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Satélite de comunicação e defesa brasileiro será lançado em 2016
Brasília, 11/09/2014 - O Ministério da Defesa e a Telebrás assinaram nesta quinta-feira (11) contrato que autoriza o uso da banda X – voltada à comunicação militar – do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).
Com previsão de conclusão para 2016, o novo satélite será o primeiro a ser 100% controlado por instituições brasileiras. Atualmente, os satélites que auxiliam a comunicação do país são controlados por estações de fora. [Nota do blog: esta informação é imprecisa. Os satélites que ocupam posições orbitais brasileiras devem, em tese, ser controlados por estações situadas em território brasileiro. Este é o caso dos satélites da Star One, que tem uma estação de rastreio e controle em Guaratiba, no Rio de Janeiro]
Quando estiver em órbita, o artefato terá uma banda de uso exclusivo militar, o que vai garantir segurança total nas transmissões de informações estratégicas do país.
“Esse é um momento histórico, em que o Brasil irá comandar seu satélite e usá-lo de forma estratégica”, disse o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), general José Carlos De Nardi, durante a cerimônia de assinatura do contrato.
O general destacou que a novidade trará “vantagem enorme” para operações de proteção do país, como os projetos de implantação do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAz), a cargo da Marinha, e do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), sob execução do Exército Brasileiro.
O projeto de construção e controle do satélite também prevê transferência de tecnologia, o que dará ao Brasil o domínio desse tipo de conhecimento, que poderá ser disseminado nas mais diversas áreas - em especial, no meio da indústria de defesa.
Além disso, a banda ‘Ka’ do satélite facilitará a execução do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), levando comunicação de qualidade às regiões mais afastadas do Brasil, que ainda dependem da construção de rotas de fibra ótica para terem acesso à internet.
“É estratégico para a Telebrás fazer parte desse momento do país, de retomada do controle tecnológico, de operações de um satélite estratégico”, disse o presidente da empresa, Francisco Ziober. “Nós vamos levar cidadania às comunidades mais isoladas, por meio do satélite”, completou.
O investimento da área de Defesa no projeto será de R$ 489 milhões – o que equivale a 22% do custo total do satélite.
Fonte: Ministério da Defesa
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sexta-feira, 12 de setembro de 2014
terça-feira, 24 de junho de 2014
SGDC: primeira etapa da transferência tecnológica
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Militares concluem primeira etapa de transferência de tecnologia na França
24/06/2014 09:48h
Profissionais se preparam para operar o primeiro satélite de comunicações militares brasileiro a ser lançado em 2016
Militares da Força Aérea Brasileira (FAB) concluíram nessa quinta-feira (19/06) em Cannes, na França, o curso avançado do programa de absorção de tecnologia do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas. Esta é a primeira etapa de preparação dos militares que devem operar o primeiro satélite de comunicações militares brasileiro.
Com lançamento previsto para 2016, o satélite atenderá às necessidades do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) e uma ampla área comunicações estratégicas nos âmbitos civil e militar.
De acordo com o chefe do Núcleo do Centro de Operações Espaciais Principal (NuCOPE-P), unidade da FAB que vai operar todos os satélites militares brasileiros, Tenente-Coronel Helcio Vieira Junior, o projeto vai mais que dobrar a capacidade de comunicação satelital nacional. “Vamos operar aqui do Brasil com domínio de comando e controle”, afirma.
Entre as novas capacidades, estão o aumento de cobertura das comunicações das Forças Armadas, principalmente em apoio ao SISFRON (Sistema de Monitoramento das Fronteiras Terrestres), ao SISGAAZ (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul) e ao SISDABRA (Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro).
Ao longo de dez semanas de aulas, os militares participaram de instruções nos diversos sistemas que envolvem o planejamento, o projeto, a construção, a operação e a validação de Sistemas Espaciais, abordando tecnologias, sistemas e gerência de sistemas.
Além da operação de maneira eficaz, eficiente e segura, garantindo o sigilo das informações trafegadas pelo satélite, a preparação dos militares permite conhecimento para a especificação da constelação satelital para sensoreamento, previsto para 2018. “Estamos participando da construção e aprimorando conhecimento sobre satélites em geral pensando na próxima etapa do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais, o PESE”, explica.
Equipe multidisciplinar – Além dos futuros “pilotos satelitais”, participam da capacitação militares do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) e da Marinha do Brasil, além de representantes da Empresa Visiona e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, especificamente a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O programa de absorção de tecnologia tem o objetivo de construir competência nacional para promover a maior qualificação e inserção das empresas brasileiras no mercado de manufatura e serviços de satélites geoestacionários.
Para o curso de Engenharia Espacial do ITA, por exemplo, é uma oportunidade de atualização, com abertura de novas linhas de pesquisa com o objetivo de disseminar os conhecimentos na indústria espacial brasileira. Para o IFI, permitirá cursos de certificação e confiabilidade de produtos, colaborando com a capacitação do Instituto nas áreas de garantia do desempenho, da segurança e da disponibilidade de produtos e sistemas espaciais.
Fonte: FAB
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Militares concluem primeira etapa de transferência de tecnologia na França
24/06/2014 09:48h
Profissionais se preparam para operar o primeiro satélite de comunicações militares brasileiro a ser lançado em 2016
Militares da Força Aérea Brasileira (FAB) concluíram nessa quinta-feira (19/06) em Cannes, na França, o curso avançado do programa de absorção de tecnologia do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas. Esta é a primeira etapa de preparação dos militares que devem operar o primeiro satélite de comunicações militares brasileiro.
Com lançamento previsto para 2016, o satélite atenderá às necessidades do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) e uma ampla área comunicações estratégicas nos âmbitos civil e militar.
De acordo com o chefe do Núcleo do Centro de Operações Espaciais Principal (NuCOPE-P), unidade da FAB que vai operar todos os satélites militares brasileiros, Tenente-Coronel Helcio Vieira Junior, o projeto vai mais que dobrar a capacidade de comunicação satelital nacional. “Vamos operar aqui do Brasil com domínio de comando e controle”, afirma.
Entre as novas capacidades, estão o aumento de cobertura das comunicações das Forças Armadas, principalmente em apoio ao SISFRON (Sistema de Monitoramento das Fronteiras Terrestres), ao SISGAAZ (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul) e ao SISDABRA (Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro).
Ao longo de dez semanas de aulas, os militares participaram de instruções nos diversos sistemas que envolvem o planejamento, o projeto, a construção, a operação e a validação de Sistemas Espaciais, abordando tecnologias, sistemas e gerência de sistemas.
Além da operação de maneira eficaz, eficiente e segura, garantindo o sigilo das informações trafegadas pelo satélite, a preparação dos militares permite conhecimento para a especificação da constelação satelital para sensoreamento, previsto para 2018. “Estamos participando da construção e aprimorando conhecimento sobre satélites em geral pensando na próxima etapa do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais, o PESE”, explica.
Equipe multidisciplinar – Além dos futuros “pilotos satelitais”, participam da capacitação militares do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) e da Marinha do Brasil, além de representantes da Empresa Visiona e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, especificamente a Agência Espacial Brasileira (AEB) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
O programa de absorção de tecnologia tem o objetivo de construir competência nacional para promover a maior qualificação e inserção das empresas brasileiras no mercado de manufatura e serviços de satélites geoestacionários.
Para o curso de Engenharia Espacial do ITA, por exemplo, é uma oportunidade de atualização, com abertura de novas linhas de pesquisa com o objetivo de disseminar os conhecimentos na indústria espacial brasileira. Para o IFI, permitirá cursos de certificação e confiabilidade de produtos, colaborando com a capacitação do Instituto nas áreas de garantia do desempenho, da segurança e da disponibilidade de produtos e sistemas espaciais.
Fonte: FAB
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domingo, 4 de maio de 2014
"O Brasil nos planos da MDA"
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O Brasil nos planos da MDA
André M. Mileski
Uma das principais características do Canadá, facilmente notada por qualquer visitante, é seu forte caráter multinacional. Dos países desenvolvidos, é o que mais recebe imigrantes, oriundos de praticamente todas as regiões do mundo. No final de janeiro, a reportagem de T&D esteve na Califórnia, nos Estados Unidos, e em Vancouver, no Canadá, para conhecer um pouco mais sobre a MacDonald, Dettwiler and Associates (MDA), que, a exemplo de seu país de origem, também está muito alinhado ao conceito de multinacionalidades. E isso se percebe de diferentes maneiras, inclusive entre os altos executivos. O presidente do grupo, Daniel Friedmann, nasceu em Santiago do Chile. John Celli, presidente da Space Systems/Loral (SSL), adquirida pela MDA, é italiano. E não são casos isolados, havendo outros exemplos de executivos e funcionários de origem estrangeira ocupando posições importantes.
Como parte de sua missão, a MDA, com clientes em todos os continentes, está buscando se tornar mais multinacional, tendo a intenção de ampliar suas bases industriais para além do Canadá e Estados Unidos, em mercados emergentes, como o Brasil, a Rússia e a Índia.
Capacidades e tecnologias
A MDA foi fundada em 1969 por dois empreendedores, John MacDonald e Werner Dettwiler, que deram origem ao seu nome. Ao longo de sua história, a empresa realizou aquisições e consolidações, tornando-se um dos principais grupos em suas áreas e atuação no mundo. Contando com cerca de 4.500 funcionários, se identifica como uma companhia global de comunicações e informação, fornecendo soluções operacionais para organizações comerciais e governamentais. Em 2012, seu faturamento superou US$ 1,835 bilhão.
A MDA está organizada em duas divisões principais: Comunicações, e Vigilância e Inteligência (Surveillance and Intelligence), que tem sob seu guarda-chuva as atividades de vigilância baseadas em satélites e em aeronaves, estações terrestres e serviços de informação geoespacial.
As soluções envolvendo satélites, por exemplo, incluem missões radar, tecnologia em que a MDA é reconhecida como líder, como a família RADARSAT, e a expertise para o desenvolvimento e construção de satélites e constelações para necessidades em observações terrestre, como a RapidEye, e espacial. Também inclui toda a capacitação em robótica espacial, outra área em que tem grande reputação internacional - o enorme “braço” robótico que equipa a Estação Espacial Internacional, chamado de Canadarm, foi desenvolvido e fabricado pela empresa.
A série de satélites RADARSAT teve início em 1995, com a colocação em órbita de sua primeira unidade, que esteve ativa por 18 anos, e que de certa forma definiu padrões de operação de radares baseados no espaço. Em dezembro de 2007, o segundo satélite da série foi colocado em órbita e se encontra em operação, fornecendo dados para aplicações civis, comerciais e em defesa. Uma nova constelação, conhecida como RCM (RADARSAT Constellation Mission) teve sua fase de construção contratada pelo governo canadense no início de 2013 e envolverá, inicialmente, três unidades com lançamento previsto para 2018. Quando em órbita, os novos satélites proporcionarão cobertura diária das zonas costeiras da América do Norte, com modos otimizados para a detecção de navios, além de integração simultânea com dados AIS (Automatic Identification System) para operações de interdição. O Canadá já planeja uma extensão da constelação com outras três unidades, e está ativamente buscando por parceiros internacionais para ampliar ainda mais a constelação e a frequência de revisitas.
Em matéria de radares embarcados, a MDA desenvolve e projeta radares específicos e complexos para imageamento em alta resolução por meio de tecnologia radar (SAR - Synthetic Aperture Radar), e tecnologias de identificação de movimentação de alvos e outras ferramentas de detecção e identificação.
Junto ao fato de ter construído os satélites RADARSAT, a MDA é operadora, respondendo ainda pela distribuição global de suas imagens. Ao mesmo tempo, a companhia oferece serviços derivados das imagens para clientes em diferentes setores, como defesa, meteorologia, transportes, energia, mineração, petróleo e gás, etc.
Em estações terrestres para a recepção de dados de imagens, a MDA já ultrapassou 40 anos de experiência e entregou mais de 70 unidades desde 1980. Suas estações hoje recebem dados de diversos satélites, como os World View 1 e 2, Pleiades 1A e 1B, SPOT 6 e 7, a constelação RapidEye, RADARSAT-2, entre outros.
É dentro da divisão Surveillance and Intelligence que são desenvolvidas as soluções em vigilância e monitoramento marítimos, como o Polar Epsilon, em operação pelas Forças Armadas canadenses. Por meio desse sistema, o país é capaz de detectar, identificar e rastrear ameaças em potencial nos mais de 20 milhões de km2 da área marítima de sua responsabilidade. Toda esta área é imageada diariamente pelo RADARSAT-2 e, por meio de estações localizadas nas costas leste e oeste, as imagens são baixadas, processadas e analisadas, e as informações resultantes são transmitidas aos centros de operações marítimas num tempo inferior a 15 minutos. Como parte desse processo, o sistema, com intervenção dos operadores, realiza as detecções das embarcações presentes nas imagens e faz um cruzamento dessas detecções com os sinais emitidos por transpônderes AIS das embarcações, que são transmitidos por satélite. Desta forma, potenciais ameaças podem ser identificadas.
Outro produto são os centros de comando marítimo, criados para estabelecer uma Consciência Situacional Marítima, por meio da integração de diferentes sensores e fusão de dados. Ferramentas analíticas são utilizadas nesses centros para apoiar na identificação automática de ameaças e envio de alertas, permitindo ações rápidas. Elas proporcionam a detecção de ameaças quando características específicas de determinadas embarcações, obtidas de diferentes fontes, são consistentes com padrões indicativos de comportamento ilegal ou suspeito. Ainda, possibilitam buscas complexas de embarcações com base em localizações, períodos e contextos, além de preverem suas posições, rotas e destinos.
Liderança em comunicações por satélite
Em junho de 2012, a MDA deu um grande salto ao adquirir da holding Loral Space & Communications, por US$ 875 milhões, a SSL. Com a aquisição, a MDA consolidou sua presença no setor espacial, em particular, em comunicações, segmento em que já atuava quanto a cargas úteis e subsistemas, principalmente, e passou a ter uma notada presença industrial nos Estados Unidos, um mercado considerado estratégico. A origem da SSL, no entanto, remonta a 1957, quando foi fundada com o nome Western Development Laboratories, do tradicional grupo Philco. Em 1976, a SSL passou a integrar a divisão de sistemas espaciais da Ford Motors, que a vendeu para a Loral Space & Communications no início da década de 1990.
Seu primeiro satélite foi o Courier 1B, colocado em órbita em outubro de 1960, e o primeiro artefato da história a realizar uma transmissão de dados entre diferentes pontos da Terra. Por meio do Courier 1B, um globo com cerca de 230 kg, o presidente norte-americano à época, Dwight Eisenhower transmitiu uma mensagem às Nações Unidas.
Hoje, a SSL responde por cerca de metade do faturamento da MDA, ocupando a liderança no segmento de satélites comerciais de comunicações. Neste mercado, desde 2005, a companhia fechou mais de 50 contratos, representando cerca de 40% do total de encomendas para satélites geoestacionários comerciais com potência superior a 8 kW. Seus números, em geral, impressionam. Os clientes incluem as principais operadoras, e mais de 70 satélites geoestacionários que saíram de suas instalações em Palo Alto estão em operação em órbita. Desde o seu surgimento, a SSL construiu mais de 250 satélites, contando com uma carteira de pedidos superior a 20 artefatos.
