou de “acionamentos, também intempestivos, de um dos detonadores”
-- durante os incontáveis lançamentos de todos os mísseis, brasileiros ou não, retro
focalizados neste documento.
b) Quanto à possível ocorrência de “imperícia, imprudência ou negligência”
humanas que algum(s) técnico(s) poderia(m) ter cometido, nada foi assinalado tanto
pela subcomissão do Fator Material, quanto pela subcomissão do Fator
Operacional que, ao analisarem as várias “não-conformidades” encontradas,
nenhuma acusação nesse sentido fizeram constar no RF divulgado.
Em tese, vem reforçar a suposição de que nenhuma “não-conformidade” pode
ser atribuída a falhas humanas dos técnicos e engenheiros que trabalhavam na
plataforma e no aprestamento do VLS-1-V03, a sua reconhecida habilitação
profissional e larga experiência, muitos deles repetindo atividades que já haviam
realizado anteriormente, uma ou mais vezes, donde é muito pouco provável que
algum deles tenha se descuidado ou deixado de executar diligentemente e com
precisão suas tarefas previstas na “chek-list” do PERT/CPM organizado pelo
Comando da Operação.
c) Quanto ao IPM pertinente nada se sabe sobre o seu Relatório já
encaminhado à Auditoria da 8ª RM, posto que não teve nenhuma divulgação --
exceto que o Ministério Público Militar (MPM) solicitou a realização de novas perícias
sobre as causas do acidente -- nele, é possível que alguma(s) da(s) “não-conformidades”
investigadas tenha(m) sido (ou não) considerada(s) faltosa(s) e atribuída(s) à
imperícia, imprudência ou negligência de algum(s) dos atores dessa grande tragédia.
Mas não convém especular sobre isso.
d. A hipótese de sabotagem – grande preocupação ANTES do
lançamento:
A grande preocupação com uma sabotagem foi divulgada pelo jornalista André M.
Mileski,(43[43]) que focalizou, com minúcias, os cuidados muito especiais tomados com vista
à proteção contra essa hipótese.
Entre as amplas medidas de segurança que foram tomadas, ele cita a área de
proteção eletrônica, na qual, para dar segurança aos sistemas de operação, controle de
guiagem do VLS-1, foram utilizadas duas aeronaves R-99, da FAB, com a missão de
controlar o espectro eletromagnético, em especial nas faixas de freqüência dos radares
usados pelo CLA para o rastreamento do veículo, assim como das faixas de freqüências
utilizadas pelo sistema de telemetria e telecomando.
Também duas equipes do Centro Integrado de Guerra Eletrônica (CIGE), do Exército
Brasileiro, munidas de pessoal e equipamento especializado para a vigilância de emissões
eletrônicas, também foram utilizadas. Nas dependências do CLA, uma terceira equipe,
composta por engenheiros do CTA, realizou atividades semelhantes à do CIGE. De julho a
43[43] ) “A tragédia de Alcântara” – (Revista Tecnologia & Defesa – n.º 97 – Ano 20 - pgs. 51 até 53) – o Autor - André M. Mileski -
escreve sobre assuntos espaciais nos quais revela ser muito bem informado, porque cita fatos e dados precisos – muitos deles
confirmados posteriormente pela AEB ou pelo CTA. E, neste caso, também confirmados pelo Relatório Final – aliás, alguns deles até
textualmente – razão pela qual, neste campo, o autor pode ser considerado como Fonte de idoneidade “C – idônea”.
agosto, nenhum sinal desconhecido ou hostil teria sido detectado, seja pelas equipes ou
pelas aeronaves.
Foram ainda adotadas medidas para restringir o acesso de barcos e navios à zona
crítica de lançamento, na Baía de São Marcos, área que separa a cidade de São Luís do
Centro de Lançamento de Alcântara, com a utilização de lanchas e navios-patrulha do 4º
Distrito Naval, da Marinha Brasileira, e aeronaves P-95 da FAB.”
Em terra, com vistas a impedir o acesso de pessoas não autorizadas, foram utilizadas
outras aeronaves e helicópteros da FAB, tarefas que tiveram a participação do 24º
Batalhão de Caçadores, do Exército, fazendo patrulhas para o controle das estradas e
áreas adjacentes ao Centro.
Aviões Tucano teriam ficado de prontidão no aeroporto de São Luís, prontos para
garantir – se necessário - o controle do espaço aéreo durante o período compreendido na
janela de lançamento.
Praticamente todas essas medidas citadas pelo Sr. Mileski foram confirmadas
DEPOIS, pelo RF – algumas delas textualmente -- curioso...
A grande preocupação com uma possível sabotagem foi também confirmada pelo
editorial publicado na manhã de 22/08/2003 (horas antes da tragédia) pelo “O Estado do
Maranhão” de propriedade do presidente do Senado José Sarney.
Esse jornal revelou que - em paralelo com o aprestamento técnico para o
lançamento, e com igual intensidade - estava também em andamento uma outra operação
executada pelo Setor de Inteligência, preocupada em prevenir eventuais ações de
sabotagem... e, para isso, teria “desembarcado em Alcântara uma grande equipe de
Inteligência, que imediatamente acionou um grande aparato de monitoração...”.
Essa mesma preocupação estava presente no fato de que, a 23/04/2003, -- em pleno
aprestamento final para o lançamento que deveria ocorrer em maio -- o Comandante da
Aeronáutica, Brigadeiro Bueno suspendeu, abruptamente, a Operação São Luiz, segundo
diz o Relatório Final, devido a informes de sabotagem recebidos através do canal de
Inteligência. Uma revista (“Isto É” de 10/082003) acrescenta que um funcionário teria tentado
sabotar um componente do VLS.
Nesse dia, toda a equipe de montagem e aprestamento do VLS - (a mesma
composta pelas vitimas do acidente) - que já estava preparando o lançamento, foi retirada
de Alcântara e recambiada para São José dos Campos, onde permaneceu até
01/07/2003, quando retornou, e recomeçaram as atividades de preparação para o
lançamento que deveria ocorrer em 25/08/2003.
"Tudo foi remontado.Tomamos os cuidados possíveis para que nada desse errado",
teria dito o Brigadeiro Bueno."
De fato, no retorno, houve um acentuado aumento das medidas de segurança em
vários setores como, por exemplo, na área de eletrônica que passou a ser totalmente
vigiada; os crachás foram trocados; houve severas restrições para se freqüentar diversas
dependências, nas quais os estranhos seriam impedidos de entrar e interrogados, a
menos que justificassem muito bem que tinham uma função clara para ali estar.
