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sábado, 9 de outubro de 2010

Defesa e Espaço

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Na edição de hoje (09) do jornal "O Estado de S. Paulo", foi publicada uma reportagem sobre o interesse de grupos estrangeiros do setor de defesa no mercado brasileiro. Para ler a reportagem, clique sobre o título "Brasil é palco de disputa para indústrias militares".

Reproduzimos abaixo um dos trechos, que destaca o interesse do grupo europeu EADS no setor de satélites:

"A EADS (European Aeronautic Defence and Space Company) também revela que está em negociações com o Brasil para o setor de satélites. Não há ainda um acordo, mas a empresa estima que o setor de observação terrestre será uma das prioridades do governo brasileiro nos próximos anos."

Frequentemente, temos abordado no blog o crescente envolvimento do Ministério da Defesa (MinDef) em matérias relacionadas a espaço. Já envolvido na área de lançadores (VLS e foguetes de sondagem) por meio do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), do Comando da Aeronáutica, o MinDef tem adotado algumas medidas para se tornar protagonista em vários projetos, como o do Sistema Geoestacionário Brasileiro (SGB) e satélites de observação terrestre (Projeto Sentinela), entre outros.

Na última quarta-feira, 6 de outubro, a apresentação do ministro Nelson Jobim sobre o reaparelhamento e perspectivas para as Forças Armadas deu relativa ênfase ao segmento espacial (veja a postagem "Jobim, Defesa e Espaço"). Esta ênfase, aliás, foi destacada inclusive em algumas reportagens (ver a notícia "Reaparelhamento das Forças Armadas inclui sistema espacial, afirma Nelson Jobim", divulgada pela FIESP).
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domingo, 15 de agosto de 2010

Livro sobre controle de tráfego aéreo no Brasil

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Para aqueles que se interessam em controle de tráfego aéreo - tema que guarda alguma relação, indireta, com espaço, este ano foi publicado uma importante obra com um panorama (passado, presente e futuro), sobre a evolução brasileira na área. Intitulado "Destino: soberania - O domínio brasileiro da tecnologia no tráfego aéreo", o livro é de autoria de Valéria Rossi e Aldrich Kanashiro.

A obra foi patrocinada pela Atech, grupo brasileiro fortemente envolvido com o setor, tendo sido responsável pelo desenvolvimento e integração de várias redes e sistemas de vigilância, como o SIVAM (hoje, Cindacta IV), softwares, etc. O livro, aliás, discorre em alguns poucos parágrafos sobre o interesse brasileiro em se contar com um satélite geoestacionário (a Atech foi uma das contratadas para os estudos do SGB no início da atual década), e também sobre outras atividades do grupo na área espacial (Programa Celeste, relacionado à constelação Galileo, e Alcântara Cyclone Space - ACS).

O Sistema de Controle de Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB), a cargo do Comando da Aeronáutica, é operado tanto para o controle de tráfego aéreo civil como de defesa do espaço aéreo nacional. E, de certo modo, considerando-se os conceitos atuais de integração de sistemas e redes, C4ISR, guerra centrada em rede, etc., e os projetos e intenções brasileiras na área (SIVAM/SIPAM, SISFRON, entre outros), a evolução do monitoramento e controle do espaço aéreo, costas e fronteiras passa pelo segmento espacial, que cada vez mais exercerá função de destaque na transmissão e coleta de dados. Não é por acaso que o Ministério da Defesa tem exercido papel essencial em algumas discussões de projetos espaciais, como o do SGB e Projeto Sentinela, em linha com a Estratégia Nacional de Defesa.
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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Jobim na reunião da SBPC: Satélites e C&T

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Segundo a edição de ontem (28), do Programa Exame TV Hoje, da revista de negócios Exame, o ministro da Defesa Nelson Jobim afirmou na reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) que o Brasil deve desenvolver satélites de monitoramento. Abaixo, transcrevemos o conteúdo da notícia:

"O Ministro da Defesa Nelson Jobim declarou hoje (27) em reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência que o Brasil deve desenvolver satélites para o monitoramento de fronteiras e faixa marítima do País, que atualmente são fornecidas por satélites de outros países. Entretanto, Jobim informou que ainda não existem previsões para a construção de equipamentos nacionais."

Em palestra realizada no dia 27 (ver a notícia "Forças Armadas querem reforçar seu papel em C&T", do JC E-mail), Jobim destacou a Estratégia Nacional de Defesa (END) e alguns de seus principais desafios nas áreas áreas cibernética, nuclear e espacial, apontando ainda o caráter dual desses setores.
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domingo, 13 de junho de 2010

Thales: interesse no mercado brasileiro

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No início da noite de hoje (13), sobre as águas do Rio Sena, em Paris, o diretor-presidente do grupo francês Thales, Luc Vigneron e seus principais executivos receberam alguns poucos convidados da imprensa mundial para falar sobre o grupo e as expectativas para a tradicional feira de defesa Eurosatory 2010, que começa amanhã na capital francesa e vai até o final desta semana.