Estreando no mercado de observação terrestre, no início de fevereiro, a SSL anunciou sua contratação pela Skybox Imaging, dos Estados Unidos, para a construção de uma avançada constelação de pequenos satélites de observação de órbita baixa, formada por treze satélites, cada um com dimensões de 60 x 60 x 95 centímetros e massa aproximada de 120 kg, a serem lançados em 2015 e 2016. Os satélites serão capazes de gerar imagens coloridas submétricas e vídeos em alta definição com até 90 segundos e 30 frames por segundo. Uma vez completada, a constelação proporcionará três revisitas diárias de um mesmo ponto na Terra. “O contrato da Skybox é uma evidência concreta de nosso sucesso em trabalhar com a MDA para nos expandirmos em novos mercados”, declarou John Celli. “Baseado nas capacidades únicas da SSL como fabricante de satélites e na história da MDA, nós estamos desenvolvendo novas capacidades que nos permitir buscar outras oportunidades em observação terrestre e satélites de órbita baixa nos Estados Unidos e no exterior.” Como parte do acordo, a SSL terá uma licença exclusiva do design do satélite projetado pela Skybox Imaging, abrindo um novo leque global de oportunidades.
Brasil: negócios e oportunidades
A MDA atua no mercado brasileiro desde a década de 1980, quando a Spar Aerospace forneceu para a então estatal Embratel seus primeiros dois satélites de comunicações, os Brasilsat A1 e A2. Nos anos de 1990, o grupo canadense participou do projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), fornecendo uma estação terrestre capaz de receber e processar dados de cinco diferentes satélites de sensoriamento, integrada às instalações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e radares de imageamento em bandas L e X que equipam as aeronaves Embraer R-99, da Força Aérea Brasileira (FAB). Há mais de 15 anos, fornece imagens radar geradas por sua família RADARSAT para a Petrobras e outras empresas brasileiras, permitindo cobertura diária de suas plataformas offshore.
Em comunicações, a SSL firmou nos últimos anos contratos com a Star One, principal operadora de comunicações por satélite do Brasil e uma das maiores da América Latina, para o fornecimento de dois satélites geoestacionários, o Star One C4, previsto para ser lançado no final de 2014, e o Star One D1, que deve voar em 2016, ambos a bordo do lançador Ariane 5, da Arianespace. Os dois novos sistemas fornecerão capacidade para novas demandas decorrentes dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro (RJ). Em entrevistas concedidas à T&D, executivos do grupo também mencionaram o crescente interesse de países na região em desenvolver suas próprias capacidades espaciais, como em comunicações e observação terrestre.
A SSL foi uma das finalistas da concorrência do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), que proverá capacidade nas bandas Ka e X para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), respectivamente. Embora não tenha sido selecionada, a empresa, que construiu mais satélites de banda larga do que qualquer outro fabricante, está atenta a futuras oportunidades para atender ao governo brasileiro.
No continente latino-americano, a MDA também fornece sistemas e serviços para governos e clientes comerciais há mais de 30 anos, possuindo contratos ativos no México, Colômbia, Venezuela e Argentina. A companhia construiu outros satélites de operadores internacionais que oferecem serviços de transmissão para o Brasil e América Latina, contando ainda com outros satélites em sua carteira de pedidos.
Na visita ao Canadá, executivos destacaram que para atenderem as necessidades oficiais, o grupo busca estabelecer uma presença local de longo prazo, de forma a desenvolver soluções locais não apenas para o Brasil, mas também para mercados em que o País tenha forte influência geopolítica, diretrizes em linha com os preceitos da Estratégia Nacional de Defesa.
Falando em perspectivas, e em busca do ímpeto inicial para tais objetivos, a MDA está atenta a oportunidades relacionadas a programas estratégicos das Forças Armadas brasileiras, como o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), em implantação, o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) e o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), estes últimos prestes a serem licitados. Como parte desse esforço, a empresa tem interagido com o governo e órgãos militares para entender as demandas, e considerado vários modelos de parcerias com indústrias brasileiras dos setores aeroespacial e de defesa.
Por razões lógicas, o SisGAAz, assunto do momento para a defesa brasileira, é uma iniciativa à qual a MDA tem muito o que contribuir, segundo foi destacado à T&D. Ao longo de sua trajetória, o grupo desenvolveu várias soluções de vigilância e monitoramento de extensas áreas marítimas para o governo canadense e outros clientes internacionais que envolvem assuntos complexos, como fusão de dados, integração de sistemas e sofisticados algoritmos, apenas para citar alguns. Segundo representantes da MDA, tais conhecimentos, adquiridos e desenvolvidos em projetos em operação, são fundamentais para o efetivo funcionamento de redes complexas como a planejada para o SisGAAz.
Numa fase menos madura, embora bastante avançada, também já começam ocorrer movimentações industriais direcionadas ao PESE (ver matéria), programa de grande interesse da MDA e que deve envolver um forte elemento de transferência tecnológica e indústrias locais. Além desses grandes projetos de sistemas, os canadenses também estão atentos a outras oportunidades no País, como a ampliação de serviços de imagens por satélite – algo inerente ao Brasil por sua extensão territorial, e uma futura modernização do sofisticado radar de abertura sintética que equipa o R-99, um projeto que está em consideração pela FAB.
Identificando ameaças e práticas ilegais
Na visita da reportagem de T&D à MDA no Canadá, houve a oportunidade de acompanhar uma apresentação sobre o sistema BlueHawk, para a Consciência Situacional Marítima, disponível por meio de assinaturas mensais. Basicamente, trata-se de um serviço de informações da MDA que envolve a fusão de dados comerciais e não confidenciais, oriundos de satélites, sinais AIS e LRIT, dados de registro de navios e outros dados contextuais.
Dois exemplos reais do BlueHawk demonstram a importância de se dispor de meios eficazes de vigilância. Em janeiro de 2013, numa área de 500 km por 500 km na costa de São Paulo, imagens do satélite RADARSAT-2 identificaram 233 embarcações, enquanto que apenas 179 estavam transmitindo sinais AIS. Por regras internacionais, qualquer embarcação civil com tonelagem igual ou superior a 300 toneladas deve obrigatoriamente dispor de um transpônder AIS, permitindo o seu monitoramento por meio de sinais transmitidos a satélites.
Outra demonstração apontou uma prática ilegal, mas que é comum: navios-tanque que “lavam” seus tanques em alto mar, antes de chegarem aos portos. Com a “lavagem”, uma quantidade significativa de óleo e/ou outros produtos químicos são despejados no mar, causando poluição e deixando rastros que podem ser identificados por satélites. O BlueHawk imageou a prática e identificou o navio.
Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 136, março de 2014.
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O Brasil nos planos da MDA
André M. Mileski
Uma das principais características do Canadá, facilmente notada por qualquer visitante, é seu forte caráter multinacional. Dos países desenvolvidos, é o que mais recebe imigrantes, oriundos de praticamente todas as regiões do mundo. No final de janeiro, a reportagem de T&D esteve na Califórnia, nos Estados Unidos, e em Vancouver, no Canadá, para conhecer um pouco mais sobre a MacDonald, Dettwiler and Associates (MDA), que, a exemplo de seu país de origem, também está muito alinhado ao conceito de multinacionalidades. E isso se percebe de diferentes maneiras, inclusive entre os altos executivos. O presidente do grupo, Daniel Friedmann, nasceu em Santiago do Chile. John Celli, presidente da Space Systems/Loral (SSL), adquirida pela MDA, é italiano. E não são casos isolados, havendo outros exemplos de executivos e funcionários de origem estrangeira ocupando posições importantes.
Como parte de sua missão, a MDA, com clientes em todos os continentes, está buscando se tornar mais multinacional, tendo a intenção de ampliar suas bases industriais para além do Canadá e Estados Unidos, em mercados emergentes, como o Brasil, a Rússia e a Índia.
Capacidades e tecnologias
A MDA foi fundada em 1969 por dois empreendedores, John MacDonald e Werner Dettwiler, que deram origem ao seu nome. Ao longo de sua história, a empresa realizou aquisições e consolidações, tornando-se um dos principais grupos em suas áreas e atuação no mundo. Contando com cerca de 4.500 funcionários, se identifica como uma companhia global de comunicações e informação, fornecendo soluções operacionais para organizações comerciais e governamentais. Em 2012, seu faturamento superou US$ 1,835 bilhão.
A MDA está organizada em duas divisões principais: Comunicações, e Vigilância e Inteligência (Surveillance and Intelligence), que tem sob seu guarda-chuva as atividades de vigilância baseadas em satélites e em aeronaves, estações terrestres e serviços de informação geoespacial.
As soluções envolvendo satélites, por exemplo, incluem missões radar, tecnologia em que a MDA é reconhecida como líder, como a família RADARSAT, e a expertise para o desenvolvimento e construção de satélites e constelações para necessidades em observações terrestre, como a RapidEye, e espacial. Também inclui toda a capacitação em robótica espacial, outra área em que tem grande reputação internacional - o enorme “braço” robótico que equipa a Estação Espacial Internacional, chamado de Canadarm, foi desenvolvido e fabricado pela empresa.
A série de satélites RADARSAT teve início em 1995, com a colocação em órbita de sua primeira unidade, que esteve ativa por 18 anos, e que de certa forma definiu padrões de operação de radares baseados no espaço. Em dezembro de 2007, o segundo satélite da série foi colocado em órbita e se encontra em operação, fornecendo dados para aplicações civis, comerciais e em defesa. Uma nova constelação, conhecida como RCM (RADARSAT Constellation Mission) teve sua fase de construção contratada pelo governo canadense no início de 2013 e envolverá, inicialmente, três unidades com lançamento previsto para 2018. Quando em órbita, os novos satélites proporcionarão cobertura diária das zonas costeiras da América do Norte, com modos otimizados para a detecção de navios, além de integração simultânea com dados AIS (Automatic Identification System) para operações de interdição. O Canadá já planeja uma extensão da constelação com outras três unidades, e está ativamente buscando por parceiros internacionais para ampliar ainda mais a constelação e a frequência de revisitas.
Em matéria de radares embarcados, a MDA desenvolve e projeta radares específicos e complexos para imageamento em alta resolução por meio de tecnologia radar (SAR - Synthetic Aperture Radar), e tecnologias de identificação de movimentação de alvos e outras ferramentas de detecção e identificação.
Junto ao fato de ter construído os satélites RADARSAT, a MDA é operadora, respondendo ainda pela distribuição global de suas imagens. Ao mesmo tempo, a companhia oferece serviços derivados das imagens para clientes em diferentes setores, como defesa, meteorologia, transportes, energia, mineração, petróleo e gás, etc.
Em estações terrestres para a recepção de dados de imagens, a MDA já ultrapassou 40 anos de experiência e entregou mais de 70 unidades desde 1980. Suas estações hoje recebem dados de diversos satélites, como os World View 1 e 2, Pleiades 1A e 1B, SPOT 6 e 7, a constelação RapidEye, RADARSAT-2, entre outros.
É dentro da divisão Surveillance and Intelligence que são desenvolvidas as soluções em vigilância e monitoramento marítimos, como o Polar Epsilon, em operação pelas Forças Armadas canadenses. Por meio desse sistema, o país é capaz de detectar, identificar e rastrear ameaças em potencial nos mais de 20 milhões de km2 da área marítima de sua responsabilidade. Toda esta área é imageada diariamente pelo RADARSAT-2 e, por meio de estações localizadas nas costas leste e oeste, as imagens são baixadas, processadas e analisadas, e as informações resultantes são transmitidas aos centros de operações marítimas num tempo inferior a 15 minutos. Como parte desse processo, o sistema, com intervenção dos operadores, realiza as detecções das embarcações presentes nas imagens e faz um cruzamento dessas detecções com os sinais emitidos por transpônderes AIS das embarcações, que são transmitidos por satélite. Desta forma, potenciais ameaças podem ser identificadas.
Outro produto são os centros de comando marítimo, criados para estabelecer uma Consciência Situacional Marítima, por meio da integração de diferentes sensores e fusão de dados. Ferramentas analíticas são utilizadas nesses centros para apoiar na identificação automática de ameaças e envio de alertas, permitindo ações rápidas. Elas proporcionam a detecção de ameaças quando características específicas de determinadas embarcações, obtidas de diferentes fontes, são consistentes com padrões indicativos de comportamento ilegal ou suspeito. Ainda, possibilitam buscas complexas de embarcações com base em localizações, períodos e contextos, além de preverem suas posições, rotas e destinos.
Liderança em comunicações por satélite
Em junho de 2012, a MDA deu um grande salto ao adquirir da holding Loral Space & Communications, por US$ 875 milhões, a SSL. Com a aquisição, a MDA consolidou sua presença no setor espacial, em particular, em comunicações, segmento em que já atuava quanto a cargas úteis e subsistemas, principalmente, e passou a ter uma notada presença industrial nos Estados Unidos, um mercado considerado estratégico. A origem da SSL, no entanto, remonta a 1957, quando foi fundada com o nome Western Development Laboratories, do tradicional grupo Philco. Em 1976, a SSL passou a integrar a divisão de sistemas espaciais da Ford Motors, que a vendeu para a Loral Space & Communications no início da década de 1990.
Seu primeiro satélite foi o Courier 1B, colocado em órbita em outubro de 1960, e o primeiro artefato da história a realizar uma transmissão de dados entre diferentes pontos da Terra. Por meio do Courier 1B, um globo com cerca de 230 kg, o presidente norte-americano à época, Dwight Eisenhower transmitiu uma mensagem às Nações Unidas.
Hoje, a SSL responde por cerca de metade do faturamento da MDA, ocupando a liderança no segmento de satélites comerciais de comunicações. Neste mercado, desde 2005, a companhia fechou mais de 50 contratos, representando cerca de 40% do total de encomendas para satélites geoestacionários comerciais com potência superior a 8 kW. Seus números, em geral, impressionam. Os clientes incluem as principais operadoras, e mais de 70 satélites geoestacionários que saíram de suas instalações em Palo Alto estão em operação em órbita. Desde o seu surgimento, a SSL construiu mais de 250 satélites, contando com uma carteira de pedidos superior a 20 artefatos.
Estreando no mercado de observação terrestre, no início de fevereiro, a SSL anunciou sua contratação pela Skybox Imaging, dos Estados Unidos, para a construção de uma avançada constelação de pequenos satélites de observação de órbita baixa, formada por treze satélites, cada um com dimensões de 60 x 60 x 95 centímetros e massa aproximada de 120 kg, a serem lançados em 2015 e 2016. Os satélites serão capazes de gerar imagens coloridas submétricas e vídeos em alta definição com até 90 segundos e 30 frames por segundo. Uma vez completada, a constelação proporcionará três revisitas diárias de um mesmo ponto na Terra. “O contrato da Skybox é uma evidência concreta de nosso sucesso em trabalhar com a MDA para nos expandirmos em novos mercados”, declarou John Celli. “Baseado nas capacidades únicas da SSL como fabricante de satélites e na história da MDA, nós estamos desenvolvendo novas capacidades que nos permitir buscar outras oportunidades em observação terrestre e satélites de órbita baixa nos Estados Unidos e no exterior.” Como parte do acordo, a SSL terá uma licença exclusiva do design do satélite projetado pela Skybox Imaging, abrindo um novo leque global de oportunidades.
Brasil: negócios e oportunidades
A MDA atua no mercado brasileiro desde a década de 1980, quando a Spar Aerospace forneceu para a então estatal Embratel seus primeiros dois satélites de comunicações, os Brasilsat A1 e A2. Nos anos de 1990, o grupo canadense participou do projeto do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), fornecendo uma estação terrestre capaz de receber e processar dados de cinco diferentes satélites de sensoriamento, integrada às instalações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e radares de imageamento em bandas L e X que equipam as aeronaves Embraer R-99, da Força Aérea Brasileira (FAB). Há mais de 15 anos, fornece imagens radar geradas por sua família RADARSAT para a Petrobras e outras empresas brasileiras, permitindo cobertura diária de suas plataformas offshore.