Mas, talvez, estivessem trancando a porta após ter sido arrombada, pois – durante o
grande período transcorrido entre os primeiros transportes (agosto/2002) até a sua
utilização na montagem para o aprestamento final (01/julho/2003) – é curial suspeitar-se
de que a segurança dos motores e demais componentes do VLS-1, transladados de São
José dos Campos até o CLA e estocados quase um ano, NÃO tenham recebido os
cuidados e a severa vigilância INDISPENSÁVEIS a protegê-los durante tanto tempo de
hipotéticas ações de sabotadores infiltrados internamente no CLA, ou em qualquer outro
dos entes envolvidos com as operações de lançamento do VLS-1-V03.
Por outro lado, analistas experientes, tendem a colocar dúvidas quanto à eficácia de
operações conjuntas de Segurança e de Contra-informação com a grande envergadura
descrita pelo Sr. André M. Mileski, face à extrema complexidade e severas dificuldades de
coordenação de uma Operação de Segurança de área e de Busca de Inteligência,
conjuntas (e, mais ainda, de contra-Inteligência) – que foram focalizadas (apenas
superficialmente) pelo RF. Neste, foi confirmado apqnas que nas operações de segurança
da zona protegida, houve até uso de criptografia nas comunicações, que foram
implantadas em conjunto pela FAB, Exército e Marinha.
Portanto, é certo que – de fato -- ANTES da tragédia, houve grande preocupação
com uma possível sabotagem DE ORIGEM EXTERNA, e que muitas dessas medidas
foram realmente tomadas para fazer face a esta hipótese.
Quanto à eficácia das medidas adotadas para impedir uma possível sabotagem
(notadamente a Interna), somente uma investigação como a que foi conduzida pela FAB,
poderia nos dizer se foram adequadas, tempestivas e suficientes; mas o RF divulgado não
traz nenhuma avaliação nesse sentido.
Embora nas investigações tenham sido confirmadas várias “não-conformidades”
(irregularidades) em algumas das atividades que antecederam a tragédia, isso não seria
ainda suficiente para caracterizar uma falha grave quanto a essas medidas de segurança.
e. A pressa em se descartar a hipótese de uma sabotagem: (44[44])
A primeira reclamação contra o descarte prematuro da hipótese de sabotagem veio
muito cedo, partida de um reconhecido especialista em segurança computacional, o Prof.
Dr. Pedro Antonio Dourado de Rezende: (verbis)
“....“Para piorar, já na primeira entrevista coletiva as
autoridades responsáveis teriam prontamente descartado, segundo
notícia no canal Band News de 23/08, a possibilidade de
sabotagem. O flagrante açodamento desse descarte torna tal
hipótese, para um arguto observador, inicialmente a mais provável
[posto que o investigador neste caso é o próprio investigado]...” (45[45]
).
44[44]) “A tragédia de Alcântara” - Revista Tecnologia & Defesa – n.º 97 – ANO 20 - pgs. 51 até 53 – (Ator - André M. Mileski,
publicada no final de 2003).
45[45]) Frase textual do Prof. Dr. Pedro Rezende, ao analisar a hipótese de sabotagem do VLS-1-V03. (o Dr Pedro se refere aqui ao
Brigadeiro Thiago da Silva Ribeiro que era o Coordenador Geral da Operação e que, somente dias depois, foi substituído na Chefia do
CTA). O Dr. Pedro Rezende é ATC - PhD em Matemática Aplicada, pela Universidade de Berkeley - EUA; e coordenador do programa
de Criptografia e Segurança na Informática, da UnB.
Também o jornalistas André Mileski, cuja reportagem já serviu de fonte de informes
deste documento, reconheceu que: (verbis)
“Em entrevista dada um mês após o acidente, o brigadeiro Tiago
Ribeiro anunciava a liberação do primeiro parecer, dando como
provável causa do acidente a ignição de um dos quatro propulsores
S-43, que equipam o 1º estágio do lançador, provavelmente
causada por uma corrente elétrica...“...“...A hipótese de sabotagem
foi logo considerada pelo Comando da Aeronáutica, embora tenha
sido praticamente descartada algumas semanas mais tarde, pois de
acordo com a Agência Espacial Brasileira (AEB), não haveria
possibilidade de alguém de fora da Base acionar a corrente elétrica
que ignitou o motor.“
E, quem se dispuser a consultar notícias veiculadas pelos OCMs nos dias que se
seguiram ao acidente com o VLS-1-V03, verificará que poucos dias depois, nas primeiras
reportagens e entrevistas de autoridades envolvidas no trágico evento, os OCMS já se
apressavam a descartar a possibilidade de uma sabotagem.
O Dr Pedro Rezende está correto, pois para qualquer analista experiente, o evidente
açodamento desse descarte é um importante indício a mais de que a hipótese de
sabotagem é REALMENTE a mais provável causa, por vários argumentos conclusivos
importantes, a saber:
1) Assim o confirmam – como já se viu -- as estatísticas históricas mais do que
cinqüentenárias, relativas à extraordinária segurança de foguetes a propelente sólido;
2) A hipótese de sabotagem se impõe, se considerarmos o cenário político/militar
unipolar em que se encontra o mundo – mas, em especial, as vulnerabilidades
geopolíticas do Brasil que retro descrevemos – sendo que este terceiro acidente ocorre
depois de duas misteriosas e sucessivas falhas anteriores, ainda mal explicadas;
3) Este último acidente, pode ser avaliado com rigor MATEMÁTICO, como quase
impossível de acontecer, se provocado por “causas fortuitas”, principalmente se nos
dermos conta de que, no Brasil, com foguetes brasileiros, “acionamentos intempestivos”
JAMAIS haviam acontecido em cerca de 650 lançamentos, e SOMENTE vieram a ocorrer
-- por uma incrível “coincidência” de probabilidade quase ZERO (46[46]) – exatamente
quando, POR TRÊS VEZES, a FAB tentava lançar uma carga útil ao espaço exterior,
operação cujo sucesso conflitaria gravemente com grandes interesses de pessoas e entes
brasileiros e estrangeiros, inclusive dos EUA e da França;
4) Nas pesquisas e ensaios feitas pelos técnicos que integravam as subcomissões do
Fator Operacional e do Fator Material, foram levantadas várias “não conformidades”,
sendo que nenhuma delas foi investigada exaustivamente tendo como fulcro a hipótese
uma sabotagem (interna e/ou externa), e várias delas foram descartadas prematuramente
com um diagnóstico inconclusivo de “baixa probabilidade de ocorrência”; (47[47])
46[46]) Por cálculo de probabilidade simples, uma “ignição intempestiva” teria a probabilidade de ocorrer, de 1/650 = 0,0015 ou seja,
aproximadamente ZERO.
47[47]) Salvo se existir um outro Relatório Sigiloso, onde essas investigações tenham sido realizadas exaustivamente; e/ou se tais
investigações constarem do IPM realizado, cujo Relatório está ainda em “segredo de justiça”.