Em rápida conversa que teve com Tecnologia & Defesa, único veículo sul-americano presente no encontro, Vigneron afirmou que o Brasil tem oportunidades em praticamente todas as áreas de atuação da Thales, destacando os setores de defesa, segurança, satélites e transporte, apesar de não ter entrado em detalhes sobre cada uma delas. Ressaltou que o grupo deve tomar decisões no futuro relacionadas às oportunidades no País.

Especificamente na área de espaço, quando questionado sobre quais seriam os tópicos de interesse, afirmou que este existe tanto para missões governamentais como privadas. O blog acredita que em relação às missões governamentais, o interesse da Thales, por meio das joint-ventures que mantém com o grupo italiano Finmeccanica (Thales Alenia Space e Telespazio) recai em satélites de observação terrestre (do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, e Ministério da Defesa - Projeto Sentinela), e telecomunicações (Satélite Geoestacionário Brasileiro - SGB). De fato, os últimos meses têm sido relativamente bem ativos em relação ao projeto do SGB, especialmente nos bastidores.

Quanto aos interesses privados em espaço, de acordo com uma fonte, a Thales Alenia Space observa com atenção o futuro lançamento de concorrência para a construção do Star One C4, satélite geoestacionário de comunicações que deverá ser maior e mais potente que o Star One C3 contratado pela subsidiária da Embratel junto à norte-americana Orbital Sciences Corporation (OSC), em dezembro de 2009. Apesar da OSC ter conquistado o contrato do Star One C3, a fabricante norte-americana é especializada na construção de satélites geoestacionários da faixa de 2 a 3 toneladas, o que, em teoria, pode favorecer a Thales ou outro fabricante de cargas úteis de maior porte.

A Thales é um dos maiores grupos mundiais com atuação nas áreas aeroespacial, defesa, segurança e transporte, contando com mais de 50 mil funcionários em 50 países. No Brasil, a Thales já está presente há décadas (desde que se chamava CSF-Thomson), inclusive com atividade industrial (Omnisys) fornecendo equipamentos e sistemas para as três forças armadas, Polícia Federal, controle de tráfego aéreo, Programa Espacial Brasileiro (CBERS, centros de lançamento), entre outros. Para saber mais sobre os negócios e interesses do grupo francês, vejam o artigo "Thales foca o Brasil", de maio de 2008.
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Jobim em Israel

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Encerra-se amanhã, 28 de janeiro, a viagem oficial do ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao Estado de Israel. Na sua pauta, constaram audiências com o presidente e primeiro-ministro israelenses, Shimon Peres e Benjamin Netanyahu, respectivamente, além de várias visitas e compromissos relacionados às áreas aeroespacial e de defesa. De acordo com a agenda oficial divulgada pelo Ministério da Defesa, na última segunda-feira (25), Jobim teria visitado a Israel Aerospace Industries (IAI), indústria aeroespacial estatal israelense, e hoje (27), as indústrias Rafael Advanced Defense Systems e Elbit Systems.

Segundo notícias vindas da imprensa local israelense, projetos de mísseis, veículos aéreos não-tripulados (VANTs) e satélites teriam sido apresentados ao ministro brasileiro, que nos últimos tempos passou a ser bastante assediado por fabricantes de todo o mundo, em razão de uma maior atenção do governo aos temas militares.

Companhias israelenses já fornecem sistemas aeroespaciais e de defesa para o Brasil há muitos anos. A Elbit Systems, por meio de sua subsidiária local, a Aeroeletrônica, fornece aviônicos para aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB), além de estar envolvida em alguns projetos de satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), como o CBERS. Em 2009, a IAI firmou parceria com o grupo brasileiro Synergy para a exploração de oportunidades no Brasil e em outros países da América do Sul, iniciativa esta que já teria rendido significativo contrato para o fornecimento de VANTs à Polícia Federal. A Rafael, por sua vez, além de já fornecer mísseis para a FAB, estaria considerando a aquisição de indústria brasileira para uma maior penetração no mercado nacional.

Não é de hoje o interesse israelense em fechar negócios espaciais com o Brasil, em especial da IAI, que tem em sua ampla gama de produtos satélites, cargas úteis e lançadores. Há anos, a IAI promove no País sua família de satélites de observação, e certamente, após a publicidade do interesse do Ministério da Defesa em dispor de seu próprio satélite (Projeto Sentinela), medidas mais concretas foram tomadas. Em maio de 2009, por exemplo, representantes da agência espacial e de indústrias israelenses estiveram na Câmara dos Deputados com o objetivo de discutir uma cooperação na área.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Detalhes sobre o projeto Sentinela

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De tempos em tempos, surgem na imprensa não-especializada notícias sobre o interesse do Ministério da Defesa em contar com uma rede de satélites para vigilância das fronteiras.