Em comunicações, a SSL firmou nos últimos anos contratos com a Star One, principal operadora de comunicações por satélite do Brasil e uma das maiores da América Latina, para o fornecimento de dois satélites geoestacionários, o Star One C4, previsto para ser lançado no final de 2014, e o Star One D1, que deve voar em 2016, ambos a bordo do lançador Ariane 5, da Arianespace. Os dois novos sistemas fornecerão capacidade para novas demandas decorrentes dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro (RJ). Em entrevistas concedidas à T&D, executivos do grupo também mencionaram o crescente interesse de países na região em desenvolver suas próprias capacidades espaciais, como em comunicações e observação terrestre.
A SSL foi uma das finalistas da concorrência do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), que proverá capacidade nas bandas Ka e X para o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), respectivamente. Embora não tenha sido selecionada, a empresa, que construiu mais satélites de banda larga do que qualquer outro fabricante, está atenta a futuras oportunidades para atender ao governo brasileiro.
No continente latino-americano, a MDA também fornece sistemas e serviços para governos e clientes comerciais há mais de 30 anos, possuindo contratos ativos no México, Colômbia, Venezuela e Argentina. A companhia construiu outros satélites de operadores internacionais que oferecem serviços de transmissão para o Brasil e América Latina, contando ainda com outros satélites em sua carteira de pedidos.
Na visita ao Canadá, executivos destacaram que para atenderem as necessidades oficiais, o grupo busca estabelecer uma presença local de longo prazo, de forma a desenvolver soluções locais não apenas para o Brasil, mas também para mercados em que o País tenha forte influência geopolítica, diretrizes em linha com os preceitos da Estratégia Nacional de Defesa.
Falando em perspectivas, e em busca do ímpeto inicial para tais objetivos, a MDA está atenta a oportunidades relacionadas a programas estratégicos das Forças Armadas brasileiras, como o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), em implantação, o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz) e o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE), estes últimos prestes a serem licitados. Como parte desse esforço, a empresa tem interagido com o governo e órgãos militares para entender as demandas, e considerado vários modelos de parcerias com indústrias brasileiras dos setores aeroespacial e de defesa.
Por razões lógicas, o SisGAAz, assunto do momento para a defesa brasileira, é uma iniciativa à qual a MDA tem muito o que contribuir, segundo foi destacado à T&D. Ao longo de sua trajetória, o grupo desenvolveu várias soluções de vigilância e monitoramento de extensas áreas marítimas para o governo canadense e outros clientes internacionais que envolvem assuntos complexos, como fusão de dados, integração de sistemas e sofisticados algoritmos, apenas para citar alguns. Segundo representantes da MDA, tais conhecimentos, adquiridos e desenvolvidos em projetos em operação, são fundamentais para o efetivo funcionamento de redes complexas como a planejada para o SisGAAz.
Numa fase menos madura, embora bastante avançada, também já começam ocorrer movimentações industriais direcionadas ao PESE (ver matéria), programa de grande interesse da MDA e que deve envolver um forte elemento de transferência tecnológica e indústrias locais. Além desses grandes projetos de sistemas, os canadenses também estão atentos a outras oportunidades no País, como a ampliação de serviços de imagens por satélite – algo inerente ao Brasil por sua extensão territorial, e uma futura modernização do sofisticado radar de abertura sintética que equipa o R-99, um projeto que está em consideração pela FAB.
Identificando ameaças e práticas ilegais
Na visita da reportagem de T&D à MDA no Canadá, houve a oportunidade de acompanhar uma apresentação sobre o sistema BlueHawk, para a Consciência Situacional Marítima, disponível por meio de assinaturas mensais. Basicamente, trata-se de um serviço de informações da MDA que envolve a fusão de dados comerciais e não confidenciais, oriundos de satélites, sinais AIS e LRIT, dados de registro de navios e outros dados contextuais.
Dois exemplos reais do BlueHawk demonstram a importância de se dispor de meios eficazes de vigilância. Em janeiro de 2013, numa área de 500 km por 500 km na costa de São Paulo, imagens do satélite RADARSAT-2 identificaram 233 embarcações, enquanto que apenas 179 estavam transmitindo sinais AIS. Por regras internacionais, qualquer embarcação civil com tonelagem igual ou superior a 300 toneladas deve obrigatoriamente dispor de um transpônder AIS, permitindo o seu monitoramento por meio de sinais transmitidos a satélites.
Outra demonstração apontou uma prática ilegal, mas que é comum: navios-tanque que “lavam” seus tanques em alto mar, antes de chegarem aos portos. Com a “lavagem”, uma quantidade significativa de óleo e/ou outros produtos químicos são despejados no mar, causando poluição e deixando rastros que podem ser identificados por satélites. O BlueHawk imageou a prática e identificou o navio.
Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 136, março de 2014.
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quinta-feira, 24 de abril de 2014
"Por dentro do PESE"
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Por dentro do PESE - Conhecendo os seus propósitos e objetivos
André M. Mileski
a edição n.º 132, Tecnologia & Defesa traçou um panorama sobre as ações hoje em curso nas Forças Armadas brasileiras envolvendo sistemas espaciais, em particular, satélites, em linha com o preconizado pela Estratégia Nacional de Defesa (END), documento hoje basilar para qualquer política associada à defesa no País [veja a reportagem]. Na ocasião, foi focado o projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), finalmente contratado no final de 2013, e que proverá capacidade para o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS).
Também já esteve na pauta da revista, ainda que brevemente, a criação da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), constituída pelo Comando da Aeronáutica (ComAer), em fevereiro de 2012, para coordenar o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE).
Origem e justificativas
O Comando da Aeronáutica, juntamente com outros órgãos governamentais, foi incumbido na END da responsabilidade de buscar autonomia do ciclo completo associado ao campo espacial, que inclui a produção, lançamento, operação e reposição de sistemas espaciais, abrangendo desde veículos lançadores a satélites e seu segmento solo.
As diretrizes de implantação do PESE foram aprovadas pelo ComAer em maio de 2012, considerando um cenário de ações de curto, médio e longo prazos, num horizonte de 20 anos. O PESE aponta várias premissas operacionais e técnicas necessárias ao emprego de sistemas espaciais pelas Forças Armadas, com foco na definição de suas necessidades e requisitos. Os sistemas considerados no PESE devem atender, no campo militar, à modernização de variados sistemas atualmente em operação, como o Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA), o Sistema de Enlaces de Digitais da Aeronáutica (SISCENDA), o SISCOMIS, o Sistema Militar de Comando e Controle (SISMC2), e outros que estão em fase de planejamento ou implantação, como o Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras (SISFRON) e o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz).
Planeja-se ainda o uso de tais sistemas em apoio a iniciativas civis, como, por exemplo, em prevenção e ação em casos de grandes catástrofes ambientais, no Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), e no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), entre outros.
Premissas
Em sua arquitetura, o PESE apresenta alguns requisitos mínimos e premissas, como a realização de lançamentos anuais de satélites, a preferência por satélites de menor porte e com ciclo de vida mais reduzido, destinados a órbitas baixas, minimizando assim os custos de lançamento. Nos casos de comunicações e meteorologia, até pela natureza das missões, estão previstos satélites geoestacionários de maior porte. Ainda, as contratações dos sistemas quando realizadas no exterior deverão ser acompanhadas de cláusulas de compensação (conhecidas como offsets), buscando aumentar o conteúdo nacional e ganhos com participação industrial e transferência tecnológica em áreas críticas.
Tais premissas são fortemente inspiradas na busca de autonomia, não apenas operacional e técnica, mas também industrial, por meio do envolvimento crescente da Base Industrial de Defesa (BID).
Principais características
Inspirado pelo conceito de guerra centrada em rede (Net Centric Warfare), uma das principais inovações do PESE é o objetivo de se criar um Centro de Operações Espaciais (COPE), que será subordinado ao Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA) e sediado em Brasília (DF). Prevê-se a instalação de um COPE reserva, situado numa localidade diferente e afastada do centro principal, contando com alto grau de automação para minimizar a necessidade de pessoal.
Caberá ao COPE coordenar todas as atividades operacionais que façam uso de constelações de sistemas espaciais, oferecendo serviços nas áreas de comunicações, observação, mapeamento de informações, posicionamento e monitoramento espacial para o Ministério da Defesa e seus três Comandos, e outros usuários oficiais.
Em sua concepção, o PESE tem seis classes principais de “produtos” que deverão ser gerados por seus satélites e sensores em órbita: Comunicações; Observação da Terra; Mapeamento de Informações; Monitoramento do Espaço; Posicionamento; e o COPE, os quais são melhor detalhados em subclasses. No caso da Observação da Terra, por exemplo, figuram demandas como sensoriamento remoto ótico e radar, além de dados meteorológicos. É com base nessas classes e subclasses, que representam as necessidades operacionais das Forças Armadas em termos de dados gerados a partir do espaço, que serão definidos os requisitos técnicos e as constelações de satélites a serem implementados pelo programa, identificados especificamente como cada subprograma ou projeto.
Dependendo do contexto, também poderão ser levadas em conta alternativas que envolvam conceitos como Hosted Payloads (cargas úteis hospedadas), missões Piggyback (voo de “carona”) e Constelação Virtual, que podem resultar em economia de recursos e agilidade no acesso ao serviço buscado. Como no caso de Hosted Payloads, onde sensores são “hospedados” em satélites de terceiros, comerciais ou não. Este é o modelo até então utilizado pelo SISCOMIS, que tem transpônderes em banda X a bordo de satélites comerciais da operadora brasileira Star One, do grupo Embratel.
As missões em perfil Piggyback, significam o aproveitamento de capacidade ociosa em algum lançamento para acomodar satélites de menor porte. Já o conceito de Constelação Virtual, comumente utilizado na Europa e também por aliados dos norte-americanos em comunicações, envolve a participação numa constelação já existente por meio de acordos e contratos, de forma a viabilizar a utilização imediata dos dados ou capacidade de uma rede já em órbita, até que um satélite próprio seja incluído.
Num primeiro momento, o interesse do ComAer é por uma constelação de satélites de observação, mais precisamente óticos, que atenderiam a situações mais imediatas, em operação até o final desta década. Em seguida, viriam satélites radar, capazes de imagear diuturnamente a superfície terrestre mesmo com cobertura de nuvens.
Perspectivas mais imediatas
O orçamento federal aprovado pelo Congresso Nacional destina ao Ministério da Defesa recursos de R$113 milhões, montante suficiente para a implantação de alguns elementos previstos no PESE.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas por T&D, são aguardados avanços concretos do PESE para 2014, muito embora há que se considerar que possam haver atrasos em função do corte de R$ 3,5 bilhões anunciado no orçamento do Ministério da Defesa. Há quem entenda que não haverá tempo hábil para a assinatura de um primeiro contrato (ainda que haja recursos disponíveis), mas acredita-se que neste ano seja iniciado um processo visando à contratação de sistemas, como o envio de solicitações de propostas para fabricantes interessados.
Em paralelo, também começam a surgir movimentações industriais de grupos e empresas estrangeiras e nacionais visando participar do programa. Pelo que a reportagem de T&D pode apurar, o Ministério da Defesa trabalha com a ideia de contratar os sistemas do PESE lançando mão do mesmo artifício utilizado para o SGDC, isto é, por meio de uma prime contractor nacional, que atuaria como integradora dos satélites. Neste sentido, a Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture entre a Embraer e a estatal de telecomunicações Telebras, cuja criação foi “patrocinada” pelo SGDC, desponta como uma candidata natural. Junto às atividades de telecomunicações, a empresa já publicamente divulgou sua intenção de buscar oportunidades relacionadas ao PESE e também ao Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), sob a coordenação da Agência Espacial Brasileira.
Nos bastidores, comenta-se sobre a possibilidade de que outras companhias e conglomerados industriais nacionais também buscarem exercer o papel de prime contractor do programa. Seria o caso da Odebrecht Defesa e Tecnologia e sua controlada Mectron, de São José dos Campos (SP), que já possui alguma atuação no setor espacial fornecendo subsistemas para satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre outros.
Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 136, março de 2014.
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Por dentro do PESE - Conhecendo os seus propósitos e objetivos
André M. Mileski
a edição n.º 132, Tecnologia & Defesa traçou um panorama sobre as ações hoje em curso nas Forças Armadas brasileiras envolvendo sistemas espaciais, em particular, satélites, em linha com o preconizado pela Estratégia Nacional de Defesa (END), documento hoje basilar para qualquer política associada à defesa no País [veja a reportagem]. Na ocasião, foi focado o projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), finalmente contratado no final de 2013, e que proverá capacidade para o Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS).
Também já esteve na pauta da revista, ainda que brevemente, a criação da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE), constituída pelo Comando da Aeronáutica (ComAer), em fevereiro de 2012, para coordenar o Programa Estratégico de Sistemas Espaciais (PESE).
Origem e justificativas
O Comando da Aeronáutica, juntamente com outros órgãos governamentais, foi incumbido na END da responsabilidade de buscar autonomia do ciclo completo associado ao campo espacial, que inclui a produção, lançamento, operação e reposição de sistemas espaciais, abrangendo desde veículos lançadores a satélites e seu segmento solo.
As diretrizes de implantação do PESE foram aprovadas pelo ComAer em maio de 2012, considerando um cenário de ações de curto, médio e longo prazos, num horizonte de 20 anos. O PESE aponta várias premissas operacionais e técnicas necessárias ao emprego de sistemas espaciais pelas Forças Armadas, com foco na definição de suas necessidades e requisitos. Os sistemas considerados no PESE devem atender, no campo militar, à modernização de variados sistemas atualmente em operação, como o Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA), o Sistema de Enlaces de Digitais da Aeronáutica (SISCENDA), o SISCOMIS, o Sistema Militar de Comando e Controle (SISMC2), e outros que estão em fase de planejamento ou implantação, como o Sistema Integrado de Monitoramento das Fronteiras (SISFRON) e o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz).
Planeja-se ainda o uso de tais sistemas em apoio a iniciativas civis, como, por exemplo, em prevenção e ação em casos de grandes catástrofes ambientais, no Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM), e no Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), entre outros.
Premissas
Em sua arquitetura, o PESE apresenta alguns requisitos mínimos e premissas, como a realização de lançamentos anuais de satélites, a preferência por satélites de menor porte e com ciclo de vida mais reduzido, destinados a órbitas baixas, minimizando assim os custos de lançamento. Nos casos de comunicações e meteorologia, até pela natureza das missões, estão previstos satélites geoestacionários de maior porte. Ainda, as contratações dos sistemas quando realizadas no exterior deverão ser acompanhadas de cláusulas de compensação (conhecidas como offsets), buscando aumentar o conteúdo nacional e ganhos com participação industrial e transferência tecnológica em áreas críticas.
Tais premissas são fortemente inspiradas na busca de autonomia, não apenas operacional e técnica, mas também industrial, por meio do envolvimento crescente da Base Industrial de Defesa (BID).
Principais características
Inspirado pelo conceito de guerra centrada em rede (Net Centric Warfare), uma das principais inovações do PESE é o objetivo de se criar um Centro de Operações Espaciais (COPE), que será subordinado ao Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (COMDABRA) e sediado em Brasília (DF). Prevê-se a instalação de um COPE reserva, situado numa localidade diferente e afastada do centro principal, contando com alto grau de automação para minimizar a necessidade de pessoal.
Caberá ao COPE coordenar todas as atividades operacionais que façam uso de constelações de sistemas espaciais, oferecendo serviços nas áreas de comunicações, observação, mapeamento de informações, posicionamento e monitoramento espacial para o Ministério da Defesa e seus três Comandos, e outros usuários oficiais.