Mas, duas dessas “não conformidades” NÃO PODERIAM ter sido abandonadas sem
que investigações EXAUSTIVAS tivessem sido realizadas, tendo como hipótese mais
provável uma sabotagem interna: (47)
a) As “não conformidades” que foram levantadas pelo Fator Operacional de
que “o disparo do propulsor ‘A’ ocorreu duas horas após sua conexão
elétrica à “linha de fogo” (pg.n.º 66, do RF); e, embora todos os propulsores
do 1º estágio já estivessem com os conjuntos de ignição instalados, somente
“dois dos quais ... ligados à linha de fogo”(idem ibidem); e foi um dos que
estavam ignitados – exatamente o propulsor ‘A’ - que acendeu
“intempestivamente”. POR QUÊ ? E COMO ?
E ressalte-se que a “tarefa VLS-60.40 (fazer a preparação elétrica final da
ignição do 1º estágio ‘A’, ‘B’, ‘C’, ‘D’) estava programada para ser
executada em D-2, (ou seja, em 22 de agosto....)” (pg.n.º 69, do RF), mas que,
pelo novo cronograma, essa tarefa deveria ser postergada e realizada
somente no dia “23 de agosto” (idem, ibidem); mas foi antecipada para se
ligar apenas os dois motores ‘A’ e ‘D’ à “linha de fogo”; e, duas horas
depois, o motor ‘A’ entrou em ignição intempestiva (?!)... POR QUÊ ? E
QUEM DEU A ORDEM de se antecipar essa tarefa ?
E note-se que, também nas pesquisas feitas pelo Fator Material, consta que
“todos os conjuntos de iniciação estavam montados nos respectivos
propulsores do VLS-1- V03, mas apenas os conjuntos dos propulsores
‘A’ e ‘D’ estavam conectados à cablagem de alimentação elétrica...”
(pg.n.º 42, do RF); e foi o propulsor ‘A’ que teve uma ignição “intempestiva”;
b) No RF na análise feita pelo Fator Operacional consta que “o primeiro
protótipo do Veículo conservou a especificação original do projeto, com
as ‘linhas de fogo’ internas construídas com fios torcidos e blindados ...
Todavia desde a construção do VLS-1- V02 têm sido utilizados fios sem
blindagem...” (pg.n.º 70, do RF, in fine); essa decisão “...resultou da existência
de um memorando técnico que autorizava o uso de fios torcidos não
blindados nas linhas dos detonadores de destruição e também nas
linhas do sistema de ignição dos propulsores (‘linha de fogo’)...” (pg.n.º
71, do RF).
E, nas pesquisas realizadas pelo Fator Material, no “item 3.2.1.3.4
Descarga eletrostática no interior do detonador” (pg.n.º 54, do RF), consta
“... a ocorrência de uma descarga eletrostática no interior de um dos
detonadores do propulsor ‘A’ do primeiro estágio, baseia-se nas
seguintes considerações:”(idem, ibidem)“.... ausência de blindagem na
‘linha de fogo’ no trecho compreendido nos propulsores do primeiro
estágio, o que tornaria difícil impedir uma eventual indução
eletrostática nesse trecho...” (pg.n.º 54, do RF);
E, nas “Conclusões parciais”(pg.n.º 61, do RF) consta que: “ficou
comprovado que a falta de blindagem dos fios torcidos da ‘linha de
fogo’ que levam energia aos detonadores dos propulsores do primeiro
estágio, torna-os passíveis de sofrerem indução eletromagnética”. (48[48]
)
Por que não foram seguidas essas duas linhas de investigação exaustivamente,
dentro de uma hipótese de sabotagem interna ? Será que existe realmente um outro
Relatório Final de caráter sigiloso que já tenha analisado essas “não conformidades” de
forma mais aprofundada ? Ou quem sabe no Relatório do IPM existam dados a respeito
dessas hipóteses ? Não sabemos.
Mas ressalte-se que foi publicado no JORNAL DE BRASÍLIA em 22 de agosto 2004,
o seguinte: "Muitos engenheiros e técnicos estão apavorados com o que está
acontecendo. Eles não sentem mais segurança no projeto", diz o presidente do Sindicato
dos Servidores Públicos Federais na Área de Ciência e Tecnologia, Anísio de Arantes
Gonçalves.”
“Segundo o técnico, que tem 23 anos de experiência em engenharia espacial, a
morte dos colegas não foi uma fatalidade e sim um erro que deve estar evidenciado em
alguma parte não revelada pelo relatório oficial. Anísio revela que há pouco tempo obteve
a confissão de um dos dois únicos técnicos encarregados de ligar os propulsores antes do
momento do lançamento, que o VLS foi ignitado no dia 22. O lançamento do VLS estava
marcado para acontecer no dia 25 de agosto mas, desde o dia 20 os técnicos já estavam
em Alcântara. "Só ligamos o motor no exato momento antes da partida. Alguém mandou
esse técnico ligar o VLS. Os 21 colegas que estavam trabalhando não sabiam que ele
estava ignitado. Se soubessem, teriam saído imediatamente", diz.
De acordo com Anísio, apenas dois técnicos faziam essa ligação – um é militar, outro
civil. Os dois estão vivos. "Ele me disse que ignitou e saiu porque se sentiu mal. Não vou
revelar o nome dessa pessoa. Isso deve constar do relatório, é preciso que o governo
divulgue-o".
São, portanto, acusações explícitas feitas por uma pessoa idônea ligada a esse ramo
de atividades, com identidade e domicílio conhecidos, pelo que deveria ter sido inquirido
pessoalmente e aos dois técnicos que lhe confidenciaram essas graves irregularidades; e
ressalte-se que essas revelações estão bastante próximas desses mesmos fatos que
constam do RF e coincidem com a breve análise que acima fizemos. Essas inquirições
DEVERIAM TER SIDO FEITAS, mesmo que fosse necessário reabrir as Investigações. É,
portanto, INCOMPREENSIVEL que as autoridades responsáveis pelas investigações não
tenham investigado essa nova e gravíssima evidência.
Essa omissão somente será justificácvel se realmente existir, de fato, um outro
Relatório Sigiloso que tenha se aprofundado na análise dessa e de outras “nãoconformidades”
gravemente suspeitas.
No documento de caráter sigiloso que estamos preparando para divulgação restrita
EXCLUSIVAMENTE para as autoridades institucionais que têm competência para
decidirem sobre a responsabilidade (ou não) dos possíveis culpados por essas
irregularidades, também serão aprofundadas as análises dessas questões delicadas e de
outras.
48[48]) Embora seja realmente difícil, senão IMPOSSÍVEL, gerar-se em ambiente natural uma centelha de arco voltaico de eletricidade
estática com intensidade mínima de 1,5 ampéres, INDISPENSÁVEL para acionar os ignitores – salvo se caisse um raio na proximidade
do trecho não blindado do circuito da Linha de Fogo, o que NÃO ACONTECEU.