A edição nº 5 da revista Espaço Brasileiro, editada pela Agência Espacial Brasileira (AEB), revela mais alguns detalhes sobre a iniciativa, que já teria inclusive nome: Sentinela. As informações estão na resposta de uma das questões feitas na entrevista com Carlos Ganem, presidente da Agência. Ontem (09), o blog também teve a oportunidade de rapidamente conversar com Ganem sobre esse assunto, tendo colhido informações adicionais.

Abaixo, reproduzimos o trecho da entrevista do Ganem publicada na Espaço Brasileiro:

"O monitoramento de áreas terrestres é um ponto importante para que um país consiga soberania. A única forma de observarmos grandes áreas é por meio de satélites. O Brasil, juntamente com a China, já lançou três satélites de imageamento - os CBERS - e lançará outro, em breve. Há algum projeto para a construção de satélites de monitoramente com tecnologia essencialmente brasileira?

Em primeiro lugar, podemos citar a capacidade nacional de desenvolvimento de câmeras ópticas, como as que estão sendo concluídas para os satélites Amazônia e CBERS-3 e 4, pela empresa Opto, de São Carlos (SP). Devemos, ainda, considerar a conclusão da Plataforma Multimissão, que, com as câmeras, comporão satélites de observação inteiramente nacionais.

Em paralelo, a AEB anseia por um satélite de monitoramento e vigilância de suas fronteiras e, sobretudo, das regiões inóspitas onde existem dificuldades de termos bases militares. Esse satélite, o Sentinela, ainda em fase de concepção, seria resultante de tecnologia desenvolvida por empresas da região de São José dos Campos (SP). Ele tem uma característica extremamente funcional, é pequeno, leve e pode dar conta de resolver problemas imediatos no que concerne à segurança e ao monitoramento do nosso território."

Ontem, Ganem informou no seminário que o projeto Sentinela deve ser estruturado por meio de Parceria Público Privada – PPP (mais informações em "Parcerias Público-Privadas para o Setor Espacial"), e também envolverá ao menos duas indústrias brasileiras do polo de São José dos Campos (SP), com transferência de tecnologia, sem revelar os nomes. O presidente da AEB acrescentou que o projeto está no momento em análise no Ministério da Defesa e depois será encaminhado à Agência. Questionado sobre uma data para a sua formalização, informou o ano de 2011.

Com o objetivo de evitar qualquer confusão, Ganem fez questão de frisar que o Sentinela brasileiro não tem relação com o “Sentinel”, da Agência Espacial Europeia, embora ambos os projetos sejam de constelações de observação terrestre.

Participação francesa

A participação francesa no projeto é tida como líquida e certa. Inclusive, em nota divulgada pelo Itamaraty quando da visita de Nicolas Sarkozy ao Brasil em 6 e 7 de setembro desse ano, um dos itens mencionados implicitamente tratava do Sentinela: "O Brasil e a França também concordaram em intensificar o intercâmbio bilateral com vistas a analisar a viabilidade de uma futura cooperação na área de monitoramento das fronteiras terrestres e marítimas do Brasil."

O lance mais curioso do envolvimento francês, no entanto, é que pelo que se tem ouvido nos bastidores, uma das indústrias mais envolvidas com o Sentinela não estava sediada na França, mas sim em outro país europeu.

Opto Eletrônica: imageador de meio metro

No seminário de ontem em Brasília, Jarbas Castro Neto, presidente da Opto Eletrônica, de São Carlos (SP), em dado momento de sua apresentação destacou que a empresa por ele presidida tem capacidade de construir sensores espaciais de imageamento com resolução de meio metro.

Não se sabe se a Opto está ou estará envolvida no projeto Sentinela, mas a informação dada, não provocada e voluntariamente colocada, chamou a atenção de alguns presentes.

Ainda que exista capacidade no País de desenvolver e construir sensores espaciais óticos de alta resolução, o fato é que a grande barreira para de desenvolver sofisticadas câmeras orbitais está no campo dos CCDs de aplicações espaciais, componente que tem poucos fabricantes mundiais.
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terça-feira, 7 de julho de 2009

Satélite para o Ministério da Defesa

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Vigiando a Amazônia

Antes mesmo que o Ministério da Defesa determine o tipo de satélite de observação que pretende adquirir para o sistema estratégico de defesa nacional, os fornecedores desse equipamento travam uma verdadeira batalha. Há dois tipos de satélites militares: os de observação ótica e os que rastreiam as áreas por radar. A China e a Índia, que têm parte do território coberto por nebulosidade, optaram por satélites de radar. Espera-se que o Brasil, que também tem áreas encobertas na Amazônia, faça a mesma escolha. Nos bastidores, movimentam-se a franco-italiana Thales Alenia Space e a franco-alemã EADS.

Fonte: Revista IstoÉ, edição 2069, 08/07/2009
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