Em sua concepção, o PESE tem seis classes principais de “produtos” que deverão ser gerados por seus satélites e sensores em órbita: Comunicações; Observação da Terra; Mapeamento de Informações; Monitoramento do Espaço; Posicionamento; e o COPE, os quais são melhor detalhados em subclasses. No caso da Observação da Terra, por exemplo, figuram demandas como sensoriamento remoto ótico e radar, além de dados meteorológicos. É com base nessas classes e subclasses, que representam as necessidades operacionais das Forças Armadas em termos de dados gerados a partir do espaço, que serão definidos os requisitos técnicos e as constelações de satélites a serem implementados pelo programa, identificados especificamente como cada subprograma ou projeto.
Dependendo do contexto, também poderão ser levadas em conta alternativas que envolvam conceitos como Hosted Payloads (cargas úteis hospedadas), missões Piggyback (voo de “carona”) e Constelação Virtual, que podem resultar em economia de recursos e agilidade no acesso ao serviço buscado. Como no caso de Hosted Payloads, onde sensores são “hospedados” em satélites de terceiros, comerciais ou não. Este é o modelo até então utilizado pelo SISCOMIS, que tem transpônderes em banda X a bordo de satélites comerciais da operadora brasileira Star One, do grupo Embratel.
As missões em perfil Piggyback, significam o aproveitamento de capacidade ociosa em algum lançamento para acomodar satélites de menor porte. Já o conceito de Constelação Virtual, comumente utilizado na Europa e também por aliados dos norte-americanos em comunicações, envolve a participação numa constelação já existente por meio de acordos e contratos, de forma a viabilizar a utilização imediata dos dados ou capacidade de uma rede já em órbita, até que um satélite próprio seja incluído.
Num primeiro momento, o interesse do ComAer é por uma constelação de satélites de observação, mais precisamente óticos, que atenderiam a situações mais imediatas, em operação até o final desta década. Em seguida, viriam satélites radar, capazes de imagear diuturnamente a superfície terrestre mesmo com cobertura de nuvens.
Perspectivas mais imediatas
O orçamento federal aprovado pelo Congresso Nacional destina ao Ministério da Defesa recursos de R$113 milhões, montante suficiente para a implantação de alguns elementos previstos no PESE.
Segundo pessoas familiarizadas com o assunto ouvidas por T&D, são aguardados avanços concretos do PESE para 2014, muito embora há que se considerar que possam haver atrasos em função do corte de R$ 3,5 bilhões anunciado no orçamento do Ministério da Defesa. Há quem entenda que não haverá tempo hábil para a assinatura de um primeiro contrato (ainda que haja recursos disponíveis), mas acredita-se que neste ano seja iniciado um processo visando à contratação de sistemas, como o envio de solicitações de propostas para fabricantes interessados.
Em paralelo, também começam a surgir movimentações industriais de grupos e empresas estrangeiras e nacionais visando participar do programa. Pelo que a reportagem de T&D pode apurar, o Ministério da Defesa trabalha com a ideia de contratar os sistemas do PESE lançando mão do mesmo artifício utilizado para o SGDC, isto é, por meio de uma prime contractor nacional, que atuaria como integradora dos satélites. Neste sentido, a Visiona Tecnologia Espacial, joint-venture entre a Embraer e a estatal de telecomunicações Telebras, cuja criação foi “patrocinada” pelo SGDC, desponta como uma candidata natural. Junto às atividades de telecomunicações, a empresa já publicamente divulgou sua intenção de buscar oportunidades relacionadas ao PESE e também ao Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE), sob a coordenação da Agência Espacial Brasileira.
Nos bastidores, comenta-se sobre a possibilidade de que outras companhias e conglomerados industriais nacionais também buscarem exercer o papel de prime contractor do programa. Seria o caso da Odebrecht Defesa e Tecnologia e sua controlada Mectron, de São José dos Campos (SP), que já possui alguma atuação no setor espacial fornecendo subsistemas para satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre outros.
Fonte: revista Tecnologia & Defesa n.º 136, março de 2014.
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quinta-feira, 15 de agosto de 2013
SGDC: nota do Ministério da Defesa
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Satélite geoestacionário vai ampliar capacidade de cobertura das comunicações militares
Brasília, 15/08/2013 – O novo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas – SGDC, a ser lançado pelo Brasil, vai possibilitar o aumento da capacidade de cobertura das comunicações das Forças Armadas.
O equipamento contará com a Banda X, composta por cinco transponderes suficientes para ampliar a largura de banda de 160 MHz, e o aumento de potência em cerca de dez vezes, em comparação ao satélite da Star One, atualmente alugado pelo Ministério da Defesa (MD).
Segundo fontes do ministério, o aumento possibilitará ampliar o atendimento aos demais projetos da Defesa, principalmente o Sisfron, de monitoramento das fronteiras terrestres. O projeto do SGDC prevê, ainda, o lançamento de mais dois satélites espaçados em mais ou menos cinco anos.
A expectativa do MD é que o satélite seja lançado em agosto de 2016. Esta semana, o Comitê Diretor do Projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) anunciou a indicação das empresas Thales Alenia Space (TAS), para fornecimento do satélite, e da Arianespace, para o lançamento do artefato. Foram analisadas três propostas: Mitsubishi Eletric Corporation, Space System/Loral e Thales Alenia Space.
De acordo com comunicado divulgado pelo Ministério das Comunicações e pela Telebras, o processo de escolha pelo Comitê Diretor levou em consideração os seguintes critérios de análise: solução técnica, cronograma, riscos, condições contratuais, condições de absorção e transferência de tecnologia e custo global do projeto. O Comitê é composto por representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Ministério das Comunicações e do Ministério da Defesa.
O SGDC atenderá às necessidades do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), da Telebras, e também um amplo espectro de comunicações estratégicas brasileiras nos âmbitos civil e militar.
“Com o satélite geoestacionário, o Brasil ampliará o acesso à banda larga de internet para todo o território brasileiro e terá assegurada a soberania em suas comunicações estratégicas, tanto na área civil quanto na militar”, afirma o presidente da Telebras, Caio Bonilha.
Atualmente, existem mais de 2 mil municípios brasileiros com condições de difícil acesso para chegada de uma rede de fibra óptica terrestre. Eles seriam atendidos por meio do satélite.
Para o presidente da Visiona, Nelson Salgado, “a seleção destes fornecedores encerra uma etapa importante do processo de definição do sistema SGDC, criando condições para que o contrato entre Visiona e Telebras seja assinado e o trabalho de desenvolvimento do sistema possa ser efetivamente iniciado”. Os termos e condições do contrato entre Visiona e Telebras serão divulgados oportunamente, quando da sua assinatura.
Centros de controle
Outro fator considerado importante pelo MD é que os centros de controle – principal e reserva – do satélite geoestacionário ficarão em Organizações Militares (OM) e operados conjuntamente pela Defesa e pela Telebras. Atualmente, os satélites alugados têm seu centro de controle em uma área da Star One, no estado do Rio de Janeiro.
Banda larga e Visiona
O Programa Nacional de Banda Larga foi criado pelo Decreto nº 7.175, de 12 de maio de 2010. O objetivo do Programa é expandir a infraestrutura e os serviços de telecomunicações, promovendo o acesso pela população e buscando as melhores condições de preço, cobertura e qualidade. A meta é proporcionar o acesso à banda larga a 40 milhões de domicílios brasileiros até 2014 à velocidade de no mínimo 1 Mbps.
A Visiona Tecnologia Espacial S.A. é uma empresa dos grupos Embraer (51%) e Telebras (49%), controlada pela Embraer e constituída com o objetivo inicial de atuar na integração do sistema do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) do governo brasileiro, que visa atender às necessidades de comunicação satelital do Governo Federal, incluindo o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) e um amplo espectro de comunicações estratégicas de defesa. A Visiona deverá também se capacitar como uma futura empresa integadora e mesmo fornecedora de novos satélites no mercado brasileiro.
Fonte: Ministério da Defesa.
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Satélite geoestacionário vai ampliar capacidade de cobertura das comunicações militares
Brasília, 15/08/2013 – O novo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas – SGDC, a ser lançado pelo Brasil, vai possibilitar o aumento da capacidade de cobertura das comunicações das Forças Armadas.
O equipamento contará com a Banda X, composta por cinco transponderes suficientes para ampliar a largura de banda de 160 MHz, e o aumento de potência em cerca de dez vezes, em comparação ao satélite da Star One, atualmente alugado pelo Ministério da Defesa (MD).
Segundo fontes do ministério, o aumento possibilitará ampliar o atendimento aos demais projetos da Defesa, principalmente o Sisfron, de monitoramento das fronteiras terrestres. O projeto do SGDC prevê, ainda, o lançamento de mais dois satélites espaçados em mais ou menos cinco anos.
A expectativa do MD é que o satélite seja lançado em agosto de 2016. Esta semana, o Comitê Diretor do Projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) anunciou a indicação das empresas Thales Alenia Space (TAS), para fornecimento do satélite, e da Arianespace, para o lançamento do artefato. Foram analisadas três propostas: Mitsubishi Eletric Corporation, Space System/Loral e Thales Alenia Space.
De acordo com comunicado divulgado pelo Ministério das Comunicações e pela Telebras, o processo de escolha pelo Comitê Diretor levou em consideração os seguintes critérios de análise: solução técnica, cronograma, riscos, condições contratuais, condições de absorção e transferência de tecnologia e custo global do projeto. O Comitê é composto por representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Ministério das Comunicações e do Ministério da Defesa.
O SGDC atenderá às necessidades do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), da Telebras, e também um amplo espectro de comunicações estratégicas brasileiras nos âmbitos civil e militar.
“Com o satélite geoestacionário, o Brasil ampliará o acesso à banda larga de internet para todo o território brasileiro e terá assegurada a soberania em suas comunicações estratégicas, tanto na área civil quanto na militar”, afirma o presidente da Telebras, Caio Bonilha.
Atualmente, existem mais de 2 mil municípios brasileiros com condições de difícil acesso para chegada de uma rede de fibra óptica terrestre. Eles seriam atendidos por meio do satélite.
Para o presidente da Visiona, Nelson Salgado, “a seleção destes fornecedores encerra uma etapa importante do processo de definição do sistema SGDC, criando condições para que o contrato entre Visiona e Telebras seja assinado e o trabalho de desenvolvimento do sistema possa ser efetivamente iniciado”. Os termos e condições do contrato entre Visiona e Telebras serão divulgados oportunamente, quando da sua assinatura.
Centros de controle
Outro fator considerado importante pelo MD é que os centros de controle – principal e reserva – do satélite geoestacionário ficarão em Organizações Militares (OM) e operados conjuntamente pela Defesa e pela Telebras. Atualmente, os satélites alugados têm seu centro de controle em uma área da Star One, no estado do Rio de Janeiro.
Banda larga e Visiona
O Programa Nacional de Banda Larga foi criado pelo Decreto nº 7.175, de 12 de maio de 2010. O objetivo do Programa é expandir a infraestrutura e os serviços de telecomunicações, promovendo o acesso pela população e buscando as melhores condições de preço, cobertura e qualidade. A meta é proporcionar o acesso à banda larga a 40 milhões de domicílios brasileiros até 2014 à velocidade de no mínimo 1 Mbps.
A Visiona Tecnologia Espacial S.A. é uma empresa dos grupos Embraer (51%) e Telebras (49%), controlada pela Embraer e constituída com o objetivo inicial de atuar na integração do sistema do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) do governo brasileiro, que visa atender às necessidades de comunicação satelital do Governo Federal, incluindo o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) e um amplo espectro de comunicações estratégicas de defesa. A Visiona deverá também se capacitar como uma futura empresa integadora e mesmo fornecedora de novos satélites no mercado brasileiro.
Fonte: Ministério da Defesa.
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domingo, 28 de julho de 2013
As "cinco irmãs" no setor de defesa [e espaço]
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Na coluna "Defesa & Negócios" da edição n.º 133 da revista Tecnologia & Defesa, que está nas bancas, há um pequeno artigo com uma análise sobre o interesse das grandes empreiteiras brasileiras pelo setor de defesa, que se estende para o setor espacial (em particular depois da edição do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais - PESE, e do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas - SGDC). Reproduzimos o artigo a seguir, com algumas atualizações obtidas após o seu fechamento no último mês de junho:
As "cinco irmãs" no setor de defesa
André M. Mileski
Nas últimas décadas, as maiores construtoras brasileiras têm tido papel de grande relevância no desenvolvimento do País, atuando não apenas na construção civil e gerenciamento de grandes obras de infraestrutura, mas também em setores considerados estratégicos, como os de energia, petróleo e gás, petroquímico, comunicações, naval e serviços públicos, entre outros. No final de 2008, com a edição da Estratégia Nacional de Defesa (END), as perspectivas de grandes investimentos governamentais nas áreas de defesa e segurança e o desejo do governo em fomentar a criação de grandes atores industriais, as principais delas, como a Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS e Queiroz Galvão (conhecidas como “as cinco irmãs”), passaram a olhar atentamente o setor. A seguir uma breve análise sobre as movimentações de cada um destes grupos.
Odebrecht
O primeiro grande grupo a estruturar seus negócios no setor foi a Odebrecht que, em janeiro de 2009, se associou à DCNS, da França, para a constituição de uma joint-venture para a construção de um estaleiro e submarinos para a Marinha do Brasil (MB), no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). Desde então, o grupo passou a analisar diversas oportunidades, inclusive de aquisições e parcerias. Em maio de 2010, juntou-se à Cassidian (então EADS Defence & Security) para projetos de monitoramento de fronteiras, dentre os quais o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), do Exército Brasileiro. A parceria com a Cassidian foi dissolvida no início deste ano. Em março de 2011, adquiriu a "missile house" brasileira Mectron e nos últimos anos também manteve conversações visando à aquisição da Avibras e Opto Eletrônica. [Nota do blog: diversas empresas e grupos nacionais e estrangeiros, inclusive a Odebrecht, continuam análises e conversações visando a aquisição da Opto]
Em outubro de 2012, a Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT) - divisão que reúne todos os negócios do grupo no setor de defesa, firmou com a estatal Russian Technologies State Corporation um memorando de entendimentos visando à formação de uma joint venture para projetos militares, tais como a fabricação no País de helicópteros Mi-17, e sistemas de defesa aérea, onde há negociações em andamento com o Ministério da Defesa para a aquisição e produção local de sistemas de mísseis, iniciativa que deverá contar com a participação da Mectron. Especula-se que a ODT vá também participar do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), envolvendo-se com a infraestrutura terrestre.
[Nota do blog: após a publicação desta pequena reportagem, T&D / blog Panorama Espacial receberam a informação, ainda não confirmada, de que a Odebrecht também estaria interessada no segmento de lançadores, em associação com a italiana Avio. Faremos uma análise específica sobre as perspectivas em lançadores muito em breve. Adicionalmente, vale citar que a ODT foi uma das 69 empresas pré-selecionadas no programa Inova Aerodefesa]
Andrade Gutierrez
A Andrade Gutierrez tem apostado suas fichas em defesa associada ao grupo francês Thales, formalizada no início de 2012, por meio da constituição de uma empresa estratégica de defesa, controlada pela Andrade Gutierrez (60%), cujo objetivo foi o de “somar competências para atuar em determinados projetos no setor de defesa e segurança, oferecendo soluções para o desenvolvimento e gestão de sistemas complexos de monitoramento e comunicação civis e militares para determinados projetos.” Desde então, o grupo tem participado de concorrências em programas complexos, como o SISFRON, e também tem demonstrado interesse em outras iniciativas, como comunicações. Na LAAD 2013, realizada em abril, apresentou soluções desenvolvidas pela Veotex, uma de suas empresas controladas, que atua nos segmentos de monitoramento eletrônico integrado de imagens, vídeo alarme e controle de acessos.