5.1.1. Prováveis suspeitos pelas sabotagens dos VLS -1 – V03:
“... o controle e comando das operações aeroespaciais se dá através da informática.
Quase sempre, quando à distância, por ondas eletromagnéticas, que desconhecem
fronteiras políticas. Nesse contexto, se os códigos de sinalização eletrônica para
comando e controle das operações não foram adequadamente concebidos e
implementados, bastaria uma rápida e certeira transmissão, até por radiofreqüência de
um ponto escondido nalgum canto da base, neste caso indevassável, para que um
serviço de inteligência estrangeiro pudesse crackear a comunicação brasileira visando
uma sabotagem desta magnitude, sem deixar pistas........ “
( Prof. Dr. Pedro Antonio Dourado de Rezende – Prof. UnB – 2003) (*)
(*) PhD em Matemática Aplicada, pela Universidade de Berkeley - EUA; e coordenador do
programa de Criptografia e Segurança na Informática, da UnB.
a. O Governo dos EUA
Já foram focalizados os motivos pelos quais os analistas dos EUA consideram
irrazoavelmente uma ameaça potencial à sua segurança, o domínio pelo Brasil das
tecnologias de lançamento de mísseis que possam colocar em órbita terrestre “cargas
úteis” (civis e/ou militares).
Assim, vem a propósito repetir aqui o que já foi citado na primeira página, destacando
a declaração do General Charles E Wilhelm (do Centro de Informações para a Defesa, do
Southcom), publicada em 22/07/2002 no "Correio Braziliense", (exatamente um ano e um
mês antes da explosão do VLS-01 - V03), na qual ele admite a determinação norteamericana
de “invadir computadores inimigos para impedir o lançamento de mísseis e
proteger interesses americanos”.
Portanto, essa alta autoridade militar dos EUA, -- titular de um órgão de Informações,
integrante de um Grande Comando militar com encargos operacionais sobre a América do
Sul -- confessou publicamente que o Governo dos EUA pode apelar para as “Operações
Decisivas Rápidas” (RDO), se os interesses do seu país assim o exigirem e, entre essas
RDO, figuram explicitamente as ações de “invadir computadores inimigos” e “impedir o
lançamento de mísseis”.
Aliás, esta afirmação do General Charles E Wilhelm é coerente com a já famosa
decisão estratégica de “ações militares preventivas” do Governo Bush Filho, dentro da
qual o Governo norte-americano anunciou publicamente sua determinação de se valer dos
meios necessários, para impedir que algumas nações alcancem posições de vanguarda
tecnológica ou militar que possam por em risco a segurança e/ou ameaçar a supremacia
político/militar dos EUA. (49[49])
O nome do Gen. Charles E. Wilhelm, torna a aparecer novamente em abril de
2004, em uma reportagem sobre um rumoroso caso envolvendo a Policia Federal
brasileira e o ex-chefe do FBI no Brasil, Sr. Carlos Costa, ocasião em que este cidadão
49[49]) ”Doutrina Bush"- em http://www.bushpresident2004.com/pnac.htm - “PNAC – Rebuilding America´s Defenses – The Project for
the New American Century” - http://www.pnac.info e http://newamericancentury.org/RebuildingAmericasDefenses.pdf - este, publicado
em 2000, mas que entre seus autores figuram alguns dos principais membros do atual Governo Bush Filho. Ou ler em
http://www.whitehouse.gov/nsc/nss.pdf e PDF Version of The National Security Strategy of the United States of America ; e o SITE -
http://www.whitehouse.gov/nsc/nss.html e PDF Version of The National Security Strategy of the United States of America
confirmou que o FBI e a CIA aportam expressivo apoio financeiro à nossa Polícia Federal
razão pela qual têm um certo grau de influência nas operações policiais federais em
território nacional, e têm acesso a informações privilegiadas por elas produzidas.
E, há pouco tempo, pela Internet, foi amplamente difundido um e-mail apócrifo
intitulado "Os Segredos de Larry Rother", cujo autor - demonstrando um invulgar
conhecimento muito preciso sobre a longa atuação no Brasil do dublê de jornalista e
agente de influência do Governo norte-americano, Sr. Larry Rother, -- onde novamente
aparece o nome do Gen.Charles E. Wilhelm vinculado a uma citação datada de julho de
2003, (antes portando da tragédia), atribuída ao jornalista, na qual ele, rindo, teria dito
como se previsse algo, que a base de Alcântara iria pelos ares.
Nesse E-mail apócrifo, o remetente sugere maliciosamente que “alguém poderia
investigar suas relações e encontros (do Sr. Larry Rother) com o Gen. Charles E. Wilhelm
..."
Por outro lado, concorrentemente, foi revelado pela imprensa que a Força Aérea dos
Estados Unidos, dispõe agora de uma arma secreta capaz de “fritar” computadores
inimigos lançando um raio de Microondas de Alta Potência (MAP) de milhões de watts,
com poder suficiente para queimar os sofisticados componentes eletrônicos e/ou
computadorizados de outras armas. Essa nova arma que, em janeiro de 2003, estava em
fase final de testes, já estaria sendo adaptada em aviões militares e mísseis. (50[50])
Assim, seguindo uma sistemática policial norte-americana, é lícito afirmar que o
Governo dos EUA tinha os meios, os motivos, a oportunidade e já se confessara
antecipada e publicamente, disposto a sabotar lançamentos de mísseis de outros países
“para proteger interesses” dos EUA.
Por isso, este deve ser considerado, racionalmente, o principal suspeito.
b. O governo francês:
O domínio pelo Brasil das tecnologias de lançamento de cargas úteis aos espaço
exterior, transformaria nosso país em um dos mais importantes atores nesse comércio
bilionário, privilegiados que somos pela excepcional localização geográfica do CLA. A
posição de Alcântara, como se sabe, representa grande economia de combustível e/ou
assegura performances muito superiores às características originais do veículo lançador.
Em teoria, o maior e primeiro de todos os prejudicados com essa verdadeira
concorrência quase “desleal”, seriam o Governo francês e sua base de lançamentos de
Kourou – na Guiana Francesa.
Esse motivo seria suficiente para qualquer governo se decidir a praticar essas
sabotagens, - e, em especial a última, uma grande tragédia ? As duas primeiras talvez; a
última, provavelmente, NÃO !
50[50]) “Projeto Microondas de Alta Potência” – (FSP-21 de janeiro de 2003 – não-textuais) "O aspecto dos baixos danos colaterais dessa
tecnologia é que faz essas armas de microondas de alta potência úteis em um amplo leque de missões em que evitar a morte de ivis é
a principal preocupação", diz a mensagem divulgada pela Força Aérea americana, em sua página na Internet quando descreve essa
nova tecnologia.
