terça-feira, 25 de agosto de 2009

Coréia do Sul entra para o clube

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A Coréia do Sul realizou na manhã de hoje (25), o lançamento de seu primeiro veículo lançador de satélites, o KSLV-1 (Korean Space Launch Vehicle - 1), também chamado Naro. Aparentemente, a carga-útil transportada, o satélite científico STSAT 2, de 100 kg, foi colocada em órbita errada, a cerca de 360 km de altitude (a correta seria 300 km).

A Coréia do Sul deu início ao projeto do KSLV-1 em 2002, logo após a missão tripulada chinesa. Foram investidos cerca de US$ 420 milhões no projeto, que contou com forte suporte da empresa russa Khrunichev, que fabrica, dentre outros sistemas espaciais, o foguete Proton. O motor (RD-191) do primeiro estágio do lançador é fabricado pela Khrunichev.

Caso o lançamento sul-coreano seja considerado bem sucedido, o país asiático será a décima-primeira nação a entrar no clube de países capazes de colocar suas cargas úteis no espaço. Em 1957, a União Soviética (hoje, Rússia e Ucrânia) deu início à era espacial com o lançamento do Sputnik. No ano seguinte, os Estados Unidos lançaram o satélite Explorer, tendo sido acompanhado em seguida pela França, Japão, China, Reino Unido, Índia e Israel. Em fevereiro deste ano, o Irã se juntou ao clube com a inserção em órbita de um pequeno satélite experimental de comunicações, lançado pelo foguete Safir 2.

A vizinha Coréia do Norte também teria tentado lançar um satélite por meios próprios em abril deste ano, não alcançando sucesso. Há fontes que afirmam que na realidade o lançamento coreano seria na realidade um teste disfarçado de míssil intercontinental.

Outros países também têm ambições de entrar para o clube, como o Brasil. Desde a Missão Espacial Completa Brasileira (MECB), de 1979, o País conta com o projeto do VLS-1, que já teve três lançamentos, todos mal-sucedidos.

As razões para o insucesso brasileiro são diversas, como embargos internacionais, falta de recursos e indefinições políticas, dentre outras. Em sete anos, a Coréia do Sul atingiu os seus objetivos, graças a grandes investimentos e também por ter adotado um “atalho”: a parceria com a russa Khrunichev.

O sucesso, ainda que parcial, do lançador sul-coreano mostra também a evolução industrial nos setores Aeroespacial e de Defesa do país asiático. Os coreanos hoje desenvolvem, fabricam e exportam sistemas sofisticados, como aviões de combate, satélites, helicópteros, mísseis e foguetes. Em 2008, por exemplo, o setor industrial aeroespacial e de defesa sul-coreano superou a cifra de US$ 1 bilhão em exportações (veja aqui).
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5 comentários:

rondini disse...

Tempos atrás foi noticiado o acordo entre Brasil-Rússia, na area espacial. O acordo incluiu a revisão da TMI, e melhorias no VLS.
Mas a política Brasileira é volúvel, e sendo assim, fica a pergunta se tais acordos ainda existem.
Nós, os intusiastas da tecnologia espacial Brasileira queremos ver um veículo espacial Brasileiro, mas me parece que a Rússia pode sim, ser uma aliada fundamental, não só pelo exemplo coreano, mas pelos exemplos da China, India e outros
Parabéns a Coréia!

Brazilian Space disse...

Olá Rondini!

Concordo contigo amigo. Na verdade o acordo assinado é mais extenso e incluía inicialmente também a implantação de um banco de teste para motores líquidos de até 20kN de empuxo (já concluído), um outro banco de testes para motores líquidos de até 400 kN de empuxo(estava dependendo da homologação do Acordo de Salvaguardas pelo Congresso Brasileiro, recentemente publicado no Diário Oficial da União), ajuda no desenvolvimento do motor a propulsão líquida L75 e estudos visando a participação de empresas russas no incerto e pouco provável Programa de Lançadores de Satélites Cruzeiro do Sul. Infelizmente para o Brasil, parece que pela ultima notícia divulgada pela matéria do Mileski, publicada no site da revista Tecnologia & Defesa, que o motor L75 (equipamento essencial pra o futuro do programa VLS, leia-se VLS-1B) já foi pro espaço, mesmo com partes do motor já contratadas e sendo desenvolvidas por empresas brasileiras. Portanto, cria-se a expectativa negativa de que esse acordo possa ser revisto (ação muito comum no histórico do cambaleante Programa Espacial Brasileiro) o que causaria mais atrasos e incertezas quanto a sua realização. Lamentável. Aproveito também a oportunidade para parabenizar os coreanos pela seriedade e competência demonstrada por eles nos últimos anos na condução do Programa Espacial do seu país, esperando sem muita esperança que venha servi de exemplo para uma nação tupiniquim que tanto conhecemos.
Abs

Duda Falcão

rondini disse...