[Nota do blog: a Andrade Gutierrez tem estado próxima da Embraer, e comenta-se que será a responsável pelas obras civis associadas ao SISFRON. A Andrade Gutierrez Defesa e Segurança foi também uma das empresas pré-selecionadas no programa Inova Aerodefesa]
Camargo Corrêa
De todas as grandes, a Camargo Corrêa é a menos envolvida, o que não significa dizer que não tenha interesses na área. Nos bastidores, é eventualmente citada como candidata a se envolver no Programa de Obtenção de Meios de Superfície (PROSUPER), da MB, o que poderia se dar por meio do estaleiro Atlântico Sul, uma das maiores empresas de construção naval da América do Sul, da qual detém importante participação societária. O setor espacial, em particular a área de lançadores, também está no radar do grupo industrial paulista.
OAS
A construtora baiana OAS recentemente constituiu uma empresa para iniciativas em defesa e segurança, a OAS Defesa S/A, criada com o intuito de desenvolver e oferecer soluções operacionais nesses segmentos. A empresa se associou à Rafael, de Israel, para a apresentação de proposta de implementação do Sistema de Coordenação de Operações Terrestres Interagências (SisCoti), que integra o Projeto Proteger, do Exército Brasileiro (ver T&D nº 132). Em 2012, na concorrência para a primeira fase do SISFRON, a OAS apresentou proposta associada à Selex, do grupo italiano Finmeccanica.
[Nota do blog: a OAS Defesa também foi pré-selecionada no programa Inova Aerodefesa]
Queiroz Galvão
Na concorrência para a primeira fase do SISFRON, a Queiroz Galvão fez parte do consórcio Fronteiras, em conjunto com a Flight Technologies e o grupo norte-americano Northrop Grumman. Bastante discreta, em outubro de 2012 assinou uma carta de intenções com o grupo Safran (proprietário da SNECMA, Turbomeca, Sagem, entre outras empresas do segmento aeroespacial e de defesa), para projetos não revelados. O grupo pernambucano é também sócio da Camargo Corrêa no estaleiro Atlântico Sul.
[Nota do blog: a Queiroz Galvão Tecnologia em Defesa e Segurança também foi pré-selecionada no programa Inova Aerodefesa]
Fonte: Tecnologia & Defesa n.º 133, julho de 2013.
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Na coluna "Defesa & Negócios" da edição n.º 133 da revista Tecnologia & Defesa, que está nas bancas, há um pequeno artigo com uma análise sobre o interesse das grandes empreiteiras brasileiras pelo setor de defesa, que se estende para o setor espacial (em particular depois da edição do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais - PESE, e do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas - SGDC). Reproduzimos o artigo a seguir, com algumas atualizações obtidas após o seu fechamento no último mês de junho:
As "cinco irmãs" no setor de defesa
André M. Mileski
Nas últimas décadas, as maiores construtoras brasileiras têm tido papel de grande relevância no desenvolvimento do País, atuando não apenas na construção civil e gerenciamento de grandes obras de infraestrutura, mas também em setores considerados estratégicos, como os de energia, petróleo e gás, petroquímico, comunicações, naval e serviços públicos, entre outros. No final de 2008, com a edição da Estratégia Nacional de Defesa (END), as perspectivas de grandes investimentos governamentais nas áreas de defesa e segurança e o desejo do governo em fomentar a criação de grandes atores industriais, as principais delas, como a Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS e Queiroz Galvão (conhecidas como “as cinco irmãs”), passaram a olhar atentamente o setor. A seguir uma breve análise sobre as movimentações de cada um destes grupos.
Odebrecht
O primeiro grande grupo a estruturar seus negócios no setor foi a Odebrecht que, em janeiro de 2009, se associou à DCNS, da França, para a constituição de uma joint-venture para a construção de um estaleiro e submarinos para a Marinha do Brasil (MB), no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). Desde então, o grupo passou a analisar diversas oportunidades, inclusive de aquisições e parcerias. Em maio de 2010, juntou-se à Cassidian (então EADS Defence & Security) para projetos de monitoramento de fronteiras, dentre os quais o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), do Exército Brasileiro. A parceria com a Cassidian foi dissolvida no início deste ano. Em março de 2011, adquiriu a "missile house" brasileira Mectron e nos últimos anos também manteve conversações visando à aquisição da Avibras e Opto Eletrônica. [Nota do blog: diversas empresas e grupos nacionais e estrangeiros, inclusive a Odebrecht, continuam análises e conversações visando a aquisição da Opto]
Em outubro de 2012, a Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT) - divisão que reúne todos os negócios do grupo no setor de defesa, firmou com a estatal Russian Technologies State Corporation um memorando de entendimentos visando à formação de uma joint venture para projetos militares, tais como a fabricação no País de helicópteros Mi-17, e sistemas de defesa aérea, onde há negociações em andamento com o Ministério da Defesa para a aquisição e produção local de sistemas de mísseis, iniciativa que deverá contar com a participação da Mectron. Especula-se que a ODT vá também participar do projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), envolvendo-se com a infraestrutura terrestre.
[Nota do blog: após a publicação desta pequena reportagem, T&D / blog Panorama Espacial receberam a informação, ainda não confirmada, de que a Odebrecht também estaria interessada no segmento de lançadores, em associação com a italiana Avio. Faremos uma análise específica sobre as perspectivas em lançadores muito em breve. Adicionalmente, vale citar que a ODT foi uma das 69 empresas pré-selecionadas no programa Inova Aerodefesa]
Andrade Gutierrez
A Andrade Gutierrez tem apostado suas fichas em defesa associada ao grupo francês Thales, formalizada no início de 2012, por meio da constituição de uma empresa estratégica de defesa, controlada pela Andrade Gutierrez (60%), cujo objetivo foi o de “somar competências para atuar em determinados projetos no setor de defesa e segurança, oferecendo soluções para o desenvolvimento e gestão de sistemas complexos de monitoramento e comunicação civis e militares para determinados projetos.” Desde então, o grupo tem participado de concorrências em programas complexos, como o SISFRON, e também tem demonstrado interesse em outras iniciativas, como comunicações. Na LAAD 2013, realizada em abril, apresentou soluções desenvolvidas pela Veotex, uma de suas empresas controladas, que atua nos segmentos de monitoramento eletrônico integrado de imagens, vídeo alarme e controle de acessos.
[Nota do blog: a Andrade Gutierrez tem estado próxima da Embraer, e comenta-se que será a responsável pelas obras civis associadas ao SISFRON. A Andrade Gutierrez Defesa e Segurança foi também uma das empresas pré-selecionadas no programa Inova Aerodefesa]
Camargo Corrêa
De todas as grandes, a Camargo Corrêa é a menos envolvida, o que não significa dizer que não tenha interesses na área. Nos bastidores, é eventualmente citada como candidata a se envolver no Programa de Obtenção de Meios de Superfície (PROSUPER), da MB, o que poderia se dar por meio do estaleiro Atlântico Sul, uma das maiores empresas de construção naval da América do Sul, da qual detém importante participação societária. O setor espacial, em particular a área de lançadores, também está no radar do grupo industrial paulista.
OAS
A construtora baiana OAS recentemente constituiu uma empresa para iniciativas em defesa e segurança, a OAS Defesa S/A, criada com o intuito de desenvolver e oferecer soluções operacionais nesses segmentos. A empresa se associou à Rafael, de Israel, para a apresentação de proposta de implementação do Sistema de Coordenação de Operações Terrestres Interagências (SisCoti), que integra o Projeto Proteger, do Exército Brasileiro (ver T&D nº 132). Em 2012, na concorrência para a primeira fase do SISFRON, a OAS apresentou proposta associada à Selex, do grupo italiano Finmeccanica.
[Nota do blog: a OAS Defesa também foi pré-selecionada no programa Inova Aerodefesa]
Queiroz Galvão
Na concorrência para a primeira fase do SISFRON, a Queiroz Galvão fez parte do consórcio Fronteiras, em conjunto com a Flight Technologies e o grupo norte-americano Northrop Grumman. Bastante discreta, em outubro de 2012 assinou uma carta de intenções com o grupo Safran (proprietário da SNECMA, Turbomeca, Sagem, entre outras empresas do segmento aeroespacial e de defesa), para projetos não revelados. O grupo pernambucano é também sócio da Camargo Corrêa no estaleiro Atlântico Sul.
[Nota do blog: a Queiroz Galvão Tecnologia em Defesa e Segurança também foi pré-selecionada no programa Inova Aerodefesa]
Fonte: Tecnologia & Defesa n.º 133, julho de 2013.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Reportagem: "Brazil gets its momentum"
Na edição de julho - agosto da European Defence & Security Review, publicação editada pela European Security and Defence Press Association (ESDPA), foi publicada uma reportagem de minha autoria abordando brevemente os principais programas de defesa em desenvolvimento no Brasil.
A reportagem foi preparada há cerca de dois meses e, portanto, possui algumas informações desatualizadas (a seleção da Embraer Defesa e Segurança para a primeira fase do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras - SISFRON, por exemplo), mas busca transmitir um panorama sobre os principais projetos em andamento no Brasil, como o F-X2 (caças), helicópteros, PROSUB (submarinos), PROSUPER (navios de superfície para a Marinha), Guarani (veículos blindados para o Exército), SISFRON e SisGAAz, entre outros. De forma não aprofundada, também é abordado o projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC).
Para ler a reportagem (a partir da página 24), em inglês, clique aqui.
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Embraer leva o Sisfron
Exército Brasileiro escolhe consórcio formado pela Savis e Orbisat para o Sisfron
24/08/2012
O consórcio Tepro, formado por Savis Tecnologia e Sistemas S/A e OrbiSat Indústria e Aerolevantamento S/A, empresas controladas pela Embraer Defesa e Segurança, foi o único escolhido pelo Exército Brasileiro para a próxima fase do processo de seleção do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfon). A etapa seguinte será a negociação do contrato.
A fase inicial de implementação do Sisfron contemplará o monitoramento da fronteira terrestre na área sob responsabilidade do Comando Militar do Oeste. Na sua totalidade, o Sisfron compreende a vigilância e proteção das fronteiras terrestres do País em uma faixa de 16.886 quilômetros que separa o Brasil de 11 países vizinhos e se estende por dez estados e 27% do território nacional.
A Savis, empresa da Embraer Defesa e Segurança, foi criada para atuar na gestão integrada de projetos de monitoramento e controle de fronteiras, estruturas estratégicas e recursos naturais, de acordo com as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa. O objetivo da Savis é fazer frente às necessidades brasileiras no setor de defesa e segurança estimulando o desenvolvimento tecnológico nacional, inclusive para posterior exportação, fortalecendo assim a indústria nacional e a balança comercial brasileira.
A Embraer Defesa e Segurança conta com mais de 40 anos de experiência no fornecimento de plataformas e sistemas superiores às forças de defesa de todo o mundo. Com presença crescente no mercado global, cumpre papel estratégico no sistema de defesa do Brasil. O portfólio da Embraer Defesa e Segurança e de suas coligadas inclui aviões militares, tecnologias de radar de última geração, veículos aéreos não tripulados (VANT) e sistemas avançados de informação e comunicação, como as aplicações de Comando, Controle, Comunicações, Computação e Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (C4ISR). Os aviões e as soluções militares da Embraer estão presentes em mais de 50 forças armadas de 48 países.
Fonte: Embraer Defesa e Segurança, via Tecnologia & Defesa.
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segunda-feira, 2 de julho de 2012
Avibras no setor espacial
Durante a Eurosatory 2012, tradicional feira do setor de defesa que acontece em junho, a cada dois anos, em Paris, Tecnologia & Defesa conversou com Sami Hassuani, presidente da Avibras Aeroespacial, uma das principais indústrias brasileiras dos setores aeroespacial e de defesa.
Na conversa, T&D buscou abordar projetos que vão além do tradicional sistema ASTROS (Artillery SaTuration ROcket System), produto que tornou a companhia brasileira mundialmente conhecida. Atualmente, a Avibras está engajada no desenvolvimento do ASTROS 2020, projeto que foi, inclusive, beneficiado com recursos do PAC Equipamentos, anunciado semana passada. Entre os assuntos, o envolvimento da empresa com o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), a Avibras no setor espacial e defesa aérea.
Em relação ao Sisfron, hoje, 2 de julho, é o prazo final para a entrega de propostas em resposta ao RFP (Request for Proposal) enviado pelo Exército Brasileiro (EB). Conforme revelado por T&D durante a Eurosatory, a Avibras se juntou ao consórcio formado por Thales e Andrade Gutierrez e deve apresentar proposta, contribuindo com seus conhecimentos e habilidades em comando e controle.
Sami Hassuani afirmou que a companhia quer participar do Sisfron de forma "colaborativa", em linha com os desejos do EB. Hassuani afirmou que o bom relacionamento com a Andrade Gutierrez foi importante para a participação da Avibras no consórcio, assim como sua relação, dos tempos de faculdade, com Orlando Ferreira Neto, ex-vice-presidente da Embraer Defesa e Segurança e atual presidente da joint-venture entre a Thales e Andrade Gutierrez.
Área espacial
Hassuani lembrou que a Avibras no passado já se envolveu ou buscou se envolver com projetos de telecomunicações via satélite e subsistemas para satélites. Na década de oitenta, a empresa foi responsável pela fabricação de diversas antenas de grandes dimensões (até 12 metros de diâmetro) para o segmento terrestre do Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS).
Os atuais interesses da Avibras nessa área são mais focados na área de lançadores. Após desenvolver o Foguete de Treinamento Básico (FTB) e o Foguete de Treinamento Intermediário (FTI) para o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA), a empresa tem expectativa de iniciar o desenvolvimento no Foguete de Treinamento Avançado (FTA), projeto ainda pendente de alocação de recursos. Este contaria com dois estágios, com o primeiro sendo um novo desenvolvimento, e o segundo o propulsor do FTB.
O FTB e FTI são baseados nos foguetes usados pelo sistema ASTROS II, e tem sido eventualmente usados para testes, qualificação e treinamento de equipes nos Centros de Lançamento de Alcântara e da Barreira do Inferno (CLBI), em substituição aos foguetes SBAT 70, também da Avibras, anteriormente usados.
O executivo lembrou a experiência da Avibras em foguetes, tendo participado na década de setenta e oitenta do desenvolvimento de foguetes da família SONDA. Atualmente, a companhia é a única fabricante privada brasileira de perclorato de amônio (um dos componentes do propelente sólido do VLS e de outros foguetes nacionais), o que, aliada a sua experiência em foguetes, a coloca como forte interessada em desenvolvimentos na área de lançadores.
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domingo, 17 de junho de 2012
END, Sistemas Espaciais e a CCISE
Desde a edição da Estratégia Nacional de Defesa (END), no final de 2008, temos frequentemente abordado no blog iniciativas em atividades espaciais relacionadas às diretrizes da END. Em postagem de meados de 2009 ("Estratégia Nacional de Defesa e Espaço"), destacamos os trechos "espaciais" da END, como lançadores e satélites (de comunicações, sensoriamento remoto, tanto ótico como radar, e meteorologia). De tempos em tempos, também discorremos sobre as intenções e planos do Comando da Aeronáutica, por meio do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE/DCTA), em matéria de meios de acesso ao espaço.
Dos projetos espaciais direta ou indiretamente citados na END, o Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB) é o programa que se encontra em estágio mais avançado, com orçamento e caminho a ser percorrido já definidos. Mas, há também outros, como, por exemplo, satélites de observação terrestre, necessários aos sistemas de monitoramento de fronteiras e costa marítima (Sisfron e SisGAAz). Em fevereiro de 2012, a partir da análise de publicação oficial sobre a Estratégia Nacional de CT&I, tratamos brevemente desses satélites, que exigirão, segundo números do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, investimentos de 900 milhões de reais até 2020.