Então, pela lógica, o pretexto norte-americano – de ameaça potencial à sua
segurança – teria que ser considerado como muito mais consistente, mais “razoável” e até
“menos antiético”...
Assim, a simples lógica sugere que - em tese - o Governo francês poderia ser
descartado como insuspeito.
Contudo, um episódio intrigante e pouco freqüente entre países, ocorreu em 26/06
/2003 – portanto menos de dois meses antes da tragédia com o VLS-1- V03, de
22/08/2003. (51[51])
Naquele dia, o então presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Sr. Luiz
Bevilácqua, recebeu dos dirigentes do Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES), da
França, a comunicação da desistência desse país em participar do programa de
cooperação Brasil/França referente a um Satélite Franco-Brasileiro que seria lançado em
órbita por um foguete VLS -1 brasileiro.
Como contrapartida à desistência do acordo -- os franceses entregaram sem custos,
todos os equipamentos já produzidos e adquiridos, além do suporte técnico, dos testes de
subsistemas do satélite em seus laboratórios, e da colaboração no projeto detalhado do
controle de altitude e órbita, adequação do software de vôo e acompanhamento em
possíveis revisões do esquema inicial... ou seja, uma generosa e grátis transferência de
material especializado e de tecnologia...
Somente fizeram a retirada integral da carga útil francesa do satélite que levaria a
bordo quatro experimentos tecnológicos, inclusive um giroscópio da Agência Espacial
Européia - ESA.
Esse acordo fora firmado em 1996, numa negociação que envolvia a construção em
parceria de um microsatélite científico, com cerca de 100 quilos e tendo como carga útil
nove experimentos a bordo, previsto o lançamento para 2004. O valor do projeto era
estimado em US$ 10 milhões.
Duas hipóteses meramente teóricas podem ser montadas para explicar essa
generosidade insólita e a estranha pressa em se romper um projeto que teve início em
1996, e estava em andamento já há vários anos:
H-1 - os agentes de Inteligência da França souberam que iria ocorrer mais uma
sabotagem com o nosso VLS-1-V03 e os técnicos franceses – prudentemente – se
retiraram o mais rápido possível dessa parceria e da convivência estreita dentro do INPE e
AEB, tentando afastar de si uma suspeita incômoda; ou
H-2 - durante o largo período de estreita convivência dentro do INPE/ AEB/ CTA/ IAE,
técnicos franceses talvez tenham obtido os dados sigilosos dos programas de informática
dos computadores de bordo do VLS-1, necessários e suficientes para provocarem
mediante impulsos eletrônicos, o acionamento de um dos motores do 1º estágio do
foguete. E, uma vez obtidas as informações técnicas sigilosas, se retiraram às pressas...
Como NÃO se tem nenhum outro dado que permita desenvolver, aprofundar e/ou
descartar essas meras hipóteses teóricas, deixamos aqui esse exercício de raciocínio,
somente como um registro para arquivo...
51[51]) Fonte: Assessoria de Imprensa da AEB, em 26/06/2003 - 16:59:49
c. Dados insuficientes:
Não se pode também – sem ferir a prudência – apontar DESDE JÁ em direção ao(s)
ente(s) que TALVEZ tenha(m) deliberadamente provocado esse incêndio e explosão,
embora outros já os tenham indigitado, mediante ilações bastante razoáveis mas
temerárias, simplesmente respondendo à clássica pergunta “cui prodest”, – a quem
interessa o crime ?
Com os dados disponíveis até agora, NÃO seria sensato, nem profissional apontar
AINDA, qualquer suspeito da autoria dessas sabotagens. Isso, com a ressalva
IMPORTANTE de que será um DEVER fazê-lo no futuro, SE e QUANDO os dados
indispensáveis para tanto permitirem prudentemente apontá-lo(s).
Mas, deve-se deixar aqui registrado que, por tudo o que até aqui foi focalizado, se
algum dia for - de fato - confirmada a suspeita de que essas hipotéticas sabotagens foram
realizadas por agentes estrangeiros, dos EUA e/ou da França, ou de qualquer outro país,
isso representaria um verdadeiro ato de guerra contra o Brasil, suficientemente grave para
se levar a julgamento em Tribunais Internacionais os titulares do Governo responsável.
d. Outros possíveis suspeitos:
1) Vírus criado por militar infecta Centro Aeroespacial :
Em outubro 2003, apenas poucos dias após a tragédia, a direção do Centro Técnico
Aeroespacial (CTA) abriu sindicância para apurar a criação de um vírus desenvolvido
dentro da própria instituição por um militar, que teria infectado a rede de computadores
utilizada pelo CTA e pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). (Tribuna da Imprensa -
09/10/03)
O militar teria desenvolvido o vírus "a pedido de superiores" para provar a
vulnerabilidade do sistema utilizado no CTA. Para repassá-lo a todas as máquinas, teria
nomeado os arquivos como "Novos fatos sobre o acidente com o VLS" e "Testemunhos
sobre o VLS", usando de um fato de grande interesse para que esse arquivo fosse
executado e o vírus atingisse boa parte dos equipamentos.
A mensagem inicial infectada estava com a assinatura de um diretor do IAE, Karl
Heinz Kienitz ( 52[52]) que, depois, enviou uma mensagem a todos dizendo que ele não era
o autor do e-mail enviado com o seu nome.
A assessoria do CTA informou que a direção da instituição só falaria sobre o caso
depois de concluídas as investigações.
Como interpretar esse Informe ? Embora essa noticia tenha sido confirmada por mais
de uma fonte, não se sabe quem foi o militar que tomou essa iniciativa tão singular, nem
qual teria sido a sua motivação quando praticou esse tão estranho e sugestivo ato !
52[52]) Tribuna da Imprensa - 09/10/2003;
Diante desse fato tão insólito ter ocorrido em data tão próxima da explosão fatal, seria
razoável elucubrar que esse militar teria desejado denunciar publicamente a
vulnerabilidade dos sistemas de geração e transmissão de dados do e para CTA/IAE/
CLA / ITA ?
Mas, porque o militar teria escolhido como suposto remetente o Dr. Karl Heinz
Kienitz ? Talvez por ser estrangeiro ? (53[53]) (Comentário: e o Dr. Karl leu que estava sendo
acusado de ser o autor e enviou uma mensagem A TODOS, por esse mesmo Sistema;
logo, ele tinha acesso a ele, com password e tudo o mais...)
Não se conhece o Sistema infectado para poder responder a essas perguntas, que –
entretanto – permanecem como importantes dúvidas a serem dirimidas.