Olá Duda.
Você relatou acima que, que apesar de certos avanços, como por exemplo, o banco de testes para motores liquidos, ainda assim o programa sofre com a falta de definição de prioridades, mudança constante de chefia, questões políticas e não técnicas, etc, etc.
A impressão que tenho é de que o programa espacial Brasileiro sendo público,de todos, não é de ninguém! Quem se interessa?
Não sei se é ingenuidade minha, mas, se o desenvolvimento do VLS fosse "privatizado"? Se não houvesse "palpites" políticos e nem militares?
A ACS, apesar de sua ligação com os governos Brasileiro e Ucrâniano não dependerá tanto dos governos quando começar gerar seus próprios recursos.E sendo uma empresa geradora de lucros, dificilmente ela será abandonada como no caso do VLS,Basta olhar o esforço que o Roberto Amaral faz em relação a ACS.
O VLS seria lucrativo o suficinte para atrair o interesse de empresas privadas?
Tenho esperanças de que ao menos o nosso "velho" VLS1 possa inserir o nome do Brasil no "clubinho"

Brazilian Space disse...

Olá Rondini!

Veja bem amigo, temos que separar as coisas, pois são programas distintos com objetivos distintos. O PEB governamental resumindo em minha opinião só não foi à frente (e olha que começou no inicio dos anos 60) por pura falta de competência, de seriedade em sua condução e por falta de interesse político. Tome como exemplo o Programa Espacial Coreano aqui abordado, que após a assinatura de um acordo com os russos em 2002 partindo quase do ponto zero em 7 anos lançaram deu lançador de satélites. A conclusão do Programa do VLS-1 em minha opinião é essencial para assim permitir que o Brasil tenha um lançador capaz de colocar pequenos satélites científicos, tecnológicos e universitários de interesse da comunidade científica brasileira no espaço, apesar de eu ter minhas dúvidas quanto a sua capacidade de inserir esses satélites em sua orbita correta, devido a sua concepção. Deixo essa dúvida para que os engenheiros leitores do Mileski possam responder. No entanto, não tenho dúvida que caso o mesmo venha está operacional em 2012 (levando-se em conta o prazo já divulgado para o seu quarto vôo de qualificação) e havendo até lá um bom planejamento (plano de ação), seriedade e a determinação que se espera para um programa como esse, em dois anos ou no máximo em 2015 teríamos o VLS-1B pronto, foguete essencial para que o país possa colocar os satélites nacionais baseados na PMM em órbita. Infelizmente com essa idéia “sem sentido” de se reavaliar o desenvolvimento do motor L75 (partindo do zero de novo) esse possível prazo deixa de existir infelizmente. Quanto à sua idéia de privatização do foguete VLS-1, essa é a intenção da AEB, no entanto acho muito difícil que o mesmo tenha mercado (devido as suas deficiências) e deverá mesmo ser somente utilizado pelo PEB. Agora Rondini, quanto a ACS, apesar do Roberto Amaral e do desinformado (não sei se intencionalmente) deputado maranhense Ribamar Alves viverem dizendo na mídia do enorme ganho tecnológico que esse acordo trará ao Brasil, isso não é verdade. O acordo em momento algum, em cláusula nenhuma, prevê a transferência de tecnologia, Nem mesmo de um parafuso, por mais simples que ele seja. O acordo na realidade é comercial onde o Brasil entra com a Base de Alcântara e as obras civis necessárias para a operacionalização do foguete Cyclone 4 e os ucranianos entram com o foguete e os equipamentos de lançamento correlatos. Para tanto, ficou acertado no acordo a criação da empresa bi-nacional Alcântara Cyclone Space com custos e lucros futuros divididos em partes iguais, alem de ter sido assinado um acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre os dois países justamente pela preocupação dos ucranianos em defender a sua tecnologia. Os únicos benefícios desse acordo no momento para o Brasil seriam a experiência que os técnicos brasileiros adquirirão no lançamento de foguetes de grande porte, custos mais em conta para lançamento de satélite de interesse da AEB e os recursos que serão gerados por essa empresa (a parte brasileira) que poderão ser revertidos (se assim for do interesse das chamadas “otoridades”) para o verdadeiro Programa Espacial Brasileiro. Acontece Rondini, que existem indícios que o PEB pode está sendo fritado (leia substituído) ao poucos em prol desse acordo como já demonstrou em diversas declarações o senhor Roberto Amaral e o deputado Ribamar Alves no seu discurso (veja o discurso na íntegra no meu blog) do último dia 12/08 no plenário da Câmara Federal. Leia também minha opinião sobre toda essa situação no blog na nota “Um Programa Fora de Foco, um Barco sem Rumo”.

Abs

Duda Falcão

Sengedradog disse...

Srs.,

Algo me chamou a atenção. O programa ACS está focado no Maranhão. Outro dia saiu uma notícia que até o Ministro de Minas e Energia, que é velho cacique do maranhense do PMDB, fazia pressão para manter o centro de lançamento por lá. A notícia é que iria para o Ceará, por sinal reduto do PSDB, e onde está locada a empresa Órion (Rússia). Essa bagunça parece fazer sentido agora: O Brasil inaugura nova modalidade da exploração espacial - atos secretos intergaláticos!