A CCISE
Levando-se em conta a END e as iniciativas espaciais em andamento no âmbito da Defesa, e também com o intuito de melhor organizar todas as ações em andamento, o Comando da Aeronáutica constituiu no final de fevereiro, e sem alarde, a Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE).
Criada por meio da Portaria nº 79/GC3, de 29 de fevereiro de 2012, do Comando da Aeronáutica, a CCISE teve seu presidente indicado alguns dias depois, em 7 de março. O indicado foi o Brigadeiro-do-Ar Carlos Vuyk de Aquino, que também preside a Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA), organização do Comando da Aeronáutica envolvida com a implantação e operação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB). A CISCEA, aliás, tem prestado apoio administrativo à CCISE.
Em 17 de abril, a Portaria nº 79/GC3 foi revogada e substituída pela Portaria nº 184/GC3, que estabelece as seguintes atribuições à Comissão:
"I - Definir, sob supervisão do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER) e em coordenação com o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), com os Estados-Maiores da Armada (EMA) e do Exército (EME), as estratégias de implantação, de integração e de financiamento de sistemas espaciais relativos à defesa;
II - Dirigir, coordenar e integrar, à luz das diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa e em estreita ligação com o EMCFA, o EMA, o EME e o EMAER, todos os trabalhos concernentes à concepção, à definição de requisitos, à integração e à implantação de sistemas espaciais concernentes à defesa, incluindo os respectivos segmentos orbitais e a relativa infraestrutura de operação, tanto dos componentes de uso exclusivo do Ministério da Defesa quanto daqueles de uso compartilhado com outros órgãos públicos e/ou privados; e
III - Representar, após prévia coordenação, o Ministério da Defesa e as Forças Singulares, em todos os atos que se fizerem necessários à implantação de sistemas espaciais relativos à defesa."
Em breve, o blog trará mais informações sobre a CCISE e as atividades e projetos espaciais relacionados à END.
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quinta-feira, 14 de junho de 2012
Eurosatory: Sagem leva a Optovac
Ontem (13), durante a Eurosatory, feira que acontece esta semana em Paris, na França, a empresa francesa Sagem, do grupo Safran, anunciou a aquisição, por um valor não revelado, da Optovac, indústria brasileira especializada no desenvolvimento e fabricação de sistemas optrônicos e de visão noturna. "A aquisição reflete a estratégia da Sagem, baseada no desenvolvimento de parcerias locais com as indústrias brasileiras de defesa", afirmou em nota a companhia. "A Optovac produzirá e assistirá uma ampla gama de equipamentos da linha da Sagem. Seus negócios também incluirão o desenvolvimento de soluções que atendam aos requisitos das forças armadas brasileiras".
A Optovac teve alguma atuação no setor espacial. Há alguns anos, a empresa participou da concorrência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para o fornecimento do imageador do satélite Amazônia-1, em parceria com a Equatorial Sistemas, de São José dos Campos (SP). Anteriormente, a indústria também já havia desenvolvido um sensor de estrelas para o INPE.
A aquisição é mais um indicativo de que o processo de consolidação do setor industrial brasileiro de defesa ainda não terminou. Em março, na coluna "Defesa & Negócios" da edição n.º 128 da revista Tecnologia & Defesa, já havíamos revelado que os principais players do setor analisavam oportunidades no setor ótico. Novos movimentos não são descartados.
T&D está fazendo a cobertura de Eurosatory, considerada a feira mais importante sobre forças terrestres do mundo. Ainda hoje, serão publicadas em seu website notas exclusivas sobre o que se comenta nos bastidores. Abaixo, adiantamos algumas, relacionadas a projetos de defesa, mas também com implicações em programas espaciais.
Sisfron e SisGAAz avançam
Nos bastidores da Eurosatory, são muitos os comentários sobre os avanços no projeto do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron). Na última semana, o Exército Brasileiro enviou às empresas que responderam às solicitações de informações (RFI, sigla em inglês) a solicitação de propostas (RFP, sigla em inglês), que deverá ser respondida até o início de julho. Em paralelo, a Marinha do Brasil também está avançando com o programa do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), que se encontra em fase de RFI. As informações das empresas devem ser enviadas à MB até o final dessa semana.
Sisfron: Thales, AG e Avibrás?
Ainda sobre o Sisfron, uma informação surpreendente. A joint-venture do grupo francês Thales com a construtora brasileira Andrade Gutierrez, criada no final do ano passado, respondeu o RFI em parceria com a Avibras Aeroespacial, de São José dos Campos (SP). Ao que tudo indica, o "namoro" com a Odebrecht, muito comentado desde o final de 2012, parece ter desandado.
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terça-feira, 24 de abril de 2012
Luc Vigneron, presidente da Thales, em visita ao Brasil
De acordo com informação disponível em sua agenda, o ministro da Defesa, Celso Amorim, recebeu em audiência ontem (23), em Brasília (DF), o presidente mundial do grupo Thales, Luc Vigneron.
Não foram divulgadas mais informações, mas é provável que Vigneron tenha vindo fazer uma visita de cortesia para reforçar os interesses do grupo no País, que não são poucos. Nas áreas aeroespacial e de defesa, passa pelo Programa F-X2, da Força Aérea Brasileira (a Thales é um dos membros do consórcio Rafale Internacional), PROSUPER, da Marinha do Brasil, Sisfron, SisGAAz, e também satélites (não apenas o Satélite Geoestacionário Brasileiro, o projeto mais evidente de todos, mas também satélites de observação, tema que o blog abordará em breve). A presença da Thales no Brasil vem de décadas (de fato, antes mesmo de se chamar Thales). O grupo conta com uma unidade industrial em São Bernardo do Campo (SP), a Omnisys, adquirida há alguns anos, e também uma parceria com a Andrade Gutierrez.
Na coluna "Defesa & Negócios" da última edição de Tecnologia & Defesa, revelamos que a Thales está reforçando a sua presença local com a transferência da vice-presidência do grupo para a região da América Latina, antes baseada no México, para o Brasil, num escritório em São Paulo, a ser liderado pelo argentino Cesar Kuberek.
segunda-feira, 26 de março de 2012
Embraer e SGB no Valor de hoje
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Satélites vão encorpar carteira da Embraer
26/03/2012
A entrada da Embraer no segmento espacial, com o projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), poderá representar valor adicional superior a R$ 700 milhões em sua carteira de pedidos, que em 2012 está estimada em cerca de US$ 3,4 bilhões.
Desse valor, segundo o presidente da empresa, Luiz Carlos Aguiar, US$ 2 bilhões estão relacionados ao desenvolvimento do cargueiro militar KC-390 e outros US$ 1,1 bilhão aos programas de modernização de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Marinha. O restante se divide entre as vendas do Super Tucano, das aeronaves de vigilância aérea e serviços.
O primeiro satélite SGB, que será adquirido no exterior, pelo prazo relativamente curto definido pelo governo para se ter o equipamento, estará voltado para comunicação governamental e internet em banda larga. O projeto já foi incluído no PPA de 2012-2015, com uma previsão de investimentos da ordem de R$ 716 milhões.
A contratação da Embraer e da Telebras para o projeto do SGB, segundo Aguiar, ainda não está formalizada, mas a expectativa do executivo é que o processo seja efetivado em breve. As duas empresas anunciaram, em novembro do ano passado, a celebração de um memorando de entendimento para a constituição de sociedade, na qual a Embraer terá 51% de participação e a Telebras de 49%.
Aguiar explica que num primeiro momento o papel da Embraer no projeto do SGB será o de fazer a gestão da cadeia de suprimento e de logística de todo o satélite, que será comprado de um fornecedor externo. "Também estará sob nossa responsabilidade a montagem de uma metodologia de absorção e retenção de tecnologia desses fornecedores para que futuramente a empresa tenha capacidade de desenvolver um satélite 100% brasileiro", explicou.
A localização da nova empresa, segundo o executivo, provavelmente será em São José dos Campos (SP), onde está concentrado hoje todo know-how brasileiro em tecnologia espacial. O executivo disse que pelo fato de a Embraer não ter atuação nessa área, as parcerias tecnológicas com outras empresas serão um caminho natural. "A Embraer já se vê no futuro como uma fabricante de satélites", afirmou o executivo.
O plano de negócios da Embraer Defesa e Segurança, diz o executivo, prioriza o crescimento da empresa por meio da diversificação de atividades. "Estávamos focados em aeronáutica e agora estamos avançando para área de segurança. O crescimento é desafiador, pois saímos de uma participação de 6% na receita global da Embraer em 2006 para chegar a quase 15% em 2011", disse. A perspectiva para 2020, segundo ele, é que a área de defesa e segurança responda por entre 20% e 25% do faturamento da companhia.
Grande parte desse crescimento, afirma ele, foi motivado pela mudança de postura do governo em relação à área de defesa ao definir a Estratégia Nacional de Defesa (END) com objetivos claros de apoio ao fortalecimento da indústria nacional.
"Temos a visão de cumprir a missão de fornecer soluções competitivas para as Forças Armadas, procurando fortalecer as capacitações existentes no Brasil e, pontualmente, gerar algumas parcerias internacionais, mas não de maneira genérica", afirma o executivo ao comentar sobre a possibilidade de novas parcerias estratégicas em áreas onde ainda não possui domínio.
Aguiar cita o exemplo da joint-venture Harpia, criada a partir de uma associação com a Aeroeletrônica, empresa controlada pelo grupo israelense Elbit e que hoje tem uma participação expressiva nos programas de modernização de aeronaves da FAB.
"A Harpia, que estará focada no desenvolvimento de vants (veículo aéreo não tripulado), tem um componente estrangeiro, mas toda a configuração destes veículos será desenvolvida no Brasil e com propriedade intelectual nacional", afirmou.
Além da Aeroeletrônica, da qual adquiriu uma participação de 25%, a Embraer também estabeleceu parceria em 2011 com as empresas brasileiras Atech, onde detém 50% de participação e a divisão de radares da Orbisat, com 64,7% do capital social da empresa.
As parcerias anunciadas em 2011, segundo Aguiar, já permitem à empresa disputar com competência aos projetos do governo em áreas estratégicas da defesa, incluindo radares de vigilância, vants, C41 (soluções integradas de comando, controle, comunicação, computação e inteligência) e sensoriamento remoto.
Aproveitando o expertise da parceira Atech em integração de sistemas, que adquiriu com o projeto do Sivam (Sistema de Proteção e Vigilância da Amazônia), a Embraer quer ainda canalizar boa parte dos seus esforços no Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), projeto do Exército Brasileiro, que em 15 anos prevê movimentar investimentos da ordem de R$ 12 bilhões.
Fonte: Valor Econômico, 26/03/2012
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Satélites vão encorpar carteira da Embraer
26/03/2012
A entrada da Embraer no segmento espacial, com o projeto do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), poderá representar valor adicional superior a R$ 700 milhões em sua carteira de pedidos, que em 2012 está estimada em cerca de US$ 3,4 bilhões.
Desse valor, segundo o presidente da empresa, Luiz Carlos Aguiar, US$ 2 bilhões estão relacionados ao desenvolvimento do cargueiro militar KC-390 e outros US$ 1,1 bilhão aos programas de modernização de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) e da Marinha. O restante se divide entre as vendas do Super Tucano, das aeronaves de vigilância aérea e serviços.
O primeiro satélite SGB, que será adquirido no exterior, pelo prazo relativamente curto definido pelo governo para se ter o equipamento, estará voltado para comunicação governamental e internet em banda larga. O projeto já foi incluído no PPA de 2012-2015, com uma previsão de investimentos da ordem de R$ 716 milhões.
A contratação da Embraer e da Telebras para o projeto do SGB, segundo Aguiar, ainda não está formalizada, mas a expectativa do executivo é que o processo seja efetivado em breve. As duas empresas anunciaram, em novembro do ano passado, a celebração de um memorando de entendimento para a constituição de sociedade, na qual a Embraer terá 51% de participação e a Telebras de 49%.
Aguiar explica que num primeiro momento o papel da Embraer no projeto do SGB será o de fazer a gestão da cadeia de suprimento e de logística de todo o satélite, que será comprado de um fornecedor externo. "Também estará sob nossa responsabilidade a montagem de uma metodologia de absorção e retenção de tecnologia desses fornecedores para que futuramente a empresa tenha capacidade de desenvolver um satélite 100% brasileiro", explicou.
A localização da nova empresa, segundo o executivo, provavelmente será em São José dos Campos (SP), onde está concentrado hoje todo know-how brasileiro em tecnologia espacial. O executivo disse que pelo fato de a Embraer não ter atuação nessa área, as parcerias tecnológicas com outras empresas serão um caminho natural. "A Embraer já se vê no futuro como uma fabricante de satélites", afirmou o executivo.
O plano de negócios da Embraer Defesa e Segurança, diz o executivo, prioriza o crescimento da empresa por meio da diversificação de atividades. "Estávamos focados em aeronáutica e agora estamos avançando para área de segurança. O crescimento é desafiador, pois saímos de uma participação de 6% na receita global da Embraer em 2006 para chegar a quase 15% em 2011", disse. A perspectiva para 2020, segundo ele, é que a área de defesa e segurança responda por entre 20% e 25% do faturamento da companhia.
Grande parte desse crescimento, afirma ele, foi motivado pela mudança de postura do governo em relação à área de defesa ao definir a Estratégia Nacional de Defesa (END) com objetivos claros de apoio ao fortalecimento da indústria nacional.
"Temos a visão de cumprir a missão de fornecer soluções competitivas para as Forças Armadas, procurando fortalecer as capacitações existentes no Brasil e, pontualmente, gerar algumas parcerias internacionais, mas não de maneira genérica", afirma o executivo ao comentar sobre a possibilidade de novas parcerias estratégicas em áreas onde ainda não possui domínio.
Aguiar cita o exemplo da joint-venture Harpia, criada a partir de uma associação com a Aeroeletrônica, empresa controlada pelo grupo israelense Elbit e que hoje tem uma participação expressiva nos programas de modernização de aeronaves da FAB.
"A Harpia, que estará focada no desenvolvimento de vants (veículo aéreo não tripulado), tem um componente estrangeiro, mas toda a configuração destes veículos será desenvolvida no Brasil e com propriedade intelectual nacional", afirmou.
Além da Aeroeletrônica, da qual adquiriu uma participação de 25%, a Embraer também estabeleceu parceria em 2011 com as empresas brasileiras Atech, onde detém 50% de participação e a divisão de radares da Orbisat, com 64,7% do capital social da empresa.
As parcerias anunciadas em 2011, segundo Aguiar, já permitem à empresa disputar com competência aos projetos do governo em áreas estratégicas da defesa, incluindo radares de vigilância, vants, C41 (soluções integradas de comando, controle, comunicação, computação e inteligência) e sensoriamento remoto.
Aproveitando o expertise da parceira Atech em integração de sistemas, que adquiriu com o projeto do Sivam (Sistema de Proteção e Vigilância da Amazônia), a Embraer quer ainda canalizar boa parte dos seus esforços no Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), projeto do Exército Brasileiro, que em 15 anos prevê movimentar investimentos da ordem de R$ 12 bilhões.
Fonte: Valor Econômico, 26/03/2012
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Reportagem sobre o SISCOMIS e SGB
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Elemento estratégico - Comunicações por satélite
Um panorama do SISCOMIS e as perspectivas do SGB
André M. Mileski
Desde o início da década de 2000 que, dentro do governo, se fala sobre o Satélite Geoestacionário Brasileiro, também conhecido como Sistema Geoestacionário Brasileiro, ou simplesmente pela sigla SGB. Em 2003, na edição n.º 103 de Tecnologia & Defesa, foi publicada uma reportagem até então exclusiva, intitulada “Um Passo Fundamental - O Satélite Geoestacionário Brasileiro”, que indicava os planos e objetivos para dispor de um satélite de órbita geoestacionária que atendesse algumas necessidades do País.