2) A nomeação de técnicos estrangeiros para funções que têm acesso a informações
privilegiadas
A dúvida se o Sr. Karl Heinz Kienitz é estrangeiro, (mesmo naturalizado e/ou de
dupla nacionalidade) (ou não), serve aqui apenas como indício de que NÃO foram
tomadas medidas rigorosas de Contra-Inteligência para enfrentar a hipótese de uma
sabotagem INTERNA, embora quanto à sabotagem EXTERNA tenham havido grandes
preocupações e tenham sido tomadas amplas medidas, de várias tipos, como já
focalizado.
e. A Fundação Aplicações de Tecnológicas Críticas (ATECH) e a COMPSISComputadores
e Sistemas Ind. e Com. Ltda:
Em 2003, quem acompanhou e analisou a tragédia do VLS-1-V03, tomou
conhecimento de que a ATECH, junto com a COMPSIS e outras empresas – em outubro
de 2002, criaram “em parceria” com o CTA, um “Consórcio Espacial”, com o objetivo de
gerenciar projetos do setor espacial brasileiro.
E pela AEB foi confirmado que a COMPSIS, junto com a ATECH - foram as “duas
empresas nacionais que desenvolveram o sistema de segurança dos VLS-1, cuja
engenharia torna impossível que um ‘hacker’ possa invadir o programa,...”.(54[54])(nãotextuais)
Estas duas empresas privadas, por terem produzido, e/ou participado e/ou
implementado e/ou operado os dois Subsistemas *Banco de Controle do Veículo Lançador
de Satélites”; e *Teste e monitoramento de subsistemas de bordo”, tendo como
contratantes o CTA e o CLA, é provável que seus funcionários tenham tido a necessidade
53[53]) Seria o diretor do IAE, Dr. Karl Heinz Kienitz, cidadão estrangeiro? O nome sugere que SIM, talvez alemão ? Ou talvez de
dupla nacionalidade? Essas perguntas servem aqui apenas como suporte para especular se técnicos estrangeiros são funcionários
desses órgãos que lidam com informações privilegiadas estratégicas e/ou técnicas sigilosas. Caso positivo, seria prudente nomear-se
cidadãos estrangeiros – mesmo tecnicamente muito qualificados, como o Dr Karl – um diretor do IAE ? Ou o Dr. Jacques Waldmann –
este talvez cidadão francês - funcionário do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, Divisão de Engenharia Eletrônica, para qualquer outra
função em que tivesse acesso a informações confidenciais? Como ambos – por suas especializações – têm especiais qualificações
técnicas em Programas de Controle de Sistemas Aeroespaciais, de foguetes, e de controles Eletrônicos, pergunta-se: será que eles
participaram dos projetos dos Subsistemas “Banco de Controle do Veículo Lançador de Satélites” e “Teste e monitoramento de
subsistemas de bordo”, com acesso necessário a dados técnicos confidenciais sobre os comandos do VLS-1 ?
54[54]) (in Revista Tecnologia & Defesa – n.º 97 – ANO 20 - pgs. 51 até 53 - Autor - André M. Mileski - não-textuais)
de conhecer, lidar e usar informações técnicas privilegiadas, não apenas sobre os
sistemas de comando computadorizado do VLS-1, como do organograma da “linha de
fogo”, como um todo.
1) A ATECH em 1999:
Em 20 de maio de 95, a empresa Engenharia de Sistemas de Controle e Automação
– ESCA, foi afastada do gerenciamento e da integração do Sistema SIVAM por ter se
habilitado à adjudicação do Contrato n.º 01/95 CCSIVAM/Raytheon, com uma Certidão
Negativa de Débito com o INSS falsificada, além de outras graves irregularidades
descobertas pelo TCU. No mesmo ano, a Justiça decretou sua falência. (Será pertinente
lembrar que o Presidente da ESCA era Steve Ortiz, cidadão norte-americano naturalizado
?)
Em 1999, - com o Contrato n.º 01/95 já firmado e em fase de implantação -- a
ATECH requereu figurar como litisconsorte ativa na Ação Popular impetrada pelo Dr.
Thomas Korantai, e foi aceita pelo Juiz da 7ª Vara Cível da Justiça Federal de Curitiba,
porque teoricamente iria substituir em suas funções a ESCA.
Em avaliação de oitiva, a criação da ATECH, resultara da contratação do pessoal
especializado remanescente da falida ESCA, todos técnicos de confiança do Ministério da
Aeronáutica de alta qualificação profissional, para realizar as tarefas de integração geral
do SIVAM – atividades especialmente importantes considerada a manutenção do sigilo da
“inteligência” do Sistema – e atendia à necessidade da FAB, uma vez que a maioria deles
seria composta por ex-militares de carreira da Força, e por civis com cursos do ITA e com
longo tempo de atividades sensíveis, em tecnologia de ponta.
2) A ATECH em 2003: (55[55])
A ATECH/2003, tem agora outra formatação, pois no seu SITE consta como tendo
atuação destacada numa larga faixa de atividades estratégicas, e tendo como associada
(controlada) nos EUA – a empresa AmazonTech, ambas provavelmente tendo em seus
quadros numerosos técnicos e especialistas estrangeiros.
3) Projetos do quais participa(ou) a ATECH/2003 :
Segundo divulgou em seu próprio SITE, os PROJETOS nos quais a ATECH/2003
tem (ou teve) participação são (ou foram):
- Projeto Sivam/Sipam
- Projeto Asmacs
- Projeto Amhs
55[55]) ATECH - Brasil - São Paulo - PABX 55 (11) 3040-7300; Brasília (61) 329 6082; Manaus (92) 234 6522; Rio de Janeiro (21) 2588
8270 - E.mail: atech@atech.br e EE = www.atech.br -- ATECH/ EUA – Boston - E-mail: corporate@amazontech.com e fone (781) 938
5500 ext. 230); AmazonTech, based in Woburn, MA was established in 1997. AmazonTech Corporate has three core business units:
AmazonTech Aviation, Services and Procurement.
- Projeto Amet
- Projeto Agenda 21
- Projeto Eixos da Amazônia
- Projeto Atende
- Projeto Estação Espacial Internacional
- Projeto Veículo Lançador de Satélites
- Projeto Interpol
- Projeto Departamento de Polícia Federal
Em cada um dos Projetos acima destacados em negrito, a Atech executa (ou
executou) as seguintes atividades: (56[56])
a) - Projeto ASMACS
- Sistema de Controle e Gerenciamento do Espaço Aéreo
b) - Projeto Estação Espacial Internacional
- Programa Brasileiro para a Estação Espacial Internacional
Gestão de configuração de software
Garantia de qualidade de software
Para o subprograma ISS/NASA, fez o projeto para desenvolvimento, operação e uso
de equipamentos de vôo e cargas úteis para o Programa da Estação Espacial
Internacional.
A Atech fornece (ou forneceu) serviços de análise e consultoria na área de gestão de
configuração e garantia da qualidade, em atendimento aos requisitos estabelecidos pela
NASA, para o software presente nos equipamentos que compõem a Estação Espacial e
que são fornecidos pela indústria aeroespacial brasileira.
c) - Projeto Veículo Lançador de Satélites
* Banco de Controle do Veículo Lançador de Satélites
*Teste e monitoramento de subsistemas de bordo
O Banco de Controle do Veículo Lançador de Satélites - BCVLS - é um sistema de
apoio utilizado durante as fases de testes no solo e preparação do veículo para
lançamento. É responsável por testar, monitorar, ativar e desativar os subsistemas de
bordo do Veículo Lançador de Satélites.
Integrada à Missão Espacial Completa Brasileira, “a Atech desenvolveu este sistema
e tem participado das campanhas de lançamento do VLS, desde 1997”.
Sabe-se que, no dia da tragédia, a ATECH tinha funcionários seus “em campo” no
CLA e, embora seus “profissionais não tenham sofrido danos físicos”, como consta do
ofício Atech n.º 2713/2003 que sua Direção enviou ao Presidente da AEB, a empresa se
apressou a levar suas condolências à AEB – ainda no dia 22/08/2003, dia da tragédia.
56[56]) (compulsar http://www.atech.br; e http://www.amazontech.com )
4) A COMPSIS : (57[57])
A COMPSIS, está obviamente mais voltada para o fornecimento de Sistemas
Integrados para transportes terrestres, como a Gestão de Processos e Auditoria de
Arrecadação de Pedágios, etc; contudo essa empresa, além de atuar no setor de
Sistemas de Tráfego, Indústrias Automotiva, etc, atua também - segundo o seu SITE - no
setor Aeroespacial.
Nele fornece produtos e serviços integrados, constituindo uma família de
componentes capaz de ser configurada para aplicações dos mais diversos portes nos
setores em que atua.
Tem (ou teve) entre seus clientes: o CTA, o CLA, o INPE e o Ministério da
Aeronáutica.
Sua Unidade de Negócios para Sistemas Aeroespaciais conta com uma equipe de
engenheiros altamente capacitados e especializados no desenvolvimento de sistemas de
operações críticas.
A COMPSIS possui larga experiência em projetos de Sistemas Integrados e no
desenvolvimento de Softwares de missão crítica, tendo executado diversos trabalhos para
o programa espacial brasileiro, tais como:
- O PROGRAMA CBERS - (China-Brazilian Earth Resourse Satellite)
Participação na Análise Estrutural do Satélite Brasil-China Referente aos MGSEs
(Mechanical Grounding Support Equipments) Equipamentos Mecânicos de Suporte em
Solo do CBERS (China-Brazilian Earth Resourse Satellite) - Satélite Sino-Brasileiro para
Observação dos Recursos Naturais da Terra, que teve como contratante formal: o
FUNCATE - São José dos Campos e cliente final, o INPE - São José dos Campos
- O PROGRAMA BC-VLS - (Banco de Controle do Veículo Lançador de Satélites)
O Projeto do Sistema de Testes das Redes Elétricas do VLS (BCVLS), referente ao
Banco de Controle do Veículo Lançador de Satélites - VLS a ser utilizado nas operações
de testes no CTA/IAE e lançamento no Centro de Lançamentos de Alcântara no Maranhão
(CLA), que teve como contratante:o CTA e cliente final o CTA-IAE
- O PROGRAMA SISGRAF – (Sistema Gráfico da mesa de lançamento do CLA)
O Projeto do Sistema de Trajetografia da Base de Alcântara do Ministério da
Aeronáutica, referente ao Sistema Gráfico para a mesa de lançamento do CLA, que teve
como contratante formal: o CTA e cliente final, o CLA
5) 5) Apreciações sobre a ATECH/2003 e a COMPSIS:
Todos os dados dos itens 3) e 4) acima, foram colhidos nos SITES das próprias
empresas ATECH e COMPSIS, e permitem deduzir que a ATECH/2003, atual, tem
formatação muito diferente e mais ampla do que a ATECH/1999, tendo se tornado uma
57[57]) A empresa COMPSIS - Computadores e Sistemas Ind. e Com. Ltda, Rua Pindamonhangaba, 160 - V. Nova Conceição, Cep
12231-090 - São José dos Campos - SP – Brasil www.compsisnet.com.br Tel: (12) 2139-3966 - Fax (12) 2139-3999
grande empresa brasileira de nível internacional – com vínculos com entes estrangeiros,
inclusive com a Universidade George Washington, talvez a mais representativa do
“establishment” norte-americano – com a qual tem até um Programa Minerva conjunto
(THE MINERVA PROGRAM).
A COMPSIS tem configuração semelhante, embora menor e menos
internacionalizada, mas que talvez tenha também em seus quadros especialistas
estrangeiros de alto nível.
Por isso, alguns dos supostos técnicos e especialistas estrangeiros de alto nível de
ambas as empresas, podem TALVEZ ter participado do “Projeto Veículo Lançador de
Satélites” e da criação e/ou operação dos Programas “Sistema do Banco de Controle
do Veículo Lançador de Satélites” e “Teste e monitoramento de subsistemas de
bordo”, e assim tiveram necessidade de acessar informações técnicas privilegiadas e/ou
confidenciais, razão pela qual devem ser considerados - teoricamente - como
POTENCIAIS testemunhas, e/ou informantes, e/ou suspeitos, nos dois fracassos, do VLS-
1-V02 e do VLS-1-V03 – e É INDISPENSÁVEL que sejam ouvidos, em caso de reabertura
das investigações.
Somente - e exclusivamente – por isso, também as duas empresas devem ser
incluídas como importantes fontes de informações nas investigações que possivelmente
venham a ser refeitas.
6. CONCLUSÕES FINAIS
6.1. Os MAGNÍFICOS e repetidos êxitos obtidos pela FAB/CTA/IAE, no
desenvolvimento, fabricação e lançamento de vários tipos de foguetes
brasileiros, utilizados inclusive em parceria com outros países,
COMPROVAM que a decisão do nosso Governo de orientar a nossa
Política Espacial na busca da qualificação plena de um VLS
integralmente nacional, movido a propelente sólido, para lançar ao
espaço exterior cargas úteis em órbitas baixas foi, e se mantém até
hoje, correta e amplamente bem sucedida.
6.2. A decisão de se buscar a implementação total de uma MECB, foi de
um acerto mais do que comprovado pelos fatos, pelos enormes
progressos técnicos conseguidos e pelos retornos
econômicos/financeiros obtidos com os dois Projetos adotados.