Passados quase dez anos, o governo parece, finalmente, ter tomado a decisão de seguir adiante com o projeto. O SGB de hoje, no entanto, focado em comunicações, é bem diferente daquele desenhado anteriormente, que pretendia dotar o Brasil de um sistema de controle de tráfego aéreo envolvendo satélites, atendendo compromissos assumidos perante a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) e, secundariamente, prover comunicações estratégicas e também imageamento para fins meteorológicos.
A viabilização
Com o ressurgimento da estatal Telebras, de telecomunicações, em meados de 2010, especulava-se sobre a possibilidade de seu envolvimento no SGB, o que acabou se materializando.
No final de agosto passado, o Governo Federal divulgou o Plano Plurianual (PPA) 2012/2015 que, grosso modo, estabelece os principais projetos e programas para um período de quatro anos, no caso, de 2012 a 2015. E um dos que lá figuram é o do “lançamento de satélite para comunicações” pela Telebras, com custo total estimado de R$ 716 milhões, iniciando-se em 1º de janeiro de 2012 e se encerrando em 31 de dezembro de 2015. No orçamento de 2012, constam investimentos de R$ 55,7 milhões, com a expectativa de que um contrato para o primeiro satélite seja assinado neste mesmo ano.
O satélite será destinado prioritariamente para atender o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), sob a responsabilidade da Telebras, e também as necessidades em comunicações das Forças Armadas, atendidas pelo Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS).
O objetivo é que o primeiro SGB seja lançado em 2014, com um segundo satélite, com recursos ainda a serem obtidos, sendo colocado em órbita em 2019. Muito embora ainda não tenha ocorrido a contratação do sistema, as informações recebidas por Tecnologia & Defesa indicam que o satélite terá grande porte – de 5 a 6 toneladas, contando com transpônderes em banda X, para uso exclusivo militar, e Ka, focada no atendimento do PNBL, mas que também poderá ser usada para a comunicação com veículos aéreos não tripulados.
Em evento sobre satélites realizado no início de outubro último, o general-de-divisão Celso José Tiago (ver entrevista [nota do blog: a entrevista será reproduzida no blog ainda essa semana]), responsável pelo SGB no Ministério da Defesa, destacou a intenção de que o SGB ocupe uma posição orbital que lhe permita cobrir o Atlântico, o continente africano e o Mediterrâneo, regiões de interesse estratégico para o País.
Movimentações empresariais
Definida a modelagem do programa SGB e a sua viabilização por meio da Telebras, o governo, num processo coordenado por vários ministérios liderados pelos das Comunicações e da Defesa, e em linha com a Estratégia Nacional de Defesa, buscou inserir a indústria nacional no projeto, o que se deu de forma bastante célere.
No início de novembro de 2011, a Embraer e a Telebras assinaram um memorando de entendimentos visando a constituição de sociedade, na qual a Embraer terá participação de 51%, e a Telebras de 49%, para atuar no plano de desenvolvimento satelital para o Brasil, incluindo o PNBL e comunicações estratégicas de defesa e governamentais. A joint-venture, cuja montagem estava em fase de negociações finais até o fechamento desta edição, vai contratar, integrar e operar o sistema em benefício dos usuários finais.
De acordo com Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança, o SGB deverá contar com significativo envolvimento da Atech Negócios em Tecnologias S/A, empresa da qual a Embraer adquiriu 50% de participação em abril de 2011, em razão de sua grande expertise em integração de sistemas. A Atech esteve envolvida no programa do Sistema de Vigilância e Proteção da Amazônia (SIVAM/SIPAM), e também foi contratada, em 2010, para a elaboração do projeto básico do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), do Exército Brasileiro. No final, o objetivo é que todos os sistemas brasileiros, como o de controle de tráfego e defesa aérea, de monitoramento de fronteiras e de comunicações via satélite estejam operando integrados.
Em paralelo a isso, os fabricantes de satélites também se movimentam, e dois despontam como favoritos, ao menos nas informações que circulam nos bastidores: a Astrium, do grupo europeu EADS, e a franco-italiana Thales Alenia Space, não se descartando a possibilidade de uma proposta conjunta. A França e a Itália, aliás, firmaram acordos de cooperação estratégica com o Brasil que incluem possíveis iniciativas em comunicações militares por satélite, facilitando as negociações e acordos comerciais.
Oportunidades também surgirão em outros segmentos além do espacial, como o terrestre, com o fornecimento de estações de recepção e transmissão de dados, lançamento e colocação do satélite em órbita final, por exemplo. Nesta área em específico, a Telespazio Brasil, controlada pela Finmeccanica e Thales, já demonstrou seu interesse em participar do projeto, inclusive dentro de uma lógica de transferência de competências.
Muito embora esteja prevista a participação nacional, liderada pela Embraer Defesa e Segurança, no projeto do SGB, fato é que isso se dará mais na de aquisição e integração do sistema e não na fabricação do satélite propriamente dita. No entanto, a possibilidade de que a indústria brasileira esteja presente, no futuro, da construção de subsistemas e componentes para novos satélites não é descartada. A atuação da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) nos comitês de trabalho criados pelos ministérios das Comunicações e da Defesa é uma sinalização dessa intenção.
SISCOMIS
O SGB, quando em órbita, também se integrará ao Sistema de Comunicações Militares por Satélite (SISCOMIS), do Ministério da Defesa. A origem das telecomunicações militares no Brasil, por sinal, data de 1985, a partir de um trabalho interministerial elaborado pelo antigo Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), que implantou o SISCOMIS. Buscava-se dotar o País da capacidade de operar, desde o tempo de paz, uma rede de comunicações exclusivas e confiáveis do Alto-Comando das Forças Armadas às mais altas autoridades civis do Governo Federal e a Presidência da República.
Para tanto, foi criada em 9 de dezembro de 1991 a Comissão de Desenvolvimento do Projeto e da Implantação do Sistema de Comunicações Militares por Satélite (CISCOMIS), com atribuições para coordenação dos trabalhos relativos, incluindo a implantação, avaliação e acompanhamento do sistema.
Os estudos realizados pela comissão culminaram com a aprovação de um projeto que levou em consideração, predominantemente, a interligação entre as autoridades e os aspectos estratégicos do início a década de 1990, baseados na importância geopolítica do Cone Sul. Sob este contexto, foram criadas três estações terrenas, a de Brasília (DF), de Curitiba (PR) e no Rio de Janeiro (RJ). A partir de 2000, houve um processo de expansão, com destaque à região amazônica, sendo criadas outras cinco estações: Manaus (AM), Campo Grande (MS), Belém (PA), Porto Alegre (RS) e Natal (RN). As estações terrestres estão interligadas por meio de fibras ópticas ou enlaces rádio, dependendo das características do terreno.
O segmento espacial é composto por dois transponders de banda X, de uso exclusivo das Forças Armadas, a bordo dos satélites Star One C1 e C2, operados pela Star One, subsidiária da Embratel. Também um canal em banda Ku é alugado da Star One, do satélite Star One C1, complementando toda a rede pela qual trafegam sinais de voz, fax, dados e vídeo (videoconferência). Pela banda X operam as Estações Tático-Transportáveis (ETT), comumente utilizadas em manobras e exercícios das Forças Armadas brasileiras.
Em 2011, o SISCOMIS recebeu e colocou em uso mais dois terminais transportáveis e outros cinco terminais transportáveis leves. Até o momento, foram recebidos, em fábrica, mais 29 terminais transportáveis, que serão colocados em uso em março de 2012. Assim, o SISCOMIS contará com 88 terminais, que atenderão satisfatoriamente às principais demandas das instituições militares. O sistema possui uma área de abrangência que cobre toda a América do Sul, o Caribe, a Antártida e proximidades da costa da África. Anualmente, conta com um orçamento em torno de R$ 18,5 milhões, utilizado para a sua operação e eventual complementação.
O SISCOMIS passou por um crescimento considerável nos últimos anos, não apenas localmente, mas também no exterior. Três terminais transportáveis são operados pela missão brasileira no Haiti, provendo comunicações com o Brasil. No terremoto que assolou aquele país em janeiro de 2010, o SISCOMIS demonstrou a sua importância, pois os primeiros contatos entre o comando, em Brasília, e a missão brasileira foram providos pela rede.
O aumento do emprego, que tem exigido do Ministério da Defesa a constante atualização e complementação do segmento terrestre, aliado às expectativas de crescimento e evolução com a chegada do SGB, tem aberto boas oportunidades comerciais. No final de novembro passado, a empresa brasileira Arycom promoveu, na capital federal, um seminário sobre novas soluções em comunicações militares por satélite, ocasião em que, dentre outras, apresentou o terminal portátil Panther Manpack, da estadunidense L-3 Communications, destinado para uso exclusivo militar, capaz de operar nas bandas Ku, Ka ou X, atingindo velocidades de transmissão superiores a 2Mbps.
Fonte: Tecnologia & Defesa n.º 127, dezembro de 2011.
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domingo, 9 de outubro de 2011
Satélites 2011: informações sobre o SGB
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Durante o Congresso Latino-Americano de Satélites, que aconteceu no Rio de Janeiro entre os dias 6 e 7 de outubro, a apresentação certamente mais aguardada e que mais interessava aos presentes foi a última, sobre o Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB), num enfoque de Defesa ("O Novo Projeto da Indústria Aeroespacial Brasileira; O papel do satélite na Defesa; Complementariedade Governo/Iniciativa Privada"). Representantes do Ministério da Defesa, da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do Comando da Aeronáutica, além de executivos da indústria fizeram apresentações com visões e propostas para o tão aguardado projeto.
A transformação do SISDABRA
O general Celso José Tiago, do Ministério da Defesa, apresentou um panorama sobre satélites para a Defesa, em linha com as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa (END). Conforme esperado, discorreu brevemente sobre os projetos do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), e do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), que demandarão capacidade espacial, não apenas em comunicações, mas também em navegação, meteorologia e observação terrestre. De acordo com o general, o projeto básico do SISFRON está muito próximo de ser concluído, e pelos planos do governo, deve começar a ser implantado a partir de 2013, com um horizonte de dez anos.
Mas, o cerne da apresentação do general Tiago esteve no que ele chamou de transformação do Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDABRA), onde o SGB acaba se inserindo. Hoje preocupado com a proteção do espaço aéreo, o sistema será transformado e passará a também se preocupar com o segmento espacial, em linha com os ditames da END: "O SISDABRA (...) disporá de um complexo de monitoramento, incluindo veículos lançadores, satélites geoestacionários e de monitoramento, aviões de inteligência e respectivos aparatos de visualização e de comunicações, que estejam sob integral domínio nacional."
Muito embora não pareça haver uma definição oficial sobre as especificações do primeiro satélite, os comentários convergem para o seguinte: um satélite de grande porte, em torno de cinco toneladas, com transpônderes em banda Ka (foco no atendimento ao Plano Nacional de Banda Larga), e X (comunicações governamentais e militares). Uma fonte governamental comentou com o blog que o Ministério da Defesa possivelmente também fará uso da capacidade em banda Ka, adequada para comunicações com veículos aéreos não tripulados (VANTs). De acordo com o general Tiago, o objetivo é que o SGB ocupe uma posição orbital que lhe permita cobrir o Atlântico, o continente africano e o Mediterrâneo [na semana passada, partiu do Rio de Janeiro uma fragata da Marinha do Brasil que participará de uma missão das Nações Unidas no Líbano, na região do mediterrâneo. Tal fragata fará uso de sistemas comerciais de comunicação via satélite, possivelmente Inmarsat, para as comunicações com o governo/Marinha].
As movimentações empresariais
A expectativa do governo é de que até o final desse ano, seja selecionada uma empresa brasileira para atuar como contratante principal do SGB. Nesse sentido, já ocorrem movimentações empresariais, e segundo rumores, Odebrecht, Embraer Defesa e Segurança, Schahin e Andrade Gutierrez são alguns dos grupos interessados em atuar no projeto.
Paralelamente à definição sobre o contratante principal, os fabricantes também se movimentam. Vários executivos de fabricantes estrangeiros estavam presentes no evento. Laurent Mourre, diretor geral da Thales no Brasil, apresentou o histórico e experiência da Thales Alenia Space (joint-venture da Thales com o grupo Finmeccanica, da Itália) em satélites militares de comunicações. Mourre defendeu a ideia de que um único fornecedor de satélites seja contratado, e também falou sobre a possibilidade de transferência tecnológica para indústrias brasileiras a serem envolvidas nos próximos satélites da rede. "Estamos dispostos a apoiar iniciativas da indústria brasileira que visem ao atendimento das necessidades do país", afirmou.
A Astrium, do grupo EADS, liderada no País pelo experiente executivo Jean-Noel Hardy, também se posiciona como forte candidata.
Uma proposta conjunta por diferentes fabricantes, inclusive, não pode ser descartada, pelo que o blog ouviu de algumas pessoas bem familiarizadas com o tema.
Indicando o caráter estratégico do projeto para as relações Brasil e França, convém destacar que a "cooperação em matéria de sistemas satelitais geoestacionários" é um dos itens que constam da parceria estratégica firmada entre os governos brasileiro e francês em dezembro de 2008. Outro indicativo do grande interesse francês pelo projeto é a visita do general Tiago, do Ministério da Defesa, às dependências do projeto de satélites militares da série SYRACUSE, na França, por ocasião da 6ª Reunião do Grupo de Trabalho Conjunto Brasil - França, que acontecerá na segunda quinzena desse mês, conforme publicado na última sexta-feira (07) no Diário Oficial da União.
A questão da transferência tecnológica
Ponto que tem gerado muita confusão sobre o SGB é a tão falada transferência de tecnologia. Fato é que, para se atender o objetivo de tê-lo em órbita em 2014, o primeiro satélite será integralmente contratado no exterior, sem envolvimento industrial nacional no segmento espacial. Há, no entanto, a expectativa de que empresas brasileiras participem do segmento solo (estações de controle e recepção), atividades de engenharia de sistemas e concepção da rede, dentre outros trabalhos associados. Para os próximos satélites, a serem lançados a partir do final da década, espera-se que a indústria brasileira seja capaz de participar, fornecendo componentes, efetuando testes ou mesmo atuando como integradoras. É por este motivo que a AEB foi chamada para participar do projeto, devendo zelar e tomar as medidas necessárias para que haja algum desenvolvimento industrial com base no SGB.
A intenção do governo, conforme revelado ao blog por uma fonte governamental, é de que no futuro o Brasil disponha de uma contratante principal de satélites, não apenas os de comunicações para o SGB, mas também de observação terrestre e de outras finalidades para atenderem as necessidades do País. Inclusive, um modelo de prime contractor apresentado pela AEB aos outros setores do governo é o da argentina INVAP. Este é um assunto que o blog voltará a abordar em breve.
Com o primeiro satélite, contratado no exterior, a intenção é a de que haja absorção tecnológica, segundo disse Himilcon Carvalho, diretor de política espacial e investimentos estratégicos da AEB. Isto é, a contratante principal deverá adquirir capacidade e conhecimento para o gerenciamento de projetos e sistemas, controle do satélite, dentre outros aspectos relacionados a sua operação. Basicamente, seria a mesma capacidade hoje detida no Brasil pela Star One, da Embratel, que contrata e opera diretamente os seus satélites, com competência nessas áreas internacionalmente reconhecida.
Uma proposta da ACS?