Assim, a certificação plena do nosso VLS-1 e a implementação total da
MECB, representam o coroamento de decisões soberanas do Estado
Brasileiro que irão assegurar a nossa total independência no domínio
da tecnologia espacial.
Por conseguinte, a adoção dessa Política Espacial estava, e ainda está,
INDISCUTIVELMENTE CORRETA. E, POR ISSO, DEVE SER
CORAJOSAMENTE MANTIDA
6.3. Existe um grupo de pessoas – nacionais e estrangeiras - que tenta
argüir que essa opção do Governo Brasileiro estava errada, e deve ser
abandonada; e os militares devem ser afastados dessa atividade,
alegando que eles nela já tiveram três fracassos...
As pessoas que promovem essa obstinada oposição à MECB e ao
VLS-1 estão como hipnotizadas por uma visão comercialística da nossa
Política Espacial, advogando uma intensiva exploração comercial do
CLA e a criação de um “espaçoporto internacional” em Alcântara, para
lançamentos de foguetes estrangeiros com cargas úteis – civis e/ou
militares ? -- de outros países.
Entretanto, tais pessoas ignoram ou simplesmente desprezam, o
fato de que essa opção comercialística SÓ PODE SER ADOTADA com
um risco muito grande – rigorosamente INACEITÁVEL -- para a
Soberania Nacional, e/ou com um sério “perigo de lesão” da Integridade
Territorial do nosso país, o que fere Princípios Fundamentais da
Constituição Federal e valores tutelados pela Lei de Segurança Nacional
(LSN) e pelo Código Penal Militar Brasileiro (CPMB).
6.4. Portanto, é forçoso se concluir – com absoluta segurança -- que a
alternativa de se abandonar a qualificação do nosso VLS-1 e desistir da
implementação plena da MECB, mais do que uma irracionalidade, será
um atentado aos interesses maiores do Brasil e uma capitulação diante
de pessoas no mínimo mal informadas ou, talvez, mal intencionadas e a
serviço de entes estrangeiros e/ou internacionalistas e
antinacionalistas.
6.5. Nos acidentes ocorridos com os VLS-1-V01 e V02, as estatísticas
históricas mais do que cinqüentenárias, comprovando a extraordinária
segurança de foguetes a propelente sólido, obrigam a se avaliar as
“causas fortuitas” que foram apontadas, como uma improbabilidade
quase total, porque NUNCA haviam acontecido antes em cerca de 650
lançamentos anteriores, ao longo dos 40 anos das atividades espaciais
desenvolvidas pela FAB, com repetidos e inegáveis êxitos.
6.6. Quanto à tragédia ocorrida com o VLS-1-V03, as hipóteses supostas
de um “funcionamento prematuro” ou do “acionamento intempestivo de
um dos detonadores”, ou a “ignição intempestiva e prematura” de um
dos motores do 1º estágio, podem ser MATEMATICAMENTE avaliadas
como quase impossíveis de acontecer, se considerarmos que, no Brasil,
com foguetes brasileiros, JAMAIS haviam ocorrido ANTES
“acendimentos prematuros” em cerca de 650 lançamentos anteriores, e
SOMENTE vieram a ocorrer -- por uma incrível “coincidência” de
probabilidade quase ZERO – exatamente quando, pela terceira vez, a
FAB tentava lançar uma carga útil ao espaço exterior, operação cujo
sucesso conflitaria gravemente com grandes interesses de pessoas
e/ou de entes brasileiros e estrangeiros, inclusive dos EUA e/ou da
França.
6.7. Conclusões equivocadas nas investigações sobre os acidentes
ocorridos com os VLS-1-V01 e V02, -- bem como a inexistência de IPMs
relativos a estes dois eventos – recomendam que sejam reabertas as
investigações, inclusive porque uma DECISÃO em desacordo com uma
norma obrigatória, tomada após o primeiro acidente, teve reflexo grave
no incêndio do VLS-1-V-03
6.8. A despeito das três Comissões nomeadas terem tentado
diligentemente buscar as causas TÉCNICAS desses acidentes mais do
que suspeitos – mas matematicamente IMPROVÁVEIS – em nenhuma
das três investigações a hipótese de uma sabotagem INTERNA e/ou
EXTERNA, foi satisfatoriamente investigada.
Assim sendo, além dos equívocos já assinalados, esta será uma razão a
mais para se recomendar que todas as três investigações sejam
reabertas, agora sob uma única responsabilidade, examinando-se
EXAUSTIVAMENTE a hipótese de uma sabotagem, que continua a ser,
estatisticamente, a causa mais provável dos três eventos infaustos.
Curitiba, 08 de dezembro de 2004
_________________________________________
RONALDO SCHLICHTING
Administrador de Empresas – RG 676.306 - PR
__________________________________________
Cel. Ref EB ROBERTO MONTEIRO DE OLIVEIRA
Idt. 014198480-7- Min.Ex.

iurikorolev disse...

Papanegro

Que tal você apenas indicar o hyperlink ?
Não precisa colocar o texto ...

Sds
Iuri

iurikorolev disse...

Quanto à tese de sabotagem concordo com o Raul.
Para mim ela é não existe.

O que tem de sobra no Brasil é vaidade, inveja, individualismo e incompetência gerencial.

Em suma : subdesenvolvimento

Sengedradog disse...

Iuri,

Há muitas outras coisas que faltam no país. Uma delas é vontade de investigar a fundo as causas. Li o relatório da FAB (no site do CTA, creio) do 3.o acidente e as conclusões não conseguem apontar uma causa real. Me pareceu muito inconclusivo.
Apenas para botar um pouco de pimenta nessa história cito uma obra do Professor Muniz Bandeira que detalha alguns aspectos pouco edificantes na relação com os Estados Unidos na área espacial além de vários outros aspectos geopolíticos como o da foz do rio Amazonas (estratégica para uma eventual invasão inimiga e posse da Amazônia) e não deve ser por acaso que ali perto se encontra a Base de Alcântara.
Esses testumunhos podem iluminar outros aspectos de um jogo estratégico de longo prazo sendo jogado por alguns entes poderosos.
Não sei se houve ou não sabotagem, mas também quero de ver essa história melhor esclarecida. Assim fujo um pouco do padrão do brasileiro acomodado.

Ah... a obra: As Relações Perigosas - Brasil-Estados Unidos (de Collor a Lula, 1990-2004). Luiz Alberto Moniz Bandeira. Ed. Civilização Brasileira.

fortitudoethonor disse...

è claro que foi sabotagem, temos traidores em todos os lugares, tecnicos e até mesmos alguns militares podem ser comprados por milhares de dolares, os porcos americanos não descansam nunca, só mesmo essa gente deste país não acorda, essa gente é mantida na escuridão por uma mídia traidora e vendida, a merce das potencias estrangeiras