A binacional Alcântara Cyclone Space (ACS), na pessoa de seu Chief Commercial Officer, Sergiy Guchenkov, chamou a atenção ao apresentar sua proposta, turn-key para o SGB, isto é, adquirir o satélite, montar e o sistema e entregá-lo para o operador já em órbita. Ao invés de se fazer de início um satélite de maior porte, como planejado, sua proposta é que sejam construídos dois satélites menores, de massa inferior a 1.700 kg, possibilitando o lançamento pelo Cyclone 4 a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, e também viabilizando um back-up para o sistema. De acordo com Guchenkov, o total de recursos disponível para o projeto (R$ 716 milhões) seriam suficientes para a construção dos dois satélites, assim como de seu lançamento, com total transferência de tecnologia para o País. A ACS disporia, ainda, de parceiros industriais na área de satélites com capacidade para desenvolvê-los e construi-los dentro do prazo necessário. O blog Panorama Espacial questionou o executivo sobre quem seriam estes parceiros, perguntando se a canadense MDA, que já está construindo um satélite de comunicações para o governo ucraniano, seria uma delas. Guchenkov confirmou o nome da MDA, mas afirmou que também existem outros parceiros. O executivo destacou também que os satélites poderiam ser financiados externamente, com garantia soberana do Brasil, sem necessidade de se aplicar recursos orçamentários do governo.
Apesar de ainda não serem conhecidos muitos detalhes, um ponto que talvez mereça especial consideração da proposta da ACS é a eventual necessidade de um acordo de salvaguardas tecnológicas com o governo dos EUA para o lançamento de satélites a partir do Brasil, associada com a questão do International Traffic in Arms Regulation (ITAR), tema frequentemente abordado aqui no blog. Havendo um eventual envolvimento da MDA na construção do satélite, dificilmente estes serão "ITAR-free", isto é, sem componentes de origem norte-americana, o que dificultaria o seu lançamento pela ACS no Brasil sem a existência de salvaguardas bilaterais entre EUA e Brasil. Ainda, importante ressaltar que soluções "ITAR-free" costumam ter um custo mais elevado e, muitas vezes, não têm a necessária maturidade tecnológica, o que seria um risco adicional ao sistema. Imagina-se que o governo brasileiro levará em consideração todos estes aspectos e riscos quando a decisão for tomada.
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011
EADS e Thales juntas no Sisfron e SisGAAz?
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EADS estuda parceria por contrato de US$ 10,1 bi no Brasil
03 de outubro de 2011 • 07h19 • atualizado 08h53
O presidente-executivo da EADS, Louis Gallois, afirmou nesta segunda-feira ao Le Figaro que o grupo está aberto a uma aliança com a francesa Thales para vencer um contrato de cinco anos de vigilância de fronteira no Brasil, avaliado em 7,5 bilhões de euros (US$ 10,1 bilhões).
A EADS já tem uma joint-venture no segmento de segurança com o conglomerado brasileiro Odebrecht e está abrindo uma nova fábrica de helicópteros em Itajubá (MG). "Não descartamos nos associar à Thales para vencer este contrato", afirmou Gallois. A futura oferta pública para o contrato cobre fronteiras marítimas e terrestres, segundo o Le Figaro. A Thales não estava imediatamente disponível para comentar o assunto.
Fonte: Reuters, via Portal Terra.
Comentários: é a primeira vez que a EADS oficialmente fala sobre a possibilidade de uma parceria com a sua concorrente Thales visando aos projetos dos Sistemas Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), e de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), muito embora isso já fosse objeto de alguma especulação e comentários de bastidores. Desde 2010, circulam rumores de que o próprio governo francês, no escopo da parceria estratégica firmada com o Brasil em dezembro de 2008, teria indicado ao governo brasileiro o seu apoio à proposta da Cassidian (EADS) para o SisGAAz, e da Thales para o Sisfron. Uma parceria entre os dois conglomerados europeus para oportunidades no Brasil, no entanto, exigiria uma "costura" extremamente complexa e difícil, principalmente levando-se em consideração outros possíveis atores. Conveniente mencionar que os dois projetos de monitoramento e gerenciamento terão implicações na área espacial.
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EADS estuda parceria por contrato de US$ 10,1 bi no Brasil
03 de outubro de 2011 • 07h19 • atualizado 08h53
O presidente-executivo da EADS, Louis Gallois, afirmou nesta segunda-feira ao Le Figaro que o grupo está aberto a uma aliança com a francesa Thales para vencer um contrato de cinco anos de vigilância de fronteira no Brasil, avaliado em 7,5 bilhões de euros (US$ 10,1 bilhões).
A EADS já tem uma joint-venture no segmento de segurança com o conglomerado brasileiro Odebrecht e está abrindo uma nova fábrica de helicópteros em Itajubá (MG). "Não descartamos nos associar à Thales para vencer este contrato", afirmou Gallois. A futura oferta pública para o contrato cobre fronteiras marítimas e terrestres, segundo o Le Figaro. A Thales não estava imediatamente disponível para comentar o assunto.
Fonte: Reuters, via Portal Terra.
Comentários: é a primeira vez que a EADS oficialmente fala sobre a possibilidade de uma parceria com a sua concorrente Thales visando aos projetos dos Sistemas Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), e de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), muito embora isso já fosse objeto de alguma especulação e comentários de bastidores. Desde 2010, circulam rumores de que o próprio governo francês, no escopo da parceria estratégica firmada com o Brasil em dezembro de 2008, teria indicado ao governo brasileiro o seu apoio à proposta da Cassidian (EADS) para o SisGAAz, e da Thales para o Sisfron. Uma parceria entre os dois conglomerados europeus para oportunidades no Brasil, no entanto, exigiria uma "costura" extremamente complexa e difícil, principalmente levando-se em consideração outros possíveis atores. Conveniente mencionar que os dois projetos de monitoramento e gerenciamento terão implicações na área espacial.
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sábado, 16 de julho de 2011
Marinha do Brasil assina contrato para SisGAAz
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Marinha do Brasil e Atech assinam contrato para delinear o SisGAAZ
Qui, 14 de Julho de 2011 18:00
A Atech e a Marinha do Brasil (MB) firmaram no último dia 07 um contrato para delinear a arquitetura do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz). No ato de assinatura do documento, a Fundação de Aplicações de Tecnologias Críticas (Atech) esteve representada por seu presidente, Tarcísio Takashi Muta, e a MB pelo diretor de Sistemas de Armas da Marinha, vice-almirante Elis Treidles Öberg.
O SisGAAz é integrador de vários outros sistemas, com o objetivo ampliar a capacidade de monitoramento das águas jurisdicionais brasileiras e das regiões de busca e salvamento (SAR) que estão sob responsabilidade do Brasil, em cumprimento a acordos internacionais assinados pelo governo. Adicionalmente, possibilitará uma rápida reação a eventuais ameaças detectadas e identificadas, contribuindo para a proteção e a defesa dessa imensa área marítima. Trata-se de um complexo e abrangente sistema de monitoramento, controle, proteção e defesa, composto por meios operacionais da MB e por diversos tipos de sensores que integrarão redes de informação e de apoio à decisão. Toda a inteligência reunida nos vários níveis de atuação, contribuirá para a obtenção de uma acurada consciência situacional da área marítima coberta pelo SisGAAz.
Fonte: Tecnologia & Defesa
Comentários: o valor do contrato firmado pela Marinha do Brasil com a Fundação Atech é de R$ 31.017.610,00, segundo publicado no Diário Oficial da União em 8 de julho. Interessante observar que, diferentemente do caso do Sisfron, quem está envolvido com a concepção do projeto básico do SisGAAz é a Fundação Atech, e não uma das empresas de seu grupo, a Atech Negócios em Tecnologias S.A. Embora possa parecer um mero detalhe contratual, este aspecto tem implicações negociais importantes, uma vez que a Atech Negócios em Tecnologias S.A. tem como uma de suas sócias, com 50% de participação, a Embraer Defesa e Segurança.
O blog Panorama Espacial tem abordado com certa frequência os projetos do Sisfron e SisGAAz, uma vez que estes contarão com segmentos espaciais ou, ao menos, exigirão a contratação de serviços oferecidos por satélites (comunicações, meteorologia, navegação e observação terrestre). No início de junho, Tecnologia & Defesa publicou um suplemento especial sobre segurança marítima (em breve, disponibilizaremos o link para acesso a sua íntegra), dando especial enfoque ao SisGAAz. Em entrevista para a coleta de informações para a elaboração de uma das reportagens, uma pessoa que acompanha os desdobramentos do projeto comentou que a Marinha considerava contar com uma constelação de satélites de órbita baixa para a recepção e transmissão de dados AIS (Automatic Identification System) de embarcações situadas na costa brasileira. Este tipo de serviço já é oferecido no mercado por algumas empresas, como a Orbcomm e a LuxSpace (OHB Systems), e existem também cargas úteis secundárias para a oferta desse serviço em alguns satélites governamentais, como o indiano Resourcesat-2, dentre outros. Apesar da intenção em se dispor de uma constelação para AIS possa parecer muito otimista, a ideia indica mais uma vez a importância que o segmento espacial terá para redes como o Sisfron e SisGAAz, integrando ainda outros sistemas, como o de controle de tráfego aéreo e defesa aérea.
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quinta-feira, 23 de junho de 2011
Notícias do Salão de Le Bourget
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Abaixo, destacamos algumas notas sobre notícias do salão de Le Bourget, que acontece esta semana em Paris, França, sobre o que mais de importante aconteceu em termos de atividades espaciais.
Brasil e Itália
Numa conferência para jornalistas, Giuseppe Orsi, presidente da Finmeccanica, destacou que o mercado brasileiro é considerado chave para o grupo, e listou o mercado de imagens de satélites, de responsabilidade da Telespazio, como um dos segmentos de interesse dos italianos. O interesse neste segmento foi reforçado por Paolo Pozzessere, vice-presidente de vendas internacionais da Finmeccanica. "O COSMO-SkyMed poderia ser um ativo muito importante ao Brasil para vigilância marítima", afirmou em entrevista concedida à Tecnologia & Defesa. No entanto, a ênfase para o desenvolvimento conjunto de uma missão espacial para imageamento radar, como a do COSMO-SkyMed, aparenta não ser a mesma que a de serviços. Embora haja interesse industrial do lado italiano (Thales Alenia Space), segundo uma pessoa consultada pelo blog e que acompanha o tema, o desenvolvimento conjunto e/ou construção de um satélite radar depende da celebração de um acordo de cooperação entre os dos paises. E faltaria celeridade, ou talvez prioridade, dos dois lados.
Thales, Finmeccanica, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa...
E as conversas dos grandes grupos aeroespaciais e defesa com os conglomerados de engenharia (conhecidos pela sigla "EPC", de Engineering, Procurement and Construction) brasileiros para atuação conjunta nos mercados de defesa e segurança (Sisfron, SisGAAz, defesa aérea, grandes eventos) continuam. Depois da Thales falar que mantém conversas com a Andrade Gutierrez, foi a vez da Finmeccanica mencionar a Camargo Corrêa e a própria Andrade Gutierrez, grupos com os quais estaria discutindo. Foi esclarecido que os italianos vão ter algum parceiro local, não necessariamente um dos dois mencionados, mas provavelmente uma empresa EPC. Em maio de 2010, a Cassidian, do grupo EADS, fechou acordo com a Odebrecht para a criação de uma joint-venture. Importante observação: Thales e Finmeccanica são sócias na Thales Alenia Space, o que talvez explique a citação da mesma empresa brasileira por dois grupos estrangeiros que em muitos mercados concorrem entre si. Provavelmente até o final do ano, o cenário das parcerias, cada player com seu parceiro local, estará definido.
Saito e Pohlmann em Le Bourget
Estiveram no salão autoridades do governo brasileiro, como o Brig. Juniti Saito, comandante da Aeronáutica, e o Brig. Ailton dos Santos Pohlmann, diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA). Na pauta do diretor do DCTA, instituição responsável pelas atividades espaciaisda Aeronáutica, reuniões e apresentações para discutir eventuais parcerias em lançadores.
Veículo de reentrada europeu
Em 22 de junho, a Agência Espacial Europeia (ESA, sigla em inglês) e a unidade italiana da Thales Alenia Space anunciaram um acordo para a construção de um veículo reutilizável de transporte espacial, o IXV (Intermediate EXperimentel Vehicle), cujo voo está previsto para 2013. O objetivo europeu é dispor de um veículo capaz de executar missões em órbita baixa e retornar autonomamente para a Terra, abrindo um leque variado de aplicações, como transporte e exploração espacial, serviços robóticos e infraestrutura espacial. O veículo experimental, que testará tecnologias para reentrada atmosférica, terá 2 toneladas de massa e alcançará altitudes de até 450 km, com velocidade de 7,5 km por segundo quando entrar na atmosfera. O design detalhado e tecnologias críticas do IXV já estão prontas, e o acordo alcançado permitirá a sua fabricação, montagem, integração e qualificação. O IXV deve voar em 2013 a bordo de um lançador Vega, em trajetória suborbital.
A espaçonave da Astrium
Desde 2006 trabalhando no conceito de uma nave para voos de "turistas" ao espaço, a Astrium, do grupo EADS, está em busca de recursos para avançar com o seu desenvolvimento. "O conceito do Spaceplane é muito maduro. Nós agora estamos em busca de recursos para o desenvolvimento", disse a jornalistas François Auque, presidente da Astrium. Um consórcio de empresas de Cingapura construirá um modelo em menor escala da nave, e é uma potencial parceira da Astrium caso o desenvolvimento seja viabilizado. Conceitualmente, o Spaceplane terá capacidade de levar até 4 passageiros a uma altitude de até 100 km, numa viagem com duração de duas horas, que permitiria vários minutos em ambiente de microgravidade.
Contrato da Arianespace
Em 21 de junho, a Arianespace anunciou ter sido escolhida pela operadora de serviços de comunicações SES, de Luxemburgo, para o lançamento do satélite Astra 5B em meados de 2013. A missão ficará a cargo do bem sucedido Ariane 5. "Nós estamos tanto orgulhosos como honrados mais uma vez pela oportunidade de trabalhar com uma operadora líder de satélites. A escolha da SES pela Arianespace é um claro reconecimento da qualidade e excelência de nosso serviço e soluções em lançamento", afirmou o presidente da Arianespace, Jean-Yves Le Gall.
Presença da Alcântara Cyclone Space
Apesar do momento conturbado por que passa, a binacional Alcântara Cyclone Space, que comercializará e operará missões do Cyclone 4 a partir do centro espacial de Alcântara (MA), está presente com um pequeno estande no pavilhão ucraniano do Paris Air Show. O blog questionou um dos representantes sobre as perspectivas de negócios e também visitas de possíveis parceiros e clientes. Embora o projeto ainda esteja em fase de concretização, o executivo afirmou: "Há interessados". Em 1º de julho, uma comitiva com integrantes da Agência Espacial Brasileira (AEB) e do DCTA, do Comando da Aeronáutica, embarca para a Ucrânia com o objetivo de discutir o momento por que passa a joint-venture. A comitiva será liderada pelo presidente da AEB, Marco Antonio Raupp, e pelo Brig. Ailton dos Santos Pohlmann, diretor do DCTA.
CBERS
No estande da China Great Wall Industry Corporation, o mais importante player industrial chinês no campo espacial, um painel destacava a cooperação entre Brasil e China, iniciada em 1988, com o projeto do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS, sigla em inglês). Diz o painel: "A China e o Brasil desenvolveram conjuntamente e lançaram com sucesso três satélites CBERS (ZY-1). Estes satélites enviaram centenas de milhares de imagens para a Terra, sendo tais dados sido amplamente usados em áreas tais como agricultura, atividades florestais, conservação de recursos hídricos, planejamento urbano, meio-ambiente, desastres, ciência, educação, meteorologia, comunicações e oceanografia. O CBERS é o precursor da cooperação em áreas de alta tecnologia entre países em desenvolvimento e é tido como um modelo para a cooperação sul-sul."
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